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Um amigo enviou-me isto ainda agora. Comentários ibéricos do Sud-Ocidente acerca do Nord-Ocidente...
O autor disto é um "politólogo" que até tem uma radiozinha no Cotonete (quer dizer, uma personagem bem ibérica).
REVISTA "SÁBADO", 13-Janeiro-2006 , art. "A ESPANHA EXISTE?"
REVISTA "SÁBADO", 13-Janeiro-2006
Relatório minoritário
A ESPANHA EXISTE?
Nuno Rogeiro
Politólogo
(pág.46)
È assim a Espanha viável? Claro que sim, por agora. Portugal deve ajudar o vizinho a acabar o império com
dignidade.
Continua:
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Os números sobre o espectacular crescimento económico espanhol são conhecidos. Os dados sobre o admirável equilíbrio governamental espanhol são conhecidos. As provas da pujança internacional das empresas espanholas são conhecidas. A potência global da Hispanidade é conhecida. A força militar de Espanha é conhecida.
Menos conhecida, ou menos falada, é a detrioração da "identidade nacional" espanhola, construída com o tempo, à base de engenho, violência, persuasão, ouro, inteligência e espada.
Veja-se o caso da dramatização em torno do Estatuto da Catalunha. O General José Mena Aguado, número dois do exército de terra, homem honrado e militar prestigiado, teve a coragem, a ousadia e, provavelmente, a insensatez, de advertir (na presença do Rei) que as forças armadas não poderiam ignorar o artigo 8º da Lei Fundamental (onde se lhes comete a garantia da sobertania, [sic] independência e unidade nacionais), se o processo de Barcelona fosse demasiado longe, e chocasse com a Constituição de Espanha.
As declarações, feitas na "Pascua Militar" de Sevilha, levaram rapidamente Mena à prisão domiciliária. Mas o chefe de estado-maior, Félix Sanz Roldán (JEMAD), acrescentou imediatamente que "um homem em uniforme não é um homem mudo". E as associações militares mais importantes (AME e AMARTE) protestaram contra a "ofensa" ao general preso. Talvez mais significativamente, 50 oficiais superiores enviaram uma carta à imprensa, salientando serem as palavras de aviso "um reflexo do sentir e das preocupações de muitos subordinados".
Claro que o PP, que devia ter juízo, veio imediatamente trazer o incidente para a pequena luta partidária, salientando que não se ouvia tanto barulho de espadas desde Tejero de [sic] Molina e a invasão das Cortes pela Benemérita. A questão, muito simoles, é: tem o general razão de alarme?
Os factos são claros. O Parlamento catalão apresentou a "Proposta de Reforma do Estatuto de Autonomia", que afirma, no seu preâmbulo: "A Nação Catalã tem-se construído, ao longo do tempo, com a contribuição de energias de muitas gerações, de muitas tradições e culturas, que encontraram nela terra de acolhimento." Mais à frente se explica que se trata de recuperar o "direito inalienável de autogoverno".
A Catalunha passará a ter símbolos nacionais plenos, determina fronteiras e cidadania, e está representada em organizações internacionais. Tem um presidente e uma língua. Quanto a Zapatero, que precisa de olhar pelas finanças, preocupa-se sobretudo com o avanço para a "autonomia fiscal", que, para Madrid, deverá ser "gradual".
É assim a Espanha viável? Claro que sim, por agora. Aliás, Portugal não pode viver de costas voltadas para ela: sabe-se lá o que é que pode acontecer.
E, claro, importa ajudar o vizinho a acabar o império com dignidade.
FIM
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