15-02-2014

  16:21:35, por Corral   , 1494 palavras  
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: A Ucrânia e o renascimento do fascismo na Europa

por Eric Draitser [*]

A violência nas ruas da Ucrânia é muito mais do que uma manifestação da ira popular contra um governo. É, ao invés, simplesmente o exemplo mais recente da ascensão da mais insidiosa forma de fascismo que a Europa já viu desde a queda do Terceiro Reich.

Os últimos meses assistiram a protestos regulares da oposição política ucraniana e seus apoiantes ? protestos ostensivamente em resposta à recusa do presidente Yanukovich a assinar um acordo comercial com a União Europeia, encarado por muitos observadores políticos como o primeiro passo rumo à integração europeia. Os protestos foram razoavelmente pacíficos até 17 de Janeiro, quando manifestantes armados com paus, capacetes e bombas improvisadas desencadearam uma violência brutal sobre a polícia, atacando edifícios governamentais, batendo em quem fosse suspeito de simpatias pelo governo e provocando destruição generalizada nas ruas de Kiev. Mas quem são estes extremistas violentos e qual é a sua ideologia?

A formação política conhecida como "Pravy Sektor" (Sector Direita) é basicamente uma organização chapéu para um certo número de grupos ultra-nacionalistas (ler fascistas) incluindo apoiantes do Partido "Svoboda" (Liberdade), "Patriotas da Ucrânia", "Ukrainian National Assembly ? Ukrainian National Self Defense" (UNA-UNSO) e "Trizub". Todas estas organizações partilham uma ideologia comum que entre outras coisas é veementemente anti-russa, anti-imigrantes e anti-judia. Além disso, partilham uma reverência comum pela chamada "Organização de Nacionalistas Ucranianos" liderada por Stepan Bandera, os infames colaboradores dos nazis que combateram activamente contra a União Soviética e cometeram algumas das piores atrocidades da II Guerra Mundial.

Apesar de forças políticas ucranianas, oposição e governo, continuarem a negociar, uma batalha muito diferente está a ser travada nas ruas. Utilizando intimidação e força bruta mais típica dos "Camisas castanhas" de Hitler ou dos "Camisas negras" de Mussolini do que de um movimento político contemporâneo, estes grupos conseguiram transformar um conflito sobre política económica e alianças políticas do país numa luta existencial pela própria sobrevivência da nação que estes assim chamados "nacionalistas" afirmam amar tão ardentemente. As imagens de Kiev a queimar, as ruas de Lvov cheias de brutamontes e outros exemplos assustadores do caos no país ilustram sem sombra de dúvida que a negociação política com a oposição do Maidan (a praça central de Kiev e centro dos protestos) já não é a questão central. É, antes, a questão de apoiar ou rejeitar o fascismo ucraniano.

Pelo seu lado, os Estados Unidos lançaram-se no lado da oposição, sem considerar o seu carácter político. No princípio de Dezembro, membros do establishment dirigente dos EUA, tais como John McCain e Victoria Nuland, foram vistos no Maidan a apoiar os manifestantes. Entretanto, quando nos últimos dias o carácter da oposição se tornou evidente, os EUA e a classe dominante ocidental e sua máquina dos media pouco fizeram para condenar o levantamento fascista. Ao invés disso, seus representantes encontraram-se com representantes do Sector Direita e consideraram que não eram "ameaça". Por outras palavras, os EUA e seus aliados deram aprovação tácita à continuação e proliferação da violência em nome do seu objectivo final: a mudança de regime.

Numa tentativa de arrancar a Ucrânia da esfera de influência russa, a aliança EUA-UE-NATO aliou-se, não pela primeira vez, com fascistas. Naturalmente, durante décadas, milhões na América Latina foram desaparecidos ou assassinados por forças militares fascistas armadas e apoiadas pelos Estados Unidos. Os mujahideen do Afeganistão, os quais depois transmutaram-se na Al Qaeda, também reaccionários ideológicos extremos, foram criados e financiados pelos Estados Unidos com o objectivo de desestabilizar a Rússia. E naturalmente há a penosa realidade da Líbia e, mais recentemente da Síria, onde os Estados Unidos e seus aliados financiam e apoiam extremistas jihadistas contra um governo que se recusa a alinhar com os EUA e Israel. Há um padrão perturbador aqui que não tem sido compreendido por observadores políticos: os Estados Unidos sempre fazem causa comum com extremistas de direita e fascistas para ganho geopolítico.

A situação na Ucrânia é profundamente perturbadora porque representa uma conflagração política que poderia muito facilmente dilacerar o país menos de 25 anos depois de se tornar independente da União Soviética. Contudo, há outro aspecto igualmente perturbador na ascensão do fascismo naquele país ? ele não está só.

Ameaça fascista por todo o continente

A Ucrânia e a ascensão do extremismo de direita não pode ser vista, muito menos entendida, isoladamente. Deve, ao invés, ser examinada como fazendo parte de uma tendência crescente através da Europa (e na verdade do mundo) ? uma tendência que ameaça os próprios fundamentos da democracia.

Na Grécia, a austeridade selvagem imposta pela troika (FMI, BCE e Comissão Europeia) arruinou a economia do país, levando a uma depressão tão má, se não pior, quanto a Grande Depressão nos Estados Unidos. É contra este pano de fundo do colapso económico que o partido Aurora Dourada cresceu até se tornar o terceiro maior partido político do país. Esposando uma ideologia de ódio, o Aurora Dourada ? efectivamente um partido nazi que promove o chauvinismo anti-judeu, anti-imigrante e anti-mulher ? é uma força política que o governo de Atenas entendeu ser uma grave ameaça ao próprio tecido da sociedade [NR] . Foi esta ameaça que levou o governo a deter a liderança do partido depois de um nazi da Aurora Dourada ter esfaqueado um rapper anti-fascistas. Atenas lançou uma investigação ao partido, embora os resultados desta investigação e o processo permaneçam pouco claros.

O que torna o Aurora Dourada uma ameaça tão insidiosa é o facto de que, apesar da sua ideologia central nazista, sua retórica anti-UE e anti-austeridade atrai muita gente na Grécia economicamente devastada. Tal como muitos movimentos fascistas no século XX, o Aurora Dourada transforma em bodes expiatórios os imigrantes, muçulmanos e africanos por muitos dos problemas que os gregos enfrentam. Em circunstâncias económicas terríveis, tal ódio irracional torna-se atraente; uma resposta à questão de como resolver problemas da sociedade. Na verdade, apesar de líderes do Aurora Dourada estarem presos, outros membros do partido ainda estão no parlamento, ainda concorrem a funções como à presidência de Atenas. Embora uma vitória eleitoral seja improvável, outra mostra de força nas eleições tornará muito mais difícil a erradicação do fascismo na Grécia.

Se este fenómeno estivesse confinado à Grécia e à Ucrânia, ele não constituiria uma tendência continental. Contudo, tristemente vemos a ascensão, embora menos abertamente fascista, de partidos políticos por toda a Europa. Na Espanha, o Partido do Povo, governante e pró austeridade, avançou com leis draconianas restringindo o protesto e a liberdade de palavra, bem como fortalecendo e aprovando tácticas policiais repressivas. Em França, o partido da Frente Nacional, de Marine Le Pen, que veementemente transforma imigrantes muçulmanos e africanos em bodes expiatórios, ganhou aproximadamente vinte por cento dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais. Analogamente, na Holanda, o Partido pela Liberdade ? que promove políticas anti-muçulmanas e anti-imigrantes ? cresceu a ponto de se tornar o terceiro maior partido no parlamento. Por toda a Escandinávia, partidos ultra-nacionalistas que outrora totalmente irrelevantes e obscuros são agora actores significativos em eleições. Estas tendências são preocupantes, para dizer o mínimo.

Também deveria ser observado que, para além da Europa, há um certo número de formações políticas quase-fascistas que são, de uma maneira ou de outra, apoiadas pelos Estados Unidos. O golpe de direita que derrubou os governos do Paraguai e de Honduras foram tacitamente e/ou abertamente apoiados por Washington no seu objectivo aparentemente infindável de suprimir a esquerda na América Latina. Naturalmente, também deveria ser lembrado que o movimento de protestos na Rússia foi encabeçado por Alexei Navalny e seus seguidores nacionalistas que adoptam uma ideologia racista e anti-muçulmana que encara imigrantes do Cáucaso russo e de outras antigas repúblicas soviéticas como inferiores a "russos europeus". Estes e outros exemplos pintam um retrato muito feio de uma política externa estado-unidense que tenta utilizar a adversidade económica e a reviravolta política para estender a hegemonia dos EUA por todo o mundo.

Na Ucrânia, o "Sector Direita" retirou o combate da mesa de negociação para as ruas numa tentativa de cumprir o sonho de Stepan Bandera ? uma Ucrânia livre da Rússia, de judeus e de outros vistos como "indesejáveis". Animatdo pelo apoio contínuo dos EUA e da Europa, estes fanáticos representam uma ameaça mais grave para a democracia do que Yanukovich e o governo pró russo. Se a Europa e os Estados Unidos não reconhecem esta ameaça no seu início, quando o fizerem poderá ser demasiado tarde.
31/Janeiro/2014

Ver também:
O movimento anti-UE propaga-se por toda a Europa ... excepto na Ucrânia
Ucrânia: "A opção europeia será também a opção militar a favor da NATO"
Washington Collaborates with Ukrainian Neo-Nazis
Ukraine ?Color Revolutions?: At the Crossroads of Euro-Atlantic and Eurasian Power Politics

[NR] É muito discutível que o actual governo de Atenas tenha esse entendimento. A sua atitude é, antes, de conivência passiva e omissão. Forças policiais gregas pouco ou nada fazem para reprimir o Aurora Dourada, só actuando em casos extremos.

[*] Fundador do StopImperialism.com , analista geopolítico independente residente em Nova York, ericdraitser@gmail.com .

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/ukraine-and-the-rebirth-of-fascism-in-europe/5366852

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

08-02-2014

  22:44:54, por Corral   , 669 palavras  
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: A filha menor do Rei tomou-os o pelo a todos e confirmou que a Família Real nom é de fiar

http://www.elplural.com/

Por Fernando de Silva

No "dia D" para a Infanta Cristina, cumpre-se o guiom previsto, e assistimos à negaçom da evidência

Com a presença de muitas bandeiras republicanas, sem surpresas, com um desdobramento policial inaudito e desproporcionado, que nos custará aos contribuintes muitos milhares de euros, a imputada Infanta Cristina acedeu ao Julgado de Palma em carro, privilégio do que se encontram privados o resto dos mortais. Trata-se de brinda-la e escondê-la para impedir que possa ser legitimamente reprochada por quem duvidam da sua inocência, que nom som outros que muitos dos sofridos cidadaos que sentem escandalizados pola corrupçom generalizada, e que afecta de forma especial à Família Real. Muito logo teve lugar o seu segundo privilégio, ao nom passar polo arco de segurança, como é de obrigado cumprimento para todos os que acedem ao interior de um Julgado.

Mas nom acabam aqui as concessons especiais porque, à margem dos exaustivos registros para impedir a existência tabletas e telemóvel no interior da Sala, decidiu-se que a sua declaraçom só possa ser gravada em áudio, impedindo que o vídeo, que se utiliza habitualmente neste tipo de actuaçons judiciais, possa reflectir a linguagem do rosto, que tanto pode delatar a quem mente com a palavra mas é incapaz de dissimulado com os seus gestos. Precisamente para dar mais autenticidade às declaraçons, a que fosse Ministra de Justiça, Margarida Marechal de Gante, introduziu há anos na justiça a gravaçom em vídeo, da que inexplicavelmente se livra agora a Infanta Cristina.

Nom pudemos ver à Infanta mais de cinco segundos, mas foi capaz de saudar aos jornalistas com um sorriso forçado e nervoso, imprópria de quem sente inocente. Isso sim, aos cidadaos se impediu achegar-se a menos de 100 metros da porta do Julgado, o que resulta inaudito num estado democrático, ainda que sim se pudérom escutar os berros de indignaçom ao longe. E nom é bom, senom todo o contrário, que una membro da Família Real esquive a presença dos seus súbditos, ou lacaios, porque isso é no que nos convertérom, que alimentárom durante anos os seus caprichos e alto nível económico. O único detalhe de normalidade que se viu é a chegada do Juiz Castro, que acudiu ao Julgado em moto, como nele é habitual.

A Infanta, seguindo o guiom, ante o exaustivo interrogatório de 400 perguntas ao que foi submetida polo juiz Castro durante mais de duas horas e média, limitou-se a negar a sua participaçom em Nóos e Aizoon com respostas evasivas, assumindo o papel de esposa parva e submissa, que nom se dava conta de nada, e que nunca se perguntava como era possível manter um nível de vida incompatível com os ingressos do casal. Isso sim, foi explícita à hora de insistir em que ?eu confiava no meu marido?, o que resulta contraditório com o feito de nom interpretar o papel de esposa enganada e defraudada polo seu esposo, com o que convive dentro da normalidade e mantém umha evidente cumplicidade. Também nom se comprometeu a devolver o dinheiro, que agora já sabe era de procedência ilícita, o que demonstra que nom tem um pêlo de parva.

Dando por suposto que se negará a contestar as perguntas das acusaçons, que o Fiscal se limitará a ocupar um papel testemunhal, e que as respostas às perguntas do seu advogado de jeito nengum a comprometérom, nem tam sequer é necessário esperar no final da sua declaraçom para extrair as conclusons finais.

Em resumo, hoje a Infanta Cristina, acolhendo-se ao seu direito a nom declarar contra sim mesma, tomou-nos o pêlo a todos, e confirmou que a Família Real nom é de fiar. Durante anos investiu-se muito dinheiro público na sua preparaçom, que se supom é superior à ignorância demonstrada esta mesma manhá, polo que os cidadaos sentir enganados mais umha vez por umha família que vive à conta dos nossos impostos. Parece evidente que, seja qual for a decisom judicial final, a monarquia está hoje ainda mais desprestigiada e tem os dias contados neste país, polo bem da decência colectiva.

06-02-2014

  00:25:47, por Corral   , 226 palavras  
Categorias: Novas

CANTA O MERLO: A ONU denuncia ao Vaticano por permitir aos sacerdotes violar a milhares de crianças

http://actualidad.rt.com/

A ONU denunciou ao Vaticano por permitir "sistematicamente" aos sacerdotes violar a milhares de crianças, informa a corrente BBC.

A organizaçom mundial também exigiu ao Vaticano "expulsar de imediato" aos clérigos suspeitos de abusar sexualmente a menores.

O Comité de Direitos Humanos da ONU criticou a adopçom por parte do Vaticano de políticas que permitiram aos sacerdotes violar e abusar sexualmente a dezenas de milhares de crianças, e instou a abrir os arquivos vaticanos sobre os pedófilos e os eclesiásticos que ocultavam os seus delitos.

No seu relatório, emitido nesta quarta-feira, o comité da ONU também criticou fortemente à S. Sé polas suas atitudes para a homosexualidade, a anticoncepçom e o aborto e instou-a a rever as suas políticas para garantir os direitos das crianças e o seu acesso à atençom sanitária.

O comité emitiu as suas recomendaçons depois de submeter o Vaticano a um interrogatório o mês passado sobre a aplicaçom da Convençom da ONU sobre os Direitos da Criança, o principal tratado internacional que garante os direitos de menores.

Por sua parte, o serviço de imprensa da Santa Sé publicou um comunicado na sua página web oficial no que afirma que o Vaticano "terá em conta" o relatório, mas assegura que "alguns artigos do documento som umha tentativa de interferir nos ensinos da Igreja católica sobre a dignidade humana e a liberdade religiosa".

25-01-2014

  23:34:08, por Corral   , 609 palavras  
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O pragmatismo terrorista do império

http://www.odiario.info/

por José Goulao

A Turquia está a braços com um caso de alta corrupção governamental. Trata-se nem mais nem menos do canal através do qual milhares de milhões de dólares são enviados para a Al-Quaeda, o expoente máximo ? segundo os EUA ? do terrorismo mundial. Quer dizer: expoentes da NATO financiam um grupo que se destaca na guerra contra a Síria enquanto a estrutura sustentada pela rede da NATO o combate no Iraque.

A vaga de instabilidade política na Turquia decorrente de um caso de alta corrupção governamental não é assunto que nos seja alheio.
A Turquia é, há muito, um pilar estratégico da NATO e nem as mais cruéis ditaduras militares fascistas dissuadiram a aliança, tão luminoso farol da democracia, de manter estreitos laços com Ancara.

A Turquia é um candidato à União Europeia e sejamos claros: a razão para não integrar ainda o grupo não se relaciona com as suas insuficiências democráticas mas sim porque os interesses que mandam na congregação não se entendem quanto às consequências económicas, migratórias, e até religiosas, da adesão de mais um grande país.

Além disto, o actual escândalo turco é expressão - e prova ? de comportamentos muito mais graves de gentes de quem depende a vida no planeta.

O caso tem sido abafado mas nem a vocação censória global consegue ter êxito a cem por cento. Inicialmente explicou-se o escândalo e a revolta popular contra o governo islamita pela existência de negócios ilegais e clandestinos de milhões de dólares entre círculos do executivo turco e instituições petrolíferas iranianas, violando as sanções internacionais contra Teerão. Isto é verdade; porém, não passa de uma ínfima parte da verdade.

O que a polícia de investigação e a magistratura turca puseram à luz do dia foi o canal através do qual círculos do governo turco, envolvendo o próprio primeiro-ministro, encaminham centenas de milhões de dólares para a Al Qaida. Não, não é engano: o governo da Turquia, pilar estratégico da NATO, financia o expoente máximo do terrorismo mundial, todos os dias demonizado em Washington e outras capitais como a causa da maioria dos males no planeta e arredores.

Acontece que o primeiro ministro da Turquia, o Sr. Erdogan, é amigo do Sr. Yassin al-Qadi, um banqueiro saudita, alta figura da Irmandade Muçulmana, também amigo do Sr. Cheney, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, e conhecido pelo FBI como ?o tesoureiro da Al Qaida?. A espionagem interna norte-americana tem obrigação de saber do que fala uma vez que o Sr. Al-Qadi viveu em Chicago, onde foi proprietário da empresa de informática Ptech, fornecedora de software para a aviação civil dos Estados Unidos por alturas do 11 de Setembro de 2001. Também segundo o FBI, o ?Tesoureiro da Al Qaida? foi, antes disso, financiador, quiçá um dos responsáveis, dos atentados nas embaixadas norte-americanas na Quénia e na Tanzânia, em 1998.

Poderia continuar a desenrolar o novelo de cumplicidades, mas é mais importante reter neste momento que o canal de financiamento entre o Sr. Erdogan/Turquia/NATO e o ?tesoureiro da Al Qaida? abastece prioritariamente a guerra internacional contra a Síria mantida através de uma miríade de grupos terroristas onde o de maior capacidade operacional é o ramo da organização fundada por Bin Laden designado ?Estado Islâmico do Iraque e do Levante?. Por sinal a mesma entidade que tomou conta da cidade de Fallujah, no Iraque, onde é combatida pelo exército iraquiano e respectivos operacionais norte-americanos.

Assim sendo, expoentes da NATO financiam um grupo que se destaca na guerra contra a Síria enquanto a estrutura sustentada pela rede da NATO o combate no Iraque. Todas as grandes famílias têm as suas desavenças, até a família terrorista imperial. Também há quem lhe chame ?pragmatismo.?

  21:19:27, por Corral   , 1016 palavras  
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: A questão do Estado operário no marxismo

http://port.pravda.ru/

O texto de György Lukács, "O Estado como arma" , entra, de forma seminal, no debate sobre os conselhos operários apresentando uma posição: o cenário da luta de classes cresce e compreende o conjunto desbloqueado dos espaços onde ela pode se revelar, contribuindo, assim, para explodir as cidadelas do Estado e suas fronteiras. Na posição de Lukács, agora se luta contra o Estado, mas também o Estado se manifesta enquanto "arma da luta de classes".

Milton Pinheiro

O filósofo húngaro localiza em Marx e Engels, distanciando-os dos oportunistas da Segunda Internacional, a tese de que a questão do Estado é extremamente relevante para as possibilidades da re¬volução proletária, utilizando-se dessa abordagem como referencial para enfrentar a "essência revolucionária" de sua época. Lukács qualificou os pensadores reformistas do período em questão como sendo aqueles que capitularam ao modelo de Estado desenvolvido na sociedade burguesa, e essa crítica se dirige essencialmente a Kautsky e a Bernstein.

Neste texto inédito encontramos, ainda, a notável influência de Lenin. Lukács reconhece a relação teórica daquele com Marx na interpretação de uma "posição proletário-revolucionária sobre o problema do Estado", salientando que Lenin não fez uma abstração sobre a questão, mas levantou o problema a partir das tarefas dos trabalhadores que faziam o enfrentamento na luta de classes, tendo como eixo central a direção da tomada do poder.

Na interpretação de Lukács, Lenin rompeu com o programa de uma teoria geral do Estado baseada em postulados diletantes e, pautado pelas análises concretas feitas por Marx sobre a Comuna de Paris, avançou no debate sobre a questão do Estado, como afirmei, a partir das con¬tradições do momento histórico em que as lutas do proletariado se projetavam em um cenário em aberto. Transparece nos estudos de Marx, Engels e, principalmente, em Lenin - chamado à aten-ção por Lukács - que a questão do Estado é o objetivo que deve movimentar os trabalhadores nas tarefas cotidianas, e não apenas quando se apresentar o "objetivo final".

Para Lukács, Lenin deu a importância devida ao papel do Estado no tempo presente, o que contribuía para educar os traba¬lhadores em sua luta pelo poder. Mas isso ocorria, principalmente, porque ele acentuava em suas análises o papel do "Estado como arma da luta de classes". Nessa contenda sobre o Estado, Lukács avança, antecipando um grande debate contemporâneo, ao sinalizar que os instrumentos de luta em curso (partido, sindicato e cooperativas) são, já naquele momento, "insuficientes para a luta revolucionária do proletariado". A perspectiva projetada pelo autor é a construção de uma representação que unifique todo o proletariado às amplas massas, ainda dentro da sociedade burguesa, para pôr a revolução "na ordem do dia" - e, para ele, esse instrumento seria os conselhos operários.

Nas formulações de G. Lukács, os conselhos aparecem como "organização de toda a classe". Eles devem agir para desorganizar "o aparelho de Estado burguês". Nessa conjuntura de desorgani¬zação, eles, enquanto representação de classe, deverão entrar em choque com a possível tentativa da burguesia de impor uma ampla repressão para recompor seu poder.

É diante desse cenário que os conselhos operários se apresentam como aparelhos de Estado na perspectiva da "organização da luta de classes". A partir de sua aná¬lise sobre a Rússia em 1905, os conselhos "são um contragoverno" que enfrenta o "poder estatal da burguesia".

É importante salientar ainda a crítica de Lukács a Martov: este último compreende os conselhos "como um órgão de luta", sem necessariamente transformar-se em aparelho de Estado, enquanto, para o primeiro, essa posição afastaria os trabalhadores da revolução e da "real conquista do poder pelo proletariado".

Nesse debate, surge uma polêmica sobre o papel do sindicato e do partido. Lukács criticou aqueles que queriam substituir de forma permanente esses dois instrumentos pelos conselhos, confundindo o entendimento do que seja, ou não, uma situação revolucionária. Ele afirma que o conselho operário, enquanto aparelho de Estado, "é o Estado como arma na luta de classes do proletariado".

Mas, para fazer a defesa dessa posição leniniana, Lukács ataca o reformis¬mo oportunista e sua "capitulação ideológica à burguesia". Ainda nesse debate, critica a ideia de democracia da social-democracia e seu projeto de "agitação pacífica" para a modificação da sociedade de forma não revolucionária, ao considerar que, para se chegar ao socialismo, as ideias dos trabalhadores irão num crescendo até a conquista do poder.

Os reformistas se mantêm no campo da "democracia pura, formal", e se iludem com o voto do cidadão abstrato, considerado por Lukács como "átomos isolados do todo estatal", na contramão das pessoas concretas, "que assumem um lugar na produção social, que seu ser social (que articula o seu pensamento etc.) é determi¬nado por essa posição".

Dentro dessa temática (democracia), o crítico húngaro identifica o "domínio minoritário da burguesia" na "desorganização ideológica" para transformar a democracia pura e formal em um instrumento de regulação da vida social. Para responder a essa situação (desorganização), os conselhos devem ser reconhecidos como o "poder de Estado do proletariado", ao passo que avançam para destruir "a influência material e ideológica da burguesia" sobre as massas. Garantir o contrafogo ideológico é contribuir para o surgimento de condições de direção do prole¬tariado "no período de transição". Agora o proletariado, tendo os conselhos como sistema de Estado, deve marchar para continuar destruindo a burguesia em todas as suas frentes.

Neste sentido, o sistema de conselhos, agindo de forma edu¬cativa e autônoma, deve incentivar uma participação que articule "uma unidade indivisível entre economia e política, ligando, desse modo, a existência imediata das pessoas, os seus interesses cotidia¬nos etc. com as questões decisivas da totalidade" e contribuindo assim para evitar a burocratização. Para Lukács, esse movimento do sistema de conselhos e do Estado proletário "é um fator decisivo na organização do proletariado em classe", permitindo que, agora, o tornar-se consciente e classe para si se efetive.

Para Lukács, com base em Lenin, o Estado proletário é aber¬tamente um Estado de classe, sem a farsa montada pela burguesia para transformar seu Estado em Estado de todos. Mais uma vez, esse debate teórico demonstra que a atualidade da revolução ainda hoje passa pela problemática do Estado e do socialismo. Portanto, os conselhos operários estão na gênese dessas possibilidades.

23-01-2014

  08:07:00, por Corral   , 535 palavras  
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: A familia Aznar fai-se de ouro graças à agenda de papai e a hipotecas "a preço de saldo"

http://www.elplural.com/

O Aznar ?Novo? fai-se de ouro graças à agenda de papai e a hipotecas "a preço de saldo"

O primogénito do ex-presidente é conselheiro da sociedade que gere 12.000 milhões de euros em activos imobiliários da pública Bankia

Nos últimos meses estám circular numerosas notícias sobre como os Aznar estám em primeira linha de quem estám conseguir réditos desta ?crise? económica. Desde logo o ex-presidente Aznar, que trabalha entre outras muitas empresas para umha multinacional do ouro que se disparou com as turbulências do euro ou para o presidente em Espanha da consultora KPMG que gere desde preferentes de Bankia até ERes do Canal 9.

A sombra do pai e dos seus amigos

Porém nom se trata unicamente do pai porque o primogénito do ex-presidente, José Maria Aznar Botella, também está a dar muito que falar graças aos contactos do seu pai. La Voz da Galiza já informou de que este jovem ?empresário? participa na gestom dos activos imobiliários de Bankia -a entidade resgatada com mais 20.000 milhoes de euros públicos-através de Promontoria Plataforma, sociedade da que é conselheiro e que está presidida por Juan Manuel Hoyos Martínez de Irujo. Hoyos foi colega de Aznar no elitista colégio madrileno do Pilar e já estivo perfeitamente situado durante o boom das tele-comunicaçons trabalhando para Telefónica através da consultora McKinsey. Foi ademais um dos assessores na sombra do ex-presidente na sua carreira presidencial e depois, ainda que nunca quis incorporar ao Governo, como explicou Voz Populi.

Fundo abutre vinculado ao Partido Republicano Norteaméricano

Promotoria Plataforma é por outra parte umha sociedade instrumental do fundo abutre de investimento Cerberus Capital Management, de marcado cor de dólares estadounidenses e mais em concreto vinculado a ?popes? do Partido Republicano.

Activos desvalorizados com a crise

Agora através da diário Informaçom Sensível difundírom-se dados contundentes sobre a gestom que fai Promontoria dos activos imobiliários desvalorizados que compra a entidades de crédito. O método de trabalho basicamente é comprar hipotecas de risco por muito menos do valor nominal que assinaram no seu dia os hipotecados e executar o embargo, combinando-se com o piso e obtendo umha mais-valia depois com a venda do imóvel. A web recupera vários exemplos concretos de pessoas em risco de perder as suas casas.
?Cerberus compra a preço de saldo, mas nunca se mostra. Sempre o fai através de Promontoria Holding. Eles podem negociar umha daçom em pago, mas nunca o aluguer da habitaçom?, explica um letrado que tivo que negociar com eles umha execuçom hipotecaria.

Comissons a cambio de ?ajudar? à pública Bankia

No que di respeito ao contrato em ?exclusiva? com Bankia para gerir durante 10 anos o seu mais de ?12.000 milhões de euros brutos de activos imobiliários e de parte da dívida derivada de empréstimos a promotores?, o diário informa que Promontoria Plataforma recebe umha comissom por colocá-los. Apesar de que Bankia é umha entidade pública sustida com o dinheiro de todos, nom oferecêrom explicaçons sobre por que se elegeu à empresa do Aznar ?Novo? -quase nom falam de um ?processo competitivo?- ou de quanto se lhe pagou de momento em conceito de comissons. Perguntado polo seu papel na sociedade, o filho do ex-presidente nom quis oferecer nengum tipo de declaraçom sobre o labor que realiza para Cerberus.

15-01-2014

  23:28:13, por Corral   , 1835 palavras  
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Federal Reserve - Agonia mortal no seu 100º aniversário

por Valentin Katasonov [*]

http://www.resistir.info/financas/agonia_mortal.html

O Federal Reserve Act foi promulgado em 23 de Dezembro de 1913 quando, há uma centena de anos, a lei foi assinada pelo presidente Woodrow Wilson. Desde então o Federal Reserve System tornou-se um factor determinante da economia e da política estado-unidense.

Um Federal Reserve System ilegítimo

Muitos americanos acreditam que um bando de banqueiros internacionais alcançou o poder quando o Federal Reserve System (FRS) entrou em vigor. O presidente e o Congresso tornaram-se servos dos principais accionistas do FRS. A Federal Reserve Corporation, de propriedade privada, pertencente a um grupo de banqueiros, tornou-se o único poder real na América o qual começou então a competir pela dominância mundial. Numerosas publicações dedicaram-se ao assunto.

O livro Secrets of the Federal Reserve, de Eustace Mullins, foi o primeiro a vir a lume no fim da década de 1940. Foi seguido por The Federal Reserve Conspiracy de Antony Sutton; The Syndicate: The Story of the Coming World Government de Nicholas Hagger, The Unseen Hand de A. Ralph Epperson e The Gods of Money de William Engdahl. Há um bestseller recente do antigo deputado Ron Paul chamado End the Fed . O poder do Federal Reserve no século XX instilou um falso sentimento da sua eternidade tal como o da emissão do dólar. Estas ilusões evaporaram-se gradualmente quando eventos no princípio do século XXI começaram a desdobrar-se... Ron Paul enumera muitos casos em que o Federal Reserve System tem estado em directa violação do Federal Reserve Act. O mais chocante é a concessão pelo Federal Reserve System de créditos incrivelmente gigantescos na quantia total de US$ 16 milhões de milhões (trillion) aos maiores bancos da América e da Europa durante a recente crise financeira. Não me refiro ao facto de que o próprio estabelecimento do Federal Reserve System foi uma flagrante violação da Constituição americana, a qual afirma claramente que só o Congresso está autorizado a emitir moeda, não um grupo de proprietários privados.

Cenário da "fuga do dólar"

O Federal Reserve System preservou sua influência ao longo de todo o século porque houve procura do US dólar produzido pelas suas impressoras, no país e além das suas fronteiras. Todos os esforços da política externa dos EUA desde o começo do século XX até o princípio do XXI centraram-se na promoção da mercadoria produzida pelas máquinas de impressão do Federal Reserve. Foi isto que levou ao desencadeamento de duas guerras mundiais e a um bocado de conflitos locais. Não era difícil manter a produção do Federal Reserve System com a procura pós II Guerra Mundial, quando o mundo obtinha a maior proporção de bens comprando-os aos EUA e dando dólares em contrapartida. Os EUA eram o maior accionista do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que promoviam o processo de "dolarização". Isto constituía o cerne do Plano Marshall com o lançamento de múltiplos programas de ajuda externa estado-unidenses.

Graças à política de Kissinger para o Médio Oriente, apoiada pelo poder militar dos EUA, em 1973-1975 Washington conseguiu introduzir as bases do padrão petróleo-dólar. O mundo começou a vender o "ouro negro" apenas por dólares. Os mercados financeiros mundiais começaram a prosperar na segunda metade do século XX e os "instrumentos financeiros" eram predominantemente vendidos também em US dólares.

A procura pelo dólar começou a cair nos últimos anos. A competição com outras divisas começou. O euro, o yuan e as divisas alheias à lista das moedas de reserva desafiaram a nota verde. Tentando livrar-se da dependência do dólar, líderes de outros países muitas vezes faziam declarações extremas as quais são percebidas pelos donos do Federal Reserve System como apelos ao boicote do padrão petróleo-dólar. No seu tempo, Saddam Hussein recusou-se a vender o "ouro negro" por dólares e comutou para pagamentos em euro. Washington respondeu imediatamente; a revolta resultou no derrube de Saddam Hussein e a sua posterior execução. Algum tempo depois o mesmo destino foi reservado a Muammar Qaddafi, o qual havia planeado abandonar o dólar pelo dinar dourado. Os planos de Washington fracassaram quando chegou a vez do Irão. As sanções estado-unidenses foram impostas há longo tempo (1979). Mas o país era um osso duro de roer. O Irão recusou-se terminantemente a utilizar o US dólar para transacções externas (deveria ser notado que todas as transacções tramitam através do sistema bancário dos EUA e são controladas pelo Federal Reserve System). Isto é um precedente perigoso, um exemplo que pode ser seguido por outros estados. Passos cautelosos para gradualmente afastar-se do dólar começaram a ser tomados pela China. Pequim concluiu uma série de acordos com outros países para utilizar divisas nacionais no comércio externo. Exemplo: está em vigor um acordo entre Pequim e Tóquio que prevê a utilização do yuan e do yen para as transacções comercias China-Japão pondo de lado todas as outras divisas, incluindo o US dólar. Estes eventos poderiam ser caracterizados como uma emancipação gradual em relação ao US dólar, processo que a qualquer dado momento pode tornar-se uma fuga da divisa dos Estados Unidos. Neste caso, o Federal Reserve System pode não morrer de imediato, mas tornar-se-á nada mais do que um banco central comum com operações limitadas apenas pelos desenvolvimentos económicos internos.

O cenário do "Federal Reserve System" fora do negócio

Alguns anos atrás ninguém poderia imaginar um cenário que considerasse a bancarrota do Federal Reserve System. Mas os apuros do FRS começaram a agravar-se rapidamente a partir de 2010 devido à implementação da política da facilidade quantitativa (quantitative easing). Anunciando o objectivo de restaurar a economia nacional e promover o emprego após a crise financeira, o Federal Reserve System continuou a aumentar a produção das suas impressoras. O mecanismo é tão simples quanto podia ser: o Federal Reserve System troca a sua produção de papel por diferentes espécies de títulos oferecidos por bancos americanos (US$85 mil milhões por mês durante o ano passado). Os papéis incluem títulos do Tesouro dos EUA ou títulos hipotecários. Estes últimos não são senão pedaços de papel que os financeiros chamam "activos tóxicos" no seu jargão profissional. O preço de mercado é extremamente baixo (de vez em quando flutua em torno de zero), mas o Federal Reserve System adquire-os ao seu valor facial ou quase ao custo nominal. O FRS só pode vender "activos tóxicos" a operar com prejuízo. A acumulação de tais "activos" criará uma bolha inchada de forma monstruosa. Há bolhas imobiliárias e cambiais, agora emergirá um novo tipo de bolha. Não se trata apenas dos papéis hipotecários; os títulos do tesouro também podem causar problemas. Hoje o Federal Reserve System paga um alto preço por títulos do tesouro mas amanhã o seu preço de mercado pode afundar. Assim o FRS terá prejuízo ao vendê-los. Qualquer organização comercial utilizará o seu próprio capital como uma reserva de prontidão para cobrir perdas. O mesmo se passa para o Federal Reserve System. Mas neste caso é apenas um capital simbólico representando apenas 3-4 por cento dos activos actuais do FRS. A propósito, ele deve cumprir exigências de capital inicial mínimo (as exigências estão definidas e os procedimentos estipulados por documentos especiais do Comité de Supervisão Bancária do Banco de Pagamentos Internacional (Bank for International Settlements) ). Actualmente o Federal Reserve System está longe de cumprir com estas exigências. Os peritos sabem bem disto mas as discussões nunca saem do círculo estreito de iniciados que traram do negócio. Ninguém entre os peritos pode propor algo como um plano significativo para resgatar o Federal Reserve System da bancarrota iminente.

Cenário "bancarrota do governo"

O Federal Reserve System tem actuado como o salvador do governo estado-unidense. O FRS concede empréstimos ao Tesouro ao comprar títulos de dívida. Naturalmente, ele não é a única entidade a salvar o governo. Muitas outras organizações dos EUA têm adquirido títulos do tesouro ? bancos comerciais e de investimento, fundos de investimento, companhias de seguros, fundos de pensão. Os bancos centrais de outros países e ministérios das finanças até recentemente representavam metade das aquisições dos títulos do tesouro. Hoje a China, Japão, Arábia Saudita e alguns outros países com enormes reservas de ouro e divisas estrangeiras são os principais credores do governo dos EUA. A China e outros estão gradualmente a perder o desejo de acrescentar "papel verde" às suas reservas internacionais. No fim de 2013 um vice-governador do Banco da China fez uma declaração sensacional dizendo que a China já não era favorável à acumulação de reservas cambiais estrangeiras.

O Federal Reserve System tornou-se o principal prestamista (doador) do Tesouro dos EUA. No terceiro round da facilidade quantitativa, "QE3", o Federal Reserve System começou a comprar a fatia do leão dos papéis utilizados pelo governo para cobrir os buracos orçamentais (a fim de pagar o défice orçamental). Um círculo vicioso começou: o Federal Reserve dá ao Tesouro a "nota verde"; em retorno o Tesouro dá os títulos ao Federal Reserve. Isso parece-se a um moto perpétuo monetário. Este mecanismo "fechado" priva a economia americana e mundial da divisa necessária, funciona só para si mesmo. A falta da "nota verde" será exponencialmente compensada por outras divisas e seus substitutos.

Além disso, há mais uma armadilha à espera do governo dos Estados Unidos e do Federal Reserve System. O governo americano tem de utilizar o orçamento para amortizar a sua dívida. As taxas de juro actualmente estabelecidas pelo Federal Reserve System são cerca de zero. As taxas de juro dos títulos do tesouro (orientada pelas taxas do Federal Reserve System) também são extremamente baixas. Cerca de 7 por cento do dinheiro do orçamento é gasto com o reembolso das dívidas do governo. É aceitável. Mas vamos imaginar que as taxas de juro começam a crescer (mais cedo ou mais tarde elas inevitavelmente subirão). A percentagem do orçamento gasto no reembolso da dívida (pagamentos de juros) também aumentará. Peritos acreditam ser possível que 50 por cento do total do orçamento seria gasto para cobrir juros. Neste caso o moto perpétuo financeiro cessará porque atingirá um obstáculo natural como as receitas de impostos que abastecem o orçamento de estado dos EUA. Então o único cliente do Federal Reserve System ? o governo americano ? irá à bancarrota. Depois disso o próprio Federal Reserve System terá de abandonar o espectro.

Há outros cenários a serem considerados, todos eles relacionados com o Federal Reserve System, o dólar e os Estados Unidos ? os três pilares do sistema financeiro e político integrado. Todos eles são desfavoráveis aos proprietários do Federal Reserve System. Na verdade, exactamente a mesma situação foi enfrentada na primeira metade do século XX pelos proprietários do Banco da Inglaterra quando o US dólar começou a rivalizar com a todo-poderosa libra esterlina. A última oportunidade para os donos do Banco da Inglaterra preservarem "um lugar ao sol" foi desencadear uma guerra em grande escala. Receio que seja exactamente isso o que os actuais donos do Federal Reserve System tenham em mente.
23/Dezembro/2013

Nestes links podem ser descarregados gratuitamente os seguintes livros mencionados pelo autor:
Secrets of the Federal Reserve Bank
The Federal Reserve Conspiracy
The Unseen Hand. An Introduction to the Conspiratorial View of History

[*] Economista.

O original encontra-se em www.strategic-culture.org/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

  23:13:04, por Corral   , 2361 palavras  
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Uma estratégia que contemple a saída do euro

por Salvador López Arnal
http://www.resistir.info/europa/lapavitsas_resenha_jan14.html

Um livro indispensável, assegura Alex Callinicos, para toda pessoa que tente compreender a implosão da União Europeia. Será que o professor do European Studies at King's College, de Londres, exagera? Não parece.

No mesmo sentido se pronuncia Stathis Kouvelakis na introdução do ensaio: "Isto nos leva ao ponto final mas provavelmente também o mais crucial do material reunido neste volume: não satisfeitos em oferecer uma análise pioneira das particularidades da crise capitalista dentro da eurozona, Lapavitsas e seus colaboradores do RMF foram um passo além, proporcionando o guião de uma estratégia alternativa. Este resumo começa com o incumprimento da dívida soberana... e amplia-se a uma saída unilateral do euro por parte dos países que não possam evitar o incumprimento, o que lhes permitiria recuperar o controle de uma parte da sua soberania nacional e escapar do cataclismo da desvalorização interna imposta pelas terapias de choque concebidas pela UE". (p. 25).

Crisis en la Eurozona [*] é uma versão revista de três relatórios sobre a crise da eurozona publicados online pelo Research on Money and Finance em Março e Setembro de 2010 e em Novembro de 2011 com os títulos "Empobrecendo-te a ti e ao teu vizinho", "A eurozona entre a austeridade e o incumprimento" e "Ruptura? Uma drástica saída da crise da eurozona".

Pode-se ler, se se considerar adequado, como um comentário crítico documentado a posições como aquelas defendidas por Yanis Varoufakis ? em entrevista realizada por Alessandro Bianchi [1] ? , compartilhada por amplos sectores da esquerda europeia, respondendo a uma pergunta sobre o "actual estado de coisas" na zona euro e se a melhor solução para os países europeus do Sul seria sair da moeda única. "Se pudéssemos voltar atrás no tempo, a melhor opção teria sido que os países meridionais, além da Irlanda, tivessem ficado fora da eurozona". Indubitavelmente, admite YV, "o comportamento dos poderes de facto, tanto no Norte como no Sul da Europa, dissiparam a fantasia, a que assistimos em torno de 2000, de que a eurozona evoluiria rumo a uma entidade federal, possivelmente depois de uma crise existencial ameaçar sua integridade". Dito sem rodeios, prossegue o economista grego, "nossas elites cometeram um pecado capital metendo nossas nações periféricas numa versão europeia do padrão ouro que, tal como o padrão ouro original, primeiro provocou entradas maciças de capital nas regiões de défice que incharam gigantescas bolhas e, segundo, provocou uma depressão permanente nos mesmos países do défice uma vez que arrebentaram as bolhas após o 1929 da nossa geração (ou seja, 2008)".

Aceite o anterior, admitindo o assinalado, "sair da nossa horrorosa união monetária não nos devolverá, nem sequer a longo prazo, aonde teríamos estado sem a princípio tivéssemos ficado fora". Uma vez dentro, pode ser que a fuga "empurre nossas cambaleantes economias para um precipício escarpado. Sobre tudo se se faz descoordenadamente, país por país". Por que? Porque ao contrário da Argentina em 2002 ou da Grã-Bretanha em 1931, sair da eurozona não é só questão de romper o ajuste entre nossa própria moeda e outra estrangeira. Não temos uma moeda com que desemparelharmos". Ter-se-ia necessariamente que criar "uma moeda (uma tarefa que leva no mínimo de 8 a 10 meses para completar) com o objectivo de desemparelhá-la ou desvalorizá-la". Esse atraso entre o anúncio de uma desvalorização e seu cumprimento efectivo "bastaria para devolver nossas economias à Idade da Pedra".

À Idade da Pedra é expressão de YV.

Crisis en la eurozona pretende corroborar, pois, a consideração de Vicenç Navarro na sua coluna "Domínio Público" de 31/Outubro/2013 [2] . Este escrito, aponta o professor da UPF, "assinala a necessidade e urgência de debater os méritos e deméritos de permanecer no euro, com a análise dos benefícios e custos que isso implicaria, comparando-o com os custos e benefícios de nele se manter". É urgente que se abra um debate na Espanha sobre o mérito ou demérito de sair do euro. É muito criticável, assinala VN, "que apenas exista debate sobre este tema. Inclusive em amplos sectores da esquerda apenas aparecem artigos que questionam a permanência da Espanha no euro. Daí que tal debate deveria verificar-se com ênfase especial entre as esquerdas, sem insultos, sarcasmos ou sectarismos". Entre nós, Pedro Montes ou Alberto Montero Soler (e em algumas ocasiões Juan Torres López) apoiam esta consideração.

Do mesmo modo, sustenta o doutor Navarro, "aqueles da esquerda que se opõem a sair do euro não estão a indicar como o maior problema económico (além de social) que a Espanha tem, ou seja, o desemprego, poderá ser resolvido neste país". As propostas mais avançadas neste sentido, prossegue VN, "são as propostas da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), que avançam políticas públicas de clara orientação expansiva" com as quais ele está totalmente de acordo. Para realizá-las e levá-las a cabo, conclui, "exigem-se mudanças substanciais no contexto político do establishment que governo tanto a eurozona como o euro". A arquitectura institucional da eurozona é, por concepção e vontade dos seus dirigentes, "liberal, e é dificílimo que isso mude, condenando a Espanha ao desemprego e precariedade por muitíssimos anos". Se alguém se opõe a sair do euro, "deveria explicar como pensa resolver o enorme desemprego e a grande descida dos salários na Espanha".

Não é o único a pensar assim. Luciano Canforam transita por um caminho quase idêntico em "Cómo salir vivos de la trampa", um texto recolhido em La historia falsa y otros escritos [3] . Agora que o processo foi completado, assinala o estudioso italiano, com a criação do novíssimo Sistema Autoritário Europeu e o partido orgânico subdividido em fracções devidamente "coesionadas" não tem motivos para labutar demasiado em contendas eleitorais, a pergunta essencial é saber "sobre que ombros recairá a tarefa de propor de novo a defesa da justiça social (art. 3 da nossa Constituição) contra a lógica do lucro?" LC recorda o comentário do ex-ministro Tremonti: uma vez escritas as regras de Maastricht, Jacques Attali, um dos seus autores, comentou: "escrevemo-las de tal maneira para que ninguém possa tentar sair da moeda única". Depois de 12 anos de tudo isso, e visto que a moeda única, com tudo o que implica de carnificina social, "defende-se com a força pública e com a chantagem, a pergunta colocada anteriormente parece não só necessária como premente" na sua mais que razoável opinião.

Em termos simples, o grande classicista italiano assim resume o estado da questão: "é indispensável que renasça uma esquerda, ainda que isto corra o risco de acontecer (se acontecer) no pior contexto possível... Uma vez que o problema mais grave e urgente como sairmos vivos da armadilha do euro e dos "parâmetros de Maastricht", é evidente que um eventual ressurgimento da esquerda deveria ser cimentado sobre este terreno difícil, propor soluções factíveis, lutar para levá-las a cabo".

Voltemos pois ao texto de Costas Lapavitsas. Não é possível aqui fazer um relato pormenorizado dos conteúdos e teses deste ensaio. Como ilustração resumo o conteúdo do segundo capítulo: "A crise da eurozona tem muitos aspectos, mas é também sem dúvida uma crise de dívida". Nesta parte do livro analisam-se "as fontes, a natureza e as razões da acumulação de dívida na eurozona, especialmente depois do começo da crise financeira global". Argumenta-se a seguir que, perante uma enorme e crescente montanha de dívida, "os governo têm duas opções: deixar de pagar os serviços públicos e reduzir a despesa pública (austeridade) ou deixar de pagar aos possuidores de títulos. A última alternativa significa o incumprimento, que além disso poderia verificar-se segundo as condições ditadas pelo credor ou pelo devedor" (p. 115). Não é preciso indicar a opção tomada ? ou que foram obrigados a tomar ? pela maioria dos governos europeus.

Sobre a situação actual e as apostas das classes dirigentes europeias assinala-se o final do primeiro capítulo: "Não há sinais de que os capitalistas dos países periféricos sejam capazes de tal actuação. Trata-se de uma tarefa especialmente complicada devido ao facto de que os referidos países normalmente têm estruturas produtivas de tecnologia intermédia, ao passo que os salários reais estão acima dos seus competidores na Ásia e em outros lugares". Em consequência, existe o risco de que uma saída conservadora da situação somada a uma (neo)libertação conduza "a um estancamento prolongado acompanhado de episódios de inflação, desvalorizações sucessivas e uma lenta erosão dos rendimentos do trabalho. Daí que, na periferia, as classes dirigentes tenham em geral preferido a opção de permanecer na eurozona e transferir os custos para os trabalhadores" (p. 109).

A saída progressista da zona euro ? "uma saída sujeita a uma reestruturação drástica da economia e da sociedade" ? é vista nos seguintes termos (uma opção que não se nega que naturalmente implicaria um importante choque económico): "verificar-se-ia uma desvalorização, a qual descarregaria parte da pressão do ajuste ao melhorar a balança comercial, mas também dificultaria muito enfrentar a dívida externa". Por tudo isso seria necessário a suspensão de pagamentos e a reestruturação da dívida. "O acesso aos mercados internacionais tornar-se-ia extraordinariamente complicado. Os bancos ficariam sob uma forte pressão e tendo que enfrentar a quebra. A questão, contudo, é que estes problemas não têm que ser enfrentados da habitual maneira conservadora" (p. 110).

Não, é claro que não têm de sê-lo. "A combinação de banca pública e controles sobre a conta de capital colocaria de imediato a questão da propriedade pública sobre áreas da economia. Os pontos fracos subjacentes à produtividade e à competitividade já ameaçam a viabilidade de sectores completos de actividade económica nos países periféricos". A propriedade pública, uma velha identidade da esquerda transformadora não cooptada pelo neoliberalismo, seria necessária para evitar o colapso. "Os âmbitos específicos que se colocariam sob propriedade pública e inclusive a forma que esta tomaria dependeriam das características de cada país. Mas os serviços públicos, o transporte, a energia e as telecomunicações seriam os principais candidatos, pelo menos com o objectivo de apoiar o resto da actividade económica" (p. 111).

OS CUSTOS DE PERMANECER NA EUROZONA

De facto, tal como se assinalou, a maneira correcta de tratar o tema do euro não passa por perguntar os custos económicos e sociais de sair da moeda única. Não, não é este o ponto. "Essa é a colocação das forças conservadoras e em particular dos poderes económicos. Temos que começar por analisar os custos de permanecer na eurozona porque depois de aceitar a dura medicina dos cortes salariais, da redução da despesa pública, da subida de impostos, das privatizações e da destruição do Estado de bem-estar continuamos com uma perspectiva de estagnação económica a longo prazo". Para CL é imprescindível abandonar o euro para evitar esta estagnação, "o aumento da pobreza, a perda de direitos democráticos e de soberania nacional nos países periféricos". Não há nenhuma dúvida do seu ponto de vista de que o euro é insustentável a longo prazo. "A União Económica e Monetária representa um fracasso histórico gigantesco, que se tentou manter assumindo enormes custos sociais ao longo dos três últimos anos". Em lugar de continuar a adoptar medidas baseadas na austeridade (neoliberal) e contra o interesse dos trabalhadores e trabalhadoras, "há que tomar o controle da banca e dos fluxos de capital, o que é perfeitamente possível porque a própria UE o fez no caso de Chipre". Pode-se, pode-se. Uma medida, acrescenta, que evitaria também os ataques dos mercados e a fuga de capitais, "uma ameaça real mas com a qual tão pouco se deve exagerar".

CL insta as organizações de esquerda que pretendam continuar a ser de esquerda a que corrijam sua visão sobre a Europa, assim como também sobre o papel dos Estados modernos e a forma mais adequada para criar "um internacionalismo mais eficaz para enfrentar este ataque, sem precedentes, do capitalismo". O internacionalismo, outra noção chave da esquerda. Há mais de trinta anos, Manuel Sacristán exprimia-se nestes termos:

"O marxismo converteu-se num fenómeno universal, mais como método de solução de todos os problemas. Neste momento, a tendência é para uma interiorização, para uma nacionalização da política... No entanto, marxismo não entendeu nem as autonomias, nem os nacionalismos e muito menos os elementos subjectivos, psicológicos das sociedades. Acredita que esta crise do marxismo é definitiva?", foi-lhe perguntado. A sua resposta:

"A nacionalização da política é um dos processos que mais depressa podem levar-nos à hecatombe nuclear. O internacionalismo é um dos valores mais dignos e bons para a espécie humana com que conta a tradição marxista. O que passa é que o internacionalismo não se pode praticar realmente senão sobre a base de outro velho princípio socialista, que é o da auto-determinação dos povos... Tudo o mais que diz o Sr. nesta pergunta é pura moda neo-romântica irracionalista, efeito da perda de esperanças revolucionárias".

Na página final do livro acolhe-se uma citação de David Graeber: "Se a História mostra algo é que não há melhor maneira de justificar as relações baseadas na violência, de fazê-las que pareçam mortais, do que redefini-las na linguagem da dívida, sobretudo porque imediatamente faz com que pareça que é a vítima que está a fazer algo mau". Não está mal, nada mal, para encerrar este excelente ensaio nem sequer esta pobre aproximação que aspira, basicamente, chamar a atenção sobre a importância deste trabalho de Costas Lapavitsas e dos seus companheiros do RMF.

PS: Permito-me recomendar como leitura complementar, mais essencial e frutífera que este comentário, o artigo recente de Alberto Montero Soler: Salir de la pesadilla del euro , outro dos nossos economistas essenciais, outro dos economistas-mais-que-economistas hispânicos que navegam lucidamente contra a corrente (por enquanto) ainda maioritária.
05/Janeiro/2014

Notas
[1] www.lantidiplomatico.it, 13 de octubre de 2013 (Traducción: Lucas Antón). www.sinpermiso.info/textos/index.php?id=6370
[2] www.vnavarro.org/?p=9952
[3] Luciano Canfora, La historia falsa y otros escritos. Capitán Swing, Madrid, 2013 (Traducción de Inés Campillo Poza, Antonio Antón y Regina López Muñoz), pp. 33-34.

[*] Costas Lapavitsas, Crisis en la eurozona , Capitán Swing, Madrid, 2013, 320 p., ISBN: 978-84-941690-2-1

Lapavitsas em resistir.info:
Crise na Zona Euro , 02/Jul/12
"A Grécia tem de sair do euro e declarar a moratória da dívida" , 12/Jun/12,
A saída do euro como solução para a crise da dívida pública , 07/Jul/10
A crise do euro e a crise sistêmica global , 15/Jun/13
A crise sistémica do euro , 17/Jul/13
Para Portugal, o tempo está a esgotar-se , 11/Abr/12
Ruptura ? Uma via para sair da crise da Eurozona , 11/Nov/11
"O BCE não é a solução mágica para a crise da eurozona" , 03/Jan/12
Depois da Europa connosco , 18/Ago/12

O original encontra-se em http://www.lahaine.org/index.php?p=74246

Esta resenha encontra-se em http://resistir.info/ .

03-01-2014

  23:27:20, por Corral   , 2760 palavras  
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Sair do pesadelo do euro

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=178915&titular=salir-de-la-pesadilla-del-euro-
por Alberto Montero Soler

I

Passam os meses, convertem-se em anos e as possibilidades de que os países periféricos da Euro-zona superem esta crise por umha via que nom seja umha soluçom de ruptura se afastam cada vez mais do horizonte.

Fronte a quem mantem que existem vias de reforma capazes de enfrontar a actual situaçom de estrago económico e social, a realidade empenha-se em demonstrar que a viabilidade dessas propostas requer de umha condiçom prévia inescusável: a modificaçom radical da estrutura institucional, das regras de funcionamento e da linha ideológica que guia o funcionamento da Euro-zona.

O problema de fundo é que esse marco resulta funcional e essencial para o processo de acumulaçom do grande capital europeu; mas, também, e é algo que devemos manter permanentemente presente, para que Alemanha consolide tanto o seu papel protagónico na Europa como ao que aspira na nova geopolítica multipolar em construçom. Neste sentido, podem expor-se ao menos dous argumentos básicos que reforçam a tese da necessidade da ruptura do marco restritivo imposto polo euro se se deseja abrir o leque de possibilidades para optar a umha saída desta crise que permita umha mínima possibilidade emancipatória para o conjunto dos povos europeus.

O primeiro argumento é que a soluçom que se está impondo fronte a esta crise desde as elites dominantes a nível europeu é, em sim mesma, umha soluçom de ruptura por sua parte e ao seu favor. As políticas de austeridade constituem a expressom palmaria de que essas elites se encontram em tal posiçom de força com respeito ao mundo do trabalho que podem permitir-se romper unilateral e definitivamente o pacto implícito sobre o que se criaram, crescido e mantido os Estados de bem-estar europeus. Essas elites sabem perfeitamente que umha classe trabalhadora em precaridade, dês-ideologizada, dês-estruturada e que perdeu amplamente a sua consciência de classe é umha classe trabalhadora indefesa e sem capacidade de resistência real para preservar as estruturas de bem-estar que a protegiam das inclemências da mercantilizaçom dos satisfactores de necessidades económicas e sociais básicas. As concessons feitas durante o capitalismo fordista de postguerra estám em transo de ser revertidas porque, ademais, na privatizaçom dessas estruturas de bem-estar existe um nicho de negócio capaz de facilitar a recuperaçom da queda na taxa de ganho.

O segundo argumento é que nom pode se esquecer, como parece que se fai, a natureza adquirida polo projecto de integraçom monetária europeu desde que se criou e começaram a actuar as dinâmicas económicas que o mesmo promovia ao seu interior. O problema essencial é que a Euro-zona é um híbrido que nom avança no federal, com e por todas as conseqüências que isso teria em matéria de cessom de soberania, e mantém-se exclusivamente no terreno do monetário porque essa dimensom, junto à liberdade de movimentos de capitais e bens e serviços, basta para configurar um mercado de grandes dimensons que permite umha maior escala de reproduçom dos capitais, que elimina os riscos de desvalorizaçons monetárias competitivas por parte dos Estados e que facilita a dominaçom de uns Estados sobre outros sobre a base da aparente neutralidade que se lhe atribui aos comprados.

Portanto, Europa -e, com ela, a sua expressom de ?integraçom? mais avançada que é o euro- converteu-se num projecto exclusivamente económico posto ao serviço da oligarquias industriais e financeiras europeias com o agravante de que, no processo, tenhem cooptado ao estamento político, tanto nacional como supranacional, seqüestrando com isso os mecanismos de intervençom política sobre a dinâmica económica e restringindo as margens para qualquer tipo de reforma que nom actue no seu benefício. Em conseqüência, este espaço dificilmente pode ser identificado e defendido polas classes populares europeias como a Europa dos Cidadaos à que em algum momento aspirou a esquerda.

II

De facto, existe umha série de elementos que explicam por que o euro fosse, desde a perspectiva dos povos europeus, um projecto errado desde o seu mesmo início: por umha banda, tanto as políticas de ajuste permanente que se articularam durante o processo de convergência prévio à introduçom do euro como as políticas que se mantivérom desde a sua entrada em vigor restringiram as taxas de crescimento económico com o conseqüente impacto sobre a criaçom de emprego; por outra parte, a ausência de umha estrutura fiscal de redistribuiçom da renda e a riqueza ou de qualquer mecanismo de solidariedade que realmente responda a esse princípio dificultou a reduçom dos desequilíbrios das condiçons de bem-estar entre os cidadaos dos Estados membros; e, finalmente, também deve ressaltar-se que as assimetrias estruturais existentes entre as diferentes economias ao começo do projecto tenhem-se agravado durante estes anos, reforçando a estrutura centro-periferia ao interior da Euro-zona e apontoando a dimensom produtiva da crise actual.

Se a todo isso se acrescenta o que as políticas encaminhadas a salvar o euro som políticas dirigidas a preservar os interesses da elite económica europeia em contra do bem-estar das classes populares, a resultante é que se reafirma a ideia do distanciamento acelerado da possibilidade de identificar à Euro-zona com um processo de integraçom que os povos europeus podam reconhecer como próprio e construído à medida das suas aspiraçons.

Pode concluir-se, entom, que o euro -e perceba-lho nom só como umha moeda em sim mesma, senom como todo um sistema institucional e umha dinâmica funcional posta ao serviço da reproduçom alargada do capital a escala europeia- é a síntese mais crua e acabada do capitalismo neo-liberal. Um tipo de capitalismo que se desenvolve no marco de um comprado único dominado polo imperativo da competitividade e no que, ademais, produziu-se um esvaziado das soberanias nacionais -e nom digamos das populares-, em benefício de umha tecnocracia que actua politicamente a favor das elites europeias quebrando as condiçons de bem-estar das classes populares.

E se coincidimos em que para estas últimas a criaçom do euro trata-se de um projecto errado, a questom que imediatamente se expom é que podem fazer, ao menos as dos países periféricos sobre os que está a recair com maior intensidade o peso do ajuste, fronte a um futuro tam pouco esperançado e no que as opçons de reforma num sentido solidário vam-se bloqueando com cadeados cada vez mais férreos. A resposta a esta questom vai depender de qual seja a concepçom que se tenha da crise actual, das dinâmicas que a mantem activa e das perspectivas de evoluçom das relaçons políticas e económicas ao interior da Euro-zona que pudessem reverter a situaçom actual ou, em sentido contrário, consolidá-la.

III

Ao meu modo de ver, a crise apresenta nestes momentos duas dimensons dificilmente reconciliáveis e que facilitam a consolidaçom do status quo actual.

A primeira dimensom é financeira e centra no problema do endividamento generalizado que, no caso da maior parte dos países periféricos, iniciou-se como um problema de dívida privada e converteu-se num de dívida pública quando se resgatou -e, portanto, se socializar- a dívida do sistema financeiro. Os níveis que alcançou o endividamento, tanto privado como público, som tam elevados que é impossível que essa dívida possa se reembolsar completa, e isso é algo do que se deve ser plenamente consciente polas suas conseqüências práticas. Disso, e do feito de que, privados de moeda nacional e com umhas taxas de crescimento do cociente dívida/PIB muito superiores às da taxa de crescimento económico, o ónus da dívida fai-se insustentável e converte numha bomba de relojoaria que em algum momento estalará sem remédio.

A segunda dimensom é real e concretiza nas diferenças de competitividade entre as economias centrais e as economias periféricas. Essas diferenças encontram-se, entre outros factores, na origem da crise e o problema de fundo é que nom só nom estám a diminuir senom que se estám alargando. É mais, a leitura da reduçom dos desequilíbrios externos das economias periféricas ao interior da Euro-zona como um sintoma de que estamos em trânsito de superaçom da crise é manifestamente perversa porque desconsidera a tremenda repercussom do estancamento económico sobre as importaçons.

O vínculo de conexom entre ambas as dimensons da crise constitui-o a posiçom dominante alcançada polos países centrais fronte aos periféricos e, em concreto, a posiçom alcançada por Alemanha no conjunto da Euro-zona, nom só relevante polo seu peso económico senom também polo seu controlo político das dinâmicas de ré-configuraçom da Euro-zona que se estám desenvolvendo com a escusa de ser soluçons fronte à crise mas que actuam, aliás, reforçando a sua hegemonia.

Se a isso se acrescentam as peculiaridades da sua estrutura produtiva, caracterizada pola debilidade crónica da sua demanda interna -e, portanto, pola existência recorrente de excesso de poupança nacional- e a potência da sua demanda externa -fundamento dos seus superavit comerciais contínuos-, comprovaremos como o que parecia um círculo virtuoso de crescimento para toda a Euro-zona acabou-se convertendo num jugo sobre as economias periféricas, principal destino dos fluxos financeiros através dos que Alemanha rendibilizava os seus excedentes de poupança interno e comerciais reciclándo-los em forma de dívida externa que colocava nas supra-citadas economias.

Dessa forma, Alemanha reconverteu a sua posiçom credora numha posiçom de dominaçom case hegemónica que lhe permite impor as políticas necessárias aos seus interesses. Isto implica, na prática, que qualquer soluçom de natureza cooperativa para resolver a crise é automaticamente rejeitada enquanto que se reforçam, ao invés, as formulaçons de natureza competitiva entre economias cujas desigualdades em termos de competitividade já se demonstraram insustentável num marco tam dissímil e assimétrico como o da Euro-zona.

E, assim, resulta tam trágico como desolador assistir à aquiescência com a que os governos da Euro-zona periférica assumem e aplicam políticas que estám a agravar as diferenças estruturais preexistentes e que, portanto, nom fai senom acentuar as diferenças em termos produtivos e de bem-estar entre o centro e a periferia sem que possa existir nengum viso de soluçom através das mesmas: os processos de deflaçom interna nom só minguam a capacidade adquisitiva das classes populares senom que, ademais, elevam o ónus real da dívida a nível interno tanto da dívida privada (pola via da deflaçom salarial) como da dívida pública (polo diferencial entre as taxas de crescimento do produto interno bruto e da dívida pública), com o agravante acrescentado de que qualquer apreciaçom do tipo de mudança do euro traduz numha erosom dos ganhos de competitividade espúrias conseguidas pola via da deflaçom salarial. Trata-se, portanto, de um caminho para o abismo do sub-desenvolvimento.

É por isso que, se nom se produzem mudanças estruturais radicais (que passam todos eles por mecanismos de transferências fiscais redistributivas), a Euro-zona consolidará-se como um espaço assimétrico de acumulaçom de capitais no que as economias periféricas se verám condenadas a desenvolver-se em algumha das soluçons de equilíbrio sem crescimento possíveis, por utilizar um eufemismo economicista, ou, no pior dos casos, aquela acabará saltando parcial ou totalmente polo ar.

O problema é que essas reformas radicais nom só nom aparecem na agenda europeia, senom que som sistematicamente vetadas por Alemanha. De facto, acho que é facilmente constatável como nestes momentos, no seio da Euro-zona, existem tensons entre os interesses das elites económicas e financeiras europeias e os das classes populares do conjunto da Euro-zona, mais intensas no caso das dos Estados periféricos; entre os interesses da Alemanha e outros Estados do centro e os dos Estados da periferia; e entre as propostas de soluçom das crises impostas polas supra-citadas elites e Estados e a lógica económica mais elementar, a que fica expressada nas principais identidades marco-económicas que recolhem a interrelaçom entre os balanços dos sectores privado, público e externo das economias da Euro-zona. Todas essas tensons, devidamente geridas por quem possuim o poder nos diferentes âmbitos de expressom do mesmo, som funcionais à consolidaçom de umha Euro-zona assimétrica, no sentido já assinalado, e dominada por Alemanha.

IV

Mas, ademais, essas tensons cegam a possibilidade de umha saída à crise para as classes populares que nom seja de ruptura, tal e como se apontou ao começo deste texto. O problema apresenta-se quando quem unicamente estám a expor essa possibilidade de ruptura unilateral, de saída do euro, somos partidos nacionalistas de extrema direita, apropriando-se de um sentimento de insatisfaçom popular crescente contra o euro, fronte a umha esquerda que segue invocando a opçom por umhas reformas que confrontam directamente com os interesses de quem pugérom ao seu serviço as potencialidades de dominaçom imperial pola via económica que facilita o euro. Desde esse ponto de vista, seria oportuno deixar de visualizar ao euro meramente como umha moeda e passar a assimilá-lo a umha arma de destruiçom maciça que está a destruir nom só o bem-estar dos povos europeus senom, também, o sentimento europeísta baseado na fraternidade entre esses povos que tanto trabalho custou construir.

O problema de credibilidade agrava-se para a esquerda quando, para promover as reformas necessárias, apela-se à activaçom de um sujeito, a ?classe trabalhadora europeia?, que actue como vanguarda na transformaçom da natureza da Euro-zona. E é que a situaçom da classe trabalhadora na Europa nunca se encontrou mais deteriorada no que a consciência e identidade de classe refere-se, sem que isso mingüe um pisco o facto incontestável de que a relaçom salarial segue sendo a pedra de toque essencial do sistema capitalista. Como escrevia recentemente Ulhrich Beck, vivemos a tragédia de estar em momentos revolucionários sem revoluçom e sem sujeito revolucionário. Aí é nada.

Em todo o caso, o horizonte clarificar-se-ia se a esquerda fosse capaz de dar umha resposta crível a umha questom que se nega a considerar e que, contodo, pode manifestar-se mais pronto que tarde no palco europeu e, concretamente, na Grécia: que poderia fazer um governo de esquerdas que alcançasse o poder num único país da periferia- Deveria esperar a que estivessem dadas as condiçons objectivas no resto da Euro-zona para proceder à sua reforma, sendo conscientes que isso exige o voto unânime de 27 Estados, ou deveria aproveitar a janela de oportunidade que a história lhe permitiu abrir e promover a saída desse Estado do euro-

Evidentemente, a resposta nom é fácil mas também nom cabe fazer-se armadilhas ao solitário. Para isso é necessário reconhecer de partida que, no marco do euro, nom há margem algum para políticas realmente transformadoras que actuem em benefício das classes populares. É mais, atrever-me-ia a afirmar que nesse marco nom há margem algum para a política porque esta foi seqüestrada polo tipo de institucional idade desenvolvida para dar carta de natureza a umha moeda que carece detrás de qualquer tipo de projecto de construçom de umha comunidade política integradora dos povos da Europa. É por isso que resulta um contra-senso reclamar processos constituintes quando a condiçom de possibilidade prévia para que esse processo possa realizar-se com plenitude é a ruptura com o marco institucional, político, económico e legal que impom o euro. umha comunidade só pode refundar-se através de um processo constituí-te se o fai sem restriçons de partida prévias, impostas desde fora e que actuam, para mais inri, em detrimento dos interesses das mesmas classes populares que reclamam esse processo constituinte.

Ou, por dizê-lo noutros mos ter, a ruptura com o euro nom é condiçom suficiente mas sim necessária para qualquer projecto de transformaçom social emancipatório ao que poda aspirar a esquerda. Portanto, reivindicar a revoluçom em abstracto e, simultaneamente, tratar de preservar a moeda europeia e as instituiçons e políticas que lhe som consubstanciais nesta Europa do Capital até que se dem as condiçons europeias para a sua reforma, constitui umha contradiçom nos termos que resta credibilidade ante umhas classes populares que parecem identificar ao inimigo com maior claridade que os dirigentes da esquerda.

É por isso que até que essa contradiçom nom seja assumida e superada e os discursos políticos e económicos sejam ambos de ruptura e corram em paralelo; até que a saída do euro seja percebida nom só como um problema, senom também como parte da soluçom à situaçom dependente das economias periféricas ao abrir o horizonte de possibilidades para se recompor como economias e buscar a sua senda de desenvolvimento na produçom e provisom de bem-estar de umha forma mais auto-centrada e menos dependente da sua inserçom na economia mundial; até que deixe de atenazar-nos o medo a romper as correntes do euro por carecer de certezas absolutas sobre como poderia ser a vida fosse do mesmo, da mesma forma que atenazava a quem se negavam a romper com o patrom ouro trás a Grande Depressom dos anos trinta do século passado; até que todo isso nom ocorra só me fica prognosticar, com pesar, um comprido período de sofrimento social e económico para os povos e trabalhadores da periferia europeia.

Alberto Montero Soler (Twitter: @amonterosoler) é professor de Economia Aplicada da Universidade de Málaga. Podes ler outros textos seus no seu blog A Outra Economia.

22-12-2013

  19:55:09, por Corral   , 536 palavras  
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Galiza: O saqueio do dinheiro público converte as máfias familiares em milionárias.

Escandalosas adjudicaçons de Feijóo à empresa da sua irmá
Eulen foi beneficiada durante todo 2013 com contratos de diferentes conselharias da Junta e a Televisom Galega

o de Alberto Núñez Feijóo mantém as suas adjudicaçons milionárias à empresa Eulen, da que é apoderada Micaela Núñez Feijóo, irmá do presidente autonómico. Segundo reflecte a web da Junta www.contratosdegalicia.es, o citado grupo de empresas recebeu este ano contratos desde diferentes conselharias e da Televisom galega.

Perto de 800.000 euros em Janeiro e Março

Em Janeiro, a empresa da irmá de Feijóo foi adjudicaria de um contrato de 207.940,00 euros sem IVE da Conselharia de presidência para o serviço de vigilância e segurança em vários edifícios judiciais da Junta. Três meses depois, em Março conseguiu o contrato de serviços de portaria , manutençom e limpeza das instalaçons desportivas autárquicas da Câmara municipal de Fene, por 577.025,48 euros sem IVE.

Maio, um mês de ouro

Em maio passado, a Televisom da Galiza adjudicou-lhe a Eulen o contrato para o serviço de segurança por perto de um milhom de euros sem IVE, exactamente, de 930.000 euros. Nom foram as únicas adjudicaçons desse mês. Também conseguiu o serviço de limpeza de edifícios e locais autárquicos da Câmara municipal de Sada por 709.061 euros e o contrato da conselharia de Trabalho e Bem-estar para a gestom do serviço público denominado Pontos de Encontro Familiar de Pontevedra e Vigo", por um custo de 357.000 euros.

Mais contratos em Setembro

Em Setembro, Eulen foi beneficiada com a manutençom do edifício administrativo da Escola Galega de Administraçom Pública (EGAP), por 41.500 euros e, ademais, recebeu da Conselharia de Trabalho e Bem-estar a adjudicaçom do serviço de controlo das instalaçons do Centro Coordenador de Informaçom e Documentaçom Juvenil, por 21.340, 80 euros.

As polémicas adjudicaçons à sobrinha de Romay Beccaría

Feijóo manteve as adjudicaçons à empresa da sua irmá depois dos contratos milionários que lhe concedeu em 2012, como informou ELPLURAL.COM.

Nom som as únicas adjudicaçons questionáveis do presidente galego, que em Janeiro deste ano deu o contrato para o desenvolvimento do portal das entidades locais da Galiza, um plano cofinanciado polo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, à empresa Atos Origin, da que é apoderada a sobrinha de José Manuel Romay Beccaría, presidente do Conselho de Estado. umha adjudicaçom de 455.000 euros.

Umha empresa com sede em Madrid

Segundo denunciou a Galiza Confidencial, a empresa da sobrinha de Romay Beccaría, com sede em Madrid, recebeu quase meio milhom de euros por actualizar umha web já existente.

Há um mês, a mesma agência da Junta contratava a Atos para um "serviço complementar de evoluçom e manutençom de sistema de gestom de pessoal da Junta" por 135.755 euros sem IVE. Segundo comprovou o citado diário, no Registro Mercantil, Cármen Martin de Pozuelo Romay é a apoderada desta consultora, que suma 4,6 milhões em contratas do Governo galego, 312.000" mediante encargos adjudicados a dedo.

Colaboradora de Feijóo em Correios

Martin de Pozuelo é sobrinha de Romay Beccaría, presidente do Conselho de Estado. Feijóo fichou-na para a sua equipa quando dirigia Correios e também quando esteve como conselheiro de Política Territorial.

A Junta de Galicia, quanto menos, deu cinco contratos a Atos Origin a dedo desde que governa Alberto Nuñez Feijóo. No últimos quatro anos, a consultora alcançou ao todo mais de 4.5 milhões da administraçom autonómica.

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