Obama já deu sinais de que pretende manter a política de concessões ao lobby sionista estadunidense

23-01-2009

  21:09:03, por Corral   , 802 palavras  
Categorias: Novas

Obama já deu sinais de que pretende manter a política de concessões ao lobby sionista estadunidense

Brasil de fato

Gaza é a prova dos nove de Barack Obama. Que estratégias o presidente eleito dos Estdos Unidos vai adotar sobre a ?questão palestina? e, mais precisamente, sobre o desafio representado pelo governo do Hamas, que conta com a provação da vasta maioria dos quase dois milhões de habitantes da miserável Faixa de Gaza? Manterá o apoio incondicional ao Estado agressor sionista, como fizeram os presidentes estadunidenses a partir de Ronald Reagan, nos anos 1980? Não é uma questão menor, muito ao contrário: a relação entre Estados Unidos, Israel e Autoridade Palestina configura o ponto nevrálgico da conjuntura mundial contemporânea, pois reflete, entre outras coisas, a política adotada por Washington para controlar os recursos energéticos do planeta (em particular, o petróleo).

Obama já deu sinais de que pretende manter a política de concessões ao lobby sionista estadunidense (representado, em particular, pelo Conselho de Relações Públicas Estados Unidos - Israel). Várias vezes, afirmou reconhecer Jerusalém como a capital una e indivisível de Israel, assim descartando liminarmente as reivindicações históricas e religiosas do povo árabe palestino. A nomeação de Hillary Clinton ao cargo de secretária de Estado é um claro aceno a Israel. Em 2006, quando Israel horrorizava a opinião pública mundial, ao lançar todo o seu poderio militar contra a população civil do sul do Líbano (como fez agora em Gaza), a mulher do ex-presidente Bill Clinton, então senadora, chegou a participar de passeatas em apoio ao ?direito de defesa? de Israel. O senador Joe Biden, vice de Obama, é conhecido por suas posições francamente sionistas (além der ter sido o autor, em 1999, de uma resolução que autorizava o ataque aéreo dos Estados Unidos ao Kossovo).

Mas a história não está escrita. Barack Obama foi eleito como resultado de uma grandiosa crise do capitalismo. Não será necessário, aqui, analisar detidamente a complexidade da crise, amplamente noticiada e comentada ao longo dos últimos meses. Seu governo será marcado pela transição de uma ordem instituída nas duas últimas décadas, conhecida como neoliberalismo, para uma nova ordem, cujos contornos ainda não estão delineados. Os Estados Unidos terão que enfrentar o funeral de seus sonhos hegemônicos. Obama será obrigado a negociar com outras potências capitalistas, ao contrário do que fizeram os facínoras neoconservadores que ocuparam a Casa Branca sob George Bush (que Deus o tenha). Isso tudo se refletirá, necessariamente, na política dos Estados Unidos para o Oriente Médio, pois todas as potências querem o seu petróleo. O jogo se tornará mais complexo.

Há, ainda, os aspectos ideológicos e culturais que a eleição de Obama mobilizou. Os eleitores estadunidenses deixaram bastante claro o seu anseio por mudança (lema principal da campanha de Obama). Não suportam mais a atmosfera opressiva do neoliberalismo, emoldurada pela demencial ?guerra ao terror?, fábrica permanente de um pânico artificialmente criado contra um suposto inimigo universal ? de preferência, identificado como árabe e/ou islâmico. O desemprego, a perplexidade de uma parte da classe média vitimada pela ganância dos banqueiros e especuladores, a sensação de decadência ? tudo contribuiu para criar um clima importante de agitação política e cultural nos Estados Unidos, como não se via desde as grandes mobilizações contra a Guerra do Vietnã. O governo Obama é um reflexo desse processo. O problema é saber como ele reagirá às expectativas nele depositadas, e a ?questão palestina? é um bom termômetro ? certamente o principal, em se tratando de análise da política externa dos Estados Unidos.

Se Obama se inclinar à ?esquerda?, rompendo com o establishment absolutamente reacionário que tomou conta de Washington nas duas últimas décadas, cumprirá com o seu programa de reformas sociais, atenderá às demandas de milhões de jovens, trabalhadores e desempregados e, nesse caso, imprimirá uma outra lógica à sua política externa, mais aberta às negociações e ao diálogo, incluindo os palestinos. Claro: não será nenhum Lênin, não é absolutamente disso que se trata, mas poderá abrir espaços para a luta política. Ou poderá, ao conatrário, agir como um John Kennedy da vida: comandou um governo com muito brilho e maquilagem, enquanto promoveu a fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos e a escalada da Guerra do Vietnã. Será, então, a frustração generalizada de todos os que nele depositaram o voto e a confiança.

Em nenhum outra região do planeta Obama será posto à prova de modo tão explícito, claro e direto: Gaza será sua prova dos nov

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