Arquivos para: Junho 2012

30-06-2012

Link permanente 06:19:12, por José Alberte Email , 1400 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Espanha: Um mau resgate que nos empurrará para o abismo

por Juan Torres López

Por fim verificou-se o que Rajoy, como outras tantas coisas que negou, assegurou que nunca se verificaria. Numa carta, praguejada de erros e com redacção deplorável, a Espanha entrega-se uma vez mais aos poderes financeiros e submete-se a um desígnio que imola os interesses nacionais no altar dos mesmos grandes banqueiros que provocaram o dano que sofremos.

O que Rajoy e os seus ministros negavam que fossem acontecer, já havíamos antecipado com precisão, Vicenç Navarro, Alberto Garzón e eu, no nosso livro Lo que España necesita [1] . Uma réplica com propostas alternativas à política de cortes do PP que já está na livraria publicado por Deusto Ediciones. Na sua página 96 escrevemos:

"Nesta situação, aos bancos credores, principalmente alemães, a única coisa que lhes interessa é salvar seus móveis, ou seja, que se garanta que os bancos espanhóis vão pagar sua dívida para com eles. Por isso, com o apoio dos seus governos, pressionam o espanhol para que tome medidas que garantam o saneamento dos seus balanços e o pagamento da dívida. Já não lhe importa que ao dar prioridade a isto deteriore-se cada dia mais a economia porque essa é a desculpa perfeita que teriam para intervir e "resgatar" a Espanha, ou seja, para obrigá-la a subscrever empréstimos vultuosos que seriam dedicados directamente a refinanciar os bancos espanhóis para que estes por sua vez devolvesse a dívida aos seus credores".

Até dá vergonha escrever de novo para antecipar – como vêem fazendo economistas críticos desde há anos – o que vai ocorrer nos próximos meses, mas é que não é difícil prever e é preciso combater a mentira contínua dos nossos governantes. Já foram "resgatados" desta forma outros países e em outros lugares, de modo que sabemos quase como ciência certa o que vai acontecer connosco quando nos aplicarem o mesmo protocolo.

A primeira coisa que sabemos é que não nos entregamos a almas beatíficas, que saibam qual é a cura de que os nossos males precisam e que tenham os meios para evitá-los, como nos fazem crer. As autoridades a que recorremos para que nos salvem são aquelas que tomaram as decisões que nos levaram à situação em que estamos e aquelas que se mostram totalmente incompetentes e incapazes de retirar os países europeus da crise. São aquelas que olharam para o outro lado quando os bancos alemães e europeus em geral financiavam a bolha e quando carregavam os seus balanços de lixo financeiro, levando assim a que se afundassem as economias. E são aquelas que já dedicaram vários milhares de milhões de euros a salvá-los sem conseguir, no entanto, que voltem a financiar a actividade e o emprego, que é o que deveriam ter conseguido para que a economia voltasse a andar. Pomo-nos, pois, nas mãos de incompetentes que vêm tomando decisões em virtude de um fundamentalismo ideológico que ao invés de salvar outros países os afundou ainda mais depois de resgatá-los. Assim, é demasiado ingénuo, ou uma verdadeira loucura, acreditar que quando o fizerem connosco vão ter um súbito ataque de sabedoria e lucidez que os levem a tomar as decisões correctas que até agora não souberam adoptar com nenhum país.

Sabemos que este resgate é um resgate dos bancos e que nem sequer isso vai funcionar bem. O resgate que se prepara não vai resolver os problemas do sector bancário porque é adoptado sem atreverem-se a por preto sobre o branco a verdadeira situação patrimonial de cada um deles, para evitar assim o escândalo de mostrar as barbaridades que cometeram os banqueiros espanhóis (e alemães, não esqueçamos) à custa do afundamento da economia. Não vai funcionar e não vai servir para tranquilizar os mercados, para utilizar a expressão com que referem os investidores especulativos que fazem o seu negócio com a incerteza, e o prémio de risco continuará desavergonhado porque ninguém acredita nos resultados das auditorias privadas que realizaram para justificar o pedido de resgate. Suas estimativas baseiam-se na concepção sem fundamento científico algum de cenários que nunca acertaram previsões e referem-se ao sistema na sua totalidade e não em concreto às entidades que necessitam mais ou menos capital, o que teria sido o necessário. O resgate da banca que se prepara tão pouco salva o sector financeiro espanhol como tal, porque este tipo de operações não é feito conseguir que o crédito volte a fluir, que é o que faz um sistema são, e sim para recapitalizar discrecionalmente as entidades e ajudá-las a que melhorem suas contas de resultados, o que é outra coisa. Assim, o resgate não vai restaurar a solidez do sector e nem salvará o sistema bancário em geral ou todas as entidades que o integram – na verdade, só conseguirá por na bandeja dos grandes o resto do mercado.

Este resgate, é claro, não salva a economia espanhola e irá, sim, afundá-la mais por várias razões. Porque vai acompanhado de condições que vão aguçar a paralisação da actividade, uma vez que não rompem com a tónica da austeridade e descapitalização pública que a vem provocando. Porque não contempla os males de fundo que produziram a deterioração estrutural da nossa economia: a especialização perversa; a desigualdade; a venda a mau preço de activos vinculados ao nosso mercado interno e a perda de fontes de rendimentos endógenos; a diminuição da capacidade aquisitiva dos assalariados, dos trabalhadores autónomos e dos pequenos e médios empresários; o mau funcionamento da nossa administração pública e o gasto desnecessário e a corrupção de muitos dos nossos administradores e grandes empresários; a fraude e a iniquidade fiscal e a carência de políticas redistribuitivas poderosas que ajudem, como nos países mais avançados, a que a actividade seja mais sustentável económica, ecológica e socialmente e mais competitiva. E porque, ao invés de reforçar as necessárias fontes de valor que são necessárias para que uma economia progrida com bem-estar (conhecimento, inovação, espírito empresarial, sinergias e criação de redes...) vai destruí-las por muitos anos.

E o resgate não nos vai permitir avançar porque tão pouco aborda o dano que faz à nossa economia a pertença a uma união monetária mal concebida, sem molas de reequilíbrio e sem as instituições que a teoria económica mais elementar nos ensinou que se deve possuir para não ser um mecanismo diabólico de geração de instabilidade, de desigualdade e de problemas de eficiência de todo tipo.

Sem abordar estes assuntos, e incidindo nos que, pelo contrário, afundam nas nossas carência, podemos prever que a economia espanhola vai piorar imediatamente depois de este resgate se por em andamento. Um resgate à custa de todos os cidadãos que pode dar um alívio a alguns grandes banqueiros, que terão mais probabilidade de ficarem com todo o mercado, mas que nos colocará directamente na antecâmara de outro novo, agora já de toda a economia e que igualmente podemos antecipar que tão pouco servirá para nada, porque é impossível que a Espanha pague a dívida acumulada e aquela que se vai continuar a acrescentar cada vez mais vertiginosamente, como tão pouco poderão pagá-la os demais países europeus.

A ESCRAVIZAÇÃO DOS POVOS

Nossos governantes empenham-se inutilmente em fazer a quadratura do círculo e assim introduziram-nos numa espiral armadilhada da qual só se pode sair através de meios heróicos. É materialmente impossível fazer frente à dívida do modo como querem fazê-lo as autoridades europeias e o governo espanhol, supondo que este saiba o que quer. As políticas europeias contra o défice não aliviam a dívida e são, sim, sua fonte de crescimento inesgotável. E ocultam que a dívida não só tem causas como também propósitos: a escravização dos povos e o maior negócio dos banqueiros. As políticas e resgates, como o de agora na Espanha, que dizem que se adoptam para diminuí-la simplesmente a aumentam e situam-nas na antecâmara de medidas ainda mais drásticas para avançar rumo aquilo que realmente procuram: impor um novo modelo que lhes proporcione lucros com base no empobrecimento da população para competir em baixa com o resto do mundo, eliminando para isso todo resto de estado de bem-estar social e de justiça fiscal ou económica.

O tempo se encarregará, mais cedo do que tarde, de assinalar quem tem ou não razão.
27/Junho/2012

[1] Vicente Navarro, Juan Torres López e Alberto Garzón Espinosa, Hay alternativas: Propuestas para crear empleo y bienestar en España , 224 pgs., PDF, 1,7 MB. Para descarregar clique com o botão direito do rato e faça Save As....

O original encontra-se em juantorreslopez.com/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

24-06-2012

Link permanente 01:00:29, por José Alberte Email , 1879 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: A crise sistémica global - Alerta vermelho para Setembro-Outubro/2012

Crise sistémica global
Alerta vermelho para Setembro-Outubro/2012:
Quando as trombetas de Jericó soarão sete vezes
por GEAB

A evolução dos acontecimentos mundiais desenrola-se conforme as antecipações elaboradas pelo LEAP/E2020 durante trimestres recentes. A Eurolândia está finalmente a sair do seu torpor político e do curto-prazismo desde a eleição de François Hollande [1] à presidência da França e o povo grego acaba de confirmar a sua vontade de resolver os seus problemas no seio da Eurolândia [2] [NR] , desmentindo assim todos os "prognósticos" dos media anglo-saxónicos e dos eurocépticos. A partir de agora, a Eurolândia (de facto a UE menos o Reino Unido) vai portanto pode avançar e dotar-se de um verdadeiro projecto de integração política, de eficácia económica e de democratização para o período 2012-2016, como o LEAP/E2020 antecipou em Fevereiro último (GEAB nº 62). É uma notícia positiva mas, nos próximos semestres, este "segundo Renascimento" do projecto europeu [3] constituirá mesmo a única boa notícia a nível mundial.

Todas as outras componentes da situação global estão efectivamente orientadas num sentido negativo, mesmo catastrófico. Aqui, mais uma vez, os media dominantes começam a reflectir uma situação antecipada desde há muito pela nossa equipe para o Verão de 2012. Com efeito, de uma forma ou de outra, mais frequentemente em páginas internas do que em grandes manchetes (monopolizadas há meses pela Grécia e o Euro [4] ), doravante encontra-se os 13 temas seguintes:

Recessão global (mais nenhum motor de crescimento em parte alguma / fim do mito da "retomada estado-unidense") [5]
Insolvência crescente, e doravante parcialmente reconhecida como tal, do conjunto do sistema bancário e financeiro ocidental.
Fragilidade crescente dos activos financeiros chave como as dívidas soberanas, o imobiliário e os CDS na base dos balanços dos grandes bancos mundiais.
Queda do comércio internacional [6]
Tensões geopolíticas (nomeadamente no Médio Oriente) que se aproximam do ponto de explosão regional
Bloqueio geopolítico global duradouro na ONU
Colapso rápido de todo o sistema ocidental de aposentadoria por capitalização [7]
Fracturas políticas crescentes no seio de potências "monolíticas" mundiais (EUA, China, Rússia)
Ausência de soluções "milagrosas", como em 2008/2009, devido à impotência crescente de vários grandes bancos centrais ocidentais (Fed, BoE, Boj) e ao endividamento dos Estados
Credibilidade em queda livre para todos os Estados que tenham de assumir o duplo encargo de um endividamento público e de um endividamento privado excessivos.
Incapacidade para dominar/atenuar a progressão do desemprego em massa e de longa duração
Fracassos das políticas de estímulos monetaristas e financeiras assim como das políticas de austeridade "pura"
Ineficácia doravante quase sistemática dos grupos fechados internacionais alternativos ou recentes, G20, G8, Rio+20, OMC, ... sobre todos os temas-chave do que já não é de facto uma agenda mundial [8] dada a ausência de qualquer consenso: na economia, finanças, ambiente, resolução de conflitos, combate contra a pobreza...

. Segundo o LEAP/E2020, e conforme suas antecipações já antigas, assim como aquelas de Franck Biancheri desde 2010 no seu livro "Crise mondiale: En route pour le monde d'après", este segundo semestre de 2012 vai realmente assinalar um ponto de inflexão importante da crise sistémica global e das respostas que lhe são dadas.

Ele será caracterizado por um fenómeno de facto muito simples de compreender: se a Eurolândia está hoje em condições de abordar este período de modo prometedor [9] é porque atravessou nestes últimos anos uma crise de intensidade e profundidade sem igual desde o arranque do projecto de construção europeia após a Segunda Guerra Mundial [10] . A partir do fim deste Verão de 2012 serão todas as outras potências mundiais, Estados Unidos à cabeça [11] , que deverão enfrentar um processo idêntico. É a este preço, e só a este preço, que elas estarão a seguir, em alguns anos, em condições de encetar uma lenta reascensão para a luz.

Mas hoje, depois de terem tentado retardar o fracasso por todos os meios, chega a hora da factura. E como em tudo, a capacidade retardar o inevitável paga-se com um custo extra, a saber o agravamento do choque de ajustamento à nova realidade. Trata-se de facto do fim de jogo para o mundo de antes da crise. Os sete clarins das trombetas de Jericó que assinalarão o período Setembro/Outubro 2012 provocarão a derrocada dos últimos pedaços do "Muro Dólar" e das muralhas que protegeram o mundo tal como o conhecemos desde 1945.

O choque do Verão de 2008 parecerá um pequeno furacão estival em comparação com aquele que vai afectar o planeta dentro de alguns meses.

O LEAP/E202 jamais constatou a convergência temporal de uma tamanha série de factores explosivos, e de factores tão fundamentais (economia, finanças, geopolítica, ...), desde 2006, data do início dos seus trabalhos sobre a crise sistémica global. Logicamente, na nossa modesta tentativa de publicar regularmente uma "meteorologia da crise", devemos portanto emitir para os nossos leitores um "alerta vermelho" pois é realmente a esta categoria que pertence o fenómeno que se prepara para impactar o sistema mundial em Setembro/Outubro próximo.

.

Neste GEAB nº 66 desenvolvemos nossas antecipações em relação a sete factores chave deste choque de Setembro-Outubro 2012, os sete clarins das trombetas de Jericó [12] que marcam o fim do mundo de antes da crise. Trata-se de quatro factores geopolíticos no Médio Oriente e de três componentes económicos e financeiros no cerne do choque que vem aí:

Irão/Israel/EUA: A guerra supérflua verificar-se-á
A bomba assíria: o fósforo israelense-americano-iraniano no paiol Síria-Iraque
O caos afegão-paquistanês: o exército dos EUA e da NATO, reféns de uma saída de conflito cada vez mais difícil
O Outono árabe: os países do Golfo lançados na tormenta
Estados Unidos: o "Armagedão fiscal" começa a partir do Verão de 2012 – A economia estado-unidense em queda livre no Outono.
A grande insolvência bancária chega em Setembro-Outubro/2012: Bankia versão City-Wall Street
A insustentável leveza das Quantitative Easing do Verão de 2012 – os bancos centrais americano, britânico e japonês fora de jogo.

Desenvolvemos igualmente recomendações precisas sobre a maneira de minimizar o impacto do choque em preparação sobre a sua própria situação, quer seja um simples particular ou um decisor em empresas ou instituições públicas. Apresentamos igualmente o GlobalEurope Dollar Index do mês.

Finalmente, o LEAP/E2020 anuncia a retomada das suas formações em antecipação político, no próximo Outono, que doravante serão efectuadas on line a fim de responder aos pedidos chegados dos quatro cantos do planeta. Se o GEAB é um "peixe", um produto acabado da antecipação, com estas formações esperamos ensinar um número crescente de pessoas as "pescar" o sentido nas águas turvas do futuro. Pois se se deseja que o fim de jogo do mundo de antes da crise desemboque na construção de um mundo melhor após a crise, parece-nos essencial desenvolver as capacidades de antecipação do maior número de pessoas. Foi de facto esta ausência de antecipação que em grande parte provocou os erros na origem da crise actual.

Estas formações serão organizadas em parceria com a fundação espanhola não lucrativa FEFAP (Fundacion para la Educacion y la Formación en Anticipación Política) criada recentemente graças a uma doação de Franck Biancheri [13] .
Notas

(1) Doravante os debates, saudáveis sobretudo se forem francos e amplos, preocupam-se com o médio-longo prazo, a integração políticas e as novas instituições necessárias. Daqui até o fim do Verão, a evidência de que a dimensão da Eurolândia é central impor-se-á e permitirá contornar a dificuldade das instituições a 27 membros que estão hoje num estado ruína e da omnipresença britânica a qual não permite nesta fase confiar-lhe uma tarefa importante para estabelecer a governação da Eurolândia. A problemática Hollande-Merkel tem a ver muito mais com esta realidade do que com uma divergência "instituições comuns" ou "abordagem intergovernamental". As instituições de Bruxelas também pertencem ao mundo anterior à crise e são inaptas a fundar a Europa do pós crise. Fontes: Deutsche Welle, 11/06/2012; Spiegel, 06/05/2012; El Pais, 10/06/2012; La Tribune, 10/06/2012

(2) Que em contrapartida vai tornar mais tolerável o difícil ajustamento do país após 30 anos perdidos no seio da UE, perdidos pois desperdiçados sem qualquer modernização do Estado grego. Fonte: YahooNews, 18/06/2012

(3) MarketWatch de 14/06/2012 chega mesmo a prever para a Suíça uma inevitável integração na Eurolândia... como já havia feito do LEAP há algum tempo.

(4) Estratégia de diversão obriga!

(5) Fontes: Bloomberg, 15/06/2012; Albawaba, 12/06/2012; ChinaDaily, 05/06/2012; CNNMoney, 11/05/2012; Telegraph, 04/06/2012; MarketWatch, 05/04/2012

(6) Fontes: IrishTimes, 12/04/2012 ; CNBC, 08/06/2012

(7) Fontes: WashingtonPost, 11/06/2012; Telegraph, 11/06/2012; The Australian, 15/06/2012; Spiegel, 06/05/2012; ChinaDaily, 15/06/2012

(8) Em dois anos houve realmente uma deslocação da agenda diplomática mundial.

(9) A este respeito, o LEAP/E2020 antecipa a entrada das questões de defesa no cerne do debate sobre a integração política. Assim como o Euro foi criado no âmbito de um acordo complexo implicando um forte apoio francês à unificação alemã contra a mutualização do Deutsche Mark, a integração política que se perfila vai implicar a mutualização da "assinatura alemã" em contrapartida de uma forma de mutualização (pelo menos para o núcleo da Eurolândia) da dissuasão nuclear francesa. Os dirigentes franceses vão assim descobrir três coisas: que a questão da segurança/defesa preocupa muito seus parceiros da Eurolândia contrariamente às aparências (devido nomeadamente à perda de credibilidade rápida da protecção estado-unidense); que não há razão para que um debate complexo e difícil seja provocado por esta nova fase de integração unicamente na Alemanha (a França também vai ter de envolver) e finalmente que as opiniões públicas não são contra este tipo de abordagem muito concreta ao contrário dos tratados jurídicos incompreensíveis (como em 2005). Em matéria de defesa, assiste-se já a uma evolução importante: a França afasta-se silenciosamente de toda parceria significativa com o Reino Unido para se recentrar na cooperação com a Alemanha e os países do continente. O facto de o Reino Unido sempre prometer e nunca cumprir seus compromissos em matéria de defesa europeia (último até à data: o desenvolvimento comum de porta-aviões é posto em causa pela decisão britânica de não adaptar seu porta-aviões para receber os aparelhos franceses) foi finalmente analisado pelo que é, ou seja, uma tentativa ininterrupta de impedir a emergência de uma defesa europeia. E a redução drástica da capacidade de defesa britânica, por razões orçamentais, tornaram-no de facto um parceiro cada vez menos atractivo. Fontes: Monde Diplomatique, 15/05/2012; Telegraph, 06/06/2012; Le Point, 14/06/2012

(10) Choque ampliado na psicologia colectiva europeia e mundial pela incapacidade dos europeus durante este período de impedir serem instrumentalizados pela City e a Wall Street em matéria mediática, a fim de, por um lado, desviar a atenção das suas próprias dificuldades e, por outro, tentar "partir" esta Eurolândia em emergência que balouça a ordem estabelecida após 1945.

(11) País que viu a riqueza dos seus habitantes ser reduzida em 40% entre 2007 e 2010 segundo um estudo recente realizada pela Reserva Federal dos EUA. Permitimo-nos lembrar que quando em 2006 indicávamos, desde os primeiros números do GEAB, que esta cria ia provocar uma baixa de 50% da riqueza das famílias americanas, a maior parte dos "peritos" consideravam esta antecipação como totalmente aberrante. E o estudo vai só até 2010. Como indicámos, ainda há pelo menos 20% de baixa que aguarda as famílias dos EUA. Este recordatório visa sublinhar que uma das maiores dificuldades do trabalho de antecipação é a imensa inércia das opiniões e a falta de imaginação dos peritos. Cada uma reforça a outra para fazer crer que nenhuma mudança negativa importante está ali na esquina. Fonte: WashingtonPost, 11/06/2012; US Federal Reserve, 06/2012

(12) Para saber mais sobre o mito das trombetas de Jericó: Wikipedia

(13) Ele deve ser um dos muito poucos operadores a terem feito entrar dinheiro no sistema bancário espanhol nestas últimas semanas. Prova de convergência entre análise e acção.
18/Junho/2012
[NR] Ao publicar um texto resistir.info não tem de concordar com todo o seu conteúdo.

O original encontra-se em www.leap2020.eu/...

Este comunicado público encontra-se em http://resistir.info/ .
22/Jun/12

21-06-2012

Link permanente 23:20:58, por José Alberte Email , 1101 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: A NATO prepara uma vasta operação de intoxicação

por Thierry Meyssan

Os estados membros na NATO e do CCG preparam um golpe de Estado e um genocídio sectário na Síria. Caso pretendam opor-se a estes crimes, ajam quanto antes; façam circular estes artigo na Net e alertem os vossos conhecidos.

Dentro de poucos dias, talvez a partir de sexta-feira 15 de Junho ao meio dia, os sírios que pretenderem ver as cadeias de televisão nacionais terão estas substituídas nos écrans por televisões criadas pela CIA. Imagens realizadas em estúdio mostrarão cadáveres imputados ao governo, manifestações populares, ministros e generais apresentarão a sua demissão, o presidente el-Assad tratando de fugir, os rebeldes reunindo-se no coração das grandes cidades e um novo governo instalando-se no palácio presidencial. Esta operação, diretamente monitorizada a partir de Washington por Ben Rhodes, conselheiro adjunto da segurança nacional dos Estados Unidos, visa desmoralizar os sírios e preparar um golpe de Estado. A NATO, que esbarrou no duplo veto da Rússia e da China, conseguiria assim conquistar a Síria sem ter de a atacar ilegalmente. Qualquer que seja o julgamento sobre os atuais acontecimentos na Síria, um golpe de Estado poria fim a toda a esperança de democratização.

De maneira absolutamente formal, a Liga Árabe pediu aos operadores de satélite Arabsat e Nilesat para cortarem a transmissão dos media sírios, públicos e privados (Syria TV, Al-Ekbariya, Ad-Dounia, Cham TV, etc.). Existe um precedente, dado que a Liga Árabe tinha já procedido à censura de televisão líbia de forma a impedir os dirigentes da Jamahiriya de comunicarem com o seu povo. Não existe rede hertziana na Síria, onde as televisões são exclusivamente captadas por satélite. Mas este corte não deixaria os écrans apagados. De facto, esta decisão é apenas a parte emersa do iceberg. Segundo informações de que dispomos, diversas reuniões internacionais foram levadas a cabo na semana passada para coordenar a operação de intoxicação. As duas primeiras, de natureza técnica, tiveram lugar em Doha (Qatar), a terceira, política ocorreu em Riade (Arábia Saudita).

Uma primeira reunião juntou os oficiais de guerra psicológica “embedded” em certas cadeias de satélite, entre as quais Al-Arabiya, Al-Jazeera, BBC, CNN, Fox, France 24, Future TV, MTV. Sabe-se que desde 1998 os oficiais da United States Army’s Psychological Operations Unit (PSYOP) foram incorporados na redação da CNN; a partir daí, esta prática foi estendida pela NATO a outras estações estratégicas. Redigiram antecipadamente falsas informações, segundo um “storytelling” elaborado pela equipa de Ben Rhodes na Casa Branca. Um procedimento de validação recíproca foi posto em marcha, cada media devendo citar os outros de forma a contribuir para torná-los credíveis aos ouvidos dos telespectadores. Os participantes decidiram igualmente requisitar não apenas as cadeias da CIA para a Síria e o Líbano (Barada, Future TV, MTV, Orient News, Syria Chaab, Syria Alghad), mas também outras quarenta cadeias religiosas wahhabitas, as quais apelarão ao massacre confessional aos gritos de “Os cristãos para Beirute, os alauitas para o túmulo!”

A segunda reunião juntou engenheiros e realizadores, visando planear a fabricação de imagens de ficção, misturando uma parte em estúdio a céu aberto e uma parte de imagens de síntese. Os estúdios foram arranjados durante as últimas semanas na Arábia Saudita, de modo a reconstituir aos dois palácios presidenciais sírios e os principais lugares de Damasco, Alepo e Homs. Já havia estúdios deste tipo em Doha, mas eram insuficientes.

A terceira reunião agrupou o general James B. Smith, embaixador do EUA, um representante do Reino Unido e o príncipe Bandar Bin Sultan (a quem o presidente George Bush pai designou como seu filho adotivo, ao ponto de a imprensa norte-americana o ter designado como “Bandar Bush”). Tratava-se de coordenar a ação dos media e a do “Exército Sírio Livre”, do qual os mercenários do príncipe Bandar formam o grosso dos efetivos.

A operação, em gestação desde há meses, foi precipitada pelo conselho de segurança nacional dos EUA, depois de o presidente Putin ter notificado a Casa Branca de que a Rússia se oporia pela força a toda a intervenção militar ilegal da NATO na Síria.

Essa operação compreende dois vetores simultâneos: por uma lado, diversificar as falsas contrainformações; por outro lado, censurar toda e qualquer a possibilidade de lhes responder.

A interdição das TVs por satélite como forma de conduzir uma guerra não é uma novidade. De facto, sob pressão de Israel, os EUA e a União Europeia impuseram sucessivas interdições a cadeias libanesas, palestinianas, iraquianas e líbias. Nenhuma censura foi imposta a cadeias de satélite provenientes de outras partes do mundo.

Tão-pouco a difusão de notícias falsas constitui uma estreia. Entretanto, quatro novos passos significativos foram dados na arte da propaganda durante o decurso das últimas décadas:
- Em 1994 uma estação de música Pop, a “Radio Libre des Mille Collines” (RTML) deu o sinal para o genocídio no Ruanda apelando a “Matar as baratas!”.
- Em 2001 a NATO utilizou os media para impor uma interpretação dos atentados de 11 de Setembro e justificar os ataques ao Afeganistão e ao Iraque. Nesta altura, já Ben Rhodes tinha sido encarregue pela administração Bush de redigir o relatório da Comissão Kean/Hamilton sobre os atentados.
- Em 2002 a CIA utilizou cinco cadeias, Televen, Globovision, Meridiano, ValeTV et CMT, para fazer crer que manifestações monstruosas tinham forçado o presidente eleito da Venezuela, Hugo Chávez, a demitir-se, dado que tinha sido vítima de um golpe de Estado.
- Em 2011, aquando a batalha de Trípoli, a NATO fez realizar em estúdio e difundir pela Al-Jazeera e pela Al-Arabiya imagens de rebeldes líbios entrando na praça central da capital enquanto eles realmente ainda se encontravam longe da cidade, de forma que os habitantes, persuadidos de que a guerra estava perdida, cessaram toda a resistência.

Doravante, os media já não se contentam em apoiar a guerra, eles praticam-na diretamente.

Este dispositivo viola os princípios básicos do direito internacional, a começar pelo artigo 19 de Declaração Universal dos Direitos do Homem relativo ao facto de “receber e difundir, sem consideração de fronteiras, as informações e as ideias por qualquer meio de informação”. Sobretudo, ele viola também as resoluções da Assembleia Geral da ONU, adotadas no final da Segunda Guerra Mundial, para evitar as guerras. As resoluções 110, 381 e 819 interdizem “os obstáculos à livre troca de informações e de ideias” (no caso vertente, o corte das cadeias sírias) e “a propaganda de natureza a provocar ou encorajar toda a ameaça à paz, rotura da paz ou outro ato de agressão”.

No direito, a propaganda da guerra é um crime contra a paz, o mais grave dos crimes, dado que ele torna possíveis os crimes de guerra e os genocídios.
Thierry Meyssan
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Tradução João Carlos Graça
Thierry Meyssan

20-06-2012

Link permanente 12:24:22, por José Alberte Email , 3482 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas, Dezires

CANTA O MERLO: "A Grécia tem de sair do euro e declarar a moratória da dívida"

por Costas Lapavitsas [*]
entrevistado por João Alexandre Peschanski

Um quarto dos trabalhadores gregos estão desempregados – um índice que atinge 50% quando considerados apenas a população economicamente ativa com menos de 25 anos, de acordo com dados oficiais. O Fundo Monetário Internacional e a União Europeia adotaram medidas para supostamente resgatar a economia grega, cujo Produto Interno Bruto (PIB) caiu quase 7% em 2011, que pioraram a situação social. Há protestos diários na capital Atenas, muitos dos quais acabam em confrontos violentos com a polícia.

Para resolver a crise econômica e social, a Grécia tem de "tomar as rédeas de seu próprio futuro". A opinião é do economista grego Costas Lapavitsas, professor da Universidade de Londres e coordenador do grupo de economistas políticos Pesquisa sobre Dinheiro e Finanças (RMF, na sigla em inglês), que se tornou uma das principais referências acadêmicas na análise das causas e consequências da recessão global iniciada em 2007. Segundo ele, o futuro soberano da Grécia passa necessariamente pela moratória da dívida e a saída da zona do euro.

Lapavitsas sugere, nesta entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, concedida em 25 de abril, durante uma visita aos Estados Unidos para uma série de conferências sobre a crise europeia, que as políticas e instituições da zona do euro intensificaram o impacto da recessão na Grécia e no que ele chama de países periféricos do bloco, como Espanha, Portugal e Irlanda. Para sair da crise, diz Lapavitsas, a Grécia precisa adotar medidas de resgate de sua soberania nacional e de desenvolvimento industrial.

Brasil de Fato – Por que a zona do euro esteve tão vulnerável à crise imobiliária e financeira, que se iniciou nos Estados Unidos, em 2007?

Costas Lapavitsas – Essa fragilidade à crise global foi causada por fatores relacionados à estrutura interna da zona do euro. É porque a zona do euro é ela mesma problemática, porque ela criou tensões profundas dentro de si. Posso ser mais preciso: a zona do euro criou dentro de si mesma uma oposição entre um centro e uma periferia. A periferia é provavelmente a Grécia, a Espanha, o Portugal, a Irlanda; a Itália está na fronteira. A periferia se tornou periferia porque perdeu competitividade em relação ao centro, desenvolvendo enormes déficits, tanto em transações quanto no saldo comercial, o que levou a uma multiplicação de suas dívidas. Ou seja, à medida que a periferia foi perdendo poder econômico, gerou-se uma dívida, interna e externa, privada e pública. Quando a crise atinge a zona do euro, a dívida que havia sido acumulada na periferia se tornou a principal causa de sua fragilidade, colocando a zona do euro em uma situação muito problemática.

Por que esses países que se tornaram periféricos perderam competitividade?

Vale notar que não se trata de periferia e centro no sentido clássico da teoria do desenvolvimento, em que se opõem Primeiro e Terceiro Mundo. O capitalismo produz continuamente essa distinção entre periferia e centro, uma dimensão combinada de desenvolvimento desigual. A zona do euro fez a mesma coisa, do seu próprio modo, que tem a ver com a formação do euro. A moeda, usada globalmente, foi criada para competir com o dólar, oferecendo a bancos e corporações uma forma de dinheiro confiável para manter suas reservas e organizar transações. Para criar essa forma de dinheiro, os países europeus tiveram de criar um sistema para mantê-lo, que tem vários elementos. Essa variedade é um reflexo do fato de esses países serem 17 Estados. O sistema que foi criado foi pensado para estabelecer um sistema monetário comum, um banco central. Mas, aí começa o problema, há uma variedade de políticas fiscais, já que são 17 Estados, 17 classes dominantes, e, portanto, uma variedade de práticas bancárias. Apesar de haver um sistema monetário comum, há 17 tipos de bancos nacionais na zona do euro. Esse sistema com moeda comum e variedade de bancos, rigidez fiscal com limites, fez com que fosse necessário ter flexibilidade em alguma área: o mercado de trabalho. O que aconteceu então na zona do euro foi uma competição para baixar os custos de trabalho. Aí, a Alemanha ganhou, sem ter realmente um competidor no mesmo nível. A Alemanha manteve congelados os custos de trabalho por quase duas décadas, agora. Os países periféricos tiveram menos êxito; custos de trabalho congelados na Alemanha e custos da unidade de trabalho em alta em outros países levaram-nos a serem menos competitivos. Isso criou um abismo no mercado e os países periféricos não puderam equilibrar a perda de competitividade com desvalorização monetária ou com outras políticas econômicas, já que isso fazia parte do sistema comum.

Na formação do euro, houve acordos para manter em equilíbrio o mercado de trabalho. Por que esses acordos não foram respeitados, já que foram respeitados os acordos monetários e fiscais?

A atitude da zona do euro em relação ao mercado de trabalho é contraditória. Por um lado, há uma proteção de direitos trabalhistas e sindicais, que garantem benefícios reais aos trabalhadores; por outro lado, há uma pressão contínua para baixar os custos salariais. Nesse espaço de contradição, houve por parte de todos os Estados um esforço para produzir competitividade com flexibilização no mercado de trabalho, removendo rigidez. Isso ficou claro no Tratado de Lisboa, no Tratado de Nice e outros acordos. Há, portanto, uma pressão uniforme para baixar os custos de trabalho, por mais que de fato haja algum acordo mínimo em relação a direitos trabalhistas. É a diferente capacidade de ter êxito em baixar os custos de trabalho que levou a resultados divergentes, à criação do centro e da periferia.

Como a Alemanha conseguiu surgir como o país europeu dominante?

A Alemanha manteve seus trabalhadores sem aumento salarial por duas décadas. Conseguiu fazê-lo ao se aproveitar da estrutura de negociação trabalhista tripartite que existe há tempo por lá. Sentam para negociar todo acordo trabalhista empregados, empregadores e representantes do Estado. Após a reunificação das Alemanhas, foram adotadas políticas públicas, muitas vezes com a conivência dos sindicatos, para congelar os custos de trabalho e enfraquecer o sindicalismo. A Alemanha oriental não tem sindicatos fortes; há áreas da Alemanha ocidental que perderam representatividade sindical. Claro que tudo isso foi costurado pelo partido social-democrata alemão, sob o governo de Gerhard Schroeder. Só um partido com origem de esquerda poderia ter imposto esse tipo de situação, finalmente instrumentalizada pelas classes dominantes alemãs, em detrimento dos trabalhadores europeus como um todo.

Como a crise iniciada em 2007 acentuou a vulnerabilidade da periferia da zona do euro?

A crise imobiliária dos Estados Unidos transformou-se numa crise do sistema bancário global, a partir do momento em que os títulos podres vinculados às hipotecas foram vendidos como legítimos. Entrou-se numa recessão global: os bancos globais enfraqueceram-se em termos de liquidez e solvência, incluindo os bancos europeus. Especialmente em 2008 e 2009, a recessão global fez com que os Estados tivessem de intervir para apoiar suas economias internas. Obviamente a capacidade de arrecadação e os rendimentos dos Estados foram reduzidos, pois as economias internas se contraíram. Para os países periféricos, que já tinham dívidas enormes, o resultado foi catastrófico. Não conseguiram recuperar vigor, já que o que conseguiam acumular eram mais dívidas. Haviam perdido competitividade, tinham grande déficits públicos, perdiam capacidade de arrecadação tributária. Mesmo se tentassem manter suas economias internas com algum equilíbrio, o sistema financeiro global não tinha interesse em emprestar mais, quando percebeu que a dívida grega não era a mesma coisa que a dívida alemã, isto é, quando percebeu que a dívida da Grécia e do Portugal, por mais que fosse em euro, não seria bancada pela Alemanha. Daí, a fraqueza desses países periféricos ficou totalmente exposta e o impacto da crise foi muito mais severo. Quando ficou claro que os países periféricos estavam em crise, os bancos começaram a sentir novas pressões da crise, já que os bancos haviam emprestado a esses Estados. A crise começou como uma crise bancária, tornou-se uma recessão, foi para os Estados e, daí, ameaçou voltar aos bancos. Foi quando a crise ameaçou voltar aos bancos que a União Europeia interveio; interveio para resgatar os bancos e, ainda agora, é esse o sentido da intervenção.

As políticas de austeridade adotadas em toda a Europa, mas especialmente nos países que você caracteriza como periféricos, são expressões dessa lógica de intervir para resgatar os bancos?

Os parâmetros que têm direcionado a intervenção da União Europeia são, primeiro, o resgate dos bancos e a transferência dos custos da crise para outros setores, especialmente os assalariados, os trabalhadores. Em segundo, a intervenção quis evitar os custos nacionais, mas daí se deparou com o problema próprio à constituição da zona do euro. Como eu disse antes, não existe algo como um banco europeu, existem bancos nacionais, espanhóis, portugueses, gregos. A zona do euro até se mobilizou para resgatar os bancos, mas não pode fazê-lo de modo geral, tem de resgatar bancos nacionais. O mecanismo para resgatar os bancos teve de ser o Estado. Isso criou mais um problema: por que o Estado alemão resgataria bancos espanhóis? Isso jamais aconteceria. Os alemães disseram: é o Estado espanhol que tem de resgatar os bancos espanhóis. Mas na perspectiva do Estado espanhol só pode fazê-lo com ajuda de outros Estados, especialmente a Alemanha. Aí voltamos aos problemas da construção da zona do euro, que não é homogênea, está cheia de contradições. Além disso, não é uma aliança, construiu-se como um mecanismo hierárquico, com alguns países no topo, que não estão preparados para assumir as perdas dos bancos, economias e Estados periféricos.

A dívida grega era em grande parte com bancos de outros países europeus, especialmente a Alemanha. Não ajudar o Estado grego pode levar ao colapso do sistema bancário alemão.

Claro, e isso tem sido um dos pontos em relação aos quais os políticos europeus têm realmente brigado. Há uma interdependência da crise, clara desde os primeiros sinais de vulnerabilidade, que, além do mais, não tem como ser resolvida. E é um problema muito sério: se os bancos começarem a entrar em colapso, a própria zona do euro vai desaparecer. Isso não é algo que a classe dominante alemã e francesa queira. Mas, ao mesmo tempo, não quer dar dinheiro para a periferia para salvar o sistema e não quer transformar a zona do euro de maneira drástica, pois o modelo europeu atual, por mais contraditório que seja, é positivo para as grandes corporações. A falta de solução da crise europeia não tem a ver com a incompetência dos políticos europeus, o que muita gente costuma dizer – "a Angela Merkel não é boa", "o Nicolas Sarkozy é ruim". Esses políticos são geralmente muito melhores do que a média dos jornalistas ou analistas econômicos: se houvesse algo a ser feito, a Merkel e o Sarkozy saberiam. O problema é estrutural; tem a ver com os interesses e os mecanismos em jogo na zona do euro. Todos sabem que há um problema, mas não têm como adotar uma medida comum, como a do governo estadunidense. Há um mosaico de intervenções, que não atingem de maneira sistêmica a fonte da crise.

Diante da incapacidade de uma solução conjunta, no nível da zona do euro, os países periféricos têm de tomar medidas de proteção de sua soberania para sair da crise e, especialmente, impedir que seus efeitos continuem tendo impactos tão negativos em suas populações.

Os países periféricos não serão capazes de resolver suas crises, de maneira a atender aos interesses de suas populações, de suas sociedades, a não ser que tomem as rédeas de seu próprio futuro. As decisões que estão sendo tomadas no centro da União Europeia e impostas à periferia são estritamente do interesse do centro. O que tem de acontecer no centro é mais complexo; não está tão claro quanto o que tem de acontecer na periferia. Vale ressaltar que, quando isso acontecer com os países periféricos, eles têm de evitar um nacionalismo econômico cego e autodestrutivo. Tomar as rédeas de seu futuro, assumir o comando de suas políticas públicas para proteger suas populações, não é a mesma coisa do que assumir uma atitude de nacionalismo econômico, por mais que possa levar a isso. O verdadeiro desafio de fazer políticas públicas progressistas, para a esquerda, é conseguir adotar um programa que não fique preso ao nacionalismo econômico.

Você está sugerindo que a Grécia saia da zona do euro? Quais as consequências disso?

Os problemas da dívida e do euro estão inextricavelmente relacionados. A Grécia tem de sair do euro e declarar a moratória da dívida. Não existe um sem outro. Para a Grécia, não pagar a dívida significa algo diferente do que para outros países periféricos, como Espanha e Portugal. Nos últimos dois anos, a dívida grega tornou-se uma dívida pública; antes, os credores eram bancos, agora são instituições internacionais. A natureza da dívida se modificou, a natureza da moratória grega será diferente, quando vier, porque virá. A dívida é insustentável. Mas será mais difícil nessas condições declarar moratória, levando a mais tensões interestatais. Isso é culpa dos políticos europeus, que têm administrado o controle dessa crise desde 2010. A moratória da dívida é necessária e tem de ser soberana, iniciada pela Grécia, não pelos credores, e democrática, com uma comissão auditora, examinando a legitimidade dos empréstimos, prestando contas de maneira democrática, para que se possa descobrir como e por que o país se endividou tanto. Toda dívida é uma questão de classe e tem de ser examinada dessa maneira, ou seja, com participação da sociedade civil, dos trabalhadores, para que se chegue a uma solução de defesa da soberania popular. A moratória é necessária agora e a saída da zona do euro deveria acontecer ao mesmo tempo. Isso será um choque enorme, maior agora do que teria sido há dois anos, porque a economia está mais enfraquecida, após dois anos do que chamaram de resgate da Grécia. Mas não há escolha.

O que acontece depois?

As condições que serão estabelecidas serão de emergência. A melhor forma de lidar com elas é com mobilização social e política. Os trabalhadores têm de ter o controle e administrar essas condições de emergência, de maneira coletiva, coerente e organizada. Haverá problemas monetários, já que tem de se criar um sistema para a circulação de uma nova moeda, que tem de ter câmbio e outros mecanismos para funcionar. A intervenção do Estado é necessária para controlar os problemas monetários e assegurar que a nova moeda se torne viável e dominante. Haverá problemas com bancos, que não conseguirão lidar com a confusão de ter obrigações em euro e atender aos requisitos para a circulação da nova moeda. Os bancos terão de ser nacionalizados, colocados sob um sistema de propriedade pública. Haverá um período sem funcionamento bancário. O controle de capital tem de ser imposto imediatamente. Tem de se iniciar um processo de reestruturação dos bancos, criando instituições que possam estimular o desenvolvimento com preocupação social. Haverá problemas comerciais, de acesso a mercadorias. No médio prazo, a saída da zona do euro será positiva, porque a nova moeda será desvalorizada e, portanto, haverá mais produção interna e um mercado interno revigorado. Isso pode levar ao renascimento do emprego. A dependência atual da Grécia em relação aos produtos de fora é ridícula e isso poderá reverter essa situação. As exportações também podem ser beneficiadas.

Os efeitos positivos serão vistos em um ano. Mas no curto prazo haverá problemas de acesso a mercadorias básicas, em relação às quais o país tem um déficit, o que inclui alimentos, medicamentos e petróleo. Para lidar com isso, será preciso adotar medidas administrativas, condições de guerra para falar francamente, com intervenção do Estado, nacionalização e direção do consumo, para garantir que os mais vulneráveis estejam protegidos, que haja justiça em como as mercadorias são distribuídas, que crianças tenham acesso ao que precisam, até que a situação seja normalizada, o que é uma questão de tempo. Tudo isso soa como algo muito duro e difícil, mas tudo isso já está acontecendo na Grécia agora, com desemprego, cortes salariais, falta de acesso a bens de consumo. Mas isso está acontecendo atualmente de maneira desigual, sem atingir quem tem mais e devastando a maioria da população. Medidas administrativas do tipo que estou sugerindo garantem que o sacrifício seja partilhado, até que o país esteja melhor.

Essas são medidas de reorganização econômica após uma eventual saída da zona do euro. O que precisa ser feito para tirar o país da crise?

Essas medidas não são a resposta toda para solucionar a crise, são apenas os primeiros passos para que a Grécia e os outros países periféricos saiam da armadilha na qual estão atualmente. Essas medidas têm de servir para a apresentação de um amplo programa de transformação social e econômica. A Grécia precisa de reformas profundas, colocando sua economia em outro rumo, reforçando o Estado, adotando uma nova política industrial.

Você diz que a moratória da dívida é necessária, inevitável, mas o que garante que o governo grego, que aceitou os planos de austeridade e reprime duramente manifestações populares, vai declará-la?

Não haverá moratória e saída da zona do euro, se não se discutir democracia e soberania nacional para a Grécia. A União Europeia não é um mecanismo para proteger a democracia, contém em si vários mecanismos para suprimir a democracia, impondo medidas e práticas antidemocráticas de fora, mesmo em países grande, como a Itália. Isso é muito perigoso. Há obviamente interesses poderosos na Grécia que se alinham com a União Europeia, porque acreditam que sua posição econômica está protegida. É um tipo de aliança com a presença externa imperialista. Mas a população grega não aceita isso nem a negação da democracia. Precisa restabelecer a democracia e a saída da zona do euro pode trazer as condições para isso. Está relacionado a isso o fato de a Grécia ter perdido soberania nacional, tornando-se rapidamente uma neocolônia, sob condições de protetorado, que a classe dominante aceita, mas a população grega não. A moratória da dívida e a saída da zona do euro podem ser mecanismos para resgatar a soberania nacional.

Você parece esperar que medidas emergenciais levem a práticas democráticas, mas geralmente são um contexto para regimes autoritários.

Não acho que haja o risco de um golpe militar na Grécia, agora. Há uma noção geral no exército de que o sistema vigente não funciona, não tem interesse em manter a situação. O exército tem sofrido ele mesmo com os planos de austeridade, tanto com cortes em gastos militares quanto em salários. O exército considera que o problema é profundo e complexo e que uma ditadura militar não conseguiria responder a isso. O problema não é o mesmo do passado, comunismo ou anticomunismo, mas muito mais profundo, relacionado à estrutura econômica, à direção social do país, e o exército grego não tem nenhum projeto para solucioná-lo. E acredito que os oficiais sabem disso. É mais provável que testemunhemos muita repressão policial, o mecanismo repressivo do Estado, por mais que a fachada democrática seja mantida. Mas isso ainda tem que ser visto, pois a própria polícia sofreu com as políticas de austeridade. Não será possível manter um alto nível de repressão por muito tempo.

Há um movimento crescente de extrema direita na Grécia.

Por enquanto, são os principais beneficiários das políticas de austeridade. Isso é péssimo, por mais que seja compreensível. É reflexo da inabilidade da esquerda de formular uma alternativa coerente. Alguns setores da esquerda têm sido muito críticos em relação ao que está acontecendo, mas defendem uma alternativa que mantenha a Grécia na zona do euro. Outros setores rejeitam todas as políticas europeias, mas não sentem que haja uma solução no presente. Diante dessa inabilidade da esquerda de ter uma alternativa coerente, muitos movimentos de direita, que têm um discurso de confrontação e nacionalismo agressivo, têm crescido e isso polariza a política grega. Mas, para fora da disputa partidária, há realmente muito acontecendo nos protestos, algo que se pode chamar de unidade classista das ruas, pois toda uma variedade de pessoas não aceita o que está acontecendo e luta contra as imposições da austeridade sem parar há dois anos. Ainda não se conseguiu fazer dessa unidade na luta uma frente coerente, que leve a uma alternativa política. Mas sou otimista, pois a crise não está solucionada, deve até piorar, as condições de vida das pessoas são insustentáveis e, principalmente, as pessoas não enxergam um futuro para a Grécia e suas vidas dentro do quadro político e econômico atual. As pessoas conseguem suportar todo tipo de problemas, se imaginam que sua situação vai melhorar no futuro. Isso não é o caso na Grécia. Nessas condições, a luta vai continuar, assim como a busca por uma alternativa viável e realizável.
15/Maio/2012

Do mesmo autor:
Para Portugal, o tempo está a esgotar-se
Ruptura – Uma via para sair da crise da Eurozona
"O BCE não é a solução mágica para a crise da eurozona"

[*] Professor de Economia da School of Oriental and African Studies (SOAS), membro do Research on Money and Finance , autor de Crisis in the Euro Zone .

O original encontra-se em http://www.brasildefato.com.br/node/9579

Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .

15-06-2012

Link permanente 21:42:06, por José Alberte Email , 1342 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Soluções que se afastem do poder popular servem o capital

por Elisseos Vagenas [*

http://pt.kke.gr/news/news2012/2012-06-12-synentefxi/

1. Os resultados das eleições demonstram que o sistema dos dois partidos acabou. Que desenvolvimentos levaram a isto e o que nos mostram os equilíbrios políticos de hoje?

Resposta: O resultado demonstra que eles procuram fazer um esforço de cirurgia cosmética no sistema de dois partidos. Eles reapresentaram velhos dilemas chantagistas aos trabalhadores num novo "pacote". A classe burguesa, a fim de manter o seu poder procura livrar-se ou dar papéis secundários à maior parte dos partidos e figuras políticas já gastas. Ela está a preparar uma reestruturação do cenário político, devido aos danos sofridos pelos partidos burgueses básicos, o social-democrata PASOK e o conservador ND. Há uma tentativa para formar um pólo centro-direita em torno do ND e um pólo centro-esquerda em torno do social-democrata SYRIZA. A tentativa de reduzir a força eleitoral do KKE faz parte deste plano.

2. O que argumentou e propôs o KKE nas eleições? Qual era a sua linha geral e o que ele diz hoje?

Nas eleições de 6 de Maio o KKE promoveu amplamente a sua proposta política a qual destaca que a classe trabalhadora tem necessidade do poder popular sobre a economia, com desligamento da UE e cancelamento unilateral da dívida, com a socialização dos meios de produção concentrados, as cooperativas de produtores, planeamento à escala nacional para a plena utilização do potencial de produção do país, com controle da classe trabalhadora e do povo o qual operará de baixo para cima.

3. Os partidos do poder perderam muitos votos. A indignação foi expressa através de partidos que não tomaram uma posição frontal contra a Troika, a UE, o FMI, enquanto o KKE está todos os dias no meio das lutas, ao lado dos trabalhadores, desempregados, auto-empregados, etc. Por que o KKE não recebeu um resultado correspondente?

O KKE teve um pequeno aumento nesta eleição. Especificamente, recebeu 536.072 votos ou 8,5%, ou seja, +18.812 votos ou +1%. O KKE elegeu 26 deputados (dos 300 no Parlamento), 5 mais do que tinha anteriormente. Nos bairros da classe trabalhadora o KKE recebeu quase o dobro da sua percentagem média. Na verdade em uma das 56 regiões eleitorais (Samos-Ikaria) o KKE ficou em primeiro lugar com 24,7%. Deveria ser observado que 8,5% é a mais alta percentagem do partido em eleições parlamentares nos últimos 27 anos, desde 1985.

O KKE não tem ilusões parlamentares no sentido de que não espera aumentar gradualmente os seus votos até um dia em que terá uma maioria no parlamento e formará um governo "comunista". Estamos a lutar pelo socialismo-comunismo e se isto pudesse ocorrer através de eleições burguesas então a classe burguesa já teria abolido eleições.

Deste ponto de vista é incorrecto comparar os resultados eleitorais do KKE com aqueles de uma formação social-democrata, tal como o SYRIZA.

Deveríamos recordar que dois anos e meio atrás o PASOK, o outro partido social-democrata, recebeu 44% dos votos ao passo que desta vez recebeu apenas 13%. Este declínio, o qual teve lugar em condições de fluidez política promoveu o SYRIZA, sua relação ideológica mais próxima.

4. O KKE argumenta que sem poder popular e socialização dos meios de produção, não pode ser formado um governo que esteja a favor dos trabalhadores. Hoje, quando as condições para esta direcção não existem, isto é, para o poder popular, o que propõe o KKE? Que exigências promove ele na situação de hoje?

Uma vez que o nosso país permanece ligado a uniões imperialistas, NATO e UE, e o poder pertence aos capitalistas, não pode haver nenhum governo a favor do povo. A posição do KKE é pela organização da luta dos trabalhadores, dos agricultores pobres, dos estratos populares baixos-médios contra as medidas anti-povo que serão tomadas pelo governo (seja centro-direita ou centro-esquerda). Acreditamos que através desta luta forças serão libertadas da ideologia burguesa e será formada uma aliança social que colocará a questão do poder.

5. O que é o programa mínimo do KKE, o qual responda às exigências e lutas dos trabalhadores?

O KKE insiste e está firmemente orientado para a necessidade e oportunidade do socialismo. Ele considera que as pré-condições materiais para a criação da sociedade socialista-comunista existem. Além disso, tendo estudado a experiência histórica do movimento comunista grego e internacional, o KKE chegou à conclusão de que as visões respeitantes a uma "etapa intermediária" entre capitalismo e socialismo foram erradas. Na nossa opinião, esta avaliação não vingou em parte alguma!

O poder será ou um poder burguês ou o poder popular dos trabalhadores; não pode haver qualquer poder que tenha um carácter intermediário. Nesta base, o KKE hoje não combate por qualquer etapa intermediárias e portanto não tem programa mínimo. Naturalmente isto não significa que tenha apenas uma estratégia e não tácticas. As tácticas do KKE promovem a necessidade de congregar o povo trabalhador em torno de objectivos de luta, tanto para a defesa dos trabalhadores, do povo e dos direitos democráticos como para a satisfação das necessidades actuais do povo. Temos posições bem elaboradas e objectivos de luta para todos os problemas do povo. Contudo, declaramos abertamente que sob as condições do capitalismo quaisquer êxitos que o povo trabalhador possa obter serão temporários sem a aquisição do poder popular dos trabalhadores.

6. Como o descontentamento e indignação popular serão organizados pelo partido?

Os comunistas estão na vanguarda da luta em relação a todo problema que o povo enfrenta. Procuramos mobilizar os trabalhadores e os estratos populares pobres no caminho da luta através dos sindicatos, da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) o qual é pólo com orientação de classe nos sindicatos, bem como através de outras formas de organização, como os Comités Populares nos bairros.

7. O que são os dilemas que eles estão a colocar diante do povo e o que o partido tem a dizer acerca disto?

A classe burguesa e seus partidos colocam falsos dilemas antes das eleições a fim de aprisionar forças populares e impedi-las de se aproximarem do KKE. Mas não podemos explicar isto de um modo analítico devido à falta de espaço. Podemos abreviadamente mencionar um destes dilemas: "euro ou dracma?" Consideramos que isto é um falso dilema. Para começar, se a Grécia permanecer no euro ou não depende do desenvolvimento da crise capitalista no país e na Europa. Além disso, só a questão da divisa, sem o derrube do poder da classe burguesa, sem a socialização dos meios de produção básicos, o planeamento central da economia e o controle dos trabalhadores, não pode garantir uma vida melhor para os trabalhadores.

8. Qual é a linha política do partido em relação a alianças?

O KKE tem uma política de alianças a qual tem uma base social. Ele acredita numa aliança da classe trabalhadora, dos estratos populares na cidade e no campo que entrarão em conflito com os monopólios e o imperialismo. Esta aliança está a ser formada hoje através das respectivas mobilizações populares com a perspectiva de por em causa o pode dos monopólios.

9. Por que o KKE rejeitou o convite do SYRIZA para um governo de esquerda? Qual é o carácter de classe do SYNAPISMOS e que classes ele representa?

Acreditamos que um "governo de esquerda" seja incapaz de resolver os problemas do povo e, pelo contrário, irá piorá-los. Naturalmente isto não pode ser entendido por todo o povo trabalhador e outros estratos tais como os pequenos negociantes que estão a ser destruídos pela crise. O SYRIZA foi escolhido por uma parte da burguesia a qual o encara como a força básica num governo que fará o "trabalho sujo" da crise capitalista, que administrará uma possível bancarrota.

10. O que prevê para o após 17 de Junho?

Qualquer governo nas condições da crise capitalista, na estrutura do sistema capitalista, com o país aprisionado na UE e na NATO, tomará medidas anti-povo.

O KKE é um partido para todas as estações e demonstrou isso na sua história de 93 anos. No entanto, é importante frustrar os planos para o seu enfraquecimento nas eleições de Junho de modo a que possa desempenhar um papel importante no contra-ataque dos trabalhadores e do povo com toda a força possível.
12/Junho/2012

[*] Membro do CC e responsável da Secção Internacional do CC do KKE. Entrevista ao jornal turco Evrensel.

e-mail:cpg@int.kke.gr

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CANTA O MERLO: Livro censurado no reino boubónico de Espanha- O saqueio dos banqueiros é terrorismo financeiro

Resistir.info

O famoso investigador espanhol Vicente Navarro, que trabalhou 40 anos na John Hopkins University, acaba de ter o livro Hay alternativas: Propuestas para crear empleo y bienestar en España censurado pelas críticas que faz à situação económico-social da Espanha e da UE. O livro, elaborado em co-autoria com os economistas Juan Torres López e Alberto Garzón Espinosa e com prefácio de Noam Chomsky, estava pronto para ser lançado mas a editora Aguilar arrependeu-se e decidiu abortar o lançamento. Diante disso, os autores resolveram fazer uma carta-denúncia pública e divulgar o livro gratutitamente através da Internet. O livro pode ser descarregado aqui (224 pgs., 1,7 MB) Ha alternativas (clique com o botão direito do rato e faça Save As...).

Algumas das afirmações contidas no livro:

Que a crise mundial é terrorismo financeiro

Que a Espanha é o único país da OCDE onde os salários reais não cresceram nos últimos 15 anos

Que não temos vivido acima das nossa possibilidade e sim que os salários estiveram abaixo das nossas necessiddes

Que há 20 anos a diferença de remunerações entre dirigentes e assalariados era 10-20 vezes superior e agora é até 100-200 vezes superior

que os países que estão suportando bem a crise são aqueles do Norte da Europa, onde os serviços sociais ocupam uns 25% e na Espanha só cerca de 9% e estes serviços sociais são financiados, na Suécia, com a política fiscal

que portanto, quando dizem que há que reduzir a despesa pública e reduzir os salários para gerar riqueza e emprego, é exactamente o contrário e isso é explicado no livro com todo o pormenor

que a diferença entre a Suécia e a Espanha é que lá os ricos pagam os impostos e em Espanha só pagam os trabalhadores em folha de pagamento, mas que entre as grandes empresas espanholas a maioria só declara uns 10% dos seus lucros, e que as grandes fortunas só cerca de 1%. Para isso, utilizam os paraísos fiscais e outras tretas que até os bancos, seus cúmplices, os ajudam a desviar

que os planos de austeridade que nos impõem conduzem as economias no rumo do desastre
que em Espanha, com os 40 anos de ditadura, onde o poder da banca e dos empresários estava muito unido à política, ainda segue essa tendência: o poder de classe (v. pgs. 109-110)
Face à atitude de censura da Aguilar, os autores entregaram a publicação em papel às Ediciones Sequitur, que fará o lançamento em colaboração com o ATTAC.

13-06-2012

Link permanente 01:17:16, por José Alberte Email , 826 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O Governo de Rajoy mente e leva ao povo à ruína, enquanto os banqueiros nos saqueiam

Jesús Gellida
Rebeliom

Mais umha vez o governo do Estado mente e situa-se a favor da banca e dos seus interesses à conta de seguir empobrecendo à imensa maioria da populaçom.

Mas, a quem lhe surpreende? Em pouco mais de cinco meses subírom os impostos, aprovárom umha amnistia fiscal, impusêrom umha reforma laboral muito agressiva contra os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras (1), recortárom os orçamentos em sanidade, educaçom, serviços sociais, investigaçom, reduziram o gasto em investimento público, etc. De todo isto nada dizia o seu programa eleitoral. Mas, e que? a quem lhe surpreende? Que se esperava deste governo?

Assim, temos um contexto no qual ao mesmo tempo que se impom recortes em direitos sociais e laborais dom-se toda umha série de ajudas multi-milionárias ao sector financeiro, chegando ao passado sábado 9 de Junho quando se fai pública a necessidade de um primeiro resgate de até 100.000 milhões de euros para a banca espanhola (2). Mas, o governo continua mentindo dizendo que este resgate nom é tal senom que é um empréstimo em condições muito favoráveis e que só afectará à banca. Isto nom é assim posto que o receptor deste dinheiro será o Fundo de Reestruturaçom Ordenada Bancária (FROB), um organismo público que desembolsará o dinheiro às entidades financeiras com problemas, o qual implicará um novo aumento da dívida pública espanhola de até 10% do PIB e que os interesses pagos computem como gasto a efeitos de deficit. Assim mesmo o comunicado do Euro-grupo deixa claro que é o Estado o que assinará o Memorándum de Entendimento onde se fixam as condições do resgate e que, portanto, será o Estado ele responsável por devolver estas ajudas se o sector financeiro espanhol nom é capaz de reembolsar os recursos recebidos através do FROB. À vez, o ministro de economia alemám anunciou que a troika formada pola Comissom Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu controlará a reestruturaçom da banca do Estado espanhol e, como era de esperar, já se fixo público que o resgate estará estreitamente vinculado ao cumprimento do Pacto de Estabilidade.

Mas, alguém pode-se achar que este resgate nom implicou e implicará mais recortes? Há que lembrar que o passado dia 30 de Maio a Comissom Europeia fazia umha série de "recomendaçoes" para o Estado espanhol, onde entre outros assuntos advertia que as potenciais operações de resgate financeiro para o país podem supor um risco para o deficit, actualmente em 8,9% do PIB . Assim mesmo, o objectivo do deficit que marca a Uniom Europeia através do Pacto de Estabilidade é de 3% para o 2013, mas este poderia alargar-se num ano para Estados com dificuldades (como o espanhol) com a condiçom de que se aprofunde nestas "recomendaçoes" da Comissom (3), é dizer, mais recortes em direitos sociais e laborais. Neste ponto é importantíssimo fazer mençom a que durante o verao de 2011 o governo do PSOE com o apoio do PP modificou de forma urgente a constituiçom espanhola para introduzir a limitaçom do deficit e, portanto, restringir o gasto público (o qual inclui o gasto público social). Assim pois, o Estado garante os interesses da banca a expensas do gasto público, é dizer, socializar as perdas do sector financeiro.

Contodo isto, temos um panorama no que continuárom as reformas estruturais em nome da reduçom e controlo do deficit, reformas que nom som outra cousa que mais recortes e retrocessos em direitos e prestações sociais conquistados historicamente, que à vez trarám umha agravaçom da pobreza e das desigualdades sociais (4). Neste sentido há que dizer que esta situaçom beneficia e muito a umha classe social muito concreta que está a utilizar esta crise para conseguir o que sempre pretendeu, a privatizaçom da maioria de serviços públicos que podam ser rendíveis, a socializaçom das suas possíveis perdas e o descendo dos salários e da protecçom social, é dizer, umha transferência das rendas do trabalho ao capital maciças.

Assim pois, há que fazer muita pedagogia política para consciencializar à maioria da populaçom de que o que esta passando nom é umha crise, senom umha estafa, um saque que nos leva às classes populares e trabalhadoras à ruína. Portanto, temos que reagir, tomar consciência e perder o medo, para assim organizar-nos e mobilizar-nos de forma maciça e continua exigindo, entre outras medidas, umha verdadeira banca pública baixo um estrito controlo social, à vez que expondo alternativas (5) ao sistema.

Notas:

(1) Ver o artigo "A última reforma laboral: um ataque frontal à classe trabalhadora" .

(2) O Banco de Espanha estima que o sistema bancário do Estado tem activos tóxicos por umha soma de 176.000 milhões de euros.

(3) Subida do IVE, aceleraçom no atraso da idade de jubilaçom, controlo do gasto nas comunidades ou endurecimento das prestações por desocupaçom, etc.

(4) Ver o artigo "O empobrecimento contínuo da maioria da sociedade" .

(5) Ver as alternativas que se expom no último parágrafo do artigo sobre o 12M15M.

Blog do autor: http://jgellida.blogspot.com/

Rebeliom publicou este artigo com a permissom do autor mediante umha licença de Creative Commons, respeitando a sua liberdade para publicar noutras fontes.

11-06-2012

Link permanente 17:18:44, por José Alberte Email , 1655 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Como a Goldman Sachs capturou a Europa

O Mecanismo Europeu de Estabilização,
ou como a Goldman Sachs capturou a Europa
por Ellen Brown [*]

O golpe da Goldman Sachs que falhou na América está quase a ter êxito na Europa – um salvamento permanente, irrevogável e incontestável para os bancos que é financiado pelos contribuintes.

Em Setembro de 2008 Henry Paulson, antigo presidente da Goldman Sachs, conseguiu extorquir do Congresso um salvamento bancário de US$700 mil milhões. Mas para ter êxito nisso ele precisou cair de joelhos e ameaçar de colapso todo o sistema financeiro global e ainda a imposição de lei marcial. E o salvamento era um caso pontual a ser efectuado só uma vez. O pedido de Paulson de um fundo de salvamento permanente –Troubled Asset Relief Program ou TARP – teve a oposição do Congresso e acabou por ser rejeitado.

Em Dezembro de 2011, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, antigo vice-presidente da Goldman Sachs Europe, conseguiu aprovar um salvamento de 500 mil milhões de euros para bancos europeus sem pedir permissão a ninguém. E em Janeiro de 2012, um programa de financiamento permanente de resgates, chamado Mecanismo de Estabilidade Europeia (MEE), foi aprovado na calada da noite mal sendo mencionado pela imprensa. O MEE impõe uma dívida ilimitada a governos membros da UE, colocando os contribuintes no anzol para seja o que for que venha a ser exigido pelos eurocratas supervisores do MEE.

O golpe dos banqueiros triunfou na Europa aparentemente sem um combate. O MEE é encorajado pelos governos da eurozona, pelos seus credores e igualmente pelo "mercado", porque significa que investidores continuarão a comprar dívida soberana. Tudo é sacrificado aos pedidos dos credores, porque de que outro lugar o dinheiro pode ser obtido para manter a flutuar as dividas paralisantes dos governos da eurozona?

Há uma outra alternativa à escravidão da dívida para com os bancos. Mas, em primeiro lugar, um olhar mais atento ao ventre abominável do MEE e à silenciosa tomada do BCE pelo Goldman.

O lado escuro do MEE

O MEE é um organismo de resgate permanente destinado a substituir tanto o European Financial Stability Facility como o European Financial Stabilization Mechanism, ambos temporários, assim que Estados Membros representando 90% dos compromissos de capital o houverem ratificado, o que se espera acontecer em Julho de 2012. Num vídeo do YouTube de Dezembro de 2011 intitulado "A chocante verdade do iminente colapso da UE" , apresentado originalmente em alemão, faz revelações sobre o MEE que vale a pena aqui citar extensamente. O vídeo afirma:

A UE está a planear um novo tratado chamado Mecanismo Europeu de Estabilidade, ou MEE: um tratado de dívida. ... O stock de capital autorizado será de 700 mil milhões de euros. Pergunta: por que 700 mil milhões? [Provável resposta: ele simplesmente imitou os US$700 mil milhões que o Congresso dos EUA comprou em 2009].

[Artigo 9º] "... Membros do MEE por este instrumento irrevogavelmente e incondicionalmente comprometem-se a pagar a pedido qualquer chamada de capital que se lhes faça ... dentro de sete dias após a recepção do pedido". ... Se o MEE precisar dinheiro, temos sete dias para pagar. ... Mas o que significa "irrevogavelmente e incondicionalmente"? O que acontece se tivermos um novo parlamento que não queira transferir dinheiro para o MEE? ...

[Artigo 10º] "O Conselho de Governadores pode decidir mudar o capital autorizado e emendar o Artigo 8 ... correspondentemente". Pergunta: ... 700 mil milhões é só o começo? O MEE pode aumentar o fundo tanto quanto quiser, em qualquer momento que quiser? E a nós então seria exigido sob o Artigo 9 que pagássemos irrevogavelmente e incondicionalmente?

[Artigo 27, linhas 2-3]: "O MEE, sua propriedade, recursos financeiros e activos ... desfrutará de imunidade em relação a toda forma de processo judicial ..." Pergunta: Então o programa MEE pode processar-nos, mas nós não podemos contestá-lo em tribunal?

[Artigo 27, linha 4]: "A propriedade, recursos financeiros e activos do MEE ... será imune a investigação, requisição, confisco, expropriação ou qualquer outra forma de captura, tomada ou arresto por acção executiva, judicial, administrativa ou legislativa". Pergunta: Isto significa que nem os nossos governos nem os nossos legisladores, nem qualquer das nossas leis democráticas têm qualquer efeito sobre a organização do MEE? Isto é um tratado bastante poderoso!

[Artigo 30]: "Governadores, governadores suplentes, directores, directores suplentes, o director administrativo e os membros da equipe serão imunes a processos legais em relação a actos por eles desempenhados ... e desfrutarão de inviolabilidade em relação aos seus papéis e documentos oficiais". Pergunta: Então alguém envolvido no MEE está fora do anzol? Eles não podem ser responsabilizados por qualquer coisa? ... O tratado estabelece uma nova organização intergovernamental para a qual nos é exigido transferir activos ilimitados dentro de sete dias a simples pedido, a uma organização que pode processar-nos mas é imune a todas as formas de processo e cujos administradores desfrutam da mesma imunidade. Não há revisores independentes e não existem leis a aplicar? Os governos não podem efectuar acções contra ele? Orçamentos nacionais nas mãos de uma única organização inter-governamental não eleita? Será isso o futuro da Europa? Será isso a nova UE – uma Europa destituída de democracias soberanas?

O polvo Goldman captura o BCE

Em Novembro último, sem fanfarras e mal notado pela imprensa, Mario Draghi, o antigo executivo da Goldman, substituiu Jean-Claude Trichet como governador do BCE. Draghi não perdeu tempo a fazer para os bancos o que o BCE se havia recusado a fazer para os seus governos membros – despejar dinheiro sobre eles a taxas muito baratas. O bloguista francês Simon Thorpe informa:

Em 21 de Dezembro, o BCE "emprestou" 489 mil milhões de euros a bancos europeus à taxa extremamente generosa de apenas 1% em três anos. Digo "emprestou", mas na realidade eles apenas puseram as impressoras a funcionar. O BCE não tem esse dinheiro para emprestar. É Quantitative Easing mais uma vez.

O dinheiro foi devorado de forma virtualmente instantânea por um total de 523 bancos. É a loucura completa. O BCE espera que os bancos venham a fazer algo útil com ele – como emprestar o dinheiro aos gregos, os quais estão actualmente a pagar 18% nos mercados de títulos para obterem dinheiro. Mas não há absolutamente nenhumas condições adstritas. Se os bancos decidirem pagar bónus com o dinheiro, tudo bem. Ou podem simplesmente transferir todo o dinheiro para paraísos fiscais.

A juros de 18%, a dívida duplica em apenas quatro anos. É este oneroso fardo de juros, não a própria dívida, que está a paralisar a Grécia e outros países devedores. Thorpe propõe a solução óbvia:

Por que não emprestar o dinheiro directamente para o governo grego? Ou para o governo português, actualmente tendo de contrai empréstimos a 11,9%? Ou ao governo húngaro, actualmente a pagar 8,53%? Ou ao governo irlandês agora a pagar 8,51%? Ou ao governo italiano, o qual está a pagar 7,06%?

A objecção de reserva àquela alternativa é que o Artigo 123 do Tratado de Lisboa impede o BCE de emprestar a governos. Mas Thorpe raciocina:

O meu entendimento é que o Artigo 123 está ali para impedir governos eleitos de abusarem de Bancos Centrais ordenando-lhes que imprimam dinheiro para financiar gastos excessivos. Essa, dizem-nos, é a razão porque o BCE tem de ser independente de governos. OK. Mas o que temos agora é um milhão de vezes pior. O BCE está agora totalmente nas mãos do sector bancário. "Queremos 500 milhões de dinheiro realmente barato!!" dizem eles. OK, não há problema. Mário está aqui para acertar isso. E não é preciso consultar ninguém. No momento em que o BCE fez o anúncio, o dinheiro já havia desaparecido.

Se o BCE estivesse a trabalhar pelo menos sob a supervisão de governos eleitos teríamos alguma influência quando elegemos aqueles governos. Mas o grupo que agora tem as suas mãos encardidas nos instrumentos de poder agora está totalmente fora de controle.

A Goldman Sachs e os tecnocratas financeiros apossaram-se do navio europeu. A democracia saiu pela janela, tudo em nome da manutenção do banco central independente de "abusos" de governos. Mas o governo é o povo – ou deveria ser. Um governo eleito democraticamente representa o povo. Os europeus estão a ser ludibriados para abrir mão da sua querida democracia em favor de um perigoso banco de piratas financeiros, e o resto do mundo não fica muito atrás.

Ao invés de ratificar o draconiano tratado MEE [1] , os europeus seriam mais avisados se revertessem o artigo 123 do tratado de Lisboa. Então o BCE poderia emitir crédito directamente para os seus governos membros. Alternativamente, governos da eurozona poderia restabelecer sua soberania económica pela ressurreição dos seus bancos centrais de propriedade pública e utilizá-los para emitir o crédito do país em benefício do país, efectivamente isento de juro. Isto não é uma ideia nova mas historicamente tem sido utilizada com muito bom efeito, na Austrália por exemplo através do Commonwealth Bank of Australia e no Canadá através do Bank of Canada .

Hoje a emissão de dinheiro e crédito tornou-se direito privado de rentistas vampiros, os quais estão a utilizá-lo para extrair o sangue vital de economias. Este direito precisa ser devolvido a governos soberanos. O crédito deveria ser um serviço público (public utility), distribuído e administrado para o benefício do povo.
19/Abril/2012

[1] O parlamento português ratificou o Tratado do MEE em 13/Abril/2012, com os votos favoráveis do PS, PSD e CDS.

Ver também:
MEE, o novo ditador europeu , Rudo de Ruijter
MEE, um golpe de estado em 17 países , Rudo de Ruijter
MEE: A ilegalidade da emenda do artigo 136 , Rudo de Ruijter
Acção colectiva contra o Mecanismo Europeu de Estabilidade, o novo ditador europeu
"Ignorem os títulos. Não há aumento do fundo de resgate para 700 mil milhões de euros" , Wolfgang Münchau
Não ao tratado fiscal
Os problemas da zona euro e a dificuldade de saída , Arturo Huerta González
O Tratado da austeridade da UE , Yiorgos Vassalos
Tratado estúpido , Octávio Teixeira

[*] Procuradora e presidente do Public Banking Institute, http://PublicBankingInstitute.org . Em Web of Debt, o mais recente dos seus onze livros, ela mostra como um cartel privado usurpou o poder de criar dinheiro e como nós o povo podemos recuperá-lo. Seus sítios web são http://WebofDebt.com e http://EllenBrown.com .

O orginal encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=30403

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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CANTA O MERLO: Colapso financeiro à vista: Quando é o "mais cedo ou mais tarde"?

por Paul Craig Roberts [*]

Desde o princípio da crise financeira e do Alívio quantitativo (Quantitative Easing), a questão tem estado diante nós: Como pode o Federal Reserve manter taxas de juro zero para bancos e taxas de juro reais negativas para poupadores e possuidores de títulos quando o governo dos EUA está a acrescentar US$1,5 milhão de milhões (trillion) à dívida nacional a cada ano através dos seus défices orçamentais? Não muito tempo atrás o Fed anunciou que ia continuar esta política por mais dois ou três anos. Na verdade, o Fed está trancado nesta política. Sem as taxas de juro artificialmente baixas, o serviço da dívida sobre a dívida nacional seria tão grande que levantaria questões acerca da classificação de crédito do Tesouro dos EUA e da viabilidade do dólar – e assim os milhões de milhões de dólares em taxas de juro swaps e outros derivativos ficariam decompostos.

Por outras palavras: a desregulamentação financeira que levou aos jogos da Wall Street, a decisão do governo estado-unidense de salvar os bancos e mantê-los a flutuar e a política de taxa de juro zero do Federal Reserve colocaram o futuro económico dos EUA e da sua divisa numa posição indefensável e perigosa. Não será possível continuar a inundar os mercados de títulos com US$1,5 milhão de milhões (trillion) em novas emissões a cada ano quando a taxa de juros sobre os títulos é menor do que a taxa de inflação. Todos os que compram um título do Tesouro estão a comprar um activo depreciado. Além disso, o risco capital de investir em títulos do Tesouro é muito alto. A taxa de juro baixa significa que o preço pago pelo título é muito elevado. Um aumento das taxas de juro, o qual deve ocorrer mais cedo ou mais tarde, provocará o colapso do preço dos títulos e infligirá perdas capitais aos seus possuidores, tanto internos como estrangeiros.

A questão é: quando é este mais cedo ou mais tarde? O objectivo deste artigo é examinar essa questão.

Vamos começar por responder à pergunta: como foi possível uma tal politica indefensável perdurar tanto tempo?

Um certo número de factores está a contribuir para a estabilidade do dólar e do mercado de títulos. Um factor muito importante é a situação na Europa. Ali também há problemas reais e a imprensa financeira continua a centrar-se na Grécia, na Europa e no euro. Será que a Grécia sairá da União Europeia ou será chutada para fora? Será que o problema da dívida soberana propagar-se-á à Espanha, Itália e basicamente por toda a parte excepto a Alemanha e a Holanda?

Será o fim da UE e do euro? Trata-se de perguntas muito dramáticas que mantém o foco fora da situação americana, a qual provavelmente ainda é pior.

O mercado de títulos do Tesouro também é ajudado pelo medo que investidores individuais têm do mercado de acções, o qual foi transformado num casino de jogo através do trading de alta-frequência.

O trading de alta-frequência é uma comercialização electrónica baseada em modelos matemáticos que tomam as decisões. As firmas de investimento competem na base da velocidade, na captura de ganhos numa fracção de um cêntimo e talvez na manutenção de posição por apenas uns poucos segundos. Estes não são investidores a longo prazo. Contentes com as suas receitas diárias, eles fecham todas as posições no fim de cada dia.

Os negócios de alta-frequência actualmente representam 70% a 80% de todas as transacções de acções. O resultado é uma grande azia para os investidores tradicionais, os quais estão a abandonar o mercado de acções. Eles acabam nos títulos do Tesouro porque estão inseguros quanto à solvência de bancos que pagam quase nada por depósitos, ao passo que títulos do Tesouro a 10 anos pagarão cerca de 2% nominais, o que significa, utilizando o Índice oficial de Preços no Consumidor, que estão a perder 1% do seu capital a cada ano. Utilizando a medição correcta da inflação de John Williams ( www.shadowstats.com ), eles estão a perder muito mais. Ainda assim, a perda é cerca de 2 pontos percentuais a menos do que estar num banco e, ao contrário dos bancos, o Tesouro pode ter o Federal Reserve a imprimir dinheiro para liquidar seus títulos. Portanto, o investimento em títulos pelo menos retorna a quantia nominal do investimento, mesmo que o seu valor real seja muito mais baixo. (Para uma descrição do trading de alta frequência, ver: http://en.wikipedia.org/wiki/High_frequency_trading )

Os media financeiros presstitutos contam-nos que a fuga da dívida soberana europeia, do euro condenado, e do contínuo desastre imobiliário para os títulos do Tesouro dos EUA proporciona financiamento para os défices anuais de US$1,5 milhão de milhões de Washington. Investidores influenciados pela imprensa financeira podem estar a responder desta forma. Outra explicação para a estabilidade da indefensável política do Fed é a conivência entre Washington, o Fed e a Wall Street. Examinaremos isso quando avançarmos.

Ao contrário do Japão, cuja dívida nacional é a maior de todas, os americanos não possuem a sua própria dívida pública. Grande parte da dívida dos EUA é possuída no estrangeiro, especialmente pela China, Japão e OPEP, os países exportadores de petróleo. Isto coloca a economia estado-unidense em mãos estrangeiras. Se a China, por exemplo, fosse indevidamente provocada por Washington, ela podia despejar US$2 milhões de milhões em activos denominados em US dólar nos mercados mundiais. Todas as espécies de preços entrariam em colapso e o Fed teria rapidamente de criar o dinheiro para comprar a descarga chinesa de instrumentos financeiros denominados em dólar.

Os dólares impressos para comprar os rejeitados haveres chineses de activos em US dólares expandiriam a oferta de dólares nos mercados de divisas e atirariam para baixo a taxa de câmbio do dólar. O Fed, falto de divisas estrangeiras para comprar os dólares, teria de recorrer à troca de moedas (currency swaps) por dívida soberana da Europa em perturbação para [obter] euros, à Rússia, cercada pelo sistema de mísseis estado-unidense, para obter rublos, ao Japão, um país pior que os EUA em matéria de compromissos, para obter yens, a fim de comprar os dólares com euros, rublos e yens.

Estas trocas de moedas estariam nas contabilidades, irresgatáveis e tornando problemática a utilização ulterior de tais swaps. Por outras palavras, mesmo que o governo dos EUA possa pressionar seus aliados e fantoches a trocar suas divisas mais sólidas por uma divisa estado-unidense em depreciação, isto não seria um processo repetível. Os componentes do Império Americano não querem ficar com dólares nem tão pouco os BRICs.

Contudo, para a China, por exemplo, despejar subitamente seus haveres em dólares seria custoso pois o valor dos activos denominados em dólar declinaria quando os despejassem. A menos que a China seja confrontada com um ataque militar dos EUA e precise enfraquecer o agressor, a China como um actor económico racional preferiria sair do US dólar vagarosamente. Nem tão pouco o Japão, a Europa ou os OPEP pretendem destruir sua própria riqueza acumulada com os défices comerciais dos EUA despejando dólares, mas as indicações são de que todos eles pretendem sair dos seus haveres em dólar.

Ao contrário da imprensa financeira dos EUA, os estrangeiros que possuem activos em dólar vêem o orçamento anual e os défices comerciais estado-unidenses, vêem o afundamento da economia dos EUA, vêem as apostos não cobertas dos jogos da Wall Street, vêem os planos de guerra da hegemonia ilusória e concluem: "Tenho de sair fora disto com todo o cuidado".

Os bancos dos EUA também têm um forte interesse em preservar o status quo. Eles possuem Títulos do Tesouro dos EUA e potencialmente detentores ainda maiores. Eles podem tomar emprestado do Federal Reserve a taxas de juro zero e comprar Títulos do Tesouro a 2%, ganhando portanto um lucro nominal de 2% para compensar perdas derivadas. Os bancos podem tomar dólares emprestados do Fed gratuitamente e alavancá-los em transacções derivativas. Como coloca Numi Prins, os bancos estado-unidenses não querem comerciar contra si próprios e a sua fonte gratuita de financiamento com venda dos seus haveres em títulos. Além disso, no caso de fuga estrangeira dos dólares, o Fed poderia promover a procura externa de dólares com a exigência aos bancos estrangeiros que queiram operar nos EUA de aumentar as quantias das suas reservas, as quais estão baseadas no dólar.

Eu poderia prosseguir, mas acredito que isto é suficiente para mostrar que mesmo actores no processo que poderiam terminá-lo têm eles próprios um grande empenho em não balouçar o barco e preferem silenciosamente e vagarosamente escapar dos dólares antes de serem atingidos pela crise. Isto não é possível indefinidamente pois o processo de retirada gradual do dólar resultaria em pequenos declínios contínuos nos valores do dólar que acabariam numa corrida para a saída, mas os americanos não são o único povo iludido.

O próprio processo de sair vagarosamente pode deitar abaixo a casa americana. Os BRICs – Brasil, a maior economia da América do Sul, a Rússia, a economia com armamento nuclear e energeticamente independente da qual a Europa Ocidental (os fantoches da NATO de Washington) estão dependentes para obter energia, a Índia, com armamento nuclear e um dos dois gigantes em ascensão da Ásia, a China, com armamento nuclear, o maior credor de Washington (com excepção do Fed), que fornece à América manufacturados e produtos de tecnologia avançada e o novo bicho papão para a próxima lucrativa guerra fria do complexo militar e de segurança, e a África do Sul, a maior economia da África – estão em vias de formar um novo banco. O novo banco permitirá que as cinco maiores economias efectuem o seu comércio sem a utilização do US dólar.

Acresce que, o Japão, um fantoche americano desde a Segunda Guerra Mundial, está quase a entrar num acordo com a China no qual o yen japonês e o yuan chinês serão cambiados directamente. O comércio entre os dois países asiáticos seria efectuados nas suas próprias divisas sem a utilização do dólar estado-unidense. Isto reduz o custo do comércio externo entre os dois países, porque elimina pagamentos de comissões cambiais ao estrangeiro para converter o yen e o yuan em dólares e outra vez em yen e yuan.

Além disso, esta explicação oficial para o novo relacionamento directo evitando o US dólar é simplesmente a conversa diplomática. Os japoneses estão esperançosos, tal como os chineses, no abandono da prática de acumular cada vez mais dólares tendo de parquear seus excedentes comerciais em Títulos do Tesouro dos EUA. O governo fantoche japonês espera que a hegemonia de Washington não exija o veto a este acordo com a China.

Agora chegámos ao cerne da questão. A pequena percentagem de americanos que está consciente e informada está confundida porque os banksters, com os seus crimes financeiros, escaparam sem processo. A resposta pode ser que os bancos "demasiado grandes para caírem" são auxiliares de Washington e do Federal Reserve na manutenção da estabilidade do dólar e dos mercados de títulos do Tesouro a despeito da política indefensável do Fed.

Vamos ver primeiro como os grandes bancos podem manter baixas as taxas de juro dos títulos do Tesouro, abaixo da taxa de inflação, apesar do aumento constante da dívida dos EUA em percentagem do PIB – preservando portanto a capacidade do Tesouro para atender ao serviço da dívida.

Os bancos demasiado grandes para cair que estão ameaçados têm um enorme desejo de taxas de juro baixas e do êxito da política do Fed. Os grandes bancos estão posicionados para tornar um êxito da política do Fed. O JPMorganChase e outros bancos de dimensão gigante podem conduzir para baixo as taxas de juro do Tesouro e, dessa forma, fazer subir os preços de títulos, produzindo uma corrida, com a venda de Interest Rate Swaps (IRSwaps).

Uma companhia financeira que venda IRSwaps está a vender um acordo para pagar taxas de juros flutuantes por taxas de juro fixas. O comprador está a comprar um acordo que lhe exige pagar uma taxa de juro fixa em troca da recepção de uma taxa flutuante.

A razão para um vendedor tomar o lado short das IRSwap, isto é, pagar uma taxa flutuante por uma taxa fixa, é a sua crença de que as taxas estão em vias de cair. O short-selling pode fazer as taxas caírem e portanto fazer subir os preços dos títulos do Tesouro. Quando isto acontece, como os gráficos em http://www.marketoracle.co.uk/Article34819.html ilustram, há uma corrida no mercado de títulos do Tesouro que os media financeiros presstitutos atribuem à "fuga para o abrigo seguro do US dólar e dos títulos do Tesouro". De facto, a evidência circunstancial (ver os gráficos no link acima) é de que os swaps são vendidos pela Wall Street sempre o Federal Reserve precise para impedir uma elevação nas taxas de juro a fim de proteger a sua política que de outra forma não seria sustentável. As vendas swap criam a impressão de uma fuga para o dólar, mas não ocorre nenhuma fuga real. Como os IRSwaps não exigem a troca de qualquer activos principal ou real e são apenas uma aposta em movimentos da taxa de juro, não há limite para o volume de IRSwasps.

Esta conivência aparente sugere a alguns observadores que a razão porque os banksters da Wall Street não foram processados pelos seus crimes é que eles são uma parte essencial da política do Federal Reserve para preservar o US dólar como divisa mundial. Possivelmente a conivência entre o Federal Reserve e os bancos é organizada, mas não tem necessariamente de ser. É do interesse dos bancos apoiá-la. A conivência organizada não é indispensável.

Vamos agora examinar as barras de ouro e de prata. Com base em análises sólidas, Gerald Celente e outros profetas talentosos previram que o preço do ouro seria de US$200 por onça-troy no fim do ano passado. O ouro e a prata em 2011 continuaram sua ascensão de dez anos, mas em 2012 o preço desses metais foi abatido, com o ouro descendo para US$350 por onça-troy da sua altura de US$1900.

Em vista da análise que aqui apresentei, qual é a explicação para a inversão nos preços do ouro e da prata? A resposta é mais uma vez o shorting. Algumas pessoas bem informadas dentro do sector financeiro acreditam que o Federal Reserve (e talvez também o Banco Central Europeu) coloca vendas à descoberto (short sales) de ouro e prata através de bancos de investimento, garantindo quaisquer perdas simplesmente teclando no computador, pois bancos centrais podem criar dinheiro a partir do ar.

Gente que sabe informa-me que como uma minúscula percentagem daqueles do lado short da compra realmente querem que o ouro ou a prata sejam entregues e ficam contentes com o acerto financeiro em dinheiro, não há limite para o short selling de ouro e prata. As vendas a descoberto podem realmente exceder a quantidade conhecida de ouro e prata.

Alguns que têm estado a observar o processo durante anos acreditam que a venda a descoberto dirigida pelo governo tem-se efectuado desde há muito tempo. Mesmo sem a participação do governo, bancos podem controlar o volume de comércio de papel em ouro e lucrar nas viragens criadas por eles próprios. Ultimamente o short selling é tão agressivo que não só amortece a ascensão do preço do ouro como também o conduz para baixo. Será esta agressividade um sinal de que o sistema manipulado está à beira de se desfazer?

Por outras palavras, o "nosso governo", que alegadamente nos representa, ao invés dos poderosos interesses privados que elegem o "nosso governo" com as suas contribuições de campanha de muitos milhões de dólares, agora legitimadas pela Supremo Tribunal Republicano, está a fazer tudo o que pode para privar-nos, a nós mero cidadãos, escravos, servidores vassalos e "extremistas internos" de nos protegermos a nós próprios e a nossa riqueza remanescente da política de depravação da divisa do Federal Reserve. A venda nua a descoberto impede o aumento da procura do ouro físico de elevar o seu preço.

Jeff Nielson explica um outro meio pelo qual os bancos podem vender ouro a descoberto quando não possuem qualquer ouro. http://www.gold-eagle.com/editorials_08/nielson102411.htm l Nielson diz que o JP Morgan é o guardião (custodian) do maior fundo de prata e ao mesmo tempo é o maior short-seller de prata. Todas as vezes que fundo da prata aumenta os seu haveres, o JP Morgan faz shorts de uma quantia igual. O short selling compensa a ascensão no preço que resultaria do aumento da procura por prata física. Nielson também informa que os preços do ouro podem ser contidos pela elevação das exigências de margem àqueles que compram ouro com alavancagem. A conclusão é que os mercados de ouro podem ser manipulados tal como o mercado de títulos do Tesouro e as taxas de juro.

Por quanto tempo a manipulação pode continuar? Quando será o desastre?

Se soubéssemos a data com precisão, seríamos os próximos mega-bilionários.

Eis alguns dos catalisadores à espera de incendiarem a conflagração que irá incinerar o mercado de títulos do Tesouro e o US dólar:

Uma guerra, exigida pelo governo israelense, com o Irão, começando com a Síria, que interromperá o fluxo de petróleo e com isso a estabilidade das economias ocidentais ou levará os EUA e seus fracos fantoches da NATO a um conflito armado com a Rússia e a China. As altas súbitas do petróleo degradariam ainda mais as economias dos EUA e da UE, mas a Wall Street ganharia dinheiro com o comércio.

Uma estatística económica desfavorável que acordasse os investidores para o verdadeiro estado da economia estado-unidense, uma estatística que os media presstitutos não pudessem disfarçar.

Uma afronta à China, cujo governo toma a decisão de que golpear os EUA para fazê-lo descer a um estatuto de terceiro mundo vale um milhão de milhões de dólares.

Mais erros em derivativos, tais como o recente do JPMorganChase, que pôs o sistema financeiro estado-unidense outra vez a cambalear e recordou-nos que nada mudou.

A lista é longa. Há um limite para o número de erros estúpidos e políticas financeiras corruptas que o resto do mundo está disposto a aceitar dos EUA. Quando esse limite for alcançado, está tudo acabado para "a única super-potência mundial" para os possuidores de instrumentos denominados em dólar.

A desregulamentação financeira converteu o sistema financeiro, o qual antigamente servir os negócios e os consumidores, num casino de jogo onde as apostas não são cobertas. Estas apostas descobertas, juntamente com a política de taxa de juro zero do Fed, expuseram o padrão de vida e a riqueza dos americanos a grandes declínios. Pessoas aposentadas a viverem das suas poupanças e investimentos, IRAs e 401(k)s não podem ganhar nada com o seu dinheiro e são forçadas a consumir seu capital, privando assim os seus herdeiros de herança. A riqueza acumulada é consumida.

Em consequência da deslocalização de empregos, os EUA tornaram-se um país dependente de importações, dependente de bens manufacturados fabricados no estrangeiro, vestuário e calçados. Quando a taxa de câmbio do dólar cair, os preços internos nos EUA elevar-se-ão e o consumo real estado-unidense receberá um grande golpe. Os americanos consumirão menos e o seu padrão de vida cairá dramaticamente.

As graves consequências dos enormes erros cometidos em Washington, na Wall Street e em gabinetes corporativos estão a ser mantidos à distância por uma política indefensável de baixas taxas de juro e uma imprensa financeira corrupta, enquanto a dívida acumula-se rapidamente. O Fed passou por esta experiência outrora. Durante a II Guerra Mundial o Federal Reserve manteve as taxas de juro baixas a fim de ajudar o Tesouro a financiar a guerra com a minimização do fardo de juros da dívida de guerra. O Fed manteve as taxas de juro baixas pela compra de emissões de dívida. A inflação do pós guerra que resultou levou ao Acordo Federal Reserve-Tesouro de 1951, pelo qual foi decidido que o Federal Reserve deixaria de monetizar a divida e permitiria que as taxas de juro subissem.

O presidente do Fed, Bernake, tem falado de uma "estratégia de saída" e disse que quando a inflação ameaçar ele pode impedi-la pela retirada de dinheiro do sistema bancário. Contudo, ele só pode fazer isso pela venda de títulos do Tesouro, o que significa que as taxas de juro elevar-se-iam. Uma elevação nas taxas de juros ameaçaria a estrutura derivativa, causaria perdas em títulos e elevaria o custo tanto do serviço da dívida pública como da privada. Por outras palavras, impedir a inflação da monetização da dívida provocaria problemas mais imediatos do que a inflação. Ao invés de provocar o colapso do sistema, não seria mais provável que o Fed inflacionasse mais as dívidas maciças?

Finalmente, a inflação corroeria o poder de compra do dólar e a sua utilização como divisa de reserva, e a capacidade de pagar do governo dos EUA dissipar-se-ia. Contudo, os Fed, os políticos e os gangster financeiros prefeririam uma crise mais tarde do que uma crise mais cedo. Transferir o navio que afunda para o seguinte é preferível a afundar com o próprio navio. Enquanto os swaps de taxas de juros puderem ser utilizados para promover preços dos títulos do Tesouro e enquanto vendas a descoberto de ouro puderem ser utilizadas para impedir os metais preciosos de aumentarem de preço, a falsa imagem dos EUA como um abrigo seguro para investidores pode ser perpetuada.

Contudo, os US$230.000.000.000.000 em apostas derivativas dos bancos estado-unidenses podem trazer as suas próprias surpresas. O JPMorganChase teve de admitir que a sua perda de US$2 mil milhões em derivativos, recentemente anunciada, é maior do que isso. Quão maior está para ser visto. De acordo com Controlador da Divisa ( Comptroller of the Currency ) os cinco maiores bancos possuem 95,7% de todos os derivativos . Os cinco bancos que possuem US$226 milhões de milhões em apostas derivativas são jogadores altamente alavancados. Exemplo: o JPMorganChase tem activos totais de US$1,8 milhão de milhões mas possui US$70 milhões de milhões em apostas derivativas, um rácio de US$39 em apostas derivativas para cada dólar de activos. Um banco assim não tem de perder muito mais apostas antes de estar quebrado.

Activos, naturalmente, não são capitais com base no risco. De acordo com o relatório do Controlador da Divisa, em 31/Dezembro/2011 o JPMorganChase possuía US$70,2 milhões de milhões em derivativos e somente US$136 mil milhões em capital com base no risco. Por outras palavras, as apostas derivativas do banco são 516 vezes maiores do que o capital que cobre as apostas.

É difícil imaginar uma posição mais temerária e instável para um banco do que aquela em que se colocou, mas o Goldman Sachs ganha o prémio. Que os US$44 milhões de milhões do banco em apostas derivativas sejam cobertos por apenas US$19 mil milhões em capital com base no risco, resultando em apostas 2.295 vezes maiores do que o capital que as cobre.

Apostas em taxas de juro abrangem 81% de todos os derivativos. Estes são os derivativos que suportam os altos preços dos títulos do Tesouro dos EUA apesar dos aumentos maciços na dívida do país e da sua monetização.

As apostas derivativas de US$230 milhões de milhões dos bancos estado-unidenses, concentradas em cinco bancos, são 15,3 vezes maiores do que o PIB dos EUA. Um sistema político fracassado que permitiu bancos desregulamentados colocarem apostas descobertas 15 vezes maiores do que a economia dos EUA é um sistema que está destinado ao fracasso catastrófico. Quando se divulgar a fantástica falta de juízo dos sistemas político e financeiro americanos, a catástrofe estará pronta a tornar-se realidade.

Toda a gente quer uma solução, de modo que apresento uma. O governo dos EUA deveria simplesmente cancelar os US$230 mil milhões em apostas derivativas, declarando-as nulas e revogadas. Como não há activos reais envolvidos, meramente jogos sobre valores nocionais, o único grande efeito de fechar ou reter todos os swaps (principalmente contratos de balcão entre contrapartes) seria retirar US$230 milhões de milhões de risco alavancado para fora do sistema financeiro. Os gangsters financeiros que querem continuar a desfrutar ganhos em apostas enquanto o público subscreve as suas perdas chorariam baba e ranho acerca da santidade dos contratos. Contudo, um governo que pode assassinar os seus próprios cidadãos ou lançá-los em masmorras sem o devido processo pode abolir todos os contratos, se quiser, em nome da segurança nacional. E certamente, ao contrário da guerra ao terror, purgar o sistema financeiro do jogo de derivativos melhoraria amplamente a segurança nacional.
05/Junho/2012

[*] Foi secretário assistente do Tesouro dos EUA, editor associado do Wall Street Journal, colunista da Business Week e professor de teoria económica. É autor de numerosos livros . Seu sítio web é http://www.paulcraigroberts.org/

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=31272

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

09-06-2012

Link permanente 01:31:30, por José Alberte Email , 489 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: "O beija-mão - O SYRIZA apresenta as suas "credenciais" aos EUA e à UE

por KKE

Na quarta-feira 6 de Junho o presidente do SYRIZA, A. Tsipras, encontrou-se com embaixadores e diplomatas dos estados membros do G20. O jornal Rizospastis, órgão do CC do KKE, fez os seguintes comentários na edição de 7 de Junho:

"O sr. Tsipras entregou a sua "carta de credenciais", num evento realmente cerimonial, a um responsável da embaixada dos EUA e a diplomatas dos 19 mais fortes países capitalistas do planeta! A reunião do presidente do SYRIZA com os embaixadores dos países do G20 trouxe-nos uma lembrança do passado recente, especificamente recordou-nos o antigo primeiro-ministro Giorgos Papandreu, o qual se desvaneceu nas últimas semanas sem deixar nenhum traço... Os mesmos slogans respeitantes a "uma nova política externa pacífica multi-facética", as mesmas referências a "iniciativas internacionais para a democratização do sistema de relações internacionais" e a necessidade de "aumentar o papel da ONU".

E, ao mesmo tempo, nenhuma menção à NATO. Os lábios estão selados! A NATO que se reuniu recentemente em Chicago e tomou novas decisões perigosas para a expansão da sua actividade, para a repressão de todas as forças e todos os povos que procurem controlar o seu próprio futuro. O silêncio do sr. Tsipras quanto à continuidade da intervenção contra a Síria foi espantoso. Nenhuma menção ao assunto, como se os planos para uma intervenção militar na região não estivessem a ser traçados. Como se a utilização da base estado-unidense em Suda não fizesse parte dos planos relativos a esta intervenção e, mais genericamente, a utilização dos portos, do espaço aéreo e do mar do nosso país. O presidente do SYRIZA nada disse acerca de como o governo "de esquerda", que ele promete constituir, reagiria a uma tal situação.

Por que? É óbvio! Quando ele não coloca a questão do afastamento dos planos imperialistas, da organização imperialista da NATO, em nome de "obrigações da aliança", o país será arrastado para esta nova guerra imperialista, sob um governo "de esquerda". Mas o sr. Tsipras não esqueceu de mencionar que desempenharia um papel principal num "Médio Oriente livre do nuclear", apontando o programa nuclear do Irão, o qual em qualquer caso é o pretexto que será utilizado pelos EUA e Israel para justificar um possível ataque militar contra o Irão, uma nova guerra. Nem uma palavra acerca das armas nucleares que Israel já possui!"

O presidente do SYRIZA insistiu mais uma vez em declarar a sua lealdade à UE imperialista e a necessidade da assimilação da Turquia na mesma, algo a que os comunistas turcos e o movimento dos trabalhadores se opõem! Finalmente, ele considerou apropriado à frente dos embaixadores estrangeiros a cuspir seu veneno sem hesitação contra o socialismo que a humanidade conheceu na URSS e outros países no século XX, o qual, apesar das suas fraquezas, foi durante mais de 50 anos um apoio insubstituível para a paz e segurança dos povos e uma espinha atravessada na garganta dos imperialistas.
O original encontra-se em http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-06-07-syriza

Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .

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