Quando se vai cumprir uma semana da vitória da seleção espanhola de futebol no Mundial da África do Sul, seria pertinente deitarmos uma série de reflexões sobre o quê o inegável sucesso espanhol supõe para o nosso país que em breve viverá mais um dia da Mátria com os piores dados de desemprego e precariedade de sempre.
Reconheciam no jornal espanhol El País, a dous dias de a final do Mundial se jogar que as implicações de um desporto tão internacionalizado como o futebol, vão além da simples interpretação desportiva, o se quiserem psicodesportiva, atingindo todo um leque de repercussões identitárias; na ausência de legitimidades aglutinadoras mais coesas e consensuadas, por quê não concordar em torno a um jogo inocente e descontraído como o futebol é?
Acontece, porém, que a pureza do jogo, não é tal, se repassarmos a persistente presência mediática do que afinal, nem é mais do que um jogo, quem deter unanimidade, legitimidade, não precisa tal adulação, dirá o observador menos atraído, mas é quê, na verdade, precisa-o.
A inequívoca identificação da bandeira espanhola nem só com a restituição bourbónica mas com o défice democrático assumido pacificamente polo centro e a direita política do Estado, precisa de movimentações acríticas, espontâneas e massivas, cujo epicentro ideológico desvirtuem, por quantidade, qualquer uma crítica que se lhe colocar.
A bandeira espanhola foi no imaginário popular colocada à par de atitudes fascistas, não por acaso mas por realidades fatuais, empenhada como esteve em ser a representação da exclusão, a intolerância e a irracionalidade, determinar agora a sua valia por um acontecimento desportivo, é, pelo menos, irresponsável.
Por seu turno, resulta antes bem, curioso, que aqueles que tenhem denunciado a "politização" que o independentismo faz do evento desportivo, sejam os primeiros a reconhecerem as implicações identitárias que o evento tem "lo que nos une", dirão alguns. Ainda estamos na hora de decifrarmos quão desportivo o termo "identidade", mas sabemos que vai além da coutada ideia desportiva.
Há quem diga, também no terreno identitário-desportivo, permita-se-nos a agrupação de ambos os termos, que não por apoiar à Espanha, não se deixa de ser galego. Da Aguilhoar não entendemos de pureza racial, portanto, não contrariamos tal afirmação, mas revela-se-nos um bocado contraditório assumir tal discurso; "La Roja", que parece com que representasse milhares de galegos, representava por sua vez a RFEF, a qual tem elevado inúmeros vetos junto da FIFA, para que as selecções nacionais do Estado sejam impedidas de competir a nível internacional (um veto "muito desportivo" este), logo, continuamos a ver lógico o apoio "incondicional"à seleção espanhola, sabendo quê representa a um organismo que impede qualquer hipótese da seleção galega competir internacional??
Da Aguilhoar, consideramos que cumpre é assumir a artificialidade programada do sentir identitário como uma vitória não de La Roja, mas do Estado, incapaz de articular um modelo de coabitação entre nações, cuja vontade de liberdade não se apaga mesmo que queira.
Aproveitamos para nos solidarizar com os CS's Mádia Leva de Lugo, e a Revira de Ponte Vedra, alvos estes dias do extremismo espanholista mais raivoso.
Saúde, Viva a Mátria Galega! Viva o Povo Trabalhador!
Escrito às 17:07:31 nas castegorias: Além-Minho e Galiza estremeira
|
|