
Altera Galiza.- A emigração galega de finais de XIX e princípios do XX não fugiu ao contexto da industrialização maciça e do capitalismo esmagador em que estava envolvido naquela altura boa parte do mundo. Mas, os galegos não foram apenas trabalhar, também levaram consigo ideias e fizeram prática das mesmas, como foi o caso do anarquista ferrolano António Souto [Antonio Soto].
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Com efeito, na sequência da II edição do CinemGalego, sob organização da Esmorga, tive oportunidade de assistir em passada quarta-feira, 12 de Dezembro (20h30 - GMT +1 - ), à projecção do documentário «PatagÓnia. Utopia Libertária», realizado pelo galego-portenho Xan Leira e voltado para a vida e luta de António Souto na Patagónia de princípios de século XX.
Xan Leira exprimiu claramente que o documentário pretendia resgatar para a memória viva da Galiza o valor da emigração, exemplificado em personagens como António Souto, pois «os galegos fomos construir no mundo o que não nos deixavam construir aqui», afirmou.
Falando num galego com um delicioso sotaque portenho, Xan Leira disse que «a busca da identidade, a paixão pela nossa história, a própria aprendizagem e a recuperação de lutas nas quais estiveram envolvid@s galeg@s» são motivação fundamental para o seu trabalho cinematográfico.
Nos dias de hoje, no entanto, as condições parecem não ter melhorado tanto quanto se pensa, por isso Xan Leira apontou para o seu desejo de que «surjam muitos Antónios Soutos, pois são muito necessários».
O debate na Esmorga prolongou-se por volta de 40 minutos, após a passagem do documentário. Pessoalmente não concordei com a visão que alguma das pessoas presentes expressaram a respeito de algumas sombras que se advertiam no filme a respeito da figura de António Souto.
Mas a minha impressão pessoal não é questão desta postagem, e as outras são totalmente legítimas. Eu, que nada sabia desta personagem, fiquei impressionado pelo que este homem foi capaz de movimentar, de lutar, sem renunciar nunca à sua condição de galego e de sindicalista anarquista, embora a passagem do tempo e os seus vai-véns familiares.

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[Duração da gravação 42 min | 39.9 MB]