Língua proletária do meu povo

12-03-2009

  18:52:40, por Corral   , 220 palavras  
Categorias: Palavra

Língua proletária do meu povo

Língua proletária do meu povo
eu falo-a porque sí, porque gosto,
porque me peta e quero e dá-me a ganha
porque me sai de dentro, ali do fundo
dumha tristura aceda que me abrange
ao ver tantos patufos desleigados,
pequenos mequetrefes sem raízes
que ao pôr a gravata já nom sabem
afirmar-se no amor dos devanceiros,
falar a fala mae,
a fala dos avós que temos mortos,
e ser, com o rosto erguido,
marinheiros, labregos do linguagem
remo e arado, proa e relha sempre.

Eu falo-a porque sí, porque gosto
e quero estar com os meus, com a gente minha,
perto dos homens bons que sofrem longo
umha história contada noutra língua.

Nom falo pra os soberbos,
nom falo pra os ruins e poderosos
nom falo pra os finchados,
nom falo pra os estúpidos,
nom falo pra os valeiros,
que falo pra os que aguentam rejamente
mentiras e injustiças decote;
pra os que suam e choram
um pranto cotiám de bolboretas,
de lume e vento sobre os olhos nus.
Eu nom posso arredar as minhas verbas
de todos os que sofrem neste mundo.

E tu vives no mundo, terra minha,
berço da minha estirpe,
Galiza, doce mágoa das Hespanhas,
deitada rente ao mar, esse caminho...

Celso Emilio

Sem comentários ainda

Outubro 2020
Seg Ter Qua Qui Sex Sab Dom
 << <   > >>
      1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29 30 31  

Busca

  Feeds XML

Ferramentas de administração

powered by b2evolution free blog software