27-03-2013

Link permanente 22:04:39, por José Alberte Email , 681 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Intensificar a campanha pela ruptura com a UE e as políticas do capital

Acontecimentos em Chipre
Intensificar a campanha pela ruptura com a UE e as políticas do capital

por KKE

O KKE exprime sua solidariedade com o povo cipriota contra a chantagem e as medidas anti-populares brutais impostas pela União Europeia e o FMI com a cumplicidade dos governos burgueses, inclusive o grego e o cipriota, a fim de preservar os interesses do capital. O "Não" ao plano da UE não é único. Há o "Não" do povo e o "Não" daqueles que desejam servir os interesses particulares dos monopólios.

Os diversos planos alternativos para o financiamento da economia cipriota (com a participação da Rússia e de outros Estados ou com uma tomada de empréstimo nacional, que terá um impacto negativo sobre as caixas da segurança social ou retornando à moeda nacional, como várias forças propõem), mesmo se fossem postos em prática constituiriam igualmente um impasse para os interesses do povo.

Eles apoiam-se na tomada de controle pelos monopólios de uma parte das riquezas energéticas do país. A luta entre estas duas fórmulas no quadro da UE nada tem a ver com os interesses do povo.

Verifica-se que a gestão da crise capitalista, com os monopólios a adquirirem uma posição dominante na economia e pela participação da UE ou outras alianças imperialistas, faz-se sempre em detrimento dos trabalhadores.

As medidas anti-populares não afectam somente a taxa sobre a poupança dos cipriotas mas põem em causa os direitos dos trabalhadores em Chipre, propõem privatizações e as mesmas medidas que esmagam o povo grego e os outros povos da UE. O facto de o plano do Eurogrupo referente à tributação da poupança dos cipriotas ter sido rejeitado pelo Parlamento não deve conduzir a uma posição de complacência no futuro. O povo cipriota deve utilizar este acontecimento para reforçar sua luta contra as medidas anti-populares.

Os acontecimentos em Chipre, com a escalada da ofensiva anti-popular, demonstram mais uma vez a amplitude da manipulação orquestrada por estas forças que difundiram no seio dos povos a ideia de que o acesso à UE traria prosperidade, convergência, solidariedade em favor dos povos. Eis o que é a União Europeia – e ela não poderá mudar.

A sua essência permanece a mesma, qualquer que seja a força que tenda a impor-se no seio da UE – a Alemanha e os países que com ela se alinham, ou então outros eixos e alianças como a aliança dos países do Sul como pretende o SYRIZA. Dito de outra forma, a UE é uma aliança predatória que ataca os trabalhadores no seu conjunto a fim de garantir a taxa de lucro dos grandes grupos económicos.

As últimas evoluções confirmam que hoje, nas condições de uma crise muito profunda, reforçam-se tendências centrífugas no seio da UE e da zona euro assim como a competição entre os países e as fracções do capital para saber que vai aproveitar mais com a crise, que vai sofrer as perdas menos importantes. A competição pelo controle dos recursos naturais e as vias de transporte energético reforça-se, em particular na região do Mediterrâneo oriental, o que implica perigos imprevisíveis para as populações.

O povo grego, o povo cipriota e os outros ovos da Europa podem e devem colocar sua marca sobre os acontecimentos. Devem rejeitar a chantagem do capital, da UE e do FMI. Não devem alinhar-se por trás de qualquer potência imperialista que seja. Devem seguir a via da retirada da UE e das alianças imperialistas.
Gabinete de imprensa do Comité Central do KKE

Ver também:
Statement of Andros Kyprianou, General Secretary of the C.C. of AKEL , 22/Mar/13
Statement by Andros Kyprianou, General Secretary of the C.C. of AKEL , 21/Mar/13
Statement of the Secretariat of the C.C. of AKEL , 16/Mar/13
Speech of Andros Kyprianou, General Secretary of the C.C. of AKEL, to the plenary of the House of Representatives in the debate on the bill for the haircut on deposits agreed between the Government and the Eurogroup , 19/Mar/13
"The unacknowledged secret" By Costas Christodoulides, Head of the European Affairs Department and member of the C.C. of AKEL , 08/Mar/13

Este comunicado encontra-se em solidarite-internationale-pcf.over-blog.net/...

Este comunicado encontra-se em http://resistir.info/ .

26-03-2013

Link permanente 23:56:03, por José Alberte Email , 3547 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: ”O Papa de Washington”? Quem é o Papa Francis I? Cardinal Mario Bergoglio e a “Guerra Suja” da Argentina.

By Prof Michel Chossudovsky
Global Research, March 21, 2013

O conclave do Vaticano elegeu o Cardinal Jorge Mario Bergoglio como o Papa Francis I
Quem é Jorge Mario Bergoglio?
Em 1973 ele foi nomeado o “provincial” da Argentina para a Companhia dos Jesuitas.
Nessa capacidade Bergoglio foi o mais alto dignitário da Ordem Jesuíta da Argentina durante a ditadura militar liderada pelo General Jorge Videla (1976-1983).
Mais tarde ele foi nomeado bispo e depois arcebispo de Buenos Aires. O Papa João Paulo II o consagrou Cardinal em 2001.
Quando a junta militar abandonou o poder em 1983, o devidamente eleito presidente Raúl Alfonsin abriu um inquérito, a Comissão da Verdade, para investigar os crimes relacionados com que ficou conhecidos como a Guerra Suja – “La Guerra Sucia”.
A junta militar tinha sido encobertamente apoada por Washington.
O Secretário do Estado norteamericano, Henry Kissinger, fez o seu papel nos bastidores do golpe militar de 1976.
O vice-representante mais importante de Kissinger na América Latina, William Rogers, o informou dois dias depois do golpe que “teremos que esperar uma quantia considerável de repressão, provávelmente muita sanguenta, dentro em pouco tempo.”…(Arquivo da Segurança Nacional, 23 de março, 2006)
 
“Operação Condor”
Um grande julgamento foi ironicamente aberto em 5 de março 2013, uma semana antes da investidura do Cardinal Bergoglio como Pontífice. O processo sendo desenvolvido em Buenos Aires tem em vista:
 “uma avaliação da totalidade dos crimes cometidos abaixo da Operação Condor, uma campanha coordenada por vários ditadores da América Latina, apoiados pelos Estados Unidos nos anos de 1970 e 1980, para caçar, torturar e matar dezenas de milhares de oponentes desses regimes militares”
Para mais detalhes veja Operation Condor: Trial On Latin American Rendition and Assassination Program By Carlos Osorio and Peter Kornbluh,,March 10, 2013.
(Foto acima: Henry Kissinger e General Jorge Videla (anos de 1970)

 
NÃO CLASSIFICADO     8/3/76
DEPARTAMENTO DO ESTADO
Washington D.C.
DO:  Secretariado
PARA: ARA – Harry W. Shlaudeman
ARA RELATÓRIO MENSAL( JULHO)
A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL E A AMÉRICA LATINA
Os regimes militares do cone sul da América do Sul veêm-se
como tendo que pôr-se em ordem de batalha:
–  de um lado pelo marxismo internacional e seus exponentes terroristas, e
– do outro lado pela hostilidade das democracias industriais que são enganadas pela propaganda marxista.
Em resposta eles estão se unindo no que se poderá tornar num bloco político de uma certa coesão. Mas, mais importante, eles estão juntando forças para erradicar a “subversão”, uma palavra que mais e mais vem se tornando num sinônimo de oposição não-violenta de esquerda, e de centro-esquerda. As forças de segurança do cone sul
–  agora estão a coordenar mais estritamente suas atividades de inteligência;
–  estão também operando nos territórios dos países uns dos outros em busca de “subversivos”;
– eles estabeleceram a Operation Condor para achar e matar terroristas do “Comité Revolucionário de Coordenação” nos seus próprios países, e na Europa. O Brazil está cooperando, mas não em operações homicidas.
 
A junta militar liderada pelo General Jorge Videla (a esquerda) foi responsável por incontáveis assassinatos, incluindo assassinatos de  sacerdotes e freiras que se opuseram ao domínio militar que acompanhou  o golpe patrocinado pela CIA, golpe esse que derrubou  o governo de Isabel Peron,  em 24 de março de 1976.
“Videla estava entre os generais que foram condenados por crimes contra os direitos humanos, crimes esses que incluiam  “desaparecimentos”, tortura, assassinatos, e sequestramentos. Em 1985, Videla foi sentenciado a prisão perpétua, na prisão militar de Magdalena.
Wall Street e a Agenda Econômica Neoliberal
Uma das nomeações mais importantes da junta militar (como consequência das intruções de Wall Street) foi a do Ministro da Economia, José Alfredo Martinez de Hoz, um membro do estabelecimento de negócios, comércio e investimentos da Argentina; um amigo íntimo de David Rockefeller.
O pacote neoliberal da política macro-econômica adotada sob Martinez de Hoz foi uma “cópia-carbono” daquela imposta em outubro de 1973 no Chile pela ditadura de Pinochet abaixo dos conselhos vindos dos “Meninos de Chicago”- “Chicago Boys”; política essa imposta depois do golpe de estado de 11 de setembro de 1973, e do assassinato do presidente Salvador Allende.
Os salários foram imediatamente congelados, por decreto. O poder aquisitivo real no país caiu em colápso por mais de 30 porcento, nos tres meses que se seguiram ao golpe militar de 24 de março de 1976. (Avaliações do autor, Cordoba, Argentina, julho de 1976). A população argentina ficou repentinamente empobrecida.
Abaixo da direçäo do Ministro da Economia José alfredo Martinez de Hoz, a política monetária do banco central foi em grande parte determinada por Wall Street e pelo  FMI, o Fundo Monetário Internacional. O mercado de câmbio foi manipulado. O Peso argentino foi propositadamente posto acima do seu valor real, o que levou a um débito exterior insuperável. Toda a Economia Nacional foi precipitada à falência.
 
 
(Foto acima: Da esquerda para a direita: José Alfredo Martinez de Hoz, David Rockefeller e General Jorge Videla)
Wall Street e a Hierarquia da Igreja Católica  
Wall Street esteve sólidamente apoiando a junta militar que empenhava-se na “Guerra Suja” em benefício da mesma. Por seu turno, a hierarquia da Igreja Católica teve o papel, um papel central, de manter a legitimidade da junta militar.
A Ordem dos Jesuitas  –que representava a Conservadora, mas no entanto a mais influente facção da Igreja Católica-  estava intimamente associada com a elite econômica da Argentina, e isso contra os chamados “de esquerda” do movimento Peronista.
“A Guerra Suja”: Alegações dirigidas contra o Cardinal Jorge Mario Bergoglio
Condenar a ditadura militar (inclusive suas violações dos direitos humanos) era um tabú na Igreja Católica. Enquanto os altos escalões da Igreja apoiavam a junta militar, a base popular da mesma estava firmemente contra a imposição do governo militar.
Em 2005  a advogada de direitos humanos Myriam Bregman entrou com um processo judicial contra o Cardinal Jorge Bergoglio, acusando-o de conspirar com a junta militar quando do sequestro de dois padres jesuítas em 1976.
Alguns anos mais tarde, os sobreviventes da “Guerra Suja” acusaram abertamente o Cardinal Jorge Bergoglio de cumplicidade nos sequestros dos padres Francisco Jalics e Orlando Yorio, assim como nos sequestros de seis membros de suas paróquias, (El Mundo, 8 de novembro de 2010)
 
 
(Foto acima: Jorge Mario Bergoglio e General Jorge Videla)
Bergoglio, que na época era o “provincial” da Companhia dos Jesuitas, tinha dado ordens para que os dois padres, jesuitas, “de esquerda”,  e oponentes do governo militar “deixassem seus trabalhos paroquiais”, o que quer dizer que foram despedidos. Isso acompanhando divisões na Companhia dos Jesuitas quanto ao papel da Igreja Católica em relação a junta militar.
Enquanto os dois padres – Francisco Jalics e Orlando Yorio – sequestrados pelos esquadrões da morte em maio de 1976 foram soltos cinco meses mais tarde depois de terem sido torturados; outras seis pessoas relacionadas a paróquia, pessoas essas que também tinham sido sequestradas na mesma operação, foram dadas como “desaparecidas”. Esses sequestrados desaparecidos eram quatro professores e dois dos maridos de duas das professoras do grupo dos seis.
De quando de sua libertação o padre Orlando Yorio acusou Bergoglio de efetivamente os terem entregue [incluindo as seis outras pessoas] para os esquadrões da morte … Jalics se recusou a discutir a queixa depois de ter entrado em reclusão num monastério alemão.” (Associated Press, 13 de março de 2013, ênfases acrescentadas).
“Durante o primeiro julgamento da junta militar em 1985, Yorio declarou: “Eu tenho certeza de que ele mesmo deu uma lista com os nossos nomes para a Marinha.” Os dois padres tinham sido levados para o centro de tortura da Escola de Mecânica da Marinha (ESMA na sigla inglesa) e mantidos lá por cinco meses antes de serem arrastados e jogados numa cidade dos subúrbios. (Veja Bill van Auken, “The Dirty War” Pope, World Socialist Website and Global Research, March 14, 2013)
Entre aqueles “desaparecidos” pelos esquadrões da morte estavam Mónica Candelaria Mignone e María Marta Vásquez Ocampo. Mónica Mignone era filha do fundador do Centro de Estudos Legais e Sociais, CELS, e María Marta Ocampo era filha da presidente das Madres de Plaza de Mayo, Martha Ocampo de Vásquez (El Periodista Online, março 2013).
María Marta Vásquez, seu marido César Lugones (veja foto)  e Mónica Candelaria Mignone alegadamente “entregues aos esquadrões da morte” pelo provincial” jesuita Jorge Mario Bergoglio estão entre os milhares de “desaparecidos da “Guerra Suja” da Argentina, a qual foi encobertamente apoiada por Washington, abaixo da “Operação Condor”.  (Veja memorialmagro.com.ar)
No decorrer do julgamento iniciado em 2005:
 “Bergoglio [Papa Francis I] por duas vezes invocou seu direito abaixo da lei argentina de poder se recusar a apresentar-se em tribunal público, e quando ele afinal testemunhou em 2010 suas respostas foram evasivas”. “Pelo menos dois casos envolviam Bergoglio diretamente. Um examinava a tortura de dois dos seus padres jesuitas – Orlando Yorio e Francisco Jalics – que tinham sido sequestrados em 1976 em bairros pobres onde eles defendiam a teologia da liberação. Yorio acusou Bergoglio de efetivamente os terem entregue aos esquadrões da morte … do quando recusando-se a declarar ao regime que ele endossava o trabalho desses dois seus padres.  Jalics recusou-se a comentar o caso depois de ter se retirado para um monastério alemão.” (Los Angeles Times, 1 de abril, 2005)
“Santa comunhão para os ditadores”
As acusações dirigidas contra Bergoglio em relação aos dois padres jesuitas e aos seis membros das paróquias dos mesmos, seriam sómente a ponta do icebergue. Conquanto Bergoglio fosse uma pessoa importante da Igreja Católica, ele não seria o único a apoiar a junta militar.
De acordo com a advogada Myriam Bregman:   “As próprias declarações de Bergoglio provam que representantes oficiais da igreja sabiam, e isso logo do começo que a junta estava torturando e matando seus cidadãos” e ainda assim endossaram publicamente os ditadores. “A ditadura não poderia ter agido dessa maneira sem esse apoio chave,” (Los Angeles Times, 1 abril de 2005, ênfases acrescentadas.
(Foto acima: General Jorge Videla comungando. A data e o nome do padre não confirmados)
Toda a hierarquia católica estava apoiando a ditadura militar patrocinada pelos Estados Unidos. Vale a pena recordar que em 23 de março de 1976, na véspera do golpe militar:
“Videla e outros conspiradores receberam a benção do arcebispo do Paraná, Adolfo Tortolo, que também serviu como o vigário das forças armadas. No próprio dia da tomada do poder, os líderes militares tiveram um longo encontro com os líderes da conferência dos bispos. Quando ele saiu dessa conferência o arcebispo Tortolo declarou que mesmo que “a igreja tenha sua própria missão específica … há circunstâncias nas quais ela não pode deixar de participar, mesmo quando isso relacione-se a problemas da ordem específica do estado.” Ele fez mesmo pressão moral para que os argentinos “cooperassem duma maneira positiva” com o novo governo.”   (The Humanist.org, janeiro de 2011, ênfases acrescentadas)
Numa entrevista conduzida pelo El Sur, o General Jorge Videla, que agora está servindo uma pena de prisão perpétua, por causa dos seus crimes contra a humanidade confirmou que:
 “Ele tinha mantido a hierarquia católica do país informada quanto a “fazer desaparecer” oponentes políticos, e que os líderes católicos tinham oferecido conselhos de como “conduzir” a política de desaparecimentos.
Jorge Videla disse que ele tinha tido “muitas conversações” com o Cardinal Raúl Francisco Primatesta, da Argentina, a respeito da guerra suja do governo contra os ativistas da esquerda. Ele disse que também havia havido conversações com outros bispos líderes da conferência episcopal na Argentina, assim como com o núncio papal do país na época, Pio Laghi. “Eles nos aconselharam a respeito da maneira de como lidar com a situação,” disse Videla” (Tom Henningan, Former Argentinian dictator says he told Catholic Church of disappeared, Irish Times, 24 de julho de 2012, ênfases acrescentadas)
É de valor o observar-se, que de acordo com uma declaração do arcebispo Adolfo Tortolo, os militares deveriam sempre consultar com alguma membro da alta hierarquia católica no caso de “prisão” de algum membro nas alas mais baixas da hierarquia do cléro. Essa declaração foi feita especialmente em relação aos dois padres jesuitas sequestrados, dos quais as atividades pastorais estavam abaixo da autoridade do “provincial” da Companhia Jesuita, Jorge Mario Bergoglio. (El Periodista Online, março de 2013).
Em endossando a junta militar, a hierarquia católica foi cúmplice de tortura e de morte de massas, num estimado de “22.000 mortos e desaparecidos, de 1976  a 1978. …  Milhares de outras vítimas foram mortas entre 1978 e 1983, quando os militares foram forçados a deixar o poder.” (Arquivo da Segurança Nacional, 23 de março de 2006).
O papel do Vaticano
O Vaticano abaixo da direção do Papa Paulo VI e do Papa João Paulo II fez um papel central em apoiando a junta militar argentina.
Pio Langhi, o Núncio Apostólico do Vaticano na Argentina admitiu o conhecimento a respeito de tortura e massacrres.
Langhi tinha contatos pessoais com membros da direção da junta militar incluindo o General Videla e o Almirante Emilio Eduardo Massera.
O Almirante Emilio Massera, em próximo contacto com seus dirigentes americanos, foi o mentor “Da Guerra Suja”. Abaixo dos auspícios do regime militar ele estabeleceu:
“um centro de interrogatório e tortura na Escola Naval de Mecânica – Naval School of Mechanics, ESMA [perto de Buenos Aires], … Esse era um estabelecimento sofisticado, para muitos fins, vital ao plano militar de assassinar cerca de 30.000 “inimigos do estado”. …Muitos milhares dos prisioneiros da ESMA, incluindo, por exemplo, duas freiras francesas, foram de maneira rotineira torturados brutalmente sem misericórdia, antes de serem assassinados ou jogados de algum avião no Rio de la Plata.
(Veja foto acima: O Nuncio do Vaticano Pio Langhi e o General Jorge Videla)
Massera, o membro mais vigoroso do triunvirato, fez o seu melhor para manter seus elos com Washington. Ele participou no desenvolvimentoo do Plano Condor, que era um plano de colaboração para coordenar o terrorismo sendo praticado pelos regimes militares sulamericanos. (Hugh O´ Shaughnessy,   Amiral Emilio Massera: Naval officer who took part in the 1976 coup in Argentina and was later jailed for his part in the junta’s crimes,  The Independent, 10 de novembro de 2010, ênfases acrescentadas)
Relatórios confirmam que o representante do Vaticano Pio Laghi e Amiral Emilio Massera eram amigos.
(Foto: Almirante Emilio Massera, o arquiteto da “Guerra Suja” sendo recebido pelo Papa Paulo VI, no Vaticano)
A Igreja Católica: Chile vs Argentina
Tem valor por si mesmo o notar-se que nas águas do golpe militar no Chile, em 11 de setembro de 1973, o Cardinal de São Tiago do Chile,  Raul Silva Henriquez, tinha condenado abertamente a junta militar liderada pelo General Augusto Pinochet. Em forte  contraste com a Argentina, a posição da hierarquia católica no Chile foi eficaz em pôr freio as ondas de assassinatos polítiocs, assim como conter a extensão das violações dos direitos humanos cometitas contra os apoiantes de Salvador Allende e os oponentes do regime militar.
O homem atrás do ecumênico, e não-partidário, Comité Pro-Paz era o Cardinal Raúl Silva Henríquez. Logo depois do golpe, Silva… tomou o papel de “atores” – “upstander”, esse sendo um termo em inglês que a autora e ativista Samantha Power criou para distinguir pessoas que se levantavam contra a injustiça – muitas vezes a custo de grandes riscos pessoais – dos que denominava então, de “expectadores”.
… Logo após o golpe, Silva e outros líderes da igreja do Chile publicaram uma declaração condenando as ações dos golpistas e exprimindo dor e desgosto pelo derramamento de sangue. Esse foi um ponto fundamental de reversão para muitos membros do cléro chileno … O Cardinal Raul Silva Henriquez visitou o Estádio Nacional, e escandalizado pela escala da violência desintegradora, instruiu seus auxiliares a começarem a documentar os acontecimentos reunindo informação das milhares de pessoas que voltavam-se as igrejas, para refúgio.
As ações do Cardinal  Silva o levaram a um conflito aberto com Pinochet, que não hesitou em ameaçar a igreja e o Comité Pro-Paz (Taking a Stand Against Pinochet: The Catholic Church and the Disappeared – pdf)
Se a hierarquia católica na Argentina e Jorge Mario Bergoglio tivessem tomado uma posição semelhante a do Cardinal Raul Silva Henriquez, milhares de vidas teriam sido salvas, também na Argentina.
Jorge Mario Bergoglio não era, nas palvras de Samantha Powers um expectador, “bystander”. Ele foi cúmplice em crimes contra a humanidade, crimes esses que foram muito abrangentes.
O Papa Francis I não é “um homem do povo” cometido a “ajudar os pobres” nas pegadas de São Francisco de Assis, como retratado em côro pela mantra da mídia ocidental. Muito pelo contrário: os seus esforços durante a junta militar, consistentemente atacando progressivos membros do cléro católico, assim como os ativistas empenhados em salvaguardar dos direitos humanos, ativistas esses envolvidos em implementar programas contra a grande miséria e pobreza.
Em apoiando a “Guerra Suja” argentina, José Mario Bergoglio violou abertamente os próprios dogmas e doutrinas da moralidade cristã, dogmas e doureinas esses que dão grande valor a vida humana.
“Operação Condor” e a Igreja Católica
A eleição do Cardinal Bergoglio pelo conclave do Vaticano para servir como Papa Francis I terá repercussões imediatas em relação ao corrente julgamneto  “Operação Condor”, em Buenos Aires.
A Igreja estava envolvida em apoiar a junta militar. Esse é um fator que irá emergir no decorrer dos procedimentos do processo judicial. Não há dúvidas de que lá haverá esforços para obscurecer o papel da hierarquia católica e a recente nomeação do Papa Francis I, que serviu como chefe da Ordem Jesuita da Argentina durante a ditadura militar.
Jorge Mario Bergoglio: O Papa de Washington no Vaticano?
A eleição do Papa Francis I tem grandes implicações para toda a região da América Latina
Nos anos de 1970, Jorge Mario Bergolio apoiou a ditadura militar patrocinada pelos Estados Unidos.
A hierarquia católica da Argentina apoiou o governo militar. O programa militar de tortura, assassinatos e “desaparecimentos” de milhares de oponentes políticos foi apoiada e coordenada por Washington, durante a “Operação Condor”, da CIA.
Os interesses da Wall Street foram sustentados através do gabinete de Jose Alfredo Martinez de Hoz no Ministério da Economia.
A Igreja Católica na América Latina tem influência política. A Igreja também exerce um  controle sobre a opinião pública. Isso é sabido e compreendido pelos arquitetos da política exterior dos Estados Unidos, assim como dos sectores de inteligência dos mesmos.
Na América Latina onde governos estão agora desafiando a dominância dos EUA, se pode esperar – dado os antecedentes de Bergoglio –  que o novo Pontífice Francis I, como líder da Igreja Católica na América Latina irá, de facto,  desempenhar um papel político discreto e as encobertas, mas a favor de Washington.
Com Jose Mario Bergoglio, Papa Francis I no Vaticano – homem esse que fielmente serviu os interesses dos Estados Unidos no dias de apogeu do Generla Jorge Videla e Almirante Emilio Massera – a hierarquia da Igreja Católica na América Latina poderá mais uma vez ser efetivamente manipulada para underminar governos “progressistas”, ou seja, de esquerda, não só na Argentina (em relação ao governo de Cristina Kirschner) como também através de toda a região sulamericana, incluindo Venezuela, Equador e Bolívia.
A instalação de “um papa pro-EUA” ocorreu uma semana após a morte do presidente Hugo Chavez.
“Troca de Regime” no Vaticano  
O Departamento do Estado dos Estados Unidos como uma questão de rotina faz pressão sobre membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas com o fim de influenciar os votos pertencentes as resoluções do Conselho de Segurança.
Também como uma questão de rotina as operações encobertas assim como as campanhas de propaganda dos Estados Unidos são empregadas com o objetivo de influenciar eleições nacionais, em diferente países ao redor do mundo.
A CIA de maneira similar também tem tido uma longa relação encoberta de afinidade com o Vaticano.
Teria o governo dos Estados Unidos tentado influenciar o resultado da eleição do novo pontífice?
Fortemente envolvido em servir os interesses da política exterior dos Estados Unidos na América Latina, Jorge Mario Bergoglio era o candidato preferido de Washington.
Teriam discretas pressões encobertas sido exercidas por Washington dentro da Igreja Católica, pressões essas que direta ou indiretamente, poderiam ter caido sobre os 115 cardinais, membros do conclave do Vaticano?
 
Notas do Autor
No começo do regime militar em 1976, eu estava trabalhando como professor visitante no Instituto de Política Social da Universidade Nacional de Cordoba, Argentina. O ponto focal da minha pesquisa, nesse tempo, era a investigação dos impactos sociais das mortais reformas macro-econômicas adotadas pela junta militar.
Eu era professor na Universidade de Cordoba  durante a onda inicial dos assassinatos, a qual também mirava membros progressivos da bases populares do cléro católico.
A cidade industrial de Córdoba, localisada no norte da Argnetina,  era o centro do movimento de resistência. Eu fui testemunha de como a hierarquia católica, activa e de maneira rotineira apoiava a junta militar, criando uma atmosfera de intimidação e medo através de todo o país. O sentimento geral nesse tempo era de que a Argentina tinha sido traida pelos altos escalões da Igreja Católica.
Tres anos antes quando do golpe militar no Chile em 11 de setembro de 1973,  o qual levou a derrubada do governo da Unidade Popular de Salvador Allende, eu estava trabalhando como professor visitante no Departamento de Economia da Universidade Católica do Chile, em Santiago do Chile.
Nas imediatas consequências do golpe do Chile eu fui testemunha de como o Cardinal de Santiago, Raul Silva Henriquez –  agindo em nome da Igreja Católica -  confrontou a ditadura militar.
Michel Chossudovsky
Global Research (atualizado em 16 de março de 2013)
14 de março de 2013-03-18
 
Artigo em inglês :

“Washington’s Pope”? Who is Pope Francis I? Cardinal Jorge Mario Bergoglio and Argentina’s “Dirty War”, March 16, 2013
 
Tradução Anna Malm – *Licenciatura: Economia e Psicologia; Bacharelado: Ciência Política e Economia.

24-03-2013

Link permanente 19:05:04, por José Alberte Email , 348 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Acelera-se o descalabro da União Europeia

http://www.resistir.info/europa/chipre_20mar13.html

Chipre: Draghi utiliza o bloqueio monetário
– Medida equivale a um "acto de guerra"

por Jacques Sapir

O "bloqueio monetário" de Chipre que acaba de ser posto em acção pelo BCE é um acto de uma gravidade extraordinária, cujas consequências devem ser cuidadosamente estudadas. A decisão do sr. Mario Draghi abrange dois aspectos: em primeiro lugar o BCE não alimenta mais o Banco Central de Chipre com papel-moeda (ponto que não parece essencial pois as reservas de cash parecem importantes) e além disso interrompe as transacções entre os bancos cipriotas (assim como as empresas baseadas em Chipre, sejam ou não cipriotas) pois doravante já não podem fazer transacções com o resto da zona Euro. Por outro lado, a decisão equivale a um "bloqueio" económico, ou seja, nos termos do direito internacional a uma acção equivalente a "acto de guerra". É portanto terrível a gravidade da decisão tomada por Mario Draghi. Ela poderia também prestar-se a contestação diante dos tribunais internacionais. Mario Draghi poderia, por isso, encontrar-se um dia diante de um tribunal, internacional ou não.

Sobre a interrupção das relações entre bancos cipriotas e a zona Euro, o argumento invocado é a "dúvida" sobre a solvabilidade dos ditos bancos cipriotas. Isto é evidentemente um puro pretexto pois há "dúvidas" desde Junho último. Todo o mundo sabe que com as consequências do "haircut" imposto sobre os credores privados da Grécia foram fragilizados consideravelmente os bancos de Chipre. O BCE não havia reagido na ocasião e não considerava o problema da recapitalização destes bancos como urgente. O BCE decidiu-se a fazê-lo no dia seguinte à rejeição pelo Parlamento cipriota do texto do acordo imposto a Chipre pelo Eurogrupo e a Troika. Não era possível ser mais claro. A mensagem enviada por Mario Draghi é portanto a seguinte: ou vocês se dobram ao que NÓS decidimos ou sofrerão as consequências. Isto não é apenas uma mensagem, é um ultimato. Verifica-se aqui que todas as declarações sobre o "consenso" ou a "unanimidade" que teria presidido à decisão do Eurogrupo não são senão máscaras frente ao que é realmente um Diktat .
20/Março/2013

Link permanente 18:36:27, por José Alberte Email , 469 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas

CANTA O MERLO: A igreja Bergoglio e a sua cumplicidade com o plano sistemático de roubos de bebés

Declaçons de umha neta recuperada polas Avós. A igreja e a sua cumplicidade com o plano sistemático de roubos de bebés

A poucos dias de se cumprire um novo aniversário do golpe genocida, Maria Vitória Moyano, neta recuperada, integrante do CeProDH (Centro de Profissionais polos Direitos Humanos) e quereladora nos julgamentos polo Plano Sistemático de Roubo de Bebés e Plano Condor, fizo questom de sacar à luz a denúncia que desde esse organismo vem realizando sobre os laços da Igreja católica e a ditadura, em particular sobre um facto muito concreto: o Plano Sistemático de Roubo de Bebés.

A respeito disso, María Vitória lembrou que "nom se pode assinalar ao papa Bergoglio somente polas suas omissons ou polo silêncio cúmplice da máxima hierarquia da Igreja com o genocídio, senom também porque quando foi consultado nos julgamentos sobre se conhecia ou nom a existência de crianças roubados às presas desaparecidas, e logo apropriados, mentiu ao dizer que se deu conta no ano 2000, para logo ratificar e afirmar que o fixo desde o Julgamento às Juntas. Ademais, no ano 1977 estava dar conta também do caso de Elena de la Cuadra, o que consta em documentaçom e polo testemunho dos familiares. Acha-o que está mais que claro que Bergoglio mentiu e segue mentindo".

Assim mesmo, Moyano concretizou que "a Igreja nom só abençoou os crimes da ditadura, senom que colaborou activamente. Devemos lembrar ao fatal Movimento Familiar Crista (MFC), umha entidade que operou activamente na apropriaçom dos filhos de desaparecidos durante a última ditadura militar. A sua actuaçom nom era autónoma, estava legitimada por ser umha organizaçom acreditada polo Episcopado, o que lhe permitiu entregar em adopçom aos bebés através de um convénio com a Secretaria do Menor. Leste "branqueio" dos seqüestros de crianças ocorreu dezenas de vezes, com o MFC actuando como agência e medianeiro".

Por sua vez, lembrou que "esta entidade facilitava os trâmites para os pais candidatos, em geral donos ou pessoal hierárquico de grandes empresas, mesmo multinacionais e famílias acomodadas que elegiam os bebés mascotes, como revelou umha investigaçom da jornalista alemá Gaby Weber na que saiu à luz que gerentes de empresas multinacionais alemás como a farmacêutica Bayer e a automotriz Mercedes Benz apropriaram-se de bebés com o Movimento Familiar Crista como intermediário". Ademais, Maria Vitória explicou que na actualidade o MFC está a ser investigado polo Julgado Federal N.º 3 de Jorge Ballesteros, já que se suspeita que tivo participaçom no roubo em mais de 70 casos de bebés dos 119 que se investigam.

Finalmente, Maria Vitória denunciou: "Também aqui Bergoglio está estreitamente entrelaçado: os actuais presidentes do MFC foram designados polo saliente papa Benedito XVI como membros do Conselho Pontifício para a Família. O Conselho Pontifício para a Família tem no seu comité de presidência ao ex cardeal e agora máximo chefe da Igreja católica, Jorge Mário Bergoglio".

23-03-2013

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Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O que em verdade busca a Troika - Fame e Miséria graças a estafa dos banqueiros europeios

http://www.voltairenet.org/article177927.html

O que em verdade busca a Troika

por Xavier Caño Tamayo

Apesar dos milhares de milhons de euros já desembolsados para salvar a banca, a crise que estremece as economias da Uniom Europeia nom mingua de nengumha maneira. Ou nom seria mais justo denominá-la estafa?

Europa vai de mal a pior e até Alemanha vê as orelhas ao lobo com a travada nas suas exportaçons. Em Espanha, o incremento do IVE [o imposto sobre o valor acrescentado] foi letal para o consumo interno. Como mortais som também as rebaixas dos salários dos empregados públicos, os despedimentos, a congelaçom das pensons e os recortes em prestaçons para desempregados, que alcançam agora 26%. Enquanto, a segurança social perde e perde filiados e cotizaçons mês trás mês.
Em Portugal, consolida-se a tendência ao pago de umha série de serviços da saúde pública, o qual fai muito vulnerável à cidadania, enquanto que outra reforma laboral abarata mais o despedimento e a alça dos impostos empobrece mais à cidadania comum (nom aos ricos). Todas essas medidas, às que se agrega a privatizaçom de diversas empresas públicas, som puro saque. E que dizer da Grécia?

Umha recente investigaçom do Center for Economic and Policy Research de Estados Unidos demonstra que as políticas de austeridade que o Fundo Monetário Internacional (FMI) impom a Europa som muito prejudiciais para a imensa maioria da cidadania, porque provoca efeitos contrários aos que di buscar. Talvez por isso quase nom começam a se ouvir algumhas vozes críticas contra a política de austeridade.

O próprio Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, reconheceu que é um erro recomendar, sem matizes, recortes orçamentais aos governos europeus, porque isso pode travar o crescimento económico. Mas os economistas do FMI teimam em manter essa política, no quanto de emenda-la, e mesmo insistem em que os funestos resultados actuais nom significam que a política de austeridade seja «má». Apesar da ruína do povo português, o FMI aconselha a Passos Coelho, lhe primeiro-ministro de Portugal, que despede a mais funcionários, que alargue o horário laboral dos empregados públicos (pagando-lhes o mesmo salário), que reduza ainda mais as prestaçons por desemprego e que rebaixe ainda mais as pensons “para ser competitivos”.

Talvez para o FMI seja irrelevante que o desemprego alcance já 17% e que o PIB (produto interno bruto) já vá a retroceder em 1,5 em 2013. Que significa ser «competitivo» se a maioria de cidadaos afundam-se na pobreza?

Tam estúpida é a Troika? A soluçom está na história muito recente.

Em 1953, só 4 anos depois da sua fundaçom, a República Federal da Alemanha sumia-se sob o peso das suas dívidas e ameaçava com arrastar na sua derrube aos demais naçons europeias. Naquele entom, os 21 países credores da RFA reunírom-se em Londres e decidiram ajustar as suas exigências à capacidade de pago do país devidor. Reduziram a dívida acumulada em 60% e concederam umha moratória de 5 anos mais um adiamento de 30 anos para a reembolsar e, ademais, incluírom nos acordos umha cláusula de desenvolvimento que estabeleceu que o país devidor -lembremos que se tratava da República Federal da Alemanha- dedicaria ao pago da dívida só a vigésima parte dos seus ingressos por conceito de exportaçons.

Por que Europa nom actua hoje da mesma maneira?

Talvez porque o objectivo real prioritário da Troika nom seja cobrar a dívida. Talvez porque o que se busca é desmantelar os direitos sociais na Europa (o mal chamado Estado de bem-estar, porque podem-te pedir que tenhas menos bem-estar, mas nom que renuncies aos teus direitos). Talvez porque esta crise permite à minoria rica aumentar obscenamente os seus benefícios, como o demonstram os dados.

Mas o que toca é anular a maior parte da dívida porque se trata, ademais, de umha dívida impagável. Como explica John Ralston, há que acabar com toda a dívida porque essa dívida está a afundar a Europa. E, metaforicamente, propom Ralston que «guardemos» a dívida num sobre, que escrevamos no sobre «muito importante», que o metamos numha gaveta, fechemos-la com chave e... chimpemos a chave.

Se nom se anula grande parte da dívida, à vez que se refai os sistemas fiscais progressivos e começa-se a arrombar em toda a regra aos paraísos fiscais, e também à banca na sombra, a Europa nom a salva nem a misericórdia divina. Se a houvesse.

Xavier Caño Tamayo

Fonte
Contralínea (Mexico)

21-03-2013

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CANTA O MERLO: Reino Boubónico-Mais de médio milheiro de mortos e perto de cinco mil tolheitos em acidentes laborais durante 2012

http://www.larepublica.es/2013/03/

Mais de médio milheiro de mortos e perto de cinco mil tolheitos em acidentes laborais durante 2012

Nem as altas taxas de desemprego entre a populaçom, nem que os sectores mais afectados pola reduçom drástica da actividade sejam os que tradicionalmente acumulam mais mortes no trabalho, pairam esta sangria permanente da que nom se fam eco nem os empresários, nem o Governo nem os grandes meios de comunicaçom escrita ou audiovisual, parece ser que que o imaginário popular ainda contempla como normal que os trabalhadores perdam vida no trabalho, sem que isso desate os alarmes, nem os tertulianos dos médios polemizem sobre as suas causas.

Durante o ano 2012. CINCO CENTOS E CINQÜENTA E CINCO (555) pessoas perdêrom a vida enquanto tentavam ganhar-se o pam de cada dia, enquanto tentavam pagar escrupulosamente as suas hipotecas, a luz, a água, a roupa das suas famílias e todo aquilo que cada dia vemos subir de valor salvo os salários.

Mas a sinistralidade laboral, nom só reflecte pola quantidade de trabalhadores que morrem, se nom também polos que perdem a sua saúde e a sua capacidade de seguir trabalhando como conseqüência da sua actividade laboral. QUATRO MIL SEISCENTOS E VINTE TRÊS (4.623) trabalhadores sofreram acidentes graves durante o trabalho este ano, dos que umha boa parte padecêrom lesons irreversíveis que lhes impedirá levar nom só umha vida laboral normal, senom umha vida pessoal auto-suficiente.

O Governo do Partido Popular do mesmo modo que o seu antecessor, o PSOE, descargárom nas sendas reformas laborais que legislárom, todas as suas iras e as dos patrons contra o absentismo laboral, culpabilizando aos trabalhadores dos custos laborais polo absentismo no trabalho. A reforma aumentou os descontos salariais por absentismo laboral, do mesmo modo que reforça os instrumentos de controlo (seria mais apropriado dizer "perseguiçom") para a ratificaçom, verificaçom e autorizaçom da incapacidade laboral, de tal modo que quando um trabalhador enfermo, nom é suficiente com que o seu médico estenda-lhe o pertinente e obrigatório parte de baixa. A empresa poderá utilizar mecanismos de contraste próprios (empresas médicas privadas especializadas) para reverter a incapacidade laboral do trabalhador e em qualquer caso a empresa se reserva a potestade de despedir por causas objectivas com umha indemnizaçom de 20 dias por ano por muito justificada que este a doença.

Contodo nada se achega sobre segurança e saúde no trabalho, eterna batalha dos representantes dos trabalhadores nas empresas e causa principal de umha boa parte do absentismo laboral pola falta de investimento dos empresários nestas medidas, os mesmos que nom som sancionados polos seus permanentes nom cumprimentos em matéria de prevençom causa principal dos acidentes laborais no trabalho.

A perdida da vida de um trabalhador durante a sua actividade laboral leva praticamente na sua totalidade, o afundimento económico da família, que nom só tem que enfrentar a perdida de um ser querido e parte da unidade familiar.

Os trabalhadores devem perceber que quando assinam um contrato de trabalho nom vendem nele nem a sua saúde nem a sua vida, a que lhes pertence por eles mesmos, por isso devem fortalecer a sua organizaçom nas empresas rejeitando as actuais reformas dos direitos dos trabalhadores que se propiciaram com as últimas reformas laborais, nom devem deixar-se apavorar por este submetemento patronal que pretende justificar a aceitaçom de qualquer condiçom laboral por ruim e miserável que seja.

19-03-2013

Link permanente 01:19:29, por José Alberte Email , 622 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Bergoglio, o papa da CIA

http://www.argenpress.info/
Vicky Peláez

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A designaçom do cardeal argentino Jorge Bergoglio como o papa Francisco é umha necessidade do Vaticano como parte do poder mundial globalizado, para solidificar a sua posiçom na América Latina que cada ano está a adquirir umha maior importância estratégica no planeta.

E nom se trata somente dos seus abundantes recursos naturais e a sua capacidade de tomar medidas para nom se contagiar da crise que está a mergulhar no desespero à Uniom Europeia e aos Estados Unidos, senom dos seus processos de integraçom e transformaçons sociais e económicas que fam perigar a actual Ordem Mundial Globalizado estabelecido polas transnacionais.

A Igreja católica, igual como a única super-potencia no mundo descuidou a Latinoamérica onde está a crescer cada vez mais a simpatia e o apoio ao projecto do Socialismo do Século XXI como alternativa ao neo-liberalismo imposto polos globalizadores iluminados. Agora chegou o momento para fazer todo o possível e parar este processo, é-lhes urgente fazer retornar às ovelhas descarriadas da ALBA, UNASUR e CELAC para o seu antigo amo que está a estranhar recuperaçom do poder sobre o seu "pátio traseiro" perdido.

Um papa jesuíta é ideal para esta missom. Durante o pontificado de Joám Paulo II e do Benedito XVI, o Vaticano foi dominado polo poder financeiro do Opus Dei que contodo nom tivo o poder político internacional da Companhia de Jesús..

Nos Estados Unidos, vários directores da CIA e do Departamento de Defesa fôrom jesuítas: William Casey (director da CIA 1981-1987), Robert Gates (CIA 1991-1993, Secretário de Defesa 2006-2011), George Tenet (CIA 1997-2004), Leon Panetta (CIA 2009-2011, Secretário de Defesa 2011-2013), John Brennan- o actual director da CIA. Em realidade esta lista poderia ser infinita mas isto pertence a outro tema.

O que nos interessa é para onde irá na sua gestom o papa Francisco I. É considerado como um sacerdote sério, austero e humilde. Viveu sempre num modesto departamento, o mesmo cozinhava a sua comida, tomava o transporte público em Bos Aires. Lavava pés aos leprosos e aos enfermos da sida. Também falava da necessidade de pôr fim à pobreza, mas ao mesmo tempo nom escatimou os seus esforços para se opor aos programas sociais progressistas dos presidentes Nestor Kirchner e Cristina Fernandez mas ao mesmo tempo defendeu ardentemente as reformas neoliberais de Carlos Menem que levaram ao país a um colapso económico.

Retornando ao passado, o arquivo fotográfico mostra-o junto com o ex presidente Rafael Videla durante a ditadura militar (1976-1983) dando-lhe comunhom ao homem acusado do desaparecimento de 30,000 pessoas. O jornalista argentino Horacio Verbitsky pom em causa no seu livro "A mao esquerda de Deus. A última ditadura (1976-1983)" as actuais declaraçons de Francisco sobre o seu desconhecimento sobre a repressom durante a ditadura militar.

O sacerdote Bergoglio foi acusado inclusive de ser colaboracionista da repressom militar aos sacerdotes Orlando Yorio e Francisco Jalics quem lhe imputam entregar aos militares assim como o desaparecimento de vários catequistas que trabalhavam na vila miséria de Flores em 1976. Devido a esta denúncia o cardeal foi chamado a declarar na "Causa ESMA" ante o Tribunal Federal " 5. Yorio e Jalics sustenhem que Bergoglio tirou-lhes a protecçom da Companhia de Jesús ao negar-se eles a sua ordem de abandonar o trabalho social. Os dous fôrom seqüestrados em 1976 ao perder o apoio eclesiástico e foram torturados na ESMA durante seis meses. Posteriormente lhes drogárom e deixárom num escampado nos arredores de Bos Aires. Os dous alcançárom sobreviver o seu martírio mas nunca perdoárom ao provincial da Companhia de Jesus a sua traiçom.

As Maes do Largo Maio, organizaçom que lutou durante décadas para dar com o paradeiro de milhares de desaparecidos, pedindo ajuda entre outras muitas à igreja, declararam há uns dias que para elas era difícil aceitar que um "homem dessa natureza este sentado na cadeira papal".

18-03-2013

Link permanente 01:30:24, por José Alberte Email , 576 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Bergoglio foi cúmplice com a ditadura genocida

http://www.argenpress.info/2013/03/declaraciones-de-la-abogada-que.html

Myriam Bregman, advogada do CeProDH (Centro de Profissionais polos Direitos Humanos), do PTS e da querela no julgamento da ESMA (Escola de Mecânica da Armada), referiu-se a Jorge Mario Bergoglio, recentemente elegido o Vaticano como Papa Francisco. Durante um dos julgamentos aos militares genocidas da ESMA (desenvolvido entre os anos 2010 e 2011), Bregman representou a Patricia Walsh, filha do jornalista e escritor desaparecido Rodolfo Walsh, e tivo a oportunidade de interrogar ao entom arcebispo primado de Bos Aires. Jorge Bergoglio. Foi umha das advogadas que exigiu ao Tribunal que o cite a declarar em qualidade de testemunha a partir da denúncia feita pola catequista Maria Elena Funes, quem o acusou de facilitar o seqüestro dos cregos jesuítas Francisco Jalics e Orlando Yorio, que integravam a mesma ordem que Bergoglio.

Sobre aquele acontecimento, a advogada relatou: "Contrariamente à imagem que hoje se dá dele como umha pessoa humilde, Bergoglio nom tivo empacho em utilizar todos os privilégios que lhe dava a sua investidura, negando-se a ir declarar como qualquer pessoa aos Tribunais, polo que se fixo transferir todo o julgamento à sede da Cúria em Bos Aires e tivemos que fazer o interrogatório ali mesmo. Durante a sua declaraçom, o hoje Papa contestou com evasivas e contradixo o que dixera a testemunha anterior. Tratou de fazer umha defesa formal do seu accionar durante o período que durou o seqüestro dos curas jesuítas por parte dos militares, afirmando que ao se dar conta que foram seqüestrados lhe informou aos seus superiores. Fixo também algumhas afirmaçons muito graves, como que dous ou três dias depois de perpetrar-se este seqüestro ele já sabia que estavam na ESMA. Algo que até o dia de hoje nem muitas Maes do Largo de Maio sabem a respeito dos seus filhos, apesar da sua intensa procura. Como se deu conta" Relatou que se entrevistou com Videla e Massera, mas bastante tempo depois. Também reconheceu que quando Jalics e Yorio fôrom liberados contárom-lhe que ficava gente seqüestrada na ESMA, e ainda assim fixo nada".

Mas o que lembra com maior detalhes a advogada Myriam Bregman daquele interrogatório é quando lhe perguntou sobre a apropriaçom bebés durante a ditadura: "Jamais esquecerei a cara que pujo Bergoglio quando lhe perguntamos polas crianças apropriadas [...]. contestou que se deu conta há pouco, fai uns dez anos, ou seja, no 2000, quando toda a sociedade sabia da procura das Avoas da Praça de Maio ao menos desde o ano 1983, e alguns familiares da Prata afirmam que conhece o caso de Ana Liberdad Baratti dde la Cuadra desde 1977".

Por último, Bregman assinalou: "A actitude reticente de Bergoglio a contestar e o acoutado das suas respostas naquele entom tivo coerência com a linha de silêncio e encobrimento adoptada pola hierarquia eclesiástica durante todos os anos posteriores à ditadura, negando-se sistematicamente a achegar arquivos e documentos com que contam. É parte da política da cúpula da Igreja católica, que abençoou e colaborou directamente com a ditadura iniciada na Argentina em 1976. Nom me estranha que a sacerdotes como Christian Von Wernich, que estám condenados por ser autores do genocídio, do plano de tortura e extermínio da ditadura, nom tenham sido excomungados e podam seguir dando missa como qualquer outro cura. O mesmo sucedeu com o cura Grassi, condenado por abusar de crianças, e por cuja expulsom a Igreja que Bergoglio comandava até ontem nom moveu um dedo. Ninguém pode negar que o hoje Papa Francisco I encobriu a genocidas e pederastas nas filas da Igreja".

16-03-2013

Link permanente 19:42:44, por José Alberte Email , 4156 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Marx e a crise: os fantasmas, agora, são eles

por Mauro Luís Iasi [*]

http://www.resistir.info/crise/marx_crise_mar13.html

"Marx, hoje, volta a rondar a Europa, os EUA, a Ásia, nossa América Latina. Não somos mais um mero espectro. Somos cada vez mais de carne, osso, sangue e sonhos, enquanto eles se transformam a cada dia em fantasmas."

A atual crise do capitalismo mundial, além das graves consequências que traz para os trabalhadores, acabou por propiciar um efeito direto no debate teórico e acadêmico: uma retomada das ideias de Marx. Por que isso ocorre? Que tipo de previsão foi realizada por Marx que o faz tão maldito, perseguido e tão renitente em nascer e renascer cada vez que o julgam morto em definitivo?

Passamos, nós marxistas, pelas décadas de 1980 e 1990 resistindo no universo acadêmico como se fôssemos dinossauros anacrônicos, insistindo em teses que desmoronam diante das "evidências" pós-modernas, que afirmavam o fim da validade da teoria do valor, o fim da centralidade do trabalho, das classes e, por consequência, das formas organizativas e dos projetos políticos próprios da classe trabalhadora.

Karl Offe [2] chegou a afirmar que, depois das ideias de Touraine, Foucault e Gorz, o pensamento marxista não teria mais muita "respeitabilidade cientítico-social". O próprio Keynes, que alguns se preparam para resgatar como balsamo benígno contra os males da desregulação, sobre O Capital de Karl Marx decretou:

"Como posso aceitar uma doutrina que estabelece como bíblia, acima e além de qualquer crítica, um manual econômico obsoleto que reconheço não só como científicamente errôneo, mas também sem interesse ou aplicação para o mundo moderno?" [3]

Logo na sequência do mesmo texto, Keynes confirmará sua postura "científica" ao declarar preferir a burguesia que "apesar de suas falhas, representa a prosperidade" e certamente leva as "sementes de todo avanço humano", criticando aqueles que "preferem a lama ao peixe" e "exaltam o proletariado rude" contra a burguesia.

Parece que a burguesia continua, em sua incansável rota em direção ao avanço humano, cometendo "algumas falhas", que ameaçam a humanidade para garantir o avanço do capital. O proletariado rude, imerso na lama na qual tem que viver, mais uma vez tenta compreender a natureza da vaga que ciclicamente o afoga e, mais uma vez, o velho Karl Marx se levanta de seu descanso no cemitério de Londres para assombrar os respeitáveis senhores da ciência.

Qual seria o elemento teórico que encontramos em O Capital que permite que Marx seja ainda tão contemporâneo? Primeiro, poderíamos dizer que Marx era, de certa forma, mais anacrônico em sua época do que agora. Como pensa o capital como um conceito, um movimento do real que dialeticamente transita através de suas formas e, sendo histórico, nasceu, se desenvolveu e um dia irá ser superado, Marx projeta, pela análise precisa do ser do capital, aquilo que denomina de modo de produção especificamente capitalista, ou seja, um mundo subsumido inteiramente ao metabolismo do capital, no qual reina a subordinação real do trabalho ao capital, no qual a mercadoria e o dinheiro são realidades universais, subordinando o valor de uso ao valor de troca.

Ao projetar o capital maduro e completo é que Marx pode avaliar o processo possível de sua superação. Um procedimento que os antigos, antes que os pós-modernos convencessem o mundo acadêmico a aderir a um novo agnosticismo, chamavam de ciência. Ora, este capital maduro estava longe de corresponder à realidade de meados do século XIX; no entanto, para desespero da respeitável intelligentsia, o capitalismo contemporâneo se parece muito mais com a previsão de Marx do que com a projeção mítica anunciada pelos arautos do liberalismo e da economia política.

Apesar de autores como Boaventura de Souza Santos afirmarem que, considerando os três gigantes clássicos do pensamento social (Marx, Durkheim e Weber), Marx teria sido entre eles o que "errou de forma mais espetacular" [4] . Mas o desfecho do mundo burguês no inicio do século XXI se caracteriza inequivocamente por uma constatação: o mito liberal morreu!

Qual é a essência do mito liberal e como Marx se contrapôs a ele? O fundamento do mito liberal pode ser resumido da seguinte maneira: o capitalismo é um sistema virtuoso, pois permite que cada um, buscando seu próprio interesse egoísta, contribua para o estabelecimento do bem comum. Dessa maneira, é o único que pode articular de maneira eficiente os valores do indivíduo, da liberdade, da propriedade e da igualdade. O capitalista busca lucro, mas para obtê-lo produz mercadorias e para tanto gera emprego. O trabalhador quer pagar suas contas e viver e por isso vende sua força de trabalho. Com seu salário compra as mercadorias oferecidas pelos capitalistas e assim se fecha o ciclo. O burguês tem seu lucro, o trabalhador seu salário e a sociedade cada vez mais mercadorias com que satisfazer suas necessidades.

O sistema capitalista seria, ainda, virtuoso não apenas pelo equilíbrio entre interesses individuais egoístas e interesse geral, mas por sua dinâmica: quanto mais o capital produz mercadorias, mais contrataria, mais salários distribuídos intensificariam o consumo, que levaria a nova produção, mais contratações e novos salários que induziriam ao aumento do consumo e assim por diante, da melhor forma possível e no melhor dos mundos.

Recentemente, o presidente Lula conjurou o mito com todas suas letras ao afirmar que diante da crise os trabalhadores em vez de pedir aumento deveriam fazer com que suas empresas produzissem mais, para aquecer o Mercado, atender as necessidades do mercado consumidor e daí garantir, não apenas empregos como a possibilidade futura de melhores salários.

Apesar da fé consagrada de muitos ao mito, Marx escreveu O Capital para comprovar a falácia deste argumento central do pensamento burguês. Podemos resumir desta forma as principais conclusões do pensador alemão para contrapor uma visão científica à ideologia liberal: a) quanto mais cresce a concorrência entre os capitalistas, menor é a livre concorrência e maior é a tendência ao monopólio; b) nas condições de uma concorrência entre monopólios, os capitalistas tendem sempre a investir mais em capital constante (máquinas, instalações, novas matérias primas, etc) para aumentar a produtividade do trabalho, do que em capital variável (a compra da força de trabalho) alterando drasticamente a composição orgânica do capital em favor do trabalho morto; c) o resultado aparentemente paradoxal desse processo é uma tendência à queda na taxa de lucro, ou seja, quanto mais o capital cresce, maior é a produtividade do trabalho pela aplicação consciente da técnica e da ciência ao processo de trabalho, quanto mais o capital se torna monopolista e mundial, menor é a taxa de lucro.

Na verdade, a tautologia liberal afirma que quanto mais o capital cresce, mais ele cresce. O que Marx anunciou pela dialética do capital, compreendido pela minuciosa análise que se nega a permanecer na superfície aparente dos fenômenos, é que quanto mais o capital cresce, mais ele produz a crise que é própria à sua natureza, ou seja, de ser valor em constante processo de valorização, ou seja, uma crise de superacumulação que se combina de forma explosiva com manifestações de superprodução, subconsumo e queda tendencial da taxa de lucro.

O fato desconcertante para os adeptos dos planos de aceleração do crescimento, ou da irracionalidade exuberante como batizou Greenspan (ex-presidente do Banco Central norte-americano), é que o que causa a crise não é a carência, mas a abundância, a pletora. Um raciocínio típico de Marx, isto é, não argumenta com o adversário teórico pela negação de sua tese, mas pela suposição de sua plena realização. No caso concreto de nossa análise, afirma que a dinâmica do capital leva à aparente confirmação do mito liberal, levando a sociedade a uma espiral irresistível de produção, consumo e reinvestimento; no entanto este reinvestimento sempre se dá, pela própria concorrência, seja livre ou monopólica, alterando a composição orgânica em favor do capital constante e, portanto, alimentando a queda tendencial da taxa de lucro.

No momento agudo deste processo, o capital realizado ao final do ciclo, e que deveria voltar ao início como novo capital inicial, encontra todo o metabolismo do capital saturado de investimentos, muitos meios de produção instalados, muitos trabalhadores empregados, muitas mercadorias produzidas, e tudo isso com taxas de lucro menores. Em momentos normais, o capital migra para outra área, seja para produzir outro tipo de mercadoria, seja para outra região em busca de elementos que possam baratear seus custos com força de trabalho, matérias primas ou outros elementos do capital constante. No entanto, nas épocas que antecedem às crises, considerando o capital total, é como se o capital não encontrasse onde aportar e começa a parar.

Como o capital é, antes de qualquer coisa, movimento do valor em constante processo de valorização, sua crise ocorre quando este movimento se paralisa em algum ponto do ciclo do capital: como dinheiro que não consegue virar crédito, como capacidade instalada e ociosa, como força de trabalho contratada e impedida de trabalhar, como mercadoria produzida e que não encontra o consumo na proporção de sua oferta, ou ainda pior, como consumo realizado que alimenta a fogueira da superacumulação.

Para que possamos entender o desfecho da crise e, principalmente, os efeitos sobre a classe trabalhadora, é necessário recorrer a um raciocínio essencial que Marx desenvolve ao tratar de sua tese sobre a queda tendencial da taxa de lucro no Livro III de O Capital: as contratendências.

Marx precisava defender sua tese em um momento no qual o mito liberal esbanjava saúde. A primeira grande crise do capital, entre os anos 1870 e 1880, ofereceu para o autor os elementos centrais de sua afirmação. No entanto, o capital estava destinado a sair dessa crise e de outras. É preciso não confundir a teoria de Marx sobre a crise com qualquer afirmação messiânica sobre uma crise final catastrófica que levaria por si mesma ao fim do capitalismo [5] . Para o autor, o capital desenvolveria elementos contra-tendenciais que fariam da queda na taxa de lucro uma tendência e das crises uma realidade cíclica, ou seja, em outras palavras, não se trata de uma linha descendente que culmina no fim do poço, mas de um movimento de crescimento, auge, crise e retomada até novo ápice que leva a uma nova crise.

As chamadas contratendências [6] seriam todas as ações empreendidas pelo capital no sentido de se contrapor à queda na taxa de lucro. Podemos resumi-las da seguinte maneira: a) aumento do grau de exploração da classe trabalhadora, seja pelo aumento da jornada de trabalho, seja pela intensificação do trabalho; b) redução dos salários; c) redução dos preços dos elementos do capital constante, tais como buscar matérias-primas mais baratas, máquinas mais eficientes, subsídios para insumos e serviços essenciais como aço, mineração, energia, armazenamento, transporte e outros; d) formação de uma superpopulação relativa, ou seja, reunir um contingente de força de trabalho muito além das necessidades do capital e mesmo além do exército industrial de reserva como forma de pressionar o valor da força de trabalho para baixo; e) ampliação e abertura de mercado externo como forma não apenas de desovar o excedente produzido, como de encontrar fontes de matéria prima e recursos abundantes, barateando seus custos; d) o aumento do capital em ações, isto é, buscando compensar a queda na taxa de lucro com juros oferecidos pelo mercado de papéis oferecidos por empresas ou por títulos do Estado.

Notem que todas as contratendências escondem um sujeito oculto. Trata-se, já no final de O Capital, de mais um embate, este decisivo, contra a ideologia liberal. Quem administra os limites da exploração do trabalho, seja pelo tamanho da jornada, seja pelas condições gerais da contratação? Quem determina os limites legais da compra da força de trabalho e seu valor? Quem pode baratear os elementos do capital constante por meio de subsídios, créditos facilitados, isenções e outros meios conhecidos? Quem assume o custo de administração, manutenção e controle sobre uma superpopulação relativa cujo papel é nunca entrar no mercado e trabalho? Quem representa os interesses das corporações monopólicas na ampliação, conquista e manutenção de mercados em disputa com outros monopólios? Finalmente, quem se presta ao papel de oferecer títulos que remuneram com taxas de juros generosas sem se preocupar em perder dinheiro ou comprar de volta títulos podres e sem valor?

Esse sujeito, que mal se oculta, só pode ser o Estado! Eis que se desmorona a mãe de todos os mitos liberais: o Estado não deve intervir na livre concorrência entre os indivíduos pela disputa de riquezas e propriedades, resumido na tese da não intervenção estatal na economia. Para Marx, o Estado sempre foi um fator determinante no sociometabolismo do capital, em seu nascimento na acumulação primitiva de capitais, na garantia das condições gerais chamadas de extraeconômicas (garantia da propriedade, subordinação legal e institucional da força de trabalho ao capital, defesa da ordem, etc.) no período de ouro do liberalismo, na representação dos monopólios na partilha e repartilha do mundo, fazendo dos interesses das corporações o interesse nacional; e, por fim e mais importante, nos momentos de crise em que o custo da exuberância irracional, que levou à apropriação indecente da riqueza socialmente produzida na forma de acumulação privada, tem que ser socializado por toda a Nação.

Além do evidente papel do Estado no comando e gerenciamento das contratendências, fica evidente o caráter de classe destes mecanismos, o que nos ajuda a entender os efeitos que recairão sobre os trabalhadores. A intensificação da exploração, que leva ao aumento do desgaste da força de trabalho e à intensificação dos acidentes e das doenças profissionais; a redução de salários, assim como a precarização das condições de contratação, com relativização e perda de direitos; o aumento da superpopulação relativa, que tem por base a intensificação da expropriação dos camponeses e de todos que ainda conseguem manter seus meios diretos de trabalho, e que leva à explosão urbana com todas suas consequências conhecidas no campo da habitação, dos serviços essenciais como educação e saúde, mas também no que se refere a questão da violência e da criminalidade.

Mesmo as ações que aparentemente não se relacionam diretamente com o agravamento das condições de exploração e a precarização das condições de vida dos trabalhadores acabam por ter efeitos muito sérios sobre a vida de quem trabalha. Os subsídios e isenções ao capital, para baratear os elementos do capital constante ou ajudá-los a manter seus patamares de venda, só podem sair do fundo comum do Estado e, portanto, à custa de cortes dramáticos em serviços públicos duramente conquistados. Só em uma semana, o governo brasileiro gastou R$50 mil milhões para manter o valor do dólar, enquanto durante todo o ano anterior foram gastos um pouco mais de R$ 20 mil milhões com a saúde, apenas para ficar em um exemplo. As fortunas gastas para manter bancos em funcionamento só podem sair do recurso público numa clara expressão de privatizar a pequena parte da produção social da riqueza que ficou no espaço publico, sem que em nenhum momento se questione o volume da riqueza que no ciclo de crescimento permaneceu na esfera da acumulação privada.

Talvez o mais grave quanto aos efeitos da ação do Estado na gestão das contratendências para os trabalhadores e a própria humanidade seja um aspecto para o qual Marx não deu maior atenção: a expansão do mercado externo. Quando Marx escrevia o último livro de O Capital, a ordem monopolista mal fazia sua estreia histórica. Para o autor, tratava-se apenas de encontrar mercados para os produtos e encontrar fontes de matérias-primas. Ocorre que, com o pleno desenvolvimento dos monopólios, passa a ser decisivo, como estudou mais tarde Lenin, a exportação de capitais, e daí a necessidade de controle das áreas de influência, levando a constante partilha e repartilha do globo, primeiro entre os monopólios e depois entre as nações que os representam, levando à Guerra.

A fase imperialista e a prática da guerra, que lhe é inseparável, fizeram desta contratendência quase que a síntese da ação do Estado em defesa do capital e da manutenção de suas taxas de lucro contra a tendências das mesmas em cair. Não apenas pela enorme destruição material que a Guerra causa, abrindo campo para novas inversões em condições de lucratividade retomada em patamares aceitáveis para o capital, como pelo próprio estabelecimento de um complexo industrial-militar que vende ao Estado mercadorias que terão que ser substituídas quer sejam ou não usadas (como no caso do arsenal nuclear), como teorizou de forma precisa Mészáros.

Podemos resumir, afirmando que, na dinâmica das contratendências, as vítimas são os trabalhadores, os beneficiários a burguesia monopolista e o instrumento o Estado, não apenas como aparato técnico jurídico-adiministrativo, mas também e principalmente pela capacidade que lhe é própria de apresentar como universal um interesse que é particular. Nesse campo, o da luta política, a crise é o momento de retirar da gaveta do arsenal da política burguesa a tese do pacto social.

No momento da crise se reapresentam todas as alternativas em disputa. Podemos resumi-las em três posições: a) a afirmação de que tudo não passa de um incidente, mais ou menos grave, mas de qualquer forma um incidente que não compromete a estrutura do mito, ou seja, basta voltar a crescer que os empregos voltam, o consumo cresce, e tudo volta ao círculo virtuoso do capital; b) a retomada da crítica keynesiana, que aparece simultaneamente como afirmação da ordem do capital com todos os elementos que lhe são próprios (inclusive a livre concorrência), mas que afirmará a necessidade de retomar mecanismos de regulação, ou seja, não se trata de evitar a livre concorrência, mas de regular certos aspectos para que suas consequências inevitáveis não gerem condições catastróficas que possam levar ao questionamento do sistema; c) a alternativa socialista, ou seja, aquela que se fundamenta na afirmação sobre a necessidade da produção social da riqueza ser gerida também de forma social, levando à acumulação social da riqueza ser concebida como valor de uso e não mercadoria.

No presente quadro, a primeira, um pouco na defensiva e sem a arrogância que caracterizou o último ciclo, não desaparecerá. Ela se inscreverá na afirmação que basta o Estado dar os elementos para que o capital volte a crescer, sem que interfira na disputa econômica direta, por exemplo, através das estatizações. A segunda, de corte keynesiana, será a mais ativa e, portanto, mais enganosa e perigosa para os trabalhadores. Sob o manto de uma necessidade comprovada de maior regulação, que deverá se inscrever nos limites do mundo financeiro, pode chegar até a defender, como aliás já está acontecendo, algumas ações estatizantes. No entanto, esta opção mal esconde uma enorme luta política que marcou o século XX. Foi preciso ceder a determinadas demandas dos trabalhadores, por direitos e condições de vida, frente à ameaça de superação revolucionária da ordem, representada pelo advento da revolução Russa de 1917.

A solução keynesiana, que não se revestiu no século XX necessariamente com a forma de um Welfare State social democrata de perfil europeu, nos EUA prevaleceu com o New Deal, mantendo a base de uma economia de mercado fundada na livre concorrência, e na América Latina, por exemplo, a regulação estatal se deu na forma de ditaduras militares mais preocupadas com o Estado do que com o bem-estar. No quadro conjuntural atual, de inflexão política, de desmonte e isolamento das tímidas alternativas de transição socialista iniciadas no século XX, os regulacionistas tendem a se comportar mais como liberais contidos e responsáveis do que como social democratas.

Aos trabalhadores cabe uma outra ordem de tarefas. Primeiro: resistir, não aceitando que o ônus da crise recai sobre o setor que mais se penalizou no ciclo de crescimento. Não apenas lutando para que nenhum direito lhe seja retirado, como se recusando a proposta do tipo redução de jornada com redução de salário ou qualquer precarização de suas já precárias condições de contrato e de trabalho. Segundo: forçar o Estado para que se recuse a usar o recurso público para dirimir perdas ou incentivar produtividade de um setor da economia monopolizada, que lucrou fortunas e as acumulou privadamente. Enquanto o governo se regojiza com a informação de que os 20% mais pobres passaram de U$1,00 por dia para U$2,00 de maneira que saíram de uma posição que os colocava abaixo da linha da miséria para uma condição de dignidade duvidosa na linha da miséria, as 500 maiores empresas do Brasil, entre 2002 e 2007 viram seus lucros saltarem de R$ 2,9 mil milhões para R$43 mil milhões.

Em terceiro lugar, está na hora de a classe trabalhadora deixar de optar entre qual é a ortodoxia burguesa que mais lhe convém, se a liberal ou a keynesiana, e dizer a pleno pulmões que as previsões liberais ou regulacionistas, que prometiam que o crescimento econômico levaria a uma paulatina diminuição das desigualdades sociais e a um mundo justo e equilibrado, naufragaram triunfalmente. Depois os marxistas é que são acusados de "determinismo econômico"! O que é a tese de que os problemas sociais só se resolverão com o crescimento econômico de tipo capitalista senão a mais mecânica afirmação economicista?

O Brasil tinha como modelo os EUA e a Europa. Queríamos, na expressão de Galeano, ser como eles. Pois bem, já somos. Somos parte integrante do sistema capitalista mundial, no papel que nos cabe, como área de saque do imperialismo. Uma área especial que, devido ao grau de investimento imperialista dos grandes monopólios, constituímos como uma formação social com um capitalismo moderno e completo que inclusive ensaia seus primeiros movimentos no sentido do imperialismo tupiniquim, como tem teorizado Virgínia Fontes, sem, contudo, nunca sair de baixo das asas dos centros hegemônicos do imperialismo mundial.

Devemos recusar o papel miserável de entrar no debate que busca "como sair da crise". Devemos pautar o debate, o único que interessa aos trabalhadores, sobre qual forma de sociabilidade atende os interesses reais dos trabalhadores e da humanidade e pode, de quebra, evitar que ciclicamente todo o esforço produtivo seja destruído por uma nova crise que, para salvar o capital e suas taxas de lucro, destrói produtos, fábricas e seres humanos em uma escala genocida. Para nós, marxistas, existe essa alternativa: é necessário e urgente que a produção social da vida liberte-se das relações sociais de produção de tipo capitalista, superando a propriedade privada dos meios de produção e desenvolvendo as forças produtivas materiais como recursos coletivos e patrimônio da humanidade, e não propriedade dos monopólios burgueses, de maneira que possamos caminhar para a superação da forma mercadoria e afirmar a centralidade do valor de uso.

Nossa meta socialista pode ser compreendida por aqueles que nos interessam que a compreendam? Em grande parte esta é a arte da política, como disse Bourdieu: a política é a arte de "fazer crer que se pode fazer o que se diz" [7] . Nós acreditamos que sim e que podemos expressar os fundamentos de nossa proposta através de três afirmações muito simples: 1) ninguém pode se apropriar de recursos necessários à produção das condições que garantem a existência coletiva da humanidade; 2) ninguém pode se apropriar em caráter privado da força de trabalho humana, pois ela é a principal força de produção e o principal recurso comum da espécie para garantir sua existência, não podendo assumir a forma de uma mercadoria; e 3) a riqueza coletivamente produzida não pode ser acumulada privadamente.

Como dizia Brecht, "uma coisa muito simples, dificílima de ser feita". No entanto, nesse ponto a crise nos ajuda, Nunca ficou tão didático o caráter destrutivo da atual forma do capitalismo monopolista e imperialista, nunca ficou tão evidente a falácia do mito liberal, nunca foi tão urgente dotar a humanidade de uma alternativa para além da ordem do capital.

Os liberais, velhos, neos e recentes; os pós-modernos, pós-industriais, pós-socialistas; todos timidamente voltam ao "refugo das livrarias vermelhas", ao qual Keynes havia condenado a leitura marxista como nada tendo de aplicabilidade prática para os tempos modernos, para discretamente voltar a ler Marx e entender o que se passou e o que seus ideólogos não conseguem lhes explicar. Marx, hoje, volta a rondar a Europa, os EUA, a Ásia, nossa América Latina. Não somos mais um mero espectro. Somos cada vez mais de carne, osso, sangue e sonhos, enquanto eles se transformam a cada dia em fantasmas.
Notas

1 Apresentado inicialmente no Seminário sobre a Crise Econômica Mundial, promovido pelo PCB São Paulo em novembro de 2008 e modificado para a publicação.

2 Offe, Claus. Capitalismo desorganizado. São Paulo: Brasiliense, 1984, p. 195.

3 Keynes, John Maynard. A short view of Rússia [1925]. Apud Meszáros, Istvan. Para além do Capital. São Paulo: Boitempo, 2002, p. 16.

4 "Max Weber e Durkheim falharam menos estrondosamente que Marx nas suas previsões". (Santos, Boaventura de Souza. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. São Paulo: Cortez, 1999, p. 34.) Do mesmo autor podemos citar a seguinte passagem: "Se o marxismo é uma ciência tem que se submeter à prova dos fatos e os fatos não vão no sentido previsto por Marx" (idem p. 25)

5 Para uma análise crítica sobre a tese da crise final, ver O encontro da revolução com a História, de Valério Arcary (São Paulo: Xamã/ Institute Rosa Sundermann, 2006)

6 Ver o capítulo XIV, do livro III, volume 4 de O Capital de Karl Marx.

7 Bourdieu, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertran Brasil, 1998, p. 185.

[*] Membro do Comitê Central do PCB .

O original encontra-se em pcb.org.br/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Link permanente 10:56:26, por José Alberte Email , 1357 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: USA-Vaticano, o novo genocido programado

EEUU e Vaticano aliados contra a Nossa América Bolivariana

Carlos Antón e Carlos Vélez - www.aporrea.org
15/03/13 - www.aporrea.org/internacionales/a161448.html

No primeiro parágrafo do 18 Brumario, Marx expressa: "Hegel di em algumha parte que todos os grandes factos e personagens da história universal aparecem, coma se dixéssemos, duas vezes. Mas esqueceu-se de agregar: umha vez como tragédia e a outra como farsa".

Talvez na América Latina toca-nos viver duas vezes (ou mais) a tragédia.

A entronizaçom do cardeal de Bos Aires, Jorge Bergoglio como o papa Francisco, nom pode ser tomada "ainda polos cristaos católicos argentinos- com veemência chauvinista. Ao invés, o drama ao que assistimos é que, mais umha vez a maridagem CIA"Vaticano refunda-se para acometer com a sua fúria aos povos em revoluçom. A ALBA, a CELAC, a UNASUR, a revoluçom bolivariana estám na mira dos seus mísseis e da sua cruz. Como há 500 anos a espada e a cruz contra os povos.

EEUU-Vaticano um velho maridagem

A finais da Segunda Guerra Mundial, depois de invadir a Itália, aos EEUU criou-se-lhe um problema, como reconstruir o Estado italiano ao serviço do capital. O caso é que o único sector cujo prestígio era reconhecido polo povo italiano eram os comunistas. O PCI, que ganhara as suas medalhas na luta antifascista, ademais foram os que ajustiçárom a Benito Mussolini, il Ducce. E para complicar mais a questom estavam armados.

De ali que os ianques conceberam um plano que descansou sobre três eixos: o Vaticano, a máfia e eles mesmos. Washington proveu o dinheiro, a máfia italiana os sicários para assassinar comunistas e semear o terror e o Vaticano santificou a cruzada à vez que rearmava a velha Democracia Cristá. Eram os tempos do papa Pio XII, também conhecido como o papa-nazista.

Anos mais tarde mais tarde, a fins dos anos ´70 chega ao Vaticano Joám Paulo II (1978) em tanto que Ronald Reagan o fai à presidência dos EEUU (1980).

A entronizaçom do cardeal polonés, foi um acto mais da Guerra Fria e da ofensiva ianque contra a Uniom Soviética e o comunismo. A aliança entre a CIA e o Opus Dei permitiu que, à morte de Paulo VIM depositassem a Karol Wojtyla -o homem que o Opus elegeu para ser papa- na "cadeira de Som Pedro". A tal ponto era um soldado fiel Karol Wojtyla, que na Vila Tevere, esquadra geral do Opus Dei em Roma baixou a rezar ante a tumba de monsenhor Escrivá de Balaguer (criador da ordem) antes de entrar no conclave do que sairia Papa.

A luta contra o comunismo de Joám Paulo II tivo um capítulo especial na América Latina. Por esses anos os sandinistas derrocaram ao dictador nicaraguano Anastasio Somoza, e contra todas as possibilidades da época erigírom um governo popular (1979) na Nicarágua de Sandino. No governo vermelho e preto, quatro sacerdotes católicos eram ministros. A influência da chamada igreja dos pobres, que se sustinha na Teologia da Libertaçom, cresceu por Centro América e o resto da América Latina.

Entom o Vaticano e Washington decidiram que algo havia que fazer.

Enquanto Reagan instalava aos contras na fronteira entre Honduras e Nicarágua para atacar aos sandinistas, o Vaticano organizou a viagem de Wojtyla a Nicarágua, como umha nova cruzada. Agora contra a heresia comunista. Muito já se escreveu sobre esses factos e deixamos aí a crónica.

Finalmente a igreja alcançou domesticar e emudecer aos curas dos pobres, em tanto um dos períodos mais reaccionários do século XX expandia-se sobre o planeta e a América Latina. A maridagem entre EEUU e o Vaticano, colheitava seus frutos.

Os povos latino americanos rebelam-se

Trás a denominada Década perdida os povos latino-americanos retomaram a iniciativa nas lutas sociais e políticas. Da pouco tenhem-se conformando governos populares, e em Venezuela um coronel do exército chegou à presidência. Com Hugo Chávez Frias, o continente encontrou um líder revolucionário, que sintetizou os sentimentos populares, inclusive os religiosos com a teoria do socialismo. E nasceu a revoluçom bolivariana cujo exemplo se expandiu polo continente e polo planeta.

Com altibaixo a revoluçom foi-se consolidando, mas o 5 de Março, sofremos um terrível golpe. Faleceu o comandante Chávez. E ainda que o povo venezuelano está galvanizado e se apresta a dar duras batalhas para fortalecer a revoluçom, todos fomos impactados por esta morte.

Na outra ponta do mundo, outra notícia comoveu à freguesia católica. O papa Benedito XVI, o cardeal Ratzinger (ex membro das mocidades hitlerianas nos anos ´40) renunciou ao papado.

Foi-se.

As razons ainda som motivo de especulaçom. Mas mais ali de qualquer que se poda esgrimir, o verdadeiro é que este bispo ultra conservador nom pudo suster a batalha contra os povos do Terceiro Mundo. Este mundo de indigentes e rebeldes continua tentando revoluçons.

Mudar o libreto e dar de novo

Como com Wojtyla, o Vaticano e o imperialismo jogam umha carta forte. Hoje acabam de eleger a um papa latino-americano, argentino. Jorge Bergoglio, arcebispo da Cidade Autónoma de Bos Aires, será o próximo em sentar na cadeira de Sam Pedro. A missom nom pode ser mais clara, a mesma que lhe encarregaram ao polonés: acabar com os comunistas latino-americanos.

E o novo papa tem currículo para mostrar neste caso. Pertence à ordem das jesuítas que durante a ditadura genocida foram cúmplices com as sucessivas Juntas Militares e fundamentalmente colaboraram com o almirante Emílio Massera. A Bergoglio imputa-se-lhe um papel especial no operativo militar que culminou com o seqüestro dos religiosos Orlando Yorio e Francisco Jalics, em maio de 1976, que foram presos-desaparecidos durante cinco meses. Junto a eles também fôrom seqüestrados quatro catequistas e dous dos seus esposos. Entre eles estavam Mónica Candelária Mignone, filha do fundador do CELS (Centro de Estudos Legais e Sociais), Emílio Mignone, e Maria Marta Vázquez Ocampo, (filha) da presidenta das Maes da Praça de Maio. Isto foi detalhado polo jornalista Horácio Verbitsky, em dous livros e vários artigos jornalísticos.

Com a volta à democracia, e durante o governo do presidente Cristina Fernández de Kirchner, o arcebispo portenho enfrontou medidas progressistas impulsionadas polo governo nacional como o casal igualitário e o aborto terapêutico. Com respeito ao primeiro ponto expressou: "Nom sejamos ingénuos: nom se trata de umha simples luta política é a pretensom destrutiva ao plano de Deus. Nom se trata de um mero projecto legislativo (este é só o instrumento) senom de umha "movida" do pai da mentira que pretende confundir e enganar aos filhos de Deus". Ao ser regulamentado o aborto nom punível na Cidade, o entom arcebispo de Bos Aires deu a conhecer um comunicado, expressando que "avança-se premeditadamente em limitar e eliminar o valor supremo da vida e ignorar os direitos das crianças por nascer".

Em tanto os jornalistas chauvinistas, afirmam que o Bergoglio é o homem mais importante da história argentina.

Um mar de mortos separam-nos. Enquanto de um lado está a Igreja católica e o papa Francisco -cúmplices e encobridores da ditadura genocida na Argentina- do outro está o povo, a classe trabalhadora e heróis verdadeiros da talha do Ché, Sam Martín, Mariano Moreno, Juana Azurduy e outros tantos e tantas que lutárom por umha pátria sem opressores.

Ninguém pode chamar-se a engano, Francisco será um papa reaccionário como o que mais e o seu papel é combater aos povos latino-americanos em revoluçom. O Vaticano tomou devida conta de que Chávez e a revoluçom bolivariana nom é o cuco comunista que "fusila curas" contra o que eles estavam acostumados combater. O chavismo -mais ali das crenças pessoais de cada pessoa- alcançou que o cristianismo seja visto novamente polos crentes como a religiom dos pobres, dos deserdados, dos que lutam pola sua redençom cá na terra apontando com a sua rebeldia aos poderosos e os capitalistas. Para o imperialismo e o Vaticano, isso é mais perigoso que o velho comunismo ateu ao que combateram por décadas.

Para os povos, os militantes, os revolucionários da América Latina nom pode haver confusom. O imperialismo vem por nós, vem exterminar as revoluçons em marcha, a esmagar toda a semente de rebeldia. Ademais da IV frota, as bases militares, a ONG desestabilizadoras, agora trai-se um papa debaixo do braço.

Fechar fila contra o imperialismo e os seus lacaios é consigna da hora.

Viveremos e venceremos

Até o socialismo sempre

*antonfoyel@gmail.com

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