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09-07-2005

Link permanente 12:46:23, por Ibérico Email , 398 palavras, 1785 leituras   Português (PT)
Categorias: Olivença

Olivença portuguesa ou Olivença espanhola?

OLIVENTINOS E OLIVENTINISTAS! APELO À SOLIDARIEDADE COM O PORTUGUÊS OLIVENTINO!

http://www.agal-gz.org/blogues/index.php?blog=14&p=564&more=1&c=1&tb=1&pb=1#more564

http://www.agal-gz.org/modules.php?name=Forums&file=viewtopic&t=1398&sid=bcb2a62de8fdf5198bd7076ea0c5d292

Olivença ibérica

Conhece Olivença?
Vamos ver
: http://www.agal-gz.org/planeta/front/?quiz=quiz&quiz_id=178&univers=13&step=5

Continua:

Fórum "Olivença espanhola ou portuguesa?":
http://otrademocraciaesposible.net/foros/viewtopic.php?p=37345#37345

Fórum "Olivenza ¿española o portuguesa?":
http://www.my-forum.org/descripcion.php?numero=155341&nforo=37631

Fórum "Olivença é portuguesa":
http://www.agal-gz.org/modules.php?name=Forums&file=viewtopic&t=1381&sid=60d5661a09ce4030130ace54160928e9

Grupo dos Amigos de Olivença: http://www.olivenca.org/ http://www.geocities.com/amigos_de_olivenca/

"Olivença online": http://www.geocities.com/CapitolHill/2382/

"Portugal de luto por Olivença":
http://www.tintazul.com.pt/castelos/olv/luto-2001-05-20.html

"Olivença, usurpação e etnocídio": http://imigrantes.no.sapo.pt/page6.Olivenca.html

"Olivença é portuguesa", de Miguel Roque: http://porolivenca.blogs.sapo.pt/

"Portugal ressuscitado", de Miguel Roque: http://olivencaportuguesa.blogs.sapo.pt/

"Jornal de Olivença": http://jornaldeolivenca.blogs.sapo.pt/

"Olivença é Portugal": http://olivenca.blogspot.com/

"Broncas e desabafos" (com comentários acerca de Olivença): http://lopesdarocha.blogs.sapo.pt/

"Alentejanices" (com secção oliventina): http://alentejanices.blogs.sapo.pt/

"Sonho alentejano" (com destaque para Olivença): http://sonhoalentejano.blogs.sapo.pt/

"Olivença - Portugal Livre" ("movimento patriótico"): http://portugal-livre.00freehost.com/ http://www.portugal-livre.00freehost.com/

"Grupo Olivença" (Msn): http://groups.msn.com/Olivenca

"Grupo Olivença é portuguesa" (Msn): http://groups.msn.com/OlivencaPortuguesa

"Forum Olivença": http://forum-olivenca.web.pt/ http://www.olivenca.online.pt

"Grupo Olivença" (Yahoo Brasil): http://br.groups.yahoo.com/group/olivenca/

"Olivença, terra portuguesa ocupada por Espanha" (com musiquinha horrível): http://zolmerxu.cjb.net/olivenca.htm

Olivença espanhola / Olivenza española: http://www.agal-gz.org/blogues/index.php?blog=14&p=291&more=1&c=1&tb=1&pb=1#more291

Olivença ibérica / Olivenza ibérica (lugares europeus): http://www.agal-gz.org/blogues/index.php?blog=14&p=281&more=1&c=1&tb=1&pb=1#more281

Última edição: 5 de Junho de 2006.

38 comentários

Comentário de: MigRoque [Visitante] · http://porolivenca.blogs.sapo.pt/
á Luz da história e dos direitos internacionais, Olivença é portuguesa de direito e ao reino de Portugal deve voltar.
08-08-2005 @ 19:37
Comentário de: Teixeira da Silva [Visitante]
À luz do direito Internacional e da dignidade dos Estados, cabe à Espanha devolver o que lhe não pertence e é obrigação de quem governa Portugal, reivindicar a devolução dos seus territórios ocupados, pondo fim a 200 anos de genocídio histórico e cultural.
08-08-2005 @ 20:12
Comentário de: LUSITANO [Visitante] · http://groups.msn.com/OLIVENCA
Olivença é território português usurpado,roubado,ilegalmente ocupado,e até agora os dirigentes políticos portugueses têm sido demasiado cobardes para exigir a devolução!Até quando?
Este é o url de um novo site sobre Olivença: http://groups.msn.com/Olivenca
25-08-2005 @ 23:07
Comentário de: LUSITANO [Visitante] · http://groups.msn.com/OLIVENCA
OLIVENÇA É PORTUGUESA!!!
25-08-2005 @ 23:08
Amigo MigRoque, poderia voltar a Portugal (que agora é a República portuguesa), mas "ao reino"... Nada de reinos! República(s) para todos!
25-08-2005 @ 23:53
Comentário de: Bernardo lopes da Rocha [Visitante]


Há menos de dois meses tive conhecimento do trabalho desenvolvidos pelos Amigos de Olivença.. Pude ver que, muita gente importante e simpatizantes de todas as classes sociais colaboraram
Muitos artigos e opiniões foram escritos para mostrar e provar que Olivença é território português. Em duzentos anos o poder dos argumentos não resolveu. Acho que a Espanha fictícia está mais preocupada com fidelidade dos Bascos, Catalães e Galegos. A Espanha fictícia tem medo do efeito dominó que, a reintegração de Olivença ao território português, pode causar. É preciso mudar a tática. Penso que é melhor negociar com as outras nações Ibéricas a devolução de Olivença . Negociar com a Espanha fictícia, a sediada em Castela, não resolve. Vamos eleger o Marrocos para sediar a negociação. Assim, talvez a mundo, e principalmente a Europa, ajude a demarcar legalmente o território de cada nação Ibérica, evitando assim problemas que podem afetar a Comunidade Européia que precisa ser consolidada.
bernardolopes@superigo .com.br
26-08-2005 @ 00:51
Comentário de: Bernardo lopes da Rocha [Visitante] · http://http;//lopesdarocha


Há menos de dois meses tive conhecimento do trabalho desenvolvidos pelos Amigos de Olivença.. Pude ver que, muita gente importante e simpatizantes de todas as classes sociais colaboraram
Muitos artigos e opiniões foram escritos para mostrar e provar que Olivença é território português. Em duzentos anos o poder dos argumentos não resolveu. Acho que a Espanha fictícia está mais preocupada com fidelidade dos Bascos, Catalães e Galegos. A Espanha fictícia tem medo do efeito dominó que, a reintegração de Olivença ao território português, pode causar. É preciso mudar a tática. Penso que é melhor negociar com as outras nações Ibéricas a devolução de Olivença . Negociar com a Espanha fictícia, a sediada em Castela, não resolve. Vamos eleger o Marrocos para sediar a negociação. Assim, talvez a mundo, e principalmente a Europa, ajude a demarcar legalmente o território de cada nação Ibérica, evitando assim problemas que podem afetar a Comunidade Européia que precisa ser consolidada.
bernardolopes@superigo .com.br
26-08-2005 @ 00:57
Obrigado, Sr. Rocha. Não é preciso escrever duas vezes o mesmo. Já percebemos.
26-08-2005 @ 08:30
Comentário de: Bernardo lopes da Rocha [Visitante] · http://http;//lopesdarocha



Eu escrevi duas vezes sem intenção de reforçar o argumento. Agradeço o aviso e aproveito para informar que, não fiz curso de informática nem tenho estudo acadêmico. Os meus professores foram os meios de comunicação e livros. Não tive orientação e sinto que a falta dela foi a causa das lacunas que me faz dar mancadas; Não vou deixar de escrever mesmo sabendo que não tenho preparo especial para tal. Por isso escrevi um livro, que está na Internet, mesmo sabendo que são muitos os que não gostam das minhas, Confissões, broncas e desabafos, que é o titulo do livro. Tenho outro livro quase terminado e preciso de alguém que o revise e melhore . Tudo o que faço é com a intenção de ajudar. Peço desculpa para os meus erros e tolerância para as minhas falhas involuntárias.Tenho um blog, Broncas e Desabafos , no Sapo, criado em Agosto de 05 ; é novo, mas já tem alguns artigos escritos que abordam o Social e casos como o de Olivença que é portuguesa, mesmo que a maioria dos seus habitantes optem por outra nacionalidade, Sinto-me como um aluno e por isso agradeço que apontem os meus erros para aumentar os meus conhecimentos.
Bernardo Lopes da Rocha, desde 1933

26-08-2005 @ 13:56
Ex.mo Senhor Rocha,
Pensei que seria isso. As minhas desculpas.
Os meus conhecimentos informáticos também são autodidácticos. Não deixe de escrever, faça o favor. Dê por favor o endereço do blog (talvez só com o título vou poder encontrar o que escreveu). Aluno? Não faz mal. Todos somos alunos. Alunos eternos. E ainda bem que é assim, porque se não aprendêssemos mais... não sei.
Eu peço também desculpas pelo meu português, pois ninguém me ensinou a escrevê-lo.
Mais uma vez, obrigado.
26-08-2005 @ 15:17
Comentário de: Doctor Z [Visitante] · http://olivenca.blogspot.com/
Concordo totalemente com o que se diz aqui e com o que sei da historia de Olivença e da guerra das Laranjas : a cidade e o concelho de Olivença fazem parte integrante do território nacional : é assim que o diz o 105° artigo do tratado de Viena assinado em 1815 e em 1817 pela Espanha.

Saudações Oliventinas.
26-08-2005 @ 23:54
Comentário de: MigRoque [Visitante] · http://porolivenca.blogs.sapo.pt/
"poderia voltar a Portugal (que agora é a República portuguesa), mas "ao reino"... Nada de reinos! República(s) para todos!"
Sim Portugal é uma Republica e eu não sou monarquico, para mim a palavra "Reino" significa o mesmo que nação, então rectifico...
OLIVENÇA DEVE VOLTAR AO SEIO DA NAÇÃO PORTUGUESA A QUE PERTENÇE.
28-08-2005 @ 22:51
Comentário de: MigRoque [Visitante] · http://porolivenca.blogs.sapo.pt/
A ACUSAÇÃO ABAIXO É MUITO GRAVE, PEÇO A QUEM A FEZ QUE ME ENVIE UM EMAIL EM PRIVADO PARA CONFIRMAR SE ASSIM É... PS: PODE ENVIAR ESSES EMAIL QUE FORAM "CENSURADOS"... A DEFESA DE OLIVENÇA PRECISA DE UNIÃO EM TORNO DESSA HONROSA CAUSA, NÃO DE DIVISIONISMOS..."Olivença, cidade portuguesa"
http://groups.msn.com/OLIVENCA Nesta página não se pode opinar livremente. Insultam as pessoas que não pensam como o administrador. Insultam e escondem-se atrás de pseudónimos que vão mudando, sem podermos saber quem são. Apagam as mensagens com as quais não concordam. Página não recomendável.

28-08-2005 @ 22:58
Senhor MigRoque,
A acusação que fiz é certa. Não posso enviar esses mails censurados porque não fiz cópia nenhuma. Foram apagados. Tudo por dizer que Olivença podia ser espanhola ou portuguesa, mas era ibérica. E que gostava de discutir e comentar isso. Depois um anónimo, porque não se queria identificar, escreveu coisas muito ofensivas para mim. Respondi a isso e todo o que eu escrevera foi apagado, sem explicação. Acontece também que nessa página os membros não se identificam e vão mudando de pseudónimo, ou acontece que um mesmo usuário tem vários. Eu sempre me identifiquei. Essa página é feita com fanatismo e uma falta total de democracia, de respeito, de uma mínima consideração a qualquer que ousar dizer alguma coisa fora das consignas 'ortodoxas' dela.
Saudações.
29-08-2005 @ 13:26
Comentário de: MigRoque [Visitante] · http://porolivenca.blogs.sapo.pt/
Pois amigo certas pessoas tem dificuldade em lidar com pensamentos contrários, e não aceitam a opinião dos outros.
Me alegra que você não é assim e dá voz a todas as possibilidades. Respeito seu modo de ver as coisas, mas amo Portugal e gosto de vê-lo independente de Espanha, como sabe os governante de Madrid gostam de nos tratar como o vizinho pobre da peninsula, mas muitos de nós ainda nos orgulhamos de ser o povo que somos. Um abraço
29-08-2005 @ 18:36
Amigo MigRoque,
O meu ideal seria o contrário. Que Espanha fosse portuguesa. Mas não quero que Portugal seja espanhola. Falava na Ibéria (numa igualdade, não numa subordinação). Como também falam na Ibéria pessoas que não são espanholistas nem imperialistas (acho); por exemplo, José Saramago ou António Lobo Antunes.

Que Espanha fosse portuguesa, para mim, quer dizer que, segundo a minha opinião, Portugal é hoje uma Espanha ideal. Não vou explicar isto, que seria interminável.

Ser pobre ou ser rico não quer dizer ser inferior nem superior. Além de que o pobre de hoje pode ser o rico de amanhã e vice-versa.

As suas opiniões, e as outras, sempre bem-vindas cá. É lógico. Obrigado.
29-08-2005 @ 20:02
Comentário de: MigRoque [Visitante] · http://porolivenca.blogs.sapo.pt
Caro amigo
Amigo, tenho o que penso ser uma noticia boa, o dono do grupo abaixo referido decidiu desistir e com muita surpresa pois não fui consultado, dei comigo em gerente do grupo... Já fiz algumas alterações e quero aqui dizer que se o amigo quiser fazer parte do grupo é benvindo e lhe garanto não será censurado. Não importa a nacionalidade do participantes IMPORTA ISSO SIM O RESPEITO DE UNS PELOS OUTROS Portugueses,Espanhois,Galegos ou outros habitantes do planeta serão benvindos, peço apenas que escrevam apenas em portugês ou espanhol.Um forte abraço de amizade. Miguel Roque
PS: meu nome no grupo é rokalentejano
-----------------------------------
Olivença, cidade portuguesa" (Grupo MSN): http://groups.msn.com/OLIVENCA
Nesta página não se pode opinar livremente. Insultam as pessoas que não pensam como o administrador. Insultam e escondem-se atrás de pseudónimos que vão mudando, sem podermos saber quem são. Apagam as mensagens com as quais não concordam. Página não recomendável.
01-09-2005 @ 20:08
Comentário de: Bernardo lopes da Rocha [Visitante] · http://http;//lopesdarocha


Olivença lusa

Espanha domina a Olivença lusa; só a terra
Quando fomos atraiçoados foste anexada
Voltarás , mesmo que nos custe uma guerra
Se uma solução justa, não for concretizada.

Olivença; tumulo de vítimas de genocídio
E dos confinados no campo da desgraça
Sois agora reconhecidos em tempo tardio.
Estais vivos na alma lusa que nos enlaça.

Não pretendo ofender as nações Ibéricas
Protesto só para espanhóis castelhanos
Os outros querem as soluções pacificas
Portugal quer Olivença sem causar danos

Vamos esquecer que perdemos Olivença,
É isto que dizem os inimigos da obrigação
Porém os Mártires ativam a nossa crença
Para não deixarmos seu sacrifício em vão

Olivença, Túmulo profanado de nossos heróis,
Enquanto não podemos em Ti homenageá-los.
Vais deixar de ser túmulo para seres depois
Templo de harmonia onde podemos exaltá-los

Vamos realizar os desejos dos nossos heróis
Agindo para reaver Olivença que nos foi tirada
Fiquem com Espanha os oliventinos espanhóis
Com nós a Olivença portuguesa consagrada

Bernardolopes#superig.com.br
04-09-2005 @ 17:34
Comentário de: Bernardo lopes da Rocha [Visitante] · http://http;//lopesdarocha

Por Olivença
Os políticos portugueses conhecem as causas que travam o crescimento de Portugal. Sabem que Portugal pode crescer mais que a Espanha por ser unitário enquanto a Espanha é uma federação insegura que precisa de um Rei para manter os reinos unidos; é tão insegura que teme o efeito dominó se devolver Olivença.
As outras Nações Ibéricas não esquecem que a monarquia sediada em Madrid não pode sintetizar as monarquias excluídas das suas nações.; isso é um problema latente que não tem solução. Portugal não tem essa idéia perturbadora. Madri sabe que paira nos ares a rejeição do enxerto incompatível. Será por isso que Castela quer garantir-se em Portugal através de investimentos nos setores principais de produção, comunicação e Banca? Parece que a monarquia castelhana quer silenciar os lusíadas; a voz lusitana e o lusitanismo que sempre os incomodou. A ajuda da Espanha só serve para atrapalhar; é nitidamente mal intencionada. Em qualquer parte do mundo o vizinho mais próximo é sempre um perigo; o que baixa a guardo é sempre engolido. Castela pensa muito em União Ibérica; sempre a desejou e nunca vais desistir. Não vai conseguir! A federação Ibérica só é possível sem Rei, e o centro administrativo também não poderia ser nem Lisboa nem Madrid.
Eu não quero acreditar que os políticos portugueses recebam mensalão para não reclamarem Olivença e aceitarem o início da volta á Espanha em bicicleta partindo de Lisboa; isto mais o fechamento do jornal- O Comercio do Porto- é afronta e deboche que gera antagonismo perigoso. O partido governante não sabe administrar. Atualmente um País é uma Grande empresa que precisa de bons vendedores e compradores que sabem escolher os fornecedores; sem esses está aberto o caminho da falência, A incompetência dos últimos governante é tanta que nem conseguem segurar os consumidores portugueses que compram na Espanha;não entendem nada de concorrência Cuidado com a Espanha que pode ter um fim igual ao da Iugoslávia .Precisamos de vigiar e investigar. Vamos ser autênticos; a gentileza é a capa da mentira que os corruptos usam para ludibriar.
bernardolopes@superig.com.br

08-09-2005 @ 00:25
"Espanha é uma federação insegura que precisa de um rei para manter os reinos unidos; é tão insegura que teme o efeito dominó se devolver Olivença".

Acho que Espanha ainda não é uma federação. Muitos quereriamos isso, uma federação. Não precisamos de rei; e não precisamos de estarmos unidos, ainda que eu acho que é melhor unidos. Os antigos cinco reinos não vão voltar a ser reinos. Só poderiam ser repúblicas. E só há duas possíveis repúblicas, com muito poucas possibilidades e sem probabilidade agora: a República catalã e a República basca (ou vasca). Mas antes disso é mais possível uma República espanhola, a terceira.

Acha o senhor que Castela quer garantir-se em Portugal através de investimentos nos setores principais de produção, comunicação e Banca? Se esses investimentos fossem norte-americanos, tudo bem? Não acha que Espanha, Portugal e muitos outros países são colónias ianques? Politicamente, economicamente, na maneira de viver (cinema, comida-lixo, bebida-lixo, etc.?

Castela pensa muito em União Ibérica? Sempre a desejou e nunca vais desistir? Não sabia nada disso, amigo! Eu penso numa União Ibérica, mas numa igualdade lusoespanhola ou hispanoportuguesa. Sem subordinações! Mas claro, eu só um simples cidadão, não sou ninguém.

A federação ibérica só é possível sem rei? Melhor sem rei!, quer se há federação, quer se continuamos assim.

O centro administrativo também não poderia ser nem Lisboa nem Madrid? Melhor Lisboa, como pensou Filipe II de Castela e I de Aragão e Portugal. Melhor ainda Olivença!

O senhor não quer acreditar que os políticos portugueses recebam mensalão para não reclamarem Olivença e aceitarem o início da volta á Espanha em bicicleta partindo de Lisboa? Nunca ouvi nada disso, mas... tudo é possível! A compra de vontades pelos poderosos (pelos mais poderosos, entre os quais não está Espanha) é algo conhecido e não admira.

O fechamento do jornal O Comercio do Porto, e também d'A Capital, é coisa do capitalismo, não do espanholismo.

Espanha que pode ter um fim igual ao da Iugoslávia? Oxalá que não! Além disso, eu penso que a destruição da Iugoslávia foi coisa das potências centroeuropeias e do Império ianque. E a da União Soviética, algo parecido. "Divide e vencerás!"
08-09-2005 @ 17:29
Comentário de: Bernardo lopes da Rocha [Visitante] · http://http;//lopesdarocha

Sr Sánchez Fernández
Previdência ibérica , seria o primeiro passo.
Só mesmo depois de tanto se confrontarem em guerras, os europeus chegaram á conclusão que a salvação de todos seria a união econômica e Política. A Europa subdividida não teria influencia nos destinos do mundo. . Os políticos e o povo entenderam que união de todos é o melhor para evitar guerras entre si e, chegar ao ponto de equilibrar o poder mundial. União tem que ser autentica para ser firme. Nenhum dos membros da união deve ser totalmente autônomo com poder de fazer algo que ameace a unidade. A península Hispânica ou Ibérica teve problemas iguais aos da Europa. Houve uma diferença; quase conseguiu a unificação há alguns séculos. Seria bom para os povos Ibéricos que a unificação estivesse comemorando agora o primeiro milênio. Com certeza teriam sido eliminados, ou nem teriam surgido, os problemas causadores destas discussões. Tudo que hoje é problema que preocupa poderia estar na dimensão do folclore. Agora não é mais possível. O nacionalismo ganhou raízes muito fortes que impedem a erradicação até de minorias. Eu penso que, de imediato, só e possível unificar a previdência social com aposentadoria ou reforma igual para todos os Hispânicos ou Ibéricos. Em pesquisa que fiz sozinho para conhecer soluções para os problemas sociais consultei os mais pobres e os excluídos e no fim constatei que eles conhecem a solução porque sentem o problema. Eles sabem que jamais conseguirão porque eles nunca serão legisladores. Se fossem , segundo o resultado da pesquisa, aprovariam o plano que têm em mente. . No meu blog esta um resumo do plano; gostaria que o examinasse para ver qual a possibilidade de unir os Ibéricos na Previdência Social . O nome do blog é -- Broncas e desabafos—ou http://lopesdarocha.blogs.sapo.pt/ Quanto ao que se refere á consolidação da amizade e paz dos povos ibéricos, para que aconteça, vamos exigir respeito mutuo, Gibraltar para os espanhóis e Olivença para os Portugueses e o resto que continue como está.
Bernardo Lopes da Rocha
10-09-2005 @ 18:01
Unificar a previdência social com aposentadoria ou reforma igual para todos os hispânicos ou ibéricos? Boa ideia. Vou ver no seu blog como seria possível isso. Mas, claro, nós não somos legisladores nem executores de leis.

Gibraltar? Olivença? É só preguntar isso aos gibraltinos ou gibraltarinos e aos oliventinos. A maioria deixava também tudo como está.
10-09-2005 @ 20:38
Comentário de: FOUCELLAS [Visitante] · http://PERDESTE A GUERRA
FAI MAS DE 200 ANOS QUE PERDESTES A GUERRA, EN OLIVENÇA SOLO VIVIEN ESPAÑOLES.
OS DE OLIVENÇAS NON QUEREN SER PORTUGUESES
17-09-2005 @ 00:53
Senhor Andrade.
Faça o favor de escrever com respeito, sem palavrões. Não ganhámos nada naquela guerra, ainda não tínhamos nascido.
Obrigado por participar no blogue. Mas, por favor, com palavras correctas.
Até a próxima.

Senhor Foucellas,
Ninguém dos que ganharam ou perderam essa guerra está vivo. Portanto, está a falar para mortos? Em Olivença há espanhóis, mas não só.
Obrigado por participar no blogue. Volte.
Até a próxima.
18-09-2005 @ 20:02
Comentário de: Bernardo lopes da Rocha [Visitante] · http://http ;//lopesdarocha

Sr Foucellas
Eu penso que os habitantes de Olivença nascidos sob o domínio de administrações espanholas, descendentes ou não de portugueses, se consideram espanhóis . Eles podem escolher a nacionalidade que quiserem mas não podem reivindicar para a Espanha um pedaço de Portugal, só porque nas escolas não lhes foi dito que a Espanha se apoderou ilegalmente de Olivença que é portuguesa. Numa situação dessas não é legal uma consulta popular porque os habitantes votariam segundo seus interesses em detrimento dos fatos históricos e da justiça.
Bernardo Lopes R.
19-09-2005 @ 20:00
O amigo Bernardo, tocou na ferida "não podem reivindicar para a Espanha um pedaço de Portugal, só porque nas escolas não lhes foi dito que a Espanha se apoderou ilegalmente de Olivença que é portuguesa. Numa situação dessas não é legal uma consulta popular porque os habitantes votariam segundo seus interesses em detrimento dos fatos históricos e da justiça" PORTUGAL É DONO DAQUELAS TERRAS se as pessoas não quiserem ser portuguesas é um problema de Espanha, não de Portugal, essas pessoas devem ter direito á dupla nacionalidade. Mas após o regresso desse território ao dominio português os nascidos após essa data serão portugueses e não devem mais ter direito á nacionalidade espanhola. Esta é minha opinião. Cabe a Espanha e Portugal negociarem o que realmente deve ser feito.
20-09-2005 @ 19:34
Comentário de: Bernardo lopes da Rocha [Visitante] · http://http ;//lopesdarocha
Amigo sr Miguel. Tudo que escrevo sobre Olivença é com a intenção de alertar os castelhanos do perigo que pode ser causado pela acupaçãoilegal do municipio de Olivença portuguesa. A ocupação Foi uma ação brutal do exercito espanhol com a conivencia do exercito frances. O tratado de badajoz é um escandalo. Depois de reconhecrem que foi um erro em novo tratado poucos anos após a invasão, o invasor vem prorrogando a devulução de modo debochado e humilhante. Essa atitude vai-lhe custar caro.
Invadir um País ou parte é facil. mante-lo ocupado idefenidamente é impossivel. Nem os poderosos americanos conseguem acabar com as minurias rebeldes que os perturbam. Abre os olhos Espanha!
bernardolopes@superig.com.br
21-09-2005 @ 00:23
Comentário de: Jorge [Visitante]
Olivenca é portuguesa! O tempo nao faz esquecer....
01-10-2005 @ 18:53
Comentário de: Bernardo lopes da Rocha [Visitante] · http://http ;//lopesdarocha

Tudo por Olivença
Custa para acreditar como a Espanha tem coragem de agir sem medo de uma reação dos portugueses. Os governantes portugueses dos últimos 40 anos foram um fracasso : fracasso que facilitou o domínio econômico espanhol .Os governo português fracassou mas os portugueses continuam unidos e fortes; acho que a Espanha não percebeu isso porque continua usando e abusando da tolerância portuguesa. Eu disse Espanha porque não podia citar os povos das outras nações Ibéricas. A Espanha quer aparecer como realidade o que não deixa dúvida que é o medo de ser reduzida a Castela. Cita-se o nome de todas as nações Ibéricas menos Castela . Castela nunca poderia dominar a península . Nenhuma Nação Ibérica aceitaria. Os castelhanos não são mais castelhanos nem falam castelhano. As outras nações da Península fazem questão de manter vivo o seu idioma e o nome do seu território. Castela não se preocupou com isso e por isso desapareceu ; ninguém mais cita Castela nem castelhano e, sendo assim, o que aconteceu, foi uma jogada que não deu certo. Castela agora é Espanha e o seu idioma não é mais o castelhano; é espanhol .
É compreensível a tentativa de Castela tentar dominar a Península. O seu território é o interior e essa situação dava-lhe a sensação de confinamento. Antigamente, essa situação era segurança porque os invasores encontravam resistência das nações litorâneas e dificilmente atingiriam Castela. Agora a situação é diferente; as nações que a circundam não são mais guarda costas nem querem a sua ajuda e por isso o destino de Castela é ficar encoberta pelo pseudônimo; Espanha . Espanha, reclama Gibraltar e devolve Olivença. Os oliventinos,se quiserem ser espanhóis só precisam regularizar a situação porque residem em território português .
Bernardo Lopes da Rocha
03-10-2005 @ 02:48
Comentário de: Ettremeñu [Visitante]
Andaih procupauh pola cuttion de si Olibenza h lusa u eppañola, peru lu primel c'ai que tenel cuenta, tenga yo gameya u nu, eh qu'Eppaña endi uguañoti jue, cumu idi un pueta ettremeñu, lejia a muettru jinplal, al jinplal deluh ettremeñuh. Inque muchuh galrreih dela Estremadura espanhola, Ettremaura, laque yo conozu i lac'an conodiuh luh míh antipasauh sienpri a jincau arrutaina nun rincón entri purtugesih i catteyanuh i quidiá seya Olibenza l'arreprejentazion mah crara. Eppaña muh á gorbiu lah eppardah i anda mah en labutuh colah algotrah nazionih que desittin ena Pinínsula: busotruh creih que fuesemuh jincauh mejol cola Repúbrica purtugesa que cola Eppaña efalagâ·? Tô sedria de majinásilu.Un salû.
07-10-2005 @ 16:10
Amigo Ettremeñu,

As hipóteses são isso, hipóteses ou, como dizes, imaginaçã. Nã se sábi, compádri!

Quanto à tua ortografia, recomendo-te que nã empregues essas geminadas (tt, pp, etc.), que sã própias mais do espanhol de Cuba do que do estremenho. Aí tem razã o amigo Gorka Reondo, quando comentou isso no Congresso da APLEx. Seria Ehtremeñu, Ehpaña, etc. (ou com um signo diacrítico nas vogais), mas nã consoantes geminadas, porque estas nã sã fonéticas, nem fonológicas, nem etimológicas. Nã é?

Gorka: http://www.andalucia.cc/andalu/
Congresso da APLEx (2004): http://www.aplexextremadura.com/aplex2004.htm

Saúdos.
07-10-2005 @ 16:29
Caro amigo Ibérico

Porque Bandiera Rossa tem merecido destaque aqui no seu blog, informo o amigo que o mesmo irá sair do ar dada sua semelhança com A Bandeira Vermelha, não se justifica dois blogues sobre o mesmo tema. Assim sendo A voz do proletário vem prencher o lugar deixado pela Bandiera Rossa. A voz do proletário pretende ser um espaço dedicado á classe trabalhadora.
Um abraço
MigRoque
17-11-2005 @ 18:17
Comentário de: Carlos Luna [Visitante]
OS ARGUMENTOS
(HAJA PACIÊNCIA!)

Há quem, no que toca à discussão de problemas relacionados com a Questão de Olivença, acuse a Espanha de "abertura", e os polemistas portugueses de estreiteza de pontos de vista.
Esta "imagem", repetida até à exaustão, encontra eco mesmo em meios portugueses... que chegam a proclamar que é Portugal que não quer discutir seriamente o litígio de Olivença, em contraste com os meios espanhóis, que, além de artigos, até publicam livros sobre o tema. E bastantes.
Há aqui uma evidente confusão entre qualidade e quantidade. Com raras excepções, os livros e artigos espanhóis contêm quase sempre argumentos que, se analisados com um mínimo de seriedade, se revelam quase ridículos.
Refiram-se alguns dos mais comuns e menos consistentes, deixando outros de maior ponderação para outras análises.
Assim, ouve-se dizer que a Reclamação de Olivença por Portugal não é feita na O.N.U., nem por um Departamento Oficial do nível, por exemplo, do Ministério dos Negócos Estrangeiros, mas sim por uma "misteriosa" instituição chamada "Comissão Internacional de Limites (C.I.L.).Este argumento, quase hilariante, acaba por revelar-se ofensivo, pois a C.I.L. é UM DEPARTAMENTO OFICIAL do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a ele subordinado. Não se deixando isto bem claro, pressupõe-se que existe no Estado Português um departamento que tem actividades subversivas, funcionando à margem do Conjunto Ministerial/Governamental.
Muitas vezes, é dito que a Reclamação de Olivença é sustentada apenas por "doidos" e "chanfrados", o que leva à curiosa conclusão que desde 1815 a Diplomacia Portuguesa tem sido sustentada por malucos.
Um argumento que parece estar a tornar-se mais e mais vulgar é o de que, em 1297, pelo Tratado de Alcañices, a "Espanha" foi "enganada" e Olivença passou a ser um território espanhol ocupado por Portugal até ser libertado, em 1801, e voltar, de certa maneira, à Pátria-Mãe.
Por esta lógica, Olivença quase se transforma numa ocupação abusiva que durou quase seiscentos anos. Tudo isto é ridículo, e por várias razões. Para começar, a definição de fronteiras de 1297 foi mútua, e livremente consentida, depois de inúmeros conflitos anteriores, entre Portugal e Castela ( e não Espanha, que não existia...). Em segundo lugar, Olivença era então uma aldeia. Após Alcañices, tratado em que se viram envolvidas várias povoações, houve troca de populações, e a fronteira estabilizou-se. Só então cresceram os povoados em clima de Paz, e foi dada Carta de Foral a vários, entre os quais Olivença. A Espanha não colocou a Terra das Oliveiras nos seus domínios durante a União Ibérica (1580-1640), e sabe-se que, na Guerra da Restauração, a população local abandonou em massa a localidade quando esta esteve ocupada (1657-1668).
Talvez a melhor maneira de se compreender a ilogicidade deste argumento esteja na construção de um cenário de ficção. Assim, imagine-se que, por uma causa qualquer, Valência de Alcântara, que já foi portuguesa e que foi cedida a Castela no mesmíssimo Tratado de Alcañices de 1297, ficava sob domínio português, legal ou ilegalmente, em 2006. Que lógica teria alguèm dizer que Portugal RECUPERARA a localidade, que teria estado OCUPADA durante oitocentos anos ? Depois de oito séculos de indiscutíveis vivências históricas, políticas, culturais, económicas, e outras, castelhanas/espanholas, seria absurda e completamente infundamentada uma tal maneira de equacionar a situação.
De qualquer forma, o argumento da "recuperação" de Olivença por Espanha em 1801 leva a que se usem termos como "reintegração", "regresso", e outros de igual carga simbólica e patrioteira. E esses termos são quase sempre adjectivados com adjectivações como "definitiva", ou "indiscutível", e por aí fora... para que não restem dúvidas a quem lê ou quem ouve tais "análises". E, como que em cumplicidade, alguns historiadores e comentadores PORTUGUESES não hesitam, quando escrevem sobre a Guerra das Laranjas de 1801, em dizer que Olivença se perdeu então PARA SEMPRE. Bastaria que se informassem um pouco melhor para ficarem a saber que é uma posição OFICIAL do Estado Português que Lisboa não considera o assunto encerrado e que encara Olivença como território legalmente português !
Argumenta-se também que a União Europeia pôs fim a tais questões. Para além de ser evidente que não é assim que a Espanha encara a Questão de Gibraltar, realce-se também que está excluída uma outra lógica: a de que a criação da União Europeia, pela sua própria natureza, que tanto se apregoa ser democrática, abre caminho para uma resolução pacífica para este tipo de problemas. Assim é defendido a propósito do Ulster (Irlanda do Norte), do Tirol do Sul (Itália/Áustria), e de outras situações pontuais.
Outra opinião muito ventilada consiste em afirmar que Olivença era um enclave português em Terras de Espanha. E, na verdade, assim era um pouco. Todavia, não era o único... e existem enclaves espanhóis rodeados por Terras de Portugal. Basta pensar em Cedillo, não longe do Tejo, que parece separar os distritos lusos de Portalegre e Castelo Branco. Por outro lado, há muitas maneiras de observar uma fronteira irregular. Também se podiam encarar Cheles e Alconchel, até 1801, como enclaves espanhóis entre as regiões portuguesas de Olivença e Moura.
Este argumento é, pois, uma triste actualização da Geopolítica da primeira metade do Século XX... doutrina que serviu às mil maravilhas os expancionismos Mussoliniano e Hitleriano... que consideravam ser seu dever lógico anexar territórios que punham em causa a continuidade geográfica da Itália e da Alemanha. De notar que essa continuidade geográfica era interpretada muito "livremente"...
Aliás, há por toda a Europa vários casos de territórios que constituem enclaves de vários tipos...justificados, evidentemente, por razões históricas diversas. Raras vezes são contestados, pelo menos não com base no facto de constituírem "intrusões" territoriais incómodas. Aliás, sustentar tais argumentos é perigoso para Espanha, já que detém um enclave (Llivia) no Rossilhão francês que não tem qualquer ligação física com o resto da mesma Espanha.
Pelo menos uma vez ( e para finalizar...) ouviu-se, numa Conferência com cobertura jornalística, e segundo o texto publicado nos jornais de Badajoz, a surpreendente afirmação de que eram realizações de carácter civil que caracterizavam a presença espanhola em Olivença, em contraste com as realizações monumentais de carácter militar que caracterizavam a "etapa" de soberania portuguesa. Tais afirmações convertem a Igreja de Santa Maria do Castelo, a Igreja da Madalena, os Conventos de São João de Deus e de São Francisco a Misericórdia, e o Palácio dos Marçais,
entre outros exemplos, em construções... militares (!!!) .

Haja paciência !
Estremoz, 25-Março-2005
Carlos Eduardo
28-03-2006 @ 15:58
Comentário de: Bernardo Lopes da Rocha [Visitante] · http://lopesdaroha.blogs.sapo.pt
A Instabilidade Ibérica vai esgotar a paciencia...
A Espanha deu autonomia ás nações que a constituem e, com essa medida, perdeu o controle total que pode levar á desintegração. A prova da perda de controle é a decisão da ETA prometer parar com os atos violentos, mas não deixou bem claro onde pretende chegar. Se estiver tudo bem com Espanha, não está bem para a Península enquanto Gibraltar não voltar para Andaluzia, Olivença para Portugal, Melilla e Ceuta para o Marrocos Se essa volta acontecer, não haverá mais motivo que possa gerar atentados terroristas.
Se a Inglaterra devolver Gibraltar, deixando com os seus habitantes o direito de escolher a nacionalidade, forçará a Espanha a fazer o mesmo com as suas colônias de Olivença, melilla e Ceuta
A ampla autonomia concedida por direito nacionalista mostra o direito de disputar a copa do mundo de futebol e outras, como fazem o País de Gales, Escócia, Irlanda do Norte e Inglaterra, que são o Reino Unido. . No caso da Espanha, a representação poderá ser o País Basco, a Catalunha, a Galiza, Castela e mais... A Espanha ficaria de fora porque não tem um território delimitado como a Inglaterra. Portanto o Reino Unido e Espanha são coisas da monarquia criadora de problemas por direito familiar injustificável,.
Voltando ao litígio de Olivença; continuo a penar que o governo Espanhol jamais cederá porque não conhece a história de Olivença: esse, certamente, pode não ser o motivo, mas parece!.
É dever do governo Português colocar na agenda política o problema de Olivença para ser discutido na O N U ou em Bruxelas; Tentativas de acordo direto entre Portugal e Espanha, podem acabar em violência. Em ultima tentativa , reaver Olivença usando o mesmo método que a Espanha usou para toma-la, não pode ser considerado como decisão errada.
Só mesmo uma pressão internacional poderá obrigar a Espanha a devolver Olivença.
Um confronto militar, para resolver, é perigoso para ambas as partes. A Espanha unida venceria, mas Madrid sabe que não pode contar com o apoio de todas as regiões autônomas. Tudo pode acontecer; as probabilidades são iguais; a Espanha pode vencer ou Castela pode ficar sozinha confinada no interior da península rodeado de inimizades que Ela mesma criou e a Espanha desaparecerá porque o idioma espanhol nunca existiu na península Ibérica. Se Espanha rejeitou o idioma castelhano, as suas ex-colônias também poderão rejeitar e, nesse caso, o México, por exemplo, poderá adotar o nome de mexicano para substituir o castelhano. O mesmo poderá acontecer nas outras ex-colônias e aí... Adeus espanhol!... Cada problema de fronteiras resolvido, na U E, será menos um vírus que poderá desestabilizar o sistema da União.
bernardolopes@superig.com.br


14-04-2006 @ 23:36
Comentário de: Carlos Luna [Visitante]
TEXTO DE HOMENAGEM A MÁRIO VENTURA HENRIQUES (I)
COM TEXTOS INTEGEGRAIS: DE UM JORNAL ESPANHOL, E DE JOSÉ SARAMAGO, ACABANDO NUM TEXTO DO HOMENAGEADO:HOMENAGEM A MÁRIO VENTURA HENRIQUES(II)
Ao saber do falecimento, aos 70 anos, do escritor Mário Ventura Henriques, não só fiquei comovido, como me lembrei de um inteligentíssimo texto do mesmo, publicado no Diário de Notícias de 31-Julho-1994. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal tinha vetado a reconstrução "transfronteiriça" da Ponte da Ajuda, por violação da Lei portuguesa. Logo um grupo de 16 idosos portugueses, que decidiu ir visitar Olivença após assistir a uma tourada de Pedrito de Portugal em Badajoz, foi recebido com protestos em Olivença, com a presença de muita polícia e cartazes, e identificados como "expedicionários" do Grupo dos Amigos de Olivença, que vinham provocar a espanholidade da Terra das Oliveiras. Os idosos, estupefactos, protestava, e negavam pertencer ao dito Grupo, mas a Reportagem do "El País" de 29 de Junho de 1994 insistia em disparates em como que "era visível, até nos rostos, que estávamos perante saudosistas", e outras afirmações de igual despropósito. Infelizmente,



quase ninguèm reagiu a tanta asneira, SALVO MÁRIO VENTURA HENRIQUES, num notável artigo que a seguir se reproduz. Note-se que, em 23 de Agosto, Portugal, com aceitação espanhola, decidiu reconstruir sob sua única inteira responsabilidade a velha Ponte da Ajuda... o que Mário Ventura Henriques não podia prever em 31 de Julho...
Mas... aqui vai a História de todo o processo, para que se compreenda bem, começando por uma tradução do Artigo do "El País" de 29 de Junho de 1994, prosseguindo com um comentário de José Saramago, e terminando, claro, com o texto de MÁRIO VENTURA HENRIQUES

El País, 29 de Junho de 1994
El País, 29 de Junho de 1994
(nota: "alguém" disse em Olivença que estavam para chegar o Grupo dos Amigos de Olivença. Chegaram excursões normais, e principalmente uma, na maioria composta por idisos, que tinham vindo ver a tourada de Pedrito de Portugal em Badajoz. Parece que desceram 16, segundo uns, cerca de 30, segundo outros; o "El País" escreveu o absurdo texto que se segue:)
FILHA DE ESPANHA E NETA DE PORTUGAL
A Associação dos Amigos de Olivença reivindica como lusa a cidade extremenha e paralisa a reconstrução de uma ponte.
(fotografia com cerca de 8 pessoas a passear debaixo do Arco dos Duques de Cadaval, e a legenda "Um grupo de turistas portugueses passeia por Olivença")
Jeremías Clemente, CÁCERES - A História da vila fronteiriça de Olivença (Badajoz) está salpicada por paixões, gestos e enfrentamentos entre Espanha e Portugal. Reconquistada pelos Templários, foi alternando a sua dependência entre um país e outro. (NOTA À MARGEM DO TEXTO: Esta é uma idéia muito espalhada em Espanha, que não tem fundamento histórico; fim da NOTA). Um novo episódio se escreve agora, quando a Associação dos Amigos de Olivença volta a reivindicar a cidade como território luso e consegue paralisar a reconstrução de uma ponte que, cofinanciada pela União Europeia (UE), uniria ambas as nações.
Olivença é como uma formosa adolescente desejada por dois amantes. Portugal não esquece que um dia a teve nos seus braços e ela fugiu com outro. Nunca aceitou esse destino imposto e, de tempos a tempos, projecta a sua fantasia sobre este rincão extremenho. Espanha assiste ao namoro sem poder deixar de sentir ciúmes. A velha História revive-se quando decorreram 193 anos desde que o Príncipe da Paz, Manuel Godoy, com antepassados portugueses pelo lado materno, assinou o Tratado da Badajoz, que devolveu Olivença a Espanha. (NOTA À MARGEM DO TEXTO: Esta interpretação nada tem de realidade histórica, em especial o termo "devolução"; fim da NOTA). A partir de Portugal insiste-se em fazer renascer as reivindicações. Assim, o projecto de Reconstrução da Ponte da Ajuda, cujas ruinas se erguem, insolentes, sobre o Rio Guadiana, foi parado por uma decisão tomada com carácter unilateral pelo Governo vizinho.
Um autocarro lisboeta chegou no passado fim de semana a Olivença. Um grupo de sexagenários percorreu, de máquinas fotográficas em riste, os seus principais monumentos. Não eram uns turistas quaisquer. A maioria de eles, militares reformados, são membros da Associação que a reivindica. Mas, claro, não se inscreveram no hotel como membros dela. NEGAVAM A SUA FILIAÇÃO (NO GRUPA DE AM. OL.), mas esta foi provada por meio de outras fontes. (NOTA À MARGEM DO TEXTO: havia UM membro do Grupo dos Amigos de Olivença. Alguns dos outros, a maioria, não estava minimamente interessada neste tipo de questões; fim da NOTA).
VELHOS SEM NADA QUE FAZER
Na localidade sabia-se da chegada da expedição e alguns consideraram uma provocação a sua presença. Sobre o Bar "Los Pepes", estava pendurada de uma sacada uma gande inscrição num pano: "BEMVINDOS A TERRITÓRIO ESPANHOL. ABERTURA DA PONTE DA AJUDA, JÁ". "São quatro velhos sem nada que fazer, mas com vontade de aborrecer. Se querem ser Amigos de Olivença, demonstrem-no", dizia o seu autor, que acrescentava: "É um protesto pacífico. Ainda que não renuncie às suas raízes, hão-de compreender e assimilar que Olivença é Espanha",
Olivença é uma fantasia nostálgica para os portugueses, o tesouro perdido, um regresso impossível. O Tratado de Badajoz assinou-se marcado por um destino azarento, propício ao naufrágio, com presa a bordo. Não foi ratificado. Nisso apoiam os lusos a sua resistência a reconhecer os limites fronteiriços. Uma reivindicação sempre presente e que, às vezes, causa cansaço à própria história, que resiste à sua rectificação. O apoio português aos liberais que lutavam contra os carlistas e o de Salazar a Franco foram igualmente utilizados para recordar a antiga petição. O desaparecido general Pinheiro de Acevedo chegou a falar de ocupação e os Amigos reiteram:"Olivença é nossa".
O grupo passeou pelo formosíssimo povo (povoação), que mostra evidentes sinais lusos: a azulejaria, a cerâmica, o gótico manuelino... Quando abandonaram a Igreja, um, até então em silêncio, apontou com um dedo, com indissimulado orgulho, uma reprodução da Virgem de Fátima: "Sim, isto é português".
Mário Frazão não ia com eles. É um entre tantos lusos que acorrem nos fins de semana a Olivença. "Uma estupidez". Assim classificou a polémica. Depois suavizou as suas palavras e definiu-os como "quixotescos": "Há mais problemas entre Espanha e Marrocos por causa de Ceuta e Melilla do que entre Espanha e Portugal por causa de Olivença".
Loucos quixotes ou românticos, o certo é que alguma força têm. O alcaide de Olivença, o socialista Ramon Rocha, lamenta que tenham paralisado um projecto de reconstrução da Ponte da Ajuda desenhado por Jose Antonio Fernandéz Ordóñez e que, cofinanciado pela UE, Espanha e Portugal, ia começar a ser executado de imediato com uma verba de 800 milhões de pesetas. Inclusivamente, foram os dirigentes respectivos, Aníbal Cavaco Silva e Felipe González, que, em 1990, na herdade "Dologo"(?), no Algarve, assinaram o protocolo correspondente.
TÍTULO CATASTROFISTA
Todavia, na última reunião da Comissão de Limites de Portugal, o assunto ficou parado. Dias antes, o Presidente da Associação, Nuno de Oliveira, tinha publicado na Imprensa Lisboeta uma série de artigos opondo-se com argumentos que compilou o diário "O Dia" sob um título catastrofista "Estamos chegando ao fim de Portugal ?". "Não se podem colocar os marcos fronteiriços que faltam, a não ser onde se encontravam em 1801", escreveu Oliveira. Fontes do Ministério dos Negócios Estrangeiros, citados pelo semanário (!) "Público", deixaram saber que Portugal não se pode envolver em nenhum projecto que reconheça a fronteira num local sobre o qual não haja consenso. (NOTA À MARGEM DO TEXTO: presume-se aqui, e isso é anedótico, que os Amigos de Olivença influenciaram o Min. Neg. Estr., quando se sabe que, entre outras coisas, esta organismo agiu independentemente, pensando, por exemplo, no Alqueva; que "O Dia" era um jornal influente; e quo o "Público" é Semanário; fim da NOTA).
Carlos Manuel, o guia do Grupo, afirmou que a ponte seria "importante" para ambas as zonas. José fERNÃO pINTO, UM PEQUENO EMPRESÁRIO DE cOIMBRA QUE VISITAVA PELA PRIMEIRA VEZ oLIVENÇA, ADMIROU A SUA BELEZA E A INFLUÊNCIA PORTUGUESA DIANTE DO Palácio dos Duques de Cadaval:"A reivindicação é somente uma coisa de uns nostálgicos, principalmente agora que estamos numa Europa sem fronteiras". Rocha concorda com a idéia e assegura que, em companhia do seu homólogo de Elvas, vai entrevistar-se com o primeiro ministro luso para desbloquear o projecto: "Para o turismo, a economia e a cultura de ambas as cidades, a ponte é crucial". (NOTA À MARGEM DO TEXTO:como se pode sustentar que o grupo era uma expedição do Gr. Am. Oliv., quando o seu Guia não diz reivindicar a ponte como portuguesa, e um dos seus membros diz que a reivindicação está fora do tempo ? O jornalista brinca com a inteligência dos leitores!; fim da NOTA).
DÚVIDAS RECÍPROCAS
Um paroquiano (frequentador) do Bar Quatro Caminhos provocou, com acento irónico, o grupo de turistas portugueses: "O quê ? Já haveis conquistado a cidade ?"
Não. Mas, apesar desse toque depreciativo, os Amigos de Olivença conseguiram paralisar um velho e desejado projecto. O Presidente da Junta da Extremadura, Juan Carlos Rodríguez Ibarra, fala de um "contratempo" e espera que "uma gestão diplomática, e portanto quanto menos declarações melhor, poderá conseguir que o Governo Português dê a sua aprovação para que a Ponte da Ajuda seja reconstruída".
"Em Olivença somos espanhóis pelos quatro costados", afirma José, um jovem sentado à Porta do Calvário, outra das jóias arquitectónicas da localidade pacensa. Os seus habitantes estão orgulhosos das suas raízes, da sua gastronomia, dos seus monumentos, e da sua influência musical. Já o diz a quadra popular:"As raparigas de Olivença não são como as outras porque são filhas de Espanha e netas de Portugal". O alcaide, Ramón Rocha, olha, exultante, uma pedra retirada de um casal(habitação) do Estoril:"Se és meu amigo, Deus te guie. Se és Português, Deus te guarde. Se és alentejano, Deus te salve. Mas, se és de Olivença, entre meu irmão. Esta casa é sempre tua".(NOTA À MARGEM DO TEXTO: trata-se de um painel de azulejos, e não uma pedra, de Ventura Ledesma Abrantes (1883-1956), oliventino refugiado em Lisboa, falecido no Estoril, e fundador do Grupo dos Amigos de Olivença. O painel foi retirado misteriosamente do Museu de Olivença em Setembro de 2003; fim de NOTA).
Olivença tem uma dívida para com Portugal: o enorme legado da sua cultura popular e monumental. Tão grande como a dos portugueses para com os seus vizinhos espanhóis: Ter cuidado, embelezado e elevado aos altares da (arte, sublimação) plastica esse tesouro escondido na raia fronteiriça. Como diria José Saramago: "Entender o que há de pedra nas pessoas, descobrir o que das pessoas se transformou em pedra".
(FIM; em 23 de Agosto de 1994, Portugal resolveu avançar com a reconstrução unilateral da Velha Ponte da Ajuda, o que foi noticiado no "Público" de 24 de Agosto e no espanhol/extremenho "Hoy", em 25 e 26 de Agosto, e isto com aceitação de Espanha... e júbilo aparente de membros do executivo oliventino.)
(Foi a "isto" que respondeu, em 31 de Julho de 1994, Mário Ventura Henriques. Uma análise incomparável)
(Sem ter cuidado nenhum... foi assim que José Saramago reagiu a esta notícia do "El País" nos Cadernos de Lanzarote/Diário II, 1996, págs. 144-145; o futuro Nobel não repariu nas contradições e sandices do artigo espanhol, e comentou-o como se dissesse a verdade. O aborrecido é que o Livro de Saramago passará à História... e a verdade do que se passou, dentro de 50 anos, será dificilmente detectável. Leiamos:)
REACÇÃO DE JOSÉ SARAMAGO(Cadernos de Lanzarote/Diário II, 1996, págs. 144-145)
29 de Junho (1994)
A alma do Almirante Pinheiro de Azevedo, lá no paraíso onde os seus diversos méritos a fizeram ascender, deve sentir-ser, nestes dias, exultante de bélica felicidade, como uma valquíria. Em vida, num arrebatamento patriótico que desgraçadamente não coalhou, o digno almirante, sendo embora homem-do-mar, afirmou que, se lhe dessem um batalhão, ele iria, por terra, reconquistar Olivemça. Durante os quase vinte anos que decorreram sobre a histórica protestação, ninguèm na terra de Brites de Almeida deu um passo para, com armas ou sem elas, mas indispensavelmente com agrimensores, ir colocar a fronteira no seu sítio. Entretidos como andavam agora com a Europa, os nossos governantes, todos eles, vieram descuidando o que parecia ser o seu dever nacional, apresentando como motivo para tão suspeita indiferença o argumento, convenhamos que irrecusável, que estando as fronteiras europeias em vias de desaparecimento, não faria sentido armar uma questão por causa de uns quantos quilóm
etros quadrados de terras onde já são mais os espanhóis enterrados em duzentos anos do que o foram os portugueses em seiscentos. (NOTA À MARGEM DO TEXTO: se não faz sentido protestar uma fronteira por causa da Europa, porque faz sentido para a Espanha mantê-la onde ela é ilegal ? Será porque a Espanha não tem esta visão de diluição de fronteiras ? E, já agora, há muitos mais mortos portugueses que espanhóis em Olivença. Saramago devia ler melhor a História; fim da NOTA).
Estavam as coisas neste chove-não-molha quando, talvez por mensagem astral enviada directamente pela desassossegada alma do Almirante, os Amigos de Olivença pulsaram a corda patriótica do coração português e puseram o país em polvorosa. Não tanto, mas enfim. Andava-se a pensar, já havia mesmo o dinheiro necessário, em reconstruir a Ponte da Ajuda, sobre o Rio Guadiana, quando apareceram nos jornais declarações indignadas dos Amigos: que se acabava Portugal, que Olivença é nossa. E para não se ficarem só pelas palavras despacharam um autocarro carregado de sócios para lá irem afirmar a nossa soberania (não consta que depois tenham continuado viagem até Bruxelas). (NOTA À MARGEM DO TEXTO: como é possível que Saramago não tenha reparado na imbecilidade do texto, que aliás foi desmascarada na Imprensa Portuguesa, em especial no artigo de Mário Ventura Henriques?; fim da NOTA). Nesta agitação, fontes do Palácio das Necessidades declararam que "Portugal não se pode envolver em
nenhum projecto que reconheça a fronteira num sítio sobre o qual não há consenso". Tudo isto apesar de Cavaco Silva e Felipe González, há quatro anos, terem assinado um protocolo para a reconstrução da ponte...
Aqui estamos. A alma do Almirante vigia, atenta, quem sabe se pronta a encarnar em qualquer herói, dos muitos que temos, que se lembre outra vez de pedir um batalhão. Quanto aos Amigos de Olivença, eu dar-lhes-ia um conselho simples, mesmo não mo tendo eles pedido: se quiserem, realmente, ser Amigos de Olivença, sejam-no da "Olivenza que é" e deixem em paz, na paz do irrecuperável passado, a "Olivença que foi".
(acaba aqui Saramago. Pelos vistos, concorda com a situação colonial de Olivença, e manifesta-se contra quem combata injustiças ou queira mudar aquilo que encontra pela frente. Grande contradição!É uma pena que Saramago seja tão GRANDE como escritor, que por vezes tenha opiniões válidas, pelo menos para mim, que sou de Esquerda, e depois tenha opiniões que contradigam TANTO a sua militância Comunista!)

AGORA SIM, o TEXTO DE MÁRIO VENTURA HENRIQUES !
Diário de Notícias, 31-Julho-1994
(acompanham o texto duas fotografias. Uma com uma vista geral da povoação e a legenda "A Questão de Olivença arrasta-se há quase dois séculos. E a solução para este problema fronteiriço não se vislumbra". Outra, com a velha Ponte da Ajuda quebrada e a legenda "A Reconstrução da Ponte da Ajuda poderia quebrar o isolamento do enclave de Olivença")
UM PROBLEMA SEM SOLUÇÃO HÁ DUZENTOS ANOS
OLIVENÇA, O GIBRALTAR PORTUGUÊS
O acordo luso-espanhol para a reconstrução da Ponte da Ajuda, em Olivença, não passa de um disparate de cumprimento inviável. No entanto, talvez seja o ponto de partida para a solução de um problema fronteiriço que se arrasta há quase dois séculos.
MÁRIO VENTURA (HENRIQUES)
CORRESPONDENTE PARA ESPANHA
Nas últimas semanas, a imprensa espanhola tem demonstrado um interesse inusitado por Olivença, a cidade estremenha que é há cerca de dois séculos é motivo de litígio entre Portugal e Espanha. Três ou quatro artigos dedicados à questão oliventina - dois dos quais no diário "El País" - já perfazem uma quantidade invulgar, tendo em conta o silêncio que, por fatalismo da interioridade, pesa habitualmente sobre as localidades da raia espanhola.
O primeiro desses artigos, assinado por Jeremías Clemente - "El País", 29 de Junho -, denuncia um reacender das reivindicações portuguesas sobre a posse da comarca oliventina como "território luso2, e afirma que a Associação Amigos de Olivença conseguiu paralisar a reconstrução da Ponte da Ajuda no Guadiana, a levar a cabo com financiamento da União Europeia.
Em pleno delírio de ignorância e sandice, Clemente detecta a chegada a Olivença de um autocarro repleto de sexagenários, que seriam, segundo o articulista, militares reformados e membros dos Amigos de Olivença, aparentemente dispostos a celebrarem a sua vitória relativamente à Ponte da Ajuda. Não se identificaram como tal, mas a sua filiação - revela, conspirativo, o autor do texto - teria sido "contrastada por medio de otras fuentes". Ainda de acordo com o prosélito Clemente, a presença da expedição - assim designa o plumitivo os pacíficos e idosos turistas - foi considerada por alguns oliventinos como uma provocação.
No seu todo, o artigo de Jeremías Clemente ressuma patrioteirismo sediço e é um exemplo dos excessos verbais a que conduz, em geral, a análise emocional de tudo o que respeita às questões fronteiriças. Talvez por isso, dias depois - 19 de Julho -, publicava-se no mesmo diário um artigo de Luis Alfonso Limpio, intitulado "Olivenza, el Gibraltar Português". O título já denuncia, sem excesso de subtileza, um intento de equilíbrio e moderação - e por isso o adoptámos para este texto -, e o artigo, apesar de alguns pressupostos discutíveis sobre a razão ou sem-razão dos factos históricos, contribui sem dúvida para uma visão mais isenta da questão oliventina.
Luis Alfonso é arquivista-bibliotecário do Município de Olivença, e nos anos seguintes à democratização revelou-se um dos jovens oliventinos mais empenhados no esforço de recuperação das fontes e referências culturais portuguesas. Foi, como muitos outros - entre os quais o próprio "alcalde", Ramon Rocha -, defensor da introdução do ensino de português nas escolas do concelho, promoveu encontros com intelectuais portugueses, e ajudou a desenvolver um acervo bibliotecário recheado de obras no nosso idioma. Era, por um lado, a tentativa de um reencontro com as raízes históricas e culturais da população oliventina - nas quais nada existe de espanhol que valha a pena referir -, e por outro lado uma forma de reacção contra o passado franquista, declaradmente repressivo com respeito às "manifestaç~oes" locais de portuguesismo, entre as quais a mais notável foi sem dúvida a permanência do nosso idioma, apesar de tudo aquilo que a contrariava.
No seu artigo, Limpio denuncia o silêncio comprometido que, dos dois lados da fronteira, a nível de governos, sempre caracterizou a Questão de Olivença, e sobretudo a falta de informação histórica e jurídica, em Espanha, acerca da reclamação de Portugal sobre aquele enclave português na margem esquerda do Guadiana.
As comissões de limites, tradicionalmente constituídas por uns senhores que se reuniam para passear e almoçar ao longo da raia, chegadas à Comarca de Olivença davam como que um salto no vazio, adiando para o ano seguinte a definição de uma fronteira que era motivo de pacífica discórdia desde 1801. Tem sido sempre assim, e assim continuará a ser, enquanto os governos dos dois países se recusarem a tocar num problema que parece queimar-lhes as mãos - a exemplo, aliás, do que acontece, no sentido inverso, entre a Espanha e a Grã-Bretanha, a propósito do Rochedo de Gibraltar, e em situação idêntica entre o nosso vizinho e Marrocos, a respeito de Ceuta e Melilla.
Em 1297, pelo Tratdo de Alcañices - destinado a fixar definitivamente a linha de fronteira, e celebrado entre D.Dinis e Fernando IV de Castela -, OLivença fica a ser território português na margem esquerda do Guadiana, e durante séculos a legitimidade dessa posse nunca é contestada pelos castelhanos, com excepção do período de dominação filipina (NOTA: um lapso; no período de dominação filipina, Olivença pertencia ao território da Coroa Portuguesa; fim da NOTA). Nas guerras que se sucederam à Restauração, Olivença é tomada pelas tropas do Duque de San German, em 1657, mas a sua devolução opera-se em 1668, pelo tratado que estabelece uma paz duradoura. A questão parece, assim, definitivamente encerrada, e a partir de então Olivença reforça a consciência e o caracter português - pela cultura, pelas artes, pelos costumes - que não mais perderia. Na Câmara de Olivença, ainda hoje se guarda o foral que lhe foi concedido pelo Rei D.Manuel.
Em 1801, num dos momentos mais críticos da nossa história, e na sequência do tratado entre a França e a Espanha concertando a invasão de Portugal, o conde de Godoy - também conhecido por Príncipe da Paz - empreende uma caricata expedição militar que vem a ser conhecida por "Guerra das Laranjas", e apodera-se facilmente de Olivença. Oito dias depois, em Badajoz, sem recursos militares que apoiassem as razões jurídicas, os Portugueses vêem-se forçados a assinar o duplo tratado de paz, que os obrigava a pagar uma pesada indemnização de guerra aos Franceses e a ceder o Território de Olivença aos Espanhóis. Era o menor dos males, pois a Espanha começara por exigir Elvas, Campo Maior, Juromenha, e toda a parte de território até ao Guadiana. Importa lembrar, aliás, que a cedência de Olivença só se verifica perante a ameaça de uma nova invasão de Portugal, a partir de Ciudad Rodrigo.
Os antecedentes diplomáticos deste golpe de força, pouco acrescentam à explicação da atitude espanhola, e aliás só confirmam o seu absurdo.Acerca da prepotência que caracterizava o Tratado de Posse - só por cinismo pode ser designado por tratado -, um documento de chantagem apoiado na supremacia militar do conquistador, pronunciou-se nove anos depois a Conferência de Viena, cujos delegados, mesmo sem a presença do representante português, não hesitaram em reconhecer a nulidade do acordo imposto pela força e a justiça da devolução de Olivença a Portugal, frisando: "E as Potências reconhecem que esta medida deve ser posta em prática com a maior brevidade."
A Espanha, como se sabe, nunca respeitou a decisão das nações reunidas para concertarem a "paz geral", e Portugal nunca reconheceu a fronteira imposta pelo tratado de 1801.
Para o nosso vizinho, o Tratdo de Badajoz, arrancado em condições de imposição militar, continua em vigor. É o que se supõe, pelo menos, considerando a ausência de posições por parte dos Espanhóis, o seu voluntário desconhecimento da questão, assim como a emotividade que sempre caracterizou o procedimento português perante a situação de Olivença. Trata-se de um contexto em que ambas as partes se podem considerar culpadas do delito de omissão, já que há muito deviam ter encontrado soluções jurídicas para um problema que não tem, obviamente, outras saídas.
Só uma enorme distracção - a não ser que se trate de um caso de incultura - poderia explicar o acordo, assinado na Cimeira Luso-Espanhola de 1990, para a reconstrução da Ponte da Ajuda, sobre o Rio Guadiana, destruída pelo Marquês da Bay aquando das pugnas que precederam a ocupação (1709). A participação de Portugal nessa obra seria o reconhecimento implícito do estado de soberania espanhola sobre Olivença, e o termo enviesado - e pouco lisonjeiro para os Portugueses - de um conflito que já dura há quase duzentos anos. Seria, sobretudo, uma forma de abdicação desastrosa perante uma questão que deve ser resolvida por via jurídica, tendo como referência as suas origens e razões históricas. Recorrendo à artimanha da reconstrução da ponte para se livrarem de um cadáver incómodo - de uma forma sibilina, do lado da Espanha, e de modo culposo, do lado de Portugal -, estaria a abrir-se um precedente perigoso relativamente à soberania e à validade das fronteiras históricas do noss
o país, que não podem ser objecto de saídas airosas, e apenas se devem discutir com o recurso aos instrumentos jurídicos de que dispõem as nações, mesmo quando previsivelmente impliquem cedências.
A Ponte da Ajuda não pode - não deve - ser reconstruída na situação de impasse em que se encontra o imbróglio de Olivença, embora esse fosse o desejo compreensível e justo das populações das duas margens do Guadiana. Mas pode, sem dúvida, ser o pretexto, que faltava (!), para os governos dos dois países resolverem o problema com a dignidade que a sua origem histórica justificadamente impõe.(NOTA: em Agosto de 1994, Portugal assumirá sozinho a reconstrução da Ponte da Ajuda, o que foi aceite por Espanha, mediante idéia do Ministro português dos N. Estrangeiros, J.M. Durão Barroso; fim da NOTA)
GOVERNOS DOS DOIS PAÍSES NÃO ASSUMEM RESPONSABILIDADES/LIMPEZA CULTURAL FRUSTRADA
A obra de castelhanização forçada de Olivença, sistematicamente levada a cabo até ao termo do regime franquista, é um dos episódios mais negros da história da relação entre os dois países ibéricos. Como todas as acções de limpeza étnica ou cultural, porém, nunca conseguiu um êxito pleno.
Desde os professores primários que vinham de fora para espanholizar os filhos dos Oliventinos, impedindo-os asssim de continuar a falar o português, até à obrigação para todos os mancebos de cumprirem o serviço militar noutras regiões do país, é toda uma crónica deplorável de atentados contra as raízes históricas do povo de Olivença, na sua maioria frustrados.
É famosa a história de um certo Francisco Ortiz Lopes, merecedor de lápida evocativa na casa onde se finou, que viera para Olivença substituir a última professora que se dedicava ao ensino do Português. Ao receber as mulheres que vinham confiar-lhe os filhos, falando em bom português, respondia-lhes: "No la entiendo, mujer... No hablo más que español." Se as mulheres teimavam, chamava um intérprete para lhes recomendar que levassem os filhos à escola de Juromenha, já que a Escola de Olivença era só para espanhóis.
Há pouco mais de vinte anos, em pleno centro daquela vila estremenha, um senhorito de "sombrero" de palha - o típico enviado policial de Madrid para defender a integridade do território - ameaçava-me de prisão apenas porque eu manifestara o desejo de subir à torre de managem do castelo, onde aliás se encontrava instalada a cadeia comarcã. Tive de me contentar com uma visita à Misericórdia local, que é a única existente em toda a Espanha.
Apesar desta obra de persistente desportugalização, porém, tive a surpresa, ainda há poucos dias, de falar em Olivença com um homem idoso que se exprimia correctamente em Português, e com um jovem que se explicava numa mescla em que predominavam os nossos vocábulos. Cerca de dois séculos após a incorporação forçada no território espanhol, Olivença continua a ser - como frisava Raul Proença no seu "Guia de Portugal" - uma terra "bem portuguesa pela sua história, a sua arte, os seus costumes e os seus privilégios, por tudo o que politica e etnicamente assegura foros de nacionalidade".
Quererá isto significar que os Oliventinos, na generalidade, pretendem ter a nacionalidade portuguesa ?
Nem por sombras. Amam Portugal, têm orgulho nos seus monumentos e na sua cultura, reconhecem que a sua relação com a Espanha é quase exclusivamente política e económica, mas não se lhes coloca sequer a questão de recuperarem a cidadania portuguesa. Quando muito, poderia ponderar-se a eventualidade da dupla nacionalidade, alternativa que algumas vezes chegou a ser falada como uma saída diplomática para o problema.
Colocados perante um hipotético referendo, os Oliventinos talvez respondessem que desejavam continuar espanhóis, embora reforçando os seus laços com Portugal.
Pessoalmente, creio que a Reconstrução da Ponte da Ajuda tornaria os oliventinos mais portugueses, já que a Comarca perderia o seu isolamento de enclave na região estremenha, ficando por isso facilitados o acesso e os contactos com o país para o qual se inclina o afecto dos seus habitantes.
Mas também reconheço que a recuperação desse elo que outrora ligava as duas margens do Guadiana, ambas portuguesas, só poderá concretizer-se quando os respectivos governos assumirem as suas responsabilidades, dispondo-se finalmente a dirimir um conflito que é real, mas cuja persistência já não faz sentido nos dias de hoje.
REPETIÇÃO DE NOTA: em Agosto de 1994, Portugal assumirá sozinho a reconstrução da Ponte da Ajuda, o que foi aceite por Espanha, mediante idéia do Ministro português dos N. Estrangeiros, J.M. Durão Barroso; fim da REPETIÇÃO DE NOTA)


23-06-2006 @ 00:44
Comentário de: Carlos Luna [Visitante]
AINDA A HOMENAGEM :REGRESSO A OLIVENÇA, por Mário Ventura Henriques, texto de 1990, publ.2001
REGRESSO A OLIVENÇA, por Mário Ventura Henriques, texto de 1990, publ.2001
REGRESSO A OLIVENÇA, por Mário Ventura Henriques, 1990, publ.2001
REGRESSO A OLIVENÇA
(livro "Portugal, Geografia do Fatalismo", de 2001,com texto de 1990, Ed. Notícias, com fotografias de João Francisco Vilhena)
(as notas NÃO SÃO da responsabilidade do AUTOR, mas são FUNDAMENTAIS para se perceber o que entretanto, e INFELIZMENTE, mudou... e muito ! )
(introdução)(repete-se: o Texto é de 1990, E TUDO MUDOU DE ENTÃO PARA CÁ. LÊR AS NOTAS É INDISPENSÁVEL !)
Numa manhã chuvosa e fria, regresso a Olivença, doze anos depois da primeira visita. Transporto comigo, ainda que não o queira, a impressão mais duradoura desse primeiro encontro: a do momento em que fui ameaçado de prisão, como perturbador da ordem pública, quando fotografava a imponente Torre de Menagem da vila, um dos mais importantes monumentos da arquitectura militar portuguesa construídos no século XV.
(texto de 1990, publicado em 2001)
(texto)
Numa manhã chuvosa e fria, regresso a Olivença, doze anos depois da primeira visita. Transporto comigo, ainda que não o queira, a impressão mais duradoura desse primeiro encontro: a do momento em que fui ameaçado de prisão, como perturbador da ordem pública, quando fotografava a imponente Torre de Menagem da vila, um dos mais importantes monumentos da arquitectura militar portuguesa construídos no século XV.
- Que hace Usted aqui ? - perguntou-me o senhorito de chapéu de palha, gravata ridiculamente emproada e jaquetão de riscas apertadinho aos quadris.
- Faço fotografias.
- No puede.
- E porquê ?
- Se lhe digo que não pode, é porque não pode. Quien es Usted ?
- Sou jornalista, português. Y Usted ?
- Sou o director da cadeia.
- Pois eu tenho de fazer fotografias.
- E eu prendo-o.
A cada qual a sua missão, por conseguinte. E, como a do carcereiro se apoiava no poder de Castela, e a minha só tinha o respaldo de um direito mal aceite pela autoridade, optei pela solução diplomática: meti a máquina no saco e retirei sem palavras, enquanto o senhotito recolhia à torre-prisão de delitos comuns.
Estávamos em 1970, de um lado e outro da fronteira viviam-se ilusões várias, os dois povos continuavam de costas voltadas, mas já se espreitavam por cima do ombro. Olivença, para os Portugueses, era um mistério e, para os Espanhóis, uma ignorância. De Portugal, só a procuravam saudosistas e alguns mais. Na alma de cada Português que conhecesse, minimamente, a História de Olivença, nascia invariavelmente um irredentista, sonhando com o regresso à Pátria de 600 quilómetros quadrados que constituíam a "Terra das Oliveiras". Para muitos, mais do que uma terra estremenha ou um episódio histórico, Olivença era uma emoção, uma manifestação de patriotismo serôdio, uma forma de oposição ao regime que abandonara a causa do território "cativo". Escritos e discursos rondavam sempre o mesmo tema: a perda injusta e aviltante de Olivença, a letra dos tratados nunca cumpridos, o apelo a forças indefinidas para que fizessem regressar à pátria portuguesa a velha praça-forte do Alentejo.
MUDARAM AS PESSOAS - NADA É COMO ANTES
Doze anos depois, nada é como antes. Excepto, talvez, a paisagem, em cujo solo continua a praticar-se a mesma agricultura pobre de outrora, extensiva e monótona. Identifico caminhos, pontões, montes idênticos aos do campo alentejano, nomes que despertam a sensibilidade - Casas Novas, por exemplo -, coutos de caça que se estendem por quilómetros e a mesma estrada sinuosa que, de Badajoz, nos abre caminho para Olivença, quase fronteira à vila portuguesa de Juromenha.
O que é diferente, o que mudou, são as pessoas. Onde, antes, havia silêncios carregados de suspeita e receio, uma clandestinidade às claras, olhares equívocos, fuga ao diálogo e, por cima de tudo, a sugestão de se ter perdido a memória do idioma dos antepassados, existe hoje a cativante simpatia de quem se abre ao contacto para que o conheçam melhor e melhor o compreendam, e, mais emocionante ainda, o desejo irreprimível de demonstrar que se recorda e se mantém viva, no dia-a-dia dos Oliventinos, a língua portuguesa. O viajante sente-se em casa, esquece a fronteira que atravessou há pouco, e cala-se simplesmente, para se dar ao prazer de escutar o acento cantante do português que falam os de Olivença, semelhante ao dos Alentejanos, e mais aliciante pela presença de palavras arcaizantes, esquecidas ou desprezadas entre nós. E logo se entende o desejo que têm os Oliventinos de que se institua na sua terra o ensino do idioma português; se, 180 anos depois do corte dos laços
políticos com Portugal, ainda se mantém a prática da Língua Materna é porque a herança dos séculos anteriores foi suficientemente forte para que se queira, no presente, recuperá-la integralmente (1).
- Exactamente, aqui fala-se Português - diz-me Ramon Rocha, o presidente da Câmara que desencadeou o processo de revindicação, junto do Governo de Madrid, do ensino da nossa língua.
- E porquê esse desejo ?
- Porque defendemos muito as questões culturais. Acreditamos que os povos, com a cultura, se unem e ultrapassam muitos problemas. E, vendo como se corria o risco de perdermos a nossa cultura, que é pouco vulgar, intentamos conservar este legado recebido dos nossos antepassados.
O que, pelos vistos, nada rem a ver com razões históricas ou políticas...
- Nós não entramos nisso. A questão histórica é uma e actualmente a política é outra. Reconhecemos que durante seis séculos Olivença pertenceu a Portugal, mas também sabemos que actualmente somos espanhóis. Mas, entre estas duas realidades, há uma história que permanece: os monumentos, o idioma, todo um passado português.
O espírito centralista, durante muitos anos comum aos dois países peninsulares, fez de Badajoz a única beneficiária do intercâmbio fronteiriço. Enquanto Badajoz crescia e engordava, até ao ponto de se tornar a maior cidade espanhola na fronteira com Portugal, os restantes núcleos urbanos estiolavam, num isolamento que tinha a única vantagem de lhes manter a identidade própria livre de influências alheias. Os povos, quando esquecidos, defendem-se isolando-se mais.
Hoje, desaparecidas as condições políticas que vigoraram na Península durante décadas, instituída a democrecia que veio dar uma voz a anseios e aspirações secretamente alimentados, continua a não ser fácil - lá como cá - vencer a barreira do centralismo, agora reagindo e resistindo por interesses partuculares, económicos ou de prestígio, e secundarizando sempre os núcleos populacionais mais abandonados. Daí que não seja optimista a abertura de uma fronteira entre Olivença e Portugal: os "outros" não deixam...
Mas a actual situação, a persistir, porque assim o querem os interesses regionais ou as razões de Estado, não constitui um óbice a que se mantenham e incrementem as relações de boa vizinhança entre Olivença e o lado de cá. A força que alicerça essa realidade é a unanimidade do povo oliventino a respeito dos laços com os Portugueses: na Câmara, todos os Partidos Políticos, do Partido Comunista à Alianza Popular, votaram pela reivindicação do ensino do nosso idioma em Olivença. E porquê ?...
- Homem, porque todos somos conscientes de que é uma coisa cívica nossa. E temos obrigação de defendê-la. Não me surpreende que o tenham querido prender aqui, há doze anos, porque então existia uma corrente totalmente contrária aos nossos interesses. Mas isso acabou, e hoje nenhum de nós pode negar a sua raiz portuguesa. Está sempre presente, até nos monumentos. Aqui mesmo: o edifício da Câmara era o antigo Palácio dos Duques de Cadaval.
E isto, apesar de se terem perdido quase todas as fontes escritas do passado oliventino, à excepção do Foral de D. Manuel, que permanece na Biblioteca local.
- Temos muito pouca coisa, ficou tudo do lado de lá.
O que explica agora uma verdadeira febre de recolha de livros e documentos, quer provenientes de Portugal, quer da própria Olivença, onde ainda existem obras raras em mãos de particulares. E, para o demonstrar, Ramón Rocha mostra-me as fotocópias - obtidas de um exemplar existente na vila - da raríssima obra de Frei Jerónimo de Belém, editada em Lisboa no século XVIII: "Olivença Ilustrada pela Vida e Obra da Venerável Maria da Cruz, Filha da Terceira Ordem Seráfica, e Natural da Mesma Vila de Olivença".
E é difícil descrever o orgulho com que o "alcalde"(2) exibe esse amontoado de folhas que o tempo acabará por delir mais depressa que o volume setecentista que reproduzem, e que sobreviveu, nas mãos de um ignorado particular, a quase dois séculos de afastamento da pátria de origem.
Mais tarde, procuro nas ruas de Olivença a casa onde viveu a Venerável Maria da Cruz, uma mulher que foi leviana e acabou em cheiro de santidade. Mas já não a encontro: foi destruída, como muitos outros monumentos que atestavam seis séculos de presença portuguesa. Resta, na memória das pessoas, a história dessa figura nebulosa e lendária.
Olivença cala fundo na sensibilidade dos portugueses que percorrem as suas ruas e contemplam os seus monumentos. O tempo ou as malfeitorias destruíram muito do que se ergueu no decurso de seis séculos de nacionalidade portuguesa, mas quase 200 anos de soberania espamhola não conseguiram apagar nem perverter a sua cultura original. Se não fossem as grades de ferro existentes em muitas janelas - e mais na própria vila do que nas aldeias circundantes -, dir-se-ia que estávamos numa terra alentejana (3), marcada por uma monumentalidade que não é vulgar nos burgos do Sul do País.
Mantém-se a Misericórdia - a única existente em terras de Espanha -, ainda a funcionar como nos seus primórdios, aquando da fundação, em 1501, pela Rainha D. Leonor. Está entregue à Ordem das Filhas da Caridade(4) e a sua finalidade principal é a de pensionato destinado a idosos e doentes. Na fachada do edifício, dois brasões ladeiam a porta do hospital: à esquerda, as armas portuguesas, com a data de 1501, e à direita o brasão isabelino, com a data de 1801. Entre ambos, três séculos dwe vida e história portuguesa.
Mas o templo da Misericórdia guarda ainda toda a singeleza primitiva, apesar das pinturas estranhas com que algum pinta-monos de má morte decidiu cobrir o altar de madeira escura. Sobre o sacrário, permanece o pelicano, arrancando do peito a sua carne para dar de comer aos filhos. Sessenta anos depois da visita de Hermano Neves, um dos primeiros jornalistas a demandar Olivença no tempo da República, ainda me contam a história que ele próprio então ouviu, e narrou nas crónicas mais tarde publicadas em livro. Diz assim o meu cicerone:
- As freiras, que não conheciam o verdadeiro significado da ave, temiam-no porque achavam que se tratava de uma representação diabólica. Não o consideravam suficientemente bonito para ser o Espírito Santo.
- Mas permaneceu ali, apesar disso.
- Nem sempre. Mas os portugueses conseguiram obter do provedor da Casa a promessa de repor o famosíssimo passaroco sobre o sacrário.
E acrescenta, com orgulho:
- Em Espanha, é a única instituição deste tipo, e ainda funciona como quando era portuguesa, cumprindo todas as regras.
Nas paredes do templo, magníficos painéis de azulejos, assinados por um nome bem português, Manuel dos Santos.
- Não existem outros em todo o país - diz-me o meu cicerone.
RECUPERA-SE A TOPONÍMIA TRADICIONAL
Por artérias estreitas que ostentavam outrora nomes bem portugueses - Rua das Atafonas, Rua da Corna, Rua da Barranca, Rua do Juiz -,e hoje têm designações que bem pouco dizem aos Oliventinos, vou dar a uma outra, a Rua dos Duques de Cadaval, que durante muitos anos esteve ausente da toponímia da vila. Em seu ligar encontrava-se o nome de um ministro obscuro, cujo título de glória era o de ter acompanhado o generalíssimo Franco na inauguração de uma albufeira. Instituída, por via da democracia, a liberdade de escolha, os edis oliventinos não hesitaram: substituíram-na pela velha e tradicional designação, que nunca deixara de ser usada pela maioria do povo. E com o tempo - dizem com convicção - acabarão repondo nas ruas da vila todos os nomes apagados pela tentativa de castelhanização de Olivença.
Aliás, a memória das referências portuguesas nunca desapareceu do espírito das pessoas. Na porta de Castillejos - uma das mais assinaladas na existência de Olivença pelos factos históricos de que foi testemunha -, diz-me uma mulher do povo:
- Quando isto era português chamava-se outra coisa: era a Porta de Alconchel.
A vetusta entrada, que remonta aos princípios do século XIV, formava parte da cerca torrejada que D. Dinis mandou construir logo após a assinatura do Tratado de Alcañices de 1297, pelo qual se definiam as fronteiras entre Portugal e Castela e se decidia a nacionalidade portuguesa de Olivença. O rei concedeu-lhe os usos e costumes da vila próxima de Elvas, autorizou uma feira semanal, às segundas-feiras - que se realizou durante séculos -, e oito anos depois designava Pêro Lourenço do Rego para cercar de muralhas toda a povoação. Uma pedra, ainda hoje embebida num dos arcos da cerca (5), assinala o início das obras: "A primeira pedra deste castelo foi posta em dia de São Miguel, e aqui a pôs Pêro Lourenço do Rego em tempo do Rei D. Dinis, era de mil trezentos e quarenta e quatro anos"(6). Das quatro portas então abertas nas muralhas, restam as de Alconchel e a dos Angeles, ladeadas por torres cilíndricas, e os restos da Porta da Gracia, em parte absorvida pela construção
do Palácio dos Cadavais, alcaides-mores da vila(7). E foram estas muralhas, de que ainda se encontram, um pouco por toda Olivença, troços bem definidos, que aguentaram os embates castelhanos nos vários assédios ocorridos logo durante o século XIV, resultado de intentos de expansionismo, quezílias de famílias desavindas, ambições frustradas ou prestígios ofendidos.
UMA TORRE CONTRA CASTELA
As guerras da Independência transformaram Olivença no cenário constante de pugnas e cavalgadas, em que o povo era comparsa forçado e vítima preferida nos enfrentamentos e traições de fidalgos e alcaides. Mais do que a rivalidade entre duas nacionalidades, a história de Olivença, nesse período, é a história de guerreiros feudais que, ao serviço de um ou outro soberano, não hesitam ante a violência e a crueldade para fortalecer um poder ainda precário. A torre de meenagem, um dos mais imponentes monumentos da arquitectura militar portuguesa, com 37 metros de altura - só a torre de Beja a deve ultrapassar(8)-, ergue-a D. João II, recorrendo aos melhores arquitectos e mestres pedreiros da época, e resistindo aos sentimentos ofendidos do Rei de Castela, que não compreendia nem admitia obra tão agressiva em tempo de paz.
Cinco séculos depois da sua construção, a torre de menagem de Olivença continua a dominar a paisagem, proporcionando, aos que sobem ao terraço, uma vista de dezenas de quilómetros por campos de Portugal e Espanha. Limpo e desafogado das construções apagadas que o cercavam, o monumento ostenta uma grandeza impressionante, que deriva tanto dos factos históricos de que foi protagonista, como da ousadia de concepção, mesmo numa época em que a iniciativa real estava quase toda voltada para as obras de guerra. O acesso ao cimo é feito não por escadas, mas por dezassete rampas que acompanham interiormente as paredes de três metros de espessura, e que permitiam a subida de cavaleiros e peças de artilharia. A iluminação natural das rampas é proporcionada por seteiras, e o percurso de mais de cem metros apenas é interrompido por uma sala de armas que foi prisão de fidalgos e, mais tarde, local escolhido pela Inquisição para os seus julgamentos.
Com as obras a que foi sujeita, e liberta do cárcere que durante muitas décadas ocupou parte do seu interior, a torre de menagem de Olivença será a partir de agora o local privilegiado de manifestações culturais. As obras, em grande parte resultantes de trabalho voluntário, desaproveitaram, por falta de orientação arqueológica e histórica adequada, o estudo aprofundado da construção. Fizera~-se desaterros, removeram-se ossadas sem preocupação de analisar a sua origem. E perdeu-se assim, porventura, a oportunidade única de um trabalho que eventualmente poderia fazer luz sobre aspectos obscuros da história local. E não se pode deixar de pensar, com alguma decepção, que talvez fossem outros os resultados históricos e culturais desse trabalho, se os especialistas e organismos portugueses não tivessem esquecido a existência, em Olivença de um tesouro indispensável ao conhecimento do nosso próprio passado.
ROTEIRO DA PRESENÇA PORTUGUESA
Os monumentos constituem um verdadeiro roteiro histórico para os seis séculos de presença portuguesa. Do século XVI, porventura o período em que mais se enriqueceu a arquitectura oliventina, recolhe-se a imagem de Santa Maria do Castelo, a matriz erguida sobre um primitivo templo construído pelos Templários, no tempo em que estes povoavam o território arrancado aos muçulmanos. É um templo de grandes proporções, com três naves suportadas por altas colunas cilíndricas. Para os amadores de curiosidades históricas, refira-se que aí apadrinhou D. João V o filho de um fidalgo local, Bento de Matos Mexia, dando-lhe o nome de João. O rei subiu depois à Torre de Menagem, contemplou os vastos campos oliventinos e à noite regressou a Elvas. Da visita real lavrou-se um auto, de que ainda hoje existe cópia.
Na Igreja de Santa Maria Madalena tem o período manuelino um dos seus monumentos mais belos e representativos. Trata-se de uma obra magnífica que atesta amplamente os créditos de uma plêiade de artistas que deram à velha terra oliventina um cunho de acentuada originalidade no conjunto da nação em que se integra.
A contrastar com o seu aspecto sóbrio e pesado, o interior surpreende pelaextrema delicadeza, com duas filas de colunas que são triplos feixes torcidos até ao início da curva das abóbadas. No solo, magníficas lajes de mármore policromo, e a seguir ao arco do cruzeiro, do mais puro estilo manuelino, o altar-mor e as paredes laterais revestem-se de painéis de azulejos. Sarcófagos e pedras tumulares ostentam inscrições na nossa língua, constituindo o retrato de uma época. De Lisboa foram os arquitectos e canteiros que ergueram o templo, da nossa vila de Borba saíu todo o mármore generosamente empregue na construção. É das poucas obras que a história posterior a 1801 não abastardou, mantendo por isso intacta a fidelidade às razões históricas e culturais que lhe deram origem.
O mesmo não aconteceu, infelizmente, com certos monumentos fora do âmbito religioso, sujeitos a tropelias de toda a espécie. O que se passou com muitos dos brasões de armas que decoravam casas nobres é significativo: não os destruíram, mas limparam-lhes as armas, como se quisessem assim apagar a história dos feitos que evocavam.
- Os brasões não foram destruídos - diz-me, com ironia, um dos meus acompanhantes em Olivença -, foram simplesmente "tratados".
Em Olivença não é fácil encontrar quem fale das razões que originaram à perda da nacionalidade, ou do conflito que esse acontecimento provocou entre Portugal e Espanha. Por um lado, isso deve-se ao desconhecimento quase absoluto, no país vizinho, dos factos que precederam a famosa questão oliventina. Por outro lado, explica-se pela sensação de incomodidade que provoca, nos próprios Oliventinos, o tom patrótico e nacionalista da maioria dos escritos portugueses sobre o tema.
Os Oliventinos não gostam de se sentir como praça conquistada ou a conquistar, ou menos ainda como objecto de discussão ou troca entre duas nações. Embora admitam a existência de um problema cuja solução é sempre adiada - haja em vista a definição dos próprios limites fronteiriços na zona de Olivença, que está por acordar -, mostram-se singularmente indiferentes ao que possa ocorrer a nível de Estados. Não lhes ouvi uma palavra contra ou a favor de um ou outro país(9). Na realidade, continuam a sentir-se simplesmente Oliventinos, detentores de uma realidade cultural e social muito própria, interessando-se ardentemente pelas coisas portuguesas da sua história, à semelhança de qualquer povo que procure no conhecimento do passado a sua própria identidade.
- Os Portugueses - diz-me um dos meus interlocutores oliventinos - quase sempre escreveram sobre nós de uma forma patriótica, alheios ao que somos e sentimos hoje em dia. As questões históricas também nos interessam, e agora mais do que nunca, mas desde que sejam tratadas com frieza e lucidez.
A historiografia portuguesa sobre o problema oliventino raramente considerou esta sensibilidade, o que de certo modo se afigura compreensível se tivermos em conta as circunstâncias em que se verificou a perda de Olivença, assim como o eterno adiamento da solução jurídica para o problema, criado num contexto histórico de que a Espanha não se pode orgulhar. Porém, a comunidade oliventina, há quase dois séculos colocada numa situação de isolamento e defesa, repudia firmemente a posição de joguete em que a pode colocar a falta de entendimento entre os Estados. E quanto mais sentir que o desacordo ou o eventual diálogo se processam à revelia da sua vontade, mais impelida será a fechar-se em si própria, numa situação compreensível de independência moral.
E, no entanto, o problema existe - e persiste- E tenho a impressão segura - colhida nas várias conversas em Olivença - de que os Oliventinos se sentirão progressivamente arrastados para ele, por sua própria e exclusiva vontade, à medida que a identificação com a cultura e tradições portuguesas alargar o campo da sua curiosidade espiritual e afectiva.
Não é casual, aliás - antes corresponde a fortes imperativos da consciência portuguesa dos Oliventinos -, a publicação recente em Olivença, pela primeira vez em muitos anos, de um livro sobre a história do concelho, da autoria de um estudioso local, Alfonso Franco Silva, que desenvolveu a maior parte da sua investigação em Lisboa e Elvas, demonstrando um profundo conhecimento de toda a bibliografia portuguesa sobre a questão.
Embora denuncie o "sentimentalismo reivindicativo" dos respectivos autores, não é sem emoção que refere, entre outras, as obras de Matos Sequeira e Rocha Júnior, Hermano Neves, Estácio da Veiga e, em particular, os inúmeros trabalhos de um oliventino que forcejou - e logrou - por obter em Lisboa um Bilhete de Identidade com a seguinte inscrição: "Português, natural de Olivença". Eis as palavras que lhe dedica: "Não resisto a referir aqui a figura pessoal de Ventura Ledesma Abrantes, oliventino emigrado em Portugal, autodidacta, homem de grande cultura, íntimo das mais importantes personagens políticas portuguesas, que dedicou a Olivença o melhor da sua vida e uma boa parte do seu património pessoal. Ledesma escreveu muitos trabalhos sobre Olivença, fundou uma revista e uma livraria sobre temas oliventinos, criou uma associação em Lisboa (10)que agrupava as mais importantes personalidades portuguesas, com o objectivo de recuperar a cidade, e até ao fim dos seus dias manteve acesa a chama da independência oliventina."
Eis o que, há muito pouco tempo, era impensável em Espanha: que um espanhol, e particularmente um oliventino, pudesse escrever uma obra isenta - embora apaixonada - sobre a questão de Olivença. Tão isenta, aliás, que a sua versão sobre o conflito que originou a perda da nacionalidade não difere, na fidelidade aos factos, da dos nossos próprios estudiosos. Vale a pena transcrever esse trecho:
"A chamada "guerra das laranjas" foi um conflito de pouca envergadura dirigido contra a nação lusitana por Espanha e França. Napoleão precisava de afastar Portugal da amizade com a Inglaterra para fechar os portos lusitanos aos barcos ingleses. Para isso pressionou Godoy, que ambicinava um principado em Portugal, e obteve com muita facilidade a declaração de guerra ao país vizinho, em 2 de Março de 1801."
E mais adiante:
"Todo o Alentejo português havia caído em mãos luso-espanholas. Havia que fazer a paz. A 28 de Maio reuniram-se em Badajoz os plenipotenciários para assinar a paz... Impuseram-se a Portugal duríssimas condições: tinha de entregar trita milhões de francos e ceder as praças de Elvas, Campo Maior,Olivença e a fortaleza de Sagres. Não houve acordo em princípio. Finalmente, a 6 de Junho, assinou-se o Tratado de Paz de Badajoz. No seu artigo terceiro, Godoy impôs a conquista de Olivença, apesar de não figurar nas intruções dadas por Carlos IV. O representante português, Luís Pinto de Sousa, para o evitar, chegou a oferecer a Espanha uma indemnização de vários milhões, mas não obteve resultado nenhum. A soberba do valido, que se encontrava no cume do seu poder, tornou impossível todo o diálogo sobre a restituição de Olivença a Portugal."
Não há que tirar nem pôr uma vírgula no relato do estudioso oliventino - embora se possa, sim, ampliar a história: para além das disputas entre nações, das guerras perdidas - agora de um lado, mais tarde de outro -, das tibiezas dos políticos portugueses na época, ou do papel mais que suspeito da Inglaterra em todo este caso, Portugal foi assim vítima da ambição de um primeiro-ministro, Godoy - ridícula ou ironicamente apelidado de "príncipe da paz" -, que gozava da confiança íntima da rainha e da complacência do rei. Nos termos em que se levam a cabo as negociações do Tratado de Badajoz, a conquista de Olivença tem apenas o valor de uma extorsão sob a ameaça das baionetas. O que foi, aliás, reconhecido pelas potências reunidas no Congresso de Viena, em 1815, ao decidirem a restituição a Portugal, nunca concretizada pela Espanha.
Da importância da publicação, no país vizinho, do livro de Alfonso Franco Silva, como início de uma tarefa de esclarecimento que nunca houve (11), fala bem este trecho de um livro de Queirós Veloso, o historiador que melhor estudou as questões jurídicas da perda de Olivença:
"Em Portugal, todos sabem que, ao alvorecer do século XIX, nos foi arrancada Olivença; mas em geral ignora-se como a perdemos, o traiçoeiro papel do Governo Espanhol, que se apoderou dessa vila e do seu termo unicamente para satisfazer a ridícula vaidade dum valido, alçapremado e generalíssimo dos seus exércitos. Mas na própria Espanha se desconhece a iniquidade desse acto. Os compêndios adoptados no ensino primário e secundário não se referem a essa conquista; e o "Dicionário Enciclopédico Hispano-Americano", assim como a "Enciclopédia Espasa", resumem a História de Olivença de tal modo que o leitor pode ficar convencido de que a sua posse vinha sendo disputada entre os dois países a partir de 1640, entregando-a por fim Portugal à Espanha em 1801 (12)."
Estas palavras foram escritas em 1932. Hoje, o desconhecimento sobre a Questão de Olivença, tanto em Espanha como em Portugal, é ainda mais profundo nas camadas jovens, em parte devido a manifestações caricatas que, com finalidades talvez inconfessáveis, exploram uma questão assinalável da nossa História, somente prejudicando as hipóteses de um diálogo amigo e frutuoso com os Oliventinos.
Recorrendo às palavras de Queirós Veloso, devo dizer que não é meu intuito "fazer a história deste calamitoso período, em que fomos arruinados pela França, ludibriados pela Espanha, tratados pela Inglaterra como se fôssemos um domínio da Coroa Britânica". Contudo, o conhecimento desse período é importante, sobretudo à luz de uma perspectiva históricaa que, ainda há poucos anos, nos era vedado recorrer para tentar compreender a política desastrosa que originou a perda de Olivença. Para a Espanha, trata-se de um episódio quase anedótico, que caíu no ridículo logo após o conflito, quando o omnipotente valido, impante da coragem que lhe dava a esperança de vir a ser "Prìncipe dos Algarves", enviou à Rainha Maria Luísa dois ramos de laranjas acompanhados deste saboroso bilhete:"Las tropas, que atacarón al momento de oir mi voz, luego que llegué a la vanguardia, me han regalado de los jardins de Yelbes dos ramos de naranjas, que yo presento a la reina." A comunicação foi publicada na "Gaceta de Madrid", provocando o riso do povo, que de imediato baptizou a campanha com o nome de "guerra das laranjas". E assim entrou na História.
Para Portugal, porém, a pouco honrosa "guerra das laranjas" é a história das tibiezas e ingenuidades dos nossos políticos da época, em princípio aparentando crer que o conflito entre Espanha e Portugal não passava de um simulacro para enganar a França, e depois cedendo a todas as pressões e exigências da Inglaterra, que acabou por ter um papel determinante na perda de Olivença. E em 1811, quando um regimento anglo-luso, em guerra com as tropas do marechal Soult, reocupou Olivença, foi ainda a Inglaterra que obrigou as nossas forças a entregarem a praça aos Espanhóis.
Hoje, os oliventinos desconhecem na generalidade este período da sua história, o que é natural. Que ele seja, porém, ignorado ou mal conhecido em Portugal, eis o que parece um triste reflexo, no presente, da vergonhosa actuação que originou a perda de Olivença.
1990 - FIM DO TEXTO
NOTAS À MARGEM DO TEXTO (2006):
(1) este texto, escrito em 1990, não previu o que se passou a partir de 1994, quando se regressou à prática de ignorar o passado português.
(2) a partir de 1994, a atitude do alcaide mudou completamente. Hoje revela-se bastante anti-português.
(3) principalmente a partir de 2003, tem-se vindo a acentuar a descaracterização da arquitectura portuguesa, mesmo nas ruas antigas e nas aldeias, principalmente na de Vila Real.
(4) as freiras da misericórdia foram afastadas de Olivemnça, de noite, em Junho de 2001.
(5) a pedra referida está hoje exposta no Museu Etnográfico.
(6) 1306 no calendário cristão. A data na pedra refere-se à Era de César.
(7) foi reconstruída, em 2006, a antiga Porta dionisina de São Sebastião.
(8) actualmente, é ultrapassada também pela Torre de Menagem de Estremoz. Todavia, originalmente, era quatro metros mais alta, pelo que terá sido mesmo a maior de todas.
(9) toda esta situação mudou quase radicalmente desde 1994. A população voltou a fechar-se, a falar insistentemente em castelhano quando em público, e a declarar-se espanhola como antes da democracia, salvo depois de se falar com as pessoas, se ganhar confiança... e se prometer que não se diz nada a ninguém. Há quem diga, em surdina: "O medo voltou a Olivença".
(10) entre outros, fundou o Grupo dos Amigos de Olivença.
(11) apesar destes elogios, o livro da Alfonso Franco Silva declara no preâmbulo que Olivença não tem razões para temer que os portugueses tenham razões para reivindicar Olivença, e só reproduz, do Tratado de Badajoz, o artigo 3º. Encontra-se esgatado desde 1991.
(12) hoje, em 2006, a situação piorou. Agora, diz-se que Olivença andou sempre entre os dois países desde o século XIII, e afirma-se que Portugal a ocupou em 1297, constituindo a sua ocupação pela Espanha em 1801 "o regresso à mãe-pátria"!!!




23-06-2006 @ 00:48
Comentário de: PABLO [Visitante] Email
Olivença é espanhola e há muito tempo que perderam as colónias. Preocupem-se do futuro e de ter uns melhores serviços públicos.
15-03-2008 @ 15:01
Comentário de: Raizes Portuguesas [Visitante] Email · http://www.raizesportuguesas.com/accueil.html
Para um pais que contesta a ocupação de Gibraltar pela Inglaterra, Vergonha à Espanha que ocupa ilegalmente as terras de Olivença portuguesa.
14-08-2008 @ 15:42

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