Xosé Manuel Sarilhe: «Os grandes caminhos sempre começaram com um passo»

Xosé Manuel Sarilhe: «Os grandes caminhos sempre começaram com um passo»

24-03-2008

Xosé Manuel Sarilhe

Reproduzimos entrevista ao ex-presidente da Mesa e impulsionador da Fundação Via Galego

A Esmorga / MDL / PGL - Xosé Manuel Sarilhe abrirá no dia 26 de Março as I Jornadas de Língua que, sob a co-organização da Esmorga, da AGAL, e do MDL, decorrerão em Ourense até 26 de Abril próximo. Sarilhe é professor de língua e literatura galega, implicado na primeira linha de trabalho no campo da elaboração de políticas linguísticas na Galiza mercê ao seu labor em entidades como A Mesa ou a Fundação Via Galego, entre outras.

Continua:

Nos últimos tempos, graças ao seu ensaio A impostura e a desorientación na normalización lingüística, publicado sob a chancela da Candeia Editora, voltou à actualidade oferecendo um pessoal, crítico e até polémico diagnóstico sobre os problemas principais da língua.

Sarilhe marcará presença nas Jornadas de Língua em Ourense para ministrar uma conferência em que explicará os dous períodos que considera que houvo na política de língua desde o começo da transição na Galiza, a normalização linguística nos concelhos, a falta de compromisso das universidades perante a demanda de formação em política de língua, o papel da Real Academia e outras instituições e a sua perspectiva a respeito do debate normativo nos últimos trinta anos.

Na realidade será uma explicação global, na qual através da envolvente oratória de Sarilhe também serão analisadas as características da Galiza como sociedade atrasada e rica, mal preparada para assumir tarefas complexas, como é a da normalização do idioma.

Para conhecermos em primeira mão algumas das suas opiniões reproduzimos a seguir as respostas que deu às perguntas que lhe lançamos e que servem de aperitivo da conferência que, subordinada ao título «A normalização Linguística nos últimos 25 anos: Fazer como que se faz», dará na cidade das Burgas depois de amanhã, dia 26, a partir das 20h30 no Centro Social A Esmorga (rua Telheira, 9 - rés-do-chão).

— No teu livro criticas as políticas linguísticas dos últimos vinte e cinco anos... falhou o texto, falharam as pessoas?

X. M. S. As políticas linguísticas são práticas caras e complexas que de facto só alguns países desenvolvidos estão em condições de levar a cabo. São os casos do Quebeque, Bélgica, Catalunha, Euscádi e Israel. Nós somos um país que é rico se o observamos no contexto mundial, e pobre dentro dos que fazem parte do chamado Primeiro Mundo.

Tivemos dinheiro para desenvolver políticas linguísticas, mas somos um país atrasado e talvez não houvesse nem haja a capacidade para abordar com êxito a complexidade duma política que requer de transversalidade, e duma formação muito especial para a afrontar.

Seja dito tudo isto depois de uma condição prévia imprescindível, que tampouco se cumpre, que é a falta de vontade dos três partidos políticos principais para a pôr em andamento.

— Após ler o teu livro algumas leitores achamos em falta, não leves a mal, um bocado de auto-crítica...

X. M. S. Há, sim, claro que há. Entre tantíssimos êxitos é impossível que não haja algum fracasso. (É por brincar). Bem, houvo êxitos entendendo por isso o traçado de boas estratégias, organizativas e sociais. Os resultados são magros, é certo, mais isso não dependeu nunca de nenhum organismo no que eu estivesse, alheios ao poder institucional.

Para mim o principal erro foi centrar, de A Mesa pola Normalização Lingüísitica, por mor de urgências mal entendidas, a táctica no ataque exclusivo ao PP, que era o primeiro actor político, ao governar a Junta de Galiza, a principal instituição para fazer política de língua. Isso levou a esquecer que os demais, nomeadamente o BNG, não faziam política de língua nos concelhos que governavam.

Quando chegam à Junta, ademais de terem a mesma vontade de normalizar que os anteriores, muito pouca, encontramo-nos com que nos demais campos o ermo também é imenso. As urgências não são boas. E era possível, pois A Mesa era uma organização muito preocupada pola sua independência dos partidos políticos e dos grupos de pressão.

— Que análise fazes do reintegracionismo nestes últimos 25 anos tendo em conta os seus meios?

X. M. S. Os princípios, sejam quais forem, há que levá-los à prática, e aí é quando a táctica se converte na peça principal. Eu cuido que os princípios reintegracionistas são em geral muito interessantes, mas, dito com sinceridade, cuido que as tácticas empregadas durante esse tempo, foram (em geral também) disparatadas.

O reintegracionismo não tivo reflexos para desvincular-se da luta normativa e buscar a via do achegamento, a interconexão e a busca do intercâmbio e a intercomunicação com o Brasil e Portugal. Centrou-se nas normas e foi uma táctica suicida. De qualquer jeito não é possível explicar algo tão amplo e cinco palavras.

— Que esperas do reintegracionismo neste etapa encetada polo bipartido?

X. M. S. Eu do bipartido não aguardo nada a estas alturas do campeonato. Sendo muito cáustico, diria que acho de menos a campanha de Paz Lamela, a directora de política linguística de AP, titulada «Fala-lhe galego».

Gosto, isso sim, das novas sociedades. Estivem o outro dia no Aturuxo, em Boiro, e foi muito agradável perceber a curiosidade e o entusiasmo. Os grandes caminhos sempre começaram com um passo.

Escrito às 08:30:00 nas castegorias: Eventos, Palestras, Jornadas, Entrevistas
por A Esmorga Email , 957 palavras, 226 visualizaçons   Português (GZ)   Chuza!

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