Dinahosting e o Portal Galego da Língua

Dinahosting e o Portal Galego da Língua



Entrevista voltada para o PGL

Altera Galiza.- Em Maio de 2006 a empresa fornecedora de serviços para a internet, Dinahosting, na qual se hospeda o Portal Galego da Língua, pediu-me para fazer uma entrevista e publicá-la no seu site na área de clientes. Na verdade, pois, na entrevista respondi como Director do PGL, em representação de toda uma equipa que trabalhou, trabalhava e trabalha nesse projecto, cujos frutos e bons resultados chamaram a atenção, sem qualquer dúvida, embora que tudo fosse feito desde um amadorismo, isso sim, o mais profissional possível.

Continua:

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Quando e por que decide a AGAL dedicar esforços à difusão do seu projecto na Internet? Como surge a ideia de um Portal Galego da Língua?

Tudo vai ligado com a chegada à Presidência do Prof. Bernardo Penabade no ano 2001. Na verdade eu comecei a trabalhar em Setembro de 2001, mas acho que com anterioridade já havia várias pessoas a impulsionarem a internet como meio de comunicação interna (via listas ou grupos) e a apostarem por ela como canal de divulgação e veículo comunicacional externo que, de alguma maneira, fizesse a proposta reintegracionista mais visível socialmente.

Em Setembro de 2001, como disse, eu integro-me nesse grupo de trabalho e, junto à chegada de algum outro pessoal, lançamos uma página associativa com informação corporativa e alguma outra acerca da proposta reintegracionista. Foi trabalhando essa página que surgiu a ideia inicial (depois a necessidade) de fazermos qualquer coisa mais chamativa, mais informativa, mais divulgadora...

Dessa maneira, e aproveitando o software livre, lançamos em Maio de 2002 um portal vertical sob o nome de Portal Galego da Língua, baptizado como PGL ao pouco tempo pelos seus próprios utilizadores. O facto de não haver qualquer outro projecto dessas características, nem do oficialismo linguístico, e do projecto ser aberto e interactivo fez que o sucesso atingido ultrapassasse, e não é falar pelos cotovelos, todas as nossas previsões.

Supomos que dar a conhecer o projecto ao longo da lusofonia estaria entre os vossos objectivos. Em que medida se conseguiu este repto? É complicado explicar aos utentes de português que na Galiza falamos a mesma língua?

Claro, um dos principais objectivos para muitos de nós é sempre demonstrarmos que o galego não tem uma fronteira administrativa cingida ao Estado Espanhol. Muitos galegos e galegas já percebem isso quando viajam a Portugal mas não reparam ou, simplesmente, passa à lado o facto da potencialidade linguística. O PGL em termos gerais, e em concreto o seu foro, supôs uma inflexão nos projectos comunicacionais galegos pois não só falávamos para galegos e galegas mas também para todo o mundo lusófono.

Por um lado lançamos a mensagem histórica do galeguismo dirigida aos galegos e galegas, e nem só: «a nossa língua floresce em Portugal», por palavras do grande Castelao; por outro batíamos de frente com a ideia e o conhecimento de muitos lusófonos a respeito da diversidade linguística do Estado Espanhol e, ainda, do facto de na Galiza se falar «qualquer coisa que parece mesmo português». Acho que somos uma das primeiras grandes iniciativas em fazer comunicação directa a este nível com pessoal não ligado ao mundo da filologia, da investigação, do estudo das relações Galiza-Portugal, nomeadamente.

Enfim, o nosso projecto comunicacional implicou começar a deitarem-se determinadas barreiras, determinados preconceitos, de jeito geral, fora desses âmbitos mais academicistas. Acho que o desafio de conseguirmos ser veículos para pessoas não ligadas aos projectos oficiais, não ligadas ao mundo académico e essas pessoas debaterem entre elas, marcarem encontros para se reunirem do um e do outro lado da raia, é um dos maiores logros do PGL.

Ainda, explicar que a Galiza é berço da língua portuguesa espalhada pelo mundo é, claro que é, um exercício sadio e saudável. Os preconceitos agem mas os factos, a demonstração e a evidência acabam por colocar todas as chaves para quer um português, quer uma brasileira... e uma galega ou um galego começarem a reflexionar a respeito de por que este património comum não é aproveitado na Galiza, ou então por que é silenciado na Lusofonia...

Quais são os vossos principais objectivos a médio prazo?

Responder que queremos continuar a progredir é qualquer coisa óbvia. Responder que queremos continuar a ser uma ponte comunicacional entre as pessoas, também. Ainda, que queremos acrescentar novos serviços, contar com novos colaboradores, é evidente. Ora bem, dizer que do mais importante para nós é a manutenção deste projecto pode parecer um desafio pouco ambicioso, mas quando falamos de um movimento que tem, por enquanto, contados apoios no oficialismo quer político, quer linguístico, e que mesmo a nossa massa associativa ainda é muito limitada, embora tenha crescido enormemente, talvez essa afirmação seja percebida de uma outra maneira.

Acho que durante estes 4 anos de PGL um dos desafios foi transmitirmos uma imagem aberta, plural, em defintivo, social do movimento reintegracionista. E nessa linha se conseguirmos contribuir para o lusismo galego fazer parte da sociedade galega, o nosso objectivo estará mais do que cumprido. Se conseguirmos ser vistos, caso não o sejamos já, como um projecto em positivo para a defesa, dignificação e promoção do português da Galiza (ou do galego, como é conhecido popularmente) então qualquer nova coisa a propormos, a fazermos, será mais gratificante.

Contais com um número muito importante de visitas, tendo superado em ocasions as 300.000 num mês. Qual é o vosso método de promoçom? A que se deve este sucesso tendo em conta que se trata de um portal linguístico e cultural? (quero dizer, nom dirigido ao grande público)

A nossa massa associativa é muito activa e muito dinámica. Só com isso já conseguimos estar em infinidade de foros. Não é infrequente encontrar ligações ou referências às notícias publicadas no PGL em sites tão populares e consolidados na Galiza como Vieiros, Cultura Galega ou mesmo sermos referentes noutro tipo de publicações.

Acho que é fruto, também, do bom trabalho das pessoas que fazem parte do Conselho de Redacção do portal e, em geral, de todas as pessoas que colaboram e colaboraram connosco. Grande parte da nossa oferta é de produção própria, tratada aberta e pluralmente, mas com total liberdade, o qual envolve maior credibilidade e dá uma identidade própria.

A nossa atenção pontual e individualizada, na medida em que podemos, faz também parte, acho, da nossa imagem de seriedade, responsabilidade e profissionalidade. Conforme a passagem dos anos são mais e mais as associações cívicas e mesmo já responsáveis e trabalhadores de organismos oficiais confiantes no nosso trabalho que enviam a sua informação e também pedem, cada vez com mais frequência, o nosso contributo ou, no mínimo, que forneçamos esse contacto para efectivar qualquer proposta ou resolver qualquer situação.

Não faço ideia quais os números de outros portais temáticos como o nosso, mas é certo que a procura se deve também à existência de um mundo lusófono que é potencialmente, como demonstramos no PGL, uma autêntica oportunidade a todos os níveis.

Passasteis de ter contratado um hosting profissional a um servidor dedicado. Qual foi o motivo? Estais satisfeitos com o serviço de alojamento web e as prestações da Dinahosting?

O motivo veio dado: o crescente número de visitas, o crescente consumo de recursos fez com que fosse inevitável termos de contratar um serviço dedicado. Não é que sejamos uma fonte de recursos económicos, pois não. Mesmo do nosso horizonte não foi descartada a própria autogestão, mas o facto de termos esse serviço também envolveu que novos projectos se viessem a somar ao inicial informativo do PGL. Destarte, o dicionário e-Estraviz, o web de jogos Planeta-NH ou, ainda, o portal hóspede de blogues, são um exemplo desse aproveitamento do novo server.

Não gosto de parabenizar sem motivo. Por isso, dizer que o serviço prestado por Dinahosting tem sido bom, tirando-nos em mais de uma ocasião de situações que achávamos limite, não evita dizer que também temos feito algumas sugestões para a melhora de algum dos serviços. Por exemplo, a quantidade de spam que inunda hoje o mundo da net é uma das nossas maiores preocupações, mas também nisso sei que estais a trabalhar.

De resto, reconheço que ainda não temos explorado 100% todos os serviços, o que significa que o leque da oferta é muito interessante, quando menos no que diz respeito dos planos Linux, com os quais trabalhamos nós.

Desde Outubro de 2005 as vossas visitas começaram praticamente a se triplicar. Que foi o que aconteceu nestas datas?

Acho que a descolagem vem de um ano atrás. Naquela altura vivemos uma dessas situações limite. Foi o facto da comunidade de visitantes ver o projecto em perigo aquilo que fez, acho, com que se desse um pulo na divulgação e na fidelidade ao mesmo. Ainda, o progressivo trabalho que resultou na criação do Conselho de Redacção no último trimestre de 2005 e o produtivo canal de opinião com inúmeras colaborações, envolveu que a nossa produção informativa e de serviços fosse maior, com uma percepção de melhor qualidade e, em definitivo, vista como necessária no campo da língua e cultura galegas e, ao seu nível, lusófona.

Não esqueço, pois não, o facto do lançamento do dicionário e-Estraviz ocorrer durante o ano 2005 e também do melhor atendimento doutros serviços e secções do portal, com a colocação em linha do Dicionário de Fraseologia, a actualização constante do Falar com Jeito... e a potenciação do canal de comunicação entre as pessoas. Reconheço que a enorme participação e debate surgido por volta dos foros do PGL implicou que uma boa parte das visitas se centrasse nos foros e, depois, no pequeno bate-papo em linha que foi implementado.

Que destacarias entre os serviços que proporciona o PGL? Que pode ser de interesse para qualquer falante de português no mundo? E para qualquer galego?

É-me muito difícil salientar que um serviço é mais importante do que outros. A nossa vocação é informativa, divulgadora mas também formativa e participativa, como já bem tenho comentado. É por isso que temos o portal dividido, de alguma maneira, em quatro grandes canais, cada um deles com um monte de secções: Notícias, Comunidade PGL, Formação, e Corporativo da AGAL. A isto devemos acrescentar os projectos satélites do dicionário e-Estraviz, do Planeta-NH e da comunidade de Blogues agal-gz.

Todas e cada uma das secções e canais podem ser consultados por todo o pessoal e pode ser de grande interesse para todo o mundo. Ora, posso dizer que para mim um galego deve reparar numa primeira vista de olhos na actualidade informativa e na secção de formação; e um falante de português, em termos gerais, no dicionário e-Estraviz, projecto que deve chamar a sua atenção no momento.

Mas quero lembrar que no nosso plano incluímos material de grande destaque e mesmo de grande nível no campo da investigação. Por exemplo, o projecto das Cantigas Trovadorescas, da mão do Catedrático Montero Santalha, tem a vontade de publicar todo o córpus da lírica medieval galego-portuguesa, numa versão revista e actualizada por tão insigne vulto.

Enfim, o melhor é o pessoal navegar, desfrutar e deitar preconceitos. Somos claramente, sob a minha opinião, um portal alternativo, livre, com vontade construtiva e aberto. E faço votos para estarmos só no começo.

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Escrito em 04-10-2007, na categoria: Língua, Internet

1 comentário

Comentário de: BRAÚLIO DE SOUSA FILHO [Visitante] Email
Senhores e Senhoras!
Me entristecem muito o desvalor que dan na Galicia a lingua de nossos antepassados e galegos no exterior: Brasil, Uruguay, Arxentina, Venezuela, etc.
Minha avó materna Felipa e a paterna Teresa ficariam estarrecidas com o desprezo total aos valores culturais de nosa lingua, como se fus unha lingua de nenhuma história!
Me perdoem a crítica xeral, nada de pessoal, mas precisamos nos concientizarmos de que sem uma lingua própria nenhum pobo resistirá à morte cultural!
Perdoeme meus irmãos galegos, mas enquanto os descendentes procuram manter as tradições vivas, não nos parece que na Galicia estexam fazendo iso! que pecado, que lástima!
Atenciosamente,

Bráulio.
10-10-2007 @ 09:39

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