Os perigos reais de um holocausto nuclear (3)

15-08-2005

  10:28:04, por Corral   , 944 palavras  
Categorias: Outros, Ensaio

Os perigos reais de um holocausto nuclear (3)

por Robert S. McNamara

Os Estados Unidos e os nossos aliados da NATO enfrentavam uma forte ameaça convencional dos soviéticos e do Pacto da Varsóvia. Muitos dos aliados (e alguns em Washington também) sentiam fortemente que preservar a opção americana de lançar um primeiro ataque era necessário para o objectivo de manter os soviéticos à distância. O que é chocante é que hoje, mais de uma década após o fim da Guerra Fria, a política nuclear básica dos EUA não tenha sido mudada. Ela não se adaptou ao colapso da União Soviética. Os planos e procedimentos não foram revistos para fazer com que os Estados Unidos ou outros países menos propensos a premir o botão. No mínimo, deveríamos remover todas as armas estratégicas do alerta "pronto a disparar" ("hair-trigger"), como tem recomendado alguns, inclusive o Gen. George Lee Butler, o último comandante do SAC. Esta simples mudança reduziria muito o risco de um lançamento nuclear acidental. Ela também assinalaria a outros estados que os Estados Unidos estão a dar passos para finalizar a sua confiança nas armas nucleares.

Prometemos trabalhar de boa fé rumo à eliminação final de arsenais nucleares quando negociámos em 1968 o Tratado de Não Proliferação Nuclear (NPT). Em Maio, diplomatas de mais de 180 países vão-se reunir em Nova York para rever o NPT e avaliar se os membros estão a cumprir o acordo. Os Estados Unidos estão focados, por razões compreensíveis, em persuadir a Coreia do Norte a regressar ao tratado e a negociar constrangimentos mais profundos às ambições nucleares do Irão. Aqueles estados devem ser convencidos a manter as promessas que fizeram quando assinaram originalmente o NPT ? que não construiriam armas nucleares em troca do acesso a utilizações pacíficas da energia nuclear. Mas a atenção de muitos países, incluindo alguns potenciais novos estados com armas nucleares, também está sobre os Estados Unidos. Manter tão grande números de armas, e mante-las a ponto de disparar ao primeiro alerta, são sinais poderosos de que os Estados Unidos não estão a trabalhar seriamente para a eliminação do seu arsenal e levanta questões perturbadoras tal como porque de qualquer outro Estado deveria restringir suas ambições nucleares.


UMHA ANTEVISOM DO APOCALIPSE

O poder destrutivo das armas nucleares é bem conhecido, mas dado o facto de os Estados Unidos continuarem a nelas confiar, convém recordar o perigo que apresentam. Um relatório de 2000 do International Physicians for the Prevention of Nuclear War descreve os efeitos prováveis de uma única arma de 1 megatonelada ? dúzias das quais estão contidas nos stocks russos e americanos. Ao nível zero, a explosão cria uma cratera de 300 pés (91,44 m) de profundidade e 1200 pés (365,76 m) de diâmetro. Dentro de um segundo, a própria atmosfera entra em ignição numa bola de fogo de mais de meia milha de diâmetro (800 m). A superfície da boa de fogo irradia aproximadamente três vezes a luz e o calor de uma área comparável da superfície do sol, extinguindo em segundos todas a vida abaixo de si e irradiando para fora à velocidade da luz, causando severas queimadoras instantâneas a pessoas dentro de uma a três milhas (1,6 a 4,8 km). Uma onda de propulsão de ar comprimido alcança uma distância de 4,8 km em cerca de 12 segundos, eliminando fábricas e edifícios comerciais. Resíduos transportes por ventos de 400 km/h infligem danos letais por toda a área. Pelo menos 50 por cento das pessoas na área morrem imediatamente, antes que quaisquer lesões da radiação ou do desenvolvimento da tempestade de lume.

Naturalmente, o nosso conhecimento destes efeitos não é inteiramente hipotético. Armas nucleares, com aproximadamente um sétimo da potência daquela de 1 megatonelada aqui descrita, foram utilizadas duas vezes pelos Estados Unidos em Agosto de 1945. Uma bomba atómica foi lançada sobre Hiroshima. Cerca de 80 mil pessoas morreram imediatamente; aproximadamente 200 mil morreram depois. Posteriormente, uma bomba de dimensão semelhante foi lançada sobre Nagasaki. Em 7 de Novembro de 1995, o presidente da municipalidade de Nagasaki recordou as suas memórias do ataque em testemunho perante o Tribunal Internacional de Justiça.

"Nagasaki tornou-se uma cidade de mortos, onde não podia ser ouvido nem mesmo o som dos insectos. Após um momento, incontáveis homens, mulheres e crianças começaram a reunir-se por um gole de água nas margens do Rio Urakami nas proximidade, seu cabelo e vestuário queimados e sua pele queimada descolando-se em pedaços como farrapos. Implorando por ajuda eles morreram um depois do outro na água ou em pilhas sobre as margens. Quatro meses após o bombardeamento atómico, 74 mil morreram e 75 mil haviam sofrido lesões, isto é, dois terços da população da cidade havia sido vítima desta calamidade que caiu sobre Nagasaki como umha antevisão do Apocalipse?

Por que tantos civis tinham de morrer? Porque os civis, que foram aproximadamente 100 porcento das vítimas de Hiroshima e Nagasaki, foram infelizmente "co-localizados" com alvos militares e industriais japoneses. O seu aniquilamento, embora não fosse o objectivo daqueles que lançaram as bombas, era um resultado inevitável da escolha daqueles alvos. Convém notar que durante a Guerra Fria os Estados Unidos confirmadamente tinham dúzias de ogivas nucleares apontadas só sobre Moscovo, porque ela continha muitos alvos militares e demasiada capacidade industrial?.

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