CANTA O MERLO: Há que findar com o terrorismo financeiro

10-08-2011

  11:07:40, por Corral   , 894 palavras  
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Há que findar com o terrorismo financeiro

Juan Torres López, Carlos Martínez García e Francisco Jurado

Público

A extraordinária subida da prima de risco espanhola, e a de outros países ainda mais próximos ao coraçom da velha Europa, pom-nos lindes do abismo à cidadania que esta nom devesse consentir.

Nada há que mudasse em Espanha nos últimos dias, salvo a celebraçom de novos leilons de dívida pública, está claro, que pudesse dar a perceber a "os mercados" que a situaçom da nossa economia é pior que há umhas semanas e que, portanto, justifique umha subida no tipo de interesse que haja que pagar para nos financiar. Trata-se, tam só, de novas operaçons de casino que apostam sem risco, provocando elas mesmas os resultados que mais convém aos especuladores que, por suposto, nom albergam nengumha preocupaçom acerca do que suceda na economia real, na vida da gente, senom o como melhorar as suas posiçons de aposta para ganhar mais dinheiro.

Quando os bancos que provocaram a crise que estamos a viver necessitaram financiamento, os governos e o Banco Central Europeu nom duvidaram em acudir no seu auxílio, numhas ocasions, porque diziam que eram "demasiado grandes para deixá-los" e noutras porque havia que "salvar ao sistema financeiro", e gastaram-se neles vários bilions de euros. Mais de 800.000 milhons dedicárom-se a salvá-los só na Alemanha e França.

Contodo, quando fôrom os estados quem necessitárom financiamento, fundamentalmente como efeito da crise que provocárom os bancos e em muita menor medida, em lugar de recebê-la nas generosas condiçons em que o fixo a banca, tiveram que se pôr nas maos desta. E, graças a isso, os bancos nom só levantaram de novo cabeça, prestando o dinheiro que recebiam a 1% do Banco Central Europeu a tipos cinco ou mais seis vezes altos, senom que assim pudérom pôr contra as cordas aos governos e exigir-lhes novas reformas liberalizadoras como condiçom imprescindível para sair da crise quando, em realidade, foi a generalizaçom desse tipo de medidas o que a provocou.

Os governos, e em concreto o espanhol, vem dizendo à cidadania que para acabar com esta situaçom há que contentar aos "mercados" e que para isso é inevitável levar a cabo as reformas que se lhes exigem e que, em grande parte, já se aplicárom: do "mercado" de trabalho e das pensons, privatizaçons de empresas públicas e, logo, de serviços públicos essenciais. Mas estas receitas revelarom-se como umha grande mentira, como evidência o que nem estejam a produzir os efeitos beneficiosos sobre a economia com que se justificam, nem alcancem deter os ataques especulativos contra a nossa dívida.

Tratar de fazer frente a umha situaçom que o próprio presidente da Junta de Andaluzia qualificou de terrorismo financeiro" cedendo à extorsom, como está a fazer o governo do Partido Socialista, é algo pior que umha simples ingenuidade. As reformas que levou a cabo só servírom para debilitar ainda mais a capacidade de geraçom de emprego e ingresso da nossa economia e, ao travar a recuperaçom e o crescimento da actividade, rematárom encarecendo ainda mais a dívida pública a meio e longo prazo, convertendo-se esta dinâmica num círculo vicioso que leva à ruína aos próprios Estados, aos seus serviços públicos essenciais e, portanto, a toda a cidadania.

Ao terrorismo financeiro que está a despedaçar economias inteiras nom se lhe pode combater deixando-se submeter senom com firmeza e decisom, defendendo a economia que acredite emprego, riqueza e bem-estar e cortando as asas dos capitais especulativos.

Europa tem médios para alcançá-lo.

Deve garantir que os estados disponham de financiamento adequado através do Banco Central Europeu, negociando para isso as condiçons que lhe permitam gerar ingressos e nom destruir as suas fontes, como veio sucedendo. É umha ignomínia inaceitável que se preste a 1% a bancos irresponsáveis e que se obrigue a que os povos tenham que fazê-lo mesmo a 10%, como está a ocorrer em alguns casos.

Ademais, Europa deve estabelecer impostos e taxas sobre as transacçons financeiras especulativas que as desincentivem na maior medida do possível.

E Europa tem também a obrigaçom moral de estabelecer controlos de capital para impedir que financeiros sem escrúpulos sigam pondo em jogo o futuro da uniom monetária, a estabilidade económica e social e o bem-estar dos seus cidadaos.

Porém nem Espanha, nem o resto de países europeus, podem esperar a que todo se resolva em Bruxelas. Trabucara-se umha vez mais este governo, e a classe política que o apoie, se volta recortar direitos sociais achando que assim diminuirá a voracidade dos ?mercados?. Voltaremos ir a todos a pior, salvo a banca e as grandes empresas.

Numha democracia real, as pessoas som as verdadeiras possuidores da soberania nacional e, portanto, devem constituir-se em protagonistas das decisons políticas que se tomam, como actores e como beneficiários principais. Se vivêssemos nessa democracia real e os cidadaos soubessem de verdade o que está a passar nom consentiriam o tipo de terrorismo que se está praticando, nem a cumplicidade dos governos. E por isso mos acha que é fundamental que os movimentos sociais e as organizaçons políticas, sindicais e cidadás de todo o tipo fagam o máximo esforço para informar, consciencializar e mobilizar a todas as pessoas que, com independência de ideologias ou de posiçons política, simplesmente indignem-se e reajam ante a injustiça e a irracionalidade que se nos vem impondo.

Juan Torres López (Comité Científico de ATTAC Espanha), Carlos Martínez García (Promotora Estatal de Mesas de Convergência) e Francisco Jurado (Democracia Real Ya)

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