31-12-2008

  00:02:05, por Corral   , 373 palavras  
Categorias: Outros, Ensaio

DA RESPONSABILIDADE COLECTIVA DE UM POVO

Resistir.info

As novas atrocidades cometidas pelo estado judeu colocam questões candentes. O bombardeamento indiscriminado da população de Gaza pelos caças F-16 da entidade sionista até agora já provocou quase 300 mortos e 900 feridos. Isto vem na sequência de um sitiamento prolongado, em que se priva aquela população de alimentos, combustíveis e medicamentos. A palavra genocídio tem razão de ser. Ele está a ser efectuado desde há anos. É um genocídio em câmara lenta. A cumplicidade/passividade da União Europeia e dos governos de muitos países árabes (a começar pelo do Egipto) é notória. Mas acima de tudo é notória a conivência de grande parte dos cidadãos de Israel.

Na década de 1930 o cidadão médio da Alemanha podia alegar desconhecimento dos crimes perpetrados pelo nazismo. O aparelho de propaganda hitleriano jamais mencionava o holocausto em curso. A existência dos campos de concentração e dos fornos crematórios era cuidadosamente escondida. Os media da Alemanha nazi nunca mencionavam a existência de tais infâmias.

E o que se passa hoje em Israel? Os crimes do estado sionista são bem conhecidos. A realidade do apartheid é evidente para todos, basta olhar as muralhas que esquartejam a Palestina. Os assassinatos das sinistras polícias políticas de Israel são (em parte) divulgados nos media. As 100 toneladas de bombas já despejadas sobre a população indefesa de Gaza são anunciadas nos jornais israelenses. As perseguições ao espoliado povo palestino (10 mil palestinos presos) são notórias. Por isso ? ao contrário do povo alemão dos anos 30-40 ? o povo de Israel não pode alegar ignorância. Assim, exceptuando as forças democráticas e progressistas (como o PCI, o Hadash e algumas personalidades dignas) deve-se colocar o problema da responsabilidade colectiva dos cidadãos israelenses que permanecem passivos ou dão apoio (inclusive com o seu voto) a um governo que comete tais atrocidades.

O repúdio à barbárie nazi-sionista deve ser universal. As manifestações contra o massacre já começaram nos EUA e em outros países. O apêlo ao boicote a Israel e ao desinvestimento deve transformar-se em realidade.

  00:00:18, por Corral   , 261 palavras  
Categorias: Outros, Ensaio

DO GUETO DE VARSÓVIA AO GUETO DE GAZA

Em Abril de 1943 os judeus do Gueto de Varsóvia foram massacrados pela máquina militar do III Reich nazi. Em Dezembro de 2008 os palestinos do Gueto de Gaza são massacrados pela máquina militar do IV Reich nazi-sionista. Ambos os povos exerceram o seu direito inalienável à revolta contra a opressão.

É hipócrita e cínica a atitude do governo português a recomendar que cessem os ataques de ambos os lados. Com essa argumentação pretende-se comparar a resistência digna do povo palestino e a acção criminosa do invasor sionista que massacra a população civil e destrói a infraestrutura de Gaza, depois de sustentar durante meses um bloqueio total contra o seu povo.

Este genocídio só é possível porque o lobby judeu mundial concede-lhe o combustível necessário, porque os EUA dá cobertura política, economica e bélica ao agressor, porque a União Europeia lhe deu um sinal verde e porque grande parte da população israelense dá apoio à limpeza étnica promovida pelo governo nazi-sionista.

Só o levantamento generalizado no mundo árabe e a solidariedade internacional, com todo tipo de protestos por toda a parte, poderá deter essa acção criminosa. Neste momento é importante reiterar a solidariedade com o governo legítimo do Hamas e repudiar a posição cúmplice do actual presidente da Autoridade Nacional Palestina, sr. Mahmud Abbas. Este, apesar da carnificina em curso, optou por acusar o Hamas pelo que está a acontecer e de forma submissa procura negociar com os assassinos do seu povo.

29-12-2008

  21:46:28, por Corral   , 91 palavras  
Categorias: Ossiam

A prostistuçom na Espanha, O escravismo humano, um dos seus grandes negocios

O Estado espanhol, á cabeça de Europa em número de putas.

O Instituto Europeio para a Prevençom do Crime (HEUNI) estima entre 45.000 e 300.000 a quantidade de prostitutas que exercem no Estado espanhol, cifra necessariamente imprecisa, pero semelhada á de Alemanha. Estas som controladas por 95 grupos organizados dedicados á trata de mulheres. No reino borbónico, ao que o informe qualifica de "burdel de Europa", de cada dez pessoas dedicadas á prostituçom, três procedem de antigos países socialistas, em particular Roménia e Bulgária, e umha do continente africano.

  21:38:58, por Corral   , 896 palavras  
Categorias: Outros, Ensaio

Avareza e a Miséria futura

Por Martin Seco

Sempre assombrou-me a diferente percepçom que a sociedade tem dos assuntos segundo façam referência à propriedade privada ou à pública. Qualquer ladrão ou estafador sofre uma clara reprovaçom social. Mas a coisa muda quando se trata da Fazenda Pública. Aos defraudadores trata-se-lhes com muita mais benevolência; em ocasiões, inclusive aparecem revestidos de um halo de heroísmo ou ao menos são tidos por vivos. A lógica indica que deveria ser ao revés. Ainda que fosse tão só por egoísmo, deveríamos reprovar bem mais aos que evadem impostos? que no fundo nos estão a roubar a todos? que aos que cometem um delito contra a propriedade privada, que habitualmente não é a nossa.

Mas este disparar com pólvora do rei não fica circunscrito ao âmbito do furto. Leio com assombro que o contencioso do edifício do cabo de Gata, construído ilegalmente com grave dano ao médio ambiente, se vai solucionar com dinheiro público. A Junta de Andaluzia vai exercer o direito de retracto, vai adquiri-lo por mais de dois milhões de euros, para destruí-lo a seguir. Isto é, que o dinheiro de todos os andaluces terminará pagando a especulação de certos empresários e a incompetência ?se não algo pior? dos cargos municipais e autonômicos.
O principal partido da oposição também dispara com pólvora do rei quando seu presidente, ante o roubo de Afinsa e do Fórum Filatélico, propugna que o Estado assuma as perdas. Para conseguir votos não há nada como ser generoso com o dinheiro alheio. O PSOE não quer ser menos e seu porta-voz no Congresso também tem advogado pela criação de um fundo com recursos públicos.

Certamente, produz amargura escutar os depoimentos dos danificados, muitos deles pequenos aforradores que perderam sua reduzida fortuna, mas isso não é óbice para dar uma vez mais a razão a Galbraith a respeito dos factores constantes que acontecem em toda armadilha financeira: por suposto, a falta de escrúpulos daqueles que pretendem timar ao pessoal, e que pensam que nunca se vai descobrir a fraude, mas também a ingenuidade não carente de avareza dos investidores, todos eles convencidos de ter encontrado a pedra filosofal e de ser mais astutos que o resto dos mortais. Nesta ocasião, parece que ninguém via nada estranho em que se garantisse o 6% de rentabilidade anual quando nenhuma entidade financeira garante um interesse acima do 2%.

Uma boa parte da responsabilidade deve recair sem dúvida sobre os responsáveis políticos das diferentes governações, que após criar não sê quantas comissões de supervisom com salários fabulosos deixam actividades como estas desprotegidas e em terra de ninguém ou, o que é o mesmo, em terra das Comunidades Autónomas. Talvez não é ingenuidade pensar, tal como faz a ministra de Previdência, que uma Comunidade Autónoma possa controlar a empresas cujas actividades se estendem a várias nações? A consequência é que a imoralidade de uns, a simpleza avarenta de outros e a irresponsabilidade dos políticos termina se compensando com os recursos de todos os espanhóis, pólvora do rei.

E os recursos públicos são também os que terminam lubrificando o diálogo social. Tudo são parabéns e felicitações porque empresários e sindicatos chegaram a um acordo. ¡Que responsáveis são e daí bom é o consenso! Mas este só é possível porque a Governação pôs bastantes fundos públicos sobre a mesa, fundos que, na contramão da opinião generalizada, si têm dono, todos os cidadãos. A Espanha cabe-lhe o duvidoso honra de ter-se situado à cabeça de Europa em taxa de temporalidade. A causa há que a procurar na desregulaçom do mercado trabalhista levada a cabo nos anos oitenta e na anuência legal de todo tipo de contratos lixo. Quando a percentagem de temporalidade se tem desorbitado ao triplicar a média europeia, diálogo social depois de diálogo social se propuseram o reduzir; mas em lugar de modificar de novo a legislação trabalhista desfazendo aquelas mudanças que produziram tal distorçom, isto é, proibindo determinados tipos de contratos lixo, se quis incentivar aos empresários subvencionando os contratos indefinidos. O resultado está à vista, nada se conseguiu.

No acordo social que acaba de se assinar se recorre ao mesmo procedimento, a Governação voltou a pôr dinheiro em cima da mesa. Comprou-se com recursos públicos, isto é, de todos os cidadãos, a adesão ao consenso dos empresários, reduzindo as cotações sociais e subvencionando os contratos indefinidos. Com pólvora do rei. O custo da reforma vai ser, segundo estimações do próprio Ministério de Trabalho, de 2.165 milhões de euros, para entender-nos, aproximadamente 350.000 milhões de pesetas. Mais surpreendente é ainda, se cabe, o comentário do vice-presidente económico afirmando que fica muito calmo, já que a reforma se financia não com impostos senão com redução de cotações sociais. Sublime, como se estas não fossem rendimentos públicos. Depois dizer-se-á que não há recursos para manter o sistema de pensões.

27-12-2008

  09:39:58, por Corral   , 2804 palavras  
Categorias: Ensaio

As guerras que lubrificam a máquina do Pentágono

por Michael T. Klare (*)

resistir.info

Dezasseis galões americanos ? mais de 60 litros ? de petróleo. É isso que o soldado americano no Iraque ou no Afeganistão consome em média por dia ? quer directamente, através do uso de Humvees, tanques, camiões e helicópteros, quer indirectamente, nos ataques aéreos.

Multiplique-se este número por 162 mil soldados americanos no Iraque, 24 mil no Afeganistão, e 30 mil na região circundante (incluindo os marinheiros a bordo dos navios de guerra americanos no Golfo Pérsico) e chega-se a cerca de 13,25 milhões de litros de petróleo: a factura diária de petróleo para as operações de combate dos EUA na zona de guerra do Médio Oriente.

Multiplique-se essa factura diária por 365 e chega-se aos 4 900 milhões de litros: o gasto anual estimado de petróleo para as operações de combate dos EUA no sudoeste asiático. É mais do que o consumo anual de petróleo do Bangladesh, com uma população de 150 milhões ? e mesmo assim é uma estimativa muito por baixo do consumo do Pentágono em tempo de guerra.

Estes números não conseguem prestar total justiça à terrível voragem de gasolina das guerras no Iraque e no Afeganistão. Se virmos bem, por cada soldado no "teatro de guerra", há outros dois em trânsito, em treino, ou por qualquer outra forma na linha de espera para uma eventual deslocação para a zona de guerra ? soldados que também consomem enormes quantidades de petróleo, mesmo que sejam menores do que as dos seus compatriotas no estrangeiro. Além disso, para alimentar um exército "expedicionário" situado do lado oposto do hemisfério, o Departamento da Defesa dos EUA tem que movimentar milhões de toneladas de armamento, munições, alimentos, combustível e equipamentos por ano, de avião ou de barco, consumindo cargas completas de petroleiros adicionais. Some-se isto à conta e o orçamento do Pentágono destinado ao petróleo para a guerra dá um salto apreciável, embora não tenhamos qualquer forma de saber exactamente quanto.

E, é pena ter que dizê-lo, as guerras no estrangeiro são apenas uma pequena fracção do consumo total de petróleo do Pentágono. Como possui a maior frota do mundo de modernos aviões, helicópteros, barcos, navios-tanques, veículos blindados e sistemas de apoio ? na prática todos eles alimentados a petróleo ? o Departamento da Defesa (DoD) é o maior consumidor mundial de petróleo. Pode ser difícil obter detalhes precisos sobre o consumo máximo de petróleo diário do DoD, mas um relatório de Abril feito por um empreiteiro da defesa, a LMI Government Consulting, indica que o Pentágono pode estar a consumir cerca de 340 mil barris (53 milhões de litros) por dia. É mais do que o consumo total nacional da Suécia ou da Suiça.

Não se trata de 'espingardas vs manteiga' mas de 'espingardas vs petróleo'

Para todos aqueles que conduzem um veículo motorizado hoje em dia, isto tem implicações desastrosas.

Com o preço da gasolina nos Estados Unidos actualmente entre 75 cêntimos e um dólar a mais por galão (20-26 cêntimos por litro) do que era há apenas seis meses, é óbvio que o Pentágono se depara com uma degradação orçamental potencialmente grave. Tal como qualquer família média americana, o DoD tem que fazer algumas escolhas difíceis: pode usar a sua quantidade normal de petróleo e pagar mais na bomba de gasolina do Pentágono, enquanto reduz outras despesas básicas; ou pode reduzir a utilização da gasolina em prol do aperfeiçoamento dos sistemas de armas favoritas.

Claro que o DoD tem uma terceira opção: pode ir ter com o Congresso e pedir mais um aumento suplementar do orçamento, mas isso provocará de certeza novas exigências de um calendário para a retirada das tropas americanas do Iraque e portanto não é uma perspectiva muito provável nesta altura.

E isto nem sequer é um problema ocasional. Ainda há dois anos, o Departamento americano da Energia (DoE) previa confiadamente que o preço da rama do petróleo iria ficar pelos 40 dólares por barril durante mais ou menos vinte e cinco anos, o que manteria os preços da gasolina americana em cerca de 2 dólares por galão (53 cêntimos por litro). Mas depois aconteceu o Furacão Katrina, a crise no Irão, a rebelião no sul da Nigéria, e um montão de outros problemas que estrangularam o mercado do petróleo, levando a que o DoE elevasse a sua projecção de preços a longo prazo para a escala dos 50 dólares por barril. É este o valor que figura em muitas previsões orçamentais actuais do governo ? incluindo também provavelmente as do DoD.

Mas que realismo há nisso? O preço actual de um barril de crude anda na ordem dos 66 dólares. Muitos analistas de energia dizem agora que o destino mais provável para o futuro previsível é um preço na ordem dos 70 a 80 dólares por barril (ou possivelmente ainda mais).

Um aumento de preços desta amplitude, quando reflectido no custo da gasolina, combustível de aviação, diesel, combustível para aquecimento doméstico, e petroquímicos, vai deitar abaixo os orçamentos das famílias, dos negócios, e dos governos locais. Mais cedo ou mais tarde, obrigará as pessoas a efectuarem profundas mudanças nas suas vidas diárias ? as fáceis, como comprar um carro híbrido em vez de um veículo de tipo desportivo, ou as dolorosas como reduzir o aquecimento doméstico ou os cuidados de saúde para poder continuar a fazer a indispensável viagem para ir trabalhar.

E o efeito no orçamento do Pentágono será igualmente grave. Enquanto consumidor nº 1 a nível mundial de derivados do petróleo, o DoD não deixará de ser afectado desproporcionalmente pela duplicação do preço do petróleo bruto. Se não se puder virar para o Congresso para se equilibrar, terá que reduzir o seu consumo excessivo de petróleo e/ou reduzir outras despesas, incluindo as compras de armamento.

A subida do preço do petróleo está a ocasionar aquilo a que a LMI, empreiteiro do Pentágono, chama de "desarticulação fiscal" entre os objectivos a longo prazo das forças armadas americanas e as realidades do mercado da energia. "Está a aumentar a necessidade de recapitalizar equipamento obsoleto e danificado [das guerras no Iraque e no Afeganistão] e de desenvolver sistemas de alta tecnologia para implementar futuros conceitos operacionais", explicou num relatório de Abril. No entanto, a incapacidade "de controlar o aumento dos custos da energia a partir do petróleo e das infra-estruturas de apoio desvia recursos que poderiam ser aplicados na produção de novas capacidades".

E, segundo parece, esta nem sequer é a maior preocupação do Pentágono. O DoD, afinal de contas, é a mais rica organização militar do mundo, e por isso é de esperar que consiga descobrir contas bancárias escondidas de uma ou outra forma para pagar as suas contas de petróleo e financiar os seus muitos projectos de armas queridas. No entanto, isto é partindo do princípio que haverá petróleo suficiente nos mercados mundiais para satisfazer as necessidades sempre crescentes do Pentágono ? o que não é de forma alguma uma conclusão inevitável. Tal como qualquer outro grande consumidor, o DoD tem hoje que enfrentar a realidade cada vez mais próxima ? mas difícil de precisar ? do "pico petrolífero" e a possibilidade bem real de que a produção global do petróleo se encontre ou esteja muito perto da sua produção sustentada máxima ("pico") e de que em breve entre num declínio irreversível.

Já ninguém discute o facto de que a produção global do petróleo irá acabar por atingir um pico e depois entrar em declínio. Todas as principais organizações de energia já abraçaram esta perspectiva. O que se mantém em aberto para discussão é quando chegará exactamente esse momento. Alguns especialistas colocam-no confortavelmente no futuro ? ou seja daqui a duas ou três décadas ? enquanto que outros o situam na presente década. Se é que está a surgir algum consenso, é que o pico do petróleo deverá ocorrer por volta de 2015.

Qualquer que seja a altura deste acontecimento gravíssimo, é fácil de perceber que o mundo enfrenta uma profunda mudança na disponibilidade global de energia já que mudamos de uma situação de relativa abundância para uma de relativa escassez. De notar que esta mudança se aplicará, sobretudo, à forma de energia mais consumida pelo Pentágono, os líquidos de petróleo usados para alimentação de aviões, barcos e veículos blindados.

A Doutrina Bush enfrenta o pico do petróleo

O pico do petróleo não é uma daquelas ameaças globais que o DoD já enfrentou anteriormente. Tal como outras organizações governamentais americanas, o DoD tentou evitar o problema, considerando-o até há pouco tempo como uma questão periférica. No entanto, à medida que se foi aproximando a chegada iminente do pico do petróleo aumentou, foi forçado a parar e a reparar nela.

Acicatada talvez pelo aumento dos preços do combustível, ou pela atenção cada vez maior dada à "segurança energética" dos estrategas académicos, o DoD assumiu um interesse repentino pelo problema. Para liderar a exploração do problema, o Gabinete da Transformação da Força no interior da Sub-Secretaria da Defesa para a Política encarregou a LMI de efectuar um estudo sobre as implicações para o Pentágono da futura escassez energética.

O estudo, "Transformar a Forma como o DoD Encara a Energia" ("Transforming the Way the DoD Looks at Energy"), foi uma bomba. Determinando que a estratégia favorita do Pentágono de compromisso militar global é incompatível com um mundo de produção de petróleo em declínio, a LMI chegou à conclusão de que "o planeamento actual apresenta uma situação em que a capacidade operacional agregada da força pode ser insustentável a longo prazo".

A LMI chegou a esta conclusão a partir de uma cuidadosa análise da actual doutrina militar dos EUA. No centro da estratégia militar nacional imposta pela administração Bush ? a Doutrina Bush ? estão dois princípios básicos: a transformação, ou a conversão do pesado aparelho militar da Guerra-fria, com base em tanques, numa máquina de guerra de alta tecnologia futurista, ágil no continente; e a pré-preempção (pré-preemption), ou a iniciação de hostilidades contra "estados hostis" como o Iraque e o Irão, suspeitos de desenvolverem armas de destruição maciça. O que ambos os princípios implicam é um aumento substancial do consumo de produtos petrolíferos pelo Pentágono ? seja porque esses planos se baseiam, numa extensão aumentada do poder aéreo e marítimo, ou porque implicam um ritmo acelerado de operações militares.

Conforme resumido pela LMI, a implementação da Doutrina Bush exige que as forças americanas "alastrem geograficamente e sejam mais móveis e expedicionárias para que se possam empenhar em mais teatros e estejam preparadas para um posicionamento expedito em qualquer parte do mundo". Ao mesmo tempo, "têm que passar de uma posição de força reactiva para uma proactiva para impedirem as forças inimigas de se organizarem e de efectuarem ataques potencialmente catastróficos". Continua dizendo que, "para efectuar essas actividades, as forças militares americanas terão que utilizar ainda mais energia ? Considerando a tendência no consumo de combustível operacional e as futuras necessidades de capacidade, esta 'nova' utilização de força exigirá igualmente mais energia/combustível no cenário estabelecido".

O aumento resultante no consumo de petróleo virá também a ser dramático. Durante a Operação Tempestade no Deserto de 1991, o soldado americano consumiu em média apenas 15 litros de petróleo por dia; na sequência das iniciativas do presidente George W. Bush, um soldado americano no Iraque está agora a utilizar o quádruplo disso. Se este ritmo de aumento continuar sem parar, a próxima guerra em grande pode traduzir-se num gasto de cerca de 240 litros por soldado por dia.

Foi esta lógica inabalável da situação que levou a LMI a concluir que há uma grave "desarticulação operacional" entre os princípios da administração Bush para as futuras operações de guerra e a situação global da energia. A administração tem, assinala a empresa, "amarrado a capacidade operacional a soluções de alta tecnologia que exigem um aumento permanente de abastecimento energético" ? e tem-no feito no pior momento possível. Afinal, é provável que o fornecimento de energia global esteja a começar a diminuir. Obviamente, escreve a LMI, "pode não ser possível vir a executar conceitos e capacidades operacionais para atingir a nossa estratégia de segurança se não forem consideradas as implicações energéticas". E, se forem consideradas essas implicações energéticas, a estratégia revela-se "insustentável".

O Pentágono como serviço de protecção do petróleo

Como é que os militares vão reagir a este problema inesperado? Uma solução, apoiada por algumas pessoas dentro do DoD, é tornar-se "verde" dando prioridade ao desenvolvimento acelerado e à aquisição de sistemas de armas de alto rendimento energético para que o Pentágono possa manter o seu compromisso com a Doutrina Bush, mas consuma menos ao fazê-lo. Esta proposta, a ser praticável, teria o atractivo óbvio de permitir que o Pentágono assuma a fachada de amigo do ambiente embora mantendo e desenvolvendo a sua estrutura de forças intervencionistas existentes.

Mas há também uma outra solução mais sinistra que pode ser muito mais agradável aos quadros superiores: para garantir para si mesmo uma fonte "fiável" de petróleo para sempre, o Pentágono pode aumentar os seus esforços para manter o controlo sobre as fontes externas de abastecimento, nomeadamente os campos petrolíferos e as refinarias da região do Golfo Pérsico, principalmente no Iraque, no Kuwait, no Qatar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Isso poderia explicar o recente falatório sobre planos dos EUA para manter bases "duradouras" no Iraque, conjuntamente com a sua já impressionante e elaborada infra-estrutura de bases nos outros países.

Os militares americanos começaram a adquirir pela primeira vez produtos petrolíferos a fornecedores do Golfo Pérsico para alimentar operações de combate no Médio Oriente e na Ásia durante a II Guerra Mundial e continuaram a fazê-lo desde essa altura. Foi em parte para proteger esta fonte vital de petróleo para fins militares que em 1945 o presidente Franklin Roosevelt propôs pela primeira vez o posicionamento de uma presença militar americana na região do Golfo Pérsico. Depois, a protecção do petróleo do Golfo Pérsico tornou-se mais importante para o bem-estar económico dos Estados Unidos, conforme expresso no discurso "Doutrina Carter" de Jimmy Carter em 23 de Janeiro de 1980, assim como na decisão do presidente George H. W. Bush em Agosto de 1990 para deter a invasão do Kuwait por Saddam Hussein, que levou à primeira Guerra do Golfo ? e, conforme muitos defendem, na decisão de Bush júnior para invadir o Iraque cerca de uma década depois.

Durante este tempo todo, as forças militares americanas transformaram-se num "serviço global de protecção do petróleo" para benefício das empresas e consumidores dos EUA, travando batalhas além-mar e posicionando as suas bases para garantir que os americanos obtivessem a sua ração diária de combustível. Seria tanto triste como irónico se os militares americanos começassem agora a travar guerras apenas para poderem garantir o combustível para os seus próprios aviões, barcos e tanques ? consumindo centenas de milhares de milhões de dólares por ano que poderiam ser gastos no desenvolvimento de alternativas ao petróleo.
[*] Professor de Estudos para a Paz e Segurança Mundial em Hampshire College, autor de Sangre Y Petroleo: Peligros Y Consecuencias De La Dependencia Del Crudo (encomendas através deste link permitem que resistir.info receba uma pequena comissão).

  09:38:05, por Corral   , 837 palavras  
Categorias: Ensaio

Na crise: Estudo e acçom (2)

Carlos Lanz Rodríguez

A crise orgânica do Capital

I.- A mistificaçom do Capital e a necessidade de a crítica epistemológica (2)

As ideias toscas que surgem no mercado, na compra-venda de mercadorias, fazem ver que o ganho é um aumento que se lhe faz ao valor dos bens, de tal forma que nom há "rastros" de sua verdadeira origem. Em outro texto, Teoria da mais-valia, Marx estabelece um enlace entre o enfoque da economia vulgar e o processo de mistificaçom do capital:

"Tal como os economistas vulgares o concebem, é pois, o
interesse e nom o ganho o que brota como umha estampaçom de valor
do capital de por se, da mera propriedade do capital, como
uma renda especifica derivada deste. Desaparece todo resto de intermediários: é pois, o fetichismo completo (..)"
"Desde o ponto de vista da economia vulgar, que pretende
fazer passar o capital como a fonte substantiva do valor, esta é
uma fórmula perfeita, uma fórmula em que as fontes do
ganho perdem toda fisionomia e na que o resultado do
processo capitalista reveste uma existência independente, separado
do processo mesmo (?)"(5)

Agora em outro nível que já nom som os preços ou o ganho, senom que é o interesse, aparece de novo o processo de investimento: o interesse brota do capital nom se sabe por que arte de magia, como uma renda derivada de se mesmo, desaparecendo toda mediaçom com a esfera da produçom, se trata de um fetichismo completo que lhe vem bem aos agentes ideológicos da burguesia: o capital é a fonte substantiva do valor, nom há por tanto exploraçom nem extorsom do trabalho, senom que o que existiria seria um regime de liberdade, justiça e igualdade. O ganho converte-se num prémio à livre iniciativa e ao risco, uma espécie de remuneraçom à poupança e ao esforço pessoal do capitalista. De ali que o fetichismo nom seja tom inocente, e como veremos a seguir, tal percepçom da economia está em sintonia com os interesses ideológicos da classe dominante.

Papel das relaçons aparênciais nesta mistificaçom do capital.

Para Marx todo do processo que examinamos anteriormente está cruzado por um velo de aparência, sendo em tal sentido uma realidade que nom é evidente a simples vista, nom é transparente à percepçom sensorial. Assim encontramos o encobrimento de um conjunto de relaçons: entre a extorsom do trabalho e o salário, entre a mais-valia e o ganho, entre o ganho e o interesse. Tais encobrimentos nublam o tecido social e histórico das relaçons de produçom capitalista.
Este processo de "mistificaçom" do capital tem que ver com a subordinaçom da análise à esfera da circulaçom, da distribuiçom e o intercâmbio(6).
Nesta superfície da realidade económica nom se pode encontrar mais que "aparências", conduzindo aos capitalistas e seus agentes ideológicos ao mais tosco empirismo:

"(?)esta confusom dos teóricos revela melhor que nada como o
capitalista prático prisioneiro da luita da concorrência e
impossibilitado para afundar em modo algum embaixo da superfície
de seus fenómenos, tem que se sentir incapaz para captar através
das aparências a verdadeira essência interior e a estrutura
interna deste processo"(7).

Agora bem, neste caso nom tom só se trata de um obstáculo que confrontam os burgueses no processo de conhecimento, senom que tal erro, omissom ou escamoteio epistemológico, é funcional ao interesse de justificar a dominaçom, de legitimar o lucro e o ganho fundado na exploraçom do trabalho. De tal forma que o facto de que nom se transcenda a aparência, o nível do dado empírico, a sacralizaçom da aparência imediata, nom é um problema de "neutralidade axiológica", de objectividade científica. Os interesses de classe ocultam todo nexo ou articulaçom do processo de produçom, e em tal sentido existe um esforço por:

- "que a nível da fábrica, o processo de trabalho seja concebido como
um processo "natural" ou como um facto tecnológico, sem considerar
seu articulaçom com o "processo de valorizaçom".
- que o salário sega mistificando a relaçom entre o trabalho necessário
e o trabalho excedente.
- que a mercadoria faça aparecer investida a relaçom social,
desaparecendo a distinçom entre trabalho abstracto e trabalho concreto.
- que o dinheiro e o interesse apareçam automatizados, como dinheiro que
cria dinheiro, e nom como metamorfoses do trabalho cristalizado, riqueza
abstracta que é gerada polo trabalho"(8).

Tal esforço de encobrimento e de apologia por parte dos agentes ideológicos burgueses é o que justifica que nos vejamos Inexcusavelmente comprometidos a pesquisar e debater com seriedade, desvelando tais relaçons aparenciais, pois caso contrário estaríamos baixo a subordinaçom de tais mistificaçons e portanto ajudando na preservaçom do domínio do capital, lhe facilitando seu legitimaçom ético-política.

24-12-2008

  15:00:44, por Corral   , 788 palavras  
Categorias: Ensaio

Na crise: Estudo e acçom (I)

Carlos Lanz Rodríguez

A crise orgânica do Capital

I.- A mistificaçom do Capital e a necessidade de a crítica epistemológica.

Um dos principais rasgos do processo de mistificaçom do capital acha-se no facto de que o trabalho vivo (a força de trabalho do operário, sua energia física e psíquica) se apresenta como força própria do capital. O trabalho morto ou trabalho pretérito (cristalizado nos meios de produçom e no dinheiro, mas que foi precedido por umha "acumulaçom originaria" de capital fundada no pilhagem, a extorsom, a usura, a guerra, etc.) em mans do burguês enfrenta-se ao trabalho vivo como capital, apesar de que na sua génesis está o trabalho nom pago. Em tal sentido, o capital como relaçom social (nom como "cousa") nom é mais que trabalho objectivado, mas no entanto, aparece como se ele portasse uma qualidade "ontológica" que lhe permite criar por se só a riqueza, autovalorizarse.

Ao respeito diz Marx nos Grundrisse:

"O capital está realizado agora nom só como valor que se
reproduz a se mesmo e por tanto se auto perpétua, senom como valor
que pom valor. Através da absorçom em se mesmo do tempo de trabalho
vivo, por um lado, e do movimento da circulaçom que lhe é
próprio (no qual o movimento do intercâmbio resulta posto
como o seu próprio, como processo imediato do trabalho
objectivado) se comporta consigo mesmo como o que pom novo
valor.
O capital comporta-se ante a mais-valia como se fosse ele seu
fundamento, como se o tivesse criado,(...)"( ²)[.. .] o processo de produçom
imediato toma a forma do poder productivo do
capital, que já nom pode se reconhecer como o poder productivo do
trabalho

Para Marx este processo onde o capital aparece como o "valor que pom valor" está assinado por um Investimento: o pregado aparece como sujeito, isto é, o capital sendo um produto da mais-valia, (resultado do processo de valorizaçom onde o operário restitui o valor do salário e produz trabalho excedente) aparece como o factor gerador do processo.

De ali que Marx também assinale no CAPITAL o seguinte:

"(...) Deste modo a extorsom de trabalho sobrante perde seu
carácter especifico; sua relaçom especifica com a mais-valia escurece-se, e a facilitar este resultado contribui, como se pôs de manifesto
no Livro I, IV, o facto de que o valor da força de trabalho
se exponha baixo a forma de salário. A relaçom do capital se
mistifica ao apresentar a todas suas partes por igual como valor
remanente (ganho).
O modo como a mais-valia se converte na forma de ganho
mediante a transiçom através _ da quota de ganho, nom é senom
a prolongaçom do investimento sujeito e objecto operada já durante o
processo de produçom. De ali víamos como todas as forças
productivas do trabalho se apresentavam como forças productivas do
capital (...) E esta relaçom investida faz surgir necessariamente, já
no plano das simples relações de produçom: uma ideia
investida congruente, uma consciência transposta, que as mudanças e
modificações do verdadeiro processo de circulaçom se encarregam de desenvolver",
(3).

Nestas linhas Marx assinala em primeiro lugar, como a extorsom do trabalho fica escurecida na relaçom salarial. A especificidade da exploraçom desaparece e encobre-se a relaçom capitalista através do investimento sujeito-objecto. Esta relaçom investida no processo de circulaçom, faz surgir também uma ideia e uma consciência investida, isto é, para o "sentido comum" que aparece na superfície é que todo ganho é um valor remanente que surge no intercâmbio, ficçom esta que o processo de circulaçom se encarrega de desenvolver.

Abundando nesta última questom, Marx diz:

"(...)Mas como a participaçom, e por tanto, na consciência de seus
agentes, todo se apresenta investido, também aparece investida
esta lei, isto é, esta conexom intima e necessária entre duas coisas
que aparentemente se contradizem(...) Tudo isto responde a um
desconhecimento do que é a quota geral de ganho e à
ideia grosseira de que os preços se determinam em realidade polo
aumento de umha quota mais ou menos arbitrária de ganho sobre o
valor das mercadorias. Mas estas ideias, apesar do grosseiras que
som, brotam necessariamente do investimento que as leis imanentes
da produçom capitalistas sofrem dentro do mundo da
participaçom. "(4)

As ideias toscas que surgem no mercado, na compra-venda de mercadorias, fazem ver que o ganho é um aumento que se lhe faz ao valor dos bens, de tal forma que nom há "pegadas" de sua verdadeira origem. Ideia falaz

  14:59:13, por Corral   , 837 palavras  
Categorias: Ensaio

Na crise: Estudo e acçom (2)

Carlos Lanz Rodríguez

A crise orgânica do Capital

I.- A mistificaçom do Capital e a necessidade de a crítica epistemológica (2)

As ideias toscas que surgem no mercado, na compra-venda de mercadorias, fazem ver que o ganho é um aumento que se lhe faz ao valor dos bens, de tal forma que nom há "rastros" de sua verdadeira origem. Em outro texto, Teoria da mais-valia, Marx estabelece um enlace entre o enfoque da economia vulgar e o processo de mistificaçom do capital:

"Tal como os economistas vulgares o concebem, é pois, o
interesse e nom o ganho o que brota como umha estampaçom de valor
do capital de por se, da mera propriedade do capital, como
uma renda especifica derivada deste. Desaparece todo resto de intermediários: é pois, o fetichismo completo (..)"
"Desde o ponto de vista da economia vulgar, que pretende
fazer passar o capital como a fonte substantiva do valor, esta é
uma fórmula perfeita, uma fórmula em que as fontes do
ganho perdem toda fisionomia e na que o resultado do
processo capitalista reveste uma existência independente, separado
do processo mesmo (?)"(5)

Agora em outro nível que já nom som os preços ou o ganho, senom que é o interesse, aparece de novo o processo de investimento: o interesse brota do capital nom se sabe por que arte de magia, como uma renda derivada de se mesmo, desaparecendo toda mediaçom com a esfera da produçom, se trata de um fetichismo completo que lhe vem bem aos agentes ideológicos da burguesia: o capital é a fonte substantiva do valor, nom há por tanto exploraçom nem extorsom do trabalho, senom que o que existiria seria um regime de liberdade, justiça e igualdade. O ganho converte-se num prémio à livre iniciativa e ao risco, uma espécie de remuneraçom à poupança e ao esforço pessoal do capitalista. De ali que o fetichismo nom seja tom inocente, e como veremos a seguir, tal percepçom da economia está em sintonia com os interesses ideológicos da classe dominante.

Papel das relaçons aparênciais nesta mistificaçom do capital.

Para Marx todo do processo que examinamos anteriormente está cruzado por um velo de aparência, sendo em tal sentido uma realidade que nom é evidente a simples vista, nom é transparente à percepçom sensorial. Assim encontramos o encobrimento de um conjunto de relaçons: entre a extorsom do trabalho e o salário, entre a mais-valia e o ganho, entre o ganho e o interesse. Tais encobrimentos nublam o tecido social e histórico das relaçons de produçom capitalista.
Este processo de "mistificaçom" do capital tem que ver com a subordinaçom da análise à esfera da circulaçom, da distribuiçom e o intercâmbio(6).
Nesta superfície da realidade económica nom se pode encontrar mais que "aparências", conduzindo aos capitalistas e seus agentes ideológicos ao mais tosco empirismo:

"(?)esta confusom dos teóricos revela melhor que nada como o
capitalista prático prisioneiro da luita da concorrência e
impossibilitado para afundar em modo algum embaixo da superfície
de seus fenómenos, tem que se sentir incapaz para captar através
das aparências a verdadeira essência interior e a estrutura
interna deste processo"(7).

Agora bem, neste caso nom tom só se trata de um obstáculo que confrontam os burgueses no processo de conhecimento, senom que tal erro, omissom ou escamoteio epistemológico, é funcional ao interesse de justificar a dominaçom, de legitimar o lucro e o ganho fundado na exploraçom do trabalho. De tal forma que o facto de que nom se transcenda a aparência, o nível do dado empírico, a sacralizaçom da aparência imediata, nom é um problema de "neutralidade axiológica", de objectividade científica. Os interesses de classe ocultam todo nexo ou articulaçom do processo de produçom, e em tal sentido existe um esforço por:

- "que a nível da fábrica, o processo de trabalho seja concebido como
um processo "natural" ou como um facto tecnológico, sem considerar
seu articulaçom com o "processo de valorizaçom".
- que o salário sega mistificando a relaçom entre o trabalho necessário
e o trabalho excedente.
- que a mercadoria faça aparecer investida a relaçom social,
desaparecendo a distinçom entre trabalho abstracto e trabalho concreto.
- que o dinheiro e o interesse apareçam automatizados, como dinheiro que
cria dinheiro, e nom como metamorfoses do trabalho cristalizado, riqueza
abstracta que é gerada polo trabalho"(8).

Tal esforço de encobrimento e de apologia por parte dos agentes ideológicos burgueses é o que justifica que nos vejamos Inexcusavelmente comprometidos a pesquisar e debater com seriedade, desvelando tais relaçons aparenciais, pois caso contrário estaríamos baixo a subordinaçom de tais mistificaçons e portanto ajudando na preservaçom do domínio do capital, lhe facilitando seu legitimaçom ético-política.

23-12-2008

  22:03:20, por Corral   , 788 palavras  
Categorias: Ensaio

Na crise: Estudo e acçom

Carlos Lanz Rodríguez
A crise orgânica do Capital

I.- A mistificaçom do Capital e a necessidade de a crítica epistemológica.

Um dos principais rasgos do processo de mistificaçom do capital acha-se no facto de que o trabalho vivo (a força de trabalho do operário, sua energia física e psíquica) se apresenta como força própria do capital. O trabalho morto ou trabalho pretérito (cristalizado nos meios de produçom e no dinheiro, mas que foi precedido por umha "acumulaçom originaria" de capital fundada no pilhagem, a extorsom, a usura, a guerra, etc.) em mans do burguês enfrenta-se ao trabalho vivo como capital, apesar de que na sua génesis está o trabalho nom pago. Em tal sentido, o capital como relaçom social (nom como "cousa") nom é mais que trabalho objectivado, mas no entanto, aparece como se ele portasse uma qualidade "ontológica" que lhe permite criar por se só a riqueza, autovalorizarse.

Ao respeito diz Marx nos Grundrisse:

"O capital está realizado agora nom só como valor que se
reproduz a se mesmo e por tanto se auto perpétua, senom como valor
que pom valor. Através da absorçom em se mesmo do tempo de trabalho
vivo, por um lado, e do movimento da circulaçom que lhe é
próprio (no qual o movimento do intercâmbio resulta posto
como o seu próprio, como processo imediato do trabalho
objectivado) se comporta consigo mesmo como o que pom novo
valor.
O capital comporta-se ante a mais-valia como se fosse ele seu
fundamento, como se o tivesse criado,(...)"( ²)[.. .] o processo de produçom
imediato toma a forma do poder productivo do
capital, que já nom pode se reconhecer como o poder productivo do
trabalho

Para Marx este processo onde o capital aparece como o "valor que pom valor" está assinado por um Investimento: o pregado aparece como sujeito, isto é, o capital sendo um produto da mais-valia, (resultado do processo de valorizaçom onde o operário restitui o valor do salário e produz trabalho excedente) aparece como o factor gerador do processo.

De ali que Marx também assinale no CAPITAL o seguinte:

"(...) Deste modo a extorsom de trabalho sobrante perde seu
carácter especifico; sua relaçom especifica com a mais-valia escurece-se, e a facilitar este resultado contribui, como se pôs de manifesto
no Livro I, IV, o facto de que o valor da força de trabalho
se exponha baixo a forma de salário. A relaçom do capital se
mistifica ao apresentar a todas suas partes por igual como valor
remanente (ganho).
O modo como a mais-valia se converte na forma de ganho
mediante a transiçom através _ da quota de ganho, nom é senom
a prolongaçom do investimento sujeito e objecto operada já durante o
processo de produçom. De ali víamos como todas as forças
productivas do trabalho se apresentavam como forças productivas do
capital (...) E esta relaçom investida faz surgir necessariamente, já
no plano das simples relações de produçom: uma ideia
investida congruente, uma consciência transposta, que as mudanças e
modificações do verdadeiro processo de circulaçom se encarregam de desenvolver",
(3).

Nestas linhas Marx assinala em primeiro lugar, como a extorsom do trabalho fica escurecida na relaçom salarial. A especificidade da exploraçom desaparece e encobre-se a relaçom capitalista através do investimento sujeito-objecto. Esta relaçom investida no processo de circulaçom, faz surgir também uma ideia e uma consciência investida, isto é, para o "sentido comum" que aparece na superfície é que todo ganho é um valor remanente que surge no intercâmbio, ficçom esta que o processo de circulaçom se encarrega de desenvolver.

Abundando nesta última questom, Marx diz:

"(...)Mas como a participaçom, e por tanto, na consciência de seus
agentes, todo se apresenta investido, também aparece investida
esta lei, isto é, esta conexom intima e necessária entre duas coisas
que aparentemente se contradizem(...) Tudo isto responde a um
desconhecimento do que é a quota geral de ganho e à
ideia grosseira de que os preços se determinam em realidade polo
aumento de umha quota mais ou menos arbitrária de ganho sobre o
valor das mercadorias. Mas estas ideias, apesar do grosseiras que
som, brotam necessariamente do investimento que as leis imanentes
da produçom capitalistas sofrem dentro do mundo da
participaçom. "(4)

As ideias toscas que surgem no mercado, na compra-venda de mercadorias, fazem ver que o ganho é um aumento que se lhe faz ao valor dos bens, de tal forma que nom há "pegadas" de sua verdadeira origem. Ideia falaz

  19:17:39, por Corral   , 50 palavras  
Categorias: Ossiam

Iraque - Políticos e assassinos de aluguer

Políticos de Aluguer
O primeiro ministro e outros cinco membros do gabinete iraquiano som cidadans britânicos e o porta-voz dos parlamentários impostos polo duo da morte (Bush- Blair) é cidadam estadunidense. Os políticos clave da pretendida legitimidade do novo Estado iraquiano tenhem nacionalidade das potências ocupantes.

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