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A Fundaçom Artábria quer apresentar ao povo ferrolano algumhas consideraçons e reflexons sobre as Festas de Verao que se desenvolvem nestas semanas na nossa cidade.
Continua:
As festas deste ano som umha mostra do Ferrol que querem os nossos governantes: muito gasto em grandes figuras “televisivas”, pouco investimento na cultura feita no nosos país e na nossa língua e nulo espaço para a participaçom do povo na sua preparaçom.
Efectivamente, estas festas, como cada ano, mostram a total falta de compromisso dos sucessivos governos municipais com as manifestaçons culturais e musicais existentes em Ferrol e na Galiza, expressadas na única língua própria do nosso país, o galego.
A aposta fácil em que se empenham cada ano os governantes municipais passa por trazer a Ferrol os grupos “consagrados” pola publicidade televisiva produzida em Madrid. Som esses os grupos e espectáculos que levam o grosso do dinheiro público dos ferrolanos e das ferrolanas. Grupos e intérpretes que nos visitam um dia para receber milhares de euros por interpretar as cançons da tele e voltar por onde vinhérom.
El Sueño de Morfeo, La Excepción, D'Nash, Coque Malla, Efecto Mariposa... muitos milhares de euros que deveriam ser investidos na cultura da nossa comarca e do nosso país voam para longe em troca de nos permitir assistir a concertos inspirados na pobríssima programaçom musical televisiva ou em expressons musicais sempre do mesmo ámbito cultural: o madrileno-espanhol.
Realmente crem os nossos governantes que nom há mais música que a cantada em espanhol nas grandes emissoras e canais televisivos espanhóis?
A todo o anterior, haverá que acrescentar um factor fundamental, que parece estar numhas bases de participaçom nas nossas Festas que talvez nom esteja escrito, mas que funciona como se estivesse: a nossa língua, o galego, fica radicalmente fora dos grandes eventos festivos do Verao ferrolano.
É verdade que existem excepçons, mas se comparássemos em termos monetários o investimento realizado na actividade cultural realizada em espanhol com a realizada em galego, veríamos que o programa de Festas de Ferrol reserva para o galego as migalhas que sobram do reparto de milhares de euros às figuras do panorama comercial em espanhol.
Nom sabemos se é isso o que o povo quer, porque falta enumerar umha outra característica destas Festas de Verao: a vizinhança só assiste como espectadora. Nom está prevista a participaçom do povo na elaboraçom do programa, nem na decisom sobre o investimento a realizar, nem nos critérios para esse investimento.
Resumindo, e voltando ao início, as de Ferrol continuam a ser, também neste ano, as Festas do malgasto de dinheiro público sem mais critério que o comercial ou mesmo eleitoral, alheias a qualquer fomento da cultura própria, ferrolana e galega, sem mais rendimento ou benefício social que vermos as grandes figuras do panorama musical-mediático espanhol.
Já que as forças representadas no Pleno do concelho de Ferrol nom consultam a opiniom das vizinhas e vizinhos de Ferrol, permita-se-nos concluir este comunicado confirmando que, no caso da Fundaçom Artábria, o nosso colectivo considera profundamente inadequado, por elistista, vertical e antigalego o programa das Festas de Verao deste ano.
Como parte do tecido social ferrolano, reclamamos umhas festas diferentes: participativas, plurais e abertas a todas as línguas e culturas, com o galego como língua principal da sua programaçom.
Fundaçom Artábria,
Ferrol, 25 de Agosto de 2010.

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