
Altera Galiza.- Dois anos depois de que um grupo de jovens ourensanos e ourensanas apostassem forte pelo impulsionamento de uma associação cultural «atípica», mas totalmente assente na «legalidade vigente», o projecto que ela significou ganhou ontem protagonismo na cidade das Burgas. Foram inúmeras as pessoas que participaram do primeiro dia de festa na nova Esmorga, puderam experimentar o magnífico espaço e, porfim, que o activismo cultural alternativo está mais vivo do que nunca.
Continua:
Da nada à construção de uma dinámica cultural aberta, moderna, internacionalista mas defensora da identidade galega, da sua língua e a sua potencialidade sem fronteiras, da recuperação do valor da tradição hoje ameaçada de morte e, claro, voltada para a criação de consciências críticas, pensantes e sempre livres. Ontem pôde-se verificar que a pesar das dificuldades o grupo de «esmorganos» e «esmorganas» cresceu, juntando-se a eles mais e mais pessoal, com dirigentes políticos, sindicais e pessoal do mundo da universidade e do ensino que não quis perder a ocasião.

Por volta das 20h00 o fotógrafo de La Voz tirava a última foto para a imprensa, após dias carregados de comunicados, entrevistas, o Rucho e o Alexandre, um pouco as cabeças visíveis desta nova etapa, respiravam tranquilos. Com eles pessoal que tem trabalhado muito, entregando generosamente o seu tempo e o seu esforço, abriam «oficialmente» o novo local social sito na rua Telheira, 9 (junto à zona universitária de Ourense), um grande espaço que disporá de um balcom para sócios, sala de conferências, e, ainda, uma explanada que num futuro virá a ser condicionada para acolher cursos, uma biblioteca e mais.
Pelas 20h30 minutos a sala já fervia e pelas 21h00 estava já a rebentar. O primeiro objectivo tinha sido cumprido, era a sensação que se percebia no ambiente. Os folhetos do «II Festival dos ‘Cafés da Palavra’» iam de mão em mão, a actividade já começava dia 6 com este grande acontecimento que reune criadores da palavra e músicos galegos, e este ano também contando com a actuação do cantor português Rui David, que encerrará o festival na próxima sexta-feira, 10 de Novembro.
Enfim, as conversas eram contínuas. Eu pude falar com muito pessoal que perguntava acerca do projecto, que mostrava interesse em apoiá-lo. Estou certo que de aqui a pouco A Esmorga pode tornar-se na entidade associativa mais importante da cidade das Burgas.

Tive de deixar os petiscos, a bebida comedida e a boa conversa, acompanhada de música em «galego do Brasil», lá pelas 22h00. Outros compromissos sociais, noutro terreno, aguardavam a minha chegada. Mas fui com o apetite de «começar a devorar» tudo o que se vai cozinhar culturalmente na nova Esmorga. O pessoal que vier por Ourense deve visitar e conhecer, obrigadamente, este novo espaço.
Adenda:
Desde Novembro de 2006 fui responsável pelo blogue esmorgano e envolvi-me na vida associativa dessa entidade durante toda a época 2006/07.
Agora, que acho cumpri com aquilo ao que me comprometia então, chegou o momento do revezamento, mas quero recuperar algum do meu trabalho esmorgano também aqui para o Altera Galiza. Esta pequena crônica é o primeiro.
Cima de Vila (Ourense - Galiza), a 14 de Setembro de 2007
Escrito em 15-09-2007,
na categoria: Contributos, Sociedade
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