24-03-2013

Link permanente 19:05:04, por José Alberte Email , 348 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Acelera-se o descalabro da União Europeia

http://www.resistir.info/europa/chipre_20mar13.html

Chipre: Draghi utiliza o bloqueio monetário
– Medida equivale a um "acto de guerra"

por Jacques Sapir

O "bloqueio monetário" de Chipre que acaba de ser posto em acção pelo BCE é um acto de uma gravidade extraordinária, cujas consequências devem ser cuidadosamente estudadas. A decisão do sr. Mario Draghi abrange dois aspectos: em primeiro lugar o BCE não alimenta mais o Banco Central de Chipre com papel-moeda (ponto que não parece essencial pois as reservas de cash parecem importantes) e além disso interrompe as transacções entre os bancos cipriotas (assim como as empresas baseadas em Chipre, sejam ou não cipriotas) pois doravante já não podem fazer transacções com o resto da zona Euro. Por outro lado, a decisão equivale a um "bloqueio" económico, ou seja, nos termos do direito internacional a uma acção equivalente a "acto de guerra". É portanto terrível a gravidade da decisão tomada por Mario Draghi. Ela poderia também prestar-se a contestação diante dos tribunais internacionais. Mario Draghi poderia, por isso, encontrar-se um dia diante de um tribunal, internacional ou não.

Sobre a interrupção das relações entre bancos cipriotas e a zona Euro, o argumento invocado é a "dúvida" sobre a solvabilidade dos ditos bancos cipriotas. Isto é evidentemente um puro pretexto pois há "dúvidas" desde Junho último. Todo o mundo sabe que com as consequências do "haircut" imposto sobre os credores privados da Grécia foram fragilizados consideravelmente os bancos de Chipre. O BCE não havia reagido na ocasião e não considerava o problema da recapitalização destes bancos como urgente. O BCE decidiu-se a fazê-lo no dia seguinte à rejeição pelo Parlamento cipriota do texto do acordo imposto a Chipre pelo Eurogrupo e a Troika. Não era possível ser mais claro. A mensagem enviada por Mario Draghi é portanto a seguinte: ou vocês se dobram ao que NÓS decidimos ou sofrerão as consequências. Isto não é apenas uma mensagem, é um ultimato. Verifica-se aqui que todas as declarações sobre o "consenso" ou a "unanimidade" que teria presidido à decisão do Eurogrupo não são senão máscaras frente ao que é realmente um Diktat .
20/Março/2013

Link permanente 18:36:27, por José Alberte Email , 469 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas

CANTA O MERLO: A igreja Bergoglio e a sua cumplicidade com o plano sistemático de roubos de bebés

Declaçons de umha neta recuperada polas Avós. A igreja e a sua cumplicidade com o plano sistemático de roubos de bebés

A poucos dias de se cumprire um novo aniversário do golpe genocida, Maria Vitória Moyano, neta recuperada, integrante do CeProDH (Centro de Profissionais polos Direitos Humanos) e quereladora nos julgamentos polo Plano Sistemático de Roubo de Bebés e Plano Condor, fizo questom de sacar à luz a denúncia que desde esse organismo vem realizando sobre os laços da Igreja católica e a ditadura, em particular sobre um facto muito concreto: o Plano Sistemático de Roubo de Bebés.

A respeito disso, María Vitória lembrou que "nom se pode assinalar ao papa Bergoglio somente polas suas omissons ou polo silêncio cúmplice da máxima hierarquia da Igreja com o genocídio, senom também porque quando foi consultado nos julgamentos sobre se conhecia ou nom a existência de crianças roubados às presas desaparecidas, e logo apropriados, mentiu ao dizer que se deu conta no ano 2000, para logo ratificar e afirmar que o fixo desde o Julgamento às Juntas. Ademais, no ano 1977 estava dar conta também do caso de Elena de la Cuadra, o que consta em documentaçom e polo testemunho dos familiares. Acha-o que está mais que claro que Bergoglio mentiu e segue mentindo".

Assim mesmo, Moyano concretizou que "a Igreja nom só abençoou os crimes da ditadura, senom que colaborou activamente. Devemos lembrar ao fatal Movimento Familiar Crista (MFC), umha entidade que operou activamente na apropriaçom dos filhos de desaparecidos durante a última ditadura militar. A sua actuaçom nom era autónoma, estava legitimada por ser umha organizaçom acreditada polo Episcopado, o que lhe permitiu entregar em adopçom aos bebés através de um convénio com a Secretaria do Menor. Leste "branqueio" dos seqüestros de crianças ocorreu dezenas de vezes, com o MFC actuando como agência e medianeiro".

Por sua vez, lembrou que "esta entidade facilitava os trâmites para os pais candidatos, em geral donos ou pessoal hierárquico de grandes empresas, mesmo multinacionais e famílias acomodadas que elegiam os bebés mascotes, como revelou umha investigaçom da jornalista alemá Gaby Weber na que saiu à luz que gerentes de empresas multinacionais alemás como a farmacêutica Bayer e a automotriz Mercedes Benz apropriaram-se de bebés com o Movimento Familiar Crista como intermediário". Ademais, Maria Vitória explicou que na actualidade o MFC está a ser investigado polo Julgado Federal N.º 3 de Jorge Ballesteros, já que se suspeita que tivo participaçom no roubo em mais de 70 casos de bebés dos 119 que se investigam.

Finalmente, Maria Vitória denunciou: "Também aqui Bergoglio está estreitamente entrelaçado: os actuais presidentes do MFC foram designados polo saliente papa Benedito XVI como membros do Conselho Pontifício para a Família. O Conselho Pontifício para a Família tem no seu comité de presidência ao ex cardeal e agora máximo chefe da Igreja católica, Jorge Mário Bergoglio".

23-03-2013

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Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O que em verdade busca a Troika - Fame e Miséria graças a estafa dos banqueiros europeios

http://www.voltairenet.org/article177927.html

O que em verdade busca a Troika

por Xavier Caño Tamayo

Apesar dos milhares de milhons de euros já desembolsados para salvar a banca, a crise que estremece as economias da Uniom Europeia nom mingua de nengumha maneira. Ou nom seria mais justo denominá-la estafa?

Europa vai de mal a pior e até Alemanha vê as orelhas ao lobo com a travada nas suas exportaçons. Em Espanha, o incremento do IVE [o imposto sobre o valor acrescentado] foi letal para o consumo interno. Como mortais som também as rebaixas dos salários dos empregados públicos, os despedimentos, a congelaçom das pensons e os recortes em prestaçons para desempregados, que alcançam agora 26%. Enquanto, a segurança social perde e perde filiados e cotizaçons mês trás mês.
Em Portugal, consolida-se a tendência ao pago de umha série de serviços da saúde pública, o qual fai muito vulnerável à cidadania, enquanto que outra reforma laboral abarata mais o despedimento e a alça dos impostos empobrece mais à cidadania comum (nom aos ricos). Todas essas medidas, às que se agrega a privatizaçom de diversas empresas públicas, som puro saque. E que dizer da Grécia?

Umha recente investigaçom do Center for Economic and Policy Research de Estados Unidos demonstra que as políticas de austeridade que o Fundo Monetário Internacional (FMI) impom a Europa som muito prejudiciais para a imensa maioria da cidadania, porque provoca efeitos contrários aos que di buscar. Talvez por isso quase nom começam a se ouvir algumhas vozes críticas contra a política de austeridade.

O próprio Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, reconheceu que é um erro recomendar, sem matizes, recortes orçamentais aos governos europeus, porque isso pode travar o crescimento económico. Mas os economistas do FMI teimam em manter essa política, no quanto de emenda-la, e mesmo insistem em que os funestos resultados actuais nom significam que a política de austeridade seja «má». Apesar da ruína do povo português, o FMI aconselha a Passos Coelho, lhe primeiro-ministro de Portugal, que despede a mais funcionários, que alargue o horário laboral dos empregados públicos (pagando-lhes o mesmo salário), que reduza ainda mais as prestaçons por desemprego e que rebaixe ainda mais as pensons “para ser competitivos”.

Talvez para o FMI seja irrelevante que o desemprego alcance já 17% e que o PIB (produto interno bruto) já vá a retroceder em 1,5 em 2013. Que significa ser «competitivo» se a maioria de cidadaos afundam-se na pobreza?

Tam estúpida é a Troika? A soluçom está na história muito recente.

Em 1953, só 4 anos depois da sua fundaçom, a República Federal da Alemanha sumia-se sob o peso das suas dívidas e ameaçava com arrastar na sua derrube aos demais naçons europeias. Naquele entom, os 21 países credores da RFA reunírom-se em Londres e decidiram ajustar as suas exigências à capacidade de pago do país devidor. Reduziram a dívida acumulada em 60% e concederam umha moratória de 5 anos mais um adiamento de 30 anos para a reembolsar e, ademais, incluírom nos acordos umha cláusula de desenvolvimento que estabeleceu que o país devidor -lembremos que se tratava da República Federal da Alemanha- dedicaria ao pago da dívida só a vigésima parte dos seus ingressos por conceito de exportaçons.

Por que Europa nom actua hoje da mesma maneira?

Talvez porque o objectivo real prioritário da Troika nom seja cobrar a dívida. Talvez porque o que se busca é desmantelar os direitos sociais na Europa (o mal chamado Estado de bem-estar, porque podem-te pedir que tenhas menos bem-estar, mas nom que renuncies aos teus direitos). Talvez porque esta crise permite à minoria rica aumentar obscenamente os seus benefícios, como o demonstram os dados.

Mas o que toca é anular a maior parte da dívida porque se trata, ademais, de umha dívida impagável. Como explica John Ralston, há que acabar com toda a dívida porque essa dívida está a afundar a Europa. E, metaforicamente, propom Ralston que «guardemos» a dívida num sobre, que escrevamos no sobre «muito importante», que o metamos numha gaveta, fechemos-la com chave e... chimpemos a chave.

Se nom se anula grande parte da dívida, à vez que se refai os sistemas fiscais progressivos e começa-se a arrombar em toda a regra aos paraísos fiscais, e também à banca na sombra, a Europa nom a salva nem a misericórdia divina. Se a houvesse.

Xavier Caño Tamayo

Fonte
Contralínea (Mexico)

21-03-2013

Link permanente 19:34:21, por José Alberte Email , 549 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Reino Boubónico-Mais de médio milheiro de mortos e perto de cinco mil tolheitos em acidentes laborais durante 2012

http://www.larepublica.es/2013/03/

Mais de médio milheiro de mortos e perto de cinco mil tolheitos em acidentes laborais durante 2012

Nem as altas taxas de desemprego entre a populaçom, nem que os sectores mais afectados pola reduçom drástica da actividade sejam os que tradicionalmente acumulam mais mortes no trabalho, pairam esta sangria permanente da que nom se fam eco nem os empresários, nem o Governo nem os grandes meios de comunicaçom escrita ou audiovisual, parece ser que que o imaginário popular ainda contempla como normal que os trabalhadores perdam vida no trabalho, sem que isso desate os alarmes, nem os tertulianos dos médios polemizem sobre as suas causas.

Durante o ano 2012. CINCO CENTOS E CINQÜENTA E CINCO (555) pessoas perdêrom a vida enquanto tentavam ganhar-se o pam de cada dia, enquanto tentavam pagar escrupulosamente as suas hipotecas, a luz, a água, a roupa das suas famílias e todo aquilo que cada dia vemos subir de valor salvo os salários.

Mas a sinistralidade laboral, nom só reflecte pola quantidade de trabalhadores que morrem, se nom também polos que perdem a sua saúde e a sua capacidade de seguir trabalhando como conseqüência da sua actividade laboral. QUATRO MIL SEISCENTOS E VINTE TRÊS (4.623) trabalhadores sofreram acidentes graves durante o trabalho este ano, dos que umha boa parte padecêrom lesons irreversíveis que lhes impedirá levar nom só umha vida laboral normal, senom umha vida pessoal auto-suficiente.

O Governo do Partido Popular do mesmo modo que o seu antecessor, o PSOE, descargárom nas sendas reformas laborais que legislárom, todas as suas iras e as dos patrons contra o absentismo laboral, culpabilizando aos trabalhadores dos custos laborais polo absentismo no trabalho. A reforma aumentou os descontos salariais por absentismo laboral, do mesmo modo que reforça os instrumentos de controlo (seria mais apropriado dizer "perseguiçom") para a ratificaçom, verificaçom e autorizaçom da incapacidade laboral, de tal modo que quando um trabalhador enfermo, nom é suficiente com que o seu médico estenda-lhe o pertinente e obrigatório parte de baixa. A empresa poderá utilizar mecanismos de contraste próprios (empresas médicas privadas especializadas) para reverter a incapacidade laboral do trabalhador e em qualquer caso a empresa se reserva a potestade de despedir por causas objectivas com umha indemnizaçom de 20 dias por ano por muito justificada que este a doença.

Contodo nada se achega sobre segurança e saúde no trabalho, eterna batalha dos representantes dos trabalhadores nas empresas e causa principal de umha boa parte do absentismo laboral pola falta de investimento dos empresários nestas medidas, os mesmos que nom som sancionados polos seus permanentes nom cumprimentos em matéria de prevençom causa principal dos acidentes laborais no trabalho.

A perdida da vida de um trabalhador durante a sua actividade laboral leva praticamente na sua totalidade, o afundimento económico da família, que nom só tem que enfrentar a perdida de um ser querido e parte da unidade familiar.

Os trabalhadores devem perceber que quando assinam um contrato de trabalho nom vendem nele nem a sua saúde nem a sua vida, a que lhes pertence por eles mesmos, por isso devem fortalecer a sua organizaçom nas empresas rejeitando as actuais reformas dos direitos dos trabalhadores que se propiciaram com as últimas reformas laborais, nom devem deixar-se apavorar por este submetemento patronal que pretende justificar a aceitaçom de qualquer condiçom laboral por ruim e miserável que seja.

19-03-2013

Link permanente 01:19:29, por José Alberte Email , 622 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Bergoglio, o papa da CIA

http://www.argenpress.info/
Vicky Peláez

. . . . . .

A designaçom do cardeal argentino Jorge Bergoglio como o papa Francisco é umha necessidade do Vaticano como parte do poder mundial globalizado, para solidificar a sua posiçom na América Latina que cada ano está a adquirir umha maior importância estratégica no planeta.

E nom se trata somente dos seus abundantes recursos naturais e a sua capacidade de tomar medidas para nom se contagiar da crise que está a mergulhar no desespero à Uniom Europeia e aos Estados Unidos, senom dos seus processos de integraçom e transformaçons sociais e económicas que fam perigar a actual Ordem Mundial Globalizado estabelecido polas transnacionais.

A Igreja católica, igual como a única super-potencia no mundo descuidou a Latinoamérica onde está a crescer cada vez mais a simpatia e o apoio ao projecto do Socialismo do Século XXI como alternativa ao neo-liberalismo imposto polos globalizadores iluminados. Agora chegou o momento para fazer todo o possível e parar este processo, é-lhes urgente fazer retornar às ovelhas descarriadas da ALBA, UNASUR e CELAC para o seu antigo amo que está a estranhar recuperaçom do poder sobre o seu "pátio traseiro" perdido.

Um papa jesuíta é ideal para esta missom. Durante o pontificado de Joám Paulo II e do Benedito XVI, o Vaticano foi dominado polo poder financeiro do Opus Dei que contodo nom tivo o poder político internacional da Companhia de Jesús..

Nos Estados Unidos, vários directores da CIA e do Departamento de Defesa fôrom jesuítas: William Casey (director da CIA 1981-1987), Robert Gates (CIA 1991-1993, Secretário de Defesa 2006-2011), George Tenet (CIA 1997-2004), Leon Panetta (CIA 2009-2011, Secretário de Defesa 2011-2013), John Brennan- o actual director da CIA. Em realidade esta lista poderia ser infinita mas isto pertence a outro tema.

O que nos interessa é para onde irá na sua gestom o papa Francisco I. É considerado como um sacerdote sério, austero e humilde. Viveu sempre num modesto departamento, o mesmo cozinhava a sua comida, tomava o transporte público em Bos Aires. Lavava pés aos leprosos e aos enfermos da sida. Também falava da necessidade de pôr fim à pobreza, mas ao mesmo tempo nom escatimou os seus esforços para se opor aos programas sociais progressistas dos presidentes Nestor Kirchner e Cristina Fernandez mas ao mesmo tempo defendeu ardentemente as reformas neoliberais de Carlos Menem que levaram ao país a um colapso económico.

Retornando ao passado, o arquivo fotográfico mostra-o junto com o ex presidente Rafael Videla durante a ditadura militar (1976-1983) dando-lhe comunhom ao homem acusado do desaparecimento de 30,000 pessoas. O jornalista argentino Horacio Verbitsky pom em causa no seu livro "A mao esquerda de Deus. A última ditadura (1976-1983)" as actuais declaraçons de Francisco sobre o seu desconhecimento sobre a repressom durante a ditadura militar.

O sacerdote Bergoglio foi acusado inclusive de ser colaboracionista da repressom militar aos sacerdotes Orlando Yorio e Francisco Jalics quem lhe imputam entregar aos militares assim como o desaparecimento de vários catequistas que trabalhavam na vila miséria de Flores em 1976. Devido a esta denúncia o cardeal foi chamado a declarar na "Causa ESMA" ante o Tribunal Federal " 5. Yorio e Jalics sustenhem que Bergoglio tirou-lhes a protecçom da Companhia de Jesús ao negar-se eles a sua ordem de abandonar o trabalho social. Os dous fôrom seqüestrados em 1976 ao perder o apoio eclesiástico e foram torturados na ESMA durante seis meses. Posteriormente lhes drogárom e deixárom num escampado nos arredores de Bos Aires. Os dous alcançárom sobreviver o seu martírio mas nunca perdoárom ao provincial da Companhia de Jesus a sua traiçom.

As Maes do Largo Maio, organizaçom que lutou durante décadas para dar com o paradeiro de milhares de desaparecidos, pedindo ajuda entre outras muitas à igreja, declararam há uns dias que para elas era difícil aceitar que um "homem dessa natureza este sentado na cadeira papal".

18-03-2013

Link permanente 01:30:24, por José Alberte Email , 576 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Bergoglio foi cúmplice com a ditadura genocida

http://www.argenpress.info/2013/03/declaraciones-de-la-abogada-que.html

Myriam Bregman, advogada do CeProDH (Centro de Profissionais polos Direitos Humanos), do PTS e da querela no julgamento da ESMA (Escola de Mecânica da Armada), referiu-se a Jorge Mario Bergoglio, recentemente elegido o Vaticano como Papa Francisco. Durante um dos julgamentos aos militares genocidas da ESMA (desenvolvido entre os anos 2010 e 2011), Bregman representou a Patricia Walsh, filha do jornalista e escritor desaparecido Rodolfo Walsh, e tivo a oportunidade de interrogar ao entom arcebispo primado de Bos Aires. Jorge Bergoglio. Foi umha das advogadas que exigiu ao Tribunal que o cite a declarar em qualidade de testemunha a partir da denúncia feita pola catequista Maria Elena Funes, quem o acusou de facilitar o seqüestro dos cregos jesuítas Francisco Jalics e Orlando Yorio, que integravam a mesma ordem que Bergoglio.

Sobre aquele acontecimento, a advogada relatou: "Contrariamente à imagem que hoje se dá dele como umha pessoa humilde, Bergoglio nom tivo empacho em utilizar todos os privilégios que lhe dava a sua investidura, negando-se a ir declarar como qualquer pessoa aos Tribunais, polo que se fixo transferir todo o julgamento à sede da Cúria em Bos Aires e tivemos que fazer o interrogatório ali mesmo. Durante a sua declaraçom, o hoje Papa contestou com evasivas e contradixo o que dixera a testemunha anterior. Tratou de fazer umha defesa formal do seu accionar durante o período que durou o seqüestro dos curas jesuítas por parte dos militares, afirmando que ao se dar conta que foram seqüestrados lhe informou aos seus superiores. Fixo também algumhas afirmaçons muito graves, como que dous ou três dias depois de perpetrar-se este seqüestro ele já sabia que estavam na ESMA. Algo que até o dia de hoje nem muitas Maes do Largo de Maio sabem a respeito dos seus filhos, apesar da sua intensa procura. Como se deu conta" Relatou que se entrevistou com Videla e Massera, mas bastante tempo depois. Também reconheceu que quando Jalics e Yorio fôrom liberados contárom-lhe que ficava gente seqüestrada na ESMA, e ainda assim fixo nada".

Mas o que lembra com maior detalhes a advogada Myriam Bregman daquele interrogatório é quando lhe perguntou sobre a apropriaçom bebés durante a ditadura: "Jamais esquecerei a cara que pujo Bergoglio quando lhe perguntamos polas crianças apropriadas [...]. contestou que se deu conta há pouco, fai uns dez anos, ou seja, no 2000, quando toda a sociedade sabia da procura das Avoas da Praça de Maio ao menos desde o ano 1983, e alguns familiares da Prata afirmam que conhece o caso de Ana Liberdad Baratti dde la Cuadra desde 1977".

Por último, Bregman assinalou: "A actitude reticente de Bergoglio a contestar e o acoutado das suas respostas naquele entom tivo coerência com a linha de silêncio e encobrimento adoptada pola hierarquia eclesiástica durante todos os anos posteriores à ditadura, negando-se sistematicamente a achegar arquivos e documentos com que contam. É parte da política da cúpula da Igreja católica, que abençoou e colaborou directamente com a ditadura iniciada na Argentina em 1976. Nom me estranha que a sacerdotes como Christian Von Wernich, que estám condenados por ser autores do genocídio, do plano de tortura e extermínio da ditadura, nom tenham sido excomungados e podam seguir dando missa como qualquer outro cura. O mesmo sucedeu com o cura Grassi, condenado por abusar de crianças, e por cuja expulsom a Igreja que Bergoglio comandava até ontem nom moveu um dedo. Ninguém pode negar que o hoje Papa Francisco I encobriu a genocidas e pederastas nas filas da Igreja".

16-03-2013

Link permanente 19:42:44, por José Alberte Email , 4156 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Marx e a crise: os fantasmas, agora, são eles

por Mauro Luís Iasi [*]

http://www.resistir.info/crise/marx_crise_mar13.html

"Marx, hoje, volta a rondar a Europa, os EUA, a Ásia, nossa América Latina. Não somos mais um mero espectro. Somos cada vez mais de carne, osso, sangue e sonhos, enquanto eles se transformam a cada dia em fantasmas."

A atual crise do capitalismo mundial, além das graves consequências que traz para os trabalhadores, acabou por propiciar um efeito direto no debate teórico e acadêmico: uma retomada das ideias de Marx. Por que isso ocorre? Que tipo de previsão foi realizada por Marx que o faz tão maldito, perseguido e tão renitente em nascer e renascer cada vez que o julgam morto em definitivo?

Passamos, nós marxistas, pelas décadas de 1980 e 1990 resistindo no universo acadêmico como se fôssemos dinossauros anacrônicos, insistindo em teses que desmoronam diante das "evidências" pós-modernas, que afirmavam o fim da validade da teoria do valor, o fim da centralidade do trabalho, das classes e, por consequência, das formas organizativas e dos projetos políticos próprios da classe trabalhadora.

Karl Offe [2] chegou a afirmar que, depois das ideias de Touraine, Foucault e Gorz, o pensamento marxista não teria mais muita "respeitabilidade cientítico-social". O próprio Keynes, que alguns se preparam para resgatar como balsamo benígno contra os males da desregulação, sobre O Capital de Karl Marx decretou:

"Como posso aceitar uma doutrina que estabelece como bíblia, acima e além de qualquer crítica, um manual econômico obsoleto que reconheço não só como científicamente errôneo, mas também sem interesse ou aplicação para o mundo moderno?" [3]

Logo na sequência do mesmo texto, Keynes confirmará sua postura "científica" ao declarar preferir a burguesia que "apesar de suas falhas, representa a prosperidade" e certamente leva as "sementes de todo avanço humano", criticando aqueles que "preferem a lama ao peixe" e "exaltam o proletariado rude" contra a burguesia.

Parece que a burguesia continua, em sua incansável rota em direção ao avanço humano, cometendo "algumas falhas", que ameaçam a humanidade para garantir o avanço do capital. O proletariado rude, imerso na lama na qual tem que viver, mais uma vez tenta compreender a natureza da vaga que ciclicamente o afoga e, mais uma vez, o velho Karl Marx se levanta de seu descanso no cemitério de Londres para assombrar os respeitáveis senhores da ciência.

Qual seria o elemento teórico que encontramos em O Capital que permite que Marx seja ainda tão contemporâneo? Primeiro, poderíamos dizer que Marx era, de certa forma, mais anacrônico em sua época do que agora. Como pensa o capital como um conceito, um movimento do real que dialeticamente transita através de suas formas e, sendo histórico, nasceu, se desenvolveu e um dia irá ser superado, Marx projeta, pela análise precisa do ser do capital, aquilo que denomina de modo de produção especificamente capitalista, ou seja, um mundo subsumido inteiramente ao metabolismo do capital, no qual reina a subordinação real do trabalho ao capital, no qual a mercadoria e o dinheiro são realidades universais, subordinando o valor de uso ao valor de troca.

Ao projetar o capital maduro e completo é que Marx pode avaliar o processo possível de sua superação. Um procedimento que os antigos, antes que os pós-modernos convencessem o mundo acadêmico a aderir a um novo agnosticismo, chamavam de ciência. Ora, este capital maduro estava longe de corresponder à realidade de meados do século XIX; no entanto, para desespero da respeitável intelligentsia, o capitalismo contemporâneo se parece muito mais com a previsão de Marx do que com a projeção mítica anunciada pelos arautos do liberalismo e da economia política.

Apesar de autores como Boaventura de Souza Santos afirmarem que, considerando os três gigantes clássicos do pensamento social (Marx, Durkheim e Weber), Marx teria sido entre eles o que "errou de forma mais espetacular" [4] . Mas o desfecho do mundo burguês no inicio do século XXI se caracteriza inequivocamente por uma constatação: o mito liberal morreu!

Qual é a essência do mito liberal e como Marx se contrapôs a ele? O fundamento do mito liberal pode ser resumido da seguinte maneira: o capitalismo é um sistema virtuoso, pois permite que cada um, buscando seu próprio interesse egoísta, contribua para o estabelecimento do bem comum. Dessa maneira, é o único que pode articular de maneira eficiente os valores do indivíduo, da liberdade, da propriedade e da igualdade. O capitalista busca lucro, mas para obtê-lo produz mercadorias e para tanto gera emprego. O trabalhador quer pagar suas contas e viver e por isso vende sua força de trabalho. Com seu salário compra as mercadorias oferecidas pelos capitalistas e assim se fecha o ciclo. O burguês tem seu lucro, o trabalhador seu salário e a sociedade cada vez mais mercadorias com que satisfazer suas necessidades.

O sistema capitalista seria, ainda, virtuoso não apenas pelo equilíbrio entre interesses individuais egoístas e interesse geral, mas por sua dinâmica: quanto mais o capital produz mercadorias, mais contrataria, mais salários distribuídos intensificariam o consumo, que levaria a nova produção, mais contratações e novos salários que induziriam ao aumento do consumo e assim por diante, da melhor forma possível e no melhor dos mundos.

Recentemente, o presidente Lula conjurou o mito com todas suas letras ao afirmar que diante da crise os trabalhadores em vez de pedir aumento deveriam fazer com que suas empresas produzissem mais, para aquecer o Mercado, atender as necessidades do mercado consumidor e daí garantir, não apenas empregos como a possibilidade futura de melhores salários.

Apesar da fé consagrada de muitos ao mito, Marx escreveu O Capital para comprovar a falácia deste argumento central do pensamento burguês. Podemos resumir desta forma as principais conclusões do pensador alemão para contrapor uma visão científica à ideologia liberal: a) quanto mais cresce a concorrência entre os capitalistas, menor é a livre concorrência e maior é a tendência ao monopólio; b) nas condições de uma concorrência entre monopólios, os capitalistas tendem sempre a investir mais em capital constante (máquinas, instalações, novas matérias primas, etc) para aumentar a produtividade do trabalho, do que em capital variável (a compra da força de trabalho) alterando drasticamente a composição orgânica do capital em favor do trabalho morto; c) o resultado aparentemente paradoxal desse processo é uma tendência à queda na taxa de lucro, ou seja, quanto mais o capital cresce, maior é a produtividade do trabalho pela aplicação consciente da técnica e da ciência ao processo de trabalho, quanto mais o capital se torna monopolista e mundial, menor é a taxa de lucro.

Na verdade, a tautologia liberal afirma que quanto mais o capital cresce, mais ele cresce. O que Marx anunciou pela dialética do capital, compreendido pela minuciosa análise que se nega a permanecer na superfície aparente dos fenômenos, é que quanto mais o capital cresce, mais ele produz a crise que é própria à sua natureza, ou seja, de ser valor em constante processo de valorização, ou seja, uma crise de superacumulação que se combina de forma explosiva com manifestações de superprodução, subconsumo e queda tendencial da taxa de lucro.

O fato desconcertante para os adeptos dos planos de aceleração do crescimento, ou da irracionalidade exuberante como batizou Greenspan (ex-presidente do Banco Central norte-americano), é que o que causa a crise não é a carência, mas a abundância, a pletora. Um raciocínio típico de Marx, isto é, não argumenta com o adversário teórico pela negação de sua tese, mas pela suposição de sua plena realização. No caso concreto de nossa análise, afirma que a dinâmica do capital leva à aparente confirmação do mito liberal, levando a sociedade a uma espiral irresistível de produção, consumo e reinvestimento; no entanto este reinvestimento sempre se dá, pela própria concorrência, seja livre ou monopólica, alterando a composição orgânica em favor do capital constante e, portanto, alimentando a queda tendencial da taxa de lucro.

No momento agudo deste processo, o capital realizado ao final do ciclo, e que deveria voltar ao início como novo capital inicial, encontra todo o metabolismo do capital saturado de investimentos, muitos meios de produção instalados, muitos trabalhadores empregados, muitas mercadorias produzidas, e tudo isso com taxas de lucro menores. Em momentos normais, o capital migra para outra área, seja para produzir outro tipo de mercadoria, seja para outra região em busca de elementos que possam baratear seus custos com força de trabalho, matérias primas ou outros elementos do capital constante. No entanto, nas épocas que antecedem às crises, considerando o capital total, é como se o capital não encontrasse onde aportar e começa a parar.

Como o capital é, antes de qualquer coisa, movimento do valor em constante processo de valorização, sua crise ocorre quando este movimento se paralisa em algum ponto do ciclo do capital: como dinheiro que não consegue virar crédito, como capacidade instalada e ociosa, como força de trabalho contratada e impedida de trabalhar, como mercadoria produzida e que não encontra o consumo na proporção de sua oferta, ou ainda pior, como consumo realizado que alimenta a fogueira da superacumulação.

Para que possamos entender o desfecho da crise e, principalmente, os efeitos sobre a classe trabalhadora, é necessário recorrer a um raciocínio essencial que Marx desenvolve ao tratar de sua tese sobre a queda tendencial da taxa de lucro no Livro III de O Capital: as contratendências.

Marx precisava defender sua tese em um momento no qual o mito liberal esbanjava saúde. A primeira grande crise do capital, entre os anos 1870 e 1880, ofereceu para o autor os elementos centrais de sua afirmação. No entanto, o capital estava destinado a sair dessa crise e de outras. É preciso não confundir a teoria de Marx sobre a crise com qualquer afirmação messiânica sobre uma crise final catastrófica que levaria por si mesma ao fim do capitalismo [5] . Para o autor, o capital desenvolveria elementos contra-tendenciais que fariam da queda na taxa de lucro uma tendência e das crises uma realidade cíclica, ou seja, em outras palavras, não se trata de uma linha descendente que culmina no fim do poço, mas de um movimento de crescimento, auge, crise e retomada até novo ápice que leva a uma nova crise.

As chamadas contratendências [6] seriam todas as ações empreendidas pelo capital no sentido de se contrapor à queda na taxa de lucro. Podemos resumi-las da seguinte maneira: a) aumento do grau de exploração da classe trabalhadora, seja pelo aumento da jornada de trabalho, seja pela intensificação do trabalho; b) redução dos salários; c) redução dos preços dos elementos do capital constante, tais como buscar matérias-primas mais baratas, máquinas mais eficientes, subsídios para insumos e serviços essenciais como aço, mineração, energia, armazenamento, transporte e outros; d) formação de uma superpopulação relativa, ou seja, reunir um contingente de força de trabalho muito além das necessidades do capital e mesmo além do exército industrial de reserva como forma de pressionar o valor da força de trabalho para baixo; e) ampliação e abertura de mercado externo como forma não apenas de desovar o excedente produzido, como de encontrar fontes de matéria prima e recursos abundantes, barateando seus custos; d) o aumento do capital em ações, isto é, buscando compensar a queda na taxa de lucro com juros oferecidos pelo mercado de papéis oferecidos por empresas ou por títulos do Estado.

Notem que todas as contratendências escondem um sujeito oculto. Trata-se, já no final de O Capital, de mais um embate, este decisivo, contra a ideologia liberal. Quem administra os limites da exploração do trabalho, seja pelo tamanho da jornada, seja pelas condições gerais da contratação? Quem determina os limites legais da compra da força de trabalho e seu valor? Quem pode baratear os elementos do capital constante por meio de subsídios, créditos facilitados, isenções e outros meios conhecidos? Quem assume o custo de administração, manutenção e controle sobre uma superpopulação relativa cujo papel é nunca entrar no mercado e trabalho? Quem representa os interesses das corporações monopólicas na ampliação, conquista e manutenção de mercados em disputa com outros monopólios? Finalmente, quem se presta ao papel de oferecer títulos que remuneram com taxas de juros generosas sem se preocupar em perder dinheiro ou comprar de volta títulos podres e sem valor?

Esse sujeito, que mal se oculta, só pode ser o Estado! Eis que se desmorona a mãe de todos os mitos liberais: o Estado não deve intervir na livre concorrência entre os indivíduos pela disputa de riquezas e propriedades, resumido na tese da não intervenção estatal na economia. Para Marx, o Estado sempre foi um fator determinante no sociometabolismo do capital, em seu nascimento na acumulação primitiva de capitais, na garantia das condições gerais chamadas de extraeconômicas (garantia da propriedade, subordinação legal e institucional da força de trabalho ao capital, defesa da ordem, etc.) no período de ouro do liberalismo, na representação dos monopólios na partilha e repartilha do mundo, fazendo dos interesses das corporações o interesse nacional; e, por fim e mais importante, nos momentos de crise em que o custo da exuberância irracional, que levou à apropriação indecente da riqueza socialmente produzida na forma de acumulação privada, tem que ser socializado por toda a Nação.

Além do evidente papel do Estado no comando e gerenciamento das contratendências, fica evidente o caráter de classe destes mecanismos, o que nos ajuda a entender os efeitos que recairão sobre os trabalhadores. A intensificação da exploração, que leva ao aumento do desgaste da força de trabalho e à intensificação dos acidentes e das doenças profissionais; a redução de salários, assim como a precarização das condições de contratação, com relativização e perda de direitos; o aumento da superpopulação relativa, que tem por base a intensificação da expropriação dos camponeses e de todos que ainda conseguem manter seus meios diretos de trabalho, e que leva à explosão urbana com todas suas consequências conhecidas no campo da habitação, dos serviços essenciais como educação e saúde, mas também no que se refere a questão da violência e da criminalidade.

Mesmo as ações que aparentemente não se relacionam diretamente com o agravamento das condições de exploração e a precarização das condições de vida dos trabalhadores acabam por ter efeitos muito sérios sobre a vida de quem trabalha. Os subsídios e isenções ao capital, para baratear os elementos do capital constante ou ajudá-los a manter seus patamares de venda, só podem sair do fundo comum do Estado e, portanto, à custa de cortes dramáticos em serviços públicos duramente conquistados. Só em uma semana, o governo brasileiro gastou R$50 mil milhões para manter o valor do dólar, enquanto durante todo o ano anterior foram gastos um pouco mais de R$ 20 mil milhões com a saúde, apenas para ficar em um exemplo. As fortunas gastas para manter bancos em funcionamento só podem sair do recurso público numa clara expressão de privatizar a pequena parte da produção social da riqueza que ficou no espaço publico, sem que em nenhum momento se questione o volume da riqueza que no ciclo de crescimento permaneceu na esfera da acumulação privada.

Talvez o mais grave quanto aos efeitos da ação do Estado na gestão das contratendências para os trabalhadores e a própria humanidade seja um aspecto para o qual Marx não deu maior atenção: a expansão do mercado externo. Quando Marx escrevia o último livro de O Capital, a ordem monopolista mal fazia sua estreia histórica. Para o autor, tratava-se apenas de encontrar mercados para os produtos e encontrar fontes de matérias-primas. Ocorre que, com o pleno desenvolvimento dos monopólios, passa a ser decisivo, como estudou mais tarde Lenin, a exportação de capitais, e daí a necessidade de controle das áreas de influência, levando a constante partilha e repartilha do globo, primeiro entre os monopólios e depois entre as nações que os representam, levando à Guerra.

A fase imperialista e a prática da guerra, que lhe é inseparável, fizeram desta contratendência quase que a síntese da ação do Estado em defesa do capital e da manutenção de suas taxas de lucro contra a tendências das mesmas em cair. Não apenas pela enorme destruição material que a Guerra causa, abrindo campo para novas inversões em condições de lucratividade retomada em patamares aceitáveis para o capital, como pelo próprio estabelecimento de um complexo industrial-militar que vende ao Estado mercadorias que terão que ser substituídas quer sejam ou não usadas (como no caso do arsenal nuclear), como teorizou de forma precisa Mészáros.

Podemos resumir, afirmando que, na dinâmica das contratendências, as vítimas são os trabalhadores, os beneficiários a burguesia monopolista e o instrumento o Estado, não apenas como aparato técnico jurídico-adiministrativo, mas também e principalmente pela capacidade que lhe é própria de apresentar como universal um interesse que é particular. Nesse campo, o da luta política, a crise é o momento de retirar da gaveta do arsenal da política burguesa a tese do pacto social.

No momento da crise se reapresentam todas as alternativas em disputa. Podemos resumi-las em três posições: a) a afirmação de que tudo não passa de um incidente, mais ou menos grave, mas de qualquer forma um incidente que não compromete a estrutura do mito, ou seja, basta voltar a crescer que os empregos voltam, o consumo cresce, e tudo volta ao círculo virtuoso do capital; b) a retomada da crítica keynesiana, que aparece simultaneamente como afirmação da ordem do capital com todos os elementos que lhe são próprios (inclusive a livre concorrência), mas que afirmará a necessidade de retomar mecanismos de regulação, ou seja, não se trata de evitar a livre concorrência, mas de regular certos aspectos para que suas consequências inevitáveis não gerem condições catastróficas que possam levar ao questionamento do sistema; c) a alternativa socialista, ou seja, aquela que se fundamenta na afirmação sobre a necessidade da produção social da riqueza ser gerida também de forma social, levando à acumulação social da riqueza ser concebida como valor de uso e não mercadoria.

No presente quadro, a primeira, um pouco na defensiva e sem a arrogância que caracterizou o último ciclo, não desaparecerá. Ela se inscreverá na afirmação que basta o Estado dar os elementos para que o capital volte a crescer, sem que interfira na disputa econômica direta, por exemplo, através das estatizações. A segunda, de corte keynesiana, será a mais ativa e, portanto, mais enganosa e perigosa para os trabalhadores. Sob o manto de uma necessidade comprovada de maior regulação, que deverá se inscrever nos limites do mundo financeiro, pode chegar até a defender, como aliás já está acontecendo, algumas ações estatizantes. No entanto, esta opção mal esconde uma enorme luta política que marcou o século XX. Foi preciso ceder a determinadas demandas dos trabalhadores, por direitos e condições de vida, frente à ameaça de superação revolucionária da ordem, representada pelo advento da revolução Russa de 1917.

A solução keynesiana, que não se revestiu no século XX necessariamente com a forma de um Welfare State social democrata de perfil europeu, nos EUA prevaleceu com o New Deal, mantendo a base de uma economia de mercado fundada na livre concorrência, e na América Latina, por exemplo, a regulação estatal se deu na forma de ditaduras militares mais preocupadas com o Estado do que com o bem-estar. No quadro conjuntural atual, de inflexão política, de desmonte e isolamento das tímidas alternativas de transição socialista iniciadas no século XX, os regulacionistas tendem a se comportar mais como liberais contidos e responsáveis do que como social democratas.

Aos trabalhadores cabe uma outra ordem de tarefas. Primeiro: resistir, não aceitando que o ônus da crise recai sobre o setor que mais se penalizou no ciclo de crescimento. Não apenas lutando para que nenhum direito lhe seja retirado, como se recusando a proposta do tipo redução de jornada com redução de salário ou qualquer precarização de suas já precárias condições de contrato e de trabalho. Segundo: forçar o Estado para que se recuse a usar o recurso público para dirimir perdas ou incentivar produtividade de um setor da economia monopolizada, que lucrou fortunas e as acumulou privadamente. Enquanto o governo se regojiza com a informação de que os 20% mais pobres passaram de U$1,00 por dia para U$2,00 de maneira que saíram de uma posição que os colocava abaixo da linha da miséria para uma condição de dignidade duvidosa na linha da miséria, as 500 maiores empresas do Brasil, entre 2002 e 2007 viram seus lucros saltarem de R$ 2,9 mil milhões para R$43 mil milhões.

Em terceiro lugar, está na hora de a classe trabalhadora deixar de optar entre qual é a ortodoxia burguesa que mais lhe convém, se a liberal ou a keynesiana, e dizer a pleno pulmões que as previsões liberais ou regulacionistas, que prometiam que o crescimento econômico levaria a uma paulatina diminuição das desigualdades sociais e a um mundo justo e equilibrado, naufragaram triunfalmente. Depois os marxistas é que são acusados de "determinismo econômico"! O que é a tese de que os problemas sociais só se resolverão com o crescimento econômico de tipo capitalista senão a mais mecânica afirmação economicista?

O Brasil tinha como modelo os EUA e a Europa. Queríamos, na expressão de Galeano, ser como eles. Pois bem, já somos. Somos parte integrante do sistema capitalista mundial, no papel que nos cabe, como área de saque do imperialismo. Uma área especial que, devido ao grau de investimento imperialista dos grandes monopólios, constituímos como uma formação social com um capitalismo moderno e completo que inclusive ensaia seus primeiros movimentos no sentido do imperialismo tupiniquim, como tem teorizado Virgínia Fontes, sem, contudo, nunca sair de baixo das asas dos centros hegemônicos do imperialismo mundial.

Devemos recusar o papel miserável de entrar no debate que busca "como sair da crise". Devemos pautar o debate, o único que interessa aos trabalhadores, sobre qual forma de sociabilidade atende os interesses reais dos trabalhadores e da humanidade e pode, de quebra, evitar que ciclicamente todo o esforço produtivo seja destruído por uma nova crise que, para salvar o capital e suas taxas de lucro, destrói produtos, fábricas e seres humanos em uma escala genocida. Para nós, marxistas, existe essa alternativa: é necessário e urgente que a produção social da vida liberte-se das relações sociais de produção de tipo capitalista, superando a propriedade privada dos meios de produção e desenvolvendo as forças produtivas materiais como recursos coletivos e patrimônio da humanidade, e não propriedade dos monopólios burgueses, de maneira que possamos caminhar para a superação da forma mercadoria e afirmar a centralidade do valor de uso.

Nossa meta socialista pode ser compreendida por aqueles que nos interessam que a compreendam? Em grande parte esta é a arte da política, como disse Bourdieu: a política é a arte de "fazer crer que se pode fazer o que se diz" [7] . Nós acreditamos que sim e que podemos expressar os fundamentos de nossa proposta através de três afirmações muito simples: 1) ninguém pode se apropriar de recursos necessários à produção das condições que garantem a existência coletiva da humanidade; 2) ninguém pode se apropriar em caráter privado da força de trabalho humana, pois ela é a principal força de produção e o principal recurso comum da espécie para garantir sua existência, não podendo assumir a forma de uma mercadoria; e 3) a riqueza coletivamente produzida não pode ser acumulada privadamente.

Como dizia Brecht, "uma coisa muito simples, dificílima de ser feita". No entanto, nesse ponto a crise nos ajuda, Nunca ficou tão didático o caráter destrutivo da atual forma do capitalismo monopolista e imperialista, nunca ficou tão evidente a falácia do mito liberal, nunca foi tão urgente dotar a humanidade de uma alternativa para além da ordem do capital.

Os liberais, velhos, neos e recentes; os pós-modernos, pós-industriais, pós-socialistas; todos timidamente voltam ao "refugo das livrarias vermelhas", ao qual Keynes havia condenado a leitura marxista como nada tendo de aplicabilidade prática para os tempos modernos, para discretamente voltar a ler Marx e entender o que se passou e o que seus ideólogos não conseguem lhes explicar. Marx, hoje, volta a rondar a Europa, os EUA, a Ásia, nossa América Latina. Não somos mais um mero espectro. Somos cada vez mais de carne, osso, sangue e sonhos, enquanto eles se transformam a cada dia em fantasmas.
Notas

1 Apresentado inicialmente no Seminário sobre a Crise Econômica Mundial, promovido pelo PCB São Paulo em novembro de 2008 e modificado para a publicação.

2 Offe, Claus. Capitalismo desorganizado. São Paulo: Brasiliense, 1984, p. 195.

3 Keynes, John Maynard. A short view of Rússia [1925]. Apud Meszáros, Istvan. Para além do Capital. São Paulo: Boitempo, 2002, p. 16.

4 "Max Weber e Durkheim falharam menos estrondosamente que Marx nas suas previsões". (Santos, Boaventura de Souza. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. São Paulo: Cortez, 1999, p. 34.) Do mesmo autor podemos citar a seguinte passagem: "Se o marxismo é uma ciência tem que se submeter à prova dos fatos e os fatos não vão no sentido previsto por Marx" (idem p. 25)

5 Para uma análise crítica sobre a tese da crise final, ver O encontro da revolução com a História, de Valério Arcary (São Paulo: Xamã/ Institute Rosa Sundermann, 2006)

6 Ver o capítulo XIV, do livro III, volume 4 de O Capital de Karl Marx.

7 Bourdieu, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertran Brasil, 1998, p. 185.

[*] Membro do Comitê Central do PCB .

O original encontra-se em pcb.org.br/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: USA-Vaticano, o novo genocido programado

EEUU e Vaticano aliados contra a Nossa América Bolivariana

Carlos Antón e Carlos Vélez - www.aporrea.org
15/03/13 - www.aporrea.org/internacionales/a161448.html

No primeiro parágrafo do 18 Brumario, Marx expressa: "Hegel di em algumha parte que todos os grandes factos e personagens da história universal aparecem, coma se dixéssemos, duas vezes. Mas esqueceu-se de agregar: umha vez como tragédia e a outra como farsa".

Talvez na América Latina toca-nos viver duas vezes (ou mais) a tragédia.

A entronizaçom do cardeal de Bos Aires, Jorge Bergoglio como o papa Francisco, nom pode ser tomada "ainda polos cristaos católicos argentinos- com veemência chauvinista. Ao invés, o drama ao que assistimos é que, mais umha vez a maridagem CIA"Vaticano refunda-se para acometer com a sua fúria aos povos em revoluçom. A ALBA, a CELAC, a UNASUR, a revoluçom bolivariana estám na mira dos seus mísseis e da sua cruz. Como há 500 anos a espada e a cruz contra os povos.

EEUU-Vaticano um velho maridagem

A finais da Segunda Guerra Mundial, depois de invadir a Itália, aos EEUU criou-se-lhe um problema, como reconstruir o Estado italiano ao serviço do capital. O caso é que o único sector cujo prestígio era reconhecido polo povo italiano eram os comunistas. O PCI, que ganhara as suas medalhas na luta antifascista, ademais foram os que ajustiçárom a Benito Mussolini, il Ducce. E para complicar mais a questom estavam armados.

De ali que os ianques conceberam um plano que descansou sobre três eixos: o Vaticano, a máfia e eles mesmos. Washington proveu o dinheiro, a máfia italiana os sicários para assassinar comunistas e semear o terror e o Vaticano santificou a cruzada à vez que rearmava a velha Democracia Cristá. Eram os tempos do papa Pio XII, também conhecido como o papa-nazista.

Anos mais tarde mais tarde, a fins dos anos ´70 chega ao Vaticano Joám Paulo II (1978) em tanto que Ronald Reagan o fai à presidência dos EEUU (1980).

A entronizaçom do cardeal polonés, foi um acto mais da Guerra Fria e da ofensiva ianque contra a Uniom Soviética e o comunismo. A aliança entre a CIA e o Opus Dei permitiu que, à morte de Paulo VIM depositassem a Karol Wojtyla -o homem que o Opus elegeu para ser papa- na "cadeira de Som Pedro". A tal ponto era um soldado fiel Karol Wojtyla, que na Vila Tevere, esquadra geral do Opus Dei em Roma baixou a rezar ante a tumba de monsenhor Escrivá de Balaguer (criador da ordem) antes de entrar no conclave do que sairia Papa.

A luta contra o comunismo de Joám Paulo II tivo um capítulo especial na América Latina. Por esses anos os sandinistas derrocaram ao dictador nicaraguano Anastasio Somoza, e contra todas as possibilidades da época erigírom um governo popular (1979) na Nicarágua de Sandino. No governo vermelho e preto, quatro sacerdotes católicos eram ministros. A influência da chamada igreja dos pobres, que se sustinha na Teologia da Libertaçom, cresceu por Centro América e o resto da América Latina.

Entom o Vaticano e Washington decidiram que algo havia que fazer.

Enquanto Reagan instalava aos contras na fronteira entre Honduras e Nicarágua para atacar aos sandinistas, o Vaticano organizou a viagem de Wojtyla a Nicarágua, como umha nova cruzada. Agora contra a heresia comunista. Muito já se escreveu sobre esses factos e deixamos aí a crónica.

Finalmente a igreja alcançou domesticar e emudecer aos curas dos pobres, em tanto um dos períodos mais reaccionários do século XX expandia-se sobre o planeta e a América Latina. A maridagem entre EEUU e o Vaticano, colheitava seus frutos.

Os povos latino americanos rebelam-se

Trás a denominada Década perdida os povos latino-americanos retomaram a iniciativa nas lutas sociais e políticas. Da pouco tenhem-se conformando governos populares, e em Venezuela um coronel do exército chegou à presidência. Com Hugo Chávez Frias, o continente encontrou um líder revolucionário, que sintetizou os sentimentos populares, inclusive os religiosos com a teoria do socialismo. E nasceu a revoluçom bolivariana cujo exemplo se expandiu polo continente e polo planeta.

Com altibaixo a revoluçom foi-se consolidando, mas o 5 de Março, sofremos um terrível golpe. Faleceu o comandante Chávez. E ainda que o povo venezuelano está galvanizado e se apresta a dar duras batalhas para fortalecer a revoluçom, todos fomos impactados por esta morte.

Na outra ponta do mundo, outra notícia comoveu à freguesia católica. O papa Benedito XVI, o cardeal Ratzinger (ex membro das mocidades hitlerianas nos anos ´40) renunciou ao papado.

Foi-se.

As razons ainda som motivo de especulaçom. Mas mais ali de qualquer que se poda esgrimir, o verdadeiro é que este bispo ultra conservador nom pudo suster a batalha contra os povos do Terceiro Mundo. Este mundo de indigentes e rebeldes continua tentando revoluçons.

Mudar o libreto e dar de novo

Como com Wojtyla, o Vaticano e o imperialismo jogam umha carta forte. Hoje acabam de eleger a um papa latino-americano, argentino. Jorge Bergoglio, arcebispo da Cidade Autónoma de Bos Aires, será o próximo em sentar na cadeira de Sam Pedro. A missom nom pode ser mais clara, a mesma que lhe encarregaram ao polonés: acabar com os comunistas latino-americanos.

E o novo papa tem currículo para mostrar neste caso. Pertence à ordem das jesuítas que durante a ditadura genocida foram cúmplices com as sucessivas Juntas Militares e fundamentalmente colaboraram com o almirante Emílio Massera. A Bergoglio imputa-se-lhe um papel especial no operativo militar que culminou com o seqüestro dos religiosos Orlando Yorio e Francisco Jalics, em maio de 1976, que foram presos-desaparecidos durante cinco meses. Junto a eles também fôrom seqüestrados quatro catequistas e dous dos seus esposos. Entre eles estavam Mónica Candelária Mignone, filha do fundador do CELS (Centro de Estudos Legais e Sociais), Emílio Mignone, e Maria Marta Vázquez Ocampo, (filha) da presidenta das Maes da Praça de Maio. Isto foi detalhado polo jornalista Horácio Verbitsky, em dous livros e vários artigos jornalísticos.

Com a volta à democracia, e durante o governo do presidente Cristina Fernández de Kirchner, o arcebispo portenho enfrontou medidas progressistas impulsionadas polo governo nacional como o casal igualitário e o aborto terapêutico. Com respeito ao primeiro ponto expressou: "Nom sejamos ingénuos: nom se trata de umha simples luta política é a pretensom destrutiva ao plano de Deus. Nom se trata de um mero projecto legislativo (este é só o instrumento) senom de umha "movida" do pai da mentira que pretende confundir e enganar aos filhos de Deus". Ao ser regulamentado o aborto nom punível na Cidade, o entom arcebispo de Bos Aires deu a conhecer um comunicado, expressando que "avança-se premeditadamente em limitar e eliminar o valor supremo da vida e ignorar os direitos das crianças por nascer".

Em tanto os jornalistas chauvinistas, afirmam que o Bergoglio é o homem mais importante da história argentina.

Um mar de mortos separam-nos. Enquanto de um lado está a Igreja católica e o papa Francisco -cúmplices e encobridores da ditadura genocida na Argentina- do outro está o povo, a classe trabalhadora e heróis verdadeiros da talha do Ché, Sam Martín, Mariano Moreno, Juana Azurduy e outros tantos e tantas que lutárom por umha pátria sem opressores.

Ninguém pode chamar-se a engano, Francisco será um papa reaccionário como o que mais e o seu papel é combater aos povos latino-americanos em revoluçom. O Vaticano tomou devida conta de que Chávez e a revoluçom bolivariana nom é o cuco comunista que "fusila curas" contra o que eles estavam acostumados combater. O chavismo -mais ali das crenças pessoais de cada pessoa- alcançou que o cristianismo seja visto novamente polos crentes como a religiom dos pobres, dos deserdados, dos que lutam pola sua redençom cá na terra apontando com a sua rebeldia aos poderosos e os capitalistas. Para o imperialismo e o Vaticano, isso é mais perigoso que o velho comunismo ateu ao que combateram por décadas.

Para os povos, os militantes, os revolucionários da América Latina nom pode haver confusom. O imperialismo vem por nós, vem exterminar as revoluçons em marcha, a esmagar toda a semente de rebeldia. Ademais da IV frota, as bases militares, a ONG desestabilizadoras, agora trai-se um papa debaixo do braço.

Fechar fila contra o imperialismo e os seus lacaios é consigna da hora.

Viveremos e venceremos

Até o socialismo sempre

*antonfoyel@gmail.com

14-03-2013

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Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Habemus Papam Criminalis

www.rebelion.org

Martin Bedrossian
Periódico Pachakutiq


Foi-se um criminoso que integrou as mocidades hitlerianas
, Ratzinger o papa xenófobo, homofobo e encobridor de pederastas, umha ofensa à figura -ao menos a idealizada polos crentes- de Jesus, que nom pode tampar os progressivos escândalos da maior organizaçom mafioso-terrorista de todos os tempos, filtrados graças à novas tecnologias de informaçom. A Igreja católica com os seus centros de doutrinaçom e lavagem político de cérebros, valeiradores de conteúdo, está presente a cada físgoa do planeta. Seguindo a mesma lógica nomeou-se a outro criminoso, Jorge Mário Bergoglio com o seu alter-ego Francisco, nome de origem germánico que poda se perceber seica como um continuismo simbólico com o seu antecessor, certamente aquilo que nom representa dúvida é o conservadorismo agoirento ideológico, posto que se fora de outra maneira a chegada às rendas da Igreja, os grupos de poder ocultos, ainda que cada vez menos, detrás do báculo papal, nom o deixariam chegar nem à porta de bronze do palácio pontifício.

O Bergoglio

já histórico, acusado de promover, ocultar e amparar desaparecimentos de pessoas, seqüestros, torturas inclusive de outros curas, de entregar fiéis ao Terrorismo de Estado para a sua posterior tortura e assassinato, de ser parte do mecanismo de roubo de bebés durante a ditadura, de operar como lobbista político em favor do stablishment e a oligarquia em particular, um fervente activista em contra de qualquer tipo de conquista no que a direito humano, chame-se este, casal igualitário, eutanásia, aborto, despenalizaçom de tenencia de estupefaciente, ou da tam esperada separaçom Estado-Igreja, uniom que nom está consentida na Constituiçom Nacional Argentina operando de facto, crego máximo desestabilizador trabalhando de modo conjunto com a gauchocracia abigetária e instigador golpista, ideólogo de campanhas mediáticas em contra de períodos democráticos, o seu passado perde-se na noite da história, amante das prebendas e privilégios dos que desfruta a Igreja à conta de um estado laico, extorsionário incansável perturbando o desenvolvimento e a implementaçom de políticas de inclusom social implacável opositor raivoso das democracias participativas todo o supracitado escudado numha imagem de conciliador e perdoador compulsivo.


O crego Bergoglio

exponente máximo da ultra-direita assassina vernácula, como vaticinavam alguns suspicazes analistas, ganhou, cientes da grande máfia eclesiástica, quiçais a mais grande organizaçom criminal indo desde convénios políticos para dar a verdadeiros giros históricos reaccionários a investidura moral para arrulhar dessa maneira as mentes dos membros do seu grei, isto último como o mais suave passando por lavagem de dinheiro, desvio de fundos, utilizaçom política do despropósito do poder real baseado na virtualidade de umha ficçom para influenciar quando nom extorsionar governos progressistas ou inclusive quaisquer que poda se achegar a estándares medianamente aceitáveis de democracia, sempre jogando a pontas diversas com a ambigüidade vouga da prosa clerical tam bem usufructada. Custando-lhe a vida a aqueles que se opugérom à desigualdade social, aos que lutaram polos direitos políticos, morrendo muitos por alçar a sua voz polos direitos humanos, nesse lavrar intenso da história encontra-se como contra-força as elites mundiais e na sua pata fundamental de dominaçom e doutrinamento, a igreja católica. Bergoglio é simplesmente o que devia ser, o que devia ocupar essa funçom do monopólio da fé.


O CÉU

O Vaticano nom se dorme, sabe perfeitamente quem é Bergoglio e justamente por isso é eleito para liderar a corporaçom eclesiástica. Em 2010 numha reportagem de Vertbitsky para Pagina/12 a Graciela e Rodolfo Yorio irmaos do crego do terceiro mundo Orlando Yorio quem foi seqüestrado polos grupos de tarefas do terrorismo de Estado durante ultima-a ditadura militar que durou de 76 ao 83, numha entregue do actual papa Francisco, para que o torturem. Por entom, Francisco, mantinha contactos estreitos e umha colaboraçom muito activa com os militares genocidas. Do mesma reportagem desprende-se que colegas jesuítas daquele Bergoglio elevárom ao Vaticano um dossier no que se plasmava o comportamento escuro do presbítero, com isso ilusoriamente sentiam seguros -nesse tempo- que umha personagem dessa laia jamais ocuparia um rol tam central para a religiom católica. Qualquer mortal com algumha leitura da realidade compreenderá que umha pessoa com esse arrojo perverso é cobiçada por qualquer organizaçom mafiosa, seja como elemento ofensivo que opera na clandestinidade, seja como líder.

Este crego devindo em sumo pontífice, a sua afinidade e contacto com os militares genocidas, o serviço secreto do Estado à vez que de tanto em tanto intercedia por algumha vítima seqüestrada pola ditadura, geralmente algum filho "transviado" de um poderoso, o que demonstra o seu total conhecimento do que nessa época acontecia à vez que o seu nível de contactos para o interior do averno militar, um uso de duplo cara que executou com mestria e que à luz do resultado do conclave, pode-se afirmar que ainda nom perdeu as suas manhas.

Maltrador profissional, fustigador daqueles que antepunham o social aos seus interesses imediatos, os seus vínculos com o desaparecimento forçado de pessoas vê-se reforçado por testemunhos como os da teóloga Marina Rubino quem denuncia a Bergoglio por despojar da protecçom que pretendia conceder o bispo de Morón Miguel Raspanti em 1976 aos curas dos pobres Orlando Yorio e Francisco Jalics, por que considerava que corriam perigo; ao pouco tempo foram seqüestrados e torturados. Marina Rubino estudou com os curas Yorio e Jalics e foi coordenadora no colégio Sacro Coraçom de Castelar, província de Bos Aires onde estava a religiosa francesa Leonie Duquet, desaparecida, torturada no centro clandestino de detençom ESMA e chimpada desde um aviom militar ao mar, o seu corpo logo atopado na costa de Santa Teresita. Naqueles sombrios momentos com um uso atroz de humor macabro que desgarra qualquer consciência, os oficiais torturadores adoptavam chamar "as monjas voadoras" às duas religiosas francesas torturadas e tiradas às águas desde as alturas, Leonie Duquet e Alice Domon. Bergoglio adoptava fazer insinuaçons e solapadas ameaças a maneira de conselhos para debilitar a membros de movimentos sociais dentro da Igreja, desbarata-los, como lembra Rodolfo Yorio algo que sentiu como umha ameaça "Vos cuida-te, porque à irmá de Fulano que nom tinha nada que ver seqúestrárom-na e a torturaram", cabe destacar que isto o dizia Francisco I em plena ditadura militar, quando parte da sociedade desconhecia as atrocidades e o carácter abominável da eliminaçom sistemáticas de pessoas, clandestinidade explorada polos genocidas de entom. Os curas seqüestrados, freqüentemente descreviam ao actual Francisco I como umha personagem "ávida de poder".

A delaçom de Francisco

O sacerdote Alejandro Dausa seqüestrado a meses do golpe militar em 1976 que instaura a ditadura, é torturado durante seis meses pola polícia de Córdoba, soltam-no e alcança exiliarse nos EEUU onde se dá conta por organismos de direitos humanos que o cura Jalics reside nesse país, tem certo contacto e em cada oportunidade lembra Dausa: "Como é natural, conversamos sobre os seqüestros respectivos, detalhes, características, antecedentes, sinais prévios, pessoas involucradas, etc. Nessas conversaçons indicou-os que os entregou ou denunciado Bergoglio". Em cartapacio Nº 6328 da justiça sobre o cura Jalics reza: "Jalics, Francisco.- Sacerdote jesuíta, foi seqüestrado o 23 de Maio de de 1976 no Bairro Rivadavia (no limite com a vila do baixo Flores). Estivo prisioneiro em E.S.M.A. e posteriormente numha casa de Dom Torcuato. Foi liberado o 23 de Outubro de 1976 junto ao cregoYorio, sacerdote da mesma Comunidade. Saiu do país.".

A Igreja cúmplice

Francisco I, no ano 2006 edita o seu livro "Igreja e democracia em Argentina" onde prologou "nom devemos ter medo aos documentos", omitindo aspectos craves de um documento que esta guardado nos arquivos da cúria onde ele era arcebispo ao qual tivo acesso o jornalista Horacio Verbitsky; documentos com dimensom reveladora sobre a participaçom central da igreja durante a repressom di em algum das suas passagens "de nengumha maneira pretendemos expor umha posiçom de crítica à acçom de governo (militar)" dado que "um insucesso levaria, com muita probabilidade, ao marxismo", polo qual "acompanhamos ao actual processo de ré-organizaçom do país ("processo de reorganizaçom nacional": assim chamavam os ditadores ao terrorismo de estado)". Em forma explícita menciona a "adesom e aceitaçom" episcopal.

Desestabilizador profissional

Os meses prévios ao golpe de estado de 1976, começou-se gestando um lockout patronal, com a ideia efectiva de desestabilizar ainda mais o governo de Rega-Estela Martinez de Perón, o mesmo modus operandi executaram a direita e a igreja quando o governo nacional durante 2008 tentou aplicar segundo constava no seu plano de governo, a redistribuiçom da riqueza, atendendo à renda obscena que deixava sobretodo a exploraçom soiera e a modo também de reparaçom e ligeira compensaçom polo impacto que deixa o mono cultivo, o uso de agro químicos grandemente tóxicos e a brutal iniquidade estatística de 80% das terras mais produtivas em maos de um 20% concentrado e portanto muito rico. Francisco I, nesses dias, alinhar automaticamente, como era de esperar com o sector concentrado do "campo" escondendo-se detrás de um chamariz que o para passar como de "todo o campo", manipulando a opiniom publica a tal ponto que tivo em alvas ao governo democrático kirchnerista, seguido por cans ofegantes que pretendiam um golpe, talvez mas ao estilo destas épocas, um golpe cívico-eclesiástico- empresarial. Bergoglio reunia-se insistentemente com os representantes das patronais latifundiários, históricos golpistas e oligarcas, sob o nome de “Mesa de ligaçom" fazendo Francisco I as vezes de guia", enquanto por esse lockout dos pooles especuladores de semeia entrava num perigoso desabastecemento Argentina. Os seus sócios ou acólitos do campo VIP enquanto isso tiravam estrondosas quantidades de leite ao costado das estradas numha acçom ominosa pola fame mundial simultaneamente cortava-se o acesso das principais vias provocando falta de medicamentos nas cidades principais que custaram a vida de compatriotas.

Um papa terreal

Se se sustém ideais, costa com dureza reconhecer que a modo de espiral a verdade das cousas termina por cair num centro de gravidade que nom é outra cousa que o dinheiro. Este parágrafo serve de introduçom para o que se desvela ante os olhos como aquilo que em definitiva é do interesse das máfias, afinal de contas mencionar o poder em qualquer das suas formas é umha referência directa ou indirecta ao vil metal, ali, nesse lugar de submetemento simbólico sempre se chega seja um verduleiro ou papa, Bergoglio, Francisco I nom é a excepçom, a tal ponto que aquele que possui obsessivamente o poder à conta de dor de outros fai do pecúlio -sobretodo alheio- o leitmotiv da obra da sua vida. Os mafiosos de toda a raça amam esta lógica e sentem que lhes dá sentido. O ex monge da Companhia de Jesus Mom Debussy denunciou a Bergoglio em 1990 por um faltante de $ 6.000.000 (seis milhons de dólares) provenientes de achegues e doaçons durante a gestom deste como administrador dessa organizaçom católica que nom se registou em livros com a sobreentendida evasom impositiva. Mom Debussy caio no engano no que induzem muitas ordenes aos seus seminaristas, o acto solene do "voto de pobreza", para acentuar a coerência espera-se que os bens possuídos polos discípulos provenientes da sua vida mundana sejam entregues em oferenda, podem ser os que se originam no esforço do trabalho ou bens herdados; é o que lhe sucedeu a Debussy, com um passado familiar folgar herda do seu avô o equivalente a um departamento de três ambientes no selecto enclave de La Recoleta em Bos Aires, contado por ele mesmo: "Quando morreu o meu avô, a herança repartiu-se entre as minhas duas irmás e eu. Entreguei-lhe o meu parte a Bergoglio, no seu gabinete do Colégio Máximo, em bilhetes, e nem sequer deu-me um recebo", di. Quando se retirou da Companhia soubo polo provincial Zorzín que também nom o registou nos livros contáveis da Cúria Provincial. Entre 1988 e 1989, Zorzín devolveu-lhe 7300 dólares, em três entregas. O retorno ao mundo real de Debussy estivo infestado de privaçons quem tivo que oficiar de pintor, empregado, até chegar a hoje que vive em casal e trabalha como acompanhante terapêutico.

Di numha nota que lhe fizérom ao ex novicio: «No momento da demissom deveria restituir-se íntegro esse e qualquer outro dinheiro que fosse depositado na conta. "De saber a existência da conta e dos fundos, nom esperaria quase quatro anos para demitir", di Mom Debussy ... Bergoglio deixou umha contabilidade "infestada de omissons e ocultamentos de ingressos (doaçons de particulares e achegues da Cúria Geral da Companhia, da Igreja alemá e do Estado Nacional destinados ao sustimento dos noviços e estudantes jesuítas). Por auditorias internas e recolecçom de dados entre doadoras e aportantes, calculavam um faltante de quase seis milhons de dólares".»

Uns parágrafos adiante, um tanto mais desgarrador, Mom Debussy escreve que deveu suportar "opressom, falsidade e desprezo". O seu ingresso à Companhia e a sua ordenaçom sacerdotal foram erros influenciados “pola minha falta de liberdade e a opressom "paternal" e "lavagem de cérebro" provocados com o consentimento da minha debilidade, confusom e temor à soidade e o desprezo do p. Bergoglio", a quem "considero um doido no melhor dos casos e umha má pessoa em muitos outros". Depois de dous anos de afastamento, nos que "pudem conhecer-me melhor, sentir-me um ser humano e um ser livre", Mom Debussy di que "prefiro este mundo pecador, onde os corruptos nom passam por virtuosos, ou ao menos, buscando fama, dinheiro e poder, nom se escondem detrás de profissons de pobreza nem proclamam a virtude suprema da caridade, enquanto impunemente destroem a outros seres humanos, tam filhos de Deus como eles. Fora da ilha eclesiástica as cousas som chamadas polo seu nome e finalmente ninguém engana a ninguém".

Finaliza a nota com umha pérola numha sorte de síntese que descreve à personagem Francisco I: Quando Ubaldo Calabresi sucedeu como Núncio apostólico a Laghi, em 1981, Bergoglio levou-o ao Máximo e convidou-no a celebrar a missa em latim (em flagrante atitude conservadora e excluí-te). "Ninguém percebeu nada", di Mom Debussy. Quando o seu colega Jorge Seibold foi designado Reitor de Filosofia da sede Sam Miguel da Universidade do Salvador, Bergoglio fai-no se ajoelhar na capela do Máximo e dizer o juramento contra o modernismo que Pio X estabeleceu em 1910 e que estava em completo desuso. (O conteúdo desse juramento é muito similar aos questionamentos do cardeal António Caggiano ao Movimento de Sacerdotes para o Terceiro Mundo). "Bergoglio jactava-se de obrigá-lo a esse juramento, e um dos seus livros de cabeceira era O Príncipe de Maquiavelo", lembra Mom Debussy.

Um papa muito paternal

A trama de impunidade, cumplicidade e silêncios da Igreja com a ditadura nom é nengumha novidade, há pouco o próprio genocida Videla dava conta disso. Bergoglio, Francisco I, tivo que declarar como testemunha por pedido do Tribunal Oral e Federal polo plano sistemático de subtracçom de bebés que eram arrincados das suas maes em cativeiro as quais sofriam compridas sessons de tormentos próprios do medievo. Ainda que utilizou a prerrogativa que lhe dava o benefício como alto cargo da Igreja de nom fazê-lo nos julgados, o que constituiu um facto agre para a consciência colectiva sobre o terrorismo de estado. Foi convocado e declarou por escrito na sede da cúria da capital em qualidade de testemunha a partir do testemunho de Estela de la Cuadra, filha de umha das fundadoras de Aboas da Praça de Maio, quem ademais segue buscando à sua sobrinha, Ana. Francisco I estava ao tanto, conta Estela, quem o entrevistou para que intercedesse na procura da sua sobrinha nada num centro clandestino de detençom. Por escrito e desde um gabinete eclesiástico, o entom cardeal fujo assim mais umha vez da justiça. Os arquivos desclassificados complicam e implicam ao actual papa relacionando com o seqüestro dos seus discípulos jesuítas. Existe umha constelaçom de factos relacionados a Bergoglio e o seu escuro passado e presente, como o desaparecimento de sete catequistas militantes da Mocidade Peronista, entre os quais havia duas grávidas que passaram polo emblema da tortura, a ESMA.

Conclusom

Se queredes chegar a papa e ostentar poder sem arriscar um cêntimo, pois já sabedes filhos meus o que tendes que fazer.

Referências:

http://www.pagina12.com.ar/diário/ultimas/20-167837-2011-05-09.html

http://www.desaparecidos.org/arg/conadep/nuncamas/353.html

http://www.pagina12.com.ar/diário/elpais/1-144965-2010-05-02.html

http://tiempo.infonews.com/notas/revelam-que-ditadura-bergoglio-sábia-de-as-apropiaçoms-de-bebes

http://www.pagina12.com.ar/diário/elpais/subnotas/1-46189-2010-04-11.html

Fonte: http://pachakutiq.com.ar/notícias.php"ide=2017

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Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Um terrorista no Cortelho Vaticano

Um Ersatz

Por Horacio Verbitsky

http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-215796-2013-03-14.html

Entre as centenas de chamados telefónicos e correios recebidos, elejo um. "Nom o podo acreditar. Estou tam angustiada e com tanto boureio que nom sei que fazer. Alcançou o que queria. Estou a ver a Orlando na sala de jantar de casa, já há uns anos, dizendo "ele quer ser Papa". É a pessoa indicada para tampar a podremia. É o perito em tampar. O meu telefone nom para de soar, Fito falou-me chorando." Assina-o Graciela Yorio, a irmá do sacerdote Orlando Yorio, quem denunciou a Bergoglio como o responsável polo seu seqüestro e das torturas que padeceu durante cinco meses de 1976. O Fito que a chamou desconsolado é Adolfo Yorio, o seu irmao. Ambos dedicárom muitos anos da sua vida a continuar as denúncias de Orlando, um teólogo e sacerdote terceiro-mundista que morreu em 2000 sonhando o pesadelo que ontem se fixo realidade. Três anos antes, o seu incubo fora designado arcebispo coadjutor de Bos Aires, o qual pré-anunciava o resto.

Orlando Yorio nom chegou a conhecer a declaraçom de Bergoglio ante o Tribunal Oral Federal 5. Ali dixo que recentemente soubo da existência de bebés roubados depois de terminada a ditadura. Mas o Tribunal Oral Federal 6, que julgou o plano sistemático de roubo de filhos de presos-desaparecidos, recebeu documentos que indicam que já em 1979 Bergoglio estava bem ao tanto e intervéu ao menos num caso a solicitude do superior geral, Pedro Arrupe. Depois de escutar o relato dos familiares de Elena da Cuadra, seqüestrada em 1977, quando atravessava o quinto mês de gravidez, Bergoglio entregou-lhes umha carta para o bispo auxiliar da Prata, Mario Picchi, pedindo-lhe que intercedera ante o governo militar. Picchi pesquisou que Elena dera a luz umha menina, que foi presenteada a outra família. "Tem-na um casal bem e nom há voltada atrás", informou à família. Ao declarar por escrito na causa da ÉSMA, polo seqüestro de Yorio e do também jesuíta Francisco Jalics, Bergoglio dixo que no arquivo episcopal nom havia documentos sobre os presos-desaparecidos. Mas quem o sucedeu, o seu actual presidente, José Arancedo, enviou à juíza Martina Forns cópia do documento que publiquei aqui, sobre a reuniom do ditador Videla com os bispos Raúl Primatesta, Juan Aramburu e Vicente Zazpe, na que falaram com extraordinária franqueza sobre dizer ou nom dizer que os presos-desaparecidos foram assassinados, porque Videla queria proteger a quem os mataram. No seu clássico livro Igreja e ditadura, Emilio Mignone mencionou-o como paradigma de "pastores que entregaram as suas ovelhas ao inimigo sem defendê-las nem resgatá-las". Bergoglio contou-me que numha das suas primeiras missas como arcebispo divisou a Mignone e tentou se achegar para dar-lhe explicações, mas que o presidente fundador do CELS alçou a mao indicando-lhe que nom avançasse.

Nom estou seguro de que Bergoglio fosse eleito para tampar a podremia que reduziu à impotência a Joseph Ratzinger. As lutas internas da cúria romana seguem umha lógica tam inescrutável que os factos mais escuros podem atribuir ao espírito santo, já sejam os manejos financeiros polos que o Banco do Vaticano foi excluído do clearing internacional porque nom cumpre com as regras para controlar a lavagem de dinheiro, ou as práticas pedófilas em quase todos os países do mundo, que Ratzinger encobriu desde o Santo Oficio e polas que pediu perdom como pontífice. Nem sequer estranhar-me-ia que, brocha em maos e com os seus sapatos gastados, Bergoglio empreendesse umha cruzada moralizadora para branquear os sepulcros apostólicos.

Mas o que tenho por seguro é que o novo bispo de Roma será um Ersatz, essa palavra alemá à que nengumha traduçom fai honra, um sucedáneo de menor qualidade, como a água com farinha que as maes indigentes usam para enganar a fame dos seus filhos. O teólogo brasileiro da libertaçom Leonardo Boff, excluído por Ratzinger do ensino e do sacerdócio, tinha a ilusom de que fosse eleito o franciscano de devanceiros irlandeses Sean O'Malley, que carrega com a diocese de Boston, crebada por tantas indemnizaçons que pagou a crianças violados por sacerdotes. "Trata de umha pessoa muito vinculada aos pobres porque trabalhou muito tempo na América do Norte Latina e as Caraíbas, sempre no meio dos pobres. É um sinal de que pode ser um papa diferente, um papa de umha nova tradiçom", escreveu o ex sacerdote. Na Cadeira Apostólica nom sentará um verdadeiro franciscano senom umha jesuíta que se fará chamar Francisco, como o pobrinho de Agarrais. umha amiga argentina, escreve-me azorada desde Berlim que para os alemans, que desconhecem a sua história, o novo papa é terceiromundista. Miúda confusom.

A sua biografia é a de um populista reaccionário, como o fôrom Pio XII e Joám Paulo II: inflexíveis em questoes doutrinarias mas com umha abertura para o mundo, e sobretodo, para as massas despojadas. Quando reze a sua primeira missa numha rua do Trastevere ou na Stazione Termini de Roma e fale das pessoas exploradas e prostituídas polos poderosos insensíveis que fecham o seu coraçom a Cristo; quando os jornalistas amigos contem que viajou em subte ou colectivo; quando os fiéis escutem as suas homilias recitadas com os gestos de um actor e nas que as parábolas bíblicas coexistem com a fala chá do povo, haverá quem delirem pola almejada renovaçom eclesiástica. No três lustros que leva à frente da Arquidioceses portense fixo isso e bem mais. Mas ao mesmo tempo tentou unificar a oposiçom contra o primeiro governo que em muitos anos adoptou umha política favorável a esses sectores, e acusou-o de crispado e confrontativo porque para fazê-lo deveu lidar com aqueles poderosos fustigados no discurso.

Agora poderá fazê-lo noutra escala, o qual nom quer dizer que se esqueça da Argentina. Se Pacelli recebeu o financiamento da Inteligência estadounidense para apontoar à democracia cristá impedir a vitória comunista nas primeiras eleições da post-guerra e se Wojtyla foi o aríete que abriu o primeiro oco no muro europeu, o papa argentino poderá cumprir o mesmo rol em escala latino-americana. A sua passada militância em Guarda de Ferro, o discurso populista que nom esqueceu, e com o que poderia mesmo adoptar causas históricas como a das Malvinas, habilitam-no para disputar a orientaçom desse processo, para apostrofar aos explotadores e predicar mansidade aos explorados.

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