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28-08-2006

Link permanente 17:59:37, por José Alberte Email , 3597 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Ensaio

Venezuela: Economia social


O caminho para além da sobrevivência,
tornar a economia social uma alternativa concreta

por Michael A. Lebowitz

As rações dos escravos nunca foram fixas. Do mesmo modo, também os trabalhadores e cidadãos no mundo capitalista, através das suas lutas, puderam sempre garantir para si mesmos uma parte dos benefícios do trabalho social. A globalização capitalista e a ofensiva das políticas do estado neoliberal, contudo, usurparam todas essas conquistas das lutas do passado; e a resposta para os que se mostraram surpreendidos por verem quão efémeras eram essas vitórias foi a fórmula mística do TINA [1] – de que 'não há alternativa'. No entanto, quando os malefícios da ofensiva capitalista se tornaram óbvios, surgiu a oposição, principalmente na América Latina. Actualmente, os trabalhadores em todo o mundo têm os olhos postos nela, nessa demonstração de que 'é possível um mundo melhor'.

Mas terão razão para isso? Está mesmo a surgir ali uma alternativa real ou será apenas uma negociação de melhores condições num contrato implícito com a globalização capitalista? Será possível que uma nova economia social ou uma economia solidária se desenvolva nos escaninhos do capitalismo global ou essas ilhas de cooperação alimentadas pelos estados, pelas ONGs e pelas instituições de caridade religiosas são apenas verdadeiros 'amortecedores de choque' para os efeitos económicos e políticos da globalização capitalista?

Sou de opinião de que, nos cinco países latino-americanos em que a oposição às políticas neoliberais provocaram recentes mudanças governamentais importantes, só existe actualmente um caso em que as mudanças em curso podem fazer com que a economia social seja uma alternativa real ao capitalismo. Permitam que apresente as minhas premissas e o meu raciocínio.

Em primeiro lugar, o que é uma alternativa real ao capitalismo? Penso que é uma sociedade em que o objectivo explícito não é o crescimento do capital ou dos meios materiais de produção mas, pelo contrário, o próprio desenvolvimento humano – o crescimento das capacidades humanas. Podemos encontrar esta perspectiva na Constituição Bolivariana da Venezuela – no ênfase dado no Artigo 299 à 'garantia do desenvolvimento humano geral', na declaração do Artigo 20 de que 'todos têm direito ao livre desenvolvimento da sua própria personalidade' e na focagem do Artigo 102 sobre 'desenvolver o potencial criativo de cada ser humano e o pleno exercício da sua personalidade numa sociedade democrática'.

Nestas passagens (que de forma alguma representam o todo dessa constituição), está contido o conceito de uma alternativa real – uma economia social cuja lógica não é a lógica do capital. 'A economia social', disse o Presidente Hugo Chavez em Setembro de 2003, 'baseia-se na lógica do ser humano, no trabalho, ou seja, no trabalhador e na família do trabalhador, ou seja, no ser humano'. Esta economia social, continuou ele, não se centra no lucro económico, nos valores das trocas; pelo contrário, 'a economia social gera principalmente valor de uso'. O seu objectivo é 'a construção do homem novo, da mulher nova, da sociedade nova'.

Belas ideias. Belas palavras. Mas não passam de ideias e de palavras. O primeiro conjunto provém de uma constituição e o segundo do habitual curso de formação educativa nacional conhecido por 'Alô Presidente'. Como é que estas ideias e estas palavras passarão à prática? Quero apresentar quatro pré-condições para a realização desta alternativa ao capitalismo e depois vou falar do que tem acontecido na Venezuela.

(1) Qualquer discussão de mudança estrutural tem que começar pelo conhecimento da estrutura existente – em resumo, pela compreensão do capitalismo. É preciso entender que a lógica do capital, a lógica em que o objectivo é o lucro e não a satisfação das necessidades dos seres humanos, impera sempre, quer quando encoraja a vantagem comparativa da repressão, quer quando aceita um aumento das rações dos escravos.

(2) É essencial atacar ideologicamente a lógica do capital. Se não for desenvolvida a compreensão das massas quanto à natureza do capital – ou seja, que o capital é o resultado do trabalho social do trabalhador colectivo - a necessidade de sobreviver à destruição da política neoliberal e repressiva produz apenas o desejo de uma sociedade mais justa, a procura dum melhor quinhão para os explorados e excluídos – em resumo, a barbárie com rosto humano.

(3) Um aspecto fundamental nesta batalha de ideias é o reconhecimento de que a capacidade humana só se desenvolve através da actividade humana, unicamente através daquilo que Marx considerou como 'prática revolucionária', a mudança simultânea das circunstâncias e da auto-mudança. O verdadeiro desenvolvimento humano não cai do céu sob a forma de dinheiro para alimentar a continuação dos gastos dos governos populares com a educação e a saúde; nem é estimulado pela tutelagem paternalista e pela tomada de decisões hierárquicas das sociedades estatais. O conceito que desafia a lógica do capital é a que explicitamente reconhece o centralismo da auto-gestão no local de trabalho e o auto-governo na comunidade como meios para libertar o potencial humano – isto é, o conceito de uma verdadeira economia social, de uma economia solidária, do socialismo do século XXI.

(4) Mas a ideia desta economia solidária não pode desalojar o capitalismo real. Nem são as diminutas ilhas de cooperação que podem mudar o mundo competindo com êxito contra as grandes empresas capitalistas. É preciso que o poder estimule as novas relações de produção ao mesmo tempo que impede a reprodução das relações produtivas capitalistas. Precisamos de retirar ao capital o poder do estado, e precisamos de utilizar esse poder quando o capital reage a essa invasão – quando o capital faz greve, temos que estar preparados para contra-atacar e não para capitular. Ganhar 'a batalha da democracia' e utilizar 'a supremacia política para arrancar, aos poucos, todo o capital à burguesia' continua hoje a ser tão importante como quando Marx e Engels escreveram o Manifesto Comunista.

Estarão estas condições presentes nos novos governos latino-americanos de esquerda? Nem por isso. Na sua maioria, o padrão exibe as características conhecidas da social-democracia — que não entende a natureza do capital, não ataca ideologicamente a lógica do capital, não acredita que há uma alternativa real ao capitalismo e, por conseguinte, capitula quando o capital ameaça fazer greve. (Esta é uma perspectiva cristalizada na declaração do primeiro-ministro social-democrata da Colúmbia Britânica no Canadá na época em que eu era dirigente de um partido político – 'Não podemos matar a galinha dos ovos de ouro'.) Embora seja ainda cedo para avaliar o curso dos acontecimentos na Bolívia, permitam-me que sugira que na Venezuela está a acontecer algo de diferente. Vou passar a falar isso – tanto no que aconteceu como nas lutas actuais.

A VIA VENEZUELANA

A Constituição Bolivariana não realça apenas o objectivo do desenvolvimento humano. Também é inequívoca ao indicar que os seres humanos só desenvolvem as suas capacidades através da sua própria actividade. Não é apenas o Artigo 62 que declara que a participação do povo é 'a forma necessária de atingir o envolvimento que garanta o seu total desenvolvimento, quer individual quer colectivo', a Constituição também se debruça sobre o planeamento democrático e a orçamentação participativa a todos os níveis da sociedade e (como no Artigo 70) sobre 'auto-gestão, co-gestão, cooperativas de todos os tipos' como exemplos de 'formas de associação guiadas pelos valores de cooperação mútua e da solidariedade'.

Com este ênfase dado a uma sociedade 'democrática, participativa e protagonista', a Constituição Bolivariana contém claramente as sementes da economia solidária, as sementes do socialismo para o século XXI, e esses elementos particulares continuam a inspirar as massas venezuelanas. No entanto, esta constituição também garante o direito de propriedade (Artigo 115), identifica um papel para a iniciativa privada na geração do crescimento e do emprego (299), e recorre ao Estado para promover a iniciativa privada (112). Em resumo, esta constituição apoia um desenvolvimento capitalista continuado e esta é precisamente a direcção do plano inicial elaborado para 2001-2007. Embora rejeitando o neoliberalismo e sublinhando a importância da presença do Estado nas indústrias estratégicas, a focagen deste plano foi encorajar o investimento do capital privado – tanto o interno como o estrangeiro – criando uma 'atmosfera de confiança'.

A isto tinha que se acrescentar o desenvolvimento de uma 'economia social' – concebida como uma 'via alternativa e complementar' para o sector privado e para o sector público. Mas é significativo quão diminuto é o papel destinado às actividades de auto-gestão e cooperativas através das quais se havia de conseguir o 'total desenvolvimento, individual e colectivo' da população. Em essência, foi um programa para incorporar o sector livre na economia social; é necessário, argumentava o Plano, 'transformar os trabalhadores livres em pequenos gestores'. Por conseguinte, a família, as cooperativas e as micro-empresas em auto-gestão deviam ser encorajadas através de formação e de micro-financiamento (por instituições como o Banco de Desenvolvimento das Mulheres) e deviam reduzir-se as regulamentações e as cargas fiscais. O objectivo do Estado era explicitamente descrito como o de 'criar uma nova classe gestora'.

A luta de classes, porém, alimentou as sementes dessa economia social de forma que esta passou a ser considerada, progressivamente, como uma alternativa ao desenvolvimento capitalista. Embora as medidas iniciais do governo para permitir atingir a orientação da sua 'Terceira Via' não fossem um ataque ao capitalismo em si mesmo, a reacção da oligarquia privilegiada da Venezuela (apoiada totalmente pelo imperialismo americano) – primeiro através do golpe de Abril de 2002 e depois através do lock-out dos patrões no inverno de 2002-2003 – mobilizou as massas nos locais de trabalho e nas comunidades e conduziu a Revolução Bolivariana por um caminho que se foi afastando do capitalismo.

À medida que as receitas do governo aumentavam no final de 2003 (com a renacionalização efectiva da PDVSA, a companhia petrolífera estatal), as novas missões nas áreas da saúde e na educação começaram a demonstrar o real empenhamento do governo bolivariano em eliminar a enorme dívida social que herdara. A missão Mercal, constituída sobre a experiência da distribuição governamental de alimentos durante o lock-out geral, começou no princípio de 2004 a distribuir aos pobres alimentos fortemente subsidiados (e continua a expandir-se à custa do sector capitalista). Mas a questão mantinha-se – como é que iria sobreviver a população? Como é que a confiança crescente e o sentido de dignidade conseguido pelos explorados e excluídos quando acabavam os programas de educação havia de ser alimentado em vez de desiludido?

Em parte a resposta foi a criação em Março de 2004 da Missão Vuelvan Caras (Olhem em Frente), um programa para o desenvolvimento endógeno radical orientado para a construção de novas capacidades humanas quer através do ensino de ofícios específicos quer através da preparação das pessoas para iniciar novas relações produtivas através de cursos de cooperação e de auto-gestão. E foi no contexto em que tudo isto estava a acontecer que o Presidente Chavez atacou directamente aquilo a que chamou a 'lógica perversa' do capital e realçou a alternativa — a tal economia social cujo objectivo é 'a construção do homem novo, da mulher nova, da sociedade nova'.

No entanto, quando estiver alargada a actividade produtiva nestas novas relações (o número de cooperativas aumentou de 800 quando Chavez foi eleito pela primeira vez em 1998 para cerca de 84 000 em Agosto de 2005), em que grau é que isso pode representar uma alternativa ao capitalismo? As novas cooperativas encorajadas e alimentadas através do Vuelvan Caras destinam-se a ser pequenas e provavelmente (pelo menos de início) não pretendem ser origem importante para a acumulação e o crescimento. Apesar disso, na sua intenção de substituírem o sistema trabalho-salário por outro baseado na cooperação e na propriedade colectiva, são um microcosmo duma alternativa à lógica do capital e, desde o lock-out colectivo, têm sido complementadas por uma tendência para a auto-gestão e co-gestão por parte dos trabalhadores tanto nas indústrias estatais como em fábricas encerradas.

No ano passado, a solidariedade em vez do interesse próprio passou a ser um importante tema nas discussões da economia social (agora designada por socialismo para o século XXI). Inspirando-se na discussão de István Mészáros (no seu livro Beyond Capital ) [2] , sobre o conceito de Marx de sociedade comunitária, o Presidente Chavez apelou no ano passado para a criação de um novo sistema comunitário de produção e consumo — um sistema em que haja uma troca de actividades determinada pelas necessidades comunitárias e objectivos comunitários. Temos que construir, anunciou ele no seu programa 'Alô Presidente' de 17 de Julho, 'este sistema comunitário de produção e consumo, para ajudar a construí-lo, a partir das bases populares, com a participação das comunidades, através das organizações comunitárias, das cooperativas, da auto-gestão e de diferentes formas para criar este sistema'.

No cerne deste conceito está a democracia protagonista — a aliança entre o desenvolvimento democrático de objectivos a nível da comunidade e a execução democrática desses objectivos na actividade produtiva. Os novos conselhos comunitários (baseados em 200 a 400 famílias nos actuais bairros urbanos e 20 a 50 nas áreas rurais) são uma parte fundamental deste processo. Estas instituições estão agora a ser estabelecidas para diagnosticar democraticamente as necessidades e as prioridades comunitárias. Com a transferência de substanciais recursos dos municípios para o nível da comunidade, o apoio dos novos bancos comunitários aos projectos locais e uma dimensão que permite que a tomada de decisões supremas seja feita por uma assembleia geral em vez de representantes eleitos, os novos conselhos comunitários proporcionam uma base não só para a transformação da população no decurso das circunstâncias em mudança mas também para a actividade produtiva que seja realmente baseada nas necessidades comunitárias e nos objectivos comunitários.

Quanto à produção, há uma expansão substancial de novas companhias estatais, a introdução da co-gestão na indústria básica que começou na empresa estatal de alumínio ALCASA e a criação de uma nova instituição — as Empresas de Produccion Social (EPS). O conceito destas novas companhias de produção social é que não só assumem o compromisso de servir as necessidades da comunidade como também incorporam a gestão dos trabalhadores. Inspiradas numa série de fontes — em cooperativas existentes (agora mais empenhadas na comunidade do que apenas no seu próprio interesse), em empresas estatais mais pequenas e em firmas privadas desejosas de ter acesso a negócios com o estado e a condições de crédito favoráveis), a lógica das EPS é reorientar a actividade produtiva do valor de troca para o valor de uso — ligando-se à comunidade e ao sector estatal enquanto parte das cadeias de produção como fornecedores e transformadores. Em resumo, o objectivo é afastar-se progressivamente da separação do trabalhador colectivo inerente à produção de bens, em direcção a um conceito de solidariedade no seio da sociedade.

Quando observamos este panorama, compreendemos melhor a declaração de Chavez no Fórum Social Mundial 2005 em Porto Alegre sobre a necessidade de 're-inventar o socialismo', a necessidade de desenvolver novos sistemas que sejam 'construídos com base na cooperação, e não na competição'. O capitalismo, sublinhou ele, tem que ser ultrapassado se alguma vez quisermos acabar com a pobreza da maior parte do mundo. 'Mas não podemos recorrer ao capitalismo de estado, o que acabaria na mesma perversão da União Soviética. Temos que reclamar o socialismo como uma tese, um projecto e uma via, mas um novo tipo de socialismo, um socialismo humanista, que coloque o homem e não a máquina ou o estado acima de tudo o resto'.

QUAL O CAMINHO PARA A VENEZUELA?

Devia concluir-se das premissas com que começámos que só na Venezuela é que existe neste momento um verdadeiro desafio ao capitalismo (por oposição ao estímulo de estratégias de sobrevivência e de negociação de novas condições no contrato implícito com o capital). Mas estará a Venezuela a consegui-lo? Evidentemente, há uma tentativa de compreender a lógica do capital, um esforço para atacar ideologicamente o capital numa batalha de ideias e o desenvolvimento do conceito de uma alternativa ao capitalismo. Mas, e quanto à verdadeira criação dessa alternativa?

No livro 'Build it Now: Socialism for the 21st Century', que será publicado no próximo mês, escrevi o seguinte sobre a Revolução Bolivariana:

"Em resumo, começou na Venezuela a revolução económica mas a revolução política (que começou dramaticamente com a nova constituição mas exige a transformação do estado num estado em que o poder venha de baixo) e a revolução cultural (que exige um pesado ataque aos padrões continuados de corrupção e clientelismo) mantêm-se muito longe. Sem avanços nestes dois outros aspectos, a Revolução Bolivariana não pode deixar de ficar coxa".

Embora a Revolução Bolivariana tenha certamente conseguido proporcionar uma enorme esperança e dignidade aos pobres, enfrenta muitos problemas e o seu êxito só pode ser atingido em resultado da luta. Não apenas uma luta contra o imperialismo americano, o paladino da barbárie em todo o mundo, que se sente ameaçado com qualquer indício de que existe uma alternativa ao seu domínio. E não apenas contra a oligarquia nacional com os seus enclaves capitalistas nos meios de comunicação, nos bancos, nos sectores transformadores e nos latifúndios. Essas são lutas para as quais a Revolução deve estar preparada e para as quais a solidariedade com essa revolução é essencial. Mas a luta realmente difícil, é o que eu penso, é no seio da própria Revolução Bolivariana.

Muitos dos problemas têm a sua origem numa questão: quem são os sujeitos desta revolução? É claro quem tem sido o seu principal beneficiado — os pobres (e em especial as mulheres) e daí que sejam os seus principais apoiantes. Mas o desenvolvimento posterior da revolução exige que o processo revolucionário seja conduzido não apenas pelas necessidades da população mas também pela sua actividade transformadora .

Quanto a este aspecto, a criação dos conselhos comunitários é um passo absolutamente indispensável neste processo porque cria o espaço para o auto-desenvolvimento dos sujeitos revolucionários. Ao mesmo tempo, porém, a gestão dos trabalhadores nas chamadas indústrias estatais 'estratégicas' andou para trás, e este recuo desmoralizou os trabalhadores revolucionários; ao reduzi-los ao papel adverso que desempenham no capitalismo, reforça todas as tendências auto-orientadas da antiga sociedade. Sem uma produção democrática, participativa e protagonista, as pessoas continuam a ser os seres humanos fragmentados, mutilados que o capitalismo produz. Pior ainda, se as empresas estatais se mantiverem caracterizadas por tomadas de decisões hierárquicas, quanto tempo demorarão os produtores nas companhias de produção social (EPS) articuladas nas cadeias de produção com essas empresas estatais, a descobrir que eles próprios pouco mais são do que associações de assalariados colectivos? Então, onde é que a economia social é uma alternativa ao capitalismo?

Em resumo, neste momento há contradições significativas no seio da Revolução Bolivariana. Para alguns chavistas que querem Chavez sem socialismo, o processo já foi suficientemente longe. Ao ponto de haver resistência à tomada de decisões das bases (seja nos locais de trabalho ou nas comunidades), pelo que o auto-desenvolvimento da população só poderá avançar através da luta. Mas, neste momento, não há meios para coordenar os trabalhadores organizados, os membros das cooperativas, os trabalhadores do sector livre, os camponeses e os profissionais livres que estão preparados para lutar pela democracia protagonista nos locais de trabalho e na comunidade; não existe uma força unida na base que exija transparência e que esteja preparada para lutar contra a corrupção e a deformação da Revolução.

Para fazer avançar a Revolução Bolivariana e para demonstrar a possibilidade deste 'novo tipo de socialismo, um socialismo humano, que coloque o homem e não a máquina ou o estado acima de tudo o resto', é essencial criar instituições que estimulem o desenvolvimento e a coordenação dos sujeitos revolucionários — pessoas que se transformem a si mesmas no decorrer da luta por um mundo melhor. Como Hugo Chavez escreveu na prisão em 1993, 'o povo soberano tem que se transformar a si próprio em objecto e em sujeito do poder. Esta opção não é negociável para os revolucionários'.

08-08-2006

Link permanente 14:00:30, por José Alberte Email , 1476 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Ensaio

Os novos nazis

Seguem com o programa de exterminio
Os neoconservadores e a política do «caos construtor»
por Thierry Meyssan
Washington e Tel Aviv regozijam-se pelas operações militares em marcha no Meio Oriente. Segundo declarações de Condoleezza Encrespe, a dor do Líbano é causado pelas «contracções do nascimento de um novo Meio Oriente». Os teóricos do «caos construtor» estimam que tem que correr o sangue para conseguir impor um novo ordem numa região rica em hidrocarburos. Planificada desde faz muito, a ofensiva do exército israelense contra o Líbano está a ser supervisionada desde o Departamento de Defesa de Estados Unidos.
O termo de «Grande Meio Oriente» é uma frase que foi utilizada por George W. Bush para designar um controle geopolítico de um vasto território horizontal, que vai desde Marrocos até Afeganistão.
Durante seu encontro do 21 de julho de 2006 com a imprensa no Departamento de Estado, Condoleezza Encrespe foi interrogada sobre as iniciativas que esperava impulsionar para restabelecer a paz no Líbano. Esta foi sua resposta: «Não vejo o interesse em recorrer à diplomacia se é para voltar ao status quo anterior entre Israel e o Líbano. Penso que seria um erro. O que estamos a ver é, de certa maneira, o começo das contracções do nascimento de um novo Meio Oriente e temos que estar seguros de que tudo o que façamos vá no sentido do novo Meio Oriente, não para o regresso ao anterior» .
Visto desde Washington, o que sucede actualmente no Líbano não tem nada que ver com o resgate dos soldados capturados por Hezbollah. Em realidade trata-se da aplicação da teoria, elaborada durante longo tempo, do «caos construtor». Segundo os adeptos do filósofo Leio Strauss, cujo ramo mediático é conhecida sob a denominaçom de «neoconservadores», o verdadeiro poder não se exerce numa situação de imobilidade senão, pelo contrário, mediante a destruição de toda forma de resistência. Só arrojando as massas ao caos podem aspirar as elites à estabilidade de sua própria posição
Os adeptos de Leio Strauss estimam também que unicamente no meio desta violência os interesses imperiais de Estados Unidos se confundem com os do Estado judeu. A vontade israelense de desmantelar o Líbano, de criar ali um mini-Estado cristão e de anexar-se uma parte do território libanês não é nova. Já foi enunciada, em 1957, por David Ben Gurion numa célebre carta publicada como documento anexo a suas memórias. O mais importante é que foi inserida num amplo projecto de colonização do Meio Oriente redigido em 1996 sob o seguinte título: Uma ruptura limpa: nova estratégia para garantir a segurança do reino [de Israel] . O documento estipulava:
a anulação dos acordos de paz de Oslo
a eliminação de Yaser Arafat
a anexom dos territórios palestinos
o derrubamento de Saddam Husein em Iraque para desestabilizar em corrente a Síria e o Líbano
o desmembramento de Iraque e a criação de um Estado palestino em território iraquiano
a utilização de Israel como base complementar do programa estadunidense de guerra das galáxias.
Este documento serviu de inspiração ao discurso pronunciado ao dia seguinte por Benjamim Netanyahu ante o Congresso estadunidense . Nele encontrámos todos os ingredientes da situação actual: ameaças contra Irão, Síria e o Hezbollah e, para arrematar, o reclamo de anexom do este de Jerusalém. Esse ponto de vista é similar ao da administração estadunidense. O controle das zonas ricas em hidrocarburos que Zbignew Brzezinki e Bernard Lewis chamavam «o arco crítico», ou seja o arco que vai do Golfo de Guiné ao Mar Cáspio passando pelo Golfo Pérsico, supõe uma redefiniçom de fronteiras, de Estados e de regimes políticos, em outras palavras: uma «remodelaçom do Grande Meio Oriente», segundo a fórmula empregada por George W. Bush.
Esse é o novo Meio Oriente do que Condoleezza Encrespe pretende ser a parteira o olhando nascer no meio da dor.
A ideia é singela: substituir os Estados herdados do derrube do Império Otomano por entidades mais pequenas de carácter monoétnico e neutralizar esses mini-Estados lançando-os constantemente uns com outros. Dito de outra forma, trata-se de voltar aos acordos aos que chegaram em segredo, em 1916, o império francês e o britânico (os chamados Acordos Sykes-Picot e de consagrar o domínio total dos anglo-sajones sobre a região. Mas, para estabelecer novos Estados o primeiro é destruir os que já existem. E isso é o que a administração Bush e seus aliados estão a fazer desde faz cinco anos com entusiasmo digno de um aprendiz de mago. Se não estão convencidos, vejamos os resultados:
À Palestina ocupada se lhe amputo o 7% de seu território; a faixa de Gaza e Cisjordânia estão separadas fisicamente pela construção de um muro; a Autoridade Nacional Palestina foi reduzida a ruínas e seus ministros e deputados foram sequestrados e encarcerados.
A ONU conminó ao Líbano a desarmar-se expulsando às forças sírias e dissolvendo o Hezbollah; o antigo premiêr Rafic Hariri foi assassinado e com ele desapareceu a influência de França; a infra-estrutura económica do país foi devastada; mais de 500 000 novos refugiados vagam pela região.
Em Iraque, a ditadura de Saddam Husein foi substituída por um regime ainda mais cruel que deixa mais de 3 000 morridos ao mês; sumido na anarquia, o país está pronto para seu desmembramento em três entidades separadas.
O seudoemirato talibám foi substituído por uma pseudodemocracia que segue impondo a interpretação mais obscurantista da sharia, à que se agregou como novo elemento o cultivo da adormidera. De fato, Afeganistão já se encontra dividido entre os chamados «senhores da guerra» e os combates se generalizam. A governação central renunciou a impor sua autoridade, inclusive na capital.
Em Washington, os discípulos de Leio Strauss, cada vez mais impacientes, sonham com estender o caos a Sudão, Síria e Irão. Para esse período de transição não se fala nem sequer de «democracia de mercado» senão unicamente de sangue e lágrimas. Jacques Chirac, que tinha a intenção de intervir no Líbano para defender os últimos interesses de França nesse país e que enviou ali a seu premiê Dominique de Villepin, teve que acordar de seu sonho. Durante a cimeira do G8, em San Petersburgo, George W. Bush proibiu-lhe fazê-lo dizendo-lhe que não se tratava de uma operação israelense que goza do apoio de Estados Unidos senão de uma operação estadunidense executada por Israel.
Após isso, a Dominique de Villepin não lhe ficou mais remédio que se limitar a lhes servir a seus interlocutores de Beirute umas quantas declarações verbais e expressar sua impotência.
Para ser mais precisos ainda, o plano de destruição do Líbano foi submetido pelo exército israelense à administração Bush faz já pouco mais de um ano, como revelou o San Francisco Chronicle . Esse plano foi objecto de discussões políticas, o 17 e o 18 de junho de 2006 em Beaver Creek, durante o Foro Mundial que o American Enterprise Institute organiza todos os anos. Benjamim Netanyahu e Dick Cheney discutiram-no amplamente junto a Richard Perle e Nathan Sharansky. A Casa Branca deu-lhe luz verde nos dias subseguintes.
As operações militares do exército israelense são supervisionadas pelo Departamento de Defesa de Estados Unidos. Este último determina os aspectos estratégicos essenciais e escolhe os alvos. O papel principal desempenha-o o geral Bantz Craddock como comandante do South Command. Craddock é um especialista em movimento de forças blindadas, como o demonstrou durante a operação Tormenta do Deserto e sobretudo como comandante das forças terrestres da OTAN em Kosovo. É um homem de confiança de Donald Rumsfeld, cujo estado maior pessoal dirigiu e por ordem de quem desenvolveu o campo de concentração de Guantánamo. Em novembro próximo, o general Craddock será nomeado comandante do European Command da OTAN, cargo que permitir-lhe-á dirigir a força de interposiçom que a OTAN poderia despregar no sul do Líbano, além das forças da OTAN que já se encontram em Afeganistão e Sudão.
Os generais israelenses e estadunidenses conhecem-se mutuamente, desde faz uma trintena de anos, graças aos intercâmbios que organiza entre eles o Instituto Judeu para os Assuntos de Segurança Nacional (Jewish Institute for National Security Affairs - JINSA), associação que impõe a seus quadros a participação em seminários de estudo sobre o pensamento de Leio Strauss.

07-08-2006

Link permanente 23:22:58, por José Alberte Email , 1470 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Ensaio

Seguem com o programa de exterminio

Os neoconservadores e a política do «caos construtor»

por Thierry Meyssan

Washington e Tel Aviv regozijam-se pelas operações militares em marcha no Meio Oriente. Segundo declarações de Condoleezza Encrespe, a dor do Líbano é causado pelas «contracções do nascimento de um novo Meio Oriente». Os teóricos do «caos construtor» estimam que tem que correr o sangue para conseguir impor um novo ordem numa região rica em hidrocarburos. Planificada desde faz muito, a ofensiva do exército israelense contra o Líbano está a ser supervisionada desde o Departamento de Defesa de Estados Unidos.

O termo de «Grande Meio Oriente» é uma frase que foi utilizada por George W. Bush para designar um controle geopolítico de um vasto território horizontal, que vai desde Marrocos até Afeganistão.

Durante seu encontro do 21 de julho de 2006 com a imprensa no Departamento de Estado, Condoleezza Encrespe foi interrogada sobre as iniciativas que esperava impulsionar para restabelecer a paz no Líbano. Esta foi sua resposta: «Não vejo o interesse em recorrer à diplomacia se é para voltar ao status quo anterior entre Israel e o Líbano. Penso que seria um erro. O que estamos a ver é, de certa maneira, o começo das contracções do nascimento de um novo Meio Oriente e temos que estar seguros de que tudo o que façamos vá no sentido do novo Meio Oriente, não para o regresso ao anterior» .

Visto desde Washington, o que sucede actualmente no Líbano não tem nada que ver com o resgate dos soldados capturados por Hezbollah. Em realidade trata-se da aplicação da teoria, elaborada durante longo tempo, do «caos construtor». Segundo os adeptos do filósofo Leio Strauss, cujo ramo mediático é conhecida sob a denominaçom de «neoconservadores», o verdadeiro poder não se exerce numa situação de imobilidade senão, pelo contrário, mediante a destruição de toda forma de resistência. Só arrojando as massas ao caos podem aspirar as elites à estabilidade de sua própria posição

Os adeptos de Leio Strauss estimam também que unicamente no meio desta violência os interesses imperiais de Estados Unidos se confundem com os do Estado judeu. A vontade israelense de desmantelar o Líbano, de criar ali um mini-Estado cristão e de anexar-se uma parte do território libanês não é nova. Já foi enunciada, em 1957, por David Ben Gurion numa célebre carta publicada como documento anexo a suas memórias. O mais importante é que foi inserida num amplo projecto de colonização do Meio Oriente redigido em 1996 sob o seguinte título: Uma ruptura limpa: nova estratégia para garantir a segurança do reino [de Israel] . O documento estipulava:
a anulação dos acordos de paz de Oslo
a eliminação de Yaser Arafat
a anexom dos territórios palestinos
o derrubamento de Saddam Husein em Iraque para desestabilizar em corrente a Síria e o Líbano
o desmembramento de Iraque e a criação de um Estado palestino em território iraquiano
a utilização de Israel como base complementar do programa estadunidense de guerra das galáxias.

Este documento serviu de inspiração ao discurso pronunciado ao dia seguinte por Benjamim Netanyahu ante o Congresso estadunidense . Nele encontrámos todos os ingredientes da situação actual: ameaças contra Irão, Síria e o Hezbollah e, para arrematar, o reclamo de anexom do este de Jerusalém. Esse ponto de vista é similar ao da administração estadunidense. O controle das zonas ricas em hidrocarburos que Zbignew Brzezinki e Bernard Lewis chamavam «o arco crítico», ou seja o arco que vai do Golfo de Guiné ao Mar Cáspio passando pelo Golfo Pérsico, supõe uma redefiniçom de fronteiras, de Estados e de regimes políticos, em outras palavras: uma «remodelaçom do Grande Meio Oriente», segundo a fórmula empregada por George W. Bush.

Esse é o novo Meio Oriente do que Condoleezza Encrespe pretende ser a parteira o olhando nascer no meio da dor.

A ideia é singela: substituir os Estados herdados do derrube do Império Otomano por entidades mais pequenas de carácter monoétnico e neutralizar esses mini-Estados lançando-os constantemente uns com outros. Dito de outra forma, trata-se de voltar aos acordos aos que chegaram em segredo, em 1916, o império francês e o britânico (os chamados Acordos Sykes-Picot e de consagrar o domínio total dos anglo-sajones sobre a região. Mas, para estabelecer novos Estados o primeiro é destruir os que já existem. E isso é o que a administração Bush e seus aliados estão a fazer desde faz cinco anos com entusiasmo digno de um aprendiz de mago. Se não estão convencidos, vejamos os resultados:

À Palestina ocupada se lhe amputo o 7% de seu território; a faixa de Gaza e Cisjordânia estão separadas fisicamente pela construção de um muro; a Autoridade Nacional Palestina foi reduzida a ruínas e seus ministros e deputados foram sequestrados e encarcerados.
A ONU conminó ao Líbano a desarmar-se expulsando às forças sírias e dissolvendo o Hezbollah; o antigo premiêr Rafic Hariri foi assassinado e com ele desapareceu a influência de França; a infra-estrutura económica do país foi devastada; mais de 500 000 novos refugiados vagam pela região.
Em Iraque, a ditadura de Saddam Husein foi substituída por um regime ainda mais cruel que deixa mais de 3 000 morridos ao mês; sumido na anarquia, o país está pronto para seu desmembramento em três entidades separadas.
O seudoemirato talibám foi substituído por uma pseudodemocracia que segue impondo a interpretação mais obscurantista da sharia, à que se agregou como novo elemento o cultivo da adormidera. De fato, Afeganistão já se encontra dividido entre os chamados «senhores da guerra» e os combates se generalizam. A governação central renunciou a impor sua autoridade, inclusive na capital.

Em Washington, os discípulos de Leio Strauss, cada vez mais impacientes, sonham com estender o caos a Sudão, Síria e Irão. Para esse período de transição não se fala nem sequer de «democracia de mercado» senão unicamente de sangue e lágrimas. Jacques Chirac, que tinha a intenção de intervir no Líbano para defender os últimos interesses de França nesse país e que enviou ali a seu premiê Dominique de Villepin, teve que acordar de seu sonho. Durante a cimeira do G8, em San Petersburgo, George W. Bush proibiu-lhe fazê-lo dizendo-lhe que não se tratava de uma operação israelense que goza do apoio de Estados Unidos senão de uma operação estadunidense executada por Israel.

Após isso, a Dominique de Villepin não lhe ficou mais remédio que se limitar a lhes servir a seus interlocutores de Beirute umas quantas declarações verbais e expressar sua impotência.

Para ser mais precisos ainda, o plano de destruição do Líbano foi submetido pelo exército israelense à administração Bush faz já pouco mais de um ano, como revelou o San Francisco Chronicle . Esse plano foi objecto de discussões políticas, o 17 e o 18 de junho de 2006 em Beaver Creek, durante o Foro Mundial que o American Enterprise Institute organiza todos os anos. Benjamim Netanyahu e Dick Cheney discutiram-no amplamente junto a Richard Perle e Nathan Sharansky. A Casa Branca deu-lhe luz verde nos dias subseguintes.

As operações militares do exército israelense são supervisionadas pelo Departamento de Defesa de Estados Unidos. Este último determina os aspectos estratégicos essenciais e escolhe os alvos. O papel principal desempenha-o o geral Bantz Craddock como comandante do South Command. Craddock é um especialista em movimento de forças blindadas, como o demonstrou durante a operação Tormenta do Deserto e sobretudo como comandante das forças terrestres da OTAN em Kosovo. É um homem de confiança de Donald Rumsfeld, cujo estado maior pessoal dirigiu e por ordem de quem desenvolveu o campo de concentração de Guantánamo. Em novembro próximo, o general Craddock será nomeado comandante do European Command da OTAN, cargo que permitir-lhe-á dirigir a força de interposiçom que a OTAN poderia despregar no sul do Líbano, além das forças da OTAN que já se encontram em Afeganistão e Sudão.

Os generais israelenses e estadunidenses conhecem-se mutuamente, desde faz uma trintena de anos, graças aos intercâmbios que organiza entre eles o Instituto Judeu para os Assuntos de Segurança Nacional (Jewish Institute for National Security Affairs - JINSA), associação que impõe a seus quadros a participação em seminários de estudo sobre o pensamento de Leio Strauss.

Link permanente 19:23:41, por José Alberte Email , 397 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Dezires

Declaração de intelectuais sobre a Palestina e o Líbano

por Arundhati Roy, Tariq Ali, Noam Chomsky,
Eduardo Galeano, Howard Zinn, Ken Loach, John Berger

O assalto israelense apoiado pelos EUA ao Líbano deixou o país paralisado, a arder e colérico. O massacre em Qana e a perda de vidas não é simplesmente "desproporcionada". Trata-se, de acordo com o direito internacional em vigor, de um crime de guerra.

A deliberada e sistemática destruição da infraestrutura social do Líbano pela força aérea israelense também foi um crime de guerra, concebido para reduzir aquele país ao status de um protectorado israelense-americano.

Esta tentativa foi contraproducente, enquanto os povos de todo o mundo observavam horrorizados. No próprio Líbano, 87 por cento da população agora apoia a resistência do Hezbollah, incluindo 80 por cento de cristãos e druzos e 89 por cento de muçulmanos sunitas, ao passo que 8 por cento acreditam que os EUA apoiam o Líbano.

Mas estas acções não serão julgadas por qualquer tribunal constituído pela "comunidade internacional" uma vez que os Estados Unidos e os seus aliados que os cometem ou são cúmplices nestes crimes pavorosos não o permitirão.

Agora ficou claro que o assalto ao Líbano para exterminar o Hezbollah fora preparado há muito. Aos crimes de Israel foi dado um sinal verde pelos Estados Unidos e pelo seu sempre leal aliado britânico, apesar da esmagadora oposição a Blair no seu próprio país.

A curta paz que o Líbano desfrutou chegou ao fim e um país paralisado é forçado a recordar um passado que ele tinha esperança de esquecer. O terrorismo de estado infligido ao Líbano está a ser repetido no gueto de Gaza, enquanto a "comunidade internacional" espera e observa em silêncio. Enquanto isso, o resto da Palestina é anexada e desmantelada com a participação directa dos Estados Unidos e a aprovação tácita dos seus aliados.

Exprimimos a nossa solidariedade e apoio às vítimas desta brutalidade e àqueles que armam uma resistência contra ela. Da nossa parte, utilizaremos todos o meios ao nosso dispor para expor a cumplicidade dos nossos governos nestes crimes. Não haverá paz no Médio Oriente enquanto continuarem as ocupações da Palestina e do Iraque e os bombardeamentos temporariamente "suspensos" do Líbano.

04/Agosto/2006

Link permanente 01:23:44, por José Alberte Email , 233 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas

Definitivo

Nom chores, nada vale umha soa bágua
do teu coraçom,
agarima-te aos quentes sonhos do vinho,
deixa-te levar por ele,
arrastará longe de ti todas as mágoas;
fumos abandonados
no mesmo instante do nosso nascimento,
geárom o nosso coraçom
com mentiras e fábulas.
Nom chores, nom merece umha soa bágua
do teu coraçom,
o que somentes som frios espelhos
quebrados pola geada,
bota de ti, a tua própria imagem;
toda a sabedoria
nom te poderá livrar
de ser um sonho roto nos cantis da noite.
Nom chores, nada vale umha soa bágua
do teu coraçom,
afoga o teu pranto com o doce
murmúrio
no que te alaga um corpo de mulher,
ela é o profundo cálix
donde bebemos os momentos dos deuses
depois
embriaga-te e cala.

Nada vale o que vale umha boa queca,
mete-o na cabeça, irmão,
nada.
Nem presidente, nem banqueiro, nem doutor,
vale o que vale umha boa queca,
nom demandes ao céu, nada vira de ai,
enrestia-te com um ardente corpo de mulher
acharás o bing bang do universo
Escuita e nom esqueças,
nom goldraches a tua vida
em que os demais te considerem respeitável,
bebe-a em grolos de beijos e vinhos com a tua amante
Nada vale o que vale umha boa queca,
mete-o na cabeça, irmão,
nada.

06-08-2006

Link permanente 23:43:42, por José Alberte Email , 233 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas, Palavra

Sempre nom tem que ser ensaio

Nom chores, nada vale umha soa bágua
do teu coraçom,
agarima-te aos quentes sonhos do vinho,
deixa-te levar por ele,
arrastará longe de ti todas as mágoas;
fumos abandonados
no mesmo instante do nosso nascimento,
geárom o nosso coraçom
com mentiras e fábulas.
Nom chores, nom merece umha soa bágua
do teu coraçom,
o que somentes som frios espelhos
quebrados pola geada,
bota de ti, a tua própria imagem;
toda a sabedoria
nom te poderá ceivar
de ser um sonho roto nos cantis da noite.
Nom chores, nada vale umha soa bágua
do teu coraçom,
afoga o teu pranto com o doce
murmúrio
no que te alaga um corpo de mulher,
ela é o profundo cálix
donde bebemos os momentos dos deuses
depois
embriaga-te e cala.

Nada vale o que vale umha boa queca,
mete-o na cabeça, irmão,
nada.
Nem presidente, nem banqueiro, nem doutor,
vale o que vale umha boa queca,
nom demandes ao céu, nada vira de ai,
enrestia-te com um ardente corpo de mulher
acharás o bing bang do universo
Escuita e nom esqueças,
nom goldraches a tua vida
em que os demais te considerem respeitável,
bebe-a em grolos de beijos e vinhos com a tua amante
Nada vale o que vale umha boa queca,
mete-o na cabeça, irmão,
nada.

Link permanente 18:01:15, por José Alberte Email , 233 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas, Palavra

Nom sempre vai ser pensamento

Nom chores, nada vale umha soa bágua
do teu coraçom,
agarima-te nos quentes sonhos do vinho,
deixa-te levar por ele,
arrastará longe de ti todas as mágoas;
fumos abandonados
no mesmo instante do nosso nascimento,
geárom o nosso coraçom
com mentiras e fábulas.

Nom chores, nom merece umha soa bágua
do teu coraçom,
o que somentes som frios espelhos
quebrados pola geada,
bota de ti, a tua própria imagem;
toda a sabedoria
nom te poderá ceivar
de ser um sonho roto nos cantis da noite.

Nom chores, nada vale umha soa bágua
do teu coraçom,
afoga o teu pranto com o doce
murmúrio
no que te alaga um corpo de mulher,
ela é o profundo cálix
donde bebemos os momentos dos deuses
depois
embriaga-te e cala.

Nada vale o que vale umha boa queca,
mete-o na cabeça, irmão,
nada.

Nem presidente, nem banqueiro, nem doutor,
vale o que vale umha boa queca,
nom demandes ao céu, nada vira de ai,
enrestia-te com um ardente corpo de mulher
acharás o bing bang do universo

Escuita e nom esqueças,
nom goldraches a tua vida
em que os demais te considerem respeitável,
bebe-a em grolos de beijos e vinhos com a tua amante

Nada vale o que vale umha boa queca,
mete-o na cabeça, irmão,
nada.

04-08-2006

Link permanente 20:14:32, por José Alberte Email , 953 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Ensaio

Fazem falta mais greves selvagens

Felipe Romero

Noção básica número 1 sobre o movimento operário: os trabalhadores sentem e padecem.

Dizia o tio Karl (Marx) algo óbvio. Em frente a outros factores necessários na produção (factores que o capital adquiria ou requeria, como o capital financeiro, o capital cristalizado em maquinaria ou matérias primas), o factor humano (ou capital humano) se caracterizava por sua capacidade emocional e cognitiva. É o único factor, o único elemento da equação produtiva que dispõe de capacidade emocional e, com isso, capacidade de desobediência. Capacidade de desobedecer no momento, no instante, quando se sente traído, quando se sente ameaçado. Se você ameaça com pôr a dois mil pessoas na rua, de ameaçar seu futuro, suas condições de vida, as de seus filhos e seus familiares, quiçá se queixem.

Noção básica número 2 sobre o movimento operário: o invisível deve fazer-se visível.

À ameaça de despedido, resposta de desobediência. Capital convulso, capital improdutivo. E sozinho convulsões ao capital se consegues:

a) Fazer visível suas bases. Onde se encontram os viajantes e suas malas? Ao início e ao final. Enquanto, percorrem terminais cheios de lojas, repletas de comércios e vendedores uniformados. Detrás, num espaço indeterminado, estarão quem movem suas malas, ocultos, desaparecidos. Só há breves cruzes com o viajante: quanto este vê desde a janela como cai sua mala, quando a vê aparecer na fita transportadora. O que não verá é ao factor trabalho que leva a cabo essa tarefa. Na greve, a mala, esse objecto que desaparece num processo desconhecido, toma protagonismo. A mão de obra é ainda real no handling: até o nome trata de escurecer a realidade do factor trabalho. A greve demonstra-nos que estão aí, os meios já então os mostram. Recorda você ter visto imagens do factor trabalho na inauguraçom do T4 de Baralhas? Não, terá visto pistas, estruturas arquitectónicas, radares, fitas transportadoras, etc., mas não terá visto mãos, não terá visto o handling.

b) Paralisá-lo: o capital é capital em movimento. Parado, são coisas: aviões, malas, mercadorias. Em circulação é benefício.

O não visível não é respeitado. O que não paralisa, não incomoda.

Noção básica número 3 sobre o movimento operário: primeiro trabalhadores, depois cidadãos.

Na cidade da cidadania, a religião progressista que garante a obediência sumisa como rasgo de imagem da Barcelona cosmopolita, o invisível toma corpo, toma a pista. Na cidade que assiste à greve mais longa de sua história como se nada passasse, na Catalunha que se centra em suas identidades enquanto se produz uma razia da dissidência numa de suas indústrias de referência, tratam de centrar nossa atenção em quem perdem um voo em lugar de em quem perdem um futuro. A cidadania não é civismo, é ter direitos: o primeiro, a desobedecer.

Noção básica número 4 sobre o movimento operário: primeiro trabalhadores, depois sindicalistas.

Na investigação social e de mercados, tende a se diferenciar entre metodologias quantitativas e qualitativas. No segundo caso, as ferramentas mais habituais são a entrevista em profundidade e o grupo de discussão. No primeiro caso, a teoria diz que o indivíduo fala conforme a sua posição no grupo social ao que pertence. No grupo de discussão, fala conforme ao que "deve se dizer" num meio compartilhado com iguais, ao mesmo tempo que é capaz de apresentar, de assinalar, os desejos próprios desses iguais: dito de alguma forma, pode apresentar as utopias associadas ao discurso social próprio do grupo ao que pertencem. Por exemplo, um grupo de mães trabalhadoras dentre 30 e 40 anos de classe média dirá o que "deve se dizer" sobre a maternidade, sobre a dificuldade de conciliar vida familiar e trabalhista, e projectará seu desejo de superar as contradições. O publicista habilidoso encontrará o modo de transmitir que determinado alimento precozinado permite acercar a utopia dessa conciliaçom. No entanto, a ferramenta mais potente é a assembleia: aqui não se pesquisa à sociedade, senão que se observa à sociedade em movimento. Enquanto no grupo de discussão os participantes podem expressar seu desejo mas não o levar a cabo (foram convocados para um intervalo de tempo determinado e não se conhecem entre si) na assembleia os participantes provem de um espaço comum e sua relação manter-se-á no tempo: são capazes por tanto de converter seu desejo em acção (por isso empresários e sindicatos desconfiam particularmente das assembleias). Nesse sentido diz-se que são constituintes, por ter a capacidade de mudar o ordem estabelecido até o momento conforme ao desejo dos participantes.

Levado ao âmbito do trabalho, a assembleia, por sua própria dinâmica, é o espaço onde a produção do desejo (própria do grupo de discussão) avança para sua própria consecuçom (rasgo da assembleia, onde os corpos presentes se dotam a si mesmos de capacidade decisória). É o pânico do sindicato, concebido como mecanismo de representação, responsável de si e de seus representados, esse "agente social" que dá estabilidade e limita a expressão do desejo

. Noção básica número 5 sobre o movimento operário: fazem falta mais greves selvagens.

Se o trabalho sente e padece, se tem direitos, se o capital sozinho se ressente quando o factor trabalho o paralisa e se faz visível, se os sindicatos são algo diferente a ferramentas para satisfazer o desejo dos trabalhadores,...., fazem falta mais greves selvagens.

02-08-2006

Link permanente 23:36:16, por José Alberte Email , 1221 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Ensaio

SIONISMO, GUERRAS, E PETRÓLEO

Por Alfredo Jalife Rahme
La Jornada
O oleoduto Baku-Tiflis-Ceyhan, dominado por British Petroleum (BP) com 30.1 por cento das acções (não diz que BP se encontra sob a férula da célebre dinastia dos banqueiros hebreus, os Rothschild), "mudou em forma dramática a geo-política na costa oriental do mar Mediterráneo
O solvente director de Réseau Voltaire (25-07-06), Thierry Meyssan, judeu francês muito crítico dos militares de Israel, afirma que a "ofensiva do exército israelense contra Líbano, planificada desde faz muito, é supervisionada pelo Pentágono". Abunda sobre o "caos construtivo" dos "neoconservadores adeptos de Leio Strauss", cujas teorias permitem que "se enredem os interesses imperiais de Estados Unidos com o Estado judeu". Trata-se de um "operativo de EU executado por Israel".
As doutrinas seriadas Wolfowitz-Huntington-Netanyahu-Perle-Kristol-Bush-Halutz estão a ser implementadas pelas duplas Cheney-Rumsfeld em EU e Netanyahu-Olmert em Israel, em conjunçom com os centros ultra-radicais israelenses-estadunidenses IASPS-PNAC-AEI (por suas siglas em inglês; ver Sob a Lupa(*), 23-07-06). Em México, seus aliados são os antidemócratas e filoplutócratas Krauze (pai e filho, Enrique e León) e os meio-irmãos Gutman (Rozental e Castañeda), quem se desvivem para entregar o petróleo, o água e o urânio às trasnacionais anglosajonas-israelenses mediante a presidência espúria de Calderón.
A aplicação das seriadas doutrinas israelenses-estadounidenses vai de vento em popa como se observa nas cotações das acções petroleiras anglosajonas que romperam todos os recordes ao recente trimestre (Bloomberg, 27-07-06).
O célebre comentarista Ted Koppel afirma num editorial que "EU se encontra já em guerra contra Irão", mas que "pelo momento a batalha se livra por conduto de sub-rogados" (New York Times, 22-07-06).
Marwan Hamadeh, ministro do que fica das telecomunicações em Líbano, aseveró que a ofensiva de Israel constituía uma "guerra por procuraçom" de EU contra Irã (An-Nahar, 29-07-06). Já vimos que parte da guerra global em processo comporta como corolario as "guerras do água", que compreendem a captura do rio Litani pelo Estado hebreu (ver Sob a Lupa, 26-07-06), bem como os rios vitais de Iraque e Síria.
Michel Chossudovsky (MC) , feroz economista canadense do Centro de Investigação da Globalização (globalresearch. com, 26-07-06), vincula a guerra israelense em Líbano com "a batalha pelo petróleo", em específico, com a recente inauguração o passado 13 de julho (em vésperas dos cruéis bombardeios hebreus) do oleoduto anglosajón Baku-Tiflis-Ceyhan (BTC), "principal oleoduto estratégico do mundo que canalizará mais de um milhão de barris ao dia aos mercados ocidentais". Comenta que à "recepção em Istambul para festejar a inauguração do oleoduto BTC assistiu Binyamin Ben-Eliezer, ministro de Energia e Infra-estrutura israelense, acompanhado de altos servidores públicos da governação Olmert, além do presidente anfitrião de Turquia, Ahmet Necdet Sezer, e os presidentes das principais trasnacionais petroleiras anglosajonas".
Destaca a colaboração militar de Israel com as governações de Turquia, Azerbaiyán e Georgia (estes dois últimos os cataloga de "protectorados de EU" mediante sua incorporação à OTAN): o Estado hebreu "possui interesses accionários nos depósitos petroleiros de Azerbaiyán, de onde importa quase 20 por cento, pelo que a abertura do oleoduto BTC melhorará em forma substancial as importações de Israel do mar Cáspio"; agrega que "outra dimensão que está relacionada à guerra em Líbano, onde Rússia foi debilitada", tem que ver com o "relevante papel estratégico que jogará Israel para 'proteger' o transporte e os corredores do oleoduto na costa oriental do mar Mediterráneo desde o porto turco de Ceyhan".
O oleoduto BTC, dominado por British Petroleum (BP) com 30.1 por cento das acções (não diz que BP se encontra sob a férula da célebre dinastia dos banqueiros hebreus, os Rothschild), "mudou em forma dramática a geopolítica na costa oriental do mar Mediterráneo, que se encontra agora vinculado à conca do mar Cáspio através do corredor energético". O oleoduto submarino de Ceyhan "conectar-se-á ao porto israelense de Ashkelon para se fusionar ao sistema principal de oleodutos no mar Vermelho" (com o porto israelense de Eilat).
Fica claro que a depredadora tripleta anglosajona-israelense procura o controle do triángulo do mar Cáspio, o golfo Pérsico e o mar Vermelho. De ali a invasão de Etiópia, apoiada pela mesma tripleta, a Somália, no corno de África em frente ao mar Vermelho e ao golfo de Adén, bem como a próxima abertura da frente em Sudão, sob o pretexto da montagem hollywoodense da "ajuda humanitária" a Darfur, para controlar o rio Nilo desde suas fontes e sitiar pela retaguarda a Egipto. Resulta que a misantropia necrófila condensada na tripleta anglosajona-israelense, que desde o 11 de setembro de 2001 devastou quatro países (Afganistão, Palestina, Iraque e Líbano), se preocupa agora por "os direitos humanos, a liberdade e a democracia" das tribos de Darfur.
Cita uma notícia, que mais bem parece aviso oportuno de The Jerusalem Post (porta-voz dos neomoabitas, neoconservadores straussianos), de faz quatro meses sobre quatro aquedutos, oleodutos e gasoductos submarinos de 400 quilómetros de extensão que "evitarão a costa de Síria e Líbano, para transportar água, electricidade, gás natural e petróleo"; este último "para ser exportado ao Longínquo Oriente". A onde? Não o di, mas nós podemos enriquecer sua teoria: a Índia, com quem em forma expedita e em pleno bombardeio de Líbano (aprovado por EU e Canadá, e calado por Fox, fantoche de Baby Bush, mais ocupado em defender os desfalcos de seus filhastros, os Bribiesca, que a condenar a catástrofe humanitária em Líbano perpetrada por seus sócios comerciais), a Câmara de Representantes aprovou o 26 de julho a colaboração energética do regime bushiano com Nova Delhi, a qual socava a contraproliferaçom e que com justa razão foi criticada por China (Stratfor, 28 e 29-07-06).
Graças às "guerras multidimensionais" da tripleta anglosajona-israelense, os oleodutos, gasoductos e aquedutos dariam uma grande volta desde o mar Cáspio para se conectar ao mar Vermelho e depois vincular-se ao mar Arábigo com Índia, passando pelo golfo de Adén na contigüidade onde se livra a guerra silenciosa entre Etiópia e Somália no corno de África.
A julgamento de MC, o esquema irredentista da tripleta anglosajona-israelense "tem a intenção de debilitar o papel energético de Rússia em Ásia central, impedir a conexão de China com os recursos energéticos, e isolar a Irão". Além do controle de Israel e Turquia das fontes dos rios Eufrates e Tigris em Anatolia, que afectariam a Síria e a Iraque, "o objectivo de Israel é abrir um corredor energético desde a fronteira com Líbano, passando por Síria, até Turquia". Não o di, mas em tais circunstâncias a balcanizaçom e as limpezas étnicas de Líbano e Síria em vários estados teológicos ao longo da costa oriental do Mediterráneo voltam-se uma necessidade imperativa.
A próxima vez abordaremos a guerra de EU (e sua apéndice Israel) contra Irão pela supremacia nuclear no golfo Pérsico.

Link permanente 19:57:46, por José Alberte Email , 1221 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Ensaio

SIONISMO, GUERRAS, E PETRÓLEO


Por Alfredo Jalife Rahme A Jornada

O oleoduto Baku-Tiflis-Ceyhan, dominado por British Petroleum (BP) com 30.1 por cento das acções (não diz que BP se encontra sob a férula da célebre dinastia dos banqueiros hebreus, os Rothschild), "mudou em forma dramática a geo-política na costa oriental do mar Mediterráneo

O solvente director de Réseau Voltaire (25-07-06), Thierry Meyssan, judeu francês muito crítico dos militares de Israel, afirma que a "ofensiva do exército israelense contra Líbano, planificada desde faz muito, é supervisionada pelo Pentágono". Abunda sobre o "caos construtivo" dos "neoconservadores adeptos de Leio Strauss", cujas teorias permitem que "se enredem os interesses imperiais de Estados Unidos com o Estado judeu". Trata-se de um "operativo de EU executado por Israel".

As doutrinas seriadas Wolfowitz-Huntington-Netanyahu-Perle-Kristol-Bush-Halutz estão a ser implementadas pelas duplas Cheney-Rumsfeld em EU e Netanyahu-Olmert em Israel, em conjunçom com os centros ultra-radicais israelenses-estadunidenses IASPS-PNAC-AEI (por suas siglas em inglês; ver Sob a Lupa(*), 23-07-06). Em México, seus aliados são os antidemócratas e filoplutócratas Krauze (pai e filho, Enrique e León) e os meio-irmãos Gutman (Rozental e Castañeda), quem se desvivem para entregar o petróleo, o água e o urânio às trasnacionais anglosajonas-israelenses mediante a presidência espúria de Calderón.

A aplicação das seriadas doutrinas israelenses-estadounidenses vai de vento em popa como se observa nas cotações das acções petroleiras anglosajonas que romperam todos os recordes ao recente trimestre (Bloomberg, 27-07-06).

O célebre comentarista Ted Koppel afirma num editorial que "EU se encontra já em guerra contra Irão", mas que "pelo momento a batalha se livra por conduto de sub-rogados" (New York Times, 22-07-06).

Marwan Hamadeh, ministro do que fica das telecomunicações em Líbano, aseveró que a ofensiva de Israel constituía uma "guerra por procuraçom" de EU contra Irã (An-Nahar, 29-07-06). Já vimos que parte da guerra global em processo comporta como corolario as "guerras do água", que compreendem a captura do rio Litani pelo Estado hebreu (ver Sob a Lupa, 26-07-06), bem como os rios vitais de Iraque e Síria.

Michel Chossudovsky (MC) , feroz economista canadense do Centro de Investigação da Globalização (globalresearch. com, 26-07-06), vincula a guerra israelense em Líbano com "a batalha pelo petróleo", em específico, com a recente inauguração o passado 13 de julho (em vésperas dos cruéis bombardeios hebreus) do oleoduto anglosajón Baku-Tiflis-Ceyhan (BTC), "principal oleoduto estratégico do mundo que canalizará mais de um milhão de barris ao dia aos mercados ocidentais". Comenta que à "recepção em Istambul para festejar a inauguração do oleoduto BTC assistiu Binyamin Ben-Eliezer, ministro de Energia e Infra-estrutura israelense, acompanhado de altos servidores públicos da governação Olmert, além do presidente anfitrião de Turquia, Ahmet Necdet Sezer, e os presidentes das principais trasnacionais petroleiras anglosajonas".

Destaca a colaboração militar de Israel com as governações de Turquia, Azerbaiyán e Georgia (estes dois últimos os cataloga de "protectorados de EU" mediante sua incorporação à OTAN): o Estado hebreu "possui interesses accionários nos depósitos petroleiros de Azerbaiyán, de onde importa quase 20 por cento, pelo que a abertura do oleoduto BTC melhorará em forma substancial as importações de Israel do mar Cáspio"; agrega que "outra dimensão que está relacionada à guerra em Líbano, onde Rússia foi debilitada", tem que ver com o "relevante papel estratégico que jogará Israel para 'proteger' o transporte e os corredores do oleoduto na costa oriental do mar Mediterráneo desde o porto turco de Ceyhan".

O oleoduto BTC, dominado por British Petroleum (BP) com 30.1 por cento das acções (não diz que BP se encontra sob a férula da célebre dinastia dos banqueiros hebreus, os Rothschild), "mudou em forma dramática a geopolítica na costa oriental do mar Mediterráneo, que se encontra agora vinculado à conca do mar Cáspio através do corredor energético". O oleoduto submarino de Ceyhan "conectar-se-á ao porto israelense de Ashkelon para se fusionar ao sistema principal de oleodutos no mar Vermelho" (com o porto israelense de Eilat).

Fica claro que a depredadora tripleta anglosajona-israelense procura o controle do triángulo do mar Cáspio, o golfo Pérsico e o mar Vermelho. De ali a invasão de Etiópia, apoiada pela mesma tripleta, a Somália, no corno de África em frente ao mar Vermelho e ao golfo de Adén, bem como a próxima abertura da frente em Sudão, sob o pretexto da montagem hollywoodense da "ajuda humanitária" a Darfur, para controlar o rio Nilo desde suas fontes e sitiar pela retaguarda a Egipto. Resulta que a misantropia necrófila condensada na tripleta anglosajona-israelense, que desde o 11 de setembro de 2001 devastou quatro países (Afganistão, Palestina, Iraque e Líbano), se preocupa agora por "os direitos humanos, a liberdade e a democracia" das tribos de Darfur.

Cita uma notícia, que mais bem parece aviso oportuno de The Jerusalem Post (porta-voz dos neomoabitas, neoconservadores straussianos), de faz quatro meses sobre quatro aquedutos, oleodutos e gasoductos submarinos de 400 quilómetros de extensão que "evitarão a costa de Síria e Líbano, para transportar água, electricidade, gás natural e petróleo"; este último "para ser exportado ao Longínquo Oriente". A onde? Não o di, mas nós podemos enriquecer sua teoria: a Índia, com quem em forma expedita e em pleno bombardeio de Líbano (aprovado por EU e Canadá, e calado por Fox, fantoche de Baby Bush, mais ocupado em defender os desfalcos de seus filhastros, os Bribiesca, que a condenar a catástrofe humanitária em Líbano perpetrada por seus sócios comerciais), a Câmara de Representantes aprovou o 26 de julho a colaboração energética do regime bushiano com Nova Delhi, a qual socava a contraproliferaçom e que com justa razão foi criticada por China (Stratfor, 28 e 29-07-06).

Graças às "guerras multidimensionais" da tripleta anglosajona-israelense, os oleodutos, gasoductos e aquedutos dariam uma grande volta desde o mar Cáspio para se conectar ao mar Vermelho e depois vincular-se ao mar Arábigo com Índia, passando pelo golfo de Adén na contigüidade onde se livra a guerra silenciosa entre Etiópia e Somália no corno de África.

A julgamento de MC, o esquema irredentista da tripleta anglosajona-israelense "tem a intenção de debilitar o papel energético de Rússia em Ásia central, impedir a conexão de China com os recursos energéticos, e isolar a Irão". Além do controle de Israel e Turquia das fontes dos rios Eufrates e Tigris em Anatolia, que afectariam a Síria e a Iraque, "o objectivo de Israel é abrir um corredor energético desde a fronteira com Líbano, passando por Síria, até Turquia". Não o di, mas em tais circunstâncias a balcanizaçom e as limpezas étnicas de Líbano e Síria em vários estados teológicos ao longo da costa oriental do Mediterráneo voltam-se uma necessidade imperativa.

A próxima vez abordaremos a guerra de EU (e sua apéndice Israel) contra Irão pela supremacia nuclear no golfo Pérsico.

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