CANTA O MERLO: Irám representa umha ameaça mortal para a hegemonia global de Estados Unidos

20-04-2013

  00:02:32, por Corral   , 1866 palavras  
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Irám representa umha ameaça mortal para a hegemonia global de Estados Unidos

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=166971

Irám representa umha ameaça mortal para a hegemonia global de Estados Unidos

Finian Cunningham
Information Clearing House

Traduzido do inglês para rebeliom por Beatriz Morais Bastos

Estados Unidos de América converteu-se em sinónimo de guerra. Nengum outro Estado naçom iniciou tantas guerras ou conflitos na época moderna como Estados Unidos de Armagedón.

Baixo a fachada que oferecem os meios ocidentais de umha Coreia do Norte "imprevisível" e "agressiva", a verdadeira fonte de conflitos nas tensons actuais de guerra na Península da Coreia é Estados Unidos. Apresenta-se a Washington como umha força contida e defensiva mas, em realidade, este perigoso confronto nuclear há que ver no contexto do histórico apetito de Washington pola guerra e a hegemonia em cada recanto do mundo.

Coreia do Norte pode apresentar um desafio imediato às ambiçons hegemónicas de Washington. Contodo, como vejamos a ver, Irám representa um desafio muito maior e potencialmente fatal para o império global estadounidense.

Graças ao trabalho de escritores e pensadores como William Blum e Noam Chomsky documentou-se que no sete últimas décadas desde a Segunda Guerra Mundial Estados Unidos estivo implicado em mais de 60 guerras, ademais de em muitos outros conflitos por intermediaçom, subterfúgios e golpes. Nengumha outra naçom da terra aproxima-se deste historial estadounidense de beligerância e ameaças à segurança do mundo. Nengumha outra naçom tem tanto sangue nas maos.

Aos estadounidenses gostam de pensar que o seu país é o primeiro do mundo em liberdade, princípios humanitários e destrezas tecnológicas e económicas. A verdade é mais brutal e prosaica: Estados Unidos é o primeiro no mundo em belicismo e em semear a morte e a destruiçom noutros países.

Se Estados Unidos nom perpetra directamente umha guerra, como no genocídio de Vietname, entom estabelece a violência através de outros, como ocorreu com as ditaduras e esquadrons da morte em América do Sul ou com a sua maquinaria militar por intermediaçom em Oriente Próximo, Israel.

Esta tendência belicosa parece acelerar desde o desaparecimento da Uniom Soviética há mais de duas décadas. Nada mais desmoronar-se a Uniom Soviética, Estados Unidos encabeçou a Primeira Guerra do Golfo contra Iraque em 1991. A isto seguiu-lhe rapidamente umha sangrenta intervençom em Somália com o nome aparentemente encantador de "Operaçom Restaurar a Esperança".

Desde entom vimos como Estados Unidos via-se involucrado em cada vez mais guerras, em ocasiom sob camada de "coligaçons de voluntários", as Naçons Unidas ou a NATO. Também se mencionaram toda umha variedade de pretextos: guerra contra a droga, guerra contra o terrorismo, Eixo do Mal, a responsabilidade de proteger, polícia do mundo, manter a paz e a segurança mundial, impedir as armas de destruiçom maciça, etc. Mas estas guerras estám dirigidas por Estados Unidos e os pretextos sempre som umha mera fachada formosa dos brutais interesses estratégicos de Washington.

Parece que agora chegamos a umha fase da história na que o mundo é testemunha de um estado de guerra permanente empreendida por Estados Unidos e os seus subalternos: Jugoslávia, Afeganistám, Iraque (outra vez), Líbia, Paquistám, Somália (outra vez), Mali e Síria, por mencionar só algumhas. Estes cenários de criminais operaçons militares estadounidenses somam-se a umha lista de guerras encobertas em curso contra Palestina, Cuba, Irám e Coreia do Norte.

Afortunadamente, um giro do destino provocado polo defunto dirigente venezuelano Hugo Chávez garantiu que grande parte de América do Sul (a mais importante do telefonema esfera de influência estadounidense) permaneça fosse dos limites dos estragos de Washington, ao menos por enquanto.

A pergunta é por que Estados Unidos tem esta desmesurada propensom à guerra. A resposta é poder. A economia capitalista global exige umha fatal luita de poder polo controlo dos recursos naturais. Para manter a sua posiçom histórica única de controlo do benefício e os privilégios capitalistas a elite corporativa estadounidense (o executivo do sistema capitalista mundial) deve ter a hegemonia dos recursos naturais do mundo.

Em 1948 George F Kennan, planificador estatal, expressou claramente a fria lógica desta propensom: "Devemos deixar de falar de objectivos vagos e irreais como direitos humanos, aumentar o nível de vida e democratizaçom. Nom está longe o dia em que teremos que abordar conceitos de poder puro. Quanto menos entorpeçam-nos entom as consignas idealistas, melhor".

Noutras palavras, Kennan estava a admitir com franqueza o que os dirigentes políticos estadounidenses a miúdo encobrem com falsa retórica, isto é, que a elite dirigente estadounidense nom tem interesse algum em defender a democracia, os direitos humanos ou o direito internacional. O que lhe interessa é o controlo do poder económico de acordo com as leis capitalistas.

Kennan, que foi um dos principais artífices da política exterior estadounidense na era posterior à Segunda Guerra Mundial, também assinalou com sinceridade e presciencia: "Se a Uniom Soviética afundasse-se manhá nas águas do oceano, a classe dirigente militar-industrial estadounidense teria que seguir adiante sem mudar substancialmente até que se pudesse inventar algum outro adversário. Qualquer outra cousa seria um shock inaceitável para a economia estadounidense".

Por conseguinte, vemos como umha vez que se desmoronou o "Império do mal" da Uniom Soviética, Estados Unidos nom alcançou encontrar um "inimigo" que a substitua nem um pretexto para o seu militarismo essencial. Os atentados terroristas de 11 de Setembro e a subseguinte "guerra contra o terrorismo" satisfigérom até verdadeiro ponto este propósito, apesar de estar cheios de contradiçons que ocultam a sua fraudulenta, como o apoio que brinda actualmente a elementos terroristas de Al-Qaeda para derrocar ao governo da Síria.

A actual ameaça de umha guerra nuclear na Península da Coreia em realidade nom tem que ver com Coreia de Norte ou com o Estado da Coreia do Sul ao que apoia Estados Unidos. Como em 1945, Coreia foi um cenário para que Estados Unidos mostrasse o seu poderio militar a quem considerava os seus principais rivais globais, Russa e China. Quando estava a terminar a Segunda Guerra Mundial os avanços da URSS e a Chinesa comunistas no Pacífico contra o Japom imperialista preocupavam muito a Washington à hora de pensar no compartimento global posterior à guerra.

Essa é a razom pola que Estados Unidos deu o passo sem precedentes de arrojar bombas atómicas sobre Japom. Foi a mais transcendental demonstraçom de poder puro e no duro por parte de Estados Unidos aos seus rivais. O duplo holocausto nuclear de Hiroshima e Nagasaki detivo imediata e completamente os avanços soviéticos e chineses na Península da Coreia contra os japoneses, aos que a populaçom coreana haviam dado a bem-vinda.

A divisom da Coreia em 1945 a instâncias de Washington também fazia parte da demarcaçom da influência global e da vigilância do controlo dos recursos que se produziram depois da guerra. A Guerra da Coreia (1950-1953) instigada por Estados Unidos e as subseguintes décadas de tensom entre os Estados do Norte e do Sul permitiram a Washington manter umha permanente presença militar no Pacífico.

A retórica acerca de "defender aos nossos aliados" que voltou a reiterar esta semana o secretário de Defesa estadounidense Chuck Hagel nom é senom umha cínica quimera do propósito e a razom verdadeiros da presença de Washington na Coreia: o controlo estratégico da Rússia e China pola hegemonia sobre os recursos naturais, transporte-los, a logística e, em última instância, o benefício capitalista.

Trágicamente Coreia do Norte e do Sul continuam atrapadas no ponto de mira da guerra geopolítica de Washington contra Rússia e China. Isto é o que fai que as actuais tensons na Península sejam tam perigosas. Estados Unidos poderia considerar que um ataque devastador contra Coreia do Norte fosse a melhor maneira nesta conjuntura histórica de enviar outra mensagem brutal aos seus rivais. Por desgraça, a capacidade nuclear da Coreia do Norte e a sua atitude hostil (que exageram os meios dominantes ocidentais) poderiam servir de escusa política superficial para que Washington adoptasse de novo a opçom militar.

Contodo, Irám apresenta um desafio muito maior e mais problemático para a hegemonia global estadounidense. Em 2013 Estados Unidos é um animal muito diferente do que era em 1945. Agora parece-se mais a um gigante torpe. Desapareceu a sua antiga destreza económica e as suas artérias estám esclerosadas pola sua decadência e mal-estar internos. O que também é de crucial importância é que o torpe gigante estadounidense malgastou toda a força moral que pudesse ter a olhos do mundo. Poda que o seu halo de moralidade e de princípios democráticos parecesse crível em 1945, mas as incontáveis guerras e as fatais intrigas ao longo das décadas subseguintes desgastárom esta aparência até revelar a um belicista patológico.

Por suposto, o poderio militar estadounidense segue sendo umha força extremosamente perigosa, ainda que agora se assemelha mais a um avultado músculo que colga no que polo demais é um corpo esquálido. Esta potência torpe e moribunda tem ante sim a Irám como um desafio fatal. Para começar, Irám nom tem armas ou ambiçons nucleares e afirmou-no muitas vezes, com o que conseguiu ganhar-se a boa vontade da comunidade internacional, incluída a opiniom pública da América do Norte e da Europa. Por conseguinte, Estados Unidos ou os seus substitutos nom podem justificar de maneira crível um ataque militar a Irám, como poderia fazer contra Coreia do Norte, sem se arriscar a umha avalanche de violentas reacçons políticas.

Em segundo lugar, Irám exerce umha influência determinante sobre o fármaco vital que mantém vivo o sistema económico estadounidense: a subministraçom mundial de petróleo e gás. Em caso que Estados Unidos fosse tam tolo como para se embarcar nisso, qualquer guerra contra Irám teria como resultado um golpe mortal para a languida economia estadounidense e global.

Umha terceira razom pola que Irám representa um desafio mortal para a hegemonia global estadounidense é que a República Islâmica é umha potência militar formidável. A sua populaçom de 80 milhons de pessoas está comprometida com o antiimperialismo e qualquer ataque de Estados Unidos ou os seus aliados teria como resultado umha guerra a escala regional que deitaria abaixo os alicerces da estrutura geopolítica ocidental, incluído o colapso do Estado de Israel e o derrocamento da Dinastia Saud e de outras ditaduras do Golfo.

Os estrategos estadounidenses sabem-no e por isso nom se atrevêrom a se enfrontar frontalmente com Irám. Mas isto expom um dilema fatal ao império estadounidense. O seu beligerância congénita procedente do seu ADN situa à elite dirigente estadounidense num ponto morto em relaçom com Irám. Quanto mais tempo persista este ponto morto, mais poder global irá perdendo o cadáver de Estados Unidos. Por conseguinte, como muitos outros impérios antes, o império estadounidense poderia afundar-se nas rocas do antigo império persa.

Contodo, a história nom acabará aí. Para alcançar a paz, a justiça e a sustentabilidade mundiais nom se necessita unicamente o colapso da hegemonia estadounidense. Necessitamos derrotar o sistema económico capitalista subjacente que dá lugar a estes poderes hegemónicos destrutivos. Irám representa um golpe mortal para o império estadounidense, mas os povos do mundo terám que edificar sobre as ruínas.

Finian Cunningham (1963) escreveu por extenso sobre questons internacionais e os seus artigos publicam em vários idiomas. Tem um Mestrado em Agricultura Química e antes de dedicar ao jornalismo trabalhou como editor científico da Real Sociedade de Química de Cambridge, Inglaterra. Também é músico e compositor. Foi expulso de Bahrein em Junho de 2011 polos seus artigos críticos nos que punha de relevo as violaçons de direitos humanos por parte do regime apoiado por Ocidente.

Fonte: http://www.informationclearinghouse.info/article34586.htm

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