PODE OCORRER UM CONFLICTO INTERNACIONAL EM 2009? ANTECEDENTES HISTÓRICOS ( V)

14-03-2009

  13:09:09, por Corral   , 1510 palavras  
Categorias: Ensaio

PODE OCORRER UM CONFLICTO INTERNACIONAL EM 2009? ANTECEDENTES HISTÓRICOS ( V)

Frederic F. Clairmont
Global Research

O índice do Big Mac

Para compreender, a meu julgamento, por que nom pode ter umha soluçom amigável da guerra comercial e a rivalidade chinês estadunidense, convém dizer umhas poucas palavras sobre a natureza dos mercados de mudança de divisas estrangeiras. É onde se compra e vende dinheiro e é objecto de umha feroz especulaçom nos mercados internacionais. Nom devemos esquecer que o dinheiro é a mercadoria das mercadorias. É o Rei dos produtos básicos. O mercado no que se realizam essas transacçons monetárias é o mercado Forex.

Em umha linguagem muito esclarecedora, mas nom técnico, percebemos que o índice de The Economist se baseia na ideia da paridade e de poder de compra (PPP por suas siglas em inglês). Diz que as divisas deveriam ser comercializadas a umha taxa que faz que o preço dos bens seja o mesmo em todos os países. O Big Mac [hambúrguer] que custa 3,54 dólares em EE.UU. converte-se no parâmetro para medir se outra moeda está infra ou sobre valorizada.

Na China, o preço do Big Mac é de 1,83 dólares. É um mais 40% barato. Em Suíça (usamos tipos de mudança prevalecentes em umha data determinada) custa 5,75 dólares, isto é um mais 60%. É a prova elementar de sobrevaloraçom ou infravaloraçom. Daí a conclusom que sacamos ? (e repito que nom só é a base de comparaçom para medir disparidades de mudança de divisas estrangeiras, senom que é certamente a mais simples e a mais engenhosa) é que o renminbi ou yuan da China é um mais 40% elevado que o dólar, o que lhe outorga supostamente umha vantagem no comércio de exportaçom segundo o cálculo do Tesouro de EE.UU. O governo de EE.UU. já tem imposto impostos a China, e a acusa de manipulaçom cambial. Umha acusaçom que escutamos com cautela já que o governo de EE.UU. e todas suas actividades nunca têm sido custódios da moralidade.

O problema da vantagem competitiva da China vai, claro está, bem mais lá dos tipos de mudança. As taxas de salário dos operários nom som menos importantes. A taxa de salário na China para a manufactura é um 10% da de EE.UU. Mas nom nos encontramos só ante umha disparidade nos custos trabalhistas. Há que agregar que a productividade industrial da China tem sido notável.

China, como sabeis, está presente a todos os mercados mundiais e seu comércio exterior e investimento directo se dispararam na última década de um modo impressionante em Latinoamérica e África, na Austrália e em todos os mercados asiáticos, para nom falar da Rússia. Um sozinho exemplo confirma o que estou a dizer. O fundo de desenvolvimento económico chinês/venezuelano duplicar-se-á de 6.000 milhões de dólares a 12.000 milhões em só pouco mais de um ano. O papel da USCO, a UE e Japom, som de importância periférica em Venezuela. A conquista de mercados mundiais e de quota de mercado continua a velocidades incontidas. Os dez países capitalistas dominantes já estám em recessom. Que nom exista ambiguidade ao respeito. O objectivo dos planificadores políticos da China e seus capitalistas é o engrandecimento do mercado.


Dinâmica da sobreproduçom

Umha das características da actual deflaçom/estancamento, e nom exagero quando o digo, significa que há demasiados bens à procura de demasiados poucos compradores; demasiado dinheiro à procura de poucos investimentos lucrativos; demasiados operários a procura-a de poucos postos de trabalho; demasiados bancos a procura-a de poucos poupadores e depositantes empobrecidos, etc. É nom vale só para a actual queda cíclica do capitalismo senom se aplica a todas as facetas da crise. A essência da crise do capitalismo é a sobreproduçom. Ou a sobre-acumulaçom.

Que é a sobreproduçom? Quais som suas propriedades? Em que etapa do ciclo de acumulaçom do capital emerge? Qual é sua duraçom cíclica? Qual é seu papel no ciclo económico do capitalismo?
Milton Friedman, um dos principais propagandistas do fundamentalismo de livre mercado e um vulgar apólogo do capitalismo, o disse de modo sucinto quando jogou a um lado a panaceia da responsabilidade social por parte do capitalista: ?a única responsabilidade de umha companhia é aumentar os benefícios para os accionistas.? O capitalismo define a relaçom entre a classe possuidora/explotadora cujos rendimentos som ganhos, dividendos e rendas, e umha classe explotada sem propriedades cujos rendimentos som os salários.

Define a relaçom entre o opressor e o oprimido. Daí que o objectivo supremo do capitalismo, a sua alfa e sua omega, e a dos donos do capital, nom seja o fornecemento de bens e serviços aos trabalhadores que expolia. É um fenómeno superficial. É um fetichismo. O objectivo da acumulaçom de capital é expandir e assegurar umha massa de benefícios em contínuo aumento para umha classe de proprietários adinheirados. O objectivo supremo é o benefício e a maximizaçom dos benefícios. A sobreproduçom nom é portanto umha aberraçom do sistema senom é inerente ao seu jeito de operar. E isto data de começos da primeira Grande Depressom do capitalismo de 1873, como o assinalam os Comissionados Reais em seu relatório final em palavras que som grandemente relevantes ao crac de 1929 e a nosso desabamento actual:
?Pensamos que? a sobreproduçom tem sido umha das características mais destacadas do desenvolvimento do comércio durante os últimos anos; e que a depressom baixo a qual sofremos actualmente pode ser explicada parcialmente por este facto? A característica notável da situaçom actual, e a que a nosso julgamento a distingue de todos os anteriores períodos de depressom, é a quantidade de tempo que tem durado esta sobreproduçom? Estamos convencidos de que nos últimos anos, e mais particularmente nos anos durante os quais tem prevalecido a depressom do comércio, a produçom de bens em general, e a acumulaçom de capital neste país, têm estado ocorrendo a um ritmo mais rápida que o aumento de populaçom.?
A lucidez destas conclusons sublinha nom só a natureza, génesis e base lógica do ciclo económico que exploraremos em conferências subsequentes, senom seu relevância e afinidade com outras grandes depressons que têm devastado o capitalismo mundial como ser a Grande Depressom de 1929 e a actual depressom económica. É importante que se recordem as consequências dessa grande depressom que durou, com suas altas e baixas, até o começo dos anos noventa do Século XIX.

A emergência do monopólio e seus envolvimentos

O capitalismo e seu governo de classe som um sistema impulsionado pola concorrência. Vale para todas as fases de seu crescimento. O período de 1873 a 1914 que trouxe consigo as grandes matanças e presencio as mudanças estruturais do capitalismo desde sua fase competitiva à monopolista. A concorrência mata à concorrência. Ou, como o tem falado Marx, um capitalista mata a outro capitalista. A Grande depressom impulsionou a concentraçom e centralizaçom do capital que Marx tinha analisado com tanta penetraçom. Viu a ascensom dos trust e dos cartéis. Os nomes de Rockefeller, Buchanan ? o rei do fumo, Krupp, Vanderbilt, Morgan, Carnegie encarnárom a cara do capital.
Nom eram simplesmente os que o presidente Theodore Roosevelt qualificou de ?delinqüentes da Grande Riqueza.? Tratava-se da nova fase do capitalismo monopolista originado na concorrência acelerada dentro e entre Naçons-Estado, e a queda da taxa de benefício. Mais e mais concorrência conduziu ao excesso de capacidade e seu corolário de preços destructivos, umha queda nos preços por atacado e menor, descritiva da etapa deflacionaria. Isto abriu a procura beligerante de esferas privilegiadas de investimento e comércio exterior. O capitalismo monopolista alimentou o impulso para o imperialismo.
Esse período abriu as esclusas para o que George Bernard Shaw chamou, nos dias da Guerra Bóer, a era de ?Os comerciantes da morte.? Recordareis o que o presidente Eisenhower qualificou em seu discurso de despedida de Complexo Militar/Industrial e que gerou umha quantidade enorme de literatura. As fórmulas eram inovadoras mas nom sua substância. A realidade desse fenómeno esteve vigorosamente presente a sua forma concentrada nas décadas anteriores à Grande Guerra. Fabricantes de armas como Krupp e Siemens e Mercedes Benz na Alemanha, Vickers-Armstrong e Rolls Royce no Reino Unido, Creusot-Schneider na França e Mitsubishi no Japom simbolizaram os vínculos dos Comerciantes da Morte e do Poder Estatal. Quase um 70% de todas as peças de artilharia e projétis utilizados polo exército do Káiser, para nom falar do aço que se usou no em massa fortalecimento da Armada alemã desde 1890, foram produzidos por Krupp. A Casa de Krupp se emaranhou com os Hohenzollern através de laços de casal. Tal era o músculo da interconectividade matrimonial imperialista.

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