Mau começo

15-08-2005

  00:51:19, por Corral   , 545 palavras  
Categorias: Outros, Dezires

Mau começo

Méndez Ferrím, X. L.

Por primeira vez na historia de Galiza, segundo creio, um Presidente (unha, nesta caso) do Parlamento Autonômico encabeçou a processom do Cristo da Vitoria . Dado que o Presidente do Parlamento ocupa o posto número dous na jerarquia autonômica, o acontecimento está dando lugar a diversos comentários. Dumha banda estám os nacionalcatólicos (nunca se atrevérom a fazer nada semelhante quando ocupavam a presidência do Parlamento) que reloucam de ledicia ao ver a socialista de longa trajectória antifranquista numha cerimonia de exaltaçom confessional de alto nível simbólico. No polo contrario situámo-nos os que consideramos intolerável e mesmo inconstitucional esta colusom entre a alta representaçom política de Galiza e a Igreja Católica numha manifestaçom privativa. Se Dolores Villarino houvesse concorrido á processom do Cristo cunha candeia na mao e no meio dos crentes, a opiniom laicista quadraria conforme. Que o fizesse na presidência do desfile, baixo maças e franqueada pola polícia municipal com morrioes emplumados (em boa etiqueta deveriam estes ir abatidos ás costas), além de esteticamente esperpêntico (falo do Ruedo Ibérico de Valle) semelha-me algo constitutivo de falta política grave.

Imaginam-se o Católico Charles de Gaulle acudindo á missa dominical em Collombey-les-deux-Églises com a sua dona? Si, e de feito esse era o seu costume quando estava na aldeia. Imaginam-se De Gaulle presidindo oficialmente unha cerimonia em Lourdes? Nom. A presença, pois, de Dolores Villarino no cortejo do Cristo como fiel devota, mesmo que fosse oferecida descalça, seria bem aceitado e bem plausível. Presidir a procissom revestida do seu cargo é o que a opiniom laicista nom aceita. Mau começo para Dolores Villarino e grave decepçom para a maioria dos seus votantes, digo eu. E digo-o porque noto que os que se sentirem jubilosos ao contar com a Presidente na procissom do Cristo da Vitoria som os que precisamente nom votárom por nengum dos partidos que se aprestam a legislar no Parlamento de Galiza, graças a Villarino mais que nunca Parlamentinho hoje, Parlamentinho no qual, mói seguramente, ninguém vai fazer a mínima pergunta sem pedir explicaçoes pola presença da Presidente no evento nacionalcatólico. Os do PP nom o faram porque som confessionais e estam encantados e os outros dous partidos porque Dolores Villarino é umha companheira ou unha associada de coaliçom. Eis polo cal nós dizíamos aqui que é mágoa, e eiva, e pobreza, que no Parlamento de Galiza nom exista hoje unha oposiçom de esquerda. Ao revés que em Catalunha, em cujo parlamento se sentam cinco partidos, e que em Euskadi, onde fam o próprio seis, na nossa câmara só obtivérom escanos três, do qual o nacionalcatólico monopoliza a oposiçom. Pode estar, portanto, mói tranquila Dolores Villarino: nom vai receber censura nengumha nem críticas no Parlamento. Orabém, imos ver se a sociedade civil (agora si que compre o adjectivo) está em condiçoes de exigir-lhe responsabilidades por fazer mal uso da sua representaçom pública. Isso si: Dolores Villarino nom se presentou na procissom de ?mantilla española?.

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