Xavier Castellanos: «Não há uma ruptura entre os propósitos do movimento associativo nas décadas de oitenta, noventa e a actual»

Xavier Castellanos: «Não há uma ruptura entre os propósitos do movimento associativo nas décadas de oitenta, noventa e a actual»

21-06-2007

Xavier Castellanos

Xavier, um bancário esmorgano

A Esmorga Blogue.- Encerramos a série de entrevistas que viemos realizando nesta época com uma muito especial conversa com Xavier Castellanos, bancário de profissão, pessoa muito ligada desde muito novo ao movimento associativo e cultural galego.

O Xavier foi um assíduo das sessões cinematográficas da Esmorga, tornou-se sócio nesta nova etapa e gosta imenso deste projecto que acha «continuador» das bases colocadas em décadas passadas. Numa conversa de apenas 20 minutos -o tempo que dispõe de manhã para «matar o bicho», pudemos debulhar com ele parte do seu decorrer vital.

O primeiro, quem é Xavier Castellanos?

Moro em Ourense desde há três anos, depois de voltar da Venezuela e da Alemanha. Gosto do teatro e as artes em geral. Tivem ocasião de conchecer as artes cénicas através da Escola de Arte Dramático de Sta Cruz de Tenerife, lugar onde na altura estava a fazer o bacharelato.

Nos anos 93 e 94 também trabalhei em Paris e em Blanes (Catalunha), sempre na banca (não na que ganha, mas sim no colectivo de bancários e bancárias, infelizmente desaparecidos), profissão na qual levo já 30 anos.

Bancário... Existe «Galiza», mesmo seja simbolicamente, no mundo da banca?

O mundo da banca na Galiza nunca se caracterizou por ter uma mínima sensibilidade com uma parte significativa da nossa realidade. Acho que está distante do universo das ideias mais avançadas que nos identificam como nação. Os seus principais rasgos são principalmente espanhóis.

No entanto, há tímidas incorporações de reconchecimento do nosso idioma, por exemplo, resultado da pressão social e sindical. Ora bem, acho também que as pessoas que mostram alguma inquietação fazem parte dos últimos románticos, hoje quase todos desaparecidos.

Então, não há muito futuro nesse campo...

Na Galiza não temos uma classe ou burguesia que reclame uma mudança de tendência, o capital é espanhol e as poucas manifestações são uma minoria.

Mas isto não quer dizer que esteja tudo perdido, há resistência e também experiências que nos permitem ter optimismo e esperança. Por exemplo, com todas as reservas, a criação de uma patronal com matizes próprios é um sintoma que confirma o anterior.

Falaste que pela tua profissão tens morado em diferentes países e
convivido com problemáticas parecidas à galega...

Graças aos países em que morei, vejo Galiza necessitada de esforços. A Catalunha é uma realidade mais próxima e com problemáticas parecidas, mas temos muito que aprender e, com certeza, também muito que ensinar.

Noutros casos, conheço e saliento o da Venezuela, país que penso que nos dias de hoje está a viver um dos momentos mais brilhantes da sua história. A democracia tenta abrir-se caminho, o que não é pouco por aqueles lares.

Na década de 90 fizeste parte do movimento reintegracionista galego de base...

Desde o ano 81 é que ando contribuindo com o lusismo, proposta em que cada vez me reafirmo mais (tenho comentado muito que em Portugal não tenho de fazer esforços mentais continuamente, como aqui).

Os contributos têm sido diversos. Participei na construção da iniciativas culturais na vila da Estrada. Em concreto, participei na Sociedade Cultural Marcial Valadares e na Associação Cultural A Estrada na década de 80.

Noutros âmbitos, quando estive na Catalunha participei no colectivo chamado «Blanes Solidari», a partir do qual procurávamos a integração e colaboração com pessoas que chegavam lá procedentes do Ghana, principalmente.

Conforme essas experiências que tiveste na década de 80, mormente as galegas, o modelo actual de Centros Sociais a expander-se pela Galiza toda pode dizer-se continuador das mesmas?

O modelo que estou a conhecer agora, como o Centro A Esmorga, desde a distância que me permite observar o seu desenvolvimento, coincido com que está a ofertar um trabalho muito elaborado, com um grau de paixão seductor e com um perfil de pessoas vinculadas cultas.

Não há uma ruptura entre os propósitos do movimento associativo nas décadas de oitenta, noventa e a actual. Em geral gosto da imagem que, por exemplo, projecta A Esmorga. Plural nas suas manifestações e compromissa com um objectivo: elevar o nível de consciência.

Viver hoje em galego não é uma enteléquia, a consciência com visão galega é orgulho de povo, é orgulho de língua, são as nossas tradições que convivem com a modernidade, adaptando-se a ela.

Ois, descontraindo, chamou-nos a atenção que fosses uma das pessoas mais assíduas às sessões esmorganas de cinema, qual as tuas sensações a respeito?

O ciclo de cinema da Esmorga foi um sucesso nuito grande. A escolha de filmes foi óptima, cuidada e elaborada. Acho que a comissão merece um bom reconhecimento. Há trabalho.

Qualquer coisa para acabarmos...

Muitos beijos Esmorga!

Escrito ?s 21:06:24 nas castegorias: Associaçom, Entrevistas
por csesmorga   , 835 palavras, 728 visualizaçons     Chuza!

1 comentário

Comentário de: um [Visitante]  
um

viva el mal, viva el capital!

22-06-2007 @ 14:16
    A Esmorga somos cada vez mais pessoas que apostamos pelo activismo social e cultural comprometido com a realidade em que vivemos.

    Trabalhamos para promover a língua e a cultura galegas, a sensibilidade para com o meio ambiente e a solidariedade entre as pessoas e os povos.

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