
Editorial
A Aguilhoar é um projecto em construçom; um projecto que dia a dia se vai formando, somando forças, humanas e materiais; um projecto que se quer assentar e procurar o seu papel na comarca. Parece com que tivesse sido ontem quando em março de 2005 um pequeno grupo de jovens procedentes da associaçom cultural Covelo de Vilar de Santos e da Juventude pola Autodeterminaçom de Ginzo, decidiram juntar esforços e conformar um colectivo aberto e plural que chegasse a toda a comarca sob os referentes na altura da Esmorga de Ourense ou o Pichel em Compostela.
Desde a humildade e o realismo, sabendo muito bem qual é o contexto no que nasce, umha comarca de interior; com umha importante despovoaçom, umha permanente emigraçom da mocidade face as urbes galegas ou mesmo para Euskal Herria e Catalunha, com umha falta de saídas laborais que facilita como “saída fácil” a incorporaçom de dúzias de limiás e limiaos ano após ano à Guarda Civil ou à Policía espanholas; umha comarca despolitizada, com um caciquismo enraizado, sendo as únicas excepções as câmaras de Vilar de Santos e Rairiz de Veiga.
Mas umha comarca que também tem importantes vantagens, umha populaçom moça praticamente monolingue em galego, umha juventude activa e dinámica, umha comarca fronteiriça com Portugal e as hipóteses que isto nos permite, e sobretudo umha comarca virgem para um projecto destas características.
Nestas condições e num processo de acumulaçom de forças, Aguilhoar vai somando pessoal até que em Março de 2007 abre o Centro Social da Límia, um espaço que pretende ser um ponto de encontro para a mocidade nacionalista, de esquerdas e alternativa à sociedade do consumo. Mas este objectivo cumpre-se a meias, se bem com abertura o centro social a Aguilhoar se reforçou como associaçom de umha forma evidente, cria-se um grupo coeso e sólido que tem bem claro qual deve ser o papel da associaçom -vertebrar um movimento na comarca comprometido com a libertaçom nacional e social- nom se consegue chegar a todo esse potencial existente, por umha banda ao sector do nacionalismo institucional, embora a título individual sim haja adesões, e por outra a esse sector “alternativo” que, por via de regra também fica alheio ao projecto.
Porém, durante o ano e meio já como Centro Social e as múltiplas actividades realizadas, desde palestras, cursos, festas temáticas, concentrações, rondalhas passando-se polo festival da mocidade ou agitaçom e propaganda, fôrom conformando o corpo social da Aguilhoar e definindo a sua praxe, isto fixo com que houvesse quem se fosse embora e quem decidiu subir-se ao barco; mas o que é claro é que a dia de hoje a Aguilhoar é um referente para todas aquelas pessoas combativas e que nom acreditam na institucionalizaçom das nossas vidas, se bem a implicaçom a sério sempre seja mais difícil de apurar.
Por tanto, topamo-nos num momento, umha vez que já existimos como Centro Social, temos viabilidade e um grupo coeso, no que temos que decidir que modelo de Centro Social queremos e qual tem de ser a nossa intervençom na comarca.
Activando a comarca
Após as pertinentes reflexões, a mocidade organizada na Aguilhoar entendemos que há que activar a comarca, mas o quê significa isto? Da nossa óptica o papel que tem que jogar a Aguilhoar é duplo, por umha banda um papel claro de denúncia das agressões que sofremos como povo e reivindicativo da nossa condiçom nacional e da nossa soberania, e por outra banda, um papel de construçom de alternativas que desde a oficialidade nom se oferecem, falamos pois de alternativas sociais de construçom em chave nacional, desde espaços de lazer, formaçom, comunicaçom ou consumo alternativo.
Isto é o que significa activar, pôr os cimentos, modesta e humildosamente, sobre os que ir-lhe ganhado espaços às instituições espanholas, governar quem governar, espaços nos que podamos ensaiar a nossa independência a respeito de Espanha e o Capital. Na Galiza de hoje quem acreditamos na nossa naçom temos que fazer algo mais do que exigir a Espanha a nossa liberdade, temos, portanto, que construir essa liberdade, e a realidade demonstra que há ocos polos que podemos ir furando e abrir-nos caminho para criar umha verdadeira comunidade de galegos e galegas que vivam a margen do espanholismo e o capital.
Temos que assumir que vivemos como estrangeiros no nosso próprio país e é aí onde temos que dar a batalha e centrar as nossas energias, criar os nossos meios de comunicaçom, as nossas escolas, a nossa formaçom, o nosso lazer.., em definitiva as nossas vidas.
Borja Colmenero
Escrito às 16:13:55 nas castegorias: Associaçom, Vozeiro
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