Maria Yáñez: «Todo o mundo na Galiza tem um conflito pessoal com a língua»

Maria Yáñez: «Todo o mundo na Galiza tem um conflito pessoal com a língua»



Língua na Galiza foi foco na terceira sessão do festival CinemGalego 2007, a decorrer em Ourense neste mês de Dezembro

Altera Galiza.- A jornalista lucense Maria Yáñez (Eanes) esteve na Esmorga em passada quarta-feira, 19 de Dezembro, na sequência da exibição do documentário «Línguas Cruzadas», co-realizado com Mónica Ares, no quadro da II edição do ciclo «CinemGalego» que com grande sucesso está a organizar A Esmorga. Maria Yáñez apresentou o documentário bem como debateu durante mais de uma hora com as 20 pessoas que assistiram à projecção.

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85.000 de audiência e 20 horas de gravação

«Línguas Cruzadas» foi um projecto voltado para o galego e a gente nova que nasceu a partir de uma proposta da TVG «para projectar no Dia das Letras», embora o seu sucesso veio depois quando emitido pela própria TVG, no espaço documentário dos sábados, atingiu até 85.000 espectadores/as de audiência, e na internet já alcançou as 8.000 descargas e uma elevada repercussão.

Maria Yáñez explicou que tinham material para realizar uma autêntica série, pois gravaram mais de 80 horas nas quais se recolheram opiniões realmente interessantes que reflectem a mocidade galega 2007 do ponto de vista linguístico. Do princípio, manifestou, tinham muito claro que queriam dar a palavra às pessoas, «sem intervenção de linguistas nem intelectuais».

A premissa deste documentário, afirmou, era que todo o mundo tem uma história, todo o mundo tem «um conflito pessoal com a língua», de facto o título inicial previsto era «Conflito Linguístico: Cada Pessoa Tem o Seu», por isso mesmo durante as gravações deixaram falar o pessoal descontraidamente, sem roteiros prévios.

Cinco tipos de falantes

«O documentário tenta reflectir uma história próxima ou familiar que faça com que cada pessoa se sinta identificado nalguma delas», salientou Maria Yáñez, que falou dos cinco tipos de falantes recolhidos no filme:

1.- Galego falante convencido, monolíngue, reflectido nos falantes da Terra-Chã, «a primeira geração de galegos que não têm vergonha real do galego».

2.- Monolíngues em castelhano, reflectidos nos rapazes da Corunha, «que não mostram desprezo pelo galego mas não falam a língua porque não têm com quem a falar ou não têm segurança e modelos».

3.- Neofalantes, exemplificados em Compostela, «demonstram que é possível a recuperação da língua».

4.- Falantes nativos desgaleguizados na escola, com o caso de um rapaz de Bueu, «que estão na encruzilhada de voltar, ou não, a falar em galego».

5.- Falantes estrangeiros interessados na língua, reflectido no Voluntariado Linguístico impulsionado pela AGAL e a Gentalha do Pichel, «que animam o pessoal galego para recuperar a sua língua».

Conclusões optimistas num contexto de realidade pessimista

Uma das conclusões que a Maria Yáñez disse tirar deste trabalho é que «é a primeira vez que não falar galego é percebido como uma carência, há pessoal que nada manifestou contra o galego, ninguém mostrou hostilidade nenhuma a respeito».

Ora bem, mais uma vez a falta de meios, modelos, enfim, sociedade que faça útil o galego, ficou como uma das grandes pejas que tem o galego na Galiza neste momento para fazer com a gente mais nova não se afaste definitivamente da língua.

«Nunca também esteve o galego do ponto de vista da apreciação, mesmo do domínio do mesmo, mas nunca tão pouco se falou», o documentário, no entanto, procura o optimismo, mostrando que «é possível recuperar a língua, apenas é só ter vontade pessoal», conclui Maria Yáñez.

O debate continuou a respeito da língua, das possíveis soluções e demais, sendo muito participado. Embora não fosse assunto central do mesmo, a focagem da língua também veio à tona, apontando-se para a aproximação e o aproveitamento dos recursos do português como solução, fazendo com que cada vez seja mais maioritário o interesse e o conhecimento pela Lusofonia entre a gente nova.

Aqui do Altera Galiza parabenizamos Maria Yáñez e Mónica Ares por este trabalho aberto, descontraído e, nomeadamente para mim, quebrador de determinados tópicos a respeito da saúde da língua que continuamente divulga o oficialismo, designadamente o número de falantes e a sua situação doentia.

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Filme na íntegra: Vídeo Google

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[Duração da gravação 1 h 03 min | 59.79 MB]

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Escrito em 21-12-2007, na categoria: Cultura, Língua, Áudio

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