Carlos Garrido: «O estado de anomia e subsidiariedade do léxico galego constituiria um verdadeiro escándalo noutras coordenadas sociais e culturais»

Carlos Garrido: «O estado de anomia e subsidiariedade do léxico galego constituiria um verdadeiro escándalo noutras coordenadas sociais e culturais»

26-03-2008

Conferência para nom peder na próxima quinta-feira, 27 de Março, na EOI de Ourense, às 19h30

orga / MDL /PGL - No contexto das I Jornadas de Língua em Ourense, a EOI da cidade das Burgas, será palco da palestra «Léxico galego: escándalos e imposturas», que será ministrada polo professor Carlos Garrido nesta próxima quinta-feira, 27 de Março. Na mesma, e a partir da consideraçom e análise de umha rica mostra de usos lexicais hoje realizados por utentes cultos de galego, o professor Garrido fará um levantamento dos processos de degradaçom que historicamente tenhem afectado o léxico galego e das correspondentes atitudes dos actuais codificadores.

Carlos Garrido é um apaixonado da língua galego-portuguesa. Licenciado em Traduçom e Interpretaçom, é também Doutor em Biologia, a sua outra grande paixom. Actualmente é Professor Titular da cadeira de Traduçom Científico-Técnica na Universidade de Vigo, tendo realizado trabalhos únicos na Galiza, voltados para o léxico e a traduçom científico-técnica.

Para termos umha primeira aproximaçom a tam interessante estudo, lançamos-lhe umha pequena série de perguntas que nos respondeu de umha maneira clara e muito didáctica.

? Léxico degradado... imposturas... escándalo... subsidariedade ao castelhano... isso é o que poderemos veriricar na tua conferência?

C. G. Bem, a conclusom pode ser desalentadora, sim, pois para a maioria dos actuais utentes cultos de galego nom existe nesta língua um sistema lexical funcional, estável e coerente, nem um modelo de correcçom lexical autónomo diferente do castelhano, de modo que só a ingenuidade de muitos e a impostura de alguns sustenta um estado de anomia e subsidiariedade expressivas que noutras coordenadas sociais e culturais, menos problematizadas do que as galegas, constituiria um verdadeiro escándalo.

? Por estas tuas palavras, concluímos que o galego na Galiza está ferido de morte?

C. G. Espero que ainda nom, se bem que, em geral, a situaçom da língua galego-portuguesa na Galiza e, em particular, a do seu léxico, seja preocupante, muito preocupante. Como epítome do estado de degradaçom em que se encontra hoje o léxico galego podemos assinalar as duas seguintes constataçons, atingíveis através de um exame minimamente atento do desempenho lexical hoje verificado nos diversos ámbitos de uso do galego.

Em primeiro lugar, nom existe realmente, nesta altura, para a esmagadora maioria dos utentes de galego, um sistema lexical galego, como dizia acima, tanto polo que di respeito aos elementos do sistema como às relaçons que devem estabelecer-se entre os elementos do sistema.

Em segundo lugar, se a actual sociedade galega, de um dia para outro, vinhesse a fazer do galego o seu efectivo veículo de comunicaçom (cousa que hoje, realmente, nom acontece), sem introduzir umha correcçom drástica na codificaçom lexical que até agora os governos autonómicos tenhem apoiado, a fluidez comunicativa e a eficácia coesiva e económica (em sentido amplo) de tal sociedade ruiria, viria-se abaixo perante a multidom de deficiências e insuficiências denotativas e conotativas que afligiriam o seu código de comunicaçom.

? Desde quando se verifica esse processo de substituiçom lexical e como fôrom os ritmos históricos?

C. G. Num trabalho que acabo de concluir sobre a degradaçom e a regeneraçom do léxico galego distingo entre processos degradativos e atitudes nom regeneradoras que tivérom e tenhem incidência sobre o léxico galego. Entre os processos degradativos, o da subsituiçom castelhanizante é muito importante, mas, nem de longe, o único.

Em qualquer caso, para responder brevemente à questom posta, podemos dizer que todos os processos degradativos começam a incidir com algumha força sobre o léxico galego a partir do início dos Séculos Obscuros (para o léxico, o séc. XV), mas a actual situaçom de extrema degradaçom configura-se fundamentalmente no séc. XX, por causa da acelerada desapariçom na Galiza da cultura agrária tradicional, a universalizaçom e aperfeiçoamento do sistema escolar e a crescente penetraçom dos meios da comunicaçom social, factores que determinam umha maciça castelhanizaçom da sociedade galega.

? Um exercício de recuperaçom... Como devemos pedir na Galiza um copo de cerveja: um fino, umha imperial ou umha canha?

C. G. Para já, em benefício da funcionalidade e autenticidade do galego, devemos rejeitar nesta língua a suplência do castelhano e incorporar as correspondentes vozes luso-brasileiras, as quais encaixam de modo muito idiomático em galego. Assim, a um armarinho para os alunos de um centro de ensino chamaremos em galego "cacifo" (nom "taquilha" ou "taquela"), à célula nervosa "o neurónio" e a um copo de cerveja... "fino".

A este respeito, deve esclarecer-se que, quando a soluçom lexical é diferente em Portugal e no Brasil, achamos mais conveniente, até nom se atingir umha efectiva unificaçom, adoptar na Galiza a soluçom lusitana, por causa da maior proximidade geográfica, humana, cultural, etc. com Portugal.

Escrito ?s 09:48:52 nas castegorias: Eventos, Palestras, Jornadas, Entrevistas
por csesmorga   , 850 palavras, 1144 visualizaçons     Chuza!

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