UMA INFÂMIA DO GOVERNO VENEZUELANO
O governo venezuelano, com autorização do Presidente Chávez, entregou dia 26 o jornalista colombiano-sueco Joaquín Pérez Becerra aos seus algozes do regime narco-fascista colombiano. A detenção de Pérez Becerra no aeroporto de Caracas, dia 23 de Abril, foi ilegal. E a sua extradição sumária para a Colômbia, sem qualquer processo, mais ilegal ainda. As autoridades venezuelanas nem sequer permitiram que se entrevistasse com advogados ou com o consul da Suécia, país onde vivia desde 1994 e cuja nacionalidade havia adquirido. Este acto indigno é uma capitulação vergonhosa do governo venezuelano e gera a suspeita de um conluio com os serviços secretos do estado colombiano. Ele vem na sequência de outros análogos realizados anteriormente.
Pérez Becerra é um sobrevivente do genocídio cometido contra a União Patriótica na década de 1980. Refugiado na Suécia, adquiriu a nacionalidade sueca e dirigia ali a agência de notícias ANNCOL. O seu único "crime" foi denunciar ao mundo os massacres do regime de Uribe e de Santos, as fossas comuns, os falsos positivos, o deslocamento de populações, o paramilitarismo e a violação sistemática dos Direitos Humanos por parte do Estado colombiano.
Outono de 2011: Orçamento/Títulos do Tesouro/Dólar, as três crises americanas que vão provocar a Enorme Ruptura do sistema económico, financeiro e monetário mundial
por GEAB [*]
Em 15 de Setembro de 2010, o GEAB nº 47 intitulava: "Primavera de 2011: Welcome to the United States of Austerity / Rumo ao enorme pânico do sistema económico e financeiro mundial". No entanto, no fim do Verão de 2010, a maior parte dos peritos considerava, por um lado, que o debate sobre o défice orçamental dos EUA permaneceria um simples objecto de discussões teóricas no seio da Beltway [1] ; por outro, que era impensável imaginar os Estados Unidos a lançarem-se numa política de austeridade uma vez que bastaria ao Fed continuar a imprimir dólares. Ora, como todos podem constatar desde há várias semanas, a Primavera de 2011 trouxe a austeridade aos Estados Unidos [2] , a primeira desde a Segunda Guerra Mundial, e o estabelecimento de um sistema global fundado na aptidão do motor americano a gerar sempre mais riqueza (real nos anos 1950-1970, depois cada vez mais virtual a partir desta data).
Nesta fase, o LEAP/E2020 está pois em condições de confirmar que a próxima etapa da crise será realmente a "Enorme ruptura do sistema económico, financeiro e monetário mundial"; e que esta ruptura acontecerá no Outono de 2011 [3] . As consequências monetárias, financeiras, económicas e geopolíticas desta "Enorme ruptura" serão de uma amplitude histórica e farão a crise do Outono de 2008 parecer aquilo que ela realmente foi: um simples detonador.
A crise no Japão [4] , as decisões chinesas e a crise das dívidas na Europa certamente desempenharão um papel nesta ruptura histórica. Em contrapartida, consideramos que a questão das dívidas públicas dos países periféricos da Eurolândia não é mais o factor de risco dominante na Europa, mas que é o Reino Unido que se encontra na posição do "doente da Europa" [5] . A zona Euro pôs em acção e continua a melhorar todos os dispositivos necessários para tratar destes problemas [6] . A gestão dos problemas grego, português, irlandês, ... será feita portanto de maneira organizada. Investidores privados deverão arcar com descontos (como antecipado pelo LEAP/E2020 antes do Verão de 2010) [7] mas isso não pertence à categoria dos riscos sistémicos, o que desagrada o Financial Times, o Wall Street Journal e peritos da Wall Street e da City que tentam a cada três meses refazer o "golpe" da crise da zona Euro do princípio de 2010 [8] .
Em contrapartida, o Reino Unido fracassou completamente na sua tentativa de "amputação orçamental preventiva" [9] . Com efeito, sob a pressão da rua e nomeadamente dos mais de 400 mil britânicos que enchiam as ruas de Londres em 26/02/2011 [10] , David Cameron viu-se obrigado a rever em baixa seu objectivo de redução das despesas de saúde (um ponto chave das suas reformas) [11] . Paralelamente, a aventura militar líbia obriga igualmente a rever seus objectivos de cortes orçamentais no Ministério da Defesa. Já havíamos indicados no último GEAB que as necessidades de financiamento público britânico continuavam a aumentar, sinal da ineficácia das medidas anunciadas cuja execução na realidade revela-se muito decepcionante [12] . O único resultado da política do tandem Cameron/Clegg [13] é por enquanto a recaída da economia britânica na recessão [14] e o risco evidente de implosão da coligação no poder na sequência do próximo referendo sobre a reforma eleitoral.
Neste GEAB nº 54, nossa equipe dedica-se pois a descrever os três factores-chave que determinam esta Enorme Ruptura global do Outono de 2011 e suas consequências. Paralelamente, nossos investigadores começaram a antecipar a evolução da operação militar franco-anglo-americana na Líbia que consideramos ser um poderoso acelerador do deslocamento geopolítico mundial e esclarece utilmente certas mudanças tectónicas agora em curso nas relações entre grandes potências mundiais. Além disso, no Índice GEAB $, desenvolvemos as nossas recomendações para enfrentar os perigosos trimestres que estão para vir.
Fundamentalmente, o processo que se desenrola sob os nossos olhos, e de que a entrada dos Estados Unidos numa era de austeridade [15] é uma simples expressão orçamental, não é senão a sequência do apuramento dos 30 milhões de milhões de activos fantasmas que invadiram o sistema económico e financeiro mundial no fim de 2007 [16] . Se cerca da metade deles havia desaparecido durante 2009, eles em parte ressuscitaram desde então pela vontade dos grandes bancos centrais mundial e em particular pela Reserva Federal dos EUA e suas "Facilidades quantitativas 1 e 2" ("Quantitative Easings 1 e 2"). Ora, nossa equipe estima que são 20 milhões de milhões destes activos-fantasmas que se vão desvanecer em fumo a partir do Outono de 2011, e de um modo muito brutal sob o efeito conjugado das três mega-crises estado-unidenses em gestação acelerada:
- A crise orçamental, ou como os Estados Unidos mergulham de bom grado ou à força nesta austeridade sem precedentes e vão com isso arrastar panos inteiros da economia e das finanças mundiais
- A crise dos Títulos do Tesouro dos EUA, ou como a Reserva Federal atinge o "fim do caminho" encetado em 1913 e terá de enfrentar a sua falência qualquer que seja a camuflagem contabilística escolhida
- A crise do dólar americano, ou como os sobressaltos da divisa dos EUA que vão caracterizar a travagem da Quantitative Easiang 2 no segundo trimestre de 2011 serão as premissas de uma desvalorização maciça (da ordem dos 30% em algumas semanas).
Bancos centrais, sistema bancário mundial, fundos de pensão, multinacionais, matérias-primas, população americana, economias da zona dólar e/ou dependentes das suas trocas com os Estados Unidos [17] , ... este é o conjunto dos operadores estruturalmente dependentes da economia dos EUA (de que o governo, o Fed e orçamento federal tornaram-se os componentes centrais), dos activos denominados em dólar ou das transacções comerciais em dólares que vão sofrer o choque frontal de 20 milhões de milhões de activos-fantasmas a pura e simplesmente desaparecerem dos seus balanços, das suas aplicações e provocando uma grande baixa nos seus rendimentos reais.
Em torno deste choque histórico do Outono de 2011, que marcará a afirmação definitiva das tendências fortes antecipadas por nossa equipe nos GEAB anteriores, as grandes categorias de activos vão experimentar grandes turbulências exigindo uma vigilância acrescida de todos os operadores preocupados com os seus investimentos e aplicações. Com efeito, esta tripla crise estado-unidense marcará a verdadeira saída do "mundo após 1945" que viu os Estados Unidos desempenharem o papel de Atlas e será portanto marcada por choques e réplicas múltiplas no decorrer dos trimestres que se seguirão.
Exemplo: o dólar pode experimentar a curto prazo efeitos que reforçam o seu valor em relação às principais divisas mundiais (nomeadamente se as taxas de juros dos EUA elevarem-se muito rapidamente após o fim da Quantitative Easing 2), mesmo que, ao cabo de seis meses, sua perda de valor de 30% (em relação ao seu valor actual) seja inelutável. Não podemos portanto senão repetir o conselho figura à cabeça das nossas recomendações desde o princípio dos nossos trabalhos sobre a crise: no quadro de uma crise global de amplitude histórica como esta que atravessamos, o único objectivo racional para os investidores e os poupadores não é ganhar mais, mas sim tentar perder o menos possível.
Isso vai ser particularmente verdadeiro para os próximos trimestres em que o ambiente especulativo vai-se tornar altamente imprevisível no curto prazo. Esta imprevisibilidade a curto prazo tem a ver nomeadamente com o facto de que as três crises americanas que desencadearão a Enorme Ruptura mundial do Outono não estão sincronizadas. Elas estão estreitamente correlacionadas mas não de maneira linear. E uma dentre elas, a crise orçamental, está directamente dependente de factores humanos muito influentes no calendário do seu desenrolar; ao passo que as duas outras (seja o que for que pensem aqueles que vêem nos responsáveis do Fed deuses ou diabos [18] ) doravante no essencial estão inscritas nas tendências fortes em que a acção dos dirigentes americanos tornou-se marginal [19] .
A crise orçamental, ou como os Estados Unidos mergulham de bom grado ou à força nesta austeridade sem precedente e vão arrastar vastos sectores da economia e das finanças mundiais.
Os números podem dar vertigens: "6 milhões de milhões de cortes orçamentais em dez anos" [20] , diz o republicano Ryan, "4 milhões de milhões em doze anos", replica o já candidato para 2012 Barack Obama [21] , "tudo isso está longe de ser suficiente" agrava uma das referências do Tea Parties, Ron Paul [22] . E de qualquer modo, sanciona o FMI, "os Estados Unidos não são críveis quando falam em reduzir seus défices" [23] . Esta observação inabitualmente brutal do FMI, tradicionalmente muito prudente nas suas críticas aos Estados Unidos, é particularmente justificada em relação ao psicodrama que, por causa de um punhado de dezenas de milhares de milhões de dólares, quase fechou o estado federal por falta de acordo entre os dois grandes partidos. Um cenário que vai igualmente reproduzir-se proximamente a propósito do tecto de endividamento federal.
O FMI não faz senão exprimir uma opinião amplamente partilhada pelos credores dos Estados Unidos: se por causa de algumas dezenas de milhares de milhões de dólares de redução dos défices o sistema político americano atinge um tal grau de paralisia, o que se vai passar quando nos próximos meses vão-se impor reduções de várias centenas de milhares de milhões de dólares por ano? A guerra civil? Esta é a opinião em todo caso do novo governador da Califórnia, Jerry Brown [24] , o qual considera que os Estados Unidos enfrentam uma crise de regime idêntica àquela que conduziu à Guerra de Secessão [25] .
O contexto portanto já não é de simples paralisia mas antes de uma confrontação geral entre duas visões do futuro do país. Quanto mais a data das próximas eleições presidenciais (Novembro de 2012) se aproximar, mais a confrontação entre os dois campos irá intensificar-se e desenrolar-se com desprezo para com todas as regras de boa conduta, incluindo a salvaguarda do interesse geral do país: "Os deus tornam loucos aqueles que eles querem perder" diz Ulisses na Odisseia. A cena política washingtoniana vai assemelhar-se cada vez mais a um hospital psiquiátrico [26] nos próximos meses, tornando cada vez mais provável, tornando cada vez mais provável "decisões aberrantes".
Se, para se tranquilizarem acerca do dólar dos Títulos do Tesouro, os peritos ocidentais repetem em uníssono que os chineses seriam loucos em se desembaraçarem destes activos o que não faria senão precipitar a queda de valor, é porque ainda não compreenderam que é de Washington e dos seus comportamentos erráticos que pode vir a decisão que precipitará esta queda. E Outubro de 2012, com a sua votação tradicional do orçamento anual, vai proporcionar o momento ideal para esta tragédia grega que, segundo nossa equipe, não terá happy end pois não é Hollywood e sim o resto do mundo que vai escrever o cenário seguinte.
Seja qual for o caso, por decisão política deliberada, por encerramento do governo federal ou por pressões externa irresistíveis [27] (taxa de juros, FMI + Eurolândia + BRIC [28] ), é certamente no Outono de 2011 que o orçamento federal dos EUA se vai contrair maciçamente pela primeira vez. O prosseguimento da recessão conjugado com o fim da Quantitative Easing 2 vai fazer subir as taxas de juros e portanto aumentar consideravelmente o serviço da dívida federal, num fundo de receitas fiscais em baixa [29] por causa da recaída numa recessão forte. A insolvência federal doravante está logo ali na esquina segundo Richard Fisher, o presidente da Reserva Federal de Dallas [30] .
A sequência no GEAB (para assinantes):
- a crise dos Títulos do Tesouro dos EUA, ou como a Reserva Federal atingiu o "fim do caminho" encetado em 1913 e deve enfrentar a sua falência seja qual for a camuflagem contabilística escolhida
- a crise do dólar americano, ou como os sobressaltos da divisa estado-unidenses que caracterizarão a travagem da Quantitative Easing 2 no segundo trimestre de 2011 serão as premissas de uma desvalorização maciça (da ordem dos 30% em algumas semanas).
Notas:
(1) Expressão americana que designa o núcleo político-administrativo de Washington, situado no interior da rodovia circular local, a Beltway.
(2) Desde machadadas nos orçamentos da acção internacional dos Estados Unidos até às reduções dos programas sociais, das organizações públicas e de categorias inteiras da população americana (latinos, pobres, estudantes, reformados, ...) vão ser a partir de agora duramente afectados pelo que ainda não é senão uma gota de água nos ajustamentos necessários. Os protestos populares começam com os estudantes à cabeça. Fontes: House of Representatives , 13/04/2011; Devex , 11/04/2011; HuffingtonPost , 13/04/2011; Foxnews , 14/04/2011; Foxbusiness , 12/04/2011
(3) O sistema bancário mundial (Europa inclusive), sempre sub-capitalizado e amplamente insolvente, é igualmente um dos elementos desta Enorme Ruptura do Outono de 2011.
(4) No GEAB nº 55, nossa equipe apresentará suas antecipações sobre a questão do nuclear no mundo, incluindo a utilização do método de antecipação política como ferramenta de tomada de decisão neste assunto.
(5) A amplitude da crise orçamental no Reino Unido é infinitamente mais grave do que contam os actuais dirigentes britânicos que contudo se jactam de ter um discurso da verdade. Há de facto dois meios de mentir a um povo: negar a existência de um problema (a posição do Labour de Gordon Brown) ou então não confessar senão uma parte da verdade (visivelmente a escolha do tandem Cameron/Clegg). Em ambos os casos, o problema não é resolvido. Fonte: Telegraph , 26/03/2011
(6) E, a partir de agora e do estabelecimento definitivo da Eurolândia como principal motor europeu aquando da cimeira de 11 de Março último, os quatro países que não participam no pacto "Eurolândia+" de estabilização financeira, ou seja, o Reino Unido, a Suécia, a Hungria e a República Checa, serão convidados a deixar a sala das cimeiras nas discussões sobre as questões financeiras e orçamentais ligadas ao pacto. O EUObserver de 29/03/2011 descreve o pânico que se apoderou das delegações destes quatro países cujos dirigentes desempenham o papel de brutamontes diante dos media e nos discursos destinados às suas respectivas opiniões públicas, mas que sabem muito bem que doravante estão encurralados num papel europeu de segunda classe.
(7) Font: Irish Times , 22/03/2011
(8) É preciso ler a respeito o artigo muito pertinente e muito divertido de Silvi Wadhwa, correspondente na Europa da CNBC, que ridiculariza o caricatural discurso anti-Eurolândia e anti-alemão dos seus colegas dos outros media anglo-saxões; e que recorda muito justamente que as diferenças de situações económicas são ainda mais importantes entre estados americanos do que no interior da Eurolândia e que os problemas de endividamento da Grécia ou de Portugal nada são quando comparados àqueles de um estado como a Califórnia. Fonte: CNBC , 12/04/2011
(9) Retornaremos mais especificamente ao caso britânico no GEAB nº 55, exactamente um ano após a vitória da coligação Conservadores/Liberais Democratas.
(10) Este protesto contra os cortes orçamentais constituiu a mais importante manifestação em Londres desde há mais de vinte ano e foi acompanhada de graves violência "anti-ricos" via ataques, por exemplo, contra o HSBC, o hotel Ritz ou a loja Fortnum & Mason. Como sublinhámos por diversas vezes no GEAB, é muitíssimo significativo constatar que esta manifestação histórica do Reino Unido praticamente não tenha se transformado em manchetes nos media, onde se tornou invisível 48 horas após o seu acontecimento. Quando milhares de cidadãos gregos ou portugueses se manifestam em Atenas ou em Lisboa, em contrapartida, temos direito a uma avalanche de imagens-choque e de comentários descrevendo países à beira do caos. Este "dois pesos e duas medidas" não devem enganar o observador lúcido. Por um lado, há graves dificuldades que doravante são geridas no seio de um conjunto poderoso, a Eurolândia; do outro, há grandes dificuldades que não conseguem mais ser geridas por um país completamente isolado. Acredite nos media ou então reflicta por si mesmo para adivinhar a sequência! Fonte: Guardian , 26/03/2011
(11) Fonte: Independent , 03/04/2011
(12) Além disso os mercados financeiros percebem e realmente já não acreditam na mensagem de austeridade marcial do governo britânico, arrastando de novo a libra esterlina numa espiral descendente. Fonte: CNBC , 12/04/2011
(13) Nick Clegg tornou-se o político mais odiado do Reino Unido por ter traído um a um quase todos os seus compromissos eleitorais. Fonte: Independent , 10/04/2011
(14) E empurrar as famílias britânicas para uma perda de poder de compra semelhante unicamente àquelas da crise do pós primeira guerra mundial, em 1921. Fonte: Telegraph , 11/04/2011
(15) Como fizeram os europeus desde 2010.
(16) Estimativa média feita pelo LEAP/E2020 em 2007/2008.
(17) Para além do comércio exterior tradicional, o gráfico abaixo mostra a amplitude da redução das transferências para os seus países de origem por parte dos trabalhadores emigrados nos Estados Unidos, devido à baixa do US dólar. Esta redução ainda vai ampliar-se mais a partir de Outono de 2011.
(18) No Estados Unidos, hoje é a visão diabólica que está amplamente imposta na opinião pública, ao contrário de 2008 em que os responsáveis do Fed pareciam ser o último recurso. Esta mudança psicológica, como sublinhámos, não é um pormenor e contribui fortemente para limitar a margem de manobra dos dirigentes do Fed. E não é a derrota judicial histórica do Banco Central dos EUA, que foi obrigado a revelar os destinatários das centenas de milhares de milhões de dólares de ajuda distribuídos após a crise da Wall Street de 2008, que vai obrigar melhorar esta situação, muito pelo contrário. Uma anedota simples, revelada pela revista Rollingstone, ilustra o agravamento das queixas do povo americano contra os seus banqueiros centrais: a título de beneficiários destas ajudas do Fed, encontram-se as mulheres de duas grandes figuras da Wall Street que criaram um instrumento sob medida permitindo-lhes receber US$200 milhões do Fed para recompra de créditos apodrecidos... com os benefícios revertendo-lhe e as perdas indo para o Fed! Isto é infelizmente um exemplo dentre muitos outros que circulam actualmente na Internet e que romperam, já definitivamente, o respeito do povo americano para com a sua instituição monetária de referência. Uma situação explosiva no contexto da crise actual. Fonte: Rollingstone , 12/04/2011
(19) O destino do dólar, tal como o dos Títulos do Tesouro dos EUA, doravante no essencial está nas mãos dos operadores do resto do mundo que examinarão de maneira muito "clínica" a saída do Quantitativa Easing 2 que se impõe ao Fed no decorrer do segundo trimestre de 2011. É a sua opinião colectiva (já muito crítica), e não a "comunicação" do Fed, que será decisiva.
(20) Fonte: Politico , 04/04/2011
(21) Fonte: Boston Herald, 13/04/2011
(22) Fonte: Huffington Post , 11/04/2011
(23) E tanto mais que eles continuam a bater recordes de necessidades de financiamento para os seus défices, e que o défice previsto durante uma década pelos compromisso de Obama monta a US$9500 mil milhões. Por um lado, ele concebe políticas que aumentam o défice, por outro anuncia objectivos de redução. Realmente pouco crível. Fontes: CNBC , 13/04/2011; Washington Post , 18/03/2011
(24) Brown é uma personalidade americana original que tem uma longa experiência política uma vez que já foi governador da Califórnia de 1975 a 1983, e duas vezes candidato à investidura democrática para o posto de presidente dos Estados Unidos. A sua opinião sobre o estado de ruína do sistema político dos Estados Unidos não é portanto para tomar de ânimo leve. Fonte: CBS , 10/04/2010
(25) Àqueles que consideram a imagem ousada, nossa equipe recorda que uma das principais causas da Guerra de Secessão foi a visão irreconciliável do que devia ser o estado federal e o seu papel. Hoje, em torno das questões orçamentais, do papel do Fed, das despesas militares e das despesas sociais, vê-se novamente emergirem duas visões diametralmente opostas do que deve ser e fazer o estado federal, com o seu cortejo de bloqueios institucionais crescentes e um ambiente de ódio entre forças políticas. Já demos numerosas ilustrações nos GEAB anteriores. Fonte: Americanhistory
(26) Como qualificar de outra forma pessoas que, à custa de crises repetidas, conseguiram sacar algumas dezenas de milhares de milhões de um orçamento e que se põem agora a anunciar urbi et orbi que amanhã vão sacar mais milhões de milhões de dólares destes mesmos orçamentos? Loucos ou mentirosos? De qualquer forma inconscientes, pois acumulam-se constrangimentos que em todos os casos exigem reduções de défices.
(27) As dívidas públicas mundiais estão no ponto máximo desde 1945 e, com 10,8% do PNB, os Estados Unidos tornaram-se o primeiro grande país em termos de défice público. Fontes: Figaro , 12/04/2011; Bloomberg , 12/04/2011
(28) A propósito dos BRIC (doravante BRICS, com a África do Sul), é muito interessante notar que a sua terceira cimeira, reunida na ilha tropical chinesa de Hainan, beneficia finalmente de uma cobertura mediática significativa da parte dos media ocidentais. Nós fizemos parte dos primeiros e das raras publicações ocidentais a mencionar a primeira cimeira (em Ekaterinenbourg) e a sublinhar a importância do acontecimento há três anos atrás mas, até o presente, a grande imprensa internacional persistia em considerar os BRICS como um simples acrónimo sem dimensão geopolítica séria. As coisas mudaram visivelmente. Além disso, desde a Líbia até o dólar, a cimeira de Hainan posicionou-se claramente em contrapeso aos Estados Unidos e seus procuradores (cada vez menos numerosos em relação ao que se passa na Líbia). Quanto ao dólar, os BRICS decidiram acelerar o processo que lhes permitirá utilizarem as suas próprias divisas no seu comércio: um outro sinal de que nos aproximamos muito rapidamente de um violento choque monetário. Fonte: CNBC , 14/04/2011
(29) Aqueles que ainda acreditam uma melhoria da situação económica americana, para além do efeito "dopagem" da Quantitative Easing 2, deveriam dar atenção à moral das PME nos Estados Unidos que recomeça a degradar-se fortemente e à ficção da melhoria no emprego que será brutalmente corrigida (mesmo nas estatísticas oficiais) a partir do Verão de 2011. E remetemos aos GEAB anteriores quanto à crise fiscal dos estados federados. Fontes: MarketWatch , 12/04/2012; New York Post , 12/04/2011
(30) Fonte: CNBC , 22/03/2011 15/Abril/2011
[*] Global Europe Anticipation Bulletin.
O original encontra-se em www.leap2020.eu/...
Este comunicado encontra-se em http://resistir.info/ .
Saqueia-nos, mas dim que nos representam, logo da sua representaçom vam pronto recolher a sua pilhagem
Cixa
26 companhias do Ibex 35 tenhem a ex altos cargos nos seus conselhos. Supom já 9,8% dos vogais Os ex-políticos ganham peso nas grandes empresas
A. M. Vélez
Público
Os ex-políticos ganham presença e poder no Ibex 35, o índice da bolsa que agrupa à elite das empresas espanholas. O ano passado, 48 dos 487 postos dos conselhos de administraçom do Ibex (9,8% do total) estavam ocupados por pessoas que tiveram ou tenhem cargos públicos relevantes. Em 2009, a percentagem era de 8%. Se a mediçom fai-se em funçom do tamanho da empresa, o poder destes conselheiros é ainda maior, pois representam 14,5% do valor do Ibex, até o 10,9% de 2009. A alça produz-se apesar de que as caixas de poupanças (muito ligadas ao poder político) estám a reduzir as suas participaçons empresariais e explica-se por várias contrataçons (o mais soado, o do ex-presidente Felipe González por Gás Natural) e por mudanças na composiçom do índice.
A presença de ex-políticos na grande empresa está generalizada e explica-se pola imelhorável agenda de contactos de quem conhece as entranhas da cousa pública. Vinte e seis das 34 firmas analisadas (excluiu-se Arcelormittal, umha multinacional com sede em Luxemburgo) tenhem, ao menos, um exalto cargo no seu conselho. Só há oito sem ex-políticos: Inditex, BBVA, Banco Popular, Abertis, Bankinter, Ferrovial, Grifols e Sacyr.
Esses 48 postos ocupam-nos, entre outros, um ex-presidente do Governo (González); outro autonómico (o valenciano José Luís Olivas, ligado ao PP, vice-presidente de Bankia e conselheiro de Iberdrola e, até Fevereiro passado, de Enagás); umha ex comisaria europeia (a austríaca Benita Ferrero-Waldner, em Gamesa), 17 ex-ministros, oito ex-secretários de Estado e vários ex-deputados e conselheiros autonómicos. Nom se inclui no computo a membros da alta direcçom das empresas (na que também abundam os ex-políticos), nem a assessores (como José María Aznar, em nómina de Endesa). Também nom se inclui a ex-directores gerais ou ex-subsecretarios , postos de carácter mais técnico que político, que, de incluir-se, disparariam o computo.
Nessas 48 poltronas há clara maioria socialista. Ocupam 18 postos, com um poder equivalente a 4,35% do valor do Ibex. O PP tem 11 conselheiros da sua órbita, ainda que bem situados: controlam 4,31% do Ibex. Entre os socialistas, ademais de González, destaca, pola relevo do seu cargo (tem poder executivo), o ex- ministro de Agricultura Luís Atienza, presidente de Rede Eléctrica (REE). O ex-secretario de Estado de Economia socialista Guillermo da Dehesa despontata polo tamanho das empresas das que é vocal: é conselheiro independente de Banco Santander e vice-presidente nom executivo de Amadeus.
REE é, com Santander, Enagás e IAG (fruto da fusom de Iberia e British Airways) a empresa que mais ex-políticos tinha no seu conselho em 2010. Em REE e Enagás, dous monopólios, deve-se, em parte, à presença no seu capital de entidades públicas como a Sociedade Estatal de Participaçons Industriais (Sepi).
Santander e REE som, com cinco cada umha, as que mais ex-políticos contrataram como conselheiros, ainda que no caso do proprietário da rede de alta tensom o seu peso perceptual é maior (som case a metade dos vogal). No banco cántabro (a entidade com mais conselheiros do Ibex, 20) há três ex-ministros. Um deles, Matías Rodríguez Inciarte (ministro da Presidência com UCD), tem funçons executivas e, de todos os ex-políticos do Ibex, é o melhor pago (ver informaçom adjunta).
IAG tem a quatro ex altos cargos no seu conselho. apresentam um perfil muito alto: um é o ex-director gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), ex-ministro de Economia e actual presidente de Bankia (accionista da companhia aérea), Rodrigo Rato, do que a web de IAG di que "entre 1985 e 2004, foi responsável pola alternativa económica do PP". O outro é John Snow, ex-secretario do Tesouro com George W. Bush.
Snow e Ferrero-Waldner nom som os únicos estrangeiros; há outros quatro. Destacam Luís Fernando Furlán, ex-ministro de Indústria brasileiro e conselheiro de Telefónica, e David K. P. Li, que nom é ex-político, já que está em activo: o asiático, conselheiro de Criteria, é membro do conselho legislativo de Hong Kong. O holding industrial da Caixa tem a outro político em exercício, o convergente Miquel Noguer Planas, presidente da Câmara de Banyoles (Girona). Outro rexedor autárquico com presença no Ibex é José Folgado (REE), presidente da Câmara de Três Cantos (Madrid) e ex-secretario de Estado de Energia com o PP, entre outros cargos.
Ademais de Atienza, há outros dous ex-ministrosss à frente de empresas, fundadas por eles ou as suas famílias: Juan Miguel Villar Mir preside OHL, sexta construtora espanhola; e José Lladó, o grupo de engenharia Técnicas Reunidas. Lladó é um do três ex dirigentes do período preconstitucional (foi ministro de Transportes e Comércio entre 1976 e 1977) convertido em executivo. Os outros dous som José Ramón Álvarez Rendueles, conselheiro de Telecinco e ex secretario de Estado de Economia, e Luís Alberto Salazar-Simpson, vogal de Santander ex-governador civil de Biscaia.
Salazar-Simpson é, ademais, cunhado de Rodrigo Rato. Nom é o único emparentado com um político ou ex-político: outros casos som os de Miriam González, esposa do vice-primeiro ministro britânico, Nick Clegg, e fichada por Acciona o ano passado; Carlos Sebastián, irmao do ministro de Indústria, Miguel Sebastián, e vogal de Abengoa; Pier Silvio Berlusconi, filho do primeiro-ministro italiano e conselheiro de Telecinco; Santiago Cobo, vogal de Gás Natural e marido da alcaldesa de Cádiz, Teófila Martínez (PP); e Antonio Basagoiti García-Tuñón, conselheiro de Santander e pai do líder do PP basco.
Fonte: http://www.publico.es/dinero/371714/los-expoliticos ganham peso-em-as-grandes-empresas
Michael Collon
Diário Liberdade
E para os que ainda acham que tudo isto não é mais que uma "teoria do complô", que os EUA não têm programado tanta guerra, que improvisa reagindo segundo o que acontecer, lembremos o que declarava em 2007 o ex general Wesley Clarck (comandante supremo das forças da OTAN na Europa entre 1997 e 2001, que dirigiu os bombardeios sobre a Iugoslávia): "Em 2001, no Pentágono, um general disse-me: vamos tomar sete países em cinco anos, começando pelo Iraque, seguindo na Síria, Líbano, Líbia, Somália, Sudão, para terminar com o Irã? Dos sonhos à realidade há uma margem, mas os planos estão aí. Só que atrasados.
No enquadramento da batalha por controlar o continente negro, África do Norte é um objetivo maior. Ao despregar uma dezena de bases militares na Tunísia, Marrocos e Argélia, bem como em outras nações africanas, Washington abriria a via para estabelecer uma rede completa de bases militares que cobriria todo o continente.
Mas o projeto Africom deparou-se com uma séria resistência dos países africanos. De maneira altamente simbólica, nenhum aceitou acolher em seu território a sede central do Africom. E Washington teve que manter sua sede em Stuttgart, Alemanha, o que era muito humilhante. Nesta perspetiva, a guerra para derrocar Kadafi no fundo é uma advertência muito clara aos chefes de Estado africanos que tiverem a tentação de seguir uma via demasiado independentes.
Este é o grande crime de Kadafi: A Líbia não aceitava nenhuma ligação com o Africom ou com a OTAN. No passado, os EUA possuíam uma importante base militar na Líbia. Mas Kadafi fechou-a em 1969. É evidente, a guerra atual têm sobretudo como objetivo recuperar a Líbia. Seria uma avançada estratégica que lhe permitiria intervir militarmente no Egito se este escapasse do controle de EUA.
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http://www.odiario.info
Em entrevista à Press TV, o ex-secretário-adjunto do Tesouro dos EUA, Paul Robert Craig, fala sobre os verdadeiros objetivos dos EUA na Líbia
Estamos a falar apenas dos países da Otan, os estados-fantoche dos EUA. Grã-Bretanha, França, Itália, Alemanha, todos pertencem ao império norte-americano. Temos tropas na Alemanha desde 1945. Estamos a falar de 66 anos de ocupação norte-americana na Alemanha. Os americanos têm bases militares em Itália. Como se pode ser um país independente deste modo? A França foi relativamente independente até Washington pôr Sarkozy no poder.Todos eles fazem o que lhes dissermos.
Washington quer mandar na Rússia, na China, no Irão, em África, e em toda a América do Sul. Washington quer a hegemonia sobre o mundo. É isso que a palavra hegemonia significa. E Washington vai persegui-la a todo custo.
Não respeitam a lei, portanto não vão dar atenção à ONU. A ONU é uma organização-fantoche dos EUA e Washington irá usá-la como cobertura. Portanto, sim, se não conseguirem correr com Kadafi, irão colocar tropas no terreno; é por isso que temos os franceses e os britânicos envolvidos. Estamos a usar os franceses também noutro ponto de África; usamos os britânicos no Afeganistão. São marionetes.
Estes países não são independentes. Sarkozy não responde perante o povo francês; responde perante Washington. O Primeiro-ministro britânico não responde perante o povo Inglês, mas perante Washington. Estes são os governantes-marionetes de um império, nada têm a ver com seu próprio povo, somos nós quem os põe no poder.
Outono de 2011: Orçamento/Títulos do Tesouro/Dólar, as três crises americanas que vão provocar a Enorme Ruptura do sistema económico, financeiro e monetário mundial
por GEAB [*]
Em 15 de Setembro de 2010, o GEAB nº 47 intitulava: "Primavera de 2011: Welcome to the United States of Austerity / Rumo ao enorme pânico do sistema económico e financeiro mundial". No entanto, no fim do Verão de 2010, a maior parte dos peritos considerava, por um lado, que o debate sobre o défice orçamental dos EUA permaneceria um simples objecto de discussões teóricas no seio da Beltway [1] ; por outro, que era impensável imaginar os Estados Unidos a lançarem-se numa política de austeridade uma vez que bastaria ao Fed continuar a imprimir dólares. Ora, como todos podem constatar desde há várias semanas, a Primavera de 2011 trouxe a austeridade aos Estados Unidos [2] , a primeira desde a Segunda Guerra Mundial, e o estabelecimento de um sistema global fundado na aptidão do motor americano a gerar sempre mais riqueza (real nos anos 1950-1970, depois cada vez mais virtual a partir desta data).
Nesta fase, o LEAP/E2020 está pois em condições de confirmar que a próxima etapa da crise será realmente a "Enorme ruptura do sistema económico, financeiro e monetário mundial"; e que esta ruptura acontecerá no Outono de 2011 [3] . As consequências monetárias, financeiras, económicas e geopolíticas desta "Enorme ruptura" serão de uma amplitude histórica e farão a crise do Outono de 2008 parecer aquilo que ela realmente foi: um simples detonador.
A crise no Japão [4] , as decisões chinesas e a crise das dívidas na Europa certamente desempenharão um papel nesta ruptura histórica. Em contrapartida, consideramos que a questão das dívidas públicas dos países periféricos da Eurolândia não é mais o factor de risco dominante na Europa, mas que é o Reino Unido que se encontra na posição do "doente da Europa" [5] . A zona Euro pôs em acção e continua a melhorar todos os dispositivos necessários para tratar destes problemas [6] . A gestão dos problemas grego, português, irlandês, ... será feita portanto de maneira organizada. Investidores privados deverão arcar com descontos (como antecipado pelo LEAP/E2020 antes do Verão de 2010) [7] mas isso não pertence à categoria dos riscos sistémicos, o que desagrada o Financial Times, o Wall Street Journal e peritos da Wall Street e da City que tentam a cada três meses refazer o "golpe" da crise da zona Euro do princípio de 2010 [8] .
Em contrapartida, o Reino Unido fracassou completamente na sua tentativa de "amputação orçamental preventiva" [9] . Com efeito, sob a pressão da rua e nomeadamente dos mais de 400 mil britânicos que enchiam as ruas de Londres em 26/02/2011 [10] , David Cameron viu-se obrigado a rever em baixa seu objectivo de redução das despesas de saúde (um ponto chave das suas reformas) [11] . Paralelamente, a aventura militar líbia obriga igualmente a rever seus objectivos de cortes orçamentais no Ministério da Defesa. Já havíamos indicados no último GEAB que as necessidades de financiamento público britânico continuavam a aumentar, sinal da ineficácia das medidas anunciadas cuja execução na realidade revela-se muito decepcionante [12] . O único resultado da política do tandem Cameron/Clegg [13] é por enquanto a recaída da economia britânica na recessão [14] e o risco evidente de implosão da coligação no poder na sequência do próximo referendo sobre a reforma eleitoral.
Neste GEAB nº 54, nossa equipe dedica-se pois a descrever os três factores-chave que determinam esta Enorme Ruptura global do Outono de 2011 e suas consequências. Paralelamente, nossos investigadores começaram a antecipar a evolução da operação militar franco-anglo-americana na Líbia que consideramos ser um poderoso acelerador do deslocamento geopolítico mundial e esclarece utilmente certas mudanças tectónicas agora em curso nas relações entre grandes potências mundiais. Além disso, no Índice GEAB $, desenvolvemos as nossas recomendações para enfrentar os perigosos trimestres que estão para vir.
Fundamentalmente, o processo que se desenrola sob os nossos olhos, e de que a entrada dos Estados Unidos numa era de austeridade [15] é uma simples expressão orçamental, não é senão a sequência do apuramento dos 30 milhões de milhões de activos fantasmas que invadiram o sistema económico e financeiro mundial no fim de 2007 [16] . Se cerca da metade deles havia desaparecido durante 2009, eles em parte ressuscitaram desde então pela vontade dos grandes bancos centrais mundial e em particular pela Reserva Federal dos EUA e suas "Facilidades quantitativas 1 e 2" ("Quantitative Easings 1 e 2"). Ora, nossa equipe estima que são 20 milhões de milhões destes activos-fantasmas que se vão desvanecer em fumo a partir do Outono de 2011, e de um modo muito brutal sob o efeito conjugado das três mega-crises estado-unidenses em gestação acelerada:
- A crise orçamental, ou como os Estados Unidos mergulham de bom grado ou à força nesta austeridade sem precedentes e vão com isso arrastar panos inteiros da economia e das finanças mundiais
- A crise dos Títulos do Tesouro dos EUA, ou como a Reserva Federal atinge o "fim do caminho" encetado em 1913 e terá de enfrentar a sua falência qualquer que seja a camuflagem contabilística escolhida
- A crise do dólar americano, ou como os sobressaltos da divisa dos EUA que vão caracterizar a travagem da Quantitative Easiang 2 no segundo trimestre de 2011 serão as premissas de uma desvalorização maciça (da ordem dos 30% em algumas semanas).
Bancos centrais, sistema bancário mundial, fundos de pensão, multinacionais, matérias-primas, população americana, economias da zona dólar e/ou dependentes das suas trocas com os Estados Unidos [17] , ... este é o conjunto dos operadores estruturalmente dependentes da economia dos EUA (de que o governo, o Fed e orçamento federal tornaram-se os componentes centrais), dos activos denominados em dólar ou das transacções comerciais em dólares que vão sofrer o choque frontal de 20 milhões de milhões de activos-fantasmas a pura e simplesmente desaparecerem dos seus balanços, das suas aplicações e provocando uma grande baixa nos seus rendimentos reais.
Em torno deste choque histórico do Outono de 2011, que marcará a afirmação definitiva das tendências fortes antecipadas por nossa equipe nos GEAB anteriores, as grandes categorias de activos vão experimentar grandes turbulências exigindo uma vigilância acrescida de todos os operadores preocupados com os seus investimentos e aplicações. Com efeito, esta tripla crise estado-unidense marcará a verdadeira saída do "mundo após 1945" que viu os Estados Unidos desempenharem o papel de Atlas e será portanto marcada por choques e réplicas múltiplas no decorrer dos trimestres que se seguirão.
Exemplo: o dólar pode experimentar a curto prazo efeitos que reforçam o seu valor em relação às principais divisas mundiais (nomeadamente se as taxas de juros dos EUA elevarem-se muito rapidamente após o fim da Quantitative Easing 2), mesmo que, ao cabo de seis meses, sua perda de valor de 30% (em relação ao seu valor actual) seja inelutável. Não podemos portanto senão repetir o conselho figura à cabeça das nossas recomendações desde o princípio dos nossos trabalhos sobre a crise: no quadro de uma crise global de amplitude histórica como esta que atravessamos, o único objectivo racional para os investidores e os poupadores não é ganhar mais, mas sim tentar perder o menos possível.
Isso vai ser particularmente verdadeiro para os próximos trimestres em que o ambiente especulativo vai-se tornar altamente imprevisível no curto prazo. Esta imprevisibilidade a curto prazo tem a ver nomeadamente com o facto de que as três crises americanas que desencadearão a Enorme Ruptura mundial do Outono não estão sincronizadas. Elas estão estreitamente correlacionadas mas não de maneira linear. E uma dentre elas, a crise orçamental, está directamente dependente de factores humanos muito influentes no calendário do seu desenrolar; ao passo que as duas outras (seja o que for que pensem aqueles que vêem nos responsáveis do Fed deuses ou diabos [18] ) doravante no essencial estão inscritas nas tendências fortes em que a acção dos dirigentes americanos tornou-se marginal [19] .
A crise orçamental, ou como os Estados Unidos mergulham de bom grado ou à força nesta austeridade sem precedente e vão arrastar vastos sectores da economia e das finanças mundiais.
Os números podem dar vertigens: "6 milhões de milhões de cortes orçamentais em dez anos" [20] , diz o republicano Ryan, "4 milhões de milhões em doze anos", replica o já candidato para 2012 Barack Obama [21] , "tudo isso está longe de ser suficiente" agrava uma das referências do Tea Parties, Ron Paul [22] . E de qualquer modo, sanciona o FMI, "os Estados Unidos não são críveis quando falam em reduzir seus défices" [23] . Esta observação inabitualmente brutal do FMI, tradicionalmente muito prudente nas suas críticas aos Estados Unidos, é particularmente justificada em relação ao psicodrama que, por causa de um punhado de dezenas de milhares de milhões de dólares, quase fechou o estado federal por falta de acordo entre os dois grandes partidos. Um cenário que vai igualmente reproduzir-se proximamente a propósito do tecto de endividamento federal.
O FMI não faz senão exprimir uma opinião amplamente partilhada pelos credores dos Estados Unidos: se por causa de algumas dezenas de milhares de milhões de dólares de redução dos défices o sistema político americano atinge um tal grau de paralisia, o que se vai passar quando nos próximos meses vão-se impor reduções de várias centenas de milhares de milhões de dólares por ano? A guerra civil? Esta é a opinião em todo caso do novo governador da Califórnia, Jerry Brown [24] , o qual considera que os Estados Unidos enfrentam uma crise de regime idêntica àquela que conduziu à Guerra de Secessão [25] .
O contexto portanto já não é de simples paralisia mas antes de uma confrontação geral entre duas visões do futuro do país. Quanto mais a data das próximas eleições presidenciais (Novembro de 2012) se aproximar, mais a confrontação entre os dois campos irá intensificar-se e desenrolar-se com desprezo para com todas as regras de boa conduta, incluindo a salvaguarda do interesse geral do país: "Os deus tornam loucos aqueles que eles querem perder" diz Ulisses na Odisseia. A cena política washingtoniana vai assemelhar-se cada vez mais a um hospital psiquiátrico [26] nos próximos meses, tornando cada vez mais provável, tornando cada vez mais provável "decisões aberrantes".
Se, para se tranquilizarem acerca do dólar dos Títulos do Tesouro, os peritos ocidentais repetem em uníssono que os chineses seriam loucos em se desembaraçarem destes activos o que não faria senão precipitar a queda de valor, é porque ainda não compreenderam que é de Washington e dos seus comportamentos erráticos que pode vir a decisão que precipitará esta queda. E Outubro de 2012, com a sua votação tradicional do orçamento anual, vai proporcionar o momento ideal para esta tragédia grega que, segundo nossa equipe, não terá happy end pois não é Hollywood e sim o resto do mundo que vai escrever o cenário seguinte.
Seja qual for o caso, por decisão política deliberada, por encerramento do governo federal ou por pressões externa irresistíveis [27] (taxa de juros, FMI + Eurolândia + BRIC [28] ), é certamente no Outono de 2011 que o orçamento federal dos EUA se vai contrair maciçamente pela primeira vez. O prosseguimento da recessão conjugado com o fim da Quantitative Easing 2 vai fazer subir as taxas de juros e portanto aumentar consideravelmente o serviço da dívida federal, num fundo de receitas fiscais em baixa [29] por causa da recaída numa recessão forte. A insolvência federal doravante está logo ali na esquina segundo Richard Fisher, o presidente da Reserva Federal de Dallas [30] .
A sequência no GEAB (para assinantes):
- a crise dos Títulos do Tesouro dos EUA, ou como a Reserva Federal atingiu o "fim do caminho" encetado em 1913 e deve enfrentar a sua falência seja qual for a camuflagem contabilística escolhida
- a crise do dólar americano, ou como os sobressaltos da divisa estado-unidenses que caracterizarão a travagem da Quantitative Easing 2 no segundo trimestre de 2011 serão as premissas de uma desvalorização maciça (da ordem dos 30% em algumas semanas).
Notas:
(1) Expressão americana que designa o núcleo político-administrativo de Washington, situado no interior da rodovia circular local, a Beltway.
(2) Desde machadadas nos orçamentos da acção internacional dos Estados Unidos até às reduções dos programas sociais, das organizações públicas e de categorias inteiras da população americana (latinos, pobres, estudantes, reformados, ...) vão ser a partir de agora duramente afectados pelo que ainda não é senão uma gota de água nos ajustamentos necessários. Os protestos populares começam com os estudantes à cabeça. Fontes: House of Representatives , 13/04/2011; Devex , 11/04/2011; HuffingtonPost , 13/04/2011; Foxnews , 14/04/2011; Foxbusiness , 12/04/2011
(3) O sistema bancário mundial (Europa inclusive), sempre sub-capitalizado e amplamente insolvente, é igualmente um dos elementos desta Enorme Ruptura do Outono de 2011.
(4) No GEAB nº 55, nossa equipe apresentará suas antecipações sobre a questão do nuclear no mundo, incluindo a utilização do método de antecipação política como ferramenta de tomada de decisão neste assunto.
(5) A amplitude da crise orçamental no Reino Unido é infinitamente mais grave do que contam os actuais dirigentes britânicos que contudo se jactam de ter um discurso da verdade. Há de facto dois meios de mentir a um povo: negar a existência de um problema (a posição do Labour de Gordon Brown) ou então não confessar senão uma parte da verdade (visivelmente a escolha do tandem Cameron/Clegg). Em ambos os casos, o problema não é resolvido. Fonte: Telegraph , 26/03/2011
(6) E, a partir de agora e do estabelecimento definitivo da Eurolândia como principal motor europeu aquando da cimeira de 11 de Março último, os quatro países que não participam no pacto "Eurolândia+" de estabilização financeira, ou seja, o Reino Unido, a Suécia, a Hungria e a República Checa, serão convidados a deixar a sala das cimeiras nas discussões sobre as questões financeiras e orçamentais ligadas ao pacto. O EUObserver de 29/03/2011 descreve o pânico que se apoderou das delegações destes quatro países cujos dirigentes desempenham o papel de brutamontes diante dos media e nos discursos destinados às suas respectivas opiniões públicas, mas que sabem muito bem que doravante estão encurralados num papel europeu de segunda classe.
(7) Font: Irish Times , 22/03/2011
(8) É preciso ler a respeito o artigo muito pertinente e muito divertido de Silvi Wadhwa, correspondente na Europa da CNBC, que ridiculariza o caricatural discurso anti-Eurolândia e anti-alemão dos seus colegas dos outros media anglo-saxões; e que recorda muito justamente que as diferenças de situações económicas são ainda mais importantes entre estados americanos do que no interior da Eurolândia e que os problemas de endividamento da Grécia ou de Portugal nada são quando comparados àqueles de um estado como a Califórnia. Fonte: CNBC , 12/04/2011
(9) Retornaremos mais especificamente ao caso britânico no GEAB nº 55, exactamente um ano após a vitória da coligação Conservadores/Liberais Democratas.
(10) Este protesto contra os cortes orçamentais constituiu a mais importante manifestação em Londres desde há mais de vinte ano e foi acompanhada de graves violência "anti-ricos" via ataques, por exemplo, contra o HSBC, o hotel Ritz ou a loja Fortnum & Mason. Como sublinhámos por diversas vezes no GEAB, é muitíssimo significativo constatar que esta manifestação histórica do Reino Unido praticamente não tenha se transformado em manchetes nos media, onde se tornou invisível 48 horas após o seu acontecimento. Quando milhares de cidadãos gregos ou portugueses se manifestam em Atenas ou em Lisboa, em contrapartida, temos direito a uma avalanche de imagens-choque e de comentários descrevendo países à beira do caos. Este "dois pesos e duas medidas" não devem enganar o observador lúcido. Por um lado, há graves dificuldades que doravante são geridas no seio de um conjunto poderoso, a Eurolândia; do outro, há grandes dificuldades que não conseguem mais ser geridas por um país completamente isolado. Acredite nos media ou então reflicta por si mesmo para adivinhar a sequência! Fonte: Guardian , 26/03/2011
(11) Fonte: Independent , 03/04/2011
(12) Além disso os mercados financeiros percebem e realmente já não acreditam na mensagem de austeridade marcial do governo britânico, arrastando de novo a libra esterlina numa espiral descendente. Fonte: CNBC , 12/04/2011
(13) Nick Clegg tornou-se o político mais odiado do Reino Unido por ter traído um a um quase todos os seus compromissos eleitorais. Fonte: Independent , 10/04/2011
(14) E empurrar as famílias britânicas para uma perda de poder de compra semelhante unicamente àquelas da crise do pós primeira guerra mundial, em 1921. Fonte: Telegraph , 11/04/2011
(15) Como fizeram os europeus desde 2010.
(16) Estimativa média feita pelo LEAP/E2020 em 2007/2008.
(17) Para além do comércio exterior tradicional, o gráfico abaixo mostra a amplitude da redução das transferências para os seus países de origem por parte dos trabalhadores emigrados nos Estados Unidos, devido à baixa do US dólar. Esta redução ainda vai ampliar-se mais a partir de Outono de 2011.
(18) No Estados Unidos, hoje é a visão diabólica que está amplamente imposta na opinião pública, ao contrário de 2008 em que os responsáveis do Fed pareciam ser o último recurso. Esta mudança psicológica, como sublinhámos, não é um pormenor e contribui fortemente para limitar a margem de manobra dos dirigentes do Fed. E não é a derrota judicial histórica do Banco Central dos EUA, que foi obrigado a revelar os destinatários das centenas de milhares de milhões de dólares de ajuda distribuídos após a crise da Wall Street de 2008, que vai obrigar melhorar esta situação, muito pelo contrário. Uma anedota simples, revelada pela revista Rollingstone, ilustra o agravamento das queixas do povo americano contra os seus banqueiros centrais: a título de beneficiários destas ajudas do Fed, encontram-se as mulheres de duas grandes figuras da Wall Street que criaram um instrumento sob medida permitindo-lhes receber US$200 milhões do Fed para recompra de créditos apodrecidos... com os benefícios revertendo-lhe e as perdas indo para o Fed! Isto é infelizmente um exemplo dentre muitos outros que circulam actualmente na Internet e que romperam, já definitivamente, o respeito do povo americano para com a sua instituição monetária de referência. Uma situação explosiva no contexto da crise actual. Fonte: Rollingstone , 12/04/2011
(19) O destino do dólar, tal como o dos Títulos do Tesouro dos EUA, doravante no essencial está nas mãos dos operadores do resto do mundo que examinarão de maneira muito "clínica" a saída do Quantitativa Easing 2 que se impõe ao Fed no decorrer do segundo trimestre de 2011. É a sua opinião colectiva (já muito crítica), e não a "comunicação" do Fed, que será decisiva.
(20) Fonte: Politico , 04/04/2011
(21) Fonte: Boston Herald, 13/04/2011
(22) Fonte: Huffington Post , 11/04/2011
(23) E tanto mais que eles continuam a bater recordes de necessidades de financiamento para os seus défices, e que o défice previsto durante uma década pelos compromisso de Obama monta a US$9500 mil milhões. Por um lado, ele concebe políticas que aumentam o défice, por outro anuncia objectivos de redução. Realmente pouco crível. Fontes: CNBC , 13/04/2011; Washington Post , 18/03/2011
(24) Brown é uma personalidade americana original que tem uma longa experiência política uma vez que já foi governador da Califórnia de 1975 a 1983, e duas vezes candidato à investidura democrática para o posto de presidente dos Estados Unidos. A sua opinião sobre o estado de ruína do sistema político dos Estados Unidos não é portanto para tomar de ânimo leve. Fonte: CBS , 10/04/2010
(25) Àqueles que consideram a imagem ousada, nossa equipe recorda que uma das principais causas da Guerra de Secessão foi a visão irreconciliável do que devia ser o estado federal e o seu papel. Hoje, em torno das questões orçamentais, do papel do Fed, das despesas militares e das despesas sociais, vê-se novamente emergirem duas visões diametralmente opostas do que deve ser e fazer o estado federal, com o seu cortejo de bloqueios institucionais crescentes e um ambiente de ódio entre forças políticas. Já demos numerosas ilustrações nos GEAB anteriores. Fonte: Americanhistory
(26) Como qualificar de outra forma pessoas que, à custa de crises repetidas, conseguiram sacar algumas dezenas de milhares de milhões de um orçamento e que se põem agora a anunciar urbi et orbi que amanhã vão sacar mais milhões de milhões de dólares destes mesmos orçamentos? Loucos ou mentirosos? De qualquer forma inconscientes, pois acumulam-se constrangimentos que em todos os casos exigem reduções de défices.
(27) As dívidas públicas mundiais estão no ponto máximo desde 1945 e, com 10,8% do PNB, os Estados Unidos tornaram-se o primeiro grande país em termos de défice público. Fontes: Figaro , 12/04/2011; Bloomberg , 12/04/2011
(28) A propósito dos BRIC (doravante BRICS, com a África do Sul), é muito interessante notar que a sua terceira cimeira, reunida na ilha tropical chinesa de Hainan, beneficia finalmente de uma cobertura mediática significativa da parte dos media ocidentais. Nós fizemos parte dos primeiros e das raras publicações ocidentais a mencionar a primeira cimeira (em Ekaterinenbourg) e a sublinhar a importância do acontecimento há três anos atrás mas, até o presente, a grande imprensa internacional persistia em considerar os BRICS como um simples acrónimo sem dimensão geopolítica séria. As coisas mudaram visivelmente. Além disso, desde a Líbia até o dólar, a cimeira de Hainan posicionou-se claramente em contrapeso aos Estados Unidos e seus procuradores (cada vez menos numerosos em relação ao que se passa na Líbia). Quanto ao dólar, os BRICS decidiram acelerar o processo que lhes permitirá utilizarem as suas próprias divisas no seu comércio: um outro sinal de que nos aproximamos muito rapidamente de um violento choque monetário. Fonte: CNBC , 14/04/2011
(29) Aqueles que ainda acreditam uma melhoria da situação económica americana, para além do efeito "dopagem" da Quantitative Easing 2, deveriam dar atenção à moral das PME nos Estados Unidos que recomeça a degradar-se fortemente e à ficção da melhoria no emprego que será brutalmente corrigida (mesmo nas estatísticas oficiais) a partir do Verão de 2011. E remetemos aos GEAB anteriores quanto à crise fiscal dos estados federados. Fontes: MarketWatch , 12/04/2012; New York Post , 12/04/2011
(30) Fonte: CNBC , 22/03/2011 15/Abril/2011
[*] Global Europe Anticipation Bulletin.
O original encontra-se em www.leap2020.eu/...
Este comunicado encontra-se em http://resistir.info/ .
Saqueia-nos, mas dim que nos representam, logo da sua representaçom vam pronto recolher a sua pilhagem
Cixa
26 companhias do Ibex 35 tenhem a ex altos cargos nos seus conselhos. Supom já 9,8% dos vogais Os ex-políticos ganham peso nas grandes empresas
A. M. Vélez
Público
Os ex-políticos ganham presença e poder no Ibex 35, o índice da bolsa que agrupa à elite das empresas espanholas. O ano passado, 48 dos 487 postos dos conselhos de administraçom do Ibex (9,8% do total) estavam ocupados por pessoas que tiveram ou tenhem cargos públicos relevantes. Em 2009, a percentagem era de 8%. Se a mediçom fai-se em funçom do tamanho da empresa, o poder destes conselheiros é ainda maior, pois representam 14,5% do valor do Ibex, até o 10,9% de 2009. A alça produz-se apesar de que as caixas de poupanças (muito ligadas ao poder político) estám a reduzir as suas participaçons empresariais e explica-se por várias contrataçons (o mais soado, o do ex-presidente Felipe González por Gás Natural) e por mudanças na composiçom do índice.
A presença de ex-políticos na grande empresa está generalizada e explica-se pola imelhorável agenda de contactos de quem conhece as entranhas da cousa pública. Vinte e seis das 34 firmas analisadas (excluiu-se Arcelormittal, umha multinacional com sede em Luxemburgo) tenhem, ao menos, um exalto cargo no seu conselho. Só há oito sem ex-políticos: Inditex, BBVA, Banco Popular, Abertis, Bankinter, Ferrovial, Grifols e Sacyr.
Esses 48 postos ocupam-nos, entre outros, um ex-presidente do Governo (González); outro autonómico (o valenciano José Luís Olivas, ligado ao PP, vice-presidente de Bankia e conselheiro de Iberdrola e, até Fevereiro passado, de Enagás); umha ex comisaria europeia (a austríaca Benita Ferrero-Waldner, em Gamesa), 17 ex-ministros, oito ex-secretários de Estado e vários ex-deputados e conselheiros autonómicos. Nom se inclui no computo a membros da alta direcçom das empresas (na que também abundam os ex-políticos), nem a assessores (como José María Aznar, em nómina de Endesa). Também nom se inclui a ex-directores gerais ou ex-subsecretarios , postos de carácter mais técnico que político, que, de incluir-se, disparariam o computo.
Nessas 48 poltronas há clara maioria socialista. Ocupam 18 postos, com um poder equivalente a 4,35% do valor do Ibex. O PP tem 11 conselheiros da sua órbita, ainda que bem situados: controlam 4,31% do Ibex. Entre os socialistas, ademais de González, destaca, pola relevo do seu cargo (tem poder executivo), o ex- ministro de Agricultura Luís Atienza, presidente de Rede Eléctrica (REE). O ex-secretario de Estado de Economia socialista Guillermo da Dehesa despontata polo tamanho das empresas das que é vocal: é conselheiro independente de Banco Santander e vice-presidente nom executivo de Amadeus.
REE é, com Santander, Enagás e IAG (fruto da fusom de Iberia e British Airways) a empresa que mais ex-políticos tinha no seu conselho em 2010. Em REE e Enagás, dous monopólios, deve-se, em parte, à presença no seu capital de entidades públicas como a Sociedade Estatal de Participaçons Industriais (Sepi).
Santander e REE som, com cinco cada umha, as que mais ex-políticos contrataram como conselheiros, ainda que no caso do proprietário da rede de alta tensom o seu peso perceptual é maior (som case a metade dos vogal). No banco cántabro (a entidade com mais conselheiros do Ibex, 20) há três ex-ministros. Um deles, Matías Rodríguez Inciarte (ministro da Presidência com UCD), tem funçons executivas e, de todos os ex-políticos do Ibex, é o melhor pago (ver informaçom adjunta).
IAG tem a quatro ex altos cargos no seu conselho. apresentam um perfil muito alto: um é o ex-director gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), ex-ministro de Economia e actual presidente de Bankia (accionista da companhia aérea), Rodrigo Rato, do que a web de IAG di que "entre 1985 e 2004, foi responsável pola alternativa económica do PP". O outro é John Snow, ex-secretario do Tesouro com George W. Bush.
Snow e Ferrero-Waldner nom som os únicos estrangeiros; há outros quatro. Destacam Luís Fernando Furlán, ex-ministro de Indústria brasileiro e conselheiro de Telefónica, e David K. P. Li, que nom é ex-político, já que está em activo: o asiático, conselheiro de Criteria, é membro do conselho legislativo de Hong Kong. O holding industrial da Caixa tem a outro político em exercício, o convergente Miquel Noguer Planas, presidente da Câmara de Banyoles (Girona). Outro rexedor autárquico com presença no Ibex é José Folgado (REE), presidente da Câmara de Três Cantos (Madrid) e ex-secretario de Estado de Energia com o PP, entre outros cargos.
Ademais de Atienza, há outros dous ex-ministrosss à frente de empresas, fundadas por eles ou as suas famílias: Juan Miguel Villar Mir preside OHL, sexta construtora espanhola; e José Lladó, o grupo de engenharia Técnicas Reunidas. Lladó é um do três ex dirigentes do período preconstitucional (foi ministro de Transportes e Comércio entre 1976 e 1977) convertido em executivo. Os outros dous som José Ramón Álvarez Rendueles, conselheiro de Telecinco e ex secretario de Estado de Economia, e Luís Alberto Salazar-Simpson, vogal de Santander ex-governador civil de Biscaia.
Salazar-Simpson é, ademais, cunhado de Rodrigo Rato. Nom é o único emparentado com um político ou ex-político: outros casos som os de Miriam González, esposa do vice-primeiro ministro britânico, Nick Clegg, e fichada por Acciona o ano passado; Carlos Sebastián, irmao do ministro de Indústria, Miguel Sebastián, e vogal de Abengoa; Pier Silvio Berlusconi, filho do primeiro-ministro italiano e conselheiro de Telecinco; Santiago Cobo, vogal de Gás Natural e marido da alcaldesa de Cádiz, Teófila Martínez (PP); e Antonio Basagoiti García-Tuñón, conselheiro de Santander e pai do líder do PP basco.
Fonte: http://www.publico.es/dinero/371714/los-expoliticos ganham peso-em-as-grandes-empresas
Manuel Freitas
Ao invés do que predicam os vendedores de mitos deformantes, nom há um Império de Obama, como também nom o houvo de Bush ou dos diferentes gerentes de turno que o precederam.
Em primeiro lugar, EEUU nom domina o mundo por formulaçons doutrinarias político-diplomáticas ou eventuais discursos "democráticos" ou "militaristas" dos seus presidentes, senom porque impom ao resto dos países a lógica da sua poderio militar e económico, indestrutível, salvo por um estalido nuclear do planeta.
Em segundo lugar, e como já está experimentado em forma histórica e estatística: Em EEUU, a potência locomotiva do capitalismo sionista a escala global, nom governam os presidentes ou os partidos, senom a elite económica-financeira (o poder real) que controla a Reserva Federal, o Tesouro, Wall Street, o Complexo Militar Industrial e Silicon Valley.
Detrás de cada invasom militar, chegam as petroleiras, as armamentistas, os bancos e as corporaçons de Wall Street e os exércitos privados de segurança, a cobrar o botim de guerra e a participar do festim capitalista da "reconstruçom" do país ocupado.
Terminada as luzes artificiais da campanha eleitoral, democratas e republicanos deixam de agredir-se e complementam-se num desenho de política estratégica de Estado em defesa dos interesses das grandes corporaçons económicas que marcam o accionar das políticas internas e da conquista de mercados encoberta nas "guerras preventivas" contra o "terrorismo".
E na prática, essas políticas imperiais (e a sua continuidade no tempo) nom tem nada que ver com o discurso e os novos preceitos "doutrinarias" expressados polo gerente de turno na Casa Branca.
Como já está experimentado em forma histórica e estatística: A política exterior e a política interna de EEUU (os níveis de decisom estratégica) nom a dirigem os presidentes ou os partidos senom o establishment económico-financeiro que controla a Casa Branca e o Congresso através dos seus "lobbies" e operadores que actuam sobre os partidos, os legisladores, os funcionários e condicionam as decisons presidenciais.
Em resumo, os que agora descobrem que Obama é "igual que Bush" estám fomentado outro mito alienante orientado a pôr a "pessoa" (Obama) por enzima do "sistema" que determina as suas acçons mais alá do discurso mediático.
Obama nom é o mesmo que Bush, mas sim é a peça que substituiu a Bush na engrenagem estratégica do Império capitalista sionista cujas linhas matrizes seguem funcionando, sem nengumha alteraçom, mais ali dos eventuais gerentes que ocupem a Casa Branca.
(*) Manuel Freitas é jornalista, investigador, analista de estruturas do poder, especialista em inteligência e comunicaçom estratégica. É um dos autores mais difundidos e referenciados na Web.
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O Registro dos Direitos humanos de EEUU em 2010 tem como objectivo ajudar a que os povos de todo mundo alcancem perceber melhor a verdadeira situaçom dos direitos humanos em EEUU e exigir a esse país que enfrente os seus próprios assuntos de direitos humanos.
I. Sobre a vida, a propriedade e a segurança pessoal
Estados Unidos é o país que sofre os crimes mais graves em todo mundo, e a vida, propriedade e segurança pessoal dos seus habitantes nom estám garantidas.
Cada ano, umha de cada cinco pessoas é vítima de um crime em EEUU (10 Facts About Crime in the United States that Will Blow Your Mind, Beforeitsnews.com), a taxa mais alta do Planeta. Em 2009, os residentes estadunidenses maiores de 12 anos sofrerom um total estimado de 4,3 milhons de crimes violentos, 15,6 milhons de delitos de propriedade assim como 133.000 roubos pessoais, com o que a cifra de vítimas por 1.000 pessoas foi de 17,1, de acordo com umha informe dado a conhecer polo Departamento de Justiça de EEUU o 13 de Outubro de 2010 (Criminoso Victimization 2009, do Departamento de Justiça de Estados Unidos, www.ojp.usdoj.gov).
A incidência de delitos disparou-se em muitas cidades de EEUU, por exemplo em St. Louis, no estado de Missouri, onde se perpetraram 2.070 crimes violentos por 100.000 residentes, convertendo na cidade mais perigosa do país (St. Louis Tops List of Most Dangerous US Cities, the Associated Press, o 22 de Novembro de 2010, citando a umha estudo de CQ Press divulgado o 21 de Novembro de 2010). Por sua vez, os residentes de Detroit, no Estado de Michigan, som vítimas de mais de 15.000 crimes violentos ao ano, o qual significa que a cidade regista 1.600 crimes violentos por cada 100.000 residentes. O quatro maiores cidades de EEUU, Philadelphia, Chicago, Os Angeles e Nova Iorque, registaram umha incremento de assassinatos em 2010 em comparaçom com o ano anterior (USA Today, 5 de Dezembro de 2010). Durante a semana de 29 de Março ao 4 de Abril cometeram-se 25 homicídios no condado de Los Angeles e na primeira metade de 2010 umha total de 373 foram assassinadas nesse mesmo lugar (www.lapdonline.org).
Desde o 11 de Novembro de 2010, a cidade de Nova Iorque registou um aumento do dobro dígitos na taxa de homicídios, com umha total de 464 casos, um aumento do 16 por cento frente aos 400 reportados durante o mesmo período do ano anterior (The Washington Post, o 12 de Novembro de 2010).
O controlo de EEUU sobre a já desenfreada posse de armas no país foi laxo. A agência Reuters informou o 10 de Novembro de 2010 que EEUU é o país que mais armas particulares possui. Aproximadamente 90 milhons de pessoas possuem uns 200 milhons de armas em EEUU, país cuja populaçom é de 300 milhons de habitantes. Com quatro votos a favor e umha em contra, o Tribunal Supremo de EEUU ditaminou o 28 de Junho de 2010 que a segunda emenda à Constituiçom desse país autoriza aos cidadaos estadunidenses a possuir armas, direito que nom pode ser violado polos governos estatal ou local, alargando desta maneira a permissom de posse de armas para a defesa pessoal ao país inteiro (The Washington Post, 29 de Junho de 2010). Os bares do quatro estados de Tennessee, Arizona, Georgia e Virgínia admitem a clientes com armas carregadas enquanto que outros 18 estados de EEUU permitem levar armas aos clientes de restaurantes que servem álcool (The New York Times, 3 de octubre de 2010). Em Tennessee há case 300.000 titulares de permissons de revólveres. O 7 de Junho de 2010, o jornal The Washington Estafes informou que em Novembro de 2008 adquiriram armas de fogo umha total de 450.000 pessoas mais que durante o mesmo mês do ano 2007, o que representa umha incremento 10 vezes maior à diferença registada entre Novembro de 2006 e o mesmo mês de 2007. Por sua vez, entre Novembro de 2008 e Outubro de 2009 compraram armas case 2,5 milhons de pessoas mais que durante os 12 meses precedentes (The Washington states, 7 de Junho de 2010).
Os frequentes tiroteios ocorridos nas universidades estadunidenses ham chamado a atençom da opiniom pública nos últimos anos. O diário britânico Daily Telegraph informou na sua ediçom de 21 de Fevereiro de 2011 de que o estado de Texas adoptará umha nova lei que permitirá a 500.000 estudantes e professores de 38 universidades públicas locais entrar nos campus com armas. O estado de Utah já conta com umha legislaçom similar em vigor.
Estados Unidos registou um marcado incremento de delitos relacionados com armas de fogo. As estatísticas demonstram que nesse país houvo 12.000 homicídios causados por armas ao ano (The New York Times, 26 de Setembro de 2010). Segundo cifras publicadas polo Departamento de Justiça de EEUU o 13 de Outubro de 2010, o ano anterior 22 por cento do total de crimes violentos empregou armas de fogo nesse país, enquanto que 47 por cento de roubos também se cometeu com o uso de armas (www.ojp.usdoj.gov, 13 de Outubro de 2010). O 30 de Março de 2010, cinco homens assassinaram a quatro pessoas e feriram a outro cinco numha tiroteio efectuado desde umha carro (The Washington Post, 27 de Abril de 2010) enquanto que em Abril produziram-se seis tiroteios separados que deixaram umha total de 16 vítimas, duas delas mortais (www.myfoxchicago.com). O 3 de Abril sucedeu outro tiroteio mortal numha restaurante do norte de Hollywood, nos Angeles, que deixou umha total de quatro mortos e outros dous feridos (www.nbclosangeles.com, 4 de Abril de 2010). Ao menos umha pessoa pereceu e outras 21 resultaram feridos em tiroteios independentes em Chicago entre as datas aproximadas do 29 e o 30 de Maio (www.chicagobreakingnews.com, 30 de Maio de 2010).
Em Junho do mesmo ano, umha total de 52 pessoas foram crivadas numha fim-de-semana em Chicago (www.huffingtonpost.com, 21 de Junho de 2010). Entre Maio e Julho três agentes da polícia pereceram por balas a maos de assaltantes (Chicago Tribune, 19 de Julho de 2010). Em todo o mês de Julho foram tiroteadas em Chicago 303 pessoas, das cales 33 faleceram. Entre o 5 e o 8 de Novembro, quatro pessoas morreram e outro cinco resultaram feridas em dous tiroteios separados em Oakland, no Estado de Califórnia (World Journal, 11 de Novembro de 2010). O 30 de Novembro de 2010 umha adolescente de 15 anos tomou como reféns à sua professora e a 24 colegas de classe a ponta de pistola no condado de Marinette, estado de Wisconsin (abcNews, 30 de Novembro de 2010). O dia 8 de Janeiro deste ano o membro da Câmara de Representantes de EEUU Gabrielle Giffords resultou ferida de gravidade por disparos em Tucson, estado de Arizona. Ademais, o crime causou a morte de seis pessoas e feriu a outras 12 (Os Angeles Times, 9 de Janeiro de 2011). (Continua)
A pobreza em EEUU alcança nível record
Por: Imprensa GISXXI
Data de publicaçom: 11/04/11
11 Abr. 2011 - A proporçom de pessoas que vivem na pobreza em Estados Unidos alcançou um nível record, segundo o Registro de Direitos Humanos de Estados Unidos em 2010 publicado hoje por China.
Um total de 44 milhons de estadunidenses viviam em pobreza em 2009, quatro milhons mais que em 2008, segundo cifras dos médios publicadas no informe criado polo Escritório de Informaçom do Conselho de Estado da China.
Segundo o Escritório do Censo de Estados Unidos, a proporçom de residentes em pobreza aumentou a 14,3 por cento em 2009, o nível mais alto desde 1994.
As pessoas que sofrem de fame e os indigentes estadunidenses aumentaram de maneira pronunciada, segundo o relatório.
Segundo o Departamento de Agricultura de Estados Unidos, 14,7 por cento dos fogares estadunidenses careciam de segurança alimentaria em 2009. Meios estadunidenses dissérom que se tratou de um aumento de quase 30 por cento desde 2006 e por volta de 50 milhons de estadunidenses padeceram escassez de alimentos esse ano.
Cifras dos médios estadunidenses citadas no informe assinalam que o número de famílias em refúgios para indigentes aumentou sete por cento até 170.129 no ano fiscal 2009, em comparaçom com o ano fiscal 2008.
O relatório também assinalou que a cifra de estadunidenses sem seguro médico aumenta de maneira progressiva cada ano.
Fundació S'Oliveiral
Rebeliom
O Império ocidental cujo centro de gravidade está em Estados Unidos, avançam no seu inexorável projecto: o controlo da África e a exploraçom a um custo irrisório das suas extraordinárias e abundantes matérias primas antes de que China e outras potências emergentes se adiantem. Casualmente o Congo, Líbia e Costa do Marfim partilham umha mesma característica: os seus recursos naturais som excepcionais.
Na África há grandes reservas de petróleo e outra multidom de matérias estratégicas e valiosas. E Estados Unidos está a intervir desde há tempo nesse prometedor continente. Está a intervir com umha inusitada energia no África Central desde 1990, servindo-se primeiro de Uganda e mais tarde de Ruanda para controlar o Zaire/Congo e impedir que chegue a ser umha naçom forte e dona dos seus recursos.
Trás umha “magistral” campanha internacional de propaganda e de outra militar muito “eficaz” (que provocou, isso sim, as maiores mortalidades havidas trás a Segunda Guerra Mundial), França foi varrida de maneira “brilhante” de Ruanda primeiro e do Zaire/Congo depois. Agora, Estados Unidos nem tam só deve dar a cara nestas “intervençons humanitárias”: o seu lacaio Nicolas Sarkozy está feliz de jogar a herói. Desempenha agora em Líbia e Costa do Marfim o papel que o astuto Toni Blair desempenhou no Iraque. De passagem, em Costa do Marfim, que é o objecto deste artigo, seguramente restituirá na sua privilegiada posiçom a muitas empresas francesas que nunca perdoárom deriva-a nacionalista de Laurent Gbagbo, trás as eleiçons livres e democráticas do 2000.
Sobre o “escândalo geológico” do Congo já se dixo case todo: coltám, cobalto, diamantes, ouro... Líbia, por sua parte, tem gigantescas reservas de gás e as maiores de petróleo de toda a África. Já se levantam as vozes que explicam que os até agora desconhecidos rebelde líbios foram preparados no Egipto e financiados por Estados Unidos e Europa. No que di respeito a Costa do Marfim é a locomotora económica do África do Oeste; que foi o terceiro produtor mundial de café até que a guerra foi lhe imposta; que produz 40% do cacau mundial; que ocupa igualmente umha ponteira posiçom mundial no que di respeito a produçom de noz de cola, de cana de açúcar, de ananá e de plátano; que compete com o enorme Brasil em exportaçom de madeira; que recentemente se descobriram no seu território importantes jazidas de petróleo e de outros minerais estratégicos... Por esta razom as potências ocidentais querem um homem de palha à frente do país.
Alassane Ouattara, aquele que “a comunidade internacional” (é dizer, o Império ocidental) apresenta unanimemente (com a mesma unanimidade com a que se enganou ao mundo sobre os acontecimentos de Ruanda) como o nobre vencedor das eleiçons (ainda que o Conselho Constitucional proclamou a Laurent Gbagbo vencedor com 51,45%), é um homem das potências ocidentais (foi director para a África do Fundo Monetário Internacional); é um homem que em 2002 começou a acossar e debilitar ao Governo legítimo financiando umha rebeliom que atacou o país desde o norte; é um homem, em definitiva, de turbo historial. De facto, a ex congressista estadunidense Cynthia Ann McKinney confessava-nos estes dias que quando estava no Congresso recebeu um telefonema telefónico de Alassane Ouattara desde o iate de Henry Kissinger. Um telefonema parecido a muitas outras que recebeu durante os seus anos como congressista e que pretendiam comprar a sua consciência, um telefonema com o objectivo de solicitar-lhe ajuda para chegar como fosse à presidência de Costa do Marfim.