A ingerência humanitária em África, nova forma de domínio

17-06-2005

  17:32:42, por Corral   , 538 palavras  
Categorias: Novas, Outros

A ingerência humanitária em África, nova forma de domínio

A ingerência humanitária em África, nova forma de domínio
A terceira colonização (1)
por Gerardo González Calvo

Estão a perfurar o continente africano, em terra e no mar, de tal modo que parece um queijo Gruyère. Os países ocidentais procuram febrilmente petróleo para não dependerem tanto do Golfo Pérsico. A China juntou-se a esta desenfreada corrida para conseguir mais ouro negro. Há um novo assalto a África, que difere muito pouco das conquistas do século XIX e do neocolonialismo de meados do século XX.

O missionário comboniano espanhol padre Ismael Piñón comentou, pouco depois de chegar do Chade, que nesse país começa a haver de tudo: sapatos, camisas, medicamentos, cerveja européia, calças, água mineral... Circulam carros que nunca se viram num país que sempre havia figurado entre os mais pobres do Mundo. O mesmo sucede na Guiné Equatorial. O Chade e a antiga colônia espanhola são dois dos novos países africanos incorporados na lista de estados produtores de petróleo. O seu PIB cresce ao mesmo ritmo que se extraem barris do valioso ouro negro. Pouco antes deles entrou na lista o Sudão. Depois virão muitos outros: desde o Sahara Ocidental e a Mauritânia até S. Tomé e Príncipe, República Democrática do Congo, Costa do Marfim....

Esta febre de petróleo surge ao mesmo tempo que cresce o interesse dos Estados Unidos por África. Não é preciso ser muito perspicaz para descortinar uma luta subterrânea entre França e Estados Unidos para controlar o mercado das matérias-primas africanas. A explosão de conflitos nos Grandes Lagos e a crise na Costa do Marfim ? a menina bonita de Paris ? são uma boa prova disso. Nem tão-pouco é preciso ter muita imaginação para prever que, dentro em breve, nesta pugna titânica entrará um terceiro país: a China. E isto não por razões ideológicas, como na época da Guerra Fria, mas pura e simplesmente por motivos econômicos. O gigante asiático, com 1,3 mil milhões de habitantes e uma economia que cresce ao ritmo de 8 por cento ao ano, necessita de um imenso consumo de energia para sustentar o seu crescimento. Actualmente, o maior importador de petróleo do Mundo são os Estados Unidos, seguidos do Japom e da China. Em pouco tempo a China ocupará o segundo lugar.

A África é fornecedora da maioria das matérias-primas que há no Mundo e volta a interessar pelo que sempre atraiu o Ocidente: polos seus recursos naturais. Este assalto a África surge num momento de grande fragilidade interna na maioria dos estados, muitos deles enfraquecidos pela fome, a sida e a má governação. Nunca os estados africanos foram tão débeis, nem tão pobres. Nem tão-pouco apareceram tantos chefes de estado tão ricos. Cada vez mais a África assemelha-se à América Latina dos Somoza e dos Trujillo, quer dizer, a um continente em que proliferam imensas fortunas em poucas mãos ? agochadas com sigilo nos paraísos fiscais ? e a vez aumenta a fame acarom da massa dos deserdados.

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