Exposiçom: «Em Meio de Algures»

Exposiçom: «Em Meio de Algures»

24-12-2007



Voltada para os acampamentos de refugiad@s sarauis em Tindouf

Manuel I. Nanim.- Sais do aeroporto de Tindouf num Land Rover de nom se sabe quando e rumo a nom sabes onde, vais por estradas que nom sabes onde começam nem onde terminam, até que, subitamente, reparas onde estás: Sara, deserto do Sara.

Praticamente nom hai curvas, mas sim fochas, e com tanto pulo, o mais fácil é acabares sentado no colo d@ compaheir@ que tens a lado. É de noite, a umha da manhá, a claridade nom é muita, mas a lua cheia ajuda a te situares. Tudo o que vês é aquilo que qualquer pessoa pode imaginar de um deserto, mas umha vez aqui a cousa é diferente, as sensaçons som outras, poucas paisagens tenhem tanto poder de seduçom.

De repente, alguém avisa, ao longe vemos as primeiras luzes, trata-se de Rabuni, centro neurálgico dos acampamentos, conhecido como acampamento de protocolo, porque é aonde chegam todas as visitas, ademais de ser o lugar onde estám instalados todos os ministérios e a presidência.

Os acampamentos de refugiados sarauis estám instalados em Tindouf, Argélia, a 2170 quilómetros da capital, Argel, ao sudoeste do país, e estám levantados sobre um pedregal inclemente, sobre o qual um povo vive e resiste.

A povoaçom saraui está repartida em quatro acampamentos chamados wilayas ou províncias: Smara, El Aaiún, Dakhla e Auserd, que, à sua vez, estám divididas em dairas ou concelhos, cada umha das quais subdividida em bairros.

Vamos aproximando-nos de Rabuni e entre as luzes vemos ondear as primeiras bandeiras da RASD (República Árabe Saraui Democrática). Som as duas da manhá, e aqui vamos passar a primeira noite no deserto do Sara.

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Já de manhá, o primeiro que fago é debruçar-me na janela do deserto: Isto é incrível! Estou a olhar o infinito! A primeira tentaçom é a de começar a correr para qualquer lugar, nom me importo para onde, porque olhes para onde olhares nom é possivel abrangê-lo tudo, e esse assemade é um dos seus muitos encantos. O deserto é como umha provocaçom, constantemente tenho a sensaçom de que me está a falar, de que me está a dizer: Vem, atreve-te a mergulhar nas minhas veias! De repente tudo isto racha, eh, vamos! Tenho que espabilar-me, sair de mim e pôr a careta do dia-a-dia, os resto do grupo já está pronto e hai que dar a andamento, aguardam-nos o incombustível Brahim, guia, tradutor e homem para tudo e o sempre afável Suleimane, o nosso inseparável condutor.

Dirigimo-nos à primeira wilaya traçada no plano de trabalho, Smara, para, no meu caso, começar a fazer umha reportagem audiovisual sobre o aspecto mais cultural do Povo Saraui. Esta reportagem, junto com uma outra curtametragem sobre o decorrer diário de um neno saraui nos acampamentos, insere-se dentro de um Projecto de Intercámbio Cultural Galiza-Sara: SAHARIZA ' 2000. Deste projecto fam parte quatro pessoas mais: Amélia e Paula, encarregadas pola tarefa teatral e dos conta-contos; Raul, pola música ao vivo; e Xis, colaborador da Revista Cultural Animal, que proximamente vai apresentar um monográfico dedicado ao Sara.

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Umha vez em Smara visitamos a escola na daira de Elhedira, e a grande quantidade de nenas e nenos recebem-nos com um imenso alvoroço, som tant@s os que se amontoam arredor do Land Rover, que o facto de sair do mesmo torna-se umha fazanha. Fazemos as primeiras representaçons de conta-contos acompanhadas de música e começamos a reportagem audiovisual. Entretanto, as nenas e os nenos nom deixam de nos surpreender, repartimos as primeiras caixas dos lápis (levamos 40.000), e o carinho que nos transmitem começa a me afectar.

Saímos da escola um pouco emocionad@s e dirigimo-nos ao bairro nº 4, dentro da mesma daira de Elhedira, para visitar a família do neno Hama Mohamed Bela, um maravilhoso e muito sentido rapaz de 8 anos de idade com o qual eu vou ter um convívio especial durante três inesquecíveis dias. Ele vai ser o protagonista da minha curtametragem.

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O primeiro que fas antes de entrar numha jaima é descalçares-te, o calçado fica de fora, dentro, o chão está coberto de tapetes e a limpeza é absoluta, o mesmo do que a hospitalidade. Qualquer recebimento por parte saraui vai acompanhado de chá, sendo o seu ritual de preparaçom toda umha manifestaçom de bem-vinda. A sua preparaçom fai-se em três roldas, sendo o primeiro copo amargo como a vida, o segundo doce como o amor e o terceiro suave como a morte. @ saraui, antes de perguntar convida, as razons deixam-se para depois. E a bem-vinda sempre se completa com algum presente (anéis, colares, pulseiras), no meu caso ademais, tivem como presente um formoso turbante negro, umha tela de uns três metros de longo que me envolve toda a cabeça e que me vai ser imprescindível durante os dias que conviver com eles. Dizer, que ao final aprendim a colocar eu só o turbante, que embora semelhe fácil, tem o seu quê.

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Espero que estes manifestos visuais cheguem a vos sensibilizar ainda que só seja um pouquinho e isso faga com que nesse agarimoso recuncho que tod@s guardamos para pessoas e momentos especiais se produza o milagre da emoçom. Se isso conseguir, darei-me por satisfeito.

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=> II edição do CinemGalego: Um Deserto de Flores
Quarta-feira, 26 Dezembro 2007 - 20h30 (GMT +1)

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Vídeo do curta «Em Meio de Algures»

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Escrito ?s 02:40:18 nas castegorias: Eventos, Exposições
por csesmorga   , 932 palavras, 1193 visualizaçons     Chuza!

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