14-01-2010

  23:39:43, por Corral   , 435 palavras  
Categorias: Dezires

Que procuram as operaçons com o "USA-TERRORISMO" em Ásia, África e Europa ?

Manuel Freitas / Iarnoticias

Na cena mundial há seis processos de inevitável desenlace em curto prazo: A resoluçom social da crise económica global (com epicentro em EEUU e Europa), o ataque militar às usinas iranianas, escalada em Afeganistám com ocupaçom militar de Paquistám, acçons militares contra Sudám, Somália e Iemem, novo conflito armado no Cáucaso ou em Euroásia (como parte do teatro da guerra fria EEUU-Rússia) e um ataque "terrorista" (ou vários) similar ao 11-S em Europa ou EEUU. Em todos os casos, o "terrorismo" (um arma estratégica da guerra de Quarta Geraçom) vai actuar como elemento desencadeante fusionante dos acontecimentos que se avizinham teatro dos conflitos internacionais pola preservaçom do ordem imperial regente.

Nesse sentido, Bin Laden (que nom se sabe exactamente se está vivo ou morto) e Al Qaeda som umha valiosa carta que a CIA e os serviços estadunidenses e europeus sempre se reservam para resolver qualquer "saída" imperial (económica ou militar) que requeira consenso internacional.
O "terrorismo" nom é um objecto diabólico do fundamentalismo islâmico, senom umha ferramenta da Guerra de Quarta Geraçom que a inteligência estadunidense e europeia estám a utilizar (em Ásia, África e Europa) para manter e consolidar a aliança USA-UE no campo das operaçons para derrotar aos talibanes em Afeganistám, ocupar Paquistám, Sudám e Iemem, justificar acçons militares contra Irám dantes de que converta em potencial nuclear, e gerar um possível segundo 11-S para distrair a atençom da crise económica que já derivou (por médio do desemprego) em crise social tanto em EEUU como em Europa.

Dentro desta linha directriz, vam-se demarcar os diferentes acontecimentos de "ameaças" e "descobertas de complô terroristas" que ir-se-am desenvolvendo nos próximos dias tanto em Europa e EEUU como em Ásia Central e a regiom do corno africano.

O ponto "nebuloso" destas operaçons reside em precisar em que momento os estrategas do USA-terrorismo vam implementar o palco de outro atentado real em alta escala (que aparece como inevitável) em objectivos de Europa, Ásia, ou EEUU.

O "alvo", como já se precisou mais acima, seguramente vai estar determinado polo resultado e a avaliaçom dos "teste? as "ameaças" e os "complôs terroristas" que (desde fim de ano) vem anunciado Barak Obama e as potências europeias.

No momento que EEUU decida atacar às usinas nucleares de Teerám, ou lançar operaçons militares em Paquistám, em África ou no Cáucaso, vai precisar imperiosamente de um ou várias atentados terroristas reais para abrandar a resistência dos aliados e conseguir consenso internacional para novas ocupaçons.

Precisamente, essas som as funçons fulcrais que vem cumprindo o "terrorismo islâmico" (como arma de guerra imperial) controlado pola CIA desde o 11-S até aqui.

  14:06:18, por Corral   , 693 palavras  
Categorias: Ensaio

Por quê sobreviveu a República Islâmica de Irám?

Rebelión

por Ervand Abrahamian

A Constituiçom da República Islâmica de Irám, com 175 cláusulas, transformou as aspiraçons gerais de bem-estar em promessas específicas que ficaram registadas por escrito. Prometeu eliminar a pobreza, o analfabetismo, a infravivienda e o desemprego. Também se comprometeu a oferecer à populaçom educaçom gratuita, acesso à atençom médica, moradias decentes, pensons de aposentaçom e de invalidez, e seguro por desemprego. A constituiçom declara que o governo tem a obrigaçom legal de proporcionar os serviços mencionados a todos os indivíduos do país. Em resumem, a República Islâmica prometeu criar um Estado do bem-estar em toda a extensom da palavra, no sentido europeu do termo, nom no sentido depreciativo empregado polos americanos.

Nas três décadas decorridas desde a revoluçom, a República Islâmica, apesar da sua pobre imagem no exterior, deu importantes passos para cumprir estas promessas, e fazer dando prioridade aos gastos sociais em frente aos militares, de maneira que ampliou de maneira espectacular os ministérios de Educaçom, Previdência, Agricultura, Trabalho, Moradia, Previdência e Segurança Social. Os gastos militares consumiam ao menos o 18% do produto interno bruto nos últimos anos do Shah, e agora se reduziram ao 4%. O Ministério de Indústria também cresceu devido em grande parte a que, entre 1979 e 1980, o Estado se apropriou de muitas grandes empresas cujos proprietários tinham fugido do país. A alternativa teria sido clausurá-las e provocar um desemprego em massa. Já que a maior parte destas empresas tinha funcionado unicamente devido às subvenciones do antigo regime, o novo regime nom tivo mais remédio que seguir subvencionando-as.

Após três décadas, o regime está cerca de eliminar o analfabetismo entre as geraçons posteriores à revoluçom, reduzindo a percentagem total do 53 ao 15%. A percentagem entre as mulheres diminuiu do 65 ao 20%. O Estado incrementou o número de estudantes de primaria de 4.768.000 a 5.700.000; os de secundária, de 2,1 milhons a mais de 7,6 milhons; os de escolas técnicas, de 201.000 a 509.000 e os universitários, de 154.000 a mais de 1,5 milhons. A percentagem de mulheres dentro da populaçom universitária subiu do 30 ao 62%. Graças aos centros médicos, a expectativa de vida ao nascer aumentou de 56 a 70 anos, e a mortalidade infantil desceu do 10,4 ao 2,5%. Também graças aos centros médicos, a taxa de natalidade caiu desde 32, o seu ponto mais alto, a 21, e a taxa de fertilidade a média de filhos dumha mulher ao longo da sua vida? de 7 a 3. Estima-se que este cairá até os dous filhos por mulher em 2012; em outras palavras, num futuro próximo, Irám estará cerca de atingir um crescimento zero de populaçom.

A República Islâmica de Irám diminuiu o abismo entre a vida urbana e a rural, em parte subindo os preços dos produtos agrícolas se comparamo-los com outros artigos de consumo e em parte introduzindo escolas, centros médicos, estradas, electricidade e água corrente no campo. pola primeira vez na história, os aldeaos podem permitir-se os bens de consumo, incluindo motocicletas e furgonetas De acordo a um economista que, em general, é crítico com o regime, o 80% das famílias rurais dispom de frigorífico, o 77% de televisor e o 76% de cozinha de gás. Umhas 220.000 famílias campesinas receberam ademais 850.000 hectares de terra confiscada à antiga elite. Estas famílias, junto a umhas 660.000 mais que tinham obtido terra durante a primeira Revoluçom Branca, formam umha importante classe camponesa que nom só se beneficiou destes novos serviços sociais, senom também das cooperativas subvencionadas polo Estado e das acavalas proteccionistas. Esta classe camponesa proporciona ao regime umha base social rural.

O regime também abordou os problemas da pobreza nas cidades. Substituiu as choupanas por moradias de renda baixa, arranjou os piores bairros e levou a electricidade, o água e a rede de esgoto aos bairros da classe trabalhadora. Segundo admitiu umha jornalista muito crítica para a política económica do regime, Irám converteu-se num país moderno com poucos signos visíveis de miséria. Ademais, complementou os rendimentos das classes baixas tanto rurais como urbanas com generosos subsídios em forma de alimentos, combustível, gás, electricidade, medicina e transportes públicos. O regime pode que nom tenha erradicado a pobreza nem reduzido significativamente a brecha entre ricos e pobres, mas proporcionou às classes baixas um sistema de ajudas. A pobreza diminuiu até um nível envidiável para tratar-se dum país em desenvolvimento com rendimentos médios.

11-01-2010

  22:53:48, por Corral   , 278 palavras  
Categorias: Ensaio

O IMPERALISMO MADRILENHO é a MISÉRIA da GALIZA

Equilíbrio territorial e unidade de Espanha

A.C. Pereira Menaut/ Xornal de Galicia

Segundo um anuncio publicado por PromoMadrid na revista The Economist (12-XII-2009, quaderno pequeno interior de tecnologia, p. 5), em 2008 a regiom de Madrid concentrou o 82 por cento de todo o investimento directo estrangeiro em Espanha. Nom entendo umha palavra de economia nem de contas públicas, mas os números som esses, e quem os fornece é PromoMadrid, empresa pública madrilenha que deve saber o que di.
Para comparar peras com peras e maçás com maçás, deveríamos nos perguntar a proporçom de investimento estrangeiro que concentrárom no mesmo período Washington, Ottawa, Berlim ou Roma, capitais de países também descentralizados ou federais.
Mas nom se trata só de acumulaçom de recursos. Madrid também concentra já em torno ao 13 por cento da povoaçom. Castela-León, maior que Portugal (se fosse um estado membro da Uniom Europeia seria o 12 por cento em superfície) tem o 18.5 por cento por cento da superfície espanhola, ainda que menos povoaçom que Galiza (o 5.5 por cento do total espanhol). Por contraste com o típico finca pé europeu na coesom e equilíbrio territoriais, tales cifras soam mais bem a latino americanas.
Poda que aqui conduza a ideia de que a salvaçom da unidade de Espanha passa outra vez por Madrid. A unidade de Espanha é umha ideia tam razoável como a que mais, e em todo caso tanto como a sua contraria. Porém se o que oferece a todos os que nom somos Madrid é um 18 por cento ?e mal distribuído, e possivelmente decrescendo?, deduza cada quem o que deseje. Aparte do que espera lucrar o 82 por cento, quem com sentido comum entraria, ou permaneceria gostoso, num negocio assim?

  22:52:15, por Corral   , 272 palavras  
Categorias: Dezires

Assim ROUBA-NOS O VATICANO mais de 6.000 milhons de euros por ano

Público

Cada ano o Estado espanhol finança com mais de 6.000 milhons de euros as actividades educativas, sociais, sanitárias e de culto da Igreja católica. Só em centros escoares, se cedem mais de 3.500 milhons, mais outros 600 destinados a pagar aos professores de Religiom ou outros docentes em centros marcados.
O novo núncio vaticano em Espanha, Renzo Fratini, quem tem a missom de mediar para que nom se rompa a baralha nas relaciones Igreja-Estado em Espanha. pola momento, os Orçamentos Gerais do Estado para 2010 aprovaram, a última hora, a declaraçom de Bem de Interesse Cultural da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) , que no verám de 2011 trará a Benedito XVI a Madrid.

Isto supom, entre outras cousas, que as empresas que financiem o evento recebêrom isençons fiscais de até o 80%. Ademais, e ainda que Ratzinger nom vem a Espanha como chefe de Estado, as diferentes Administraçons garantírom a segurança de toda a jornada, bem como o relacionado com a previdência, limpeza, logística... Algumhas fontes cifram que o gasto oscilará entre os 20 e 25 milhons de euros.

A isso há que lhe acrescentar os 241 milhons que a Conferência Episcopal obteve da última declaraçom da Renda (o 5% do total que recebe a Igreja do Estado), os que vam parar às ONG católicas através da outra espaço do IRPF, e as isençons que, pese ao que di a lei, ainda mantém a instituiçom.

Em 2005, a Igreja católica conseguiu umha sensível melhora do financiamento directo do Estado, através do IRPF, ao conseguir um incremento até o 0,7%. Num ano, passou de 150 a 210 milhons. No passado exercício, a cifra ascendeu aos 241 milhons de euros. E nom parece que o sistema vá mudar.

04-01-2010

  11:32:49, por Corral   , 528 palavras  
Categorias: Ossiam

POR QUÊ morrem e matam os RAPAZES GALEGOS em Afganistám

Ossiam

Por quê umha guerra por Afeganistám que fornece o 90% da heroína do mundo e, desde a invasom, a produçom aumentou em mais de 300%?
 
Por quê se envia a milhares de quilómetros dos seus lares a jovens mulheres e homens galegos no exército espanhol para se enfrentarem a mortes arrepiantes e para levar a cabo umha brutal repressom contra umha populaçom que nom os quer ali?
 
Esta pergunta deve-se fazer os cidadás galegos, e espanhóis, ante a revelaçom de que a CIA mantivo na sua nómina, durante os últimos oito anos, ao irmá do presidente Karzai, um elemento fulcral do tráfico multimilionário de drogas em Afeganistám. As relaçons dos irmáns Karzai com a CIA som umha prova mais de que a estratégia bélica de Estados Unidos e a OTAN é umha empresa criminosa levada a cabo por meios criminosos.
 
 As conexons da CIA com o tráfico de drogas som já velhas. Com anterioridade a 1979, o cultivo da papoula e a produçom de heroína em Afeganistám e Paquistám tinha pouca importância, mas ambos os dous países convertérom-se no centro mundial da produçom de heroína, como resultado das actividades da CIA para fomentar a guerra dos muyahidim islâmicos contra o governo de Kabul, sustentado daquela pola Uniom Soviética. Na guerra dos anos 1980 contra Nicarágua, a introduçom de cocaína em EE.UU. financiava aos contras financiados pola CIA. E na guerra de Vietname, a CIA aliou-se com os capos do tráfico de heroína em Laos quem explodírom o mercado que lhes ofereciam as tropas estadunidenses.
 
Esta claro que esse objectivo nom é o progresso da democracia. Nem os 100.000 soldados de EE.UU. e a OTAN luitam contra o terrorismo em Afeganistám, onde os próprios militares admitem que Al-Qaeda tem ali só 100 combatentes. Os fins reais desta guerra ficárom expostos num artigo do Dr. Stephen Blank, professor de Estudos sobre a Segurança Nacional, publicado no ano passado na revista da Academia Militar de Estados Unidos. intitulado: The Strategic Importance of Central Ásia: An American Perspective.
 
Blank argumenta que EE.UU. procura com sua política abrir portas em Ásia Central às companhias estadunidenses à busca de prospecçons energéticas e mercados. A política estadunidenses, afirma, vai dirigida a evitar o monopólio energético de Rússia na regiom ou o domínio de China sobre a mesma. Tenta, assim mesmo, isolar a Irám, outro potencial rival na zona. Nom resulta surpreendente que o leitmotiv da política energética estadunidense se tenha centrado na construçom de oleodutos e enlaces com os consumidores estrangeiros e produtores de energia que eludem o controle de seus rivais regionais. Entre os mais importantes, encontra-se o projectado entre Turkmenistám, Afeganistám e Paquistám (TAP, em suas siglas inglesas), que levaria o petróleo e o gás natural desde Ásia Central através do território ocupado na actualidade polas tropas estadunidenses. Os soldados de origem galega no exército espanhol luitam em Afeganistám como parte do grande jogo dos USA em prol dos interesses económicos das suas transnacionais petroleiras, no que o imperialismo estadunidense procura controlar Ásia Central e os seus recursos energéticos.

E nom há dúvida de que o governo Obama seguirá perseguindo estes objectivos mediante a escalada da guerra afegám e ampliando-a agora ao Iemem.

02-01-2010

  18:52:29, por Corral   , 278 palavras  
Categorias: Ensaio

O IMPERALISMO MADRILENHO é a MISÉRIA da GALIZA

Equilíbrio territorial e unidade de Espanha

A.C. Pereira Menaut/ Xornal de Galicia

Segundo um anuncio publicado por PromoMadrid na revista The Economist (12-XII-2009, quaderno pequeno interior de tecnologia, p. 5), em 2008 a regiom de Madrid concentrou o 82 por cento de todo o investimento directo estrangeiro em Espanha. Nom entendo umha palavra de economia nem de contas públicas, mas os números som esses, e quem os fornece é PromoMadrid, empresa pública madrilenha que deve saber o que di.
Para comparar peras com peras e maçás com maçás, deveríamos nos perguntar a proporçom de investimento estrangeiro que concentrárom no mesmo período Washington, Ottawa, Berlim ou Roma, capitais de países também descentralizados ou federais.
Mas nom se trata só de acumulaçom de recursos. Madrid também concentra já em torno ao 13 por cento da povoaçom. Castela-León, maior que Portugal (se fosse um estado membro da Uniom Europeia seria o 12 por cento em superfície) tem o 18.5 por cento por cento da superfície espanhola, ainda que menos povoaçom que Galiza (o 5.5 por cento do total espanhol). Por contraste com o típico finca pé europeu na coesom e equilíbrio territoriais, tales cifras soam mais bem a latino americanas.
Poda que aqui conduza a ideia de que a salvaçom da unidade de Espanha passa outra vez por Madrid. A unidade de Espanha é umha ideia tam razoável como a que mais, e em todo caso tanto como a sua contraria. Porém se o que oferece a todos os que nom somos Madrid é um 18 por cento ?e mal distribuído, e possivelmente decrescendo?, deduza cada quem o que deseje. Aparte do que espera lucrar o 82 por cento, quem com sentido comum entraria, ou permaneceria gostoso, num negocio assim?

31-12-2009

  20:31:20, por Corral   , 803 palavras  
Categorias: Ensaio

QUE PASSOU DANTES de que se iniciasse a crise financeira

 
Vicenç Navarro / Rebelión

A resposta é que as relaçons de poder (e muito primordialmente, as relaçons de poder de classe) mudaram naquele período. O Pacto Social Capital-Trabalho que tinha existido após a II Guerra Mundial se rompeu, devido ao poder do mundo empresarial das grandes companhias que em EEUU se conhece como a Corporate Class (a classe empresarial das grandes companhias). O Pacto Social tinha possibilitado o elevado crescimento económico desde 1945 até *mediados dos anos setenta. No sector industrial, o Pacto dava lugar a convénios colectivos de cinco anos, inicialmente assinados polo Sindicato do Automóvel (United Autoworkers Union, UAW) e as três companhias de automóveis de EEUU, e que se convertiam no ponto de referência para o resto de convénios colectivos em tal sector. Neles, os salários estavam unidos à produtividade, de maneira que o crescimento da última determinava o crescimento correspondente dos salários. Durante aquele período, a riqueza criada polo aumento da produtividade distribuiu-se a todos os sectores, os beneficiando a todos eles. Desde 1949 a 1979, o incremento da renda da decila inferior foi de 116% e o da decila superior foi de 99%.
 
Esta situaçom mudou durante a Administraçom Carter, quando o Governador do Banco Central Estadunidense, o Sr. Paul Wolcker, criou umha recessom, aumentando os interesses bancários, a fim de criar um elevado desemprego e reduzir os salários. O argumento utilizado é que tinha que os reduzir a fim de controlar a inflaçom. Em realidade, significava umha mudança nas relaçons de poder de classe que deu origem a umhas políticas fiscais e económicas que claramente beneficiaram às rendas de capital e às rendas superiores. Foi o fim do Pacto Social, e isso determinou que a partir de entom os crescimentos da produtividade nom se traduzissem num crescimento paralelo dos salários. A riqueza criada polo aumento da *produtividade passou a beneficiar primordialmente às rendas do capital e às rendas superiores. Do período 1970 a 2005, o 5% da populaçom de renda superior incrementou sua renda um 81%, o 20% da populaçom de renda superior um 53%, enquanto as rendas médias e inferiores viram diminuir suas rendas (o 20% da populaçom com menor renda viu descer sua renda um 1%) ou viram-na crescer muito lentamente (o seguinte 20% acima do anterior 20% viu crescer suas rendas um 9%). E isso foi conseqüência de que os salários descessem ou se estancassem durante aquele período, tal como documentaram os relatórios The State of Working America do Economic Policy Institute. É este descendo o que determinou o grande endividamento das famílias, que originou o enorme crescimento da banca. A financializaçom da economia (isto é, a grande extensom do sector financeiro na economia) explica-se precisamente polo grande endividamento da populaçom, endividamento que era possível polo elevado preço da moradia, o maior aval de tal endividamento. A prática agressiva de promoçom do endividamento por parte da Banca chegou também ao fenómeno das hipotecas lixo que se supom que som a origem da crise financeira.
 
Por outra parte, a escassa demanda fai diminuir o crescimento económico, o que forçou ao Banco Central do governo federal a baixar os interesses, facilitando o aparecimento das sucessivas borbulhas, sendo a última a borbulha hipotecaria. De novo, a crise financeira originava-se pola escassa demanda, resultado do descendo das rendas do trabalho. Daí que, a nom ser que se resolva o enorme endividamento das famílias, recuperando as rendas do trabalho existentes dantes do racho do Pacto Social, nom resolver-se-á a crise. (Para umha ampliaçom deste tema, ler meu artigo ?Para entender a crise. Assim começou tudo em Estados Unidos. Daí deriva-se o facto de que, ainda quando se tenham evitado os colapsos da grande banca, a crise nom se está a resolver, pois o problema de fundo nom se está a resolver. A escassa capacidade de consumo por parte da populaçom traduz-se num problema de demanda de dimensons enormes e que nom se pode resolver sem se solucionar o enorme problema do endividamento privado. A única maneira imediata de resolver esta situaçom é aumentando a demanda pública a costa, em parte, de um elevado endividamento público. Daí a necessidade de manter um elevado deficit público. Reduzi-lo é atrasar ainda mais a recuperaçom económica e a criaçom de emprego. Tal como indiquei repetidamente, o estado devesse manter um deficit elevado, a fim de permitir um investimento sobretodo em emprego público, que permita nom só resolver o enorme problema de falta de criaçom de emprego senom também solucionar o atraso na recuperaçom económica.
 
Vemos que, por desgraça, a Uniom Europeia está ainda estancada no pensamento liberal, que toma o Pacto de Estabilidade como o seu dogma, Pacto que foi responsável de que a Uniom Europeia tenha crescido menos e tenha criado menos emprego que EE.UU. onde tal Pacto nem existe nem se espera.
 
 
Vicenç Navarro é catedrático de Políticas Públicas. Universidade Pompeu Fabra, e Professor de Public Policy. The John?s Hopkins University
 

  18:14:19, por Corral   , 4674 palavras  
Categorias: Ensaio

O URÂNIO EMPOBRECIDO: o horror que o imperialismo espalha por todo o planeta

por David Randall/Resistir.info
- Do DU não falam eles, os politiqueiros & os media que se arrogam serem "referência"
- Intoxicam-nos com a treta do inofensivo CO2 mas silenciam o crime real
- Organizações que se dizem ecologistas, como a Quercus e quejandas, são coniventes nesse silenciamento
- O DU é venenoso e tem efeitos teratogénicos ? em Faluja nascem bebés deformados
- A semi-vida do DU é de milhões de anos
- As armas tóxicas do imperialismo ameaçam exterminar a humanidade
- As agressões ao Iraque, Jugoslávia e Afeganistão não afectam apenas esses povos
Em Setembro deste ano nasceram 170 crianças no Hospital Geral de Faluja, 24 por cento das quais morreram na primeira semana. Três quartos dessas crianças apresentavam deformações, incluindo ?crianças nascidas com duas cabeças, sem cabeça, um só olho na testa, ou sem membros?. Os dados comparativos com Agosto de 2002 ? antes da invasão ? registam 530 nascimentos, dos quais morreram seis e apenas um apresentava deformações.
Os dados ? contidos numa carta enviada no mês passado às Nações Unidas por um grupo de médicos e activistas britânicos e iraquianos ? anteciparam-se às alegações feitas num relatório, publicado no The Guardian de ontem, de que tem havido na cidade um forte aumento de defeitos à nascença. O jornal citava o director e especialista sénior do Hospital Geral de Faluja, Dr Ayman Qais, que afirmou: ?Estamos a observar um aumento significativo de anomalias do sistema nervoso central? Há também um aumento muito pronunciado do número de casos de tumores cerebrais?. Ainda este ano a Sky News noticiou que um coveiro de Faluja afirmara que, entre os quatro ou cinco recém-nascidos que enterra todos os dias, a maior parte apresenta deformações.
A carta dos activistas às Nações Unidas requer que seja feita uma investigação independente ?aos materiais tóxicos utilizados pelas forças de ocupação, incluindo o urânio empobrecido e o fósforo?, e um inquérito destinado a investigar os crimes de guerra praticados.
O urânio empobrecido e o fósforo branco são a principal, ou mesmo a única, causa dos defeitos nos nascituros. O fósforo branco, que os militares americanos reconheceram ter sido utilizado contra os insurgentes em Faluja, cidade que tem uma alta densidade de população, tem uma longa história de utilização militar, que remonta à Primeira Guerra Mundial.
E embora não haja nenhum estudo científico que tenha provado uma relação causal entre o urânio empobrecido e graves problemas médicos [1] ? e há até alguns estudos que parece provarem o contrário ? a situação não é nada clara. Desde a primeira Guerra do Golfo que o seu uso tem sido relacionado com cancros entre as tropas que regressam a casa.
O QUE É O URÂNIO EMPOBRECIDO?
O Urânio Empobrecido, ou DU (Depleted Uranium), é um resíduo da indústria nuclear. Produz-se uma grande quantidade deste resíduo quando o urânio natural é enriquecido para utilização em reactores e armas nucleares. Nos processos nucleares, tais como reactores e armamento, apenas se pode utilizar o isótopo U-235 do urânio. Como a maior parte deste isótopo é extraído do urânio que existe na forma natural, o urânio restante contém U-238 e quantidades mais pequenas de U-235 e U-234 muito mais radioactivos. O DU é tóxico simultaneamente do ponto de vista químico e radiológico. É este produto final, o que sobra do urânio, que contém principalmente U-238, que tem sido utilizado para fabricar armas de urânio ?empobrecido?. É utilizado para armamento porque o exército considera que este metal pesado e denso é um excelente perfurador de blindados, de tanques e até mesmo de edifícios do inimigo.
Grande parte do DU armazenado nos Estados Unidos tem sido contaminada com combustível nuclear utilizado e reciclado de reactores nucleares. Por exemplo, encontraram-se quantidades de U-236 e de substâncias altamente radioactivas, tais como plutónio, neptúnio e ternécio numa bomba anti-tanque de DU utilizada no Kosovo. Centenas de milhares de toneladas deste stock contaminado foram exportadas para o Reino Unido, para França e para outros países nos anos 90. Ainda não se sabe nem foi revelado até que ponto este DU foi contaminado com combustível utilizado e reciclado.
Os governos têm ignorado amplamente os graves perigos que este combustível reciclado apresenta. Uma defesa vulgar utilizada pelos governos britânico e americano e pelas suas forças armadas é afirmar que o urânio empobrecido é menos radioactivo do que o urânio natural e, portanto, não apresenta perigo para a saúde humana. Mas esta afirmação é mistificadora. Na sua forma natural o urânio está presente no nosso ambiente em quantidades muito pequenas nos minérios, por exemplo nas rochas e no solo. Ao invés, o DU utilizado pelos militares é concentrado em comparação com as quantidades presentes no ambiente e, portanto, é muitas vezes mais radioactivo do que o minério de urânio.
Em Maio de 2003, Scott Peterson, colaborador do jornal americano CSM, examinou os níveis radioactivos após o lançamento de projécteis DU em Bagdad e concluiu que as leituras do contador Geiger eram 1900 mais elevadas do que os níveis de radiação no ambiente. Quando o urânio natural está concentrado numa forma semelhante ao do urânio ?empobrecido? emite cerca de mais 40% de radiações alfa, mais 15% de radiações gama e cerca do mesmo nível de radiações beta. A toxicidade química do urânio não depende do isótopo e, portanto, o urânio enriquecido, o 'normal' e o empobrecido são igualmente tóxicos do ponto de vista químico.
É extremamente difícil e dispendioso para a indústria nuclear armazenar o DU. Pensa-se que os EUA têm actualmente mil milhões de toneladas de resíduos radioactivos de urânio empobrecido, enquanto o Reino Unido tem pelo menos 50 mil toneladas. Este resíduo é guardado em cilindros em muitos locais por todos os EUA e Reino Unido e é vulnerável à corrosão e a fugas devido ao envelhecimento dos cilindros e ao armazenamento ao ar livre. É guardado principalmente sob a forma de hexafluorido de urânio empobrecido (DUF6) que pode gotejar se os cilindros corroídos abrirem um buraco. Há notícias de pelo menos 10 cilindros terem aberto brechas nos últimos 10 anos.
Transformar este desperdício de DU em armas resolve parte do problema que o governo e a indústria nuclear enfrentam, no que se refere ao que fazer com estes stocks enormes. Não só o DU é praticamente de graça para os fabricantes de armas, como deixa de ter que ser armazenado e vigiado indefinidamente.
OS EFEITOS PARA A SAÚDE DO URÂNIO EMPOBRECIDO
O urânio empobrecido é um risco para a saúde, quer como metal pesado tóxico quer como substância radioactiva. Os governos do Reino Unido e dos EUA há muito que tentam esconder estes riscos. Embora, já no fim de 2003, o governo do Reino Unido tenha andado a afirmar que o DU não apresentava perigo nem para soldados nem para civis, as provas acumuladas e alarmantes de cientistas, soldados e activistas forçaram-no a recuar e a reconhecer os riscos existentes. Mas o que é nítido a partir da leitura de todos os principais estudos é que é necessário que se faça urgentemente mais investigação. Existe muito pouca investigação sobre os efeitos da contaminação pelo urânio nos seres humanos e nunca foram feitos testes rigorosos para averiguar as doses de exposição da utilização militar do DU.
Há três vias principais através das quais ocorre a exposição ao DU no campo de batalha: a inalação, a ingestão e os ferimentos. Quando um penetrante DU atinge o seu alvo, parte do DU da arma reage com o ar no fogo que se segue e transforma-se numa poeira fina (chamada habitualmente 'aerosol') que facilita a inalação e ingestão para os que se encontram nessa área. Mesmo depois de a poeira assentar, mantém-se o perigo de que possa voltar a ficar em suspensão posteriormente através de outras actividades ou devido ao vento, e volte a ser uma ameaça para civis e outros durante muitos anos daí em diante. Já foi noticiado que partículas de DU viajaram 40 km impelidas pelo vento. Os ferimentos abertos também constituem uma porta de entrada de DU no corpo e alguns veteranos têm fragmentos de DU dentro do corpo, vestígios dos combates.
A poeira de DU inalada instala-se no nariz, na boca, nos pulmões, nas vias respiratórias e no tubo digestivo. Quando um penetrante de DU atinge o seu alvo, as altas temperaturas provocadas pelo impacto fazem com que as partículas de poeira de DU fiquem vidradas e portanto insolúveis na água. Isto significa que, ao contrário de outras formas mais solúveis de urânio, o DU se manterá no corpo durante períodos de tempo muito maiores. Este aspecto da toxicologia do urânio tem sido frequentemente ignorado nos estudos dos efeitos do DU sobre a saúde, estudos que se baseiam nas taxas de excreção do urânio solúvel. A poeira de DU pode manter-se nos tecidos quentes e húmidos dos pulmões e de outros órgãos, como os rins, durante muitos anos. Também se deposita nos ossos onde pode ficar durante mais de 25 anos. Isto permite explicar porque é que os estudos dos veteranos da Guerra do Golfo chegaram à conclusão de que os soldados continuam a expelir DU na urina 12 anos após o conflito de 1991. O DU ingerido pode ser incorporado nos ossos e daí irradiar para a medula óssea, aumentando o risco de leucemia e de um sistema imunitário enfraquecido.
A exposição externa ao DU significa exposição às radiações alfa, beta e gama. Embora a pele bloqueie as partículas alfa, as radiações beta e gama podem penetrar para lá das camadas de pele morta exterior e danificar os tecidos vivos. As partículas beta podem penetrar até uma profundidade de 2 cm, enquanto que as radiações gama (através de um processo chamado ?o efeito de Compton?) geram radiações de partículas beta ao longo da sua trajectória através do corpo. A exposição externa às radiações alfa também não é inofensiva. As cataratas, por exemplo, podem ser causadas pela exposição às radiações alfa.
No interior do corpo, o DU apresenta uma série de riscos para a saúde em diferentes órgãos. Os rins são o primeiro órgão a ser prejudicado pelo DU. Numa dose alta, os níveis de urânio nos rins podem levar à falência dos rins em poucos dias após a exposição. Doses mais baixas levam a disfunções dos rins e podem constituir um risco acrescido de doenças de rins a longo prazo.
Enquanto emissor radioactivo, o DU também constitui um risco para os pulmões. Tradicionalmente, a dosimetria de radiações mede o grau de dano calculando as radiações externas absorvidas pelos tecidos: a chamada dose ?absorvida?. Mas, como a poeira do DU é inalada ou ingerida, pode manter-se nos tecidos do corpo e emitir radiações intensas durante um período mais longo. Desta forma pode provocar uma grande quantidade de danos numa área relativamente pequena, alterando os códigos genéticos de uma pessoa e provocando cancros. Por causa disso, os soldados e civis expostos ao DU arriscam-se a contrair cancros, especialmente se forem fumadores, dado que os seus pulmões já se encontram irritados.
Estão a aparecer muitas novas provas acerca dos riscos das chamadas radiações de 'baixo nível' e dos danos que podem provocar no ADN. Ultimamente têm-se acumulado provas consideráveis sobre os efeitos 'testemunha', que demonstram que as células irradiadas transmitem os danos às células saudáveis vizinhas. Desta forma pensa-se que as radiações de baixo nível podem provocar danos muito maiores do que seria de esperar. Alguns estudos também têm demonstrado que as células irradiadas transmitem aberrações cromossómicas à sua prole, de modo que células não irradiadas durante várias gerações, ou divisões posteriores de células, podem vir a apresentar esta instabilidade genómica induzida pelas radiações.
Novos indícios também sugerem que a toxicidade química do DU e da sua radioactividade se reforça mutuamente num efeito chamado 'sinergético', o que significa que 'reforça o seu próprio poder' em termos dos danos que pode provocar às células. Alexandra Miller do Instituto Americano de Investigação de Radiobiologia das Forças Armadas dos EUA, num estudo de 2003, chegou à conclusão de que, quando as células ósseas humanas são expostas ao DU, separam-se fragmentos dos cromossomas que formam pequenos anéis de material genético. Este dano foi observado em células novas mais de um mês depois da remoção do DU, provocando um aumento de oito vezes nos danos genéticos em relação ao que era esperado.
Não é apenas em termos de risco acrescido de cancro que os danos do DU sobre o ADN podem afectar a saúde. Também é responsável por causar um sistema imunitário deficitário, problemas de reprodução e defeitos à nascença. Por exemplo, um estudo de veteranos americanos da Guerra do Golfo chegou à conclusão de que estes têm três vezes mais probabilidades de ter filhos com deformações à nascença do que os pais que não foram combatentes; e que as gravidezes terminam em taxas significativamente mais altas de aborto. Um importante estudo de 2004, da Escola de Londres de Higiene e Medicina Tropical, financiado pelo Ministério da Defesa, chegou à conclusão de que os bebés cujos pais prestaram serviço na primeira Guerra do Golfo têm mais 50% de probabilidades de ter anomalias físicas. Também encontraram um risco acrescido de 40 por cento de aborto nas mulheres cujos companheiros prestaram serviço no Golfo.
Em Bassorá, no sul do Iraque, têm aparecido notícias chocantes há uma série de anos sobre o aumento nesse local de cancros infantis e de deformações de nascimento ali observadas. As descobertas de um importante epidemiologista iraquiano, Dr. Alim Yacoub foram apresentadas em Nova Iorque em Junho de 2003 e mostram que tem havido um aumento de mais de cinco vezes em malformações congénitas e de quatro vezes mais das taxas de incidência de doenças malignas em Bassorá.
O Dutch Journal of Medical Science noticiou as conclusões do oftalmologista holandês, Edward De Sutter. Este encontrou, em 4000 nascimentos no Iraque, 20 casos de bebés com o fenómeno anoftalmo: bebés que nasceram apenas com um olho ou a quem faltavam os dois olhos. Esta situação muito rara afecta normalmente apenas 1 em 50 milhões de nascimentos.
Os efeitos prejudiciais para a saúde que as armas de DU apresentam são especialmente preocupantes por causa da probabilidade de os civis ficarem expostos após o término dos conflitos. As crianças principalmente estão em risco porque brincam com terra contaminada que por vezes ingerem e a maior parte dos riscos para a saúde constituem um perigo especial para as crianças mais pequenas.
CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL POR DU
A libertação de DU no ambiente pode poluir a terra e a água durante as próximas décadas [2] . O perigo não se limita às suas emissões no campo de batalha mas expõe as gerações actuais e futuras de civis a alimentos e abastecimento de água contaminados. Também é de prever que as emissões deste tipo no ambiente tenham efeitos negativos na vida das plantas e dos animais embora pouco se saiba quanto a isso.
A poeira de DU no ambiente pode voltar a ficar em suspensão no ar através das condições do tempo e da actividade humana, tais como a agricultura. Constitui uma preocupação especial o facto de as crianças serem particularmente vulneráveis a sofrer exposições significativas quando brincam em locais e ingerem terra contaminada através da sua típica actividade de levar tudo à boca.
O DU também pode contaminar o solo através da corrosão do projéctil original. Pensa-se que cerca de 70 a 80% de todos os projécteis de DU utilizados no Golfo e nos Balcãs se mantêm enterrados no solo. Um estudo do Programa do Ambiente das Nações Unidas na primavera de 2002 chegou à conclusão de que os projécteis recuperados tinham reduzido de massa em 10 a 15%. A corrosão pode canalizar o urânio para as águas subterrâneas, de onde pode viajar até aos pontos de abastecimento de água local. O DU no solo também pode entrar na cadeia alimentar visto que é absorvido pelas plantas que ali crescem e pelos animais utilizados para alimentação. Um relatório após os conflitos na Bósnia e na Herzegovina chegaram de facto à conclusão de que o DU também se tinha infiltrado na água subterrânea local. O mesmo estudo chegou à conclusão de que se mantinham focos radioactivos nalguns dos locais estudados. Klaus Toepfer, director executivo da UNEP, disse na altura, ?Sete anos depois do conflito, o DU continua a ser motivo de preocupação ambiental e, portanto, é vital que tenhamos os factos científicos, com base nos quais possamos dar recomendações claras sobre como minimizar quaisquer riscos?.
Os militares britânicos e americanos demonstraram uma irresponsabilidade extrema ao libertar DU no ambiente, utilizando-o sem a devida monitorização ou sem informação sobre os riscos que apresenta mesmo para os seus próprios países. Em Janeiro de 2003, a Marinha americana reconheceu ter disparado rotineiramente DU dos seus canhões Phalanx em importantes águas de pesca ao largo da costa do estado de Washington desde 1977. No local de testes de Dundrennan na Escócia foram disparadas cerca de 30 toneladas de projécteis de DU para a bacia de Solway. Apenas um foi recuperado, encontrado na rede de um pescador.
Os dois governos foram igualmente insensíveis na sua indiferença em relação aos perigos a longo prazo para os civis dos países em que utilizaram o DU.
O DU E OS MILITARES
O DU é utilizado numa série de aplicações militares. É atractivo para os militares, para os governos e para a indústria nuclear por três razões principais. Primeiro, como já foi mencionado, existe em quantidade e é barato e resolve o problema do armazenamento e da fiscalização. Em segundo lugar, é uma arma de batalha muito eficaz porque a sua alta densidade e qualidades de perfuração lhe permitem penetrar em alvos duros com facilidade. Em terceiro lugar, o DU é pirofórico, o que significa que arde sob impacto, reforçando a sua capacidade de destruir os alvos inimigos. O teste de fogo britânico de DU começou na serra de Eskmeals na Cúmbria no início dos anos 60. Os testes continuam hoje em Dundrennan, na Escócia do Sul, sobretudo antes do ataque ao Iraque em 2003. O DU é utilizado actualmente em dois tipos de munições nas forças armadas britânicas: os projécteis anti-tanque de 120 mm (CHARM 3), que são disparados pelos tanques Challenger do exército e os projécteis de 20 mm usados pelo Sistema de Armamento de Proximidade Phalanx da Royal Navy (um sistema de defesa anti-mísseis). O sistema Phalanx foi desenvolvido pela Marinha americana e é usado pelas Marinhas australiana e britânica. Em 1993, uma fuga de informação de um relatório do Pentágono revelou como a utilização do DU podia levar a riscos acrescidos de cancro: esta fuga levou os fabricantes americanos a mudar para alternativas de tungsténio. Por causa disso a Royal Navy também foi forçada a trocar as suas munições de reposição para o tungsténio, embora ainda tenha stocks de DU.
As forças armadas americanas utilizam o DU principalmente nos seus tanques Abrahams e aviões A10, embora também seja utilizado nos carros de combate Bradley, nos aviões Harrier AV-8B, nos helicópteros Super Cobra e no sistema Phalanx da Marinha. Também é utilizado pelas forças armadas americanas numa série de outras aplicações, incluindo bombas, blindagem de tanques, lastro de aviões e minas anti-pessoais. Embora os militares americanos e britânicos sejam os únicos países que estão devidamente documentados como utilizando armas de DU, sabe-se que estas existem em pelo menos mais dezassete países, incluindo: a Austrália, o Bahrain, a França, a Grécia, Israel, a Jordânia, o Kuwait, o Paquistão, a Rússia, a Arábia Saudita, a Coreia do Sul, Taiwan, a Tailândia, a Turquia e os Emirados Árabes Unidos.
Os testes de armas de DU provocaram uma contaminação considerável nos locais de testes em todo o mundo. Em Dundrennan, na Escócia, por exemplo, um relatório de 2004 do Ministério da Defesa revelou como, desde 1982, mais de 90 bombas erraram o alvo ou funcionaram mal e espalharam fragmentos de DU pelo terreno. Apesar das pesquisas, parte desses fragmentos nunca foram recuperados. São altos os níveis de contaminação nessas áreas, que tiveram que ser isoladas. Em Okinawa no Japão e em Vieques, uma ilha de Porto Rico, os militares americanos utilizaram armas de DU sem as devidas autorizações e sem informarem os respectivos governos ou populações locais. Nos EUA, o exército está a tentar ilibar-se das suas responsabilidades de descontaminar antigos locais de testes, como o de Picatinny Arsenal em Nova Jersey e o de Jefferson Proving Ground na Indiana.
É hoje óbvio que os militares conheciam os riscos do urânio empobrecido mas nunca deram instruções de segurança aos soldados, tanto nas Guerras do Golfo de 1991 como nos conflitos dos Balcãs. Um estudo preparado pelo exército americano em Julho de 1990, um mês antes de o Iraque invadir o Kuwait, diz: ?Os riscos para a saúde associados à exposição interna & externa de DU durante as situações de combate são certamente muito menores do que outros riscos relacionados com o combate. Mas, na sequência dos combates, a situação do campo de batalha e os riscos a longo prazo para a saúde de nativos e veteranos de combate podem vir a constituir um problema quanto à aceitabilidade da utilização continuada do DU?.
Mais ainda, a fuga de informação em 1993 de um documento do gabinete americano do General Cirurgião do Exército dizia, ?Quando os soldados inalam ou ingerem poeira de DU incorrem num possível risco acrescido de cancro? esse acréscimo pode ser quantificado em termos de dias previstos de perda de vida?.
O DU NO IRAQUE
A Guerra do Golfo de 1991 assistiu à primeira utilização comprovada de armas de DU. Foram utilizadas nessa guerra cerca de 320 toneladas de DU em armamento, das quais cerca de uma tonelada foi utilizada pelos militares britânicos. Segundo os dados do Departamento de Defesa americano, dezenas ou centenas de milhares de militares americanos podem ter tido exposição ao DU. Tanto o governo americano como o britânico declinaram qualquer responsabilidade pela descontaminação e ambos se recusaram a estudar as taxas de exposição ou os efeitos posteriores desta utilização de DU. Alguns anos depois, começaram a aparecer no Iraque as provas quanto à crescente incidência de cancro e de deformações à nascença no sul do país. Depois de fortes pressões americanas, a Assembleia-Geral da ONU, em Novembro de 2001, derrotou uma proposta iraquiana para que as Nações Unidas estudassem os efeitos do DU ali utilizado.
No ataque de 2003 ao Iraque, os militares americanos e britânicos utilizaram o DU apesar da falta de dados fiáveis sobre os efeitos da sua utilização no Iraque 12 anos antes. O governo britânico reconheceu ter utilizado 1,9 tonelada de DU. Embora isto seja apenas uma leve proporção de todo o DU utilizado no Iraque, é o dobro da quantidade utilizada em 1991. As autoridades americanas ainda não revelaram quanto utilizaram, embora uma fonte inicial do Pentágono tenha revelado que podem existir no Iraque 75 toneladas de DU, provenientes apenas dos aviões A-10.
As implicações para os civis iraquianos são alarmantes. Ao contrário da primeira Guerra do Golfo, que se restringiu principalmente a áreas desertas, grande parte da utilização de DU foi feita em áreas com edifícios, fortemente povoadas. O governo dos EUA recusou-se a qualquer limpeza de DU no Iraque, agarrando-se à afirmação de que não há qualquer relação com doenças, enquanto que o governo britânico reconheceu pela primeira vez que tem essa responsabilidade, mas afirma que ela não está no topo da sua lista de prioridades.
OUTROS PAÍSES CONTAMINADOS POR DU
BÓSNIA 1994-1995
Na Bósnia foram utilizados projécteis de DU pelos aviões americanos A-20, sob os auspícios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). Foram utilizados na Bósnia cerca de 10 800 projécteis de DU, ou seja três toneladas. No entanto, a NATO sempre negou que tenha sido utilizado o DU até 2000, seis anos depois dos ataques, até que começaram a aparecer as notícias nos meios de comunicação. Durante todo esse tempo não puderam ser feitas limpezas nem campanhas de sensibilização pública, o que levou a exposições desnecessárias dos civis. O relatório da UNEP, atrás mencionado, e divulgado em Março de 2003, descobriu contaminação por DU na água potável e 'focos' radioactivos. A UNEP recomendou uma monitorização continuada da água potável, a limpeza do DU dos locais, a limpeza de edifícios contaminados e a divulgação pela NATO de todas as coordenadas de ataques com DU.
KOSOVO, JUGOSLÁVIA ? 1999
A aviação Americana A-10 disparou cerca de 31 300 projécteis de DU, ou seja nove toneladas de DU em áreas do Kosovo, Sérvia e Montenegro durante a acção da NATO nesses locais em 1999. Um ano depois da guerra foram divulgadas informações parciais sobre a utilização do DU, quando o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, enviou uma carta ao secretário-geral da NATO, Lord George Robertson, requerendo informações. Uma análise num estudo de campo da UNEP, após o conflito, sobre bombas de DU recuperadas, publicado em Março de 2001, chegou à conclusão de que algumas dessas bombas tinham sido feitas com urânio reciclado (ou seja, com urânio que tinha passado por um reactor nuclear) e estavam contaminadas com plutónio. O estudo não encontrou uma contaminação generalizada mas encontrou provas de movimentação de poeira de DU transportada pelo ar. Também encontrou pontos localizados de contaminação concentrada apresentando níveis de U-238 dez mil vezes mais altos do que os níveis normais do ambiente. O estudo recomendava a descontaminação, a remoção de penetradores e a monitorização da água potável. Um outro relatório publicado pela UNEP sobre a contaminação por DU na Sérvia e em Montenegro encontrou ?contaminação generalizada por DU, embora de baixo nível, por partículas de DU transportadas pelo ar? e que ?havia poeira de DU amplamente dispersa pelo ambiente?.
Tal como os relatórios oficiais, têm aparecido provas episódicas abundantes do chamado ?síndroma do Balcãs? em soldados deslocados na região e nas populações civis. Os sintomas são semelhantes ao ?síndroma da Guerra do Golfo? com elevados níveis de leucemia, doenças do sistema respiratório e do sistema imunitário. Em meados de 2004 morreram 27 soldados italianos com sintomas que se pensa estarem relacionados com a exposição ao DU. Um tribunal de Roma ordenou que o Ministério da Defesa italiano indemnizasse a família de Stefano Melone, um soldado que morreu de um tumor vascular maligno. Segundo o tribunal, a morte de Melone foi ?devida à exposição de substâncias radioactivas e cancerígenas? em missões nos Balcãs.
Provocou grande tensão no seio da NATO já que os países membros não foram avisados de que os seus soldados iam entrar em zonas contaminadas por DU.
AFEGANISTÃO 2001- 2004
Há algumas provas de que foi utilizado DU no Afeganistão, embora isso nunca tenha sido confirmado oficialmente. Por exemplo, sabe-se que estiveram activos na região os aviões americanos A-10 e Harrier, que utilizam munições DU. O secretário da Defesa, Donald Rumsfeld disse que os EUA encontraram radioactividade indicando a utilização de DU pelos talibãs ou pela Al-Qaeda.
Regras da Convenção de Genebra (de que os EUA e o Reino Unido são subscritores):
A limitação de sofrimento humano desnecessário [Art. 35.2]
A limitação de danos ao ambiente [Art. 35.3 e 55.1]
É proibido utilizar armas, projécteis e materiais e métodos de guerra de natureza tal que provoquem prejuízos supérfluos ou sofrimento desnecessário [Art. 35.3]
É proibido utilizar métodos ou meios de guerra que se destinem, ou dos quais se possa esperar causarem danos generalizados, a longo prazo e graves para o ambiente natural [Art. 35.2]
A fim de garantir o respeito e a protecção da população civil e dos objectos civis, as partes em conflito terão sempre que distinguir entre população civil e combatentes e entre objectos civis e objectivos militares e, consequentemente, deverão dirigir as suas operações apenas contra objectivos militares [Art. 48]
São proibidos ataques indiscriminados. Ataques indiscriminados são:
a) os que não são dirigidos contra um objectivo militar específico;
b) os que utilizem um método ou meio de combate que não possa ser dirigido contra um objectivo militar específico; ou
c) os que utilizem um método ou meio de combate cujos efeitos não possam ser limitados conforme exigido por este Protocolo; e consequentemente, em cada um destes casos, são de natureza tal que atinjam objectivos militares e civis e objectos civis sem qualquer distinção [Art. 51.4]
Deve ter-se o cuidado na guerra de proteger o ambiente natural contra danos generalizados, a longo prazo e graves. Esta protecção inclui a proibição do uso de métodos ou meios de guerra que se destinem ou dos quais se possa esperar causarem esses danos ao ambiente natural e, portanto, prejudicar a saúde ou a sobrevivência da população [Art. 55.1]
07/Dezembro/2009
NR:
[1] A afirmação é falsa. Há numerosos estudos científicos que demonstram essa relação causal
[2] Não se trata apenas de décadas e sim de milhões de anos. Os efeitos são irreversíveis.

  18:10:41, por Corral   , 1516 palavras  
Categorias: Ensaio

ESPANHA: Umha economia em quebra ou o dilema de Krugman

 
Pedro Montes
Rebeliom
 
 
 
Umha economia em quebra
 
Há que partir de caracterizar à economia espanhola como umha economia em quebra. Arrasta um deficit exterior extremamente agudo, que o converteu num dos países com umha dívida exterior neta mais grave do mundo, e tem um nível de desemprego desolador. Com estes dados, pode-se concluir que esta economia nom encontrou seu lugar no puzzle da globalizaçom, e mais concretamente, que nom conseguiu um equilíbrio razoável no marco da uniom monetária europeia.
 
O vaticínio da nom recuperaçom surge da impossibilidade da financiar. Umha economia em expansom daria lugar a umhas necessidades de financiamento exterior que som muito difíceis de cobrir. Em primeiro lugar, polo montante exigido. No 2008, o deficit da balança por conta corrente, o que se requeria financiar, foi um impressionante 10% do PIB. Reduzir-se-á acusadamente neste ano, polo afundamento da demanda e a actividade, mas ainda representará mais de um nada desdenhável 5% do PIB, e um relançamento dispará-lo-ia de novo.
 
Em segundo lugar, polo enorme volume de dívida exterior acumulada, que deve se refinanciar quando a solvência do país anda em tela de julgamento nos mercados financeiros internacionais. Essa dívida tem-se canalizado fundamentalmente polas entidades de crédito e atrapou a todos os sectores económicos, incluído já o sector público, que será incapaz durante bastante tempo de praticar umha política fiscal expansiva. Em terceiro lugar, a crise financeira deixar-se-á sentir durante muito tempo: manterám-se os circuitos do crédito obturados e a desconfiança e a insegurança como clima geral. A falta de crédito e liquidez na economia espanhola, as restriçons financeiras actuais nom se dissiparam, se nom se agravam com a crise latente do sistema creditício espanhol. Nessas condiçons, nom é possível a recuperaçom.
 
As misérias da política
 
Mas o problema do desajuste estrutural que sofre o país é mais complicado. A situaçom insustentável, bloqueada, sem saídas visíveis, puseram-na de manifesto muitos prestigiosos analistas, paradoxalmente mais os estrangeiros que os espanhóis, quiçá por estar menos submetidos às misérias da política e à o conflito de interesses que a crise tem exacerbado. Podem tomar-se as declaraçons do prémio Nobel Krugman como um bom exponente das opçons existentes. Este dixo, no que poderia se denominar como seu dilema: a economia espanhola tem de reequilibrar sua situaçom na economia internacional por médio de umha melhora de sua competitividade, que só pode vir por dous caminhos: umha desvalorizaçom da moeda, cousa impossível polo pertence ao euro, ou um drástico ajuste interno de preços e custos.
 
A magnitude desse ajuste é discutível, mas manejou-se umha cifra entre o 15 e o 20%. Esta saída tem muito sérios inconvenientes e sua aplicaçom é quase impossível. Nom se pode descartar que a crise promova um ajuste interno progressivo, como de facto se está a produzir já. Mas nom cabe esperar que por um acordo social se reduzam os custos, isto é os salários, numha proporçom tom intensa como a situaçom reclama, e muito menos os preços, de por si incontroláveis. Há que ter em conta, ademais, que um ajuste depressivo desta natureza afundaria a economia, o que a partir dos níveis de desemprego existentes cria um panorama tam estremecedor como inquietante.
 
E o problema complica-se porque se chegasse a produzir-se o ajuste e a se remediar o desequilíbrio exterior, a economia espanhola nom poderia se adentrar numha fase de recuperaçom sustentada digna de tal qualificaçom, porque desde o mesmo momento em que isto começasse a suceder reproduzir-se-ia a perda de competitividade e com isso reapareceriam os problemas de financiamento exterior. Por conseguinte, a saída possível que nos marca Krugman é um afundamento imediato da economia, com mais milhons de parados, e a condenaçom a permanecer no fundo estancada, pois as aventuras de recuperaçom som pouco menos que impossíveis. Esta é polo demais a que se considera a opçom realista, a única, pois se conseguiu um pensamento comum generalizado entre os políticos e economistas de que o pertence ao euro é algo irreversível.
Caberia começar rebatendo esta opiniom, pois nom há na política nada irreversível. Despendurar-se do euro é verdade que está fora de todos os projectos para remontar a crise. Entre os políticos é impossível encontrar algum que aposte pola saída do euro. Entre os economistas e analistas a posiçom nom é tom fechada, mas abertamente ninguém pom a questom sobre o tapete. Mas com realismo é necessário reformular-se o pertence à moeda única pois, como se viu, a saída que propom Krugman é se lançar a um precipício, e as sociedades nom som proclives ao suicídio.
 
Umha catástrofe financeira
 
Após mais de umha década de pertence ao euro e os fortes compromissos em dita moeda que tem adquiridos todos os agentes sociais, sair do euro e restabelecer umha moeda própria fortemente desvalorizada conduziria, entre outros males e comoçons, a umha catástrofe financeira, ao se ter que pagar em euros a dívida *descomunal exterior existente. Que o país teria que se declarar em bancarrota é mais que provável, mas, e isto é o que dá dramatismo à situaçom da economia espanhola, é que possivelmente nom há outra alternativa. Esta implicaria fazer tabela *rasa do passado e ter que começar de novo a construir umha economia com umha moeda bem mais débil, com umha relaçom de intercâmbio mais conforme com os fundamentos económicos, mais protegida e menos aberta ao exterior, mas ao mesmo tempo com mais possibilidades internas de ser dirigida e controlada. De novo dispor-se-ia de umha moeda para equilibrar os fluxos económicos com o exterior e ganhar-se-ia um instrumento essencial para intervir na economia como é a política monetária própria, à que se renunciou com o euro.
 
Enfim, o que se apresentou como o dilema de Krugman é realmente umha aporia, isto é, como di o dicionário: dificuldade lógica insuperável de um problema especulativo. Nengumha das duas alternativas é razoável, as duas encerram problemas *gravíssimos de aplicaçom e as duas implicam conseqüências pavorosas. Daí a opiniom de que a saída da crise nom resolver-se-á em finques económicas senom como resultado dos conflitos sociais e políticos que promoverá umha situaçom económica insustentável. E daí a dizer que a luta de classes será a que determine o futuro da economia só fica um passo lógico, conquanto abrirá um processo social longo e muito complexo, onde polo momento nada está escrito conquanto constituirá um palco propício para o aparecimento de demagogos.
 
Parece claro que o futuro da economia e da sociedade espanhola será convulso, está cheio de interrogantes e em modo algum se encontra despejado, como querem fazer crer os que divulgam que a recuperaçom está à volta da esquina ou a fixam já como cortina de fundo para o porvir imediato. Há que ter em conta, no entanto, que as duas alternativas existentes comentadas, que contradizem essa perspectiva, determinam palcos muito diferentes, com envolvimentos que vam bem mais lá do problema complexo da saída da crise económica.
 
A opçom do ajuste interno supom em definitiva um ajuste permanente da economia no marco conceptualmente ultra neoliberal da Europa de Maastricht, que terá que ser muito duro num primeiro momento e sustentado depois. Cria as condiçons para um contínuo acosso às condiçons de vida da maioria da populaçom, em seus salários, nas pensons, nos serviços sociais básicos, nos direitos trabalhistas, na fiscalidade. É a continuaçom endurecida do que ocorreu desde que se aprovou o tratado de Maastricht para criar a moeda única, sem as vantagens já de umha expansom económica e os fogos artificiais do bem-estar. É o pior palco que cabe imaginar para os trabalhadores, capas sociais modestas e sectores amplos da pequena e média burguesia, pois estarám submetidos a umha ofensiva perene contra suas condiçons de vida e interesses, pola pressom constante que exercerá o objectivo de nom perder competitividade, contando ademais com que tem umha posiçom de força política débil e em contínuo desgaste.
 
Nom cabe edulcorar as conseqüências da opçom de se sair do euro. Os desbarates e excessos passados amparados polo euro tem que passar factura. Como terám de ficar desautorizados todos aqueles que apostaram polo euro, muitos dos quais creram descobrir na moeda única um maravilhoso taumaturgo para poder cometer impunemente todo tipo de barbaridades e desmandos, chegando inclusive a pensar que com o euro as crises se tinham acabado. A comoçom de umha saída do euro seria terrível, ou com mais precisom, será terrível, porque todo fai pensar que será algo irremediável. Mas falado isto, a sociedade espanhola estará em melhores condiçons para dominar seu futuro ao se fazer com os impulsos básicos para desenhar umha economia diferente que, na medida em que a esquerda imponha seus critérios, será o mesmo que dizer que a economia poderá se pôr ao serviço das pessoas, e nom como sucede agora com o neoliberalismo, em que as forças cegas do mercado se impom e domesticam à sociedade.
 
Por nom esquecer a Krugman: caberia dizer que seu dilema é correcto, mas se equivoca na eleiçom desde o ponto de vista económico e, contando com que é um progressista, desde o ponto de vista político.
 
 
 Pedro Montes é economista.
 

28-12-2009

  01:05:10, por Corral   , 211 palavras  
Categorias: Dezires

EEUU tem cárceres secretos para imigrantes indocumentados

Rebelión

A revista The Nation publicou nesta quarta-feira que a Agência de Imigraçom e Segurança Aduaneira (ICE, por suas siglas em inglês) retém imigrantes indocumentados em lugares secretos dentro de Estados Unidos.
Além dos seus campos de concentraçom e centros de detençom conhecidos publicamente, a ICE detém pessoas em 186 prisons secretas.
 
Muitas destas cáreceres encontram-se localizadas em zonas suburbanas comerciais e nom dam informaçom a respeito dos prisioneiros da ICE. Por exemplo, di The Nation, em Los Angeles a ICE tem imigrantes detidos num depósito sem acondicionar que está acochado num grande edifício federal central.
 
Durante umha conferência que tivo lugar no ano passado, o servidor público da ICE James Pendergraph falou abertamente a respeito da habilidade da ICE para fazer desaparecer pessoas.
 
Pendergraph afirmou:  Se nom temos evidência suficiente para acusar a alguém legalmente mas achamos que é ilegal, podemos o fazer desaparecer. 

Enquanto, a revista The Nation informa além de que agentes da ICE regularmente se fam passar por outras pessoas e fam uso de outros tipos de truques ilegais para prender residentes de longa data de Estados Unidos que nom possuem antecedentes criminosas.
 
Os agentes da ICE fizérom-se passar por inspectores de Segurança e Saúde Ocupacional, agentes de seguros e até por religiosos.
 

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