O Apalpador chega à Límia. Abramos-lhe as portas neste Natal

O Apalpador chega à Límia. Abramos-lhe as portas neste Natal

11-12-2008

Em 2006 um trabalho de José André Lôpez Gonzâlez, publicado polo PGL, resgatava do esquecimento o Apalpador, personagem mítica da cultura popular galega para a quadra natalícia. Foi no passado ano quando a Gentalha do Pichel chamou a atençom para a sua recuperaçom.

Este ano o Apalpador sairá à rua em diferentes pontos de Galiza e trará presentes para os meninhos e meninhas do País, e deixará carvom na porta das casas de tantos indesejáveis, inimigos da nossa língua e cultura.

Da Aguilhoar queremos ajudar a recuperar esta figura com a ediçom de um cartaz explicativo, brochuras e crachás, para prepara-lhe a volta ao Apalpador às ruas galegas e recuperar o Natal galego e, ainda, afastar-nos um bocadinho da voragem consumista dessas datas.

O APALPADOR

É sabido que a igreja católica aproveitou toda umha série de festividades que marcavam o ritmo das sociedades existentes antes da cristianizaçom, tingindo com um novo verniz celebraçons e festas com milénios de história.

Assim sobre as celebraçons pagás do solstício do Verao colocou o Sam Joám, ligou o entuido em que celebramos a extinçom do Inverno com a quaresma e santificou as festividades dedicadas à morte que desde muito atrás coincidem na nossa cultura com os primeiros compassos do Outono. Mas guardou a celebraçom mais importante, a do nascimento do filho de deus, para a situar nas mesmas datas em que a maior parte das culturas europeias anteriores à era cristá celebravam o solstício do Inverno, como momento de renascimento do ano.

Dessa sobreposiçom do cristianismo sobre os restos culturais pré-existentes temos um bom conhecimento na Galiza, porque nom se trata só da adaptaçom ao calendário, mas da mesma ocupaçom dos espazos empregados de antano para cultos pré-cristaos sobre os quais, sem nengum complexo, se levantárom ermidas e cruzeiros para os adaptar ao cristianismo.

Porém, e apesar do esforço que o cristianismo fijo para apagar qualquer pegada dos cultos e crenças populares, som muitos os vestígios que ficárom como testemunho. Nalguns casos com mais sucesso que noutros, mas em todos eles como prova das fundas raizes que o nosso povo mantém como a cultura indígena que é.

Pode que o caso das tradiçons ligadas ao solstício de inverno sejam algumhas das mais perjudicadas por séculos de tergiversaçom, marginalizaçom e ocultamento. E neste caso o proceso de aculturizaçom tem-se agravado pola superposiçom a umha primeira deturpaçom de orige católica, com séculos de andadura, da poderosa maquinária ideológica do imperialismo que pretende homegeneizar a cultura popular a um nível global.

Mas por baixo do Pai Natal, o negócio da Coca-Cola e do Corte Inglés; mesmo por baixo dos Reis Magos e o nascimento de Cristo, na Galiza mantivérom-se pegadas de antigas tradiçons que é preciso recuperar.

Assim nalgumhas comarcas da alta montanha do leste da Galiza, no Courel, Lóuçara e o Cebreiro; mantinha-se até datas muito recentes a tradiçom do Apalpador, um gigante com ofício de carvoeiro, que, no Natal, baixava das devesas onde morava para as aldeias, com a intençom de apalpar nas barrigas d@s nen@s e assim comprovar se estavam bem mantid@s.

O Apalpador vigilava que @s nen@s viviram com fartura, desejava-lhe que no vindouro ano continuaram a nom passar fame, e deixava-lhes umha presa de castanhas quentes como presente e lembrança da sua visita.

Possivelmente esta antiga tradiçom do Apalpador seja um dos mais antigos vestígios da nossa cultura. E como parte dum património ameaçado devemos pular por mante-lo e actualiza-lo.

Por que imos ter que asumir os dictados impostos por quem quere aculturizar-nos? Por que temos que ceder aos mandatos do consumismo capitalista e da tradiçom católica?

Aproveitemos também as celebraçons do natal para manifestar a nossa vontade de rebeldia e a nossa afirmaçom como povo, e escomezemos por recuperar a figura do Apalpador.

Que nom seja mais o barbudo publicista da Coca-Cola, nem os submisos monarcas orientais os que traiam os presentes aos fogares do nosso país!!

Deixemos que seja um galego, um honesto e trabalhador carvoeiro, quem venha agora com os presentes para as nossas moradas, e que as castanhas de antano sejam acompanhadas por outros bens que a sua generosidade de seguro lhe permite doar.

Este natal abramos-lhe as portas ao Apalpador!!!

Escrito às 10:51:38 nas castegorias: Cultura
por aguilhoar Email , 762 palavras, 549 visualizaçons   Português (GZ)   Chuza!

1 comentário

Comentário de: Giao [Visitante]
Já teredes ouvido que na vossa zona chamava-se Pandigueiro. Há relatos de que baixava da Cabeça Grande pola banda de Trives e de que se agochava na Rainha Loba pola banda do val do Salas.

Pandigueiro na noitinha,
Pandigueiro vem aginha..
21-12-2008 @ 12:48

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