De um tempo a esta parte, a antiga metrópole espanhola anda especialmente escozida com a soberania, nunca realmente assumida, dos territórios latino-americanos. Tudo isto com o pulo dos principais mass-média, de El País a El Mundo, de el Periódico de Catalunya ao ABC, o coral é insuportável.
A leveza com que som tratadas as questões relativas a Latino-américa só poderám ser explicáveis se enmarcadas num contexto de elevado sentimento paternalista, do pai moderado face ao filho inmaduro e egoísta. Huntington teria para mais umha maniqueia dissertaçom sobre o difusionismo cultural occidental. Acontece que, justamente, nunca antes na história da regiom latino-americana se explicitaram dinámicas sócio-políticas tam envolventes, participativas e precisamente maduras que tenhem convergido numha assunçom manifesta das respectivas soberanias nacionais e umha vontade ulterior de integraçom regional; a "Patria Grande" bolivariana, ameaça as vontades "separatistas" do capital (leia-se o caso de Santa Cruz, Bolívia), e ao mesmo tempo, onde se acovilham modelos económicos ultraliberais, como o Chile (curiosamente aplaudido como exemplo de "transiçom para a democracia") nom deixam de se porem em causa os direitos colectivos de povos como o mapuche.
A difusom do "modelo democrático" europeu, nom é mais do que umha armadilha, pois é, nem mais nem menos, o seu "modelo", sem matizes, um modelo que constringe o pluralismo político, a umha sorte de bipartidismo que em absoluto questiona relações sistémicas básicas, como a economia de mercado, o sindicalismo funcionarial ou a ideologia empresarial.
Esta mesma ideologia empresarial, tem penetrado no poder interpretativo e decisório dos mass-média onde a margem de lucros, importa bem mais do que procurar nom se afastar da realidade. Como conformadores de opiniom endeusados, som eles que ditam o bom e o mau.
No contexto latino-americano, os mass-média, particularmente os espanhóis, tenhem-se tornado em altifalantes sectários, sim sectários, só escutam quem lhes "pagar" a notícia. Apenas no último ano temos assistido espantados à: equiparaçom grosseira de golpistas e fieis ao governo constitucional das Honduras, admissom unilateral da versom colombiana, no conflito equatoriano-colombiano, aquando o governo deste último país admitira mesmo ter violado o espaço aéreo equatoriano, seica importa-se mais ir na procura de um "pressunto terrorista" do que violar leis internacionais. Interpretaçom negativa de um processo plebiscitário na Venezuela para ditar se o presidente Chávez se pudesse apresentar a reeleiçom e a calada mais vergonhenta quando quem se postular é o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de quem nom se investiga a crescente corrupçom e os casos de conivência com os para-militares.
Recentemente, uns "indicios" apresentados polo Tribunal de Ordem Pública espanhol (Audiencia Nacional), nem tam sequer qualquer prova, davam para os mass-média espanhóis, atribuírem, lesando mesmo a autoridade do presidente democrático da Venezuela, a Chávez contactos "terroristas" com a organizaçom ETA e as FARC, entretidos como estavam com a agressom directa à soberania venezuelana, tiverom ainda tempo para elevar à categoria de mártir ao delinquente Orlando Zapata em Cuba, outra diana predilecta para a "observante" imprensa espanhola, o ridículo foi mesmo espantoso, dedicaram páginas e páginas a denunciar a desatençom dos médicos cubanos, mas umha filmaçom desmontou a mentira e agora mesmo já há quem reconheça que o "preso político" Orlando Zapata seica agochava delitos de natureza bem distinta. Mas nom se arrenpenderám, nom pedirám escusas, como nom o fam com o novo diabo do cinema estatal, Willy Toledo, quem denunciou o que muitos vimos denunciando, a eterna obsessom com Cuba. Ocupa mais desagradáveis editoriais a perseguiçom a Willy Toledo, do que o fraudulento contexto eleitoral iraquiano ou a enquistada guerra no Afeganistám. Prioridades som prioridades, dirám lá.
Sempre há bons e maus, é claro, quando Chávez ordena ligar as estações de TV para um discurso institucional, é próprio de um ditador, se o fazer Tabaré Vázquez, até há uns dias presidente do Uruguai, nada dizem os equánimes jornais espanhóis.
Da Aguilhoar continuaremos a denunciar a hipocrissia e o cinismo, nom tenham qualquer dúvida. Adiante a Patria Grande!!
Escrito às 17:29:41 nas castegorias: Além-Minho e Galiza estremeira
|
|