SOMÁLIA: MENTEM-NOS sobre os piratas

18-04-2009

  14:56:43, por Corral   , 759 palavras  
Categorias: Ensaio

SOMÁLIA: MENTEM-NOS sobre os piratas

Johann Hari
Global Research

Em 1991, caiu o governo de Somália, situado no Corno da África. Seus nove milhons de habitantes têm estado à beira de morrer de fame, desde entom ? e muitas das forças mais saqueadoras do mundo ocidental tenhem visto isto como umha estupenda oportunidade para roubar as provisons de comida do país e verter nossos resíduos nucleares nos seus mares.

Sim: resíduos nucleares. Assim que desapareceu o governo, chegavam misteriosamente navios europeus à costa de Somália, vertendo enormes barris no oceano. A populaçom da costa começava a enfermar. Ao princípio, padecérom estranhas erupçons, náusea, e nasceram meninos malformados. Entom, após o tsunami de 2005, centos destes barris vertidos e com fugas terminaram na orla. A gente começou a enfermar da radiaçom, e mais de 300 pessoas morrérom. Ahmedou Ould-Abdallah, o enviado de Naçons Unidas a Somália, declara: ?Alguém está a verter material nuclear aqui. Também há chumbo, e materiais pesados, tais como cádmio e mercúrio ? ou seja, de tudo.? Pode-se seguir o seu rastro até os hospitais e as fábricas europeus, e entrega-se à máfia italiana para que esta se desfaça disso da maneira menos custosa. Quando perguntei a Ould-Abdallah que faziam os governos italianos para combater isto, disse com um suspiro: ?Nada. Nem limpou-se, nem tem tido compensaçom nem prevençom.?

Ao mesmo tempo, outros navios europeus têm estado saqueando os mares de Somália de seu maior recurso: o marisco. Temos destruído nossas próprias existências de pesca por sobreexplotaçom ? e agora queremos as suas. Enormes palangreros roubam a cada ano mais de 300 milhons de dólares em atuns, camarons, lagostas, etc. ao internar-se ilegalmente nos mares nom protegidos de Somália. Os pescadores locais têm perdido de boas a primeiras sua sustento, e estám a morrer-se de fame. Mohammed Hussein, um pescador da cidade de Marka, a 100 quilómetros de Mogadishu, declarou a Reuters: ?Se nom se faz nada, cedo nom ficará pesca nas águas de nossa costa?.

Este é o contexto no que têm surgido os homens que nós chamamos ?piratas?. Todo mundo está de acordo em que eram pescadores correntes somalíes que primeiro tentaram dissuadir com lanchas velozes aos que vertiam resíduos desde os plangermos ou polo menos lhes cobrar um tributo. Chamam-se a se mesmos os Guarda-costas Voluntários de Somália ? e nom é difícil entender por que. Em decorrência de uma entrevista telefónica surrealista, um dos dirigentes piratas, Sugule Ali, disse que seu propósito era ?parar a pesca ilegal e vertidos em nossas águas... Nom nos consideramos bandidos dos mares. Os bandidos som aqueles que pescam, vertem resíduos e levam armas em nossos mares.? William Scott teria entendido estas palavras.
Mas os ?piratas? têm o apoio abrumador da populaçom local por algo. O lugar site de notícias independente somalí WardherNews pesquisou à populaçom local sobre sua opiniom do tema ? um 70 por cento ?apoiou a pirataria como forma de defesa nacional das águas territoriais do país?. Durante a Guerra de Independência dos Estados Unidos, George Washington e os pais fundadores pagaram a piratas para proteger as águas territoriais de seu país porque nom tinham marinha nem guarda-costas próprios. A maioria dos estadunidenses apoiaram-nos. É isto tom diferente?

Esperávamos que os somalíes famintos nos olhassem passivamente desde suas praias ou mares no meio de nossos resíduos nucleares enquanto roubávamos seus peixes para comer nos restaurantes de Londres, Paris e Roma? Nom actuamos quando se cometiam estes crimes - mas quando alguns pescadores responderam interrompendo o corredor de trânsito do 20 por cento do fornecimento de petróleo mundial, começamos a gritar sobre a ?maldade?. Se para valer queremos ocupar-nos da pirataria, precisamos erradicar sua causa ? nossos crimes ? dantes de mandar os canhoneiros para erradicar aos criminosos somalíes.

A guerra contra a pirataria, também esta de 2009, foi resumida por outro pirata que viveu e morreu no quarto século dantes de Cristo. Capturou-se-lhe e levou ante Alexandre Magno, que quis saber ?que queria dizer com guardar o mar?. O pirata sorriu e respondeu: ?O que quer dizer vostede com apoderar-se de toda a terra; mas como eu o faço com um barco insignificante, sou um ladrom, enquanto a vostede., que o faz com uma grande frota, o chamam imperador.? Uma vez mais, nossas grandes frotas imperiais navegam hoje - mas quem é o ladrom?

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