Em condiçons normais, nengum povo precisa de dedicar especiais esforços a defender o uso da sua língua. Para nós, galegos e galegas, o uso normalizado do idioma que os nossos antepassados criárom há muitos séculos atrás é hoje quase umha heroicidade.
Som inumeráveis os obstáculos que as normas legais e institucionais nos colocam, com um único objectivo, marcado há muito tempo por quem nos nega como povo diferenciado: que se consume a substituiçom lingüística e o galego passe à história em favor da língua do Estado espanhol.
A verdade é que o quadro jurídico sempre favoreceu a imposiçom do espanhol, apontando falsas concessons ao galego, com base no chamado “bilingüismo harmónico”. Hoje sabemos que a “harmonia bilingüista” conduziu para os níveis mais baixos de uso social do galego de toda a história. Quantos nenos ou nenas galegofalentes conheces em Ferrol? É um conto com final feliz... para o espanhol.
Agora que o galego está socialmente enfraquecido devido a essas falsas políticas normalizadoras, o PP pretende, à frente da Junta da Galiza, pisar o acelerador da imposiçom do espanhol. Nom podemos permiti-lo. A resposta social que se tem dado neste último ano deve alargar-se e continuar até a derrota da política lingüística do PP, a começar polo novo Decreto de ensino que quer impor a partir do próximo ano académico.
Claro que, para sermos claros, as políticas contrárias ao galego nom som aplicadas só polo PP. No nosso concelho, a sucessom de governos de todas as cores nom seriviu em nengum caso para dar ao galego o lugar que lhe corresponde em Ferrol. Nem sequer a aprovaçom unánime de umha Ordenança de Normalizaçom, há mais de umha década, foi seguida da aplicaçom dos pontos ali recolhidos, que poderiam ajudar a socializar o uso do nosso idioma.
Nem nos cargos públicos, nem no funcionariado, nem na projecçom pública do trabalho institucional... em Ferrol, o actual governo, como os anteriores, abandona o galego à sua sorte, utilizando-o só às vezes e de maneira subsidiária em relaçom ao espanhol, estendendo umha mensagem muito negativa à sociedade, fazendo aparecer o espanhl como o “verdadeiramente importante”.
Só a própria sociedade organizada poderá dar a volta a umha situaçom tam complicada como a que o galego atravessa, em Ferrol e na Galiza. Por isso, mais umha vez, a Fundaçom Artábria quer visibilizar o compromisso das ferrolanas e ferrolanos com o nosso idioma, saindo à rua para defender o direito colectivo à língua.
Porque nom queremos ser tratadas nem tratados como “objectores” ou excepçom à regra do espanhol obrigatório. Queremos compromissos claros e concretos de cada instituiçom com o galego como idioma próprio da Galiza.
Esse é o objectivo do passa-ruas reivindicativo que convocamos para este 14 de Maio, poucos dias antes do Dia das Letras Galegas.
Convidamos as entidades e pessoas que em Ferrol coincidem nesse afám normalizador do galego para, juntas e juntos, reclamarmos aos poderes públicos umha nova política lingüística que ajude a devolver o galego ao seu legítimo proprietário: o povo galego.

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