Mais um ano o apalpador visitou este Concelho da comarca do Condado. A
sua visita nom passou desapercebida para as crianças que aguardavam a
sua chegada desde antes das 17h. A sua chegada, derom mostras do enorme carinho que a figura galega do natal provoca entre crianças, jovens e maiores.
Felizes todas e todos, e sabendo do esforço que supôm ao velho carvoeiro e ao burrinho Faustino* chegar até estas terras do sul da Galiza, transmitimos o desejo de que nunca deixe já de visitar-nos.
Aguardamos-te em 2012 apalpador!
*Dim de Faustino que é um burro que aparesce e desaparesce e que por
isso nom está com o apalpador em todas as suas visitas, e dim que até
muda de nome quando ele quer e dependendo de onde se atope.
Vídeos:
http://youtu.be/8WUMd0qavLw
http://youtu.be/bNY4GpKO9Xo
http://youtu.be/RbgHWs0w39c
Aqui estam alguns dos brinquedos que repartirá este ano entre as crianças do Condado.
Será o 30 de dezembro que por volta das 17h chegará à Praça Maior repartindo presentes de fabricaçom artesanal, castanhas e caramelos.
Lá vos aguarda para comprovar como passastes o 2011 que remata e para desejar um melhor novo ano a todas e todos.
Será o 30 de dezembro que por volta das 17h chegará à Praça Maior repartindo presentes de fabricaçom artesanal, castanhas e caramelos.
Lá vos aguarda para comprovar como passastes o 2011 que remata e para desejar um melhor novo ano a todas e todos.
O derradeiro poema dos três lidos pola companheira Belém o dia 16 de Maio.
Alarde Misto
É a nuvagem a causante da tua doença
e longiquo o rasto espalhado no ceu
Eu, ainda continuo a padecer-te...
Na tua mao agitas meu universo
dançando ao ritmo dos teus desejos
Mas os soldadinhos de chumbo
ficarom tudos deitados no chao
Mentres agardo imóvel ao seu rente
achava impossível de te aperceberes
da minha presença.
Entre todos os combatentes inertes
procurava misturar-me com os
engalanados uniformes do batalhom masculino
portadores de sabres e estandartes
Enquanto olhavas a desfeita
do último combate, tornava-se o estrépito
em silêncio após a luita atroz
sem bandeiras de rendiçom a ondear
aniquiladas pelo teu jogo egoista
e pela tua prepotência genérica.
Exigias a cessom absoluta da minha
soberania para ocupar meu espaço
e apoderar-te nom só das fronteiras
mesmo também do território, com seus
recursos e bens imanentes.
Assim mesmo ofereces-me os braços
abertos, diligentes e protectores
com a debilidade extrema que padeço
pelas provocaçons constantes
que impidem um pacto entre iguais.
Ansiavas a assimilaçom ao inimigo
a destrucçom de qualquer resquício
de consciência autóctone e identitária
Mas amar e querer som incomensuráveis
O desfrute e e gozo sumo compartilhado
Sem pressons, nem obrigas impostas
Sem subjugar, nem dominar
sem anular a capacidade de ser eu mesma,
Um compromisso livre e igual
afastado de tudo egoismo.
Ham-se despejar os ceus da nuvagem
os rastos esvairam-se e o sol quentará
o dia com raios de esperança
que fundam os coraçons sem vida dos
soldadinhos de chumbo na construiçom
de alardes mistos para a lembrança
da luta contra qualquer tipo de opressom.
Mais um poema recitado no 16 de Maio por Belém Grandal.
A ROSALIA
Levo teu rosto sereno no meu peito de mulher
nas maos pensamentos de folhas brancas e azuis
nos beiços teus versos com brilhante carmim
com os que recebo cada dia quando alvorecer.
Rosalia, mulher culta, orgulhosa e valente
decidiste converter as palavras em punhais
para cravarem nos gélidos e inanes coraçons
como afiadas estacas que destruiram semente.
A podrémia semente da Coroa de Castela
que deu filhos espúrios nos terreos ermos
guerreiros atroces de insaciáveis conquistas
que arrincaram sem piedade nossa arela.
Foram tempos obscuros para a nossa naçom
as miradas na procura de horizontes distantes
lugares remotos onde a esperança medrava
ficando nossa pátria sob alheia dominaçom.
Homens que nosso género tornastes invisível
malia serem farturentas na dureza dos trabalhos
falaste da ausência por aqueles que emigravam
da soidade da mulher e da sua força visível.
Denunciaste as humilhaçoms da nossa gente
as penúrias e misérias que andavam a padecer
foste por isso, escritora ocultada e silenciada
desprezada na corte da “Espanha” indecente.
No jardim das palavras plantaste pensamentos
e foram da primavera ao inverno florescendo
em versos que exalavam irredentas fragráncias
que ainda impregnam nosso ser nestes momentos.
E foste murchando, esmorecendo devagarinho
no tempo da quentura ficou teu corpo bem frio
eternos som teus versos que vam sempre comigo
candeias que alumeiam meus passos neste caminho.
Apresentamos um dos três poemas recitados por Belém Grandal, companheira da Associaçom Cultural Obreira Baiuca Vermelha o dia 16 de Maio.
POEMA EM HOMENAGEM A UGIO NOVONEYRA
Face a meseta castelam esgrévia, adusta e monótona
ergue-se magnífica e sobérbia nossa Serra do Courel
onde os rios serpenteam ocultos entre os rochedos
e a chuva cai com doçura em pingas de auga-mel.
Entre solitários cumios, chairas claras e rebulidoras
entre lobos, vaca-loiras, cervos, aziveiros e uzeiras
entre piçarras pretas, augas ocres, e frescos verdores
Nasceu um pintor de palavras, um poeta de bandeiras
Os versos eram o morno arume que devagar recolhia
a saiva que alimentava as fervenças nas montanhas
poemas de amor e sonhos, de luita, tristura e silêncio
de força para umha pátria espoliada nas entranhas.
Os nevoeiros despejavam e os mouchos taciturnos
ajejavam enquanto soava a voz que encolhia a alma
encolhia o peito, encolhia os coraçons já sem latejos
assim, espalhava ecos desesperados de tensa calma.
Com seus dedos tecia enfeitadas linhas de cores naturais
linhas abertas e fechadas dispostas todas num quadro
Imagens de terra velha enchida de ancestros e lamentos
Que arrasta o vento ladeira abaixo até chegarem o adro
Já o outono repoussava plácido entre soutos e devesas
O fume rasteiro das chemineas escorregava pelas eiras
anunciando umha época decadente, gris e borralhenta
e as faiscas choutavam no ar dançando acima das lareiras.
Entom o lobo ventou na noite um tempo que há de vir
sentiu um rumor pousar na ramagem, e él, a ouvear
rugia, rastejava, agitava-se pelos angustos carreiros
ulindo o luto da morte que já estava pronta por chegar.
O gélido zéfiro zoava empurrando o espirito do Samaim
na véspera as ánimas arrincarom-lhe a Ugio sua existência
O Courel e Galiza ainda lembram a este extraordinário poeta
Mas é imortal sua obra de amor, sonhos, luita e resistência.
Ao longo do dia 16 de Maio a ACO Baiuca Vermelha levava a cabo os tradicionais Maios na Praça Maior de Ponte Areias. Este ano elaborárom-se por umha banda um Maio de forma piramidal que é o que se acostuma fazer quase sempre, mas também um “Maio” específico adicado a nossa língua. Fórom umhas estruturas metálicas que constituiam a legenda “na galiza em galego”. Crianças e maiores forom dando forma aos maios de 2010.
A jornada contou também com a poesia de Kiko Neves e Belém Grandal que pugérom letra e voz na língua da Galiza à actividade tradicional e lúdica mas também reivindicativa. Foi um prazer contar com os seus versos na Praça Maior a só umhas horas da histórica manifestaçom que percorreria Compostela ao dia seguinte em contra das agressons ao nosso idioma.
O Local Social Baica Vermelha fechou as suas portas temporáriamente para poder acondicionar o local do novo projecto que bota a andar.
A finalidade é melhorar a ferramenta que foi o Local Social todos estes anos, fazer dela um espaço com melhores infraestruturas, melhor acondicionado, melhor equipado e em definitiva mais atractivo para continuar a aglutinar pessoas à volta da defesa da cultura galega e de todos os direitos que como Povo Trabalhador Galego temos.
Aguardamos que a nova Baiuca abra as suas portas o antes possível. Manteremos-vos informadas e informados e ao igual que antes... contamos contigo!!!

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