LÍDIA RIBEIRO
Lá vai brincando, pela mão de uma quimera
Essa garota que fui eu, sempre a sorrir
Como se a vida fosse eterna primavera
E não houvesse dor's no mundo pra sentir
As gargalhadas vêm poisar na janela
E ao ouvi-las tenho mais pena de mim
Ai quem me dera rir ainda como ela
Mas, quando eu rio, eu já não sei rir assim
Tenho a janela do peito
Aberta para o passado
Todo feito de fadistas e de fado
Espreita a alma na janela
Vai o passado a passar
E, ao ver-se nela, a alma fica a chorar
Neste desfile que passa
Fica a saudade sozinha
Até a Graça perdeu a graça que tinha
Desilusões, as que tive,
Enchem a rua, lá estão
E a gente vive dos tempos que já lá vão
Lá vem gingando nesse seu passo miúdo
Melena preta, calça justa afiambrada
Como mudamos, tu que foste para mim tudo
Hoje a meus olhos pouco mais és do que nada
Tuas chalaças de graçola e ironia
Eram da rua, andavam de boca em boca
Eu era ver-te que não sei o que sentia
Talvez loucura, que por ti andava louca
Autor: Alberto Janes.
LÍDIA RIBEIRO (em direto)
AMÁLIA RODRIGUES
KÁTIA GUERREIRO
MÍSIA
MARGARIDA SOEIRO
CARMEN SANTOS
PAULA CRISTINA (com outra letra)
ANDRÉ BAPTISTA
Escrito em 29-04-2025,
na categoria: Fadistas
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