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A.C. Amig@s da Cultura

  18:20:07, por admin, 956 palavras  
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A.C. Amig@s da Cultura

04-10-2010

AMIG@S DA CULTURA funda-se no ano 1967 e alcança na actualidade os 43 anos de existência. Entre os seus sócios fundadores encontravam-se membros da sociedade ponte-vedresa com profissons díspares e vontade de fomentar um associacionismo cultural que desse umha resposta à mordaça que o franquismo exercia sobre o povo galego. Era por aquela altura quando apareciam em toda a Galiza um conjunto de associaçons que conformárom a resistência galega à estratégia assimilacionista do Estado espanhol, como O Facho na Corunha, Auriense em Ourense, ou O Galo em Compostela?

Nestes anos iniciais, cumpre destacarmos entre os seus impulsionadores a presença de membros do Museu de Ponte Vedra, intelectuais e investigadores galegos, advogados, professores e profissionais independentes. Pessoas como Agostinho Portela (criador do anagrama de Amig@s da Cultura), J.L. Fontenla Rodrigues, Garcia Além, Filgueira Valverde, Fernando Cunharro Pintos ou Antom Bértolo Losada.

É salientável também o contributo do presidente durante a década de 70, José Luís Fontenla, na defesa do mundo da Lusofonia, contando por aquele entom com o apoio inestimável do professor Carvalho Calero, apoio que continuaria em anos posteriores.

Já na década de 80 começa umha nova fase ao descer a nómina de intelectuais (e pseudointelectuais) e crescer o número de trabalhadores/as independentes e obreiros/as entre os sócios e sócias e assim mesmo no órgao de direcçom da associaçom. Produziria-se umha mudança radical na mensagem que se queria transmitir ao passar de actividades puramente elitistas e de autoprestígio (conferências, prémios à gente ?da casa??) a outras mais populares e reivindicativas.

Nestes anos há umha actividade muito intensa que abrange ámbitos como a defesa do património histórico-artístico de Ponte Vedra e das comarcas de arredor. Sobressaem aqui, entre outras, as campanhas e mobilizaçons a favor das Palmeiras e contra a destruiçom da Alameda, a denúncia da devastaçom da aldeia de Pedre em Cerdedo (umha das mais representativas da arquitectura popular) ou a denúncia ao presidente da Cámara municipal Rivas Fontám. Umha actividade de denúncia permanente que implicou a perseguiçom de componentes da Junta Directiva e as multas por parte do Governo Civil espanhol.

Também há que lembrar a campanha para erguer o monumento a Castelao em 1982, feita por subscriçom popular. A recuperaçom de festas e tradiçons galegas, como no caso do mundo da música tradicional e dos gaiteiros ilustres através das Jornadas da Gaita, ou as festas dos Maios e da Cabaça. A acusaçom de personagens e instituiçons agressoras do nosso povo e a nossa cultura. A solidariedade com as paróquias de Ponte Vedra nas suas justas reivindicaçons. A criaçom de actividades em defesa da língua, como a I Carreira Popular e os prémios literários. A ajuda económica ao jornal A Nosa Terra (que se encontrava numha situaçom de asfixia económica) mediante a subscriçom de acçons e do arrecadado na venda de um quadro feito por Laxeiro para a campanha pró-monumento a Castelao. O posicionamento pioneiro na exigência de demoliçom do complexo de ENCE.

Amig@s da Cultura cria também galardons como o ?Moucho de Prata/Pola de Tojo? para dar umha resposta positiva e outra negativa às pessoas e organizaçons mais destacados/as na defesa, ou na aldragem, do nosso idioma e cultura, o prémio de economia e sociologia ?Alexandre Bóveda?, o prémio ?Suárez Picallo? para trabalhos jornalísticos em galego, que procuram contribuir para a normalizaçom lingüística na imprensa escrita ou o I Concurso de Banda Desenhada para potencializar os/as novos/as criadores/as galegos/as.

Após esta multitude de actividades chega a década de 90 e é entom quando se trata de iniciar um processo que garanta a continuidade da associaçom dando passagem a umha geraçom mais nova que assuma a responsabilidade do projecto. Mas também surgem conflitos na Junta Directiva, já que umha parte da mesma nom está pola necessária actualizaçom em diversos campos. Um exemplo disto é a curiosa resistência à informatizaçom da associaçom, mas por cima de todo as dificuldades postas a esse processo de renovaçom geracional quando o presidente, Augusto Fontám, defende em 1995 a entrada de jovens em postos de responsabilidade, embora finalmente sim se consiga, em parte, essa renovaçom geracional, ao sair eleito como novo presidente Vítor Acunha.

A estas diferenças engade-se umha outra nom menos importante arredor da orientaçom lingüística, com umha parte da associaçom partidária de assumir as teses do reintegracionismo e umha outra, de novo mais imobilista, defensora do isolacionismo e que é a que finalmente se impom.

As diferenças geracionais e lingüísticas, entre outras, dam lugar à conformaçom de um novo colectivo dentro de Amig@s da Cultura, denominado ?Mouchos Anticoloniais?, e composto sobretodo pola gente mais moça e que convive dentro da associaçom até 1996, ano em que, após a manipulaçom antidemocrática do prémio ?Moucho de Prata/Pola de Tojo? por umha parte da Junta Directiva decide abandonar Amig@s da Cultura e lançar com o tempo novos projectos culturais. Enquanto Amig@s da Cultura fica num estado de abandono e coma prolongado durante muitos anos até a sua actual reactivaçom, que supom o início de umha nova etapa após quatro décadas de história.

Umha nova etapa iniciada por pessoas de diversas procedências e idades, mas com o comum objectivo de dar um novo impulso à cultura e ao lazer na nossa cidade sob os parámetros da defesa do idioma de um ponto de vista reintegracionista, do compromisso com a Galiza e com um modelo de sociedade alternativo ao capitalismo, ao atender também a causas como o ecologismo, o feminismo ou a solidariedade internacionalista. O apoio às luitas populares, laborais ou de defesa do território e do nosso património histórico igualmente será umha constante nesta nova fase.

Pretendemos criar um espaço plural e sem dependências partidárias ou institucionais, mantendo a autonomia e o carácter crítico que historicamente caracterizárom Amig@s da Cultura frente à docilidade de boa parte do tecido associativo de Ponte Vedra.

Ponte Vedra, Outubro de 2010

Endereço de contato: amigasdacultura[arroba]gmail.com

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