15-06-2012

  21:42:06, por Corral   , 1342 palavras  
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Soluções que se afastem do poder popular servem o capital

por Elisseos Vagenas [*

http://pt.kke.gr/news/news2012/2012-06-12-synentefxi/

1. Os resultados das eleições demonstram que o sistema dos dois partidos acabou. Que desenvolvimentos levaram a isto e o que nos mostram os equilíbrios políticos de hoje?

Resposta: O resultado demonstra que eles procuram fazer um esforço de cirurgia cosmética no sistema de dois partidos. Eles reapresentaram velhos dilemas chantagistas aos trabalhadores num novo "pacote". A classe burguesa, a fim de manter o seu poder procura livrar-se ou dar papéis secundários à maior parte dos partidos e figuras políticas já gastas. Ela está a preparar uma reestruturação do cenário político, devido aos danos sofridos pelos partidos burgueses básicos, o social-democrata PASOK e o conservador ND. Há uma tentativa para formar um pólo centro-direita em torno do ND e um pólo centro-esquerda em torno do social-democrata SYRIZA. A tentativa de reduzir a força eleitoral do KKE faz parte deste plano.

2. O que argumentou e propôs o KKE nas eleições? Qual era a sua linha geral e o que ele diz hoje?

Nas eleições de 6 de Maio o KKE promoveu amplamente a sua proposta política a qual destaca que a classe trabalhadora tem necessidade do poder popular sobre a economia, com desligamento da UE e cancelamento unilateral da dívida, com a socialização dos meios de produção concentrados, as cooperativas de produtores, planeamento à escala nacional para a plena utilização do potencial de produção do país, com controle da classe trabalhadora e do povo o qual operará de baixo para cima.

3. Os partidos do poder perderam muitos votos. A indignação foi expressa através de partidos que não tomaram uma posição frontal contra a Troika, a UE, o FMI, enquanto o KKE está todos os dias no meio das lutas, ao lado dos trabalhadores, desempregados, auto-empregados, etc. Por que o KKE não recebeu um resultado correspondente?

O KKE teve um pequeno aumento nesta eleição. Especificamente, recebeu 536.072 votos ou 8,5%, ou seja, +18.812 votos ou +1%. O KKE elegeu 26 deputados (dos 300 no Parlamento), 5 mais do que tinha anteriormente. Nos bairros da classe trabalhadora o KKE recebeu quase o dobro da sua percentagem média. Na verdade em uma das 56 regiões eleitorais (Samos-Ikaria) o KKE ficou em primeiro lugar com 24,7%. Deveria ser observado que 8,5% é a mais alta percentagem do partido em eleições parlamentares nos últimos 27 anos, desde 1985.

O KKE não tem ilusões parlamentares no sentido de que não espera aumentar gradualmente os seus votos até um dia em que terá uma maioria no parlamento e formará um governo "comunista". Estamos a lutar pelo socialismo-comunismo e se isto pudesse ocorrer através de eleições burguesas então a classe burguesa já teria abolido eleições.

Deste ponto de vista é incorrecto comparar os resultados eleitorais do KKE com aqueles de uma formação social-democrata, tal como o SYRIZA.

Deveríamos recordar que dois anos e meio atrás o PASOK, o outro partido social-democrata, recebeu 44% dos votos ao passo que desta vez recebeu apenas 13%. Este declínio, o qual teve lugar em condições de fluidez política promoveu o SYRIZA, sua relação ideológica mais próxima.

4. O KKE argumenta que sem poder popular e socialização dos meios de produção, não pode ser formado um governo que esteja a favor dos trabalhadores. Hoje, quando as condições para esta direcção não existem, isto é, para o poder popular, o que propõe o KKE? Que exigências promove ele na situação de hoje?

Uma vez que o nosso país permanece ligado a uniões imperialistas, NATO e UE, e o poder pertence aos capitalistas, não pode haver nenhum governo a favor do povo. A posição do KKE é pela organização da luta dos trabalhadores, dos agricultores pobres, dos estratos populares baixos-médios contra as medidas anti-povo que serão tomadas pelo governo (seja centro-direita ou centro-esquerda). Acreditamos que através desta luta forças serão libertadas da ideologia burguesa e será formada uma aliança social que colocará a questão do poder.

5. O que é o programa mínimo do KKE, o qual responda às exigências e lutas dos trabalhadores?

O KKE insiste e está firmemente orientado para a necessidade e oportunidade do socialismo. Ele considera que as pré-condições materiais para a criação da sociedade socialista-comunista existem. Além disso, tendo estudado a experiência histórica do movimento comunista grego e internacional, o KKE chegou à conclusão de que as visões respeitantes a uma "etapa intermediária" entre capitalismo e socialismo foram erradas. Na nossa opinião, esta avaliação não vingou em parte alguma!

O poder será ou um poder burguês ou o poder popular dos trabalhadores; não pode haver qualquer poder que tenha um carácter intermediário. Nesta base, o KKE hoje não combate por qualquer etapa intermediárias e portanto não tem programa mínimo. Naturalmente isto não significa que tenha apenas uma estratégia e não tácticas. As tácticas do KKE promovem a necessidade de congregar o povo trabalhador em torno de objectivos de luta, tanto para a defesa dos trabalhadores, do povo e dos direitos democráticos como para a satisfação das necessidades actuais do povo. Temos posições bem elaboradas e objectivos de luta para todos os problemas do povo. Contudo, declaramos abertamente que sob as condições do capitalismo quaisquer êxitos que o povo trabalhador possa obter serão temporários sem a aquisição do poder popular dos trabalhadores.

6. Como o descontentamento e indignação popular serão organizados pelo partido?

Os comunistas estão na vanguarda da luta em relação a todo problema que o povo enfrenta. Procuramos mobilizar os trabalhadores e os estratos populares pobres no caminho da luta através dos sindicatos, da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) o qual é pólo com orientação de classe nos sindicatos, bem como através de outras formas de organização, como os Comités Populares nos bairros.

7. O que são os dilemas que eles estão a colocar diante do povo e o que o partido tem a dizer acerca disto?

A classe burguesa e seus partidos colocam falsos dilemas antes das eleições a fim de aprisionar forças populares e impedi-las de se aproximarem do KKE. Mas não podemos explicar isto de um modo analítico devido à falta de espaço. Podemos abreviadamente mencionar um destes dilemas: "euro ou dracma?" Consideramos que isto é um falso dilema. Para começar, se a Grécia permanecer no euro ou não depende do desenvolvimento da crise capitalista no país e na Europa. Além disso, só a questão da divisa, sem o derrube do poder da classe burguesa, sem a socialização dos meios de produção básicos, o planeamento central da economia e o controle dos trabalhadores, não pode garantir uma vida melhor para os trabalhadores.

8. Qual é a linha política do partido em relação a alianças?

O KKE tem uma política de alianças a qual tem uma base social. Ele acredita numa aliança da classe trabalhadora, dos estratos populares na cidade e no campo que entrarão em conflito com os monopólios e o imperialismo. Esta aliança está a ser formada hoje através das respectivas mobilizações populares com a perspectiva de por em causa o pode dos monopólios.

9. Por que o KKE rejeitou o convite do SYRIZA para um governo de esquerda? Qual é o carácter de classe do SYNAPISMOS e que classes ele representa?

Acreditamos que um "governo de esquerda" seja incapaz de resolver os problemas do povo e, pelo contrário, irá piorá-los. Naturalmente isto não pode ser entendido por todo o povo trabalhador e outros estratos tais como os pequenos negociantes que estão a ser destruídos pela crise. O SYRIZA foi escolhido por uma parte da burguesia a qual o encara como a força básica num governo que fará o "trabalho sujo" da crise capitalista, que administrará uma possível bancarrota.

10. O que prevê para o após 17 de Junho?

Qualquer governo nas condições da crise capitalista, na estrutura do sistema capitalista, com o país aprisionado na UE e na NATO, tomará medidas anti-povo.

O KKE é um partido para todas as estações e demonstrou isso na sua história de 93 anos. No entanto, é importante frustrar os planos para o seu enfraquecimento nas eleições de Junho de modo a que possa desempenhar um papel importante no contra-ataque dos trabalhadores e do povo com toda a força possível.
12/Junho/2012

[*] Membro do CC e responsável da Secção Internacional do CC do KKE. Entrevista ao jornal turco Evrensel.

e-mail:cpg@int.kke.gr

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14-06-2012

  00:49:05, por Corral   , 400 palavras  
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Livro censurado no reino boubónico de Espanha- O saqueio dos banqueiros é terrorismo financeiro

Resistir.info

O famoso investigador espanhol Vicente Navarro, que trabalhou 40 anos na John Hopkins University, acaba de ter o livro Hay alternativas: Propuestas para crear empleo y bienestar en España censurado pelas críticas que faz à situação económico-social da Espanha e da UE. O livro, elaborado em co-autoria com os economistas Juan Torres López e Alberto Garzón Espinosa e com prefácio de Noam Chomsky, estava pronto para ser lançado mas a editora Aguilar arrependeu-se e decidiu abortar o lançamento. Diante disso, os autores resolveram fazer uma carta-denúncia pública e divulgar o livro gratutitamente através da Internet. O livro pode ser descarregado aqui (224 pgs., 1,7 MB) Ha alternativas (clique com o botão direito do rato e faça Save As...).

Algumas das afirmações contidas no livro:

Que a crise mundial é terrorismo financeiro

Que a Espanha é o único país da OCDE onde os salários reais não cresceram nos últimos 15 anos

Que não temos vivido acima das nossa possibilidade e sim que os salários estiveram abaixo das nossas necessiddes

Que há 20 anos a diferença de remunerações entre dirigentes e assalariados era 10-20 vezes superior e agora é até 100-200 vezes superior

que os países que estão suportando bem a crise são aqueles do Norte da Europa, onde os serviços sociais ocupam uns 25% e na Espanha só cerca de 9% e estes serviços sociais são financiados, na Suécia, com a política fiscal

que portanto, quando dizem que há que reduzir a despesa pública e reduzir os salários para gerar riqueza e emprego, é exactamente o contrário e isso é explicado no livro com todo o pormenor

que a diferença entre a Suécia e a Espanha é que lá os ricos pagam os impostos e em Espanha só pagam os trabalhadores em folha de pagamento, mas que entre as grandes empresas espanholas a maioria só declara uns 10% dos seus lucros, e que as grandes fortunas só cerca de 1%. Para isso, utilizam os paraísos fiscais e outras tretas que até os bancos, seus cúmplices, os ajudam a desviar

que os planos de austeridade que nos impõem conduzem as economias no rumo do desastre
que em Espanha, com os 40 anos de ditadura, onde o poder da banca e dos empresários estava muito unido à política, ainda segue essa tendência: o poder de classe (v. pgs. 109-110)
Face à atitude de censura da Aguilar, os autores entregaram a publicação em papel às Ediciones Sequitur, que fará o lançamento em colaboração com o ATTAC.

13-06-2012

  01:17:16, por Corral   , 826 palavras  
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O Governo de Rajoy mente e leva ao povo à ruína, enquanto os banqueiros nos saqueiam

Jesús Gellida
Rebeliom

Mais umha vez o governo do Estado mente e situa-se a favor da banca e dos seus interesses à conta de seguir empobrecendo à imensa maioria da populaçom.

Mas, a quem lhe surpreende? Em pouco mais de cinco meses subírom os impostos, aprovárom umha amnistia fiscal, impusêrom umha reforma laboral muito agressiva contra os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras (1), recortárom os orçamentos em sanidade, educaçom, serviços sociais, investigaçom, reduziram o gasto em investimento público, etc. De todo isto nada dizia o seu programa eleitoral. Mas, e que? a quem lhe surpreende? Que se esperava deste governo?

Assim, temos um contexto no qual ao mesmo tempo que se impom recortes em direitos sociais e laborais dom-se toda umha série de ajudas multi-milionárias ao sector financeiro, chegando ao passado sábado 9 de Junho quando se fai pública a necessidade de um primeiro resgate de até 100.000 milhões de euros para a banca espanhola (2). Mas, o governo continua mentindo dizendo que este resgate nom é tal senom que é um empréstimo em condições muito favoráveis e que só afectará à banca. Isto nom é assim posto que o receptor deste dinheiro será o Fundo de Reestruturaçom Ordenada Bancária (FROB), um organismo público que desembolsará o dinheiro às entidades financeiras com problemas, o qual implicará um novo aumento da dívida pública espanhola de até 10% do PIB e que os interesses pagos computem como gasto a efeitos de deficit. Assim mesmo o comunicado do Euro-grupo deixa claro que é o Estado o que assinará o Memorándum de Entendimento onde se fixam as condições do resgate e que, portanto, será o Estado ele responsável por devolver estas ajudas se o sector financeiro espanhol nom é capaz de reembolsar os recursos recebidos através do FROB. À vez, o ministro de economia alemám anunciou que a troika formada pola Comissom Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu controlará a reestruturaçom da banca do Estado espanhol e, como era de esperar, já se fixo público que o resgate estará estreitamente vinculado ao cumprimento do Pacto de Estabilidade.

Mas, alguém pode-se achar que este resgate nom implicou e implicará mais recortes? Há que lembrar que o passado dia 30 de Maio a Comissom Europeia fazia umha série de "recomendaçoes" para o Estado espanhol, onde entre outros assuntos advertia que as potenciais operações de resgate financeiro para o país podem supor um risco para o deficit, actualmente em 8,9% do PIB . Assim mesmo, o objectivo do deficit que marca a Uniom Europeia através do Pacto de Estabilidade é de 3% para o 2013, mas este poderia alargar-se num ano para Estados com dificuldades (como o espanhol) com a condiçom de que se aprofunde nestas "recomendaçoes" da Comissom (3), é dizer, mais recortes em direitos sociais e laborais. Neste ponto é importantíssimo fazer mençom a que durante o verao de 2011 o governo do PSOE com o apoio do PP modificou de forma urgente a constituiçom espanhola para introduzir a limitaçom do deficit e, portanto, restringir o gasto público (o qual inclui o gasto público social). Assim pois, o Estado garante os interesses da banca a expensas do gasto público, é dizer, socializar as perdas do sector financeiro.

Contodo isto, temos um panorama no que continuárom as reformas estruturais em nome da reduçom e controlo do deficit, reformas que nom som outra cousa que mais recortes e retrocessos em direitos e prestações sociais conquistados historicamente, que à vez trarám umha agravaçom da pobreza e das desigualdades sociais (4). Neste sentido há que dizer que esta situaçom beneficia e muito a umha classe social muito concreta que está a utilizar esta crise para conseguir o que sempre pretendeu, a privatizaçom da maioria de serviços públicos que podam ser rendíveis, a socializaçom das suas possíveis perdas e o descendo dos salários e da protecçom social, é dizer, umha transferência das rendas do trabalho ao capital maciças.

Assim pois, há que fazer muita pedagogia política para consciencializar à maioria da populaçom de que o que esta passando nom é umha crise, senom umha estafa, um saque que nos leva às classes populares e trabalhadoras à ruína. Portanto, temos que reagir, tomar consciência e perder o medo, para assim organizar-nos e mobilizar-nos de forma maciça e continua exigindo, entre outras medidas, umha verdadeira banca pública baixo um estrito controlo social, à vez que expondo alternativas (5) ao sistema.

Notas:

(1) Ver o artigo "A última reforma laboral: um ataque frontal à classe trabalhadora" .

(2) O Banco de Espanha estima que o sistema bancário do Estado tem activos tóxicos por umha soma de 176.000 milhões de euros.

(3) Subida do IVE, aceleraçom no atraso da idade de jubilaçom, controlo do gasto nas comunidades ou endurecimento das prestações por desocupaçom, etc.

(4) Ver o artigo "O empobrecimento contínuo da maioria da sociedade" .

(5) Ver as alternativas que se expom no último parágrafo do artigo sobre o 12M15M.

Blog do autor: http://jgellida.blogspot.com/

Rebeliom publicou este artigo com a permissom do autor mediante umha licença de Creative Commons, respeitando a sua liberdade para publicar noutras fontes.

11-06-2012

  17:18:44, por Corral   , 1655 palavras  
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Como a Goldman Sachs capturou a Europa

O Mecanismo Europeu de Estabilização,
ou como a Goldman Sachs capturou a Europa
por Ellen Brown [*]

O golpe da Goldman Sachs que falhou na América está quase a ter êxito na Europa ? um salvamento permanente, irrevogável e incontestável para os bancos que é financiado pelos contribuintes.

Em Setembro de 2008 Henry Paulson, antigo presidente da Goldman Sachs, conseguiu extorquir do Congresso um salvamento bancário de US$700 mil milhões. Mas para ter êxito nisso ele precisou cair de joelhos e ameaçar de colapso todo o sistema financeiro global e ainda a imposição de lei marcial. E o salvamento era um caso pontual a ser efectuado só uma vez. O pedido de Paulson de um fundo de salvamento permanente ?Troubled Asset Relief Program ou TARP ? teve a oposição do Congresso e acabou por ser rejeitado.

Em Dezembro de 2011, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, antigo vice-presidente da Goldman Sachs Europe, conseguiu aprovar um salvamento de 500 mil milhões de euros para bancos europeus sem pedir permissão a ninguém. E em Janeiro de 2012, um programa de financiamento permanente de resgates, chamado Mecanismo de Estabilidade Europeia (MEE), foi aprovado na calada da noite mal sendo mencionado pela imprensa. O MEE impõe uma dívida ilimitada a governos membros da UE, colocando os contribuintes no anzol para seja o que for que venha a ser exigido pelos eurocratas supervisores do MEE.

O golpe dos banqueiros triunfou na Europa aparentemente sem um combate. O MEE é encorajado pelos governos da eurozona, pelos seus credores e igualmente pelo "mercado", porque significa que investidores continuarão a comprar dívida soberana. Tudo é sacrificado aos pedidos dos credores, porque de que outro lugar o dinheiro pode ser obtido para manter a flutuar as dividas paralisantes dos governos da eurozona?

Há uma outra alternativa à escravidão da dívida para com os bancos. Mas, em primeiro lugar, um olhar mais atento ao ventre abominável do MEE e à silenciosa tomada do BCE pelo Goldman.

O lado escuro do MEE

O MEE é um organismo de resgate permanente destinado a substituir tanto o European Financial Stability Facility como o European Financial Stabilization Mechanism, ambos temporários, assim que Estados Membros representando 90% dos compromissos de capital o houverem ratificado, o que se espera acontecer em Julho de 2012. Num vídeo do YouTube de Dezembro de 2011 intitulado "A chocante verdade do iminente colapso da UE" , apresentado originalmente em alemão, faz revelações sobre o MEE que vale a pena aqui citar extensamente. O vídeo afirma:

A UE está a planear um novo tratado chamado Mecanismo Europeu de Estabilidade, ou MEE: um tratado de dívida. ... O stock de capital autorizado será de 700 mil milhões de euros. Pergunta: por que 700 mil milhões? [Provável resposta: ele simplesmente imitou os US$700 mil milhões que o Congresso dos EUA comprou em 2009].

[Artigo 9º] "... Membros do MEE por este instrumento irrevogavelmente e incondicionalmente comprometem-se a pagar a pedido qualquer chamada de capital que se lhes faça ... dentro de sete dias após a recepção do pedido". ... Se o MEE precisar dinheiro, temos sete dias para pagar. ... Mas o que significa "irrevogavelmente e incondicionalmente"? O que acontece se tivermos um novo parlamento que não queira transferir dinheiro para o MEE? ...

[Artigo 10º] "O Conselho de Governadores pode decidir mudar o capital autorizado e emendar o Artigo 8 ... correspondentemente". Pergunta: ... 700 mil milhões é só o começo? O MEE pode aumentar o fundo tanto quanto quiser, em qualquer momento que quiser? E a nós então seria exigido sob o Artigo 9 que pagássemos irrevogavelmente e incondicionalmente?

[Artigo 27, linhas 2-3]: "O MEE, sua propriedade, recursos financeiros e activos ... desfrutará de imunidade em relação a toda forma de processo judicial ..." Pergunta: Então o programa MEE pode processar-nos, mas nós não podemos contestá-lo em tribunal?

[Artigo 27, linha 4]: "A propriedade, recursos financeiros e activos do MEE ... será imune a investigação, requisição, confisco, expropriação ou qualquer outra forma de captura, tomada ou arresto por acção executiva, judicial, administrativa ou legislativa". Pergunta: Isto significa que nem os nossos governos nem os nossos legisladores, nem qualquer das nossas leis democráticas têm qualquer efeito sobre a organização do MEE? Isto é um tratado bastante poderoso!

[Artigo 30]: "Governadores, governadores suplentes, directores, directores suplentes, o director administrativo e os membros da equipe serão imunes a processos legais em relação a actos por eles desempenhados ... e desfrutarão de inviolabilidade em relação aos seus papéis e documentos oficiais". Pergunta: Então alguém envolvido no MEE está fora do anzol? Eles não podem ser responsabilizados por qualquer coisa? ... O tratado estabelece uma nova organização intergovernamental para a qual nos é exigido transferir activos ilimitados dentro de sete dias a simples pedido, a uma organização que pode processar-nos mas é imune a todas as formas de processo e cujos administradores desfrutam da mesma imunidade. Não há revisores independentes e não existem leis a aplicar? Os governos não podem efectuar acções contra ele? Orçamentos nacionais nas mãos de uma única organização inter-governamental não eleita? Será isso o futuro da Europa? Será isso a nova UE ? uma Europa destituída de democracias soberanas?

O polvo Goldman captura o BCE

Em Novembro último, sem fanfarras e mal notado pela imprensa, Mario Draghi, o antigo executivo da Goldman, substituiu Jean-Claude Trichet como governador do BCE. Draghi não perdeu tempo a fazer para os bancos o que o BCE se havia recusado a fazer para os seus governos membros ? despejar dinheiro sobre eles a taxas muito baratas. O bloguista francês Simon Thorpe informa:

Em 21 de Dezembro, o BCE "emprestou" 489 mil milhões de euros a bancos europeus à taxa extremamente generosa de apenas 1% em três anos. Digo "emprestou", mas na realidade eles apenas puseram as impressoras a funcionar. O BCE não tem esse dinheiro para emprestar. É Quantitative Easing mais uma vez.

O dinheiro foi devorado de forma virtualmente instantânea por um total de 523 bancos. É a loucura completa. O BCE espera que os bancos venham a fazer algo útil com ele ? como emprestar o dinheiro aos gregos, os quais estão actualmente a pagar 18% nos mercados de títulos para obterem dinheiro. Mas não há absolutamente nenhumas condições adstritas. Se os bancos decidirem pagar bónus com o dinheiro, tudo bem. Ou podem simplesmente transferir todo o dinheiro para paraísos fiscais.

A juros de 18%, a dívida duplica em apenas quatro anos. É este oneroso fardo de juros, não a própria dívida, que está a paralisar a Grécia e outros países devedores. Thorpe propõe a solução óbvia:

Por que não emprestar o dinheiro directamente para o governo grego? Ou para o governo português, actualmente tendo de contrai empréstimos a 11,9%? Ou ao governo húngaro, actualmente a pagar 8,53%? Ou ao governo irlandês agora a pagar 8,51%? Ou ao governo italiano, o qual está a pagar 7,06%?

A objecção de reserva àquela alternativa é que o Artigo 123 do Tratado de Lisboa impede o BCE de emprestar a governos. Mas Thorpe raciocina:

O meu entendimento é que o Artigo 123 está ali para impedir governos eleitos de abusarem de Bancos Centrais ordenando-lhes que imprimam dinheiro para financiar gastos excessivos. Essa, dizem-nos, é a razão porque o BCE tem de ser independente de governos. OK. Mas o que temos agora é um milhão de vezes pior. O BCE está agora totalmente nas mãos do sector bancário. "Queremos 500 milhões de dinheiro realmente barato!!" dizem eles. OK, não há problema. Mário está aqui para acertar isso. E não é preciso consultar ninguém. No momento em que o BCE fez o anúncio, o dinheiro já havia desaparecido.

Se o BCE estivesse a trabalhar pelo menos sob a supervisão de governos eleitos teríamos alguma influência quando elegemos aqueles governos. Mas o grupo que agora tem as suas mãos encardidas nos instrumentos de poder agora está totalmente fora de controle.

A Goldman Sachs e os tecnocratas financeiros apossaram-se do navio europeu. A democracia saiu pela janela, tudo em nome da manutenção do banco central independente de "abusos" de governos. Mas o governo é o povo ? ou deveria ser. Um governo eleito democraticamente representa o povo. Os europeus estão a ser ludibriados para abrir mão da sua querida democracia em favor de um perigoso banco de piratas financeiros, e o resto do mundo não fica muito atrás.

Ao invés de ratificar o draconiano tratado MEE [1] , os europeus seriam mais avisados se revertessem o artigo 123 do tratado de Lisboa. Então o BCE poderia emitir crédito directamente para os seus governos membros. Alternativamente, governos da eurozona poderia restabelecer sua soberania económica pela ressurreição dos seus bancos centrais de propriedade pública e utilizá-los para emitir o crédito do país em benefício do país, efectivamente isento de juro. Isto não é uma ideia nova mas historicamente tem sido utilizada com muito bom efeito, na Austrália por exemplo através do Commonwealth Bank of Australia e no Canadá através do Bank of Canada .

Hoje a emissão de dinheiro e crédito tornou-se direito privado de rentistas vampiros, os quais estão a utilizá-lo para extrair o sangue vital de economias. Este direito precisa ser devolvido a governos soberanos. O crédito deveria ser um serviço público (public utility), distribuído e administrado para o benefício do povo.
19/Abril/2012

[1] O parlamento português ratificou o Tratado do MEE em 13/Abril/2012, com os votos favoráveis do PS, PSD e CDS.

Ver também:
MEE, o novo ditador europeu , Rudo de Ruijter
MEE, um golpe de estado em 17 países , Rudo de Ruijter
MEE: A ilegalidade da emenda do artigo 136 , Rudo de Ruijter
Acção colectiva contra o Mecanismo Europeu de Estabilidade, o novo ditador europeu
"Ignorem os títulos. Não há aumento do fundo de resgate para 700 mil milhões de euros" , Wolfgang Münchau
Não ao tratado fiscal
Os problemas da zona euro e a dificuldade de saída , Arturo Huerta González
O Tratado da austeridade da UE , Yiorgos Vassalos
Tratado estúpido , Octávio Teixeira

[*] Procuradora e presidente do Public Banking Institute, http://PublicBankingInstitute.org . Em Web of Debt, o mais recente dos seus onze livros, ela mostra como um cartel privado usurpou o poder de criar dinheiro e como nós o povo podemos recuperá-lo. Seus sítios web são http://WebofDebt.com e http://EllenBrown.com .

O orginal encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=30403

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

  17:09:02, por Corral   , 4068 palavras  
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Colapso financeiro à vista: Quando é o "mais cedo ou mais tarde"?

por Paul Craig Roberts [*]

Desde o princípio da crise financeira e do Alívio quantitativo (Quantitative Easing), a questão tem estado diante nós: Como pode o Federal Reserve manter taxas de juro zero para bancos e taxas de juro reais negativas para poupadores e possuidores de títulos quando o governo dos EUA está a acrescentar US$1,5 milhão de milhões (trillion) à dívida nacional a cada ano através dos seus défices orçamentais? Não muito tempo atrás o Fed anunciou que ia continuar esta política por mais dois ou três anos. Na verdade, o Fed está trancado nesta política. Sem as taxas de juro artificialmente baixas, o serviço da dívida sobre a dívida nacional seria tão grande que levantaria questões acerca da classificação de crédito do Tesouro dos EUA e da viabilidade do dólar ? e assim os milhões de milhões de dólares em taxas de juro swaps e outros derivativos ficariam decompostos.

Por outras palavras: a desregulamentação financeira que levou aos jogos da Wall Street, a decisão do governo estado-unidense de salvar os bancos e mantê-los a flutuar e a política de taxa de juro zero do Federal Reserve colocaram o futuro económico dos EUA e da sua divisa numa posição indefensável e perigosa. Não será possível continuar a inundar os mercados de títulos com US$1,5 milhão de milhões (trillion) em novas emissões a cada ano quando a taxa de juros sobre os títulos é menor do que a taxa de inflação. Todos os que compram um título do Tesouro estão a comprar um activo depreciado. Além disso, o risco capital de investir em títulos do Tesouro é muito alto. A taxa de juro baixa significa que o preço pago pelo título é muito elevado. Um aumento das taxas de juro, o qual deve ocorrer mais cedo ou mais tarde, provocará o colapso do preço dos títulos e infligirá perdas capitais aos seus possuidores, tanto internos como estrangeiros.

A questão é: quando é este mais cedo ou mais tarde? O objectivo deste artigo é examinar essa questão.

Vamos começar por responder à pergunta: como foi possível uma tal politica indefensável perdurar tanto tempo?

Um certo número de factores está a contribuir para a estabilidade do dólar e do mercado de títulos. Um factor muito importante é a situação na Europa. Ali também há problemas reais e a imprensa financeira continua a centrar-se na Grécia, na Europa e no euro. Será que a Grécia sairá da União Europeia ou será chutada para fora? Será que o problema da dívida soberana propagar-se-á à Espanha, Itália e basicamente por toda a parte excepto a Alemanha e a Holanda?

Será o fim da UE e do euro? Trata-se de perguntas muito dramáticas que mantém o foco fora da situação americana, a qual provavelmente ainda é pior.

O mercado de títulos do Tesouro também é ajudado pelo medo que investidores individuais têm do mercado de acções, o qual foi transformado num casino de jogo através do trading de alta-frequência.

O trading de alta-frequência é uma comercialização electrónica baseada em modelos matemáticos que tomam as decisões. As firmas de investimento competem na base da velocidade, na captura de ganhos numa fracção de um cêntimo e talvez na manutenção de posição por apenas uns poucos segundos. Estes não são investidores a longo prazo. Contentes com as suas receitas diárias, eles fecham todas as posições no fim de cada dia.

Os negócios de alta-frequência actualmente representam 70% a 80% de todas as transacções de acções. O resultado é uma grande azia para os investidores tradicionais, os quais estão a abandonar o mercado de acções. Eles acabam nos títulos do Tesouro porque estão inseguros quanto à solvência de bancos que pagam quase nada por depósitos, ao passo que títulos do Tesouro a 10 anos pagarão cerca de 2% nominais, o que significa, utilizando o Índice oficial de Preços no Consumidor, que estão a perder 1% do seu capital a cada ano. Utilizando a medição correcta da inflação de John Williams ( www.shadowstats.com ), eles estão a perder muito mais. Ainda assim, a perda é cerca de 2 pontos percentuais a menos do que estar num banco e, ao contrário dos bancos, o Tesouro pode ter o Federal Reserve a imprimir dinheiro para liquidar seus títulos. Portanto, o investimento em títulos pelo menos retorna a quantia nominal do investimento, mesmo que o seu valor real seja muito mais baixo. (Para uma descrição do trading de alta frequência, ver: http://en.wikipedia.org/wiki/High_frequency_trading )

Os media financeiros presstitutos contam-nos que a fuga da dívida soberana europeia, do euro condenado, e do contínuo desastre imobiliário para os títulos do Tesouro dos EUA proporciona financiamento para os défices anuais de US$1,5 milhão de milhões de Washington. Investidores influenciados pela imprensa financeira podem estar a responder desta forma. Outra explicação para a estabilidade da indefensável política do Fed é a conivência entre Washington, o Fed e a Wall Street. Examinaremos isso quando avançarmos.

Ao contrário do Japão, cuja dívida nacional é a maior de todas, os americanos não possuem a sua própria dívida pública. Grande parte da dívida dos EUA é possuída no estrangeiro, especialmente pela China, Japão e OPEP, os países exportadores de petróleo. Isto coloca a economia estado-unidense em mãos estrangeiras. Se a China, por exemplo, fosse indevidamente provocada por Washington, ela podia despejar US$2 milhões de milhões em activos denominados em US dólar nos mercados mundiais. Todas as espécies de preços entrariam em colapso e o Fed teria rapidamente de criar o dinheiro para comprar a descarga chinesa de instrumentos financeiros denominados em dólar.

Os dólares impressos para comprar os rejeitados haveres chineses de activos em US dólares expandiriam a oferta de dólares nos mercados de divisas e atirariam para baixo a taxa de câmbio do dólar. O Fed, falto de divisas estrangeiras para comprar os dólares, teria de recorrer à troca de moedas (currency swaps) por dívida soberana da Europa em perturbação para [obter] euros, à Rússia, cercada pelo sistema de mísseis estado-unidense, para obter rublos, ao Japão, um país pior que os EUA em matéria de compromissos, para obter yens, a fim de comprar os dólares com euros, rublos e yens.

Estas trocas de moedas estariam nas contabilidades, irresgatáveis e tornando problemática a utilização ulterior de tais swaps. Por outras palavras, mesmo que o governo dos EUA possa pressionar seus aliados e fantoches a trocar suas divisas mais sólidas por uma divisa estado-unidense em depreciação, isto não seria um processo repetível. Os componentes do Império Americano não querem ficar com dólares nem tão pouco os BRICs.

Contudo, para a China, por exemplo, despejar subitamente seus haveres em dólares seria custoso pois o valor dos activos denominados em dólar declinaria quando os despejassem. A menos que a China seja confrontada com um ataque militar dos EUA e precise enfraquecer o agressor, a China como um actor económico racional preferiria sair do US dólar vagarosamente. Nem tão pouco o Japão, a Europa ou os OPEP pretendem destruir sua própria riqueza acumulada com os défices comerciais dos EUA despejando dólares, mas as indicações são de que todos eles pretendem sair dos seus haveres em dólar.

Ao contrário da imprensa financeira dos EUA, os estrangeiros que possuem activos em dólar vêem o orçamento anual e os défices comerciais estado-unidenses, vêem o afundamento da economia dos EUA, vêem as apostos não cobertas dos jogos da Wall Street, vêem os planos de guerra da hegemonia ilusória e concluem: "Tenho de sair fora disto com todo o cuidado".

Os bancos dos EUA também têm um forte interesse em preservar o status quo. Eles possuem Títulos do Tesouro dos EUA e potencialmente detentores ainda maiores. Eles podem tomar emprestado do Federal Reserve a taxas de juro zero e comprar Títulos do Tesouro a 2%, ganhando portanto um lucro nominal de 2% para compensar perdas derivadas. Os bancos podem tomar dólares emprestados do Fed gratuitamente e alavancá-los em transacções derivativas. Como coloca Numi Prins, os bancos estado-unidenses não querem comerciar contra si próprios e a sua fonte gratuita de financiamento com venda dos seus haveres em títulos. Além disso, no caso de fuga estrangeira dos dólares, o Fed poderia promover a procura externa de dólares com a exigência aos bancos estrangeiros que queiram operar nos EUA de aumentar as quantias das suas reservas, as quais estão baseadas no dólar.

Eu poderia prosseguir, mas acredito que isto é suficiente para mostrar que mesmo actores no processo que poderiam terminá-lo têm eles próprios um grande empenho em não balouçar o barco e preferem silenciosamente e vagarosamente escapar dos dólares antes de serem atingidos pela crise. Isto não é possível indefinidamente pois o processo de retirada gradual do dólar resultaria em pequenos declínios contínuos nos valores do dólar que acabariam numa corrida para a saída, mas os americanos não são o único povo iludido.

O próprio processo de sair vagarosamente pode deitar abaixo a casa americana. Os BRICs ? Brasil, a maior economia da América do Sul, a Rússia, a economia com armamento nuclear e energeticamente independente da qual a Europa Ocidental (os fantoches da NATO de Washington) estão dependentes para obter energia, a Índia, com armamento nuclear e um dos dois gigantes em ascensão da Ásia, a China, com armamento nuclear, o maior credor de Washington (com excepção do Fed), que fornece à América manufacturados e produtos de tecnologia avançada e o novo bicho papão para a próxima lucrativa guerra fria do complexo militar e de segurança, e a África do Sul, a maior economia da África ? estão em vias de formar um novo banco. O novo banco permitirá que as cinco maiores economias efectuem o seu comércio sem a utilização do US dólar.

Acresce que, o Japão, um fantoche americano desde a Segunda Guerra Mundial, está quase a entrar num acordo com a China no qual o yen japonês e o yuan chinês serão cambiados directamente. O comércio entre os dois países asiáticos seria efectuados nas suas próprias divisas sem a utilização do dólar estado-unidense. Isto reduz o custo do comércio externo entre os dois países, porque elimina pagamentos de comissões cambiais ao estrangeiro para converter o yen e o yuan em dólares e outra vez em yen e yuan.

Além disso, esta explicação oficial para o novo relacionamento directo evitando o US dólar é simplesmente a conversa diplomática. Os japoneses estão esperançosos, tal como os chineses, no abandono da prática de acumular cada vez mais dólares tendo de parquear seus excedentes comerciais em Títulos do Tesouro dos EUA. O governo fantoche japonês espera que a hegemonia de Washington não exija o veto a este acordo com a China.

Agora chegámos ao cerne da questão. A pequena percentagem de americanos que está consciente e informada está confundida porque os banksters, com os seus crimes financeiros, escaparam sem processo. A resposta pode ser que os bancos "demasiado grandes para caírem" são auxiliares de Washington e do Federal Reserve na manutenção da estabilidade do dólar e dos mercados de títulos do Tesouro a despeito da política indefensável do Fed.

Vamos ver primeiro como os grandes bancos podem manter baixas as taxas de juro dos títulos do Tesouro, abaixo da taxa de inflação, apesar do aumento constante da dívida dos EUA em percentagem do PIB ? preservando portanto a capacidade do Tesouro para atender ao serviço da dívida.

Os bancos demasiado grandes para cair que estão ameaçados têm um enorme desejo de taxas de juro baixas e do êxito da política do Fed. Os grandes bancos estão posicionados para tornar um êxito da política do Fed. O JPMorganChase e outros bancos de dimensão gigante podem conduzir para baixo as taxas de juro do Tesouro e, dessa forma, fazer subir os preços de títulos, produzindo uma corrida, com a venda de Interest Rate Swaps (IRSwaps).

Uma companhia financeira que venda IRSwaps está a vender um acordo para pagar taxas de juros flutuantes por taxas de juro fixas. O comprador está a comprar um acordo que lhe exige pagar uma taxa de juro fixa em troca da recepção de uma taxa flutuante.

A razão para um vendedor tomar o lado short das IRSwap, isto é, pagar uma taxa flutuante por uma taxa fixa, é a sua crença de que as taxas estão em vias de cair. O short-selling pode fazer as taxas caírem e portanto fazer subir os preços dos títulos do Tesouro. Quando isto acontece, como os gráficos em http://www.marketoracle.co.uk/Article34819.html ilustram, há uma corrida no mercado de títulos do Tesouro que os media financeiros presstitutos atribuem à "fuga para o abrigo seguro do US dólar e dos títulos do Tesouro". De facto, a evidência circunstancial (ver os gráficos no link acima) é de que os swaps são vendidos pela Wall Street sempre o Federal Reserve precise para impedir uma elevação nas taxas de juro a fim de proteger a sua política que de outra forma não seria sustentável. As vendas swap criam a impressão de uma fuga para o dólar, mas não ocorre nenhuma fuga real. Como os IRSwaps não exigem a troca de qualquer activos principal ou real e são apenas uma aposta em movimentos da taxa de juro, não há limite para o volume de IRSwasps.

Esta conivência aparente sugere a alguns observadores que a razão porque os banksters da Wall Street não foram processados pelos seus crimes é que eles são uma parte essencial da política do Federal Reserve para preservar o US dólar como divisa mundial. Possivelmente a conivência entre o Federal Reserve e os bancos é organizada, mas não tem necessariamente de ser. É do interesse dos bancos apoiá-la. A conivência organizada não é indispensável.

Vamos agora examinar as barras de ouro e de prata. Com base em análises sólidas, Gerald Celente e outros profetas talentosos previram que o preço do ouro seria de US$200 por onça-troy no fim do ano passado. O ouro e a prata em 2011 continuaram sua ascensão de dez anos, mas em 2012 o preço desses metais foi abatido, com o ouro descendo para US$350 por onça-troy da sua altura de US$1900.

Em vista da análise que aqui apresentei, qual é a explicação para a inversão nos preços do ouro e da prata? A resposta é mais uma vez o shorting. Algumas pessoas bem informadas dentro do sector financeiro acreditam que o Federal Reserve (e talvez também o Banco Central Europeu) coloca vendas à descoberto (short sales) de ouro e prata através de bancos de investimento, garantindo quaisquer perdas simplesmente teclando no computador, pois bancos centrais podem criar dinheiro a partir do ar.

Gente que sabe informa-me que como uma minúscula percentagem daqueles do lado short da compra realmente querem que o ouro ou a prata sejam entregues e ficam contentes com o acerto financeiro em dinheiro, não há limite para o short selling de ouro e prata. As vendas a descoberto podem realmente exceder a quantidade conhecida de ouro e prata.

Alguns que têm estado a observar o processo durante anos acreditam que a venda a descoberto dirigida pelo governo tem-se efectuado desde há muito tempo. Mesmo sem a participação do governo, bancos podem controlar o volume de comércio de papel em ouro e lucrar nas viragens criadas por eles próprios. Ultimamente o short selling é tão agressivo que não só amortece a ascensão do preço do ouro como também o conduz para baixo. Será esta agressividade um sinal de que o sistema manipulado está à beira de se desfazer?

Por outras palavras, o "nosso governo", que alegadamente nos representa, ao invés dos poderosos interesses privados que elegem o "nosso governo" com as suas contribuições de campanha de muitos milhões de dólares, agora legitimadas pela Supremo Tribunal Republicano, está a fazer tudo o que pode para privar-nos, a nós mero cidadãos, escravos, servidores vassalos e "extremistas internos" de nos protegermos a nós próprios e a nossa riqueza remanescente da política de depravação da divisa do Federal Reserve. A venda nua a descoberto impede o aumento da procura do ouro físico de elevar o seu preço.

Jeff Nielson explica um outro meio pelo qual os bancos podem vender ouro a descoberto quando não possuem qualquer ouro. http://www.gold-eagle.com/editorials_08/nielson102411.htm l Nielson diz que o JP Morgan é o guardião (custodian) do maior fundo de prata e ao mesmo tempo é o maior short-seller de prata. Todas as vezes que fundo da prata aumenta os seu haveres, o JP Morgan faz shorts de uma quantia igual. O short selling compensa a ascensão no preço que resultaria do aumento da procura por prata física. Nielson também informa que os preços do ouro podem ser contidos pela elevação das exigências de margem àqueles que compram ouro com alavancagem. A conclusão é que os mercados de ouro podem ser manipulados tal como o mercado de títulos do Tesouro e as taxas de juro.

Por quanto tempo a manipulação pode continuar? Quando será o desastre?

Se soubéssemos a data com precisão, seríamos os próximos mega-bilionários.

Eis alguns dos catalisadores à espera de incendiarem a conflagração que irá incinerar o mercado de títulos do Tesouro e o US dólar:

Uma guerra, exigida pelo governo israelense, com o Irão, começando com a Síria, que interromperá o fluxo de petróleo e com isso a estabilidade das economias ocidentais ou levará os EUA e seus fracos fantoches da NATO a um conflito armado com a Rússia e a China. As altas súbitas do petróleo degradariam ainda mais as economias dos EUA e da UE, mas a Wall Street ganharia dinheiro com o comércio.

Uma estatística económica desfavorável que acordasse os investidores para o verdadeiro estado da economia estado-unidense, uma estatística que os media presstitutos não pudessem disfarçar.

Uma afronta à China, cujo governo toma a decisão de que golpear os EUA para fazê-lo descer a um estatuto de terceiro mundo vale um milhão de milhões de dólares.

Mais erros em derivativos, tais como o recente do JPMorganChase, que pôs o sistema financeiro estado-unidense outra vez a cambalear e recordou-nos que nada mudou.

A lista é longa. Há um limite para o número de erros estúpidos e políticas financeiras corruptas que o resto do mundo está disposto a aceitar dos EUA. Quando esse limite for alcançado, está tudo acabado para "a única super-potência mundial" para os possuidores de instrumentos denominados em dólar.

A desregulamentação financeira converteu o sistema financeiro, o qual antigamente servir os negócios e os consumidores, num casino de jogo onde as apostas não são cobertas. Estas apostas descobertas, juntamente com a política de taxa de juro zero do Fed, expuseram o padrão de vida e a riqueza dos americanos a grandes declínios. Pessoas aposentadas a viverem das suas poupanças e investimentos, IRAs e 401(k)s não podem ganhar nada com o seu dinheiro e são forçadas a consumir seu capital, privando assim os seus herdeiros de herança. A riqueza acumulada é consumida.

Em consequência da deslocalização de empregos, os EUA tornaram-se um país dependente de importações, dependente de bens manufacturados fabricados no estrangeiro, vestuário e calçados. Quando a taxa de câmbio do dólar cair, os preços internos nos EUA elevar-se-ão e o consumo real estado-unidense receberá um grande golpe. Os americanos consumirão menos e o seu padrão de vida cairá dramaticamente.

As graves consequências dos enormes erros cometidos em Washington, na Wall Street e em gabinetes corporativos estão a ser mantidos à distância por uma política indefensável de baixas taxas de juro e uma imprensa financeira corrupta, enquanto a dívida acumula-se rapidamente. O Fed passou por esta experiência outrora. Durante a II Guerra Mundial o Federal Reserve manteve as taxas de juro baixas a fim de ajudar o Tesouro a financiar a guerra com a minimização do fardo de juros da dívida de guerra. O Fed manteve as taxas de juro baixas pela compra de emissões de dívida. A inflação do pós guerra que resultou levou ao Acordo Federal Reserve-Tesouro de 1951, pelo qual foi decidido que o Federal Reserve deixaria de monetizar a divida e permitiria que as taxas de juro subissem.

O presidente do Fed, Bernake, tem falado de uma "estratégia de saída" e disse que quando a inflação ameaçar ele pode impedi-la pela retirada de dinheiro do sistema bancário. Contudo, ele só pode fazer isso pela venda de títulos do Tesouro, o que significa que as taxas de juro elevar-se-iam. Uma elevação nas taxas de juros ameaçaria a estrutura derivativa, causaria perdas em títulos e elevaria o custo tanto do serviço da dívida pública como da privada. Por outras palavras, impedir a inflação da monetização da dívida provocaria problemas mais imediatos do que a inflação. Ao invés de provocar o colapso do sistema, não seria mais provável que o Fed inflacionasse mais as dívidas maciças?

Finalmente, a inflação corroeria o poder de compra do dólar e a sua utilização como divisa de reserva, e a capacidade de pagar do governo dos EUA dissipar-se-ia. Contudo, os Fed, os políticos e os gangster financeiros prefeririam uma crise mais tarde do que uma crise mais cedo. Transferir o navio que afunda para o seguinte é preferível a afundar com o próprio navio. Enquanto os swaps de taxas de juros puderem ser utilizados para promover preços dos títulos do Tesouro e enquanto vendas a descoberto de ouro puderem ser utilizadas para impedir os metais preciosos de aumentarem de preço, a falsa imagem dos EUA como um abrigo seguro para investidores pode ser perpetuada.

Contudo, os US$230.000.000.000.000 em apostas derivativas dos bancos estado-unidenses podem trazer as suas próprias surpresas. O JPMorganChase teve de admitir que a sua perda de US$2 mil milhões em derivativos, recentemente anunciada, é maior do que isso. Quão maior está para ser visto. De acordo com Controlador da Divisa ( Comptroller of the Currency ) os cinco maiores bancos possuem 95,7% de todos os derivativos . Os cinco bancos que possuem US$226 milhões de milhões em apostas derivativas são jogadores altamente alavancados. Exemplo: o JPMorganChase tem activos totais de US$1,8 milhão de milhões mas possui US$70 milhões de milhões em apostas derivativas, um rácio de US$39 em apostas derivativas para cada dólar de activos. Um banco assim não tem de perder muito mais apostas antes de estar quebrado.

Activos, naturalmente, não são capitais com base no risco. De acordo com o relatório do Controlador da Divisa, em 31/Dezembro/2011 o JPMorganChase possuía US$70,2 milhões de milhões em derivativos e somente US$136 mil milhões em capital com base no risco. Por outras palavras, as apostas derivativas do banco são 516 vezes maiores do que o capital que cobre as apostas.

É difícil imaginar uma posição mais temerária e instável para um banco do que aquela em que se colocou, mas o Goldman Sachs ganha o prémio. Que os US$44 milhões de milhões do banco em apostas derivativas sejam cobertos por apenas US$19 mil milhões em capital com base no risco, resultando em apostas 2.295 vezes maiores do que o capital que as cobre.

Apostas em taxas de juro abrangem 81% de todos os derivativos. Estes são os derivativos que suportam os altos preços dos títulos do Tesouro dos EUA apesar dos aumentos maciços na dívida do país e da sua monetização.

As apostas derivativas de US$230 milhões de milhões dos bancos estado-unidenses, concentradas em cinco bancos, são 15,3 vezes maiores do que o PIB dos EUA. Um sistema político fracassado que permitiu bancos desregulamentados colocarem apostas descobertas 15 vezes maiores do que a economia dos EUA é um sistema que está destinado ao fracasso catastrófico. Quando se divulgar a fantástica falta de juízo dos sistemas político e financeiro americanos, a catástrofe estará pronta a tornar-se realidade.

Toda a gente quer uma solução, de modo que apresento uma. O governo dos EUA deveria simplesmente cancelar os US$230 mil milhões em apostas derivativas, declarando-as nulas e revogadas. Como não há activos reais envolvidos, meramente jogos sobre valores nocionais, o único grande efeito de fechar ou reter todos os swaps (principalmente contratos de balcão entre contrapartes) seria retirar US$230 milhões de milhões de risco alavancado para fora do sistema financeiro. Os gangsters financeiros que querem continuar a desfrutar ganhos em apostas enquanto o público subscreve as suas perdas chorariam baba e ranho acerca da santidade dos contratos. Contudo, um governo que pode assassinar os seus próprios cidadãos ou lançá-los em masmorras sem o devido processo pode abolir todos os contratos, se quiser, em nome da segurança nacional. E certamente, ao contrário da guerra ao terror, purgar o sistema financeiro do jogo de derivativos melhoraria amplamente a segurança nacional.
05/Junho/2012

[*] Foi secretário assistente do Tesouro dos EUA, editor associado do Wall Street Journal, colunista da Business Week e professor de teoria económica. É autor de numerosos livros . Seu sítio web é http://www.paulcraigroberts.org/

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=31272

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

09-06-2012

  01:31:30, por Corral   , 489 palavras  
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CANTA O MERLO: "O beija-mão - O SYRIZA apresenta as suas "credenciais" aos EUA e à UE

por KKE

Na quarta-feira 6 de Junho o presidente do SYRIZA, A. Tsipras, encontrou-se com embaixadores e diplomatas dos estados membros do G20. O jornal Rizospastis, órgão do CC do KKE, fez os seguintes comentários na edição de 7 de Junho:

"O sr. Tsipras entregou a sua "carta de credenciais", num evento realmente cerimonial, a um responsável da embaixada dos EUA e a diplomatas dos 19 mais fortes países capitalistas do planeta! A reunião do presidente do SYRIZA com os embaixadores dos países do G20 trouxe-nos uma lembrança do passado recente, especificamente recordou-nos o antigo primeiro-ministro Giorgos Papandreu, o qual se desvaneceu nas últimas semanas sem deixar nenhum traço... Os mesmos slogans respeitantes a "uma nova política externa pacífica multi-facética", as mesmas referências a "iniciativas internacionais para a democratização do sistema de relações internacionais" e a necessidade de "aumentar o papel da ONU".

E, ao mesmo tempo, nenhuma menção à NATO. Os lábios estão selados! A NATO que se reuniu recentemente em Chicago e tomou novas decisões perigosas para a expansão da sua actividade, para a repressão de todas as forças e todos os povos que procurem controlar o seu próprio futuro. O silêncio do sr. Tsipras quanto à continuidade da intervenção contra a Síria foi espantoso. Nenhuma menção ao assunto, como se os planos para uma intervenção militar na região não estivessem a ser traçados. Como se a utilização da base estado-unidense em Suda não fizesse parte dos planos relativos a esta intervenção e, mais genericamente, a utilização dos portos, do espaço aéreo e do mar do nosso país. O presidente do SYRIZA nada disse acerca de como o governo "de esquerda", que ele promete constituir, reagiria a uma tal situação.

Por que? É óbvio! Quando ele não coloca a questão do afastamento dos planos imperialistas, da organização imperialista da NATO, em nome de "obrigações da aliança", o país será arrastado para esta nova guerra imperialista, sob um governo "de esquerda". Mas o sr. Tsipras não esqueceu de mencionar que desempenharia um papel principal num "Médio Oriente livre do nuclear", apontando o programa nuclear do Irão, o qual em qualquer caso é o pretexto que será utilizado pelos EUA e Israel para justificar um possível ataque militar contra o Irão, uma nova guerra. Nem uma palavra acerca das armas nucleares que Israel já possui!"

O presidente do SYRIZA insistiu mais uma vez em declarar a sua lealdade à UE imperialista e a necessidade da assimilação da Turquia na mesma, algo a que os comunistas turcos e o movimento dos trabalhadores se opõem! Finalmente, ele considerou apropriado à frente dos embaixadores estrangeiros a cuspir seu veneno sem hesitação contra o socialismo que a humanidade conheceu na URSS e outros países no século XX, o qual, apesar das suas fraquezas, foi durante mais de 50 anos um apoio insubstituível para a paz e segurança dos povos e uma espinha atravessada na garganta dos imperialistas.
O original encontra-se em http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-06-07-syriza

Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .

08-06-2012

  00:30:09, por Corral   , 4881 palavras  
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Partido Comunista da Grécia (KKE) : Entre duas árduas batalhas

por KKE [*]

A Grécia continua a atrair a atenção de trabalhadores de muitos países de todo o mundo, considerando as novas e crucialmente importantes eleições parlamentares, as quais serão efectuadas a 17 de Junho, pois nenhum dos três partidos que receberam maior número de votos pôde forma uma coligação de governo. De particular interesse, a julgar pelos artigos relevantes em jornais, revistas e sítios web comunistas e progressistas, estão os resultados das eleições recentes bem como a linha política traçada pelo Partido Comunista da Grécia (KKE), o qual ficou na linha de fogo de vários analistas neste período. Mas vamos começar pelo começo.

Sobre o resultado das eleições de 6 de Maio

As eleições de 6 de Maio criaram um novo cenário político, pois os três partidos, os quais haviam governado juntos apoiando a linha política anti-povo do capital e da União Europeia (UE), tombaram nas eleições. Especificamente:

O PASOK social-democrata congregou apenas 833.529 votos ou 13,2%, uma queda sem precedentes de -2.170.013 votos e -30,8%.

O ND conservador recebeu 1.192.054 votos ou 18,9%, uma queda de -1.103.665 votos ou -14,6%

O LAOS nacionalista não pôde alcançar o limiar dos 3% para entrar no Parlamento, recebendo 183.466 votos ou 2,9%, uma queda de -202.739 votos ou -1,6%.

Ao mesmo tempo, contudo, a mudança do cenário político não significa uma viragem pois as forças que apoiam a linha política da "UE como caminho único" foram as principais beneficiárias da cólera dos trabalhadores. E assim, a grande maioria dos eleitores dos partidos burgueses foi dispersa em formações políticas relacionadas ideologicamente. Especificamente.

O SYRIZA, que é uma aliança de forças oportunistas, o qual abandonou o KKE a partir de posições de "direita" (nas divisões do Partido em 1968 e 1991) e ao qual em anos recentes aderiram forças do PASOK social-democrata, reuniu 1.061.265 votos ou 16,8%, um aumento de +745.600 ou +12,2%.

A Esquerda Democrática, uma dissidência do SYRIZA, que também absorveu antigos deputados e responsáveis do PASOK, reuniu 386.116 votos ou 6,1%.

Um grande número de votos também foi dirigido a partidos reaccionários e nacionalistas como os "Gregos independentes", os quais emergiram da ND e receberam 670.596 votos ou 10,6% e o nazi-fascista "Aurora Dourada", o qual recebeu 440.894 votos ou 7%.

Além disso, cerca de 20% do eleitorado votou por dúzias de partidos que participaram nas eleições mas não puderam romper a barreira dos 3%.

O KKE teve um pequeno aumento nesta última eleição. Especificamente, recebeu 536.072 votos ou 8,5%, ou seja, +18.823 votos ou +1%. O KKE elegeu 26 deputados (dos 300 no Parlamento), 5 mais do que tinha anteriormente. Nos bairros da classe trabalhadora o KKE recebeu quase o dobro da sua percentagem média. Na verdade, em uma das 56 regiões eleitorais (Samos-Ikaria) o KKE alcançou o primeiro lugar com 24,7%.

O CC do KKE chegou a certas conclusões iniciais sobre o resultado eleitoral. Ele menciona na sua declaração, entre outras coisas: "o CC saúda os milhares de trabalhadores e trabalhadores e desempregados que apreciaram a militância, firmeza e a clareza verídica das palavras do KKE, a militância e a generosidade dos comunistas e o apoiaram na urna eleitoral, independentemente do seu nível de acordo com a sua proposta política geral. Uma grande secção dos trabalhadores bem como uma secção dos eleitores do partido, sob a pressão do exacerbamento dos problemas populares, dos slogans enganosos referentes à renegociação do memorando [1] e o alívio imediato para os trabalhadores, não puderam entender e compenetrar-se da diferença entre um governo e o poder real". Mas, como é observado pelo CC do KKE: "a proposta política do KKE em relação à luta pelo poder da classe trabalhadora encontrar-se-á no âmago do povo no próximo período, pois a diferença entre um governo e o poder real do poder tornar-se-á ainda mais clara, bem como a proposta geral referente a questões imediatas da sobrevivência do povo e o poder popular da classe trabalhadora. Deste ponto de vista a actividade político eleitoral do KKE em harmonia com a sua estratégia, como é adequado, constitui um legado importante para os próximos anos".

Sobre o SYRIZA

Certos media internacionais burgueses, que apresentam o SYRIZA como o "vencedor" das eleições de 6 de Maio, não exploraram para além do seu título: "Coligação da Esquerda Radical" e chegaram à conclusão de que é uma esquerda radical ou mesmo um partido comunista. Naturalmente, isto não tem base na realidade. A força central dentro do SYRIZA é o partido "Coligação da Esquerda" (SYN), o qual tem um programa social-democrata. Em 1992 ele votou pelo Tratado de Maastricht no Parlamento grego e é um apoiante da União Europeia imperialista, que acredita poder ser melhorada. Ele aderiu à campanha anti-comunista contra a URSS e os outros países socialistas que conhecemos no século XX. O SYN é membro da presidência do chamado "Partido de Esquerda Europeu" (PEE), o qual é um instrumento da UE para erradicar as características comunistas dos PCs nos países da UE.

Junto ao SYN há forças que entraram no SYRIZA vindas do PASOK social-democrata, bem como vários grupos mais pequenos da ultra-esquerda de matiz trotsquista e antigos grupos "maoistas" mutados, os quais acrescentam "tempero" político a esta "comida" basicamente social-democrata e anti-comunista. Um objectivo básico desta formação particular é a redução da influência eleitoral, sindical e política do KKE. Há numerosos exemplos ao longo da última década do carácter anti-KKE desta formação política. Em dúzias de sindicatos, federações sectoriais e centros de trabalho (conselhos sindicais locais), as forças do SYRIZA cooperaram e formaram alianças eleitorais com forças do PASOK a fim de impedir a eleição de delegados comunistas aos organismos sindicais superiores. O SYRIZA é o inimigo jurado da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME), a qual é uma junção de sindicatos com orientação de classe. As forças do SYRIZA colaboraram abertamente com forças do governo e patronais nos corpos dirigentes das confederações sindicais comprometidas no sector privado (GSEE) e no sector público (ADEDY). Em muitos casos eles têm uma posição semelhante em eleições locais. Um exemplo particularmente característico foi a posição nas eleições municipais de 2010 em Ikaria. O KKE tem influência eleitoral significativa nesta ilha, a qual antigamente foi um lugar de exílio para comunistas. Nas eleições de 2010 o SYRIZA colaborou com o PASOK social-democrata, a ND liberal e o LAOS nacionalista a fim de que a ilha não elegesse um presidente comunista para a municipalidade. Assim, o candidato do KKE recebeu 49,5% dos votos e a municipalidade foi ganha pela aliança anti-KKE por umas poucas centenas de votos.

Hoje o SYRIZA tenta atacar o KKE com propostas de conveniência política relativas à chamada "unidade da esquerda", numa tentativa de que o KKE apague secções inteiras do seu programa, que apague os seus princípios e aceite a política de administrar o sistema capitalista, a qual é a proposta do SYRIZA.

Com base nisto, o mínimo que podíamos dizer é que a posição de certos PCs não foi responsável, os quais apressaram-se a saudar a ascensão eleitoral desta formação oportunista e anti-comunista em nome do aumento eleitoral da "esquerda", sem conhecer a situação real na Grécia. Eles saudaram um inimigo jurado do KKE, um inimigo cuja participação na coligação governamental dos apoiantes da UE foi proposta pelo presidente dos industriais gregos.

A ilusão da "unidade de esquerda" e a mentira do "governo de esquerda"

Muitos trabalhadores politizados, de vários países da Europa e do mundo, colocam esta pergunta: Por que o KKE não faz alguns compromissos? Por que insiste ele na sua linha política de congregar forças sociais, que queiram lutar contra os monopólios, contra o capitalismo, contra as uniões imperialistas, pelo poder da classe trabalhadora e não apoia a linha política da "unidade da esquerda", a luta para corrigir a realidade capitalista e a UE, com colaboração política e/ou governamental com outras forças "de esquerda" e sociais-democratas, como têm feito outros PCs na Europa?

Para começar, o KKE desde há algum tempo tem esclarecido que os significados de "esquerda" e "direita" não reflectem a situação política de hoje. O termo "esquerda" hoje podia ser utilizado para descrever o secretário-geral da NATO ou primeiro-ministro de um país que está a conduzir uma guerra imperialista e a executar medidas anti-trabalhadores e anti-povo a expensas dos trabalhadores do seu país. O Partido Comunista não é simplesmente um "partido de esquerda", mas o partido que luta pelo derrube do capitalismo, a construção da nova sociedade socialista-comunista. É este caminho, esta linha de luta que pode provocar ganhos e não o reverso!

Como a história tem demonstrado, reformas, a luta para "corrigir" o sistema capitalista, para embotar as medidas anti-povo mais extremas, o que é aquilo em que se centram as forças oportunistas-sociais-democratas, nunca levou ao derrube do capitalismo em lado nenhum. Ao contrário! Em muitas ocasiões esta abordagem levou à consolidação do capitalismo, por meio da criação de ilusões entre milhões de trabalhadores de que o capitalismo alegadamente pode ser humanizado; que hoje o Banco Central Europeu pode ser transformado de uma ferramenta do capitalismo numa... organização caritativa que concederá empréstimos livres de juros ou que a União Europeia pode ser transformada de uma união que serve o capital numa "união dos povos", como afirmam o SYN/SYRIZA e o ELP.

Esta é a razão porque o KKE promove sua proposta política num estilo abrangente, o qual especializou para as eleições de 6 de Maio no slogan: "Fora da UE, com o poder popular e cancelamento unilateral da dívida".

Neste sentido, o KKE permanece firmemente orientado para o marxismo-leninismo. Como escreveu Lenine: "O proletariado está a combater, e continuará a combater, para destruir o antigo regime. A este fim dirigirá toda a sua propaganda e agitação e todos os seus esforços para organizar e mobilizar as massas. Se falhar em destruir o antigo regime completamente, este aproveitar-se-á mesmo da sua destruição parcial. Mas nunca advogará a destruição parcial, pintando isto em cores róseas, ou apelará ao povo para apoiá-lo. O apoio real numa luta genuína é dado que se esforçam pelo máximo (alcançado algo menos no caso de fracasso) e não àqueles que oportunisticamente restringem os objectivos da luta antes do combate" [2]

O KKE rejeitou a ideia de formar um "governo de esquerda", o qual manterá a Grécia na UE e na NATO deixando intactas as relações capitalistas de produção, e que alegadamente será capaz de implementar uma administração deste sistema em favor do povo. No partido está a lutar pelo desenvolvimento da luta de classe, da consciência política dos trabalhadores, pela sua libertação da influência dos partidos burgueses e suas construções ideológicas e pela formação de uma aliança social, a qual defenderá os interesses dos trabalhadores e procurará também desembaraçar o país de intervenções imperialistas e também colocará a questão do poder.

Objectivo: A redução da influência do KKE e sua assimilação dentro do sistema!

A recusa do KKE em submeter-se a formações "de esquerda" ou mesmo a um governo "de esquerda" está a ser atacada pelos seus inimigos e "amigos", os quais directa ou indirectamente apelam ao KKE para que se "una" a outras forças "de esquerda". Os PCs que estão na presidência do PEE seguem esta linha. Houve também alguns ataques um tanto brutos de vários grupos trotsquistas que são mais bem conhecidos no exterior do que no nosso próprio país, os quais caracterizaram o KKE como sectário e dogmático.

Como é possível para o KKE mobilizar centenas de milhares de pessoas na Grécia, com a linha da luta de classe, se o partido é sectário? Como é possível, por exemplo, para a Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) mobilizar dúzias de sindicatos de primeiro nível, federações sindicais e centros de trabalho os quais representam centenas de milhares de trabalhadores?

Deveríamos notar aqui que o PAME, como pólo com orientação de classe no trabalho e movimento sindical, reúne 8 federações sectoriais, 13 centros de trabalho, centenas de primeiro nível e uniões sectoriais, com 850 mil membros. Além disso, o PAME também opera em sindicatos onde as forças com orientação de classe não estão em maioria. Por exemplo, o PAME é a segunda força numa série de federações sectoriais (tais como a federação no sector turístico e de catering e na Federação dos Metalúrgicos) bem como nos dois maiores centros de trabalho do país (Atenas e Salónica).

Como é possível para o Agrupamento pan-helénico anti-monopólio dos auto-empregados (PASEVE) organizar milhares de pessoas auto-empregadas, que entendem a necessidade de entrarem em conflito com os monopólios? Como é possível para milhares de agricultores pobres, através das suas associações e seus comités, serem inspirados pela luta do Agrupamento Militante de Todos os Agricultores (PASY) contra a Política Agrícola Comum da UE? Como é possível para mulheres e milhares de estudantes, que pertencem à classe trabalhadora e estratos populares, entrarem na luta no quadro das reivindicações e iniciativas da Federação das Mulheres Gregas (OGE) e da Frente de Luta dos Estudantes (MAS)? Os membros e quadros do KKE desempenham um papel de liderança em todas estas organizações sócio-políticas sem esconderem a sua identidade.

Eles acusam o KKE de estar "isolado", ou mesmo de ser "dogmático" e "sectário" devido à sua rejeição de um "governo de esquerda" ou devido ao facto de que a sua percentagem nas eleições não aumenta tão rapidamente quanto aquela da formação social-democrata SYRIZA. Estas acusações contra o KKE não se sustentam. Deveríamos recordar que 2,5 anos atrás o PASOK, o outro partido social-democrata, recebeu 44% enquanto desta vez recebeu apenas 13%. Este declínio, o qual verificou em condições de fluidez política promoveu o SYRIZA, a sua mais estreita conexão ideológica. Ainda assim, um partido revolucionário, como o KKE, não é julgado exclusivamente pela sua percentagem em eleições.

Nosso partido acumulou imensa experiência histórica em relação à política de cooperação! Ele conduziu a luta anti-fascista de uma ampla frente armada que deu uma enorme contribuição para a luta popular. No entanto, naquele período o partido não conseguiu constituir uma estratégia para a transformação da luta anti-fascista numa luta para o derrube do poder burguês. Durante as décadas de 1950 e 1980 o KKE constituiu alianças "de esquerda". O KKE extraiu conclusões valiosa da sua experiência em relação à política de alianças e não pretende repetir erros semelhantes.

Mas por que estão eles a atacar o KKE? Naturalmente estão irritados pela significativa actividade internacional do KKE para a reconstrução do movimento comunista internacional na base do marxismo-leninismo e do internacionalismo proletário. Além disso, a Reuniões Internacionais de Partidos Comunistas e Operários bem como as outras iniciativas comunistas internacionais começaram em Atenas. Mas o mais importante é que o KKE é um partido com raízes fortes na classe trabalhadora, com experiência significativa em lutas de trabalhadores e populares, um partido que se recusa a abandonar seus princípios, um partido que se recusa a tornar-se a "cauda" da social-democracia, um partido que não se submete à UE e à NATO. Neste ponto citamos um comentário de um artigo publicado no bem conhecido jornal francês Le Monde Diplomatique: "o objectivo secreto e a vontade de toda a gente de esquerda na Grécia é dissolver o Partido Comunista e remodelá-lo numa nova base e dar à esquerda grega a sua posição adequada na sociedade". Por outras palavras, desacreditar o KKE e transformá-lo, como certos outros partidos comunistas mutados da Europa, num "álibi comunista" da social-democracia para a gestão da barbárie capitalista.

O nosso próprio objectivo é frustrar os seus planos! Preservar e fortalecer o KKE. Apesar da pressão exercida sobre o nosso partido há vários sinais encorajadores a mostrar que o KKE demonstrar-se-á um osso duro de roer. Dez dias após as eleições de 6 de Maio verificaram-se as eleições estudantis na Grécia. As listas apoiadas pela Juventude Comunista da Grécia tiveram 16% [dos votos] em Institutos Educacionais Tecnológicos (IET) e 14% nas universidades, um aumento em comparação com o ano passado. As listas do SYRIZA, ao contrário, alcançaram uma baixa votação com 2,3% em IET e 6,9% em universidades.

Face-lift do sistema burguês

O KKE tem advertido o povo grego de que a classe burguesa está a preparar uma cirurgia plástica da cara (face-lift) do cenário político a fim de preservar o seu poder. A razão é que ela não pode administrar o sistema político na base da rotação de um partido conservador (ND) e um social-democrata (PASOK) no poder como tem feito desde 1974, após a queda da ditadura militar. O sistema burguês procura livrar-se de partidos e pessoas que se desmascararam aos olhos do povo de uma vez por todas. Sob estas condições o SYRIZA, o qual tem um programa social-democrata, colheu benefícios nas eleições ao propalar mentiras flagrantes, tanto antes como durante o período eleitoral, promovendo ilusões as quais na essência afirmam que poder haver um futuro melhor para os trabalhadores sem um conflito com os monopólios e as uniões imperialistas. Eis porque ele arca com enormes responsabilidades em relação ao povo!

O KKE urge o povo trabalhador a perceber que esta cirurgia plástica nada tem a ver com a satisfação das necessidades actuais do povo. Mesmo o assim chamado "governo de esquerda" é um bote salva-vidas furado para o povo trabalhador que tem sido sufocado pelos impasses do sistema capitalista.

O povo não deve ser aprisionado em falsos dilemas

Na batalha eleitoral de 17 de Junho os partidos burgueses e o oportunismo promovem novos dilemas enganosos, os quais serão utilizados no período seguinte a fim de aprisionar o povo, reduzir a resistência das massas radicais às pressões exercidas sobre elas, bem como a influência do KKE nas eleições. O KKE não esconde o facto de que esta batalha será particularmente difícil para os comunistas!

A fim de tornar claro de que espécie de falsos dilemas estamos a falar permita-nos examinar alguns deles:

1. Euro ou dracma?

Um dos falsos dilemas é a acusação do ND contra o SYRIZA argumentando que a sua política leva o país para fora do euro e que isto seria catastrófico para o povo trabalhador. O SYRIZA responde que o custo da saída da Grécia do euro seria imenso para os outros países da Eurozona e por essa razão nunca se verificará.

É claro que na realidade, considerando que a crise capitalista grega está em progresso, não podemos excluir, dados os cenários que já estão a ser discutidos, a contracção da Eurozona através da expulsão da Grécia e de outros países ou através de uma desvalorização interno do euro no nosso país. Consequentemente as chantagens da UE e do FMI são reais e a resposta não pode ser a complacência que o SYRIZA promove.

Contudo, deveríamos notar que todos os partidos excepto o KKE, isto é, ND, SYRIZA, PASOK e Esquerda Democrática estão a disputar sobre quem é o mais competente para manter o país no euro. Cada partido está a acusar o outro de levar a Grécia à dracma com a sua política. Todos eles têm como objectivo impor à consciência do povo o falso dilema "euro ou dracma" a fim de esconder o facto de que têm a mesma estratégia porque são partidos comprometidos com a UE. Ele conclamam o povo a votar e lutar sob falsas bandeiras, contrários aos seus interesses na linha falsa "dentro ou fora do euro" quando todos os partidos ? excepto o KKE ? estão a dizer dentro da UE e do euro. Tanto com o euro como com a dracma o povo será empobrecido.

O KKE conclama o povo a ultrapassar este dilema. Ele não deveria aceitar a escolha de com qual divisa eles medirão a sua pobreza, bem como as reduções no seu rendimento e pensões, os impostos, as despesas médicas e as mensalidades escolares. O dilema "euro ou dracma" é o outro lado da moeda da intimidação referente a bancarrota descontrolada que já é um facto para a esmagadora maioria do povo. Eles querem que povo seja aprisionado nos dilemas falsos de modo a poderem chantageá-lo quando quiserem aprovar leis anti-povo, dizendo-lhe para optar entre as medidas bárbaras e o retorno ao dracma o qual identificam com caos e miséria. Ao mesmo tempo, há secções da plutocracia, tanto na Grécia como fora dela, que procuram um retorno ao dracma. Isto lhes permitiria fazerem mais lucros para si próprios e a burguesia como um todo do que fazem agora nas condições da assimilação do país dentro do euro. O povo em bancarrota não fará qualquer progresso com o euro ou com o dracma enquanto monopólios dirigirem a produção, enquanto o país permanecer na UE e enquanto a burguesia permanecer no poder. A única resposta para o dilema "euro ou dracma" do ponto de vista dos interesses do povo é: desligamento da UE com poder popular e cancelamento unilateral da dívida. Não é preciso dizer que neste caso o país terá a sua própria divisa.

2. Solução grega ou europeia?

Todos eles estão a falar acerca de uma solução europeia da crise na Grécia e referem-se a negociações com os organismos da UE para uma solução abrangente para o problema da dívida que também afectará a Grécia. Todos os partidos gregos, excepto o KKE, saúdam a eleição de Hollande na presidência francesa, a qual, afirmam eles, porá um fim ao duo anti-povo "Mercozy". Eles também falam acerca de consultas com a UE sobre medidas de desenvolvimento, subsidiando os grandes negócios de modo a que possam fazer investimentos.

As suas tácticas procuram esconder que aqueles que são os principais responsáveis pelo sofrimento do povo não estão em Bruxelas mas dentro do país. É a burguesa, o patronato que possui os meios de produção, isto é, os navios, os escritórios, os serviços no nosso país. A participação da Grécia na Eurozona, baseada em decisões dos partidos da plutocracia, serve os seus interesses. É provocativo apresentar a UE como um terreno onde possa ser encontra uma saída da crise favorável ao povo. Foi a UE quem elaborou o memorando juntamente com os governos nacionais e o FMI. É a UE que tem como estratégia a "UE 2020" e o Tratado de Maastricht, isto é, a fonte de todas as medidas anti-trabalho e anti-povo com ou sem memorando. Eles dizem que mesmo o mais ligeiro alívio das medidas é uma matéria de negociações dentro da UE que se esforça por assegurar para os seus monopólios uma saída da crise a expensas dos povos. Eles urgem a vítima e esperar uma solução do opressor, numa Eurozona que está a afundar-se ainda mais profundamente na crise e a tornar-se ainda mais reaccionária, dadas as rivalidades dentro da UE mas também entre a UE os outros centros imperialistas.

O SYRIZA também arca com uma enorme responsabilidade pois procura uma renegociação da estratégia do memorando colocando o movimento sobre gelo e promovendo uma posição de "esperar e ver" até que as negociações do "governo de esquerda" que ele sonha com os parceiros da UE apresente resultados. Ao mesmo tempo, fala acerca de "coesão social", acerca de "paz social" que será imposta por um "governo de esquerda", isto é, calando as lutas dos trabalhadores e do povo num período em que elas têm de ser escaladas e radicalizadas contra a plutocracia nacional e os partidos que o servem ou apoiam através da intimidação e de ilusões.

O KKE revela ao povo que é necessário ter um movimento popular e dos trabalhadores que lutará pela ruptura e o derrube das opções do capital e da UE e promova a coordenação a nível europeu não através de negociações mas através do fortalecimento do movimento do povo e dos trabalhadores na sua luta contra a UE, na linha da ruptura.

3. Austeridade ou desenvolvimento?

Numa Europa capitalista soçobrando na crise os governos procuram "desenvolvimento", nomeadamente a saída do capital da UE da crise. Na Grécia os partidos pró UE querelam sobre a proporção de austeridade e desenvolvimento incluídos na sua política. Eles procuram esconder que o caminho capitalista de desenvolvimento implica austeridade nas condições da drástica competição capitalista e de agudas contradições inter-imperialistas. As medidas de "consolidação fiscal" tomadas numa série de países, com ou sem memorando, em nome da necessidade de criar um excedente nos orçamento do estado a fim de proporcionar subsídios ao capital também estão servido esse desenvolvimento. Além disso, as "mudanças estruturais" são promovidas na Grécia e por toda a Europa também em nome do desenvolvimento e incluem principalmente a abolição da segurança social e dos direitos do trabalho a fim de tornar a força de trabalho mais barata para o capital. A privatização e a liberalização de mercados que proporcionem novos campos lucrativos para a plutocracia também objectivam o desenvolvimento, esmagando pequenos negócios e os auto-empregados. Consequentemente, tudo é feito para o desenvolvimento o qual devido à sua natureza capitalista está ao serviço unicamente de medidas anti-povo que surgem ou como medidas de austeridade ou como "mudanças estruturais" ou como salvamentos para os grandes negócios. No período anterior os governos burgueses na Eurozona afrouxaram ou intensificaram as medidas numa ou noutra direcção a fim de regular as contradições entre si bem como o aprofundamento da crise.

O KKE nota que a saída em favor do povo não está na administração da crise com ferramentas expansivas ou restritivas pelo pessoal político do capital nos organismos da UE. Ela está na organização da luta a um nível nacional, por um diferente caminho de desenvolvimento o qual desenvolverá todo o potencial de produção do país em favor do povo baseado no poder do povo, o desligamento da UE e a socialização dos meios de produção.

4. "Direita" ou "esquerda", "pró memorando" ou "anti-memorando"

Estes são dilemas que tomarão uma nova forma de dois pólos, centro-direita e centro-esquerda. Os dilemas acima mencionados, primariamente com a responsabilidade do SYRIZA, marginalizam e obscurecem as contradições reais dentro da Grécia e da UE. O dilema artificial "memorando ? anti-memorando" é utilizado pela burguesia e os oportunistas a fim de esconder que o seu denominador comum é a "UE como caminho único", nomeadamente o alinhamento com a estratégia do capital. Independentemente das suas diferentes tácticas estas forças "ala direita", "ala esquerda", "pró memorando", "anti-memorando" estão a zombar dos trabalhadores, dos extractos populares, quando lhes dizem que pode haver uma solução em favor do povo dentro da UE. A ND, o PASOK, os Gregos Independente, o SYRIZA, a Esquerda Democrática e as outras forças não têm um programa que entre em conflito ou pelo menos desafie o poder dos monopólios. Os termos que eles utiliza, nomeadamente "desenvolvimento", "redistribuição da riqueza", "auditoria da dívida", "solução europeia" escondem os interesses de classe contraditórios que existem na Grécia e na UE, isto é, o facto de que enquanto houver propriedade capitalista sobre os meios de produção não pode haver qualquer prosperidade para os extractos populares. O memorando é o topo do iceberg da estratégia da UE a qual distribui medidas anti-povo em todos os estados membros. Grécia, Irlanda, Portugal, Hungria, Roménia contrataram acordos de empréstimos ao contrário da Alemanha, França, Itália, Espanha, Dinamarca e a Grã-Bretanha que não participa na Eurozona. Mas o assalto do capital é comum a todos os países e inclui cortes em salários, relações de trabalho flexíveis, aumento das idades de reforma, privatizações de serviços públicos, comercialização da saúde, educação, cultura, desporto e a pauperização relativa e absoluta dos trabalhadores. Mesmo que possamos livrar-nos do memorando na Grécia as medidas anti-povo continuarão, de facto intensificar-se-ão na medida em que o capital e o seu poder não sejam derrubados porque isto foi estabelecido pelas linhas directivas estratégicas da UE as quais foram ou assinadas ou apoiadas pelos partidos burgueses e SYN7SYRIZA.

A questão real que o povo terá de responder e que emergirá mais intensamente no próximo período é a seguinte: a Grécia e o povo trabalhador independente e desligados dos compromissos europeus ou uma Grécia assimilada dentro da UE? Poderá o povo ser o mestre da riqueza que produz ou terá de ser escravo nas fábricas e negócios dos capitalistas? Será que o povo estará organizado e desempenhará um papel condutor nos desenvolvimentos ou estará o movimento pronto para a contagem e à espera de que aqueles que fazem vítimas resolvam os seus problemas como seus representantes? O KKE tem uma posição claríssima. O facto de que todas as suas previsões e avaliações tenham sido confirmadas é mais uma razão para o povo nele confiar e lutar ao seu lado.

Na batalha eleitoral que vem aí há uma necessidade de solidariedade internacional constante com o nosso partido a ser expressa de um modo maciço! Os comunistas gregos precisam sentir o apoio, a solidariedade proletária e o espírito de camaradagem dos partidos comunistas e de trabalhadores, das outras forças anti-imperialistas em vista desta dura batalha uma vez que a classe burguesa pretende a redução dos resultados eleitorais do KKE. E a razão é que está preocupado acerca da sua política revolucionária, acerca das suas posições claras em relação às organizações imperialistas, acerca da base sólida do KKE no movimento dos trabalhadores e do povo, nas fábricas, nas empresas, nos bairros populares das grandes cidades. Porque eles não podem subjugar o KKE. Os comunistas, os amigos do KKE, os membros e amigos da KNE combatem nesta batalha, organizados e determinados, declarando ao povo grego e à classe trabalhadora internacional que após as eleições estaremos nos lugares de trabalho, nas cidades e nas zonas rurais ao lado das famílias do povo e dos trabalhadores, na linha de frente da luta respeitante aos problemas do povo, fieis ao compromisso histórico do partido revolucionário, firmes na luta pelo derrube da barbárie capitalista, pelo socialismo-comunismo.

[1] Um acordo de medidas anti-povo assinado pelo governo grego com a UE, FMI e BCE para receber novos empréstimos.
[2] V.I. Lenin "O combate pelo poder e o 'combate' por sopas", volume 11, p 27-31

[*] Artigo da Secção de Relações Internacionais do CC

O original encontra-se em http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-05-23-arthro

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

  00:18:29, por Corral   , 2240 palavras  
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CANTA O MERLO: "O massacre Houla:Terroristas da oposição mataram famílias leais ao governo"

? Investigação pormenorizada
por Marat Musin

Nota do Editor do Global Research

Esta notícia incisiva do jornalista russo independente Marat Musin desmonta as mentiras e falsidades dos meios de comunicação ocidentais.

A notícia baseia-se numa cronologia de acontecimentos e em relatos oculares. Foram massacradas em Houla famílias inteiras leais ao governo. Os terroristas não foram milícias shabbiha pró-governamentais conforme veiculado em coro pelos principais meios de comunicação, foram sobretudo mercenários e assassinos profissionais que agiram sob os auspícios do auto-proclamado Exército de Libertação Sírio:

"Quando os rebeldes tomaram o posto de controlo no centro da cidade, situado junto da delegacia da polícia local, começaram a eliminar todas as famílias leais às autoridades nas casas vizinhas, incluindo os velhos, as mulheres e as crianças.

Foram mortas diversas famílias de Al-Sayed, incluindo 20 crianças e a família de Abdul Razak. As pessoas foram mortas com facas e alvejadas à queima-roupa.

Depois os cadáveres foram apresentados às NU e à comunidade internacional como sendo vítimas de bombardeamentos do exército sírio, uma coisa que não foi verificada por quaisquer marcas nos corpos".

Pedimos aos nossos leitores que divulguem esta notícia o mais que puderem, que a publiquem no Facebook.

O massacre em Houla está a ser atribuído ao governo sírio sem ponta de justificação. O objectivo é não só isolar politica e economicamente a Síria como arranjar um pretexto e uma justificação para desencadear uma guerra humanitária R2P (responsabilidade pela protecção) na Síria.

Susan Rice, embaixadora americana nas Nações Unidas, deu a entender que, se o Conselho de Segurança não actuar, os EU e os seus aliados podem considerar "tomar medidas fora do plano Annan e da autoridade do Conselho de Segurança da ONU".

Esta notícia de Marat Musin confirma que os crimes contra a humanidade estão a ser praticados por milícias terroristas.

É essencial inverter a maré da propaganda de guerra que se serve das mortes de civis como pretexto para travar uma guerra, quando essas mortes de civis foram executadas não pelas forças governamentais mas por terroristas profissionais que actuam ao abrigo do Exército de Libertação Sírio, patrocinado pelos EUA-NATO.

Michel Chossudovsky, Global Research, Montreal, 01/Junho/2012

No fim-de-semana de 25 de Maio de 2012, por volta das 2 horas da tarde, grandes grupos de combatentes atacaram e capturaram a cidade de Al-Hula da província Homs. Al-Houla é formada por três regiões: as cidades de Taldou, Kafr Laha e Taldahab, cada uma das quais já albergou 25 a 30 mil pessoas.

A cidade foi atacada a nordeste por grupos de bandidos e de mercenários, em número de mais de 700 pessoas. Os militantes vieram de Ar-Rastan (a Brigada de al-Farouk do Exército de Libertação Sírio, chefiada pelo terrorista Abdul Razak Tlass, em número de 250), da cidade de Akraba (chefiada pelo terrorista Yahya Al-Yousef), da cidade Farlaha, a que se juntaram gangsters locais e de Al Houla.

Há muito que a cidade de Ar-Rastan foi abandonada pela maior parte dos civis. Neste momento dominam o local wahhabis e libaneses, alimentados com dinheiro e armas por um dos maiores orquestradores do terrorismo internacional, Saad Hariri, que lidera o movimento político anti-sírio "Tayyar Al-Mustaqbal" (Movimento do Futuro"). A estrada de Ar-Rastan para Al-Houla atravessa áreas beduínas que se mantêm quase todas fora do controlo das tropas governamentais, o que fez com que os ataques militantes a Al Hula fossem uma total surpresa para as autoridades sírias.

Quando os rebeldes tomaram o posto de controlo no centro da cidade, situado junto da delegacia da polícia local, começaram a eliminar todas as famílias leais às autoridades nas casas vizinhas, incluindo os velhos, as mulheres e as crianças. Foram mortas diversas famílias de Al-Sayed, incluindo 20 crianças e a família de Abdul Razak. Muitos dos que foram mortos eram 'culpados' de terem ousado mudar de sunitas para xiitas. As pessoas foram mortas com facas e alvejadas à queima-roupa. Depois os cadáveres foram apresentados às NU e à comunidade internacional como sendo vítimas de bombardeamentos do exército sírio, uma coisa que não foi verificada por quaisquer marcas nos corpos".

A ideia de que observadores das NU tinham ouvido fogo de artilharia contra Al-Houla no Hotel Safir em Homs durante a noite? como piada não está nada mal. São 50 km de distância entre Homs e Al-Houla. Que tipo de tanques ou de metralhadoras tem esse alcance? Sim, houve intenso tiroteio em Homs até às 3 da manhã, incluindo de armas pesadas. Mas, para dar um exemplo, na noite de segunda para terça-feira, o tiroteio deveu-se a uma tentativa de aplicação da lei para reconquistar o controlo sobre um corredor de segurança ao longo da estrada para Damasco, Tarik Al-Sham.

Numa inspecção visual a Al Hula é impossível encontrar vestígios de qualquer destruição recente por bombardeamentos. Durante o dia, foram feitos vários ataques por atiradores sobre os últimos soldados restantes no posto de controlo Taldou. Os militantes usaram armas pesadas e houve franco-atiradores mercenários profissionais em actividade.

De notar que já anteriormente falhara uma mesma provocação em Shumar (Homs) onde foram mortos 49 militantes e mulheres e crianças, organizada pouco antes de uma visita de Kofi Annan. Essa provocação foi imediatamente desmascarada logo que se tornou conhecido que os corpos dos previamente raptados pertenciam aos alawitas. Essa provocação também continha várias incongruências ? os nomes dos que foram mortos eram de pessoas leais às autoridades, não havia vestígios de bombardeamentos, etc.

Mas a máquina da provocação continuou a funcionar na mesma. Hoje, os países da NATO ameaçam bombardear directamente a Síria e em simultâneo começou a expulsão de diplomatas sírios? Actualmente não há tropas dentro da cidade de Al Hula, mas apesar disso ouvem-se regularmente explosões de armas automáticas. Além disso, não se percebe se os militantes andam a lutar uns contra os outros ou se os apoiantes de Bashar al-Assad estão a ser eliminados.

Os militantes abrem fogo sobre praticamente todos aqueles que tentam aproximar-se da cidade fronteiriça. Antes de nós foi alvejado um comboio das NU tendo ficado danificados dois jipes blindados de observadores das NU, quando tentavam chegar a um posto de controlo do exército em Tal Dow.

No ataque ao comboio foi detectado um terrorista de vinte anos de idade. O fogo foi dirigido contra os slopes do primeiro jipe e a porta traseira do segundo carro blindado foi atingido por um fragmento. Há feridos entre os acompanhantes.

Segundo um soldado ferido:

"No dia seguinte, vieram observadores das NU ter connosco ao posto de controlo e, mal chegaram, atiradores abriram fogo contra eles. E três de nós foram feridos. Um ficou ferido na perna, o segundo nas costas e eu fui atingido na anca.

Quando os observadores chegaram, ouviram uma mulher ali ao pé deles a gritar, a mulher levantou-se e suplicou aos observadores que a ajudassem ? que a protegessem dos bandidos. Quando eu fui ferido, os observadores perguntaram como é que eu me sentia, mas nenhum deles tentou ajudar. O nosso posto de controlo já não existe. Já não há civis em Taldou, só restam os militantes. A nossa relação com os locais era excelente. São muito bons para nós: pediram ao exército para entrar em Taldou. Fomos atacados por franco-atiradores".

Infelizmente, muitos dos militantes são franco-atiradores profissionais. A uns 100 a 200 metros da nossa equipa da TV, militantes atacaram um BMP que ia fazer substituição de soldados no posto de controlo. Nessa ocasião, um soldado recruta sofreu uma concussão e um leve ferimento de raspão na cabeça por uma bala de um franco-atirador. Olhando para o capacete Kevlar, parece que ele nem se apercebeu que tinha sobrevivido por milagre.

Os franco-atiradores matam diariamente cerca de 10 soldados e polícias nos postos de controlo. É verdade, as baixas diárias nas organizações de imposição da lei em Homs são de dezenas de vítimas. Mas, infelizmente, às 10 da manhã, foram levados para a morgue seis soldados mortos. A maior parte deles tinha sido morto com uma bala na cabeça. E o dia mal tinha começado?

São estes os nomes dos que foram mortos pelos franco-atiradores nas primeiras horas da manhã de 29 de Maio:

1. Sargento Ibrahim Halyuf
2. Sargento Salman Ibrahim
3. Polícia Mahmoud Danaver
4. Soldado Ali Daher
5. Sargento Wisam Haidar
6. não se conseguiu apurar o nome de família do soldado morto

Os bandidos até dispararam uma descarga automática sobre o nosso grupo de jornalistas, embora fosse óbvio que era um grupo de filmagem normal, formado por civis desarmados.

COMO COMEÇOU O ATAQUE

Depois das orações de sexta-feira, pelas 2 horas da tarde a 25 de Maio, um grupo do clã Al Aksh começou a disparar sobre um posto de controlo de forças da ordem com morteiros e lança-granadas. O fogo de resposta de um BRDM atingiu a mesquita, e foi quanto bastou para desencadear uma provocação maior.

Depois, dois grupos de militantes chefiados pelo terrorista Nidal Bakkour e Al-Hassan do clã Al Hallak, apoiados por uma unidade de mercenários, atacaram o posto de controlo na zona oriental da cidade. Às 15:30 foi tomado esse posto de controlo e todos os prisioneiros foram executados: um soldado sunita ficou com a garganta cortada, enquanto que Abdullah Shaui (Bedouin) of Deir-Zor foi queimado vivo.

Durante o ataque ao posto de controlo oriental, os homens armados perderam 25 pessoas que depois foram apresentadas aos observadores da ONU, juntamente com os 108 civis mortos ? 'vítimas do regime', alegadamente mortos por bombardeamentos do exército sírio. Quanto aos restantes 83 corpos, incluindo os de 38 crianças, eram das famílias que foram executadas pelos militantes. Essas famílias eram todas leais ao governo da Síria.

Entrevista com um funcionário das forças da ordem:

"Chamo-me Al Khosam, sou um agente das forças da ordem. Prestava serviço na cidade de Taldou, distrito de Al-Houla, uma província de Homs. Na sexta-feira, o nosso posto de controlo foi atacado por um grande grupo de militantes. Eram milhares.

P: Como é que se defendeu?

R: Com uma simples arma. Tínhamos 20 pessoas, pedimos reforços e quando vinham a caminho, fui ferido e só retomei consciência no hospital. Os atacantes eram de Ar-Rastan e Al-Hula. Os rebeldes controlam Taldou. Queimaram casas e mataram pessoas e famílias, porque eram leais ao governo. Violaram mulheres e mataram as crianças".

Entrevista com um soldado ferido:

"Chamo-me Ahmed Mahmoud al Khali. Sou da cidade Manbej. Fui ferido em Taldou. Pertenço a um grupo de apoio que foi em ajuda dos nossos camaradas que estavam de serviço no posto de controlo.

Os militantes destruíram dois veículos de combate de infantaria e um BRDM que estava no nosso posto de controlo. Fomos para Taldou num BMP, buscar os nossos camaradas feridos no posto de controlo do centro da cidade. Trouxemo-los no BMP, e eu ocupei o lugar deles.

Pouco depois chegaram os observadores da ONU. Vieram ter connosco, nós levámo-los a casa das famílias que foram mortas pelos bandidos.

Vi uma família de três irmãos e o pai no mesmo quarto. Noutro quarto encontrámos crianças mortas e a mãe delas. E noutro ainda ? um velho, morto na mesma casa. Ao todo, cinco homens, mulheres e crianças. A mulher violada e com um tiro na cabeça, tapei-a com um cobertor. E a comissão viu-os a todos. Puseram-nos no carro e foram-se embora. Não sei para onde os levaram, provavelmente para serem sepultados".

Um residente de Taldou no telhado da delegacia da polícia.

"Na sexta-feira à tarde eu estava em casa. Ao ouvir os tiros, saí para ver o que é que estava a acontecer e vi que o fogo vinha do lado norte, na direcção do posto de controlo do exército. Como o exército não ripostou, eles começaram a aproximar-se da casa onde depois a família foi morta. Quando o exército começou a ripostar, eles usaram as mulheres e as crianças como escudos humanos e continuaram a disparar sobre o posto de controlo. Quando o exército começou a responder, fugiram. Depois disso, o exército agarrou nas mulheres e crianças sobreviventes e puseram-nas em segurança. Nessa altura, a Al Jazeera pôs imagens no ar e disse que fora o exército que fizera o massacre em Al Hula.

A verdade é que eles mataram os civis e crianças em Al-Hula. Os bandidos não permitiram que ninguém fizesse o trabalho deles. Roubaram tudo aquilo a que puderam deitar a mão: trigo, farinha, petróleo e gasolina. A maior parte dos combatentes era da cidade de Ar Rastan".

Depois de conquistarem a cidade, levaram os corpos dos seus camaradas mortos, assim como os corpos das pessoas e das crianças que mataram na mesquita. Transportaram os corpos em carrinhas KIA. A 25 de Maio, por volta das 8 da noite, os cadáveres já estavam na mesquita. No dia seguinte às 11 da manhã chegaram os observadores da ONU à mesquita.

Desinformação dos meios de comunicação

Para exercer pressão sobre a opinião pública e alterar as posições da Rússia e da China, foram preparados com antecedência textos e subtítulos em russo e em chinês, a dizer: "Síria ? Homs ? a cidade de Hula. Um terrível massacre perpetrado pelas forças armadas do regime sírio contra civis na cidade de Houla. Dezenas de vítimas - e o seu número aumenta - principalmente mulheres e crianças, brutalmente mortas por bombardeamento indiscriminado da cidade".

Dois dias depois, a 27 de Maio, depois de os relatos dos moradores e dos registos de vídeo mostrarem que os factos não corroboravam a acusação de bombas, os vídeos dos bandidos sofreram alterações significativas. No final do texto aparecia este pós-escrito: "E alguns foram mortos com facas".

Marat Musin, Olga Kulygina, Al-Houla, Syria

Ver também:
http://www.infosyrie.fr/

O original (em russo) encontra-se em http://maramus.livejournal.com/86539.html , a versão em inglês em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=31184 e em
http://www.syrianews.cc/syria-journalist-houla-massacre-703.html . Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

31-05-2012

  10:16:39, por Corral   , 1258 palavras  
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: "A opção salvadorenha para a Síria" - Esquadrões da morte promovidos pelos EUA-NATO integram as "forças da oposição"

http://resistir.info/ .

por Michel Chossudovsky

Modelado nas operações encobertas dos EUA na América Central, a "Opção salvadorenha para o Iraque", iniciada pelo Pentágono em 2004 foi executada sob o comando do embaixador dos EUA no Iraque John Negroponte (2004-2005) em conjunto com Robert Stephen Ford, que em Janeiro de 2011 foi nomeado embaixador dos EUA na Síria, menos de dois meses antes de começar a insurgência armada contra o governo de Bashar Al Assad.
"A opção salvadorenha" é um "modelo terrorista" de assassinatos em massa por esquadrões da morte patrocinados pelos EUA. Ela foi aplicada primeiramente em El Salvador, no auge da resistência contra a ditadura militar, resultando em cerca de 75 mil mortes.
John Negroponte foi embaixador dos EUA em Honduras de 1981 a 1985. Como embaixador em Tegucigalpa ele desempenhou um papel chave no apoio e supervisão dos mercenários Contra nicaraguenses que estavam baseados em Honduras. Os ataques além fronteiras dos Contra, na Nicarágua, ceifaram perto de 50 mil vidas civis.

Em 2004, John Negroponte foi nomeado embaixador dos EUA no Iraque, com um mandato muito específico, ser o arquitecto da ?Opção salvadorenha no Iraque?


A opção salvadorenha para a Síria: O papel central do embaixador estado-unidense Robert S. Ford
O embaixador estado-unidense na Síria (nomeado em Janeiro de 2011), Robert Stephen Ford, fez parte da equipe de Negroponte na Embaixada dos EUA em Bagdad (2004-2005). A "Opção salvadorenha" para o Iraque estabeleceu as bases para o lançamento da insurgência na Síria, em Março de 2001, a qual começou na fronteira Sul, na cidade de Daraa.
Em relação a acontecimentos recentes, as matanças e atrocidades cometidas que resultaram em mais de 100 mortes incluindo 35 crianças na cidade fronteiriça de Houla, em 27 de Maio, eles foram, com toda a probabilidade, executados sob o que pode ser descrito como uma "Opção salvadorenha para a Síria?

O governo russo apelou a uma investigação
"À medida que a informação goteja de Houla, Síria, próxima à cidade de Homs e da fronteira sírio-libanesa, torna-se claro que o governo sírio não foi responsável por bombardear até à morte cerca de 32 crianças e seus pais, como é periodicamente afirmado e negado pelos media ocidentais e mesmo a própria ONU. Parece, ao invés, que havia esquadrões da morte em quarteirões próximos ? acusados por "activistas" anti-governo como sendo "bandidos pro regime" ou "milícias" e pelo governo sírio como trabalho de terroristas Al Qaeda ligados a intrusos estrangeiros". (Ver Tony Cartalucci, Syrian Government Blamed for Atrocities Committed by US Sponsored Deaths Squads , Global Research, May 28, 2012)
O embaixador Robert S. Ford foi despachado para Damasco no fim de Janeiro de 2011 no momento do movimento de protesto no Egipto. (O autor estava em Damasco em 27/Janeiro/2011 quando o enviado de Washington apresentou as suas credenciais ao governo Al Assad).

No princípio da minha visita à Síria, em Janeiro de 2011, reflecti sobre o significado desta nomeação diplomática e o papel que poderia desempenhar num processo encoberto de desestabilização política. Não previ, contudo, que esta agenda de desestabilização seria implementada dentro de menos de dois meses a seguir à posse de Robert S. Ford como embaixador dos USA na Síria.
O restabelecimento de um embaixador dos EUA em Damasco, mas mais especificamente a escolha de Robert S. Ford como embaixador dos EUA, dá azo a um relacionamento directo com o início da insurgência integrada por esquadrões da morte em meados de Março de 2011, contra o governo de Bashar al Assad.
Robert S. Ford era o homem para este trabalho. Como "Número Dois" na embaixada do EUA em Bagdad (2004-2005) sob o comando do embaixador John D. Negroponte, ele desempenhou um papel chave na implementação da "Opção salvadorenha no Iraque" do Pentágono. Esta consistiu em apoiar esquadrões da morte e forças paramilitares iraquianas modeladas na experiência da América Central.
Desde a sua chegada a Damasco no fim de Janeiro de 2011 até ser chamado de volta a Washington em Outubro de 2011, o embaixador Robert S. Ford desempenhou um papel central em preparar o terreno dentro da Síria bem como em estabelecer contactos grupos da oposição. A embaixada do EUA foi a seguir encerrada em Fevereiro. Ford também desempenhou um papel no recrutamento de mercenários Mujahideen junto a países árabes vizinhos e na sua integração dentro das "forças de oposição" sírias. Desde a sua partida de Damasco, Ford continua a supervisionar o projecto Síria fora do Departamento de Estado dos EUA.
"Como embaixador dos Estados Unidos junto à Síria ? uma posição que o secretário de Estado e o presidente estão a manter-me ? trabalharei com colegas em Washington para apoiar uma transição pacífica para o povo sírio. Nós e nossos parceiros internacionais esperamos ver uma transição que estenda a mão e inclua todas as comunidades da Síria e que dê a todos os sírios esperança de um futuro melhor. O meu ano na Síria diz-me que uma tal transição é possível, mas não quando um lado inicia constantemente ataques contra pessoas que se abrigam nos seus lares". ( US Embassy in Syria Facebook page )
"Transição pacífica para o povo sírio"? O embaixador Robert S. Ford não é um diplomata vulgar. Ele foi o representante dos EUA em Janeiro de 2004 na cidade xiita de Najaf, no Iraque. Najaf era a fortaleza do exército Mahdi. Poucos meses depois ele foi nomeado o "Homem Número Dois" (Ministro Conselheiro para Assuntos Políticos) na embaixada dos EUA em Bagdad no princípio do mandato de John Negroponte como embaixador no Iraque (Junho 2004 ? Abril 2005). Ford a seguir serviu sob o sucessor de Negroponte, Zalmay Khalilzad, antes da sua nomeação como embaixador na Argélia em 2006.
O mandato de Robert S. Ford como "Número Dois" sob o comando do embaixador Negroponte era coordenar fora da embaixada o apoio encoberto a esquadrões da morte e grupos paramilitares no Iraque tendo em vista fomentar a violência sectária e enfraquecer o movimento de resistência.

John Negroponte e Robert S. Ford, na embaixada dos EUA, trabalhavam em estreita colaboração no projecto do Pentágono. Dois outros responsáveis da embaixada, nomeadamente Henry Ensher (vice de Ford) e um responsável mais jovem na secção política, Jeffrey Beals, desempenharam um papel importante na equipe "conversando com um conjunto de iraquianos, incluindo extremistas". (Ver The New Yorker, March 26, 2007). Outro actor individual chave na equipe de Negroponte era James Franklin Jeffrey, embaixador dos EUA na Albânia (2002-2004)

Vale a pena notar que o recém nomeado chefe da CIA nomeado por Obama, general David Petraeus, desempenhou um papel chave na organização do apoio encoberto a forças rebeldes da Síria, na infiltração da inteligência síria e nas forças armadas.
Petraeus desempenhou um papel chave na Opção salvadorenha do Iraque. Ele dirigiu o programa "Contra-insurgência" do Comando Multinacional de Segurança de Transição em Bagdad em 2004 em coordenação com John Negroponte e Robert S. Ford na Embaixada dos EUA.
A CIA está a supervisionar operações encobertas na Síria. Em meados de Março, o general David Petraeus encontrou-se com seu confrades da inteligência em Ancara, para discutir apoio turco ao Free Syrian Army (FSA) ( CIA Chief Discusses Syria, Iraq With Turkish PM , RTT News, March 14, 2012)
David Petraeus, o chefe da CIA, efectuou reuniões com altos oficiais turcos ontem e em 12 de Março, soube o Hürriyet Daily News. Petraeus encontrou-se ontem com o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoðan e seu confrade turco, Hakan Fidan, chefe da Organização de Inteligência Nacional (MIT), no dia anterior.

Um responsável da Embaixada dos EUA disse que responsáveis turcos e americanos discutiram "muito frutuosamente as mais prementes questões da cooperação na região para o próximos meses". Responsáveis turcos disseram que Erdoðan e Petraeus trocaram pontos de vista sobre a crise síria e o combate anti-terror. ( CIA chief visits Turkey to discuss Syria and counter-terrorism | Atlantic Council , March 14, 2012)

25-05-2012

  06:18:05, por Corral   , 708 palavras  
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: ?Se os Parlamentos nom nos dam o que queremos, invalidarémo-los". Declaraçons do ex-chefe do Banco Central Europeu

Fonte: http://www.redpepper.org.uk/ex-ecb-chief-if-parliaments-do-not-give-us-what-we-want-we-will-annul-them/

por Leigh Phillips

Se alguém fica com a duvida de que a luita contra a austeridade é fundamentalmente umha luita pola democracia, a arrepiante proposta revelada na terça-feira do ex-chefe do Banco Central Europeu Jean-Claude Trichet sobre como resolver a crise europeia, deveria pôr fim rapidamente a um enfoque tam microscópico.

Trichet propom o que chama federaçom por excepçom", pola qual se os dirigentes de um país ou parlamento "nom podem implementar políticas orçamentais sás", declare-se a esse país em suspensom de pagos".

Reconhecendo que nom seria possível no período necessário para reagir à crise alcançar uns "Estados Unidos da Europa" com a uniom política e fiscal associada, incluindo transferências fiscais e emissons de dívida comum, o ex-presidente do BCE, que deixou o seu posto em Novembro passado, di que ao menos é possível dar este "próximo passo".

"A federaçom por excepçom nom só parece-me necessária para garantir umha Uniom Económica e Monetária segura, senom que também poderia corresponder à natureza mesma da Europa a longo prazo. nom acho que vamos ter um grande orçamento [centralizado] da UE, di ao Instituto Peterson de Economia Internacional em Washington antes da reuniom do G8 deste fim-de-semana e antes de umha reuniom decisória do Conselho Europeu o 23 de maio onde os dirigentes da UE discutírom o terramoto fiscal, bancário e político que estronda a Europa meridional.

"É um salto maiúsculo de política governamental, que considero necessário para o próximo passo da integraçom europeia", agregou.

A política fiscal interior já se transferiu a tecnocratas nom elegidos para que se aprove antes da sua avaliaçom polos parlamentos eleitos como resultado do sistema do Semestre Europeu, portanto, de algumha maneira, tem razom ao dizer que se trata só do "próximo passo" mais ali do Pacto Fiscal que ainda deve aprovar-se.

Por certo Trichet já nom está no poder, mas segue sendo um peso pesado político nos círculos europeus, e se a euro-crise mostrou-os algo é que nom é necessário dispor de um púlpito reconhecido popularmente quando se trata de que vozes som importantes. Em todo o caso, ao estar liberar do seu posto, agora Trichet livrou-se do dissimulo que os funcionários activos do BCE tem que manter, ao menos em público, com respeito a que o Banco Central só concentra na política monetária e nom se preocupa da política governamental das províncias que se encontram no seu território. Pode declarar as suas propostas em público sem fazê-las através de cartas a primeiros ministros italianos e de ordens às elites portuguesas.

Ao mesmo tempo há que sublinhar que nom se trata de umha proposta oficial de umha instituiçom da UE, e fica por ver que tipo de acolhida receberá, ainda que os relatórios de Washington sugerem que os economistas e funcionários da UE presentes acolheram a proposta calorosamente.

Apesar de todo nom há que albergar nengumha ilusom de que esta proposta de um destacado "pensador" europeu nom seja umha reacçom directa ante as eleiçons na Grécia deste mês que dizimárom o consenso de centroesquerda/centrodereita nesse país.

Trichet di em essência que quando o povo elege os partidos equivocados renunciou ao seu direito à democracia.

Perfeitamente consciente do que está a propor, declara que um passo semelhante teria certamente umha responsabilidade democrática enquanto seja aprovado polo Conselho Europeu e o Parlamento Europeu.

Mas o Conselho Europeu é umha câmara legislativa que nunca enfronta umha eleiçom geral. Os seus membros, os presidentes e primeiros ministros da Europa, nom som eleitos a essa câmara, senom aos seus parlamentos e assembleias nacionais. E o Parlamento Europeu ainda nom é o parlamento de um governo europeu; mesmo depois do Tratado de Lisboa os seus poderes seguem sendo muito limitados em comparaçom com a Comissom Europeia e o Conselho e, crucialmente, nom tem o poder de iniciar algumha legislaçom.

Se a proposta de Trichet ou algo remotamente similar chegasse à câmara de Estrasburgo para a sua aprovaçom, qualquer membro do Parlamento Europeu que aprecie a democracia deve opor-se firmemente.

Se os membros do Parlamento Europeu nom alcançam reunir suficientes forças para fazê-lo, a câmara ficaria instantâneamente exposta como umha armadilha, que serve só para fornecer umha fachada de legitimidade democrática a um regime antidemocrático e muito afastado da semente de umha genuína ordem democrática europeu desejado por tantos deputados.

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