Durante o mundial de futebol, um vizinho da minha rua colgou na janela uma bandeira espanhola (bastante grande). Um patriota, pensei eu. Depois do jogo Espanha-França, em que a Espanha perdeu, retirou a bandeira. Patriota de conveniência, pensei eu. Volveu a colgar a bandeira durante o mundial de basquetebol. Patriota que não perde a esperança. Depois da final, em que a Espanha venceu, retirou a bandeira. Prejulgara-o, só é patriota desportivo.
Há muitos patriotas desportivos, gente que nunca manifesta sentimentos nacionais (nem espanhois, nem galegos, nem outros) mas que se emociona e se exalta durante os jogos da selecção espanhola. Nem só com a de futebol, também com a de basquetebol, waterpolo, ou qualquer desporto desconhecido até o jogo da Nacional. Pessoas que nunca veem um desporto, que não conhecem os jogadores, que não entendem as regras, viram especialistas da noite para o dia. No bar que há debaixo da minha casa, a gente berrava com um partido de basquetebol. Incrível, aqui só se via futebol.
Esta força do desporto é bem aproveitada polos estados e, no caso que nos ocupa, polo Reino da Espanha. Depois do fim do serviço militar obrigatório, as forças armadas viram-se obrigadas a facilitar o acesso a estrangeiros e a eliminar alguns requirimentos para os cidadãos do Reino (paradoxo, melhor súbditos do Reino). Sinal de que há poucos soldados. (Na minha opinião, sempre há de mais...)
Durante o jogo do domingo, final do mundial de basquetebol entre Espanha e Grécia, todas as pausas para publicidade incluiam um anúncio das forças armadas espanholas. A minha dúvida é, se a Espanha não jogasse a final, emitiriam-se esses anúncios? E se fosse perdendo de forma tão evidente como perdia a Grécia?
Há quem me nega que haja exaltação patriótica, ou que os anúncios das forças armadas tentem aproveitar esse sentimento. Serei um paranoico que vê excessos nacionalistas por todas as partes?