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Recebi há uns dias um exemplar decepcionante da Agália, o do número 85/86.
Continua:
Nele encontrei um artigo sobre fonética galegoportuguesa, e o seu autor (segundo vi agora) era o mesmo que já escreveu sobre a "r" portuguesa em Coimbra. Artigo excelente.
O autor é Paulo Malvar Fernández.
O artigo, "Análise comparativa dos sistemas fonético-fonológicos do galego e do português. Sugestões didácticas dirigidas a português-falantes para a aprendizagem do padrão oral galego".
"Português-falantes"! Não será lusófonos?
Não concordámos, há anos, que a língua é o galegoportuguês?
Um catalão tem que aprender "valenciano oral"? Um valenciano tem que aprender "catalão oral"? Um castelhano tem que aprender "andaluz oral"? Um andaluz tem que aprender "castelhano oral"?
Olhem, eu na Galiza falei no meu português e tudo bem! E os galegos em Portugal falam galego...! Etc. Agora, "mudar de dialecto"? Xalexoespañol?
O autor será professor de português para galegos ou de galego para portugueses?
Segundo diz no artigo, já fez alguma coisa à inversa: "Ao igual que já foi comentado para os galego falantes que desejem aprender o padrão oral do português [...]" (p. 105).
Ó amigo Valinha, tudo para nada!
Mas o que mais me admirou foi o seguinte:
Está a explicar o "processo de ensurdecimento das consoantes fricativas sonoras" "no galego" (século XV). E diz: "De qualquer maneira, este é um fenómeno que também se dá naqueles dialectos portugueses que, por razões históricas, passaram no século XIX a fazer parte do território administrativo do Estado espanhol, e nos quais começaram a se registar interferências cada vez mais profundas do casrtelhano sobre o português, mercê à posição do primeiro como língua nacional (?) e de prestígio".
TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS:
"Este fenómeno também se dá no português de Olivença, no qual há, desde o século XIX, superestrato espanhol"... ou algo assim.
Mas não! No português oliventino há "ensurdecimento das consoantes fricativas sonoras"? Não!
Pobre português oliventino, amigos!
De resto, o artigo é excelente! A descrição fonético-fonológica vale a pena. Mas parece para uma revista isolacionista.
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