AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Penar a Língua BASENAME: canta-o-merlo-lbgpenar-a DATE: Tue, 23 Feb 2016 21:51:00 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Penar a Língua
por José Alberte Corral Iglesias

Os ideólogos e os políticos ao serviço do capitalismo financeiro, sabem que é preciso que os valores e a concepçom do mundo por parte dos povos e trabalhadores seja o induzido polas sinarquias. Se isto nom acontece, a derrota e o domínio sobre o conjunto das classes trabalhadoras e dos povos nom está assegurada. O engano -alienaçom- é o sustem fulcral do sistema, a força -repressom- é a derradeira medida a tomar pola burguesia para manter o seu poder. A forteza do domínio das oligarquias apousa na ideologia, esta fai que os trabalhadores, em tanto que indivíduos, classe, e povo, assumam como própria a cosmovisom dos seus nemigos de classe.

Por isso estamos mergulhados numha guerra ideológica permanente; e a língua é fulcral neste enfrentamento, pois é sabido que ao perderem os povos a sua língua e cultura própria deixam de ser um colectivo em si e para si para se converter num agregado mais ao ideário e à economia regida polos grandes grupos capitalistas que hoje dominam o planeta. Quando os povos indígenas da América lhes foi ingerido um novo imaginário e perdêrom a sua língua, a sua cultura, desaparecêrom como naçons para se converter em peons do colonizador. Só com o terrorismo económico -precaridade laboral, despido livre, etc...-; e com a dominaçom política, sejam os regimes pseudo-democráticos eleitorais ou os regimes tirânicos, nom é possível garantir a sustentaçom do sistema capitalista. É preciso a identificaçom dos submetidos com a razons económicas, e ideológicas dos grandes patrons. Isto implica que os oprimidos nom percebam nem categorizem os seus próprios interesses de classe.

O submetimento lingüístico e cultural é um dos mecanismos para subordinar aos povos e suas as classes populares aos ditados do grande capital; impossibilita a desenvolver a consciência colectiva dos humildes com os seus próprios interesses, de vez que implementa a aceitaçom do domínio económico e social das oligarquias. A questom lingüística é fulcral para compor as políticas emancipadoras de classe e naçom. É impossível a emancipaçom económica e social sem a emancipaçom cultural, e o eixo articulador no caso galego é a língua galega. É bem significativo a promulgaçom no DOG do 25 de Maio do 2010 das directrizes de ensino de matérias

Artigo 6º.3.- Educación primaria
Impartirase en galego a materia de Coñecemento do medio natural, social e cultural, e en castelán a materia de Matemática

Artigo 7.3º.- Educación secundaria obrigatoria
Impartiranse en galego as materias de Ciencias sociais, xeografía e historia, Ciencias da natureza e Bioloxía e xeoloxía, e en castelán as materias de Matemáticas, Tecnoloxías e Física e química.

Nesta estrutura legal de abuso no lingüístico, manifestado na regulaçom das línguas de uso segundo que matérias oferecidas, evidencia a construcçom do imaginário do alunado através da consideraçom de que o serio, as ciências-puras, som dadas em castelam, mentres o galego fica subordinado as outras disciplinas de menor rango no universo do saber. Esta regulaçom tem os seus alicerces na opressom terroristico-lingüística do franquismo, do que o PP é continuidade.

Esta vontade consciente de hierarquizar às línguas revela-se na cimentaçom dum imaginário colectivo de alienaçom dos galegos com respeito à própria língua. Para vencer esta opressom lingüística é preciso quebrar este discurso de dominaçom e reverter a tendência de assentir com a desigualdade como característica de organizaçom do humano. Esta aceitaçom é manifestaçom da interiorizaçom do discurso de marginalizaçom e discriminaçom do galego, dado que de facto o seu uso está postergado ao nom importante, o que nos vem dizer a realidade social na que estamos mergulhados em tanto que povo e naçom.

O desempenho dumha política de contestaçom em todo-los eidos: económicos, ideológicos, sociais... será o sustentáculo para restabelecer a presença da língua galega em todas-las funçons. O uso consciente da língua por parte dos falantes é a práctica que expressará a nossa vontade de nos empoderar como povo e indivíduos livres.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A Derrocada Financeira BASENAME: canta-o-merlo-a-derrocada DATE: Wed, 10 Feb 2016 20:16:00 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

DERROCADA FINANCEIRA
http://resistir.info/

A derrocada financeira acelera-se. Despencam as cotações em bolsa de bancos importantes da Europa e dos EUA. Em 4/Fev a do Credit Suisse caiu ao nível mais baixo dos últimos 24 anos. Desde que a UE desencadeou as regulamentações do bail-in os bancos europeus começaram a implodir. No caso do Deutsche Bank, a sua exposição aos derivativos (ainda a dívida tóxica desencadeada pela crise dos sub-prime de 2008) é 16,4 vezes maior do que todo o PIB da Eurozona ? não há BCE que lhe valha. Do lado de lá do Atlântico, a situação não é melhor. Um quinto da capitalização dos bancos Morgan Stanley, Citigroup e Bank of America já se evaporou.
Mas no telelixo português a desinformação é contínua. Dizem os seus comentaristas económicos que a situação está a melhorar e a saída da crise está ali ao virar da esquina...

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O sentido comum BASENAME: canta-o-merlo-o-sentido DATE: Mon, 08 Feb 2016 10:43:00 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

O sentido comum

Na construçom do socialismo nom podemos prescindir da realidade concreta na que se desenvolve a actividade de fazer agromar a versom subjacente, a que nega a ideologia dominante cimentada polos mass medias instituidoras do imaginário preponderante, constructo que consolida o poder do bloco de classes dominante. Agora bem, este imaginário unificador e coesivo nom se conforma num todo comum, a homogeneidade é proporcionada polos diferentes níveis de ideologia, vem dada desde a heterogeneidade: a religiom, a educaçom, a filosofia, os costumes, o folclore, o sentido comum... som constructos necessários para que as maiorias sociais tenham como natural a sua submissom, que vem sendo um dos muros ideológicos mais forte das oligarquias e dos seus gestores na defesa dos seus interesses de classe; utilizando diversos factores, entre os que adquirem fulcral relevância: o sistema educativo e o sistema religioso, para assim elaborar a ideologia de aceitar a submissom como um componente conatural da organizaçom social. Velaqui, na super-estrutura, onde se produz a hegemonia político-cultural do bloco social dominante. Para manter o domínio sobre a totalidade social, as oligarquias estám obrigadas a dirigi-la, e para isto precisam o controlo do imaginário colectivo. Hoje a televisom e demais médias cumprem o papel de criar a coesom política e cultural do todo social para garantir ao bloco social que conformam as diversas sinarquias a direcçom e o domínio do conjunto da sociedade. O paradoxo é que hoje os mass médias venhem a cumprir o rol do que Gramsci denominava o Príncipe Moderno de jeito invertido. A sua estratégia ideológico-política de produzir e suster o consenso mantem às classes subalternas na mansedume aos poderes reais (financeiros, eclesiásticos, etc...) bloqueando-lhes a possibilidade de análise da realidade social e aceitar a mesma como natural. Esta estratagema permanente furta ao conjunto das classes trabalhadoras a ferramenta mais idónea para traçar políticas que subvertam a situaçom económico-política na que se acham mergulhadas.

As sociedades complexas, de capitalismo avançado, implicam umha heterogeneidade das classes trabalhadoras, entre as que as profissons liberais que até bem pouco constituíam boa parte dos intelectuais orgânicos do sistema, criadores da construçom do consenso (convém nom identificar com os intelectuais políticos), hoje estám proletarizadas, som assalariadas; a sua sobrevivência, que os contratem ou nom, depende da arbitrariedade dos patrons; o que cria umha mudança radical no tecido que conforma a força de trabalho. O que nom supom que estes novos proletários assumam a sua ubiquaçom nas relaçons sociais de produçom, senom que muitos dos mesmos fornecem os corpos gerenciais do sistema, constituindo o que poderíamos denominar desde umha visom sociológica e politica, as classes intermediarias. Pois sendo assalariadas, a sua funçom nas relaçons sociais de produçom é a intermediaçom entre as sinarquias e os trabalhadores.

A existência dumha ditadura do capital nos Estados complexos e mui estruturados é consubstancial com a hegemonia ideológica, política, do bloco social oligárquico. Poderíamos afirmar que para a existência da democracia, é inerente que a ditadura do capital esteja acochada sob a hegemonia cultural e ideológica da grande burguesia. Para a construçom e imposiçom ideológica através do consenso precisa da aliança de classe com as classes intermediarias, estamentos profissionais e gerenciais do sistema; e da propriedade directa ou indirecta dos média para actuar sobre o imaginário das classes trabalhadoras e homogeneiza-las ideologicamente em torno aos mitos e signos da cultura do espectáculo, da publicidade, e da aparência ou imitaçom.

O imaginário colectivo nunca é umha construcçom espontânea, surgida da nada; é sempre expressom da alienaçom real-concreta. Jamais pode ocorrer que um fenómeno de alienaçom ideológica (real-abstracto) nom venha dado por um feito de alienaçom na estrutura sócio-económica (real-concreto). A educaçom junto com a religiom constituem os constructos fulcrais na conformaçom do imaginário dos estamentos profissionais e gerenciais -hoje no Estado espanhol o ensino nas cidades está dominado pola escola concertada, na sua maior parte, eclesiásticas - que é assumido em parelho polo conjunto da sociedade através da imitaçom e na vacuidade da cultura-espectáculo. Este sistema de dependência (alienaçom na estrutura sócio-económica a carom da alienaçom ideológica) forma o sentido comum, o grande acumulo de fidelidades à organizaçom social económica do capitalismo; constituindo umha das mais grande ferramenta ao serviço das oligarquias e sempre disposta a trair qualquer impulso subversivo.

É preciso agir para derrubar o sentido comum. Subverter esta super-estrutura que assimila a visom da realidade dos subjugados à da oligarquia é fulcral para à vez poder acabar o saqueio da riqueza colectiva criada graças à acçom da força de trabalho, seja esta intelectiva o física. Agora bem, sem poder económico, sem poder mediático, como será possível abater o sistema capitalista? Defronte da mais acabada expressom da barbárie, o capitalismo; as mulheres e homens guímaros estám de novo na presença da velha pergunta, Que fazer?

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: * * Conheça os produtos e empresas que deveriam ser boicotados para castigar ao Governo de Israel pola sua massacre em Gaza ** BASENAME: conheca-os-produtos-e-empresas-que-deveriam-ser-boicotados-para-castigar-ao-governo-de-israel-pola-sua-massacre-em-gaza DATE: Sun, 07 Feb 2016 09:08:00 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ossiam CATEGORY: Ensaio TAGS: ----- BODY:

LISTA DE PRODUTOS A BOICOTAR: -
-FRUTAS: Mangas e melons CARMEL. Abacate ecológico Ecofresh-Carmel.
-TECNOTRON: Foto matom e outras instalações recreativas de rua.
-NANAS: Estropalhos ou buchas saponáceos.
-PATACAS: Variedade Mondial, LZR (Em Mercadona) variedade Vivaldi e Desiree.
-VINHO: Carmel Mizrachi Wines, vinhos de Israel.
-ESHET-EYLON: Classificaçom automática de frutas.
-NETAFIM: Equipas de rego.
-MILONOT: Pensos para o gando, Planta têxtil algodoeira, Central de mecanizaçom do algodom, Matadouro de aves, Envasado de frutas, Processado de frutas e hortaliças ou legumes, Maduraçom e envasado de bananas, Centro de processo de dados...
-DÁTILES CARMEL: Jordan Plains.
-ÁGUA MINERAL EDEN: Garrafas para fontes públicas.
-MENNEN: Sistemas de monitorizaçom de pacientes em cuidados intensivos.
-COSMÉTICOS REVLON: Em quase todas as drogarias e perfumarias.
-AHAVA: Cremas, sais, loçons.
- CALÇONS DE BANHO MAIÔS: GIDEON OBERSON e GOTTEX.
-ROUPA INTERIOR: VITÓRIAS SECRET, WARNACO, THE GAP, NIKE.
-APARELHOS DE AR ACONDICIONADO JOHNSON, WHITE WESTINGHOUSE, AIRWELL e ELECTRA.
-EPILADY: Máquinas de depilar e massagem.
-VEET: Cera de depilaçom.
-INTEL: O maior fabricante de micro processadores do mundo. Foi a primeira empresa estrangeira que abriu uma sucursal em Haifa em 1974.
-EMBLAZE: Esta companhia israelense pola primeira vez estará na prestigiosa pronta de companhias como Nokia e outras que desenvolvem telefones móveis. Emblaze actuará em conjunçom com a israelense Partner Communications, que opera com o nome de assinatura de Orange.
-RAFAEL: Sistemas de segurança para o lar.
-EMPRESAS ESTRANGEIRAS QUE APOIAM A ISRAEL: McDonald's, Timberland, Revlon, Garnier, Hugo Boss, Tommy Hilfiger, Calvin Klein, L'Oreal, Garnier.....
-JOHNSON & JOHNSON: No 50º Aniversário da Independência de Israel, a Johnson No 50º Aniversário da Independência de Israel, a Johnson & Johnson foi-lhe concedido o maior galardom, o Jubilee Award, em reconhecimento a seu apoio à economia israelense.
-TELEFÓNICA: Adquire grande parte de seus produtos em Israel entre eles, os multiplicadores de linhas, componentes para redes e sistemas de facturaçom de telefonemas.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Ucrânia: camisas castanhas e botas pretas Ilegalização do Partido Comunista BASENAME: canta-o-merlo-ucrania-camisas DATE: Sun, 07 Feb 2016 09:03:00 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Ucrânia: camisas castanhas e botas pretas Ilegalização do Partido Comunista

Higinio Polo
http://www.odiario.info/?p=3909

Quando as camisas castanhas dos fascistas, as botas pretas dos gangs paramilitares assolam as cidades ucranianas, e o Partido Comunista é proibido e forçado a passar à clandestinidade começam a faltar na Europa vozes que clamem por liberdade

Com o triunfo do golpe de Estado na Ucrânia, em Fevereiro de 2014, os sinais da extrema-direita no país foram detectados desde o início: a incorporação dos membros do Governo do partido fascista Svoboda, a presença ativa do nazis Pravy Sektor na polícia, na Guarda Nacional criada pelo governo golpista, nas unidades do exército que foram enviadas para esmagar os protestos contra o golpe de Estado, e o controle das ruas das principais de cidades ucranianas por batalhões paramilitares destes grupos fascistas foram o sinal de por onde iriam as coisas nessa "nova Ucrânia democrática", nascida com o golpe, graças ao apoio ocidental, com a sua diplomacia, dinheiro, armas e grupos de choque paramilitares.

Na Polónia foram treinados os grupos de provocadores que atuaram nos dias de Maidan e, com a boa vontade da União Europeia, os serviços secretos norte-americanos e polacos desencadearam os mecanismos que levaram ao buraco negro em que a Ucrânia se encontra hoje.

Os protestos foram esmagados sem piedade: lembremos o horror das cenas dantescas do incêndio do edifício dos sindicatos de Odessa, onde os nazis queimaram vivas muitas pessoas que protestavam contra o golpe e onde o massacre nunca foi investigado pelas autoridades, como não mostraram nenhum interesse em investigar a origem dos franco-atiradores misteriosos que causaram a matança de Maidan anterior ao golpe. Só na Crimeia e no leste do país, os opositores conseguiram resistir com sucesso ao golpe, ainda que no Donbass se viram envolvidos na guerra civil.

Desde então, o governo Poroshenko e Yatseniuk dedicou-se a acabar com a resistência em Donetsk e Lugansk, numa "operação antiterrorista", como eles a chamaram, que já causou quase dez mil mortos, dezenas de milhares de feridos e a destruição de grande parte da infraestrutura e bairros nas aldeias e cidades. As camisas castanhas e botas pretas dos paramilitares fascistas devastaram o país, e eles não têm descansado desde então. São comuns na Ucrânia desfiles fascistas nas cidades, e nos estádios de futebol mostram-se os símbolos nazis sem rebuço. A tortura é uma prática comum nos quartéis e esquadras de polícia, e até mesmo em centros de detenção que a extrema-direita controla.

Contam-se por dezenas os comunistas mortos sem que as autoridades judiciais ou policiais investiguem os crimes.
Um dos objetivos do governo golpista, com o apoio dos EUA, foi a destruição da esquerda ucraniana: os ataques às sedes do Partido Comunista, os incêndios de casas particulares e locais comunistas, os espancamentos e assassinatos cometidos em total impunidade, a caça e militantes de esquerda, foram moeda comum desde o primeiro dia. Deputados comunistas foram agredidos na própria Rada, o parlamento, como o próprio secretário-geral Simonenko, e o governo tentou desde o primeiro dia ilegalizar o Partido Comunista. O processo conduzido por Poroshenko e Yakseniuk atingiu extremos delirantes: o juiz viu seus escritórios invadidos por homens suspeitos armados; registos e documentação roubados, numa atmosfera de ameaças a juízes independentes que não podiam ser denunciados porque hoje todos sabem que na Ucrânia os fascistas matam. O juiz foi forçado a deixar o caso, e feitas muitas pressões e ameaças a jornalistas e críticos honestos que poderiam informar a população, o governo golpista conseguiu que no final de dezembro de 2015 esse tribunal declarasse ilegal o Partido Comunista da Ucrânia, para que não pudesse agir e concorrer a eleições, nem organizar-se livremente: foi forçado a passar à clandestinidade.

As sensibilidades democráticas da União Europeia e os Estados-Membros não demonstraram nenhuma preocupação com a proibição do Partido Comunista, nem com o regresso do fascismo sanguinário à Ucrânia. Mas que os centros do poder do capitalismo, Bruxelas e Washington, não tenham feito a menor objeção está dentro da ?normalidade? hipócrita a que nos têm acostumado; no entanto, é muito preocupante e revelador que boa parte da esquerda europeia, começando pela social-democracia, não tenha esboçado o menor protesto por tal ultraje.

Maus tempos para a liberdade. O próprio Presidente Poroshenko enriqueceu graças à corrupção e negócios sujos, enquanto o seu governo impunha novos sacrifícios à população, aceitando as imposições do Fundo Monetário Internacional e abria as fronteiras á entrada das unidades da OTAN. Enquanto a guerra civil continua no leste do país e os cidadãos ucranianos suportam uma vida cada vez mais difícil; enquanto o país se está afogando numa corrupção delirante e os principais responsáveis do governo roubam às mãos cheias e se apoderam dos recursos da Ucrânia; quando as camisas castanhas dos fascistas, as botas pretas dos gangs paramilitares assolam as cidades ucranianas, e o Partido Comunista é proibido e forçado a passar à clandestinidade começam a faltar na Europa vozes que clamem por liberdade.

* Professor universitário
Este texto foi publicado em: http://www.elviejotopo.com/topoexpress/ucrania-camisas-pardas-y-botas-negras/

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Karl Marx tinha razão (II) BASENAME: canta-o-merlo-karl-marx-tinha-razao-ii DATE: Thu, 06 Aug 2015 18:36:00 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Karl Marx tinha razão (II)
Por Chris Hedges (1)/ Tradução: Jorge Vasconcelos
?Information Clearing House? (1-06-2015), publicado em ?TruthDig?
http://www.odiario.info/

A fase final do capitalismo, escreveu Marx, seria marcada por desenvolvimentos que, para a maior parte de nós, são hoje familiares. Incapaz de se expandir e gerar lucros ao nível do passado, o sistema capitalista começaria a consumir as estruturas que o têm sustentado.

Um editorial do ?The New York Time? do 22 de maio permite-nos verificar o que Marx disse que iria caracterizar as últimas fases do capitalismo:
?Durante esta semana, a Citicorp, o JPMorgan Chase, o Barclays e o Royal Bank of Scotland foram declarados culpados pelas acusações de crime de conspiração para falsificação do valor das cotações mundiais. De acordo com o Departamento de Justiça, a prolongada e lucrativa conspiração permitiu aos bancos aumentar os lucros sem contemplação pela decência, pela lei e pelo bem público?.
Continua o ?The Times?:Os bancos vão pagar multas no total de 9 mil milhões de dólares, estabelecidas pelo Departamento de Justiça, assim como por reguladores estatais, federais e estrangeiros. Parece um bom negócio para um golpe que durou pelo menos cinco anos, desde o fim de 2007 até ao início de 2013 e durante o qual os benefícios provenientes do câmbio estrangeiro foi cerca de 85 mil milhões.
As fases finais daquilo a que chamamos capitalismo, conforme Marx percebeu, não têm nada a ver com capitalismo. As super-empresas devoram as despesas estatais, que são essencialmente o dinheiro dos contribuintes, como porcos numa pocilga. A indústria de armamento, com a sua conta oficialmente autorizada para a defesa no valor de 612 mil milhões de dólares (que não inclui muitas outras despesas militares escondidas noutros orçamentos, o que faria a nossa despesa real com a defesa nacional subir acima de 1 bilião de dólares por ano), conseguiu levar este ano o governo ao compromisso de gastar na próxima década 348 mil milhões na modernização das nossas armas nucleares e na construção de 12 novos submarinos nucleares classe Ohio, estimados cada um em 8 mil milhões de dólares. Como exactamente é que estes dois enormes programas de armamento são supostos ser utilizados naquilo que nos dizem ser a maior ameaça do nosso tempo (a guerra ao terrorismo) é um mistério. Ao fim e ao cabo, tanto quanto sei, o ISIS não tem sequer um barco a remos. Gastamos 100 mil milhões em informações (leia-se espionagem) e 70% desse dinheiro vai para empreiteiros privados, como Booz Allen Hamilton, [que] obtém 99% dos seus rendimentos do governo americano. E, ainda por cima, somos o maior exportador mundial de armas.
A indústria de combustíveis fósseis, segundo o Fundo Monétario Internacional (FMI), engole 5,3 biliões de dólares por ano em todo o mundo em custos camuflados para se continuarem a queimar combustíveis fósseis. Nota o FMI que este dinheiro está para além dos 492 mil milhões de subsídios directos oferecidos por governos em todo o mundo através de amortizações, adendas e subterfúgios diversos. Num mundo são, esses subsídios seriam gastos para nos libertar dos efeitos mortais das emissões de carbono causadas pelos combustíveis fósseis, mas não vivemos num mundo são.
Bloomberg News informava no artigo de 2013 ?Porque devem os contribuintes dar aos bancos 83 mil milhões de dólares por ano? que a redução de custos dos grandes bancos por via dos subsídios governamentais tinha sido estimada pelos economistas em 0,8%.
?Multiplicada pelas responsabilidades totais dos 10 maiores bancos americanos por activos?, dizia o relatório, ?tal representa um subsídio dos contribuintes no valor de 83 mil milhões de dólares por ano.?
?Os cinco maiores bancos ? JPMorgan, Bank of America Corp., Citigroup Inc., Wells Fargo & Co. e Goldman Sachs Group Inc. ? representam,? continuava o relatório, ?64 mil milhões do subsídio total, uma quantia aproximadamente igual ao seu lucro anual típico. Por outras palavras, os bancos que estão no posto de comando da indústria financeira dos EUA, com quase 9 biliões de activos que representam mais de metade da dimensão da economia americana, ficariam quase no zero na falta de assistência às superempresas. Em grande parte, os lucros que apresentam são essencialmente transferências dos contribuintes para os seus accionistas.?
A despesa do governo representa 41% do PIB. Os capitalistas das grandes corporações querem apanhar todo esse dinheiro e daí a privatização de sectores militares inteiros, a pressão para a privatização da Segurança Social, a adjudicação a empresas de 70% do serviço de informações de 16 das nossas agências, tal como a privatização de prisões, de escolas e do nosso desastroso serviço de saúde orientado para o lucro. Nenhuma destas apropriações de serviços básicos os torna mais eficientes ou reduz os seus custos. Não é isso que interessa. O que interessa é sugar a carcaça do Estado. Ora, isso irá ditar a desintegração das estruturas que sustêm o próprio capitalismo. Tudo isso foi percebido por Marx.

(1) Chris Hedges, esteve cerca de duas décadas como correspondente estrangeiro na América Central, no Médio-Oriente, em África e nos Balcãs. Enviou trabalhos para mais de 50 países e colaborou para o The Christian Science Monitor, a National Public Radio, o The Dallas Morning News e o The New York Times, no qual foi corresponde estrangeiro durante 15 anos.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Karl Marx tinha razão (I) BASENAME: canta-o-merlo-karl-marx-tinha-razao-i DATE: Tue, 04 Aug 2015 08:07:15 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Karl Marx tinha razão (I)
Por Chris Hedges (1)/ Tradução: Jorge Vasconcelos
?Information Clearing House? (1-06-2015), publicado em ?TruthDig?
http://www.odiario.info/

A fase final do capitalismo, escreveu Marx, seria marcada por desenvolvimentos que, para a maior parte de nós, são hoje familiares. Incapaz de se expandir e gerar lucros ao nível do passado, o sistema capitalista começaria a consumir as estruturas que o têm sustentado.

Chris Hedges juntou-se aos professores Richard Woff e Gail Dines no Left Forum na cidade de Nova Iorque para discutirem porquê Karl Marx é fundamental numa época em que o capitalismo global está em colapso. Junta-se o comentário feito por Hedges na abertura da discussão.
Karl Marx expôs a dinâmica própria do capitalismo, ou do que chamou ?modo de produção burguês?. Percebeu que o capitalismo tinha gerado dentro de si as sementes da sua própria destruição. Sabia que as ideologias dominantes ? pensemos no neoliberalismo ? foram criadas para servirem o interesse das elites e, em particular, as elites económicas, uma vez que ?a classe que detém os meios da produção material à sua disposição tem ao mesmo tempo o controle sobre os meios da produção mental? e que ?as ideias dominantes não são mais que a expressão idealista das relações materiais dominantes? relações que fazem de determinada classe a classe dominante.? Viu que chegaria um dia em que o capitalismo iria esgotar o seu potencial e entrar em colapso. Não sabia quando viria esse dia. Conforme Meghnad Desai escreveu, Marx era ?um astrónomo da história e não um astrólogo.? Marx estava plenamente ciente da capacidade do capitalismo inovar e adaptar-se. Mas, sabia também que a expansão capitalista não era eternamente sustentável. E, conforme testemunhamos com o desenvolvimento do capitalismo e a desintegração do globalismo, é justificado ver Karl Marx como o mais presciente e importante crítico do capitalismo.
Num prefácio à ?Contribuição para a Crítica da Economia Política?, escreveu Marx:
?Nenhuma ordem social alguma vez desapareceu antes de todas as forças produtivas para as quais nela haja lugar se terem desenvolvido e as novas relações de produção superiores jamais aparecem antes de as condições materiais para a sua existência terem amadurecido no ventre da própria antiga sociedade?.
Portanto, a humanidade estabelece sempre a si própria apenas aquelas tarefas que pode resolver, uma vez que, olhando para a questão mais de perto, encontramos invariavelmente que a própria tarefa só surge quando as condições materiais necessárias para a sua solução já existem, ou pelo menos estão em processo de formação.
O socialismo, por outras palavras, não seria possível até o capitalismo ter esgotado o seu potencial de maior desenvolvimento. Que o fim está próximo é agora difícil rejeitar, embora fossemos loucos querer prever quando. Somos chamados a estudar Marx para estarmos preparados.
As fases finais do capitalismo, escreveu Marx, seriam marcadas por desenvolvimentos que são familiares à maior parte de nós. Incapaz de se expandir e gerar lucros ao nível do passado, o sistema capitalista começaria a consumir as estruturas que o têm sustido. Tomaria como presa a classe operária e os pobres, em nome da austeridade, levando-os cada vez mais fundo para a dívida e a pobreza e diminuindo a capacidade do Estado para servir as necessidades dos cidadãos comuns. Deslocaria, como desloca, cada vez mais os empregos, incluindo tanto os postos fabris como profissionais para países com reservas de trabalhadores baratos. As indústrias iriam mecanizar os locais de trabalho. Isto desencadearia um assalto económico não apenas sobre a classe trabalhadora, mas também sobre a classe média ? baluarte do sistema capitalista ? o qual seria mascarado pela imposição de dívida pessoal em grande escala, uma vez que o rendimento diminuiria ou estagnava. A política ficaria nas últimas fases do capitalismo subordinada à economia, tendo como resultado partidos políticos esvaziados de conteúdo político concreto e abjectamente subservientes dos diktats e do dinheiro do capitalismo global. No entanto, conforme Marx preveniu, há um limite para uma economia assente na expansão da dívida. Chega uma altura, como Marx sabia, na qual deixaria de haver novos mercados disponíveis e novas reservas de pessoas para contraírem mais dívida. Foi o que aconteceu com a crise das hipotecas ?subprime?. Uma vez que os bancos já não conseguem conceder mais empréstimos desse tipo, o esquema desmorona-se e o sistema rebenta.
Os oligarcas capitalistas, entretanto, juntam enormes somas de dinheiro ? 18 biliões de dólares depositados em paraísos fiscais ? o qual é extraído como tributo a quem dominam, endividam e empobrecem. O capitalismo poderia finalmente, segundo Marx disse, virar-se para o assim chamado mercado livre, junto com os valores e tradições que reclama defender. Daria início na sua fase final à pilhagem dos sistemas e estruturas que tornaram o capitalismo possível. Ao provocar mais largo sofrimento, recorreria a formas de repressão mais brutais. Tentaria, em posição frenética final, manter os seus lucros saqueando e pilhando as instituições estatais e contradizendo a sua declarada natureza.
Marx preveniu que nas últimas fases do capitalismo as grandes empresas exerceriam monopólio sobre os mercados globais. ?A necessidade de constante expansão do mercado para os seus produtos persegue a burguesia por toda a face da Terra,? escreveu ele. ?Tem que se aninhar por todo o lado, fixar-se por todo o lado, estabelecer contactos por todo o lado.? Estas grandes empresas, quer do sector bancário, das indústrias agrícolas e da alimentação, das indústrias de armamento ou das indústrias das comunicações, utilizariam o seu poder, tomando normalmente controle sobre os mecanismos do Estado para evitarem qualquer ameaça ao seu monopólio. Fixariam preços para maximizarem os lucros. Desenvolveriam [como têm feito] acordos de comércio como o TPP e o CAFTA (TPP -Trans-Pacific Partnership ou Parceria Trans-Pacífico e CAFTA - Central America Free Trade Agreement ou Acordo de Comércio Livre da América Central ? N.T.) para enfraquecerem mais a capacidade dos Estados-nação de impedirem a exploração através de regulamentações ambientais ou a monitorização das condições de trabalho. E no final, estes monopólios empresariais fariam desaparecer a competição do livre mercado.

(1) Chris Hedges, esteve cerca de duas décadas como correspondente estrangeiro na América Central, no Médio-Oriente, em África e nos Balcãs. Enviou trabalhos para mais de 50 países e colaborou para o The Christian Science Monitor, a National Public Radio, o The Dallas Morning News e o The New York Times, no qual foi corresponde estrangeiro durante 15 anos.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A situação na Grécia e o papel anti-povo do SYRIZA BASENAME: canta-o-merlo-a-situacao-na-grecia-e-o-papel-anti-povo-do-syriza DATE: Fri, 31 Jul 2015 10:15:30 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

A situação na Grécia e o papel anti-povo do SYRIZA
? As responsabilidades dos que o aplaudem

por Giorgos Marinos [*]

http://resistir.info/grecia/marinos_29jul15.html

Introdução

Na segunda-feira 13 de Julho, o governo SYRIZA-ANEL com o apoio de todos os partidos políticos burgueses acordaram na Cimeira da Eurozona com um pacote muito duro de medidas anti-povo, o terceiro memorando, o qual destruirá todos os direitos dos trabalhadores e do povo que ainda restam.

Na quarta-feira 15 de Julho, o "primeiro governo de esquerda" aprovou, com os votos dos partidos burgueses ND-PASOK-POTAMI, o acordo da Cimeira e o primeiro pacote de medidas a serem implementadas para a concretização do 3º memorando incluindo novas medidas selvagens de tributação e a abolição de direitos à pensão. O KKE votou contra isto e pediu uma votação nominal, durante a qual 32 quadros do SYRIZA votaram NÃO, 6 votaram "presente" [NR] e 1 absteve-se. Estes membros do SYRIZA disseram que "votamos contra o novo memorando, mas ... apoiamos de todo o coração o governo que está a por isto sobre a mesa".

A experiência dos cinco meses de governação SYRIZA demonstra que ele não quer nem foi capaz de preparar o povo para uma confrontação contra o memorando e os monopólios, tanto gregos como europeus, precisamente porque não tinha orientação para a resistência e o conflito. Ao contrário, enganou o povo [dizendo] que podia abrir o caminho a mudanças favoráveis ao povo mantendo-se no interior da aliança predatória da UE.

Estes desenvolvimentos são uma expressão muito clara do fracasso da chamada "esquerda renovada" ou "esquerda governamental", da teoria de que a UE pode mudar seu carácter monopolista e anti-povo.

A linha de luta do KKE e sua posição vigorosa e firme, que rejeitou a participação em tais governos "de esquerda" que na verdade são governos de gestão burguesa, foi confirmada.

Na base desta experiência específica e da ultrapassagem da ofensiva dos mass media burgueses, os trabalhadores da Europa e de todo o mundo devem tentar descobrir a verdade e utilizar os acontecimentos na Grécia de modo a retirar conclusões úteis.

Eles deveriam examinar e estudar a linha de luta do KKE, romper a muralha da desinformação das forças burguesas e oportunistas que se preocupam com a gestão da barbárie capitalista e trabalham sistematicamente a fim de manipular os trabalhadores.

QUAL É A SITUAÇÃO REAL NA GRÉCIA? QUAL É O PAPEL REAL DO SYRIZA? QUAIS SÃO AS RESPONSABILIDADES DOS QUE O APLAUDEM?


Primeiramente, durante a crise capitalista, com as consequências penosas que a linha política anti-povo do partido liberal ND e do partido social-democrata PASOK trouxeram à classe trabalhadora e aos estratos populares, começou uma reforma extensa do sistema político burguês.

Os partidos burgueses tradicionais estavam enfraquecidos e exaustos, e o SYRIZA e a organização criminosa nazi "Aurora Dourada" foram fortalecidos.

O SYRIZA, que era um pequeno partido oportunista, rapidamente aumentou sua votação nas eleições de Junho de 2012 e venceu as eleições de Janeiro de 2015, constituindo um governo com o partido da direita nacionalista ANEL.

Ao longo deste período o SYRIZA encurralou os trabalhadores no falso esquema "memorando ? anti-memorando", ocultando o facto de que o memorando faz parte da estratégia mais geral do capital. Ele explorou o agravamento dos problemas do povo e fez promessas falsas de que aliviaria a situação dos trabalhadores e satisfaria suas reivindicações.

Neste quadro, o SYRIZA prometeu que aumentaria de imediato o salário mínimo, restauraria os acordos de negociação colectiva, aboliria o imposto sobre a propriedade, aumentaria o patamar de isenção fiscal, poria fim às privatizações, etc.

Apesar dos slogans que utilizou, na prática o SYRIZA construiu uma estratégia social-democrata e deixou claro desde o princípio que administraria o capitalismo e serviria a competitividade e lucratividade dos grupos monopolistas, implementando a estratégia da UE, à qual chamava de "nosso lar europeu comum".

Segundo. Após as eleições de 2015, o governo SYRIZA-ANEL continuou a linha política anti-povo dos governos anteriores. No dia 20 de Fevereiro assinou um acordo com a UE-BCE-FMI (Troika) e assumiu compromissos quanto ao reconhecimento e reembolso da dívida que não foi criada pelo povo, a "rejeição de acções unilaterais", a não implementação das suas promessas eleitorais e a promoção de "reestruturações capitalistas".

O governo SYRIZA-ANEL, durante as negociações que se seguiram em Bruxelas, apresentou uma série de propostas com duras medidas anti-povo, incluindo:

A manutenção do memorando e de todas as leis de aplicação do ND e do PASOK, a imposição de tributação adicional, a demolição de direitos de pensão, privatizações e outras medidas no valor de 8 mil milhões de euros a expensas do povo. Esta proposta era semelhante àquela da Troika, a qual continha medidas anti-povo no valor de 8,5 mil milhões de euros.

As confrontações nas negociações e a retirada do governo SYRIZA-ANEL numa certa fase não estão relacionadas com resistência para a defesa dos interesses do povo, como alguns no estrangeiro afirmaram sem qualquer base.

Eram os interesses dos monopólios que estavam na mesa das negociações e, sobre esta base, manifestavam-se contradições mais gerais relativas à fórmula para a gestão do capitalismo, o rumo da Eurozona e a posição da Grécia nela (incluindo a possibilidade de um Grexit), as contradições sobre hegemonia na Europa entre a Alemanha e a França, entre os EUA e a Eurozona e em particular a Alemanha.

Terceiro. Nestas condições, no sábado 27 de Junho o governo apresentou ao Parlamento uma proposta para um referendo, tentando armar uma cilada para o povo com um SIM ou NÃO ao pacote de medidas anti-povo da Troika, recusando-se a apresentar a sua própria proposta anti-povo a fim de ser julgada pelo povo.

O KKE (no parlamento) pediu que no referendo fosse colocado o seguinte:

A) A proposta da Troika.
B) A proposta do governo
C) A proposta do KKE para "DESLIGAMENTO DA UE, ABOLIÇÃO DO MEMORANDO E DE TODAS AS LEIS DE APLICAÇÃO ANTI-POVO".

O governo arbitrariamente recusou-se a colocar a proposta do KKE em votação. Seu objectivo era chantagear o povo e explorar a votação popular como aprovação à sua própria proposta que constituía um novo memorando.

O KKE resistiu, denunciou a chantagem e apresentou o seu próprio boletim de voto ao julgamento do povo:

"NÃO À PROPOSTA UE-BCE-FMI.
NÃO À PROPOSTA DO GOVERNO.
DESLIGAMENTO DA UE COM O POVO NO PODER".

Este boletim de voto foi distribuído nos lugares de trabalho, nos bairros populares, junto aos centros de votação no dia do referendo, e ao mesmo tempo o KKE conclamava o povo a resistir de todas as maneiras e exprimir sua oposição ao novo memorando.

Nas condições deste falso dilema e desta chantagem, o KKE explicou ao povo que tanto o SIM como o NÃO seriam utilizados para impor novas medidas anti-povo.

Esta decisão é uma grande herança deixada ao nosso povo para que possa continuar sua luta com base nos seus próprios interesses.

Uma secção significativa do nosso povo resistiu. Lançou na urna o boletim de voto do KKE, outros votaram em branco ou anularam o boletim de voto (mais de 350 mil, 6%). Uma secção do povo trabalhador seguiu o caminho da abstenção.

O KKE não estabeleceu um objectivo numérico para este referendo, sua postura foi uma posição de princípio, enviar uma mensagem política ao povo para não se submeter a toda chantagem, a dilemas, quer tivessem origem na troika ou no governo ou nos outros partidos políticos burgueses.

Quarto. Em 6 de Julho, um dia após o referendo, os desenvolvimentos confirmaram do modo mais característico as posições e a linha de luta do KKE e comprometeram os partidos no estrangeiro que celebraram em conjunto com o SYRIZA ou enviaram mensagens de apoio ao primeiro-ministro grego.

No dia seguinte ao referendo houve uma reunião dos líderes políticos por iniciativa do primeiro-ministro, Tsipras, com a participação do Presidente da República. Esta reunião tornou a situação ainda mais clara.

O SYRIZA, ANEL, ND, PASOK, POTAMI, isto é todo os partidos burgueses, assinaram uma declaração conjunta que entre outras coisas mencionava: "O veredicto recente do povo grego não inclui um mandato de ruptura, mas um mandato para continuar e fortalecer o esforço de alcançar um acordo socialmente justo e economicamente sustentável", confirmando que os partidos burgueses como um todo estavam prontos para assinar um acordo/novo memorando com a Troika contra o povo.

O secretário-geral do CC do KKE, cda. Dimitris Koutsoumpas discordou, tornou clara a sua posição diferente. Após a reunião dos líderes políticos declarou dentre outras coisas: "De nossa parte exprimimos claramente, mais uma vez, os pontos de vista do KKE quanto à avaliação do resultado do referendo e principalmente quanto aos enormes problemas que estão a ser experimentados pelo povo grego dentro da aliança predatória da UE, a qual tem uma linha política que agrava continuamente os impasses para o povo, o rendimento do povo, o curso do país e o curso do nosso povo como um todo.

Foi demonstrado, mais uma vez, que não pode haver negociações favoráveis ao povo e aos trabalhadores dentro dos muros da UE, dentro do caminho capitalista de desenvolvimento... Ninguém autorizou qualquer organismo a assinar novos memorandos, novas medidas para o nosso povo".

Quinto. Após o referendo o governo SYRIZA-ANEL enviou ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) um pedido para um programa de empréstimo por três anos no valor de cerca de 50 mil milhões de euros, com um novo acordo de empréstimo e um novo memorando.

Na sexta-feira 10 de Julho, o governo propôs à Troika (UE, BCE, FMI) um pacote provocador de duras medidas anti-povo com um 3º memorando no valor de mais de 12 mil milhões de euros! Isto quer dizer 4 a 5 mil milhões de euros a mais do que a proposta que estava a ser discutida antes do referendo.

No mesmo dia, na discussão no Parlamento, o governo pediu e recebeu o apoio e a autorização dos partidos burgueses, ND-PASOK-POTAMI, a fim de assinar o acordo anti-povo, o 3º memorando.

Enquanto isso, na madrugada de segunda-feira 13 de Julho, o primeiro-ministro Tsipras acordou na Cimeira da Eurozona um novo empréstimo no valor de 85 mil milhões de euros e um muito perigoso memorando anti-povo, o qual realmente esmagará qualquer coisa que tenha restado dos direitos do povo.


Aqui estão alguns exemplos característicos:

Manutenção do ENFIA, o imposto sobre a propriedade e outras duras medidas fiscais da ND e do PASOK que levaram milhões de famílias das camadas populares ao desespero e um aumento adicional das taxas de IVA, transferindo alimentos empacotados e outros ítens de consumo popular em massa para a taxa mais alta de 23%, abolição de isenções fiscais para agricultores, um aumento significativo do IVA para as ilhas, etc.

A propaganda do governo diz que aumentar impostos sobre grandes negócios e proprietários de navios não tem fundamento, que é uma gota no oceano. As isenções fiscais para os proprietários de navios e o grande capital como um todo estão a ser mantidas em vigor.

Manutenção das medidas anti-segurança social na sua totalidade, as quais reduzem pensões, aumentam a idade de reforma, isentam o patronato de contribuições para a segurança social e também a introdução de novas medidas que anulam o restante das reformas antecipadas estabelecendo uma única idade de reforma de 67 anos, abolindo os benefícios para pensionistas com pensões muitos baixas, aumentando as contribuições dos trabalhadores para a segurança social, fundindo fundos da segurança social com uma corrida para baixo em termos de direitos. Estão a ser examinadas duras medidas adicionais em nome da sustentabilidade do sistema de segurança social.

Manutenção das relações de trabalho "medievais" que prevalecem nos lugares de trabalho, congelamento de acordos colectivos, manutenção de salários reduzidos e também novas medidas adicionais anti-trabalhador em nome da adaptação às directivas da UE para a expansão de contratos individuais entre trabalhadores e patrões, reforço do trabalho em tempo parcial e temporário, relações de trabalho flexíveis.

Implementação da caixa de ferramentas da organização imperialista OCDE (a qual o governo considera ser um parceiro estratégico) que prevê a liberalização das profissões, a abolição dos feriados de domingo, etc.

Manutenção das privatizações que se efectuaram e a promoção de novas, nos portos, em 14 aeroportos regionais, nas ferrovias, na companhia que administra o gás natural, etc.

Criação de um mecanismo para hipotecar e vender a propriedade pública a fim de obter 50 mil milhões de Euros para reembolsar os empréstimos, etc.

Criação de excedentes primários de 1% em 2015, 2% em 2016, 3% em 2017, 3,5% em 2018 e a implementação de um mecanismo para automaticamente cortar salários, pensões, gastos sociais se houver divergência em relação aos objectivos orçamentais.

O governo SYRIZA-ANEL utilizou a chantagem e o dilema que a ND e o PASOK haviam utilizado a fim de convencer o povo a aceitar as medidas: um novo memorando mais duro ou a bancarrota do estado através de um grexit?

Ele repete o mesmo dilema que foi apresentado por ocasião do primeiro e segundo memorandos e todas as vezes em que uma prestação estava a ser desembolsada. Toda a vez que o povo tem de escolher o mal "menor", no fim este acaba por levar ao mal maior.

Mesmo agora, quando a linha política anti-povo do SYRIZA está completamente evidente, Tsipras ainda tenta promover falsas expectativas, afirmando que o acordo inclui um ajustamento da dívida (a qual aumentou devido ao novo empréstimo) e aos chamados "pacotes de desenvolvimento". Apesar do facto de ser bem sabido que em qualquer caso o povo pagará pela dívida e que os pacotes serão mais uma vez destinados a grandes grupos monopolistas, os quais colherão grandes lucros.

Sexto. A linha política anti-povo do SYRIZXA não se restringe apenas a estas questões mas exprime-se também na sua política externa.

O governo grego em cinco meses proporcionou apoio significativo à NATO, aos EUA, o eixo Euro-Atlântico.

Ele não só manteve como também assumiu compromissos para fortalecer as bases EUA-NATO em Suda, o centro de comando para intervenções e guerra imperialistas, Aktio (centro de radar) e também assumiu compromissos para fortalecer os centros de comando em Salónica, Larissa, etc.


O governo anunciou que em consulta com os EUA instalará uma nova base da NATO no Mar Egeu, na ilha de Carpatos.

O governo assumiu oficialmente um compromisso de disponibilizar suas forças armadas e bases militares para novas guerras imperialistas na região, a fim de enfrentar os jihadistas e "proteger as populações cristãs".

Ele participa em exercícios militares juntamente com os EUA e Israel e fortalece suas relações militares, políticas e económicas com o estado israelense que continua a ocupação e os tormentos do povo palestino.

A chamada "política multi-dimensional" com a Rússia e a China, com os BRICS, está a ser executada do ponto de vista do avanço dos interesses dos grupos monopolistas a fim de fortalecer suas posições no campo da energia, no quadro geral da competição imperialista, enredando nosso povo em novos perigos.

CONCLUSÕES IRREFUTÁVEIS

Os trabalhadores da Europa e de todo o mundo podem retirar importantes conclusões deste curso dos acontecimentos na Grécia a fim de denunciar as forças políticas que defendem o caminho de desenvolvimento capitalista e a União Europeia, a união imperialista inter-estatal.

Os homens e mulheres comunistas, os trabalhadores, devem examinar os desenvolvimentos na base dos dados reais.

Eles deveriam apreciar a posição de dúzias de Partidos Comunistas que tentam analisar os desenvolvimentos na Grécia com base em critérios de classe, mantiveram o princípio do internacionalismo proletário, contribuíram para apoiar luta do KKE, publicaram seus boletins de informação e entrevistas, escreveram seus próprios artigos e combateram contra a confusão semeada pelo SYRIZA e pelo Partido de Esquerda Europeu (PEE).

O KKE agradece às dúzias de partidos comunistas e organizações de juventude comunista de todo o mundo que exprimiram sua solidariedade de muitos modos diferentes e permaneceram ao lado da luta do nosso partido e da KNE (Juventude Comunista Grega).

Agradecemos aos trabalhadores e trabalhadoras, sindicalistas e outras organizações do movimento popular do estrangeiro que apoiam a luta do movimento com orientação de classe na Grécia.

Nosso partido continuará a travar lutas árduas e a honrar a vossa confiança.

Nas condições da forte pressão exercida pelo aparelho ideológico burguês e pela intervenção das forças oportunistas, a expressão em massa de solidariedade internacionalista é um elemento muito importante. Ela contribui para a nossa luta comum. Trata-se de uma experiência valiosa que frutificará no período seguinte.

Ao mesmo tempo, os comunistas e trabalhadores devem examinar cuidadosamente e denunciar as forças oportunistas e outras que durante todo este período ocultaram as posições do KKE e alinharam-se com o SYRIZA, embelezando a essência de classe anti-povo da sua linha política, seu carácter social-democrata.

O PEE desempenha um papel particularmente perigoso na manipulação dos trabalhadores. O Partido de Esquerda Europeu reconheceu a sua própria mutação estratégica rumo à gestão burguesa nas posições sociais-democratas do SYRIZA, as suas próprias posições favoráveis à assimilação dentro da UE.

Isto era expectável.

Este grave problema refere-se a certos PCs que reproduziram as posições do SYRIZA, apresentaram-no como força de resistência contra a UE, ocultando o facto de que este partido é um defensor da aliança predatória da UE e da NATO, um administrador da barbárie do sistema capitalista.

Estas forças saudaram o "NÃO" do referendo mas ocultaram o facto de que por trás disto estava o SIM do SYRIZA a um novo memorando, novas medidas que continuarão a sangrar o nosso povo.

Elas desinformaram ? intencionalmente ou não intencionalmente ? os trabalhadores nos seus países. Estas forças ligaram a posição do governo grego à defesa da "soberania popular", mas a realidade demonstra que o povo não pode ser soberano quando está sitiado pela chantagem das forças do capital, quando está faminto, desempregado, vítima do capitalismo e dos capitalistas que mantêm o poder e possuem os meios de produção e roubam a riqueza produzida pelos trabalhadores.

A postura destes partidos objectivamente foi contra a luta do KKE e a expensas do interesse da classe trabalhadora, das camadas populares na Grécia, em todo país, porque apoiar a nova social-democracia significa fortalecer o adversário dos trabalhadores, promove ilusões e confusão.

Não há desculpa. Eles arcam com sérias responsabilidades. Os partidos que ocultaram as posições do KKE, organizaram eventos para apoiar o SYRIZA e saudaram a social-democracia foram revelados.

Na realidade, as manifestações, como em Paris, Roma, Bruxelas, Nicósia, Lisboa e outras cidades, pouco importando quem as organizou e os slogans usados, foram utilizadas pelo SYRIZA como um álibi "de esquerda" para fortalecer a sua posição, para apresentar-se como um "salvador" e impor novas duras medidas anti-povo sobre os trabalhadores gregos.

Esta não é a primeira vez que falamos acerca destas questões. As consequências da influência oportunista nas fileiras do movimento comunista, consequências da contra-revolução, continuam a ser penosas.

Nosso partido, como é bem sabido, tem exprimido firmemente (durante muitos anos) sua solidariedade internacionalista com PCs que hoje se alinham com os seus oponentes políticos. O KKE segue uma posição de princípio e continuaremos a assim actuar.

Contudo, deve começar uma discussão no Movimento Comunista Europeu e Internacional acerca das escolhas de PCs que tomam o lado da social-democracia e dela devem ser retiradas conclusões.

Quem quer que perca a bússola revolucionária de classe será levado a administrar o capitalismo, mesmo que o nome comunista seja mantido, mesmo que haja referências formais ao socialismo.

A experiência histórica revela isto e este é o problema para certos partidos que usam a calúnia do "sectarismo" a fim de incriminar a luta revolucionária, esconder o seu próprio recuo dos princípios do marxismo-leninismo e a sua opção por administrar o sistema burguês.

Os desenvolvimentos recentes trouxeram à tona questões sérias que devem ser discutidas ainda mais.

Os partidos sociais-democratas da variedade SYRIZA e Podemos trabalham para manipular a classe trabalhadora, salvaguardar a gestão capitalista com falsos slogans de esquerda.

Na prática, o exemplo do SYRIZA demonstra mais uma vez que os chamados "governos de esquerda" são uma forma de gestão e reprodução da exploração capitalista, que eles cultivam ilusões, desarmam as forças populares e levam ao fortalecimento de forças conservadoras, para o retorno de governos de direita. Os exemplos de "governos de esquerda" em França, Itália, Chipre, Dinamarca e países da América Latina confirmam esta avaliação.

A posição que apresenta a substituição do Euro por uma divisa nacional, a exemplo do dracma na Grécia, como um desenvolvimento a favor do povo, uma posição apoiada por vários grupos de ultra-esquerda e quadros do SYRIZA que no parlamento votaram contra o 3º memorando, obscurece a situação real para os trabalhadores. A [mudança de] divisa não pode por si própria resolver favoravelmente qualquer dos problemas do povo. A exploração capitalista continuará a dominar, bem como o factor que determina o curso dos desenvolvimentos, isto é, qual classe social tem o poder e os meios de produção nas suas mãos.

A tentativa de interpretar os desenvolvimentos com posições que apresentam a Grécia como sendo uma "colónia" não tem uma base objectiva. Ela omite os objectivos e interesses da burguesia, não toma em conta o desenvolvimento capitalista desigual (uneven) e as relações desiguais (unequal) entre estados capitalistas.

A continuada participação na NATO e na UE é a posição dominante na classe burguesa e as concessões de direitos soberanos são uma escolha consciente que objectiva reforçar o capitalismo e servir os interesses dos monopólios no interior de alianças imperialistas.

Centrar toda a atenção sobre a postura da Alemanha, a tentativa de interpretar os desenvolvimentos através do prisma do "golpe de Schauble" oculta a essência da competição inter-imperialista, dos interesses que estão envolvidos no conflito.

A escolha de aliados do governo SYRIZA-ANEL, exemplo: os EUA e a França, nada tem a ver com os interesses do povo mas sim com os interesses dos grupos monopolistas, enredando nosso povo ainda mais na teia da competição imperialista.

As recentes declarações de um quadro do SYRIZA e vice-presidente do governo são características. Ele fez a seguinte referência: "Tenho de agradecer publicamente ao governo dos EUA e ao Sr. (Presidente Barack) Obama pois sem a sua ajuda e persistência em que o acordo tem de incluir a questão da dívida e o horizonte de desenvolvimento poderíamos não ter tido êxito".

A LUTA DO KKE

O KKE avançou em frente, tendo enriquecido sua estratégia na base das exigências contemporâneas da luta de classe, ultrapassando a teoria respeitante a "etapas intermediárias" na gestão do sistema explorador e as diferentes formas para a manutenção da democracia burguesa, defendendo as lei da revolução e construção socialista.

Nosso partido utilizou a linha de luta anti-capitalista ? anti-monopolista, a linha para a concentração e preparação da classe trabalhadora e forças populares para o derrube do capitalismo, para o poder dos trabalhadores e do povo, o socialismo, rejeitando a cooperação com o partido social-democrata SYRIZA e qualquer participação em governos de gestão burguesa.

Ele deu uma resposta decisiva nas eleições de 2012, continuando em condições difíceis sua luta político-ideológica e de massa independentes, com as necessidades das famílias da classe trabalhadora e estratos populares como seu critério.

Ele travou a batalha das eleições em 2015, aumentou suas forças e utiliza seu grupo parlamentar de 15 membros para destacar os problemas do povo, apresentando importantes projectos e propostas de lei, como o projecto de lei para a abolição do memorando e das leis de aplicação as quais o governo desde há cinco meses tem-se recusado a discutir no Parlamento.

Ele utiliza o seu grupo parlamentar na UE ao lado dos trabalhadores, alcançando um novo nível nas suas intervenções políticas significativas após a sua retirada do GUE/NGL, o qual foi transformado num apêndice do PEE.

A orgulhosa posição do KKE no referendo recente é uma continuação desta luta política. Esta posição revelou a linha política anti-povo do governo SYRIZA-ANEL, da Troika e dos partidos políticos burgueses que apoiam a permanência na UE "a qualquer custo", apresentando sua própria proposta ao povo.

Nosso partido intervém decisivamente nos desenvolvimentos políticos, combate contra dificuldades e deficiências e trabalha incansavelmente nos lugares de trabalho, no interior do movimento trabalhista e popular, desempenha o papel principal nas lutas da classe trabalhadora, dos agricultores, dos estratos intermediários, da juventude. Ele continua sua actividade internacionalista, fortalece suas relações com dúzias de PCs de todo o mundo e tenta discutir sua experiência com os comunistas e as principais forças da classe trabalhadora no exterior.

Estes deveres são muito sérios. O KKE centra-se em organizar a resistência dos trabalhadores contra o acordo anti-povo do governo SYRIZA-ANEL, de modo a que o nível das exigências populares seja elevado e de que se desenvolva um movimento militante para exigir de um modo maciço a recuperação das perdas e a satisfação das necessidades contemporâneas.

O movimento com orientação de classe, PAME, e os demais agrupamentos militantes estão a escalar as mobilizações de massa, estão a fazer esforços para organizar um movimento de solidariedade para apoiar aqueles que estão a sofrer devido ao desemprego e à pobreza, para apoiar os pensionistas, os trabalhadores que estão de pé nas filas junto aos bancos para receberem uma pequena parte da sua pensão ou salário devido às restrições sobre transacções bancárias.

Através de comités de luta nos lugares de trabalho, fábricas, hospitais, supermercados, serviços, através da mobilização dos "comités populares" nos bairros.

Estas são ferramentas valiosas para o fortalecimento da luta popular.

Continuaremos neste caminho e apelamos à classe trabalhadora, aos estratos populares, a adoptarem em massa e de modo decisivo a proposta política do KKE para a melhor organização possível dos trabalhadores, para o reagrupamento do movimento trabalhista, para o fortalecimento da aliança popular da classe trabalhadora com os agricultores, os outros estratos populares a fim de intensificar a luta por mudanças radicais profundas. Para a socialização dos monopólios, com planeamento científico central da economia, desligamento da UE-NATO e o desenvolvimento de relações mutuamente benéficas com outros estados e povos, com o cancelamento unilateral da dívida, com a classe trabalhadora e o povo segurando as rédeas do poder.
[*] Membro da Comissão Política do Comité Central do KKE

[NR] A figura do voto "presente" é uma especificidade do Parlamento grego. O voto "não" significa uma oposição frontal e total. O voto "presente" significa que em princípio se está contra uma proposta (um projecto de lei, por exemplo) mas que se reconhece algumas ideias úteis na mesma. De certo modo o voto "presente" é quase o equivalente à abstenção, mas não exactamente a mesma coisa.

A versão em inglês encontra-se em inter.kke.gr/en/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
31/Jul/15

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Estamos numa depressão global, não numa recessão BASENAME: canta-o-merlo-estamos-numa-depressao-global-nao-numa-recessao DATE: Mon, 27 Jul 2015 07:38:33 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

ESTAMOS NUMA DEPRESSÃO GLOBAL, NÃO NUMA RECESSÃO
http://resistir.info/

A vendas mundiais da Caterpillar estão há 31 meses em declínio consecutivo. Esta transnacional das máquinas pesadas está presente em todos os continentes e as suas vendas constituem um bom indicador do estado da economia mundial. Por ocasião do colapso de 2008 a Caterpillar experimentou um declínio consecutivo de "apenas" 18 meses. Se agora já vai nos 31 meses, será que ainda se pode falar em "recessão conjuntural"? Esta notícia na verdade mostra uma depressão na plena acepção da palavra, longa e prolongada. Contudo, o jornalismo económico português não publica notícias ou análises como esta ? só aquelas que promovam a "confiança dos mercados". Chama-se a isto desinformação por omissão.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: As simulaçons ideológicas de Francisco I, monarca vaticano BASENAME: canta-o-merlo-as-simulacons-ideologicas-de-francisco-i-monarca-vaticano DATE: Sun, 19 Jul 2015 09:03:10 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

As simulaçons ideológicas do papa Francisco

Maciek Wisniewski*

http://www.jornada.unam.mx/2014/11/07/opinion/030a2pol

Aposto que nem os spin-doctors do Vaticano imaginavam-se que o seu re-branding ia ser tam bem sucedido. Que em pouco tempo converteriam a Jorge Mário Bergondo, conservador próximo dos sectores mais reaccionários da Igreja argentina durante a dictadura, que punha paus na roda do progressismo kirchnerista, num líder mundial de esquerda.

Mas iam de vento em popa. Qualquer conservador sensível "como Bergoglio", em comparaçom com os ultraconservadores-trogloditas que dominam na Igreja post wojtyliana, parece um progressista.

Num mundo onde o centro da política moveu-se (muito) à direita, qualquer que diga algo sobre a pobreza e a injustiça já é marxista e/ou comunista (o mesmo passa com as desigualdades e o seu combate: vende-se-nos como umha demanda revolucionária; em realidade é muito conservadora).

Num mundo onde a crítica escasseia, qualquer que critique ao capitalismo tem hipótese de parecer messias de esquerda.

O truque da operaçom Francisco é que em muita parte o trabalho fazia-se só.

Isso nom quer dizer que Bergoglio nom pusesse a sua parte: despregou e manejou (quase) à perfeiçom todo o arsenal de gestos e mensagens "adrede" ambígüos; coqueteou e seduziu a círculos progressistas dentro e fora da Igreja.

Mas, se um punha atençom, em cada escintileo das suas simulaçons ideológicas viam-se, como umha sombra, o seu passado e presente conservador, e igualmente conservadores princípios reitores do seu papado:

a) Disciplina,
b) Hegemonia,
c) Cooptaçom
d) Neutralizaçom.

Velaquí alguns dos momentos "e assuntos" mais sintomáticos:

" Francisco rejeita as acusaçons da direita estadunidense de ser um marxista trás a sua crítica ligeira ao capitalismo em Evangelli Gaudium (os mesmos círculos que dizem que o debate sobre as desigualdades é comunista, enquanto é... procapitalista): A ideologia marxista está equivocada, mas conhecim a muitos marxistas boas pessoas e nom me ofendo (Página/12, 16/12/13).

Nom? Ok. Entom deveriam se ofender os marxistas.

Mas o mais problemático desta chiscadela à esquerda "fora da sua opiniom que o marxismo está equivocado (nom será um retrocesso a respeito de Joám Paulo II, que em Laborem execens dizia que este é perigoso, mas contém grao de verdade")" é a ligeireza com que Bergoglio joga "hoje" com este termo.

E ?ontem" Estivo perto das hierarquias que temiam que se fracassava a ditadura vinha o marxismo (sic). Castigava aos curas ?villeros? que o punham em prática. Aos cregos Yorio e Jalics tachou-nos de esquerdistas, entregando aos militares (digam digam-no hoje os embelecedores da sua biografia). Seguro nom se ofendêrom, mas quase perdêrom a vida.

Horacio Verbitsky: ?Hoje estes som assuntos teóricos opináveis, como o debate sobre marxismo ou a teologia da libertaçom que Bergoglio reavivou. Mas naqueles anos era questom de vida ou morte? (Página/12, 16/3/14).

" O tema da reabilitaçom da teologia da libertaçom por Francisco merece análise aparte; aqui, só dous pontos:

" Se há umha pedra de toque do sucesso das suas simulaçons é a existência de quem hoje acham que ele sempre estivo influenciado por ela, só se escondia; por outra parte, se por influência percebe-se que se lhe opunha ferozmente (vinde: o seu ?preito? com Pedro Arrupe), pois sim, estivo muito influenciado.

1. " Segue actual a análise histórica de Michael Löwy que o localizava nas antípodas desta corrente (Lê Monde, 30/3/13); os últimos meses confirmárom-no: contrariamente à teologia da libertaçom, ele opta nom polo empoderamiento dos pobres, senom o seu tutelagem ignora os seus predicamentos mais radicais, coopta o seu potencial e neutraliza o mais subversivo.

" O Papa contesta a quem o acusam de ser um Papa comunista e/ou falar como Lenine (sic!): Eu só digo que os comunistas nos roubárom a bandeira da pobreza (A Jornada, 30/6/14).

É algo que diria um colega em armas, ou um rival político de esquerda que luta pola hegemonia entre os pobres" nom será este a cerna do bonapartismo neofranciscano"

1. " O Papa durante o encontro com os movimentos populares (Vaticano, 27-29/10/14), parafraseando a Hélder Câmara: Se pedo ajudar aos pobres, dizem que som comunista (Telesur, 28/10/14).

Löwy também lembrava aquela passagem canónico (Se dou pam a um pobre, dim-me que som um santo; quando pergunto por que a gente é pobre, chamam-me comunista), mas para salientar que Bergoglio ajuda e nom fai perguntas incómodas (até a sua paráfrasis ficou curta...).

No seu enfoque nom há classe oprimida e classe opressora (algo que sim identifica a teologia da libertaçom); para ele, isso nom importa: só há que trabalhar juntos polo bem de todos.

Neste sentido é excessivo o entusiasmo de Ignacio Ramonet, que trás o encontro "ao que assistiu Evo Morais como líder cocalero" aplaudia o grande valor do Papa e o seu novo rol histórico como embandeirado solidário das luitas dos pobres do mundo (Rebelión, 30/10/14).

E mais se lembramos a análise de Rubem Dri, ex-cura terceiro-mundista: Para Bergoglio o verdadeiro rival som os governos progressistas. Mas ele sabe que nom pode chocar frontalmente com eles. Tem que actuar de maneira inteligente, desde abaixo, entre os movimentos populares (Krytyka Polityczna, 1/2/14).

Assim, aquele encontro concreta-se mais bem como a mais grande, até agora, simulaçom de Francisco. O seu acostumam é cooptar, nom cooperar; neutralizar, nom impulsar; disciplinar e meter os movimentos e governos progressistas ao seu curro.
Estes nom devem ignorar as mudanças no Vaticano, mas também nom querer subir ao papa-móvil.

Nem deixar-lhe a Bergoglio a tam almejada bandeira da pobreza (e se alguém sente confusom, que lembre a sua história).

Quando estalou a crise, Reinhard Marx, bispo de... Tréveris, aproveitando o apelido tirou um livro intitulado, claro, Das Kapital (2008) "ao que parece Piketty nom foi primeiro...", com um vago chamado a reformas.

Foi um sucesso mediático. nom de casualidade, continuando a simulaçom, o Papa incorporou-o ao seu grupo de cardeais e conselho de economia.

Confundir a Francisco com a esquerda é como confundir a Reinhard com Karl Marx.

* Jornalista polonês

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Grécia: O acordo repugnante com o IV Reich BASENAME: canta-o-merlo-grecia-o-acordo-repugnante-com-o-iv-reich DATE: Tue, 14 Jul 2015 10:44:18 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

O ACORDO REPUGNANTE COM A UE
http://resistir.info/

O acordo alcançado in extremis na madrugada de 13 de Julho é uma demonstração flagrante de que a UE nada mais tem a oferecer aos povos europeus. Ele assinala o começo do fim do euro, que arrastará a prazo o da UE. O acordo é de cumprimento impossivel, como assinalou o ex-ministro Varoufakis. Ele nem sequer contempla o problema fundamental da Grécia, a sua dívida externa impagável adquirida em condições odiosas. Ao aceitá-lo o governo SYRIZA-ANEL submeteu-se a condições mais extorsivas e humilhantes do que se o país tivesse sido derrotado numa guerra militar. As exigências do Eurogrupo fôrom inimagináveis, feitas aparentemente para serem recusadas ? mas o governo do sr. Tsipras aceitou. Um tal governo já perdeu toda e qualquer legitimidade ? terá de ser derrubado pelo povo grego.O texto (integral?) deste acordo infame pode ser visto aqui .

http://www.infogrecia.net/wp-content/uploads/2015/07/acordo12julho.pdf

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Os comunistas portugueses pedem um referendo para tirar ao país do euro e nacionalizar a banca BASENAME: canta-o-merlo-os-comunistas-portugueses-pedem-um-referendo-para-tirar-ao-pais-do-euro-e-nacionalizar-a-banca DATE: Tue, 14 Jul 2015 10:38:51 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Os comunistas portugueses pedem um referendo para tirar ao país do euro e nacionalizar a banca

http://www.elespiadigital.com/

Os cartazes que reclamam umha hipotética saída do euro podem verse nas ruas de Lisboa e O Porto desde há semanas, mas é agora quando o Partido Comunista de Portugal aproveita a conjuntura gerada polo desafio grego para incluir semelhante proposta no seu programa eleitoral para as eleições gerais de Outubro.

O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, pretende encabeçar um movimento de contestaçom à política actual do Governo de Passos Coelho reclamando um referendo no país vizinho para decidir o retorno à moeda anterior, o escudo.

Na sua opiniom, a Uniom Europeia, o IV Reich, impede o desenvolvimento de Portugal com as suas estritas receitas financeiras, ainda que nom se necessitou um segundo resgate e os prazos de devoluçom de interesses ao Fundo Monetário Internacional estám a se cumprir.

De Sousa considera que a UE é um bloco sem coesom, senom que a maioria dos membros (especialmente, os do sul do continente) limita-se a obedecer a Berlim e Bruxelas.

«O povo português tem direito a sortear esses obstáculos e condicionantes para disociar a questom do euro da integraçom. De momento, estas políticas só nos levam ao empobrecimento, assim que talvez chegou a hora de escutar aos cidadaos», manifestou a cabeça visível do PCP trás a sua reeleiçom como secretário geral o passado fim-de-semana.

O seu objectivo nom é outro que «estudar e preparar a libertaçom de Portugal da submissom ao euro porque representa a degradaçom do aparelho produtivo».

Em qualquer caso, o eventual abandono da moeda única deve basear-se em «o a respeito da vontade popular e umha cuidadosa preparaçom:, ademais da defesa dos salários e das poupanças, dos níveis de vida e dos direitos dos trabalhadores».

Como novas medidas, os comunistas solicitam o regresso ao controlo público da banca e, a partir de 2016, elevar o salário mínimo de 505 a 600 euros.

Amparam na situaçom da Grécia para proclamar que a sua posiçom é «absolutamente justa» e para assegurar de forma categórica: «O euro está vigente em Portugal desde o 1 de Janeiro de 2002 e, desde entom, ficou claro que esta adesom só pode qualificar-se como um grande erro político e financeiro».

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Grécia debaixo de sítio BASENAME: canta-o-merlo-grecia-debaixo-de-sitio DATE: Wed, 08 Jul 2015 08:17:43 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

GRÉCIA DEBAIXO DE SÍTIO

http://resistir.info/

Em tempos medievais, quando um exército pretendia conquistar uma cidade bem amuralhada punha-a debaixo de cerco. Na impossibilidade ou dificuldade de um assalto frontal às suas muralhas, tentava assim vencê-la pela fome. É de suspeitar que as tentativas do governo grego de negociar deparem-se com essa táctica ? as delongas pós referendo do Eurogrupo sugerem isso. A Grécia está a míngua. As suas caixas multibanco já pouco dinheiro têm devido à sabotagem deliberada do BCE. Os recursos para importações são escassos. Assim, tudo indica que começou o cerco. O empréstimo imediato solicitado pelo governo está no vamos ver. Quanto à reestruturação da dívida, a Troika nem quer falar nisso. Trata-se, no fundo, de uma tentativa hipócrita de por a Grécia para fora da Eurozona sem o dizer explicitamente. Assim se vê a democracia deles. Por que quer a todo o custo o governo SYRIZA-ANEL manter-se na UE?

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Rússia e China esperam a Grécia com os braços abertos BASENAME: canta-o-merlo-russia-e-china-esperam-a-grecia-com-os-bracos-abertos DATE: Tue, 07 Jul 2015 00:16:29 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

RÚSSIA E CHINA ESPERAM A GRÉCIA COM OS BRAÇOS ABERTOS

Por Manuel Freytas

O recente nom dos gregos a seguir suportando a USURA FINANCEIRA das potências centrais Europeias com Alemanha à frente precipitou umha situaçom de CRISE SEM PRECEDENTES da Uniom Europeia em diferentes frentes. E o triunfo do nom no referendo deste domingo detonou umha nova desvalorizaçom do euro e umha ALERTA VERMELHA dos mercados internacionais com umha baixa generalizada das bolsas a nível mundial.

O nom rotundo dos gregos (que triunfou por um 64 %) apontoa a posiçom da Grécia de nom PAGAR a sua dívida aos credores USURARIOS encabeçados por Alemanha e o FMI. E como efeito emergente o triunfo do nom pom a Grécia ao bordo de abandonar o euro e SAIR DA Uniom Europeia.

Também poderia declarar umha gigantesca falta de pagamento da sua dívida nas próximas semanas. De concretizar-se esta decisom, o bloco imperial EEUU-Uniom Europeia-NATO .poderia enfrentar a sua pior CRISE HISTÓRICA em directo benefício do eixo estratégico Rússia-China ao qual se INTEGRARIA a GRÉCIA se rompe com a UE. "umha Grécia despedaçada poderia voltar-se para Rússia em busca de apoio. A mudança, os helenos poderiam vetar a próxima enxurrada de sançons da UE contra Moscovo, ou mesmo oferecer-lhe as instalaçons navais que no seu dia empregaram os EEUU", assinala a agência Reuters.

No seu PIOR cenário, a possível saída da Grécia do euro e da Uniom Europeia pode potenciar três EFEITOS simultâneos:
A) Desintegraçom e dissoluçom política, económica e financeira da Uniom Europeia,
B) EFEITO CONTÁGIO a outros países, principalmente as ex naçons soviéticas do Europa do Leste, as vítimas mais vulneráveis da espoliaçom capitalista das potências centrais Europeias,
C) EFEITO DE Dissoluçom geopolítico e militar sobre a aliança EEUU-Uniom Europeia com a possível saída da NATO de países ex soviéticos que sigam o exemplo da Grécia.

Este quadro de situaçom poderia gerar umha CRISE MORTAL da estratégia geopolítica e militar da aliança USA NATO na Europa do Leste. E há umha razom de fundo que o explica. Todo o poderio do CERCO MILITAR NUCLEAR que o eixo USA NATO traçou por volta da Rússia, está em bases despregadas em ex repúblicas soviéticas que integram o dispositivo da Aliança imperial.

Por sua vez, e como resultante do nom deste domingo, umha possível aliança da Grécia com Rússia e China em procura de AJUDA ECONÓMICA E FINANCEIRA, poderia precipitar umha CRISE SEM RETORNO da aliança EEUU-Uniom Europeia-NATO. E dar um emborco impensado nas relaçons de força da GUERRA INTERCAPITALISTA. E este quadro de situaçom fai com que hoje Rússia e China ESPEREM A GRÉCIA com os braços abertos.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Grécia: Acerca do referendo-relâmpago BASENAME: canta-o-merlo-grecia-acerca-do-referendo-relampago DATE: Mon, 06 Jul 2015 18:41:05 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Acerca do referendo-relâmpago
por Dimitris Koutsoumbas [*]

Saudamos as milhares de pessoas que seguiram o apelo do KKE a não ceder à chantagem. Saudamos em particular as eleitoras e eleitores que inseriram o boletim do KKE com a sua proposta de formulação da pergunta para o referendo feita no Parlamento mas bloqueada pelo governo. Com isso, o povo foi privado do direito de votar sobre esta proposta, foi-lhe retirada a possibilidade de poder escolher entre várias propostas.

Face à pergunta parcelar e contraditória do referendo-relâmpago, parte da população conseguiu evitar a confusão, dar uma primeira resposta com boletins nulos ou brancos, ao passo que um grande número de pessoas ficaram à margem deste voto, quanto mais não fosse por causa de dificuldades financeiras e dos custos demasiado elevados dos transportes para se deslocaram aos locais de votação.

Desde a decisão tomada de organizar o referendo, constatámos, com razão, que independentemente da questão do voto, não pode haver soluções alternativas, verdadeiramente positivas para o povo, no quadro da UE, das vias capitalistas, do reconhecimento das dívidas. Todas as outras forças políticas, tanto no campo do NÃO como no do SIM apresentam soluções incluídas neste quadro. Elas encontram-se todas a defender a necessidade de se conformar às regras da UE, a defender os interesses das partes do capital que elas representam respectivamente.

Dirigimo-nos particularmente às eleitoras e eleitores que hoje votaram pelo NÃO e acreditaram que poderiam assim ser posto um fim à política de austeridade, que poderiam resistir eficazmente às medidas mais duras e ao memorando. Apelamos a todos aqueles que hoje se sentem reforçados pela vitória do NÃO a não permanecerem passivos e a não validar a tentativa do governo de transformar este NÃO num SIM para novos acordos anti-populares. Nós lhes estendemos a mão para os combates que hão de vir contra o agravamento das suas condições de vida.

Paralelamente, dirigimo-nos também às eleitoras e aos eleitores que votaram SIM sob a pressão do seu empregador, sob o medo do encerramento dos bancos, com a ideia de proteger seu salário, pensão e algumas economias. Apelamos a que reflicta de novo no seu voto, a resistir a partir de hoje às chantagens, a não deslizar para direcções conservadoras e reaccionárias, a não trazer água ao moinho dos partidos anteriormente no governo.

O governo de coligação SYRIZA-ANEL não deve poder ousar utilizar o resultado do referendo para infligir ao nosso povo novos e pesados sacrifícios, novos memorandos válidos duradouros. Os acordos que o Sr. Tsipras prometeu assinar, na base da sua proposta de três dias atrás às "três instituições", ou seja, à Troika, conduzem, com uma precisão matemática, a um novo memorando ainda pior. Ele legitima assim os memorandos anteriores, inclusive as leis que os puseram em aplicação e, ainda mais grave: não hesita em conduzir o povo para uma verdadeira falência. A outra alternativa possível, de que a Troika falou, ou seja um caminho de saída do euro, representa igualmente uma opção que atingiria somente a classe operária e as outras camadas populares.

É mais urgente e necessário que o movimento e o povo retomem maciçamente a proposta do KKE de saída da crise. As condições prévias: a socialização dos monopólios, o desligamento da UE, a denúncia unilateral da dívida, o estabelecimento de uma planificação central científica para o desenvolvimento da sociedade, para o povo, com o povo realmente no poder. O KKE estará na primeira fila de todos os combates do nosso povo no período que está para vir. Continuaremos a reforçar o carácter anti-monopolista e anti-capitalista da luta, sua junção com o KKE.

Organizemos e preparemos a resistência, a disposição para resistir na eventualidade de novos desenvolvimentos negativos. Apoiemos os mais fracos, os desprezados. Organizemos iniciativas para ajudar as famílias das camadas populares a sobreviver, com comités de acção nos lugares de trabalho, nas empresas, nos hospitais, nos supermercados, nos escritórios, com comités populares nos bairros, com grupos de solidariedade e de entre-ajuda, com grupos e comités de controle.

Nossa resposta à tentativa de polarização e divisão do povo reside na unidade da classe operária, na difusão das posições de classe no movimento, no reforço da força popular. A proposta do KKE reúne a maioria do povo no presente e para o futuro, contra o verdadeiro inimigo, a UE, o capital e sua dominação.

Atenas, 5 de Julho de 2015
Resultados finais do referendo :
NÃO: 61,31% dos votos válidos
SIM: 38,69% dos votos válidos
Nulos: 5,046%
Brancos: 0,75%
taxa de participação: 62,5%

[*] Secretário-geral do CC do KKE.

A versão em francês encontra-se em www.solidarite-internationale-pcf.fr/...

Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .
06/Jul/15

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Grécia: Ganhar a batalha, continuar a guerra BASENAME: canta-o-merlo-grecia-ganhar-a-batalha-continuar-a-guerra DATE: Sun, 05 Jul 2015 11:51:50 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://elterritoriodellince.blogspot.com.es/

Ganhar a batalha, continuar a guerra

Hoje é o dia. Hoje Grécia vota e comentei que apoio o "nom". Ocasional e consciente das circunstâncias. Há que lembrar a Protágoras quando dixo que "o homem é a medida de todas as cousas". Grécia está a optar entre o dilema de se o homem é sob medida de todas as cousas ou o é o dinheiro.

Syriza já nom tem ilusons, a gente já nom tem ilusons. Syriza é social-democrata e comportou-se como tal, aceitando todas e cada umha das propostas de "as instituiçons", antes chamadas Troika, ainda que com muito suaves matizaçons. Syriza nunca esteve disposta a jogar as duas grandes baças que tem, a saída do euro e a saída da NATO. A Troika sempre foi consciente disso, polo que actuou em conseqüência. O referendo nom é mais que a tentativa de legitimar "democraticamente" o acordo menos mau: optar entre a morte e a amputaçom. Syriza nom é que seja débil, que o é; é que elegeu ser débil, polo que agravou as dúvidas da populaçom grega.

O voto "nom" fai parte da batalha, umha batalha na que ocasionalmente há que estar junto a Syriza. Mas até aí. Se se ganha a batalha, de imediato há que continuar a guerra. Incluindo a Syriza.

Syriza poda que considere que se ganha o "nom" conta com o apoio incondicional do povo e fazer como quando um barco muda de rumo: aparentemente avança mas o que fai é traçar um círculo para voltar ao mesmo ponto onde decidiu mudar de rumo. Isso é o referendo. Syriza pode considerar, se ganha o "nom", que está legitimada para voltar onde estava quando decidiu aceitar todas e cada umha das propostas da Troika, ainda que matizando ligeiramente algumhas. Isso é o que há que impedir. Se se ganha a batalha, há que continuar para ganhar a guerra. E isso inclui combater contra Syriza e o que representa com mais coragem que até agora porque já se produziu umha derrota da Troika.

A UE tentou silenciar o relatório do FMI que reconhece que a dívida grega é impagável, que há que ir a umha tira que Syriza estabelece em 30%. É dizer, que é a própria Syriza a que estabelece o que há que pagar e o que nom, descarregando do peso da decisom a "as instituiçons". Syriza nom quer aproveitar um relatório demolidor "e haverá que analisar por que EEUU pressionou para que se conhecesse precisamente agora, antes do referendo, em contra do que pretendia a UE- para desacreditar ao FMI, ao Banco Central Europeu e à Comissom Europeia. Trás este relatório som entidades sem credibilidade algumha, se é que tinham algumha. Mas Syriza sai no seu defesa estabelecendo um tope para tira-a, a terceira parte. Só a terceira parte.

Mas é que, ademais, este relatório é determinante para Espanha, para Portugal, para a Irlanda porque pom de manifesto que todo o que se fixo, a destruiçom dos sistemas públicos de saúde, educaçom, trabalhos era perfeitamente evitável. Ao nom insistir na falta de pagamento da dívida, Syriza é corresponsável de todo isso.

Nom há outra saída que abandonar o euro. A teimosia de Syriza em seguir no euro é suicida. É garantir o desastre financeiro e económico a curto, meio e longo prazo baixo a aparência do pam para hoje ainda que seja fame para manhá. Syriza nom só é social-democrata, senom euro-fanática. Dentro da Europa há muitos países que mantem a sua moeda e nom passa nada. Nom se derrubárom nem estám na bancarrota. Inclusive Grécia poderia aprender do seu inimigo Turquia, que nom está na UE, mantém a sua moeda e cresce economicamente (nom vou entrar noutros parâmetros políticos ou económicos, senom que só menciono o mesmo que outros fam com o euro, que sem o euro seria a quebra o que nom é real em absoluto). Por exemplo, Dinamarca mantém a sua moeda, a coroa, e nom passa nada. Por exemplo, Roménia mantém a sua moeda, o leu, e nom passa nada. É mais, segundo os parâmetros capitalistas inclusive Roménia cresceu o dobro desde que está na UE enquanto que Grécia já vemos onde está com o euro. nom caíram as suas exportaçons, ao contrário.

Na zona euro só há um ganhador: Alemanha. Que os avôs e avós gregos nom podam cobrar as suas pensons deve-se unicamente a que os bancos alemáns foram salvados das perdas porque se descarregárom estas perdas nos gregos, por exemplo. Por isso Grécia deve abandonar o euro. E o mesmo vale para outros países como Espanha ou Portugal.

O Lince

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Grécia: Saída da UE, com o povo no poder BASENAME: canta-o-merlo-grecia-saida-da-ue-com-o-povo-no-poder DATE: Fri, 03 Jul 2015 06:55:56 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Grécia: Saída da UE, com o povo no poder

por Kostas Papadakis [*]
entrevistado por a odiario.info

1. Qual é a posição do KKE sobre o referendo?

Como é bem sabido, o governo do partido "de esquerda" ? e na essência social-democrata ? SYRIZA e do partido de direita nacionalista ANEL, num esforço para gerir a quebra total dos seus compromissos eleitorais, anunciou um referendo para 5 de Julho de 2015, com a única pergunta se os cidadãos estão ou não de acordo com a proposta de acordo apresentada pela UE, o FMI e o BCE e que se refere à continuação das medidas antipopulares, pela saída da crise capitalista com a Grécia no euro.

Funcionários do governo de coligação estão a apelar ao povo a que diga "Não" e deixam claro que este "Não" ao referendo será interpretado pelo governo grego como uma aprovação da sua própria proposta de acordo com a UE, o FMI, o BCE, cujas 47+8 páginas contêm igualmente medidas antipopulares e anti-operárias duras, com o fim de aumentar a rentabilidade do capital, o "crescimento" capitalista e a permanência do país no euro.

O governo SYRIZA-ANEL, que nem por um momento deixou de elogiar a UE, "a nossa casa europeia comum", o "acervo europeu", reconhece que a sua proposta é 90% idêntica à proposta da UE, do FMI, do BCE e tem muito pouco a ver com o que SYRIZA tinha prometido antes das eleições.
Juntamente com os partidos do governo de coligação (SYRIZA-ANEL) e a favor do "Não" posicionou-se o Aurora Dourada fascista, que apoiou abertamente o retorno à moeda nacional.

Por outro lado, a oposição de direita da ND e o PASOK social-democrata, que estiveram no governo até Janeiro de 2015, juntamente com o partido TO POTAMI (nominalmente de "centro" mas na essência reaccionário) posicionaram-se a favor do "Sim" às bárbaras medidas da Troika e afirmam que isto será interpretado como consentimento e "permanência na UE a qualquer custo"

Na realidade ambas as respostas levam a um "Sim" à União Europeia e à barbárie capitalista.

Durante a sessão no parlamento, em 27 de Junho, a maioria governamental de SYRIZA-ANEL rejeitou a proposta do KKE de colocar perante o julgamento do povo grego as seguintes propostas:

Não às propostas de acordo da UE, do FMI, do BCE e do governo grego
Saída da UE ? Abolição dos memorandos e de todas as leis da sua aplicação

Com a sua postura o governo mostrou que quer chantagear o povo para que este aprove a sua proposta à Troika, que é a outra face da mesma moeda. Está a pedir ao povo que aceite os seus planos antipopulares e responsabilizá-lo pelas suas novas opções antipopulares, seja através de um acordo supostamente "melhorado" com os organismos imperialistas, ou por meio de uma saída do euro e o retorno à moeda nacional, que o povo será chamado a pagar de novo.

Nestas condições, o KKE está a apelar ao povo para que utilize o referendo como uma oportunidade para reforçar a oposição à UE, para que se reforce a luta pela única saída realista da actual barbárie capitalista, que tem apenas um conteúdo: Ruptura ? Saída da UE, cancelamento unilateral da dívida, socialização dos monopólios, poder operário e popular.

O povo, com a sua acção e a sua escolha deve responder ao engano da falsa pergunta que o governo coloca e rejeitar tanto a proposta da UE, do FMI, do BCE como a proposta do governo SYRIZA-ANEL. Ambas as propostas contêm medidas antipopulares bárbaras que se acrescentarão aos memorandos e às leis da sua aplicação dos governos anteriores, da ND-PASOK. Ambas servem os interesses do capital os lucros capitalistas.

O KKE sublinha que o povo não deve escolher entre Esquila e Caribdis mas sim expressar no referendo, por todos os meios e formas, a sua oposição à UE e aos memorandos permanentes. Deve "cancelar" este dilema ao votar pela proposta do KKE.

Não à proposta da UE, FMI, e BCE
Não à proposta do governo
Saída da UE, com o povo no poder

2. Como avalia os resultados das negociações do governo grego com a Comissão Europeia?

O governo do Syriza-ANEL está há quatro meses a negociar com a troika, as "instituições", ou seja a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o FMI, mas não a favor dos interesses do povo. Trata-se de uma negociação com os credores, que é a priori antipopular, com a qual o governo está a tratar de assegurar os interesses da burguesia grega no quadro do antagonismo geral que se desenvolve entre os Estados Unidos e a Alemanha, assim como entre os países da zona euro, sobre a fórmula da gestão capitalista. Esta negociação reflecte a confrontação geral em que a burguesia grega tem como objectivo, entre outros, assegurar um superavit baixo para os próximos anos, passando capitais destinados à amortização de empréstimos para o financiamento estatal dos grupos empresarias. Com estes capitais como ferramenta tentam recuperar da crise capitalista. Portanto, os grupos empresariais e as associações (Federação de Industrias etc.) apoiam o governo que se apressou a servir os seus interesses. O acordo antipopular de 20 de Fevereiro já previa que se mantivessem as leis antipopulares do memorando aprovadas pelo ND e pelo PASOK, enquanto se preparam novas medidas antipopulares no sistema tributário, privatizações, abolição de direitos de segurança social, etc. As negociações estão a levar a um novo acordo-memorando, seja qual for o seu nome.

Portanto os interesses do povo grego não são servidos se alinharem por planos antipopulares, que aliás implicam medidas anti-laborais bárbaras; pelo contrário, é necessário lutar contra eles de modo combativo e sem passividade. O povo não é responsável pela dívida da plutocracia; nem a criou nem tem de a pagar. Contra a lógica de uma renegociação antipopular, cujo resultado o povo já pagou e estão a chamá-lo para pagar de novo, o KKE pede ao povo que exija a abolição das leis antipopulares e a recuperação das perdas dos anos anteriores, abrir caminho para o cancelamento unilateral da dívida e, ao mesmo tempo, sair da UE, com o povo no poder.

Cada trabalhador deve pensar que o SYRIZA se tinha comprometido a romper com os memorandos mas agora traz outro e mantém vigentes todas as leis do memorando. O KKE, pelo contrário, apresentou de novo em Fevereiro no Parlamento um projecto de lei para o cancelamento dos memorandos e das leis antipopulares pertinentes. Além disso, apresentou uma proposta para o restabelecimento do 13º salário e do 14.o, aplicação imediata do salário mínimo de 751? como base para aumentos ? que haviam sido abolidos pelo governo da ND e do PASOK ? aplicação obrigatória dos convénios colectivos sectoriais, etc.

3. Como estão a reagir os que votaram com o SYRIZA sobre os retrocessos perante as exigências da Comissão Europeia que invalidam as promessas feitas durante e período eleitoral? E a classe operária?

As "promessas" eleitorais do SYRIZA, o chamado programa de Tessalónica, eram migalhas que de qualquer modo não tirariam as famílias da pobreza e da miséria. Tratava-se de medidas que reciclariam a pobreza mais extrema, mesmo sob a consigna: "contra a crise humanitária", exonerando o próprio sistema capitalista, dando a entender que se trata de uma ocasião excepcional e não da própria natureza de um sistema explorador que está a apodrecer. Constituiriam mesmo os primeiros projectos de lei do governo que iam ser aprovados independentemente do resultado da negociação. Mas logo depois das eleições "o programa de Tessalónica" transformou-se de um programa de 100 dias num programa de quatro anos. Assim as promessas de restabelecer o salário mínimo passaram para um futuro longínquo e dependem do "apetite" dos próprios empregadores. Enquanto o imposto sobre bens imóveis (ENFIA) mantém-se no período próximo. Assim, os impostos existentes estão a aumentar e o povo vai pagar muito caro o aumento das taxas de IVA. Ao mesmo tempo, o 13º mês (pelo Natal) foi adiado, mesmo para os mais fracos economicamente.

O aumento do limiar de entradas isentas de tributação foi também adiado para os finais de 2016. Em contrapartida, estão a promover as privatizações de portos, aeroportos, bloquearam as reservas disponíveis dos municípios, de organismos estatais e os fundos de segurança destinados a cobrir as necessidades populares básicas. Enquanto se está a planificar o corte das pensões antecipadas e entre elas as profissões pesadas e insalubres, das mulheres trabalhadoras com filhos menores de idade, etc. Perante essa política governamental profundamente antipopular, os trabalhadores e outros sectores populares pobres que acreditaram nas esperanças que fomentaram as forças da nova social-democracia do SYRIZA, não devem ficar decepcionados mas sim tirar as conclusões políticas necessárias. Ou seja, que não existem "soluções fáceis favoráveis ao povo" quando o povo concede a responsabilidade a um governo que opera no quadro da UE e na senda do desenvolvimento capitalista. Portanto, o povo é soberano só quando possui os meios de produção, livre da UE, e pode satisfazer as suas necessidades com uma planificação científica central.

4. Como interpreta o enfraquecimento relativo da reacção popular nos últimos meses? Quais são as perspectivas para a luta de massas no futuro próximo?

Para lá da repressão e das provocações utilizadas pelos governos da ND e do PASOK nos anos da crise, um factor determinante que foi usado para enfraquecer o movimento operário e impedir o desenvolvimento da sua união e da sua orientação de classe, foi que a classe burguesa e o seu pessoal proporcionaram a ideia de que outro governo de gestão burguesa se encarregará de resolver os problemas populares e dos trabalhadores. A intenção de apresentar o governo com o SYRIZA no seu núcleo como salvador do povo provocou uma contenção grave do movimento operário. Fomentou a passividade e falsas ilusões, do que resultou que exista mesmo agora um retrocesso na luta operária e popular. Nos primeiros dias depois das eleições o novo governo tratou de por o povo a aplaudir activamente os objectivos da burguesia nas negociações antipopulares. Poucos meses depois, cada vez mais gente compartilha as advertências do KKE sobre o carácter e a missão deste governo. Uma série de mobilizações de trabalhadores não remunerados, grevistas, contratadores nos centros de trabalho são um fenómeno diário. A greve dos trabalhadores no sector da saúde, a 20 de Maio, foi um passo importante porque a situação nos hospitais estatais é explosiva dado que nem sequer têm gaze e os pacientes não só pagam caro por tudo, como ainda trazem os medicamentos de casa, materiais, etc. As mobilizações que o PAME está a organizar a 11 de Junho reclamando que não se aplique o novo acordo antipopular podem significar uma mudança na força, na combatividade do movimento operário, podem marcar um novo ponto de partida para o confronto da ofensiva do governo, da UE e do capital contra o povo, para a recuperação das perdas. A organização do seu contra-ataque para a criação de uma aliança popular forte contra os monopólios e o capitalismo.

5. As divergências no movimento comunista internacional actualmente são óbvias. A que se atribuem? Qual é a posição do KKE?

Sim, efectivamente há desacordos e divergências em assuntos-chave de importância estratégica. Mas o crucial é determinar qual é a base sólida e os critérios para os examinar. Os alicerces estão na cosmovisão marxista-leninista, nos princípios da luta de classes, na estratégia revolucionária. Só nesta base é possível fortalecer o verdadeiro carácter comunista dos partidos comunistas, conquistar a unidade da classe operária e a sua aliança com as demais camadas populares pobres, conseguir agrupar e preparar as forças trabalhadoras e populares para o derrubamento da barbárie capitalista, pelo socialismo-comunismo. De outro modo, os partidos comunistas ficam expostos ao efeito corrosivo das forças burguesas e oportunistas, ao parlamentarismo, à incorporação na gestão burguesa, às alianças sem princípios, à participação em governos de gestão burguesa sob o título de "esquerdas" "progressistas", à opção e à alienação por detrás das uniões imperialistas, a convergência com forças e formações oportunistas, como o chamado Partido da Esquerda Europeia ou a sua expressão política, GUE-NGL. A base de tudo isso é a lógica daninha de etapas entre o capitalismo e o socialismo. O etapismo, que historicamente não se confirmou em caso algum, está a embelezar o capitalismo, está a criar ilusões de que se pode humaniza-lo através da gestão burguesa, com a participação dos partidos comunistas. Este caminho levou à mutação e dissolução de partidos comunistas, por exemplo, em França, Itália, Espanha, etc. Esta percepção de "etapas", que se baseia em elaborações obsoletas do movimento comunista internacional, acalma o derrubamento do poder capitalista, o próprio socialismo, a "segunda vinda" e fragiliza a preparação da classe trabalhadora e dos seus aliados para esta tarefa monumental. Na pergunta crucial "revolução ou transformação", o etapismo opta pela transformação. O KKE quer um debate aberto e essencial entre os partidos comunistas sem etiquetas e sem aforismos sobre assuntos chave de importância estratégica para que se elabore uma estratégia revolucionária contemporânea. Cada partido é responsável por responder e justificar a sua opinião e postura.

6. Como encara o KKE a ofensiva actual do imperialismo em múltiplas frentes: Ucrânia, Médio Oriente, América Latina, China, Rússia?

Os Estados Unidos, tal como a União Europeia, a NATO e os seus governos, estão a levar a cabo planos perigosos contra os povos. O fortalecimento da articulação da UE com a NATO, assim como as intervenções imperialistas independentes da UE com a formação de um euro-exercito regular e o fortalecimento das forças militares para executar guerras e missões imperialistas pelos interesses dos monopólios, confirmam a agudização dos antagonismos pelo controlo dos mercados, das fontes e das rotas de transporte de energia. A corrida armamentista com os estandartes da NATO, os programas avançados de armamento dos chamados países emergentes como a China e a Rússia e de países do Médio Oriente, são reveladores e constituem um prelúdio perigoso da forma e dos métodos com que o sistema capitalista procura recuperar da sua crise profunda. São pura hipocrisia as alianças das potências que estão "dispostas" a actuar contra os jihadistas, que foram apoiados pela NATO, Estados Unidos e a UE, os traficantes de pessoas nos países onde a UE e seus aliados entraram a ferro e fogo em intervenções imperialistas causando enormes vagas de imigrantes.

O governo grego que subscreveu tudo isso, anunciou que vai criar uma nova base da NATO no Egeu para as necessidades da UE e da NATO e dos planos imperialistas e que disponibilizará forças armadas e bases ao serviço da NATO. Subscreveu todos os comunicados militares da UE nas cimeiras e dos ministros de assuntos exteriores e de defesa da UE, enquanto fortalece as relações políticas, económicas e militares com Israel que ataca o povo palestino. É esse o governo das "esquerdas" do SYRZA-ANEL e queremos sublinhar que as forças que se apressaram a celebrá-lo, ficaram irremediavelmente expostas.

Os povos devem intensificar a sua luta para frustrar os planos imperialistas, pelo que é necessário estar em vigilância militante. O KKE desempenha um papel essencial na luta contra a implicação da Grécia nos planos imperialistas, exige que regressem as forças militares gregas das missões euro-atlânticas ao estrangeiro, que sejam encerradas as bases dos Estados Unidos e da NATO. O KKE luta pelo afastamento da NATO e da UE, sendo o povo dono do seu destino.

7. Como vê a nova estratégia de Barack Obama sobre as relações dos Estados Unidos com Cuba?

É particularmente importante que a longa luta do povo cubano em condições muito difíceis e a mobilização mundial de solidariedade contra o bloqueio inaceitável dos Estados Unidos tenham exercido pressão sobre o governo dos Estados Unidos para discutir o seu levantamento. O mesmo acontece com a UE com a chamada Posição Comum e as sanções que impõe há anos contra Cuba. Esta pressão e este movimento mundial de solidariedade que se tem desenvolvido impulsionaram a libertação dos cinco patriotas cubanos.

Mas, não há qualquer complacência ou ilusão já que o imperialismo não deixa de utilizar tanto o engodo como o chicote com o fim de incorporar e subjugar os povos sob a sua estratégia. Por isso é necessário que a solidariedade internacional revele os ajustes da táctica do adversário para que se não apliquem os planos que o imperialismo internacional está a preparar e que se implementem através de sanções, chantagem, e ameaças ou negociações.

8. Qual a opinião do KKE sobre o chamado Socialismo do século 21 e o papel dos intelectuais de esquerda da América Latina a esse respeito? Mesmo hoje em dia, consideram como modelo os chamados governos progressistas, de esquerda, da América Latina?

Ainda hoje os chamados governos progressistas, de esquerda, da América Latina que constroem o "socialismo do séc.21" são considerados como modelo. Esta fabricação ideológica opõe-se à própria experiência popular daqueles países que estão a experimentar a política antipopular, a pobreza, a exploração enquanto os monopólios estão a enriquecer. A fabricação ideológica do "socialismo do séc. 21" reúne as diversas correntes social-democratas e oportunistas, académicos latino-americanos que garantem que falam em nome do marxismo mas distorcem-no, porque o "socialismo do séc. 21" no seu conjunto caracteriza-se pela agressividade contra o marxismo-leninismo e o movimento comunista internacional, promovendo como solução as reformas burguesas que não afectam o poder do capital. É a expressão de certas secções da burguesia, sobretudo na América Latina, que aspiram a uma melhoria do financiamento estatal para a criação de infra-estruturas, mão-de-obra especializada necessária para os monopólios ? que não estão dispostos a financiá-los ? a fim de aumentar a sua rendibilidade. Uma orientação semelhante existiu também nas décadas anteriores nos países da Europa Ocidental. Trata-se das necessidades das classes burguesas desses países para que se reforça a sua posição no antagonismo internacional. O "socialismo do séc. 21" é uma fonte de distorção do conceito do socialismo científico já que não afecta o poder burguês. É apenas uma fórmula de gestão do sistema capitalista a expensas da classe operária e das demais amadas populares de cada país.

9. Quais as razões ? em contradição com a posição de Marx sobre a extinção gradual do Estado ? para que o Estado em vez de enfraquecer estava continuamente a agigantar-se (URSS, Cuba, China)?

O estudo da experiência da construção socialista é o assunto de que o nosso partido se tem ocupado nos últimos 20 anos. Tirámos conclusões sobre os princípios da construção do socialismo através de um estudo a fundo, de um debate colectivo sobretudo da experiência da URSS, principalmente das decisões tomadas no âmbito da economia. Hoje em dia, este debate é necessário para cada partido comunista. Porque, por exemplo, é um problema e uma expressão da situação difícil do movimento comunista internacional o facto de que hoje em dia existem partidos comunistas que negam os princípios, as leis científicas da construção socialista, o poder operário, a socialização dos meios de produção, a planificação e o controlo operário e popular.

O KKE defende a necessidade da revolução socialista e os princípios da nova sociedade e, desse ponto de vista, participa no debate que está em curso no movimento comunista. Nesta perspectiva examinamos, por exemplo, os acontecimentos na China onde, segundo os dados, prevalecem as relações capitalistas de produção.

Para chegar ao ponto de falar da extinção do Estado uma pré-condição necessária é o fortalecimento das relações de produção comunistas, não o seu enfraquecimento. A experiência histórica da contra-revolução, que ainda não acabou, mostra que a tarefa de desenvolver relações comunistas de produção e distribuição requer o desenvolvimento da teoria do comunismo científico pelo partido comunista através do estudo das leis da construção socialista. A experiência mostrou que os partidos no poder, na URSS e noutros Estados socialistas, não só não tiveram êxito nessa tarefa como também sofreram a erosão do oportunismo e se transformaram em veículos da contra-revolução e da restauração do capitalismo.

10. O homem realizou conquistas destacadas no âmbito da ciência e da técnica, mas mudou muito pouco desde a Grécia e Roma, como mostram as guerras, cada vez mais cruéis, e a escalada de crimes do imperialismo. A velocidade com que o "homem velho" reapareceu para milhões na Rússia e na China, e está a aparecer em Cuba, parece mostrar que a transição do socialismo para o comunismo será muito mais lenta do que o previsto por Marx e Engels. A história desmentiu o mito do "homem novo"? Que pensam disto?

Não concordamos com essa ideia. Tudo o que afirmaram Marx e Engels, assim como Lénine, se confirmou e confirma de modo absoluto hoje em dia. A resposta à pergunta surge no próprio carácter da época inaugurada pela Grande Revolução Socialista, que é a época da transição do capitalismo para o socialismo. O capitalismo está na sua última fase imperialista. As condições materiais para a construção do socialismo estão já a amadurecer. O partido comunista deve pois ser capaz de responder com a sua estratégia e táctica para o desenvolvimento da luta de classes, ajudar a classe operária a estar consciente da sua missão histórica, a prepará-la para o confronto com o verdadeiro inimigo, ou seja a UE, os monopólios e o seu poder. A elaboração da estratégia revolucionária é a tarefa dos partidos comunistas independentemente da correlação de forças.

O objectivo é que os partidos comunistas que crêem na luta de classes e seus princípios, na necessidade histórica do derrubamento do poder burguês e na construção do socialismo-comunismo elaborem uma estratégia que cumpra com a própria razão da existência de um partido comunista: reunir forças para o confronto com o poder dos monopólios e não para a gestão e perpetuação da barbárie capitalista. O capitalismo é um sistema apodrecido e obsoleto e nenhum modo de gestão pode dar-lhe rosto humano. A luta pelo socialismo, portanto, não é uma declaração para um futuro longínquo mas um tema chave que determina todos os outros. A questão chave é como trabalha dia após dia um partido comunista para alcançar esse objectivo.
30/Junho/2015

[*] Membro do CC e eurodeputado do KKE.

O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=3692 . Tradução de Manuela Antunes.

Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Carta de Albert Einstein alertando para o fascismo sionista em Israel BASENAME: canta-o-merlo-carta-de-albert-einstein-alertando-para-o-fascismo-sionista-em-israel DATE: Thu, 02 Jul 2015 14:23:02 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Carta de Albert Einstein alertando para o fascismo sionista em Israel

? Carta enviada ao New York Times em 1948 em protesto contra a visita de Menachem Begin


por Albert Einstein
Universidade de Harvard, 4 de dezembro de 1948

Cartas ao Editor
New York Times

4 de dezembro de 1948

Aos editores do New York Times:

Entre os fenómenos políticos mais perturbadores da nossa época, está o aparecimento, no recém-criado estado de Israel, do "Partido da Liberdade" (Tnuat Haherut), um partido político muito parecido, na organização, nos métodos, na filosofia política e no apelo social, com os partidos nazis e fascistas. Formou-se a partir dos membros do antigo Irgun Zvai Leumi, uma organização terrorista, de extrema-direita e chauvinista na Palestina.

A atual visita do líder deste partido, Menachem Begin, aos Estados Unidos, é obviamente calculada para dar a impressão do apoio americano ao seu partido nas próximas eleições israelenses e para cimentar os elos políticos com os elementos sionistas conservadores nos Estados Unidos. Vários americanos de reputação nacional emprestaram os seus nomes para dar as boas-vindas a esta visita. É inconcebível que os que se opõem ao fascismo, em todo o mundo, se é que estão corretamente informados quanto ao registo político e às perspetivas de Begin, possam juntar o seu nome e apoio ao movimento que ele representa.

Antes que haja prejuízos irreparáveis, com contribuições financeiras, manifestações públicas a favor de Begin, e a criação na Palestina da impressão de que há na América um grande segmento que apoia elementos fascistas em Israel, o público americano tem que ser informado quanto ao passado e quanto aos objetivos de Begin e do seu movimento. As declarações públicas do partido de Begin não são de forma alguma indicadoras do seu verdadeiro caráter. Agora falam de liberdade, de democracia e de anti-imperialismo, mas recentemente pregavam abertamente a doutrina do estado fascista. É pelas suas ações que o partido terrorista revela o seu verdadeiro caráter; pelas suas ações do passado podemos avaliar o que podemos esperar no futuro.

Ataque a uma aldeia árabe

Um exemplo chocante foi o seu comportamento na aldeia árabe de Deir Yassin. Esta aldeia, afastada das estradas principais e rodeada de terras judaicas, não tomou parte na guerra e até lutou contra grupos árabes que queriam utilizar a aldeia como sua base. A 9 de abril (The New York Times), bandos de terroristas atacaram esta aldeia pacífica, que não era um objetivo militar no conflito, mataram a maior parte dos seus habitantes ? 240 homens, mulheres e crianças ? e deixaram vivos alguns deles para os exibirem como cativos, pelas ruas de Jerusalém. A maior parte da comunidade judaica ficou horrorizada com esta proeza e a Agência Judaica enviou um telegrama de desculpas ao Rei Abdulah da Transjordânia. Mas os terroristas, longe de se envergonharem da sua ação, ficaram orgulhosos com este massacre, deram-lhe ampla publicidade e convidaram todos os correspondentes estrangeiros no país para verem as pilhas de cadáveres e o caos em Deir Yassin. O incidente de Deir Yassin exemplifica o caráter e as ações do Partido da Liberdade.

Na comunidade judaica, têm pregado uma mistura de ultranacionalismo, misticismo religioso e superioridade racial. Tal como outros partidos fascistas, têm sido usados para furar greves e estão apostados na destruição de sindicatos livres. Em vez destes, propõem sindicatos corporativos de modelo fascista italiano. Nos últimos anos de esporádica violência antibritânica, os grupos IZL e Stern inauguraram um reinado de terror na comunidade judaica palestina. Espancaram professores que falavam contra eles, abateram adultos a tiro por não deixarem que os filhos se juntassem a eles. Com métodos de gangsters, espancamentos, destruição de montras e roubos por toda a parte, os terroristas intimidaram a população e exigiram um pesado tributo.

A gente do Partido da Liberdade não tomou parte nas ações de construção da Palestina. Não reclamaram terras, não construíram colonatos, e só denegriram a atividade defensiva judaica. Os seus esforços para a imigração, amplamente publicitados, foram mínimos e dedicados sobretudo a dar entrada a compatriotas fascistas.

Contradições observadas

As contradições entre as afirmações ousadas que Begin e o seu partido andam a fazer, e o registo do seu comportamento passado na Palestina, não têm a marca de qualquer partido político vulgar. Têm o carimbo inconfundível dum partido fascista para quem o terrorismo (contra judeus, árabes e britânicos, igualmente) e a falsidade são os meios, e o objetivo é um "Estado Líder".

À luz destas considerações, é imperativo que o nosso país tome conhecimento da verdade sobre Begin e o seu movimento. É tanto mais trágico quanto os líderes de topo do sionismo americano se recusaram a fazer campanha contra os esforços de Begin, e muito menos denunciar aos seus apaniguados os perigos para Israel do seu apoio a Begin.

Os abaixo assinados utilizam, assim, este meio para apresentar publicamente alguns factos relevantes, relativos a Begin e ao seu partido; e para apelar a todos os interessados que não apoiem esta manifestação tardia de fascismo.
Isidore Abramowitz
Hannah Arendt
Abraham Brick
Rabbi Jessurun Cardozo
Albert Einstein
Herman Eisen, M.D.
Hayim Fineman
M. Gallen, M.D.
H.H. Harris
Zelig S. Harris
Sidney Hook
Fred Karush
Bruria Kaufman
Irma L. Lindheim
Nachman Maisel
Seymour Melman
Myer D. Mendelson
M.D., Harry M. Oslinsky
Samuel Pitlick
Fritz Rohrlich
Louis P. Rocker
Ruth Sagis
Itzhak Sankowsky
I.J. Shoenberg
Samuel Shuman
M. Singer
Irma Wolfe
Stefan Wolf.

Nova Iorque, 2 de dezembro, 1948

Ver também:
Porquê o Socialismo? , Albert Einstein
"O perigo fascista e o desemprego" , Albert Einstein
Einstein, a bomba e o FBI , Jean Pestieau

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... . Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
03/Abr/15

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A Indignidade do Governo Syriza-Anel BASENAME: canta-o-merlo-a-indignidade-do-governo-syriza-anel DATE: Thu, 02 Jul 2015 09:30:39 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://resistir.info/

A INDIGNIDADE DO GOVERNO SYRIZA-ANEL

Entradas de leão, saídas de sendeiro. Mesmo após o anúncio do referendo, o governo SYRIZA-ANEL fez novas capitulações aos credores da Troika. A carta de 30 de Junho dirigida ao sr. Juncker, sra. Lagarde e sr. Draghi é um documento vergonhoso: anuncia novas cedências que o governo grego se dispõe a fazer e dá a entender que o referendo poderia ser cancelado se os três aceitassem as novas concessões.
O desespêro da fraca burguesia grega, representada pelo governo SYRIZA-ANEL, é um espectáculo degradante. Está disposta a submeter-se às maiores abjecções a fim de ter a protecção da UE e permanecer na eurozona.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Grécia - Paul Krugman: Grécia nom deve temer abandonar o euro BASENAME: canta-o-merlo-grecia-paul-krugman-grecia-nom-deve-temer-abandonar-o-euro DATE: Tue, 30 Jun 2015 17:35:28 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://actualidad.rt.com/economia/178952-grecia-nobel-economia-crisis-euro-referendum

Nobel de Economia explica "forte e claro" por que Grécia nom deve temer abandonar o euro

Partindo da base de que a criaçom do euro "foi um terrível erro", o economista Paul Krugman, ganhador do prémio Nobel em 2008, fai umha radiografia muito concreta das causas reais e os mitos que se tecem por volta da crise na Grécia. Tendo em conta que neste domingo o país vai celebrar um referendo sobre a conveniência de aceitar as exigências da Troika de reforçar, ainda mais, a austeridade, o perito deixa as cousas claras.

"A situaçom na Grécia alcançou o que parece ser um ponto sem retorno. Os bancos estám fechados temporariamente e o Governo impós controlos de capital (limites ao movimento de fundos ao estrangeiro). Parece muito provável que o Executivo logo tenha que começar a pagar as pensões e os salários em papel, o que, na prática, criaria umha moeda paralela", ressalta Krugman num artigo publicado em 'The New York Times'.

"É evidente que a criaçom do euro foi um terrível erro. Europa nunca tivo as condiçons prévias para umha moeda única de sucesso, e sobretodo, o tipo de uniom fiscal e bancária", assinala o Nobel, mas agrega que abandonar umha uniom monetária é umha decisom "bem mais difícil e mais aterradora" e ressalta que até agora as economias europeias com mais problemas deram um passo atrás quando se encontravam "ao bordo do abismo".

Grécia deve votar 'nom', e o seu Governo deve estar listo para abandonar o euro se é necessário."

"Devemos primeiro ser conscientes de que a maioria de cousas que ouvimos sobre o esbanjamento e a irresponsabilidade grega som falsas. Sim, o Governo grego estava a gastar mais ali das suas possibilidades a finais da década dos 2000. Mas, desde entom recortou repetidamente o gasto público e aumentou a arrecadaçom fiscal", ressalta o economista. Ademais, o emprego público haver caído mais de 25% e as pensões, que eram certamente demasiado generosas, reduziram-se drasticamente. Todas as medidas foram, em soma, "mais que suficientes para eliminar o deficit original e convertê-lo num amplo superavit".

O Grexit, a saída da Grécia do euro, nom é necessariamente conveniente. "O problema do Grexit foi sempre o risco de caos financeiro, de um sistema bancário bloqueado polas retiradas, represa do pânico e de um sector privado obstaculizado tanto polos problemas bancários como pola incerteza sobre o status legal das dívidas".

Mas a Troika rejeitou a opçom de manter a austeridade nos níveis actuais. Agora o ponto crave é que os credores ofereceram a Grécia um "toma-o ou deixa-o", umha oferta indistinguível das políticas do últimos cinco anos.

"Esta oferta está destinada a ser rejeitada polo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras: nom pode aceitá-la porque suporia a destruiçom da sua razom de ser política. Portanto, o seu objectivo deve ser levar-lhe a abandonar o seu cargo".

"A adesom ao ultimato da Troika levaria o abandono definitivo de qualquer pretensom de independência da Grécia. Nom nos deixemos enganar por aqueles que afirmam que os funcionários da Troika som só técnicos que explicam aos gregos ignorantes o que devem fazer. nom é umha questom de análise; é umha questom de poder: o poder dos credores para tirar do conexom da economia grega, que persistirá enquanto a saída do euro considere-se impensável".

Assim, Krugman adverte que é hora de pôr fim a este inimaginável. "De nom ser assim Grécia se enfrontara à austeridade infinita e a umha depressom de cujo final nom se tem nengumha pista".

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Grécia - O referendo de 5 de Julho e a posição do KKE BASENAME: canta-o-merlo-grecia-o-referendo-de-5-de-julho-e-a-posicao-do-kke DATE: Tue, 30 Jun 2015 17:09:51 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

O referendo de 5 de Julho e a posição do KKE

Como é bem conhecido, o governo da "esquerda" e na essência social-democrata do partido SYRIZA e a "direita" nacionalista do partido ANEL, numa tentativa de administrar a completa bancarrota dos seus compromissos pré eleitorais, anunciou um referendo para o dia 5 de Julho de 2015, sendo a única pergunta se os cidadãos concordam ou não com o acordo proposto, o qual foi posto em cima da mesa pela UE, FMI e BCE e refere-se à continuação das medidas anti-povo para uma saída da crise capitalista, com a Grécia permanecendo no euro.

Responsáveis da coligação governamental apelam ao povo para dizer "não" e tornam claro que este "não" no referendo será interpretado pelo governo grego como aprovação para a sua própria proposta de acordo com a UE, FMI, BCE, a qual, nas suas 47+8 páginas também contém duras medidas anti-povo e anti-trabalhadores, com o objectivo de aumentar a lucratividade do capital, do "crescimento" capitalista e da permanência do país no euro. Como admite o governo SYRIZA-ANEL, o qual continua a louvar a UE, "nosso lar europeu comum", a "façanha europeia", esta proposta sua é 90% idêntica à proposta da UE, FMI e BCE e tem pouco relacionamento com o que o SYRIZA prometeu antes das eleições.

O fascista Aurora Dourada, juntamente com os partidos da coligação governamental (SYRIZA-ANEL), tomaram posição a favor de um "não" e também apoiaram abertamente o retorno a uma divisa nacional.

Por outro lado, a oposição de direita ND, o social-democrata PASOK que governou até Janeiro de 2015, juntamente com o POTAMI (que constitui um partido do centro, essencialmente um partido reaccionário) tomaram posição a favor de um "sim" às medidas bárbaras da Troika, a quais, declaram eles, serão interpretadas como sendo consentimento a "permanecer na UE a todo custo".

Na realidade, ambas as respostas levam a um sim à "UE" e à barbárie capitalista.

Durante a sessão de 27/Junho do parlamento, a maioria governamental do SYRIZA-ANEL rejeitou a proposta do KKE de que as seguintes questões fossem colocadas perante o julgamento do povo grego no referendo:

NÃO ÀS PROPOSTA DE ACORDO DA UE-BCE-FMI E DO GOVERNO GREGO
DESLIGAMENTO DA UE ? ABOLIÇÃO DO MEMORANDO E TODAS AS SUAS LEIS DE APLICAÇÃO

Com esta postura, o governo demonstrou que quer chantagear o povo levando-o a aprovar a sua proposta à troika, a qual é o outro lado da mesma moeda. O que significa dizer: é pedir ao povo grego o seu consentimento para os seus planos anti-povo e para arcar com as suas novas opções anti-povo, ou através de um novo acordo alegadamente "melhorado" com as organizações imperialistas, ou através de uma saída do euro e um retorno a uma divisa nacional, algo a que o povo será chamado a pagar mais uma vez.

Nestas condições, o KKE conclama o povo a utilizar o referendo como uma oportunidade para fortalecer a oposição à UE, a fortalecer a luta pela única saída realista da barbárie capitalista de hoje. O conteúdo desta saída é: RUPTURA-DESLIGAMENTO DA UE, CANCELAMENTO UNILATERAL DA DÍVIDA, SOCIALIZAÇÃO DOS MONOPÓLIOS, PODER DOS TRABALHADORES E DO POVO.

O povo, através da sua actividade e da sua escolha no referendo, deve responder ao engano da falsa pergunta colocada pelo governo e rejeitar a proposta da UE-FMI-BCE e também a proposta do governo SYRIZA-ANEL. Ambas contêm bárbaras medidas anti-povo, as quais serão acrescentadas ao memorando e às leis de aplicação dos anteriores governos ND-PASOK. Ambos servem os interesses do capital e dos lucros capitalistas.

O KKE enfatiza que o povo não deve escolher entre Scila e Caribdis, mas deve exprimir, com todos os meios disponíveis e por todas as vias, sua oposição à UE e seu memorando permanente no referendo. Ele deve "cancelar" este dilema lançando dentro da urna eleitoral, como seu voto, a proposta do KKE como seu voto

NÃO À PROPOSTA DA UE-FMI-BCE
NÃO À PROPOSTA DO GOVERNO
DESLIGAMENTO DA UE, COM O POVO NO PODER

A versão em inglês encontra-se em inter.kke.gr/en/...

Este artigo

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Sobre a libertação da Grécia BASENAME: canta-o-merlo-sobre-a-libertacao-da-grecia DATE: Mon, 29 Jun 2015 17:25:36 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

? "A crença em que um carcereiro num campo de trabalhos forçados vai sancionar um dos prisioneiros expulsando-o desse mesmo campo é a estupidez acabada".

por João Vilela

A tentação para acharmos que o imperialismo é uma força indestrutível que tudo pode contra nós enquanto nós nada podemos contra ele constitui a base das teorias kruschevistas sobre a coexistência pacífica e, no fundo, não passa de um convite ao atentismo e à capitulação. Alguns tentam transformar este atentismo numa postura política digna, disfarçando-o (mal) de postura táctica. Já houve quem dissesse que a coexistência pacífica era ? pasme-se! ? um instrumento da luta de classes. Que belo destino teriam tido as revoluções do Vietname, de Cuba, das colónias africanas, se tal tese tivesse recebido o menor crédito.

As estruturas do imperialismo dão-lhe um enorme poder. É um facto. Mas nenhuma delas é invencível, e a crença mágica no Apocalipse que significa a libertação dos povos relativamente a elas, em termos de sanções e isolamento, é só mesmo isso ? uma crença mágica. Uma cobertura pseudo-teórica para uma atitude, objectivamente, reformista. Pode haver justificações da mais variada ordem para uma atitude reformista, reconheça-se: mas o reformismo não passa a chamar-se outra coisa por ser justificável com a conjuntura.

As estruturas do imperialismo mostraram-se cediças recentemente, com os acontecimentos da Grécia. Perante um Governo ciente da impossibilidade de cumprir seja que papel histórico for, ficou exposta uma falha nos mecanismos da dominação europeia. A arquitectura da dominação imperialista dos países da periferia pelo centro alemão é fruto de uma aposta na conservação ficcional de Estados soberanos por falta de condições para o decreto unilateral de uma qualquer República Federal Europeia. Isto criou uma brecha que agora se expôs, e que os trabalhadores gregos têm sabido cavar e alargar num esforço dramático, heróico, pela sua libertação. Esforço tanto mais importante quanto é feito quase às escuras, sob orientações contraditórias e erradas, com uma barragem ideológica de fogo cerrado provinda tanto do imperialismo como do reformismo da euro-esquerda.

O caso é simples e conta-se em poucas linhas: apostado em negociar com a Alemanha, o Syriza apanhou pela frente a irredutibilidade alemã e começou a fazer concessões sucessivamente, temendo sair do euro, temendo sair da UE, temendo a fome, a miséria, o caos, os filhos que matariam mães e os pais que almoçariam filhos se deixasse de drapejar a obscena bandeira azul com estrelinhas sobre os céus de Atenas. Perante as cedências acumuladas, a reacção dos gregos não se fez esperar, desde logo dentro do Syriza: históricos como Manolis Glezos pediram desculpas por apelar ao voto em Tsipras; membros do Comité Central do Syriza, como Stathis Kouvelakis, vieram referir que de há muito vinham sendo denunciadas as ilusões europeístas da direcção de Tsipras; enquanto isso, o movimento sindical de classe da Grécia, organizado na central PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores), desenvolveu uma avassaladora ofensiva popular contra a capitulação do Syriza. Contam por dezenas as manifestações, as greves, com especial incidência no sector da saúde e da indústria; foram desenvolvidas formas de luta cada vez mais avançadas, de que a ocupação do Ministério das Finanças no passado dia 13 de Junho constituiu um exemplo importante. Ao mesmo tempo, é justo referir aqui o papel desempenhado por outra estrutura anticapitalista grega, a Conspiração das Células de Fogo, de raiz anarco-sindicalista, que invadiu e ocupou a sede nacional do Syriza e cujos activistas, em Abril, cercaram e procuraram agredir o ministro das Finanças, Yannis Varoufakis, à saída de um restaurante em Atenas.

Ante esta reacção popular abrupta e determinada, o Syriza não pôde prosseguir a senda de concessões e cedências com que iniciou o seu mandato. Teve de mudar de estratégia, e agir como se estivesse a fazer músculo perante as instituições europeias. A resposta destas foi uma ameaça de expulsão, ameaça que a não ser na cabeça dos Franciscos Louçãs deste mundo não cabe na cabeça de ninguém: a crença em que um carcereiro num campo de trabalhos forçados vai sancionar um dos prisioneiros expulsando-o desse mesmo campo é a estupidez acabada. A ameaça (que põe o Syriza em guarda e provavelmente assusta uma parte dos trabalhadores gregos, apesar de tudo intoxicados pela propaganda do "a UE ou o caos"), é estúpida, como se vê, e exprime o limite material que a UE encontrou para continuar a espoliar o povo grego dentro da actual configuração do sistema. Mas nem por isso deixou de desencadear uma série de protestos por toda a Europa exigindo solidariedade europeia para com os gregos e... a refundação do projecto europeu, depurado da austeridade, e posto ao serviço dos povos...

Se queremos ser solidários com os gregos, não podemos dizer-lhe que fiquem no campo de prisioneiros connosco, assegurando-lhe que usaremos toda a nossa influência junto dos carcereiros do sítio para obter melhor tratamento para eles. Se conseguiram fazer uma pequena abertura na parede da sua cela, aproveitando uma debilidade da estrutura, o incentivo a dar-lhes é o de que continuem a alargar esse buraco, a cavar essa brecha, a alargar o caminho por onde passarão rumo à liberdade deste pesadelo prisional que a UE significa. Se não querem troika, libertem-se. Se não querem tratado orçamental, libertem-se. Se não querem austeridade, libertem-se. Aqueles que cá ficarem, por teimosia ou dolo dos seus Governos, nunca se livrarão de tal coisa, e é ridículo se se convencerem do contrário.

Isto coloca duas tarefas centrais aos trabalhadores gregos e às suas organizações na luta por uma efectiva ruptura anti-imperialista: a primeira é a compreensão de que esta debilidade estrutural da arquitectura da UE não um erro insanável, mas apenas um percalço da estrutura, facilmente resolúvel da forma como, usualmente, quer os Estados quer as organizações internacionais da burguesia geralmente resolvem estes assuntos ? ou com golpes de Estado a favor de quem manda contra o Governo que hesita, ou com invasões liminares e imposição da vontade do centro imperialista. A segunda hipótese pode ser mais improvável, mas a primeira, por mecanismos mais ou menos palacianos, tem campo aberto para ser aplicada. As massas devem ter organização, capacidade de mobilização de massas, de tomar as ruas, de enfrentar a repressão ? mas o seu objectivo histórico não é resistir. A missão histórica do proletariado é tomar o poder e edificar o socialismo e o comunismo. O momento em que o proletariado grego ou se lança no assalto dos céus ou é cilindrado pelo aparelho repressivo está a aproximar-se a passos largos, e é vital que as estruturas que o representam e lideram comecem desde já acautelar essa situação.

Um outro ponto prende-se com o dia seguinte, o tal dia em que, a fazer fé nas previsões de Merkel e Juncker, de Rui Machete e Nuno Rogeiro, o trigo crescerá para dentro da terra nos campos gregos, as árvores recusarão entregar os seus frutos, e as crianças se negarão a sair dos ventres maternos com medo desse mundo estranho com passaportes e sem quotas leiteiras. Até Tsipras já percebeu, embora o faça apenas por jogos florentinos (a faixa do Syriza, que corre mundo nos protestos de solidariedade promovidos pelos outros partidos-membros do Partido da Esquerda Europeia, onde se lê "Change Europe", diz tudo o que cumpre saber sobre a convicção da diligência), que a saída, após a UE, será um dos BRICs, e naturalmente a Rússia. Um projecto socialista e anti-imperialista pode manter relações, tácticas e à falta de melhor aliado, com uma potência capitalista cujas relações com outros Estados não se pautam propriamente por um respeito escrupuloso pela reciprocidade e a não-ingerência. Contanto saiba conservar a sua própria autonomia e soberania, desenvolvendo-a progressivamente, e contrapondo-a sempre a quaisquer pretensões hegemónicas que o novo aliado revele. Será sempre um trajecto difícil, complexo, cheio de espinhos e novidades difíceis de ponderar, o que a Grécia vai trilhar quando sair da União Europeia. Nunca se disse que o caminho para a libertação não tinha perigos, convivendo com grandes possibilidades. Tudo o que se sabe sobre esse caminho é que tem um horizonte vermelho. E isso, para os explorados e os oprimidos, chega.
22/Junho/2015

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Grécia: Fim da chantagem BASENAME: canta-o-merlo-grecia-fim-da-chantagem DATE: Mon, 29 Jun 2015 13:47:15 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Grécia: Fim da chantagem

Alexis Tsipras, "Discurso do Referendum", Atenas, 1h da madrugada - Concidadãos gregos, nesse momento pesa sobre nossos ombros a responsabilidade histórica pelas lutas e sacrifícios do povo grego para consolidar a democracia e a soberania nacional. Nossa responsabilidade pelo futuro de nosso país.

Aos cidadãos gregos

Já há seis meses estamos batalhando em condições sem precedentes de sufocamento econômico para implementar o mandato que recebemos dos cidadãos gregos dia 25 de janeiro.

O que estivemos negociando com nossos parceiros era pôr fim ao arrocho [não é 'austeridade', é arrocho] e fazer que a prosperidade e a justiça social voltassem ao nosso país.

Recebemos mandato para obter acordo sustentável que respeitasse simultaneamente a democracia e as regras comuns europeias e nos levasse afinal a sair da crise.

Ao longo desse período de negociações, nos pediram que implementássemos os acordos concluídos por governos anteriores com os Memorandos, apesar de eles já terem sido categoricamente condenados pelo povo grego nas recentes eleições.

Mas nem por um segundo consideramos a possibilidade de nos render, que é trair a confiança dos gregos.

Depois de cinco meses de dura barganha, nossos parceiros, infelizmente, lançaram no Eurogrupo, anteontem, um ultimato contra a democracia grega e o povo grego. Ultimato que contraria os princípios fundadores e os valores da Europa, os valores de nosso projeto europeu comum.

Disseram ao governo grego que teríamos de aceitar uma proposta que acumula nova carga insustentável para o povo grego e mina a recuperação da economia e da sociedade gregas, proposta que não apenas perpetua o estado de incerteza, mas acentua ainda mais as desigualdades sociais.

A proposta das instituições inclui: medidas para desregulação ainda maior do mercado de trabalho, cortes em aposentadorias, mais reduções nos salários do setor público e aumento do Imposto sobre Valor Agregado sobre comida, hospedagem e turismo, ao mesmo tempo em que se eliminam as vantagens tributárias que as ilhas gregas recebem.

Essas propostas violam diretamente os direitos sociais e fundamentais europeus: mostram que, no que tenha a ver com trabalho, igualdade e dignidade, a meta de alguns dos parceiros e instituições não qualquer acordo viável e benéfico para todas as partes, mas a humilhação de todo o povo grego.

Aquelas propostas destacam sobretudo a insistência do FMI em fórmulas do arrocho mais duro e punitivo e em tornar mais fácil do que jamais, para as grandes potências europeias colher a oportunidade e tomar iniciativas que afinal terminarão definitivamente com a crise da dívida soberana grega, crise que afeta outros países europeus e ameaça o próprio futuro da integração europeia.

Concidadãos gregos, nesse momento pesa sobre nossos ombros a responsabilidade histórica pelas lutas e sacrifícios do povo grego para consolidar a democracia e a soberania nacional. Nossa responsabilidade pelo futuro de nosso país.

E essa responsabilidade exige que respondamos àquele ultimato a partir do desejo soberano do povo grego.

Há pouco, em reunião do gabinete, sugeri que façamos um REFERENDUM de modo que o povo grego possa se manifestar de modo soberano. A sugestão foi aceita unanimemente.

Amanhã, a Câmara de Representantes será convocada em regime de urgência para apreciar a proposta do Gabinete, de que se realize um referendum no próximo domingo, 5 de julho, sobre se aceitamos ou rejeitamos a proposta que as instituições nos apresentaram.

Já dei conhecimento de minha decisão ao presidente da França, à chanceler alemã, ao presidente do Banco Central Europeu, e amanhã, por carta, solicitarei formalmente que os líderes e instituições da UE prorroguem por apenas uns poucos dias o atual programa, de modo a que o povo grego decida, livre de qualquer pressão ou chantagem, como exigem a Constituição grega e as tradições democráticas da Europa.

Concidadãos gregos,

à chantagem do ultimato que quer nos fazer aceitar arrocho [não é 'austeridade'; é arrocho] severo e degradante sem fim, sem qualquer possibilidade de recuperação social e econômica, peço que todos respondam de modo soberano e honroso, como o exige a história do povo grego.

Ao autoritarismo e ao arrocho, responderemos com democracia, decididamente e com calma.

A Grécia, berço da democracia, dará retumbante resposta democrática à Europa e ao mundo.

Pessoalmente me comprometo a respeitar o resultado de nossa escolha democrática, seja qual for. Tenho confiança absoluta de que a escolha da maioria honrará a história de nosso país e enviará ao mundo nossa mensagem de dignidade.

Nesses momentos críticos, todos temos de lembrar que a Europa é o lar comum dos povos. Que na Europa não há proprietários e hóspedes. A Grécia é continuará a ser parte integral da Europa e a Europa é parte integral da Grécia. Mas sem democracia, a Europa será amontoado de países sem identidade e sem bússola.

Convoco todos a manifestarem, em calma, nossa unidade nacional, para que tomemos as decisões certas. Por nós, pelas gerações futuras, pela história dos gregos. Pela soberania e dignidade de nosso povo. [Fim do discurso]

27/6/2015, Alexis Tsipras, "Discurso do Referendum", Atenas, 1h da madrugada
Jacobin Magazin (trad. ao ing. e links de Stathis Kouvelakis*)

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Grécia - Não à continuação da bancarrota do povo BASENAME: canta-o-merlo-grecia-nao-a-continuacao-da-bancarrota-do-povo DATE: Mon, 29 Jun 2015 12:27:05 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

O KKE efectuou manifestações em massa em 26 de Junho de 2015 nas principais cidades da Grécia contra as novas medidas e acordos anti-povo com os prestamistas, os quais estão a ser preparados pelo governo SYRIZA-ANEL.

O secretário-geral do CC do KKE, D. Koutsoumpas, afirmou, dentro outras coisas, no seu discurso na praça central de Atenas:

"O povo grego deve dizer um grande NÃO ao acordo, NÃO à continuação da sua própria bancarrota, NÃO aos partidos da via única da UE e do poder capitalista. Ele deve traçar uma rota de modo a que possa realmente tomar as rédeas do poder.

O povo deve lutar ao lado do KKE, deve impedir as medidas anti-povo, nas ruas nos lugares de trabalho.

O SYRIZA tornou-se governo através do sequestro das exigências do povo trabalhador. Ele está agora a tentar enganar o povo mais uma vez, distorcendo e interpretando os votos do povo de acordo com os seus interesses.

Cinco meses após as eleições, o governo está a preparar-se para enviar ao povo a factura com as medidas do novo acordo que são verdadeiramente um nó corrediço em torno dos pescoços das famílias dos estratos populares que sangraram e continuarão a sangrar por cauda dívida, por causa da UE, por causa da lucratividade dos monopólios, se não começarem um contra-ataque seguindo o caminho da ruptura e do conflito com a UE e os monopólios.

O povo grego deve rejeitar tanto as propostas das "três instituições" prestamistas como as propostas do governo Tsipras de 47+8 páginas, ambas são bárbaras, uma guilhotina para o povo.

O governo SYRIZA-ANEL e também seus parceiros europeus e o FMI, com a intervenção dos EUA, não abandonaram os esforços para salvar a Grécia capitalista dentro da estrutura da UE capitalista".

Nas primeiras horas da manhã de 27 de Junho, o primeiro-ministro A. Tsipras anunciou um referendo, cuja pergunta será se o povo aceita as propostas dos prestamistas ou não.

Numa intervenção durante o programa da estação Mega TV, pouco após o discurso do primeiro-ministro, Yiannis Gkiokas, membro do CC do KKE e responsável pelo seu Gabinete de Imprensa enfatizou que:

"A posição do KKE é clara. O NÃO do povo grego deve ser dirigido em conjunto a ambas as propostas ? às propostas dos prestamistas e também às propostas do governo com 47 páginas que tiveram pormenores acrescentados durante todo este período.

Ambas as propostas contêm medidas selvagens a expensas do povo.

O referendo tem as características de chantagem contra o povo e pretende torná-lo cúmplice dos seus planos anti-povo, conclamando-o a escolher entre dois males.

O governo deve cessar de contar contos de fada acerca de alegadamente respeitar a vontade do povo. O povo lutou e sangrou nos anos anteriores contra o memorando e as leis que o aplicavam. E durante estes cinco meses, o governo não aboliu qualquer lei, manteve a estrutura anterior intacta e está também a propor novas medidas aos prestamistas.

Não à continuação da bancarrota do povo

por KKE

O governo diz que as propostas dos prestamistas ultrapassam o mandato popular. Estarão as suas próprias propostas dentro das fronteiras do mandato popular?

O governo contou mentiras ao povo grego. Ele prometeu-lhe que podia libertar-se do memorando e da austeridade dentro da UE e do caminho do desenvolvimento capitalista e agora está a tentar administrar o colapso desta narrativa pré eleitoral.

O povo deve dizer não a ambas de todas as formas e utilizando todos os meios disponíveis. Deve rejeitar o plano dos credores e também o plano do governo. Deve levantar-se e combater pela única solução realista para os seus próprios interesses, a qual é a ruptura com a UE e com o actual caminho de desenvolvimento".
27/Junho/2015

O original encontra-se em inter.kke.gr/en/articles/KKE-NO-to-the-continuing-bankruptcy-of-the-people/

Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Terrorismo financeiro & Referendo grego BASENAME: canta-o-merlo-terrorismo-financeiro-aamp-referendo-grego DATE: Sat, 27 Jun 2015 10:39:18 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

TERRORISMO FINANCEIRO & REFERENDO GREGO

Ao invés de dizer um não rotundo e claro ao terrorismo financeiro da Troika para com o povo grego, o governo Syriza-ANEL saiu-se dia 26 de Junho com mais uma das suas piruetas: Anuncia que vai organizar um referendo no dia 5 de Julho quanto às propostas chantagistas das três "instituições" (FMI, BCE e Comissão Europeia). O governo Syriza-ANEL demite-se assim das suas responsabilidades. Ao longo de cinco meses ele cedeu a quase todas as exigências da Troika, uns 90 por cento delas. Mas agora finge-se envergonhado em capitular nas exigências finais e sai-se com este expediente pseudo-democrático numa tentativa de transferir para outros o odioso das suas cedências. Este referendo até pode ser democrático, mas as condições em que o povo grego irá votar ? com a corda no pescoço ? nada têm de democráticas. Nestes cinco meses de conversações o governo Syriza-ANEL não se preparou nem preparou o povo grego para a necessária ruptura com a Troika ? confiou na benevolência da Troika, mas esta marimbou-se para o sr. Tsipras.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O debate sobre o acordo ortográfico que obrigou a uma ata (e a uma acta) da CPLP com duas grafias BASENAME: canta-o-merlo-o-debate-sobre-o-acordo-ortografico-que-obrigou-a-uma-ata-e-a-uma-acta-da-cplp-com-duas-grafias DATE: Thu, 25 Jun 2015 13:44:56 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

O debate sobre o acordo ortográfico que obrigou a uma ata (e a uma acta) da CPLP com duas grafias

23.06.2015

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-06-23-O-debate-sobre-o-acordo-ortografico-que-obrigou-a-uma-ata--e-a-uma-acta--da-CPLP-com-duas-grafias

Jose Carlos Carvalho

O acordo ortográfico tirou o ?C? de ?ata? e uma reunião oficial e de alto nível discutiu a eventualidade de se confundir a ata - o documento oficial - com o ato de atar pessoas. Portugal manifestou-se contra a existência de uma ata na grafia pré-acordo, Angola a favor: ?Quando a forma ortográfica muda, as palavras não significam a mesma coisa?, defendeu um governante angolano

Exigências de Angola e Moçambique sobre o Acordo Ortográfico (AO) obrigaram à alteração da ata final da XIV Conferência dos Ministros da Justiça da CPLP, em Díli, para incluir, ao longo de todo o texto, as duas grafias.

Esta foi a solução encontrada depois de um debate que incluiu referências múltiplas à "língua de Camões" e até a análise etimológica da palavra "ata", que o representante da Guiné-Bissau disse poder suscitar uma interpretação alternativa "de atar pessoas".

A solução, proposta pelo ministro da Justiça de Cabo Verde, foi necessária para evitar a alternativa defendida inicialmente pelos representantes de Angola e Moçambique: duas atas, uma na grafia do AO e outra na grafia pré-AO.

Essa posição foi rejeitada por Portugal, Cabo Verde, Brasil e São Tomé e Príncipe, que consideraram que essa alternativa não faria sentido numa comunidade que fala a mesma língua, sendo prejudicial porque daria 'armas' aos que contestam a CPLP.

O representante do secretariado executivo da CPLP recordou, por seu lado, que o critério usado até aqui nas cimeiras de Chefes de Estado e de Governo e nos encontros setoriais da comunidade tem sido de recorrer à grafia usada no país onde decorre a reunião.

Nesse caso, e a manter-se esse critério, a ata final da reunião de Díli seria feita com a grafia do AO, que já foi ratificado por Timor-Leste.

A polémica marcou a sessão de encerramento da XIV Conferência quando os representantes nacionais se preparavam para aprovar o texto das 17 páginas da ata final do encontro, que passou a incluir a grafia do AO como base e a grafia pré-AO entre parenteses.

O debate começou quando estava para ser lida a ata final, tendo o secretário de Estado dos Direitos Humanos angolano, António Bento Bembe, afirmado que Angola ainda não tinha ratificado o AO, questionando por isso o seu uso no texto.

"A questão aqui não é como falamos, mas como escrevemos. Quando a forma ortográfica muda, as palavras não significam a mesma coisa", disse António Bento Bembe.

"Uma vez que se chega a este acordo na base do consenso, não posso assinar este documento que não está escrito da forma que se fala em Angola. Camões não escreveu assim", disse.

A posição foi ecoada pelo ministro da Justiça de Moçambique, Abdurremane Lino de Almeida, e pelo representante da Guiné-Bissau, tendo o secretário de Estado da Justiça português, António Manuel da Costa Moura, afirmando que a decisão deveria caber a Timor-Leste, já que a ata foi escrita em Díli.

"Ter duas atas seria um prato de lentilhas para quem quisesse explorar divergências sobre a língua numa comunidade que fala português. Percebo a questão e tenho até uma opinião pessoal. Mas ter duas versões de uma mesma língua, de uma reunião, de uma comunidade, que fala uma língua não será muito boa ideia", disse Costa Moura.

Também o ministro da Justiça de Cabo Verde, José Carlos Lopes, e o de São Tomé e Príncipe, Roberto Pedro Raposo, questionaram a opção das duas atas, propondo um voto ou a definição, pela presidência, do critério a seguir.

"Independente do respeito que tenho pelas pessoas que ainda não ratificaram o AO, ter duas atas é contraditório. Falamos a mesma língua", disse Raposo, sugerindo que a ata incluísse uma nota a recordar os países que ainda não ratificaram o AO.

Guiné-Bissau, Angola e Moçambique manifestaram a sua oposição à versão com AO, insistindo que o documento "tem que ser apreciado superiormente", com o responsável moçambicano a referir casos, no passado, em que responsáveis governativos devolveram documentos "mal escritos" porque vinham na grafia do AO.

"Conhecendo esta realidade, não posso levar isto, este documento escrito assim. Se prevalece a assinatura da ata, que seja de acordo com a velha língua portuguesa - não temos como apresentar isso às autoridades", disse Abdurremane Lino de Almeida.

Depois de um debate de quase 30 minutos, o impasse acabou por ser resolvido com uma solução invulgar: duas grafias no mesmo texto, ignorando apelos dos que, como o representante do Brasil, recordaram que no passado sempre houve só uma ata. "Até no recente encontro dos ministros da Educação", disse Isulino Giacometi Junior, representante brasileiro.

A ata acabou por referir, no seu próprio texto, a oposição de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique à grafia do texto e a decisão, depois de debate, "que se aplicariam ambos os critérios em simultâneo".

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: "O plano de ajuda à Grécia era ilegal e ilegítimo" BASENAME: canta-o-merlo-o-plano-de-ajuda-a-grecia-era-ilegal-e-ilegitimo DATE: Wed, 24 Jun 2015 13:42:53 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

"O plano de ajuda à Grécia era ilegal e ilegítimo"

por Dominique Berns e Eric Toussaint [*]
entrevistados por Le Soir

Enquanto as negociações entre a Grécia e seus credores estão no ponto morto, a Comissão de auditoria da dívida, estabelecida pelo Parlamento grego, revela seu relatório nesta quarta e quinta-feira. O alvo: o "plano de salvamento" de Maio de 2010, concluído em condições "de irregularidade, de ilegitimidade e de ilegalidade", explica o coordenador científico da Comissão, o economista belga Eric Toussaint.

A Comissão de auditoria denuncia o "plano de salvamento" de Maio de 2010. Por que?

Porque há uma vontade conjunta do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Central Europeu (BCE), da Comissão, em acordo com vários governos chave, em particular o alemão e o francês, e do governo grego, de deformar a realidade e de apresentar a situação como resultante de uma crise grave das finanças públicas. Era entretanto a dívida privada que colocava o problema fundamental. Uma vez no euro, a Grécia e o sistema financeiro grego beneficiaram maciçamente de empréstimos dos grandes bancos, essencialmente franceses e alemães. Seguiu-se uma bolha do crédito privado. Entre 2001 e 2009, os empréstimos dos bancos gregos às famílias multiplicaram-se por sete e os empréstimos às empresas por quatro; ao passo que os empréstimos aos poderes públicos aumentavam somente 20%. Os bancos gregos efectuaram uma política aventureira, emprestando a médio e longo prazos e financiando-se a curto prazo. Em Dezembro de 2008, as autoridades gregas tiveram de injectar 5 mil milhões de euros de capitais no sistema bancário e conceder 23 mil milhões de garantias. Depois, em 2009, o PIB da Grécia caiu 4%; e agentes económicos, famílias e empresas começaram a encontrar dificuldades de reembolso. Em lugar de enfrentar a situação, o novo governo do sr. Papandreu optou por dramatizar a situação das finanças públicas.

Pouco após sua chegada ao poder, Papandreu anuncia que o défice público representava cerca de 14% do PIB ? e não 6% como afirmava seu antecessor...

O governo Papandreu fez pressão sobre o Gabinete Grego das Estatísticas para agravar os números do défice e da dívida. A dívida foi assim inchada em 28 mil milhões, nela contabilizando 19 mil milhões de dívidas de empresas públicas, 4 mil milhões de despesas em medicamentos de hospitais e 5 mil milhões e swaps. Inicialmente, a direcção do Gabinete das Estatísticas contestava a integração destes montantes. O Eurostat, o gabinete europeu de estatística, igualmente. Depois o Eurostat aceitou. Ora, as regras do Eurostat não obrigavam a integrar estes 28 mil milhões na dívida. Dramatizar a situação das finanças públicas permitia ocultar os problemas bancários.

Para evitar impor perdas aos credores estrangeiros dos bancos gregos?

Sim. Assim como se afastou a possibilidade de uma reestruturação da dívida pública...

... Novamente para proteger os grandes bancos estrangeiros e lhes dar tempo para reduzir sua exposição. Isto é conhecido.

O ex-representante grego no FMI, Panayotis Roumeliotis, informou-nos que Jean-Claude Trichet, o [então] presidente do BCE, ameaçou Atenas de cortar a liquidez aos bancos gregos a partir de Abril de 2010 em caso de reestruturação. Os bancos gregos aproveitaram igualmente deste adiamento: entre 2010 e a reestruturação de Fevereiro-Março de 2010, sua exposição à dívida grega passou de 43 mil milhões para pouco de 20 mil milhões. Compreende-se porque tanto o sr. Papandreu como os srs. Trichet e Sarkosy, a sra. Merkel e a direcção do FMI se puseram de acordo em 2010 para excluir toda reestruturação da dívida. Ora, num documento interno de Março de 2010, o FMI espera que as medidas de ajustamento que vão ser impostas à Grécia provoquem uma queda da actividade económica e uma explosão do rácio da dívida pública em relação ao PIB de 150% em 2013. Problema: as regras não permitem ao FMI autorizar um país a exercer um direito de saque se a dívida não for sustentável. Eis porque estas regras foram mudadas, sob a pressão de países como a França ou a Alemanha, do BCE, da Comissão, com o acordo dos Estados Unidos. Portanto foi tomada uma decisão visando proteger os interesses de uma minoria privilegiada de grandes bancos privados, em detrimento do interesse geral. E como contrapartida a estes empréstimos maciços que transformaram dívidas privadas em dívidas públicas, foram ditadas aos sucessivos governos gregos medidas extremamente precisas em matérias de pensões, de salários, etc, que deviam ser aprovadas a mata-cavalos no Parlamento grego. Ora, os credores estavam conscientes das graves consequências económicas e sociais que estas medida iam provocar ? nomeadamente a violação de uma série de convenções internacionais protegendo os direitos humanos, que a Grécia assim como os Estados credores teriam devido respeitar.

Qual pode ser a utilidade deste relatório?

O direito internacional permite a um Estado colocar um acto soberano de suspensão de pagamento sem acumulação de juros atrasados ? portanto uma moratória unilateral ? se a dívida estiver claramente marcada por ilegitimidade e se não puder ser reembolsada senão violando as obrigações em matéria de direitos humanos fundamentais. Mas a decisão caberá ao governo de Alexis Tsipras.

[*] Eric Toussaint: Mestre de conferências da Universidade de Liège, presidente do CADTM Bélgica e membro do conselho científico do ATTAC França.

Ver também:
La dette grecque est illégale, illégitime et odieuse selon le rapport préliminaire du Comité sur la dette
Hellenic Parliament?s Debt Truth Committee Preliminary Findings - Executive Summary of the report

O original encontra-se no jornal Le Soir de 17/Junho/15 e em cadtm.org/Le-plan-d-aide-a-la-Grece-etait

Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Grécia-Capitulaçao Abjecta BASENAME: canta-o-merlo-grecia-capitulacao-abjecta DATE: Wed, 24 Jun 2015 10:01:16 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://resistir.info/

CAPITULAÇÃO ABJECTA

As cedências do governo grego chegaram agora à abjecção. Ele já rasteja frente à troika. Num acto de vassalagem, no dia 23 de Junho foram anunciadas novas propostas do governo SYRIZA-ANEL de medidas gravosas contra o povo. "Sentimo-nost traídos, este governo continua a política de degola imposta pelos seus antecessores. Ele propõe incontáveis novos impostos directos e indirectos a serem suportados pelo povo", afirmou Manolia Rallakis, secretário-geral da federação dos pensionistas gregos. As pensões anteriormente haviam sido cortados entre 60 e 40 por cento e agora o governo SYRIZA-ANEL propõe a Bruxelas ainda mais encargos adicionais sobre cuidados de saúde e serviços.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Grécia: Todos às ruas! BASENAME: canta-o-merlo-grecia-todos-as-ruas DATE: Tue, 23 Jun 2015 17:24:06 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

PAME: Todos às ruas
Terça-feira 23 de Junho o PAME organiza uma nova manifestação na Praça Omonia às 18h00.

O PAME [Frente Militante de Todos os Trabalhadores gregos] está a convocar uma "mobilização popular para impedir o novo acordo selvagem anti-povo, o novo pacote anti-povo com que eles querem sobrecarregar-nos.

No mesmo dia os pensionistas farão uma manifestação nacional em Atenas.

Na sua convocatória para a manifestação o PAME nota que:
"A solução tem de ser encontrada nas lutas sob as bandeiras do trabalhadores, dos interesses do povo, com base nos nossos direitos e necessidade e não naqueles dos patrões. A solução tem de ser encontrada na confrontação nos lugares de trabalho, no contra-ataque total contra nossos exploradores, os quais são os únicos que têm aproveitado das novas medidas bárbaras.

Nós estabelecemos as nossas próprias linhas vermelhas

Viramos as costas àqueles que nos querem a aplaudir o governo e seus parceiros, os torcedores de uma negociação que está a levar-nos à pobreza para os lucros de poucos.

Viramos às costas aos defensores da UE, às uniões do capital e dos seus servidores que estão a protestar pelo direito a continuar a viver a partir do suor dos outros, a continuar a explorar a vasta maioria do povo ainda mais selvaticamente.

Não temos nada a ver com eles! Não somos os mesmos!

Nós não colocamos nossas palavras de ordem e cartazes sob falsas bandeiras. Não temos os mesmos interesses, as mesmas necessidades, as mesmas ansiedades e dificuldades dos nossos exploradores.

Você ou está com os monopólios ou com as necessidades do povo! Não há outro caminho! Nosso caminho é da luta, da ruptura com a UE e a via dos monopólios.

Nenhum apoio ao novo memorando, seja qual o nome que lhe seja dado!

Não-aceitação da UE bárbara e anti-povo!

No dia 11 de Junho mais de 700 organizações de trabalhadores e populares deram uma forte resposta em 60 cidades gregas.

Na terça-feira, a voz dos trabalhadores, dos pensionistas, da juventude, das mulheres será ouvida outra vez.

Nossas lutas não são um jogo na competição dos monopólios, as propostas e linha política da UE, FMI, BCE, Rússia e China. O povo não tem interesse em escolher a corda que estas forças utilizarão para enforcá-lo, seu interesse está em por em causa estas forças.

Toda a gente dever juntar-se às lutas!

Trabalhadores, desempregado, jovens.
Não aceitem:
As novas e velhas leis anti-sociais de segurança.
A continuação dos ataques ao rendimento, salários e pensões do povo.
Os novos impostos e gravames.

Nossas vidas não podem aguentar outras medidas. Nossas necessidades não podem esperar. Exigimos, aqui e agora, em oposição à intimidação e à chantagem:
Aumentos de salários, pensões e benefícios
Recuperação de todas as perdas.
Restauração dos acordos de trabalho Colectivos.
Abolição das leis anti-trabalhador.
Protecção real de todos os desempregados.

Organizemos a nossa resposta!

Acumulemos a nossa força!

Fortaleçamos nossos sindicatos em todos os sectores. Respondamos militantemente! Esmaguemos o clima de medo, a chantagem e as ameaças do patronato, do governo, da UE-FMI-BCE.

Só a nossa fortaleza e posicionamento podem abolir as leis anti-povo, o memorando e os patrões!"
22/Junho/2015

O original encontra-se em inter.kke.gr/en/articles/PAME-Everyone-onto-the-streets/

Esta convocatória encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Syriza: Saqueio, pilhagem e prostração BASENAME: canta-o-merlo-syriza-saqueio-pilhagem-e-prostracao DATE: Mon, 22 Jun 2015 17:47:41 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Syriza: Saqueio, pilhagem e prostração
? Como a "esquerda" abraça políticas de direita

por James Petras

A Grécia tem estado nas manchetes da imprensa financeira internacional durante os últimos cinco meses, quando o partido de esquerda recém eleito, o Syriza, que se opunha ostensivamente às chamadas "medidas de austeridade", confrontava directamente a Troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).

Inicialmente a liderança do Syriza, encabeçada por Alexis Tsipras, adoptou vários posicionamentos estratégicos com consequências fatais ? em termos de implementação das suas promessas eleitorais de elevar padrões de vida, acabar com a vassalagem à Troika e seguir uma política externa independente.

Prosseguiremos esboçando os fracassos sistémicos iniciais do Syriza e as subsequentes concessões, corroendo mais uma vez padrões de vida gregos e aprofundando o papel da Grécia como um colaborador activo do imperialismo dos EUA e israelense.

Ganhar eleições e capitular ao poder

A esquerda norte-americana e europeia celebrou a vitória eleitoral do Syriza como uma ruptura com programas de austeridade neoliberais e como o lançamento de uma alternativa radical, a qual implementaria iniciativas populares para mudanças sociais básicas, incluindo medidas para gerar emprego, restabelecer pensões, reverter privatizações, reordenar prioridades do governo e favorecer pagamentos a empregados em relação a bancos estrangeiros. A "evidência" para a agenda de reforma radical estava contida no Manifesto de Salónica , o qual o Syriza prometeu que seria o programa condutor dos seus responsáveis recém eleitos.

Contudo, antes e imediatamente depois de serem eleitos, líderes do Syriza adoptaram três decisões básicas eliminando quaisquer mudanças significativas. Na verdade, estas decisões puseram em curso uma rota reaccionária .

Em primeiro lugar e acima de tudo, o Syriza aceitou como legítima a dívida externa de mais de 350 mil milhões de dólares, apesar de a maior parte ter sido assinada por anteriores governos cleptocratas, bancos, negócios, imobiliário e interesses financeiros corruptos. Virtualmente nada desta dívida foi utilizada para financiar actividade produtiva ou serviços vitais, os quais fortaleceriam a economia e a futura capacidade da Grécia para reembolsar os empréstimos.

Centenas de milhares de milhões de Euros foram escondidos longe através de contas em bancos e imobiliário estrangeiro ou investidos em acções e títulos além-mar. Depois de afirmar a "legitimidade" da dívida ilícita, o Syriza prosseguiu declarando sua "disposição" para pagar a dívida. A Troika imediatamente entendeu que o novo governo Syriza seria um refém receptivo a nova coerção, à chantagem e pagamentos da dívida.

Em segundo lugar, e relacionado com o acima, o Syriza declarou sua determinação de permanecer dentro da União Europeia e da Eurozona e portanto aceitou a rendição da sua soberania e da sua capacidade para moldar uma política independente. Declarou a sua disposição a submeter-se aos ditames da Troika. Uma vez sob a pata da Troika, a única política do Syriza seria "negociar", "renegociar" e fazer novas concessões aos bancos da UE num processo totalmente unilateral. A rápida submissão do Syriza à Troika foi a sua segunda traição estratégica, mas não a última, ao seu programa eleitoral.

Uma vez que o Syriza demonstrou à Troika a sua disposição para trair seu programa popular, a Troika escalou suas exigências e endureceu sua intransigência. Bruxelas descontou a retórica de esquerda do Syriza e seus gestos radicais de teatro como um sopro de fumaça nos olhos do eleitorado grego. Os banqueiros da UE sabiam que quando chegasse o momento de negociar novos acordos de empréstimo, a liderança do Syriza capitularia. Enquanto isso, a esquerda euro-americana engoliu toda a retórica radical do Syriza sem olhar para sua prática real.

Em terceiro lugar, ao tomar posse, o Syriza negociou uma coligação com a extrema-direita do Partido dos Gregos Independentes , pró NATO, xenófobo e anti-imigrantes, garantindo que a Grécia continuaria a apoiar políticas militares da NATO no Médio Oriente, na Ucrânia e a campanha brutal de Israel contra a Palestina.

Em quarto lugar, a maior parte dos nomeados para o gabinete do primeiro-ministro Tsipras não tinham experiência de luta de classe. Pior ainda, a maior parte eram académicos e antigos conselheiros do PASOK sem qualquer capacidade ou disposição para romper com os ditames da Troika. Sua "prática" académica consistia em grande parte de "combate" teórico, mal adaptado à confrontação no mundo real com potências imperiais agressivas.

De um arranhão à gangrena

Ao capitular à UE desde o início, incluindo a aceitação do pagamento da dívida ilegítima, enganchado à Extrema-direita e submisso aos ditames da Troika, o cenário estava pronto para que o Syriza traísse todas as suas promessas e agravasse o fardo económico dos seus apoiantes . As piores traições incluem: (1) não restabelecer pagamentos de pensões; (2) não restabelecer o salário mínimo; (3) não reverter privatizações; (4) não finalizar programas de austeridade; e (5) não aumentar fundos para educação, saúde, habitação e desenvolvimento local.

A Troika e seus publicistas na imprensa financeira estão a exigir que o Syriza corte ainda mais o sistema grego de pensões, empobrecendo 1,5 milhão de trabalhadores reformados. Ao contrário do que os media apresentaram como "exemplos" de pensões gordas desfrutadas por menos de 5% de pensionistas, os gregos sofreram as mais profundas reduções de pensões na Europa em mais de um século. Só nos últimos quatro anos a Troika cortou oito vezes as pensões gregas. A vasta maioria das pensões foi amputada em aproximadamente 50% desde 2010. A pensão média é de 700 Euros por mês mas 45% dos pensionistas gregos recebem menos de 665 Euros por mês ? abaixo da linha de pobreza. Mas a Troika exige reduções ainda maiores. Estas incluem por fim a subsídios orçamentais a pensionistas que vivem em pobreza extrema, um aumento na idade de reforma para 67 anos, uma abolição de disposições de pensões ligadas a ocupações perigosas e para mães trabalhadoras. As medidas regressivas prévias, impostas pela Troika e implementadas pelo regime anterior da coligação de direita, esgotou gravemente o fundo de pensões grego. Em 2012, o programa de "reestruturação da dívida" da Troika levou à perda de 25 mil milhões de Euros de reservas possuídas pelo governo grego em títulos governamentais. As políticas de austeridade da Troika asseguraram que as reservas para pensões não seriam reabastecidas. As contribuições mergulharam quando o desemprego ascendeu a cerca de 30% ( Financial Times, 6/5/15, p.4). Apesar do assalto frontal da Troika ao sistema de pensões grego, a "equipe económica" do Syriza manifestou sua disposição para elevar a idade de reforma, cortar pensões em 5% e negociar novas traições a pensionistas enfrentando privações. O Syriza não só fracassou em cumprir sua promessa de campanha de reverter as políticas regressivas anteriores como comprometeu-se nas suas próprias liquidações "pragmáticas" junto à Troika.

Pior ainda, o Syriza aprofundou e estendeu as políticas dos seus antecessores reaccionários. (1) O Syriza prometeu congelar privatizações: Agora ele promete estendê-las em 3,2 mil milhões de Euros e privatizar novos sectores públicos. (2) O Syriza concordou atribuir recursos públicos escassos aos militares, incluindo um investimento de 500 milhões de Euros para aperfeiçoar a Força Aérea Grega. (3) O Syriza pilhou o fundo nacional de pensões e tesourarias municipais em mais de mil milhões de euros para cumprir pagamentos de dívidas à Troika. (4) O Syriza está a cortar investimentos públicos em projectos de infraestrutura e criação de emprego para atender datas finais da Troika. (5) O Syriza concordou com um excedente orçamental de 0,6% no momento em que a Grécia está a incidir, neste ano, num défice de 0,7% ? o que significa mais cortes depois deste ano. (6) O Syriza prometia reduzir o IVA sobre bens essenciais como alimentos; agora aceita uma taxa de 23%.

A política externa do Syriza imita a dos seus antecessores. O ministro da Defesa de extrema-direita do Syriza, Panos Kammenos, tem sido um apoiante ruidoso das sanções dos EUA e UE contra a Rússia ? apesar da agitação habitual dos falsos "dissidentes" do Syriza a políticas da NATO, seguidas pela capitulação total ? para permanecer nas boas graças da NATO. O regime Syriza tem permitido a todos os cleptocratas e evasores fiscais bem conhecidos a reterem sua riqueza ilícita e aumentarem seus haveres além-mar com transferências maciças das suas actuais "poupanças" para fora do país. No fim de Maio de 2015, o primeiro-ministro Tsipras e o ministro das Finanças Varoufakis esvaziou o Tesouro para atender a pagamentos de dívida, aumentando as perspectivas de que pensionistas e trabalhadores do sector público não receberão os seus benefícios. Tendo esvaziado o Tesouro grego, o Syriza agora imporá a "Solução Troika" sobre as costas das empobrecidas massas gregas: ou aprovar um novo plano de "austeridade", reduzindo pensões, aumentando a idade de reforma, eliminando leis de protecção à segurança de empregos dos trabalhadores e negociando direitos ou enfrentar um tesouro vazio, sem pensões, aumento do desemprego e aprofundamento da depressão económica. O Syriza deliberadamente esvaziou o Tesouro, pilhou fundos de pensão e haveres locais de municípios a fim de chantagear a população a aceitar como um facto consumado as políticas regressivas de banqueiros da UE ? os chamados "programas de austeridade".

Desde o princípio , o Syriza atendeu aos ditames da Troika, mesmo quando eles encenavam sua "resistência de princípio". Primeiro mentiram ao público grego, chamando a Troika de "parceiros internacionais". A seguir mentiram outra vez chamando o memorando da Troika para maior austeridade de "documento negocial". Os enganos do Syriza pretendiam esconder a sua continuação do "quadro" altamente impopular imposto pelo anterior e desacreditado regime de extrema-direita.

Ao pilhar o país de recursos a fim de pagar os banqueiros, o Syriza escalou sua abjecção internacional. Seu ministro da Defesa ofereceu novas bases militares à NATO, incluindo uma base aérea-marítima na ilha grega de Carpatos. O Syriza escalou o apoio político e militar da Grécia à UE e aos EUA para intervenções militares e apoio a terroristas "moderados" no Médio Oriente, ridiculamente em nome da "protecção de cristãos". A bajulação do Syriza a sionistas europeus e estado-unidenses, fortalecendo seus laços com Israel, evocando uma "aliança estratégica" com o estado do apartheid terrorista. Desde os seus primeiros dias no gabinete, o ministro de extrema-direita da Defesa, Kammenos, propôs a criação de um "espaço de defesa comum" incluindo Chipre e Israel ? apoiando portanto o bloqueio aéreo e marítimo de Israel a Gaza.

Conclusão

A decisão política do Syriza de " embutir-se " na UE e na Eurozona, a todo custo, assinala que a Grécia continuará a ser um estado vassalo , traindo seu programa e adoptando políticas profundamente reaccionárias, mesmo enquanto trombeteia sua falsa retórica esquerdista e finge "resistência" à Troika. Apesar do facto de o Syriza ter pilhado pensões internas e tesourarias locais, muitos iludidos esquerdistas na Europa e nos EUA continuam a aceitar e racionalizar o que eles escolheram alcunhando-as como "compromissos realistas e pragmáticos".

O Syriza podia ter confiscado e utilizado os US$32 mil milhões de propriedades imobiliárias possuídas pelas Forças Armadas Gregas para implementar um plano alternativo de investimento e desenvolvimento ? arrendando estas propriedades para portos marítimos, aeroportos e instalações turísticas comerciais .

O Syriza enterrou a Grécia ainda mais fundo dentro da hierarquia dominada pelas finanças alemãs, ao capitular do seu poder soberano de impor uma moratória da dívida, abandonar a Eurozona, preservar seus recursos financeiros, restabelecer uma divisa nacional, impor controles de capitais, confiscar milhares de milhões de Euros em contas ilícitas além-mar, mobilizar fundos locais para financiar a recuperação económica e reactivar o sector público e privado. O falso "Sector de esquerda" dentro do Syriza repetidamente balbuciou "objecções" impotentes, enquanto Tsipras-Varoufakis prosseguiam a liquidação mistério até a capitulação final.

No final das contas, o Syriza aprofundou a pobreza e o desemprego, aumentou o controle estrangeiro sobre a economia, desgastou ainda mais o sector público, facilitou o despedimento de trabalhadores e cortou nas indemnizações por despedimento ? enquanto aumentou o papel dos militares gregos ao aprofundar suas ligações à NATO e a Israel.

Igualmente importante, o Syriza esvaziou totalmente a fraseologia de esquerda de qualquer significado cognitivo: para eles, soberania nacional traduz-se em vassalagem internacional e anti-austeridade tornam-se capitulações pragmáticas a nova austeridade. Quando o acordo Tsipras-Troika for finalmente assinado e o terrível dano da austeridade durante as próximas décadas afundar-se dentro da consciência do público grego, a traição esperançosamente dará lugar à repulsa em massa. Talvez o Syriza venha ser dividido e a "esquerda" finalmente abandone seus confortáveis postos no gabinete e se junte aos milhões insatisfeitos para formar um partido alternativo.
15/Junho/2015
O original encontra-se em petras.lahaine.org/?p=2039

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
21/Jun/15

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Fome é o preço que os gregos pagarão para permanecerem na UE BASENAME: canta-o-merlo-fome-e-o-preco-que-os-gregos-pagarao-para-permanecerem-na-ue DATE: Thu, 18 Jun 2015 05:07:10 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Fome é o preço que os gregos pagarão para permanecerem na UE

por Paul Craig Roberts

O Syriza, o novo governo grego que pretendeu resgatar a Grécia da austeridade, chegou a um fracasso. O governo confiou na boa vontade dos seus "parceiros" da UE, só para descobrir que estes "parceiros" não tinham boa vontade. O governo grego não entendeu que a única preocupação era o resultado líquido, ou lucro, daqueles que possuem a dívida grega.

O povo grego está a olhar para outro lado tal como o seu governo. A maioria dos gregos quer permanecer na UE apesar de isto significar que suas pensões, seus salários, seus serviços sociais e suas oportunidades de emprego serão reduzidas. Aparentemente, para os gregos compensa serem enterrados para fazerem parte da Europa.

A alegada "crise grega" não faz qualquer sentido. É óbvio que a Grécia, com a sua economia arruinada, não pode reembolsar as dívidas que o Goldman Sachs escondeu e a seguir capitalizou com a informação privilegiada que dispunha, ajudando a provocar a crise. Se a solvência dos possuidores da dívida grega, aparentemente hedge funds de Nova York e bancos alemães e holandeses, dependesse de serem reembolsados, o Banco Central Europeu podia simplesmente seguir o exemplo do Federal Reserve e imprimir o dinheiro para assegurar a dívida grega. O BCE já está a imprimir 60 mil milhões de euros por mês para salvar o sistema financeiro europeu, então por que não incluir a Grécia?

Um conservador pode dizer que tal rota de acção provocaria inflação, mas não provocou. O Fed esteve a criar moeda durante sete anos e, segundo o governo, não há inflação. Nós temos mesmo taxas de juro negativas comprovando a ausência de inflação. Por que criar dinheiro para a Grécia cria inflação mas não para o Goldman Sachs, Citibank e JP Morgan Chase?

Obviamente, o mundo ocidental não quer ajudar a Grécia. O Ocidente quer saquear a Grécia. O acordo é de que a Grécia obtenha novos empréstimos com os quais reembolsar empréstimos existentes em troca da venda de companhias municipais de água a investidores privados (as tarifas de água subirão para o povo grego), da venda da lotaria estatal a investidores privados (as receitas do governo cairão, tornando portanto o reembolso da dívida mais difícil) e de outras "privatizações" tais como vender as protegidas ilhas grega a promotores imobiliários.

Isto é um bom negócio para toda a gente, excepto a Grécia.

Se o governo grego tivesse algum senso, ele simplesmente incumpriria. Isso tornaria a Grécia livre de dívida. Com apenas algumas palavras, a Grécia pode passar de um país pesadamente endividado para um país livre de dívida.

A Grécia poderia então financiar suas próprias emissões de títulos e, se precisasse de crédito externo, poderia aceitar a oferta russa.

Na verdade, se os governos russo e chinês tivessem algum senso, eles pagariam à Grécia para incumprir e para abandonar a UE e a NATO. O desmoronar do império de Washington começaria e a ameaça de guerra que a Rússia e a China enfrentam afastar-se-ia. Os russos e chineses poupariam muito mais com o salvamento da Grécia do que lhes custariam desnecessários preparativos de guerra.
16/Junho/2015

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Israel-Un Estado Nazi BASENAME: canta-o-merlo-israel-un-estado-nazi DATE: Wed, 20 May 2015 15:12:27 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Controlo de natalidade sem consentimento:

Durante anos, o Governo israelense esteve a administrar injecçons de Depo-Provera "um potente anticonceptivo de comprida duraçom" a mulheres judias de origem etíope "a miúdo sem o seu conhecimento nem consentimento" com o fim de controlar a natalidade desta comunidade, já que a sua procedência judia era a miúdo questionado polos rabinos. Quanto esta prática saiu à luz no ano 2013, ordenou-se o seu cancelamento.

Acçons de nom judeus:

Qualquer com linhagem judia pode transferir-se a Israel e pedir a nacionalidade. Mas se a pessoa nom é judia, o processo pode ser arriscado. De toda a multidom de refugiados dos conflitos africanos que fugiram a Israel em busca de asilo, a só 0,07% lhe concederam. Recentemente, a rádio nacional pública estado-unidense assegurava numha reportagem que muitos deles foram deportados só para que fossem assassinados o grupo jihadista Estado Islâmico.

- Contratos 'sem sexo':

No ano 2003, umha companhia israelense que contratava trabalhadores da China obrigou-os a assinar um contrato no que se comprometiam a nom casar nem ter relações sexuais com pessoas judias. nom foi tomada nengumha medida legal contra a empresa, já que Israel nom tem nengumha legislaçom que proteja aos trabalhadores destes abusos.

- Arrebatar aos palestinianos o direito à terra:

Recentemente, o Tribunal Supremo israelense dispós dous ditames que em essência permitem a Israel demolir as comunidades palestinianas dentro do país (nom nos territórios ocupados) para despegar a terra para os israelenses.

- Leis matrimoniais discriminatórias:

Israel proíbe à sua populaçom contrair casal com palestinianos ao negar-se a reconhecer a esse cônjuge como cidadá. Assim mesmo, o país nom conta com leis maritais civis e deixa o casal em maos dos clérigos, que velam por prevenir o casal interracial.

- Direito de retorno, só para judeus:

A política mais sistemática destinada a manter umha maioria judia é a 'lei de retorno'. Baixo esta lei, os judeus podem ir ao país desde qualquer parte do mundo e demandar a cidadania, mas os cidadaos palestinianos expulsados das suas casas depois de várias guerras, nom.

- Segregaçom no transporte:

O Ministério de Defesa israelense anunciou a entrada em vigor de umha proibiçom que impede aos cidadaos palestinianos viajar nos mesmos autocarros que os cidadaos israelenses.
Os palestinianos de Cisjordânia que viajam a Israel a diário para ir aos seus trabalhos nom poderám usar os mesmos autocarros que os israelenses para voltar a casa desde esta quarta-feira, informa 'Haaretz'.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Novo documento filtrado sobre o TTIP: Assim se minarám os valores democráticos BASENAME: canta-o-merlo-novo-documento-filtrado-sobre-o-ttip-assim-se-minaram-os-valores-democraticos DATE: Tue, 05 May 2015 14:57:43 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

De acordo com umha nova proposta filtrada da Comissom Europeia nas negociaçons em curso do TTIP (Associaçom Transatlântica para o Comércio e o Investimento), as iniciativas legislativas dos estados membros da UE terám que ser previamente aprovadas em previsom dos seus impactos potenciais sobre os interesses das empresas privadas.

A proposta fai parte de mais um plano amplo para a denominada "cooperaçom regulatória".

Grupos da sociedade civil já denunciárom anteriormente este plano, qualificando-o de ferramenta para deter ou reverter a regulaçom destinada a proteger o interesse público. Os novos elementos filtrados da proposta, pom e de relevo os piores temores dos activistas.

Grupos da sociedade civil tenhem condenado o plano de "mudança normativa" como umha enfrenta à democracia parlamentar. "Isto é um insulto aos cidadaos, aos políticos eleitos e à democracia mesma", di Max Bank da organizaçom Lobby Controlo.

A proposta de "mudança normativa" obrigará a que as leis elaboradas polos políticos elegidos democraticamente, sejam submetidas a um amplo processo de escrutínio.

Este processo realizará-se nos 78 Estados (os 50 de EEUU e os 28 da UE) e nom só em Bruxelas e Washington DC. As leis serám avaliadas para que sejam compatíveis com os interesses económicos das grandes empresas.

A responsabilidade deste exame das leis recairá num organismo de "cooperaçom regulatória", um conclave permanente formado por tecnocratas europeus e americanos, que nom terá carácter democrático e nom renderá contas ante os cidadaos.

"Tanto a Comissom como as autoridades estadounidenses poderám exercer umha pressom excessiva sobre os diferentes governos e os políticos em virtude desta medida. Os dous é muito provável que partilham a mesma agenda: a defesa dos interesses das multinacionais", afirma Kenneth Haar de Corporate Europe Observatory.

"A proposta da Comissom Europeia acredite um labirinto de burocracia para os reguladores, que em cima é pago polo contribuinte e cuja funçom é impedir que se adoptem legislaçons enfocadas ao interesse público", sustém Paul de Clerck de Friends of the Earth Europe.

Esta vigilância sobre as leis, poderá aplicar-se antes mesmo de que umha proposta seja apresentada formalmente e antes de que se adopte, e ademais poderá ser aplicada sobre as normativas já existentes, proporcionando com isso, umha oportunidade contínua de debilitar e atrasar todo o tipo de leis que nom interesses às multinacionais:

"O que talvez é mais aterrador desta proposta é a sua possível aplicaçom à regulaçom existente, já que nom só paralisará a legislaçom futura senom que paralisará a legislaçom actual retroactivamente", sustém David Azoulay do Center for International Environmental Law (CIEL).

"Qualquer legislaçom vigente de interesse público que nom senta bem aos grandes interesses comerciais a ambos os dous lados do Atlântico poderia ser submetida ao mesmo processo, para que se adapte aos interesses das grandes corporaçons".

Por dizer de outra maneira: estamos a viver um golpe de estado a nível intercontinental, no que o poder absoluto será entregado às multinacionais e no que a democracia, já extremadamente debilitada na actualidade, converterá numha piada de mal gosto.

A ditadura corporativa está ao virar a esquina...

Fonte: http://www.globalresearch.ca

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: EE.UU desenha umha saída para o regime: Rajoy deve pôr o seu cargo a disposiçom de Felipe VI BASENAME: canta-o-merlo-ee-uu-desenha-umha-saida-para-o-regime-rajoy-deve-por-o-seu-cargo-a-disposicom-de-felipe-vi DATE: Sun, 19 Apr 2015 17:34:30 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

www.espiaenelcongreso.com

EE.UU desenha umha saída para o regime: Rajoy deve pôr o seu cargo a disposiçom de Felipe VI


"Ainda que nom o requeira a Constituiçom, e ainda que só fora por cortesia protocolar, o actual chefe do Governo deveria pôr o seu cargo a disposiçom do novo rei". Esta é a sugestom que o catedrático Príncipe das Astúrias na Universidade de Georgetown (EE.UU), Josep M. Colomer, realizou a Mariano Rajoy para que aceite a onda de mudança que reclama Espanha trás o 25-M, com 10 milhões de votos perdidos polo bipartidismo PP-PSOE em só 2,5 anos. A sua proposta está em sintonia com o interesse estratégico que desde EE.UU está a pôr ao processo de mudança em Espanha (umha simples olhadela à sua imprensa de referência acredita-o), muito similar ao que já tivo quando se produziu a morte de Franco e desenhou, junto com Alemanha, o passo da ditadura à "oligocracia" ou "partitocracia" com Juan Carlos. Despejado o caminho com a inesperada e surpreendente abdicaçom do monarca (muitas miradas dirigem-se além do Atlântico), Rajoy tem agora que eleger entre desempenhar o efémero papel daquele presidente continuista chamado Arias Navarro ou converter-se em "mártir" como o seu predecessor, Carrero Branco. E como a valentia nom parece estar entre as suas qualidades, em Estados Unidos dam por seguro de que nom porá obstáculos e facilitará que Felipe VI tenha ao menos umha oportunidade de salvar o trono. Em meios diplomáticos assegura-se que Washington e Berlim já decidiram: e o polegar virou cara abaixo.

A "operaçom", que ainda nom tem nome e que argalham os reformistas do regime, passa por adquirir algo de legitimidade até maio de 2015 (eleiçons locais) para tentar avançar num processo que a actual "caste" levou até o abismo. E tendo em conta de que a conhecida inacçom de Mariano Rajoy ante os dramáticos momentos que vive a sociedade espanhola já dinamitou ao PP e ao PSOE, levou-se por diante ao rei e agora ameaça mesmo a sobrevivência da própria monarquia, desde EE.UU querem pôr sobre a mesa umha "folha de rota".

A referência é a Itália, com umha "partitocracia" muito similar à espanhola e onde Beppe Grilo (Génova, 1948) e o seu Movimento 5 Estrelas desempenhou o papel reactivo que agora jogam de forma incipiente em Espanha Pablo Iglesias (Madrid, 1978) com Podemos-EU-Equo (Primavera Europeia) e Julio Anguita (Fuengirola, 1941) como ideólogo desde "Frente Cívico-Somos Maioria". Ou Alexis Tsipras (Atenas, 1974) com o seu "Syriza" e Nigel Farage (Downe, 1964) com o seu UKIP no Reino Unido. Foi algo parecido ao que ocorreu em Espanha quando nas vésperas da morte de Franco formou-se a Junta Democrática (1974) com republicanos, democristiás críticos e comunistas que se arracimarom-se por volta de Dom Juan, enquanto que socialistas, monárquicos e democristiás do regime faziam-no com o seu filho Juan Carlos, que finalmente traiu ao seu pai e arrebatou-lhe o trono num dos períodos mais decisivos e desconhecidos da História de Espanha.

Josep M. Colomer desvelou um estado de opiniom muito estendido entre as elites de Washington em relaçom com Espanha, à que freqüentemente se assemelha com Itália, "um país que era conhecido como umha "partitocracia", é dizer, por um grau de controlo das cúpulas dos partidos sobre as instituiçons públicas igual ou mesmo superior ao que adopta ser denunciado em Espanha". Colomer culpa veladamente a Juan Carlos de abdicar muito antes de fazer pública a sua decisom, o que levou ao país à ruína: "o chefe do Estado também deve arbitrar e moderar o funcionamento regular das instituiçons. Esta tarefa deitou-se muito em falta em Espanha nos últimos anos quando o Parlamento, o Governo e a justiça deixárom de funcionar de acordo com as suas missons constitucionais".

De acordo a este guiom, Felipe VI "talvez com a discreta ajuda do seu pai, como Juan III, quando se aproximou à Junta Democrática, fixo com o seu filho Juan Carlos I, que o fazia por sua vez ao regime de Franco" teria que "usar as suas prerrogativas para facilitar um novo impulso de recuperaçom e renovaçom". Para isso, recomenda usar o exemplo do sucedido em Roma: "Há dous anos e meio o Governo italiano, surrado por umha série de escândalos e a perseguiçom judicial do seu líder, estava paralisado ante a crise económica do país e as pressões da Uniom Europeia. O chefe do Estado tirou entom ao chefe do Governo e nomeou no seu lugar a um prestigioso profissional independente com experiência nas instituiçons europeias (Mario Monti), o qual formou um Governo com os melhores especialistas em cada tema, sem nengum membro de nengum partido político, que obtivo apesar disso o apoio de 90% do Parlamento. O novo Governo foi apoiar também polos líderes da Uniom Europeia e de Estados Unidos. Itália tivo desde entom o seu melhor período de governo na história moderna". Existe o "Mario Monti" espanhol" Um técnico europeísta que nom esteja contaminado polos partidos e que seja capaz de criar um governo técnico que, só com o seu prestígio, convencesse aos deputados para fazer-se um "harakiri" como o das Cortes de Franco"

Mario Monti (Varese, 1943), de acordo com o calendário eleitoral previsto, convocou novas eleiçons ao cabo de um ano e meio: "Mais ou menos o mesmo tempo que falta em Espanha para que se cumpra o prazo para umha nova convocaçom. Trás essas eleiçons, as resistências à mudança dos partidos políticos tradicionais fizeram impossível a formaçom de umha maioria parlamentar, a qual requereria umha grande coligaçom com membros dos dous partidos maiores. Mas esta acabou-se formando alguns meses depois, ao custo de umha reestruturaçom do sistema de partidos. Enquanto isso, o presidente Napolitano nomeara umha comissom para elaborar propostas de políticas públicas formada por 10 peritos, alguns dos quais passar a fazer parte do novo Governo. É muito notável que toda esta experiência tivesse lugar num país que era conhecido como umha "partitocracia", assinala Colomer.

E acrescenta: "A maior vantagem de umha iniciativa do chefe do Estado é que vem desde fora do sistema de partidos políticos, polo que pode ser especialmente eficaz em induzir reformas que afectem também ao sistema de partidos". Para isso, Felipe VI só teria que usar a mesma Constituiçom que fraguou o seu pai com a "caste": "De acordo com a Constituiçom espanhola, o chefe do Estado pode destituir ao chefe do Governo, dissolver o Parlamento, convocar eleiçons, nomear um novo presidente do Governo, assim como aos ministros que este proponha, presidir pessoalmente as reuniões do Conselho de Ministros, expedir os decretos governamentais, promulgar as leis e, de acordo com o chefe do Governo nomeado por ele, convocar referendos sobre decisões políticas de especial importância. Espera-se em geral que o chefe do Estado use estas capacidades de acordo com os resultados eleitorais. Mas numha situaçom de emergência "como sem dúvida é a espanhola", os poderes do chefe do Estado estám para usá-los "como no caso italiano" de acordo com a letra do texto legal".

Por último, Colomer conclui que trás esse período de ano e meio de profundas reformas constituintes levadas a cabo desde um Executivo sem pelame política, abocaria-se à formaçom "de um Governo de ampla coligaçom multi-partidista, o acordo com Catalunha, o envio de sinais de renovaçom e optimismo para que os capitais exilados regressem e cheguem novos investimentos estrangeiros, poderiam ser o 23-F do rei Felipe VI. É dizer, o seu legitimaçom, nom já dinástica ou constitucional, senom polos resultados da sua acçom. Como o seu pai, o novo chefe do Estado necessitará umha legitimaçom deste tipo por umha grande maioria da sociedade espanhola, assim como da cena internacional, para consolidar o seu reinado nos anos por vir".

É curioso porque esse "23-F" de Felipe VI é o que outros analistas do regime estám a começar a sugerir. Fernando Onega (RTVE), o jornalista que lhe escrevia os discursos a Adolfo Suárez, assim o mencionou expressamente, como também o fixo Arcadi Espada (O Mundo): "Que é, em mudança, o que o rei deixa ao seu filho, Felipe VI" Vou dizê-lo. umha Catalunha que seja a sua 23-F. E umha reforma da Constituiçom que seja o seu referendo legitimador. Que a força lhe acompanhe. A herança é envenenada porque situa à Coroa, e ao novo Rei, no centro do conflito político. Exibido e vulnerável. tom exibido e vulnerável como estivo o seu pai aquela afastada meia-noite de Fevereiro".

Desde as forças cidadás, todo vê se como umha operaçom de salom para evitar o referendum sobre o modelo de Chefatura de Estado: "Deixem de dizer mentiras, nom trouxo a democracia", haver replicado o escritor Suso de Toro, que se apercebeu de que a abdicaçom é "umha operaçom política muito calculada e na que participam directamente todos os poderes ademais da Casa Real: desde a banca e as grandes empresas até esses dous partidos e as grandes empresas de comunicaçom. Realmente todo o sistema económico e político espanhol está conjurado numha mesma operaçom para este trânsito entre pai e filho". Faltou-lhe incluir aos dous grandes sindicatos dependentes financeiramente do erário público (CC.OO e UXT) e foco permanente por isso de ineficácia e corrupçom.

Para Suso de Toro "pode-se ser a favor desta Monarquia ou de umha República, da continuidade do rei ou da sua abdicaçom; percebo que há razões para argumentar que seja conveniente a coroaçom do príncipe e que vai ser muito proveitoso para todos, mas o modo em que se está desenvolvendo essa operaçom política é perverso por dous motivos. Primeiro, porque se está executando como um plano militar de guerra lóstrego muito preciso, para que o adversário nom tenha tempo a reagir. Neste caso as armas nom som a aviaçom e as carros de combate senom os meios de comunicaçom, implicados numha asfixiante campanha publicitária do rei que abdicou e do herdeiro".

"Mas aqui o adversário nom é um inimigo exterior senom a opiniom pública, a própria cidadania, polo que é profundamente antidemocrático em origem. Se nom há nada que ocultar à cidadania, se nom há nada innoble nisso, nom se pode realizar esse acto tom transcendente desse modo porque demonstra umha desconfiança absoluta numha populaçom à que se considera súbditos sem capacidade nem responsabilidade. Para blindar a legitimidade da operaçom está a recorrer-se a argumentar essa incapacidade da cidadania espanhola dizendo-lhe que todo lhe o devem ao rei. Repete-se-nos insistentemente que "O rei trouxo-nos a democracia", "deu-no-la", "graças a ele temos liberdade"" Segundo isso este era um país de inúteis e idiotas e o rei foi o nosso redentor e guiou-os. E isso é umha grande mentira. Muitas pessoas que viviam entom podem testemunhar que nom foi assim, ao rei pô-lo Franco e reinou por imposiçom. E no que di respeito à sacra Constituiçom, redigiu-se submetendo às exigências por escrito da JUJEM", acrescenta.

"Se essa Constituiçom garantia liberdades apesar dessas imposiçons é porque houvo umha parte da sociedade que exigia democracia. E essa parte da sociedade tinha presos políticos nos cárceres do regime. E mortos nos cemitérios, quase sempre civis. Que nos digam que o rei nos trouxo a democracia é pior que faltar à verdade, é mentir. É umha ofensa para as pessoas que lutárom pola liberdade e é umha reiterada traiçom à memória. nom estamos loucos, temos memória ainda que nos chamem imbecis", queixa-se De Toro.

E conclui em Barcelona precisamente: "Em Catalunha deu-se um processo curioso na opiniom pública que registárom todos os inquéritos. Muitas pessoas que nom se tem por nacionalistas catalás e que vem demandando desde há tempo poder decidir o seu futuro como catalás acabárom chegando à conclusom de que a independência é a única soluçom à situaçom histórica de Catalunha. som pessoas que sem fazer ideologia do independentismo em sim mesmo hoje som independentistas por convicçom cívico. umha cousa parecida pode ocorrer com o republicanismo como ideologia e com a República como instituiçom. Há muitas pessoas a quem lhes parece natural poder decidir sobre a Chefatura do Estado em referendo, ainda que logo muitas dessas pessoas votariam a favor de conservar umha monarquia parlamentar, mas vendo que se lhes nega explicitamente e ante esta vergonhosa imposiçom estám balançando para a opiniom de que seria mais democrático e conveniente umha república. Em todo o caso, submeter à cidadania a algo assim é degradá-la e envilece-la. Esta é a democracia espanhola, e é o que deve mudar".

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Capitalismo à deriva" O FMI insiste na confiscaçom da poupança privada para reduzir a dívida pública gerada por um modelo que nom funciona BASENAME: canta-o-merlo-capitalismo-a-deriva-o-fmi-insiste-na-confiscacom-de-poupanca-privado-para-reduzir-a-divida-publica-gerada-por-um-modelo-que-nom-funciona DATE: Sun, 19 Apr 2015 14:53:10 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Fonte: Libremercado " M Llamas


Capitalismo à deriva" O FMI insiste na confiscaçom da poupança privada para reduzir a dívida pública gerada por um modelo que nom funciona

Um novo documento do Fundo Monetário Internacional (FMI) volta pôr a sobre o tapete a possibilidade de aplicar tiras soberanas e expropiar parte das poupanças das famílias para reduzir o ingente volume de dívida que acumulam os governos dos países desenvolvidos. No seu último relatório sobre Vigilância Fiscal (Fiscal Monitor), publicado o passado Outubro, dita entidade advertia da possibilidade de confiscar até o 10% do património que acumulam os fogares para reduzir a dívida pública a níveis de 2007, antes de de que estalasse a actual crise financeira.

Agora, som os destacados economistas Cármen M. Reinhart e Kenneth S. Rogoff -ex economista chefe do FMI- quem insistem num recente estudo publicado polo Fundo que, muito possivelmente, numerosos Estados verám-se obrigados, de umha ou outra forma, a aplicar diferentes fórmulas para reduzir o seu elevado endividamento público, desde a reestruturaçom (tiras e/ou espera) e reconversom de dívida, até elevada inflaçom, repressom financeira (impostos, taxas de interesse negativas,etc.) ou bem umha combinaçom de várias destas medidas.

A conclusom do informe é clara: a história demonstra que os governos adoptam optar por este tipo de saídas em caso de elevado endividamento público, e a situaçom actual nom será muito diferente. Deste modo, Reinhart e Rogoff prevêem a quebra parcial (default) de diversos países, referindo-se em particular à periferia do euro, e a reduçom de dívida pública mediante a transferência de recursos desde os aforradores privados para o Estado.

Segundo ambos os economistas, a combinaçom de crescimento e austeridade para reduzir o endividamento soberano é necessária, mas será insuficiente para resultar eficaz por duas razons: por umha banda, o PIB dos países ricos registará um tímido avanço nos próximos anos devido, precisamente, à elevada dívida pública; e, por outro, as medidas de austeridade som difíceis de aplicar porque adoptam ser muito impopulares. Conclusom" Os investidores em dívida pública e os aforradores pagarám a factura dos governos.

A dívida pública mais alta em 200 anos

Na actualidade, o conjunto das economias avançadas acumula o maior volume de dívida pública da história recente. Em concreto, aproxima-se de 100% do PIB, um nível nom visto desde o fim da Segunda Guerra Mundial. De facto, segundo o estudo, se se mira mais atrás no tempo, aproxima-se do seu ponto mais elevado dos dous últimos séculos.

A isso somar, igualmente, umha dívida externa (pública e privada) que também regista taxas marca, nom vistas nas últimas décadas, superando 250% do PIB dos países ricos. Trata-se de um indicador relevante, já que a separaçom entre dívida pública e privada é muito ténue durante as crises financeiras, como bem demonstram os numerosos resgates públicos de bancos levados a cabo nos últimos anos por multitude de países, de modo que a vulnerabilidade dos estados é ainda mais alarmante do que reflecte, simplesmente, o nível de dívida pública.

Vias para reduzir a dívida

Assim pois, os dados demonstram que o mundo desenvolvido atravessa umha grave crise de endividamento, similar à acontecida trás a Segunda Guerra Mundial ou a Grande Depressom dos anos 30. E por entom tal e como lembram Reinhart e Rogoff, a maioria de governos optou polo default e a expropiaçom de riqueza ao sector privado para reduzir as suas avultadas dívidas.

O estudo do FMI cita cinco possíveis vias para liquidar o sobre-endividamento:

Crescimento.

Austeridade.

Suspensom de pagos e reestruturaçom de dívidas.

Alta inflaçom.

Repressom financeira e umha constante dose de inflaçom.

A combinaçom de crescimento económico e austeridade é a excepçom. O habitual, contodo, é a terceira opçom (default) e a quinta (repressom financeira e inflaçom), segundo reflectem as experiências históricas de similar natureza à actual acontecidas nos dous últimos séculos.

Mais ali da mera suspensom de pagos, o relatório cita a possibilidade de aplicar umha intensa "repressom financeira" para que os estados reduzam as suas dívidas. Sob este termo englobam-se múltiplas medidas, desde a nacionalizaçom de fundos de pensons, até a posta em marcha de medidas fiscais para incentivar a compra de bónus estatais, a aprovaçom de novos impostos e taxas especiais sobre a poupança e o património das famílias (de umha vez ou constantes no tempo), assim como determinados controlos de capital para evitar ou limitar a saída de fundos do país, ou a instauraçom de tipos reais negativos durante vários anos (inflaçom superior ao tipo de interesse, com a conseqüente dissoluçom de dívidas e perda de poder adquisitivo em depósitos e outros activos).

Em todo o caso, esta particular fórmula de repressom financeira" consiste, basicamente, em redistribuir a riqueza mediante a transferência de fundos desde os aforradores (famílias e empresas) até os credores (estados e bancos).

Mas os analistas do FMI nom som os únicos que contemplam este tipo de opçons. Philipp Bagus, professor de Economia da Universidade Rei Juan Carlos e autor do livro A tragédia do euro, coincide em que alguns dos governos dos países ricos tentarám gerar inflaçom, impagar a sua dívida e, em última instância, aplicar um imposto único sobre a riqueza para liquidar a sua sobre-endividamento.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Montam umha "comédia" com Rodrigo Rato, preso trás o registo da sua habitaçom em Madrid BASENAME: canta-o-merlo-montam-umha-comedia-com-rodrigo-rato-preso-tras-o-registo-da-sua-habitacom-em-madrid DATE: Sat, 18 Apr 2015 19:20:58 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

El Espía Digital

Montam umha "comedia" com Rodrigo Rato, preso trás o registo da sua habitaçom em Madrid

Espanha espoliada: O Estado dá por perdidos 40.000 milhons de euros do resgate das caixas de poupança" mas montam umha ?comedia? com Rodrigo Rato

O presidente do FROB e sub-governador do Banco de Espanha, Fernando Restoy, deu a cifra das perdas que o Estado sofrerá polo resgate das caixas de poupanças: mais de 40.000 milhons de euros, quantidade que parece que o Governo nom poderá recuperar de 56.181 milhons de euros de fundos públicos que injectou durante a crise do sector financeiro.

Restoy, que compareceu na Comissom de Economia do Congresso, assegurou que até a data só recuperárom-se 3.092 milhons de euros. Deles, 1.884 milhons de euros correspondem à venda de Nova Caixa Galicia ao grupo venezuelano Banesco e à devoluçom por parte de CaixaBank da ajuda pública recebida por Banca Cívico trás a compra desta entidade polo grupo que preside Isidro Fainé. A esta cifra há que somar as recuperaçons previstas a meio e curto prazo pola venda de Catalunya Bank a BBVA, a previsível devoluçom dos bónus contingentes convertíveis (cocos) recebidos por Caixa3 agora em maos de Ibercaja, e de Ceiss, agora integrada em Unicaja e a já anunciada por Liberbank. Ademais, o grupo que preside José Ignacio Goirigolzarri tem pendente que BFA ingresse no FROB os 1.304 milhons obtidos pola venda de 7,5% de Bankia o passado ano, dos que 136 milhons som mais-valias.

A estas devoluçons haveria que somar, segundo explicou Restoy, a previsível venda do pacote de 62% que tem o Estado em Bankia, que a preço de mercado da segunda-feira estaria por volta dos 9.272 milhons de euros (o valor de mercado de 100% de Bankia é de 15.000 milhons) e a venda do pacote do FROB em BMN, cujo valor teórico contável será de 1.593 milhons de euros. O Estado recuperaria assim case 14.000 milhons, quantidade que nom cobre nem as ajudas totais de 22.424 milhons concedidas a BFA-Bankia.

A venda de Catalunya Bank a BBVA e da carteira de empréstimos hipotecários a Blackstone (cujos ingressos estám incluídos na soma dos fundos públicos a recuperar) só achegará um saldo positivo de 328 milhons de euros, que devem restar-se aos 12.000 milhons de euros que a entidade catalá recebeu em ajudas do Estado.

Restoy aproveitou a sua visita ao Congresso para destacar que no final mais de 300.000 clientes das entidades nacionalizadas recuperárom o dinheiro investido em participaçons preferentes e dívida subordinada, graças ao processo de arbitragem impulsionada polo Governo, o que supom 57% dos investidores comerciantes a varejo que tinham direito a estes procedimentos e 72% dos solicitantes. Restoy, que também é sub-governador do Banco de Espanha, destacou que o FROB seguiu adiante na sua denúncia de irregularidades e puxo como exemplo que recentemente remeteu à Promotoria um expediente sobre a extinçom de contratos da alta direcçom de Catalunya Banc entre 2008 e 2009. Esta denúncia soma-se aos 25 expedientes que o FROB já enviou ao fiscal por operaçons imobiliárias suspeitas da mesma entidade e de Nova Caixa Galicia, que suporiam um prejuízo de algo mais de 1.700 milhons; e as supostas irregularidades nos salários da antiga cúpula de Bankia ou os cartons black.

Sobre as críticas de alguns pequenos accionistas que reclamam que o FROB retire-se como acusaçom no caso Bankia, Restoy afirmou que o FROB guiou-se em todo momento "polos mesmos princípios que inspirárom a sua estratégia no resto de causas nos que está ou esteve involucrado: o contributo ao esclarecimento dos feitos e a defesa do interesse público".

O ex-vicepresidente do Governo, ex-presidente do Fundo Monetário Internacional, e ex-presidente de Bankia, Rodrigo Rato, foi detido durante o registo da sua habitaçom no número 33 de cale-a Dom Ramón da Cruz, no bairro de Salamanca de Madrid. Custodiado por numerosos agentes, Intre abandonou o seu domicílio pouco depois do oito da tarde num carro policial e foi transferido ao número 50 da rua Castelló, a escassos 200 metros do seu domicílio, onde tem o seu gabinete, para um novo registro.

A Fiscalia de Madrid, que actuou trás umha denúncia apresentada há uns dias pola Agência Tributária, segundo fontes governamentais, instou a investigar a Rato por supostos delitos de fraude, alçamento de bens e branqueio de capitais.

Fontes da Agência Tributária assinalam que "a actuaçom está a realizar-se por ordem judicial, o pedido da Promotoria". Fontes jurídicas precisam que o registro se produz com autorizaçom do titular do Julgado de Instruçom número 35 de Madrid, em funçons de guarda hoje.

As pesquisas, segundo as fontes consultadas, afectam a Rato e a "outras pessoas". À frente do Julgado 35 encontra-se um juiz substituto, Henrique da Fouce. Outras fontes, do próprio Julgado de Guarda, transferiram a eldiario.es que Da Fouce decretou o segredo das actuaçons.

Paralelamente à detençom de Rato, o Serviço de Vigilância Aduaneira também registou um bufete de advogados de Sotogrande, em Sam Roque (Cádiz), no marco da investigaçom a Rato. Fontes cientes da investigaçom confirmárom a Europa Press que vários funcionários realizam um registro na tarde desta quinta-feira no bufete de advogados Largo, do que tenhem requisitado "documentos e computadores".

As citadas fontes concretizam que o objectivo é pesquisar se as relaçons entre o mencionado bufete e Rodrigo Rato "tem que ver ou nom" com a investigaçom que se está desenvolvendo sobre este por supostos delitos de fraude, alçamento de bens e branqueio de capitais.

A ordem chega depois de transcender na passada terça-feira que Rato se acolheu à amnistia fiscal posta em marcha polo Governo em 2012, e de que, esta manhá, o ministro de Justiça, Rafael Catalá, confirmasse que o Serviço Executivo de Prevençom de Branqueio de Capitais (Sepblac), dependente do Ministério de Economia, investiga ao ex-vicepresidente por possível branqueio.

Rato está imputado já polo juiz da Audiência Nacional Fernando Andreu na causa sobre a fusom e a saída a Bolsa de Bankia e na peça separada na que se analisam as "cartons black" opacas ao fisco na que os ex-conselheiros desta entidade e de Caixa Madrid carregárom 15,5 milhons de euros, informárom fontes jurídicas.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O salário mínimo em Venezuela já supera ao de Espanha BASENAME: canta-o-merlo-o-salario-minimo-em-venezuela-ja-supera-ao-de-espanha DATE: Fri, 03 Apr 2015 00:30:03 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

El Espía Digital


O salário mínimo em Venezuela já supera ao de Espanha

O salário mínimo em Venezuela voltou a aumentar alcançando a cifra de 5.602 bolívares mensais, cujo equivalente em dólares é de 890.72 (dólares mensais). O salário mínimo em Espanha é de 654 ? mensais na actualidade (888.79 dólares).

O presidente da República, Nicolas Maduro Moros, anunciou nesta terça-feira, que incrementou 30 por cento o salário mínimo nacional e as pensons "para levá-los a níveis de defesa necessários para a vida do nosso povo".

O salário mínimo no país encontrava-se situado em 3 mil 270 bolívares mais mil 351 de cesta ticket e, com este novo aumento, situa-se em 4 mil 251, 71 cêntimos e, com o bono de alimentaçom, chega a 5 mil 602 bolívares.

"Estamos numha nova ofensiva para vencer com produçom, trabalho e lei de preços justos esses fenómenos da guerra económica contra o modelo de inclusom social".

Anunciou-o ao participar na primeira reuniom da Conferência de Paz da Classe Operária que se desenvolve no Palácio de Miraflores.

"Um dos sucessos que tivemos é fortalecimento do salário e do ingresso mínimo nacional. Demos aumentos em 15 anos 25 aumentos salariais e 25 aumentos de pensons", destacou.

O Chefe de Estado denunciou novamente que "a inflaçom é um mal estrutural da economia acentuada pola guerra económica permanente da burguesia contra o modelo socialista, o povo trabalhador".

"Avaliaremos também no último trimestre do ano outra vez", um novo aumento. "Confio, com a bençom de Deus, que no final de ano estejamos a estrangular e vencendo a perversa inflaçom induzida e estejamos a transitar um bom equilíbrio nos preços dos produtos e serviços".

"Se fai falta outro ajuste, tenha a segurança a classe operária que assim o farei porque som um presidente operário comprometido com a família trabalhadora venezuelana".

Por outra parte, a taxa de desemprego em Venezuela era de 14,6% em 1999 mas diminuiu até o 7,6% em Março de 2007. Actualizada para o presente momento de crise internacional desceu até o 6,6% (último dado do INE de Novembro de 2013). Em Espanha, o modelo neoliberal gerido primeiro polo PSOE e logo polo PP elevou a taxa de desemprego de 7,95% em 2008 ao 25,3% actual (maio 2014).

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O lobby dos despejos: O fundo abutre de Aznar BASENAME: canta-o-merlo-o-lobby-dos-despejos-o-fundo-abutre-de-aznar DATE: Thu, 02 Apr 2015 19:10:11 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Vozpopuli

O lobby dos despejos: O fundo abutre de Aznar

No seu primeiro ano de existência como comissom, com 4,4 milhons de benefício. E todo isso para um fundo abutre estadounidense, Cerberus, que dirigem ao menos dous ex altos cargos -o ex-vice-presidente Dom Quayle e o ex-secretario do Tesouro, John Snow- de George W. Bush, amigo de Aznar sénior. O círculo fecha-se.

A génese de tal ganho segue a seguinte cronologia.

O 28 maio de 2013 lhe a gestom e comercializaçom de activos tóxicos de Bankia e Sareb reportou-lhe umha comissom de 39,3 milhons a umha firma de um fundo abutre em cujo conselho senta José María Aznar Botella. No seu primeiro ano de contrato com Bankia, os ingressos já supérom o preço fixo pactuado.

Dous amigos de José María Aznar viram afundar-se Bankia desde a sua presidência: Miguel Blesa e Rodrigo Rato. E um ex-ministro seu, Mariano Rajoy, nacionalizou-na e reabilitou com 23.000 milhons. Hoje, um filho do ex-presidente Aznar, José María Aznar Botella, fai caixa através de umha firma (Haya) com os activos tóxicos de Bankia mercê a um contrato com o supracitado banco: facturou-lhe 39,3 milhons acredite Promontoria Plataforma. Em agosto rebatiça-se como Haya Real Estate, que preside Juan Hoyos, casualmente também amigo e colega de colégio, como Blesa, de Aznar sénior. E nela figura como conselheiro o primogénito de Aznar desde Outubro de 2013, ao mês de conseguir-se o contrato com Bankia.

O 3 de Setembro de 2013, assina um contrato de adquisiçom ao Grupo Bankia "do negócio de gestom de determinados activos imobiliários e presta-mos a empresas do sector imobiliário (crédito promotor) que som propriedade do Grupo Bankia e da Sociedade de Gestom de Activos Procedentes da Reestruturaçom Bancária (SAREB, estes últimos geridos até a data de combinaçom de negócios polo Grupo Bankia", segundo explica a própria empresa. O ganhador de tal contrato era umha empresa com um capital ridículo: 3.000 euros. E trás garantir-se tam ambicioso projecto, em Outubro de 2013, Cerberus, através de Promontoria Holding 62, sócio único situado na Holanda, alargou o capital 833.000 acçons com valor de um euro e umha prima de emissom de nove euros. Em total injectou 8,3 milhons.

Haya, com o macro-contrato com Bankia no bolso, já lhe merecia a pena a Cerberus: já podia permitir-se superar os 3.000 euros iniciais. Haya admite tal incongruência ao admitir que a ampliaçom de capital foi realizada com a finalidade de fortalecer a estrutura patrimonial da sociedade e dotá-la de maior equilíbrio patrimonial". Em soma, Bankia contratou com umha firma débil que ficou desequilibrada trás alcançar tam ambicioso negócio.

As condiçons do contrato

O contrato de aquisiçom tinha duas cláusulas suspensivas:

- Emissom por parte do Ministério de Fazenda de um relatório para a operaçom.

- Concessom de determinado financiamento por parte de Bankia a Haya.

Ambas devérom de cumprir-se, porque o contrato saiu. O ministério de Fazenda, pilotado por um ex-ministro de Aznar, Cristóbal Montoro, deu a sua aprovaçom a que umha empresa privada vinculada ao filho do seu ex-presidente gerisse e vendesse os activos tóxicos da nacionalizada Bankia em lugar de comercializá-los directamente. E, por sua parte, a tenor do contrato, Bankia comprometeu-se a financiar à firma de Aznar Jr. para que pudesse sair airosa. umha curiosa operaçom circular: presto-te dinheiro para que gestons os meus activos tóxicos e os revendas com ganhos. No contexto de dita macro-operaçom assinaram-se quatro contratos:

Contrato de Prestaçom de Serviços por Haya de gestom dos activos do Grupo Bankia determinados no perímetro acordado no momento da operaçom da combinaçom de negócios por um período de dez anos.

Contrato de sub-contrataçom por parte do Grupo Bankia em favor de Haya como prestador de serviços de gestom de activos propriedade do SAREB por um período que finalizava o 31 de Dezembro de 2013, mas que foi renovado para o exercício de 2014. (A empresa confia em assumí-lo ao menos três anos).

Contrato de prestaçom por parte do Grupo Bankia a Haya de serviços informáticos, serviços de comercializaçom dos activos através da rede de escritórios do Grupo Bankia, assim como do financiamento a minorista em favor de potenciais adquirentes da activos propriedade de SAREB que actualmente gere Haya.

Contrato de prestaçom de serviços entre Haya e o Grupo Bankia (como prestador de serviços) em relaçom com outros serviços informáticos, arrendamentos e serviços administrativos.

Em soma, Haya comprava o negócio de gestom de imóveis e crédito promotor do Grupo Bankia, e, por riba, se subrogaba nos empregados do banco adscritos a tal área.

Haya tem um único cliente: Bankia. E o negócio estabelece-se assim: Haya factura a Bankia pola totalidade dos seus serviços de gestom e logo Bankia factura ao SAREB polos serviços de gestom dos seus activos. "Os serviços que presta a sociedade concentram na gestom de activos financeiros e imobiliários, polo que a sociedade cobra umha comissom, e nas actividades de comercializaçom ou recobro dos mesmos, polas que a sociedade cobra umha comissom adicional em funçom do volume de operaçons alcançado no período".

Trata-se dos activos tóxicos da Bankia afundida por dous presidentes do PP, mas umha firma governada por Aznar Jr. cobra umha dupla comissom por vendê-los. Os peritos bancários objectam a fórmula. "Esta dupla comissom poderia poupar-se de ficar esta operativa no seio de Bankia ou do SAREB, máximo quando se fai com os mesmos empregado que tinha Bankia". De facto, Haya começou com três empregado... e logo somava 403.

Haya compra a gestom dos activos tóxicos, mas nom o risco da sua titularidade

Bankia descreve assim a operaçom: "Com data 3 de setembro de 2013 Bankia assinou um acordo para vender a umha empresa do grupo investidor Cerberus Capital Management, LP denominada Promontoria Plataforma, S.L.0 ("Plataforma") o negócio de gestom e comercializaçom dos activos imobiliários e prestamos Ipromotor. Como parte da operaçom, acordou-se transmitir ao comprador a participaçom do Grupo Bankia nas sociedades Gesnova Gestom Imobiliária Integral, S.L. e Reser Leilons e Serviços Imobiliários, S.A., operaçom que se formalizou no mês de Dezembro desse ano.

O acordo de venda englobou a cessom de activos e passivos associados ao supracitado negócio de gestom (mas nom a titularidade dos innmóveis e créditos promotor geridos), assim como "a cessom dos empregados associados à supracitada actividade". Isto último acrescenta um dado relevante, porque Haya vende activos de Bankia, mas nunca assume o risco de comprá-los. O seu único risco estriba no equilíbrio preço do contrato e comissom.

"O preço da operaçom", acrescenta Bankia, "dependerá do grau de cumprimento do plano de negócio da actividade transpassada, e estima-se que estará entre 40 e 90 milhons de euros. A este contrato para a gestom externalizada da recuperaçom de créditos promotor e a comercializaçom de activos adjudicados, em ambos os casos tanto propriedade de Bankia como de SAREB, acrescentou-se a definiçom de um Plano Director de Segurança 2013-2016, ao objectivo de adequar o controlo e segurança da informaçom à nova realidade do banco".

Quanto lhe custou tal contrato a Haya": 38 milhons de euros de preço fixo. A fins de 2013 devia 17 milhons dessa parte, e ademais, deveria pagar umha parte variável se supera determinadas expectativas de aqui a 2016, e nunca por um montante maior de 12,5 milhons, mais outra comissom em funçom dos seus ingressos ainda nom determinada. Ao todo, Bankia calcula que a operaçom pode supor-lhe um preço dentre 40 e 90 milhons.

Por enquanto, o seis administradores de Haya embolsárom-se 1.055.000 euros. Mas três deles, ademais, somaram 966.000 euros mais por realizar tarefas de direcçom. Portanto, Aznar Jr. cobrou entre 175.000 e 497.000 euros segundo se actuou ou nom como directivo de alta direcçom.

Em todo o caso, no seu primeiro ano de vida, Haya cobrou 39,3 milhons de euros de comissom pola sua actividade. É dizer, já recebeu mais dinheiro do que lhe custa a parte fixa do contrato. Seica por isso, ainda que apresenta um fundo de manobra negativo que se corresponde com o pago da operaçom de compra de negócio, os administradores percebem que os "fluxos importantes" que tivérom em 2013 e teram em 2014 permitírom fazer frente a tal situaçom. Os benefícios podem-se multiplicar em anos próximos.

Haya declinou comentar com este diário as dúvidas subjacentes sobre Aznar Jr.: se cumpre funçons de directivo, se facturou assessorias e se é accionista da matriz. Bankia, por sua parte, afirma todo bom contrato se adjudicou "por concurso, como todos os que fai, mediante processos concorridos transparentes e abertos nos que se adjudica ao melhor ofertante, e neste caso o adjudicatório paga umha parte ao começo e logo segue pagando cada ano do contrato. Mas nom compram a imobiliária, que é nossa".

Os Aznar, pai e filho, convergírom por um negócio privado em 2009 sobre Bankia quando a presidia Miguel Blesa. Aznar sénior recomendou-lhe a compra de umha colecçom pictórica por 54 milhons que umha taxaçom interna cifrou em três milhons. Blesa rejeitou-a polo seu preço desorbitado. Aznar Jr. reprochou-lhe entom tal desaire: "Com os pêlos que se deixou por ti e foram muitos, parece-me impresentável o que fizeste ou nom fizeste. Nom se merecia esta decepçom". E Blesa saltou:"Possa que sejas muito novo para percebê-lo: algum dia nom te explicarás escrever esta mensagem. Eu nunca me arrependerei de actuar assim, a caixa [Caixa Madrid] tem os seus procedimentos, nom é o meu "cortijo. Ao teu pai nunca lhe decepcionou a seriedade e honestidade de um amigo", assinalava entom a mensagem de Blesa a José María Aznar Botella.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A Semana Santa e a imaginaria franquista BASENAME: canta-o-merlo-a-semana-santa-e-a-imaginaria-franquista DATE: Tue, 31 Mar 2015 16:59:04 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

A Semana Santa e a imaginaria franquista

Antonio Mestre / La Marea

Desde que em 1937 publicasse-se a carta colectiva do Episcopado Espanhol em defesa da cruzada nacional, a uniom entre a dictadura e a Igreja católica foi férrea. No texto, publicado o 20 de agosto de 1937, a cúpula eclesial brindava um apoio total ao golpe de estado de Francisco Franco: "O Episcopado espanhol está na sua totalidade e sem reservas à beira do general e a favor do Movimento". A relaçom entre os estamentos católicos e o regime genocida do caudilho foi inseparável trás a missiva. A Igreja, o Exército e a Falange fôrom os alicerces com os que Franco pode sustentar os seus 36 anos de crueldade e repressom. No entanto, o serviço que a Igreja lhe prestou à dictadura nom foi em vao, e a mudança tivo a possibilidade de influir em Espanha para estabelecer a sua doutrina moral como parte indivisível da lei imperante no país. Esta simbiose pode verse ainda hoje em multidom de representaçons católicas. Umha delas é a Semana Santa e as suas procissons.

Sam Gonçalo e Santa Genoveva

A irmandade de Sam Gonçalo e a de Santa Genoveva, processionam em Sevilha, e tem umha história peculiar. Na sua página web pode-se ler a seguinte descriçom da origem do edifício no que umha das irmandades está com sede: "O templo leva em parte o nome de Genoveva, esposa de Gonçalo Queipo de Llano (político, orador e historiador espanhol de meados do século XIX), nome polo qual também é conhecida a Irmandade do bairro, Santa Genoveva". O nome da outra irmandade também tomada a Sam Gonçalo, um português do século XII, em recordo do General golpista Gonçalo Queipo de Llano, por ser o impulsor da construçom do bairro onde se situa e do que a sua esposa, Genoveva Martí Tovar, colocou a primeira pedra em 1938.

O orador e historiador que a irmandade define na sua igreja como promotor foi o general mais sanguinário da Guerra Civil. Sirva como exemplo o que o militar realizou em Triana, o mesmo bairro que ostenta a irmandade e o templo ao seu nome: as tropas do comandante Antonio Castejón, sob o mando do General Queipo de Llano, o dia 19 de Julho de 1936, começárom um duríssimo combate para conquistar os bairros contíguos ao Grande Largo e Cidade Jardim. Apesar da resistência da classe trabalhadora apostada em Triana, o general Queipo alcançou entrar utilizando como escudos humanos a mulheres e crianças (tal e como o contou Antonio Salgado na revista Mundo Gráfico). Depois da queda do bairro de Triana, Ramón de Carranza, presidente da Câmara nomeado por Queipo de Llano, passeou-se polo bairro com um megafone dando dez minutos para que se apagassem todas as pintadas antifascistas, o que na sua casa mantivesse um indício de tinta seria fusilado junto a toda a sua família.

O faixa de Queipo de Llano na Macarena

A crueldade de Queipo de Llano, agradecida posteriormente polas confrarias com o seu reconhecimento, nom foi exclusividade do bairro de Triana. O 22 de Julho de 1936 utilizou a aviaçom para arrasar o bairro da Macarena. Tivérom que passar 72 anos para que a irmandade da Virgem da Macarena deixe de tirar a imagem mariana com o faixa de capitam do general Queipo de Llano. Foi em 2011 quando a Esperança Macarena deixou de portar a insígnia militar, nom por consciência social ou a respeito da vítimas do bairro sevilhano que o general massacrou, senom porque se encontra deteriorado e é preciso conservá-lo. A forma em que a repressom e as confrarias encontravam-se coligadas fica em evidência num excepcional relato do actor Edmundo Barbeiro na revista política e cultural O Mono Azul. O texto, chamado Seis meses em terreno faccioso e publicado em Novembro de 1937 conta as andanças do actor em Sevilha, onde ficou atrapado trás o golpe até que pode fugir a Portugal. Assim narrava a uniom de fé processionaria e repressom:

"A questom religiosa em Sevilha absorve-o todo até o ponto de que eu, em oitenta dias da minha estância em Sevilha, presenciei vinte e duas procissons entre as quais houvo duas da Macarena"assistírom às duas procissons representaçons de todos os organismos oficiais assim como de todos os corpos de guarniçom; requetés e falangistas com armamento, bandeira e música e presidia as duas procissons, com um varal de irmao maior, Queipo de Llano. Enquanto sentiam como nos tempos de Rega, os mesmos berros da reacçom, especialmente das beatas, que diziam: Viva o salvador de Espanha!" Outra prova da influência religiosa é que a primeira preocupaçom que tem antes de fusilar é confessar e comungar".

Faixas e guions de Francisco Franco

A presença do dictador na semana santa era habitual em vida, mas trás a sua morte nom desapareceu e mantém multidom de honras e emblemas por toda a geografia processionaria espanhola. No ano 2000, Maria dele Carmen Franco polo doou umha faixa do Caudilho, o seu pai, à Irmandade do Baratillo no Arenal de Sevilha para que o portasse a Virgem da Caridade. Ademais, Franco foi nomeado Irmao Maior do Grande Poder e a Esperança Macarena. De facto na Igreja dos Terceiros exibe-se um guiom do caudilho com o que o Grande Poder processionava. nom há que esquecer que o dictador acudiu à coroaçom canónica da Esperança Macarena no ano 1964 como grande devoto da imagem que era.

Em Cartagena, a confraria de Califórnia sai em procissom com um guiom (emblema) de simbologia franquista, similar ao que o dictador levava desde 1940. A Associaçom Memória Histórica de Cartagena voltou a pedir ao Irmao Maior da confraria que deixe de portar o estandarte, em cumprimento da Lei de cor Histórica. Outra que tem a Franco entre os seus cargos honorários é a Confraria do Descendimento e Santíssimo Cristo da Boa Morte, que nomeou ao dictador Presidente de Honra da Confraria em 1940. Um dos passos, o do Monte Calvário, tem uns faróis doados por Franco com os que ainda se processiona.

O estandarte nazista da Irmandade das Angústias

Nom só a simbologia franquista adorna as procissons que percorrem o nosso país estes dias. Existem na imaginaria católica de Semana Santa mesmo estandartes com símbolos nazistas. É o caso da Irmandade das Angústias em Cidade Real que, devido à sua origem, fundada em maio de 1943 por ex-combatentes da Guerra Civil do bando golpista e a Divisom Azul, porta um estandarte com umha cruz celta nazista. Neste caso, contodo, o bispado foi sensível aos pedidos das associaçons de cor histórica e decidiu-se a retirar o emblema da procissom. A exigência do bispado a respeito disso provocou a crítica furibunda do presidente da Junta de Irmandades, que acusou o bispado de fazer caso "a membros da esquerda desnortada, trasnoitada e anticatólica da nossa regiom".

Para contextualizar a presença deste tipo de símbolos, há que lembrar que depois da Segunda Guerra Mundial era costume entre os membros da Divisom Azul doar as suas cruzes de ferro ganhadas em combate às virgens das suas cidades ou povos para que as levassem nos seus mantos. Sam exemplos desta prática o manto da divisom azul que porta a Virgem do Pilar cada dez de Fevereiro em comemoraçom da batalha de Krasny Bor.

A presença desta simbologia nas procissons de Semana Santa destes dias som umha amostra mais do caminho que fica a Espanha por percorrer na justa reparaçom das vítimas do franquismo, questom que abordamos no número deste mês da Marea: Um país sem memória.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Germanwings e Malaysia AirlinesERMANWINGS E MALAYSIA AIRLINES BASENAME: canta-o-merlo-germanwings-e-malaysia-airlinesermanwings-e-malaysia-airlines DATE: Sat, 28 Mar 2015 03:35:13 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://resistir.info/

GERMANWINGS E MALAYSIA AIRLINES

Impressiona a velocidade com que autoridades foram capazes de descobrir as razões do acidente do avião da Germanwings nos Alpes franceses. Isto contrasta com a velocidade a que se arrastam há longos meses as investigações da queda do MH17 da Malaysia Airlines sobre a Ucrânia. Já há 99% de certeza de que o MH17 foi derrubado por caça(s) do regime nazi-fascista de Kiev ? mas esta conclusão é ocultada pela comissão investigadora presidida pela Holanda e da qual o regime ucraniano faz parte (com o direito de vetar a publicação de conclusões com que não lhe agradem). Recorde-se que a Malásia, o país vítima deste acto de terrorismo, foi deliberadamente excluída da comissão investigadora.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A ONU adverte a Espanha de que está obrigada a extraditar às autoridades franquistas BASENAME: canta-o-merlo-a-onu-adverte-a-espanha-de-que-esta-obrigada-a-extraditar-as-autoridades-franquistas DATE: Sat, 28 Mar 2015 02:09:58 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Público.es

GENEVE. 27-03-15.- Espanha está obrigada a extraditar aos responsáveis por violaçons graves dos Direitos Humanos enquanto nom se tomem medidas para garantir o acesso à justiça e o direito à verdade das vítimas ante as instâncias legais espanholas", assegurou nesta sexta-feira um grupo de peritos da ONU em Genebra.

O Alto Comisionado da ONU para os Direitos Humanos explicou, num comunicado, que a declaraçom emitida hoje pelo grupo alude à decisom do Governo espanhol de nom extraditar a 17 acusados pela justiça argentina de violaçons graves dos Direitos Humanos durante o regime franquista, incluídos vários ex-ministros.

"A denegaçom da extradiçom deixa em profundo desamparo às vítimas e aos seus familiares, negando o seu direito à justiça e à verdade", indicaram os peritos da ONU.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O capital fictício, como a finança se apropria do nosso futuro BASENAME: canta-o-merlo-o-capital-ficticio-como-a-financa-se-apropria-do-nosso-futuro DATE: Sun, 15 Mar 2015 21:30:35 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

O capital fictício, como a finança se apropria do nosso futuro
por Daniel Vaz de Carvalho


A crise de 2007-2008 com as "políticas de rigor" e "reformas estruturais" fez cair a máscara à social-democracia. (?)
A soberania dos mercados sobrepõe-se à dos povos

Cédric Durand

http://resistir.info/

1 ? Natureza do capital fictício.

A austeridade já tem sido considerada como o "vírus capitalista". É uma imagem. Na realidade, trata-se do remédio errado, como uma seringa infetada. O capitalismo está de facto atacado de uma doença letal: o capital fictício. Sem eliminar este "vírus" nenhum remédio será verdadeiramente eficaz. É isto que Cédric Durand nos evidencia.

A importância deste livro reside na análise de um tema fundamental do marxismo, o capital fictício, aliado a uma linguagem simples, mas absolutamente rigorosa e factual, em que os dogmas do neoliberalismo são totalmente desmontados. Só a escandalosa censura existente impede a divulgação e discussão destas análises até nas universidades.

A natureza do capital fictício reside em que os títulos financeiros são apenas promessas de valorização real, o que destrói o mito da autonomia do sistema financeiro como variável determinante do sistema económico. O capital fictício é uma ilusão e um desvio de recursos. (p. 56, 57) Tem consistido no aumento vertiginoso da quantidade de valor validado por antecipação à produção de mercadorias. (p. 90)

O capital fictício, é de facto um produto de contradições económicas e sociais insolúveis. (p. 7) Encarna valor, mas não resulta da produção de valor, resulta de transferências de rendimentos a partir de atividades produtivas, isto é, rendimentos do trabalho e lucros tirados da produção de bens e serviços. (p. 105)

Marx identifica três formas de capital fictício: a moeda crédito, os títulos de dívida pública e as ações. Cédric Durand desenvolve este conceito aplicando-o à realidade atual, apresentando-o como uma apropriação da mais-valia produzida na esfera produtiva, desmontando o aparente enigma dos lucros sem acumulação, resultantes das operações financeiras e do controlo das redes produtivas internacionais. (p. 178)

Podem ser caracterizados como lucros financeiros os juros, os dividendos e as mais-valias realizadas com a venda de ativos. Como fontes dos juros distinguem-se os resultantes do endividamento das famílias para terem acesso ao consumo (lucros de alienação); os resultantes do endividamento das empresas, que se tornam críticos nos períodos de crise; os lucros políticos de dívida pública. (p. 106-112)

São também fontes de lucros financeiros a atividade como intermediários; o chamado lucro dos fundadores (diferença entre o preço dos ativos e valorização no mercado bolsista); os lucros políticos obtidos com recapitalização, nacionalização dos prejuízos, benefícios fiscais, etc. (p. 119, 123)

Nos EUA a parte dos 1% mais ricos na detenção de dívida pública passou de 16 para 40% entre 1970 e 2010. Em 1970 a dívida dos 11 países mais ricos representava 30% do PIB, em 2012, nos EUA 114%, no Reino Unido 137%. O valor financeiro obtido por antecipação do processo de valorização futura não cessou de aumentar (p. 75)

Um estudo sobre subvenções públicas implícitas nos lucros das grandes instituições financeiras concluía que existia uma subvenção implícita de 233 mil milhões de euros em 2012, 1,8% do PIB da UE e montantes da mesma ordem desde 2007. Sem isto os bancos registariam prejuízos consideráveis. Os seus lucros são portanto subvencionados. A privatização dos benefícios das atividades financeiras é, pois, perfeitamente ilegítima. (p. 122)

2 ? A financeirização e os "mercados eficientes"

A liberalização financeira conduziu à alta dos lucros financeiros, donde a uma taxa mínima de rentabilidade nos investimentos, ao aumento dos dividendos entregues aos acionistas, à diminuição dos lucros retidos pelas empresas e consequentemente ao abrandamento da acumulação, à sobreprodução e ao desemprego. (p. 154) A financeirização não conduziu (como propagandeado) ao aumento do investimento, ao "crescimento e emprego", mas ao seu declínio (p. 50). Os países da OCDE de rendimento elevado detinham em 1990, 80% do PIB mundial, em 2012 reduzira-se para 61% (p. 8, 9).

Numa estrutura Ponzi (especulativa) o fluxo de rendimento acaba por não permitir reembolsar nem os juros nem o principal da dívida. Por conseguinte, o endividamento não pode senão aumentar e conduzir a falências (p. 40). Algo de semelhante se passa com os Estados. Heyman Minsk passou a maior parte da carreira a defender a tese de que os sistemas financeiros estão por natureza sujeitos a acessos especulativos. Foi considerado um "radical" (p. 37).

O otimismo na financeirização, ao qual não foram poupados os reguladores, levou ao abrandamento das normas prudenciais e à desregulamentação, potenciando os riscos. O paradoxo da intervenção pública como tem sido realizada consiste em que os operadores financeiros são tanto mais inclinados a assumir riscos quando sabem que o banco central tudo fará para impedir o risco sistémico de se concretizar (p. 42, 43).

Os defensores da linha de Hayek de que o mercado é um processo de revelação de conhecimento disperso aplicável aos mercados financeiros, negligenciam a dinâmica da criação e preservação do capital fictício e os efeitos de distorção de informação que daí decorrem (p. 138). O que conduz a má apreciação dos riscos e más decisões de investimento. Desde 1980 a desregulação financeira, criou períodos de expansão financeira que terminaram sempre em crise (p. 45).

O capital fictício é tanto um acelerador do desenvolvimento capitalista como fautor de crises, esta ambivalência dá aos seus zeladores no dizer de Marx "o caracter híbrido de escroques e profetas". (p. 63) Grandes bancos manipularam em seu benefício durante mais de duas décadas as taxas Libor e as taxas de câmbio das principais moedas. A procura do desempenho a qualquer custo teve como corolário a fraude, a vigarice. "Os delitos estão presentes desde sempre no mercado e raramente são objeto de procedimento judicial" (B. Madoff, ex-presidente da NASDAQ) (p. 17).

A Golman Sachs que reconheceu ter cometido práticas fraudulentas, teve em 2010 uma multa de 550 milhões de dólares, cerca de 14 dias dos lucros desse ano (p. 19). Os sistemas de crédito paralelo contornam as normas sobre reservas obrigatórias, representam canais de difusão das crises a que as avaliações das agências de rating acrescentam riscos (p. 82).

A legitimação do liberalismo financeiro foi apoiada por economistas e universitários. Larry Summers [1] havia recebido 20 milhões de dólares em anos em que defendeu incansavelmente o liberalismo financeiro. Verificou-se que 19 eminentes universitários diretamente implicados nas reformas financeiras estavam também ligados ao sector privado sem nunca o terem declarado (p. 33).

Como aprendizes de feiticeiro os agentes financeiros foram apanhados na sua própria armadilha e não anteciparam o desastre. Porém (para eles) tudo continua como se nada se tivesse passado, continuando a serem considerados racionais e omniscientes, A cegueira ao desastre e ao conformismo dominam o sistema financeiro (p. 24).

3 ? A vingança dos rentistas

O aumento dos lucros financeiros poderia sugerir que a vingança dos rentistas era a explicação para o paradoxo dos lucros sem acumulação. Porém as (grandes) empresas também obtiveram rendimentos crescentes das suas atividades financeiras (p. 158). No entanto, em prejuízo da sua atividade produtiva, em detrimento do "crescimento e emprego", a fórmula com que a direita e a social-democracia procuram iludir as camadas proletárias.

A reconfiguração do tecido produtivo alinha-se em função do interesse dos acionistas em termos de rendimento a curto prazo. Consiste em "reestruturar e distribuir", isto é reduzir o emprego e separar-se de atividades menos rentáveis, estabelecendo subcontratos. O reforço do poder dos acionistas e a globalização afetou negativamente o investimento estabelecendo uma norma de rentabilidade mínima aquém da qual os projetos produtivos são eliminados. (p. 170) Esta reconfiguração visa libertar mais-valias bolsistas e dividendos, mais que o aumento da eficiência económica, modificando a relação de forças entre acionistas, gestores e trabalhadores (p. 158, 159). É uma lógica predadora: trata-se de garantir que o capital fictício seja sempre convertível em dinheiro, isto é, bens e serviços (p. 188).

Nas vésperas da crise atual, 147 sociedades controlavam 40% do valor do conjunto das TN, sendo elas próprias dominadas por 18 entidades financeiras (p. 114). Estabelece-se uma hierarquia de capitais, na qual os centros capitalistas diretamente ligados aos mercados financeiros dispõem de um poder de mercado que lhe permite transmitir os choques conjunturais às empresas da periferia com o objetivo de atingir e ultrapassar os rendimentos garantidos aos acionistas. A pressão traduz-se na degradação das condições salariais (p. 163).

O parasitismo dos países mais avançados estabelece como que um tributo aos países mais fracos, sob a forma de produtos, recursos naturais e lucros, verificando-se naqueles países uma parte crescente de lucros recebidos do estrangeiro (p. 181). Porém, simultaneamente cresce o peso de atividades cuja dinâmica tende a reduzir-se, crescendo aquelas em que a produtividade estagna (p. 173).

4 ? Uma transferência de riqueza organizada a nível global

Os grandes bancos de investimento e os fundos especulativos organizam a transferência de riqueza a nível global. Com a estabilidade financeira visa-se fazer prevalecer as exigências do capital financeiro sobre as aspirações das populações (p. 124).

Nos EUA os 1% mais rico apoderaram-se de 95% dos ganhos entre 2009 e 2013, aumentando os seus rendimentos em 31,4%. O total dos montantes despendidos pelos Estados para apoiar o sector financeiro (recapitalizações, compra de ativos, nacionalizações", garantias, injeções de liquidez) em 2008 e 2009 foi avaliado pelo FMI em 50,4% do PIB mundial! (p. 51)

Outro aspeto é a liberalização do comércio e dos fluxos de capitais, estabelecendo um exército de reserva do trabalho a nível global. A troca desigual proporciona a capacidade das TN dos países dominantes para remunerar os seus agentes financeiros através dos ganhos provenientes das relações mercantis assimétricas com os seus fornecedores dos países dominados (p. 128).

Com o enfraquecimento do movimento operário o imperialismo e a oligarquia financeira reforçaram o seu poder (p. 184). Em 2006 havia 66 milhões de trabalhadores, em países ou zonas em que impostos e regulamentações são quase inexistentes, em particular as do trabalho, com fiscalização submetida aos interesses e exigências do patronato e salários de 1 ? por dia (p. 177).

Para Hayek as crises não são produzidas por excesso de produção mas por excesso de consumo (p. 60). Justificando assim os planos de austeridade que não são mais que créditos sobre os montantes futuros dos impostos dos quais a finança se apropria (p. 66).

Ganha, pois, uma atualidade nova a famosa afirmação de Marx segundo a qual "numa certa fase do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais entram em conflito com as relações de produção existentes, ou, o que não é senão a sua expressão jurídica, com as relações de propriedade no seio das quais tinham existido até então. De formas de desenvolvimento das forças produtivas estas relações tornam-se no seu entrave" (p. 133).

Perante as crises o sistema tem necessidade de relançamento para um rápido aumento dos lucros, recorrendo a choques exógenos, como guerras, contrarrevoluções, derrota dos assalariados, descoberta de novas fontes de matérias-primas (Ernest Mendel) (p. 139).

Esta política não conhece limites e só pode ser posta em causa pela combatividade das camadas populares (p. 190). Eis o que resume as mensagens que propomos reter do livro de Cédric Durand.
[1] Antigo presidente da Universidade de Harvard, conselheiro de Obama e secretário do Tesouro de Clinton.

Ver também:
O Inverno vem aí... , de Jacques Sapir

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
13/Mar/15

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: As consequências laborais do TTIP: crónica de um desastre anunciado BASENAME: canta-o-merlo-as-consequencias-laborais-do-ttip-cronica-de-um-desastre-anunciado DATE: Fri, 13 Mar 2015 23:55:42 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

As consequências laborais do TTIP: crónica de um desastre anunciado

Dumping social e desregulamentação são as primeiras consequências que se prevêem do que até agora se conhece do Tratado Transatlântico ? TTIP ? Transatlantic Trade and Investment Partnership ? Acordo de livre comércio entre os Estados Unidos da América e a União Europeia.

Face a essas novas reduções nos direitos laborais, a resposta das forças políticas e sindicais deve ser clara e rotunda para conseguir a sensibilização da sociedade e a mobilização contra o Tratado.

A sétima rodada de negociações do TTIP teve lugar há dois meses e as informações que temos sobre o futuro Tratado ainda são escassas e profundamente tendenciosas. O seu impacto, indubitável, sobre os direitos das(os) trabalhadoras(es) de ambos os lados do Atlântico, mantém-se oculto e silencioso.

Em matéria de direitos Laborais, o documento refere-se apenas à obrigação das partes de incluírem no acordo mecanismos para apoiar a promoção do trabalho decente e a implementação dos padrões fundamentais da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sem grande concretização. Além deste documento, não é possível encontrar uma referência específica sobre os direitos laborais na informação que publica a UE.

A desclassificação desta escassa informação veio seguida de uma ampla campanha de promoção e justificação do Tratado por parte das instituições europeias. Uma série de relatórios apontam vantagens e o crescimento económico que levaria à assinatura do acordo com os Estados Unidos, indicando que a total abertura comercial geraria biliões de lucro em ambas as economias. Especificamente, afirma-se que 80% dos ganhos que implicaria o acordo, resultarão da redução dos "custos" impostos pela "burocracia e regulamentações", assim como da liberalização do comércio em serviços e na contratação pública, evidenciando que o principal objectivo do acordo não é a redução de tarifas, mas a redução das normas que regulam direitos, entre outros, os laborais.

Esta campanha de propaganda está a ser questionada em diversas áreas científicas, que assinalam, por sua vez, outras perguntas para a qual os economistas defensores do TTIP não têm resposta: quem vai beneficiar desta geração de riquezas? Que grau de afectação no bem-estar da população terão as medidas relativas aos serviços públicos? Pode causar o TTIP uma redução dos direitos laborais?

Centrando-nos nesta última questão, cabe lembrar que a assinatura de um tratado de livre comércio multiplica os casos de prestações transfronteiriças de serviços e de mobilidade transnacional de negócios, colocando em contacto de maneira habitual diferentes ordenamentos jurídicos laborais e diferentes níveis de protecção de direitos. Esta situação não acarretaria problemas se existissem duas circunstâncias: por um lado, o tratado incluir padrões comuns em relação aos direitos laborais (salário mínimo, jornada máxima, direitos colectivos, etc.); por outro lado, e mesmo sem se dar a primeira condição, o tratado incluir uma cláusula de intangibilidade ou não regressividade que obrigasse os Estados-Membros a manter os níveis laborais inalterados. Caso não se dê nenhuma das duas circunstâncias, a experiência diz-nos que, quando entram em contacto ordenamentos laborais díspares e se deixa à livre escolha do capital o lugar para sediar a empresa ou o local onde presta os serviços, produzem-se dois fenómenos já comuns no âmbito da União Europeia: o dumping social e a desregulamentação.

O dumping social é uma estratégia empresarial para baratear custos sociais transferindo a produção para o Estado com direitos laborais mais reduzidos (geralmente salariais). Também é possível que as empresas só desloquem os seus trabalhadores para prestarem serviços no Estado com padrões laborais mais altos, mas mantendo as suas condições de trabalho de origem, situando-se assim numa melhor posição em termos de custos sociais que as empresas nacionais. Por outro lado, a desregulamentação é um fenómeno que ocorre quando, na situação de disparidade normativa antes descrita, os governos pretendem atrair empresas estrangeiras através da redução de direitos laborais (salários inferiores ou facilitação do despedimento).

Todos esses fenómenos fazem parte da realidade da UE. É verdade que para controlar, minimamente, o dumping social e se calarem as críticas respeitantes ao déficit social da UE, se adoptaram diversas medidas de escasso resultado. Entretanto, o fenómeno de desregulamentação converteu-se na estratégia das autoridades financeiras internacionais estabelecida actualmente através dos mecanismos de governação económica da União Europeia. O resultado é evidente e só é necessário observar o agravamento das disparidades em matéria laboral e social no âmbito da União Europeia, com a Grécia, Portugal e Irlanda à frente do desemprego, da precarização, da pobreza e da exclusão.

Face a isto, para avaliar o impacto do TTIP sobre os direitos laborais devem ser tidas em conta duas premissas: em primeiro lugar, que a integração económica no âmbito europeu teve consequências negativas para uma maioria das(os) trabalhadoras(es), especialmente no Sul, apesar dos Estados-Membros da UE, pelo menos até às últimas adesões, ainda compartilharem tradições próximas em relação ao reconhecimento de direitos sociais e laborais; por outro lado, com o TTIP vão entrar em contacto dois sistemas basicamente opostos quanto ao reconhecimento e protecção de direitos laborais, como acontece com o norte-americano e europeu (pelo menos numa maioria dos Estados-Membros da UE). Um olhar pelo número de ratificações de convenções da OIT dá-nos uma ideia desta disparidade: Espanha ratificou 133, França 125, Alemanha 85 e Estados Unidos 14, entre os quais não aparecem as convenções relativas à liberdade sindical.

Perante esta situação, alguns propõem a via de forçar a inclusão no futuro Tratado de cláusulas de não regressividade, de reconhecimento de padrões laborais, de excepção das questões laborais do âmbito de actuação do sistema especial de resolução de controvérsias, etc. No entanto, nenhuma destas cláusulas, no caso duvidoso de se integrarem, evitaria a futura corrida à redução dos direitos laborais. A experiência da UE assim o demonstrou. Não cabem remendos no TTIP, nem em matéria de trabalho, nem meio ambiente, nem saúde. A única possibilidade que temos para manter os nossos direitos é a oposição frontal e terminante dos povos da Europa para mostrar, como já foi feito em frente àquela falsa "Constituição Europeia", que todo o embuste tem um limite. A realização de campanhas, como a da ATTAC, contra o Tratado é agora uma prioridade para sensibilizar as maiorias sociais e alcançar uma mobilização sustentada para fazer face ao antidemocrático e anti-social TTIP. Mais uma vez, a resposta deve vir das ruas e assumir-se como cavalo de batalha pelas forças políticas e sindicais que defendem os direitos das pessoas.
12/Março/2015

O original encontra-se em https://www.nao-ao-ttip.pt/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Obama falha o seu golpe de Estado na Venezuela BASENAME: canta-o-merlo-obama-falha-o-seu-golpe-de-estado-na-venezuela DATE: Wed, 25 Feb 2015 04:52:13 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

ww.voltairenet.org/article186839.html

Os Estados Unidos, a Alemanha, o Canadá, Israel e o Reino Unido lançam a «Operação Jericó»
Obama falha o seu golpe de Estado na Venezuela

Thierry Meyssan

Mais uma vez, a administração Obama tentou mudar pela força um regime político que lhe resiste. A 12 de fevereiro, um avião da Academi (ex-Blackwater), disfarçado como aeronave do exército venezuelano, devia bombardear o palácio presidencial e matar o presidente Nicolas Maduro. Os conspiradores tinham previsto colocar no poder a antiga deputada Maria Corina Machado e fazê-la aclamar, de imediato, por antigos presidentes latino-americanos.

O presidente Obama tinha prevenido. Na sua nova doutrina de Defesa (National Security Strategy), ele escreveu : «Nós ficaremos do lado dos cidadãos cujo exercício pleno dos direitos democráticos está em perigo, tal como é o caso dos Venezuelanos». Ora, sendo a Venezuela, desde a adopção da constituição de 1999, um dos mais democráticos Estados do mundo, esta frase deixava pressagiar o pior, no sentido de a impedir de prosseguir na sua via de independência e de redistribuição de riqueza.

Foi a 6 de fevereiro de 2015. Washington tinha acabado de terminar os preparativos para o derrube das instituições democráticas da Venezuela. O golpe de Estado tinha sido planificado (planejado-br) para 12 de fevereiro.

A «Operação Jericó» foi supervisionada pelo Conselho Nacional de Segurança (NSC), sob a autoridade de Ricardo Zuñiga. Este «diplomata» é o neto do presidente homónimo do Partido Nacional das Honduras, que organizou os ?putschs? de 1963 e de 1972 a favor do general López Arellano. Ele dirigiu a antena da CIA em Havana, (2009-11) onde recrutou agentes, e os financiou, para formar a oposição a Fidel Castro, ao mesmo tempo que negociava a retomada das relações diplomáticas com Cuba (finalmente concluída em 2014).

Como sempre, neste tipo de operação, Washington vela para não parecer implicado nos acontecimentos que orquestra. A CIA agiu através de organizações pretensamente não-governamentais para dirigir os golpistas : a National Endowment for Democracy (Contribuição Nacional para a Democracia- ndT) e as suas duas extensões, de direita (International Republican Institute) e de esquerda (National Democratic Institute), Freedom House (Casa da Liberdade), e o International Center for Non-Profit Law (Centro Internacional para Assistência Jurídica Gratuita- ndT). Por outro lado, os Estados Unidos solicitam sempre os seus aliados para sub-contratar certas partes dos golpes, neste caso, pelo menos, a Alemanha (encarregada da protecção dos cidadãos da Otan durante o golpe), o Canadá (encarregue de controlar o aeroporto internacional civil de Caracas), Israel (encarregue dos assassínios de personalidades chavistas) e o Reino Unido (encarregue da propaganda dos ?putschistas?). Por fim, mobilizam as suas redes políticas a estarem prontas ao reconhecimento dos golpistas : em Washington o senador Marco Rubio, no Chile o antigo presidente Sebastián Piñera, na Colômbia os antigos presidentes Álvaro Uribe Vélez e Andrés Pastrana, no México os antigos presidentes Felipe Calderón e Vicente Fox, em Espanha o antigo presidente do governo José María Aznar.

Para justificar o ?putsch?, a Casa Branca tinha encorajado grandes companhias venezuelanas a açambarcar, mais do que a distribuir, as mercadorias de primeira necessidade. A ideia era a de provocar filas de espera diante das lojas, depois infiltrar agentes nas multidões para provocar tumultos. Na realidade se existiram, de facto, problemas de aprovisionamento, em janeiro-fevereiro, e filas de espera diante das lojas, jamais os Venezuelanos atacaram os comércios.

Para reforçar a sua actuação económica o presidente Obama havia assinado, a 18 de dezembro de 2014, uma lei impondo novas sanções contra a Venezuela e vários dos seus dirigentes. Oficialmente, tratava-se de sancionar as personalidades que teriam reprimido os protestos estudantis. Na realidade, desde o princípio do ano, Washington pagava uma importância ?quatro vezes superior ao ordenado médio? a gangues para que eles atacassem as forças da ordem. Os pseudo-estudantes mataram, assim, 43 pessoas em alguns meses, e semearam o terror nas ruas da capital.

A acção militar era supervisionada pelo general Thomas W. Geary, a partir do SouthCom em Miami, e Rebecca Chavez, a partir do Pentágono, e sub-contratada ao exército privado da Academi (antiga Blackwater) ; uma sociedade actualmente administrada pelo almirante Bobby R. Inman (antigo patrão da NSA) e por John Ashcroft (antigo Attorney General?Procurador Geral? da administração Bush). Um avião Super Tucano, de matricula N314TG, comprado pela firma da Virgínia, em 2008, para o assassínio de Raul Reyes, o n°2 das Farc da Colômbia, devia ser caracterizado com um avião do exército venezuelano. Ele deveria bombardear o palácio presidencial de Miraflores e outros alvos, entre uma dezena deles pré- determinados, compreendendo o ministério da Defesa, a direcção da Inteligência e a cadeia de televisão da ALBA, a TeleSur. Dado o avião estar estacionado na Colômbia, o Q.G. operacional da «Jericó» tinha sido instalado na embaixada dos Estados Unidos em Bogotá, com a participação directa do embaixador Kevin Whitaker e do seu adjunto Benjamin Ziff.

Alguns oficiais superiores, no activo ou na reforma(aposentação-br), haviam registado, com antecedência, uma mensagem à Nação, na qual anunciavam ter tomado o poder a fim de restabelecer a ordem. Estava previsto que eles subscreveriam um plano de transição, publicado, a 12 de fevereiro, de manhã, pelo El Nacional e redigido pelo Departamento de Estado dos EUA. Um novo governo teria sido formado, dirigido pela antiga deputada Maria Corina Machado.

Maria Corina Machado foi a presidente da ?Súmate?, a associação que organizou e perdeu o referendo revogatório contra Hugo Chávez Frias, em 2004, já com o financiamento da National Endowment for Democracy (NED) e os serviços do publicitário francês Jacques Séguéla. Apesar da sua derrota, foi recebida com toda a pompa pelo presidente George W. Bush, no Salão oval, a 31 de maio de 2005. Eleita como representante pelo Estado de Miranda, em 2011, ela tinha aparecido de súbito, a 21 de março de 2014, como chefe da delegação do Panamá na reunião da Organização dos Estados Americanos (O.E.A). Ela fora, de imediato, demitida do seu lugar de deputada por violação dos artigos 149 e 191 da Constituição (da Venezuela- ndT).

Para facilitar a coordenação do golpe, Maria Corina Machado organizou, em Caracas, a 26 de janeiro, um colóquio, « O Poder da cidadania e a Democracia actual», no qual participaram a maior parte das personalidades venezuelanas e estrangeiras implicadas

Pouca sorte! A Inteligência Militar venezuelana vigiava as personalidades suspeitas de ter fomentado um complô, anterior, visando assassinar o presidente Maduro. Em maio último, o Procurador de Caracas acusava Maria Corina Machado, o governador Henrique Salas Römer, o ex-diplomata Diego Arria, o advogado Gustavo Tarre Birceño, o banqueiro Eligio Cedeño e o empresário Pedro M. Burelli, mas, eles negaram a autoria dos ?e-mails? alegando que tinham sido falsificados pela Inteligência Militar. Ora é claro, eles estavam todos conluiados.

Ao rastrear estes conspiradores a Inteligência Militar descobriu a «Operação Jericó». Na noite de 11 de fevereiro, os principais líderes do complô, e um agente da Mossad, foram presos e a segurança aérea reforçada. Outros, foram apanhados a 12. No dia 20, as confissões obtidas permitiram deter um cúmplice, o presidente da câmara (prefeito-br) de Caracas, Antonio Ledezma.

O presidente Nicolas Maduro interveio imediatamente, na televisão, para denunciar os conspiradores. Enquanto, em Washington, a porta-voz do departamento de Estado fazia rir os jornalistas, que se recordavam do golpe organizado por Obama nas Honduras, em 2009 ?quanto à América Latina?, ou mais recentemente da tentativa de golpe na Macedónia, em janeiro de 2015 ?quanto ao resto do mundo?, declarando a propósito: «Estas acusações, como todas as precedentes, são ridículas. É uma prática política estabelecida de longa data, os Estados Unidos não apoiam mudanças políticas por meios não constitucionais. As mudanças políticas devem ser realizadas por meios democráticos, constitucionais, pacíficos e legais. Nós temos verificado, em várias ocasiões, que o governo venezuelano tenta desviar a atenção das suas próprias acções, acusando para isso os Estados Unidos, ou outros membros da comunidade internacional, por causa de acontecimentos no interior da Venezuela. Estes esforços, reflectem uma falta de seriedade por parte do governo da Venezuela, em fazer face à grave situação com a qual está confrontado».

Para os venezuelanos este golpe, falhado, coloca uma questão séria: como manter viva a sua democracia se os principais líderes da oposição estão na prisão, pelos crimes que se aprestavam a cometer contra a própria democracia? Para aqueles que pensam, erradamente, que os Estados Unidos mudaram, que não são mais uma potência imperialista, e, que agora defendem a democracia no mundo inteiro a «Operação Jericó» é um tema de reflexão inesgotável.

Os Estados Unidos contra a Venezuela
- Em 2002, os Estados Unidos organizaram um golpe de Estado contra o presidente eleito, Hugo Chávez Frias [1], depois, eles assassinaram o juiz encarregado da investigação, Danilo Anderson [2].
- Em 2007, eles tentaram mudar o regime organizando, para tal, uma «revolução colorida» com grupos trotzkistas [3].
- Em 2014, deram a impressão de renunciar ao seu objectivo, mas apoiaram grupos anarquistas afim de vandalizar, e desestabilizar, o país. Foi a Guarimba [4].

Thierry Meyssan

Tradução
Alva

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Syriza: Quando eles dizem que carne na verdade é peixe BASENAME: canta-o-merlo-syriza-quando-eles-dizem-que-carne-na-verdade-e-peixe DATE: Sun, 22 Feb 2015 13:46:20 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

SYRIZA: Quando eles dizem que carne na verdade é peixe

por KKE [*]

http://resistir.info/grecia/syriza_18fev15.html

Ainda recordamos a imagem de monges na Idade Média, os quais diziam que a carne na verdade era peixe a fim de ultrapassar as dificuldades do jejum infindável. Esta imagem ajusta-se perfeitamente aos desenvolvimentos que nestes últimos dias se têm desdobrado na Grécia sob o governo SYRIZA-ANEL. Aqui estão alguns dados para confirmar isto:

O SYRIZA, como partido de oposição, prometera rasgar o memorando, o qual fora assinado pelos governos anteriores com prestamistas estrangeiros (a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) e que continha as medidas anti-trabalhadores e anti-povo. O SYRIZA como partido de governo revelou que concorda com 70% das "reformas" incluídas no memorando e discorda de 30%, as quais ele descreve como "tóxicas". Na verdade, ele declara que não actuará unilateralmente, mas que procura um novo acordo com os prestamistas o qual desta vez não será chamado de memorando, mas sim de programa, acordo ou ponte.

O SYRIZA, como partido da oposição, declarava guerra à troika de prestamistas estrangeiros e dizia que poria um ponto final a esta. O SYRIZA como partido de governo declara que conversará e responderá às "instituições". Quais instituições? A UE, o BCE e o FMI. Na verdade, exactamente as mesmas pessoas que constituem a troika estão a tomar parte nas conversações em Bruxelas em nome das "instituições".

O SYRIZA como partido da oposição era criticamente cáustico do governo ND-PASOK, o qual apoiava e participava das sanções da UE contra a Rússia e acusava-os de serem servis devido a esta posição. O SYRIZA como partido de governo apoiou as mesmas sanções da UE, assim como a sua escalada, caracterizando a posição do seu governo como sendo um "êxito significativo".

O SYRIZA como partido de oposição tomou posição contra privatizações. Agora, como governo, de acordo com declaração do ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, ele declara que "Queremos mudar de posição (move on) da lógica de vendas a preços rebaixados (cut price) para a lógica do seu desenvolvimento em parceria com o sector privado e investidores estrangeiros"! Assim, ambos adoptam as privatizações a fim de reforçar o sector privado e também tentam apresentar outros métodos de privatizações, como parcerias público-privadas e concessões a grupos de negócios, etc, como sendo benéficas.

O SYRIZA como partido de oposição caracterizava a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) como sendo o "livro negro do neoliberalismo". O SYRIZA como partido de governo recebeu em Atenas, nos primeiros dias do seu mandato, Ángel Gurria, presidente da OCDE, o qual teve uma reunião com o primeiro-ministro A. Tsipras. A OCDE, de acordo com a coligação governamental SYRIZA-ANEL, é a organização que ajudará a formular uma lista de medidas a fim de salvaguardar o desenvolvimento (capitalista) na Grécia. Medidas que substituirão a parte "tóxica" do Memorando, os notórios 30%.

O SYRIZA como partido de oposição denunciou a decisão do governo anterior de pagar "dezenas de milhões de Euros a companhias fornecem serviços legais e conselho financeiro". O governo SYRIZA-ANEL contratou a companhia "Lazard" como consultora sobre questões de dívida pública e gestão orçamental, obviamente apreciando a perícia que esta providenciou a governos anteriores do PASOK sob G. Papandreu. Isto não é casual! Além disso o novo ministro das Finanças, Varoufakis (ele foi consultor de G. Papandreu) recorreu aos serviços dos antigos conselheiros de G. Papandreu, J. Galbraith e Elene Panariti, antiga deputada do PASOK. O primeiro é um economista americano, professor na Universidade do Texas, um responsável do Levy Institute, um bem conhecido apologista do capitalismo e apoiante de uma fórmula mais expansionista para a gestão da crise. A última trabalhou para o Banco Mundial. Por outras palavras, ambos servem o sistema e seus mecanismos.

Podíamos acrescentar mais à lista das retractações do SYRIZA e do seu governo "de esquerda", como o facto de que uma série de promessas feitas antes das eleições, com por exemplo o aumento do salário mínimo, foi adiada para o futuro distante. Do mesmo modo, podíamos apontar outros exemplos mais gritantes de responsáveis e conselheiros do social-democrata PASOK que agora estão a servir o governo "de esquerda". Contudo, a questão mais crucial é clarificar que espécie de negociações o actual governo grego está a conduzir com a UE e os outros credores.

As negociações têm um conteúdo concreto o qual não está relacionado com o "alegado fim da austeridade" na Grécia e na Europa, como afirmam o SYRIZA e os outros partidos que participam do Partido da Esquerda Europeia. Além disso, Varoufakis declarou claramente que nos próximos anos, sob o governo do SYRIZA o povo trabalhador deve continuar a viver "frugalmente". As negociações estão relacionadas com as necessidades dos grupos de negócios que decorrem das consequências da crise capitalista profunda bem como da rota da incerta recuperação capitalista na Grécia e na Eurozona como um todo.

Estas negociações estão a ter lugar num terreno hostil para o povo. Isto se prova pela identificação do governo grego com países tais como a França, Itália e acima de tudo os EUA, com todas as implicações negativas que esta posição implica. Estes países podem exercer pressão sobre a Alemanha para os seus próprios interesses mas continuam a mesma linha política hostil ao povo.

Apesar da sua propaganda ruidosa acerca das negociações com a UE e os credores, o SYRIZA declara ao mesmo tempo que partilha muito com eles e que continuará os compromisso anti-povo do país em relação à UE e à NATO.

Portanto, o povo grego e os demais povos não deveriam deixar-se cair na armadilha de serem separados entre "merkelistas" e "obamistas" e divididos numa luta sob falsas bandeiras. Eles têm de organizar sua luta e exigir a recuperação das perdas quando aos seu rendimento e seus direitos. Eles deveriam exigir a solução dos problemas dos trabalhadores e do povo de acordo com as suas necessidades contemporâneas. Devem lutar pela saída que trará esperança: a socialização dos monopólios, o desligamento das uniões imperialistas da UE e da NATO com o povo a tomar as rédeas do poder. Isto pavimentará o caminho para a única via oportuna e realista que leva à verdadeira emancipação do povo: a construção de uma nova sociedade, socialista.
Ver também:
La victoria de SYRIZA commociona Europa
Syriza nominating right-wing Pavlopoulos as presidential candidate
Grèce: pourquoi une dette à 100% du PIB avant la crise?
Ha empezado el pulso

[*] Partido Comunista Grego.

A versão em inglês encontra-se em inter.kke.gr/en/articles/SYRIZA-When-they-say-that-meat-is-actually-fish/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
19/Fev/15

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO:A Capitulação do Governo de Syriza BASENAME: canta-o-merlo-a-capitulacao-do-governo-de-syriza DATE: Sun, 22 Feb 2015 12:53:27 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://resistir.info/

A CAPITULAÇÃO DO GOVERNO SYRIZA

No dia 20 de Fevereiro consumou-se a capitulação do governo grego diante do Eurogrupo. Ela só desilude aqueles que alimentavam ilusões. Ao contrário do que diz a desinformação dos media de referência, o Syriza nada tem de radical ? é apenas um partido social-democrata (herdeiro do apodrecido Pasok). Como sempre, o destino desta gente é capitular. Hoje já pouco ou nada distingue a social-democracia do neoliberalismo puro e duro. É o caso do Syriza, que nunca pôs em causa a saída do Euro, da UE ou da NATO e muito menos o capitalismo. Assim, bravatas à parte, a intransigência do Eurogrupo encontrou na verdade um governo grego submisso e cordato. Após as enormes cedências que já havia feito em relação ao seu programa eleitoral, o governo Syriza cedeu ainda mais durante as negociações e acabou por capitular em praticamente toda a linha. As "concessões" obtidas foram cosméticas. Exemplo: o que antes se chamava Troika agora passa a chamar-se "instituições" e estas são (adivinhem) o FMI, o BCE e a UE. Grande mudança! Os arraiais reformistas portugueses, que tão entusiasmados estavam com as ditas negociações, o que dirão agora?
A acta da capitulação está em www.consilium.europa.eu/...

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A "praga" PP-PSOE deixa à metade de Espanha na pobreza, mas gasta 137.000 " em comida para gatos BASENAME: canta-o-merlo-lbga-praga-pp-psoe-deixa-a-metade-de-espanha-na-pobreza-mas-gasta-137-000-em-comida-para-gatos-l-bg DATE: Wed, 18 Feb 2015 20:16:16 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.espiaenelcongreso.com/

A "praga" PP-PSOE deixa à metade de Espanha na pobreza, mas gasta 137.000 " em comida para gatos

"Espanha está a crescer", "Saímos da crise", "está a criar-se emprego"" Nada mais longe de umha realidade que nom escandaliza à imprensa, segundo o último relatório do European Anti Poverty Network (EAPN): os presidentes Zapatero (PSOE) e Rajoi (PP) deixárom entre 2009 e 2013 a arrepiante cifra de 12,8 milhons de pobres em Espanha, praticamente a metade da populaçom activa. A vergonha própria e alheia o oculta, mas há mais: 50% dos cidadás ganha entre 0 e 1.000 euros ao mês, o que significa que "67% das pessoas tem dificuldades para chegar o fim de mês". EAPN é concluí-te: Espanha ocupa já o quinto lugar na lista dos países europeus mais desiguais e pobres: só estám pior Bulgária, Grécia, Roménia e Letónia. Mas isso sim: existem 1 milhom de contratos públicos que nengum partido do regime pediu rever ou anular, sequer transitoriamente, ante esta catástrofe humanitária, o que dá lugar a gastos insultantes como que a alimentaçom dos animais da Casa Real custe anualmente 137.000 euros, entre ela a de vários "gatos adultos" de carácter doméstico. Rádio 3w aborda este assunto com Juan Carlos Llano, responsável por EAPN em Espanha, durante o seu programa de "Espia no Congresso" nesta quinta-feira 12 de Fevereiro em directo às 16.00 (hora peninsular espanhola). Também participa Ana Garrido, a funcionária de Boadilla del Monte (Madrid) que destapou a Gürtel e que está a ser perseguida e acurralada por isso: a notícia da sua acosso que proporcionou "Espia no Congresso" converteu-se num fenômeno viral. Por último, abordamos o caso da fraude fiscal do presidente do Senado, Pío García Escudeiro (PP), que foi "perdoado" polo ministro de Fazenda, Cristóbal Montoro.

O afundimento social que reflecte o relatório do European Anti Poverty Network (EAPN) exigisse severas medidas de choque a qualquer cargo público ou alto funcionário com um mínimo de decência e alcançaria a notícia de portada de qualquer meio com sensibilidade cidadá, por enzima das habituais corrupçons políticas, dado o elevado número de espanhóis aos que afecta. De facto, dá nas vistas internacional. Contodo, as honras de primeira notícia tenhem-las os novos Reis (Filipe VI e Leticia) porque se tenhem "baixado" o salário até os 360.000 euros anuais, enquanto se mantém a "pensom" dos antigos (Juan Carlos e Sofia) em quase 300.000 " anuais.

Por contra, a sociedade civil espanhola afunda-se economicamente mas dedicar 137.000 euros a comida de animais régios permite-o o facto de que cada ano se ratificam 1 milhom de contratos do Estado (desde Ministérios a Autonomias, Câmaras municipais, Deputaçons, Universidades ou Televisons públicas) que se renovam praticamente por inércia administrativa porque nengum político ou alto funcionário atreveu-se a questionar a sua necessidade. E como mostra esse botom: no dia em que a Casa Real anuncia em todos os diários que Filipe VI "baixa-se o salário 20%", o país dos dous reis (Juan Carlos I e a Rainha Sofia seguem cobrando como tais) mantém através de Património Nacional (um ente que se haver desgajado de Casa Real para que nom avultem demasiado os seus gastos) esse pago que resulta insultante: 137.000 euros anuais em "alimentaçom de espécies animais", entre eles vários "gatos adultos" régios.

E é que os animais da Casa Real gastam em comida bem mais que a maioria dos fogares espanhóis: concretamente 5.000 euros ao mês. A quantidade sube graças a um contrato que ademais subscreveu o Ministério da Presidência do Governo que dirige Soraya Sáenz de Santamaría, pois estes gastos separárom-se dos da Casa Real para que esta nom pareça cara ou caprichosa a olhos dos cidadás que a custeam. De facto, estes contratos "domésticos" dos palácios do rei assumiram-nos sempre tantos os Governos do PP como os do PSOE.

Vitaminas A, D e E, sulfato cúprico, proteico do nitrogênio, penso antiparasitario, "em nengum caso admitira-se subproductos cárnicos, farinhas de origem animal, nem de carne nem de peixe" e o fosfato será "de origem mineral, nom de ossos". "Aminoácidos protegidos, correctores térmicos e achegue de selenio encapsulado" som outros componentes alimentícios que Moncloa adquiriu para os animais da Casa Real que habitam os seus palácios de Verao e de Inverno. O contrato detalha a dieta dos jabarís, cervos e coelhos dos seus cotos de caça que logo serám abatidos polo monarca, pois especifica que o "ponto de subministraçom" é o Pardo: proteína, celulose, metionina, lisina, ademais de sódio, cálcio, fósforo e magnésio. O mesmo ocorre para os "faisanes, perus reais e ánades" do Palácio de Aranjuez, assim como para o seu "passaros exóticos diamantes". Inclusive os gatos que estám em nómina alimentícia da Casa Real no Campo do Mouro e outros que o contrato especifica que som "domésticos" som tratados a corpo de rei: proteína bruta, matérias gorduras brutas, celulosa bruta, cinzas brutas e cálcio e fósforo junto com pinto, proteínas desidratadas de ave, arroz, farinha de glute, proteínas de salmom e até cítricos ricos em bioflavonoides.

Mas se a imprensa coincide na sua portada aduladoras dos novos reis e a sua suposta austeridade, o verdadeiro é que o relatório EAPN documenta como as elites espanholas seguem desfrutando do seu nível de vida anterior à crise e mesmo o aumentárom ligeiramente. Para EAPN, ser "rico" em Espanha equivale a ter um salário público ou privado de ao menos 2.300 euros ao mês. E tem-no só 4.712.978 pessoas ("10% mais rico da populaçom", di EAPN), que possui ingressos superiores a 27.860,5 " ao ano.

Por baixo desses 4,7 milhons de "privilegiados" estám 42 milhons de cidadás: existem 4.712.978 pessoas (10% da populaçom em 2013) cujos ingressos anuais som inferiores a 5.567 "; outras 4.712.978 pessoas cujos ingressos anuais estám entre 5.568 " e 8.051,5 euros, que som as que conformam o decil 2, e assim sucessivamente até chegar a essa elites públicas ou privadas. "Com respeito ao último grupo, destacar que a média dos seus ingressos é de 38.753 ", mais de doce vezes superior à média de ingressos de 10% mais pobre da populaçom".

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A União Europeia e o Euro serviram para enriquecer a Alemanha BASENAME: canta-o-merlo-a-uniao-europeia-e-o-euro-serviram-para-enriquecer-a-alemanha DATE: Sun, 08 Feb 2015 18:48:56 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

A União Europeia e o Euro serviram para enriquecer a Alemanha

por Eugénio Rosa [*]

http://resistir.info/e_rosa/ue_alemanha_31jan15.html

Com a vitória do Syriza na Grécia uma santa aliança se levantou em toda a UE contra o povo grego. E como não podia deixar de ser os que, em Portugal, estão sempre com sra. Merkel e com Bruxelas, e têm acesso fácil aos media, levantaram-se em uníssono contra um povo que teve a coragem de desafiar os burocratas de Bruxelas e de Berlim, que vêm assim o seu poder antidemocrático e mordomias serem postas em causa.

E a santa aliança interna manifestou-se logo pela voz de Passos Coelho que, dando mais uma vez provas do seu primarismo, classificou o programa do Syriza, que visa acudir à tragédia humanitária que atingiu a Grécia e restabelecer a dignidade do povo grego, como um "conto de crianças". Na SIC, José Gomes Ferreira , o defensor da "austeridade que resulta", com o seu ar convencido e professoral, previu uma tragédia final para a Grécia e para a UE e com isso tentou, mais uma vez, amedrontar e imobilizar os portugueses. No semanário SOL, José António Saraiva considerou que a experiência grega, condenada ao fracasso, será a "vacina" necessária para todos aqueles que ousam por em causa a politica de empobrecimento imposta pela UE e que afirmam que existe uma alternativa a esta politica de destruição do país. No Expresso, Henrique Monteiro caracteriza o programa do Syriza como "um programa para desesperados, irresponsável e deve ser criticado" Na RTP, José Rodrigues Santos , em comentário de Atenas às eleições gregas, no seu ar brejeiro característico, procurando denegrir o povo grego, afirmou que os "gregos fazem-se de paralíticos para ter um subsidiozinho". Outros, embora não se atrevam a exteriorizar, desejam no seu interior o fracasso da experiencia grega para depois dizer que tinham razão, como se possuíssem a "solução milagrosa" e a alternativa não fosse lutar pela mudança.

É uma verdadeira santa aliança de todos que estão curvados perante os burocratas de Bruxelas e a sra. Merkel, procurando assim obter as suas graças, que se levantou contra os que ousam desafiar Bruxelas. E um dos argumentos mais utilizados nesta campanha, embora sem se darem ao trabalho de o provar, é que os outros países e, nomeadamente a Alemanha, não têm nem estão dispostos a pagar a fatura grega.

Interessa pois analisar com objetividade e profundidade este argumento, ou seja, se é a Alemanha que financia os outros países, ou se o nível de vida dos alemães é conseguido à custa da transferência de riqueza de outros países para a Alemanha. Para isso vamos utilizar dados da própria Comissão Europeia constantes da sua base de dados AMECO.

O BEM-ESTAR DOS ALEMÃES É CONSEGUIDO À CUSTA TAMBÉM DA RIQUEZA CRIADA EM OUTROS PAÍSES E TRANSFERIDA PARA A ALEMANHA

O quadro 1,construído com dados oficiais da Comissão Europeia, mostra de uma forma clara e sintética os resultados para três países ? Alemanha, Grécia e Portugal ? da criação da União Europeia e, nomeadamente, da Zona do Euro em 2002.

Para que os dados do quadro sejam mais claros interessa ter presente o significado dos conceitos que são utilizados nele: (1) PIB, ou seja, o Produto Interno Bruto , corresponde ao valor da riqueza criada em cada país em cada ano pelos que residem nesse país; (2) PNB, ou seja, Produto Nacional Bruto , corresponde à riqueza que os habitantes de cada país dispõem em cada ano que pode ser maior do que a produzida no país (no caso da transferência de riqueza do exterior ser superior à riqueza produzida no país em cada ano transferida para o exterior) ou então pode ser menor que a produzida no país (no caso de uma parte da riqueza produzida no país ser transferida para o exterior e não ser compensada pela que recebe do exterior).

E como os próprios dados divulgados pela Comissão Europeia mostram, antes da entrar para a União Europeia, o PIB alemão era superior ao PNB, o que significava que uma parte da riqueza criada na Alemanha era transferida para o exterior beneficiando os habitantes de outros países. No entanto, após a entrada para a União Europeia, o PNB alemão passou a ser superior ao PIB alemão. Isto significa que a riqueza que os alemães passaram a dispor após a criação da União Europeia, e nomeadamente da Zona Euro passou a ser muito superior ao valor da riqueza produzida no próprio país, o que é só possível por meio da transferência da riqueza criada pelos trabalhadores dos outros países para a Alemanha. Na Grécia e em Portugal aconteceu precisamente o contrário. Mas observem-se os dados do quadro que são extremamente claros.

Quadro 1 ? Transferência de riqueza criada em outros países para a Alemanha
e transferência de riqueza criada na Grécia e em Portugal para o exterior
a preços de mercado ? 1995/2015
'.

Observem-se com atenção os dados do quadro 1, mas recorde-se mais uma vez o seguinte: PIB é o valor da riqueza criada anualmente no país; o PNB é o valor da riqueza que o país tem ao seu dispor em cada ano. São duas coisas diferentes E quais as conclusões que se tiram dos dados da Comissão Europeia constantes do quadro 1?

Comecemos pela Alemanha. Até 2002, o PNB alemão era inferior ao PIB alemão, o que significava que uma parcela da riqueza criada na Alemanha ia beneficiar os habitantes de outros países. A partir da criação da Zona Euro em 2002, a situação inverte-se rapidamente: o PNB alemão passa a ser superior ao PIB alemão, ou seja, superior ao valor da riqueza criada na Alemanha. Isto significa que uma parcela da riqueza criada em outros países é transferida para a Alemanha indo beneficiar os habitantes deste país. Só no período 2003-2015 estima-se que a riqueza criada em outros países que foi transferida para Alemanha, indo beneficiar os seus habitantes, atingiu 677.945 milhões ?, ou seja, o correspondente a 3,8 vezes o PIB português.

Na Grécia e em Portugal aconteceu precisamente o contrário como mostram os dados da Comissão Europeia. Na Grécia até 2001, o PNB grego (a riqueza que o país dispunha anualmente) era superior ao PIB (o que era produzido no pais). No entanto, a partir de 2002, com a criação da Zona Euro, começa a verificar-se precisamente o contrário. Uma parcela da riqueza criada na Grécia é transferida para o exterior indo beneficiar os habitantes dos outros países. Em Portugal aconteceu o mesmo mas logo após a entrada para a União Europeia em 1996.

Como revelam os dados da Comissão Europeia constantes do quadro 1, se consideramos o período que vai desde a criação da Zona do Euro (2002-2015) a riqueza criada na Grécia que foi transferida para o exterior, indo beneficiar os habitantes de outros países, já atinge 48.760 milhões ?.

Em Portugal tal situação começou poucos anos depois de entrar para a União Europeia. Em 1995, o PNB português, ou seja, a riqueza que o país dispôs nesse ano ainda era superior ao PIB, ou seja, à riqueza criada nesse ano em Portugal, em 353 milhões ?. A partir de 1996, o PIB passou a ser superior ao PNB, ou seja, uma parte crescente da riqueza criada em Portugal começou a ser transferida para o exterior indo beneficiar os habitantes de outros países. No período 1996-2015, o valor do PIB deste período (20 anos) é superior ao valor do PNB deste período em 70.751 milhões ?. Tal é o montante de riqueza líquida criada em Portugal que foi transferida para o exterior indo beneficiar os habitantes de outros países, incluindo os da Alemanha. E como mostram também os dados do quadro 1, após a entrada de Portugal na Zona Euro em 2002, a transferência da riqueza criada em Portugal para outros países aumentou ainda mais (só no período da "troika" e do governo PSD/CDS a transferência liquida de riqueza para o exterior que foi beneficiar os habitantes de outros países atingiu 20.807 milhões ?).

Portanto, afirmar como fazem os defensores em Portugal da sra. Merkel e dos burocratas de Bruxelas que é a Alemanha que financia tudo é não compreender os mecanismos de funcionamento atual da economia mundial; é no fundo mostrar ignorância ou mentir. Mas não é apenas neste campo que se verifica esta transferência de riqueza. Existem outros campos e outros mecanismos que abordaremos em estudos futuros.

MAIS DE DOIS MILHÕES DE PORTUGUESES NO LIMIAR DA POBREZA SEGUNDO O INE

Esta transferência maciça de riqueza criada em Portugal para outros países, associada à destruição nomeadamente da agricultura, das pesca e da indústria e, consequentemente, também do emprego, tem causado o aumento rápida da miséria como revelam os dados divulgados pelo INE em 30/1/2015 e constantes do quadro 2.

'.

Como revelam os dados do INE, em 2010, ano anterior à entrada da "troika" e do governo PSD/CDS, 42,5% dos portugueses, ou seja, 4.431.603 estariam no "limiar da pobreza" se não existissem prestações sociais; em 2013, essa percentagem já tinha aumentado para 47,8% dos portugueses, ou seja, para 4.984.250 (+552.647).

Mas mais grave é o aumento verificado após o pagamento das prestações sociais (pensões, Rendimento Social de Inserção, Complemento Solidário de Idoso, abono de família, etc.). Como consequência da politica da " troika " e do governo PSD/CDS de cortes na área das prestações sociais aos mais desfavorecidos, o numero de portugueses na pobreza aumentou, entre 2010 e 2013, de 1.876.914 (18% da população portuguesa) para 2.033.324 (19,5% da população portuguesa). Em Dezembro de 2014, 35% dos jovens portugueses estavam desempregados, e o desemprego oficial atingia 695 mil portugueses. E segundo o INE o desemprego é a maior causa da miséria em Portugal (40,5% dos desempregados viviam no limiar da pobreza já em 2013 segundo o INE). Passos Coelho, procurando desmentir os dados do INE afirmou em Fátima, em 31/1/2015, que os dados do INE " são um eco do que o país passou, mas não a situação atual " pois referem-se a 2013, como se a mentira pudesse alterar a realidade. A confirmar está o facto de ter sido incapaz de apresentar quaisquer outros dados

As desigualdades entre ricos e pobres aumentou muito nestes últimos anos em Portugal, como consequência da politica de austeridade recessiva, que agrava as desigualdades imposta pela "troika" e pelo governo PSD/CDS aos portugueses. Como revelam também os dados do INE constantes do quadro anterior, entre 2010 e 2013, o número de vezes que o rendimento dos 10% da população mais ricos é superior ao dos 10% mais pobres aumentou de 9,4 vezes para 11,1 vezes. O Coeficiente de Gini, um indicador das desigualdades atingiu, em 2013, 34,5%, muito superior à média da União Europeia, que é 30,5%, sendo mesmo o mais elevado em toda a Zona Euro.

Dizer neste contexto, como fazem Passos Coelho e Paulo Portas, e o PSD e o CDS, que estamos agora melhor que antes da entrada da "troika" e deste governo, é procurar enganar a opinião pública, é mentir descaradamente, pois as finanças e a economia devem servir as pessoas, e estas não devem ser sacrificadas no altar das finanças.
31/Janeiro/2015
[*] edr2@netcabo.pt

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O Brasil e a política do neoliberalismo Presidente Rousseff declara guerra à classe trabalhadora BASENAME: canta-o-merlo-lbgo-brasil-e-a-politica-do-neoliberalismo-presidente-rousseff-declara-guerra-a-classe-trabalhadora-l-bg DATE: Fri, 30 Jan 2015 14:51:46 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

O Brasil e a política do neoliberalismo
Presidente Rousseff declara guerra à classe trabalhadora

por James Petras

http://resistir.info/petras/petras_brasil_14dez14.html

A classe trabalhadora brasileira está a enfrentar o mais selvagem assalto aos seus padrões de vida em mais de uma década. E não são apenas os trabalhadores industriais que estão sob ataque. Os trabalhadores rurais sem terra, os empregados assalariados do sector público e privado, professores, profissionais da saúde, desempregados e pobres estão a enfrentar cortes maciços no rendimento, nos empregos e nos pagamentos de pensões.

Quaisquer que tenham sido os ganhos obtidos entre 2003-2013, serão revertidos. Os trabalhadores brasileiros enfrentam uma "década de infâmia". O regime Rousseff abraçou a política do "capitalismo selvagem" tal como personificado na nomeação de dois dos mais extremos advogados de políticas neoliberais.

O "Partido dos Trabalhadores" e a ascendência do capital financeiro

No princípio de Dezembro de 2014, a presidente Rousseff nomeou Joaquim Levy como o novo ministro das Finanças ? de facto o novo czar económico para dirigir a economia brasileira. Levy é um importante membro da oligarquia financeira brasileira. Entre 2010-2014 foi presidente do Bradesco Asset Management, um braço de gestão de activos do gigantesco conglomerado Bradesco que administra mais de 130 mil milhões de dólares. Desde os seus tempos de doutoramento na Universidade de Chicago, Levy é um leal seguidor do supremo neoliberal, o professor Milton Friedman, antigo conselheiro económico do ditador militar chileno Augusto Pinochet. Como antigo responsável de topo no Fundo Monetário Internacional (1992-1999), Levy foi um forte advogado de duros programas de austeridade os quais uma década depois empobreceram o Sul da Europa e a Irlanda. Durante a presidência de Henrique Cardoso, Levy actuou como estratega económico de topo, envolvido directamente na maciça privatização de empresas públicas lucrativas ? a preços de saldo ? e na liberalização do sistema financeiro, a qual facilitou a saída financeira ilícita de US$15 mil milhões por ano. A presença de Levy como membro eminente da oligarquia financeira do Brasil e seus profundos e antigos laços a instituições financeiras internacionais é precisamente a razão porque a presidente Rousseff o colocou como responsável da economia brasileira. A nomeação de Levy é parte integral da adopção por Rousseff de uma nova estratégia de aumentar amplamente os lucros do capital financeiro estrangeiro e interno, na esperança de atrair investimentos em grande escala e findar a estagnação económica.

Para a presidente Rousseff e seu mentor, o ex-presidente Lula da Silva, toda a economia deve ser direccionada para obter a "confiança" da classe capitalista.

As políticas sociais que foram implementadas anteriormente são agora sujeitas à eliminação ou redução, pois o novo czar financeiro, Joaquim "Jack o Estripador" Levy, avança na aplicação da sua "terapia de choque". Cortes profundos e abrangentes na parte do rendimento nacional que cabe ao trabalho estão no topo da sua agenda. O objectivo é concentrar riqueza e capital nos dez por centos superiores na esperança de que invistam e aumentem o crescimento.

Se bem que a nomeação de Levy represente decididamente uma viragem para a extrema-direita, as políticas e práticas económicas dos doze anos anteriores prepararam os fundamentos para o retorno de uma versão virulenta da ortodoxia neoliberal.

Os fundamentos económicos para o retorno de capitações selvagens

Durante a campanha eleitoral em 2001, Lula da Silva assinou um acordo económico com o FMI que garantia um excedente orçamental de 3%. Lula quis tranquilizar banqueiros, financeiros internacionais e multinacionais assegurando que o Brasil pagaria seus credores, aumentaria as reservas [de divisas] estrangeiras para remessa de lucros e fluxos financeiros ilícitos para o exterior.

A adopção por Lula de políticas orçamentais conservadoras foi acompanhada pelas suas políticas de austeridade, redução de salários de funcionários públicos e de pensões, bem como de proporcionar apenas aumentos marginais no salário mínimo. Acima de tudo, Lula apoiou todas as privatizações corruptas que tiveram lugar sob o anterior regime Cardoso. No fim do primeiro ano de Lula no governo, em 2003, a Wall Street louvou-o como o "Homem do ano" pelas suas "políticas pragmáticas" e a sua desmobilização e desradicalização dos principais sindicatos e movimentos sociais. Em Janeiro de 2003, o presidente Lula da Silva nomeou Levy como secretário do Tesouro, uma posição que ele manteve até 2006 ? o mais socialmente regressivo período da presidência Lula da Silva. Este período também coincidiu com uma série de escândalos de corrupção enormemente lucrativos, de muitos milhares de milhões de dólares, envolvendo dúzias de altos responsáveis do PT no regime Lula que recebiam comissões clandestinas das principais companhias de construção.

Dois acontecimentos em meados dos anos 2000 permitiram a Da Silva moderar suas políticas e introduzir reformas sociais limitadas. O boom das commodity ? um aumento agudo na procura e nos preços das exportações agro-minerais ? encheu os cofres do Tesouro. E a pressão acrescida dos sindicatos, dos movimentos rurais e dos pobres por uma fatia na prosperidade económica levou a aumentos em gastos sociais, salários e crédito fácil sem afectar a riqueza, propriedade e privilégios da elite. Com o boom económico, Lula podia também satisfazer o FMI, o sector financeiro e a elite dos negócios com subsídios, isenções fiscais, juros baixos nos empréstimos e lucrativos contratos estatais com "sobrepreços". Os pobres receberam 1% do orçamento através de uma "subvenção familiar", uma esmola de US$60 por mês, e trabalhadores mal pagos receberam um salário mínimo mais alto. O custo do bem-estar social (social welfare) foi uma fracção dos 40% do orçamento que os bancos receberam em pagamentos do principal e de juros na dúbia dívida pública incorrida pelos anteriores regimes neoliberais.

Com o fim do boom, o governo de Rousseff reverteu às políticas ortodoxas de Lula no período 2003-2005 e renomeou Levy para executá-las.

A terapia de choque de Levy e suas consequências

A tarefa de Levy de reconcentrar rendimento, ascender lucros e reverter políticas sociais será muito mais árdua em 2014-2015 do que foi em 2003-2005. Principalmente porque, anteriormente, ele estava simplesmente a continuar as políticas do regime Cardoso ? e Lula prometeu aos trabalhadores que isso era apenas temporário. Hoje Levy deve cortar e retalhar ganhos que os trabalhadores e os pobres consideravam como garantidos. De facto, em 2013-2014 movimentos de massa urbanos pressionavam por maiores despesas sociais em transportes, educação e saúde.

Para a terapia de choque de Levy avançar, em algum ponto será necessária repressão, como foi o caso no Chile e na Europa do Sul quando políticas de austeridade semelhantes deprimiram rendimentos e multiplicaram o desemprego.

Levy propõe resgatar os interesses do capital financeiro tomando várias medidas cruciais, as quais estarão alinhadas com a agenda da Wall Street, da City de Londres e dos potentados financeiros brasileiros. Consideradas na sua totalidade, as políticas financeiras de Levy equivalem a "tratamento de choque" ? medidas económicas duras e rápidas aplicadas contra os padrões de vida dos trabalhadores, o equivalente a choques eléctricos em pacientes com perturbações aplicados por psicólogos dementes a afirmarem que "sofrimento é ganho", mas que mais frequentemente transformam os pacientes em zumbis ou coisa pior.

A primeira prioridade de Levy é cortar e retalhar investimentos públicos, pensões, pagamentos por desemprego e salários do sector público. Sob o pretexto de "estabilizar a economia" (para os grupos financeiros) ele desestabilizará a economia familiar de dezenas de milhões. Ele cancelará isenções fiscais para a massa de consumidores que compra carros, electrodomésticos e "produtos da linha branca", aumentando portanto os custos para milhões de famílias da classe trabalhadora ou expulsando-as do mercado através dos preços. O objectivo de Levy é desequilibrar orçamentos familiares (aumento da dívida em relação ao rendimento) a fim de aumentar o excedente do orçamento do Estado e assegurar plenos e prontos pagamentos de dívidas a credores como o seu próprio conglomerado Bradesco.

Em segundo lugar, Levy "ajustará" preços. Mais especificamente o controle do preço final de combustíveis, energia e transportes de modo a que os oligarcas financeiros com milhões de acções naqueles sectores possam elevar preços e "ajustar" sua riqueza ascendente para os milhares de milhões de dólares. Em consequência, a classe trabalhadora e a média terão de gastar uma maior fatia do seu rendimento declinante com combustível, transporte e energia.

Em terceiro lugar, Levy provavelmente deixará a divisa enfraquecer a fim de promover exportações agro-minerais sob o disfarce da maior "competitividade". Mas uma divisa mais barata aumentará o custo de importações, especialmente de alimentos básicos e bens manufacturados. A desvalorização de facto atingirá mais duramente os milhões que não podem proteger suas poupanças e favorecerá os especuladores financeiros que capitalizarão nos movimentos da divisa. E estudos comparativos demonstram que uma divisa mais barata não aumenta necessariamente os investimentos produtivos.

Em quarto lugar, é provável que Levy afirme que as falhas de energia devidas à seca, a qual reduziu a produção das hidroeléctricas do Brasil, exigem "reforma" do sector da energia, eufemismo de Levy para privatização. Ele proporá a liquidação do gigante semi-público Petrobrás e acelerará a privatização da exploração de sítios offshore, em termos favoráveis a grandes bancos de investimento.

Em quinto lugar, é provável que Levy retalhe e incinere regulamentações ambientais e de negócios, incluindo aquelas que afectam a floresta tropical, direitos do trabalho e dos índios, a fim de facilitar a entrada e saída rápida de capital financeiro.

A "terapia de choque" de Levy terá um profundo impacto social e económico sobre a sociedade brasileira. Toda indicação, de experiências passadas e presentes, é que em todo o país onde "Chicago boys", como Levy, aplicaram sua fórmula de "choque", o resultado foi profunda recessão económica, regressão social e intranquilidade política.

Ao contrário das expectativas da presidente Rousseff, cortes em crédito, salários e investimento público deprimirão a economia ? remetendo-a da estagnação para a recessão. A retrógrada equilibragem do orçamento diminui a procura e não induz fluxos de capital produtivo. Os sectores de crescimento mais dinâmico na manufactura, indústria automobilística, serão drástica e adversamente afectados pelos aumentos nos impostos sobre compras. E o mesmo se passa quanto a electrodomésticos.

Até agora a expansão do investimento público fora a principal força condutora do magro crescimento económico. Não há razão racional para acreditar que vastos fluxos de capitais privados subitamente preencherão a lacuna, especialmente num mercado em contracção. Isto é especialmente verdadeiro se, como é provável que aconteça, o conflito de classe se intensificar na generalidade devido a reduções em salários e padrões de vida.

Levy, como todos os fanáticos do mercado livre, argumentará que a recessão e regressão é necessária a curto prazo e que "no longo prazo" terá êxito. Mas em todos os países contemporâneos que seguiram sua fórmula de choque, o resultado foi a regressão prolongada. A Grécia, Espanha, Itália e Portugal estão no sétimo ano de austeridade que induziu a depressão e a sua dívida pública está em crescimento .

As efectivas consequências reais da terapia de choque

Temos de por de lado as afirmações ideológica de "estabilidade e crescimento" dos Levyitas e olhar para os resultados reais das políticas que ele promete.

Em primeiro lugar e acima de tudo, as desigualdades aumentarão porque quaisquer ganhos no rendimento serão a seguir concentrados no topo. As políticas do governo de desregulamentação orçamental e das taxas de câmbio aprofundarão os desequilíbrios na economia, favorecendo credores em relação a devedores, a finança estrangeira em relação a manufacturas locais, os proprietários de capital em relação aos trabalhadores assalariados, o sector privado em relação ao sector público.

Levy na verdade "assegurará a confiança do capital" porque o que é alcunhado como "confiança do investidor" repousa sobre uma licença sem empecilhos para pilhar o ambiente, reduzir salários e explorar um crescente exército de reserva de desempregados.

Conclusão

A terapia de choque de Levy intensificará a tensão de classe e inevitavelmente resultará na ruptura do pacto social entre o regime do assim chamado Partido dos Trabalhadores e os sindicatos, os trabalhadores rurais sem terra e os movimentos sociais urbanos.

Rousseff e a liderança do pretenso "Partido dos Trabalhadores", confrontada com a estagnação económica resultante do declínio no preços das commodities e da decisão do capital privado de evitar investimentos, podia ter optado por socializar a economia, acabar com o capitalismo de compadrio (crony capitalism) e aumentar o investimento público. Ao invés disso, eles capitularam. Rousseff reciclou as políticas neoliberais ortodoxas que Lula implementou durante os primeiros dois anos do seu regime.

Ao invés de mobilizar trabalhadores e profissionais para mudanças estruturais mais profundas, Rousseff e Lula da Silva estão a contar com a "ala esquerda" do PT para lamentar, criticar e conformar-se. Eles estão a contar com líderes cooptados da confederação sindical (CUT) para hiper-ventilar e limitarem-se a protestos simbólicos inconsequentes os quais não abalarão a "terapia de choque" de Levy. Contudo, o âmbito, profundidade e extremismo do assim chamado programa de ajustamento e estabilização de Levy provocarão greves gerais, sobretudo no sector público. Os cortes na indústria automobilística e o aumento do desemprego resultarão em acções de protesto no sector manufactureiro. Os cortes no investimento público e a ascensão nos custos do transporte, cuidados de saúde e educação revitalizarão os movimentos de massa urbanos.

Dentro de um ano, as políticas de choque de Rousseff e Levy converterão o Brasil num caldeirão fervente de descontentamento social. Os gestos pseudo-populistas de Lula e a retórica vazia não terão efeitos. Rousseff não será capaz de convencer o povo trabalhador a aceitar o viés de classe do programa de "austeridade" de Levy, seus incentivos para "ganhar a confiança dos mercados internacionais" e sua política de contracção do rendimento da vasta maioria do povo trabalhador.

As políticas de Levy aprofundarão a recessão, não redespertarão os espíritos animais de empresários. Após um ano de "mais sofrimento e nenhum ganho" (excepto quanto a lucros mais altos para financeiros e exportadores agro-minerais), a presidente Rousseff enfrentará o inevitável resultado político negativo de ter perdido o apoio dos trabalhadores, da classe média e dos pobres rurais sem ganhar o apoio dos negócios e da elite financeira ? eles têm os seus próprios líderes confiáveis. Uma vez tendo posto em prática suas radicalmente regressivas políticas de mercado livre, e tendo provocado maciço descontentamento popular, Levy demitir-se-á e retornará à presidência do Bradesco, do fundo de investimento de muitos milhares de milhões de dólares, declarando "missão cumprida".

Rousseff pode substituir Levy e tentar "moderar" sua "terapia de choque". Mas nessa altura será demasiado pouco e demasiado tarde. O Partido dos Trabalhadores acabará no caixote de lixo da história. A decisão de Rousseff de nomear Levy como czar económico é uma declaração de guerra de classe . E a fim de vencer a guerra de classe, não podemos excluir que as políticas radicalmente regressivas serão impostas pela violência estatal ? a repressão de protestos da massa urbana, o desalojamento selvagem de pacíficos trabalhadores rurais sem terra que ocuparem terras devolutas.

A viragem do regime do "Partido dos Trabalhadores" do "neoliberalismo inclusivo" para o extremismo friedmanista do livre mercado radicalizará e polarizará a sociedade brasileira. A oligarquia pressionará pela remilitarização da sociedade civil. Isto por sua vez, estimulará o crescimento da consciência de classe dos movimentos sociais, como aqueles que terminaram vinte anos de domínio militar. Talvez desta vez a revolução social (social upheaval) possa não acabar numa democracia liberal, talvez a luta que vem aí traga o Brasil mais próximo de uma república socialista.
14/Dezembro/2014

Do autor sobre o Brasil:
A luta dos trabalhadores triunfa sobre o espectáculo
O capitalismo extractivo e o grande salto para trás

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: QE, uma medida de desespero e um fracasso reencenado BASENAME: canta-o-merlo-qe-uma-medida-de-desespero-e-um-fracasso-reencenado DATE: Fri, 23 Jan 2015 21:37:27 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://resistir.info/

QE, UMA MEDIDA DE DESESPERO E UM FRACASSO REENCENADO

A quantitative easing (QE) agora lançada pelo Banco Central Europeu é uma medida de desespêro. Há um par de anos atrás seria impensável que o sr. Mario Draghi se atrevesse a propor, ou sequer a falar nisso. Se o faz agora, é porque todos os outros remédios, receitas & mezinhas fracassaram.   Mesmo analistas conservadores reconhecem-no sem rodeios. Wolfgang Münchau, escrevendo no Financial Times (19/Jan/15), considera que "Isto não vai ser uma versão preventiva do QE, mas uma versão pós-traumática. As expectativas inflacionárias afastaram-se do alvo faz tempo.   A inflação é negativa. A economia da Eurozona está doente" (sic).

Em tempos normais, a injecção monetária pode ser um estímulo ao investimento produtivo, via concessão de crédito. Mas os tempos actuais não são normais. As taxas de juro estão baixíssimas mas o investimento é mínimo ? não por escassez de crédito, mas por falta de procura efectiva.  
No caso de Portugal, Espanha, etc... a Formação Líquida de Capital Fixo é negativa. Isso significa que a capacidade produtiva do país não só não está a crescer como está mesmo a contrair. Diante disto, que sentido faz o BCE vir a comprar títulos da dívida pública dos países da Eurozona?   Assim, tudo indica que os 500 mil milhões anunciados pelo sr. Draghi não resolverão a crise das economias reais da zona Euro ? apenas alimentarão bolhas nos mercados financeiros.   O fracasso da QE nos EUA ? onde permitu o salvamento de bancos mas não o relançamento da actividade produtiva ? será agora reencenado na Europa.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Os Aznar-Botella preparam as malas para EE.UU: o PP achança o terreno com subvençons milionárias BASENAME: canta-o-merlo-os-aznar-botella-preparam-as-malas-para-ee-uu-o-pp-achanca-o-terreno-com-subvencons-milionarias DATE: Sat, 17 Jan 2015 19:10:42 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.elespiadigital.com/index.php/noticias/politica

Os Aznar-Botella preparam as malas para EE.UU: o PP achança o terreno com subvençons milionárias

Felipe González marcha-se a Colômbia e para José María Aznar, em mudança, o paraíso perdido está em Nova Iorque, cidade na que tenta instalar-se quando tenha que sair de Espanha, segundo os jornalistas Jesús Cacho e Graciano Palomo, que o conhecem bem. Tanto Colômbia como EE.UU possuem convénio de extradiçom, polo que em caso que ambos pudessem ser processados, teriam que cumprir condenaçom em cárceres espanhóis. Mas eles preferem que, se isso ocorresse, surpreenda-lhes além de os mares. De facto, ao menos três dirigentes do Partido Popular tenhem subvencionado com fundos públicos espanhóis a empresas americanas das que Aznar beneficiou. E o seu filho José Maria Aznar Botella, residente em Nova Iorque, trabalha na empresa neoiorkina Cerberus Capital Management, à que Bankia cedeu mais de 12.000 milhons de euros de activos imobiliários.

José Maria Aznar planea ir-se de Espanha se se confirmam as fontes que lhe o desvelárom aos jornalistas Jesús Cacho e Graciano Palomo. "Os Aznar emigram de Espanha" Nom cairá essa breva!", escreveu este último: "Chama-me um veterano cargo bem abigarrado do Partido Popular que outrora se deixou a pele a tiras na sua demarcaçom eleitoral para que o entom frágil Aznar fizesse carreira com o minguadinho que era para perguntar-me se eu podo dar fé de que Fazmatella S.L. tem pensado escapar-se de Espanha porque na sua terra nom se reconhecem os méritos do leviatám político e da sua aguerrida esposa". Alude assim aos seus intuitos e às iniciais que recolhem o nome da empresa Família Aznar-Botella.

"Estou com as minhas dúvidas de que fagam as malas e instalem-se em Nova Iorque como maliciam alguns dos seus próximos. Aqui disponhem de viandas bem condimentadas, uns bons ingressos por partida dupla, bla, bla, bla. Se se vam vam-lhes a chorar poucos. Rajoi, nom; Cospedal, também nom. Entre outros", di Palomo. Com isso aludia à notícia proporcionada polo soado e anónimo "Buscón" do diário Vozpópuli, que dirige Jesús Cacho, onde se escreveu sobre o "saturaçom" do casal político, segundo um amigo da família", o que "levou-lhes a recapitular a situaçom" e a "estar a pensar muito seriamente em levantar o campo de Espanha para ir-se a viver a Estados Unidos, concretamente a Nova Iorque".

"Há tempo que os negócios passárom a converter no interesse prioritário do ex presidente, muitos de cujos amigos, alguns entre os mais influentes e poderosos, encontram nos Estados Unidos, porque é gente da direita norte-americana, o qual explicaria também o interesse por transferir o seu centro de operaçons a USA, fugindo do ninho de vespas espanhol e do que Aznar em concreto considera "uns maus tratos generalizados". No Partido Popular, contodo, nom acham que o sangue chegue ao rio, e pensam que o casal Aznar-Botella vai de farol: "A condiçom de lobista de José María, com a que se ganha tam estupendamente a vida, tem a sua razom de ser, a sua alavanca, a sua sustentaçom, na sua condiçom de presidente da Fundaçom FAES e na sua capacidade para abrir portas ante a Administraçom e ante o Governo do PP, e isso ia perdê-lo abandonando Madrid", assinalam estas fontes.

A saída de Espanha dos Aznar coincidiria com a residência do seu filho maior homónimo e com a prévia "semeia" de dinheiro público que fixo o seu pai durante o seu mandato neste território. Aznar foi acusado com provas de pagar com fundos estatais a um lobby de Washington para conseguir a medalha do Congresso da EE.UU. O contrato foi de 2 milhons de dólares com a empresa de advogados Piper Rudnick e pagárom-no os entom políticos do PP Ana Palácio e Ramón Gil Casares através do Ministério de Assuntos Exteriores. Jamais se abriu umha investigaçom a respeito disso e o beneficiado nem os pagadores nunca reintegrárom o dinheiro.

Entre os "amigos" norte-americanos de Aznar que alude a notícia e que lhe sugerem que fuja de Espanha estám o rabino Arthur Schneier, presidente da Fundaçom "Appeal of Conscience", G. Alhen Andreas, director geral da companhia Daniels Midland, o presidente de Boeing, Philip M. Condit, o ex presidente da Reserva Federal Paul A. Vokcker e o presidente da Corporaçom para o Desenvolvimento da Cidade, John C. Whitehead.

A jornalista Rocio Campos, de Informaçom Sensível, descobriu ademais que o seu filho, José Maria Aznar Botella, é conselheiro de Promontoria Plataforma S.L. filial de Cerberus Capital, um fundo abutre que compra activos tóxicos e bota aos inquilinos que nom podem pagar a hipoteca. Cerberus Capital Managament, com sede em Nova Iorque, criou umha rede de sociedades através de Promontoria Holding na Holanda, um paraíso fiscal, para entrar na Europa. Bankia cedeu-lhe mais de 12.000 milhons de euros de activos imobiliários à empresa de Aznar Botella em Setembro de 2013 num processo competitivo, mas a entidade nunca clarificou se houvo mais candidatos. Promontoria Plataforma S.L. conta com doce conselheiros entre os que também se encontra José Manuel Hoyos de Irujo, assessor económico e amigo pessoal do ex-presidente José María Aznar. Também nom se abriu nunca umha investigaçom parlamentar ou judicial sobre este trato entre Bankia e os Aznar.

O próprio Aznar foi contratado pola Universidade de Georgetown (Washington) mas previamente o seu amigo Alberto Ruiz Gallardón, também do PP, patrocinou a sua equipa de basquetebol universitário. Foram 1,1 milhons os que destinou a "actividades no estrangeiro", o que levou à jornalista Anjos Álvarez a perguntar por esta campanha com fundos públicos: "está desenhada para devolver à universidade de Georgetown o que Georgetown dá a Aznar via conferências"".

Para Anjos Álvarez "é evidente que mais que umha campanha para promover as vantagens da capital espanhola entre os estudantes americanos parece umha campanha com objectivos espúrios", já que "seria conveniente que Gallardón promove-se -por exemplo- às equipas madrilenas femininos no quanto de pagar encobertamente as conferências que o esposo de Ana Botella dá na Universidade de Georgetown". Ademais, a empresa eléctrica espanhola Endesa patrocinou igualmente a cátedra Príncipe das Astúrias neste mesmo centro académico, acordo que se subscreveu em 1999 com o PP de Aznar e prorrogou-se em 2005 com o PSOE de Zapatero. Posteriormente Endesa fichou a Aznar como "assessor" a razom de 200.000 euros anuais, que podem chegar aos 400.000 com os "prêmios" e "bonus". Nengum partido pediu jamais umha investigaçom nem também nom ninguém reintegrou o dinheiro público esfumado.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Paul Craig Roberts: "Ataque contra 'Charlie Hebdo' foi umha operaçom de falsa bandeira" BASENAME: canta-o-merlo-paul-craig-roberts-ataque-contra-charlie-hebdo-foi-umha-operacom-de-falsa-bandeira DATE: Sun, 11 Jan 2015 19:20:47 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://actualidad.rt.com/actualidad/162898-roberts-ataque-paris-falsa-bandera-francia-vasallo-eeuu

O ex-subsecretario do Tesouro de EE.UU., Paul Craig Roberts, assegura que o ataque terrorista contra a sede de 'Charlie Hebdo' em Paris foi umha operaçom de bandeira falsa "desenhada para apontoar o estado vassalo da França ante Washington".

"Os suspeitos podem ser tanto culpados como bodes expiatórios. Basta lembrar todos os complôs terroristas criados pola FBI que serviram para fazer a ameaça terrorista real para os estadounidenses", escreveu Roberts num artigo publicado no seu sitio web.

O politólogo afirmou que as agências estadounidenses ham planeado as operaçons de falsa bandeira na Europa para criar ódio contra os muçulmanos e reforçar a esfera de influência de Washington nos países europeus.

"A Polícia encontrou o documento de identidade de Said Kouachi na cena do tiroteio [perto da sede de 'Charlie Hebdo']. Soa-lhes familiar? Lembrem que as autoridades afirmaram encontrar o passaporte intacto de um dos presumíveis seqüestradores do11-S entre as ruínas das torres gémeas. umha vez que as autoridades descobrem que os povos ocidentais estúpidos vam acreditar qualquer mentira transparente, vam recorrer à mentira umha e outra vez", diceu Roberto.

O anúncio da Polícia do achado do documento de identidade claramente aponta a que "o ataque contra 'Charlie Hebdo' foi um trabalho interno e que as pessoas identificadas pola NSA como hostis às guerras ocidentais contra os muçulmanos vam ser incriminadas por um trabalho interno desenhado para devolver a França sob o polegar de Washington", diceu o politólogo.

Assim mesmo, Roberts falou que a economia francesa está a sofrer polas sançons impostas por Washington contra Rússia. "Os estaleiros vem-se afectados ao nom poder entregar os pedidos russos devido à condiçom de vassalagem da França ante Washington", explicou e agregou que "outros aspectos da economia francesa estám a ser impactados negativamente polas sançons que Washington obrigou aos seus Estados peleles da NATO a aplicar contra Rússia".

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Felipe González vai-se a Colômbia nacionalizado com os seus amigos "narcopolíticos": umha comissom de 19 milhoes BASENAME: canta-o-merlo-felipe-gonzalez-vai-se-a-colombia-nacionalizado-com-os-seus-amigos-narcopoliticos-umha-comissom-de-19-milhoes DATE: Fri, 09 Jan 2015 21:15:32 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.elespiadigital.com/index.php/noticias/politica/7773-felipe-gonzalez-se-va-a-colombia-nacionalizado-con-sus-amigos-narcopoliticos-una-comision-de-19-millones

Felipe González vai-se a Colômbia nacionalizado com os seus amigos "narcopolíticos": umha comissom de 19 milhoes

Mariano Rajoy nom se move mas dous dos seus predecessores, Felipe González (PSOE) e José María Aznar (PP) planejam o seu futuro fora de Espanha. O dirigente socialista haver recebido por fim a nacionalidade colombiana que tanto ansiava e poderá desfrutá-la com os seus amigos, entre eles os Marulanda. Cecília Marulanda, viúva do seu lhe velho e incondicional construtor Enrique Sarasola, e Virginia Vallejo, amante e também hoje "viúva" do conhecido "narco" Pablo Escobar, citam-se entre eles. Virginia lembra aquela viagem do falecido mafioso colombiano a Madrid para festejar junto a Felipe González e Alfonso Guerra no Hotel Palace a vitória eleitoral de 1982 e como corria a "coca" na sua tomada de posse.

Em mudança, o ex ministro e ex embaixador Carlos Arturo Marulanda, irmao de Cecilia, foi preso e encarcerado em Madrid polo juiz Juan do Olmo (Audiência Nacional) a requirimento da Interpol, por formaçom de grupos armados, terrorismo e malversaçom de fundos públicos. Para tentar blindar-se, havia condecorado a quatro eurodeputados espanhóis: Manuel Medina (PSOE), Ana Miranda de Lage (PSOE), José Ignacio Salafranca (PP) e Gerardo Galeote (PP), este último implicado na máfia Gürtel. Também o tentou com o funcionário da Comissom Europeia, José Luís Trimiño Pérez, mas o escândalo fixo intervir ao próprio presidente europeu, entom Jacques Santer, que o impediu apesar das travas impostas polo comissário socialista Manuel Marín.

O presidente da República, Juan Manuel Santos Calderón, outorgou o passado 1 de Dezembro a nacionalidade colombiana ao ex presidente do Governo de Espanha, Felipe González, numha discreta cerimónia celebrada no Salom Protocolario da Casa de Narinho. "Acho que nom há presidente que nom possa dizer que em momento de angústia ou de dúvida, aí estava Felipe González listo a dar os seus conselhos, a ajudar, a pôr o seu granito de areia em forma muito efectiva, ademais; sempre em forma desinteressada polo seu agarimo com Colômbia, com os colombianos", disso Santos Calderón. E nom lhe faltava razom: os seus laços com Colômbia centram-se sobretodo com dous casais, segundo descreveram elas mesmas. E com muitos políticos do regime.

Virgínia Vallejo, amante de Pablo Escobar, conhece bem a Felipe González. De facto confessa que "eu creio no socialismo, num socialismo à moda de Felipe González". Ela é jornalista, chegou a entrevistar ao dirigente espanhol do PSOE e contou no seu livro "Amando a Pablo, odiando a Escobar" até onde se remonta a sua relaçom com o seu agora compatriota: "Poucos meses antes de conhecer-nos, Escobar e Santofimio assistiram com outros congressistas colombianos à posse do presidente de Governo espanhol, o socialista Felipe González, cujo homem de confiança, Enrique Sarasola, está casado com a colombiana Cecilia Marulanda".

"A Felipe González entrevistar eu para televisom em 1981 e a Sarasola conhecer em Madrid durante a minha primeira viagem de lua de mel. Com expressom terrivelmente séria, Pablo descreveu-me a cena na que os outros parlamentares da comitiva pediam-lhe cocaína de presenteio numha discoteca madrilena e ele reagia insultado. E eu confirmei o que já sabia: que o Rei da Coca parece detestar, quase tanto como eu, o produto de exportaçom sobre o qual está a construir um autêntico império livre de impostos. A única pessoa a quem Pablo Escobar presenteou rocas de cocaína sem que tivesse sequer que pedi-las é o anterior namorado da sua namorada. E nom o fixo precisamente por razoes humanitárias ou filantrópicas".

Noutra ocasiom, o cunhado de Sarasola tentou vender-lhe a Escobar umha faustosa leira: "A polvoreira na fazenda do cunhado de Enrique Sarasola estalaria em 1996, sendo Carlos Arturo Marulanda embaixador ante a Uniom Europeia durante o governo de Ernesto Samper Pizano. Por acçom de esquadroes como os daqueles chulavitas utilizados polo seu pai meio século atrás, case quatro centenas de famílias camponesas seriam obrigadas a fugir de Bellacruz trás o incendeio das suas casas e a tortura e assassinato dos seus líderes em presença do Exército".

"Marulanda, acusado de conformaçom de grupos para-militares e violaçons dos direitos humanos, seria arrestado em Espanha em 2001 e extraditado a Colômbia em 2002. Duas semanas depois seria liberar sobre a base de que os delitos foram cometidos polos grupos paramilitares que esperavam no César e nom polo milionário amigo do presidente. Para Amnistia Internacional, o ocorrido na fazenda Bellacruz constitui um dos episódios de impunidade mais aberrantes na história recente de Colômbia. Diego Londoño White, como o seu irmao Santiago, seria posteriormente assassinado. E case todos os demais beneficiários da rapina do Metro e dos crimes de Bellacruz, ou os seus descendentes, desfrutam hoje dos mais dourados retiros em Madrid e Paris". A operaçom de compra e venda finalmente frustrou-se pola negativa do "narco":

"Marulanda é o cunhado de Enrique Sarasola. Di ao emissário que eu se que Bellacruz é a fazenda mais grande do país depois de umhas que tem o Mexicano nos Llanos, onde a terra nom vale nada, mas que nom lhe dou nem um milhom de dólares por ela porque eu nom som um desalmado como o pai do ministro. E claro que vai valer o dobro, o meu amor! Mas primeiro tem que buscar-se a outro tipo sem escrúpulos, como ele e o seu irmao, para que tire daí aos descendentes de toda essa pobre gente a quem o seu pai expulsou das suas parcelas a sangue e lume aproveitando do caos da Violência."

Quando Virginia Vallejo e Pablo Escobar falavam da "rapina do Metro" de Medellín referem-se a umha história que corria por Espanha como lenda urbana mas que hoje tem nomes e apelidos: "Explica-me que em Bellacruz está a gestar-se umha polvoreira que tarde ou cedo terminará num massacre. O pai do ministro, Alberto Marulanda Grilo, comprou as primeiras 6000 hectares nos anos quarenta e foi dobrando o tamanho do latifúndio com a ajuda de chulavitas, polícias que incendiavam ranchos, violavam, torturavam e assassinavam por encargo de quem contratasse os seus serviços. A irmá de Carlos Arturo Marulanda está casada com Enrique Sarasola, vinculado à sociedade espanhola Ateinsa de Alberto Cortina, Alberto Alcocer e José Entrecanales".

"Sarasola, amigo próximo de Felipe González, ganhou $19.6 milhoes de dólares de comissom e geriu a adjudicaçom do chamado «Contrato de engenharia do século», o Metro de Medellín, ao Consórcio Hispano-Alemám Metromed e aos seus sócios, entre eles Ateinsa. Diego Londoño White, gerente do projecto do Metro, grande amigo de Pablo e dono, com o seu irmao Santiago, das mansioes que ele e Gustavo utilizam como escritórios, foi o encarregado de negociar o contrato e tramitar as zumentas comissons. Segundo umha testemunha da rapina e a voracidade do grupo encabeçado por Sarasola, a adjudicaçom do Metro " na que receberiam honorários extravagantes desde uns advogados colombianos de apelido Puyo Basco até o despia alemám Werner Mauss ", «mais que umha licitaçom por um contrato de engenharia civil, parecia umha película de gángsters», conceito que outro social-democrata como Pablo Escobar parece partilhar plenamente".
"Quase ao mesmo tempo que Felipe González em Madrid, chega ao governo em Colômbia o seu amigo Belisario Betancur graças ao dinheiro do narcotráfico, que lhe pagou a sua campanha eleitoral. Betancur nomeia presidente da Câmara de Medellín a Álvaro Uribe quando a cidade é um feudo de Pablo Escobar. Uribe reúne-se com os capos do cártel de Medellín e ao quatro meses do sua nomeaçom, Betancur tem-o que destituir da câmara municipal por causa disso. Em Medellín Betancur atira o projecto multimilhonario de construçom de um metro, cujas obras adjudica a Sarasola, quem leva um belisco de 20 milhoes de dólares, que se reparte com Felipe González".

No negócio reaparece o espia alemám Werner Mauss, implicado na tentativa de assassinato de Cubillo em Argel em 1978, quem também leva o seu belisco correspondente. Daquela o próprio Betancur tivo que nomear umha comissom especial para "investigar" o chanchulho. O primeiro gerente do metro de Medellín é Diego Londoño White, quem acabou condenado polos seus vínculos com Pablo Escobar, assim como seqüestro, sendo finalmente assassinado em 2002 num ajuste de contas".

Quem assim se expressa é a web "Amnistia Presos", que conseguiu um documento gráfico que testemunha o que di Virginia Vallejo: Pablo Escobar no Hotel Palace durante o jantar de celebraçom da vitória do PSOE em 1982. Ademais revela 13 vínculos entre Felipe González e as elites social-democratas de Colômbia: Belisario Betancur (embaixador em Madrid e logo presidente); o casal Enrique Sarasola Lertxundi-Cristina Marulanda, filha de Alberto Marulanda Grilo, latifundista agrícola e accionista da companhia aérea Avianca".

Pablo Escobar, no jantar do Hotel Palace que celebra a vitória do PSOE em 1982

Também Alberto Santofimio Botero, ministro de Justiça, senador, presidente da Câmara de Representantes, duas vezes candidato presidencial e condenado em 2006 como autor do assassinato do também candidato presidencial Luís Carlos Galã, cometido em 1989, em cumplicidade com o capo do narcotráfico Pablo Escobar; Virginia Vallejo, o casal de Escobar e jornalista que chega a entrevistar a Felipe González. A presença de Escobar, Santofimio e e Jairo Ortega Ramírez, outro narcopolítico colombiano, está documentada mesmo na sentença contra Santofimio por assassinato. Existem imagens na festa do PSOE celebrando a vitória de 1982 do três narcopolíticos colombianos, que sentárom juntos na mesa do hotel, junto ao toureiro Luís Miguel Dominguín.

"O jornalista colombiano Gonzalo Guillén, presente àquele acto, afirma que foi Pablo Escobar quem lhe apresentou a Felipe González para que lhe pudesse entrevistar. Logo foram a umha discoteca, onde seguiram celebrando-o toda a noite. A polícia espanhola, que tinha fichado a Escobar, soubo com antecipaçom que ia viajar a Madrid e o hotel no que se hospedava. Os antidisturbios rodeárom o edifício e detiveram a vários congressistas do Partido Conservador colombiano que se deitárom cedo. Vestidos com os seus pijamas, foram cacheados, junto com as suas equipagens", conclui esta web.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: CNAS, a versão democrata do imperialismo de conquista BASENAME: canta-o-merlo-cnas-a-versaa-771-o-democrata-do-imperialismo-de-conquista DATE: Tue, 06 Jan 2015 18:46:27 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.voltairenet.org/article186383.html

CNAS, a versão democrata do imperialismo de conquista
Thierry Meyssan

No momento em que Washington não tem nenhuma política externa, mas várias políticas contraditórias e simultâneas, os «falcões liberais» reagruparam-se em torno do general David Petraeus e do Center for a New American Security (Centro para uma Nova Segurança da América- ndT). Thierry Meyssan apresenta-nos este grupo de reflexão política ( ?think-tank? ), que agora desempenha o papel anteriormente atribuído ao Project for a New American Century (Projecto para um Novo Século Americano- ndT) na era Bush: promover o imperialismo expansionista e dominar o mundo.

A crise síria, para a qual a primeira conferência em Genebra já tinha encontrado uma solução, em junho de 2012, continua apesar de todos os acordos negociados com os Estados Unidos. É evidente que a administração Obama não obedece ao seu chefe, e que está, sim, dividida entre duas linhas políticas: de uma parte os imperialistas favoráveis a uma partilha do mundo com a China, e eventualmente a Rússia (é a posição Presidente Obama), e, por outro lado, os imperialistas expansionistas (reunidos à volta de Hillary Clinton e do general David Petraeus).

Para surpresa geral a destituição do director da CIA, e da secretário de Estado, aquando da reeleição de Barack Obama, não pôs fim à divisão da administração mas, pelo contrário, reforçou-a.

São de novo os imperialistas expansionistas quem relança a guerra contra a República Popular da Coreia sob o pretexto de um ataque cibernético contra a Sony Pictures, atribuída a Pyongyang contra toda a lógica. O Presidente Obama subscreveu, em última análise, o seu discurso e assinou um decreto de «sanções».

Parece que os partidários da expansão imperial se reagruparam, primeiro, para criar o Center for a New American Security (Centro para uma Nova Segurança da América), que jogou no Partido Democrata um papel equivalente ao do Project for a New American Century (Projecto para um Novo Século Americano), (e hoje da Foreign Policy Initiative-Iniciativa de Política Externa), no seio do Partido Republicano. Como tal, eles desempenharam um papel importante durante o primeiro mandato de Barack Obama e, para alguns, têm integrado o Estado profundo de onde continuam a puxar os cordelinhos.

Os falcões liberais

O Center for a New American Security (CNAS) foi criado em 2007 por Kurt Campbell e Michèle A. Flournoy.

Estes dois intelectuais haviam trabalhado, préviamente, em conjunto no Center for Strategic and International Studies -CSIS) (Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais- ndT). Aí, eles tinham editado, dois meses após os atentados de 11 de setembro de 2001, a publicação de To Prevail: An American Strategy for the Campaign Against Terrorism (Para Triunfar: Uma Estratégia Americana para a campanha contra o terrorismo) [1]. O livro glosava a decisão do presidente Bush de atacar não apenas os grupos terroristas mas também os Estados que os apoiavam, ou seja, os Estados falidos que fracassavam a combatê-los no seu solo. Inspirando-se nos trabalhos da Força Tarefa (Task Force) sobre o terrorismo do CSIS, a obra preconizava um desenvolvimento considerável das agências de inteligência afim de vigiar o mundo inteiro. Em suma, Campbell e Flournoy aceitavam a narrativa oficial dos atentados e justificavam a «guerra ao terrorismo», que iria enlutar o mundo durante mais de uma década.

Em 2003, Campbell e Flournoy assinavam, com mais treze outros intelectuais democratas, um documento intitulado Progressive Internationalism : A Democratic National Security Strategy (Internacionalismo Progressista : Uma Estratégia Nacional de Segurança Democrata- ndT) [2]. Este manifesto apoiava as guerras pós-11 de setembro, ao mesmo tempo que criticava a fraqueza diplomática do presidente Bush. Dentro da perspectiva da escolha do candidato democrata em 2004, os signatários entendiam promover o projecto imperial norte-americano, (defendido por George W. Bush), ao mesmo tempo que criticavam a forma como ele exercia a liderança, nomeadamente a dúvida que tinha semeado entre os aliados. Os signatários foram então rotulados «falcões liberais».

O CNAS

Aquando da sua criação, (2007), o CNAS afirmava querer renovar o pensamento estratégico norte-americano, após a Comissão Baker- Hamilton e a demissão do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld. O lançamento contou com a presença de numerosos dignitários, entre os quais Madeleine Albright, Hillary Clinton e Chuck Hagel. Na época, Washington buscava uma escapatória do seu atoleiro no Iraque. Campbell e Flournoy entendiam preconizar uma solução militar, que permitisse aos exércitos dos EU continuar a ocupar o Iraque sem ter que esgotar aí as suas forças. Para prosseguir a sua expansão mundial, o imperialismo norte-americano devia, primeiro, elaborar uma estratégia contra-terrorista que lhe permitisse levar as suas tropas no Iraque para um contingente de numero reduzido.

Logicamente, Campbell e Flournoy trabalham, portanto, com o general David Petraeus, que acabava de ser nomeado comandante da Coligação (coalizão-br) militar no Iraque, já que ele era o autor do manual contra-insurreição da infantaria do Exército dos EU. Eles contratam um especialista australiano, David Kilcullen, que se vai tornar o guru do general Petraeus, e conceber a Surge (pressão contínua -ndT)). Segundo ele, a reversão dos insurgentes iraquianos é possível pelo uso combinado de dois factores (o pau e a cenoura): por um lado, um pagamento será feito aos resistentes que mudarem de campo, e que velarão por estabelecer a ordem no seu território e, por outro lado, uma forte pressão militar será exercida sobre eles por um aumento temporário da presença militar dos EU. Esta estratégia será implementada com o sucesso que se sabe : o país atravessa primeiro uma fase de intensa guerra civil, em seguida retorna lentamente à calma depois de ter sido profundamente destruído. Na realidade, a reversão de uma parte da resistência iraquiana só foi possível porque ela se organizava sobre uma base tribal.

De facto, durante este período, a CNAS e o general Petraeus são indissociáveis. Kilcullen torna-se conselheiro de Petraeus, depois da secretária de Estado Condoleezza Rice. A fusão é tal que o coronel John Nagl, assessor de Petraeus, se tornou presidente do CNAS, assim que Campbell e Flournoy entram na administração Obama.

A originalidade do CNAS era a de ser um ?think-tank? (?centro intelectual de pressão política?- ndT) Democrata, que aceita a colaboração e integra falcões republicanos. Ele multiplica, aliás, as reuniões e debates com membros do Project for a New American Century (Projeto para um Novo Século Americano- ndT). Ele é financiado por industriais de armamento ou fornecedores da Defesa (Accenture Federal Services, BAE Systems, Boeing, DRS Technologies, Northrop Grumman), financeiros (Bernard L. Schwartz Investments, Prudential Financial), fundações (Carnegie Corporation of New York, Fundação William e Flora Hewlett, Fundo Ploughshares, Fundação Smith Richardson, Zak Família Charitable Trust) e governos estrangeiros (Israel, Japão, Taiwan).

Durante a campanha eleitoral, Campbell e Flournoy publicaram as suas recomendações para o próximo presidente: The Inheritance and the Way Forward (A Herança e a Via a seguir- ndT) [3]. Na era Bush, eles questionaram o princípio da «guerra preventiva» e a prática da tortura. Além disso, eles recomendam o reformular da guerra contra o terrorismo, de maneira a evitar o «choque de civilizações», que privaria Washington dos seus aliados muçulmanos.

A administração Obama

Eleito presidente dos Estados Unidos, Barack Obama designa Michèle Flournoy para monitorizar a transição no Departamento de Defesa. Logicamente, ela foi nomeada sub-secretário da Defesa encarregue da política, quer dizer, ela devia elaborar a nova estratégia de Defesa. Ela é então o no 2 do departamento e gere um orçamento de $ 200 milhões de dólares.

Por seu lado, Kurt Campbell foi nomeado para o Departamento de Estado, afim de dirigir o gabinete do Extremo Oriente e do Pacífico.

Campbell e Flournoy vão, então, ser os promotores da estratégia de ?pivô?. Segundo eles, os Estados Unidos devem preparar-se para um confronto futuro com a China. Nesta perspectiva, eles devem, lentamente, fazer girar as suas forças armadas da Europa e do Médio Oriente alargado para o Extremo Oriente.

O CNAS torna-se tão popular que vários dos seus colaboradores vão entrar para a administração Obama :
- Rand Beers tornar-se-á secretário para a Segurança da Pátria,
- Ashton Carter, sub-secretário para a Defesa encarregue das aquisições, depois secretário para a Defesa,
- Susan Rice, embaixatriz nas nações unidas, depois conselheira nacional de segurança,
- Robert Work, adjunto do secretário da Defesa, e ainda :
- Shawn Brimley, conselheiro especial do secretário da Defesa para a estratégia, depois director da planificação no Conselho de segurança nacional,
- Price Floyd, assistente adjunto do secretário da Defesa para as relações públicas,
- Alice Hunt, assistente especial no departamento da Defesa,
- Colin Kahl, assistente adjunto do secretário da Defesa para o Próximo- Oriente, depois conselheiro de segurança nacional junto do vice- presidente,
- James Miller, sub-secretário da Defesa, adjunto para a política,
- Eric Pierce, adjunto do chefe do departamento da Defesa encarregue das relações com o Congresso,
- Sarah Sewall virá a ser, em 2014, sub-secretário de Estado para a Democracia e os Direitos do homem,
- Wendy Sherman virá a ser, em 2011, sub-secretário de Estado para os Assuntos políticos,
- Vikram Singh, conselheiro especial do secretário da Defesa para o Afeganistão e o Paquistão,
- Gayle Smith, directora para o Desenvolvimento e a Democracia no Conselho nacional de segurança,
- James Steinberg, adjunto da secretária de Estado,
- Jim Thomas, assistente adjunto do secretário da Defesa para os Recursos,
- Edward (Ted) Warner III, conselheiro do secretário da Defesa para o contrôlo de armamentos.

A influência do CNAS

Michèle Flournoy, que ambicionava tornar-se secretária da Defesa, foi afastada deste posto, em 2012, por ser considerada muito próxima de Israel. No entanto, ela está agora omnipresente nas instâncias de reflexão sobre a Defesa : é membro do Defense Science Board (Conselho Científico da Defesa), do Defense Policy Board (Conselho Político de Defesa) e do President?s Intelligence Advisory Board (Conselho Consultivo da Presidência para a Inteligência).

Salta à vista que as suas sugestões políticas são seguidas, tanto no que diz respeito ao «Médio-Oriente Alargado» como ao Extremo-Oriente.

O CNAS apoiou os esforços de Wendy Sherman para negociar a retoma das negociações diplomáticas com Teerão. De maneira bastante transparente, ela sublinhou que o problema com o Irão era menos a questão nuclear do que a exportação da sua Revolução. Ela preconiza, portanto, uma série de acções extremamente duras para destruir as redes iranianas em África, na América Latina e no Próximo-Oriente [4].

Em relação à Síria, o CNAS considera que será impossível derrubar a República a curto prazo. Aconselha pois a «estratégia do torniquete» : utilizar o consenso, que se criou contra o Emirado islâmico, para que todos os Estados implicados façam pressão sobre Damasco e sobre os grupos de oposição afim de se chegar a uma acalmia militar ?mas sem, no entanto, colaborar com o presidente el-Assad contra o Emirado islâmico?.

O esforço deverá, pois, ao mesmo tempo traduzir-se na obrigação da República integrar no governo elementos da oposição pró-atlantista, e, sobre a ajuda humanitária e logística providenciada às zonas rebeldes de modo a que elas se tornem atractivas. Uma vez os pró-atlantistas colocados no governo, eles serão encarregados de identificar as engrenagens do aparelho do Estado secreto de maneira a que ele, ulteriormente, possa ser destruído. A originalidade do plano é a de reivindicar o deserto sírio para os rebeldes que recusassem entrar no governo. Ora, este deserto representa 70% do território e abriga o essencial das reservas de gás [5].

O CNAS dirige uma atenção particular à Internet. Trata-se de limitar as críticas ao governo, de modo a que a espionagem da N.S.A. (Agência Nacional de Segurança- ndT) possa continuar com a mesma facilidade [6]. Simultaneamente, ele preocupa-se com a maneira como a China popular se protege da espionagem da N.S.A [7].

No Pacífico, o CNAS preconiza uma aproximação com a Índia, a Malásia e a Indonésia. Ele concebeu um plano de modernização do dispositivo contra a Coreia do Norte.
Os responsáveis actuais

Progressivamente, o CNAS ?que era uma iniciativa democrata contando com a colaboração de neo-conservadores republicanos? tornou-se o principal centro de estudos promovendo um imperialismo implacável.

Além de Kurt Campbell e Michèle Flournoy, salienta-se entre os seus dirigentes :
- o general John Allen, comandante da Coligação anti-Daesh,
- Richard Armitage, antigo adjunto da secretaria de Estado,
- Richard Dantzig, vice-presidente da Rand Corporation,
- Joseph Liberman, o antigo porta-voz israelita no Senado,
- o general James Mattis, antigo comandante do CentCom.

Entretanto, o CNAS é levado a um ainda maior desenvolvimento, já que, agora, ele é o principal ?think tank?, capaz de se opôr à baixa do orçamento da defesa dos E.U. e de relançar a indústria de guerra.
Thierry Meyssan

Tradução
Alva

Fonte
Al-Watan (Síria)

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: ?Não queremos viver com migalhas? BASENAME: canta-o-merlo-nao-queremos-viver-com-migalhas DATE: Mon, 05 Jan 2015 12:33:30 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://es.kke.gr/pt/firstpage/

Milhares de pessoas de todas as partes da Grécia enviaram, na grandiosa manifestação, uma mensagem de luta e de reivindicação da vida que lhes pertence. Foi uma mensagem decisiva por uma outra sociedade, em que a classe operária pode usufruir da riqueza que produz.

Mais de 1000 organizações do movimento operário e popular (federações sindicais setoriais e de locais de trabalho, sindicatos, comissões de luta, organizações e associações de agricultores, associações de trabalhadores por conta própria, associações de estudantes e de jovens do ensino secundário, associações de mulheres, de reformados, comissões populares, etc.) participaram na iniciativa da Frente Militante de todos os Trabalhadores (PAME), na magnífica manifestação nacional, que se realizou no sábado, 1 de novembro, na praça Sintagma frente ao parlamento.

Dezenas de milhares de pessoas vieram de autocarro do continente, mas também de Creta, das Ilhas do Mar Egeu e das Ilhas Jónicas e concentraram-se em 9 pontos diferentes da capital grega. Desfilaram depois até à Praça Sintagma, que se tornou demasiado pequena para acolher todos os manifestantes (nota: ver a imagem do local que mostra a dimensão da manifestação2).

O Secretariado Executivo da PAME, na sua declaração, saudou o mar de gente ? nada menos de 100 000 pessoas ? que inundou o centro de Atenas.

Dirigindo-se à manifestação, Giorgos Perros, membro do Secretariado Executivo da PAME, referiu-se às questões ligadas ao desemprego, afirmando que ?nenhum desempregado pode ficar sozinho a enfrentar a pobreza e o desemprego?. Apelou ainda aos trabalhadores para porem fim ao roubo dos salários e dos rendimentos do povo. Apelou ainda à luta por aumentos reais dos seus rendimentos, nos salários e nas pensões.

Como o orador sublinhou: ?As reivindicações do movimento dos trabalhadores, como objetivo de recuperarem as perdas que sofreram, devem ser agressivas e baseadas nas nossas atuais necessidades. Para que tais reivindicações se concretizem e consolidem, devem estar paralelamente ligadas à luta contra os objetivos e as políticas da UE, o memorando e as dívidas que não contraímos?.

Sublinhou também que «o nosso dever é resistir ao ?realismo? a respeito dos limites da resistência da economia que está contido nas propostas do governo e na oposição oficial, que ajustam as nossas reivindicações às necessidades do capital. Dizem-nos que, se os patrões não existirem, se a rentabilidade não existir, não conseguiremos viver e seremos destruídos. Mas nós dizemos que podemos viver sem patrões, que somos nós que produzimos a riqueza, que ela tem de nos ser devolvida».

A luta pelo sucesso da greve geral de 27 de novembro começa com esta grandiosa manifestação nacional como ponto de partida.

A manifestação nacional aprovou duas resoluções, em resposta à solidariedade internacionalista que os manifestantes receberam de dezenas de organizações sindicais de todo o mundo. A primeira resolução é uma mensagem internacionalista de classe com a classe operária da Turquia, por ocasião do novo crime dos patrões numa mina da região de Karaman. A segunda resolução apelou às ?organizações sindicais e às organizações do movimento popular para condenarem a injusta e bárbara prisão dos 5 patriotas cubanos através resoluções, declarações, mensagens de solidariedade e outras iniciativas? e sublinhou a necessidade do fortalecimento do movimento de solidariedade que luta pela sua libertação.

Declaração do Secretário-geral do KKE

Dimitris Koutsoumpas, Secretário-geral do CC do KKE, fez a seguinte declaração na manifestação nacional na Praça Sintagma:

?Só há um caminho em frente para não perder tempo, para enfrentar a fraude, a desorientação, a linha política antipopular do governo e os vários truques do bipartidarismo. A magnífica manifestação da PAME, hoje, mostra esse caminho em frente. Esta manifestação desencadeou-se por iniciativa da PAME por todo o país e foi abraçada por mais de 1000 organizações de trabalhadores do setor público e privado, pelo movimento dos trabalhadores por conta própria nas cidades, pelos pequenos agricultores, a juventude, os estudantes e as mulheres. Este é o caminho que devemos seguir, esta é a nossa solução: resistência, luta, aliança popular para alcançar trabalho estável e permanente para todos, acabar com o saque dos impostos e recuperar as perdas que os salários, as pensões e os direitos da segurança social sofreram nos últimos anos. Temos de prosseguir neste caminho que começou com a iniciativa da PAME. Acabem as ilusões com os novos salvadores. Temos de virar as costas àqueles que supostamente prometem novas soluções governamentais, os novos salvadores que nos querem levar para outra espiral descendente antipopular. Voltaremos a encontrar-nos em 27 de novembro na greve geral nacional, nas manifestações e concentrações que ocorrerão nesse dia. Organizamos a nossa luta, cada pessoa no seu posto de trabalho, em todos os estabelecimentos de ensino, em todos os bairros, para aplanar o caminho que leva a novos desenvolvimentos a favor dos interesses do povo e do país?.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Os perigos do fascismo na Europa BASENAME: canta-o-merlo-os-perigos-do-fascismo-na-europa-1 DATE: Mon, 05 Jan 2015 12:29:06 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://es.kke.gr/pt/articles/Os-perigos-do-fascismo-na-Europa/

Dimitris Koutsoumpas

Há 69 anos, neste mesmo dia, a Bandeira Vermelha foi hasteada no Reichstag apontando a vitória de uma batalha gigantesca dos povos, com a União Soviética e os comunistas da Europa na vanguarda, contra a mais terrível e desumana ideologia, a ideologia e prática fascista, nascida do próprio capitalismo que levou à maximização da exploração do homem pelo homem, à destruição absoluta da existência humana.

Milhões de pessoas se sacrificaram nesta batalha, nos campos de batalha e nos desumanos campos de concentração. Hoje, rendemos homenagem aos que perderam a vida nas trincheiras, nos campos de batalha, aos que desafiaram os pelotões de fuzilamento. Leningrado e Stalingrado na Rússia, Kokkiniá e Kesarianí na Grécia estão impressos na memória dos povos, da mesma forma que milhares de lugares, onde se determinou o resultado desta dura batalha. Lugares que, por um lado, foram marcados pela barbárie do capitalismo e, por outro, pela grandeza da luta popular contra esta criatura capitalista, o fascismo.

Quase 70 anos depois, alguns estão fazendo todo o possível para extinguir a chama da verdade histórica que foi escrita com o sangue dos povos. Estão fazendo todo o possível para distorcer a história, para justificar, de maneira direta ou indireta, a brutalidade fascista. Nesta propaganda negra das mentiras, os centros imperialistas e, em primeiro lugar, a UE, jogam um papel protagonista. A UE, inclusive, transformou o 9 de maio, que é o Dia da Vitória Antifascista dos Povos, em "Dia da Europa", tentando apagar da memória dos povos da Europa o caráter antifascista deste aniversário. Nesta missão ideológica e política caluniosa e suja, não hesita em equiparar o fascismo com o comunismo. Ao mesmo tempo, a UE, assim como os EUA, não titubeiam em confiar e apoiar as forças reacionárias mais obscuras que ascenderam ao governo da Ucrânia através de um golpe, como ocorreu anteriormente nos países bálticos, a fim de promover seus interesses geopolíticos na região da Eurásia. Nos últimos 25 anos, após da derrocada do socialismo e da dissolução da URSS, se leva a cabo uma sistemática "lavagem cerebral" ideológica anticomunista através da qual as "legiões SS" e os demais grupos armados pró-fascistas se apresentam como "libertadores" do país do bolchevismo.

No entanto, por mais rancor que exista, por mais tinta que seja gasta, a realidade objetiva não pode ser alterada. 69 anos após o fim da II Guerra Mundial, milhões de pessoas em todo o mundo reconhecem a contribuição do movimento comunista, com sacrifícios sem precedentes, para a derrota do fascismo. A força básica desta luta titânica, a alma e o líder foram os partidos comunistas, encabeçados pelo partido dos bolcheviques. Milhões de comunistas sacrificaram, inclusive suas vidas, por um mundo melhor.

O sistema capitalista, os antagonismos que, inevitavelmente, se manifestam entre os imperialistas e os monopólios, devem ser impressos e estigmatizados na consciência dos povos como os responsáveis pelas duas guerras mundiais, para os milhões de mortos, incapacitados, para as pessoas expulsas de seus lares. Não hesitaram em cometer qualquer crime com a finalidade de servir aos lucros, ao predomínio e ao poder capitalista. Esta realidade é ainda mais vigente hoje, dado que os antagonismos e os conflitos entre si estão se intensificando.

A verdade histórica não pode ser distorcida na consciência do povo, tendo sido escrita pela própria luta dos povos, com o sangue dos povos, dos movimentos pela Libertação Nacional e dos movimentos antifascistas nos países capitalistas, como os heroicos EAM (Frente pela Libertação Nacional), ELAS (Exército Nacional pela Libertação Nacional), EPON (Organização Nacional Unificada da Juventude) existentes em nosso país, que uniram e agitaram o povo a levantar-se.

Foi o resultado das grandes e titânicas batalhas do Exército Vermelho em Stalingrado, Kursk, em Leningrado, em Sebastopol, em todos os campos de batalha na União Soviética e em vários países da Europa capitalista. A grande vitória dos povos contra o eixo fascista-imperialista da Alemanha, Itália e Japão e de seus aliados foi obtida graças ao papel decisivo da União Soviética com sacrifícios incalculáveis e mais de 20 milhões de mortos.

Amigas e amigos, camaradas!

Atualmente, na Ucrânia, nos países bálticos, assim como em outros países da Europa, o fascismo tenta levantar a cabeça, da mesma maneira que em nosso país, onde surgiu uma organização nazista criminosa, o Amanhecer Dourado.

O terrível crime de sexta-feira passada em Odessa, onde os neonazistas do "Setor Direita" queimaram vivos alguns manifestantes de idioma russo e a operação sangrenta do governo de golpista de Kiev nas regiões orientais, têm grande impacto tanto sobre nosso povo como em toda pessoa consciente no planeta. O povo ucraniano está derramando seu sangue devido à intervenção aberta dos imperialistas dos EUA, da UE e da OTAN, que apoiam o governo dos nacionalistas e fascistas de Kiev e entram em conflito com a Rússia sobre o controle dos recursos energéticos, dos tubos e das cotas de mercado. Mais uma vez, é claramente demonstrado que as alianças imperialistas não apenas não garantem a paz e a segurança para nenhum povo, como o contrário, o conduz à guerra e à indigência.

Como no passado, o monstro fascista hoje é um produto do sistema capitalista; nasce das entranhas do sistema, não é algo que está fora do sistema como querem apresentá-lo. O fascismo é a expressão do capital que se utiliza como "ponta de lança" do poder capitalista contra o movimento trabalhador.

Utiliza as condições de democracia parlamentar burguesa para reforçar-se, contando com o apoio do capital ou de seções do capital, assim como do aparato estatal. Pretende exercer o poder dos monopólios de uma maneira mais dura, tal como fizeram no passado os partidos nacional-socialistas de Hitler e Mussolini, para subjugar o movimento trabalhador e popular. Esta foi e continua sendo sua característica básica; esta é a fonte da ira anticomunista aberta que caracteriza todas as forças fascistas desde sempre.

Certamente, os partidos nacional-socialistas, ainda que expressem os interesses do capital da mesma forma que os demais partidos burgueses, também aprisionam em suas fileiras as camadas populares, tratando de formar uma ampla base popular. Isto é conseguido a partir da utilização da "ferramenta" de intimidação aberta, da política racista, do chauvinismo e do irredentismo, da distorção da história, etc., lançando mão do empobrecimento abrupto das camadas populares, que é o resultado da crise econômica e da debilidade dos demais partidos burgueses em gerenciar o sistema, em arrastar para o âmbito de sua influência os setores populares politicamente atrasados.

O fortalecimento dos partidos fascistas na Ucrânia, do partido "Svoboda" e do "Setor Direita", assim como o Amanhecer Dourado na Grécia, têm alguns elementos similares, como por exemplo, o fato de se terem manifestado após o fracasso rotundo das promessas dos partidos social-democratas que estavam no poder. Por exemplo, todos recordam as promessas do PASOK na Grécia, pouco antes do estouro da crise. Porém, a social-democracia e os partidos liberais burgueses, todos eles típicos governos burgueses, prometem medidas favoráveis ao povo enquanto, na prática, seguem uma política antipopular dura, servindo aos monopólios. Então, dada a desilusão das camadas populares arruinadas, dos autônomos, dos camponeses, dos desempregados, de setores da classe trabalhadora sem experiência, sobretudo jovens, é possível que se dirijam para uma direção mais reacionária. Uma situação similar se deu na Ucrânia, com as promessas feitas pelo governo de Yanukovich.

Esta situação requer que prestemos atenção quando se fala muito no nosso país de um "governo patriótico de esquerda", o que promete o SYRIZA, e que, no marco da UE e da OTAN, na via de desenvolvimento capitalista, supostamente, serão aliviados os trabalhadores, serão solucionados os problemas populares. Não existe maior engano e, infelizmente, se demonstrou historicamente que um tal "governo de esquerda", segundo o modelo conhecido como social-democracia, pode constituir uma ponte para uma política ainda mais direitista, dura e antipopular.

Isto foi confirmado, também, pela experiência recente e passada, dado que as consignas e as promessas de mudanças favoráveis ao povo foram desmentidas na prática por uma ou outra forma de gestão dos interesses do capital, pela barbárie capitalista, pela estratégia da UE, levando a um retrocesso de coincidências.

Hoje em dia, quando as forças fascistas surgem, por exemplo, no governo da Ucrânia, foi demonstrado com provas convincentes que o fascismo, como há 80 anos, pode ser a opção das classes burguesas, não apenas como força de ataque e de intimidação contra o movimento popular, mas, além disso, como força de gestão do poder burguês.

Sabemos por nossa própria história que as forças políticas burguesas, tanto de direita como as social-democratas, em alguns momentos, apoiaram os fascistas, que foram bastante úteis ao sistema capitalista naquelas circunstâncias cruciais. Devido ao perigo de ascensão do movimento popular, ao perigo de que o capitalismo perdesse o poder, com critérios classistas, decidiram abandonar temporariamente a forma da democracia parlamentar burguesa e não tiveram dúvidas em apoiar a forma fascista de exercer o poder do capital.

Na prática, vemos, por exemplo, o presidente dos EUA, cuja eleição foi aclamada há alguns anos pelo jornal do SYRIZA e sua administração foi elogiada por este partido e seu líder, que apoia claramente os fascistas de Kiev com o objetivo de servir aos interesses dos monopólios estadunidenses e europeus na Ucrânia, no cenário da dura competição com a Rússia, sobre o controle das quotas de mercado, das rotas de transporte, dos recursos naturais da região.

A UE e o governo grego, que preside a UE, desempenham um papel ativo nestes planos. A UE, por um lado, caracteriza como "totalitarismo" qualquer mudança governamental que não se baseie nas opções burguesas, condena a violência, enquanto, por outro lado, não hesita em utilizar a violência na hora de derrotar governos que já não servem a seus interesses, tal como ocorreu na Ucrânia. Não tiveram dúvida em utilizar a atividade extrema dos nacionalistas-fascistas, anticomunistas, nostálgicos de Hitler e, é claro, a destruição de monumentos de Lenin, de monumentos soviéticos e antifascistas.

Em nosso país também existem muitas pessoas que nos últimos anos "trabalharam" para fortalecer o Amanhecer Dourado fascista. Não apenas via seu financiamento generoso, como através da preparação do "terreno" ideológico para seu desenvolvimento. Trata-se de todos aqueles que fomentaram o ódio contra o KKE e o PAME, contra a organização política e sindical coletiva e a resistência à política antipopular, enaltecendo a indignação "às cegas", a espontaneidade, absolvendo o sistema capitalista quanto às graves consequências da crise capitalista. Referimo-nos àqueles que, como se provou, criaram "canais de comunicação" políticos com esta formação fascista, prometendo inclusive postos no governo, enquanto fomentavam a inaceitável "teoria dos dois extremos".

Depois de tantos crimes, assassinatos de imigrantes, ataques assassinos contra sindicalistas do PAME, o assassinato de P. Fissas, podemos ver que o sistema segue uma política de "podar" o Amanhecer Dourado, mas não o confronta substancialmente. Isto não tem a ver apenas com o governo, mas, contudo, com outros partidos, como mostra a decisão do Conselho Municipal de Atenas sobre os processos eleitorais. Isto representa algo: que o sistema político burguês não possui o interesse de "erradicar", mas de embelezar esta organização e não descarta a possibilidade de utilizá-la no futuro contra o movimento operário e popular.

O KKE considera que sua tarefa imediata e imperativa é isolar o Amanhecer Dourado, inimigo jurado do povo e de suas lutas e pretende golpear o KKE e o movimento operário e popular. Não se pode confrontar o Amanhecer Dourado a partir do ponto de vista de defender supostamente a democracia burguesa, o sistema capitalista que a gera, mas pela Aliança Popular numa direção antimonopolista e anticapitalista, por um movimento popular que questionará e se oporá à estratégia dos monopólios.

Amigos e camaradas:

Tiramos lições e nos preparamos com um KKE que seja capaz de lutar sob todas as condições, sob todas as circunstâncias.

Os acontecimentos na região ampla (Oriente Médio, norte da África, Balcãs, Eurásia) são rápidos e é possível que nos próximos anos conduzam a novas guerras locais, regionais ou generalizadas. Em condições de preparação de guerras e, em geral, de intervenções imperialistas, a burguesia e seus governos tomam medidas contra o movimento trabalhador e, além disso, utilizam os partidos nacionalistas-fascistas. É possível que tentem impor medidas repressivas contra o movimento comunista e operário.

Por isso, o movimento operário, seus aliados e o Partido devem estar preparados a tempo, ser fortes, concentrados em elaborar e aplicar sua própria estratégia, que corresponderá à satisfação das necessidades trabalhistas e populares, através da ruptura do país com a UE e da OTAN, com todas as uniões imperialistas, com sua retirada dos planos imperialistas e da via de desenvolvimento capitalista.

Desta forma, a parada seguinte são as eleições locais e europeias.

Nestas eleições, deve-se condenar direta e claramente a UE, que apoiou os acontecimentos reacionários na Ucrânia. O apoio não foi acidental e nem por um descuido, mas com estimativas ruins ou devido a uma "correlação de forças negativa" ou por ser "submissa" aos EUA. O apoio foi dado porque é uma aliança a serviço dos monopólios europeus. Por sua natureza, é profundamente reacionária, já que tem como "pedra angular" a proteção dos lucros capitalistas. Pensa constantemente novos modos para explorar os trabalhadores, os trabalhadores autônomos, os aposentados, os jovens. Através do ataque contra os direitos trabalhistas e populares, os cortes de salários e pensões, a comercialização da Saúde e da Educação, através de formas de trabalho flexíveis, o desemprego, as privatizações, a PAC, etc. Esta natureza interna reacionária se reflete na política externa reacionária agressiva da UE. Por isto, por um lado, cria mecanismos de supervisão dos países, ou seja, memorandos permanentes e, por outro lado, forma o euro-exército e coopera estreitamente com a OTAN.

A conhecida "estabilidade" que invoca o governo de ND-PASOK não é nada mais que a continuidade desta política antipopular bárbara dentro e fora de suas fronteiras, num curso de estabilização e recuperação dos lucros da plutocracia. O povo não deve se deixar enganar. Qualquer que seja a recuperação dos lucros de uns poucos, isto não tem nenhuma relação com a maioria esmagadora de nosso povo.

Por outro lado, o dilema das eleições promovido pelo principal partido da oposição, "SYRIZA ou Merkel?", insinuando que sem afetar a UE e o capital, ou seja, sem afetar o caminho de desenvolvimento que nos trouxe até aqui, um governo do SYRIZA supostamente trará a "salvação", tem uma clara intenção de prender os trabalhadores dentro da UE, no marco reacionário de uma sociedade que se apoia no Minotauro dos lucros.

Estas falsas ilusões de que pode existir um capitalismo melhor, uma UE melhor, vêm sendo experimentadas pelos trabalhadores há anos e foram desmentidas plenamente. A UE não pode mudar para melhor. Está intrinsecamente ligada à decadência capitalista que não pode ser escondida pela "maquiagem" que o SYRIZA planeja fazer. Não se trata de um assunto de mudança de correlação em seu interior. A UE não se pode converter na Europa de paz, de solidariedade e de cooperação dos povos.

O SYRIZA semeou tais ilusões outra vez há dois anos, quando saudava a eleição de Hollande e a formação da chamada "frente do Sul", do "vento do Sul". Hoje em dia, o que dizia há dois anos sobre Hollande parece uma piada. Respectivamente, hoje a candidatura para o posto de chefe da Comissão Europeia, ou seja, do núcleo mais duro desta construção reacionária, supostamente mudará toda a construção. Estes "contos de fadas" dos representantes do SYRIZA defendem que se conseguirem o voto popular nas eleições iminentes, uma nova UE será construída, um capitalismo melhor será construído, não têm nenhuma base, são extremamente arbitrárias e perigosas para os interesses populares.

A UE é e se converterá num "inferno" ainda maior e mais cruel para os povos, quer o SYRIZA ocupe o primeiro ou o segundo lugar nas eleições. O único caminho é o fortalecimento da luta contra a UE, pelo desligamento desta, com o cancelamento unilateral da dívida, a socialização da riqueza, com o poder operário e popular.

Um passo nesta direção é a condenação decisiva da UE nas próximas eleições junto com a condenação do capitalismo, que gera o fascismo e a guerra imperialista. E isto só pode ser feito através do fortalecimento decisivo do KKE nas eleições europeias, através do fortalecimento do "Agrupamento Popular" nas eleições municipais e regionais.

É por isso que, a partir desta mesa redonda, dirigimos um chamamento de luta comum, de união de forças e de fortalecimento do KKE, que é a única garantia para que o povo seja forte e para poder determinar seu presente e futuro.

09/Maio/2014

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O fim do Muro da Paz e o que se seguiu BASENAME: canta-o-merlo-o-fim-do-muro-da-paz-e-o-que-se-seguiu DATE: Sun, 23 Nov 2014 19:34:53 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

O FIM DO MURO DA PAZ E O QUE SE SEGUIU

http://resistir.info/

Hoje, com o pretexto do Muro de Berlim, a reacção festeja em triunfo e com fanfarras a derrota do socialismo.
Há que dizer que:

1) Hoje o mundo está muito pior do que há 25 anos atras, com guerras incessantes e a ameaça de uma guerra termonuclear;

2) Que a anexação da antiga República Democrática Alemã não beneficiou o seu povo, que hoje lamenta as benesses perdidas com a derrota do socialismo;

3) Que os trabalhadores do ocidente foram prejudicados com o fim do mundo socialista, pois agora os capitalistas consideram-se mais livres para explorá-los;

4) Que o imperialismo adquiriu uma nova agressividade após o desaparecimento do mundo socialista;

5) Que de 1961 a 1989 o Muro de Berlim, ou Muro da Paz, garantiu a tranquilidade na Europa, assim como a defesa da RDA contra a guerra implacável que sempre lhe foi movida com constante sabotagem económica, financeira, tecnológica, militar e psicológica;

6) Que esses clamores triunfantes da reacção fazem todos os possíveis por esquecer os tristes muros que hoje dividem o mundo, como as muralhas que retalham o estado nazi-sionista e encerram o povo palestino em guetos; a muralha mortal, física e electrónica, que assassina mexicanos pobres na fronteira com os EUA; o muro que o regime neo-nazi de Kiev agora está a construir nas fronteiras ucranianas, apesar da ruína económica em que está afundado;

7) Os palradores que hoje peroram na TV acerca do Muro de Berlim deveriam meditar, se fossem capazes disso, na desgraçada situação económica, financeira, social, política, ecológica e energética em que está hoje o mundo capitalista ? o seu triunfalismo seria arrefecido.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Guerra total na Ucrânia: "Ofensiva final" da NATO BASENAME: canta-o-merlo-guerra-total-na-ucrania-ofensiva-final-da-nato DATE: Sun, 23 Nov 2014 19:24:02 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Guerra total na Ucrânia: "Ofensiva final" da NATO

por James Petras

http://resistir.info/petras/petras_ucrania_21nov14.html

Há sinais claros de que uma grande guerra está prestes a estalar na Ucrânia. Uma guerra promovida activamente pelos regimes NATO e apoiada pelos seus aliados e clientes na Ásia (Japão) e no Médio Oriente (Arábia Saudita). A guerra na Ucrânia basicamente será executada no sentido de uma ofensiva militar em plena escala contra a região Sudeste do Donbass, tomando como alvo os russos étnicos da Ucrânia nas Repúblicas de Donetsk e Lugansk, com a intenção de depor os governos eleitos democraticamente, desarmar as milícias populares, matar os partisans da guerrilha de resistência e sua base de massa, desmantelar as organizações representativas populares e ocupar-se com a limpeza étnica de milhões de cidadãos bilingues ucranianos-russos. O ataque militar da NATO que está para vir na região do Donbass é uma continuação e extensão do seu violento putsch original em Kiev, o qual derrubou um governo ucraniano eleito em Fevereiro de 2014.

A junta de Kiev e seus governantes-clientes recém eleitos, bem como os seus patrocinadores da NATO, têm a intenção de efectuar um grande expurgo a fim de consolidar o domínio ditatorial do fantoche Poroshenko. As recentes eleições patrocinadas pela NATO excluíram vários grandes partidos políticos que tradicionalmente eram apoiados pelas grandes minorias étnicas do país, além de terem sido boicotadas na região do Donbass. Esta impostura eleitoral em Kiev marcou o tom para o movimento seguinte da NATO destinado a converter a Ucrânia numa gigantesca base militar multi-propósito dos EUA, abastecer Berlim com cereais e matérias-primas e ao mesmo tempo servir como um mercado cativo para bens manufacturados alemães.

Uma intensificação da febre da guerra está a varrer o ocidente; as consequências desta loucura parecem mais graves a cada hora que passa.

Sinais de guerra: A campanha de propaganda e sanções, a cimeira do G20 e a acumulação de equipamento militar

Os tambores da guerra oficiais a rufarem em prol de uma expansão do conflito na Ucrânia, encabeçados pela junta de Kiev e suas milícias fascistas, reflectem-se em todos os mass media ocidentais, todos os dias. Importantes meios de propaganda de massa e "porta-vozes" públicos governamentais publicam ou anunciam novos relatos inventados do crescimento de ameaças militares russas aos seus vizinhos e invasões transfronteiriças da Ucrânia. Novas incursões russas são "informadas" desde as fronteiras nórdicas e dos estados bálticos até o Cáucaso. O regime sueco atingiu um novo nível de histeria quanto um misterioso submarino "russo" ao largo da costa de Estocolmo, o qual nunca foi identificado ou localizado ? e muito menos confirmado o "avistamento". A Estónia e a Letónia afirmam que aviões de guerra russos violaram seu espaço aéreo, sem confirmação. A Polónia expulsa "espiões" russos sem prova ou testemunhos. Exercícios militares conjuntos em plena escala de estados clientes da NATO estão a ter lugar ao longo das fronteiras da Rússia nos Estados Bálticos, na Polónia, na Roménia e na Ucrânia.

A NATO está a enviar vastos carregamentos de armas para a junta de Kiev, juntamente com conselheiros de "Forças Especiais" e peritos em contra-insurgência em antecipação a um ataque em plena escala contra os rebeldes no Donbass.

O regime de Kiev nunca cumpriu o cessar-fogo de Minsk. Segundo o gabinete de Direitos Humanos da ONU, uma média de 13 pessoas ? principalmente civis ? tem sido morta a cada dia desde o cessar-fogo de Setembro. Em oito semanas, a ONU informa que 957 pessoas foram mortas ? esmagadoramente por parte das forças armadas de Kiev.

O regime de Kiev, por sua vez, cortou todos os serviços sociais e públicos básicos para as Repúblicas Populares, incluindo electricidade, combustível, salários de serviços civis, pensões, abastecimentos médicos, salários de professores e trabalhadores médicos, salários de trabalhadores municipais; a banca e os transportes foram bloqueados.

A estratégia é estrangular a economia, destruir a infraestrutura, forçar um ainda maior êxodo de refugiados desamparados das cidades densamente povoadas através da fronteira para dentro da Rússia e então lançar assaltos maciços pelo ar, com mísseis, com artilharia e no terreno a centros urbanos bem como a bases rebeldes.

A junta de Kiev lançou uma mobilização militar total nas regiões ocidentais, acompanhada por raivosas campanhas de doutrinação anti-russas e anti-ortodoxos do Leste destinadas a atrair os mais violentos brutamontes da extrema direita chauvinista e incorporá-los às brigadas militares estilo nazi para actuarem como tropas de choque na linha de fronteira. A utilização cínica de milícias fascistas irregulares "libertará" a NATO e a Alemanha de qualquer responsabilidade pelo terror e atrocidades inevitáveis na sua campanha. Este sistema de "negação plausível" reflecte as tácticas dos nazis alemães cujas hordas de fascistas ucranianos e ustachi croatas foram notórias na sua época de limpeza étnica.

G20 + NATO: Apoio ao blitz de Kiev

Para isolar e enfraquecer a resistência no Donbass e garantir a vitória do blitz iminente de Kiev, a UE e os EUA estão a intensificar sua pressão económica, militar e diplomática sobre a Rússia para abandonar as nascentes democracias populares na região Sudeste da Ucrânia, seu principal aliado.

Toda escalada de sanções económicas contra a Rússia destina-se a enfraquecer a capacidade dos combatentes da resistência no Donbass para defenderem seus lares e cidades. Todo despacho russo de abastecimento médico e alimentar essencial para as populações sitiadas incita a um novo acesso ainda mais histérico ? porque contraria a estratégia Kiev-NATO de esfaimar os partisans e sua base de massa ou provocar a sua fuga para a segurança através da fronteira russa.

Depois de sofrer uma série de derrotas, o regime de Kiev e seus estrategas da NATO decidiram assinar um "protocolo de paz", o chamado acordo de Minsk, para interromper o avanço da resistência do Donbass à regiões do Sul e proteger seus soldados de Kiev e milícias encravadas em bolsões isolados no Leste. O acordo de Minsk destinava-se a permitir à junta de Kiev reagrupar seus militares, reorganizar seu comando e incorporar as diferentes milícias nazis dentro das suas forças militares na preparação para uma "ofensiva final". A acumulação militar de Kiev no plano interno e a escalada de sanções da NATO contra a Rússia no plano externo seriam os dois lados da mesma estratégia: o êxito de um ataque frontal à resistência democrática da bacia do Donbass depende de minimizar o apoio militar russo através de sanções internacionais.

A virulenta hostilidade da NATO ao presidente russo, Putin, foi plenamente exibida na reunião do G20 na Austrália: presidentes ligados à NATO e primeiros-ministros, especialmente Merkel, Obama, Cameron, Abbott e as ameaças políticas de Harper e insultos pessoais abertos correram em paralelo com o crescente bloqueio de Kiev para esfaimar rebeldes e centros populacionais no Sudeste. Tanto as ameaças económicas do G20 contra a Rússia como o isolamento diplomático de Putin e o bloqueio económico de Kiev são prelúdios à Solução Final da NATO ? o aniquilamento físico de todos os vestígios de resistência no Donbass, de democracia popular e de laços culturais-económicos com a Rússia.

Kiev depende dos seus mentores da NATO para impor uma nova rodada de sanções severas contra a Rússia, especialmente se a sua planeada invasão deparar-se com uma resistência bem armada e robusta reforçada pelo apoio russo. A NATO está a contar com a restaurada e reabastecida capacidade militar de Kiev para efectivamente destruir os centros da resistência no Sudeste.

A NATO decidiu uma "campanha tudo-ou-nada": tomar toda a Ucrânia ou, se isto fracassar, destruir o Sudeste incontrolável, destruir sua população e capacidade produtiva e empenhar-se numa guerra económica total (e possivelmente com tiros) com a Rússia. A chanceler Angela Merkel embarcou neste plano apesar das queixas de industriais alemães sobre suas enormes perdas de exportações para a Rússia. O presidente Hollande, da França, descartou as queixas de sindicalistas sobre a perda de milhares de empregos franceses nos estaleiros navais. O primeiro-ministro David Cameron está ansioso por uma guerra económica contra Moscovo, sugerindo aos banqueiros da City de Londres que encontrem novos canais para lavar os ganhos ilícitos de oligarcas russos.


A resposta russa

Os diplomatas russos estão desesperados para encontrar um compromisso, o qual permitiria à população de etnia russa no Sudeste da Ucrânia reter alguma autonomia sob um plano federativo e recuperar influência dentro da "nova" Ucrânia pós-golpe. Estrategas militares russos têm proporcionado ajuda logística e militar à resistência a fim de evitar uma repetição do massacre de Odessa, no qual russos étnicos foram massacrados pelos fascistas ucranianos. Acima de tudo, a Rússia não pode permitir-se ter bases militares NATO-Nazis-Kiev ao longo do seu Sul "vulnerável", impondo um bloqueio da Crimeia e forçando um êxodo em massa dos russos étnicos do Donbass. Sob Putin, o governo russo tem tentado propor compromissos permitindo a supremacia económica do ocidente sobre a Ucrânia mas sem expansão militar da NATO e a absorção por Kiev.

Essa política conciliatória fracassou repetidamente.

O "regime de compromisso" democraticamente eleito em Kiev foi derrubado em Fevereiro de 2014 num golpe violento, o qual instalou uma junta pró NATO.

Kiev violou o acordo de Minsk com impunidade e o encorajamento das potências da NATO e da Alemanha.

A recente reunião do G20 na Austrália exibiu um coro demagógico contra o presidente Putin. A crucial reunião privada de quatro horas entre Putin e Merkel foi um fracasso quando a Alemanha imitou o coro da NATO.

Putin finalmente respondeu ao expandir a preparação das tropas russas de ar e terra ao longo das suas fronteiras enquanto acelerava o eixo económico de Moscovo na Ásia.

O mais importante: o presidente Putin anunciou que a Rússia não pode permanecer passiva e permitir o massacre de todo um povo na região do Donbas.

Será que a próxima blitz de Poroshenko contra o povo do Sudeste da Ucrânia se destina a provocar uma resposta russa ? à crise humanitária? Será que a Rússia confrontará a ofensiva de Kiev dirigida pela NATO e se arriscará a uma ruptura total com o ocidente?
21/Novembro/2014

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/all-out-war-in-ukraine-natos-final-offensive/5415354

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: PP, PSOE, UPyD e CiU rejeitam que o Governo demande a Israel por destruir o aeroporto de Gaza pago por Espanha BASENAME: canta-o-merlo-pp-psoe-upyd-e-ciu-rejeitam-que-o-governo-demande-a-israel-por-destruir-o-aeroporto-de-gaza-pago-por-espanha DATE: Fri, 24 Oct 2014 04:05:37 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.elespiadigital.com/

PP, PSOE, UPyD e CiU rejeitárom nesta quarta-feira no Congresso pedir ao Governo que demande a Israel danos e prejuízos por destruir o aeroporto de Gaza, que foi financiado por Espanha, durante a sua última ofensiva contra a Franja, tal e como expunha a iniciativa registada por oito partidos da oposiçom, que se debateu na Comissom de Assuntos Exteriores.

O texto apresentou-se baixo auspicio do Bloco Nacionalista Galego (BNG) e foi assinado também polo grupo da Esquerda Plural (EU-ICV-TE A) e Amaiur, Nova Canárias (NC), Compromís-Equo e Geroa Bai, adscritas ao Grupo Misto.

Em concreto, estes partidos propunham exigir a Israel danos e prejuízos pola destruiçom do aeroporto de Gaza por ser umha infra-estrutura "imprescindível para romper o isolamento que vive a populaçom na Franja".

Abstençom do PNV

Enquanto que PP, PSOE, UPyD e CiU optárom polo voto negativo, o PNV decantou-se pola abstençom, porque, segundo o seu porta-voz Aitor Esteban, "quiçá haja que exigir a Israel que participe na reconstruçom de Gaza", tendo em conta de que foi "a criança que rompeu o brinquedo".

As formaçons signatárias reclamavam também que o Executivo promovesse a suspensom do acordo de associaçom que a Uniom Europeia tem subscrito com Israel desde 1995 sobre a base de que este país incorre numha "vulneraçom flagrante do artigo 2" desse acordo que obriga aos seus assinantes "a respeitar os princípios democráticos e os Direitos Humanos". Contodo, este pedido nom contou com o apoio de nengum dos demais partidos.

E também nom saiu adiante --pola rejeiçom do resto de grupos, salvo o PSOE que optou pola abstençom-- a reclamaçom de que se suspenda o comércio de armas entre o Estado espanhol e o israelense, enquanto Israel nom cumpra com a legislaçom internacional estabelecida em matéria de Direitos Humanos, e com as disposiçons recolhidas nas Convençons de Genebra.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A Geopolítica da Terceira Guerra Mundial BASENAME: canta-o-merlo-lbga-geopolitica-da-terceira-guerra-mundiall-bg DATE: Mon, 13 Oct 2014 17:45:45 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

A Geopolítica da Terceira Guerra Mundial

De scg.com

Tadução Anna Malm* - Correspondente de Pátria Latina na Europa

A verdadeira razão da Rússia e da Síria estarem sendo atacadas exatamente agora.

Contrariamente ao que as pessoas acreditam a conduta dos países na arena internacional quase nunca é motivada por considerações morais, mas por uma mistura de dinheiro e geopolítica. Sendo assim, logo que os portavozes das elites começarem a demonizar algum país a primeira pergunta que deveria vir a mente deveria ser:- Porque estão fazendo isso exatamente agor? - Qual é a finalidade real disso tudo?

Já a algum tempo a Rússia, a China, o Irã e a Síria tem estado em mira como alvo. Logo que se entenda o porque os acontecimentos a se desenrolarem no mundo começarão imediatamente a fazer mais sentido.

O dólar é uma moeda única. Na verdade a sua concepção, nos tempos atuais, assim como a sua relação com a geopolítica, não se assemelha a nenhuma outra moeda na história. Tem-se que não seria o fato do dolar ter sido desde 1944 a moeda de reserva internacional que o põe nessa situação única. Muitas moedas através da história, e dos séculos, tiveram esse papél. O que é único com o dólar é que ele desde 1970 tem sido, com muitas poucas exceções, a única moeda usada para a compra e a venda do petróleo no mercado internacional.

Antes de 1971 o dólar americano estava correlacionado ao ouro, pelo menos oficialmente, e de acordo com o Fundo Monetário Internacional, IMF, em 1966 os bancos centrais internacionais tinham conjuntamente $14 bilhões de dólares americanos. Entretanto, a essas alturas os Estados Unidos só tinham $3.2 bilhões, em ouro disponível, para cobrir os $14 bilhões de notas de dólares em circulação.

Trocado em miudos isso quer dizer que a Reserva Federal dos Estados Unidos estava imprimindo mais dinheiro do que podiam garantir, em ouro.

O resultado disso foi uma inflação desenfreada, assim como uma fuga do dólar.

Em 1971, no que depois veio a ser denominado como o "Choque Nixon", o presidente Nixon declarou o dólar como completamente desligado do ouro.

Depois disso o dólar tornou-se uma moeda completamente baseada no débito, ou seja na dívida. Com moedas baseadas no débito o dinheiro é literalmente levado a existência através de empréstimos.

Aproximadamente 70% do dinheiro em circulação é criado por bancos comuns. Tem-se então aqui que esses bancos são autorizados a emprestar mais do que eles realmente tem em dinheiro depositado, em outras palavras, emprestam o que não tem.

Dessa maneira segue que o resto é criado pela Reserva Federal. Criando dinheiro deveria significar que essa estaria também emprestando o que não tem. Entretanto tem-se aqui que a Reserva Federal empresta dinheiro principalmente ao governo.

Isso seria simplesmente como dar cheques sem fundo só que aqui, para os bancos, isso tornava-se legal. Essa prática veio a ser chamada de reserva bancária fraccional a ser regulada pela Reserva Federal, a qual é uma instituição que, como por nada, é controlada, assim como é uma propriedade, de um conglomerado de bancos particulares. A Reserva Federal não é uma agência ou ou ramo do governo. Se ela fosse um ramo do governo esse a poderia regular controlar.

Agora, para fazer as coisas ainda mais interessantes, esses empréstimos da reserva fracctional exigem juros, mas como visto acima o dinheiro para pagar esses juros não existe no sistema, uma vez que se empresta mais do que existe em depósitos. Um resultado disso é que sempre há mais dívidas do que dinheiro em circulação. Isso faz com que para se manter a tona a economia tem que estar em perpétuo crescimento, o que é insustentável.

Como terá o dólar conseguido se manter numa posição principal na arena internacional por mais de quarenta anos, se ele é na verdade pouco mais que um elaborado esquema Ponzi? ["Um esquema Ponzi é uma sofisticada operação fraudulenta de investimento do tipo esquema em pirâmide que envolve o pagamento de rendimentos anormalmente altos ("lucros") aos investidores, à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real. O nome do esquema refere-se ao criminoso financeiro ítalo-americano Charles Ponzi (ou Carlo Ponzi)." - Wikipédia]

É aqui que o dólar relata-se a geopolítica. Em 1973, nas águas da artificial crise OPEP do petróleo [onde o preço do petróleo subiu as alturas] a administração Nixon iniciou negociações secretas com o governo da Arábia Saudita para estabelecer o que se tornou conhecido como o sistema de reciclagem do petrodólar. Num documento, revelado pelo Serviço de Pesquisas do Congresso, mostrava-se que essas negociações tinham também um outro lado, uma vez que oficiais americanos estavam lá discutindo abertamente a possibilidade de tomar os campos sauditas de petróleo militarmente.

Nos Estados Unidos o choque devido ao alto preço do petróleo produziu inflação, novas preocupações a respeito de investimentos estrangeiros (vindos dos países produtores do petróleo) e uma aberta especulação não só a respeito da possibilidade como também de até que ponto poderia ser aconselhável o tentar uma tomada militar dos campos de petróleo da Arábia Saudita, assim como de outros países. Nesse contexto tinha-se dado um embargo, e nas águas desse embargo tanto a Arábia Saudita como oficiais dos Estados Unidos trabalharam para ancorar melhor as suas relações bilaterais, que então se baseavam num antagonismo ao comunismo, numa renovada cooperação militar, assim como em iniciativas econômicas que promoviam a reciclagem dos petrodólares sauditas, reciclagem essa que se daria via investimentos sauditas na infraestrutura, na expansão industrial e nos papéis de investimentos dos Estados Unidos.

Esse sistema foi, em 1975, expandido para incluir toda a OPEP.

Apesar de representar uma margem de segurança contra efeitos de recessão surgidos pelo aumento do preço do petróleo, esse arranjo teve um efeito marginal, menos aberto e mais escondido. Ele arranjo removia também as restrições inerentes as políticas monetárias dos Estados Unidos.

Mesmo que a Reserva Federal não fosse totalmente livre para aumentar a oferta do dinheiro completamente a sua vontade, agora tinha-se que a procura, como que ilimitada pelo petróleo, iria impedir uma fuga do dólar, conquanto distribuindo as consequências inflacionárias por todo o planeta [e não só para os Estados Unidos de quando "criando" mais e mais dinheiro, ou seja, imprimindo ou digitando mais e mais cédulas e ou dígitos num computador].

O dólar transformou-se numa moeda apoiada pelo petróleo em vez de apoiada pelo ouro.

Você alguma vez já se perguntou como pode a economia americana conseguir se manter a tona, por décadas, mesmo com débitos, ou seja dívidas, de multibilhões de dólares?

Você já alguma vez se perguntou como a economia dos Estados Unidos, que por 70% é baseada em bens de consumo, consegue manter uma tal desproporcional quantidade da riqueza mundial?

Hoje em dia combustíveis fósseis são como o alicerce do mundo. Eles se tornaram numa parte integral de todos os aspectos da civilização: agricultura, transporte, plásticos, aquecimento, defesa e medicina, e a sua procura só faz por aumentar.

Enquanto o mundo precisar de petróleo, e enquanto o petróleo só for vendido em dólares, o mundo vai querer ter dólares, e é essa procura que dá ao dólar o seu valor.

Para os Estados Unidos isso é um grande negócio. Os dólares saem, ou como papél ou como informação digital, e produtos e serviços reais vem para dentro do país. Entretanto, para o resto do mundo, essa é uma form vil de exploração em grande escala.

Tendo o comércio internacional principalmente em dólares também dá a Washington uma muito poderosa arma financeira através da possibilidade do peso das sanções. Isso se deve ao fato de que as transações em grande escala são forçadas a passar através dos Estados Unidos, por causa do dólar.

Esse sistema do petrodólar não tinha sido desafiado antes de setembro de 2000, quando Saddan Hussein anunciou sua decisão de vender o petróleo iraniano de maneira outra que através de dólares, voltando-se então ao euro. Esse foi um direto ataque ao dólar, assim como o evento geopolítico mais importante do ano. Entretanto, só um atigo apareceu na mídia ocidental mencionando isso.

No mesmo mês em que Saddam anunciou que ele estava deixando o dólar uma organização denominada "Projeto para um Novo Século Americano", no qual Dick Cheney era um membro, apresentou um documento com o título "Reconstruindo as Estratégias de Defesa, Forças e Recursos para um Novo Século". Esse documento requiria um enorme aumento das despesas militares, assim como uma muito mais agressiva política externa, com o objetivo de expandir a dominância americana pelo mundo inteiro. Entretanto, no documento lamentava-se que muitos anos seriam necessários para que esses objetivos fossem alcançados "na ausência de algum acontecimento catastrofal e catalisador - como por ex. um novo "Pearl Harbor" [Evento esse que como se sabe levou os Estados Unidos a entrar na segunda guerra mundial.]

Um evento desse tipo eles o conseguiram um ano mais tarde.

Aproveitando a reação emotional de 9/11 a administração de Bush pode então invadir o Afeganistão e o Iraque assim como decretar o chamado Ato Patriótico. Tudo isso, depois de 9/11, pode ser feito sem maiores resistências.

Não havia nenhuma arma de destruição maciça no Iraque e acreditar nisso não era uma consequência de informação deficiente. Essa foi uma mentira friamente premeditada, e a decisão de invadir o Iraque foi tomada muito conscientemente quanto ao disaster a ser esperado.

Eles sabiam exatamente o que iria acontecer, mas em 2003, isso eles o fizeram de qualquer maneira. De quando os campos de petróleo do Iraque cairam nas mãos dos Estados Unidos a venda do petróleo voltou imediatamente a ser feita sómente em dólares. Missão terminada e pronta. Ponto final.

Logo após a invasão do Iraque [na segunda guerra] a administração Bush tentou estender a guerra ao Irã. [Primeira guerra 1990-91; Segunda guerra 2003].

Desconfiavam que o governo do Irã estaria tentando construir uma arma nuclear. Depois do fiasco no Iraque a credibilidade de Washington estava num nível muito baixo o que fez com que esse não conseguisse levantar apoio internacional, ou mesmo nacional, para uma intervenção no Irã. Esses esforços ainda vieram a sofrer sabotagem por parte de elementos da CIA e Mossad, que se apresentaram dizendo que o Irã não tinha nem mesmo tomado qualquer decisão no sentido de construir uma arma nuclear, muito menos então para começar a construí-la. Entretanto, a demonização do Irã continuou e vem até hoje através da administração de Obama.

Porque?

Bem, será que isso se deveria ao fato de que desde 2004 Irã vem organizando uma bolsa de valores independent para o petróleo? Eles estavam construindo o seu próprio mercado para o petróleo, e esse nada tinha a ver com o dólar. O primeiro fornecimento de petróleo desse mercado foi vendido em julho de 2011.


Não tendo sido capazes de conseguir a guerra que queriam os Estados Unidos então usaram a ONU para impor sanções contra o Irã. O objetivo dessas sanções era o de derrubar o governo do Irã. Apesar dessas sanções terem causado problemas para a economia iraniana elas não conseguiram destabilizar o país. Isso se deveu em grande parte pelo fato da Rússia ter ajudado o Irã a ultrapassar as restrições bancárias dos Estados Unidos.

A intervenção da OTAN na Líbia foi seguida da guerra por procuração contra a Síria. Os depósitos de armamentos do governo da Líbia foram saqueados e as armas foram despachadas através da Turquia para os grupos rebeldes na Síria, trabalhando para derrubar Assad. Já estava claro a essas alturas que muitos desses rebeldes estavam ligados a organizações terroristas. Entretanto, o aparato da segurança nacional dos Estados Unidos viam isso como um mal necessário. A idéia era que o influxo de jihadistas extremistas iria trazer disciplina, fervor religioso e experiência em batalhas, vindas do Iraque. Tudo isso foi financiado pelos simpatizantes sunitas do Golfo, e mais importante, com resultados mortais. Enfim, isso queria também dizer que o Exército Livre da Síria, FSA na sigla inglesa, estava precisando da Al Qaeda.

Em fevereiro de 2009 Moamar Kadafi foi nominado como presidente da União Africana. Ele imediatamente propos a formação de um estado unificado, com uma moeda única. Foi a natureza dessa moeda que fez com que ele fosse assassinado.

Em março de 2009 a União Africana apresentou um documento entitulado "A caminho de uma moeda africana única". Nas páginas 106 e 107 desse documento se discutia principalmente os benefícios e a estrutura técnica de um Banco Central africano abaixo de um padrão correlacionado com o ouro. Na página 94 desse documento declarava-se explicitamente que a chave do sucesso da União Monetária Africana seria a ligação dessa moeda comum africana a mais monetária de todas as comodidades - o ouro. (Note-se que a numeração das páginas pode ser outra nas diferentes versões desse documento.)

Em 2011 a CIA entrou na Líbia e começou a apoiar grupos militantes em sua campanha para derrubar Kadafi. Os Estados Unidos, e a OTAN, por sua vez começaram depois a esticar a aplicação da autorização da ONU quanto a uma zona aérea interditada. Isso foi feito para dar vantagens aos grupos militantes através dos ataques aéreos US e OTAN. A presença de extremistas da Al Qaeda entre os grupos militantes foi varrida para baixo do tapete.

A Líbia assim como o Irã e o Iraque tinham cometido o crime imperdoável de desafiar o dólar.

Vamos agora falar português claro aqui. Foram os Estados Unidos que colocaram o Estado Islâmico (IS/ISIS/ISIL) no poder.

Em 2013 os mesmos elementos do hoje denominado Estado Islâmico que de então se apresentavam como Al Qaeda relacionados rebéis da Síria, lançaram dois ataques com o gás sarin, na Síria. Isso foi feito para acusar Assad de o ter feito e para conseguir então apoio internacional para uma intervenção militar. Entretanto, o contrário foi demostrado pela ONU e pelos investigadores da Rússia, e essa tentativa de conseguir os desejados ataques aéreos contra a Síria caiu por terra por assim dizer. A Rússia conseguiu uma solução diplomática dos acontecimentos.

A campanha americana para derrubar o governo na Síria, assim como também tinha sido feita na Líbia, foi apresentada em termos de "direitos humanos". É óbvio que esse não tinha sido o motivo real. Em 2009 Catar tinha apresentado uma proposta para um gasoduto através da Síria e da Turquia para a Europa. Assad rejeitou essa proposta. Depois disso ele fez um pacto com o Iraque e Irã para construir um gasoduto não indo para a Europa, mas para o oriente, tirando dessa maneira e completamente tanto a Arábia Saudita como a Turquia do negócio. Não é então surpreendente que tenha sido exatamente Catar, a Arábia Saudita e a Turquia que foram os mais agressivos atores regionais atiçando para a derrubada do governo da Síria. Entretanto, porque iria essa dispusta de gasodutos pôr os Estados Unidos tão ativo contra a Síria? Tem-se aqui três motivos:

1) O arranjo desejado pela Síria iria fortalecer, e de muito, a posição do Irã, porque esse permitiria ao Irã exportar para os mercados europeus sem ter que passar através de nenhum dos países aliados de Washington. Isso iria depois enfraquecer de muito o poder de Washington sobre o Irã.

2) A Síria é o aliado mais próximo do Irã e um seu colápso iria de certeza ajudar a enfraquecer o Irã.

3) A Síria e o Irã tem um acordo mútuo de defesa o que poderia fazer que uma intervenção na Síria abrisse as portas para um conflito com o Irã. Em fevereiro desse ano essa geopolítica complicou-se ainda mais por causa da Ucrânia. Aqui o alvo real era a Rússia, que realmente é o segundo maior exportador de petróleo do mundo. A Rússia é não só um espinho na coroa de Washington, visto de uma perspectiva diplomática, como também tem-se aqui que a Rússia abriu, em 2008, uma bolsa de valores energéticos com as vendas sendo denominadas em rublos e ouro. Esse projeto esteve sendo preparado desde 2006 . A Rússia e a China também estiveram se entendendo para fazer, se não todos, então muitos, dos seus próprios negócios bilaterais sem o uso do dólar.

Depois tem-se que a Rússia esteve organizando a União Econômica da Eurásia, a qual inclui planos para adotar uma moeda comum, prevista para um mercado energético independente.

De quando do começo da crise atual, a Ucrânia foi apresentada com duas opções: ou associar-se a União Européia ou entrar na União da Eurásia. A União Européia insistia que tinha que ser ou uma ou a outra. A Ucrânia não poderia entrar nas duas. A Rússia por seu lado dizia que afiliar-se as duas não seria nenhum problema. [Provavelmente por causa das muito melhores condições oferecidas] o Presidente Yanukovich decidiu-se pela Rússia.

Em resposta a isso o aparato da segurança nacional dos Estados Unidos fez uma das suas especialidades. Eles deram um golpe que derrubar o governo de Yanukovich e instalataram um governo com marionetes [só que dessa vez com neonazis na direção]. Para ver a inequívoca evidência do envolvimento de Washington nesse golpe de estado veja o vídeo "The ukraine crisis - what you´re not being told". [O /endereço/url do vídeo segue abaixo em referências e notas.]

This article - Esse artigo do Guardian também vale a pena ler.

Apesar de tudo parecer estar indo bem para os golpistas os Estados Unidos logo perderam o controle da situação. A Criméia fez um referendo no qual o povo votou esmagadoramente para uma secessão da Ucrânia e uma reunificação com a Rússia. A transição foi pacífica e feita ordenadamente. Ninguém foi morto. Entretanto, o ocidente imediatamente apresentou todo o acontecido em termos de uma agressão russa. Essa mentira foi depois repetida "ad nauseum", ou seja, até a náusea.

A Criméia é importante do ponto de vista geoestratégico por causa da sua localização no Mar Negro. Essa sua localização permite uma projeção de poder naval ao Mar Mediterrâneo. Tem-se depois que a Criméia fez parte da Rússia a maior parte da sua história moderna. [Já aqui nem se mencionando, entre outras coisas, que a grande maioria de sua população é de etnia russa.]

Já a anos que os Estados Unidos vem fazendo pressão para incluir a Ucrânia na OTAN. Um tal passo iria colocar as forças militares dos Estados Unidos nas portas da Rússia, o que poderia ter feito com que a Rússia perdesse a Criméia. Essa foi a razão pela qual a Rússia aceitou imediatamente o resultado do referendo e consolidou a Criméia como parte de seu território. [Do qual diga-se de passagem ela nunca deveria ter saído se todos os líderes soviéticos tivessem se mantido sóbrios e capazes de prognostizar hipotéticos, mas possíveis, cenários futuros mais acuradamente. Tem-se aqui também que durante o tempo soviético não seria tão importante abaixo de que jurisdição essa ou aquela região viesse a ser inscrita.]

Depois do caso da Criméia teve-se que no leste da Ucrânia duas regiões [também de tradição russa] vieram a declarar independência de Kiev depois de seus próprios referendos.

Kiev respondeu a isso com o que denominaram de uma operação anti-terrorista. Na prática essa foi uma maciça e indiscriminada campanha de bombardeamentos que veio a matar milhares de civís [entre homens, mulheres, crianças, e idosos, com enormes mísseis de distância, de 3-4 metros de comprimento, senão mais, sendo que cada um podendo ser de múltiplas funções com modernos sistemas de bombardeamentos múltiplos, o que incluiria também armas proibidas].

Tudo indica aqui que matar civís premeditadamente dessa maneira para os ocidentais não se qualificaria, nesse caso como em muitos outros semelhantes, como ato de agressão. Nesse contexto deu-se mesmo que o Fundo Monetário Internacional advertiu explicitamente o governo provisório ucraniano de que o seu pedido de empréstimo de $17 bilhões de dólares poderia estar em perigo se eles não conseguissem acabar com a sublevação no leste do país.

Enquanto a guerra no leste da Ucrânia estava em total vigor eleições presidenciais foram efetuadas e Petro Poroshenko foi eleito presidente. Mostrou-se , através dos telegrams expostos por Wikileaks em 2008, que Poroshenko tinha trabalhado como uma toupeira [trabalho de agente] para o Departamento do Estado dos Estados Unidos, desde 2006. Os americanos se referiam a ele como "o nosso homem na Ucrânia" e muitos dos telegramas se referiam a informações que ele tinha fornecido. Um específico telegrama mostrava que os Estados Unidos, mesmo a essas alturas, já sabia que Poroshenko era corrúpto.

Ter uma marionete a postos mostrou-se entretanto como insufuciente para dar a posição de vantagem para Washinton no decorrer da crise. O que costuma então Washington fazer nesse tipo de situações? Os Estados Unidos, representado em Washington impõem sanções, demonizam, avançam batendo as espadas, ou fazem algum sério ataque utilizando falsas bandeiras.

Essa não é uma boa estratégia em se tratando da Rússia. Na verdade o tiro já saiu pela culatra. As sanções só fizeram por estreitar os laços entre a Rússia e a China e acelerar a agenda de de-dolarização da Rússia. Apesar da retórica essa estratégia não fez com que a Rússia ficasse isolada. Os Estados Unidos e a OTAN colocaram uma distância entre si e a Rússia, mas não conseguiram colocar uma tal distância entre a Rússia e o mundo, o que pode ser provado por exemplo com o caso dos BRICS.

Hoje esse eixo ou centro anti-dólar vai além da economia. Esses países, ou seja, China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul [para aqui só ressaltar os BRICS] sabem o que está em jogo. Portanto nas águas do sucedido na Ucrânia a China propôs um novo pacto de segurança a incluir tanto a Rússia como o Irã.

Considere-se as implicações da administração de Obama a bombardear a Síria, uma vez que a Síria tem um pacto de defesa com o Irã.

Aqui já não se trata de uma segunda guerra fria mas de uma terceira guerra mundial. As massas podem ainda não ter compreendido o que se passa mas seguramente que a história irá lembrar-se disso dessa maneira.

Alianças estão sendo solidificadas e uma guerra está a caminho vindo de muitas frentes. Se as provocações e as guerras por procuração continuarem assim será sómente uma questão de tempo antes que os principais atores venham a se confrontar diretamente, o que é a receita para um desastre total.

Tudo isso lhe parece loucura? Tem razão. Os atuais dirigentes no cenário internacional não podem ser qualificados senão como loucos, enquanto o público vai como sonâmbulo direto para uma confrontação definitiva com a tragédia. Se você quiser alterar o curso dos acontecimentos o melhor será acordar esse público sonâmbulo. Tem-se depois também aqui que mesmo as mais poderosas armas de guerra serão neutralizadas se você conseguir encontrar a mente do homem atrás do gatilho.

Mas, como acordar essas massas? Não espere por ninguém para lhe explicar isso. Seja criativo. Pense nos seus filhos e netos e atue no mundo, porque a vida deles está, em sistema de urgência, dependendo de você mesmo.

Referências e Notas:

The Geopolitics of WW III, em Strategic Culture Foundation, 26-09-2014, EDITOR'S CHOICE | 26.09.2014 |www.strategic-culture.org

Texto original de scgnews.com - storm clouds gathering (nuvens tempestuosas aproximando-se) --

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Sair do Euro para recuperar a soberania e desenvolver o País BASENAME: canta-o-merlo-sair-do-euro-para-recuperar-a-soberania-e-desenvolver-o-pais DATE: Fri, 10 Oct 2014 19:39:07 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Sair do Euro para recuperar a soberania e desenvolver o país
? Portugal precisa tomar o seu destino nas suas mãos

por Octávio Teixeira [*]

Considero a saída do Euro uma opção necessária e indispensável para se poder vislumbrar um futuro não ruinoso para o País. Por isso é com agrado que encaro a sua discussão à esquerda. Tal discussão começa finalmente a deixar de ser um tabu. Mas muitos continuam a acentuar essencialmente os custos, e muitas vezes a exagerá-los, omitindo as indiscutíveis vantagens absolutas e as relativas em comparação com a alternativa da permanência no Euro.

Nunca os defensores da saída, em que há muito me incluo, omitiram os custos objectivos associados a essa opção, ao mesmo tempo que mostraram que os benefícios são largamente superiores e que, mais cedo ou mais tarde, a saída se apresentará como uma inevitabilidade.

Por isso se me impõe voltar ao tema.

Razões para a saída do Euro

1- É necessário ter consciência de que a saída do Euro é, também, uma questão política, o que por vezes parece afastado das análises.

Porque sem soberania monetária não há efectiva soberania nacional e democrática, como a experiência tem demonstrado. A sujeição de Portugal à zona Euro não deixa qualquer margem de manobra para podermos decidir livremente ? designadamente em matéria orçamental, financeira, de projecto de desenvolvimento económico e social.

Se olharmos com atenção para o que se tem passado desde a criação da zona Euro, verifica-se que em resultado das regras, orientações e políticas dimanadas do seu directório e impostas aos Estados-membros, os países periféricos estão submetidos a uma dinâmica colonial: 1) acentuaram-se as divergências reais entre os Estados-membros tal como se acelerou a desindustrialização dos países periféricos em benefício dos países do centro; 2) reforçou-se a posição destes, a metrópole colonizadora, como exportadores de bens de equipamento e de consumo de maior valor acrescentado e como importadores da procura interna e dos baixos salários dos países periféricos, as colónias; 3) subjugaram-se os periféricos à eterna servidão da dívida e ao subdesenvolvimento relativo; e 4) reduziu-se a própria democracia política na perspectiva de os povos e países poderem definir o seu futuro e decidirem livremente as suas opções.

Ainda nesta perspectiva política, importa ter presente que o Euro é o instrumento essencial do neoliberalismo em que estamos atolados. Com o neoliberalismo, não há nem pode haver horizonte de progresso social, pois ele visa a redução dos custos do trabalho e o aumento da acumulação de capital. O capital financeiro que o comanda considera o trabalho como uma mera mercadoria sem qualquer dignidade e faz recair sobre os salários e o emprego todos os custos de ajustamentos a choques económicos, tendo por desígnio aumentar o "exército de reserva", reduzir direitos laborais e travar o crescimento dos salários, em benefício das oligarquias financeiras.

Isto significa que só com a libertação do jugo do Euro será possível implementar uma efectiva alternativa de esquerda. Sob a ditadura do Euro, objectivamente, a "alternativa" cinge-se a um pouco mais de sensibilidade social na governação. Mas não permite a implementação de uma política macroeconómica de ruptura com o neoliberalismo, de desenvolvimento, de progresso social, de valorização do trabalho e dos trabalhadores.

2- Por outro lado, nas perspectivas económica, financeira e social, a saída do Euro com a subsequente desvalorização da nova moeda permite recuperar a competitividade indispensável para sustentar o necessário aumento da produção nacional e das exportações e a redução das importações e do desemprego; eliminar a pressão que o Euro exerce sobre os salários, a precariedade do emprego e o Estado social; viabilizar uma política macroeconómica que assuma como prioridades o desenvolvimento e o bem-estar dos cidadãos; e contribuir de forma significativa para a redução real da dívida externa pois ela é maioritariamente emitida de acordo com a legislação nacional e, por isso, pode ser redenominada na nova moeda.

Acresce que a recuperação da soberania monetária permite o financiamento (em termos adequados) da dívida pública com recurso ao Banco de Portugal, eliminando a obrigatoriedade do Estado se financiar exclusivamente nos mercados financeiros com os consequentes efeitos de imposição da redução da despesa pública e a decorrente pressão em baixa sobre a procura agregada. Isto para além dos enormes efeitos negativos sobre a redistribuição do rendimento e a prestação de serviços públicos.

As "alternativas" que se ficam pela renegociação e consequente reestruturação da dívida e pela ruptura com o Tratado Orçamental, que se impõem e aliviam os constrangimentos que pesam sobre a economia e a população, são insuficientes e transitórias uma vez que não resolvem dois problemas de fundo e centrais:
? a necessidade de ruptura com o neoliberalismo, pois a admissão de que é possível uma alternativa ao neoliberalismo no quadro institucional da zona Euro é um erro tão crasso como o da criação da moeda única; e
? o aumento da competitividade capaz de gerar condições para o crescimento e o desenvolvimento, pois continuaríamos a ter uma taxa de câmbio sobrevalorizada, implicando défices e dívida externos permanentes e elevados, taxas de crescimento irrelevantes ou recessão, desemprego elevado, níveis de vida cada vez mais baixos.

Se todos estamos de acordo com a prioridade do aumento da produção, do crescimento, é necessário criar as condições objectivas e essenciais para que ele possa ocorrer.

Em suma, só a saída do Euro e a criação da nova moeda é passível de se inserir ? e dela ser um instrumento essencial ? num projecto de política macroeconómica de ruptura com o neoliberalismo, de reindustrialização do país, de defesa e aprofundamento do Estado-social, de aumento do emprego e de valorização do trabalho e dos salários reais.

Custos da saída do Euro

É evidente que existirão dificuldades políticas e, eventualmente, legais. Mas o país terá de as confrontar e mobilizar-se para isso. Teremos de competentemente nos prepararmos e motivar o povo para as ultrapassar. A saída do Euro deve ser preferencialmente uma saída acordada com as instâncias europeias, porém o seu abandono deve subsistir mesmo sem esse acordo. Para além de todas as razões essenciais que a justificam, essa determinação será uma arma negocial para influenciar a via da saída através de acordo.

E é certo que existem custos associados à recuperação da soberania monetária e consequente desvalorização da moeda. De qualquer modo esses custos são menores que os decorrentes da desvalorização interna e com a grande e determinante vantagem de permitirem uma saída da crise profunda em que estamos atolados. E são custos de muito curto prazo que se comparam favoravelmente com os da agonia muito prolongada da desvalorização interna devido à permanência no Euro.

Já por diversas vezes identifiquei os custos e sobre eles dei a minha opinião. Mas vale a pena a eles regressar, em particular aos mais vulgarmente suscitados.

Taxa de inflação.
Actualmente, com base nos dados do INE, é previsível que a taxa de inflação importada, em termos do índice de preços no consumidor, decorrente duma desvalorização da moeda de 30%, se situe em 7,5%. Convenhamos que é um custo suportável, até porque será de muito curto prazo (na Islândia, na sequência duma desvalorização acumulada superior a 50%, a inflação foi de 12% em 2009, baixando nos dois anos seguintes para 5 e 4%). Mas há quem suscite a questão de tal previsão ser demasiado optimista e mesmo irrealista, trazendo à colação a experiência que o País teve no início dos anos 80. Porém isso carece de fundamento sério. As condições de hoje e de há 30 anos são incomparáveis porque completamente diferentes. No início dos anos 80 a inflação importada decorrente da desvalorização determinada pelo FMI veio juntar-se à inflação interna que nessa altura rondava os 20%. Sucede que hoje a inflação interna é nula ou mesmo negativa. Situação que tende a manter-se. Nada há para acrescer à inflação importada e, por isso, não tem razão de ser qualquer alarmismo sobre o perigo de uma espiral inflacionista. E, num caso extremo como o dos combustíveis (com uma componente importada da ordem dos 80%) é possível, e impõe-se, controlar os efeitos através da compensação do aumento do preço das importações na nova moeda com a redução do imposto sobre os combustíveis.

Salários.
Os efeitos sobre os salários reais decorrem do nível de inflação. Numa leitura menos cuidada diz-se que eles cairiam tanto como a inflação, ou mais, o que penalizaria fortemente os trabalhadores. A verdade é que não tem que, e não deve, ser assim. Partindo duma inflação previsível de 7,5%, é possível e defensável que os salários nominais tenham um aumento suficiente para que não haja redução dos salários reais. Tendo presente que as remunerações (salários mais contribuições patronais para a Segurança Social) representam 25% do valor da produção, se os salários nominais forem aumentados em 10% teremos um agravamento da inflação de 2,5%. O que acrescido à inflação importada dá um total de 10% de inflação e, portanto, a manutenção dos salários reais.

No imediato, porque a seguir haverá condições para os aumentar com base no crescimento e numa mais justa repartição do rendimento. Porque com uma desvalorização de 30% e uma taxa de inflação de 10% resulta um aumento da competitividade-preço da nossa produção de 20%, o que não só permite num prazo muito curto um acréscimo das exportações de bens e serviços ? e nos serviços com realce particular para o turismo ? como uma apreciável substituição de importações por produção nacional. Com resultados muito positivos no emprego, nas receitas fiscais, nas contas externas, e nos salários.

Pensões e reformas.
Aqui não me parece haver alternativa: terá de (e deverá) ser o Estado a suportar os custos para que não haja redução real dos rendimentos provenientes das pensões e reformas, em particular das mais baixas. E no novo quadro os valores são absolutamente suportáveis pelo Orçamento.

Efeitos sobre as famílias nas relações com o sistema bancário
É de prever, será mesmo inevitável, que as taxas de juro aumentem para valores acima da inflação. Mas mais uma vez não há razão nenhuma que sustente visões catastrofistas. Desde logo porque sendo adequado que as taxas de juro reais sejam positivas tendo em vista a sustentabilidade do sistema bancário o seu nível não tem que ser elevado; e porque, com a recuperação da soberania monetária, o Banco de Portugal pode e deve controlar esse nível de forma globalmente adequada. E tendo em conta que os salários nominais aumentam 10%, os custos reais das prestações do crédito aumentarão, transitoriamente, em níveis relativamente reduzidos.

Quanto aos depósitos bancários, como a conversão das moedas se fará segundo o princípio da igualdade (1 por 1), para as famílias que os detenham não haverá perdas nominais mas apenas reais, via inflação. Porém as taxas de juro nominais internas aumentarão pelo que parcialmente compensarão essas perdas. (Considero errada a hipótese aventada por alguns de os depósitos poderem vir a ser mantidos em euros. Os custos seriam demasiado elevados e teriam de ser suportados pelo Estado.)

Sistema bancário
Os problemas colocam-se essencialmente face às responsabilidades dos bancos para com não residentes. Mas neste âmbito há que ter em conta que os bancos são devedores mas igualmente credores. De acordo com os dados do Banco de Portugal, em 31 de Agosto deste ano os passivos das instituições financeiras monetárias face aos não residentes (incluindo sedes e sucursais) ascendiam a 101.302 milhões de euros, dos quais 38.021 face ao BCE via Banco de Portugal. Por seu lado os activos atingiam os 75.886 milhões de euros. Os efeitos líquidos decorrentes da desvalorização rondam os 7,5 mil milhões. Um valor agregado que, sendo elevado, se apresenta como gerivel.

Mas a situação poderá ser muito diferenciada entre as diversas instituições. Por isso é evidente que a situação tem de ser conduzida com cuidado. Terão de ser calculados para cada um dos bancos o aumento em que os seus débitos incorrerão devido à desvalorização, mas igualmente os ganhos obtidos nos seus créditos. Uma ajuda do Estado sob a forma de participação no capital poderá ser necessária para os grandes bancos. Mas se o fôr, essa tomada de participação deverá prefigurar a recomposição do sistema bancário com a separação dos bancos comerciais dos de investimento, e eventual nacionalização, pelo que de facto não será um custo mas um ganho.

Eis pois uma contribuição para colocar objectivamente as vantagens e alguns dos custos ou problemas com a saída do euro, naturalmente sujeita a aprofundamentos e acertos. Custos que necessariamente devem ser comparados com os da manutenção no Euro e com os ganhos decorrentes do regresso à flexibilidade da taxa cambial, da recuperação da soberania nacional e democrática e da libertação do jugo colonial que o Euro impõe ao País.
07/Outubro/2014

[*] Economista.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Como sair do euro BASENAME: canta-o-merlo-como-sair-do-euro DATE: Sun, 05 Oct 2014 19:35:08 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Como sair do euro
? Breves considerações políticas, legais e práticas

por Manuel Brotas [*]

Partilho convosco uma reflexão pessoal, integrada, tal como outras, na análise e no debate partidários sobre o tema desta sessão.

Permitam-me começar com uma brincadeira, embora mais séria do que possa parecer à primeira vista.

É conhecido da literatura económica o chamado "triângulo das impossibilidades", cuja validade aqui não se discute, sobre a impossibilidade de ter simultaneamente uma taxa de câmbio fixa, livre circulação de capitais e uma política monetária independente. Segundo o enunciado, quaisquer duas destas três condições implicam que a terceira não se possa realizar.

No nosso caso também temos um triângulo, com a reestruturação da dívida, a saída do euro e a nacionalização da banca, só que, por contraste, devemos chamar-lhe o "triângulo das inevitabilidades ". Quaisquer duas destas três condições implicam que a terceira também se tenha que realizar.

A reestruturação (profunda) da dívida e a saída do euro implicam a nacionalização (do essencial) da banca, para assegurar a sua liquidez e solvência. A saída do euro e a nacionalização da banca implicam a reestruturação da dívida, para capacitar o Estado e o sistema bancário a cumprir as suas funções sociais. A nacionalização da banca e a reestruturação da dívida implicam a saída do euro, para se poder financiar, quanto mais não seja em último recurso, o Estado e a banca.

O PCP tem a compreensão de que estas três componentes, a reestruturação das dívidas pública e externa, a saída do euro e a nacionalização da banca, estão profundamente ligadas, influenciam-se reciprocamente e reclamam uma solução integrada, que seja pensada e preparada em conjunto. E articulada com as outras facetas da política patriótica e de esquerda que propomos para o país.

Sem prejuízo do entrosamento das medidas específicas das três componentes, a reestruturação da dívida, mais premente e consensualizada na sociedade portuguesa, deve preceder a saída do euro. Mas a evolução dos acontecimentos e a posta em marcha, ainda que preparatória, destes processos, pode levar à antecipação de medidas, nomeadamente de controlo público sobre o setor financeiro.

Nesta intervenção centramo-nos no abandono da moeda única, não tanto na sua necessidade e justeza, mas na sua viabilidade e concretização.

Não se nega a complexidade deste processo, mas importa não deixar no ar a ideia de que a saída do euro implica a saída da União Europeia. O argumento é conhecido. A saída não está contemplada, a UEM obriga todos os países a pertencer à zona euro, ou a ela aderir logo que reúnam os critérios, as exceções do Reino Unido e da Dinamarca são derrogações especiais explicitadas em tratado, obtidas na fase de negociação, novas exceções também teriam que ser consagradas em tratado, que necessitariam da morosa e implausível aprovação formal dos parlamentos de todos os 28 estados-membros. Se um país quiser sair da UE pode fazê-lo, não pode é sair da zona euro e ficar na UE, porque isso não depende só dele e precisa do consentimento de todos os outros, devidamente institucionalizado.

A questão é fundamentalmente política. Mas, ainda assim, convém recordar a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, que configura o padrão internacional e é aceite pela jurisprudência comunitária. Dois artigos são fundamentais, o 61º e o 62º. De acordo com o primeiro, os estados têm o direito de se retirar de tratados quando a sua pertença se tornou definitivamente insustentável; de acordo com o segundo, têm o direito de se retirar quando a mudança fundamental de circunstâncias põe em causa a base de vinculação e das obrigações assumidas. Um e outro podem ser invocados por Portugal em relação à zona euro, que em vez de estabilidade e desenvolvimento, o mergulhou numa insuportável degradação sem termo, modificando substancialmente o balanço de vantagens e desvantagens.

As disposições de Maastricht de progressiva euroização da UE assentavam numa conceção implícita de eternização da moeda única, hoje mais que posta em causa. E os próprios dirigentes políticos alemães e franceses, desde a crise irrompida em 2008, ameaçaram repetidamente a Grécia de expulsão da zona euro, sem que estivesse propriamente em causa a permanência na UE.

Note-se que as disposições dos tratados de nada valeram quando, por exemplo, se violou generalizadamente a limitação dos défices orçamentais ou quando se instaurou em Chipre o prolongado controlo de capitais que ainda perdura.

A verdade é que, ainda hoje, é normal estar dentro da UE e fora do euro, como sucede com dez países, e que a institucionalidade europeia é uma negociação permanente, determinada fundamentalmente pela necessidade, a relação de forças sociais e a determinação dos estados e dos povos.

Mais complicados podem ser os aspetos económicos e práticos do problema.

O abandono do euro é necessário, mas tem como condições indispensáveis a preparação do país, o respeito pela vontade popular, a condução por um governo patriótico e de esquerda. Um governo empenhado em defender os rendimentos, as poupanças, os níveis de vida e os direitos da generalidade da população.

A rutura com o euro deve processar-se da forma mais suave possível, com o propósito de preservar e melhorar a situação material do povo, de recuperar e acelerar o crescimento económico e de abrir potencialidades ao desenvolvimento do país. Uma saída forçada, involuntária, impreparada, catastrófica, precipitada pela degradação da situação nacional ou europeia, pela mão de um governo de direita, não defende nem interessa ao povo português.

Com o abandono do euro, esta moeda não desaparece. Conserva-se como a segunda moeda de reserva internacional, a moeda básica do espaço económico onde estamos integrados, dos nossos principais parceiros comerciais, dos nossos vizinhos espanhóis. Isso levanta problemas específicos no processo de transição, que exige respostas adaptadas a esse período, que não têm necessariamente que manter-se nas fases posteriores.

O período de transição dura enquanto não se consolidar a nova moeda, estabilizarem razoavelmente a inflação e o câmbio e subsistirem perturbações ou riscos elevados para o funcionamento regular das instituições.

É crucial minimizar a fuga de capitais. Não temos ingenuidade nenhuma e sabemos que pode começar bastante antes da introdução da nova moeda, desde logo com os preparativos, com a decisão ou até mesmo com a intenção.

Por isso se propõe a instituição excecional e transitória, aprovada por razões de ordem pública pelos órgãos de soberania competentes, desde o início da preparação da saída, de um controlo de capitais em escala móvel, caraterizado por uma aplicação expedita, pelo governo ou em sua representação, geral ou seletiva, de um conjunto de disposições, mais apertadas ou mais relaxadas quanto à severidade, sobre a movimentação de fundos, divisas e ativos financeiros, acompanhadas das sanções imediatas em caso de incumprimento.

Neste regime, proporcionado e flexível, que reforça a sua severidade na estrita medida em que a evolução da situação exigir, as regras do jogo são claras, transparentes, conhecidas e dissuasoras. Conforme a evolução da situação e o comportamento particular dos agentes económicos, as disposições, sob avaliação e revisão permanentes, podem variar, num sentido ou noutro, basicamente entre dois extremos. Desde a manutenção presente de livre circulação até fortíssimas limitações ao movimento de capitais.

Além do necessário acompanhamento e fiscalização, possibilita-se assim a restrição e sujeição a autorização prévia, pelo governo ou pelo Banco de Portugal, da transferência de fundos e ativos financeiros em euros e outras divisas para o estrangeiro, de levantamentos e transferências bancárias de divisas, da negociação de títulos na bolsa. O off-shore da Madeira é definitivamente encerrado.

A preocupação é de manter, a cada momento, o máximo de normalidade e o controlo mais leve possíveis, salvaguardando contudo a níveis seguros o estoque de capitais e de divisas do país.

No desligamento do euro, o Banco de Portugal, desprendido do BCE, reassume plenamente as suas funções de banco central, designadamente a de banco emissor, regulador e prestamista de último recurso.

Numa saída voluntária, a introdução formal da nova moeda só deve fazer-se depois de produzidas as novas notas e moedas (as notas pela Valora, as moedas pela Casa da Moeda).

Reintroduz-se o escudo, dividido em 100 centavos, com uma taxa de conversão inicial de 1 euro por 1 escudo. Os preços ficam, por isso, na mesma.

A partir desse momento, toda a vida económica e financeira do país é instantaneamente traduzida para escudos. Durante um mês, o euro ainda tem curso legal a par do escudo. Mas tudo passa a estar avaliado, apreçado e transacionado em escudos. As caixas multibancos só fornecem escudos.

O Banco de Portugal recolhe e adiciona à sua reserva internacional de divisas o máximo de numerário em euros em circulação no país, através da conversão para escudos.

A dívida emitida segundo a lei nacional, pública ou privada, como a dívida dos particulares aos bancos, é convertida para escudos, à taxa inicial de 1 para 1. O mesmo para as rendas de contratos, nomeadamente de arrendamento, e para os prémios e indemnizações dos seguros. Recupera-se a Lisbor como taxa interbancária de referência. A bolsa de valores passa a funcionar oficialmente em escudos e eventualmente separa-se do grupo Euronext.

A população pode serenar quanto às suas poupanças. Nesta proposta conservam-se os euros dos depósitos bancários, à ordem e a prazo, e doutras contas de particulares, empresas e instituições, sem qualquer penalização e sem conversão para escudos, salvo por vontade do proprietário.

Esta pode ser feita a qualquer altura, à taxa de câmbio do momento, como com qualquer outra divisa estrangeira. Por exemplo, nos levantamentos nas caixas multibanco e nos pagamentos automáticos, utilizam-se os euros da conta bancária, convertidos ao câmbio oficial presente, apenas depois de esgotados os escudos disponíveis.

Os juros dos atuais depósitos a prazo e de outras aplicações de poupança passam a ser atribuídos e capitalizados em escudos, mas no valor equivalente, ao câmbio presente, ao que seriam em euros e mantendo a respetiva indexação até ao final das maturidades.

A consolidação da nova moeda exige que o câmbio oficial seja reconhecido como válido. Doutro modo, surgiriam câmbios paralelos muito diferenciados e a população preferiria levantar os euros e trocá-los nos circuitos informais e clandestinos. Para evitar o mercado negro de euros e divisas e para se evitar o gasto de preciosas reservas internacionais do Banco de Portugal a defender câmbios que se podem revelar forçados e artificiais, sobretudo se as tensões de desvalorização forem, ainda que pontualmente, demasiado fortes, o regime de câmbio, nesta fase de transição, em que o país se pode defrontar com uma grande escassez de divisas, deve ser flexível.

O câmbio oficial é estabelecido pela média ponderada diária dos câmbios livremente praticados, apurada automaticamente por consulta aos principais agentes de câmbio, especialmente os bancos comerciais. E, reciprocamente, fornece a estes a bitola, tanto mais que é o aplicado pelo Banco de Portugal e na rede multibanco.

Ao início, designadamente no período em que o pagamento em euros ainda é aceite, os preços não tenderão a variar muito por efeito do câmbio, porque a procura de escudos, ditada pelas necessidades da vida corrente que se passou a fazer nesta moeda, contraria a depreciação face ao euro, que poderá evidenciar-se quando o escudo estiver generalizado na ordem interna e a influência externa, especialmente as necessidades do comércio, começar a fazer prevalecer a procura sobre a oferta de euros.

É necessário defender os rendimentos e o consumo popular, com a indexação do salário mínimo geral, do salário médio do setor público e das pensões e prestações sociais à inflação, com o tabelamento de preços de medicamentos, outros produtos e serviços, e defender as micro, pequenas e médias empresas com a imposição de preços máximos a fatores como o crédito, seguros, energia, telecomunicações e portagens.

Instrumentos fundamentais são o controlo público, preparatório da nacionalização definitiva e justificado pela defesa do interesse público num período excecional, do sistema financeiro e do essencial do setor energético, neste caso para garantir e racionalizar o abastecimento e consumo energético.

É difícil, numa curta exposição, explicar ao pormenor, mas espero ter fornecido uma ideia de como, apesar dos riscos, das complicações, das eventuais perturbações, a saída do euro, integrada coerentemente com a restruturação das dívidas pública e externa e a nacionalização da banca, necessária para recolocar o nosso país numa senda de crescimento e desenvolvimento, é, ao contrário do que auguram, não desinteressadamente, alguns profetas da desgraça, perfeitamente exequível. O que será uma evidência, quando o nosso povo a concretizar.
[*] Intervenção proferida na Sessão Pública "A Dívida, o Euro e os interesses nacionais", realizada a 287setembro/2014. Esta intervenção faz sequência à de João Ferreira . Esta última refere-se à necessidade de sair do Euro, ao passo que a de Brotas às possibilidades de saída.

Esta intervenção encontra-se em http://resistir.info/ .
03/Out/14

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Quem é que compõe o «Emirado islâmico»? BASENAME: canta-o-merlo-quem-ea-769-que-compoa-771-e-o-lemirado-islaa-770-micor DATE: Mon, 29 Sep 2014 12:56:07 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Quem é que compõe o «Emirado islâmico»?
por Thierry Meyssan

http://www.voltairenet.org/article185372.html

Enquanto a opinião pública ocidental é inundada com informação sobre a constituição de uma pretensa coligação internacional para lutar contra o «Emirado islâmico», este muda discretamente de forma. Os seus principais oficiais já não são, mais, árabes, mas sim Georgianos e Chineses. Para Thierry Meyssan, esta mutação mostra que, a termo, a Otan entende utilizar o «Emirado islâmico» na Rússia e na China. Portanto estes dois países devem intervir, agora, contra os jihadistas, antes que eles voltem para semear o caos no seu país de origem.

A princípio o «Emirado islâmico» apreguou a sua origem árabe. Esta organização surgiu da «Al-Qaida no Iraque» que combatia não os invasores norte-americanos, mas sim os Xiitas iraquianos. Ela tornou-se «Emirado islâmico no Iraque», depois «Emirado islâmico no Iraque e no Levante». Em outubro de 2007, o exército dos E.U. capturou em Sinjar perto de 606 fichas de membros estrangeiros desta organização. Elas foram depuradas e estudadas por peritos da Academia militar de West Point.

Não obstante, alguns dias depois desta apreensão, o emir al-Baghdadi declarou que a sua organização só incluia 200 combatentes e que eles eram todos Iraquianos. Esta mentira é comparável à das outras organizações terroristas na Síria que declaram não contar senão ocasionalmente com estrangeiros, enquanto o Exército árabe sírio avalia em, pelo menos, 250. 000 o número de jihadistas estrangeiros que terão combatido na Síria durante os últimos três anos. Porém, agora, o califa Ibrahim (novo nome do emir al-Baghdadi) reivindica que a organização dele é amplamente formada por estrangeiros, que o território sírio não é mais para os Sírios e o território iraquiano não é mais para os Iraquianos, mas, sim, que serão para os seus jihadistas.

Segundo as fichas apanhadas em Sinjar, 41% dos terroristas estrangeiros membros do «Emirado islâmico no Iraque» eram de nacionalidade saudita, 18,8% eram Líbios, e apenas 8,2% eram Sírios. Se relacionarmos estes números com a população de cada um dos países em questão, a população líbia forneceu, proporcionalmente 2 vezes mais combatentes que a da Arábia saudita e 5 vezes mais que a da Síria.

Em relação aos jihadistas sírios, a sua origem era dispersa pelo país, mas 34, 3% provinham da cidade de Deir ez-Zor que, depois da retirada do «Emirado islâmico» de Raqqa, se tornou na capital do Califado.

Na Síria, Deir ez-Zor tem a particularidade de ser povoada, maioritariamente, por árabes sunitas organizados em tribos, e por minorias curda e arménia. Ora, até ao presente, os Estados Unidos não conseguiram destruir senão Governos como o do Afeganistão, do Iraque, e da Líbia, quer dizer países onde a população está organizada em tribos. Pelo contrário, eles falharam por todo lado onde isto não se passava. Deste ponto de vista, Deir ez-Zor, em particular, e o Nordeste da Síria em geral, poderão, pois, ser potencialmente conquistados, mas não o resto do país, como se vê desde há três anos.

Tarkhan Batirashvili, sargento das informações militares georgianas, tornou-se um dos principais chefes do «Emirado islâmico» sob o nome de Abou Omar al-Shishani.

Desde há duas semanas uma purga atinge os oficiais magrebinos. Assim, os Tunisinos que capturaram o aeroporto militar de Raqqa, a 25 de agosto, foram detidos por desobediência, julgados e executados pelos seus superiores. O «Emirado islâmico» entende meter os seus combatentes árabes no devido lugar e promover oficiais tchetchenos, gentilmente fornecidos pelos serviços secretos georgianos.

Abou Anisah al-Khazakhi, primeiro jihadista chinês do «Emirado islâmico», morto em combate, (no centro da foto), não era Uígur mas sim Cazaque.

Uma outra categoria de jihadista fez a sua aparição: os Chineses. Desde junho, os Estados Unidos e a Turquia transportaram centenas de combatentes chineses, e suas famílias, para o Nordeste da Síria. Alguns de entre eles tornaram-se imediatamente oficiais. Trata-se sobretudo de Uígures, Chineses da China popular, mas que são muçulmanos sunitas e turcófonos.

Torna-se claro, desde logo que, a termo, o «Emirado islâmico» estenderá as suas actividades à Rússia e à China, e que estes dois países são os seus alvos finais.

Iremos seguramente assistir a uma nova operação de propaganda da Otan: a sua aviação expulsará os jihadistas para fora do Iraque, e deixará que se instalem em Deir ez-Zor. A CIA fornecerá o dinheiro, armamento, munições e as informações aos «revolucionários sírios moderados» (sic) do ESL (Exército sírio livre -ndT), que mudarão então de casaca e a utilizarão sob a bandeira do «Emirado islâmico», como tem sido o caso desde maio de 2013.

John McCain e o estado-maior do exército sírio livre. No primeiro plano à esquerda, Ibrahim al-Badri, com quem o senador está a iniciar a conversa. Logo em seguida, o brigadeiro- general Salim Idriss (de óculos).

À época, o senador John McCain veio ilegalmente à Síria econtrar-se com o estado- maior do ESL. De acordo com a fotografia difundida, então, para atestar a reunião, este estado-maior incluía um certo Abu Youssef (ou Ibraim al-Badri -ndT), oficialmente procurado pelo departamento de Estado dos E.U., sob o nome de Abu Du?a, na realidade o actual califa Ibrahim. Assim, o mesmo homem era? simultaneamente? um chefe moderado no seio do ESL e um chefe extremista no seio do «Emirado Islâmico».

Munidos com esta informação poderemos avaliar, pelo seu verdadeiro significado, o documento apresentado ao Conselho de Segurança, a 14 de Julho, pelo embaixador sírio Bashar Jaafari. Trata-se de uma carta do comandante-em-chefe do ESL, Salim Idriss, datada de 17 de janeiro de 2014. Nele pode ler-se : «Informo-vos, pela presente, que as munições enviadas pelo estado-maior aos dirigentes dos conselhos militares revolucionários da região Leste devem ser distribuídos, de acordo com o que foi acordado, por dois terços aos comandantes de guerra da Frente el-Nosra, o terço restante devendo ser repartido entre os militares e os elementos revolucionários para a luta contra os bandos do EIIL (Exército islâmico do Iraque e do Levante -ndT). Agradecemos-vos que nos enviem o comprovativo de entrega de todas as munições, especificando as quantidades, e a qualidade, devidamente assinados pelos dirigentes e pelos chefes de guerra em pessoa, afim de que possamos encaminhá-los para os parceiros turcos e franceses». Por outras palavras, duas potências da Otan (Turquia e França) entregaram munições, na quantidade de dois terços, à Frente Al-Nosra (classificado como membro da al-Qaida pelo Conselho de Segurança) e, de um terço, ao ESL para que este combata contra o «Emirado Islâmico», cujo chefe é um dos seus oficiais superiores. Na verdade, o ESL desapareceu no terreno (de operações-ndT) e as munições foram, portanto, em dois terços enviadas à al-Qaida e um por um terço ao «Emirado Islâmico».

Graças a este embrulho de dupla capa, a Otan poderá continuar a lançar as suas hordas de jihadistas contra a Síria, enquanto vai, ao mesmo tempo, fingindo assim estar a combatê-los.

No entanto, quando a Otan tiver instalado o caos por todo o mundo árabe, inclusive no seu aliado saudita, ela irá virar o «Emirado Islâmico» contra as duas grandes potências em desenvolvimento, a Rússia e a China. Por isso estas duas potências deveriam intervir desde já e exterminar, no ninho, o exército privado que a Otan está em vias de fabricar e de treinar no mundo árabe. Caso contrário, Moscovo (Moscou- Br) e Pequim, terão, em breve, de o enfrentar no seu próprio solo ..
Thierry Meyssan

Tradução
Alva

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Por quê o silêncio do Vaticano sobre Ucrânia? BASENAME: canta-o-merlo-por-que-o-silencio-do-vaticano-sobre-ucrania DATE: Tue, 16 Sep 2014 22:48:50 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.elespiadigital.com/

Por quê o silêncio do Vaticano sobre Ucrânia?

No momento em que Ucraniana está no centro de umha grande confrontaçom verbal e sançoes entre Ocidente (perceber Estados Unidos, a Uniom europeia, NATO) e Rússia, o Vaticano fica silencioso. Mas ainda, enquanto os ucranios do Sul-este estám submetidos a bombardeios criminais de parte do governo de Kiev, que os mortos se contam por centenas, os feridos por milhares, os expatriados por centenas de milhares de pessoas e que as populaçoes encontram-se em condiçoes inumanas de vida, o Vaticano cuida-se para nom dar nas vistas sobre essas condiçoes inumanas que se vive nesta regiom da Ucrânia. A crise no Iraque ocupa todo o terreno e Ucraniana nom é Venezuela.

O Vaticano nom pode dar como desculpa que nom sabe. Ele está ao tanto de todo e sabe muito bem de que se trata. Nom pode ignorar os interesses geopolíticos e militares que mobilizam a Estados-Unidos e à NATO para tomar o controlo da Ucrânia, isolando um pouco mais a Rússia. Já sabe desde tempo dessas acçoes levadas por és-te Ocidente para desfazer a um governo legítimo e muda-lo por outro que saiba responder melhor aos seus interesses. Quem nom se lembra está discussom entre Vitória Nuland, responsável por assuntos europeus no Departamento de Estado, e o embaixador de Estados Unidos na Ucrânia, Geoffrey R. Pyatt?

Quando sucedeu o ataque, o 17 de Julho, do voo DH17, provocando a morte de 298 mortos, o Vaticano lamentou, por suposto, o ocorrido e apresentou as suas condolências a todas as vítimas, mas guardou-se bem de chamar à Comunidade internacional (ONU) que faga um inquérito independente e transparente para que se conheça os verdadeiros autores deste crime. Nom fixo nada para denunciar aos acusadores que faziam,, sem provas algumhas, da Rússia e das milícias ucranias do Sul-este os responsáveis por este atentado enquanto que Rússia e muitos outros povos reclamavam um inquérito independente e transparente baixo a autoridade das Naçoes Unidas.

Quem nom se lembra de 280 camioes de ajuda humanitária que mandou a Rússia para os danificados da guerra na Ucrânia e que foram detidos mais de umha semana na fronteira antes de ter a aprovaçom do governo para levar esta ajuda humanitária a umha populaçom ao limite da sobrevivência? Nom houvo nem umha palavra de parte do Vaticano para que apressem a aprovaçom e que esta ajuda humanitária chegue o mais rápido à gente que a necessita de urgência.

Em todo este processo de guerra, nem umha palavra do Vaticano para pôr de relevo os esforços do presidente Putin para que se chegue a umha demissom de lume entre os Ucranios e a um dialogo entre as partes para conseguir a paz. Ontem, o 5 de Setembro, assinou-se um acordo de demissom de lume e é o actual presidente da Ucrânia que afirmou que isso foi possível graças à intervençom do presidente Putin.

Nota-se, através todos esses comportamentos, que o Estado do Vaticano actua coma se fosse parte da NATO. Neste sentido nom lhe convém pôr de relevo as acçoes positivas do presidente Putin e da Rússia também nom lhe convém denunciar a desinformaçom da qual Rússia e as milícias de Sul-Este som objectos e vítimas à vez.

Como perceber que umha Igreja que se di "católica" seja representada por um Estado que está pendente deste Ocidente político e militar e que nom tem nada de "católico"? Leste ultimo actua segundo os seus interesses, os quais nom tem nada que ver com o humanismo e ainda menos com a universalidade dos evangelhos e da Igreja. Para eles conta os recursos, a dominaçom e o militarismo.

Em todo casos, há que reconhecer que graças ao presidente Putin se se alcançou que o acordo de cesse de actividades militares seja assinado polas partes em conflito dentro da Ucrânia: o presidente do governo central de Kiev e os dous representantes dos Estados proclamados independentes. Estes dous últimos, como dizem os inimigos da paz, nom som terroristas senom representantes de comunidades que tem as suas características próprias. Trata-se do a respeito dessas características e disso tivérom que discutir dentro de um plano de paz.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A grande reviravolta saudita-Califato EIS BASENAME: canta-o-merlo-a-grande-reviravolta-saudita-califato-eis DATE: Thu, 04 Sep 2014 19:30:42 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

A grande reviravolta saudita
Thierry Meyssan

http://www.voltairenet.org/article185136.html

Riade parece agora mudar, subitamente, de política, quando desde há 35 anos, a Arábia Saudita tem apoiado todos os movimentos jihadistas, incluindo os mais extremistas, Ameaçada na sua própria existência por um possível ataque do Emirado islâmico, a Arábia Saudita deu o sinal para a destruição da organização. Mas, contrariamente às aparências, o E.I. continua a ser apoiado pela Turquia e por Israel que comercializam o petróleo que ele pilha.

Preliminar: o E.I. é uma criação ocidental

A unanimidade no Conselho de segurança contra o Emirado islâmico (E.I.) e a votação da resolução 2170 não passam de uma atitude de fachada. Elas não conseguem fazer esquecer o apoio estatal de que o E.I. dispôs até agora, e dispõe ainda.

Olhando apenas para os recentes acontecimentos no Iraque, todos puderam constatar que os seus combatentes entraram no país a bordo de colunas de flamejantes Humvees, novos em folha, saídos directamente das fábrica norte-americanas da American Motors, e armados de material de guerra ucraniano, igualmente novíssimo. Foi com este equipamento que eles capturaram as armas americanas do Exército iraquiano. Do mesmo modo toda a gente ficou espantada por este E.I. dispôr de administradores civis capazes de tomar em mãos, instantaneamente, a gestão dos territórios conquistados, e de especialistas em comunicação aptos a promover a sua actuação na Internet e na televisão; um pessoal claramente formado em Fort Bragg.

Embora a censura norte-americana tenha interdito qualquer recensão sabemos, pela agência de notícias, britânica Reuters, que uma sessão secreta do Congresso votou, em janeiro 2014, o financiamento e armarmento do Exército Sírio livre (E.S.L.), da Frente Islâmica, da Frente Al-Nosra e do Emirado Islâmico até 30 setembro de 2014 [1]. Alguns dias mais tarde a Al-Arabiya vangloriava-se que o príncipe Abdul Rahman era o verdadeiro chefe do Emirado Islâmico [2]. Depois, a 6 de fevereiro, o secretário da Segurança Interna dos EUA reuniu com os principais ministros do Interior europeus, na Polónia, para lhes pedir para manter os jihadistas europeus no Levante, impedindo-lhes o regresso aos seus países de origem, de modo a que o E.I. tivesse suficientes efectivos para atacar o Iraque [3].

Finalmente, em meados de fevereiro, um seminário de dois dias juntou numa sessão do Conselho Nacional de Segurança dos EUA os chefes dos serviços secretos aliados implicados na Síria, claramente para preparar a ofensiva E.I. no Iraque [4].

É extremamente chocante observar os média (mídia-Br) internacionais, de repente, denunciarem os crimes dos jihadistas quando estes se verificam, sem interrupção, há três anos. Não há nada de novo nas degolas em público e nas crucificações: a título de exemplo, o Emirado Islâmico de Baba-Amr, em fevereiro de 2012, havia estabelecido um «tribunal religioso» que condenou à morte por degolamento mais de 150 pessoas, sem levantar a menor reacção ocidental, ou das Nações Unidas [5]. Em maio de 2013, o comandante da Brigada Al-Farouk do Exército sírio livre (os famosos «moderados») difundiu um vídeo no decorrer do qual ele esquartejava um soldado sírio e comia o seu coração. À época os Ocidentais persistiram em apresentar estes jihadistas como «oposicionistas moderados» mas, desesperados, batendo-se pela «democracia». A BBC ainda deu a palavra ao canibal para que este se justificasse.

Não há nenhuma dúvida que a diferença estabelecida por Laurent Fabius entre jihadistas «moderados» (o Exército Sírio livre e a Frente Al-Nosra, isto é a al-Qaida, até ao início de 2013) e jihadistas «extremistas» (a frente Al-Nosra a partir de 2013, e o E.I.) é um puro artifício de comunicação. O caso do califa Ibrahim é esclarecedor: em maio de 2013, aquando da visita de John McCain ao E.S.L, ele era ao mesmo tempo um membro do estado-maior «moderado» e líder da facção «extremista» [6]. Identicamente, uma carta do general Salim Idriss, chefe do estado maior do E.S.L, datada de 17 de janeiro de 2014, atesta que a França e a Turquia forneciam munições na quantidade de um terço para o E.S.L e dois terços para a al-Qaida, via ESL. Apresentado pelo embaixador sírio no Conselho de Segurança, Bashar Jaafari, a autenticidade deste documento não foi contestada pela delegação Francesa [7].

Dito isto, é evidente que a atitude de algumas potências da Otan e do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo-ndT) mudou no decurso do mês de agosto de 2014, passando de um apoio secreto, maciço e contínuo, para uma hostilidade declarada. Porquê?
A doutrina Brzezinki do jihadismo

É preciso, aqui, voltar 35 anos atrás para compreender a importância da viragem que a Arábia Saudita e, talvez, os Estados Unidos estão fazendo. Após 1979, Washington por iniciativa do conselheiro de Segurança Nacional, Zbigniew Brzezinski, decidiu apoiar o Islão (Islã-Br) político contra a influência soviética, revivendo a política adoptada no Egipto de apoio à Irmandade Muçulmana contra Gamal Abdel Nasser.

Brzezinski decidiu lançar uma grande «revolução islâmica» do Afeganistão, (então governado pelo regime comunista de Muhammad Taraki), e do Irão, (onde ele próprio organizou o retorno do imã Ruhollah Khomeini).

Posteriormente esta revolução islâmica devia espalhar-se, por todo o mundo árabe, e varrer os movimentos nacionalistas associados com a URSS. A operação no Afeganistão foi um sucesso inesperado: os jihadistas da Liga anti- comunista mundial (WACL) [8], recrutados no seio dos Irmãos muçulmanos e dirigidos pelo bilionário anti-comunista Osama bin Laden, lançaram uma campanha terrorista que levou o governo a apelar para os soviéticos. O Exército Vermelho entrou no Afeganistão e ficou atolado lá por cinco anos, acelerando a queda da URSS.

A operação no Irão foi, pelo contrário, um desastre: Brzezinski ficou espantado ao constatar que Khomeini não era o homem que lhe tinham referido?um velho aiatola tentando recuperar as suas propriedades rurais confiscadas pelo Xá? mas, sim, um autêntico anti-imperialista. Considerando um pouco tardiamente que a palavra «islamista» não tinha, de todo, o mesmo sentido para uns e para outros, ele decidiu distinguir os bons sunitas (colaborantes) dos maus xiitas(anti-imperialistas) e confiar a gestão dos primeiros à Arábia Saudita.

Por fim, considerando a renovação da aliança entre Washington e os Saud, o presidente Carter anunciou, durante o seu discurso sobre o Estado da União a 23 de janeiro de 1980 que, daqui em diante, o acesso ao petróleo do Golfo era um objetivo da segurança nacional dos EUA.

Desde então, os jihadistas foram encarregados de todos os os golpes sujos contra os Soviéticos, (depois os Russos), e contra os regimes árabes nacionalistas ou recalcitrantes. O período indo da acusação lançada contra os jihadistas, de ter fomentado e realizado os atentados do 11 de setembro, até ao anúncio da pretensa morte de Osama bin Laden no Paquistão (2001-11) complicou as coisas. Tratava-se, ao mesmo tempo, de negar qualquer relação com os jihadistas e de usá-los como pretexto para intervenções. As coisas clarificaram-se em 2011, com a colaboração oficial entre os jihadistas e a Otan na Líbia e na Síria.
A viragem saudita de agosto de 2014

Durante 35 anos, a Arábia Saudita financiou e armou todas as correntes políticas muçulmanas desde que (1) fossem sunitas, (2) que afirmassem o modelo económico dos Estados Unidos compatível com o Islão, e (3 ) que?no caso em que o seu país tivesse assinado um acordo com Israel?eles não o questionassem.

Durante 35 anos, a grande maioria dos sunitas fechou os olhos para o conluio entre os jihadistas e o imperialismo. Ela manifestou a sua solidariedade com tudo o que eles fizeram e com tudo o que lhes atribuíram. Finalmente, legitimou o wahhabismo como uma forma autêntica do Islão, apesar da destruição dos locais santos na Arábia Saudita.

Observando com surpresa a «Primavera Árabe», para cuja preparação ela não fora convidada, a Arábia Saudita inquietou-se com o papel dado por Washington ao Catar e aos Irmãos muçulmanos. Riade não demorou a entrar em competição com Doha para patrocinar os jihadistas na Líbia e, sobretudo, na Síria.

Assim, tanto o rei Abdallah salvou a economia egípcia que, quando o general Abdel Fattah al-Sisi se tornou presidente do Egito, enviou-lhe, e aos Emirados Árabes Unidos, a cópia completa dos registos (registros-Br) policiais dos Irmãos Muçulmanos. Deste modo, no quadro da luta contra a Irmandade, o general Al-Sissi descobriu e transmitiu, em fevereiro 2014, o plano detalhado da Irmandade para tomar o poder em Riade e em Abu Dhabi. Em alguns dias os conspiradores foram presos e confessaram, enquanto a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos ameaçavam o Catar, o padrinho dos Irmãos, de o destruir, se ele não abandonasse imediatamente a irmandade.

Riade não demorou muito para descobrir que o Emirado Islâmico também estava contaminado e se aprestava a atacá-la, depois de se ter apoderado de um terço do Iraque.

O ferrolho ideológico, pacientemente construído durante 35 anos, foi pulverizado pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Egito. A 11 de agosto, o grande imã da universidade Al-Azhar, Ahmad al-Tayyeb, condenou severamente o Emirado Islâmico e a al-Qaida. Ele foi seguido, no dia seguinte, pelo grande mufti do Egipto, Shawki Allam [9]

A 18 de agosto, e novamente a 22, o Abu Dhabi bombardeou, com a assistência do Cairo, terroristas em Tripoli (Líbia). Pela primeira vez, dois estados sunitas aliaram- se para atacar extremistas sunitas num terceiro Estado sunita. O seu alvo, não era outro senão, uma aliança incluindo Abdelhakim Belhaj, antigo número três da Al Qaida, nomeado governador militar de Trípoli pela Otan [10]. Parece que esta ação foi realizada sem Washington ter sido disso, préviamente, informado.

A 19 de agosto, o grande mufti da Arábia Saudita, o xeque Abdul-Aziz Al al-Sheikh, decidiu-se?por fim? qualificar os jihadistas do Emirado Islâmico e da al-Qaida «de inimigos número 1 do Islão» [11].
As consequências da reviravolta saudita

A reviravolta da Arábia Saudita foi tão rápida que os actores regionais não tiveram tempo de se adaptar e, portanto, apresentam posições contraditórias, segundo os diferentes dossiês. Em geral, os aliados de Washington condenam o Emirado Islâmico no Iraque, mas ainda não na Síria.

Mais surpreendentemente, enquanto o Conselho de Segurança condenava o Emirado Islâmico, na sua declaração presidencial de 28 de Julho e na sua resolução 2170 de 15 de Agosto, ficava claro que a organização jihadista dispunha, ainda, de apoios de Estados: em violação dos princípios anunciados, ou relembrados, por estes textos, o petróleo iraquiano pilhado pelo E.I. transita pela Turquia. Ele é bombeado no porto de Ceyhan para petroleiros que fazem escala em Israel e, depois, voltam a partir para a Europa. Por enquanto, o nome das sociedades comanditárias não foi estabelecido, mas a responsabilidade da Turquia e de Israel é óbvia.

Por seu turno, o Catar, que continua a acolher muitas personalidades da Irmandade Muçulmana, nega apoiar ainda o Emirado Islâmico.

Aquando das conferências de imprensa coordenadas, os ministros das Relações Exteriores(Negócios Estrangeiros-Pt) russo e sírio, Sergey Lavrov e Walid Moallem, apelaram para a construção de uma coligação (coalizão-Br) internacional contra o terrorismo. No entanto, os Estados Unidos, preparando operações terrestres em território sírio, junto com os britânicos (a «força de intervenção Negra-Black» [12]), recusou aliar-se com a República Árabe da Síria e persiste em exigir a demissão do presidente eleito Bashar al-Assad.

O choque que acaba de pôr fim a 35 anos de política saudita transforma-se em confronto entre Riade e Ancara. Desde logo o partido curdo turco e sírio, o PKK, que ainda é considerado por Washington e Bruxelas como uma organização terrorista, é apoiado pelo Pentágono contra o Emirado Islâmico. Com efeito, e contrariamente às apresentações equivocadas da imprensa atlantista, são estes combatentes do PKK turcos e sírios, e não os peshmergas(nome lendário dos combatentes curdos-ndT) iraquianos, do Governo Local do Curdistão, que repeliram o Emirado Islâmico nestes últimos dias, com a ajuda da Aviação norte-americana.
Conclusão provisória

É difícil saber se a situação actual é uma encenação ou é realidade. Têm os Estados Unidos realmente a intenção de destruir o Emirado Islâmico que eles próprios formaram, e que lhes teria escapado, ou será que eles vão, simplesmente, enfraquecê- lo e mantê-lo como um instrumento de política regional? Ancara e Telavive apoiam o E.I. por conta de Washington ou contra, ou, ainda, jogam eles com dissidências internas nos Estados Unidos? Irão os Saud, para salvar a monarquia, até à aliança com o Irão e a Síria derrubando o dispositivo de proteção de Israel?
Thierry Meyssan

Tradução
Alva

[1] ?Congresso dos Estados Unidos vota secretamente envio de armas para a Síria?, Tradução Alva, Rede Voltaire, 3 de Fevereiro de 2014.

[2] «L?ÉIIL est commandé par le prince Abdul Rahman » (Fr-«O ÉIIL é controlado pelo príncipe Abdul Rahman»-ndT), Réseau Voltaire, 3 fevereiro de 2014.

[3] ?Síria converte-se em «tema de segurança interna» para Estados Unidos e União Europeia?, Tradução Alva, Rede Voltaire, 12 de Fevereiro de 2014.

[4] «Washington coordonne la guerre secrète contre la Syrie» (Fr- «Washington coordena a guerra secreta contra a Síria»-ndT), Réseau Voltaire, 21 février 2014.

[5] «The Burial Brigade of Homs: An Executioner for Syria?s Rebels Tells His Story » (Ing-«A Brigada Enterro de Homs: Um Carrasco para os rebeldes da Síria conta a sua história»-ndT), por Ulrike Putz, Der Spiegel, 29 de março de 2012.

[6] ?John McCain, chefe de orquestra da «primavera árabe», e o Califa?, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Agosto de 2014.

[7] «Résolution 2165 et débats (aide humanitaire en Syrie)» (Fr-«Resolução 2.165 e debates (ajuda humanitária para a Síria)»-ndT), Réseau Voltaire, 14 juillet 2014.

[8] « La Ligue anti-communiste mondiale, une internationale du crime » (Fr-«A Liga Mundial Anti-Comunista, uma internacional do crime»-ndT), por Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 12 mai 2004.

[9] « Le grand mufti d?Égypte condamne l?État islamique en Irak» (Fr-«O Grande Mufti do Egito condena o Estado Islâmico no Iraque»-ndT), Rádio Vaticano, 13 de agosto.

[10] «Comment les hommes d?Al-Qaida sont arrivés au pouvoir en Libye» (Fr-«Como os homens da al-Qaida chegaram ao poder na Líbia»-ndT), por Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 6 septembre 2011.

[11] «Déclaration du mufti du Royaume sur l?extrémisme» (Fr-«Declaração do Mufti do Reino sobre o extremismo»-ndT), Agência Saudi Press,19 août 2014.

[12] «SAS and US special forces forming hunter killer unit to ?smash Islamic State? » (Ing-«Forças especiais inglesas,?SAS?, e dos E.U. formam unidade assassina de caça para ?esmagar Estado islâmico? »-ndT), por Aaron Sharp, The Sunday People (The Mirror), 23 de agosto de 2014.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: "Kiev luita no Leste para obter gás de esquisto para EE.UU." BASENAME: canta-o-merlo-kiev-luita-no-leste-para-obter-gas-de-esquisto-para-ee-uu DATE: Sat, 16 Aug 2014 16:00:49 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://actualidad.rt.com/actualidad/view/137330-kiev-lutar gás-esquisto-eeuu

Para Kiev é importante controlar o Leste da Ucrânia ante todo polo gás de esquisto, cujo desenvolvimento está programado polas empresas ocidentais, opina o presidente do Comité de Assuntos Exteriores da Duma Estatal russa, Alexéi Pushkov.

"Kiev está a luitar no Leste da Ucrânia para obter reservas de gás:

Segundo os dados procedentes da Alemanha, trata-se de 5.578 milhons de metros cúbicos. E controlaria-se polos EE.UU.", escreveu o político russo na sua conta de Twitter.

Trata das reservas de gás de esquisto de Yuzovsky, que se acham na raia de Járkov e Donetsk. Os seus recursos estimam-se em mais de 4 bilions de metros cúbicos de gás. Em Maio de 2012, a empresa Shell ganhou a competiçom polo direito a explorar este jazimento.

Ademais, também tem permissons para as minas nesta bacia a companhia ucraniana Burisma, onde um dos membros do Conselho de Administraçom é o filho do vice-presidente de EE.UU. Joe Biden.

Na cidade de Slaviansk, que se encontra no centro do campo de Yuzovsky, produziram-se nos últimos anos em repetidas ocasiones grandes protestos em contra dos planos para o desenvolvimento deste projecto. Os residentes da cidade mesmo queriam celebrar um referendo sobre o tema, assinala o jornal russo 'Rossiskaya Gazeta'.

Desde o começo da severa operaçom militar por parte de Kiev contra o seu próprio povo, vários peritos expressárom em diferentes ocasions a ideia de que a objectivo chave da ofensiva no Leste é o controlo da zona para extrair o gás de esquisto sem obstáculos.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: As sanções contra Rússia e o pico petrolífero BASENAME: canta-o-merlo-as-sancoes-contra-russia-e-o-pico-petrolifero DATE: Fri, 15 Aug 2014 18:02:54 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

As sanções contra Rússia e o pico petrolífero
por Jorge Figueiredo

http://resistir.info/ .

O governo Obama conseguiu arrebanhar os relutantes governos da União Europeia e obrigou-os a imporem sanções contra a Rússia. Contrariando os interesses dos seus próprios países, os governos da UE acataram servilmente o diktat estado-unidense. Assim, no fim de Julho, após longas negociações para o estabelecimento de "consenso", estes acordaram um esquema de sanções em Três Níveis : acesso ao mercado de capitais; embargo ao comércio de armas e bens que possam ser utilizados para fins militares; e acesso a tecnologias de produção e exploração de petróleo.

Neste artigo será analisado este último "nível", passando por cima do pretexto absurdo alegado pelos EUA/UE para aplicar as referidas sanções. Acusar a Rússia de um crime cometido pelos fantoches ucranianos dos EUA é uma monstruosidade. A verdade vem sempre ao de cima e hoje já está claro que o avião malaio foi derrubado por caças do regime de Kiev ? mas a máquina mediática prostituída, orquestrada pelo imperialismo, continua a insinuar a "culpa" russa e/ou das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk. Tal como na fábula do lobo e do cordeiro, o primeiro diz: "Não importa que você não tenha sujado a água do meu rio, se não foi você foi o seu pai ou seu primo e vou aplicar-lhe sanções". Este cinismo descarado é um indício do desespero da elite estado-unidense diante da perspectiva (próxima?) do fim da hegemonia do dólar. Ela tem de inventar crises políticas e militares a fim de fazer esquecer a crise da sua moeda. E os governantes europeus, tal como prescreveu a Sra. Nuland ("Fuck the UE"), abanam o rabo.

Entretanto, abstraindo aspectos conjunturais do caso, será mais interessante examinar as consequências a médio longo prazo no domínio da energia desta viragem nas relações internacionais. Tudo indica que a nova Guerra Fria agora iniciada poderá ter consequências profundas quanto aos hidrocarbonetos. O mundo ? a Europa em particular ? poderá ter de pagar um pesado preço pela guinada de Obama na política externa.

Os media corporativos, bem amestrados, desencadeiam agora uma histeria anti-russa. Até The Economist, considerada respeitável, já se comporta como imprensa amarela e publica uma foto de Putin com uma uma teia de aranha ao fundo. Pretendem eles que a Rússia seria severamente atingida pelo embargo a exportações de "tecnologias sensíveis" para a exploração e produção de petróleo. Mas não é verdade e é bem possível que o governo Obama tenha marcado um auto-golo.

Uma análise recente da Reuters apresenta três conclusões principais: a) a Rússia tradicionalmente dependeu da tecnologia ocidental por uma questão de comodidade, mas agora será obrigada a tomar outro caminho e desenvolver tecnologias por si própria, o que levará a uma gradual erosão do monopólio ocidental sobre as mesmas (no deep offshore, no Árctico, etc); b) a China aproveitará a situação e em última análise pode tornar-se a vencedora ? já se fala no petro-yuan ; c) as sanções podem significar o fim da liderança tecnológica ocidental no sector do petróleo.

Há muitos peritos que questionam o bom fundamento da política alardeada por Obama. Vale a pena citar a opinião da Peak Oil News:

"Os convencidos que elaboram a política externa no Departamento de Estado talvez não entendam que a produção de petróleo russa acaba de alcançar um pico pós-URSS e de qualquer forma terá de entrar em declínio. O efeito das sanções (dos EUA e UE) será acelerar o declínio [da produção] da Rússia, forçando em alta os preços mundiais do petróleo assim que o escasso petróleo dos EUA atingir o seu máximo e entrar na sua inevitável queda livre por volta de 2017-2020. A Rússia, nessa altura, ainda será um exportador de petróleo e beneficiará de preços mais elevados (talvez o suficiente para compensar a perda de produção resultante das sanções). Mas os EUA, que ainda continuarão a ser um dos principais importadores mundiais de petróleo, enfrentarão então uma repetição do choque petrolífero de 2008 que contribuiu para o seu crash financeiro.

"Não há dúvida de que os peritos do Departamento de Estado acreditam sinceramente na recente jactância da América como uma nova super potência energética capaz de abastecer a Europa com petróleo e gás para substituir as exportações da Rússia. Talvez os europeus tenham sido suficientemente loucos para caírem também nesta ilusão. Mas isto demonstrar-se-á serem apostas altamente arriscadas. Só se pode esperar que todos os actores acordem destas alucinações antes de o jogo se tornar realmente feio".

Assim, tudo indica que o Departamento de Estado e o governo dos EUA estão a acreditar na sua própria propaganda da "revolução" do shale oil e shale gas. Correndo o risco de repetições, convém recordar que a dita "revolução" tem pernas curtas pois 1) os custos de extracção do shale são elevados; 2) o esgotamento dos furos efectuados dá-se num prazo brevíssimo (pouco mais de um ano); 3) para manter os níveis de produção desejados é preciso estar constantemente a fazer novos furos; 4) a tecnologia exige grandes extensões de terra com baixa densidade demográfica; 5) os desastres ecológicos (poluição de lençóis freáticos) e sísmicos estão bem demonstrados. Assim, pode-se afirmar que dentro de poucos anos a tecnologia do shale será considerada passado, uma moda que não deu certo (a Shell já abandonou a sua pesquisa nos EUA, depois de mais de dez anos de esforços).

Na verdade, a auto-suficiência em petróleo dos EUA não passa de um mito e a auto-suficiência em gás natural é conjuntural. Quanto à possibilidade de um boom exportador americano de gás natural, trata-se de uma balela difundida pelo governo Obama e propalada por jornalistas ignorantes: a escassez de instalações de liquefacção e de terminais metaneiros de exportação veda tal possibilidade. Demora pelo menos oito anos a construção de cada uma destas instalações ? e possivelmente antes disso já terá declinado a "moda" do shale. Além disso, nos países receptores também seria preciso construir terminais metaneiros em quantidade suficiente (a Ucrânia, por exemplo, não dispõe de nenhum). Assim, do ponto de vista europeu, chega-se à conclusão de que não há nada que possa substituir o gás russo.

Ao aplicar sanções selectivas contra a Rússia ? tentando cuidadosamente excluir o gás natural ? a UE na verdade deu um tiro no seu próprio pé. Submeteu-se ao diktat imperial e abandonou quaisquer veleidades de autonomia. Ora, isto significa uma quebra de confiança entre parceiros comerciais, o que não pode deixar de trazer consequência (sem mencionar a ruptura com os tão apregoados princípios do livre comércio e com as disposições OMC). Tal quebra de confiança leva a Rússia a uma grande comutação, à procura de outros mercados. O recente acordo de longo prazo com a China, cujas negociações se arrastavam há anos, já é uma consequência da hostilidade europeia. E o mais importante neste acordo é que o dólar e o euro estão dele excluídos: as vendas do gás natural serão em rublos ou em yuan. Isto tem consequências no panorama energético, político e monetário mundial. Mas os aprendizes de feiticeiro que fazem a História nem sempre percebem o que estão a fazer. Isso é verdadeiro tanto para o Sr. Obama como para os seus pobres serviçais da Comissão Europeia.
Ver também:
Why Won?t Obama Just Leave Ukraine Alone?
American Intelligence Officers Who Battled the Soviet Union for Decades Slam the Flimsy ?Intelligence? Against Russia

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A estratégia russa ante ao imperialismo anglo-saxónico BASENAME: canta-o-merlo-a-estratea-769-gia-russa-ante-ao-imperialismo-anglo-saxoa-769-nico DATE: Tue, 12 Aug 2014 13:51:55 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

A estratégia russa ante ao imperialismo anglo-saxónico
O início da viragem do mundo
Thierry Meyssan
Tradução : Alva

http://www.voltairenet.org/article185044.html

O ataque dos Anglo-Saxões contra a Rússia toma a forma de uma guerra financeira e económica. Entretanto, Moscovo prepara-se para as hostilidades armadas desenvolvendo a auto-suficiência da sua agricultura e multiplicando as suas alianças para o efeito. Para Thierry Meyssan, após a criação do califado do Levante, Washington deverá jogar uma nova cartada, em setembro, em São Petersburgo. A capacidade da Rússia em preservar a sua estabilidade interna determinará, então, a sequência dos acontecimentos.

A ofensiva conduzida pelos Anglos-Saxões (Estados-Unidos, Reino Unido e Israel) para dominar o mundo prossegue sobre dois eixos simultâneos: quer, por um lado, a criação do «Médio-Oriente alargado» (Greater Middle East), atacando simultaneamente o Iraque, a Síria, o Líbano e a Palestina, como, por outro, o afastamento da Rússia da União Europeia, através da crise que eles montaram na Ucrânia.

Nesta corrida de velocidade, parece que Washington quer impôr o dólar como moeda única no mercado do gaz, a fonte de energia do XXIo século, do mesmo modo que a impuseram sobre o mercado do petróleo [1].

Os média (mídia-Br) ocidentais quase que não cobrem a guerra do Donbass, e a sua população ignora a amplitude dos combates, a presença dos militares US, o número das vítimas civis, a vaga dos refugiados. Os média ocidentais focam pelo contrário, com detalhe, os acontecimentos no Magrebe e no Levante, mas apresentando-os seja como resultantes de uma pretensa «primavera árabe» (quer dizer, na prática, de uma tomada de poder pelos Irmãos muçulmanos), seja como o efeito destrutivo de uma civilização violenta em si mesma. Mais do que nunca, seria necessário vir em socorro de árabes incapazes de viver, pacificamente, na ausência de colonos ocidentais.

A Rússia é actualmente a principal potência capaz de conduzir a Resistência ao imperialismo anglo-saxónico. Ela dispõe de três ferramentas: os BRICS, uma aliança de rivais económicos que sabem não poder crescer senão uns com outros, a Organização de cooperação de Xangai, uma aliança estratégica com a China para estabilizar a Ásia central, e por fim a Organização do Tratado de segurança colectiva (OTSC-ndT), uma aliança militar dos antigos Estados soviéticos.

Na cimeira de Fortaleza (Brasil), que se desenrolou de 14 a 16 de julho, os BRICS deram o passo em frente anunciando a criação de um Fundo de reserva monetária (principalmente chinês) e de um Banco BRICS, como alternativas ao Fundo monetário internacional e ao Banco mundial, portanto ao sistema-dólar [2].

Antes mesmo deste anúncio, já os Anglo-Saxões haviam posto em acção a sua resposta: a transformação da rede terrorista Al-Qaida num califado, afim de preparar os conflitos entre todas as populações muçulmanas da Rússia e da China [3]. Eles prosseguiram a sua ofensiva na Síria e transbordaram-na quer para o Iraque, quer depois para o Líbano. Falharam, por outro lado, no expulsar de uma parte dos Palestinianos para o Egipto e a desestabilizar mais profundamente ainda a região. Por fim, eles mantiveram-se afastados do Irão(Irã-Br), para dar ao presidente Hassan Rohani a chance de enfraquecer a corrente anti-imperialista dos khomeinistas.

Dois dias após o anúncio dos BRICS, os Estados Unidos acusaram a Rússia de ter destruído o vôo MH17 da Malaysia Airlines por cima do Donbass, matando 298 pessoas. Sobre esta base, puramente arbitrária, impuseram aos Europeus a entrada em guerra económica contra a Rússia. Assumindo-se como um tribunal o Conselho da União europeia julgou e condenou a Rússia, sem a menor prova e sem lhe dar a oportunidade de se defender. Ele promulgou «sanções» contra o seu sistema financeiro.

Consciente que os dirigentes europeus não trabalham pelos interesses dos seus povos, mas sim pelos dos Anglo-Saxões, a Rússia mordeu o seu freio e interditou-se, até à data, de entrar em guerra na Ucrânia. Ela apoia com armas e com informação os insurgentes, e acolhe mais de 500. 000 refugiados, mas, abstêm-se de enviar tropas e de entrar na engrenagem. É provável que ela não intervenha antes que a grande maioria dos Ucranianos se revolte contra o presidente Petro Porochenko, mesmo que isso signifique não entrar no país senão após a queda da República popular de Donetsk.

Face à guerra económica, Moscovo escolheu responder por medidas similares, mas envolvendo a agricultura e não as finanças. Dois considerandos guiaram esta escolha: primeiro, a curto prazo, os outros BRICS podem mitigar as consequências das pretensas «sanções»; por outro lado, a médio e longo prazo, a Rússia prepara-se para a guerra e entende reconstituir completamente a sua agricultura, para poder viver em auto-suficiência.

Por outro lado, os Anglo-Saxões previram paralisar a Rússia pelo interior. Primeiro activando para tal, via Emirado islâmico (EI), grupos terroristas no seio da sua população muçulmana, depois organizando também uma contestação mediática aquando das eleições municipais de 14 de setembro. Consideráveis somas de dinheiro foram fornecidas a todos os candidatos da oposição, numa trintena de grandes cidades envolvidas, enquanto pelo menos 50. 000 agitadores ucranianos, misturados com os refugiados, estão em vias de se reagrupar em São Petersburgo. A maior parte de entre eles têm a dupla nacionalidade russa. Trata-se, com toda a evidência, de reproduzir na província as manifestações que em Moscovo (Moscou-Br) se seguiram ás eleições de dezembro de 2011 ?a violência sobretudo?; e de mergulhar o país num processo de revolução colorida ao qual uma parte dos funcionários e da classe dirigente é favorável.

Para o realizar Washington nomeou um novo embaixador na Rússia, John Tefft, que já preparara a «revolução das rosas» na Geórgia e o golpe de Estado na Ucrânia.

Será importante para o presidente Vladimir Putin poder confiar no seu Primeiro- ministro, Dmitri Medvedev, que Washington esperava recrutar para o derrubar.

Considerando a iminência do perigo, Moscovo teria conseguido convencer Pequim a aceitar a adesão da Índia contra a do Irão (mais, também, as do Paquistão e da Mongólia) à Organização de cooperação de Xangai (OCS em inglês-ndT). A decisão deveria ser tornada pública aquando da cimeira prevista para Duchambe (Tajiquistão) entre 12 e 13 de setembro. Ela deveria pôr um fim ao conflito que opõe, desde há séculos, a Índia e a China, e envolvê-los numa cooperação militar. Esta reviravolta, se se confirmar, terminaria igualmente com a lua de mel entre Nova Deli e Washington, que esperava afastar a Índia da Rússia dando-lhe acesso, por tal, nomeadamente a tecnologias nucleares. A adesão de Nova Deli é também uma aposta acerca da sinceridade do seu novo Primeiro-ministro, Narendra Modi, quando pesa sobre ele a suspeita de ter encorajado violências anti-muçulmanas, em 2002, em Gujarate, do qual era ministro-chefe.

Por outro lado a adesão do Irão, que constitui um desafio para Washington, deverá trazer ao OCS um conhecimento preciso dos movimentos jihadistas e das maneiras de combatê-los. Mais uma vez, se confirmada, tal reduziria a disposição iraniana para negociar uma trégua com o «Grande Satã», que a levou a eleger o Xeque Hassan Rohani para a presidência. Isto seria uma aposta quanto à autoridade do líder supremo da Revolução Islâmica, o aiatola Ali Khamenei.

De facto, estas adesões marcariam o início da viragem do mundo do Ocidente para o Oriente [4]. Ainda assim, esta evolução deverá ser protegida militarmente. É o papel da Organização do Tratado de Segurança Coletiva(OTSC), formado em volta da Rússia, mas do qual a China não faz parte. Ao contrário da Otan, esta organização é uma aliança clássica, compatível com a Carta das Nações Unidas, uma vez que cada membro conserva a opção de sair dela, se o desejar. É, pois, apoiando-se nessa liberdade que Washington tem tentado, no decurso dos últimos meses, comprar alguns membros, nomeadamente a Arménia. No entanto, a situação caótica na Ucrânia parece ter arrefecido aqueles que nela sonhavam com uma «proteção» norte- americana.

A tensão deverá pois subir nas próximas semanas.
Thierry Meyssan

[1] « Qu?ont en commun les guerres en Ukraine, à Gaza, en Syrie et en Libye ? »(Fr-«Que teêm em comum as guerras na Ucrânia, Gaza, Síria e na Líbia?»- ndT) , por Alfredo Jalife-Rahme, Traduction Arnaud Bréart, La Jornada (México), Réseau Voltaire, 7 août 2014.

[2] ?Cúpula do Brics: Sementes de uma nova arquitetura financiera?, Ariel Noyola Rodríguez, Rede Voltaire, 3 de Julho de 2014. ?Sixth BRICS Summit : Fortaleza Declaration and Action Plan? (Ing-«Sexta Cimeira do BRICS: Declaraçãode Fortaleza e Plano de Acção»-ndT), Voltaire Network, 16 July 2014.

[3] «Un djihad mondial contre les BRICS ?» (Fr-«Uma jihade mundial contra os BRICS?»-ndT), por Alfredo Jalife-Rahme, Traduction Arnaud Bréart, La Jornada (México), Réseau Voltaire, 18 juillet 2014.

[4] ?Russia and China in the Balance of the Middle East : Syria and other countries? (Ing-« Rússia e China no Balanço do Oriente Médio: Síria e outros países»-ndT), por Imad Fawzi Shueibi, Voltaire Network, 27 Janeiro de 2012.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O que as guerras na Ucrânia, em Gaza, na Síria e na Líbia têm em comum? BASENAME: canta-o-merlo-o-que-as-guerras-na-ucrania-em-gaza-na-siria-e-na-libia-tem-em-comum DATE: Sun, 10 Aug 2014 17:09:03 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

O que as guerras na Ucrânia, em Gaza, na Síria e na Líbia têm em comum?
Alfredo Jalife-Rahme

Tradução : Marisa Choguill

http://www.voltairenet.org/article185048.html

Para o especialista mexicano em geopolítica Alfredo Jalife-Rahme, a simultaneidade dos eventos ilumina seu significado: logo depois de anunciar a criação de uma alternativa ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Mundial, isto é, o dólar, a Rússia está tendo que enfrentar, ao mesmo tempo, a acusação de ter derrubado o jato da Malaysia Airlines; o ataque israelense em Gaza, apoiado pela inteligência militar dos EUA e do Reino Unido; o caos na Líbia; e a ofensiva do Estado Islâmico no Levante. Além disso, em cada um desses teatros de guerra, a luta gira em torno do controle dos hidrocarbonetos, que até agora foram negociados exclusivamente em dólares.

Calendários, fluxogramas, diagramas e índices genealógicos são muito úteis para se fazer uma análise geopolítica. Assim, dois dias antes de um misterioso míssil explodir o avião da Malaysia Airlines no céu ? um evento tão obscuro como as circunstâncias de ambos os seus voos recentes ?, a sexta cúpula do BRICS, incluindo um número de países membros da Unasul, como a Colômbia e o Peru, tinha terminado com sucesso. [1]

Um dia antes do ataque de míssil mortal, Obama fez uma elevada pressão sobre a Rússia e seus dois ativos inextricáveis: bancos e recursos energéticos. "Por pura coincidência", no dia em que o misterioso míssil foi disparado na Ucrânia, "Netanyahu, no leme de um estado com arsenal nuclear, ordenou que seu exército invadisse a faixa de Gaza", como Fidel Castro corretamente apontou quando denunciou o golpe de estado em Kiev, que ele acusou de ter realizado uma "nova forma de provocação" sob o patrocínio dos Estados Unidos. [2]

O que esse velho desmancha-prazeres do Caribe poderia saber sobre esse caso?

Enquanto o míssil misterioso estava destruindo o voo da Malaysia Airlines, Israel, um estado racista e segregacionista, invadia a faixa de Gaza, em violação das resoluções da ONU e "antagonizando a opinião pública internacional", conforme indicado pelo ex-presidente Bill Clinton. [3]

Simultaneamente com a "coincidência" (dixit Castro [dixit: Latin, as stated by? NT]) relativa aos objetivos geopolíticos na Ucrânia e na faixa de Gaza, confrontos de natureza declarada envolvendo o controle dos recursos de energia, tomaram o centro do palco nos três países árabes classificados como "Estados Fracassados" pelos estrategistas dos EUA: Líbia, Síria e Iraque, para não mencionar as guerras no Iêmen e na Somália.

Na Líbia, um estado balkanisado [dividido em pequenos ?principados? que frequentemente estão imersos em hostilidades ? NT] e dizimado como resultado da intervenção "humanitária", liderada pela Grã-Bretanha e pela França sob a supervisão hipócrita dos Estados Unidos, apenas dois dias antes do míssil misterioso na Ucrânia, as brigadas rebeldes de Zintan barraram todo o acesso ao Aeroporto Internacional de Trípoli (capital), enquanto confrontos entre clãs rivais aumentavam em Benghazi, de onde jihadistas na Síria e no Iraque foram fornecidos com armas e onde o embaixador dos EUA na Líbia foi assassinado sob circunstâncias bizarras.

Além da ligação entre o fluxo de armas na Líbia, Síria e Iraque, na região controlada pela Al-Qaeda/Al-Nusra e o novo Estado Islâmico (Daesh) [4], a questão crucial para as empresas de petróleo e gás dos E.U., britânicas e francesas é assegurar o controle da matéria prima (gás e água fresca) pertencente à Líbia, onde Rússia e China ingenuamente cairam numa armadilha [5].

Quanto à apropriação de petróleo iraquiano pelo duo imperialista EUA / UK, que também levou à balcanização e destruição do Iraque, mergulhando o país em uma "guerra de 30 anos", seria fútil e letalmente chato ter de rever as provas bem conhecidas.

Durante a minha recente visita a Damasco, onde eu fui entrevistado por Thierry Meyssan, presidente da Rede Voltaire, ele me disse que a repentina virada-de-face do "oeste (seja lá o que se entenda por isso)" contra Bashar al-Assad é devida em grande parte ? além dos campos de gás localizados ao longo da costa mediterrânica ? à profusão de depósitos de óleo que se encontram no interior da Síria, depósitos que agora são controlados pelo "Novo Califado (Daesh) do Século XXI ".

A interdependência entre petróleo e gás está no centro do atenções em Gaza cinco anos após a operação "Chumbo Fundido", cuja estratégia está sendo adotada pela operação "Borda Protetora" (sic), sem uma investigação para estabelecer conclusivamente quem foi responsável elo terrível assassinato dos três jovens israelitas ? que havia sido profeticamente anunciado por Tamir Pardo, o "visionário" chefe do Mossad [6] ? e serviu como pretexto para outra invasão israelita da faixa de Gaza que ceifou a vida de uma várias centenas de crianças.

De acordo com o geógrafo, Manlio Dinucci, escrevendo no jornal italiano Il Manifesto [7], a abundância de reservas de gás nas águas costeiras de Gaza é uma das razões para a intransigência israelense.

Da mesma forma, as substanciais reservas de gás de xisto, profundamente enterradas na República Autônoma de Donetsk, que visa separar-se ou tornar-se uma federação da Ucrânia, é a fonte da feroz guerra psicológica entre a mídia pro-UE e pró Rússia para fixar a responsabilidade do outro lado da explosão do avião da Malaysia Airlines. Será que não poderia ter sido uma operação sob falsa bandeira inventada pelo governo da Ucrânia para incriminar os separatistas usando "gravações" que podem muito bem ter sido adulteradas para acusá-los de "terrorismo" e assim aniquilá-los?

Há dois meses, as notícias do canal Rússia Hoje (RT ? Russia Today) ? que é cada vez mais visto na América Latina para combater a desinformação expelida pela mídia israelense-Anglo-americana controlada e que foi submetida à censura pública pelo Secretário de Estado John Kerry ? tinha já ressaltado a importância do gás de xisto na região de Donetsk (região no leste da Ucrânia que procura ganhar independência), e perguntava se "os interesses das companhias petrolíferas ocidentais não estariam por trás da violência" [8].

Com efeito, a parte oriental da Ucrânia, atualmente envolvida em uma guerra civil, está cheia "de carvão e uma miríade de depósitos de gás de xisto na bacia do Dnieper-Donets." Em fevereiro de 2013, a British Shell Oil assinou com o governo da Ucrânia (o anterior, que foi deposto por um golpe neo-nazista apoiado pela UE) um acordo de 50 anos para partilhar os lucros provenientes da exploração e extração de gás de xisto na região de Donetsk. [9]

De acordo com o RT, "os lucros que Kiev não quer perder" são tantos que fizeram o governo ucraniano a desencadear uma "campanha militar [desproporcional] contra seu próprio povo."

No ano passado, a Chevron assinou um acordo semelhante (com o mesmo governo) para 10 bilhões de dólares.

Hunter Biden, filho do Vice-Presidente do EUA, foi nomeado para o Conselho de Diretores da Burisma, a maior firma produtora de gás privada (supersic) na Ucrânia [10], a qual "abre uma nova perspectiva para a exploração de gás de xisto ucraniano" na medida em que "ela detém a licença abrangendo a bacia do Dnieper-Donets." John Kerry não será deixado para fora em relação à distribuição dos lucros, e Devon Archer, seu antigo conselheiro e colega de faculdade de seu enteado, juntou-se à controversa empresa em abril.

Pode uma ma licença de "desapropriação de imóveis" para explorar o gás de xisto na Ucrânia servir também como uma "licença para matar" inocentes?

Está o fraturamento hidráulico em processo de fraturar Ucrânia? Esta tem sido uma característica permanente da trágica história da exploração de hidrocarbonetos por companhias de petróleo "ocidentais" ao longo do século XX.

Não há dúvida de que os hidrocarbonetos são o denominador comum das guerras na Ucrânia, no Iraque, na Síria e na Líbia.

[1] ?Cúpula do Brics: Sementes de uma nova arquitetura financiera?, Ariel Noyola Rodríguez, Rede Voltaire, 3 de Julho de 2014. ?Sixth BRICS Summit: Fortaleza Declaration and Action Plan?, Voltaire Network, 16 July 2014. «Momento BRICS en Fortaleza», Alfredo Jalife-Rahme, 17 juillet 2014.

[2] «Fidel Castro: El derribo de avión malasio es una "provocación insólita" de Ucrania», Russia Today, 17 July 2014.

[3] AFP, 17/07/14.

[4] «¿Yihad global contra los BRICS?», por Alfredo Jalife-Rahme, La Jornada (México), Red Voltaire , 18 de julio de 2014.

[5] «El botín del saqueo en Libia: "fondos soberanos de riqueza", divisas, hidrocarburos, oro y agua», by Alfredo Jalife-Rahme, La Jornada, 28 August 2011.

[6] «El jefe del Mossad había vaticinado el secuestro de los tres jóvenes israelíes », por Gerhard Wisnewski, Red Voltaire , 11 de julio de 2014.

[7] «Gaza: el gas en la mirilla», por Manlio Dinucci, Il Manifesto (Italia), Red Voltaire , 18 de julio de 2014.

[8] «Shale gas and politics: Are Western energy giants? interests behind Ukraine violence?», Russia Today, 17 May 2014.

[9] « L?Ukraine brade son secteur énergétique aux Occidentaux », par Ivan Lizan, Traduction Louis-Benoît Greffe, Однако (Russie), Réseau Voltaire, 2 mars 2013.

[10] ?Na Ucrânia, filho de Joe Biden junta o útil ao agradável?, Tradução Alva, Rede Voltaire, 16 de Maio de 2014.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Cresce o petroyuan (e a lenta erosão da hegemonia do dólar BASENAME: canta-o-merlo-cresce-o-petroyuan-e-a-lenta-erosao-da-hegemonia-do-dolar DATE: Fri, 08 Aug 2014 22:24:06 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Cresce o petroyuan (e a lenta erosão da hegemonia do dólar

4/8/2014, Flynt Leverett e Hillary Mann Leverett,* World Financial Review
http://www.worldfinancialreview.com/?p=2621

Por 70 anos, um dos pilares mais criticamente determinantes do poder norte-americano tem sido a posição do dólar como mais importante moeda do mundo. Nos últimos 40 anos, um dos pilares do primado do dólar tem sido o papel dominante das notas verdes nos mercados internacionais de energia. Hoje, a China está alavancando seu crescimento como potência econômica, e como o mais importante mercado em desenvolvimento para exportadores de hidrocarboneto no Golfo Persa e na ex-URSS, para circunscrever a dominação do dólar na energia global - com ramificações potencialmente profundas para a posição estratégica dos EUA.

Desde a 2ª Guerra Mundial, a supremacia geopolítica dos EUA repousa não só na força militar, mas também na posição do dólar como principal moeda de negócios e de reserva do mundo. Economicamente, a primazia do dólar extrai "senhoriagem" - a diferença entre o custo de imprimir dinheiro e seu valor - de outros países e minimiza a taxa de risco cambial das empresas norte-americanas. Mas sua real importância é estratégica: a primazia do dólar permite que os EUA cubram seus déficits crônicos em conta corrente e fiscal, emitindo mais de sua própria moeda - precisamente como Washington financiou a projeção de poder militar por mais de meio século.

Desde os anos 1970s, um pilar da primazia do dólar tem sido o papel das notas verdes como moeda dominante na qual se fazem os preços de petróleo e gás, e na qual as vendas de hidrocarbonos são faturadas e pagas. Isso ajuda a manter alta a demanda mundial do dólar. Isso também alimenta a acumulação de excedentes em dólares pelos produtores de energia, o que reforça a posição do dólar como primeiro ativo de reserva do mundo, e que pode assim ser "reciclado" na economia dos EUA para cobrir os déficits norte-americanos.

Muitos assumem que a proeminência do dólar nos mercados de energia deriva de seu estado mais amplo como principal moeda de transações e de reserva do mundo. Mas o papel do dólar nesses mercados não é natural nem é função de sua dominância mais ampla. Na verdade, foi concebido e construído por políticos norte-americanos depois do colapso da ordem monetária de Bretton Woods no início dos anos 1970s, o que pôs fim à versão inicial da primazia do dólar ("hegemonia 1.0 do dólar"). Ligar o dólar ao mercado internacional de petróleo foi chave para criar uma nova versão da primazia do dólar ("hegemonia 2.0 do dólar") - e, por extensão, para financiar mais 40 anos da hegemonia dos EUA.

Ouro e hegemonia 1.0 do dólar

A primazia do dólar foi 'sacramentada' pela primeira vez na conferência de Bretton Woods de 1944, onde os aliados não comunistas dos EUA aceitaram a proposição de Washington para uma ordem monetária internacional pós-guerra. A delegação britânica - chefiada por Lord Keynes - e virtualmente todos os demais países participantes, exceto os EUA, prefeririam criam uma nova moeda multilateral através do nascente Fundo Monetário Internacional (FMI) como principal fonte de liquidez global. Mas isso poria abaixo as ambições norte-americanas, que queriam uma ordem monetária centrada no dólar. Apesar de praticamente todos os participantes preferirem a opção multilateral, o poder relativo vastamente superior dos EUA garantiu que, no final, sua preferência predominasse. Assim, sob o padrão ouro de troca de Bretton Woods, o dólar foi ligado ao ouro e as demais moedas foram ligadas ao dólar, gerando a forma principal de liquidez internacional.

Havia, contudo, uma contradição fatal na visão baseada-em-dólar, de Washington. O único modo pelo qual os EUA podiam distribuir dólares suficientes para atender à liquidez em todo o mundo era manter déficits em conta corrente sempre abertos. Com a Europa Ocidental e o Japão recuperados e reconquistando competitividade, aqueles déficits cresceram. Lançado na própria sempre crescente demanda por dólares nos EUA - para financiar o consumo crescente, a expansão do estado de bem-estar e a projeção global do próprio poder - e a oferta de dinheiro dos EUA rapidamente ultrapassou as reservas em ouro dos EUA. A partir dos anos 1950s, Washington trabalhava para persuadir ou coagir possuidores estrangeiros de dólares a não trocar as notas por ouro. Mas a insolvência só poderia ser mantida semiocultado por pouco tempo: em agosto de 1971, o presidente Nixon suspendeu a convertibilidade dólar-ouro, pondo fim ao fim ao padrão ouro de troca; em 1973, as taxas fixas também se foram.

Esses eventos levantaram questões de base sobre a firmeza, no longo prazo, de uma ordem monetária baseada no dólar. Para preservar seu papel como provedor chefe de liquidez internacional, os EUA teriam de continuar a manter déficits em conta corrente. Mas esses déficits cresciam como balões, porque o movimento de Washington de abandonar Bretton Woods entrecruzara-se com dois outros importantíssimos desenvolvimentos: os EUA tornaram-se importadores líquidos de petróleo no início dos anos 1970s; e o acesso ao controle do mercado de energia por membros chaves da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEC) em 1973-1974 causou aumento de 500% nos preços do petróleo, o que aumentou muito o estresse sobre a balança de pagamentos dos EUA. Com o elo entre o dólar e o ouro já rompido e as taxas de câmbio já não fixas, a prospectiva de déficits cada vez maiores nos EUA agravou as preocupações sobre o valor de longo termo do dólar.

Essas preocupações tiveram especial ressonância para os principais produtores de petróleo. O petróleo que ia para mercados internacionais recebia preço em dólar, pelo menos desde os anos 1920s - mas, por décadas, a libra esterlina foi usada pelo menos tão frequentemente quanto o dólar, para pagamentos de compras internacionais de petróleo, mesmo depois de o dólar ter substituído a libra como principal moeda de comércio e de reservas do mundo.[1] Desde que a libra andasse presa ao dólar, e o dólar fosse "bom como ouro", era processo economicamente viável. Mas depois que Washington abandonou a convertibilidade dólar-ouro e o mundo mudou-se de taxas fixas de câmbio, para taxas flutuantes, o regime de moeda para o comércio do petróleo estava muito vulnerável. Com o fim da convertibilidade dólar-ouro, os maiores aliados dos EUA no Golfo Persa - o Xá do Irã, o Kuwait e a Arábia Saudita - passaram a apoiar uma mudança no sistema de preços da OPEC de preços denominados em dólares, para passar a denominá-los numa cesta de moedas.

Nesse ambiente, vários dos aliados europeus dos EUA reviveram a ideia (introduzida por Keynes em Bretton Woods) de prover liquidez internacional na forma de uma moeda que o FMI lançaria e que seria governada multilateralmente - os chamados "Special Drawing Rights"[2] (SDRs). Depois que os preços do petróleo sempre em ascensão estrangularam suas contas correntes, Arábia Saudita e outros aliados árabes dos EUA no Golfo forçaram a OPEC para que começasse a faturar em SDRs. Também endossaram propostas europeias para reciclar os excedentes em petrodólares através do IMF, para encorajar que crescesse e emergisse como o principal provedor de liquidez internacional pós-Bretton Woods. Significaria que Washington não poderia continuar a imprimir quantos dólares bem entendesse para apoiar consumo crescente, gastos públicos sempre crescentes e projeção global constante de poder. Para impedir que acontecesse, políticos norte-americanos tiveram de encontrar meios novos para incentivar estrangeiros a continuar mantendo excedentes cada vez maiores do que, então, já eram dólares impressos em ar.

Ouro e hegemonia 2.0 do dólar

Para tanto, os governos dos EUA a partir de meados da década dos 1970s, conceberam duas estratégias. Uma foi maximizar a demanda por dólares como moeda transacional. A outra foi inverter as restrições de Bretton Woods aos fluxos de capitais transnacionais; com a liberalização financeira, os EUA puderam alavancar o escopo e a profundidade de seus mercados de capital, e ele pôde cobrir seus déficits crônicos de conta corrente e fiscal, atraindo capitais estrangeiros a custo relativamente baixo. Criar laços fortes entre as vendas de hidrocarbono e o dólar provou-se crítico nos dois fronts.

Para criar tais laços, Washington efetivamente extorquiu seus aliados árabes do Golfo, condicionando silenciosamente as garantias dos EUA à segurança deles à disposição deles para ajudar a financiar os EUA. Traindo promessas feitas aos seus parceiros europeus e japoneses, o governo Ford empurrou clandestinamente a Arábia Saudita e outros produtores árabes do Golfo a reciclar partes substanciais de seus excedentes dos petrodólares dentro da economia dos EUA através de intermediários privados (a maioria dos quais norte-americanos),[3] não através do FMI. O governo Ford também reforçou o apoio do Golfo às finanças apertadas de Washington, em vários acordos secretos com Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, pelos quais os bancos centrais desses países compravam grandes volumes de papéis do Tesouro dos EUA fora dos processos de leilões normais.[4]

Esses procedimentos ajudaram Washington a impedir que o FMI suplantasse os EUA como principal provedor de liquidez internacional; também deram impulso inicial e crucialmente importante para inflar as ambições de Washington de conseguir financiar os déficits dos EUA reciclando os excedentes de estrangeiros em dólares, via o mercado privado de capital e em vendas de papéis do governo dos EUA.

Poucos anos depois, o governo Carter concluiu mais um acordo secreto com os sauditas, pelo qual, dessa vez, Riad comprometia-se a exercer sua influência para garantir que a OPEC continuaria a precificar o petróleo, em dólares.[5] O compromisso da OPEC com o dólar como moeda de faturamento das vendas internacionais de petróleo foi chave para que o dólar se implantasse ainda mais firmemente como moeda reinante na compra e venda no mercado internacional de petróleo. Quando o sistema de preços administrados pela OPEC entrou em colapsou em meados dos anos 1980s, o governo Reagan encorajou a universalização do faturamento em dólares para vendas de petróleo transfronteiras em novos negócios de petróleo em Londres e New York. A universalização quase absoluta na precificação do petróleo - e, depois, também do gás -, sempre em dólares, reforçou a possibilidade de as vendas de hidrocarbonos seriam não só denominadas em dólares, mas também pagas em dólares - gerando crescente apoio mundial à demanda por dólares.

Em resumo, essas barganhas foram instrumentais para criar a "hegemonia 2.0 do dólar". E foram mantidas, apesar de surtos periódicos de insatisfação do Golfo Árabe contra a política dos EUA para o Oriente Médio; apesar, mais fundamentalmente, do distanciamento entre os EUA e outros grandes produtores do Golfo (o Iraque de Saddam Hussein e a República Islâmica do Irã); e de um rompante de interesse pelo "petroeuro", no início dos anos 2000s. Os sauditas, especialmente, defenderam vigorosamente que o petróleo continuasse a ser precificado exclusivamente em dólares.[6]

Enquanto Arábia Saudita e outros grandes produtores de energia aceitam agora em outras grandes moedas o pagamento pelo petróleo que exportam, a maior fatia das vendas mundiais de petróleo continua a ser paga em dólares o que perpetua o status do dólar como principal moeda mundial de negócios. Arábia Saudita e outros produtores árabes do Golfo suplementaram o apoio que dão ao nexo petróleo-dólar, fazendo grandes compras de armamento avançado dos EUA; muitos também ancoraram suas respectivas moedas ao dólar - compromisso que altos funcionários sauditas descrevem como "estratégico". Em momento em que o volume de dólares nas reservas globais já caiu, os árabes do Golfo a reciclar seus petrodólares ajudam a manter o mesmo dólar ainda como principal moeda de reserva.

O desafio chinês

Seja como for, história e cautela lógica ensinam que o que hoje é prática geral não é lei gravada em pedra. Com a ascensão do "petroyuan", já se constata que, sim, há movimento na direção de um regime de moeda menos dólar-cêntrico nos mercados internacionais de energia - com implicações potencialmente muito sérias para a posição mais ampla do dólar.

A China já emergiu como ator principal no cenário da energia global, e já embarcou numa extensiva campanha para internacionalizar[7] sua moeda.[8] Fatia crescente do comércio exterior da China já está sendo denominado e pago em renminbi; e cresce o lançamento de instrumentos financeiros denominados em renminbi. A China está conduzindo um processo distendido de liberalização do capital account essencial para a plena internacionalização do renminbi , e está permitindo mais flexibilidade na taxa de câmbio para o yuan. O Banco do Povo da China [orig. People's Bank of China (PBOC)] já tem acordos de swap com mais de 30 outros bancos centrais - o que significa que o renminbi já funciona efetivamente como uma moeda de reserva.

Os políticos chineses apreciam as "vantagens da liderança" [orig. "advantages of incumbency" (NTs)] de que o dólar goza; o objetivo deles não é que renminbis tomem o lugar dos dólares, mas posicionar o yuan ao lado das verdes como moeda de negócios e de reserva. Além dos benefícios econômicos (por exemplo, reduzir os custos cambiais das empresas chinesas), Pequim quer - por razões estratégicas - reduzir ainda mais o crescimento de suas gigantescas reservas em dólar. A China está vendo a tendência crescente de os EUA excluírem países do sistema financeiro dos EUA, como ferramenta de política exterior, e não quer ver Washington tentar ganhar alavancagem por essa via; a internacionalização do renminbi pode mitigar essa vulnerabilidade. Mais amplamente, Pequim compreende a importância, para o poder dos EUA, de o dólar ser dominante; contendo a dominância do dólar, a China pode conter o excessivo unilateralismo dos EUA.

Há muito tempo a China já incorporou instrumentos financeiros aos seus esforços para ganhar acesso a petróleo estrangeiro. Agora, Pequim quer que os principais produtores de energia aceitem renminbi como moeda de negócios - inclusive no pagamento das compras chinesas de petróleo - e que incorporem o renminbi nas reservas de seus respectivos bancos centrais. Há boas razões para que os produtores sejam receptivos à ideia.

A China é e assim continuará, em todo um vasto futuro que se pode antever, o principal mercado em expansão para produtores de hidrocarbonos no Golfo Persa e na ex-URSS. Expectativas muito difundidas de que o yuan se valorizará no longo prazo tornam a ideia de acumular reservas em renminbi ideia "óbvia", em termos de diversificação do portfólio. E com os EUA já vistos cada vez mais frequentemente como potência em declínio relativo, a China é vista como principal potência em ascensão. Até para os estados árabes do Golfo, que há tanto tempo só confiam em Washington para lhes garantir a própria segurança, os fatos já sugerem que seja imperativo, no campo estratégico, criar laços mais próximos com Pequim. Para a Rússia, a deterioração das relações com os EUA obrigam a gerar cooperação mais profunda com a China, contra EUA que ambas as capitais, Moscou e Pequim, veem potência em declínio lento, mas sempre hiperativa e dada a reações desproporcionais.[9]

Por muitos anos,[10] a China pagou suas importações de petróleo iraniano com renminbi;[11] em 2012, o Banco do Povo da China e o Banco Central dos Emirados Árabes Unidos fizeram acordo de swap de moeda no valor de $5,5 bilhões,[12] preparando o cenário para que as importações chinesas de petróleo possam ser pagas a Abu Dahbi em renminbi - importante expansão do uso do petroyuan no Golfo Persa. O negócio de gás entre China e Rússia, de $400 bilhões, concluído esse ano, incluiu cláusulas bem claras de que os russos aceitarão que os chineses paguem em renminbi pelo gás que comprarem; se o acordo for integralmente implementado, significará que o renminbi passa a ter papel muito considerável nas transações internacionais de gás.

Olhando à frente, o uso do renminbi para pagar por compras internacionais de petróleo e gás com certeza aumentará, o que fará declinar mais rapidamente a influência dos EUA em regiões chaves da produção de energia. Marginalmente, o mesmo processo irá tornando mais difícil para Washington financiar o que China e outras potências emergentes veem como políticas abertamente intervencionistas - perspectiva que a classe política nos EUA ainda sequer começou a ponderar com seriedade.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O chefe do SYRIZA oferece-se para colaborar com a UE BASENAME: canta-o-merlo-o-chefe-do-syriza-oferece-se-para-colaborar-com-a-ue DATE: Wed, 06 Aug 2014 19:58:41 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://resistir.info

Com esta "esquerda radical" os capitalistas podem dormir tranquilos
O chefe do SYRIZA oferece-se para colaborar com a UE
? Carta de vassalagem a Barroso, Rompuy & Draghi

Alexis Tsipras é a nova coqueluche dos media franceses e europeus. Estranha complacência da parte dos media ao serviço da ideologia dominante para com um líder que se pretende da "esquerda radical".

É preciso dizer que as declarações e propostas do líder do SYRIZA não são para inquietar nem a classe dominante grega nem a europeia.

Para além das viragens tácticas e das posições cambiantes ao sabor das oportunidades políticas, o SYRIZA e o seu líder permanecem firmes acerca de certos princípios: a reforma do sistema capitalista e a defesa da União Europeia.

Sem tentar enumerar a lista das propostas oportunistas de Tsipras ao longo destes últimos anos ? um único artigo não seria suficiente ? se se limita às últimas semanas, é edificante a constatação da compatibilidade desta "esquerda radical" com o sistema dominante e o teor das propostas de "governo de esquerda" lançadas ao KKE:

UM GOVERNO DE ESQUERDA NO INTERESSE DO CAPITAL GREGO E EUROPEU

Um "governo de esquerda" em colaboração com o grande capital:
"Um governo de esquerda necessita dos industriais e dos investidores. Ele tem necessidade de um ambiente económico saudável. Tem necessidade de leis meritocráticas (...) Os investimentos podem ser positivos num quadro meritocrático, com leis neste sentido, e não num quadro gangrenado pela corrupção e as maquinações". (Tsipras, Alexis, na cadeia de TV pública NET, 05/Maio/2012).

Um governo de esquerda ampliado... até à direita:
"Se temos necessidade de cinco votos da parte do sr. Kammenos (presidente de uma nova formação direita neoliberal, os Gregos Independentes) e se ele vier para nós e nos der um sinal de abertura e de apoio, nós não o rejeitaremos; não lhe diremos que não o queremos". (Tsipras, Alexis, na cadeia TVXS, 25/Abril/2012)

Um "governo de esquerda" para salvar a Europa do capital:
"Só a esquerda europeia pode garantir uma União Europeia baseada na coesão social". (Tsipras, Alexis, no jornal TA NEA, 02/Maio/2012).

QUANDO O LÍDER DA "ESQUERDA RADICAL" PROPÕE SEUS SERVIÇOS AOS DIRIGENTES DA UNIÃO EUROPEIA PARA SALVAR A EUROPA !

Alexis Tsipras foi mais além das declarações de princípio quanto ao apoio à União Europeia. Numa carta dirigida pessoalmente a José Manuel Barroso ( aqui em grego no sítio web do Synapsismos ) , a Herman van Rompuy e a Mario Draghi, ele revela a sua verdadeira missão: a de participar no salvamento da União Europeia.

Com efeito, esta carta de queixas transforma-se rapidamente numa proposta de colaboração dirigida às altas instâncias da União Europeia.

Ele principia pela constatação: a da rejeição do Memorando, dos partidos que o defenderam nas eleições de 6 de Maio. A seguir, sublinha "o fracasso económico destas políticas, incapazes de tratar as desigualdades e desequilíbrios estruturais da economia grega".

Vem então a ocasião de propor os serviços do SYRIZA, única formação a ter "notado suas fraquezas inerentes à nossa economia", uma economia que afundou pois a classe dirigente grega "ignorou nossas recomendações em termos de reformas estruturais".

Ler entre as linhas: connosco no comando, a estabilidade da economia capitalista grega teria sido assegurada.

Que receita económica propõe o SYRIZA? Nenhuma medida precisa é evocada entre aquelas que por vezes o SYRIZA avança diante do povo grego (alta dos salários, das prestações sociais, etc). O Tsipras evoca apenas a necessidade de inverter a "dinâmica da austeridade e da recessão".

Qual a perspectiva para corrigir a austeridade de que é vítima o povo grego?

Primeiro, "Restaurar a estabilidade social e económica do país", dito de outra forma, restaurar a ordem capitalista na Grécia.

A seguir, numa perspectiva de restauração da estabilidade económica e social à escala europeia. Trata-se "de repensar toda a estratégia actualmente executada, pois ela ameaça não só a coesão e a estabilidade da Grécia como também é fonte de instabilidade para a União Europeia e a própria zona euro".

Tsipras acaba com um vibrante apelo à colaboração de todas as forças para salvar a Europa , e à concentração das decisões no escalão europeu:

"O futuro comum dos povos da Europa está ameaçados por estas escolhas desastrosas. É nossa convicção profunda que a crise económica é de natureza europeia e que a solução não pode ser encontrada senão ao nível europeu".

A habilidade dos media dominantes, na Grécia, em França e alhures, consiste e fazer passar um servidor zeloso da União Europeia do capital, a nova personagem de uma social-democracia de substituição, como o chefe da oposição de esquerda ao consenso liberal e europeísta dominante.

Com uma tal oposição oficial, a classe dominante europeia pode ao mesmo tempo continuar sua política de super-austeridade enquanto neutraliza a emergência de uma alternativa política a este sistema económico predador, que é o capitalismo, e esta construção política anti-democrática que é a União Europeia.
O original encontra-se em solidarite-internationale-pcf.over-blog.net/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
14/Mai/12

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Sobre Gaza por Eric Hobsbawm BASENAME: canta-o-merlo-sobre-gaza-por-eric-hobsbawm DATE: Tue, 05 Aug 2014 22:36:26 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Eric Hobsbawm sobre Gaza

London Review of Books, vol. 31, n. 2, sessão "Cartas":
"Responses to the War in Gaza", 29/1/2009, pages 5-6 (traduzido)
http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/11/eric-hobsbawm-sobre-gaza-2009_18.html

http://port.pravda.ru

Já há três semanas a barbárie está exposta aos olhos da opinião pública universal, que está vendo, julgando e, com poucas exceções, rejeitando o terrorismo armado que Israel emprega contra meio milhão de palestinos cercados, desde 2006, na Faixa de Gaza.

Jamais qualquer explicação oficial para a invasão foi mais patentemente refutada por uma combinação de imagens de televisão e aritmética; ou o papaguear dos jornais sobre "alvos militares", pelas imagens de crianças ensanguentadas e escolas incendiadas.

13 mortos de um lado, 1.360 do outro: não é difícil concluir quem são as vítimas. Nem é preciso dizer muito mais sobre a horrenda operação militar de Israel contra Gaza.

Mas para nós, judeus, é preciso, sim, dizer mais.

Numa história longa e sem segurança, de povo em diáspora, nossa reação natural a quase todos os eventos públicos inevitavelmente inclui a pergunta "Isso é bom ou é mau para os judeus?" E, no caso da violência de Israel contra Gaza, a resposta só pode ser uma: "é mau, para os judeus".

É muito evidentemente mau para os 5,5 milhões de judeus que vivem em Israel e nos territórios ocupados de 1967, cuja segurança é gravemente ameaçada pelas ações militares que o governo de Israel empreende em Gaza e no Líbano; ações que demonstram a incapacidade dos militares israelenses para trabalhar a favor do objetivos que eles mesmos declaram, e atos que só servem para perpetuar e intensificar o isolamento de Israel num Oriente Médio hostil.

O genocídio ou a expulsão em massa de palestinos do que resta de seu território nativo original é, nada mais nada menos, que adotar uma agenda prática que só pode levar à destruição do Estado de Israel. Só a convivência negociada em termos igualitários e justos entre os dois grupos é garantia de futuro estável.

A cada nova aventura militar de Israel, como a que se viu no Líbano e vê-se agora [2009; e vê-se, outra vez, hoje, em 2012, NTs] em Gaza, a solução torna-se mais difícil; e mais se fortalece, em Israel, o jugo da direita; e, na Cisjordânia, o mando dos colonos que, em primeiro lugar, nunca quiseram qualquer solução negociada.

Como aconteceu na guerra do Líbano em 2006, Gaza, agora, torna ainda mais obscuro o futuro de Israel. E o futuro se torna mais negro, também, para os nove milhões de judeus que vivem na diáspora.

Sejamos bem claros: criticar Israel não implica qualquer antissemitismo, mas as ações do governo de Israel cobrem de vergonha os judeus e, mais que tudo, fazem renascer o antissemitismo, em pleno século 21.

Desde 1945, os judeus, dentro e fora de Israel, beneficiaram-se enormemente da má consciência de um mundo ocidental que se recusou a receber imigrados judeus nos anos 1930, antes de ou cometer genocídio ou não se opor a ele. Quanto dessa má consciência, que virtualmente derrotou o antissemitismo no Ocidente por 60 anos e produziu uma era de outro para a diáspora, sobrevive hoje?

Israel em ação em Gaza não é o povo vítima da história. Não é sequer a "valente pequena Israel" da mitologia de 1948-67, um David derrotando vários Golias que o cercavam.

Israel está perdendo a solidariedade do mundo, tão rapidamente quanto os EUA perderam a solidariedade do mundo no governo de George W. Bush, e por razões semelhantes: cegueira nacionalista e a megalomania do poderio bélico.

O que é bom para Israel e o que é bom para os judeus como povo são coisas evidentemente associadas, mas até que se encontre solução justa para a questão palestina essas duas coisas não são nem podem ser idênticas. E é essencialmente importante que os judeus o declarem, bem claramente.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O Presidente da Comissão Europeia é um espião norte-americano BASENAME: canta-o-merlo-o-presidente-da-comissao-europeia-e-um-espiao-norte-americano DATE: Tue, 05 Aug 2014 22:32:38 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Naufrágio dos governos europeus no seio da UE
Presidente da Comissão Europeia é um espião norte-americano

por Thierry Meyssan

http://resistir.info/europa/juncker_27jun14.html

Por trás da nomeação do presidente da Comissão encontra-se o dedo dos Estados Unidos, que esperam assim fazer avançar a sua agenda: limitação da soberania dos Estados aliados e criação de um vasto mercado transatlântico. Deste ponto de vista, a personalidade de Jean-Claude Juncker é a ideal. Ele foi, com efeito, forçado a renunciar no seu próprio país, o Luxemburgo, quando se demonstrou que era um agente operacional dos Serviços Secretos da NATO [1] . Assim, não só os chefes de Estado e de Governo afundam a sua própria autoridade, como colocam acima de si próprios um agente da Gládio.

Foi para um verdadeiro naufrágio que os governos europeus se encaminharam, sexta-feira, 27 de Junho de 2014: o Conselho de chefes de Estado e de governo ratificou a nomeação de Jean-Claude Juncker na presidência da Comissão Europeia, alegando que o seu partido (o Partido Popular Europeu) venceu as eleições para o Parlamento Europeu.

Consequentemente, o próximo presidente da Comissão será a única personalidade eleita pelo conjunto dos cidadãos da União, mesmo que o tenha sido por apenas 45% deles. Portanto, em caso de conflito entre ele e o Conselho, ser-lhe-á fácil remeter (politicamente, NT) a chanceler alemã e o presidente francês para as suas pequenas "regiões eleitorais", que são as Republicas alemã e francesa.

Alguns salientam que não designar o presidente da Comissão desta forma, quando tal "lhe" havia sido prometido, não poderá deixar de aparecer como uma negação da democracia e desencorajará os eleitores.

Ora, o modo de designação do presidente da Comissão jamais foi discutido antes da eleição do Parlamento. Ninguém sabe quem introduziu esta ideia que não figura nos Tratados, os quais prevêem que ele seja eleito por uma maioria qualificada de chefes de Estado e de Governo. Eì uma tremenda afronta que os apoiantes da NATO apresentem esta inovação como um "avanço democrático", confundindo um escrutínio eleitoral desprovido de eleitores com a democracia. Ora, a democracia, a única, a verdadeira é: "O governo do Povo, para o Povo e pelo Povo", segundo a fórmula de Abraham Lincoln.

Deve lembrar-se, por exemplo, que na República Checa a taxa de participação às urnas foi de apenas 13%! E é com uma tal taxa de participação que contam impor aos checos uma personalidade acima do seu governo.

Somente os antigos parlamentares eurocépticos da Aliança dos conservadores e reformistas Europeus, e os nacionalistas da Aliança Europeia para a Liberdade, contestaram este processo durante a campanha eleitoral. Os governos envolvidos só compreenderam a armadilha tarde demais. Angela Merkel tomou a cabeça da fronda, mas abandonou-a quando comparou os seus próprios resultados com os de Jean-Claude Juncker, sem se preocupar com a situação dos outros chefes de governo da União, nem do que acontecerá à Alemanha depois dela. Apenas o húngaro Viktor Orban e o britânico David Cameron se mantêm firmemente opostos a este precedente, mas por razões diferentes: o presidente Orban pensa na posição do seu pequeno país no seio da Grande União, enquanto o Primeiro-ministro britânico se dirige para uma retirada do seu país para fora da União, para regressar ao conceito europeu de Winston Churchill.

Por trás da nomeação do presidente da Comissão encontra-se o dedo dos Estados Unidos, que esperam assim fazer avançar a sua agenda: limitação da soberania dos Estados aliados e criação de um vasto mercado transatlântico. Deste ponto de vista, a personalidade de Jean-Claude Juncker é a ideal. Ele foi, com efeito, forçado a renunciar no seu próprio país, o Luxemburgo, quando se demonstrou que era um agente operacional dos Serviços Secretos da NATO [1] . Assim, não só os chefes de Estado e de Governo afundam a sua própria autoridade, como colocam acima de si próprios um agente da Gládio.

As consequências desta nomeação não se farão sentir de imediato, mas o verme já está no fruto. Elas se manifestarão quando surgir uma crise entre os diferentes protagonistas. Será, então, tarde demais.
[1] "Gladio en Luxemburgo: Juncker obligado a dimitir" ("Gládio no Luxemburgo: Juncker forçado a demitir-se"), Red Voltaire, 16/Julho/2013.

Ver também:
Os exércitos secretos da NATO (IX) , Daniele Ganser

O original encontra-se em www.voltairenet.org/article184485.html . Tradução de Alva (efectuadas pequenas alterações).

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Do gueto de Varsóvia ao gueto de Gaza BASENAME: canta-o-merlo-do-gueto-de-varsovia-ao-gueto-de-gaza DATE: Sun, 03 Aug 2014 15:22:02 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://resistir.info/

DO GUETO DE VARSÓVIA AO GUETO DE GAZA
A resistência dos judeus do gueto de Varsóvia foi afogada em sangue pelos nazis alemães. Hoje, no gueto de Gaza, a entidade nazi-sionista afoga em sangue o povo palestino. A resistência heróica dos palestinos ? apesar dos seus fracos meios militares ? é um feito notável e heróico. O povo palestino desperta e merece a solidariedade universal. Por todo o mundo verificam-se manifestações de repúdio às atrocidades do Estado nazi-sionista. É preciso intensificá-las, apoiar a campanha Boicote, Desinvestimento, Sanções , não comprar nem importar produtos israelenses, cortar os laços económicos e militares com o Estado do apartheid sionista.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Gaza: o genocídio e suas (des)razões BASENAME: canta-o-merlo-gaza-o-genocidio-e-suas-des-razoes DATE: Wed, 30 Jul 2014 23:21:56 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Gaza: o genocídio e suas (des)razões

por Atilio A. Boron [*]

Em meio do espanto e do banho de sangue que inunda Gaza ouve-se uma voz, metálica, glacial. Pronuncia um solilóquio semelhante ao que William Shakespeare, na sua obra Henrique VI, pôs na boca de Ricardo, um ser disforme, monstruoso, mas aguilhoado por uma ambição ilimitada e orgulhoso da sua vilania:

"Sou o espírito do estado de Israel. Sim, agrido, destruo e assassino impunemente: crianças, anciãos, mulheres, homens. Porque em Gaza são todos terroristas, para além das suas aparências. Um dos hierarcas da ditadura genocida na Argentina, o general Ibérico Saint Jean , disse que "Primeiro vamos matar todos os subversivos, depois seus colaboradores, depois os indiferente e por último os tímidos". Nós invertemos essa sequência e começámos pela população civil, gente cujo crime é viver em Gaza. No processo cairão centenas de inocentes, gente que simplesmente tentava sobreviver nesse confinamento nauseabundo; a seguir iremos aos tímidos, os indiferentes e depois deste brutal e instrutivo escarmento chegaremos aos colaboradores e aos terroristas. Sei muito bem que o rudimentar e escasso armamento do Hamas só nos pode provocar um arranhão, como demonstram as estatísticas fúnebres dos nossos ataques periódicos às populações palestinas. Suas ameaças de destruir o estado de Israel são fanfarronadas sem sentido porque não têm a menor capacidade de levá-las à prática. Mas são-nos de enorme utilidade na guerra psicológica e na propaganda: servem-nos para aterrorizar nossa própria população e obter assim seu consentimento para o genocídio e a nossa política de ocupação militar dos territórios palestinos. E também servem para que os Estados Unidos e os países europeus, embarcados na "luta contra o terrorismo", nos facilitem todo tipo de armamentos e nos amparem politicamente.

Em Gaza não enfrento nenhum exército, porque não lhes permitimos que o tenham. Eu, em contrapartida, tenho um dos melhores do mundo, apetrechado com a mais refinada tecnologia bélica proporcionada pelos meus protectores: Washington e as velhas potências coloniais europeias e aquela que pude desenvolver, graças a eles, dentro de Israel. Os palestinos tão pouco têm uma aviação para vigiar seu espaço aéreo, nem uma frota que proteja seu mar e suas praias. Meus drones e helicópteros sobrevoam Gaza sem temor e disparam seus mísseis sem se preocuparem com o fogo inimigo, porque não há fogo inimigo. Aperfeiçoámos, com as novas tecnologias bélicas, o que Hitler fez em Guernica. Sou amo e senhor de vidas e fazendas. Faço o que quero: posso bombardear casas, escolas, hospitais, o que me der na gana. Meus poderosos amigos (e, sejamos honestos, cúmplices de todos os meus crimes) aceitarão qualquer atrocidade que decida perpetrar. Já o fizeram antes, em inúmeráveis ocasiões e não só connosco: fá-lo-ão quantas vezes for preciso. Sua má consciência ajuda-me: calaram envergonhadamente durante a Shoá, o sistemático genocídio perpetrado por Hitler contra os judeus perante a vista e a paciência de todo o mundo, desde o Papa Pio XII até Franklin D. Roosevelt e Winston Churchill. Calarão também diante do genocídio que metodicamente por etapas estou a realizar em Gaza, porque matar palestinos impunemente é isso, genocídio. Como fazia Hitler quando alguém da sua tropa de ocupação era feito prisioneiro ou morto pelos maquis da resistência francesa ou pelos partisans espanhóis: juntavam dez ou quinze pessoas ao acaso, que tivessem a desgraça de passar pelo lugar, e metralhavam-nos no acto, como escarmento e como advertência didáctica para que seus vizinhos não cooperassem com os patriotas. Nós nem sequer esperamos que matem um dos nossos para fazer o mesmo e fazemo-lo do modo mais covarde. Ao menos os nazis viam os rostos das vítimas cujas vidas cortariam em um segundo; nós não, porque disparamos mísseis a partir de aviões ou navios, ou projécteis a partir dos nossos tanques. Inquieta-nos recordar que tanta crueldade, tanto horror, foi em vão. Seis milhões de judeus sacrificados nos fornos crematórios e milhões mais que caíram por toda a Europa não foram suficientes para evitar a derrota de Hitler. Será diferente desta vez, será que agora nosso horror nos abrirá o caminho para a vitória?

Eufórica por ver tanto sangue árabe derramado uma das minhas deputadas extravasou e disse o que penso: que há que matar as mães palestinas porque engendram serpentes terroristas. Desgraçadamente nem todos em Israel pensam assim; há alguns judeus, românticos incuráveis, que acreditam que podemos conviver com os árabes e que a paz não só é possível como necessária. Dizem-nos que isso foi o que fizemos durante séculos. Não entendem o mundo de hoje, mortalmente ameaçado pelo terrorismo islâmico, e deixam-se levar pela nostalgia de uma época superada definitivamente. Não são poucos em Israel os que caem neste equívoco e preocupa-nos que seus números estejam em crescendo. Mas a partir do governo trabalhamos activamente para contrariar esse sentimentalismo pacifista e, para cúmulo, laico. Laico, num estado no qual para ser cidadão é preciso ser judeu (e temos cerca de 20% de árabes, que viveram na região durante séculos e não são cidadãos) e onde não existe o matrimónio civil, só o religioso!

Para combater estas atitudes contamos com os grandes meios de comunicação (os de Israel e os de fora) e nossas escolas ensinam nossas crianças a odiar nossos indesejáveis vizinhos, uma raça desprezível. Para envolve-los no nosso esforços militar os convidamos a escreverem mensagens de morte nos mísseis que, pouco depois, lançaremos contra essa gentalha amontoada em Gaza. Outras crianças serão as que cairão mortas por esses mísseis amorosamente dedicados pelos nossos. Não ignoro que com minhas acções lanço uma asquerosa escarrada à grande tradição humanista do povo judeu, que arranca com os profetas bíblicos, continua com Moisés, Abraão, Jesus Cristo e passa por Avicena, Maimónides, Baruch, Spinoza, Sigmund Freud, Albert Einstein, Martin Buber até chegar a Erich Fromm, Claude Levy-Strauss, Hannah Arendt e Noam Chomsky. Ou com judeus extraordinários que enriqueceram o acervo cultural da Argentina como León Rozitchner, Juan Gelman, Alberto Szpunberg e Daniel Barenboim, entre tantos outros que seria muito longo enumerar aqui. Mas esse romantismo já não conta. Deixámos de ser um povo perseguido e oprimido; agora somos opressores e perseguidores.

Utilizam-se duras palavras e frases para qualificar o que estamos a fazer. Covardia criminosa, delito de lesa humanidade, por agredir com armas mortíferas uma população indefesa, dia e noite, hora após hora. Mas por acaso não merece a mesma qualificação o que fizeram os Estados Unidos ao lançar bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki? E quem os reprova? Terrorismo de Estado? Digamos antes realpolitik, porque desde quando meus e amigos e protectores do Ocidente se preocuparam com o Terrorismo de Estado ou as violações dos Direitos Humanos que eles mesmo cometem, ou um aliado ou peão? Apoiaram durante décadas quantos déspotas e tiranos povoaram esta terra, sempre que fossem funcionais aos seus interesses: Saddam Hussein, Xá da Pérsi, Mubarak, Ali, Mobutu, Osama Bin Laden. E, na América Latina, Videla, Pinochet, Geisel, Garrastazú, Stroessner, "Papa Doc" Duvallier, Somoza, Trujillo, Batista e muitíssimos mais. Assassinaram centenas de líderes políticos anti-imperialistas e Obama continua a fazê-lo ainda hoje, onde todas as terças-feiras decide quem da lista de inimigos dos Estados Unidos, que lhe é apresentada pela NSA, deve ser eliminado com um míssil disparado de um drone ou mediante uma operação de comandos. Por que haveriam de se escandalizar com o que está a acontecer em Gaza? Além disso precisam de mim como gendarme regional e base de operações militares e de espionagem numa região do mundo com tanto petróleo como o Médio Oriente ? e sabem que para cumprir com essa missão não só não devem manietar-me como é preciso contar com seu inquebrantável apoio, o que até agora jamais me foi negado.

Sei também que estou a violar a legalidade internacional, que estou a desobedecer a resolução nº 242, Novembro de 1967, do Conselho de Segurança da ONU, que por unanimidade exige que me retire dos territórios ocupados durante a Guerra dos Seis Dias de 1967. Não cumpri essa resolução durante quase meio século, sem ter de enfrentar sanções de nenhum tipo como as que arbitrariamente se impõem a outros, ou as que aplicam a Cuba, Venezuela, Irão e, antes, ao Iraque depois da primeira guerra do Golfo. Razões desta tolerância? Meus lobistas nos Estados Unidos são poderosíssimos e têm um punho na Casa Branca, no Congresso e na Justiça. Segundo Norman Finkelstein (um mau judeu, inimigo do estado de Israel) a indústria do holocausto goza de tal eficácia extorsiva que impede perceber que quem agora está a produzir um novo holocausto somos nós, os filhos e netos daqueles que padeceram sob os nazis. Por isso, apesar de as vítimas mortais em Gaza já superarem os 500 palestinos (contra 25 soldados do nosso exército, um dos quais foi morto por erro pelas nossas próprias forças, segundo informou esta segunda-feira 22 de Julho o New York Times ) o presidente Obama fez um apelo estúpido para evitar que israelenses e palestinos ficassem presos nos "fogo cruzado" desta confrontação. Pobre dele se houvesse dito que aqui não há "fogo cruzado" nem confrontação alguma e sim um massacre indiscriminado de palestinos, uma horrível "limpeza étnica" praticada contra uma população indefesa! Nosso lobby o crucificaria numa questão de horas! Agora que nossas tropas entraram em Gaza teremos que sofrer algumas baixas, mas a desproporção continuará a ser enorme.

Claro, não posso evitar que me qualifiquem tecnicamente como um "estado canalha", porque assim se denominam os que não acatam as resoluções da ONU e persistem em cometer crimes de lesa humanidade. Mas como os Estados Unidos e o Reino Unido são violadores em série das resoluções da ONU, e portanto também eles "estados canalhas", seus governos foram invariavelmente solidários com Israel. Para além da perturbação que por momentos possam ocasionar estas reflexões, precisamos completar a tarefa iniciada em 1948 e apoderar-nos da totalidade dos territórios palestinos: iremos deslocá-los periodicamente, aterrorizando-os, empurrando-os para fora das suas terras ancestrais, convertendo-os em eternos ocupantes de infectos campos de refugiados na Jordânia, na Síria, no Iraque, no Egipto, onde seja. E se resistirem os aniquilaremos. Podemos fazer isso pela nossa esmagadora força militar, pelo apoio político do Ocidente e pela degradação e putrefacção dos corrupto e reaccionários governos do mundo árabe que, como era previsível (e assim nos haviam assegurado nossos amigos em Washington e Londres) não se importam minimamente com a sorte dos palestinos.

A tal extremo chega nossa barbárie que até um amigo nosso, Mario Vargas Llosa, se escandalizou quando em 2005 visitou e Gaza e surpreendeu-nos com críticas de insólita ferocidade. Chegou a dizer, por exemplo: "pergunto-me se algum país no mundo teria podido progredir e modernizar-se nas condições atrozes de existência da gente de Gaza. Ninguém me contou, não sou vítima de nenhum preconceito contra Israel, um país que sempre defendi ... Eu vi com meus próprios olhos. E sinto-me enojado e sublevado pela miséria atroz, indescritível, em que mofam, sem trabalho, sem futuro, sem espaço vital, nas covas estreitas e imundas dos campos de refugiados ou nessas cidades apinhadas e cobertas pelo lixo, onde passeiam ratos à vista, essas famílias palestinas condenadas só a vegetar, a esperar que a morte venha por fim a essa existência sem esperança, de absoluta desumanidade, que é a sua. São esses pobres infelizes, crianças e velho e jovens, privados já de tudo o faz humana a vida, condenados a uma agonia tão injusta e tão larvar como a dos judeus nos guetos da Europa nazi, os que estão agora a ser massacrados pelos caças e os tanques de Israel, sem que isso sirva para aproximar um milímetro a ansiada paz. Pelo contrário, os cadáveres e rios de sangue destes dias só servirão para afastá-la e levantar novos obstáculos e semear mais ressentimento e raiva no caminho da negociação" [1]

Mas nada do que diga Vargas Llosa, e tantos outros, nos fará mossa: somos o povo eleito por Deus (ainda que os iludidos estado-unidenses também acreditem nisso), uma raça superior e os árabes são uma pestilência que deve ser removida da face da terra. Por isso construímos esse gigantesco muro na Cisjordânia, ainda pior do que erigiram em Berlim e que foi apropriadamente caracterizado como o "muro da infâmia". Nossos lobbies foram muito eficazes ao tornar invisível esta monstruosidade e ninguém fala do nosso "muro da infâmia". Reconheço que nossa traição aos ideais do judaísmo nos inquieta. Não era isto o que queriam os pais fundadores. Convertemo-nos numa máquina de usurpação e despojamento colonial que já não mantém nenhuma relação com nossa venerável tradição cultural. Alguns dizem que Israel é o judaísmo como Hitler era o cristianismo. Por isso é que por vezes nosso sonho é perturbado e as mortes e sofrimentos que causámos durante tanto anos ? e que para sermos sinceros começaram muito antes de nascer o Hamas ? acossam-nos como o fantasma de Hamlet. Mas retrocedemos horrorizados diante da possibilidade de uma paz que não queremos porque perderíamos os territórios arrebatados durante tantos anos, encorajaríamos a turbamulta árabe que nos rodeia e faríamos perder milhares de milhões de dólares aos nossos amigos do complexo militar-industrial estado-unidense, que é o verdadeiro poder nesse país, assim como aos seus sócios israelenses que também lucram com este estado de hostilidades permanentes. Por isso continuaremos nesta guerra até o fim, ainda que com os riscos que esta atitude possa desencadear.

Ver também:
Carta aberta ao Governo Português sobre a ofensiva israelita contra o povo palestino
International Scientists and Doctors Denounce Israeli "Crimes Against Humanity" in Gaza

[*] Sociólogo, argentino.

O original encontra-se em www.resumenlatinoamericano.org

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Genocídio na Europa BASENAME: canta-o-merlo-genocidio-na-europa DATE: Fri, 20 Jun 2014 15:46:37 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

GENOCÍDIO NA EUROPA
http://resistir.info/

O governo neo-nazi de Kiev deu, dia 12 de Junho, um novo passo na escalada genocida contra o seu próprio povo: a utilização de bombas incendiárias de fósforo contra a população civil de Slavyansk . Os media corporativos, ditos de "referência", calam-se. Ocultam deliberadamente este novo acto de barbárie dos fascistas ucranianos patrocinados pelo governo Obama. E a União Europeia permanece de cócoras, também calada, subserviente aos EUA e conivente com os seus crimes.

----- COMMENT: AUTHOR: Pedro d' Ajuda [Visitante] DATE: Mon, 30 Jun 2014 23:41:45 +0000 URL:

Notícia para mim surpreendente.
Principalmente por a não encontrar, nem em vestígios, na Comunicação Social corrente.
Mas não a vou subestimar.
Desde a implosão da URSS, para a qual os USA em nada contribuiram, que tudo está a acontecer em decorrência dos interesses económicos e geoestratégicos da “potência única” ou seja o bloco anglo-americano.
Livre da potência concorrente (a URSS) os USA, sentiram-se de mãos completamente livres.
E na demarcação das fronteiras dos novos países, não se obedeceu nem á prudência nem há justiça.
Um fermento para futuras guerras. Civis e internacionais…

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Washington relança seu projecto de partição do Iraque BASENAME: canta-o-merlo-washington-relanca-807-a-seu-projecto-de-partica-807-aa-771-o-do-iraque DATE: Thu, 19 Jun 2014 12:11:17 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Washington relança seu projecto de partição do Iraque

por Thierry Meyssan

http://www.voltairenet.org/pt

Desde 2001, o estado-maior dos Estados Unidos tenta fracturar o «Próximo-Oriente alargado» numa multiplicidade de pequenos Estados etnicamente homogéneos. O mapa da região remodelada foi publicado em julho de 2006 [1]. Ele prevê a divisão do Iraque em três, um Estado sunita, um xiita e um curdo.

O falhanço de Israel diante ao Hezbolla, no verão de 2006 [2], e o da França e do Reino Unido diante à Síria em 2011-14, deixava supôr que este plano tinha sido abandonado.

Não é o caso: o estado-maior dos EU tenta retomá-lo por intermédio destes condottieres modernos que são os Jihadistas.

Os eventos surgidos no Iraque, na semana passada, devem ser vistos sob este ângulo. A imprensa internacional insiste na ofensiva do Emirado islâmico no Iraque e no Levante (EIIL ou «Daesh» em árabe), mas esta é apenas uma parte da vasta acção em curso.
A ofensiva coordenada do EIIL e dos Curdos

Numa semana, o EIIL conquistou o que deveria tornar-se um emirado Sunita, enquanto os peshmergas (combatentes curdos-ndT) conquistaram o que deveria ser o Estado curdo independente.

O exército iraquiano, formado por Washington, deu Niníve aos primeiros e Kirkuk aos segundos. A sua própria estrutura de comando facilitou a desintegração: os oficiais superiores, tendo que recorrer ao gabinete do Primeiro-Ministro antes de mover as suas tropas, eram ao mesmo tempo privados de iniciativa de jogo e instalados como reizinhos nas suas zonas de acção. Por outro lado, era fácil ao Pentágono corromper certos oficiais para que eles incitassem os seus soldados à deserção.

Os parlamentares, convocados pelo Primeiro-ministro Nouri-Al-Maliki, também desertaram e não votaram o estado de emergência por falta de quorum, deixando o governo sem possibilidades de resposta.

Sem outra escolha para salvar a unidade do seu país, al-Maliki apelou a todos os aliados possíveis e imagináveis. Primeiro apelou ao seu próprio povo em geral, e à milícia xiita do seu rival Moqtada el-sadr em particular (o Exército de Mahdi), depois aos guardas da Revolução iranianos (o general Qassem Suleimani, comandante da força Jerusalém está, no momento, em Bagdad), finalmente aos Estados Unidos a quem ele pediu para voltarem e bombardear os assaltantes.

A imprensa ocidental sublinha, não sem razão, que o modo de governar do Primeiro- ministro freqüentemente prejudicou, quer a minoria Sunita árabe, quer os laicos do Baas, tanto pareceu ser favorável sobretudo aos Shiitas. Porém, esta constatação é relativa: os Iraquianos reconduziram, aquando das eleições gerais de 30 de abril, a coligação (coalizão-Br) de Nouri al-Maliki. Esta obteve um quarto dos votos, ou seja três vezes mais que o movimento de Moqtada el-Sadr, tendo o resto dos votos ficado espalhado entre uma míriade de pequenos partidos.
A preparação da ofensiva contra a autoridade de Bagdad

A ofensiva do EIIL, por um lado, e dos Peshmergas por outro foi sendo preparada ao longo de muito tempo.

O Curdistão iraquiano começou a nascer, sob proteção dos Estados Unidos e do Reino Unido, com a zona de exclusão aérea decretada entre as duas invasões ocidentais (1991-2003). Depois com o derrube do presidente Saddam Hussein, ele adquiriu uma muito grande autonomia e entrou logo na esfera de influência israelita. Deste ponto de vista, é inconcebível que Telavive tenha estado ausente na tomada de Kirkuk. De facto, o actual governo regional de Erbil (capital curda-ndT) alargou a sua jurisdição, ao conjunto da zona iraquiana prevista pelo estado-maior Americano para formar o Curdistão independente.

O EIIL é uma milícia tribal Sunita, tendo integrado o grupo combatente da Al-Qaida no Iraque depois da partida de Paul Bremer III, e a entrega do poder político aos Iraquianos. A 16 de maio de 2010, um responsável da Al-Qaida no Iraque que tinha sido libertado em circunstâncias desconhecidas, Abou Bakr el-Baghdadi, foi nomeado emir e esforçou-se, posteriormente, por colocar a organização sob a autoridade da Al- Qaida.

No começo de 2012 combatentes do EIIL criam na Síria o Jabhat al-Nosra (quer dizer a Frente de apoio ao povo do Levante), como ramo sírio da Al-Qaida. Este grupo desenvolve-se com o relançamento do ataque franco-britânico contra a Síria, em julho 2012. É, finalmente, classificado como «organização terrorista» por Washington, no fim do ano, apesar dos protestos do Ministro francês das Relações exteriores (Negócos Estrangeiros-Lu), que saúda neles «o pessoal que faz o trabalho árduo no terreno» (sic) [3].

Os sucessos dos jihadistas na Síria, até à primeira metade do ano de 2013, modificaram a atratividade dos seus grupos. O projeto oficial da Al-Qaida de uma revolução islâmica global apareceu como utópico, enquanto a criação de um Estado islâmico num determinado território parecia ao alcance da mão. Daí a idéia de lhes atribuir a remodelagem do Iraque, que os exércitos dos EU não tinham conseguido realizar.

A operação plástica do EIIL foi realizada na Primavera de 2014, com a libertação de prisioneiros ocidentais, que ele detinha, Alemães, Britânicos, Dinamarqueses, Americanos, Franceses e Italianos. As suas primeiras declarações confirmavam, em todos os detalhes, as informações dos serviços secretos sírios: o EIIL é enquadrado por oficiais norte-americanos, franceses e sauditas. Entretanto, rápidamente os prisioneiros libertados faziam marcha-atrás e desdiziam as suas declarações sobre a identidade dos carcereiros. Foi neste contexto que o EIIL rompeu com a Al-Qaida, em maio de 2014, assumindo- se como rival, enquanto a Al-Nosra permaneceu como ramo oficial da Al-Qaida na Síria. Claro que, tudo isso nada mais é que uma fachada porque, na realidade, esses grupos são, desde a sua criação, apoiados pela CIA contra os interesses russos (Afeganistão, Bósnia-Herzegovina, Chechénia, Iraque, Síria).

Regressado em maio a organização regional, (e não mais a antena regional de uma organização global), o EIIL preparou-se para cumprir o papel que os seus comanditários lhe tinham atribuído há vários meses.

A organização é claro controlada, no terreno, por Abu Bakr al-Baghdadi, mas está sob a autoridade do príncipe Abdul Rahman al-Faisal, irmão do príncipe Saud al-Faisal (ministro das Relações Exteriores saudita desde há 39 anos) e do príncipe Turki al- Faisal (antigo diretor dos serviços Secretos e actual embaixador em Washington e Londres).

Em maio, os al-Faisal compraram uma fábrica de armamento na Ucrânia. Os depósitos(estoques-Br) de armas pesadas foram transportados por avião para um aeroporto militar turco, de onde o MIT (Serviço Secreto Turco ) os encaminhou por comboios (trens-Br) especiais para o EIIL. Parece pouco provável que esta cadeia logística possa ter sido implementada sem a Otan.
A ofensiva do EIIL

O pânico que tomou conta da população iraquiana é o reflexo dos crimes cometidos pelo EIIL na Síria: degolas, em público, dos «muçulmanos renegados» e crucificação de cristãos. Segundo William Lacy Swing (antigo embaixador dos EU na África do Sul, depois nas Nações Unidas, e actual diretor do Gabinete das Migrações internacionais), pelo menos 550 mil iraquianos teriam fugido diante dos jihadistas.

Estes números mostram a inépcia das estimativas ocidentais sobre o EIIL, segundo os quais ele não dispõe senão de 20 mil combatentes no total da Síria e do Iraque. A verdade é, provavelmente, três vezes superior, na ordem dos 60 mil combatentes; a diferença sendo feita exclusivamente por estrangeiros, recrutados no conjunto do mundo muçulmano e na maior parte das vezes não árabes. Esta organização tornou-se o maior exército privado do mundo, imitando no mundo moderno o papel dos condottieri da Renascença europeia.

Ela deverá desenvolver-se ainda mais considerando os seus espólios de guerra. Assim, em Mossul, ela capturou o Tesouro do distrito de Niníve, ou seja 429 milhões de dólares em dinheiro (o que chega para pagar os seus combatentes durante um ano completo). Além disso, apoderou-se de numerosos Humvees e de 2 helicópteros de combate que ela, imediatamente, integrou no seu dispositivo. Como os jihadistas não têm os meios para formar os pilotos, a imprensa internacional sugere que eles sejam antigos oficiais baasistas do regime do presidente Saddam Hussein. O que é altamente improvável, considerando que a guerra que opõe os baasistas laicos aos jihadistas define o cenário de fundo da guerra na Síria.
Reações internacionais

A ofensiva dos Peshmergas e do EIIL era esperada pelos partidários da Arábia Saudita na região. Assim, o presidente libanês Michel Suleiman (que tinha concluído uma alocução em janeiro por um ressonante «Viva a Arábia Saudita!», em vez de um «Viva o Líbano!») tentou, por todos os meios, obter uma extensão do seu mandato (expirando a 25 de maio) por mais seis meses, de modo a estar aos comandos durante a crise actual.

Em todo caso as reações internacionais quanto à crise iraquiana são incoerentes: todos os Estados, sem exceção, condenam o EIIL no Iraque e denunciam o terrorismo, enquanto alguns deles --- os Estados Unidos e os seus aliados--- consideram, no mesmo momento, o EIIL como um aliado objetivo contra o Estado sírio, e alguns comanditam esta ofensiva - os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a França, Israel e a Turquia.

Nos Estados Unidos o debate político público opõe os Republicanos, que pedem um reenvolvimento militar no Iraque, aos Democratas, que denunciam a instabilidade provocada pela intervenção de George W. Bush contra Saddam Hussein. Este pequeno jogo oratório permite mascarar que os eventos em curso servem os interesses estratégicos do estado-maior. e que ele está ali directamente implicado.

Seria, porém, possível que Washington tivesse armadilhado Ancara. O EIIL teria, nesta mesma altura, tentado tomar o controlo do túmulo de Süleyman Sah, na Síria no distrito de Raqqa. Esta sepultura é propriedade da Turquia, que dispõe de uma pequena guarnição naquele lugar, em virtude da cláusula de extraterritorialidade do Tratado de Ancara (imposto pelo colonizador francês em 1921). Mas esta ação pode, também, ter muito bem sido comanditada pela própria Turquia, que teria assim pretendido achar um pretexto para uma intervenção aberta na Síria [4].

Mais grave, aquando do cerco de Mossul o EIIL fez prisioneiros 15 diplomatas turcos e suas famílias, além de 20 membros das forças especiais turcas, no seu consulado, provocando a ira de Ancara. O EIIL também havia preso motoristas de camião (caminhão-Br)de pesados, que foram depois libertados. A Turquia que assegurou a logística do ataque do EIIL sente-se traída, sem que se saiba, de momento, se o foi por Washington, Riade, Paris ou Telavive. Este assunto faz relembrar a detenção, a 4 de julho de 2003, de 11 membros das forças especiais turcas pelo exército dos Estados Unidos em Souleimanieh (Iraque), popularizada pelo filme O vale de lobos no Iraque [5]. Este episódio provocara a crise mais importante dos últimos sessenta anos entre ambos países.

A hipótese mais provável é que Ancara não previa participar numa ofensiva tão ampla, e descobriu, no caminho, que Washington programava a criação do Curdistão. Ora, sempre de acordo com o mapa publicado em 2006, este deverá incluir uma parte da Turquia, tendo os Estados Unidos previsto dissecar não só os seus inimigos, mas também os seus aliados. A prisão dos diplomatas turcos e dos elementos das forças especiais turcas seria um meio de impedir Ancara de sabotar a operação.

Chegando na quinta-feira a Ancara vinda de Amã, a representante especial dos Estados Unidos no Conselho de Segurança, a embaixatriz Samantha Power, hipócritamente condenou as ações do EIIL. A presença no Próximo-Oriente da turifirária do intervencionismo moral de Washington, deixa supôr que uma reação dos Estados Unidos foi prevista para este cenário.

Pelo seu lado o Irão disse estar pronto, para ajudar a salvar o governo do xiita al- Maliki, enviando armas e conselheiros militares, mas não combatentes. O actual derrube do Estado iraquiano aproveita à Arábia Saudita, grande rival regional de Teerão, no exacto momento em que o Ministro dos Negócios Estrangeiros(Relações exteriores-Br), o príncipe Saoud Al-Faiçal (o irmão do chefe do EIIL), a convidou para negociações.
Thierry Meyssan

Tradução
Alva

Fonte
Al-Watan (Síria)

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: "O Clube Bilderberg governa Espanha mediante a Troika" BASENAME: canta-o-merlo-o-clube-bilderberg-governa-espanha-mediante-a-troika DATE: Wed, 28 May 2014 21:50:00 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

"O Clube Bilderberg governa Espanha mediante a Troika"

O Clube Bilderberg sequestrou o poder do Estado espanhol mediante a Troika, afirmou a escritora e jornalista Cristina Martín Jiménez numha entrevista. Segundo a experto, a UE e o euro som criaturas nadas no seio do clube.

Numha entrevista com o portal ?Te interesa?, a jornalista sevilhana Cristina Martín Jiménez assegurou que os membros deste clube de poderosos que "pretende controlar e dirigir o mundo" som responsáveis de que Europa se mergulhara numha crise.

Injectárom medo e tensom psicológica à populaçom

"Injectárom medo e tensom psicológica à populaçom", assinalou a autora do livro ?Perdidos. Os planos do clube Bilderberg?, no que trata de explicar, entre outros assuntos, que planos tem este grupo secreto, assim como a sua influência na actual crise mundial.

Em Espanha o clube intervéu através da Troika. É mais, na sua opiniom, a Comissom, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional "seqüestrárom o poder do Estado espanhol, a soberania popular".

O seguinte objectivo de Bilderberg será a China

"Queriam fazer o mesmo que na Itália e Grécia, pôr um tecnocrata no Governo de Espanha", assinalou a investigadora. Contodo, tenhem ao ministro de Economia.

Segundo a escritora, Espanha está governada polo Clube Bilderberg, "Na actualidade a UE é um Governo mundial que preside o Clube Bilderberg. Há que lembrar que as actas das primeiras reunions já falavam da criaçom da UE e a criaçom do euro, som criaturas nadas no seio do Clube Bilderberg", asseverou Martín Jiménez, que afirma que com o jornalismo de investigaçom pode-se demonstrar que a existência do grupo é "algo completamente real".

A autora de ?Perdidos. Os planos do clube Bilderberg? sustivo durante a entrevista que os membros do controvertido grupo vem o mundo de maneira muito diferente a como o percebe um cidadao do montom e que opinam que no planeta sobram pessoas. Ademais, deu a conhecer que o seguinte objectivo de Bilderberg será a China.

Este ano o grupo programa reunir-se de 28 de maio ao 1 de Junho num luxuoso hotel de Copenhague, Dinamarca.

Texto completo em: http://actualidad.rt.com/economia/view/129255-clube-bilderberg-espana-ue-troika

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Guerra e morte do dólar americano? BASENAME: canta-o-merlo-guerra-e-morte-do-dolar-americano DATE: Sat, 24 May 2014 17:49:14 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Guerra e morte do dólar americano?
Os EUA ou o mundo estão a chegar ao fim?

por Paul Craig Roberts [*]

2014 está a perfilar-se como o ano de ajuste de contas para os Estados Unidos.

Duas pressões estão a acumular-se sobre o dólar americano. Uma decorre da declinante capacidade do Federal Reserve para manipular o preço do ouro quando as reservas ocidentais encolhem e se espalha no mercado o conhecimento da ilegal manipulação de preços feita pelo Fed. É inequívoca a evidência de quantidades maciças de vendas a descoberto a serem despejadas no mercado de futuros do ouro numa altura em que a comercialização é fraca. Tornou-se óbvio que o preço do ouro está a ser manipulado no mercado de futuros a fim de proteger o valor do dólar das consequências da quantitative easing (QE).

A outra pressão provém das loucas ameaças do regime de Obama, de sanções contra a Rússia. Outros países já não estão dispostos a tolerar o abuso de Washington quanto ao padrão dólar mundial. Washington utiliza os pagamentos internacionais com base no dólar para prejudicar as economias de países que resistem à hegemonia política de Washington.

A Rússia e a China já estão fartas. Conforme noticiei e conforme Peter Koenig noticia, a Rússia e a China estão a desligar do dólar o seu comércio internacional. Daqui em diante, a Rússia efectuará o seu comércio, incluindo a venda de petróleo e de gás natural à Europa, em rublos e nas divisas dos seus parceiros do BRICS.

Isto significa uma grande quebra na procura de dólares americanos e uma queda correspondente no valor cambial do dólar.

Conforme John Williams ( shadowstats.com ) deixou claro, a economia dos EUA não recuperou dos maus tempos de 2008 e tem continuado a enfraquecer. A grande maioria da população americana há anos que está a ser fortemente pressionada pela falta de crescimento dos rendimentos. Como actualmente os EUA são uma economia dependente quanto a importações, uma queda no valor do dólar aumentará os preços nos EUA e fará baixar o nível de vida.

Todos os indícios apontam para o fracasso económico dos EUA em 2014, e é essa a conclusão do relatório de John William, de 9 de Abril.

Este ano também pode vir a assistir ao colapso da NATO e talvez mesmo da UE. O golpe imprudente de Washington na Ucrânia e a ameaça de sanções contra a Rússia empurraram os estados marionetes da NATO para um terreno perigoso. Washington avaliou mal a reacção na Ucrânia quando derrubou o seu governo democraticamente eleito e impôs um governo fantoche. A Crimeia separou-se rapidamente da Ucrânia e juntou-se à Rússia. Poderão seguir-se em breve outros territórios outrora russos.

Os descontentes em Lugansk, Donetsk e Kharkov estão a exigir referendos. Os descontentes promulgaram a República Popular de Donetsk e a República Popular de Kharkov. O governo fantoche de Washington em Kiev ameaçou dominar os protestos com a violência. ( rt.com/news/eastern-ukraine-violence-threats-405/ )

Washington afirma que as manifestações de protesto são organizadas pela Rússia, mas ninguém em Washington acredita, nem mesmo os seus fantoches ucranianos.

Notícias na imprensa russa identificaram mercenários americanos entre as forças de Kiev enviadas para dominar os separatistas na Ucrânia oriental. Um membro da extrema-direita, o neo-nazi Partido Patriota no parlamento de Kiev defendeu que os manifestantes fossem abatidos a tiro.

A violência contra os manifestantes provocará provavelmente a intervenção do exército russo e o regresso da Rússia aos seus antigos territórios na Ucrânia oriental que foram anexados à Ucrânia pelo Partido Comunista soviético.

Com Washington a aventurar-se a proferir ameaças em crescendo, Washington está a empurrar a Europa para duas confrontações altamente indesejáveis. Os europeus não querem uma guerra com a Rússia por causa do golpe de Washington em Kiev e entendem que quaisquer sanções contra a Rússia, se concretizadas, serão muito mais prejudiciais para eles próprios. Na UE, a crescente desigualdade económica entre os países, o alto desemprego, e a rigorosa austeridade económica imposta aos membros mais pobres têm provocado enormes tensões. Os europeus não estão dispostos a suportar o fardo dum conflito com a Rússia orquestrado por Washington. Enquanto Washington oferece à Europa guerra e sacrifícios, a Rússia e a China propõem comércio e amizade. Washington fará os possíveis para manter os políticos europeus comprados-e-pagos e alinhados com as políticas de Washington, mas para a Europa os riscos de alinhar com Washington são agora muito maiores.

Em muitas frentes, Washington está a surgir aos olhos do mundo como aldrabão, inconfiável e completamente corrupto. James Kidney, promotor público da Securities and Exchange Comission [SEC], aproveitou a ocasião da sua aposentação para revelar que superiores seus haviam arquivado os seus processos da Goldman Sachs e de outros "bancos demasiado grandes para falir", porque os seus patrões da SEC não estavam preocupados com a justiça mas "em arranjar empregos com altas remunerações após o seu serviço público", protegendo os bancos contra processos pelas suas acções ilegais. ( www.counterpunch.org/2014/04/09/65578/ )

A Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional foi apanhada a tentar usar meios de comunicação sociais para derrubar o governo de Cuba. ( rt.com/news/cuba-usaid-senate-zunzuneo-241/ )

Esta imprudência audaciosa aparece a seguir ao derrube do governo ucraniano incitado por Washington, ao escândalo da espionagem da NSA, ao relatório de investigação de Seymour Hersh de que o gás sarin na Síria foi um incidente clandestino organizado pela Turquia, membro da NATO, a fim de justificar um ataque militar dos EUA à Síria, a seguir à imposição de Washington de fazer aterrar e passar busca ao avião presidencial do presidente boliviano Evo Morales, às "armas de destruição maciça" de Saddam Hussein, à má utilização da resolução de zona de exclusão aérea da Líbia para um ataque militar, etc. etc. Essencialmente, Washington conseguiu minar de tal modo a confiança de outros países quanto ao discernimento e integridade do governo americano que o mundo perdeu a fé na liderança dos EUA. Washington está reduzido a ameaças e subornos e aparece cada vez mais como um agressor.

Estes tiros no pé reflectiram-se na credibilidade de Washington. O pior de todos é a crescente percepção generalizada de que a louca teoria de conspiração de Washington sobre o 11/Set é falsa. Grande número de especialistas independentes, assim como mais de cem prestadores de primeiros socorros contradisseram todos os aspectos da absurda teoria da conspiração de Washington. Nenhuma pessoa esclarecida acredita que meia dúzia de árabes sauditas, que não sabiam pilotar aviões, e a funcionar sem a ajuda de qualquer agência de informações, pudesse iludir todo o estado de Segurança Nacional, não apenas as 16 agências de informações americanas, mas também todas as agências de informações da NATO e de Israel.

Nada funcionou no 11/Set. A segurança do aeroporto falhou quatro vezes numa hora, mais falhas numa hora do que ocorreram durante as 116.232 horas do século XXI, todas juntas. Pela primeira vez na história, a Força Aérea dos EUA não conseguiu interceptar inimigos no chão e nos céus. Pela primeira vez na história, o Controlo de Tráfego Aéreo perdeu aviões comerciais durante mais de uma hora e não o comunicou. Pela primeira vez na história, incêndios de baixas temperaturas, de vida curta, nalguns pisos, provocaram o enfraquecimento e colapso de estruturas de aço maciças. Pela primeira vez na história, três arranha-céus caíram em queda livre acelerada, sem o benefício de demolição controlada que eliminasse a resistência por baixo.

Dois terços dos americanos acreditaram nesta patranha. A esquerda acreditou porque encarou-a como uma história de oprimidos a vingarem-se do império maléfico da América. A direita acreditou na história, porque interpretaram-na como de muçulmanos diabólicos a atacar a boa América. O presidente George W. Bush exprimiu muito bem a visão da direita: "Eles odeiam-nos por causa da nossa liberdade e democracia".

Mas mais ninguém acreditou nela, muito menos os italianos. Os italianos tinham sido informados, anos antes, de incidentes secretos, quando o seu presidente revelou a verdade sobre a secreta Operação Gládio . A Operação Gládio foi chefiada pela CIA e pelos serviços secretos italianos durante a segunda metade do século XX, para colocação de bombas que mataram mulheres e crianças europeias a fim de acusar os comunistas e, a partir daí, minarem o apoio aos partidos comunistas europeus.

Os italianos foram dos primeiros a fazer apresentações em vídeo contestando a história bizantina de Washington sobre o 11/Set. A última desta contestação é o filme "Zero", de 1 hora e 45 minutos.

Podem vê-lo aqui: www.youtube.com/watch?v=QU961SGps8g&feature=youtu.be

"Zero" foi produzido pela companhia italiana Telemaco como um filme de investigação sobre o 11/Set. Nele aparece muita gente ilustre, juntamente com especialistas independentes. Em conjunto, contestam todas as afirmações feitas pelo governo dos EUA, relativas à sua explicação do 11/Set.

O filme foi exibido no parlamento europeu.

É impossível que alguém que veja este filme acredite numa só palavra da explicação oficial do 11/Set.
A conclusão é que cada vez é mais difícil desmentir que elementos do governo dos EUA tenham feito ir pelos ares três arranha-céus de Nova Iorque a fim de destruir o Iraque, o Afeganistão, a Líbia, a Somália, a Síria, o Irão, e o Hezbollah, e de lançar o programa dos neoconservadores dos EUA para uma hegemonia mundial dos EUA.

A China e a Rússia protestaram mas aceitaram a destruição da Líbia embora tenha sido em seu próprio prejuízo. Mas o Irão é uma linha vermelha. Washington ficou bloqueado, por isso decidiu provocar grandes problemas à Rússia na Ucrânia a fim de desviá-la do programa de Washington noutros locais.

A China tem estado hesitante sobre os compromissos entre os seus excedentes comerciais com os EUA e o crescente cerco de Washington que lhe é feito com as suas bases navais e aéreas. A China chegou à conclusão de que a China e a Rússia têm o mesmo inimigo ? Washington.

Pode acontecer uma de duas coisas: ou o dólar americano será posto de lado e o seu valor entra em colapso, acabando assim com a situação de superpotência de Washington e a ameaça de Washington à paz mundial, ou Washington empurrará os seus fantoches para um conflito militar com a Rússia e a China. O resultado duma guerra dessas será muito mais devastador do que o colapso do dólar americano.
10/Abril/2014
Do mesmo autor:
Washington Drives The World To War. CIA Intervention in Eastern Ukraine , 15/Abril/2014

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... . Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Regime de Kiev trava guerra para reduzir a população da Ucrânia BASENAME: canta-o-merlo-regime-de-kiev-trava-guerra-para-reduzir-a-populacao-da-ucrania DATE: Thu, 22 May 2014 10:19:14 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Regime de Kiev trava guerra para reduzir a população da Ucrânia
por Olga Shedrova [*]

O presidente em exercício da Ucrânia, Alexander Turchinov, recentemente apelou ao povo das auto-proclamadas repúblicas nacionais de Donetsk e Lugansk a que apoiasse a sua operação anti-terrorista e se pusesse ao lado do governo para liquidar "terroristas e separatistas". Kiev está a tentar fazer com que os outros acreditem que não há mais ninguém além de fictícios soldados russos e terroristas envolvidos em acções de combate no sudeste. O que mais pode ele dizer? Os governantes interinos de Kiev não podem contar a verdade e admitir que estão a matar os seus próprios cidadãos. Seria o equivalente a admitir que cometem crimes de guerra. Apesar disso, os factos reais começam a revelar-se. Uma equipe da Sky News não encontrou traços do Serviço de Segurança Federal Russo, do Directorado Principal de Inteligência (inteligência militar) ou de grupos armados a operarem localmente, as forças que os Estados Unidos estão tão vigorosamente a pedir que "se retirem". Os jornalistas notaram o facto de que o povo local chama aqueles que se levantam de "defensores".

A pista de aviação de Kharkov tornou-se uma base de transição para soldados mortos e feridos do exército ucraniano bem como de mercenários que tomam parte em acções de combate. Um bloguista com base em Kharkov informou que o povo olhava de modo pouco amistoso para o grupo de forças que voltava de Slavyanks. O povo murmurava: "os nazis estão vindo". Eles tinham pena mesmo dos alemães aprisionados, especialmente aqueles que estavam feridos. Mas estes parecem ser seus "irmãos".

Não é de estranhar, as acções de combate travadas pelo exército ucraniano fazem com que os civis sofram mais do que voluntários das auto-defesas armadas. Em Kramatorsk os militares ucranianos mataram uma enfermeira de 21 anos, Yulia Izotova, e três dos seus amigos que tentavam esconder-se. Uma mulher civil de 30 anos morreu depois de ser alvejada na cabeça por um fogo de franco-atirador (sniper) quando estava na sua varanda em Slavyansk, bairro de Khimki. Duas crianças foram mortas na aldeia de Semeonovka. Isto são apenas relatórios de rotina diária. Os militares tratam a população local se fossem ocupantes a operarem noutro país. Em Starobelsk, na região de Lugansk, uma loja foi saqueada e uma cabra roubada a uma mulher local. Os soldados mataram o animal para fazer um churrasco. Tendo bebido demais, eles organizaram corridas de veículos blindados e então começaram a atirar uns nos outros. Quinze pessoas foram feridas em consequência. Na região de Donetsk eles fizeram uma copeira executar uma dança de spriptease. Ela teve de cumprir receando pela sua vida.

A baixas entre os militares ucranianos estão a crescer. Segundo Vyacheslav Ponomarev, o representante do povo de Slavyansk, nos primeiros 10 dias de operação o número de mortos das forças pró-governo foi de 650, incluindo 250 de extremistas do Pravy Sector; 120 das unidades militares privadas Dnepr e Azov constituídas e financiadas pelo oligarca Igor Kolomoisky; 90 de forças especiais do Serviço de Segurança da Ucrânia; 40 da 95ª brigada aerotransportada do exército e 20 de operacionais do Ministério do Interior. A companhia militar privada polaca Analizy Systemowe Bartlomiej perdeu 6; as companhias de serviços de segurança estado-unidenses Greystone e Academi perderam 14 e 50, respectivamente. As baixas da Central Intelligence Agency e do Federal Investigations Bureau foram de 25, com 13 mortos. De 1 a 12 de Maio as forças de auto-defesa de Donetsk tiveram 8 baixas, com 3 feridos.

O Kiev Times , um jornal estabelecido com boa reputação, em 15 de Maio publicou uma notícia pormenorizada descrevendo como o governo interino de Kiev escondeu os factos acerca de baixas medidas em milhares . Segundo o jornal, os dados oficiais incluem somente os recrutas do exército regular e do Ministério do Interior, os quais sofrem poucas baixas por estarem localizados distantes da área de combate. Eis porque as fontes oficiais relataram apenas 21 homens mortos e 65 feridos desde o começo da operação. Eles não contam as perdas sofridas pela Guarda Nacional e os punidores (chasteners) das unidades armadas Kolomoisky. Em contrapartida os responsáveis de Kiev contam os mercenários mortos como desaparecidos em combate e desertores.

A junta trata aqueles que a defendem com pouco respeito. Segundo o Kiev Times, a princípio os cadáveres eram levados para um crematório em Kharkiv, a seguir quando o número de baixas crescia nos primeiros dias da operação, vieram escavadoras para Slavyansk e cavaram sepulturas comuns a encher posteriormente. Segundo as forças de auto-defesa do Donbasse, soldados da Guarda Nacional mataram todos os seus próprios feridos no campo de batalha.

Os insurrectos de Slavyansk dizem que a Guarda Nacional tem utilizado principalmente militantes do Pravy Sector e das unidades de defesa Maidan como fontes de recrutamento. Ela opera do mesmo modo como os fascistas alemães que ocuparam a Ucrânia em 1941-1944. Os soldados do exército regular recusam-se a matar o seu próprio pessoal, eles não apontam um alvo quando disparam. Mas eles receiam abandonar as posições que estão a manter sob a armas de guardas nacionais. Exemplo: em Starovarvarka, a 30 km de Slavyansk, militares ucranianos foram fuzilados pelo Pravy Sector por se recusarem a disparar sobre civis.

Sem se importar com as perdas enormes, a Guarda Nacional continua o recrutamento para enviar reforços para o Donbass. Uma das razões é constituída pelsos tumultos incontrolados que apareceram em Kiev em consequência do golpe. Eles ameaçam o poder de Timoshenko, Turchinov e Yatsenyuk. Os grupos que possuem armas continuam tentativas de atacar edifícios administrativos e estão na intenção de continuar a "revolução". Enviando-os para o Donbass eles morrem aos milhares enquanto matam também o povo local em Donetsk e Lugansk quando aumenta a resistência de civis ao regime baseado em Kiev.

A economia da Ucrânia está em depressão. Os membros da junta são bastante cínicos para fazer coisas tétricas ? eles estão a reduzir a população do país. Os cadáveres não precisam de empregos, salários, pensões e subsídios de desemprego. Os créditos concedidos pelo Fundo Monetário Internacional poderiam ser gastos em novas aventuras militares enquanto se reduz o número daqueles que precisam das verbas orçamentais.
20/Maio/2014
Ver também:
CIA, FBI Agents Dying for Illegal Junta in Ukraine

O original encontra-se em www.strategic-culture.org/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Os perigos do fascismo na Europa BASENAME: canta-o-merlo-os-perigos-do-fascismo-na-europa DATE: Thu, 22 May 2014 10:09:21 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Os perigos do fascismo na Europa
por Dimitris Koutsoumpas [*]

Há 69 anos, neste mesmo dia, a Bandeira Vermelha foi hasteada no Reichstag apontando a vitória de uma batalha gigantesca dos povos, com a União Soviética e os comunistas da Europa na vanguarda, contra a mais terrível e desumana ideologia, a ideologia e prática fascista, nascida do próprio capitalismo que levou à maximização da exploração do homem pelo homem, à destruição absoluta da existência humana.

Milhões de pessoas se sacrificaram nesta batalha, nos campos de batalha e nos desumanos campos de concentração. Hoje, rendemos homenagem aos que perderam a vida nas trincheiras, nos campos de batalha, aos que desafiaram os pelotões de fuzilamento. Leningrado e Stalingrado na Rússia, Kokkiniá e Kesarianí na Grécia estão impressos na memória dos povos, da mesma forma que milhares de lugares, onde se determinou o resultado desta dura batalha. Lugares que, por um lado, foram marcados pela barbárie do capitalismo e, por outro, pela grandeza da luta popular contra esta criatura capitalista, o fascismo.

Quase 70 anos depois, alguns estão fazendo todo o possível para extinguir a chama da verdade histórica que foi escrita com o sangue dos povos. Estão fazendo todo o possível para distorcer a história, para justificar, de maneira direta ou indireta, a brutalidade fascista. Nesta propaganda negra das mentiras, os centros imperialistas e, em primeiro lugar, a UE, jogam um papel protagonista. A UE, inclusive, transformou o 9 de maio, que é o Dia da Vitória Antifascista dos Povos, em "Dia da Europa", tentando apagar da memória dos povos da Europa o caráter antifascista deste aniversário. Nesta missão ideológica e política caluniosa e suja, não hesita em equiparar o fascismo com o comunismo. Ao mesmo tempo, a UE, assim como os EUA, não titubeiam em confiar e apoiar as forças reacionárias mais obscuras que ascenderam ao governo da Ucrânia através de um golpe, como ocorreu anteriormente nos países bálticos, a fim de promover seus interesses geopolíticos na região da Eurásia. Nos últimos 25 anos, após da derrocada do socialismo e da dissolução da URSS, se leva a cabo uma sistemática "lavagem cerebral" ideológica anticomunista através da qual as "legiões SS" e os demais grupos armados pró-fascistas se apresentam como "libertadores" do país do bolchevismo.

No entanto, por mais rancor que exista, por mais tinta que seja gasta, a realidade objetiva não pode ser alterada. 69 anos após o fim da II Guerra Mundial, milhões de pessoas em todo o mundo reconhecem a contribuição do movimento comunista, com sacrifícios sem precedentes, para a derrota do fascismo. A força básica desta luta titânica, a alma e o líder foram os partidos comunistas, encabeçados pelo partido dos bolcheviques. Milhões de comunistas sacrificaram, inclusive suas vidas, por um mundo melhor.

O sistema capitalista, os antagonismos que, inevitavelmente, se manifestam entre os imperialistas e os monopólios, devem ser impressos e estigmatizados na consciência dos povos como os responsáveis pelas duas guerras mundiais, para os milhões de mortos, incapacitados, para as pessoas expulsas de seus lares. Não hesitaram em cometer qualquer crime com a finalidade de servir aos lucros, ao predomínio e ao poder capitalista. Esta realidade é ainda mais vigente hoje, dado que os antagonismos e os conflitos entre si estão se intensificando.

A verdade histórica não pode ser distorcida na consciência do povo, tendo sido escrita pela própria luta dos povos, com o sangue dos povos, dos movimentos pela Libertação Nacional e dos movimentos antifascistas nos países capitalistas, como os heroicos EAM (Frente pela Libertação Nacional), ELAS (Exército Nacional pela Libertação Nacional), EPON (Organização Nacional Unificada da Juventude) existentes em nosso país, que uniram e agitaram o povo a levantar-se.

Foi o resultado das grandes e titânicas batalhas do Exército Vermelho em Stalingrado, Kursk, em Leningrado, em Sebastopol, em todos os campos de batalha na União Soviética e em vários países da Europa capitalista. A grande vitória dos povos contra o eixo fascista-imperialista da Alemanha, Itália e Japão e de seus aliados foi obtida graças ao papel decisivo da União Soviética com sacrifícios incalculáveis e mais de 20 milhões de mortos.

Atualmente, na Ucrânia, nos países bálticos, assim como em outros países da Europa, o fascismo tenta levantar a cabeça, da mesma maneira que em nosso país, onde surgiu uma organização nazista criminosa, o Amanhecer Dourado.

O terrível crime de sexta-feira passada em Odessa, onde os neonazistas do "Setor Direita" queimaram vivos alguns manifestantes de idioma russo e a operação sangrenta do governo de golpista de Kiev nas regiões orientais, têm grande impacto tanto sobre nosso povo como em toda pessoa consciente no planeta. O povo ucraniano está derramando seu sangue devido à intervenção aberta dos imperialistas dos EUA, da UE e da OTAN, que apoiam o governo dos nacionalistas e fascistas de Kiev e entram em conflito com a Rússia sobre o controle dos recursos energéticos, dos tubos e das cotas de mercado. Mais uma vez, é claramente demonstrado que as alianças imperialistas não apenas não garantem a paz e a segurança para nenhum povo, como o contrário, o conduz à guerra e à indigência.

Como no passado, o monstro fascista hoje é um produto do sistema capitalista; nasce das entranhas do sistema, não é algo que está fora do sistema como querem apresentá-lo. O fascismo é a expressão do capital que se utiliza como "ponta de lança" do poder capitalista contra o movimento trabalhador.

Utiliza as condições de democracia parlamentar burguesa para reforçar-se, contando com o apoio do capital ou de seções do capital, assim como do aparato estatal. Pretende exercer o poder dos monopólios de uma maneira mais dura, tal como fizeram no passado os partidos nacional-socialistas de Hitler e Mussolini, para subjugar o movimento trabalhador e popular. Esta foi e continua sendo sua característica básica; esta é a fonte da ira anticomunista aberta que caracteriza todas as forças fascistas desde sempre.

Certamente, os partidos nacional-socialistas, ainda que expressem os interesses do capital da mesma forma que os demais partidos burgueses, também aprisionam em suas fileiras as camadas populares, tratando de formar uma ampla base popular. Isto é conseguido a partir da utilização da "ferramenta" de intimidação aberta, da política racista, do chauvinismo e do irredentismo, da distorção da história, etc., lançando mão do empobrecimento abrupto das camadas populares, que é o resultado da crise econômica e da debilidade dos demais partidos burgueses em gerenciar o sistema, em arrastar para o âmbito de sua influência os setores populares politicamente atrasados.

O fortalecimento dos partidos fascistas na Ucrânia, do partido "Svoboda" e do "Setor Direita", assim como o Amanhecer Dourado na Grécia, têm alguns elementos similares, como por exemplo, o fato de se terem manifestado após o fracasso rotundo das promessas dos partidos social-democratas que estavam no poder. Por exemplo, todos recordam as promessas do PASOK na Grécia, pouco antes do estouro da crise. Porém, a social-democracia e os partidos liberais burgueses, todos eles típicos governos burgueses, prometem medidas favoráveis ao povo enquanto, na prática, seguem uma política antipopular dura, servindo aos monopólios. Então, dada a desilusão das camadas populares arruinadas, dos autônomos, dos camponeses, dos desempregados, de setores da classe trabalhadora sem experiência, sobretudo jovens, é possível que se dirijam para uma direção mais reacionária. Uma situação similar se deu na Ucrânia, com as promessas feitas pelo governo de Yanukovich.

Esta situação requer que prestemos atenção quando se fala muito no nosso país de um "governo patriótico de esquerda", o que promete o SYRIZA, e que, no marco da UE e da OTAN, na via de desenvolvimento capitalista, supostamente, serão aliviados os trabalhadores, serão solucionados os problemas populares. Não existe maior engano e, infelizmente, se demonstrou historicamente que um tal "governo de esquerda", segundo o modelo conhecido como social-democracia, pode constituir uma ponte para uma política ainda mais direitista, dura e antipopular.

Isto foi confirmado, também, pela experiência recente e passada, dado que as consignas e as promessas de mudanças favoráveis ao povo foram desmentidas na prática por uma ou outra forma de gestão dos interesses do capital, pela barbárie capitalista, pela estratégia da UE, levando a um retrocesso de coincidências.

Hoje em dia, quando as forças fascistas surgem, por exemplo, no governo da Ucrânia, foi demonstrado com provas convincentes que o fascismo, como há 80 anos, pode ser a opção das classes burguesas, não apenas como força de ataque e de intimidação contra o movimento popular, mas, além disso, como força de gestão do poder burguês.

Sabemos por nossa própria história que as forças políticas burguesas, tanto de direita como as social-democratas, em alguns momentos, apoiaram os fascistas, que foram bastante úteis ao sistema capitalista naquelas circunstâncias cruciais. Devido ao perigo de ascensão do movimento popular, ao perigo de que o capitalismo perdesse o poder, com critérios classistas, decidiram abandonar temporariamente a forma da democracia parlamentar burguesa e não tiveram dúvidas em apoiar a forma fascista de exercer o poder do capital.

Na prática, vemos, por exemplo, o presidente dos EUA, cuja eleição foi aclamada há alguns anos pelo jornal do SYRIZA e sua administração foi elogiada por este partido e seu líder, que apoia claramente os fascistas de Kiev com o objetivo de servir aos interesses dos monopólios estadunidenses e europeus na Ucrânia, no cenário da dura competição com a Rússia, sobre o controle das quotas de mercado, das rotas de transporte, dos recursos naturais da região.

A UE e o governo grego, que preside a UE, desempenham um papel ativo nestes planos. A UE, por um lado, caracteriza como "totalitarismo" qualquer mudança governamental que não se baseie nas opções burguesas, condena a violência, enquanto, por outro lado, não hesita em utilizar a violência na hora de derrotar governos que já não servem a seus interesses, tal como ocorreu na Ucrânia. Não tiveram dúvida em utilizar a atividade extrema dos nacionalistas-fascistas, anticomunistas, nostálgicos de Hitler e, é claro, a destruição de monumentos de Lenin, de monumentos soviéticos e antifascistas.

Em nosso país também existem muitas pessoas que nos últimos anos "trabalharam" para fortalecer o Amanhecer Dourado fascista. Não apenas via seu financiamento generoso, como através da preparação do "terreno" ideológico para seu desenvolvimento. Trata-se de todos aqueles que fomentaram o ódio contra o KKE e o PAME, contra a organização política e sindical coletiva e a resistência à política antipopular, enaltecendo a indignação "às cegas", a espontaneidade, absolvendo o sistema capitalista quanto às graves consequências da crise capitalista. Referimo-nos àqueles que, como se provou, criaram "canais de comunicação" políticos com esta formação fascista, prometendo inclusive postos no governo, enquanto fomentavam a inaceitável "teoria dos dois extremos".

Depois de tantos crimes, assassinatos de imigrantes, ataques assassinos contra sindicalistas do PAME, o assassinato de P. Fissas, podemos ver que o sistema segue uma política de "podar" o Amanhecer Dourado, mas não o confronta substancialmente. Isto não tem a ver apenas com o governo, mas, contudo, com outros partidos, como mostra a decisão do Conselho Municipal de Atenas sobre os processos eleitorais. Isto representa algo: que o sistema político burguês não possui o interesse de "erradicar", mas de embelezar esta organização e não descarta a possibilidade de utilizá-la no futuro contra o movimento operário e popular.

O KKE considera que sua tarefa imediata e imperativa é isolar o Amanhecer Dourado, inimigo jurado do povo e de suas lutas e pretende golpear o KKE e o movimento operário e popular. Não se pode confrontar o Amanhecer Dourado a partir do ponto de vista de defender supostamente a democracia burguesa, o sistema capitalista que a gera, mas pela Aliança Popular numa direção antimonopolista e anticapitalista, por um movimento popular que questionará e se oporá à estratégia dos monopólios.

Tiramos lições e nos preparamos com um KKE que seja capaz de lutar sob todas as condições, sob todas as circunstâncias.

Os acontecimentos na região ampla (Oriente Médio, norte da África, Balcãs, Eurásia) são rápidos e é possível que nos próximos anos conduzam a novas guerras locais, regionais ou generalizadas. Em condições de preparação de guerras e, em geral, de intervenções imperialistas, a burguesia e seus governos tomam medidas contra o movimento trabalhador e, além disso, utilizam os partidos nacionalistas-fascistas. É possível que tentem impor medidas repressivas contra o movimento comunista e operário.

Por isso, o movimento operário, seus aliados e o Partido devem estar preparados a tempo, ser fortes, concentrados em elaborar e aplicar sua própria estratégia, que corresponderá à satisfação das necessidades trabalhistas e populares, através da ruptura do país com a UE e da OTAN, com todas as uniões imperialistas, com sua retirada dos planos imperialistas e da via de desenvolvimento capitalista.

Desta forma, a parada seguinte são as eleições locais e europeias.

Nestas eleições, deve-se condenar direta e claramente a UE, que apoiou os acontecimentos reacionários na Ucrânia. O apoio não foi acidental e nem por um descuido, mas com estimativas ruins ou devido a uma "correlação de forças negativa" ou por ser "submissa" aos EUA. O apoio foi dado porque é uma aliança a serviço dos monopólios europeus. Por sua natureza, é profundamente reacionária, já que tem como "pedra angular" a proteção dos lucros capitalistas. Pensa constantemente novos modos para explorar os trabalhadores, os trabalhadores autônomos, os aposentados, os jovens. Através do ataque contra os direitos trabalhistas e populares, os cortes de salários e pensões, a comercialização da Saúde e da Educação, através de formas de trabalho flexíveis, o desemprego, as privatizações, a PAC, etc. Esta natureza interna reacionária se reflete na política externa reacionária agressiva da UE. Por isto, por um lado, cria mecanismos de supervisão dos países, ou seja, memorandos permanentes e, por outro lado, forma o euro-exército e coopera estreitamente com a OTAN.

A conhecida "estabilidade" que invoca o governo de ND-PASOK não é nada mais que a continuidade desta política antipopular bárbara dentro e fora de suas fronteiras, num curso de estabilização e recuperação dos lucros da plutocracia. O povo não deve se deixar enganar. Qualquer que seja a recuperação dos lucros de uns poucos, isto não tem nenhuma relação com a maioria esmagadora de nosso povo.

Por outro lado, o dilema das eleições promovido pelo principal partido da oposição, "SYRIZA ou Merkel?", insinuando que sem afetar a UE e o capital, ou seja, sem afetar o caminho de desenvolvimento que nos trouxe até aqui, um governo do SYRIZA supostamente trará a "salvação", tem uma clara intenção de prender os trabalhadores dentro da UE, no marco reacionário de uma sociedade que se apoia no Minotauro dos lucros.

Estas falsas ilusões de que pode existir um capitalismo melhor, uma UE melhor, vêm sendo experimentadas pelos trabalhadores há anos e foram desmentidas plenamente. A UE não pode mudar para melhor. Está intrinsecamente ligada à decadência capitalista que não pode ser escondida pela "maquiagem" que o SYRIZA planeja fazer. Não se trata de um assunto de mudança de correlação em seu interior. A UE não se pode converter na Europa de paz, de solidariedade e de cooperação dos povos.

O SYRIZA semeou tais ilusões outra vez há dois anos, quando saudava a eleição de Hollande e a formação da chamada "frente do Sul", do "vento do Sul". Hoje em dia, o que dizia há dois anos sobre Hollande parece uma piada. Respectivamente, hoje a candidatura para o posto de chefe da Comissão Europeia, ou seja, do núcleo mais duro desta construção reacionária, supostamente mudará toda a construção. Estes "contos de fadas" dos representantes do SYRIZA defendem que se conseguirem o voto popular nas eleições iminentes, uma nova UE será construída, um capitalismo melhor será construído, não têm nenhuma base, são extremamente arbitrárias e perigosas para os interesses populares.

A UE é e se converterá num "inferno" ainda maior e mais cruel para os povos, quer o SYRIZA ocupe o primeiro ou o segundo lugar nas eleições. O único caminho é o fortalecimento da luta contra a UE, pelo desligamento desta, com o cancelamento unilateral da dívida, a socialização da riqueza, com o poder operário e popular.

Um passo nesta direção é a condenação decisiva da UE nas próximas eleições junto com a condenação do capitalismo, que gera o fascismo e a guerra imperialista. E isto só pode ser feito através do fortalecimento decisivo do KKE nas eleições europeias, através do fortalecimento do "Agrupamento Popular" nas eleições municipais e regionais.

É por isso que, a partir desta mesa redonda, dirigimos um chamamento de luta comum, de união de forças e de fortalecimento do KKE, que é a única garantia para que o povo seja forte e para poder determinar seu presente e futuro.
09/Maio/2014

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=jGlrWCa9tMo

[*] Secretário-geral do KKE. Intervenção realizada numa mesa redonda em Atenas.

A versão em inglês encontra-se em inter.kke.gr/... e em português em pcb.org.br/...

Este discurso encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: 400 Mercanários da Blackwater na Ucrânia BASENAME: canta-o-merlo-400-mercanarios-da-blackwater-na-ucrania DATE: Sat, 17 May 2014 23:16:19 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.resistir.info/

A junta neo-nazi de Kiev tem agora 400 mercenários da Blackwater e Greystone a operarem no terreno, anunciam os media alemães . São eles que conduzem os massacres de populações civis no leste da Ucrânia, enquadrando a tropa regular e os paramilitares neo-nazis (Svoboda e Right Sector). A contratação de mercenários estrangeiros constitui uma escalada para uma guerra civil generalizada e uma provocação contra uma potência nuclear. O jogo do imperialismo, ao animar os seus títeres de Kiev, é insano. Registe-se o papel subalterno e servil da UE, caudatária dos EUA mesmo contra os seus próprios interesses.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O golpe de Kiev: Trabalhadores rebeldes tomam o poder no leste BASENAME: canta-o-merlo-o-golpe-de-kiev-trabalhadores-rebeldes-tomam-o-poder-no-leste DATE: Sat, 17 May 2014 23:07:07 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

por James Petras
O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... . Tradução de Margarida Ferreira.

Nunca, desde que os EUA e a UE capturaram a Europa do Leste, incluindo os países bálticos, a Alemanha oriental, a Polónia e os Balcãs, e a converteram em postos avançados militares da NATO e em vassalos económicos, nunca os poderes ocidentais se movimentaram tão agressivamente para se apoderarem dum país estratégico, como a Ucrânia, ameaçando a existência da Rússia.

Até 2013, a Ucrânia era um 'estado almofada', basicamente um país não-alinhado, com laços económicos à UE e à Rússia. Governado por um regime estreitamente ligado à oligarquia local, ligada à Europa, Israel e Rússia, a elite política foi um produto duma sublevação política em 2004 (a chamada "Revolução Laranja"), financiada pelos EUA. Subsequentemente, durante a maior parte de uma década, a Ucrânia sofreu a experiência fracassada de uma política económica 'neoliberal' apoiada pelo ocidente. Depois de quase duas décadas de penetração política, os EUA e a UE ficaram entrincheiradas profundamente no sistema político, através do financiamento regular das alegadas organizações não-governamentais (ONG), partidos políticos e grupos paramilitares.

A estratégia dos EUA e da UE foi instalar um regime flexível que levasse a Ucrânia para o Mercado Comum Europeu e para a NATO, como estado cliente subordinado. As negociações entre a UE e o governo ucraniano decorreram vagarosamente. Acabaram por fracassar por causa das condições onerosas exigidas pela UE e pelas concessões económicas mais favoráveis e subsídios propostos pela Rússia. Depois do fracasso em negociar a anexação da Ucrânia à UE, e por não estarem dispostas a esperar pelas eleições constitucionais já marcadas, as potências da NATO activaram as suas ONG, bem financiadas e organizadas, líderes políticos seus clientes e grupos paramilitares armados para derrubarem pela violência o governo eleito. O golpe violento foi um êxito e a junta civil-militar nomeada pelos EUA assumiu o poder.

A Junta foi formada por 'ministros' neoliberais e chauvinistas submissos. Os primeiros foram escolhidos pelos EUA, para administrar e impor uma nova ordem política e económica, incluindo a privatização de empresas e de recursos públicos, cortando os laços comerciais e de investimento com a Rússia, eliminando um tratado que permitia a base naval russa na Crimeia e acabando com as exportações militar-industriais para a Rússia. Foram nomeados para posições ministeriais neofascistas e sectores das forças militares e policiais, a fim de reprimir violentamente qualquer oposição pró-democracia no ocidente e no leste. Supervisionaram a repressão dos bilingues (russos-ucranianos), de instituições e de práticas ? transformando a oposição contra o golpe de estado apoiado pelos EUA-NATO numa oposição étnica. Fizeram uma limpeza em todos os detentores de cargos opositores no ocidente e no leste e nomearam governadores locais de confiança ? criando assim um regime de lei marcial.

Os alvos estratégicos da NATO-Junta

A tomada de poder, violenta e de alto risco, da Ucrânia pela NATO foi motivada por diversos objectivos estratégico-militares, que incluíam:

1) A expulsão da Rússia das suas bases militares da Crimeia ? transformando-as em bases da NATO às portas da Rússia.

2) A transformação da Ucrânia num trampolim para a penetração no sul da Rússia e no Cáucaso; uma posição avançada para gerir e apoiar politicamente os partidos liberais pró-NATO e as ONG no interior da Rússia.

3) A destruição de sectores fundamentais da indústria de defesa militar russa, ligados às fábricas ucranianas, acabando com a exportação de maquinaria crítica e sobressalentes para a Rússia.

A Ucrânia foi durante muito tempo uma parte importante do complexo industrial militar da União Soviética. Os estrategas da NATO por detrás do golpe sabiam muito bem que um terço da indústria de defesa soviética se manteve na Ucrânia depois do desmantelamento da URSS e que quarenta por cento das exportações da Ucrânia para a Rússia, até há bem pouco tempo, consistiam em armamentos e maquinaria com isso relacionada. Mais especificamente, a instalação Motor Sikh na Ucrânia de leste fabricava a maior parte dos motores para os helicópteros militares russos, incluindo um contrato em vigor para fornecer motores para mil helicópteros de ataque. Os estrategas da NATO orientaram imediatamente os seus lacaios em Kiev para suspender todas as entregas militares à Rússia, incluindo foguetões de médio alcance ( Financial Times, 4/21/14, p.3). Os estrategas militares dos EUA e da UE encararam o golpe em Kiev como uma forma de sabotar as defesas russas no ar, no mar e nas fronteiras. O presidente Putin acusou o golpe mas insiste que a Rússia poderá substituir internamente a produção interna de peças críticas dentro de dois anos. Isso significa a perda de milhares de postos de trabalho especializados na Ucrânia de leste.

4) O cerco militar da Rússia com bases avançadas da NATO na Ucrânia, equiparáveis às do Báltico, até aos Balcãs, da Turquia até ao Cáucaso e depois a partir da Geórgia até à Federação Russa autónoma.

O cerco dos EUA-UE à Rússia destina-se a acabar com o acesso russo ao Mar do Norte, ao Mar Negro e ao Mediterrâneo. Cercando e confinando a Rússia a uma massa continental isolada sem 'saídas para o mar', os construtores do império EUA-UE procuram limitar o papel da Rússia enquanto potência rival central e, possivelmente, contrabalançar as suas ambições imperialistas no Médio Oriente, norte de África, sudeste de Ásia e Atlântico norte.

O golpe na Ucrânia: da expansão integral à imperial

Os EUA e a UE pretendem destruir governos independentes, nacionalistas e não-alinhados em todo o mundo e transformá-los em satélites imperialistas sejam quais forem os meios. Por exemplo, a actual invasão mercenária da Síria, armada pela NATO, é dirigida para o derrube do governo nacionalista e laico de Assad e para o estabelecimento de um estado vassalo pró-NATO, independentemente das consequências sangrentas para os vários povos sírios. O ataque à Síria serve múltiplos fins. Eliminando um aliado russo e a sua base naval mediterrânica; enfraquecendo um apoiante da Palestina e um adversário de Israel; cercando a República Islâmica do Irão e o poderoso Partido Hezbollah militante no Líbano e estabelecendo novas bases militares em solo sírio.

A conquista da Ucrânia pela NATO tem um efeito multiplicador que se estende 'para cima' na direcção da Rússia e 'para baixo' na direcção do Médio Oriente e consolida o controlo sobre a sua vasta riqueza petrolífera.

As recentes guerras da NATO contra os aliados russos ou seus parceiros comerciais confirmam este prognóstico. Na Líbia, destacavam-se as políticas independentes, não alinhadas do regime de Kadhafi em forte contraste com os servis satélites ocidentais como Marrocos, o Egipto ou a Tunísia. Kadhafi foi derrubado e a Líbia destruída através de um maciço ataque aéreo da NATO. A rebelião da massa popular do Egipto contra Mubarak e a democracia emergente foram subvertidas por um golpe militar e acabaram por fazer regressar o país à órbita dos EUA-Israel-NATO ? sob um ditador brutal. Todas as incursões armadas de Israel, amigalhaço da NATO, contra o Hamas em Gaza e contra o Hezbollah no Líbano, assim como as sanções EUA-UE contra o Irão, são dirigidas contra potenciais aliados ou parceiros comerciais da Rússia.

Os EUA foram obrigados a desistir de cercar a Rússia via 'eleições e mercados livres' na Europa de Leste, e a confiar na força militar, nos esquadrões da morte, no terrorismo e nas sanções económicas na Ucrânia, no Cáucaso, no Médio Oriente e na Ásia.

Mudança de regime na Rússia: de potência global a estado vassalo

O objectivo estratégico de Washington é isolar a Rússia do exterior, sabotar a sua capacidade militar e corroer a sua economia, a fim de reforçar os colaboradores políticos e económicos da NATO no interior da Rússia ? levando à sua maior fragmentação e ao regresso a um estatuto de semi-vassalo.

O objectivo da estratégia imperialista é colocar no poder em Moscovo amigos políticos neoliberais, como os que dirigiram a pilhagem e a destruição da Rússia durante a vergonhosa década de Yeltsin. A tomada do poder na Ucrânia pelos EUA-EU é um grande passo nessa direcção.

Avaliar a estratégia do cerco e da conquista

Até aqui, a conquista da Ucrânia pela NATO não tem avançado como planeado. Primeiro que tudo, a conquista violenta do poder pelas elites abertamente pró-NATO renegando abertamente os acordos e tratados militares com a Rússia sobre as bases na Crimeia, forçaram a Rússia a intervir em apoio da população local, de esmagadora etnia russa. Na sequência de um referendo livre e aberto, a Rússia anexou a região e assegurou a sua presença militar estratégica.

Enquanto a Rússia mantinha a presença naval no Mar Negro? a Junta da NATO em Kiev desencadeou uma ofensiva militar de grande escala contra a maioria de língua russa, a favor da democracia e anti-golpe, na metade oriental da Ucrânia, que tem exigido uma forma de governo federal, reflectindo a diversidade cultural da Ucrânia. Os EUA-UE promoveram uma "resposta militar" à dissidência popular de massas e encorajaram o regime golpista a eliminar os direitos civis da maioria de língua russa através de terrorismo neonazi e a forçar a população a aceitar os dirigentes regionais nomeados pela Junta em vez dos seus líderes eleitos. Em resposta a esta repressão, nasceram rapidamente comissões populares de autodefesa e milícias locais e o exército ucraniano foi inicialmente forçado a recuar com milhares de soldados a recusarem-se a disparar sobre os seus compatriotas por ordem do regime instalado em Kiev pelo ocidente. Durante algum tempo, a Junta de coligação neoliberal e neofascista, apoiada pela NATO, teve que lutar contra a desintegração da sua 'base de poder'. Ao mesmo tempo, a 'ajuda' da UE, do FMI e dos EUA não conseguiu compensar o corte do comércio russo e dos subsídios à energia. A conselho do director da CIA, Brenner, de visita, a Junta de Kiev enviou as suas "forças especiais" de elite, treinadas pela CIA e pelo FBI para executar massacres contra civis pró-democracia e milícias populares. Enviaram criminosos armados para a cidade de Odessa que encenaram um massacre "exemplar": Incendiaram a sede do principal sindicato da cidade e assassinaram 41 pessoas, na maioria civis desarmados que ficaram encurralados dentro do edifício com as saídas bloqueadas pelos neonazis. Os mortos incluíam muitas mulheres e adolescentes que tinham procurado abrigo dos ataques dos neonazis. Os sobreviventes foram brutalmente espancados e detidos pela 'polícia' que assistira impassível enquanto o edifício ardia.

O futuro colapso da junta golpista

A tomada do poder na Ucrânia, por Obama, e os seus esforços para isolar a Rússia provocaram alguma oposição na UE. Nitidamente, as sanções prejudicam grandes multinacionais europeias com profundas ligações à Rússia. O golpe militar dos EUA na Europa de Leste, nos Balcãs e no Mar Negro desperta tensões e ameaça uma conflagração militar de grande escala, prejudicando importantes contratos económicos. As ameaças dos EUA-UE na fronteira da Rússia aumentaram o apoio popular ao presidente Putin e reforçaram a liderança russa. A tomada estratégica do poder na Ucrânia radicalizou e aprofundou a polarização da política ucraniana entre as forças neofascistas e pró-democracia.

Enquanto os estrategas imperialistas alargam e aumentam a sua posição militar na Estónia e na Polónia e despejam armas na Ucrânia, toda a tomada de poder assenta em bases políticas e económicas muito precárias ? que podem desabar dentro de um ano ? no meio duma guerra civil sangrenta e/ou massacre interétnico.

A Junta da Ucrânia já perdeu o controlo político em mais de um terço do país, para movimentos pró-democracia e anti-golpe e milícias de autodefesa. Ao cortar exportações estratégicas para a Rússia para servir os interesses militares dos EUA, a Ucrânia perdeu um dos seus mercados mais importantes, que não pode ser substituído. Sob o controlo da NATO, a Ucrânia vai ter que comprar "hardware" militar especificado pela NATO, o que levará ao fecho das suas fábricas, viradas para o mercado russo. A perda do comércio russo já está a levar ao desemprego em massa, principalmente entre operários industriais especializados no leste que podem ser forçados a imigrar para a Rússia. O grande aumento dos défices comerciais e a erosão das receitas do estado conduzirão a um colapso económico total. Em terceiro lugar, em consequência da submissão da Junta de Kiev à NATO, a Ucrânia perdeu milhares de milhões de dólares em energia subsidiada da Rússia. Os altos custos de energia retiram competitividade às indústrias ucranianas nos mercados globais. Em quarto lugar, a fim de assegurar empréstimos do FMI e da UE, a Junta concordou em eliminar os subsídios aos preços dos alimentos e da energia, afectando gravemente os rendimentos familiares e mergulhando os pensionistas na pobreza. Cada vez há mais falências, à medida que as importações da UE e de outros locais desalojam as indústrias locais anteriormente protegidas.

Não se verificam novos investimentos, por causa da violência, da instabilidade e dos conflitos entre neofascistas e neoliberais no seio da Junta. Só para estabilizar as operações correntes do governo, a junta precisa rapidamente de um reforço de 30 mil milhões de dólares, sem juros, dos seus patrões da NATO, uma quantia que não vai aparecer nem agora nem no futuro imediato.

É óbvio que os 'estrategas' da NATO que planearam o golpe estavam apenas a pensar em enfraquecer militarmente a Rússia e não se preocuparam com os custos políticos, económicos e sociais de sustentar um regime fantoche em Kiev quando a Ucrânia estava tão dependente dos mercados, empréstimos e energia subsidiada da Rússia. Além disso, parece terem menosprezado a dinâmica política, industrial e agrícola das regiões do leste do país, previsivelmente hostis. Em alternativa, os estrategas de Washington podem ter baseado os seus cálculos na instigação à divisão, ao estilo da Jugoslávia, acompanhada por uma maciça limpeza étnica no meio das deslocações e massacres das populações. Sem se impressionar com os milhões de baixas civis, Washington considera que a sua política de desmantelamento da Jugoslávia, do Iraque e da Líbia foram grandes êxitos político-militares.

A Ucrânia, quase com certeza, vai entrar numa depressão prolongada e profunda, incluindo um declínio precipitado nas exportações, no emprego e na produção. Possivelmente, o colapso económico levará a protestos e desassossego social por todo o país: espalhando-se de leste para oeste, de sul para norte. Motins sociais e miséria generalizada podem aprofundar ainda mais a corrosão da moral das forças armadas ucranianas. Kiev já tem dificuldade em alimentar os seus soldados e tem que confiar nas milícias de voluntários neofascistas que podem ser difíceis de controlar. Os EUA-UE não deverão intervir directamente com uma campanha de bombardeamentos ao estilo da Líbia, dado que iriam enfrentar uma guerra prolongada na fronteira da Rússia numa altura em que a opinião pública nos EUA está a sofrer com a exaustão da guerra imperialista, e os interesses empresariais europeus com ligações a empresas de recursos russos estão a resistir às sanções em consequência.

O golpe dos EUA-UE deu origem a um regime fracassado e a uma sociedade minada por violentos conflitos ? em espiral para uma violência étnica aberta. O que de facto se tem seguido é um sistema de poder dual em que os contendores são transversais às fronteiras regionais A Junta de Kiev não tem coerência nem estabilidade para servir de elo militar fiável da NATO no cerco à Rússia. Pelo contrário, as sanções dos EUA-UE, as ameaças militares e a retórica belicosa estão a forçar os russos a repensar rapidamente a sua 'abertura' ao ocidente. As ameaças estratégicas à sua segurança nacional estão a levar a Rússia a rever os seus laços com bancos e empresas ocidentais. A Rússia pode ter que recorrer a uma política de expansão da industrialização, através de investimentos públicos e de substituição de importações. Os oligarcas russos, depois de perderem as suas posições além-mar, podem tornar-se menos centrais para a política económica russa.

O que é claro é que a tomada de poder em Kiev não resultará numa 'faca apontada ao coração da Rússia'. A derrota final e o derrube da Junta de Kiev podem levar a uma Ucrânia autónoma radicalizada, baseada nos crescentes movimentos democráticos e na crescente consciência de classe dos trabalhadores. Isso terá que surgir da sua luta contra os programas de austeridade do FMI e contra a espoliação de recursos e empresas da Ucrânia, feita pelo ocidente. Os operários industriais da Ucrânia que conseguirem libertar-se do jugo dos vassalos ocidentais em Kiev não têm intenção de se submeterem ao jugo dos oligarcas russos. A sua luta é por um estado democrático, capaz de desenvolver uma política económica independente, livre de alianças militares imperialistas.

Epílogo:
1º de Maio de 2014: Poder popular dual no leste, fascismo em ascensão no ocidente

O previsível falhanço entre os parceiros neofascistas e neoliberais na Junta de Kiev ficou evidenciado por motins de grande escala, entre gangues de rua rivais e a polícia no 1º de Maio. A estratégia dos EUA-UE pretendia usar os neofascistas como 'tropa de choque' e os combatentes de rua para derrubar o regime eleito de Yankovich e depois verem-se livres deles. Como exemplificado pela famosa conversa gravada entre a secretária de Estado adjunta, Victoria Nuland, e o embaixador americano em Kiev, os estrategas da UE-EUA promovem os seus amigalhaços neoliberais escolhidos a dedo para representar o capital estrangeiro, impor políticas de austeridade e assinar tratados para bases militares estrangeiras. Em contraste, as milícias e partidos neofascistas favorecem as políticas económicas nacionalistas, conservando as empresas estatais e provavelmente serão hostis a oligarcas, especialmente os de cidadania dupla "Israel-Ucrânia".

A incapacidade da Junta de Kiev para desenvolver uma estratégia económica, a tomada violenta do poder e a repressão de dissidentes pró-democracia no leste levou a uma situação de 'poder dual'. Em muitos casos, as tropas enviadas para reprimir os movimentos pró-democracia abandonaram as armas, abandonaram a Junta de Kiev e juntaram-se aos movimentos de emancipação no leste.

Para além dos seus padrinhos no exterior ? a Casa Branca, Bruxelas e o FMI ? a Junta de Kiev foi abandonada pelos seus próprios aliados de direita por ser demasiado subserviente à NATO e sofre a resistência do movimento pró-democracia no leste por ser autoritária e centralista. A Junta de Kiev está entre a espada e a parede: falta-lhe legitimidade entre a maior parte dos ucranianos e perdeu o controlo de tudo, com excepção duma pequena faixa de terreno ocupada pelos gabinetes governamentais em Kiev e mesmos esses estão cercados pela direita neofascista que aumenta à custa dos seus antigos apoiantes agora desiludidos.

Sejamos claros, a luta na Ucrânia não é entre os EUA e a Rússia, é entre a Junta imposta pela NATO, formada por oligarcas neoliberais e fascistas de um lado e os operários industriais e as suas milícias locais e conselhos democráticos por outro. Os primeiros defendem e obedecem ao FMI e a Washington; os últimos baseiam-se na capacidade produtiva da indústria local e reflectem a maioria.
07/Maio/2014
O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... . Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A maioria dos venezianos vota por se independer da Itália BASENAME: canta-o-merlo-a-maioria-dos-venezianos-vota-por-se-independer-da-italia DATE: Sat, 22 Mar 2014 17:18:49 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.aporrea.org/internacionales/n247594.html

22 de Março de 2014.- Case 90% dos residentes das cidades de Veneza e Verona querem a secessom da sua província do território italiano, revelou umha votaçom em linha de 5 dias. Agora os activistas planejam organizar outra consulta popular, desta vez oficial.

A maioria dos residentes das cidades italianas de Veneza e Verona votaram por separar-se da Itália com o fim de estabelecer a república soberana de Véneto (nome da província actual). A votaçom, que levou a cabo entre o 16 de Março e 21 Março num sitio web e por telefone, só tem um carácter consultivo.

Segundo os resultados anunciados polos activistas na praça central de Treviso, onde se reunírom nesta sexta-feira multidons de pessoas para aplaudir o resultado, de um total de 2,3 milhons de votantes, a favor da separaçom da Itália pronunciaram-se 2,1 milhões, o que representa 89,10% dos participantes. A sondagem foi organizado por um grupo activista que busca o retorno da independência à província de Véneto e está com a intuito de pôr em prática os seus planos num futuro próximo organizando um referendo oficial.

Cabe mencionar que durante a sua independência, a República de Veneza era umha grande potência que controlava as principais rotas comerciais e tinha várias colónias no Mediterrâneo e fora dele. Em 1797, Napoleom Bonaparte derrocou ao último Dux (mandatário) veneziano e uniu a república a Áustria. Veneza foi unida a território italiano em 1866 no marco de um referendo, o qual é considerado polos activistas do Comité para a independência da regiom de Véneto como um "erro", já que os resultados da consulta popular, na sua opiniom, foram manipulados.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: EUA Instalou um Governo Neo-Nazi na Ukraina BASENAME: canta-o-merlo-eua-instalou-um-governo-neo-nazi-na-ukraina DATE: Sun, 09 Mar 2014 20:42:53 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.globalresearch.ca/eua-instalou-um-governo-neo-nazi-na-ukraina/5372156

By Prof Michel Chossudovsky
Global Research, March 06, 2014

De acordo com o New York Times, ?Os Estados Unidos e a União Européia abraçaram a revolução ucraniana como um novo florescer da democracia, como um golpe contra o autoritarianismo e a cleptocracia no ex- espaço soviético.? (Depois de um inicial triumfo os líderes da Ukraina estão face a uma batalha de credibilidade ? After Initial Triumph, Ukraine?s Leaders Face Battle for Credibility, NYTimes.com, 1 de março de 2014, ênfases acrescentadas)

?Democracia Florescendo e Revolução?? A cruel realidade é uma outra. O que está em jogo é um golpe de estado financiado pelos EUA-UE- OTAN, e isso em bramante violação da lei internacional.

A verdade, proibida de ser dita, é que o ocidente engendrou ? através de uma cuidadosamente encenada operação as encobertas ? a formação de um regime por procuração, regime esse integrado por Neo-Nazis.

Confirmado pela Adjunta Secretária do Estado Victoria Nyland, organizações chaves na Ukraina, incluindo-se aqui o partido Neo-Nazi Svoboda (Liberdade), foram generosamente apoiadas por Washington: ?Nós investimos mais do que 5 bilhões de dólares para ajudar a Ukraina a atingir esses e ainda outros objetivos. ? Nós iremos continuar a promover a Ukraina ao futuro que ela merece.?

A mídia ocidental evita, de maneira casual, uma análise da composição e dos fundamentos ideológicos da coalisão governamental. A palavra ?Neo-Nazi? é um tabú. Ela foi excluida do dicionário e dos comentários da mídia, que não alternativa ou independente. Essa palavra não irá aparecer nas páginas do New York Times, do Washington Post ou The Independent. Os jornalistas foram instruidos a não usar o termo ?Neo-Nazi? para designar os partidos Svoboda [Svoboda lendo-se então Svaboda] e o Sector de Direita.

Composição da Coalisão Governamental

Não estamos tratando aqui com um governo de transição no qual os Neo-Nazis integram os flancos mais afastados da coalisão, formalmente dirigida pelo partido Fatherland (Pátria).

O Cabinete Ministerial não só é integrado pelos partidos Svoboda e Sector de Direita (para aqui já nem se mencionar ex-membros da defunta fascística UNA-UNSO). Para essas duas principais entidades Neo-Nazis, Svoboda e Sector de Direita, foram confiadas posições chaves que garantem a elas o, de-facto, control das Forças Armadas, da Polícia, da Justiça e da Segurança Nacional.

Enquanto o partido Fatherland ? Pátria, de Yatsenuyk controla a maioria das pastas, o partido Svoboda, do líder Neo-Nazi Oleh Tyahnybok, não ganhou nenhum posto importante no cabinete ministerial (a julgar pelas aparências isso teria sido a pedido da Assistente Secretária do Estado Victoria Nyland). Entretanto, membros do Svoboda e do Sector de Direita ocupam agora posições chaves nas áreas da Defesa, da Aplicação da Lei, da Educação e da Economia.

US Assistente Secretára do Estado Victória Nyland juntamente com o líder do Neo Nazi Svoboda Oleh Tuahnybok (a esquerda)

FOTO: Andriy Parubiy [a direita] co-fundador do Partido Neo-Nazi Social-Nacional da Ukraina ? (posterioemente denominado Svoboda) ? foi apontado como Secretário do Comité da Segurança e da Defesa Nacional da Ukraina (RNBOU) ? (Рада національної безпеки і оборони України&#59;), uma posição chave. O RNBOU supervisiona e inspeciona o Ministério da Defesa, as Forças Armadas, a Aplicação da Lei, a Segurança Nacional e os Serviços de Inteligência. O RNBOU é um corpo deliberativo de central importância. Conquanto formalmente dirigido pelo presidente, ele é administrado pelo Secretariado, o qual tem uma força de trabalho de 180 pessoas, o que inclui especialistas da defesa, inteligência e segurança.

Parubiy foi um dos principais líderes da Revolução Orange de 2004. A sua organização foi financiada pelo ocidente. A mídia ocidental refere-se a ele como o ?comandante? do movimento EuroMaidan. Andriy Parubiy assim como o líder do partido Svoboda, Oleh Tyahnybok, é um adepto do nazista ucraniano Stepan Bandera, o qual colaborou nos assassinatos em massa de judeus e polacos durante a Segunda Guerra Mundial.

Reuters / Gleb Garanich

Passeata Neo-Nazi em honra de Stepan Bandera.

Por seu lado, Dmytro Yarosh, líder da delegação do Sector de Direita no parlamento, foi apontado como vice Secretário do RNBOU.

Yarosh era o líder dos paramilitares Neo-Nazis, ?Brown Shirts?, durante o movimento de ?protesto? na EuroMaidan. [Brown Shirt significando Camisa Marrom]. Ele convocou a ação para o desmantelar do Partido das regiões [o partido do presidente] e do Partido Comunista.

partido Neo Nazi também passa a controlar o judicial com o apontar de Oleh Makhnitsky, do partido Svoboda, para a posição de promotor-geral da Ukraina. Que tipo de justiça irá prevalecer com um reconhecido Neo-Nazi como encarregado da Procuradoria-Geral da República / Ministério Público da Ukraina?

Postos no Cabinete também foram alocados a ex-membros de uma organização Neo-Nazi periférica, a Nacional Assembléia Ucraniana ? Defesa Pessoal Nacional Ucraniana (UNA-UNSO):

?Tetyana Chernovol é apresentada na mídia ocidental como uma jornalista de investigação em cruzada, sem que referências sejam feitas ao seu passado na anti-semítica UNA-UNSO. Ela foi nomeada presidente do comité governamental anti-corrupção.

Dmytro Bulatov, conhecido pelo seu alegado sequestramento pela polícia, também tem conexões com a UNA-UNSO. Ele foi apontado como o ministro responsável pelo sector juvenil e de esportes.

Yegor Sobolev, líder de um grupo cívico na Independence Maidan e politicamente na mesma linha que Yatsenyuk. Ele foi apontado presidente do Comité de ?Lustration? [limpeza-purificação?oferenda-sacrifício/étnico-religioso], encarregado com o purgar da vida pública e do governo os seguidores do Presidente Yanukovych. (Veja Ukraine Transition Government: Neo-Nazis in Control of Armed Forces, National Security, Economy, Justice and Education, Global Research, 2 de março de 2014.

O Comité de Lustration ? irá organizar a perseguição Neo-Nazi e a investigação (caça as bruxas) contra todos os oponentes do novo regime Neo-Nazi. Os alvos dessa campanha serão as pessoas em posição de autoridade no serviço público, nos governos regionais, municipais, na educação, assim como nas áreas de pesquisa, etc. O termo lustration, limpeza-purificação, refere-se aqui a uma ?desqualificação massiva? de pessoas associadas com o ex-governo. Esse termo também tem um sentido racial. Com todas as probabilidades isso irá ser virado contra comunistas, russos e membros da comunidade judia.

É importante que se reflita no fato de que o ocidente, formalmente tendo comitimentos a valores democráticos, não só dirigiu o lançamento do golpe contra um presidente eleito, como também depois instalou em seu lugar um governo constituido de Neo-Nazis.

Esse é um governo por procuração, que permite aos Estados Unidos, a OTAN e a União Européia a interferir nos negócios internos da Ukraina, assim como desmantelar as suas relações bilaterais com a Federação Russa. Entretanto, deveria ser entendido que os Neo-Nazis, em última instância, não são os que realmente estão em comando: Abaixo de um ?regime de governo indireto? eles recebem suas ordens quanto a questões cruciais nas esferas dos assuntos militares e dos negócios estrangeiros ? incluindo-se aqui então o colocamneto de tropas dirigidas contra a Rússia ? do Departamento do Estado dos EUA, do Pentágono, e da OTAN.

O mundo está numa encruzilhada perigosa: A estrutura e a composiçäo do governo por procuração, instalado pelo ocidente, não favorece um diálogo nem com o governo, nem com os militares russos.
FOTO ? John McCain e o líder do partido Svoboda, Oleh Tyahnybok

Um cenário de escalação militar a qual poderia levar a uma confrontação entre a Rússia e a OTAN é uma clara possibilidade. O Comité da Segurança e da Defesa Nacional da Ukraina (RNBOU) o qual como foi dito acima é controlado pelos Neo-Nazis, tem um papél central em questões militares. Numa eventual confrontação com Moscou, decisões tomadas pela RNBOU dirigida pelo Neo-Nazi Parubiy e seu vice, brown shirt Dmytro Yarosh ? em consultação com Washington e Bruxelas ? poderia vir a ter consequências potencialmente devastadoras.

Entretanto, nem precisaria de ser dito que o ?apoio? a formação do governo Neo-Nazi, de maneira nenhuma implicaria nesse caso , o desenvolvimentos de ?tendências fascistas? dentro do contexto da Casa Branca, do Departamento do Estado e do Congresso dos Estados Unidos.

?O florescer da democracia? na Ukraina ? para usar as palavras do New York Times ? é endossada pelos Republicanos e Democratas. Esse é um projeto bipartisan. Caso tenhamos esquecido, o senador John McCain é um firme apoiante e amigo do líder Oleh Tyahnybok, do Neo Nazi Svoboda. (Veja foto acima).

Michel Chossudovsky

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A guerra pela controle da Ukraina: Porque essa é uma estratégia de tensão BASENAME: canta-o-merlo-a-guerra-pela-controle-da-ukraina-porque-essa-e-uma-estrategia-de-tensao DATE: Sun, 09 Mar 2014 20:36:10 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

By Manlio Dinucci
Global Research, March 06, 2014
ilmanifesto.it

A guerra para o controle da Ukraina começou com um poderoso psyop, ou seja, operação de guerra psicológica, onde se utilizam armas de distração de massas já experimentadas. As imagens com as quais a televisão bombardeia nosso espírito nos mostram os militares russos que ocupam a Criméia. Nenhuma dúvida, portanto, sobre quem é o agressor. Contrariamente, conosco permaneceram outras imagens, como aquela do secretário do partido comunista ucraniano de Leopoli, Rotislav Vasilko, torturado pelos neo-nazis que brandiam mesmo frente aos seus olhos uma cruz de madeira [1] (veja comunicado de Contropiano). Esses eram os mesmos que assaltam as sinagogas e gritam ?Heil Hitler?, em de quando ressucitando o pogrom de 1941. Os mesmos financiadores e os mesmos treinadores durante os anos, através de serviços secretos e seus NGOs, através dos Estados Unidos e da OTAN. Eles fizeram a mesma coisa na Líbia e estão a caminho de o fazer o mesmo na Síria, utilizando grupos de islamistas recentemente definidos como terroristas. Há dez anos que nós estivemos documentando no il manifesto (cf. Ukraine, le dollar va aux élections- o dólar vai as eleições, 2004) como Washington financiou e organizou a ?revolução orange?, ou seja o golpe de estado de 2004, e a ascensão à presidência de Victor Yushchenko, o qual tinha a intenção de levar Ukraina a OTAN. Já a seis anos vínhamos descrevendo as manobras militares denominadas como ?Brisa do Mar? a qual operava na Ukraina sob as diretivas da ?Parceiros para a Paz? dizendo que ?a brisa do mar? que sopra sobre o Mar Negro está a prenunciar os ventos de guerra? [cf. Jogos de guerra no Mar Negro, 2008 [2].

Rotislav Vasilko, torturado por néo-nazis que brandiam uma cruz de madeira frente a seus olhos

Para se comprender o que está para se passar na Ukraina não é suficiente de se olhar só para as imagens de hoje. É necessário que se veja todo o filme. Tem-se que observar a sequência da expansão da OTAN ao Leste, que em 10 anos, 1999-2009, abrangeu todos os países do ex-pacto de Varsóvia, antigamente aliados da União Soviética, URSS. Três países da ex-URSS e dois da ex-Yugoslávia deslocaram suas bases e forças militares e com elas a capacidade nuclear, sempre mais para junto da Rússia, armando-se em um ?círculo? ou colar anti-mísseis os quais não são instrumentos de defesa, mas de ofensiva. Isso sendo feito apesar dos repetidos avisos e advertências de Moscou, os quais são ignorados ou tornados em charadas do tipo ?esses são passados estereótipos da guerra fria??. O verdadeiro fim nessa escalada não é a adesão da Ukraina na União Européia, mas a anexação da Ukraina na OTAN.

A estratégia da EUA/OTAN é uma real estratégia de tensão que, além do problema da Europa, tem o fim de redimensionar o poder que conservou a maior parte do território e dos recursos da URSS, ou seja, a Rússia, a qual se restabelece da crise econômica do pós-guerra fria, relançou sua política exterior, veja-se aqui o papél feito na Síria, e que se virou a China para criar uma aliança que potencialmente pudesse contrabalançar o super-poder dos Estados Unidos.

Mas, através da estratégia de tensão se coagiu a Rússia, como dantes foi feito com a URSS, a um curso de maiores e maiores despesas com armamentos, e isso tendo como objetivo o de aumentar-lhe as dificuldades econômicas internas, o que ainda pressionaria a maioria da população. Estão aqui fazendo o que podem para que a Rússia reaja militarmente e possa então abaixo desse pretexto ser afastada do grupo das ?grandes democracias?. Aqui se ameaça então com a exclusão da G8.

A representante dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, galopando na ?responsabilidade de proteger? outorga aos Estados Unidos o poder divino, e exige o envio de observadores (Osce) na Ukraina. Os mesmos que dirigidos por William Walker, antigamnete dirigiram os serviços secretos americanos dos Estados Unidos em El Salvador e serviram 1998-99 de cobertura a CIA no Kosovo, em fornecendo a UCK instruções e telefonia por satélite. Isso sendo para a guerra que a OTAN estava a ponto de deslanchar. Durante 78 dias, levantaram voo, principalmente de bases italianas. 1100 aviões de guerra efetuaram 38.000 saídas e lançaram 23.000 bombas e mísseis. A guerra terminou com o acordo de Kumanovo, o qual previa um Kosovo em grande medida autônomo, com uma garnisão da OTAN, mas sempre ainda dentro da soberanidade de Belgrado. Esse acordo foi anulado com a independência autoproclamada do Kosovo, a qual foi reconhecida pela OTAN e quase por toda a União Européia, A Espanha, a Grécia, a Eslováquia, a Romênia e Chipre não reconheceram essa autoproclamação. Essa é a mesma OTAN que hoje, através das boca de Rasmussen, acusa a Rússia de violar na Ukraina os direitos internacionais.

Manlio Dinucci

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Vitória do Povo Cipriota BASENAME: canta-o-merlo-vitoria-do-povo-cipriota DATE: Wed, 05 Mar 2014 18:15:06 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.resistir.info/

Chipre derrotou as privatizações imposta pela UE. Sexta-feira, 28 de Fevereiro, o Parlamento de Chipre ? após enormes manifestações populares ? recusou-se a autorizar as privatizações selvagens impostas pela Troika. O plano de privatizações de três grandes empresas públicas teve 25 votos contra dos comunistas (AKEL) e outros partidos democráticos, 25 votos a favor e 5 abstenções. O plano de privatizações era um elemento chave do acordo com o FMI e a UE. Em consequência, após a rejeição do plano, o governo reaccionário local pediu a demissão. "Não aceitaremos a dilapidação do património nacional" , declara o AKEL. O AKEL recusa com firmeza as privatizações, defende a saída de Chipre do Euro e o abandono da UE.

Notícias como esta não são divulgadas na TV portuguesa... tampouco na TVG, nos jornais,nas emissoras de rádio. Só comunicam o que o amo lhes permite.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Ex-jurista do Banco Mundial revela como a elite domina o mundo BASENAME: canta-o-merlo-ex-jurista-do-banco-mundial-revela-como-a-elite-domina-o-mundo DATE: Mon, 03 Mar 2014 20:27:39 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Karen Hudes, ex membro do Banco Mundial, despedida por revelar informaçom sobre a corrupçom no banco, explicou com detalhe os mecanismos bancários para dominar o nosso planeta.

Karen Hudes é licenciada da escola de Direito de Yale e trabalhou no departamento jurídico do Banco Mundial durante 20 anos. Em qualidade de assessora jurídica superior, tivo suficiente informaçom para obter umha visom global de como a elite domina ao mundo. Deste modo, o que conta nom é umha 'teoria da conspiraçom' mais.

De acordo com a especialista, citada polo portal Exposing The Realities, a elite usa um núcleo hermético de instituiçons financeiras e gigantes corporaçons para dominar o planeta.

Citando um explosivo estudo suíço de 2011 publicado na revista 'Plos One' sobre a "rede de controlo corporativo global", Hudes assinalou que um pequeno grupo de entidades, na sua maioria instituiçons financeiras e bancos centrais, exercem umha enorme influência sobre a economia internacional entre bastidores. "O que realmente está a suceder é que os recursos do mundo estám a ser dominados por este grupo", explicou a perito com 20 anos de antigüidade no Banco Mundial, e agregou que os "capturadores do poder corruptos" alcançaram dominar os meios de comunicaçom também. "Está-se-lhes permitido fazê-lo", assegurou.

O estudo suíço que mencionou Hudes foi levado a cabo por umha equipa do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zúric. Os investigadores estudaram as relaçons entre 37 milhons de empresas e investidores de todo mundo e descobriram que existe umha "super-entidade" de 147 mega-corporaçons muito unidas e que controlam 40% de toda a economia mundial.

Mas as elites globais nom só controlam estas mega-corporaçons. Segundo Hudes, também dominam as organizaçons nom eleitas e que nom rendem contas mas sim controlam as finanças de quase todas as naçons do planeta. Trata do Banco Mundial, o FMI e os bancos centrais, como a Reserva Federal estadounidense, que controlam toda a emissom de dinheiro e a sua circulaçom internacional.

O banco central dos bancos centrais

A cima deste sistema é o Banco de Pagos Internacionais (BPI): o banco central dos bancos centrais.

"Umha organizaçom internacional imensamente poderosa da qual a maioria nem sequer ouviu falar controla secretamente a emissom de dinheiro do mundo inteiro. É o chamado o Banco de Pagos Internacionais [Bank for International Settlements], e é o banco central dos bancos centrais. Está situado em Basileia, Suíça, mas tem sucursais em Hong Kong e em Cidade de México. É essencialmente um banco central do mundo nom eleito que tem completa imunidade em matéria de impostos e leis internacionais (...). Hoje, 58 bancos centrais a nível mundial pertencem ao BPI, e tem, com muito, mais poder na economia dos Estados Unidos (ou na economia de qualquer outro país) que qualquer político. Cada dous meses, os banqueiros centrais reúnem-se em Basileia para outra 'Cimeira de Economia Mundial'. Durante estas reunions, tomam-se decisons que afectam a todo o homem, mulher e criança do planeta, e nengum de nós tem voz no que se decide. O Banco de Pagos Internacionais é umha organizaçom que foi fundada pola elite mundial, que opera em benefício da mesma, e cujo fim é ser umha das pedras angulares do próximo sistema financeiro global unificado".

Segundo Hudes, a ferramenta principal de escravizar naçons e Governos inteiros é a dívida.

"Querem que mos seja todos escravos da dívida, querem ver a todos os nossos Governos escravos da dívida, e querem que todos os nossos políticos sejam adictos aos gigantes contributos financeiros que eles canalizam nas suas campanhas. Como a elite também é dona de todos os meios de informaçom principais, esses meios nunca revelárom o segredo de que há algo fundamentalmente errado na maneira em que funciona o nosso sistema",

Texto completo em: http://actualidad.rt.com/economia/view/121399-jurista-banco-mundial-revela elite-domina mundo

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Jogos para crianças, gratis. BASENAME: canta-o-merlo-jogos-para-criancas-gratis DATE: Tue, 18 Feb 2014 11:37:59 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Aqui tedes um endereço de jogos para crianças. Som gratis

http://www.pandajogosgratis.com/

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Protestos orquestrados por Washington desestabilizam a Ucrânia BASENAME: canta-o-merlo-protestos-orquestrados-por-washington-desestabilizam-a-ucrania DATE: Tue, 18 Feb 2014 11:27:21 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

por Paul Craig Roberts [*]

Os protestos no ocidente da Ucrânia são organizados pela CIA, pelo Departamento de Estado dos EUA e por organizações não governamentais (ONGs) financiadas pela UE que trabalham em conjunto com a CIA e o Departamento de Estado. A finalidade dos protestos é anular a decisão do governo independente da Ucrânia de não aderir à UE.

Os EUA e a UE inicialmente estavam a cooperar no esforço para destruir a independência da Ucrânia e torná-la uma entidade subserviente ao governo da UE em Bruxelas. Para o governo da UE, o objectivo é expandir a UE.

Para Washington as finalidades são tornar a Ucrânia disponível para o saqueio por bancos e corporações dos EUA e trazer a Ucrânia para dentro da NATO de modo a que Washington possa ganhar mais bases militares na fronteira da Rússia.

Há três países no mundo que estorvam o caminho da hegemonia de Washington sobre o mundo ? a Rússia, a China e o Irão. Cada um destes países é atacado por Washington para derrube ou para que a sua soberania seja degradada pela propaganda e bases militares dos EUA que deixam os países vulneráveis a ataque, portanto coagindo-os a aceitar a vontade de Washington.

O problema que se levanta entre os EUA e a UE em relação à Ucrânia é que os europeus perceberam que a tomada da Ucrânia é uma ameaça directa à Rússia, a qual pode cortar o petróleo e gás natural à Europa, e se houver guerra destruir a Europa completamente. Consequentemente, a UE tornou-se mais favorável a parar de provocar protestos na Ucrânia.

A resposta da neoconservadora Victoria Nuland, nomeada secretária de Estado Assistente pelo Obama de duas caras, foi "F**-se a UE", quando tratava de descrever os membros do governo ucraniano que Washington pretendia impor sobre um povo tão inconsciente a ponto de acreditar que estão a alcançar a independência ao precipitar-se nos braços de Washington. Outrora eu pensava que nenhuma população do mundo podia ser tão inconsciente quanto a população dos EUA. Mas eu estava errado. Os ucranianos ocidentais são ainda mais inconscientes do que os americanos.

A orquestração da "crise" na Ucrânia é fácil. A neoconservadora secretária de Estado Assistente Victoria Nuland contou no National Press Club, em Washington, dia 13/Dezembro/2013, que os EUA "investiram" US$5 mil milhões em agitação na Ucrânia.

A crise assenta essencialmente na Ucrânia ocidental, onde ideias românticas acerca da opressão russa são fortes e a população é menos russa do que na Ucrânia oriental.

O ódio da Rússia na Ucrânia ocidental é tão disfuncional que os ludibriados protestantes não percebem que aderir à UE significa o fim da independência da Ucrânia e o domínio por parte dos burocratas da UE em Bruxelas, do Banco Central Europeu e de corporações dos EUA. Talvez a Ucrânia seja dois países. A metade ocidental poderia ser dada à UE e a corporações dos EUA e a metade oriental poderia ser reincorporada como parte da Rússia, onde assentava toda a Ucrânia desde que os EUA existem.

A insatisfação para com a Rússia que existe na Ucrânia ocidental torna fácil para os EUA e a UE provocar perturbações. Aqueles em Washington e na Europa que pretendem destruir a independência da Ucrânia retratam-na como uma refém da Rússia, enquanto a Ucrânia na UE estaria alegadamente sob a protecção dos EUA e da Europa. As grandes somas de dinheiro que Washington despeja em ONGs na Ucrânia propagam esta ideia e trabalham a população para uma inconsciência frenética. Nunca na minha vida testemunhei um povo tão inconsciente como os protestantes ucranianos que estão a destruir a independência do seu país.

As ONGs financiadas pelos EUA e UE são quinta colunas destinadas a destruir a independência dos países nos quais operam. Algumas pretendem ser "organizações de direitos humanos". Outras doutrinam pessoas sob a capa de "programas de educação" e de "construção da democracia". Outras ainda, especialmente aquelas dirigidas pela CIA, especializam-se em provocações, tais como as "Pussy Riot". Poucas, se é que alguma, destas ONGs são legítimas. Mas elas são arrogantes. O chefe de uma da ONGs anunciou antges das eleições iranianas na qual Mousavi era o candidato de Washington e da CIA que a eleição resultaria numa Revolução Verde. Ele sabia antecipadamente, porque havia ajudado a financiá-la com dólares do contribuinte estado-unidense. Escrevi acerca disso na altura. Isso pode ser encontrado no meu sítio web, www.paulcraigroberts.org , e no meu livro que acaba de ser publicado, How America Was Lost.

Os "protestantes" ucranianos têm sido violentos, mas a polícia tem sido contida. Washington tem um interesse oculto em manter os protestos em andamento na esperança de transformá-los numa revolta de modo a que possa apossar-se da Ucrânia. Esta semana a Câmara de Deputados dos EUA aprovou uma resolução a ameaçar sanções se os protestos violentos fossem sufocados pela polícia.

Por outras palavras, se a polícia ucraniana comportar-se com protestantes violentos do mesmo modo como a polícia dos EUA comporta-se com protestantes pacíficos, isso é uma razão para Washington interferir nos assuntos internos da Ucrânia. Washington está a utilizar os protestos para destruir a independência da Ucrânia e já tem pronta uma lista de fantoches que pretende instalar como o próximo governo do país.
[*] Ex secretário Assistente do Tesouro para Política Económica e editor associado do Wall Street Journal. Colaborou na Business Week, Scripps Howard News Service e Creators Syndicate. Seu livro mais recente é The Failure of Laissez Faire Capitalism and Economic Dissolution of the West .

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A Ucrânia e o renascimento do fascismo na Europa BASENAME: canta-o-merlo-a-ucrania-e-o-renascimento-do-fascismo-na-europa DATE: Sat, 15 Feb 2014 15:21:35 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

por Eric Draitser [*]

A violência nas ruas da Ucrânia é muito mais do que uma manifestação da ira popular contra um governo. É, ao invés, simplesmente o exemplo mais recente da ascensão da mais insidiosa forma de fascismo que a Europa já viu desde a queda do Terceiro Reich.

Os últimos meses assistiram a protestos regulares da oposição política ucraniana e seus apoiantes ? protestos ostensivamente em resposta à recusa do presidente Yanukovich a assinar um acordo comercial com a União Europeia, encarado por muitos observadores políticos como o primeiro passo rumo à integração europeia. Os protestos foram razoavelmente pacíficos até 17 de Janeiro, quando manifestantes armados com paus, capacetes e bombas improvisadas desencadearam uma violência brutal sobre a polícia, atacando edifícios governamentais, batendo em quem fosse suspeito de simpatias pelo governo e provocando destruição generalizada nas ruas de Kiev. Mas quem são estes extremistas violentos e qual é a sua ideologia?

A formação política conhecida como "Pravy Sektor" (Sector Direita) é basicamente uma organização chapéu para um certo número de grupos ultra-nacionalistas (ler fascistas) incluindo apoiantes do Partido "Svoboda" (Liberdade), "Patriotas da Ucrânia", "Ukrainian National Assembly ? Ukrainian National Self Defense" (UNA-UNSO) e "Trizub". Todas estas organizações partilham uma ideologia comum que entre outras coisas é veementemente anti-russa, anti-imigrantes e anti-judia. Além disso, partilham uma reverência comum pela chamada "Organização de Nacionalistas Ucranianos" liderada por Stepan Bandera, os infames colaboradores dos nazis que combateram activamente contra a União Soviética e cometeram algumas das piores atrocidades da II Guerra Mundial.

Apesar de forças políticas ucranianas, oposição e governo, continuarem a negociar, uma batalha muito diferente está a ser travada nas ruas. Utilizando intimidação e força bruta mais típica dos "Camisas castanhas" de Hitler ou dos "Camisas negras" de Mussolini do que de um movimento político contemporâneo, estes grupos conseguiram transformar um conflito sobre política económica e alianças políticas do país numa luta existencial pela própria sobrevivência da nação que estes assim chamados "nacionalistas" afirmam amar tão ardentemente. As imagens de Kiev a queimar, as ruas de Lvov cheias de brutamontes e outros exemplos assustadores do caos no país ilustram sem sombra de dúvida que a negociação política com a oposição do Maidan (a praça central de Kiev e centro dos protestos) já não é a questão central. É, antes, a questão de apoiar ou rejeitar o fascismo ucraniano.

Pelo seu lado, os Estados Unidos lançaram-se no lado da oposição, sem considerar o seu carácter político. No princípio de Dezembro, membros do establishment dirigente dos EUA, tais como John McCain e Victoria Nuland, foram vistos no Maidan a apoiar os manifestantes. Entretanto, quando nos últimos dias o carácter da oposição se tornou evidente, os EUA e a classe dominante ocidental e sua máquina dos media pouco fizeram para condenar o levantamento fascista. Ao invés disso, seus representantes encontraram-se com representantes do Sector Direita e consideraram que não eram "ameaça". Por outras palavras, os EUA e seus aliados deram aprovação tácita à continuação e proliferação da violência em nome do seu objectivo final: a mudança de regime.

Numa tentativa de arrancar a Ucrânia da esfera de influência russa, a aliança EUA-UE-NATO aliou-se, não pela primeira vez, com fascistas. Naturalmente, durante décadas, milhões na América Latina foram desaparecidos ou assassinados por forças militares fascistas armadas e apoiadas pelos Estados Unidos. Os mujahideen do Afeganistão, os quais depois transmutaram-se na Al Qaeda, também reaccionários ideológicos extremos, foram criados e financiados pelos Estados Unidos com o objectivo de desestabilizar a Rússia. E naturalmente há a penosa realidade da Líbia e, mais recentemente da Síria, onde os Estados Unidos e seus aliados financiam e apoiam extremistas jihadistas contra um governo que se recusa a alinhar com os EUA e Israel. Há um padrão perturbador aqui que não tem sido compreendido por observadores políticos: os Estados Unidos sempre fazem causa comum com extremistas de direita e fascistas para ganho geopolítico.

A situação na Ucrânia é profundamente perturbadora porque representa uma conflagração política que poderia muito facilmente dilacerar o país menos de 25 anos depois de se tornar independente da União Soviética. Contudo, há outro aspecto igualmente perturbador na ascensão do fascismo naquele país ? ele não está só.

Ameaça fascista por todo o continente

A Ucrânia e a ascensão do extremismo de direita não pode ser vista, muito menos entendida, isoladamente. Deve, ao invés, ser examinada como fazendo parte de uma tendência crescente através da Europa (e na verdade do mundo) ? uma tendência que ameaça os próprios fundamentos da democracia.

Na Grécia, a austeridade selvagem imposta pela troika (FMI, BCE e Comissão Europeia) arruinou a economia do país, levando a uma depressão tão má, se não pior, quanto a Grande Depressão nos Estados Unidos. É contra este pano de fundo do colapso económico que o partido Aurora Dourada cresceu até se tornar o terceiro maior partido político do país. Esposando uma ideologia de ódio, o Aurora Dourada ? efectivamente um partido nazi que promove o chauvinismo anti-judeu, anti-imigrante e anti-mulher ? é uma força política que o governo de Atenas entendeu ser uma grave ameaça ao próprio tecido da sociedade [NR] . Foi esta ameaça que levou o governo a deter a liderança do partido depois de um nazi da Aurora Dourada ter esfaqueado um rapper anti-fascistas. Atenas lançou uma investigação ao partido, embora os resultados desta investigação e o processo permaneçam pouco claros.

O que torna o Aurora Dourada uma ameaça tão insidiosa é o facto de que, apesar da sua ideologia central nazista, sua retórica anti-UE e anti-austeridade atrai muita gente na Grécia economicamente devastada. Tal como muitos movimentos fascistas no século XX, o Aurora Dourada transforma em bodes expiatórios os imigrantes, muçulmanos e africanos por muitos dos problemas que os gregos enfrentam. Em circunstâncias económicas terríveis, tal ódio irracional torna-se atraente; uma resposta à questão de como resolver problemas da sociedade. Na verdade, apesar de líderes do Aurora Dourada estarem presos, outros membros do partido ainda estão no parlamento, ainda concorrem a funções como à presidência de Atenas. Embora uma vitória eleitoral seja improvável, outra mostra de força nas eleições tornará muito mais difícil a erradicação do fascismo na Grécia.

Se este fenómeno estivesse confinado à Grécia e à Ucrânia, ele não constituiria uma tendência continental. Contudo, tristemente vemos a ascensão, embora menos abertamente fascista, de partidos políticos por toda a Europa. Na Espanha, o Partido do Povo, governante e pró austeridade, avançou com leis draconianas restringindo o protesto e a liberdade de palavra, bem como fortalecendo e aprovando tácticas policiais repressivas. Em França, o partido da Frente Nacional, de Marine Le Pen, que veementemente transforma imigrantes muçulmanos e africanos em bodes expiatórios, ganhou aproximadamente vinte por cento dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais. Analogamente, na Holanda, o Partido pela Liberdade ? que promove políticas anti-muçulmanas e anti-imigrantes ? cresceu a ponto de se tornar o terceiro maior partido no parlamento. Por toda a Escandinávia, partidos ultra-nacionalistas que outrora totalmente irrelevantes e obscuros são agora actores significativos em eleições. Estas tendências são preocupantes, para dizer o mínimo.

Também deveria ser observado que, para além da Europa, há um certo número de formações políticas quase-fascistas que são, de uma maneira ou de outra, apoiadas pelos Estados Unidos. O golpe de direita que derrubou os governos do Paraguai e de Honduras foram tacitamente e/ou abertamente apoiados por Washington no seu objectivo aparentemente infindável de suprimir a esquerda na América Latina. Naturalmente, também deveria ser lembrado que o movimento de protestos na Rússia foi encabeçado por Alexei Navalny e seus seguidores nacionalistas que adoptam uma ideologia racista e anti-muçulmana que encara imigrantes do Cáucaso russo e de outras antigas repúblicas soviéticas como inferiores a "russos europeus". Estes e outros exemplos pintam um retrato muito feio de uma política externa estado-unidense que tenta utilizar a adversidade económica e a reviravolta política para estender a hegemonia dos EUA por todo o mundo.

Na Ucrânia, o "Sector Direita" retirou o combate da mesa de negociação para as ruas numa tentativa de cumprir o sonho de Stepan Bandera ? uma Ucrânia livre da Rússia, de judeus e de outros vistos como "indesejáveis". Animatdo pelo apoio contínuo dos EUA e da Europa, estes fanáticos representam uma ameaça mais grave para a democracia do que Yanukovich e o governo pró russo. Se a Europa e os Estados Unidos não reconhecem esta ameaça no seu início, quando o fizerem poderá ser demasiado tarde.
31/Janeiro/2014

Ver também:
O movimento anti-UE propaga-se por toda a Europa ... excepto na Ucrânia
Ucrânia: "A opção europeia será também a opção militar a favor da NATO"
Washington Collaborates with Ukrainian Neo-Nazis
Ukraine ?Color Revolutions?: At the Crossroads of Euro-Atlantic and Eurasian Power Politics

[NR] É muito discutível que o actual governo de Atenas tenha esse entendimento. A sua atitude é, antes, de conivência passiva e omissão. Forças policiais gregas pouco ou nada fazem para reprimir o Aurora Dourada, só actuando em casos extremos.

[*] Fundador do StopImperialism.com , analista geopolítico independente residente em Nova York, ericdraitser@gmail.com .

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/ukraine-and-the-rebirth-of-fascism-in-europe/5366852

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A filha menor do Rei tomou-os o pelo a todos e confirmou que a Família Real nom é de fiar BASENAME: canta-o-merlo-a-filha-menor-do-rei-tomou-os-o-pelo-a-todos-e-confirmou-que-a-familia-real-nom-e-de-fiar DATE: Sat, 08 Feb 2014 21:44:54 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

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Por Fernando de Silva

No "dia D" para a Infanta Cristina, cumpre-se o guiom previsto, e assistimos à negaçom da evidência

Com a presença de muitas bandeiras republicanas, sem surpresas, com um desdobramento policial inaudito e desproporcionado, que nos custará aos contribuintes muitos milhares de euros, a imputada Infanta Cristina acedeu ao Julgado de Palma em carro, privilégio do que se encontram privados o resto dos mortais. Trata-se de brinda-la e escondê-la para impedir que possa ser legitimamente reprochada por quem duvidam da sua inocência, que nom som outros que muitos dos sofridos cidadaos que sentem escandalizados pola corrupçom generalizada, e que afecta de forma especial à Família Real. Muito logo teve lugar o seu segundo privilégio, ao nom passar polo arco de segurança, como é de obrigado cumprimento para todos os que acedem ao interior de um Julgado.

Mas nom acabam aqui as concessons especiais porque, à margem dos exaustivos registros para impedir a existência tabletas e telemóvel no interior da Sala, decidiu-se que a sua declaraçom só possa ser gravada em áudio, impedindo que o vídeo, que se utiliza habitualmente neste tipo de actuaçons judiciais, possa reflectir a linguagem do rosto, que tanto pode delatar a quem mente com a palavra mas é incapaz de dissimulado com os seus gestos. Precisamente para dar mais autenticidade às declaraçons, a que fosse Ministra de Justiça, Margarida Marechal de Gante, introduziu há anos na justiça a gravaçom em vídeo, da que inexplicavelmente se livra agora a Infanta Cristina.

Nom pudemos ver à Infanta mais de cinco segundos, mas foi capaz de saudar aos jornalistas com um sorriso forçado e nervoso, imprópria de quem sente inocente. Isso sim, aos cidadaos se impediu achegar-se a menos de 100 metros da porta do Julgado, o que resulta inaudito num estado democrático, ainda que sim se pudérom escutar os berros de indignaçom ao longe. E nom é bom, senom todo o contrário, que una membro da Família Real esquive a presença dos seus súbditos, ou lacaios, porque isso é no que nos convertérom, que alimentárom durante anos os seus caprichos e alto nível económico. O único detalhe de normalidade que se viu é a chegada do Juiz Castro, que acudiu ao Julgado em moto, como nele é habitual.

A Infanta, seguindo o guiom, ante o exaustivo interrogatório de 400 perguntas ao que foi submetida polo juiz Castro durante mais de duas horas e média, limitou-se a negar a sua participaçom em Nóos e Aizoon com respostas evasivas, assumindo o papel de esposa parva e submissa, que nom se dava conta de nada, e que nunca se perguntava como era possível manter um nível de vida incompatível com os ingressos do casal. Isso sim, foi explícita à hora de insistir em que ?eu confiava no meu marido?, o que resulta contraditório com o feito de nom interpretar o papel de esposa enganada e defraudada polo seu esposo, com o que convive dentro da normalidade e mantém umha evidente cumplicidade. Também nom se comprometeu a devolver o dinheiro, que agora já sabe era de procedência ilícita, o que demonstra que nom tem um pêlo de parva.

Dando por suposto que se negará a contestar as perguntas das acusaçons, que o Fiscal se limitará a ocupar um papel testemunhal, e que as respostas às perguntas do seu advogado de jeito nengum a comprometérom, nem tam sequer é necessário esperar no final da sua declaraçom para extrair as conclusons finais.

Em resumo, hoje a Infanta Cristina, acolhendo-se ao seu direito a nom declarar contra sim mesma, tomou-nos o pêlo a todos, e confirmou que a Família Real nom é de fiar. Durante anos investiu-se muito dinheiro público na sua preparaçom, que se supom é superior à ignorância demonstrada esta mesma manhá, polo que os cidadaos sentir enganados mais umha vez por umha família que vive à conta dos nossos impostos. Parece evidente que, seja qual for a decisom judicial final, a monarquia está hoje ainda mais desprestigiada e tem os dias contados neste país, polo bem da decência colectiva.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A ONU denuncia ao Vaticano por permitir aos sacerdotes violar a milhares de crianças BASENAME: canta-o-merlo-a-onu-denuncia-ao-vaticano-por-permitir-aos-sacerdotes-violar-a-milhares-de-criancas DATE: Wed, 05 Feb 2014 23:25:47 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://actualidad.rt.com/

A ONU denunciou ao Vaticano por permitir "sistematicamente" aos sacerdotes violar a milhares de crianças, informa a corrente BBC.

A organizaçom mundial também exigiu ao Vaticano "expulsar de imediato" aos clérigos suspeitos de abusar sexualmente a menores.

O Comité de Direitos Humanos da ONU criticou a adopçom por parte do Vaticano de políticas que permitiram aos sacerdotes violar e abusar sexualmente a dezenas de milhares de crianças, e instou a abrir os arquivos vaticanos sobre os pedófilos e os eclesiásticos que ocultavam os seus delitos.

No seu relatório, emitido nesta quarta-feira, o comité da ONU também criticou fortemente à S. Sé polas suas atitudes para a homosexualidade, a anticoncepçom e o aborto e instou-a a rever as suas políticas para garantir os direitos das crianças e o seu acesso à atençom sanitária.

O comité emitiu as suas recomendaçons depois de submeter o Vaticano a um interrogatório o mês passado sobre a aplicaçom da Convençom da ONU sobre os Direitos da Criança, o principal tratado internacional que garante os direitos de menores.

Por sua parte, o serviço de imprensa da Santa Sé publicou um comunicado na sua página web oficial no que afirma que o Vaticano "terá em conta" o relatório, mas assegura que "alguns artigos do documento som umha tentativa de interferir nos ensinos da Igreja católica sobre a dignidade humana e a liberdade religiosa".

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O pragmatismo terrorista do império BASENAME: canta-o-merlo-o-pragmatismo-terrorista-do-imperio DATE: Sat, 25 Jan 2014 22:34:08 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.odiario.info/

por José Goulao

A Turquia está a braços com um caso de alta corrupção governamental. Trata-se nem mais nem menos do canal através do qual milhares de milhões de dólares são enviados para a Al-Quaeda, o expoente máximo ? segundo os EUA ? do terrorismo mundial. Quer dizer: expoentes da NATO financiam um grupo que se destaca na guerra contra a Síria enquanto a estrutura sustentada pela rede da NATO o combate no Iraque.

A vaga de instabilidade política na Turquia decorrente de um caso de alta corrupção governamental não é assunto que nos seja alheio.
A Turquia é, há muito, um pilar estratégico da NATO e nem as mais cruéis ditaduras militares fascistas dissuadiram a aliança, tão luminoso farol da democracia, de manter estreitos laços com Ancara.

A Turquia é um candidato à União Europeia e sejamos claros: a razão para não integrar ainda o grupo não se relaciona com as suas insuficiências democráticas mas sim porque os interesses que mandam na congregação não se entendem quanto às consequências económicas, migratórias, e até religiosas, da adesão de mais um grande país.

Além disto, o actual escândalo turco é expressão - e prova ? de comportamentos muito mais graves de gentes de quem depende a vida no planeta.

O caso tem sido abafado mas nem a vocação censória global consegue ter êxito a cem por cento. Inicialmente explicou-se o escândalo e a revolta popular contra o governo islamita pela existência de negócios ilegais e clandestinos de milhões de dólares entre círculos do executivo turco e instituições petrolíferas iranianas, violando as sanções internacionais contra Teerão. Isto é verdade; porém, não passa de uma ínfima parte da verdade.

O que a polícia de investigação e a magistratura turca puseram à luz do dia foi o canal através do qual círculos do governo turco, envolvendo o próprio primeiro-ministro, encaminham centenas de milhões de dólares para a Al Qaida. Não, não é engano: o governo da Turquia, pilar estratégico da NATO, financia o expoente máximo do terrorismo mundial, todos os dias demonizado em Washington e outras capitais como a causa da maioria dos males no planeta e arredores.

Acontece que o primeiro ministro da Turquia, o Sr. Erdogan, é amigo do Sr. Yassin al-Qadi, um banqueiro saudita, alta figura da Irmandade Muçulmana, também amigo do Sr. Cheney, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, e conhecido pelo FBI como ?o tesoureiro da Al Qaida?. A espionagem interna norte-americana tem obrigação de saber do que fala uma vez que o Sr. Al-Qadi viveu em Chicago, onde foi proprietário da empresa de informática Ptech, fornecedora de software para a aviação civil dos Estados Unidos por alturas do 11 de Setembro de 2001. Também segundo o FBI, o ?Tesoureiro da Al Qaida? foi, antes disso, financiador, quiçá um dos responsáveis, dos atentados nas embaixadas norte-americanas na Quénia e na Tanzânia, em 1998.

Poderia continuar a desenrolar o novelo de cumplicidades, mas é mais importante reter neste momento que o canal de financiamento entre o Sr. Erdogan/Turquia/NATO e o ?tesoureiro da Al Qaida? abastece prioritariamente a guerra internacional contra a Síria mantida através de uma miríade de grupos terroristas onde o de maior capacidade operacional é o ramo da organização fundada por Bin Laden designado ?Estado Islâmico do Iraque e do Levante?. Por sinal a mesma entidade que tomou conta da cidade de Fallujah, no Iraque, onde é combatida pelo exército iraquiano e respectivos operacionais norte-americanos.

Assim sendo, expoentes da NATO financiam um grupo que se destaca na guerra contra a Síria enquanto a estrutura sustentada pela rede da NATO o combate no Iraque. Todas as grandes famílias têm as suas desavenças, até a família terrorista imperial. Também há quem lhe chame ?pragmatismo.?

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A questão do Estado operário no marxismo BASENAME: canta-o-merlo-a-questao-do-estado-operario-no-marxismo DATE: Sat, 25 Jan 2014 20:19:27 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://port.pravda.ru/

O texto de György Lukács, "O Estado como arma" , entra, de forma seminal, no debate sobre os conselhos operários apresentando uma posição: o cenário da luta de classes cresce e compreende o conjunto desbloqueado dos espaços onde ela pode se revelar, contribuindo, assim, para explodir as cidadelas do Estado e suas fronteiras. Na posição de Lukács, agora se luta contra o Estado, mas também o Estado se manifesta enquanto "arma da luta de classes".

Milton Pinheiro

O filósofo húngaro localiza em Marx e Engels, distanciando-os dos oportunistas da Segunda Internacional, a tese de que a questão do Estado é extremamente relevante para as possibilidades da re¬volução proletária, utilizando-se dessa abordagem como referencial para enfrentar a "essência revolucionária" de sua época. Lukács qualificou os pensadores reformistas do período em questão como sendo aqueles que capitularam ao modelo de Estado desenvolvido na sociedade burguesa, e essa crítica se dirige essencialmente a Kautsky e a Bernstein.

Neste texto inédito encontramos, ainda, a notável influência de Lenin. Lukács reconhece a relação teórica daquele com Marx na interpretação de uma "posição proletário-revolucionária sobre o problema do Estado", salientando que Lenin não fez uma abstração sobre a questão, mas levantou o problema a partir das tarefas dos trabalhadores que faziam o enfrentamento na luta de classes, tendo como eixo central a direção da tomada do poder.

Na interpretação de Lukács, Lenin rompeu com o programa de uma teoria geral do Estado baseada em postulados diletantes e, pautado pelas análises concretas feitas por Marx sobre a Comuna de Paris, avançou no debate sobre a questão do Estado, como afirmei, a partir das con¬tradições do momento histórico em que as lutas do proletariado se projetavam em um cenário em aberto. Transparece nos estudos de Marx, Engels e, principalmente, em Lenin - chamado à aten-ção por Lukács - que a questão do Estado é o objetivo que deve movimentar os trabalhadores nas tarefas cotidianas, e não apenas quando se apresentar o "objetivo final".

Para Lukács, Lenin deu a importância devida ao papel do Estado no tempo presente, o que contribuía para educar os traba¬lhadores em sua luta pelo poder. Mas isso ocorria, principalmente, porque ele acentuava em suas análises o papel do "Estado como arma da luta de classes". Nessa contenda sobre o Estado, Lukács avança, antecipando um grande debate contemporâneo, ao sinalizar que os instrumentos de luta em curso (partido, sindicato e cooperativas) são, já naquele momento, "insuficientes para a luta revolucionária do proletariado". A perspectiva projetada pelo autor é a construção de uma representação que unifique todo o proletariado às amplas massas, ainda dentro da sociedade burguesa, para pôr a revolução "na ordem do dia" - e, para ele, esse instrumento seria os conselhos operários.

Nas formulações de G. Lukács, os conselhos aparecem como "organização de toda a classe". Eles devem agir para desorganizar "o aparelho de Estado burguês". Nessa conjuntura de desorgani¬zação, eles, enquanto representação de classe, deverão entrar em choque com a possível tentativa da burguesia de impor uma ampla repressão para recompor seu poder.

É diante desse cenário que os conselhos operários se apresentam como aparelhos de Estado na perspectiva da "organização da luta de classes". A partir de sua aná¬lise sobre a Rússia em 1905, os conselhos "são um contragoverno" que enfrenta o "poder estatal da burguesia".

É importante salientar ainda a crítica de Lukács a Martov: este último compreende os conselhos "como um órgão de luta", sem necessariamente transformar-se em aparelho de Estado, enquanto, para o primeiro, essa posição afastaria os trabalhadores da revolução e da "real conquista do poder pelo proletariado".

Nesse debate, surge uma polêmica sobre o papel do sindicato e do partido. Lukács criticou aqueles que queriam substituir de forma permanente esses dois instrumentos pelos conselhos, confundindo o entendimento do que seja, ou não, uma situação revolucionária. Ele afirma que o conselho operário, enquanto aparelho de Estado, "é o Estado como arma na luta de classes do proletariado".

Mas, para fazer a defesa dessa posição leniniana, Lukács ataca o reformis¬mo oportunista e sua "capitulação ideológica à burguesia". Ainda nesse debate, critica a ideia de democracia da social-democracia e seu projeto de "agitação pacífica" para a modificação da sociedade de forma não revolucionária, ao considerar que, para se chegar ao socialismo, as ideias dos trabalhadores irão num crescendo até a conquista do poder.

Os reformistas se mantêm no campo da "democracia pura, formal", e se iludem com o voto do cidadão abstrato, considerado por Lukács como "átomos isolados do todo estatal", na contramão das pessoas concretas, "que assumem um lugar na produção social, que seu ser social (que articula o seu pensamento etc.) é determi¬nado por essa posição".

Dentro dessa temática (democracia), o crítico húngaro identifica o "domínio minoritário da burguesia" na "desorganização ideológica" para transformar a democracia pura e formal em um instrumento de regulação da vida social. Para responder a essa situação (desorganização), os conselhos devem ser reconhecidos como o "poder de Estado do proletariado", ao passo que avançam para destruir "a influência material e ideológica da burguesia" sobre as massas. Garantir o contrafogo ideológico é contribuir para o surgimento de condições de direção do prole¬tariado "no período de transição". Agora o proletariado, tendo os conselhos como sistema de Estado, deve marchar para continuar destruindo a burguesia em todas as suas frentes.

Neste sentido, o sistema de conselhos, agindo de forma edu¬cativa e autônoma, deve incentivar uma participação que articule "uma unidade indivisível entre economia e política, ligando, desse modo, a existência imediata das pessoas, os seus interesses cotidia¬nos etc. com as questões decisivas da totalidade" e contribuindo assim para evitar a burocratização. Para Lukács, esse movimento do sistema de conselhos e do Estado proletário "é um fator decisivo na organização do proletariado em classe", permitindo que, agora, o tornar-se consciente e classe para si se efetive.

Para Lukács, com base em Lenin, o Estado proletário é aber¬tamente um Estado de classe, sem a farsa montada pela burguesia para transformar seu Estado em Estado de todos. Mais uma vez, esse debate teórico demonstra que a atualidade da revolução ainda hoje passa pela problemática do Estado e do socialismo. Portanto, os conselhos operários estão na gênese dessas possibilidades.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A familia Aznar fai-se de ouro graças à agenda de papai e a hipotecas "a preço de saldo" BASENAME: canta-o-merlo-a-familia-aznar-fai-se-de-ouro-gracas-a-agenda-de-papai-e-a-hipotecas-a-preco-de-saldo DATE: Thu, 23 Jan 2014 07:07:00 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

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O Aznar ?Novo? fai-se de ouro graças à agenda de papai e a hipotecas "a preço de saldo"

O primogénito do ex-presidente é conselheiro da sociedade que gere 12.000 milhões de euros em activos imobiliários da pública Bankia

Nos últimos meses estám circular numerosas notícias sobre como os Aznar estám em primeira linha de quem estám conseguir réditos desta ?crise? económica. Desde logo o ex-presidente Aznar, que trabalha entre outras muitas empresas para umha multinacional do ouro que se disparou com as turbulências do euro ou para o presidente em Espanha da consultora KPMG que gere desde preferentes de Bankia até ERes do Canal 9.

A sombra do pai e dos seus amigos

Porém nom se trata unicamente do pai porque o primogénito do ex-presidente, José Maria Aznar Botella, também está a dar muito que falar graças aos contactos do seu pai. La Voz da Galiza já informou de que este jovem ?empresário? participa na gestom dos activos imobiliários de Bankia -a entidade resgatada com mais 20.000 milhoes de euros públicos-através de Promontoria Plataforma, sociedade da que é conselheiro e que está presidida por Juan Manuel Hoyos Martínez de Irujo. Hoyos foi colega de Aznar no elitista colégio madrileno do Pilar e já estivo perfeitamente situado durante o boom das tele-comunicaçons trabalhando para Telefónica através da consultora McKinsey. Foi ademais um dos assessores na sombra do ex-presidente na sua carreira presidencial e depois, ainda que nunca quis incorporar ao Governo, como explicou Voz Populi.

Fundo abutre vinculado ao Partido Republicano Norteaméricano

Promotoria Plataforma é por outra parte umha sociedade instrumental do fundo abutre de investimento Cerberus Capital Management, de marcado cor de dólares estadounidenses e mais em concreto vinculado a ?popes? do Partido Republicano.

Activos desvalorizados com a crise

Agora através da diário Informaçom Sensível difundírom-se dados contundentes sobre a gestom que fai Promontoria dos activos imobiliários desvalorizados que compra a entidades de crédito. O método de trabalho basicamente é comprar hipotecas de risco por muito menos do valor nominal que assinaram no seu dia os hipotecados e executar o embargo, combinando-se com o piso e obtendo umha mais-valia depois com a venda do imóvel. A web recupera vários exemplos concretos de pessoas em risco de perder as suas casas.
?Cerberus compra a preço de saldo, mas nunca se mostra. Sempre o fai através de Promontoria Holding. Eles podem negociar umha daçom em pago, mas nunca o aluguer da habitaçom?, explica um letrado que tivo que negociar com eles umha execuçom hipotecaria.

Comissons a cambio de ?ajudar? à pública Bankia

No que di respeito ao contrato em ?exclusiva? com Bankia para gerir durante 10 anos o seu mais de ?12.000 milhões de euros brutos de activos imobiliários e de parte da dívida derivada de empréstimos a promotores?, o diário informa que Promontoria Plataforma recebe umha comissom por colocá-los. Apesar de que Bankia é umha entidade pública sustida com o dinheiro de todos, nom oferecêrom explicaçons sobre por que se elegeu à empresa do Aznar ?Novo? -quase nom falam de um ?processo competitivo?- ou de quanto se lhe pagou de momento em conceito de comissons. Perguntado polo seu papel na sociedade, o filho do ex-presidente nom quis oferecer nengum tipo de declaraçom sobre o labor que realiza para Cerberus.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Federal Reserve - Agonia mortal no seu 100º aniversário BASENAME: canta-o-merlo-federal-reserve-agonia-mortal-no-seu-100o-aniversario DATE: Wed, 15 Jan 2014 22:28:13 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

por Valentin Katasonov [*]

http://www.resistir.info/financas/agonia_mortal.html

O Federal Reserve Act foi promulgado em 23 de Dezembro de 1913 quando, há uma centena de anos, a lei foi assinada pelo presidente Woodrow Wilson. Desde então o Federal Reserve System tornou-se um factor determinante da economia e da política estado-unidense.

Um Federal Reserve System ilegítimo

Muitos americanos acreditam que um bando de banqueiros internacionais alcançou o poder quando o Federal Reserve System (FRS) entrou em vigor. O presidente e o Congresso tornaram-se servos dos principais accionistas do FRS. A Federal Reserve Corporation, de propriedade privada, pertencente a um grupo de banqueiros, tornou-se o único poder real na América o qual começou então a competir pela dominância mundial. Numerosas publicações dedicaram-se ao assunto.

O livro Secrets of the Federal Reserve, de Eustace Mullins, foi o primeiro a vir a lume no fim da década de 1940. Foi seguido por The Federal Reserve Conspiracy de Antony Sutton; The Syndicate: The Story of the Coming World Government de Nicholas Hagger, The Unseen Hand de A. Ralph Epperson e The Gods of Money de William Engdahl. Há um bestseller recente do antigo deputado Ron Paul chamado End the Fed . O poder do Federal Reserve no século XX instilou um falso sentimento da sua eternidade tal como o da emissão do dólar. Estas ilusões evaporaram-se gradualmente quando eventos no princípio do século XXI começaram a desdobrar-se... Ron Paul enumera muitos casos em que o Federal Reserve System tem estado em directa violação do Federal Reserve Act. O mais chocante é a concessão pelo Federal Reserve System de créditos incrivelmente gigantescos na quantia total de US$ 16 milhões de milhões (trillion) aos maiores bancos da América e da Europa durante a recente crise financeira. Não me refiro ao facto de que o próprio estabelecimento do Federal Reserve System foi uma flagrante violação da Constituição americana, a qual afirma claramente que só o Congresso está autorizado a emitir moeda, não um grupo de proprietários privados.

Cenário da "fuga do dólar"

O Federal Reserve System preservou sua influência ao longo de todo o século porque houve procura do US dólar produzido pelas suas impressoras, no país e além das suas fronteiras. Todos os esforços da política externa dos EUA desde o começo do século XX até o princípio do XXI centraram-se na promoção da mercadoria produzida pelas máquinas de impressão do Federal Reserve. Foi isto que levou ao desencadeamento de duas guerras mundiais e a um bocado de conflitos locais. Não era difícil manter a produção do Federal Reserve System com a procura pós II Guerra Mundial, quando o mundo obtinha a maior proporção de bens comprando-os aos EUA e dando dólares em contrapartida. Os EUA eram o maior accionista do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que promoviam o processo de "dolarização". Isto constituía o cerne do Plano Marshall com o lançamento de múltiplos programas de ajuda externa estado-unidenses.

Graças à política de Kissinger para o Médio Oriente, apoiada pelo poder militar dos EUA, em 1973-1975 Washington conseguiu introduzir as bases do padrão petróleo-dólar. O mundo começou a vender o "ouro negro" apenas por dólares. Os mercados financeiros mundiais começaram a prosperar na segunda metade do século XX e os "instrumentos financeiros" eram predominantemente vendidos também em US dólares.

A procura pelo dólar começou a cair nos últimos anos. A competição com outras divisas começou. O euro, o yuan e as divisas alheias à lista das moedas de reserva desafiaram a nota verde. Tentando livrar-se da dependência do dólar, líderes de outros países muitas vezes faziam declarações extremas as quais são percebidas pelos donos do Federal Reserve System como apelos ao boicote do padrão petróleo-dólar. No seu tempo, Saddam Hussein recusou-se a vender o "ouro negro" por dólares e comutou para pagamentos em euro. Washington respondeu imediatamente; a revolta resultou no derrube de Saddam Hussein e a sua posterior execução. Algum tempo depois o mesmo destino foi reservado a Muammar Qaddafi, o qual havia planeado abandonar o dólar pelo dinar dourado. Os planos de Washington fracassaram quando chegou a vez do Irão. As sanções estado-unidenses foram impostas há longo tempo (1979). Mas o país era um osso duro de roer. O Irão recusou-se terminantemente a utilizar o US dólar para transacções externas (deveria ser notado que todas as transacções tramitam através do sistema bancário dos EUA e são controladas pelo Federal Reserve System). Isto é um precedente perigoso, um exemplo que pode ser seguido por outros estados. Passos cautelosos para gradualmente afastar-se do dólar começaram a ser tomados pela China. Pequim concluiu uma série de acordos com outros países para utilizar divisas nacionais no comércio externo. Exemplo: está em vigor um acordo entre Pequim e Tóquio que prevê a utilização do yuan e do yen para as transacções comercias China-Japão pondo de lado todas as outras divisas, incluindo o US dólar. Estes eventos poderiam ser caracterizados como uma emancipação gradual em relação ao US dólar, processo que a qualquer dado momento pode tornar-se uma fuga da divisa dos Estados Unidos. Neste caso, o Federal Reserve System pode não morrer de imediato, mas tornar-se-á nada mais do que um banco central comum com operações limitadas apenas pelos desenvolvimentos económicos internos.

O cenário do "Federal Reserve System" fora do negócio

Alguns anos atrás ninguém poderia imaginar um cenário que considerasse a bancarrota do Federal Reserve System. Mas os apuros do FRS começaram a agravar-se rapidamente a partir de 2010 devido à implementação da política da facilidade quantitativa (quantitative easing). Anunciando o objectivo de restaurar a economia nacional e promover o emprego após a crise financeira, o Federal Reserve System continuou a aumentar a produção das suas impressoras. O mecanismo é tão simples quanto podia ser: o Federal Reserve System troca a sua produção de papel por diferentes espécies de títulos oferecidos por bancos americanos (US$85 mil milhões por mês durante o ano passado). Os papéis incluem títulos do Tesouro dos EUA ou títulos hipotecários. Estes últimos não são senão pedaços de papel que os financeiros chamam "activos tóxicos" no seu jargão profissional. O preço de mercado é extremamente baixo (de vez em quando flutua em torno de zero), mas o Federal Reserve System adquire-os ao seu valor facial ou quase ao custo nominal. O FRS só pode vender "activos tóxicos" a operar com prejuízo. A acumulação de tais "activos" criará uma bolha inchada de forma monstruosa. Há bolhas imobiliárias e cambiais, agora emergirá um novo tipo de bolha. Não se trata apenas dos papéis hipotecários; os títulos do tesouro também podem causar problemas. Hoje o Federal Reserve System paga um alto preço por títulos do tesouro mas amanhã o seu preço de mercado pode afundar. Assim o FRS terá prejuízo ao vendê-los. Qualquer organização comercial utilizará o seu próprio capital como uma reserva de prontidão para cobrir perdas. O mesmo se passa para o Federal Reserve System. Mas neste caso é apenas um capital simbólico representando apenas 3-4 por cento dos activos actuais do FRS. A propósito, ele deve cumprir exigências de capital inicial mínimo (as exigências estão definidas e os procedimentos estipulados por documentos especiais do Comité de Supervisão Bancária do Banco de Pagamentos Internacional (Bank for International Settlements) ). Actualmente o Federal Reserve System está longe de cumprir com estas exigências. Os peritos sabem bem disto mas as discussões nunca saem do círculo estreito de iniciados que traram do negócio. Ninguém entre os peritos pode propor algo como um plano significativo para resgatar o Federal Reserve System da bancarrota iminente.

Cenário "bancarrota do governo"

O Federal Reserve System tem actuado como o salvador do governo estado-unidense. O FRS concede empréstimos ao Tesouro ao comprar títulos de dívida. Naturalmente, ele não é a única entidade a salvar o governo. Muitas outras organizações dos EUA têm adquirido títulos do tesouro ? bancos comerciais e de investimento, fundos de investimento, companhias de seguros, fundos de pensão. Os bancos centrais de outros países e ministérios das finanças até recentemente representavam metade das aquisições dos títulos do tesouro. Hoje a China, Japão, Arábia Saudita e alguns outros países com enormes reservas de ouro e divisas estrangeiras são os principais credores do governo dos EUA. A China e outros estão gradualmente a perder o desejo de acrescentar "papel verde" às suas reservas internacionais. No fim de 2013 um vice-governador do Banco da China fez uma declaração sensacional dizendo que a China já não era favorável à acumulação de reservas cambiais estrangeiras.

O Federal Reserve System tornou-se o principal prestamista (doador) do Tesouro dos EUA. No terceiro round da facilidade quantitativa, "QE3", o Federal Reserve System começou a comprar a fatia do leão dos papéis utilizados pelo governo para cobrir os buracos orçamentais (a fim de pagar o défice orçamental). Um círculo vicioso começou: o Federal Reserve dá ao Tesouro a "nota verde"; em retorno o Tesouro dá os títulos ao Federal Reserve. Isso parece-se a um moto perpétuo monetário. Este mecanismo "fechado" priva a economia americana e mundial da divisa necessária, funciona só para si mesmo. A falta da "nota verde" será exponencialmente compensada por outras divisas e seus substitutos.

Além disso, há mais uma armadilha à espera do governo dos Estados Unidos e do Federal Reserve System. O governo americano tem de utilizar o orçamento para amortizar a sua dívida. As taxas de juro actualmente estabelecidas pelo Federal Reserve System são cerca de zero. As taxas de juro dos títulos do tesouro (orientada pelas taxas do Federal Reserve System) também são extremamente baixas. Cerca de 7 por cento do dinheiro do orçamento é gasto com o reembolso das dívidas do governo. É aceitável. Mas vamos imaginar que as taxas de juro começam a crescer (mais cedo ou mais tarde elas inevitavelmente subirão). A percentagem do orçamento gasto no reembolso da dívida (pagamentos de juros) também aumentará. Peritos acreditam ser possível que 50 por cento do total do orçamento seria gasto para cobrir juros. Neste caso o moto perpétuo financeiro cessará porque atingirá um obstáculo natural como as receitas de impostos que abastecem o orçamento de estado dos EUA. Então o único cliente do Federal Reserve System ? o governo americano ? irá à bancarrota. Depois disso o próprio Federal Reserve System terá de abandonar o espectro.

Há outros cenários a serem considerados, todos eles relacionados com o Federal Reserve System, o dólar e os Estados Unidos ? os três pilares do sistema financeiro e político integrado. Todos eles são desfavoráveis aos proprietários do Federal Reserve System. Na verdade, exactamente a mesma situação foi enfrentada na primeira metade do século XX pelos proprietários do Banco da Inglaterra quando o US dólar começou a rivalizar com a todo-poderosa libra esterlina. A última oportunidade para os donos do Banco da Inglaterra preservarem "um lugar ao sol" foi desencadear uma guerra em grande escala. Receio que seja exactamente isso o que os actuais donos do Federal Reserve System tenham em mente.
23/Dezembro/2013

Nestes links podem ser descarregados gratuitamente os seguintes livros mencionados pelo autor:
Secrets of the Federal Reserve Bank
The Federal Reserve Conspiracy
The Unseen Hand. An Introduction to the Conspiratorial View of History

[*] Economista.

O original encontra-se em www.strategic-culture.org/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Uma estratégia que contemple a saída do euro BASENAME: canta-o-merlo-uma-estrategia-que-contemple-a-saida-do-euro DATE: Wed, 15 Jan 2014 22:13:04 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

por Salvador López Arnal
http://www.resistir.info/europa/lapavitsas_resenha_jan14.html

Um livro indispensável, assegura Alex Callinicos, para toda pessoa que tente compreender a implosão da União Europeia. Será que o professor do European Studies at King's College, de Londres, exagera? Não parece.

No mesmo sentido se pronuncia Stathis Kouvelakis na introdução do ensaio: "Isto nos leva ao ponto final mas provavelmente também o mais crucial do material reunido neste volume: não satisfeitos em oferecer uma análise pioneira das particularidades da crise capitalista dentro da eurozona, Lapavitsas e seus colaboradores do RMF foram um passo além, proporcionando o guião de uma estratégia alternativa. Este resumo começa com o incumprimento da dívida soberana... e amplia-se a uma saída unilateral do euro por parte dos países que não possam evitar o incumprimento, o que lhes permitiria recuperar o controle de uma parte da sua soberania nacional e escapar do cataclismo da desvalorização interna imposta pelas terapias de choque concebidas pela UE". (p. 25).

Crisis en la Eurozona [*] é uma versão revista de três relatórios sobre a crise da eurozona publicados online pelo Research on Money and Finance em Março e Setembro de 2010 e em Novembro de 2011 com os títulos "Empobrecendo-te a ti e ao teu vizinho", "A eurozona entre a austeridade e o incumprimento" e "Ruptura? Uma drástica saída da crise da eurozona".

Pode-se ler, se se considerar adequado, como um comentário crítico documentado a posições como aquelas defendidas por Yanis Varoufakis ? em entrevista realizada por Alessandro Bianchi [1] ? , compartilhada por amplos sectores da esquerda europeia, respondendo a uma pergunta sobre o "actual estado de coisas" na zona euro e se a melhor solução para os países europeus do Sul seria sair da moeda única. "Se pudéssemos voltar atrás no tempo, a melhor opção teria sido que os países meridionais, além da Irlanda, tivessem ficado fora da eurozona". Indubitavelmente, admite YV, "o comportamento dos poderes de facto, tanto no Norte como no Sul da Europa, dissiparam a fantasia, a que assistimos em torno de 2000, de que a eurozona evoluiria rumo a uma entidade federal, possivelmente depois de uma crise existencial ameaçar sua integridade". Dito sem rodeios, prossegue o economista grego, "nossas elites cometeram um pecado capital metendo nossas nações periféricas numa versão europeia do padrão ouro que, tal como o padrão ouro original, primeiro provocou entradas maciças de capital nas regiões de défice que incharam gigantescas bolhas e, segundo, provocou uma depressão permanente nos mesmos países do défice uma vez que arrebentaram as bolhas após o 1929 da nossa geração (ou seja, 2008)".

Aceite o anterior, admitindo o assinalado, "sair da nossa horrorosa união monetária não nos devolverá, nem sequer a longo prazo, aonde teríamos estado sem a princípio tivéssemos ficado fora". Uma vez dentro, pode ser que a fuga "empurre nossas cambaleantes economias para um precipício escarpado. Sobre tudo se se faz descoordenadamente, país por país". Por que? Porque ao contrário da Argentina em 2002 ou da Grã-Bretanha em 1931, sair da eurozona não é só questão de romper o ajuste entre nossa própria moeda e outra estrangeira. Não temos uma moeda com que desemparelharmos". Ter-se-ia necessariamente que criar "uma moeda (uma tarefa que leva no mínimo de 8 a 10 meses para completar) com o objectivo de desemparelhá-la ou desvalorizá-la". Esse atraso entre o anúncio de uma desvalorização e seu cumprimento efectivo "bastaria para devolver nossas economias à Idade da Pedra".

À Idade da Pedra é expressão de YV.

Crisis en la eurozona pretende corroborar, pois, a consideração de Vicenç Navarro na sua coluna "Domínio Público" de 31/Outubro/2013 [2] . Este escrito, aponta o professor da UPF, "assinala a necessidade e urgência de debater os méritos e deméritos de permanecer no euro, com a análise dos benefícios e custos que isso implicaria, comparando-o com os custos e benefícios de nele se manter". É urgente que se abra um debate na Espanha sobre o mérito ou demérito de sair do euro. É muito criticável, assinala VN, "que apenas exista debate sobre este tema. Inclusive em amplos sectores da esquerda apenas aparecem artigos que questionam a permanência da Espanha no euro. Daí que tal debate deveria verificar-se com ênfase especial entre as esquerdas, sem insultos, sarcasmos ou sectarismos". Entre nós, Pedro Montes ou Alberto Montero Soler (e em algumas ocasiões Juan Torres López) apoiam esta consideração.

Do mesmo modo, sustenta o doutor Navarro, "aqueles da esquerda que se opõem a sair do euro não estão a indicar como o maior problema económico (além de social) que a Espanha tem, ou seja, o desemprego, poderá ser resolvido neste país". As propostas mais avançadas neste sentido, prossegue VN, "são as propostas da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), que avançam políticas públicas de clara orientação expansiva" com as quais ele está totalmente de acordo. Para realizá-las e levá-las a cabo, conclui, "exigem-se mudanças substanciais no contexto político do establishment que governo tanto a eurozona como o euro". A arquitectura institucional da eurozona é, por concepção e vontade dos seus dirigentes, "liberal, e é dificílimo que isso mude, condenando a Espanha ao desemprego e precariedade por muitíssimos anos". Se alguém se opõe a sair do euro, "deveria explicar como pensa resolver o enorme desemprego e a grande descida dos salários na Espanha".

Não é o único a pensar assim. Luciano Canforam transita por um caminho quase idêntico em "Cómo salir vivos de la trampa", um texto recolhido em La historia falsa y otros escritos [3] . Agora que o processo foi completado, assinala o estudioso italiano, com a criação do novíssimo Sistema Autoritário Europeu e o partido orgânico subdividido em fracções devidamente "coesionadas" não tem motivos para labutar demasiado em contendas eleitorais, a pergunta essencial é saber "sobre que ombros recairá a tarefa de propor de novo a defesa da justiça social (art. 3 da nossa Constituição) contra a lógica do lucro?" LC recorda o comentário do ex-ministro Tremonti: uma vez escritas as regras de Maastricht, Jacques Attali, um dos seus autores, comentou: "escrevemo-las de tal maneira para que ninguém possa tentar sair da moeda única". Depois de 12 anos de tudo isso, e visto que a moeda única, com tudo o que implica de carnificina social, "defende-se com a força pública e com a chantagem, a pergunta colocada anteriormente parece não só necessária como premente" na sua mais que razoável opinião.

Em termos simples, o grande classicista italiano assim resume o estado da questão: "é indispensável que renasça uma esquerda, ainda que isto corra o risco de acontecer (se acontecer) no pior contexto possível... Uma vez que o problema mais grave e urgente como sairmos vivos da armadilha do euro e dos "parâmetros de Maastricht", é evidente que um eventual ressurgimento da esquerda deveria ser cimentado sobre este terreno difícil, propor soluções factíveis, lutar para levá-las a cabo".

Voltemos pois ao texto de Costas Lapavitsas. Não é possível aqui fazer um relato pormenorizado dos conteúdos e teses deste ensaio. Como ilustração resumo o conteúdo do segundo capítulo: "A crise da eurozona tem muitos aspectos, mas é também sem dúvida uma crise de dívida". Nesta parte do livro analisam-se "as fontes, a natureza e as razões da acumulação de dívida na eurozona, especialmente depois do começo da crise financeira global". Argumenta-se a seguir que, perante uma enorme e crescente montanha de dívida, "os governo têm duas opções: deixar de pagar os serviços públicos e reduzir a despesa pública (austeridade) ou deixar de pagar aos possuidores de títulos. A última alternativa significa o incumprimento, que além disso poderia verificar-se segundo as condições ditadas pelo credor ou pelo devedor" (p. 115). Não é preciso indicar a opção tomada ? ou que foram obrigados a tomar ? pela maioria dos governos europeus.

Sobre a situação actual e as apostas das classes dirigentes europeias assinala-se o final do primeiro capítulo: "Não há sinais de que os capitalistas dos países periféricos sejam capazes de tal actuação. Trata-se de uma tarefa especialmente complicada devido ao facto de que os referidos países normalmente têm estruturas produtivas de tecnologia intermédia, ao passo que os salários reais estão acima dos seus competidores na Ásia e em outros lugares". Em consequência, existe o risco de que uma saída conservadora da situação somada a uma (neo)libertação conduza "a um estancamento prolongado acompanhado de episódios de inflação, desvalorizações sucessivas e uma lenta erosão dos rendimentos do trabalho. Daí que, na periferia, as classes dirigentes tenham em geral preferido a opção de permanecer na eurozona e transferir os custos para os trabalhadores" (p. 109).

A saída progressista da zona euro ? "uma saída sujeita a uma reestruturação drástica da economia e da sociedade" ? é vista nos seguintes termos (uma opção que não se nega que naturalmente implicaria um importante choque económico): "verificar-se-ia uma desvalorização, a qual descarregaria parte da pressão do ajuste ao melhorar a balança comercial, mas também dificultaria muito enfrentar a dívida externa". Por tudo isso seria necessário a suspensão de pagamentos e a reestruturação da dívida. "O acesso aos mercados internacionais tornar-se-ia extraordinariamente complicado. Os bancos ficariam sob uma forte pressão e tendo que enfrentar a quebra. A questão, contudo, é que estes problemas não têm que ser enfrentados da habitual maneira conservadora" (p. 110).

Não, é claro que não têm de sê-lo. "A combinação de banca pública e controles sobre a conta de capital colocaria de imediato a questão da propriedade pública sobre áreas da economia. Os pontos fracos subjacentes à produtividade e à competitividade já ameaçam a viabilidade de sectores completos de actividade económica nos países periféricos". A propriedade pública, uma velha identidade da esquerda transformadora não cooptada pelo neoliberalismo, seria necessária para evitar o colapso. "Os âmbitos específicos que se colocariam sob propriedade pública e inclusive a forma que esta tomaria dependeriam das características de cada país. Mas os serviços públicos, o transporte, a energia e as telecomunicações seriam os principais candidatos, pelo menos com o objectivo de apoiar o resto da actividade económica" (p. 111).

OS CUSTOS DE PERMANECER NA EUROZONA

De facto, tal como se assinalou, a maneira correcta de tratar o tema do euro não passa por perguntar os custos económicos e sociais de sair da moeda única. Não, não é este o ponto. "Essa é a colocação das forças conservadoras e em particular dos poderes económicos. Temos que começar por analisar os custos de permanecer na eurozona porque depois de aceitar a dura medicina dos cortes salariais, da redução da despesa pública, da subida de impostos, das privatizações e da destruição do Estado de bem-estar continuamos com uma perspectiva de estagnação económica a longo prazo". Para CL é imprescindível abandonar o euro para evitar esta estagnação, "o aumento da pobreza, a perda de direitos democráticos e de soberania nacional nos países periféricos". Não há nenhuma dúvida do seu ponto de vista de que o euro é insustentável a longo prazo. "A União Económica e Monetária representa um fracasso histórico gigantesco, que se tentou manter assumindo enormes custos sociais ao longo dos três últimos anos". Em lugar de continuar a adoptar medidas baseadas na austeridade (neoliberal) e contra o interesse dos trabalhadores e trabalhadoras, "há que tomar o controle da banca e dos fluxos de capital, o que é perfeitamente possível porque a própria UE o fez no caso de Chipre". Pode-se, pode-se. Uma medida, acrescenta, que evitaria também os ataques dos mercados e a fuga de capitais, "uma ameaça real mas com a qual tão pouco se deve exagerar".

CL insta as organizações de esquerda que pretendam continuar a ser de esquerda a que corrijam sua visão sobre a Europa, assim como também sobre o papel dos Estados modernos e a forma mais adequada para criar "um internacionalismo mais eficaz para enfrentar este ataque, sem precedentes, do capitalismo". O internacionalismo, outra noção chave da esquerda. Há mais de trinta anos, Manuel Sacristán exprimia-se nestes termos:

"O marxismo converteu-se num fenómeno universal, mais como método de solução de todos os problemas. Neste momento, a tendência é para uma interiorização, para uma nacionalização da política... No entanto, marxismo não entendeu nem as autonomias, nem os nacionalismos e muito menos os elementos subjectivos, psicológicos das sociedades. Acredita que esta crise do marxismo é definitiva?", foi-lhe perguntado. A sua resposta:

"A nacionalização da política é um dos processos que mais depressa podem levar-nos à hecatombe nuclear. O internacionalismo é um dos valores mais dignos e bons para a espécie humana com que conta a tradição marxista. O que passa é que o internacionalismo não se pode praticar realmente senão sobre a base de outro velho princípio socialista, que é o da auto-determinação dos povos... Tudo o mais que diz o Sr. nesta pergunta é pura moda neo-romântica irracionalista, efeito da perda de esperanças revolucionárias".

Na página final do livro acolhe-se uma citação de David Graeber: "Se a História mostra algo é que não há melhor maneira de justificar as relações baseadas na violência, de fazê-las que pareçam mortais, do que redefini-las na linguagem da dívida, sobretudo porque imediatamente faz com que pareça que é a vítima que está a fazer algo mau". Não está mal, nada mal, para encerrar este excelente ensaio nem sequer esta pobre aproximação que aspira, basicamente, chamar a atenção sobre a importância deste trabalho de Costas Lapavitsas e dos seus companheiros do RMF.

PS: Permito-me recomendar como leitura complementar, mais essencial e frutífera que este comentário, o artigo recente de Alberto Montero Soler: Salir de la pesadilla del euro , outro dos nossos economistas essenciais, outro dos economistas-mais-que-economistas hispânicos que navegam lucidamente contra a corrente (por enquanto) ainda maioritária.
05/Janeiro/2014

Notas
[1] www.lantidiplomatico.it, 13 de octubre de 2013 (Traducción: Lucas Antón). www.sinpermiso.info/textos/index.php?id=6370
[2] www.vnavarro.org/?p=9952
[3] Luciano Canfora, La historia falsa y otros escritos. Capitán Swing, Madrid, 2013 (Traducción de Inés Campillo Poza, Antonio Antón y Regina López Muñoz), pp. 33-34.

[*] Costas Lapavitsas, Crisis en la eurozona , Capitán Swing, Madrid, 2013, 320 p., ISBN: 978-84-941690-2-1

Lapavitsas em resistir.info:
Crise na Zona Euro , 02/Jul/12
"A Grécia tem de sair do euro e declarar a moratória da dívida" , 12/Jun/12,
A saída do euro como solução para a crise da dívida pública , 07/Jul/10
A crise do euro e a crise sistêmica global , 15/Jun/13
A crise sistémica do euro , 17/Jul/13
Para Portugal, o tempo está a esgotar-se , 11/Abr/12
Ruptura ? Uma via para sair da crise da Eurozona , 11/Nov/11
"O BCE não é a solução mágica para a crise da eurozona" , 03/Jan/12
Depois da Europa connosco , 18/Ago/12

O original encontra-se em http://www.lahaine.org/index.php?p=74246

Esta resenha encontra-se em http://resistir.info/ .

----- COMMENT: AUTHOR: Francisco [Visitante] DATE: Wed, 15 Jan 2014 23:43:53 +0000 URL: https://www.facebook.com/groups/escudocplp/?bookmark_t=group

Talvez o problema da esquerda seja mesmo essa fixação quase traumática com o “internacionalismo” e é exactamente nessa fixação que a cegueira face aos problemas locais e nacionais surge. Só existe democracia na localidade, entre as pessoas que se conhecem e compratilham laços de agregação e esses são a nível nacional nas pequenas nações a a nível regional nas grandes nações advindas de impérios idos.

A esquerda deve-se não nacionalizar mas perceber a proponderância da comunidade onde está fundamentada a democracia e os laços que a sustentam, i.e., a Nação.

A esquerda faria uma revolução se se unisse aos argumentos da direita na luta por derrubar o ultraliberalismo pagão ancorado à manipulação financeira da emissão monetária…

Há que ter coragem para exigir um sistema monetário integro à comunidade. Diga-se este é o argumento liberal para contestar os ultraliberais.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Sair do pesadelo do euro BASENAME: canta-o-merlo-sair-do-pesadelo-do-euro DATE: Fri, 03 Jan 2014 22:27:20 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=178915&titular=salir-de-la-pesadilla-del-euro-
por Alberto Montero Soler

I

Passam os meses, convertem-se em anos e as possibilidades de que os países periféricos da Euro-zona superem esta crise por umha via que nom seja umha soluçom de ruptura se afastam cada vez mais do horizonte.

Fronte a quem mantem que existem vias de reforma capazes de enfrontar a actual situaçom de estrago económico e social, a realidade empenha-se em demonstrar que a viabilidade dessas propostas requer de umha condiçom prévia inescusável: a modificaçom radical da estrutura institucional, das regras de funcionamento e da linha ideológica que guia o funcionamento da Euro-zona.

O problema de fundo é que esse marco resulta funcional e essencial para o processo de acumulaçom do grande capital europeu; mas, também, e é algo que devemos manter permanentemente presente, para que Alemanha consolide tanto o seu papel protagónico na Europa como ao que aspira na nova geopolítica multipolar em construçom. Neste sentido, podem expor-se ao menos dous argumentos básicos que reforçam a tese da necessidade da ruptura do marco restritivo imposto polo euro se se deseja abrir o leque de possibilidades para optar a umha saída desta crise que permita umha mínima possibilidade emancipatória para o conjunto dos povos europeus.

O primeiro argumento é que a soluçom que se está impondo fronte a esta crise desde as elites dominantes a nível europeu é, em sim mesma, umha soluçom de ruptura por sua parte e ao seu favor. As políticas de austeridade constituem a expressom palmaria de que essas elites se encontram em tal posiçom de força com respeito ao mundo do trabalho que podem permitir-se romper unilateral e definitivamente o pacto implícito sobre o que se criaram, crescido e mantido os Estados de bem-estar europeus. Essas elites sabem perfeitamente que umha classe trabalhadora em precaridade, dês-ideologizada, dês-estruturada e que perdeu amplamente a sua consciência de classe é umha classe trabalhadora indefesa e sem capacidade de resistência real para preservar as estruturas de bem-estar que a protegiam das inclemências da mercantilizaçom dos satisfactores de necessidades económicas e sociais básicas. As concessons feitas durante o capitalismo fordista de postguerra estám em transo de ser revertidas porque, ademais, na privatizaçom dessas estruturas de bem-estar existe um nicho de negócio capaz de facilitar a recuperaçom da queda na taxa de ganho.

O segundo argumento é que nom pode se esquecer, como parece que se fai, a natureza adquirida polo projecto de integraçom monetária europeu desde que se criou e começaram a actuar as dinâmicas económicas que o mesmo promovia ao seu interior. O problema essencial é que a Euro-zona é um híbrido que nom avança no federal, com e por todas as conseqüências que isso teria em matéria de cessom de soberania, e mantém-se exclusivamente no terreno do monetário porque essa dimensom, junto à liberdade de movimentos de capitais e bens e serviços, basta para configurar um mercado de grandes dimensons que permite umha maior escala de reproduçom dos capitais, que elimina os riscos de desvalorizaçons monetárias competitivas por parte dos Estados e que facilita a dominaçom de uns Estados sobre outros sobre a base da aparente neutralidade que se lhe atribui aos comprados.

Portanto, Europa -e, com ela, a sua expressom de ?integraçom? mais avançada que é o euro- converteu-se num projecto exclusivamente económico posto ao serviço da oligarquias industriais e financeiras europeias com o agravante de que, no processo, tenhem cooptado ao estamento político, tanto nacional como supranacional, seqüestrando com isso os mecanismos de intervençom política sobre a dinâmica económica e restringindo as margens para qualquer tipo de reforma que nom actue no seu benefício. Em conseqüência, este espaço dificilmente pode ser identificado e defendido polas classes populares europeias como a Europa dos Cidadaos à que em algum momento aspirou a esquerda.

II

De facto, existe umha série de elementos que explicam por que o euro fosse, desde a perspectiva dos povos europeus, um projecto errado desde o seu mesmo início: por umha banda, tanto as políticas de ajuste permanente que se articularam durante o processo de convergência prévio à introduçom do euro como as políticas que se mantivérom desde a sua entrada em vigor restringiram as taxas de crescimento económico com o conseqüente impacto sobre a criaçom de emprego; por outra parte, a ausência de umha estrutura fiscal de redistribuiçom da renda e a riqueza ou de qualquer mecanismo de solidariedade que realmente responda a esse princípio dificultou a reduçom dos desequilíbrios das condiçons de bem-estar entre os cidadaos dos Estados membros; e, finalmente, também deve ressaltar-se que as assimetrias estruturais existentes entre as diferentes economias ao começo do projecto tenhem-se agravado durante estes anos, reforçando a estrutura centro-periferia ao interior da Euro-zona e apontoando a dimensom produtiva da crise actual.

Se a todo isso se acrescenta o que as políticas encaminhadas a salvar o euro som políticas dirigidas a preservar os interesses da elite económica europeia em contra do bem-estar das classes populares, a resultante é que se reafirma a ideia do distanciamento acelerado da possibilidade de identificar à Euro-zona com um processo de integraçom que os povos europeus podam reconhecer como próprio e construído à medida das suas aspiraçons.

Pode concluir-se, entom, que o euro -e perceba-lho nom só como umha moeda em sim mesma, senom como todo um sistema institucional e umha dinâmica funcional posta ao serviço da reproduçom alargada do capital a escala europeia- é a síntese mais crua e acabada do capitalismo neo-liberal. Um tipo de capitalismo que se desenvolve no marco de um comprado único dominado polo imperativo da competitividade e no que, ademais, produziu-se um esvaziado das soberanias nacionais -e nom digamos das populares-, em benefício de umha tecnocracia que actua politicamente a favor das elites europeias quebrando as condiçons de bem-estar das classes populares.

E se coincidimos em que para estas últimas a criaçom do euro trata-se de um projecto errado, a questom que imediatamente se expom é que podem fazer, ao menos as dos países periféricos sobre os que está a recair com maior intensidade o peso do ajuste, fronte a um futuro tam pouco esperançado e no que as opçons de reforma num sentido solidário vam-se bloqueando com cadeados cada vez mais férreos. A resposta a esta questom vai depender de qual seja a concepçom que se tenha da crise actual, das dinâmicas que a mantem activa e das perspectivas de evoluçom das relaçons políticas e económicas ao interior da Euro-zona que pudessem reverter a situaçom actual ou, em sentido contrário, consolidá-la.

III

Ao meu modo de ver, a crise apresenta nestes momentos duas dimensons dificilmente reconciliáveis e que facilitam a consolidaçom do status quo actual.

A primeira dimensom é financeira e centra no problema do endividamento generalizado que, no caso da maior parte dos países periféricos, iniciou-se como um problema de dívida privada e converteu-se num de dívida pública quando se resgatou -e, portanto, se socializar- a dívida do sistema financeiro. Os níveis que alcançou o endividamento, tanto privado como público, som tam elevados que é impossível que essa dívida possa se reembolsar completa, e isso é algo do que se deve ser plenamente consciente polas suas conseqüências práticas. Disso, e do feito de que, privados de moeda nacional e com umhas taxas de crescimento do cociente dívida/PIB muito superiores às da taxa de crescimento económico, o ónus da dívida fai-se insustentável e converte numha bomba de relojoaria que em algum momento estalará sem remédio.

A segunda dimensom é real e concretiza nas diferenças de competitividade entre as economias centrais e as economias periféricas. Essas diferenças encontram-se, entre outros factores, na origem da crise e o problema de fundo é que nom só nom estám a diminuir senom que se estám alargando. É mais, a leitura da reduçom dos desequilíbrios externos das economias periféricas ao interior da Euro-zona como um sintoma de que estamos em trânsito de superaçom da crise é manifestamente perversa porque desconsidera a tremenda repercussom do estancamento económico sobre as importaçons.

O vínculo de conexom entre ambas as dimensons da crise constitui-o a posiçom dominante alcançada polos países centrais fronte aos periféricos e, em concreto, a posiçom alcançada por Alemanha no conjunto da Euro-zona, nom só relevante polo seu peso económico senom também polo seu controlo político das dinâmicas de ré-configuraçom da Euro-zona que se estám desenvolvendo com a escusa de ser soluçons fronte à crise mas que actuam, aliás, reforçando a sua hegemonia.

Se a isso se acrescentam as peculiaridades da sua estrutura produtiva, caracterizada pola debilidade crónica da sua demanda interna -e, portanto, pola existência recorrente de excesso de poupança nacional- e a potência da sua demanda externa -fundamento dos seus superavit comerciais contínuos-, comprovaremos como o que parecia um círculo virtuoso de crescimento para toda a Euro-zona acabou-se convertendo num jugo sobre as economias periféricas, principal destino dos fluxos financeiros através dos que Alemanha rendibilizava os seus excedentes de poupança interno e comerciais reciclándo-los em forma de dívida externa que colocava nas supra-citadas economias.

Dessa forma, Alemanha reconverteu a sua posiçom credora numha posiçom de dominaçom case hegemónica que lhe permite impor as políticas necessárias aos seus interesses. Isto implica, na prática, que qualquer soluçom de natureza cooperativa para resolver a crise é automaticamente rejeitada enquanto que se reforçam, ao invés, as formulaçons de natureza competitiva entre economias cujas desigualdades em termos de competitividade já se demonstraram insustentável num marco tam dissímil e assimétrico como o da Euro-zona.

E, assim, resulta tam trágico como desolador assistir à aquiescência com a que os governos da Euro-zona periférica assumem e aplicam políticas que estám a agravar as diferenças estruturais preexistentes e que, portanto, nom fai senom acentuar as diferenças em termos produtivos e de bem-estar entre o centro e a periferia sem que possa existir nengum viso de soluçom através das mesmas: os processos de deflaçom interna nom só minguam a capacidade adquisitiva das classes populares senom que, ademais, elevam o ónus real da dívida a nível interno tanto da dívida privada (pola via da deflaçom salarial) como da dívida pública (polo diferencial entre as taxas de crescimento do produto interno bruto e da dívida pública), com o agravante acrescentado de que qualquer apreciaçom do tipo de mudança do euro traduz numha erosom dos ganhos de competitividade espúrias conseguidas pola via da deflaçom salarial. Trata-se, portanto, de um caminho para o abismo do sub-desenvolvimento.

É por isso que, se nom se produzem mudanças estruturais radicais (que passam todos eles por mecanismos de transferências fiscais redistributivas), a Euro-zona consolidará-se como um espaço assimétrico de acumulaçom de capitais no que as economias periféricas se verám condenadas a desenvolver-se em algumha das soluçons de equilíbrio sem crescimento possíveis, por utilizar um eufemismo economicista, ou, no pior dos casos, aquela acabará saltando parcial ou totalmente polo ar.

O problema é que essas reformas radicais nom só nom aparecem na agenda europeia, senom que som sistematicamente vetadas por Alemanha. De facto, acho que é facilmente constatável como nestes momentos, no seio da Euro-zona, existem tensons entre os interesses das elites económicas e financeiras europeias e os das classes populares do conjunto da Euro-zona, mais intensas no caso das dos Estados periféricos; entre os interesses da Alemanha e outros Estados do centro e os dos Estados da periferia; e entre as propostas de soluçom das crises impostas polas supra-citadas elites e Estados e a lógica económica mais elementar, a que fica expressada nas principais identidades marco-económicas que recolhem a interrelaçom entre os balanços dos sectores privado, público e externo das economias da Euro-zona. Todas essas tensons, devidamente geridas por quem possuim o poder nos diferentes âmbitos de expressom do mesmo, som funcionais à consolidaçom de umha Euro-zona assimétrica, no sentido já assinalado, e dominada por Alemanha.

IV

Mas, ademais, essas tensons cegam a possibilidade de umha saída à crise para as classes populares que nom seja de ruptura, tal e como se apontou ao começo deste texto. O problema apresenta-se quando quem unicamente estám a expor essa possibilidade de ruptura unilateral, de saída do euro, somos partidos nacionalistas de extrema direita, apropriando-se de um sentimento de insatisfaçom popular crescente contra o euro, fronte a umha esquerda que segue invocando a opçom por umhas reformas que confrontam directamente com os interesses de quem pugérom ao seu serviço as potencialidades de dominaçom imperial pola via económica que facilita o euro. Desde esse ponto de vista, seria oportuno deixar de visualizar ao euro meramente como umha moeda e passar a assimilá-lo a umha arma de destruiçom maciça que está a destruir nom só o bem-estar dos povos europeus senom, também, o sentimento europeísta baseado na fraternidade entre esses povos que tanto trabalho custou construir.

O problema de credibilidade agrava-se para a esquerda quando, para promover as reformas necessárias, apela-se à activaçom de um sujeito, a ?classe trabalhadora europeia?, que actue como vanguarda na transformaçom da natureza da Euro-zona. E é que a situaçom da classe trabalhadora na Europa nunca se encontrou mais deteriorada no que a consciência e identidade de classe refere-se, sem que isso mingüe um pisco o facto incontestável de que a relaçom salarial segue sendo a pedra de toque essencial do sistema capitalista. Como escrevia recentemente Ulhrich Beck, vivemos a tragédia de estar em momentos revolucionários sem revoluçom e sem sujeito revolucionário. Aí é nada.

Em todo o caso, o horizonte clarificar-se-ia se a esquerda fosse capaz de dar umha resposta crível a umha questom que se nega a considerar e que, contodo, pode manifestar-se mais pronto que tarde no palco europeu e, concretamente, na Grécia: que poderia fazer um governo de esquerdas que alcançasse o poder num único país da periferia- Deveria esperar a que estivessem dadas as condiçons objectivas no resto da Euro-zona para proceder à sua reforma, sendo conscientes que isso exige o voto unânime de 27 Estados, ou deveria aproveitar a janela de oportunidade que a história lhe permitiu abrir e promover a saída desse Estado do euro-

Evidentemente, a resposta nom é fácil mas também nom cabe fazer-se armadilhas ao solitário. Para isso é necessário reconhecer de partida que, no marco do euro, nom há margem algum para políticas realmente transformadoras que actuem em benefício das classes populares. É mais, atrever-me-ia a afirmar que nesse marco nom há margem algum para a política porque esta foi seqüestrada polo tipo de institucional idade desenvolvida para dar carta de natureza a umha moeda que carece detrás de qualquer tipo de projecto de construçom de umha comunidade política integradora dos povos da Europa. É por isso que resulta um contra-senso reclamar processos constituintes quando a condiçom de possibilidade prévia para que esse processo possa realizar-se com plenitude é a ruptura com o marco institucional, político, económico e legal que impom o euro. umha comunidade só pode refundar-se através de um processo constituí-te se o fai sem restriçons de partida prévias, impostas desde fora e que actuam, para mais inri, em detrimento dos interesses das mesmas classes populares que reclamam esse processo constituinte.

Ou, por dizê-lo noutros mos ter, a ruptura com o euro nom é condiçom suficiente mas sim necessária para qualquer projecto de transformaçom social emancipatório ao que poda aspirar a esquerda. Portanto, reivindicar a revoluçom em abstracto e, simultaneamente, tratar de preservar a moeda europeia e as instituiçons e políticas que lhe som consubstanciais nesta Europa do Capital até que se dem as condiçons europeias para a sua reforma, constitui umha contradiçom nos termos que resta credibilidade ante umhas classes populares que parecem identificar ao inimigo com maior claridade que os dirigentes da esquerda.

É por isso que até que essa contradiçom nom seja assumida e superada e os discursos políticos e económicos sejam ambos de ruptura e corram em paralelo; até que a saída do euro seja percebida nom só como um problema, senom também como parte da soluçom à situaçom dependente das economias periféricas ao abrir o horizonte de possibilidades para se recompor como economias e buscar a sua senda de desenvolvimento na produçom e provisom de bem-estar de umha forma mais auto-centrada e menos dependente da sua inserçom na economia mundial; até que deixe de atenazar-nos o medo a romper as correntes do euro por carecer de certezas absolutas sobre como poderia ser a vida fosse do mesmo, da mesma forma que atenazava a quem se negavam a romper com o patrom ouro trás a Grande Depressom dos anos trinta do século passado; até que todo isso nom ocorra só me fica prognosticar, com pesar, um comprido período de sofrimento social e económico para os povos e trabalhadores da periferia europeia.

Alberto Montero Soler (Twitter: @amonterosoler) é professor de Economia Aplicada da Universidade de Málaga. Podes ler outros textos seus no seu blog A Outra Economia.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Galiza: O saqueio do dinheiro público converte as máfias familiares em milionárias. BASENAME: canta-o-merlo-galiza-o-saqueio-do-dinheiro-publico-converte-as-mafias-familiares-em-milionarias DATE: Sun, 22 Dec 2013 18:55:09 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Escandalosas adjudicaçons de Feijóo à empresa da sua irmá
Eulen foi beneficiada durante todo 2013 com contratos de diferentes conselharias da Junta e a Televisom Galega

O Governo de Alberto Núñez Feijóo mantém as suas adjudicaçons milionárias à empresa Eulen, da que é apoderada Micaela Núñez Feijóo, irmá do presidente autonómico. Segundo reflecte a web da Junta www.contratosdegalicia.es, o citado grupo de empresas recebeu este ano contratos desde diferentes conselharias e da Televisom galega.

Perto de 800.000 euros em Janeiro e Março

Em Janeiro, a empresa da irmá de Feijóo foi adjudicaria de um contrato de 207.940,00 euros sem IVE da Conselharia de presidência para o serviço de vigilância e segurança em vários edifícios judiciais da Junta. Três meses depois, em Março conseguiu o contrato de serviços de portaria , manutençom e limpeza das instalaçons desportivas autárquicas da Câmara municipal de Fene, por 577.025,48 euros sem IVE.

Maio, um mês de ouro

Em maio passado, a Televisom da Galiza adjudicou-lhe a Eulen o contrato para o serviço de segurança por perto de um milhom de euros sem IVE, exactamente, de 930.000 euros. Nom foram as únicas adjudicaçons desse mês. Também conseguiu o serviço de limpeza de edifícios e locais autárquicos da Câmara municipal de Sada por 709.061 euros e o contrato da conselharia de Trabalho e Bem-estar para a gestom do serviço público denominado Pontos de Encontro Familiar de Pontevedra e Vigo", por um custo de 357.000 euros.

Mais contratos em Setembro

Em Setembro, Eulen foi beneficiada com a manutençom do edifício administrativo da Escola Galega de Administraçom Pública (EGAP), por 41.500 euros e, ademais, recebeu da Conselharia de Trabalho e Bem-estar a adjudicaçom do serviço de controlo das instalaçons do Centro Coordenador de Informaçom e Documentaçom Juvenil, por 21.340, 80 euros.

As polémicas adjudicaçons à sobrinha de Romay Beccaría

Feijóo manteve as adjudicaçons à empresa da sua irmá depois dos contratos milionários que lhe concedeu em 2012, como informou ELPLURAL.COM.

Nom som as únicas adjudicaçons questionáveis do presidente galego, que em Janeiro deste ano deu o contrato para o desenvolvimento do portal das entidades locais da Galiza, um plano cofinanciado polo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, à empresa Atos Origin, da que é apoderada a sobrinha de José Manuel Romay Beccaría, presidente do Conselho de Estado. umha adjudicaçom de 455.000 euros.

Umha empresa com sede em Madrid

Segundo denunciou a Galiza Confidencial, a empresa da sobrinha de Romay Beccaría, com sede em Madrid, recebeu quase meio milhom de euros por actualizar umha web já existente.

Há um mês, a mesma agência da Junta contratava a Atos para um "serviço complementar de evoluçom e manutençom de sistema de gestom de pessoal da Junta" por 135.755 euros sem IVE. Segundo comprovou o citado diário, no Registro Mercantil, Cármen Martin de Pozuelo Romay é a apoderada desta consultora, que suma 4,6 milhões em contratas do Governo galego, 312.000" mediante encargos adjudicados a dedo.

Colaboradora de Feijóo em Correios

Martin de Pozuelo é sobrinha de Romay Beccaría, presidente do Conselho de Estado. Feijóo fichou-na para a sua equipa quando dirigia Correios e também quando esteve como conselheiro de Política Territorial.

A Junta de Galicia, quanto menos, deu cinco contratos a Atos Origin a dedo desde que governa Alberto Nuñez Feijóo. No últimos quatro anos, a consultora alcançou ao todo mais de 4.5 milhões da administraçom autonómica.
----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Como as embaixadas ocidentais limitam as viagens dos cubanos BASENAME: canta-o-merlo-como-as-embaixadas-ocidentais-limitam-as-viagens-dos-cubanos DATE: Sat, 23 Nov 2013 06:26:00 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Viajar para o exterior é uma via-crúcis para os cubanos; mas não necessariamente pelos motivos que você imagina...

Por Salim Lamrani

Para viajar, cubanos são obrigados por embaixadas a ter uma quantidade de dinheiro muito acima do salário mínimo

Como todos os povos, os cubanos têm vontade de viajar e descobrir o mundo, seja como simples turistas ou para realizar um projeto pessoal ou profissional. Os obstáculos são numerosos quando se é procedente de um país do terceiro mundo, e ainda mais quando se vem dessa ilha do Caribe. Mas, ao contrário do que se pode pensa, as dificuldades não são de caráter financeiro ou político.
De fato, mesmo antes da reforma migratória adotada pelo governo de Raúl Castro em janeiro de 2013, que permite aos cubanos viajar sem autorização das autoridades, a imensa maioria das pessoas que solicitam essa permissão recebe uma resposta positiva de Havana. Assim, entre 2000 e 31 de agosto de 2012, de um total de 941.953 solicitações, 99,4% foram atendidas. Somente 0,6% das pessoas não obtiveram tal autorização.

Por outro lado, a imensa maioria dos cubanos que viaja ao exterior escolhe voltar ao país. Assim, das 941.953 pessoas que saem do território nacional, somente 12,8% decidiram se estabelecer no exterior, contra 87,2% que regressaram a Cuba (1).

A eliminação dos trâmites administrativos e burocráticos ? como a permissão de saída do território e a custosa carta-convite ?, assim como a ampliação da permanência de 11 a 24 meses, renovável indefinidamente por meio de uma simples petição em um consulado cubano no exterior, foram benéficas. Assim, de janeiro a outubro de 2012, 226.877 cubanos viajaram para o exterior, ou seja, um aumento de 35% em relação ao ano anterior (2).

Mas, agora, outro revés espera os cubanos: conseguir um visto. De fato, a obtenção do precioso documento é uma via-crúcis e constitui, hoje, a principal barreira para uma estada no exterior. As exigências são draconianas e as rejeições, numerosas.

Assim, um cubano que deseja viajar para a França tem de conseguir uma entrevista no consulado do país em Havana pelo menos um mês antes da partida, levando uma lista de documentos bastante precisa. São necessários ?uma carta de motivação por parte da pessoa que convida?, um ?atestado de acolhida da prefeitura ou a reserva do hotel com todos os gastos pagos?, uma ?cópia das últimas folhas de pagamento do garantidor ou uma declaração de imposto de renda recente?, ?toda prova de laço familiar com o hóspede?, ?cópia da carteira de identidade ou da permissão de residência na França do garantidor?, ?seguro de viagem válido durante toda a estadia?, ?confirmação da reserva de uma viagem organizada ou qualquer outro documento apropriado que indique o programa da viagem prevista?, e 60 euros para gastos administrativos, ou seja, o equivalente a três meses de salário em Cuba, não reembolsáveis.

As autoridades diplomáticas logo avisam ao potencial solicitante: ?a embaixada se reserva o direito de outorgar ou não o visto e não tem, de nenhuma forma até que o dossiê esteja completo, a obrigação de conceder um visto? (3).

As exigências são semelhantes para viajar para a Espanha. Também é necessária ?uma carta-convite de uma pessoa física, se [o turista] vai se hospedar em sua residência, expedida pela Delegacia de Policia correspondente ao lugar de residência?, a passagem de avião da volta e o mínimo de 64,53 euros diários (4).

Para os Estados Unidos, as restrições são ainda mais severas. O número de vistos concedidos é irrisório em relação às solicitações. No entanto, existe uma solução para os que não têm visto: a imigração ilegal. De fato, a Lei de Ajuste Cubano, de 1966, estipula que todo cubano que entre legal ou ilegalmente no território dos Estados Unidos, a partir de 1 de janeiro de 1959, consegue automaticamente o status de residente permanente, depois de um ano e um dia.

Durante anos, as potências ocidentais criticaram as autoridades de Havana, acusando-as de frear a liberdade de ir e vir dos cubanos. Agora vejam, enquanto Cuba suprimiu os obstáculos burocráticos como a permissão de saída e a carta-convite com a finalidade de facilitar as viagens de seus cidadãos, as embaixadas estrangeiras ergueram novas barreiras e exigem agora dos cubanos, além dos documentos habituais? uma carta-convite.

Referências bibliográficas:

(1)Cubadebate, «Cuba seguirá apostando em uma imigração legal, ordenada y segura», 25 de outubro de 2012
(2)Andrea Rodríguez, «Cubanos mais ao exterior por causa da reforma», The Associated Press, outubro de 2012.
(3)Ambassade de France à Cuba, «Les différents types de visas et les documents à présenter». http://www.ambafrance-cu.org/Les-differents-types-de-visas-et (site consultado no dia 7 de novembro de 2013
(4)Ministerio de Relaciones Exteriores, «Requisitos de entrada». http://www.exteriores.gob.es/Consulados/LAHABANA/es/InformacionParaExtranjeros/Paginas/RequisitosDeEntrada.aspx (site consultado no dia 7 de novembro de 2013).
*Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se chama Cuba. Les médias face au défi de l?impartialité, Paris, Editions Estrella, 2013, com prólogo de Eduardo Galeano.

Contato: lamranisalim@yahoo.fr ; Salim.Lamrani@univ-reunion.fr
Página no Facebook: https://www.facebook.com/SalimLamraniOfficiel

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Sair do Euro, para sair do capitalismo BASENAME: canta-o-merlo-sair-do-euro-para-sair-do-capitalismo DATE: Mon, 04 Nov 2013 20:22:51 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.resistir.info/europa/sair_do_euro_decaillot.html
por Maurice Decaillot [*]

A zona em que o Euro foi imposto como moeda única hoje está claramente em dificuldade profunda, ameaçadora, provocando entre as populações inquietações gravosas. Generaliza-se a exigência de nos desembaraçarmos do fardo de pressões associados ao Euro.

Chegou o momento de olhar de frente as causas desta situação. Estas ultrapassam amplamente as origens que são geralmente admitidas, tais como a dominação dos mercados financeiros e suas crises, a ambição alemã de dominação europeia, às quais acrescentam-se as críticas, muitas vezes dirigidas aos eurocépticos, de fuga egoísta ou de utopismo.

AS CAUSAS DESTA SITUAÇÃO

Uma primeira causa, fundamental mas muito frequentemente mascarada, é procurar na prática generalizada da troca mercantil, cujos desequilíbrios seculares provocam hoje as diversas distorções económicas, sociais e políticas que se verificam. Esta troca mercantil foi objecto de consagrações institucionais sem precedente ao longo das últimas décadas, particularmente a partir do Tratado de Roma assinado em 1957 pelos promotores da Europa mercantil. Ele legitimou a concorrência livre descarada em toda a actividade social, a qual foi retomada e agravada desde então pelos outros tratados europeus, descrevendo como benéfica a pressão em baixa dos preços que dela resulta, com desprezo para com o reconhecimento social, humanamente fundamental, do trabalho das pessoas activas, e reduzindo a transacção da troca a uma relação entre o decisor poderoso e o destituído subordinado constrangido à aceitação do desequilíbrio.

Este desequilíbrio resultou, em cada país, ao longo dos anos, no agravamento das distorções sociais. O mesmo desequilíbrio resultou, nas relações entre países com características económicas e sociais diferentes, no aprofundamento das distorções económicas, afundando os países desfavorecidos na dependência, em benefício de oligarquias mundiais reforçadas.

Na mesma lógica, uma causa suplementar agravou a situação. Na Europa, após décadas de reforço destas tendências, o abandono das moedas nacionais e a passagem ao Euro pôs em concorrência directa, brutal, as pessoas de países com níveis de actividade visivelmente já diferentes, com a concorrência acentuada conduzindo os mais fracos, nomeadamente no Sul da Europa, a uma deterioração agravada da sua situação.

A concorrência mercantil não limita seus efeitos ao acentuar das distorções entre actores sociais. Ela também tem como efeito, ao desvalorizar amplamente as produções ditas competitivas, promover a guerra de todos contra todos, reduzir os rendimentos de actividades, sufocar produções, levar a reduções de salários, às eliminações de actividades e de empregos, ao enfraquecimento das remunerações e, assim, à deficiência dos mercados solváveis e ao seu próprio agravamento, ao esmagamento dos recursos necessários aos indispensáveis serviços públicos, em seguida ao recurso paliativo aos financiamentos especulativos considerados arriscados, às monopolizações (accaparements) oligárquicas de mercados e de posições dominantes por parte dos grupos poderosos. Recordemos desde já: longe da ideia por vezes afirmada de uma "destruição criadora", a ligeira vantagem momentânea de uma baixa de preço paga-se com pesados danos em perdas de salário, de emprego, de rendimento, de solvabilidade; cada ganho em partes de mercado, depois em tarifas de posição dominante, tem como pesada contrapartida os numerosos perdedores da competição mercantil capitalista.

Assim, a acentuação brutal pelo Euro da concorrência na Europa mercantil aumentou fortemente em cada país os desequilíbrios sociais. Ela também, de modo cada vez mais visível, cavou os fossos entre os diferentes países.

Ainda na mesma lógica, uma causa suplementar foi acrescentada às anteriores. A unificação da moeda foi acompanhada de uma monopolização do controle da estratégia monetária exclusivamente pelo Banco Central Europeu. Este, conforme um princípio defendido há séculos pelos meios mercantis, escapa a todo controle político e conforma a sua acção apenas às expectativas do mundo comercial e financeiro. Devido a esta aceitação, por parte das instituições europeias, desta subtracção da moeda à vontade democrática, os povos são assim privados de uma ferramenta essencial, que deveria ser a adaptação da emissão monetária às evoluções da actividade real que permite aos povos viverem. Assim foi instituído o absolutismo mercantil, impondo automaticamente aos Estados que conformassem sua acção às exigências do mercado dos negócios.

Destas mesmas causas resultam as pressões que, ao comprimirem os salários e as despesas públicas, pressionam à intensificação da exploração dos trabalhadores, ao seu despojamento e à sua dependência e, dessa forma à acentuação em circuito fechado da própria concorrência, inclusive entre trabalhadores, à escala nacional e mundial. Já se vê, com a frequência e a amplitude acrescidas dos protestos em diversos países, que esta evolução não pode conduzir, sob formas diversas, senão a movimentos sociais importantes, obscurecendo danosamente suas perspectivas.

Na mesma linha, uma quarta causa acrescenta-se às anteriores. Abandonando o terreno europeu minado pela sua dominação, os capitais europeus são investidos amplamente no exterior, tanto para os países tornados "emergentes" e, para alguns, excedentários por força (provisória) dos baixos preços e baixos salários, como para a economia americana mantida por uma bolha financeira em dólares alimentada por excedentes chineses da mesma proveniência. Esta exportação de capitais europeus multiplicou assim a concorrência mundial e dessa forma, entre outras, sufoca a própria economia europeia.

Eis porque a saída do Euro deveria ter como objectivo não a atracção de capitais vindos daqui e de outros lados em busca de oportunidades de extorsão, mas sim a mobilização dos trabalhadores de todos os domínios, com a perspectiva de dotá-los dos meios necessários para realizar o aumento necessário das actividades socialmente úteis.

Parece portanto necessário prever um escape aos desequilíbrios, distorções e danos que hoje se agravam.

COMO ENFRENTAR?

Vamos mostrar que é necessário, como preconizam actores cada vez mais numerosos, sair do Euro. Tentaremos também mostrar que isso estaria longe de ser suficiente; que as apostas de hoje são mais importantes e devem conduzir ao esboço a partir de agora das vias para uma saída do capitalismo.

O objectivo de uma saída do Euro deveria ser permitir aos povos reencontrarem aquilo que construíram na sua longa história e de que foram privados pela sua imersão na guerra económica mundial: sua capacidade social de assegurar duradouramente e solidariamente a sua vida. Esta seria a verdadeira condição para um acesso do mundo às cooperações necessárias, bem mais que "governações" oligárquicas, para o futuro da humanidade e do planeta.

Convém para isso que surjam as práticas que assegurem um equilíbrio coerente entre os povos ou, disto de outra forma, uma equidade entre povos. Evocaremos as exigências para tal.

A SAÍDA DO EURO O PERMITIRIA?

Esta saída, para o Franco ou para uma nova moeda, acompanhada da sua desvalorização, por vezes proposta, não faria senão recolocar o país na concorrência mundial, na mesma posição que experimentam países em "desenvolvimento" como a China e outros, onde os dominantes ganham mercados e fazem lucros vendendo sob moeda fraca, e portanto a baixo preço para os compradores, os produtos de assalariados fortemente sub-remunerados, que trabalham arduamente para a exportação desvalorizada, em detrimento das actividades úteis aos seus concidadãos. O custo acrescido das importações evitaria, é verdade, importações inúteis, injustamente invasivas, mas encareceria também importações úteis e assim impulsionaria as empresas capitalistas importadoras a procurar mercados externos vantajosos, ao preço de uma compressão dos salários nacionais.

As experiências passadas mostram que se as desvalorizações competitivas puderam, nos tempos da concorrência ainda limitada, permitir alguns períodos de ascensão capitalista em certos países (Estados Unidos, Japão, Coreia, ...), elas relançaram a concorrência no campo nacional, tendo por consequência desequilíbrios sociais acrescidos. A estratégia de uma desvalorização competitiva no contexto actual da concorrência mundial intensificada não poderia senão conduzir, sob formas modificadas, aos mesmos danos económicos e sociais já sofridos.

Sublinhemos a propósito que as isenções de impostos e encargos reclamados pelo patronato, não podendo nunca comparar-se aos efeitos dos ganhos de produtividade dos rebaixamentos salariais, não permitem senão vantagens concorrenciais marginais e momentâneas, contribuindo para acelerar a corrida guerreira para uma competitividade destruidora de rendimentos, em detrimento dos assalariados e das populações, que arcam com o peso.

A dominação do Euro pelas actuais autoridades europeias serve de base às estratégias europeias. Observam-se suas profundas contradições internas.

Por um lado, são tomadas todas as disposições para impor cada vez mais fortemente o dogma da concorrência, como se vê por exemplo na obrigação estabelecida ao governo francês de impor à EDF, por uma lei aplicada em 1 de Janeiro de 2011, a revenda a baixo preço aos seus concorrentes, pretensamente desfavorecidos, de uma parte da sua produção supostamente para restabelecer sua capacidade concorrencial. As consequências, brutalmente destrutivas de rendimentos, empregos, serviços público e por isso de riqueza social, as quais muitas vezes são negadas, estão na origem dos danos económicos e sociais constatados. Ao mesmo tempo, as autoridades europeias, em nome do pretenso equilíbrio dos orçamentos públicos nacionais de cujo controle se arrogam, recusam os meios para reparar os desgastes assim provocados, nomeadamente aos membros mais fracos.

O autoritarismo europeu, de que o Euro é um meio essencial, cava o fosso onde se afunda a Europa, impedindo qualquer saída do impasse. Um federalismo europeu, acentuando o autoritarismo oligárquico, não poderia senão endurecer.

Sublinhemos a respeito que o remédio por vezes preconizado ? a alimentação por um orçamento federal de grandes obras europeias que supostamente estimulariam um crescimento pós keynesiano ? não poderia resultar, no ambiente concorrencial, senão num desperdício suplementar faraónico não procurando, sob o pretexto do "desencravamento", senão novos apoios aos fluxos mercantis dominantes, bem distante das necessidades sociais.

A necessidade de sair do Euro está portanto bem presente, pelas razões que se seguem. Diz-se: um efeito do Euro foi por em concorrência directa e brutal os países europeus, num quadro que faz deste estado de coisas um constrangimento incondicional para os Estados participantes. A isto acrescentam-se os outros constrangimentos associados, ligados aos tratados e às instituições da Europa mercantil oficial. Uma conclusão a tirar de tudo isto é que uma evolução eficaz para o equilíbrio viável entre os povos deveria visar a saída das práticas mercantis concorrenciais, para por no seu lugar modos de cooperação internacional que visem a equidade.

DEIXAR O EURO, UMA RETIRADA NACIONAL ESTÉRIL?

Qual seria a situação de um país tendo deixado o Euro a fim de equilibrar seus intercâmbios? O que deveria ele fazer para isso e o que teria de enfrentar?

Ninguém hoje pode esperar ? quando os grandes fluxos internacionais de riqueza são controlados pelos grandes grupos capitalistas mercantis mundiais ? uma evolução mundial geral para a equidade internacional num prazo visível.

Um novo actor que, por opção democrática, se orientasse para a equidade deveria portanto, para enfrentar os problemas actuais, avançar para as seguintes acções:

Aceitar encarar frontalmente o facto de que os eventuais parceiros dos intercâmbios internacionais podem reagir com duas lógicas muito diferentes. Certos parceiros, inteiramente acantonados na lógica mercantil concorrencial e oligopolista, recusarão toda parceria, afastando-se, e estarão prontos a aplicar aos seus adversários procedimentos hostis: normas constrangedoras fortemente desequilibrantes, recusa de parceira... Outros parceiros aceitarão acordos fundamentados no equilíbrio de todos, definidos com reciprocidade, propondo modalidades de intercâmbio específicas.

Tomar as disposições necessárias para que as medidas hostis, mal intencionadas, fundamentadas no agravar do afrontamento comercial e oligopolístico, sejam contrapostas por medidas em relação a estes interlocutores. Estas disposições poderiam consistir nomeadamente em direitos alfandegários modulados, se necessário elevados, mesmo dissuasivos, em quotas por domínios, em controles estritos dos fluxos financeiros de saída e de entrada com o parceiro em causa.

Estabelecer com os parceiros favoráveis relações de reciprocidade, de equidade, tendo como fim explícito o equilíbrio dos intercâmbios e a possibilidade para cada parceiro de escolher livremente, neste quadro, os intercâmbios que lhe forem úteis. Uma tal opção poderia comportar, por acordo comum:

? Um acordo monetário estabelecendo uma taxa de câmbio entre parceiros, fundada na relação entre produtividades médias dos conjuntos afectados, assegurando as condições médias da equidade entre parceiros.

? Em caso de défice com o parceiro, direitos alfandegários adaptados a cada produto tendo em conta a importância e a utilidade reconhecida do produto nos intercâmbios, e o peso do défice, estimulando os actores a aproximarem-se da situação de equilíbrio.

? Um controle dos fluxos monetários entre parceiros, emitindo para os actores, para um período definido, autorizações de compra junto ao parceiro, tendo em conta vendas observadas ou previstas.

Ao contrário das alegações muito frequentemente repetidas, tais disposições não conduziriam a um "recuo egoísta" dos seus promotores, mas facilitariam ? ao mesmo tempo que a renovação de actividades locais, nomeadamente industriais, mas também outras ? a reequilibragem de todos os participantes, em benefício de todas as populações locais que poderiam ser melhor remuneradas e beneficiar de actividades que correspondessem às suas necessidades. Assim seria reencontrado o caminho real para o que constrói as nações: não primeiro a "identidade" hoje reciclada, mas primeiro a solidariedade entre cidadãos, de que os Estados nacionais se assumem como responsáveis; devendo este ser apoiado na equidade entre parceiros sociais, assim como entre povos. Poderiam assim dissipar-se as cegueiras que hoje alimentam as opiniões de extrema-direita na Europa.

MAS SERIA ISTO SUFICIENTE?

Uma moeda nacional permitiria financiar as capacidades nacionais hoje sufocadas para responder de modo equitativo às necessidades nacionais. Isto seria indispensável, mas bastante insuficiente.

a) As lutas necessárias e as mudanças possíveis

É manifesto que os grupos dominantes mercantis capitalistas não aceitarão nunca as regulações aqui encaradas e que, enquanto mantiverem sua dominação, manterão igualmente as pressões ideológicas inculcando nas populações a ideia de que não há nenhuma alternativa.

Evocam-se certas esperanças por vezes exprimidas de um domínio da moeda nacional que, por si só, permitiria um desenvolvimento dos serviços públicos e, por isso, criaria empregos e assim reanimaria um sector capitalista que se tornaria capaz de relançar o crescimento e o emprego. Isto deixa de lado, como é o caso frequente, a pressão concorrencial que alimenta os capitais e os seus efeitos comerciais, sociais, orçamentais, financeiros na actual economia capitalista mundializada.

Sublinhemos que, ao contrário de certos pontos de vista, muitas vezes inspirados em Keynes, um domínio soberano da moeda é certamente muito necessário ao acompanhamento das actividades, mas também muito insuficiente para assegurar o equilíbrio dos intercâmbios, a ausência de inflação ou de deflação. A moeda, mesmo nacional, torna os bens em oferta aparentemente comparáveis entre si, mas não assegura por si mesma a equidade das transacções e portanto não sana as práticas mercantis concorrenciais, fontes reais da violência dos negócios.

A este respeito, formulamos aqui algumas precisões breves sobre questões de fundo. A vida humana pereniza-se permitindo a cada um viver do trabalho dos outros na sua diversidade. Isto necessita de um equilíbrio dos intercâmbios sociais, difíceis de encontrar e de construir, procurado ao longo dos séculos e dos milénios. A transacção mercantil é uma das ferramentas surgidas nesta função. Ela é marcada por forte defeito, pois dissocia o trabalho feito da sua avaliação, acantonada na estimativa monetária aparente, sob a influência da potência dos parceiros, dessolidarizando assim as pessoas e as sociedades. Apesar disso ela pôde, nas sociedades antigas que viviam próximas umas das outras, contribuir para manter, muitas vezes de modo caótico, vidas sociais ainda fortemente convencionais. Contudo, no decorrer do tempo, e à medida da complexificação da vida social, as práticas mercantis provocaram ao longo da história crescentes distorções económicas, sociais, políticas e as crises associadas. No nosso tempo, quando a prática mercantil invadiu o mundo inteiro, suprimindo as escapatórias de antigamente, e quando as tecnologias aceleraram a ritmos sem precedente tanto as mudanças técnicas como os intercâmbios sociais, as taras do afrontamento concorrencial de todos contra todos tornam-se insuportáveis para as sociedades humanas. Uma nova necessidade profunda é a de avaliações dos bens e serviços, não mais privados, subordinados às relações de poder dos parceiros mas sim avaliações fundamentalmente equitativas, respeitando o trabalho de cada um, admitidas em comum, para vantagem de todos.

Eis porque a colocação em prática de actividades económicas novas, instalando a equidade nos intercâmbios e o domínio dos seus meios pelos trabalhadores, é um elemento essencial de uma transformação.

Eis porque se propõe aqui que ? sem esperar um consenso internacional hoje visivelmente inacessível, e igualmente sem esperar que triunfem, ao nível nacional, as ideias da possibilidade de uma mudança profunda, e sem esperar tão pouco que seja adoptado o conjunto, inevitavelmente complexo, das leis e regulamentos para isso necessários, inclusive os novos "direitos" muitas vezes reclamados ? sejam tomadas iniciativas, em proximidade com a população, pelos actores motivados da vida económica essencialmente da economia social, da vida associativa e mutualista, e da vida política, nomeadamente local, que desemboquem, com os inevitáveis limites iniciais, em realizações concretas, visíveis, colectivas.

b) intervir não só nos intercâmbios mundiais mas também nos intercâmbios interno ao conjunto nacional

Eis porque propomos que, desde já, sejam tomadas iniciativas populares de estabelecimento de redes de vida económica e social solidária, equitativa, democrática, concretizando para as populações a possibilidade de uma outra vida social, desembaraçada das devastações do afrontamento mercantil e da exploração capitalista, reavivando a aspiração humana multi-milenar à reciprocidade, a convivialidade, à viabilidade social.

Sabemos pois que para alcançar o êxito não bastará alimentar estas iniciativas em meios financeiros, ainda que saídos do negocismo e modulados de acordo com boas intenções, mas que para isso o estabelecimento de novos modos de intercâmbio é indispensável. Isso implica que os intercâmbios internacionais não sejam os únicos que devem se transformar, mas também os intercâmbios internos, locais e nacionais, que deverão também eles escapar à guerra concorrencial e aceder, sob formas a elaborar em comum, à equidade respeitadora do trabalho feito.

Esta é igualmente a condição para que reapareça uma moeda nacional emitida à medida das necessidade sociais democraticamente definidas e geridas, não submetidas às flutuações e inchaços especulativos, à inflação dos preços, aos inchaços das bolhas financeiras e aos mergulhos dos crashs financeiros, às distribuições tecnocráticas, estatistas autoritárias, e que permita uma reavaliação profunda das dívidas externas, incluindo a anulação de todas as dívidas financeiras ligadas ao círculo vicioso do endividamento financeiro tendo pretendido salvar o Estado, e também as empresas públicas, dos défices induzidos pelo negocismo mercantil e financeiro. Isto implica a utilização da economia de critérios e objectivos sociais democraticamente definidos.

Estes novos intercâmbios são necessários para assegurar o acesso a uma nova via das actividades económicas, e igualmente para permitir, por uma justa valorização dos recursos criados pelo trabalho, o avanço cada vez mais necessário de serviços públicos democratizados, à medida das necessidades sociais.

É para aceder a esta nova via que é desde hoje necessário sair do Euro, não só da ordem liberal mas, ainda mais, da lei de ferro da concorrência mercantil agonística, do confisco capitalista dos meios de actividade e da dominação exploradora dos homens, da monopolização oligárquica dos poderes, do sufocamento dos serviços públicos, da desumanização da cultura, da subjugação negocista das comunicações e dos lazeres, a fim de devolver ao povo da França e de alhures a soberania que garante, através da equidade, a solidariedade, a democracia, sua capacidade fundamental para construir sua vida social, em benefício de toda a humanidade.
13/Agosto/2013

Economista, membro do PCF, autor de:
Le Juste Prix. Etude sur la Valeur-travail et les Echanges équitables. Editions L'Harmattan, 2003;
L'Economie équitable, un nouveau Projet de Société. Editions L'Harmattan, 2010.

O original encontra-se em http://lepcf.fr/SORTIR-DE-L-EURO-OUI-POUR-SORTIR

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Menina foi introduzida em Reino Unido para extrair os seus orgaos para receptores ricos BASENAME: canta-o-merlo-menina-foi-introduzida-em-reino-unido-para-extrair-os-seus-orgaos-para-receptores-ricos DATE: Thu, 31 Oct 2013 20:52:13 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.aporrea.org/internacionales/n239072.html
Por: Natural News

31 de Outubro de 2013.- As autoridades de Gram-Bretanha confirmaram pola primeira vez que umha menina foi introduzida no país especificamente para que os seus orgaos pudessem ser extraídos e vendidos a receptores ricos.

Segundo o diário britânico The Telegraph, a menina anónima foi levada ao Reino Unido desde Somália, com o intuito de eliminar os seus orgaos e vendê-los a quem buscam desesperadamente um transplante.
Organizaçons de protecçom da infância advertiram que era pouco provável que o caso seja um facto isolado já que os traficantes eram propensos a passar de contrabando a um grupo de crianças no país.
O terrível caso saiu à luz através de um relatório do governo que mostrou que o número de vítimas de trânsito humano no Reino Unido haver aumentado mais de um 50 % desde o ano passado, e agora chegou a níveis marca.
Ao todo, 371 crianças foram exploradas em várias formas, com a maioria sendo utilizado como escravos - para o sexo e de outras maneiras.
O relatório do governo indicou que 95 crianças procediam de Vietname, 67 da Nigéria e 25 da China. Mais crianças foram introduzidas de contrabando desde Rumania e Bangladesh, entre outros países.
"As cifras também detalham como 20 jovens britânicas foram vítimas de trânsito humano", di o diário. "Isto ocorre depois de umha série de casos judiciais nos que jovens britânicas foram violadas e exploradas por bandas de homens asiáticos".

Organizaçons britânicas de protecçom da infância advertiram que bandas criminais estám a tratar de explorar a demanda de transplantes de orgaos no país.
"Traficantes estám a explorar a demanda de orgaos e a vulnerabilidade das crianças. É pouco provável que um traficante vai tomar este risco e trazer umha só criança no Reino Unido. É provável que foi um grupo", expressou Bharti Patel, chefa executiva de ECPAT UK, umha organizaçom de protecçom infantil.
A Organizaçom Mundial da Saúde di que até 7.000 riles obtém-se ilegalmente cada ano em todo mundo polos traficantes.
E ainda que existe um mercado negro para outros orgaos - coraçons, pulmons, fígados - os riles som os mais cobiçados, porque um rim pode ser retirado de um paciente sem que sofram muitos efeitos nocivos (a menos que, por suposto, mais adiante na sua vida o ril restante lese-se ou falhe).

O processo implica a umha série de pessoas, entre elas o recrutador que identifica à vítima, a pessoa que organiza o transporte, os profissionais médicos que realizam a operaçom e o vendedor que comercia o orgao.
Todo isto requer infra-estrutura - e muito dinheiro.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: EE.UU. necessita de outra guerra para prosperar BASENAME: canta-o-merlo-ee-uu-necessita-de-outra-guerra-para-prosperar DATE: Thu, 24 Oct 2013 17:55:55 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://actualidad.rt.com/economia/view/109469-eeuu-necesitar-guerra-prosperar-economia

EE.UU. alcançou evitar umha falta de pagamento, mas isso nom significa que vá a prosperar. A sua economia experimenta a segunda pior década desde há 200 anos e para remediar a situaçom necessitaria umha guerra para a que nom tem recursos.

EE.UU. arrasta muitos problemas económicos. A semana passada o presidente de EE.UU., Barack Obama, assinou o projecto de lei que elevou o teito da dívida estadounidense e pôr fim ao feche parcial do Governo federal. Ademais, apesar de que se evitou a queda do PIB em 10%, como prognosticava o economista Paul Krugman, quase nom se pode dizer que a economia de EE.UU. mostre um rápido crescimento e experimente umha recuperaçom completa, indicam expertos de Finmarket.

O blogue ZeroHedge sabe que pode acelerar dramaticamente o crescimento do PIB de EE.UU., mas é pouco provável que este método seja de interesse para os cidadaos do país: outra guerra.

Em 223 anos o crescimento média do PIB em EE.UU. foi de 3,8%. Com 1,9%, a década 2000-2010 foi a segunda pior na história de Estados Unidos no que di respeito a crescimento do PIB.

"A pior desde 1790 foi a década de 1930 que foi seguida -algo que muitos esperam agora- por umha explosom de crescimento que se produziu na década de 1940", explicam os peritos de ZeroHedge.

Mas, que foi o que contribuiu à recuperaçom económica? "A triste, mas muito certa realidade da guerra", contestam os peritos de ZeroHedge que, no entanto, concretizam: "O financiamento será desta vez um problema".

O volume da dívida pública de EE.UU. superou pela primeira vez na história os 17 bilions de dólares. Nem sequer o compromisso sobre a elevaçom do teito de dívida salvará a EE.UU. das conseqüências da falta de pagamento, afirmam os analistas. De facto, EE.UU. vai voltar ao mesmo ponto morto o próximo 7 de Fevereiro, quando tenha que aprovar a sua próxima elevaçom do teito de dívida.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A nova Roma - a UE e a pilhagem dos países endividados BASENAME: canta-o-merlo-a-nova-roma-a-ue-e-a-pilhagem-dos-paises-endividados DATE: Sun, 20 Oct 2013 17:35:30 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

por C. J. Polychroniou [*]

A União Europeia (UE) é uma organização baseada num tratado que foi estabelecido após a II Guerra Mundial como meio de pôr fim à prática favorita dos europeus: dirimir as suas diferenças nacionais através de guerras sangrentas. A experimentação europeia ? a formação de um Mercado Comum, [1] que conduziria à união económica e monetária ? ficou ligada a alguns resultados notáveis: a Europa experimentou seu mais longo período de paz desde o fim da II Guerra Mundial e a guerra entre estados-membros europeus agora parece altamente improvável. Naturalmente, altos responsáveis da UE nunca perdem uma oportunidade para recordar ao público este feito sempre que as políticas da "nova Roma" são questionados por uma cidadania europeia já farta de processos autoritários de tomada de decisão, salvamentos de bancos mascarados como salvamentos nacionais, políticas de austeridade e a pilhagem dos países devedores pelo centro. [2]

A ausência de guerra entre países europeus na era do pós guerra e os movimentos históricos rumo à integração europeia que levaram à formação da eurozona apontam, no entanto, na direcção de uma correlação e não de uma relação causal entre estas duas variáveis. Indiscutivelmente, a própria natureza e estrutura do sistema mundial que emergiu na era do pós guerra ? com os Estados Unidos alcançando o status de super-potência, a ameaça soviética, a formação da NATO e a utilização de armas nucleares para manter um equilíbrio de poder ? minimizou substancialmente as perspectivas de novas guerra entre inimigos tradicionais da Europa. Talvez haja mesmo algo a ser dito aqui acerca do impacto muito profundo que a II Guerra Mundial deve ter tido sobre as consciências de líderes da Europa e o seu público.

A experimentação europeia de integração ? desde a Comunidade Económica Europeia (CEE) à UE de hoje ? alegadamente também fez uma grande diferença positiva no desenvolvimento económico e social de estados-membros europeus, incluindo os da periferia. Esta afirmação é altamente discutível, se não mesmo um exagero absoluto. O livre movimento de capitais, trabalho e bens dentro da UE funcionou bem por algum tempo ? para o capital financeiro, por um lado, e, por outro, para o núcleo de países que tinham uma vantagem competitiva desde o princípio. Embora grandes benefícios se hajam acumulado para aqueles que se aproveitaram plenamente (capitalistas internos também) da era da financiarização, a ilusão da convergência e de padrões de vida mais elevados para todos foi estilhaçada, com tendências de desigualdade a crescerem substancialmente tanto dentro como entre estados-membros.

Para que não esqueçamos: as fraquezas económicas da Europa já eram evidentes na década de 1970, apesar da explosão de acordos intra-CEE durante este período. O Acto Único Europeu (AUE) de 1986 foi uma reacção política da parte da CEE à crise estrutural que então confrontava os 12 estados-membros em vias de ser tornarem "um mercado sem um estado". Com a maior parte dos estados-membros tendo já abandonado o keynesianismo (Jepsen e Pascual 2006, 52), o AUE era uma tentativa desesperada de aumentar a "competitividade" e promover lucros corporativos, e cimentou o fim da era do "capitalismo administrado" na Europa. [3] Ao invés de protecções sociais e crescimento através de políticas tributárias orientadas, foi a mentalidade de mercado que passou a dominar. A estabilidade de preços substitui a ênfase nos empregos e a "reforma do mercado de trabalho" tornou-se a nova doutrina. O AUE também abriu o caminho para a privatização maciça e a liberalização dos mercados financeiros.

O "capitalismo de livre mercado" chegou à Europa. O capitalismo de livre mercado é, naturalmente, um dos grandes mitos do nosso tempo (Chang 2008, 2012). O neoliberalismo ? a formulação político-ideológica e o projecto económico para o avanço de mercados "livres" ? é acima de tudo um assalto corporativo/financeiro ao estado previdência e ao padrão de vida das classes trabalhadoras, baixa tributação para as corporações e os ricos, aumento da exploração do trabalho, mobilidade irrestrita do capital e posicionamento estratégico do capital para novas oportunidades de mercados através da remoção de barreiras políticas e económicas internas. O neoliberalismo não acaba com o estado, mas ao invés disso posiciona o estado para servir exclusivamente os interesses do capital. Ao nível global, o objectivo do neoliberalismo é enfraquecer o poder do estado em economias periféricas através da assistência e colaboração da elite política interna, a qual, em contrapartida, ganha acesso mais directo aos recursos e riquezas das economias em questão. Essencialmente, portanto, o neoliberalismo representa uma doutrina ideológica propagada e imposta pelos países do núcleo sobre os da periferia, enquanto o "núcleo" reserva-se o direito de praticar políticas proteccionistas em casa (e muitas vezes o faz) em benefício das suas próprias indústrias favoritas e negócios oligopólicos. Portanto, o AUE não deveria ser visto como uma estratégia de "livre mercado" super abrangente da parte da CEE. Sua remoção de barreiras para a expansão do "livre comércio" era limitada a países europeus; países de fora do mercado europeu foram excluídos. Mesmo hoje, países pobres da América Latina e da África consideram quase impossível penetrar o mercado europeu com seus produtos agrícolas.

Além disso, tal como com a promoção de qualquer projecto neoliberal, e em agudo contraste com a retórica oficial, às instituições a que falta qualquer responsabilidade e legitimidade foi atribuída importância fundamental desde o princípio do movimento rumo a uma "Europa anti-social" (Parsons 2010). Portanto não é um acidente que a UE se tenha tornado um enorme labirinto burocrático, completamente afastada do escrutínio público e totalmente irresponsável perante os seus cidadãos. Sua natureza não democrática (se não anti-democrática) é especialmente gritante e tem piorado ao longo do tempo. [4] O Parlamento Europeu é uma instituição politicamente impotente pois todas as principais actividades legislativas são empreendidas pelo Conselho de Ministros ? uma instituição com nenhuma legitimidade democrática qualquer que seja uma vez que os seus membros exercem um papel no interior da UE para o qual não foram eleitos nem mesmo indirectamente. A Comissão Europeia é outra instituição não eleita que possui muito poder político.

A UE está concebida de modo a facilitar a satisfação directa das necessidades e preocupações de interesses poderosos e não os do cidadão comum. Tal como o famoso "princípio da subsidiaridade", introduzido como artigo 3b no Tratado Estabelecendo a Comunidade Europeia e posteriormente incorporado no Tratado de Maastricht (ver abaixo) como artigo 5 ? e que muitos continuam a tratar como prova da natureza democrática do processo decisional na UE ? é mais uma ilusão de óptica do que qualquer outra coisa. O "princípio da subsidiaridade" não assevera, como muitas vezes é afirmado, que as decisões serão tomadas no nível mais baixo possível, mas sim que "a Comunidade entrará em acção, de acordo com o princípio da subsidiaridade, somente se e na medida em que os objectivos da acção proposta não possa ser suficientemente alcançado pelos Estados Membros e possam portanto, devido à escala ou efeitos da acção proposta, ser melhor atendidos pela Comunidade".

O que agora está a tornar-se muitíssimo claro é que todas as principais decisões da UE são tomadas ao nível de topo por responsáveis não eleitos ao passo que os cidadãos nacionais são relegados a um status igual ao desfrutado pelos súbditos da antiga Roma. Na actual crise de dívida da eurozona, mesmo os chefes dos estados-membros endividados têm muito pouco a dizer no processo de tomada de decisão, com o ministro alemão das Finanças a comportar-se como um César.

O tipo de processo de europeização que foi desencadeado desde a assinatura do Tratado de Maastricht em 1992 é completamente alheio à visão de uma Europa social e democrática. Este desenvolvimento também tem tido um impacto catastrófico sobre a capacidade de governos nacionais tratarem eficazmente as necessidades específicas das suas próprias economias e sociedades, como se confirma brutalmente pela actual crise económica global.

O Tratado de Maastricht incorporou as ideias e princípios chave que estavam incluídos no AUE e prosseguiu com a institucionalização formal de um quadro neoliberal para a direcção futura das economias europeias, incluindo o estabelecimento de uma união monetária e um Banco Central Europeu (BCE). [5] Na essência, o tratado formalizou o impulso rumo à "Europa anti-social" e esboçou de uma maneira específica os passos a serem dados para a adopção de uma moeda única (a transição para a formação de uma União Monetária Europeia [UME] devia envolver três etapas entre 1993 e 1999, quando ocorreu o lançamento oficial da eurozona). De acordo com o tratado, o qual procurava permitir que apenas bons candidatos aderissem à UME, qualquer economia europeia em convergência tinha o direito de adoptar o Euro, desde que:

- sua taxa de inflação não estivesse mais do que 1,5 por cento acima da média das três taxas de inflação mais baixas entre países da UE;
- sua dívida e défice governamental não fossem mais do que 60 por cento e 3 por cento do seu PIB, respectivamente;
- houvesse aderido ao mecanismo de taxa de câmbio do Sistema Monetário Europeu e mantivesse margens de flutuação normal das taxas de câmbio durante dois anos sem que disso decorressem tensões graves; e
- sua taxa de juro a longo prazo não estivesse mais do 2,0 por cento acima daquela dos três países com a mais baixa taxa de inflação. (Ver Mulhearn 2005, 59.)

Todos estes números foram obtidos de modo arbitrário. Por que deveriam os défices terem sido de 3 por cento e a dívida nacional de menos de 60 por cento do PIB? Dado o papel dominante do deutsche mark na época, provavelmente é uma boa suposição imaginar que os números foram uma invenção do Bundesbank ? assim como a concepção do BCE, com sua gritante omissão da função de prestamista de último recurso. De certo modo, no entanto, estes números também eram virtualmente sem significado pois foram sistematicamente violados pelos estados que procuravam aderir à UME ? incluindo, em primeiro lugar e acima de tudo, a própria Alemanha. Mas pelo caminho, quando as coisas se encaminharam para o Euro, estas referências para rácios de défices e dívida em relação ao PIB demonstrar-se-iam como ferramentas muito úteis para impor a ortodoxia económica alemã.

A adopção de uma moeda única foi saudada pelos defensores do Euro como a maior experimentação da história financeira. Deveria na verdade ter sido apregoada como a mais selvagem experimentação da história financeira: a eurozona devia incluir estados independentes, com sistema económicos e padrões culturais altamente diversos, aos quais foi exigido abandonar a soberania monetária nacional substituindo-a por uma divisa "estrangeira" sem o apoio de um Tesouro ou um Banco Central pronto para actuar como prestamista de último recurso no caso de uma crise financeira.

Wynne Godley, aliás um advogado da integração política europeia, de modo sagaz apontou as deficiência incluídas no Tratado de Maastricht num ensaio em 1992 na London Review of Books:

A ideia central do Tratado de Maastricht é que os países da CE deveriam caminhar para uma união económica e monetária, com uma moeda única administrada por um banco central independente. Mas como será dirigido o resto da política económica? Como o tratado não propõe novas instituições além de um banco europeu, seus promotores devem supor que nada mais é necessário. Mas isto só poderia ser correcto se as economias modernas fossem sistemas auto-ajustados que não precisassem de todo de qualquer gestão.

Sou levado à conclusão de que uma tal visão ? de que economias são organismos auto-correctores que em quaisquer circunstâncias precisam de serem administrados ? na verdade determinou o modo pelo qual o Tratado de Maastricht foi estruturado. Trata-se de uma versão bruta e extrema da visão que desde há algum tempo tem constituído a sabedoria convencional da Europa (embora não a dos EUA ou do Japão), de que governos são incapazes e, portanto, não deveriam tentar, alcançar quaisquer dos objectivos tradicionais da política económica, tais como crescimento e pleno emprego. Tudo o que pode ser feito legitimamente, de acordo com esta visão, é controlar a oferta de moeda e equilibrar o orçamento. Isso levou a que um grupo em grande medida composto por banqueiros (o Comité Delors) chegasse à conclusão de que um banco central independente era a única instituição supra-nacional necessária para dirigir uma Europa integrada e supra-nacional.

Mas há muito mais quanto a isto tudo. É preciso enfatizar à partida que o estabelecimento de uma moeda única na CE na verdade poria fim à soberania dos seus países componentes e ao seu poder para tomar uma acção independente sobre grandes questões. Como o sr. Tim Congdon argumentou muito convincentemente, o poder para emitir a sua própria moeda, para se financiar no seu próprio banco central, é a principal coisa que define independência nacional. Se um país abandona ou perde este poder, adquire o status de uma autoridade local ou colónia. Autoridades locais e regionais obviamente não podem desvalorizar. Mas elas também perdem o poder de financiar défices através da criação de moeda ao passo que outros métodos de obter financiamentos são sujeitos à regulação central. Nem tão pouco pode alterar taxas de juro. Como autoridades locais não possuem nenhum dos instrumentos de política macroeconómica, sua opção política está confinada a assuntos relativamente menores quanto à ênfase ? um bocado mais de educação aqui, um bocado menos de infraestrutura acolá. Penso que quando Jacques Delors coloca uma nova ênfase sobre o princípio da "subsidiaridade", ele está realmente a contar-nos que nos permitirão tomar decisões acerca de um grande número de assuntos relativamente menos importantes do que podíamos ter imaginado anteriormente. Talvez ele nos deixe ter pepinos enrolados afinal de contas. Grande coisa! (Godley 1992)

A chamada arquitectura "enviesada" da UME não se deveu a um "erro técnico". Como já argumentei, ela tem origem nas próprias premissas do pensamento económico fundamentalmente neoliberal que se apossou da mentalidade dos decisores políticos europeus na década de 1980 no seu esforço aparente por encontrar um meio de acabar com a "euro-esclerose" (Miller 1997) e promover os lucros corporativos europeus. A súbita mudança de uma economia social de mercado, a qual ganhou raízes na década de 1940 e prevaleceu até o princípio da de 1980, para uma economia de mercado laissez-faire foi demasiado flagrante para ser ignorada. No momento em que o Tratado de Maastricht foi assinado, círculos europeus de decisores políticas haviam-se tornado obcecados com a crença em que as variáveis críticas para o crescimento, fidedignidade e convergência eram encontráveis no comércio e na concorrência livres (artigo 102a), profunda integração financeira e nenhumas restrições a movimentos de capitais (artigo 73b).

O Tratado de Maastricht deveria ser entendido como a expressão política de uma inclinação socializada da elite europeia em favor da internacionalização do capital. Para além de toda a conversa cerca do "livre comércio" estava o desejo inequívoco de satisfazer as necessidades das multinacionais e indústrias oligopolistas europeias. [6] A década de 1980 foi de megafusões e aquisições e isto reflectiu-se na crescente excitação que um mercado comum produzia no mundo europeu dos negócios. Na década de 1990, houve uma nova e muito mais explosiva onda de fusões e aquisições na Europa cujo valor "era quase tão grande quanto os negociados nos Estados Unidos" (Gaughan 2007, 63). Finalmente, a mania da desregulamentação que irrompeu levou a um enorme processo de consolidação por parte do sector bancário.

Foi no contexto destes desenvolvimentos económicos que o Tratado de Maastricht foi moldado, assentando a fundação da estrutura altamente problemática da União Europeia que temos hoje. O movimento rumo à adopção de uma moeda única é consistente com a visão da criação de um mercado europeu unificado com um estado reduzido, com base na crença de que menos "interferência" do estado abre o caminho para operações de negócios mais eficientes e custos unitários do trabalho mais baixos. Não é uma crença que promova desenvolvimento sustentável ou sociedades que funcionem bem e decentes. Com a adopção de uma moeda única, o espaço para a tomada de decisão política nacional foi gravemente constrangido e, na ausência de um governo federal para atender questões de pleno emprego e convergência, a austeridade tornou-se, como que por padrão, uma componente integral da nova economia política europeia, proporcionando uma parceria perfeita para a flexibilidade do trabalho e outras medidas de reformas anti-sociais ? privatização, a mercantilização da saúde e da educação, pensões de reforma ? todas elas direccionadas para a completa mercantilização da sociedade.

O processo de uma plena integração capitalista europeia, tal como iniciada pelo AUE e formalizada pelo Tratado de Maastricht, não é um fenómeno novo em si mesmo. O crescimento da integração económica mundial teve um ímpeto tremendo desde meados do século XIX até o estalar da I Guerra Mundial (O'Rourke e Williamson 1999). Os processos de integração europeia também não são qualitativamente diferentes dos processos de integração regional que tiveram lugar em outras partes do mundo ? embora seja verdade que não temos estudos comparativos adequados envolvendo a UE e outras espécies de organizações regionais. Mas mesmo se a encararmos como uma entidade política (polity) ao invés de um regime regional ou mesmo internacional, a UE ainda não é única, uma vez que já temos para fins de comparação os casos federais ou semi-federais dos Estados Unidos, Canadá e Suíça. De facto, se há algo gritante acerca dos fundamentos da União Monetária Europeia é quão pouco imaginativos e puramente tecnocráticos eles são: simplesmente repousam no muito admirado modelo alemão de estabilidade monetária e financeira, o qual é destituído de quaisquer mecanismos de prevenção ou administração de crise (Borges 2012; Balcerowicz 2012). Sua concepção demonstrou-se ser mais do que defeituosa, pois a crise em curso na eurozona aponta claramente para problemas subjacentes de desequilíbrios na área euro bem como para fraquezas estruturais generalizadas no modelo de governação.

Ao invés de ser única, a UE é realmente uma excentricidade ? uma criação como o Frankenstein. E tal como o Dr. Frankenstein, a Alemanha recusa-se a aceitar a responsabilidade pela sua criação ao impedir a UE de seguir um caminho de desenvolvimento adequado que contribuísse para as necessidades e bem-estar de todo o corpo político, com ênfase especial sobre as partes mais fracas, tratando-as ao contrário como meios para satisfazer seus próprios desejos e ambições económicas. A concepção do BCE na base dos estatutos do Bundesbank, por exemplo, reflecte não só a mentalidade económica alemã como também aspirações da Alemanha pela dominação económica da eurozona. Na verdade, o Bundesbank não é a autoridade monetária mais conservadora do mundo por acidente: ela ajusta-se aos interesses económicos e corporativos da Alemanha.

A abordagem anti-crescimento e não democrático que está incorporada no Tratado de Maastricht e é reforçada por virtualmente todos os outros tratados ? desde os Tratados de Amsterdam (1997), Nice (2002) e Lisboa (2007) ? assegura desenvolvimento desigual e tomada de decisão autoritária no funcionamento do projecto de integração europeu. O Tratado de Lisboa, em particular, fortaleceu ainda mais a componente de "défice democrático" na estrutura da UE (embora seus apoiantes argumentem, perversamente, que este foi o tratado que realmente tratou do problema do "défice democrático"), com a maior parte das leis sendo agora feitas em Bruxelas sob o comando de uma Alemanha imperial.

Tanto a natureza conservadora e não democrática da UE como o papel imperial da Alemanha tornaram-se perfeitamente claros desde o irromper da crise da eurozona três anos atrás, quando a Grécia, com seu elevado défice orçamental e dívida pública inchada, foi excluída dos mercados internacionais de crédito procurou refúgio num acordo intermediado pela UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) de modo a não incumprir suas obrigações de dívida e provocar um efeito contágio por toda a área Euro. O manuseamento do problema de dívida da Grécia não foi baseado sobre qualquer princípio de solidariedade da parte da UE mas, ao invés, medido exclusivamente com base no seu impacto sobre bancos da Europa, os quais estavam altamente expostos à dívida grega. Os termos do salvamento (bailout) procuravam assegurar que os reembolsos de dívida continuassem pela sujeição da sociedade grega a medidas de austeridade implacáveis e ao mais violento programa de consolidação orçamental imposto a uma economia europeia desde a II Guerra Mundial. Em coerência com as premissas originais do Tratado de Maastrichet e a mentalidade anti-crescimento do projecto de integração europeu como um todo, não foi oferecido à Grécia um caminho viável de saída da sua crise mas, ao invés, transformada numa cobaia para a área Euro, com dois objectivos primários em mente: (1) intimidar os outros países mediterrâneos do Sul apregoando o destino que os esperava se falhassem em colocar na ordem seus orçamentos, e (2) transformar a Grécia num laboratório para uma transformação neoliberal radical.

Como documentámos alhures (Polychroniou 2012a, 2013a), a catástrofe económica e social que se abateu sobre a Grécia por conta dos programas de "resgate" dos "gémeos monstros" do neoliberalismo contemporâneo (isto é, a UE e o FMI) é de proporções sem precedentes para uma economia em condições de paz ? e está agora a transformar-se numa crise humanitária dentro da mais rica região económica do mundo. Mas isto não é o resultado acidental de uma política enviesada: é o resultado de uma política consciente da UE sob o comando de uma Alemanha imperial para a pilhagem dos países endividados do Mediterrâneo (Grécia, Portugal, Espanha, Chipre ? e Itália, se tiverem êxito) e sua transformação em colónias do centro imperial. O Euro tornou-se um garrote em torno do pescoço dos países periféricos, com a Alemanha a arrastá-los como escravos no caminho para o mercado.

A Alemanha adoptou em relação aos endividados estados-membros da eurozona a mesma política executada em relação à Alemanha do Leste após a unificação: a destruição da sua base industrial e a conversão do antigo país comunista num satélite de Berlim. Os resgates bancários mascaram-se como resgate de países e são seguidos pela imposição de medidas de austeridade insuportáveis para assegurar o reembolso dos empréstimos do "resgate". A seguir vem a implementação de políticas económicas estratégicas destinadas a reduzir o padrão de vida para a população trabalhadora e a contracção do estado de bem-estar social, a flexibilização total do trabalho e a venda de activos públicos, incluindo companhias de energia e portos controlados pelo estado. Isto constitui a estratégia alemã para pilhar as economias carregadas de dívidas da região mediterrânea.

Na Grécia, a estratégia para a pilhagem da economia interna levou mesmo à criação de uma agência especial de privatização (TAIPED) para a administração da venda de activos públicos. A única coisa que está a faltar é um sinal anunciando: GRÉCIA: UM PAÍS À VENDA . A decisão do Eurogrupo (tomada por insistência da Alemanha e com o apoio do FMI e de países do núcleo da eurozona) de mobilizar contas bancárias pessoais como parte de um acordo para "resgatar" Chipre destruiu um pilar chave da economia da ilha e estabeleceu um precedente para tratar futuras crises bancárias na eurozona. A busca da Alemanha de dominação financeira marcha em frente.

Como as coisas se posicionam, os "bailouts" representam a melhor solução possível para a Alemanha e seus bancos, assim como para as tesourarias dos países núcleo da eurozona, por várias razões. Primeiro, porque permitem que o jogo do Euro continue uma vez que há muitos interesses especiais em causa e a dissolução da eurozona pode ter consequências apocalípticas. Segundo, porque os empréstimos para o "resgate" estão muito bem segurados, graças à implementação de programas extremos de consolidação orçamental: eles são reembolsados prontamente pelos países endividados e com juros maciços. Ao mesmo tempo, a austeridade e as políticas de ajustamento orçamental impostas pelos prestamistas internacionais realmente aumentam ao invés de diminuir os rácios dívida-PIB dos países endividados pois eles contraem a actividade económica e portanto reduzem receitas do estado, mantendo-os com isso num círculo vicioso de dependência. Terceiro, porque o colapso das economias dos países endividados produz uma fuga de capital que acaba principalmente na Alemanha, a qual é vista cada vez mais como o lugar mais seguro para estacionar Euros enquanto a crise na eurozona se aprofunda. [7] A perda de fundos por bancos na Espanha, Itália, Grécia, Portugal e Irlanda é espantosamente alta, montando a centenas de milhares de milhões de euros (o que significa que estes países são devedores líquidos do BCE), ao passo que o Deutsche Bank e a maior parte dos outros bancos alemães estão inundados de dinheiro. Quarto, sob os esquemas de salvamento externo (bailout), os países endividados abdicam da soberania nacional e são forçados a vender activos públicos (principalmente aos invasores do Norte) a preços de liquidação, enquanto a redução nos custos do trabalho devido à contenção salarial abre novas oportunidades para a exploração agravada do trabalho e acelera o processo de conversão dos países em repúblicas das bananas. [8]

Não pode haver dúvida acerca disto: as políticas neocolonialistas seguidas pela Alemanha e a UE estão a converter a maior parte da Europa numa devastação económica (Polychroniou 2012b). Salários e pensões estão a ser severamente cortados; a procura interna foi drasticamente reduzida; o desemprego atingiu níveis estratosféricos (27 por cento na Grécia, 26 por cento na Espanha, 17 por cento em Portugal); o padrão de vida foi revertido aos níveis da década de 1960; serviços públicos estão a ser entregues ao sector privado; activos do Estado e empresas públicas estão a ser vendidos a preços vis.

Em todos os países endividados da eurozona, jovens educados estão a abandoná-los à procura de trabalho nos países do núcleo, privando portanto as economias periféricas do activo mais importante que possuem ? capital humano qualificado ? enquanto mais uma vez promove o potencial económico dos países do núcleo. [9] Logo, a região mediterrânea Sul consistirá em economias onde a maior parte dos postos de trabalho serão de empregados e empregadas de mesa.

Em suma, o que está a acontecer na periferia da eurozona desde que irrompeu a crise financeira global é um processo de pilhagem e perda completa de soberania nacional. Devido aos "bailouts", os países endividados têm sido sujeitos a um sistema contemporânea de servidão neo-feudal como parte de uma "solução" alemã para uma mal concebida união monetária europeia em paralelo com a busca de um eurozona Reich.

O que o futuro reserva para a eurozona é, naturalmente, impossível prever. O que é certo, entretanto, é que está aproximar-se rapidamente o momento em que a opinião pública na periferia se volta contra o Euro e a UE. Cenários alternativos para a saída da crise muito provavelmente ganharão terreno, [10] e é altamente improvável que contenham a marca da política actualmente vigente e da elite política interna dos países endividados. Na Grécia, Espanha, Portugal e Chipre as elites internas e os chamados tecnocratas acrescentaram por sua conta as medidas de austeridade e demonstraram serem verdadeiros servos da nova Roma. Portanto, a mudança só virá de baixo para cima e a única pergunta é se será numa direcção progressista ou reaccionária ? isto é, envolvendo o restabelecimento de uma "Europa social" ou mesmo a dissolução da eurozona e o retorno do estado-nação democrático, ou um afundamento no extremismo de direita e no nacional chauvinismo.
Notas
1. O projecto de integração europeu foi concebido como uma experimentação puramente económica, mas com esperanças e expectativas de que os "excedentes económicos" finalmente levariam também à integração política. Esta abordagem é consistente com a teoria neofuncionalista da integração, a qual foi formulada originalmente pelo cientista político germano-americano Ernst Haas (1958).
2. O mais recente responsável europeu a embarcar nesta linha de raciocínio é Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro do Luxemburgo e, até recentemente, como chefe do Euro Grupo, o patrão das finanças da Europa. Em meados de Março, numa entrevista à revista alemã Der Spiegel (2013), ele exprimiu preocupação sobre desenvolvimentos políticos na Itália e Grécia e levantou o espectro de uma outra guerra na Europa.
3. Para uma discussão do papel dos negócios e dos grupos de interesse dos negócios no projecto de integração europeia, ver Franko (1989).
4. Ver, por exemplo, The Economist (2012).
5. Delors, como chefe da Comissão Europeia, desempenhou um papel chave nestes desenvolvimentos, mas foi naturalmente o consenso que emergiu entre o presidente francês François Mitterrand, um forte advogado do projecto da integração europeia que abandonou objectivos históricos do socialismo em favor do neoliberalismo, e Helmut Kohl, chanceler de uma Alemanha unificada, que tornou possível o acordo.
6. A European Round Table of Industrialists, fundada em 1983, foi instrumental em influenciar líderes europeus a embarcarem num caminho neoliberal. Ver Apeldoorn (2002).
7. A destruição líquida de riqueza na eurozona é realmente um processo em curso devido às distorções da utilização do euro como uma moeda única numa zona monetária não óptima: para a Alemanha, o Euro está subvalorizado, o que lhe permite ter uma vantagem comparativa no preço das exportações; para todos os países na periferia, entretanto, o Euro está supervalorizado, o que prejudica suas indústrias exportadoras, tornando-as na generalidade altamente não competitivas.
8. Esta secção da análise apareceu originalmente em Polychroniou (2013b).
9. Na Grécia, milhares de jovens emigrara, principalmente para a Alemanha e os outros países do Norte. Indicativo da tendência esmagadora à emigração que está a ocorrer na Grécia, a percentagem de jovens que submetêm CVs para emprego no exterior aumentou em mais de 450 por cento entre 2009 ? o ano anterior ao princípio da crise ? e 2012. Um fuga de cérebros ("brain drain") verificou-se em Portugal, onde mais de 100 mil portugueses, principalmente jovens, emigraram em 2012, um aumento de aproximadamente 60 por cento em relação a 2011 (Peláez 2013). Na Irlanda, nesse ínterim, a emigração atingiu níveis nunca vistos desde a Grande Fome dos meados do século XIX (Sheehan 2012).
10. Numa entrevista recente ao diário grego Ethnos, Dimitri B. Papadimitriou (2013) propôs a criação de um sistema de moeda paralela como um componente potencialmente necessário de qualquer plano alternativo para a saída da Grécia e de Chipre da crise.

Referências
van Apeldoorn, B. 2002. Transnational Capitalism and the Struggle over European Integration . New York: Routledge.
Balcerowicz, L. 2012. "On the Prevention of Crises in the Eurozone." In F. Allen, E. Carletti, and S. Simonelli, eds. Governance for the Eurozone: Integration or Disintegration? Philadelphia: The FIC Press.
Borges, A. 2012. "The Role of Public Financial Institution." In F. Allen, E. Carletti, and S. Simonelli, eds. Governance for the Eurozone: Integration or Disintegration? Philadelphia: The FIC Press.
Chang, H.-J. 2008. Bad Samaritans: The Myth of Free Trade and the Secret History of Capitalism . London: Bloomsbury Press.
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Franko, L. G. 1989. "Europe 1992: The Impact on Global Corporate Strategy and Multinational Corporate Strategy." Mimeograph, University of Massachusetts, Boston, September.
Gaughan, P. A. 2007. Mergers, Acquisitions and Corporate Restructurings . 4th ed. Hoboken: John Wiley & Sons, Inc.
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Hass, E. B. 1958. The Uniting of Europe: Political, Social and Economic Forces 1950?1957 . Stanford: Stanford University Press.
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Miller, M. H. 1997. "Eurosclerosis, Eurochicken and the Outlook for EMU." Warwick Economics Research Paper Series, No. 482. Coventry, UK: Warwick University, Department of Economics.
Mulhearn, C. J. 2005. Euro: Its Origins, Development and Prospects . Cheltenham, UK: Edward Elgar Publishing.
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Peláez, M. W. 2013. "Emigration: 'Brain Drain' as Young People Look for Opportunities Abroad." Portugal Daily View , January 18.
Polychroniou, C. J. 2012a. "Greece's Bailouts and the Economics of Social Disaster." Policy Note 2012/11. Annandale-on-Hudson, N.Y.: Levy Economics Institute of Bard College.
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Sheehan, A. 2012. "Emigration 'at Famine Levels' as 200 Leave Country Each Day." Independent , December 31.

Do mesmo autor:
resistir.info/grecia/polychroniou_mar13.html , 04/Abr/13
resistir.info/grecia/polychroniou_set12.html , 08/Set/12
resistir.info/europa/polychroniou_set11_p.html , 21/Jan/12
resistir.info/crise/polychroniou_06dez11.html , 12/Jan/12
resistir.info/europa/eurozone_crisis_17abr12.html , 17/Abr/12
resistir.info/grecia/polychroniou_24mai12.html , 04/Jun/12

[*] Investigador associado do Levy Economics Institute of Bard College.

O original encontra-se em www.levyinstitute.org/pubs/pn_13_5.pdf

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Começou a desamericanização do mundo BASENAME: canta-o-merlo-comecou-a-desamericanizacao-do-mundo DATE: Sun, 20 Oct 2013 17:32:03 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.resistir.info/crise/geab_78.html

? A emergência de soluções para um mundo multipolar daqui até 2015
por GEAB [*]

Há momentos em que a história se acelera. Seja qual for o desfecho das negociações sobre o shutdown e o tecto da dívida, Outubro de 2013 é um deles. O bloqueio levado demasiado longe abriu os olhos daqueles que ainda apoiavam os Estados Unidos. Um líder é seguido quando nele se acredita, não quando é ridículo.

"Construir um mundo desamericanizado": há alguns anos, a afirmação teria provocado um sorriso. No máximo, teria passado por uma provocação de Hugo Chavez. Mas quando se assiste em directo à falência dos Estados Unidos, e é uma agência de notícias oficial da China que o diz [1] , o impacto já não é o mesmo. Na realidade a notícia descreve em voz alta um processo já amplamente iniciado: simplesmente, agora é tolerado que se fale disso publicamente. O bloqueio do governo americano pelo menos teve o mérito de desatar as línguas [2] . Que ninguém se engane, esta análise não apareceu num media chinês por acaso, ela reflecte o endurecimento de tom de Pequim.

Com efeito, se o mundo inteiro retém a respiração diante do jogo patético das elites estado-unidenses, não é por compaixão ? é para evitar ser arrastado na queda primeira potência mundial. Cada um tenta desligar-se do império americano e afastar-se dos Estados Unidos, desacreditados definitivamente pelos recentes episódios sobre a Síria, o tapering, o shutdown e agora o tecto da dívida. O poder lendário dos Estados Unidos agora é apenas um poder de perturbação e o mundo compreendeu que já era tempo de se desamericanizar.

Esta perspectiva e a verbalização do indizível [3] libertam finalmente todo um conjunto de soluções que até então estavam nos primórdios e ainda eram até mesmo repelidas por alguns. Estas soluções aceleram a construção do mundo posterior e abrem-se sobre um mundo multipolar organizado em tornos dos grandes blocos regionais. Após um exame dos infortúnios americanos, nossa equipa analisa neste número do GEAB as forças que moldam este mundo em mutação. Na parte "Telescópio" retornaremos igualmente ao estado real da sociedade estado-unidense que, por trás da miragem da bolsa e da finança, explica o fracasso do american way of life e participa neste distanciamento em relação ao modelo americano. Finalmente, actualizamos nossa avaliação anual dos riscos-país a fim de completar este panorama mundial, assim como apresentamos as recomendações tradicionais e o GlobalEuromeÌtre.

Plano do artigo completo:
1. "No we can't"
2. Crises em rajada
3. Shutdown: a risada do mundo, mas com um riso amarelo
4. Desamericanisação em todos os níveis
5. O petrodólar está morto, viva o petroyuan
6. A China toma a Eurolândia pela mão
7. Rússia, America do Sul: sequência da desocidentalisação

Apresentamos neste comunicado público as partes 1, 2 e 4.

"No we can't"

Como os tempos mudam. O mundo inteiro esqueceu as palavras freedom, hope ou o famoso slogan "Yes we can", representativos da sociedade americana aos olhos de gerações anteriores, e passou agora a falar de taper, shutdown e tecto [da dívida]. Não se trata exactamente da mesma dinâmica e a imagem, de positiva, tornou-se francamente negativa.

É impressionante constatar a que ponto a actual situação americana confirma o provérbio de que uma infelicidade nunca vem só. Num período de mês e meio, primeiro uma humilhação sobre o dossier sírio por parte da própria Rússia. Depois um banco central que confessa a impossibilidade de diminuir a quantitative easing [4] . A incapacidade de votar um orçamento, o que implica o encerramento do Estado federal. Um shutdown que se prolonga bem para além do razoável [5] . Uma negociação sobre o tecto da dívida em impasse a dois dias da data limite. Os Estados Unidos pressionados pelo G20 a ratificar a reforma do FMI que eles bloqueiam desde há três anos, e pelo Banco Mundial e o FMI a porem na ordem suas finanças [6] . E agora o tiro de aviso chinês.

Crises em rajada

Esta sucessão de crises é absolutamente inquietante para o país e testemunha uma aceleração sem precedentes e um choque iminente. Há fatalidade nestas crises. Mas há também uma dose de recuperação estratégica. O shutdown pôde assim ser instrumentalizado por Obama para fazer pressão sobre os republicanos a fim de que eles votem a elevação do tecto da dívida, compromisso bem mais importante para os Estados Unidos. Isto não é visivelmente senão um êxito parcial, mas pode-se na mesma esperar uma elevação provisória, que adia todos os problemas por algumas semanas [7] ; entretanto não é de excluir que a via trágica seja escolhida, pois não se trata mais de uma decisão racional e que poderia ser antecipada.

Com efeito, se os comentaristas se concentram no Tea Party o qual, do mesmo modo como accionistas minoritários chegam a controlar uma sociedade através de uma holding, conseguiu sequestrar o Partido Republicano e a sociedade americana, uma outra leitura também pode ser efectuada. Agora numerosos americanos vêm a realidade de frente: seu país está na falência. Portanto, será melhor retardar a confrontação com a realidade, deixando que se ampliem os problemas, ou mais vale resolvê-los agora? Uma grande parte da população não vê com maus olhos um incumprimento de pagamento [8] . Além disso, que outro solução há, a prazo? Não haverá vontade dos republicanos em precipitar a crise? Esta é a ocasião sonhada uma vez que eles sempre podem culpar o Tea Party que declara sem rodeios que "nenhum acordo vale mais do que um mau acordo" [9] . O que queremos dizer é que desta vez, ou provavelmente numa outra ocasião num futuro próximo, eles poderiam ser tentados a cortar o nó górdio.

Da mesma forma, uma recuperação estratégica certamente teve lugar quando o Fed fez marcha-atrás quanto à redução da sua facilidade quantitativa. Por que terá ele dado a entender até o fim que diminuiria a QE3, sem o fazer no final? É a primeira vez que o Fed provoca uma surpresa nos investidores, todos 100% convencidos da diminuição gradual, pois havia feito da forward guidance um princípio bem estabelecido. Não haverá realmente nenhuma ligação com os grosseiros delitos de iniciados verificados no momento do anúncio do Fed [10] , que proporcionaram milhares de milhões aos seus autores? Tudo isso apoia a nossa hipótese de estabelecimentos financeiros americanos em estado de desespero que devem ser postos a flutuar discretamente por operações deste género, deixando em má situação a credibilidade do Fed. Mais uma vez soluções de curto prazo que pioram a situação mas adiam um pouco o desenlace fatal. Acerca destes bancos americanos, não somos mais os únicos a puxar a campainha de alarme: o Banco da Inglaterra aguarda falências de grandes bancos que teriam, segundo ele, perdido o estatuto de "too big to fail" [11] . Reiteramos portanto nossa advertência a respeito.

Tal como um boxeur, todos estes golpes encaixados tornaram o país grogue e não é preciso senão um último para o derrubar no chão. Se ele não vier de um incumprimento de pagamento americano em Outubro, isto acontecerá com algum outro compromisso que tiver sido adiado mas que, desta vez, não cederá.

Shutdown: a risada do mundo, mas com um riso amarelo

Quando escrevíamos no GEAB nº 77 a respeito da votação do orçamento: "não há dúvida que um compromisso será encontrado no último minuto ou, mais provavelmente, algumas horas ou mesmo alguns dias após a data limite", é forçoso constatar que ainda subestimávamos as divergências políticas em Washington uma vez que o "alguns dias" que tínhamos em mente transformaram-se em semanas. O diário Le Monde tinha como título do seu sítio web "o lamentável espectáculo de Washington" [12] . Mas finalmente este shutdown não tem um impacto desmedido sobre os mercados financeiros [13] , portanto tudo vai bem, parecem pensar numerosos republicanos que se acomodam muito bem a uma paralisia do Estado Federal e à redução das despesas públicas que se seguem.

Esta não é a opinião dos países que possuem um montante elevado de títulos do tesouro dos EUA, que se sentem lesados [14] pelos Estados Unidos. Eles estão estupefactos pela insustentável ligeireza dos EUA e pela atitude irresponsável daquele que ainda recentemente era "o patrão". Se o país entra em incumprimento em relação à sua dívida, a onda de choque será certamente terrível. Entretanto, isto não seria o fim do mundo uma vez que um eventual incumprimento poderia simplesmente assumir a forma de um atraso de pagamento de alguns dias; além disso, as diferentes regiões do mundo seriam afectadas muito desigualmente conforme o seu grau de desligamento da economia estado-unidense. Não, o país que mais sofrerá com esta solução (e qualquer outra, igualmente) será certamente os próprios Estados Unidos. Para registo: recordamos que eles detêm dois terços da sua própria dívida pública.

Eis porque os países melhor governados já começaram este grande desligamento, à cabeça dos quais está a China que sabe, desde Sun Tzu, que "quando o trovão explode já é demasiado tarde para tapar os ouvidos". [15]
Notas:

(1) Fontes: Xinhuanet (agence Chine Nouvelle, 13/10/2013), RFI (13/10/2013).

(2) Mesmo o Financial Times corrobora (02/10/2013): "o sistema actual baseado no dólar é intrinsecamente instável". Confissão incrível da parte de um jornal financeiro anglo-saxónico.

(3) A repercussão mundial recebida pelo artigo chinês mencionado acima mostra o interesse atribuído a esta declaração da segunda potência mundial e confirma que ela rompeu um tabu que vai permitir por em acção soluções longamente esperadas pela maioria dos países. Ler por exemplo a excelente análise do Asia Times , 15/10/2013.

(4) Fonte: Bloomberg , 18/09/2013.

(5) Fonte: CNN , 14/10/2013.

(6) Fonte: por exemplo PressAfrik , 12/10/2013.

(7) Fonte: New York Times , 15/10/2013.

(8) 58% dos americanos votariam contra a elevação do tecto da dívida. Fonte: Fox News , 08/10/2013.

(9) Fonte: Le Monde , 15/10/2013.

(10) Fonte: USA Today , 24/09/2013.

(11) Fonte: The Telegraph , 12/10/2013.

(12) Fonte: Le Monde , 14/10/2013.

(13) Evidentemente, uma vez que o Fed prossegue sua quantitative easing desenfreada.

(14) São ainda assim refens consentidos uma vez que financiaram maciçamente e voluntariamente este país...

(15) Sun Tzu, A arte da guerra , século VI AC.

15/Outubro/2013
[*] Global Europe Anticipation Bulletin.

O original encontra-se em www.leap2020.eu/...

Este comunicado público encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A maldição do Euro BASENAME: canta-o-merlo-a-maldicao-do-euro DATE: Mon, 07 Oct 2013 13:24:06 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.resistir.info/europa/maldicao_do_euro.html

por David Cronin [*]

Tive um professor odioso na escola primária. Aquele bruto gostava de sovar seus alunos com duas varas castanhas que havia baptizado como Katie e Maggie. Quando não estava a infligir sofrimento às nossas palmas das mãos, o sr. C dava-nos lições de moral acerca do erro da violência.

José Manuel Barroso recorda-me o sr. C ? ainda que não haja semelhança física um com o outro. O chefe da Comissão Europeia está a supervisionar um experimento sádico que castiga milhões de pessoas, as quais não foram responsáveis pela crise financeira. E agora ele pretende ter descoberto uma consciência social.

Barroso e seus colegas começaram este mês um exercício cínico de recobri de açúcar a austeridade. Um documento de nova política da Comissão advoga que deveria haver mais acompanhamento das políticas de emprego dentro dos países da zona Euro. Isto está a ser apresentado como um grande esforço a fim de dar à moeda única uma dimensão social .

Não espere que o sadismo seja abandonado. Hoje todos os governos da eurozona estão sob tutela e têm de submeter seus orçamentos nacionais ao escrutínio de Bruxelas até 15 de Outubro. As regras de despesas que estão a levar ao estripamento de muitos estados de bem-estar social estão a ser impostas com rigor.

Dar uma "dimensão social" ao euro ignora que este é um projecto fundamentalmente anti-social. Não peço desculpas por procurar repetidamente chamar a atenção para o facto de que o plano de 1988 para a criação desta moeda foi formulado por um conluio de grandes corporações com mandato democrático zero. A Association for the Monetary Union of Europe , como aquele conluio era conhecido, incluía representantes da Goldman Sachs, Deutsche Bank, Total e British American Tobacco. Sua agenda era realizar as fantasias dos gatos gordos, e não, como nos dizem assessores de imagem, unir mais estreitamente os povos da Europa.

Um quarto de século depois, um conluio semelhante está a ditar as políticas económicas da UE. Em Junho, os governos da União comprometeram-se a proporcionar a todos os jovens um emprego ou estágio de aprendizagem dentro de quatro meses após o fim da faculdade ou de ficarem desempregados. Elementos chave desta proposta de garantia jovem foram copiados e colados de recomendações feitas pela Mesa Redonda Europeia de Industriais (European Roundtable of Industrialists, ERT), a qual reúne presidentes e executivos chefe da Shell, BP, Volvo, Nestlé e Heineken.

Longe de ser altruísta para com os nossos jovens, a ERT quer proporcionar-lhes um futuro de tensão, incerteza e empregos de pacotilha. Uma ladainha de exigências do grupo declara que as "medidas de protecção do emprego devem ser redesenhadas e modernizadas" na maior partes dos países da UE.

A ideia deles de "modernização" significa recuar a uma era anterior em que o trabalho organizado não havia alcançado avanços significativos. Se a ERT conseguir avançar, grandes companhias poderão dar pré avisos mais curtos antes de despedirem trabalhadores e pagarem indemnizações aos que perdem empregos quando estes forem cortados drasticamente. Pagamentos por horas extras e feriados não utilizados podem ser abolidos em nome da "flexibilidade".

Aqui em Bruxelas, Jacques Delors muitas vezes é louvado como uma espécie de visionário. Se o seu objectivo fosse ampliar a desigualdade e fazer milhões de miseráveis, então imagino que fosse um visionário. Pois foi exactamente isso o que este francês conseguiu ao apoiar veementemente o projecto da moeda única quando era presidente da Comissão Europeia.

Hoje Delors dirige um think tank chamado Notre Europe que é parcialmente financiado pelo gigante da energia GDF Suez. Seus devotos continuam a dar a impressão de que vale a pena salvar o Euro, desde que a sua fachada seja um pouco lavada.

Um novo documento do Notre Europe argumenta que a regra de despesas subjacente ao Euro deveria permanecer baseada no princípio de que aqueles que a desobedeçam serão punidos. Qualquer "dimensão social" que seja introduzida, por outro lado, deveria confiar em incentivos, ao invés de sanções.

Isso resume tudo, realmente. Governos ainda podem ser intimidados e coagidos a retalhar despesas em saúde e educação. Mas quaisquer medidas para amortecer a bofetada serão consideradas opcionais.

Seria encorajante se os sindicatos estivessem a combater esta agenda anti-social. Se bem que numerosos activistas estejam nas linhas de frente da resistência, alguns grandes actores no movimento trabalhista estão demasiado ocupados a aconchegaram-se aos patrões.

A Confederação Europeia dos Sindicatos associou-se recentemente à coligação corporativa BusinessEurope para emitir uma proposta conjunta para travar o desemprego juvenil. Com sua ênfase sobre "reformas" e "competitividade" ? ambas sinónimos de enfraquecimento de direitos trabalhistas ? a proposta lê-se como uma versão diluída da já mencionada ladainha da ERT.

O Euro tem sido uma maldição para as pessoas comuns. É necessário enterrá-lo se pretendemos uma Europa mais justa.
01/Outubro/2013

[*] Jornalista, irlandês, vive em Bruxelas, autor de Corporate Europe: How Big Business Sets Policies on Food, Climate and War , publicado pela Pluto Press.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- COMMENT: AUTHOR: Valentim [Visitante] DATE: Tue, 08 Oct 2013 19:50:22 +0000 URL: http://martinsmallinjod.neuf.fr

Prosseguindo o meu comentaio anterior, o euro não foi criado para facilitar a vida dos cidadãos, mas sim os movimetos de capitais e o aumento dos preços em todos os paises da Europa.
Penso e desejo o fim do euro proximo. Uma moeda so pode subsistir numa zona onde a fiscalidade,Qouseud as regras sociais e o nivel de vida sejam equivalentes.

----- COMMENT: AUTHOR: Valentim [Visitante] DATE: Tue, 08 Oct 2013 17:25:39 +0000 URL: http://martinsmallinjod.neuf.fr

Entràmos para a Europa como se fossemos à festa. As ajudas comunitarias serviram para fazer muitas obras, frequentemente injustificadas, elevando o nivel de vida dos paises e alimentando ao mesmo tempo a corrupção. Os paises continuaram a endividar-se tornando-se dependentes da finança mundial. Enquanto as cadeias de supermercados, os fabricantes de automoveis enriqueceram a nossa industria foi destruida pelas importaçéoes chinesas. Tudo isto foi calculado e previsto pelos lobings que se escondem por tràs dos deputados europeus.
Agora hà que pagar as vacas ao dono.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Alemanha exporta bancarrota e desemprego BASENAME: canta-o-merlo-alemanha-exporta-bancarrota-e-desemprego DATE: Sat, 28 Sep 2013 22:41:13 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.resistir.info/

"Mas um grande país [a Alemanha] com um enorme excedente estrutural de transacções corrente não exporta apenas produtos. Exporta também bancarrota e desemprego, particularmente se o fluxo de capital correspondente consiste em dívida a curto prazo". Quem o diz é Martin Wolf, colunista do Financial Times, a propósito da política económica do sr. Schäuble, ministro das Finanças alemão. Ver o seu artigo "O estranho universo paralelo da Alemanha ? Plano de Merkel para a zona Euro é profundamente depressivo" .
Com tal política a sobrevivência da zona Euro é impossível. Donde se conclui que, para os países do Sul da Europa, o melhor caminho para evitar serem arrastados no naufrágio do Euro (e da UE) é a saída unilateral. Quanto mais cedo melhor.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Dissolver o Euro: uma ideia que se imporá BASENAME: canta-o-merlo-dissolver-o-euro-uma-ideia-que-se-impora DATE: Sat, 28 Sep 2013 06:12:43 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

por Jacques Sapir [*]

http://www.resistir.info/europa/sapir_16set13.html

Desde o fim da Primavera, chega-nos dos países do Sul da Europa um concerto de "boas notícias". O crescimento estaria a retornar em Portugal, na Espanha e até mesmo na Grécia. As taxas mantêm-se a um nível considerado como "razoável". Em resumo, a crise da zona Euro estaria nas nossas costas. Contudo, ao olhar melhor, pode-se seriamente duvidar da realidade destas afirmações.

Será que saímos da Crise?

Há muito de manipulação, mas um pouco de verdade, nestas afirmações. Comecemos pelo pouco de verdade que contêm. Sim, a crise está em vias de atingir um patamar. Isto é evidente em Espanha onde o desemprego parece doravante estabilizado, ainda que a um nível muito elevado (25% da população activa). A crise não parece agravar-se mais nestes últimos meses, mas isso está longe de ser equivalente a uma saída da crise. Acrescentemos que nuvens cada vez mais negras se acumulam no horizonte: o crédito está em vias de se contrair (em particular na Itália e em França), o investimento reduz-se sempre (e com ele as perspectivas de crescimento futuro). Nada permite dizer que os países do Sul da Europa irão encontrar nos próximos meses o impulso de um crescimento que lhes permita apagar a crise que experimentam. A perspectiva de uma nova crise política na Itália, vindo acrescentar-se às dificuldades económicas, é uma forte probabilidade. [1]

Pode-se igualmente constatar (gráfico 1) que a melhoria da balança comercial neste país [Itália] está ligada à queda das importações e não a uma alta das exportações.

Da mesma forma, a subida dos créditos não pagos no balanço dos bancos é um indicador muito seguro da acumulação de problemas (gráfico 2).

Tendo em conta a importância da economia italiana, que é a terceira economia da zona Euro, é claro que a zona Euro está longe, muito longe, de estar livre de problemas.

No melhor dos casos, a crise vai durar ao mesmo nível que hoje. No pior ? e é isto que se pode temer quando se olha a evolução do crédito e do investimento ?, após esta pausa provisória, os resultados deveriam recomeçar a degradar-se a partir do segundo semestre de 2014. Já está claro que será preciso um novo plano de salvamento para a Grécia daqui até ao fim de 2013. [2]

Isto nos conduz às manipulações, amplamente evidentes num certo número de medias. Não se fala mais senão da "retomada" enquanto o conjunto dos indicadores permanece muito inquietante. Há um consenso numa parte da imprensa, essencialmente por razões políticas, que a leva a proclamar este retorno ao crescimento quando tudo o desmente. Houve um exemplo destas práticas a propósito das estatísticas do desemprego em França. Isso é instrutivo, tanto quanto ao estado de certos media em França quanto do ponto de vista mais geral da atitude das elites sobre este problema. Enquanto se continua a discutir a crise do Euro na Alemanha, na Itália e em Espanha, o tema parece ter desaparecido em França.

A crise em perspectiva

A zona Euro tem sofrido de vários males: a ausência de fluxos financeiros maciços para equalizar as estruturas económicas dos países membros; um Banco Central independente fixado numa política inoperante [3] ; e uma política de deflação salarial iniciada pela Alemanha, que tem a aparência de uma política de "passageiro clandestino" [4] ? também qualificada de "oportunista" ou de "não cooperativa" ? que exacerbou as tendências pré existentes às evoluções desiguais dos salários e da produtividade.

É preciso aqui lembrar que a crise da zona Euro não data dos anos 2010-2011, mas que tem raízes bem mais antigas. A introdução do Euro implicava também uma política monetária única para os países da zona. Ora, tanto as conjunturas económicas como os determinantes estruturais da inflação ? os problemas de repartição dos rendimentos, mas também a presença de cadeias logísticas mais ou menos sensíveis a altas de preços susceptíveis de serem adiadas ? implicam taxas de inflação estrutural diferentes conforme os países. Esta situação resulta da presença de rigidezes importantes na economia que invalidam a tese de uma "neutralidade" da moeda. [5]

Entretanto, no quadro de uma moeda única, as divergências de inflação não podem ser demasiado importantes devido a problemas de competitividade interna na zona. Um certo número de países teve então de ter uma inflação inferior ao seu nível estrutural. Isso, em consequência, levou-os a ter uma taxa de crescimento inferior à sua taxa de crescimento óptima e explica porque certos países como a Itália ou Portugal experimentaram um crescimento muito fraco. De facto, estes países perderam em dois tabuleiros: na competitividade e no nível de crescimento. [6]

Tabela 1? Taxas de crescimento dos países da zona Euro comparadas com países externos à zona (%)

1986/2012

1986/1999

2000/2007
Canadá 2,48 2,75 2,84
França 1,81 2,30 2,06
Alemanha 1,86 2,36 1,67
Itália 1,24 2,00 1,56
Japão 1,70 2,44 1,52
Grã-Bretanha 2,45 3,07 3,16
EUA 2,59 3,30 2,59
Suécia 2,31 2,21 3,23
Fonte: FMI, Outlook Database, Abril 2013

Se a economia europeia se arrasta na recessão desde 2000, isto verifica-se exactamente por causa do Euro. O facto de a Alemanha ter tirado proveito confirma isso, tanto devido às vantagens comparativas específicas deste país como à política que foi efectuada desde 2002 (as "reformas" Harz-IV). O Euro está no cerne do problema da Europa. Ele condena a maioria dos países que o adoptaram à recessão ou à crise, como na Europa do Sul. A Alemanha "exportou" para estes países entre 4 e 5 milhões de desempregados.

A opção de um federalismo europeu [7] , outro dos problemas políticos que ela introduz, choca-se com a amplitude dos fluxos de transferências a que a Alemanha deveria consentir em benefício dos países da Europa do Sul [8] . A Alemanha suportaria efectivamente 90% do total destas transferências líquidas, ou seja, entre 220 e 232 mil milhões de euros por ano (o que equivale 2200 a 2320 mil milhões em dez anos), entre 8% e 9% do seu PIB. Outras estimativas dão níveis ainda mais elevados, atingindo 12,7% do PIB. [9] . Convém portanto extrair todas as consequências: o federalismo não parece uma opção realista para os países da Europa do Norte e em primeiro lugar para a Alemanha. É irrelevante apresentá-lo como uma possível solução. [10]

A dissolução, único horizonte razoável?

A amplitude da recessão que atinge numerosos países anuncia um retorno da crise. A solvabilidade dos Estados não está mais garantida. O colapso dos recursos fiscais em numerosos países constitui um acelerador da crise. Esta situação testemunha perfeitamente a presença de defeitos estruturais na concepção e na execução da moeda única. [11] Estes últimos, desde há muito negados ou minimizados [12] , estão hoje em vias de serem reconhecidos.

SOLUÇÃO SALVADORA PARA A EUROPA DO SUL

Uma dissolução da zona Euro não seria uma "catástrofe" como muitas vezes se pretende, mas pelo contrário uma solução salvadora para a Europa do Sul e a França. É isto que mostra o estudo "Les Scénarii de Dissolution de l'Euro", publicado no princípio de Setembro. [13] Ali se pode ler, seguindo as diferentes hipóteses estudadas, não só o efeito muito benéfico das desvalorizações sobre a economia francesa como também sobre aqueles países hoje devastados pela crise, como a Grécia, Portugal ou Espanha. Naturalmente, segundo as hipóteses retidas, quanto ao carácter mais ou menos cooperativo desta dissolução mas também quanto à política económica seguida, as estimativas do crescimento divergem. Na pior, será preciso esperar um crescimento acumulado de 8% no terceiro ano após o fim do Euro e na melhor um crescimento de 20%. Para a Europa do Sul, o crescimento acumulado é em média de 6% para a Espanha, de 11% para Portugal e de 15% para a Grécia na hipótese mais desfavorável para estes países. Uma primeira lição se impõe então: a dissolução da zona Euro restauraria o crescimento em TODOS os países da Europa do Sul e provocaria uma baixa maciça e rápida do desemprego. Para a França, pode-se estimar a baixa do número de desempregados entre 1,0 e 2,5 milhões em três anos. Além disso, restabelecer-se-ia o equilíbrio dos regimes de reformas e de protecção social. No caso da França, este retorno ao equilíbrio seria muito rápido (em dois anos). Haveria efeitos importantes sobre as antecipações das famílias cujo horizonte seria libertado das inquietações provocadas por reforma em repetição. O consumo aumentaria e com ele o crescimento, mesmo que não se possa estimar este efeito. Esta dissolução daria outra vez à Europa do Sul sua vitalidade económica, mas seria lucrativa também para a Alemanha, pois uma Europa do Sul em expansão continuaria a comerciar com o seu vizinho do Norte após um reajustamento das competitividades. [14]

Os inconvenientes seriam muito limitados. Tendo em conta os impostos, o impacto de uma desvalorização de 25% em relação ao Dólar sobre o preço dos combustíveis não provocaria senão uma alta de 6% a 8% do produto "na bomba". Desaparecido o Euro, as dívidas dos diferentes Estados seriam redenominadas em moeda nacional.

Uma tal política imporia também controles de capitais em cada país. Notemos que este já é o caso em Chipre! Estes controles, além do facto de que contribuiriam para desfinanciarizar estas economias, limitariam consideravelmente a especulação e permitiriam aos Bancos Centrais visar objectivos de paridade. Uma vez atingidas estas paridades, um sistema de flutuações coordenadas das moedas, como no tempo do ECU, poderia ser posto em acção. Historicamente, o que desferiu o golpe mortal neste sistema foi a especulação monetária. Suprimida esta, ou fortemente reduzida, o sistema poderia funcionar novamente.

Da "moeda única" à "moeda comum"?

Esta ideia atrai um certo número de homens (e de mulheres) políticos. E ela está longe de ser absurda, muito pelo contrário. De facto, uma moeda comum deveria ter sido adoptada desde o princípio.

Do que se trata? Pode-se imaginar que o sistema monetário europeu reconstituído que se teria após a dissolução do Euro desemboque numa "moeda comum" vindo acrescentar-se às moedas existentes, a qual seria utilizada para o conjunto das transacções (bens e serviços mas também investimentos) com os outros países.

Esta dissolução da zona Euro, se ela resultar de um acto concertado da parte dos países membros, deveria dar nascimento a um sistema monetário europeu (SME) encarregado de garantir que a necessária flexibilidade dos câmbios não se transforme em caos. Se um tal sistema for posto em acção, haveria necessariamente consequências importantes sobre o sistema monetário internacional. Este novo SME deveria, para poder funcionar correctamente, ter as seguintes características:

(i) As paridades entre as moedas dos países que fazem parte deste SME devem ser fixas, ainda que permanecendo revisáveis de maneira regular para evitar que se reproduzam os desequilíbrios que hoje devastam o Euro. Isto implica a constituição de uma unidade de conta europeia e a regulamentação dos movimentos de capitais no interior da zona. Se os movimentos de capitais para fins de investimento não colocam problemas devido à fixação das paridades, não deve haver senão um mercado muito reduzido das opções, ele próprio severamente regulamentado. De resto, o mercado monetário não deve ser feito senão à vista (au comptant) com interdição absoluta das posições descobertas.

(ii) A fixação das paridades deve-se fazer de maneira coordenada , no quadro de um conselho financeiro europeu, tendo em conta as evoluções da produtividade e da inflação em cada país. O objectivo sendo reduzir fortemente as posições seja credoras seja devedoras em matéria de balança de pagamentos. Os défices como os excedentes internos no SME deveriam então ser transferidos para uma conta especial do BCE ? que desempenharia assim o papel de instituição de clearing ? e deveriam ser tributados proporcionalmente (prorata) à sua importância (por tranche) e a sua duração.

(iii) É importante que a legislação bancária, em particular para os bancos de retalho, seja harmonizada. Deste ponto de vista, um mecanismo de união bancária é tão importante quanto o era sob o Euro. Esta união bancária deveria ser administrada pelo BCE, cujas competências e papel seriam então redefinidos por um novo estatuto.

(iv) O Banco Central Europeu terá a responsabilidade da gestão da unidade de conta em relação a países "fora da zona". Isso implica que ele teria a responsabilidade de ter um objectivo de taxa de câmbio da unidade de conta em relação às outras moedas (fora do SME) e que deveria poder intervir para defender este objectivo nos mercados financeiros. As transacções tanto comerciais como financeiras fora do SME seriam feitas só em unidade de conta.

(v) Neste sistema monetário europeu, não é necessário nem desejável que o estatuto actual dos Bancos Centrais seja conservado. Convém aproximar os Bancos Centrais dos governos ? passando de uma "independência" a uma "autonomia" na aplicação das políticas decididas pelos governos ? e permitir-lhes cobrir por empréstimos e adiantamentos mínimos a parte não estrutural do défice (peso dos juros da dívida, medidas orçamentais especiais para enfrentar crises ou qualquer outro imprevisto).

(vi) A dívida dos países, no momento detida de 30% a 65% por não residentes (maioritariamente europeus) seria progressivamente renacionalizada. As emissões de dívidas não poderiam ser feitas senão na moeda nacional, salvo acordo europeu para manter uma moeda comum externa, que deveria oferecer activos de aplicações internacionais e que justificaria que uma parte mínima das dívidas seja denominada nesta moeda comum. De facto, a utilização de mecanismos como os patamares mínimos de efeitos públicos nos activos dos bancos forneceria os recursos necessários.

(vii) A unidade de conta funcionaria como um "cabaz" de moedas, onde as proporções de cada moeda, assim como suas paridades, poderiam ser revistas.

Este sistema corresponderia na realidade à existência de uma moeda concebida como uma unidade de conta vindo acrescentar-se às moedas nacionais existentes. Esta situação seria muito propícia à ressurreição do Euro, mas sob a forma de uma moeda comum.

Isto daria à Europa em simultâneo a flexibilidade interna de que tem necessidade e a estabilidade em relação ao resto do mundo. Sendo um "cabaz de moeda" intrinsecamente mais estável que uma moeda isolada, esta moeda comum poderia a prazo tornar-se um poderoso instrumento de reserva, correspondendo aos desejos expressos pelos países emergentes dos BRICS.

A dissolução do Euro, nestas condições, assinalaria não o fim da Europa como pretendem alguns mas sim, ao contrário, seu retorno vencedor na economia mundial. E, além do mais, um retorno que beneficiaria maciçamente, tanto pelo crescimento como pela emergência a prazo de um instrumento de reserva, os países em desenvolvimento da Ásia e da África.
Notas
[1] Thelier C., "Italie, une rentrée agitée", NATIXIS Special Report , n° 155, 13 septembre, Paris.
[2] Artus P., "En quoi pourrait consister une nouvelle aide à la Grèce?" FLASH-ECONOMIE Natixis , n° 598, 30 août 2013, Paris.
[3] Biböw J., "The Euro and Its Guardian of Stability" in Rochone L-P et S. Yinka Olawoye (edits), Monetary Policy and Central Banking : New Directions in Post-Keynesian Theory , Edwrd Elgar, Cheltenham et Northampton, 2012, pp. 190-226.
[4] Flassbeck H., "Wage Divergence in Euroland : Explosive in the Making" in Biböw J. et A. Terzi (edits.), Euroland and the World Economy ? Global Player or Global Drag ? , Palgrave MacMillan, Londres, 2007.
[5] B.C. Greenwald et J.E. Stiglitz, "Toward a Theory of Rigidities" in American Economic Review , vol. 79, n°2, 1989, Papers and Proceedings , pp. 364-369. L. Ball et D. Romer, "Real Rigidities and the Nonneutrality of Money" in Review of Economic Studies , 1990, vol. 57, n°1, pp. 183-203.
[6] Voir sur ce point Biböw J. et A. Terzi (edits.), Euroland and the World Economy ? Global Player or Global Drag ? , op.cit..
[7] Artus J., Trois possibilités seulement pour la zone euro , NATIXIS, Flash-Économie , n°729, 25 octobre 2012.
[8] Sapir J., "Le coût du fédéralisme dans la zone Euro", billet publié sur le carnet Russeurope le 10/11/2012, URL: http://russeurope.hypotheses.org/453
[9] Artus P., "La solidarité avec les autres pays de la zone euro est-elle incompatible avec la stratégie fondamentale de l'Allemagne : rester compétitive au niveau mondial ? La réponse est oui", NATIXIS, Flash-Économie , n°508, 17 juillet 2012.
[10] Comme le fait Michel Aglietta, Zone Euro : éclatement ou fédération , Michalon, Paris, 2012
[11] Sapir J., Faut-il Sortir de l'Euro ? Le Seuil, Paris, 2012.
[12] Des travaux comme ceux collationnés dans Biböw J. et A. Terzi (edits.), Euroland and the World Economy ? Global Player or Global Drag ? , Palgrave MacMillan, Londres, 2007.
[13] Sapir J., et P. Murer (avec la contribution de C. Durand), Les scenarii de la dissolution de l'Euro , Étude de la Fondation Res Publica , septembre 2013, Paris, 88p.
[14] Artus P. (red), "C'est la compétitivité-coût qui devient la variable essentielle" in Flash-Economie , Natixis, note n° 596, 30 août 2013, Paris.
16/Setembro/2013

[*] Economista.

O original encontra-se em russeurope.hypotheses.org/1526

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O valor do dinheiro BASENAME: canta-o-merlo-o-valor-do-dinheiro DATE: Fri, 27 Sep 2013 16:39:46 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://agal-gz.org/blogues/admin.php?ctrl=items&action=new&blog=12

"O sistema monetário pós Bretton Woods pode ser caracterizado não como um padrão dólar, mas mais rigorosamente como um padrão petro-dólar".
por Prabhat Patnaik [*]

Introdução

Um aspecto intrigante da nossa vida quotidiana é que uns pequenos pedaços de papel que intrinsecamente não valem nada, e a que chamamos dinheiro, pareçam ter valor e possam ser trocados por objectos úteis. O propósito deste livro é examinar a organização social subjacente a este facto. Embora esta organização social não seja mais do que toda a organização social subjacente ao capitalismo, há uma razão para começarmos a nossa investigação pelo "lado do dinheiro". Isto porque uma parte importante da organização social, que nem sempre é aparente quando começamos pelo conceito de "capital", surge com maior nitidez quando consideramos o dinheiro como ponto de partida para a nossa análise. Esta parte prende-se ao facto de o capitalismo não poder existir, e nunca ter existido, isolado como um sistema fechado, contido em si mesmo, conforme se pressupõe habitualmente em grande parte da análise económica. Por outras palavras, a melhor via para entender a totalidade da organização social subjacente ao capitalismo é começar por uma pergunta muito simples: O que é que insufla o valor a estes pedaços de papel que não têm qualquer valor intrínseco? Esta pergunta, por seu turno, faz parte duma pergunta mais abrangente: O que é que determina o valor do dinheiro, quer ele consista de bocados de papel sem valor intrínseco ou de metais preciosos? Para estas perguntas tem havido duas respostas básicas em economia. A primeira proposta deste livro é que uma dessas respostas, a que é dada pela actual economia "predominante" (mainstream), não resiste a uma avaliação lógica. Portanto vou começar com uma crítica da economia "predominante" e, em especial, da noção de "equilíbrio" que lhe é central.

Uma crítica da noção predominante de equilíbrio

A teoria económica predominante toma a compensação do mercado (market clearing) como ponto de referência. Na sua percepção, a flexibilidade de preços que caracteriza os mercados no tipo ideal de economia capitalista, garante a equiparação da oferta e da procura num conjunto de preços de equilíbrio. As dotações que uma economia dispõe e cuja propriedade é distribuída de determinada maneira entre os agentes económicos são plenamente utilizadas para produzir um conjunto de bens cuja oferta é exactamente igual à sua procura neste conjunto de preços de equilíbrio. Decorre daí que numa economia dessas não existe a questão de qualquer desemprego involuntário, no sentido de uma oferta excessiva de mão-de-obra à taxa salarial prevalecente, em equilíbrio. Gostos, tecnologia, a dimensão das dotações e a sua distribuição pelos agentes económicos e as "condições de frugalidade" (para usar uma frase de Joan Robinson), ou aquilo a que alguns chamariam a "preferência no tempo" dos agentes económicos, determinam os preços de equilíbrio e os produtos neste mundo de agentes "racionais", onde as empresas maximizam lucros e indivíduos maximizam utilidades.

Mas esta noção predominante de equilíbrio só é logicamente sustentável num mundo sem dinheiro, razão por que não pode ser uma descrição logicamente válida para uma economia capitalista. Isto porque num mundo com dinheiro, de acordo com esta concepção, o mercado do dinheiro deve "compensar" a um determinado preço do dinheiro em termos dos bens não monetários. Isso só pode acontecer se o excesso na curva da procura de dinheiro tiver uma inclinação descendente em relação ao "preço do dinheiro". Por outras palavras, para uma dada oferta de dinheiro a procura por dinheiro tem que variar em proporção inversa ao preço do mesmo. Sendo o preço do dinheiro a recíproca do nível de preço das mercadorias em termos de dinheiro, isso implica que a procura de dinheiro tem que variar em proporção directa com o nível do preço das mercadorias. A economia predominante considerava isto como garantido, porque via o dinheiro apenas como um meio de circulação, de modo que quanto maior fosse o valor dos bens que têm de circular, maior seria a procura de dinheiro. Logo, com a produção ao nível do pleno emprego, o valor dos bens (e portanto o valor dos bens a circular) depende do seu nível de preço, a procura por dinheiro tem de estar relacionada positivamente ao nível de preços.

O papel do dinheiro como meio de circulação assegurava isso. O problema, contudo, é que o dinheiro também é uma forma de riqueza. Ele não pode ser um meio de circulação sem ser uma forma de riqueza, visto que até mesmo o anterior papel exige que o dinheiro seja mantido, mesmo que fugazmente, como riqueza. E quando o papel do dinheiro enquanto forma-de-riqueza é reconhecido, torna-se claro que a procura de dinheiro também depende dos retornos esperados de outras formas de riqueza. Se a procura de dinheiro depende das expectativas quanto ao futuro, então não há nenhuma razão para que a curva da procura do dinheiro deva ser inclinada em sentido ascendente em relação ao nível de preços, conforme exigido pela teoria "predominante", visto que qualquer alteração no nível de preços não pode deixar de alterar as expectativas.

Para sair deste atoleiro, a teoria predominante arranjou dois caminhos alternativos. Um deles é recusar, muito teimosamente, o papel do dinheiro como forma-de-riqueza e ver o dinheiro só como meio de circulação. O outro é reconhecer o papel do dinheiro como forma-de-riqueza mas assumir que as expectativas são sempre de um tipo que não cria qualquer problema à teoria, pelo menos no que se refere à existência e à estabilidade do equilíbrio. O primeiro é o caminho ortodoxo da constante k de Cambridge ou, o que de facto vem a dar na mesma, uma velocidade de circulação do dinheiro constante (sujeita a alterações autónomas a longo prazo), a qual é amplamente usada ainda hoje em trabalho empírico corrente do género monetarista. O segundo é o caminho do efeito de "equilíbrio real", cuja validade depende, entre outras coisas, do pressuposto de expectativas de preços não elásticos.

No entanto, estes dois caminhos estão bloqueados por contradições lógicas. O caminho da constante-Cambridge está bloqueado pela contradição óbvia de que o dinheiro não pode ser assumido logicamente como um meio de circulação a não ser que também possa funcionar como forma de riqueza. E se pode, então não há razão para que não o faça. E se o faz, então não podemos assumir uma constante k de Cambridge. O segundo caminho está bloqueado pela contradição de que expectativas de preços não elásticos pressupõem uma certa fixação aos preços, ou seja, a existência de alguns preços que estão colados, e num mundo de preços flexíveis não há razão para que seja este o caso. Segue-se que pura e simplesmente não há forma logicamente sustentável de construir uma estrutura teórica em conformidade com a percepção "predominante" num mundo com dinheiro e portanto para uma economia capitalista.

Por causa disso existe uma tradição alternativa na economia, a que eu chamo a tradição "proprietarista" ("propertyist"), que sempre considerou o valor do dinheiro como sendo fixado fora do reino da oferta e da procura. A este valor, fixado fora do reino da oferta e da procura, indivíduos habitualmente mantêm saldos de dinheiro a mais para além do que é exigido para efeitos de circulação: O dinheiro constitui tanto um meio de circulação como uma forma de manter riqueza. Neste caso, é impossível manter a lei de Say. Se a riqueza pode ser mantida sob a forma de dinheiro, então surge a possibilidade de superprodução ex-ante das mercadorias não monetárias. E esta superprodução ex-ante dá origem a uma verdadeira contracção da produção, não apenas das mercadorias não monetárias mas do dinheiro e das mercadorias não monetárias no seu conjunto, precisamente porque o preço do dinheiro em termos de mercadorias é fixado no exterior do reino da oferta e da procura, de modo que não se pode assumir que a flexibilidade do preço elimine essa sobreprodução ex-ante.

Segue-se, pois, que o reconhecimento do papel do dinheiro como forma de retenção de riqueza, o reconhecimento do facto de que o seu valor não pode ser determinado no interior do reino da oferta e da procura mas tem que ser fixado no exterior desse reino, e o reconhecimento da possibilidade de superprodução generalizada ou ? o que vem a dar na mesma ? do desemprego involuntário no sentido keynesiano, estão logicamente interligados e constituem a tradição proprietarista. Em contraste, a negação de cada um destes fenómenos também está interligada logicamente e constitui a tradição monetarista-walrasiana que se mantém predominantemente.

Dentro da tradição proprietarista, há duas contribuições principais. Uma é de Marx, que não só assinalou explicitamente a insustentabilidade de explicar o valor do dinheiro em termos de oferta e procura, mas também forneceu uma explicação alternativa para isso através da sua teoria do valor-trabalho. Sublinhou a existência em todas as épocas de uma "acumulação" ("hoard") de dinheiro como forma de guardar riqueza numa sociedade capitalista, e reconheceu, contra Ricardo, que fora um crente na lei de Say, a possibilidade da superprodução generalizada ex-ante como consequência desse facto. Mas nem Marx nem os seus seguidores aprofundaram essa contribuição fundamental de Marx; preferiram, em vez disso, seguir exclusivamente a outra importante descoberta teórica de Marx, nomeadamente a que se relaciona com a sua teoria da mais-valia. É por isso que se passaram três quartos de um século antes de os mesmos temas terem voltado à superfície durante a revolução keynesiana através dos escritos de Kalecky e de Keynes, entre outros, que constituíram o segundo principal grupo de contribuidores dentro da tradição proprietarista.

Claro que houve diferenças importantes entre Marx e Keynes na especificação das suas teorias. Enquanto Marx invocava a teoria do valor-trabalho para explicar a determinação do valor do dinheiro, Keynes achava que o valor do dinheiro em relação ao mundo das mercadorias era fixado através da fixação do valor do dinheiro em relação uma determinada mercadoria, nomeadamente o poder da força-de-trabalho (para usar a expressão de Marx). O facto de o custo hora do trabalho ser fixado num período específico, que foi o foco de análise de Keynes, foi o que deu ao dinheiro um valor finito e positivo em relação a todo o universo das mercadorias. E a fixidez dos salários em dinheiro não foi a causa do fracasso do mercado, como se tem admitido genericamente, mas o modus operandi do próprio sistema de mercado numa economia capitalista que necessariamente usa dinheiro. A superioridade da tradição proprietarista ao analisar o funcionamento da economia capitalista sobre a tradição monetarista-walrasiana deriva pois não só do seu maior "realismo" (por exemplo, o facto de o capitalismo sofrer crises de superprodução) mas também de aquela estar liberta das debilidades lógicas que afectam o monetarismo walrasiano.

Uma crítica da noção de capitalismo enquanto sistema isolado

Este livro apresenta também uma segunda proposta. O proprietarismo, apesar da sua superioridade sobre o monetarismo, continua incompleto. Não apresenta nenhum mecanismo convincente para assegurar que o nível de actividade duma economia capitalista se mantenha dentro dos limites que a tornem viável. A propensão duma economia capitalista para a superprodução generalizada torna-a essencialmente um sistema de constrangimento da procura (em que o constrangimento da oferta só se torna relevante em períodos excepcionais duma procura excepcionalmente alta). Mas se o capitalismo é um sistema de procura constrangida, então o que é que garante o facto de ele se manter viável, ganhando genericamente uma taxa de lucro que os capitalistas considerem adequada? As operações espontâneas dum sistema de procura constrangida não vão assegurar que ele funcione genericamente acima de um determinado grau de capacidade de utilização, que constitui o limiar da sua viabilidade. Conforme mostrou a discussão harrodiana sobre o crescimento, uma economia capitalista, entregue aos seus próprios dispositivos, não tem os meios para voltar atrás se entrar numa desaceleração. E como mostrou Kalecki no contexto dum sistema de procura constrangida, de que o universo harrodiano foi um exemplo específico, a tendência a longo prazo num sistema desses, na ausência de estímulos exógenos, é zero, o que certamente minaria a viabilidade dessa economia.

Ora bem, uma economia capitalista isolada, funcionando espontaneamente, não tem nenhuns estímulos exógenos. A inovação, o principal estímulo exógeno realçado por autores tão diferentes como Schumpeter e Kalecki, não é verdadeiramente um estímulo exógeno, visto que o ritmo de introdução da inovação em si mesmo não é independente do crescimento esperado da procura. E as despesas estatais, o outro principal estímulo exógeno que pode surgir numa economia capitalista isolada, não fazem parte verdadeiramente do funcionamento espontâneo do capitalismo (para além de ser um fenómeno que só adquiriu importância especial nos últimos anos). Daí que, até mesmo o proprietarismo continua incompleto. Depois de reconhecer correctamente que o sistema capitalista é propenso a uma deficiência da procura agregada, não oferece qualquer explicação sobre como, apesar disso, o sistema conseguiu sobreviver e prosperar durante tanto tempo.

Há aqui uma segunda questão com ela relacionada. Para a esclarecer, esqueçamos por instantes a primeira questão. Aceitemos que um estímulo exógeno sob a forma de inovações consegue sempre manter o nível da procura e portanto o nível de actividade na economia capitalista que constitui o nosso universo. Ora bem, mesmo que o valor do dinheiro em termos de mercadorias não monetárias seja dado do exterior do reino da oferta e da procura em qualquer período, se esse valor continuar a variar de forma ilimitada ao longo de períodos, através, por exemplo, duma inflação acelerada, então a existência continuada duma economia monetária normal mais uma vez é inexplicável. E se o nível de actividade tiver que se ajustar para manter os movimentos de preços "ao longo de períodos" dentro de limites, então esse nível pode muito bem cair abaixo do limiar que torna viável a economia, apesar da presença do estímulo exógeno. Segue-se que uma economia monetária tem que ter não apenas uma determinação "exterior" do valor do dinheiro em qualquer período, mas também qualquer mecanismo, que não seja o de ajustamentos no nível de actividade, para manter os movimentos de preço ao longo de períodos dentro de limites estritos. Um mecanismo óbvio é a fixidez de algum preço não só dentro do período mas também ao longo de períodos. Ou, dizendo de outro modo, o preço que é dado do "exterior" em qualquer período também deve estar a mudar lentamente ao longo de períodos. O proprietarismo continua incompleto porque não apresenta nenhuma razão para que isso aconteça. Daí que, apesar da sua superioridade sobre o monetarismo e o walrasianismo, o proprietarismo, tal como se apresenta, também não está isento de problemas lógicos.

A única forma de ultrapassar todos estes problemas é conceber o capitalismo como um modo de produção que nunca existe isoladamente, que está obrigatoriamente ligado aos modos pré-capitalistas que o rodeiam e que se mantém continuamente viável por se intrometer nos mercados pré-capitalistas. A limitação do proprietarismo é que, apesar de rejeitar o monetarismo por razões perfeitamente válidas, se manteve refém do mesmo pressuposto, de uma economia capitalista isolada e fechada, que caracterizava o monetarismo. Em resumo, a sua rejeição da perspectiva predominante não foi suficientemente radical e exaustiva.

Dizer que a economia capitalista precisa de se intrometer em mercados pré-capitalistas não é o mesmo que dizer, como o fez Rosa Luxemburgo, que ela precisa de "realizar" toda a sua mais-valia em cada período através de vendas ao sector pré-capitalista. Na verdade, o papel dos mercados pré-capitalistas nem sequer tem que ser quantitativamente significativo. Durante a maior parte do tempo a economia capitalista pode crescer pelos seus próprios meios, enquanto puder usar os mercados pré-capitalistas como meio de poder funcionar sempre que estiver num movimento descendente. E mesmo para este funcionamento, a dimensão quantitativa de vendas aos mercados pré-capitalistas não precisa de ser significativa. Com efeito, em rigor, enquanto a disponibilidade dos mercados pré-capitalistas possa instilar nos capitalistas suficiente confiança para fazerem investimentos, qualquer abrandamento pode ser travado ou mesmo abortado, sem interferência visível nos mercados pré-capitalistas. Por outras palavras, o que logicamente se exige é a existência de mercados pré-capitalistas em que se possa intrometer e não uma real intromissão significativa nesses mercados. Em resumo, constituem "mercados de reserva" a par do exército de reserva da força de trabalho. E assim é porque os bens do sector capitalista podem sempre desalojar a produção local na economia pré-capitalista, provocando nela a desindustrialização e o desemprego.

Essa deslocação periódica deixa atrás de si uma massa empobrecida na economia pré-capitalista, que constitui para o sector capitalista um segundo exército de reserva, situado à distância, para além do que existe dentro do próprio sector capitalista. Esse exército de reserva situado à distância garante que o custo hora do trabalho dos trabalhadores situados no meio desse exército de reserva só varie lentamente com o tempo. Em resumo, esses trabalhadores são "aceitadores de preços" (price-takers) ? ou, mais rigorosamente, as suas reivindicações ex ante de salários reais são esmagadas precisamente porque estão situados no meio de amplas reservas de mão-de-obra. Como os produtos que eles produzem entram nos custos de salários e matérias-primas do sector capitalista no seu âmago, desempenham o papel de "pára-choques" do sistema capitalista. Por causa deles, a economia capitalista mantém-se viável tanto no sentido de ter um nível de actividade que ultrapassa o nível do limiar que lhe fornece a taxa de lucro mínimo aceitável, como no sentido de que o seu sistema monetário pode ser sustentado sem qualquer receio de aceleração da inflação.

Em resumo, o modo de produção capitalista precisa de estar sempre rodeado por modos pré-capitalistas que não são deixados na sua pureza preservada, mas são modificados e alterados de um modo que faz com que sirvam melhor as necessidades do capitalismo. O carácter incompleto do proprietarismo pode ser ultrapassado através do reconhecimento de que o capitalismo tem sempre integrada esta condição.

Esta percepção, embora tenha alguma afinidade com a de Rosa Luxemburgo, difere da dela de modo crucial. Primeiro, conforme já referido, realça mais o papel qualitativo dos mercados pré-capitalistas do que o seu papel quantitativo, e evidentemente não os considera como o local para a realização de toda a mais-valia do sector capitalista em cada período. Segundo, não considera o sector pré-capitalista como sendo assimilado pelo sector capitalista e portanto desaparecendo com o tempo como uma espécie distante; pelo contrário, mantém-se como uma economia devastada e degradada, local duma ampla massa empobrecida de pequenos produtores desalojados, uma reserva de trabalho longínqua, que serve as necessidades do capitalismo garantindo a estabilidade do sistema monetário.

Relações sociais subjacentes ao dinheiro

Assim, subjacente a uma economia monetária moderna, existe um conjunto de relações sociais que são necessariamente desiguais e opressivas. A estabilidade do valor do dinheiro baseia-se na persistência dessas relações. Claro que isso não significa que cada economia capitalista utilizadora de dinheiro tenha que impor essas relações desiguais e opressivas em determinado segmento especial do seu ambiente pré-capitalista. Habitualmente essas economias capitalistas estão interligadas num sistema monetário internacional e a potência capitalista dominante na altura assume a tarefa de impor as relações desiguais requeridas ao mundo "exterior" das economias pré-capitalistas e semi-capitalistas. Assim, a estabilidade do valor do dinheiro fica ligada à estabilidade do sistema monetário internacional, assumindo sobretudo a forma da manutenção da confiança dos detentores da riqueza do mundo capitalista na divisa da economia dominante como um meio estável para a detenção da riqueza.

Nem sempre é óbvio que esse papel da divisa do país dominante decorra da sua capacidade de sustentar um conjunto de relações globais desiguais e opressivas. Por vezes pensa-se que esse papel decorre de a divisa dominante estar ligada a metais preciosos. Mas isso é um erro. A ligação aos metais preciosos, por si só, não pode ser sustentada na ausência de tais relacionamentos. A estabilidade do sistema monetário internacional durante os anos do padrão ouro verificou-se não devido ao apoio do ouro às divisas, incluindo em especial a libra esterlina, que era a divisa dominante da época; resultou de a Grã-Bretanha poder impor um conjunto de relações opressivas e desiguais sobre grandes faixas do globo que constituíam o seu império formal e informal. A manutenção da ligação ao ouro era um sinal para os detentores de riqueza de que essas relações continuavam. E quando essas relações foram desgastadas no período entre guerras, apesar de a libra esterlina estar formalmente ligada ao ouro novamente, essa ligação não pôde ser sustentada.

Segue-se daqui que, mesmo na ausência de qualquer ligação anterior a metais preciosos, enquanto a potência capitalista dominante puder estabelecer essas relações globais, a sua divisa continua a ser considerada "tão boa como o ouro"; ou seja, mesmo um padrão puro do dólar só pode constituir o sistema monetário internacional enquanto os Estados Unidos puderem estabelecer a hegemonia global exigida para instilar a confiança entre os detentores de riqueza do mundo capitalista de que a sua divisa é "tão boa como o ouro". No entanto, uma pré-condição para isso é que o valor da sua força de trabalho, em termos da sua divisa, tem que ser relativamente estável (o que exclui uma inflação significativa, quanto mais uma inflação acelerada no seu próprio território); e, relacionado com isso, o valor das importações cruciais que entram no custo de salários e no custo dos materiais, também tem que ser relativamente estável. Com efeito, enquanto esta última condição se cumprir e as reservas de mão-de-obra internas forem suficientemente grandes para impedir qualquer aumento autónomo de salários, a inflação pode ser excluída como fonte de desestabilização do papel da sua divisa como meio estável de detenção de riqueza. Como a contribuição mais significativa é a importação do petróleo, um padrão dólar pode funcionar enquanto o preço em dólares do petróleo for relativamente estável. Portanto, o que parece à primeira vista ser um padrão dólar puro, se olharmos mais de perto tem que ser um patrão petro-dólar. O sistema monetário pós Bretton Woods pode ser caracterizado não como um padrão dólar, mas mais rigorosamente como um padrão petro-dólar. Segundo todas as aparências, o mundo pode ter acabado com o dinheiro mercadoria com a separação do dólar do ouro. Mas o ponto crucial da argumentação deste livro é que nunca pode ser assim. O valor do dinheiro, mesmo o dinheiro papel ou crédito, deriva da sua ligação ao mundo das mercadorias.

A procura mundial de petróleo e gás natural que ocorre presentemente, liderada pelos Estados Unidos, não é alimentada apenas pelo desejo de adquirir estes recursos para utilização. É alimentada muito mais fortemente pela necessidade de preservar o padrão petro-dólar. Até Alan Greenspan reconheceu abertamente que a invasão do Iraque foi feita para assumir o controlo sobre as suas imensas reservas petrolíferas; sem dúvida há motivos semelhantes subjacentes à ameaça de acção contra o Irão. Uma percepção comum é que essa aquisição do controlo é necessária aos Estados Unidos e a outros países avançados porque são os principais consumidores deste recurso, que actualmente está em mãos alheias. Pode ser que assim seja. Mas um motivo extremamente significativo que quase invariavelmente é esquecido é que o controlo do petróleo é essencial para a preservação do actual sistema monetário internacional.

Isto à primeira vista pode parecer estranho porque a tentativa desse controlo tem sido acompanhada por um aumento maciço do preço em dólares do petróleo. Mas isso é porque a invasão do Iraque não ocorreu de acordo com o planeado. E, de resto, o aumento do preço do petróleo, per se, não é desestabilizador se não provocar persistentemente uma inflação mais alta e se não der origem a expectativas de aumentos persistentes no preço do petróleo ou no nível de preços em geral no país dominante. Os obituários ao sistema monetário internacional dominante, relativos à hegemonia do dólar, são prematuros. Mas, embora possa ser assim, há a importante sensação de que o mundo capitalista está cada vez mais acossado por dificuldades.

O capitalismo na maturidade

Rosa Luxemburgo extraiu da sua análise a conclusão de que o sistema capitalista estava confrontado com a inevitabilidade do "colapso", quando todo o sector pré-capitalista fosse assimilado ao sector capitalista. Essa conclusão não se segue da argumentação apresentada neste livro; e nenhuma conclusão assim pode ser retirada validamente acerca do capitalismo. O capitalismo contemporâneo, porém, está confrontado com graves dificuldades, muitas das quais surgem do avanço do próprio capitalismo.

São óbvias duas consequências da maturidade. Primeiro, o peso do sector pré-capitalista, e portanto do mercado pré-capitalista, diminui ao longo do tempo em relação à dimensão do sector capitalista, de modo que já não consegue desempenhar o mesmo papel de fornecer um estímulo exógeno ao sector capitalista como fazia anteriormente. Segundo, o declínio na quota das importações (excluindo o petróleo) das mercadorias primárias no valor bruto da produção da metrópole capitalista, em si mesmo uma herança do esmagamento dos produtores primários, implica que qualquer outro esmagamento se torna cada vez mais infrutífero. A compressão das reivindicações ex ante desses produtores deixa de ser uma arma potente para impedir a aceleração da inflação no nível de actividade prevalecente.

O primeiro destes problemas pode ser ultrapassado através da "gestão da procura" pelo estado. Mas com a globalização da finança, nem todos os estados podem fazer isso, visto que esse activismo estatal assusta os especuladores. O governo do país capitalista dominante, os Estados Unidos (cuja divisa é considerada "tão boa como o ouro") ainda consegue aguentar um défice fiscal para estimular a procura mundial, e um défice corrente em relação às potências capitalistas suas rivais por lhes oferecer um mercado maior. Em resumo, pode agir como estado mundial substituto, expandindo o nível de actividade na economia capitalista mundial.

Há dois obstáculos óbvios para isso. Primeiro, o governo dos EUA, que pode agir como estado mundial substituto, é apesar de tudo um estado nação. Dificilmente se pode esperar que venha a ser suficientemente altruísta para estimular o nível de actividade no mundo capitalista no seu conjunto, e não unicamente dentro das suas fronteiras, aumentando a dívida externa da sua economia (que essa intervenção expansionista provocaria). Segundo, mesmo a um nível de actividade relativamente baixo no mundo capitalista, a economia dos EUA já está a ficar cada vez mais endividada. Dificilmente se pode esperar que este problema se agrave ainda mais por razões altruístas, o que implica que o estímulo da procura no mundo capitalista, e daí a tendência da taxa de crescimento, continuará a manter-se baixa.

A crescente dívida dos EUA, mesmo ao actual nível de actividade, representa uma ameaça potencial para a sua hegemonia, e é na verdade um desenvolvimento único. A ideia de a potência capitalista dominante ser também a mais endividada representa uma situação sem precedentes na história do capitalismo. A bem dizer, a principal potência capitalista, a fim de preservar o seu papel de liderança satisfazendo as ambições das potências suas recém industrializadas potências rivais novamente, tem necessariamente numa determinada fase da sua carreira que gerir um défice de transacções correntes com elas. A Grã-Bretanha, a potência capitalista dominante no seu tempo, teve que fazer o mesmo nos finais do século XIX e início do século XX, um período de difusão significativa do capitalismo. Mas a Grã-Bretanha não se endividou nesse processo; pelo contrário, tornou-se a mais importante nação credora do mundo exactamente durante esse mesmo período. Hoje, o caso com os Estados Unidos é exactamente o oposto.

A principal razão para essa diferença é que a Grã-Bretanha usou as suas colónias e semi-colónias tropicais para encontrar mercados para os seus produtos, que estavam a ser cada vez mais desdenhados na metrópole; e como as mercadorias primárias produzidas por essas colónias e semi-colónias eram procuradas pelas suas rivais recém-industrializadas, eram produzidas para ganhar um excedente de exportação em relação a estas últimas, o qual não só equilibrou o défice de contas correntes da Grã-Bretanha com elas, mas ainda forneceu uma quantia extra para exportação de capital para essas economias recém-industrializadas. A Grã-Bretanha não teve que pagar por essa quantia extra, uma vez que se apropriava pura e simplesmente de graça de uma parte da mais-valia produzida nessas colónias e semi-colónias que financiava essas exportações de capital. Hoje aos Estados Unidos faltam tais colónias; e, conforme já mencionado, a importância relativa em termos de valor de exportações de mercadorias primárias para a metrópole diminuiu de tal forma que tal arranjo já não funcionará por muito tempo. O controlo político sobre os países ricos em petróleo oferece algumas perspectivas de ressuscitar com êxito o antigo arranjo colonial ao estilo britânico para pagar as contas correntes sem ficar endividado. E é isso, conforme já vimos, exactamente o que os Estados Unidos tencionam obter.

Assim, o que se perfila no horizonte é um prolongado período de crescimento lento para a metrópole capitalista, o crescente endividamento da principal potência capitalista e a ameaçadora incerteza quanto à continuação do padrão petrodólar e quanto à saúde geral do sistema monetário internacional. Tudo isto está a suceder em meio a "abertura" do terceiro mundo ao movimento desenfreado da finança globalizada e das operações sem restrições das corporações multinacionais, e de tentativas da potência capitalista dominante para a reconquista política dos países do terceiro mundo ricos em petróleo. Na ausência de um esforço consciente para transcender esta situação, a humanidade ficará presa nas garras viciosas de uma dialéctica de engrandecimento imperialista, tanto engendrando como derivando legitimidade a partir de um terrorismo destrutivo como contrapartida. Ninguém pode acreditar honestamente que é este o destino final da humanidade. Para ultrapassar esta conjuntura, contudo, temos primeiro de nos libertar das viseiras da teoria económica dominante.
[*] Economista, responsável pela cadeira Sukhamoy Chakravarty na Universidade Jawaharlal Nehru, Nova Delhi. Autor de numerosas obras, dentre as quais: Accumulation and Stability Under Capitalism , The Retreat to Unfreedom , Lenin and Imperialism: An Appraisal of Theories and Contemporary Reality , Marx's Capital: An Introductory Reader e The Value of Money , do qual foi extraído o presente excerto.

O original encontra-se em http://cup.columbia.edu/book/978-0-231-14676-0/the-value-of-money/excerpt . Tradução de Margarida Ferreira.

Este excerto encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A natureza da actual crise capitalista BASENAME: canta-o-merlo-a-natureza-da-actual-crise-capitalista DATE: Fri, 27 Sep 2013 16:37:09 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

por Prabhat Patnaik [*]

http://www.resistir.info/crise/natureza_da_crise_capitalista.html

Toda a gente concorda em que o capitalismo está a atravessar uma crise grave, mas diferentes pessoas lêem esta crise diferentemente. A visão mais comum, mantida mesmo por economistas progressistas como Paul Krugman e Joseph Stiglitxz, é de que a crise é inteiramente uma consequência do colapso da "bolha" habitacional. Uma vez que nesta situação de crise é improvável que a despesa privada (tanto em consumo como em investimento) aumente no futuro previsível, uma revitalização só é possível através de um aumento da despesa do Estado, o que significa que tanto nos Estados Unidos como na Europa, ao invés de adoptarem medidas de austeridade, o Estado deveria pelo contrário estar a aumentar a sua despesa.

O facto de esta panaceia para a crise não estar a ser adoptada é então explicado pela "má teoria económica" dos formadores de opinião, a "má fé" dos republicanos, a insensibilidade da direita e assim por diante. Esta visão, em suma, encara a crise como um fenómeno isolado, único, uma situação difícil na qual a economia dos EUA, e portanto a economia mundial, aconteceu ter caído devido ao colapso de um boom baseado na "bolha", a qual a anterior política monetária irresponsável do Federal Reserve Board sob a presidência de Alan Greenspan coniventemente estimulou.

O problema com esta visão é ser extremamente limitada; ela não vê a verdade toda. A crise provocada pelo colapso da "bolha" habitacional é apenas uma parte da história; ela própria está localizada dentro de uma crise estrutural fundamental do capitalismo. Na verdade, as "bolhas" "dotcom" e habitacional mantiveram oculta esta crise estrutural. Com o seu colapso temos não só a crise causada pelo próprio colapso, como também a sua sobreposição em cima da crise estrutural básica que agora fica igualmente revelada. Uma vez que esta crise estrutural está incorporada na lógica do sistema capitalista, o que temos é uma crise sistémica, não uma crise esporádica ou cíclica, da qual não há caminho de saída fácil. Em suma, entrámos num período de crise prolongada do capitalismo, reminiscente da década de 1930, a qual abrirá ? não imediatamente mas através de toda uma cadeia de desenvolvimentos políticos que desencadeará, tal como nas décadas de 30 e 40 ? possibilidades revolucionárias reais de transcender o sistema.

Vamos começar por formular a pergunta: por que tanto nos Estados Unidos como na Europa há tanta oposição à despesa do Estado como meio de ultrapassar a crise? Por que há uma exigência persistente de "austeridade", a qual necessariamente agrava a crise? Dizer que é apenas "má teoria económica" não é suficiente. A "teoria económica" que adquire hegemonia em qualquer época é aquela que a classe hegemónica endossa (uma proposição particularmente verdadeira porque tem uma influência directa sobre o Estado). A "má teoria económica" é um dos mecanismos através dos quais os interesses corporativos-financeiros que dominam o capitalismo contemporâneo exercem a sua pressão. A "austeridade" está a ser imposta porque o capital financeiro se opõe à despesa do Estado em grande escala para estimular a economia.

Ele não se opõe ao activismo do Estado como tal, mas quer que esse activismo assuma a forma de proporcionar incentivos para si próprio, de promover seus próprios interesses, como o meio de revitalizar a economia. Ele não quer acção directa do Estado para este objectivo através de despesa pública mais ampla. Qualquer acção do Estado que opere independentemente do capital financeiro, que procure trabalhar directamente ao invés de trabalhar através da promoção dos interesses corporativos-financeiros, mina a legitimidade social do capitalismo, e especialmente dos interesses corporativos-financeiros, pois levanta a questão: Se o Estado é exigido para consertar o sistema então porque é que precisamos do sistema, por que o Estado não tem a própria propriedade? O capital financeiro nos EUA não tem objecções aos US$13 milhões de milhões (trillion) de apoio do Estado para a estabilização do sistema financeiro; mas no momento em que a questão da despesa do Estado para revitalizar a economia é levantada, ele começa a pregar as virtudes da "austeridade". A era da hegemonia da finança é portanto uma era em que "a intervenção do Estado na administração da procura", estilo Keynes, recua para o segundo plano.

No entanto, o capitalismo exige sempre algum estímulo exógeno para sustentar o seu crescimento. Ele pode sustentar crescimento através do seu próprio "vapor" por algum tempo, mas se por qualquer razão o crescimento se extingue, incluindo a emergência de obstáculos decorrentes do próprio crescimento, inicia-se então uma espiral oposta de investimento cada vez mais baixo e crescimento declinante, a qual transporta-o na direcção de um estado estacionário, isto é, na direcção de um estado de reprodução simples. Destrinçar o sistema para fora da reprodução simples e assegurar que o crescimento não perca vapor e não entre outra vez em colapso num estado de reprodução simples é algo que é assegurado pela operação de um conjunto de estímulos externos.

Historicamente dois conjuntos de estímulos exógenos desempenharam este papel. O primeiro foi todo o sistema colonial que o exerceu até a primeira guerra mundial. A expressão "sistema colonial" é aqui utilizada não apenas para referir as possessões coloniais e semi-coloniais como a Índia e a China como também as chamadas "colónias de povoamento" de onde a "população activa" foi afastada a fim de acomodar imigrantes do núcleo capitalista. O "sistema colonial" apoiou o crescimento sob o capitalismo da seguinte maneira: juntamente com a migração de população para as "colónias de povoamento" ou para as regiões temperadas de povoamento branco, havia também uma migração paralela de capital para estas regiões a partir do núcleo capitalista, mas esta "exportação de capital" do núcleo era tornada possível através de uma apropriação do excedente das possessões coloniais e semi-coloniais. Assim a "drenagem" de excedente sem qualquer contrapartida da Índia e de outras colónias financiou as exportações de capital do núcleo capitalista para as colónias de povoamento.

Mas subjacentes a estes movimentos de grandes magnitudes de "valor" havia também importantes mudanças relacionadas com a composição das mercadorias: a Grã-Bretanha, o principal país capitalista e também o principal país exportador de capital, não produzia bens que tivessem alta procura nas colónias de povoamento como os Estados Unidos. A procura ali era substancialmente por matérias-primas, isto é, minerais e commodities primárias, as quais eram produzidas nas possessões coloniais. Assim, as exportações de capital britânicas foram tornadas possíveis primeiro por bens britânicos como têxteis a serem vendidos nos mercados indiano e asiáticos, e bens destes últimos países a serem exportados para uma contrapartida, ou, onde se verificava "drenagem", em ainda maior medida a partir destes países. Bens britânicos podiam ser vendidos em países coloniais e semi-coloniais porque eles eram mercados à disposição (on "tap"): os seus mercados podiam ser utilizados para descarregar bens britânicos, na medida necessária, a qualquer momento.

Todo este padrão de movimento global de capital e commodities, que era muito conveniente do ponto de vista do núcleo capitalista, sustentava o prolongado boom que o capitalismo testemunhou desde os meados do século XIX até a primeira guerra mundial. Após a primeira guerra mundial este padrão entrou em colapso. Burguesias internas nas colónias queriam o seu próprio espaço; o Japão emergiu como um rival da Grã-Bretanha nos mercados asiáticos; o âmbito para investimento no "novo mundo" ficou esgotado com o "fechamento da fronteira"; e o espaço para nova desindustrialização em economias como a Índia também começou a ficar cada vez mais limitado. A Grande Depressão da década de 1930 foi uma manifestação do facto de que o velho mecanismo para estimular a flutuabilidade no capitalismo já não podia mais funcionar.

A Depressão acabou só quando o segundo grande estímulo exógeno para o capitalismo, nomeadamente a despesa do Estado, se tornou efectivo, inicialmente pelos preparativos de guerra e depois pela guerra, sob o impacto da pressão da classe trabalhadora e da ameaça do socialismo, pela introdução de algumas medidas de "estado social" ("welfare state"). Mas a "intervenção do Estado na administração da procura" também agora se esgotara: a emergência do capital financeiro internacional como a força hegemónica sob o capitalismo, pelas razões antes mencionadas, atenuou o espaço para isso. Ao capitalismo, em suma, falta agora qualquer mecanismo que lhe transmita crescimento sustentado.

Além disso, isto está a acontecer num contexto em que a necessidade de um tal mecanismo está a tornar-se mais aguda. Vamos ver porque. Com a globalização tem havido um fluxo muito mais livre de capital, inclusive na forma financeira, e também de bens e serviços, por todos os países, do que em qualquer momento anterior na história do capitalismo. Em consequência, o capital das metrópoles (e o grande capital interno também) podem localizar produção nos países do terceiro mundo, onde os salários são baixos devido à existência de reservas de trabalho maciças, e exportar para os mercados metropolitanos. Isto por sua vez torna os salários dos trabalhadores nos países metropolitanos vulneráveis ao arrastamento descendente exercido pelas reservas de trabalho existentes em países do terceiro mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, nas últimas três décadas a taxa de salário real dos trabalhadores caiu em termos absolutos aproximadamente trinta por cento.

Nos países do terceiro mundo por sua vez os salários reais não aumentam. Ao contrário, a pauperização e deslocação de pequenos produtores, incluindo camponeses, que é uma outra característica da globalização, implica um inchaço do exército de trabalho de reserva que também exerce uma pressão descendente sobre os salários reais dos trabalhadores que constituem o exército de trabalho activo do capitalismo. Tomando a economia mundial como um todo, há portanto uma tendência para que a taxa dos salários reais dos trabalhadores decline ou, no mínimo, para que não aumente. Ao mesmo tempo, contudo, há uma ascensão firme na produtividade do trabalho, a qual significa que aumenta a parte do valor excedente no produto total.

Assim, desde que uma rupia de produto atribuída aos trabalhadores provoca um montante de consumo muito maior do que uma rupia atribuída aos capitalistas, qualquer aumento na parte do valor excedente no produto tem, tudo mais permanecendo constante, um efeito de depressão da procura. Se o investimento do capitalista aumentasse quando a rupia extra lhe é atribuída, então este efeito de depressão da procura podia ser ultrapassado e todo o output produzido poderia ser realizado. Mas já vimos que a tendência para o investimento dos capitalistas, muito longe de aumentar, é para permanecer reduzida ou deprimida na ausência de qualquer mecanismo para o crescimento sustentado. O resultado líquido é portanto uma tendência pronunciada rumo a crises de super-produção. O Estado capitalista que podia ter proporcionado um antídoto a esta tendência para a super-produção através da subida na sua despesa, e dessa forma absorver uma maior fatia do valor excedente e ajudar a sua realização, não pode fazer isso por causa da oposição do capital financeiro a maior despesa do Estado.

Segue-se portanto que a incapacitação do Estado capitalista como fornecedor de procura não só deixa o capitalismo mundial sem o requisito do estímulo exógeno para a manutenção do crescimento sustentado como também empurra-o ainda mais para a estagnação devido a uma razão adicional, nomeadamente a tendência de aumento da parte do valor excedente no produto mundial. O capitalismo mundial está portanto preso numa profunda crise estrutural da qual não há caminhos óbvios de escape. Isto não quer dizer que o capitalismo entrará em colapso, pois isso nunca acontece. Mas, tal como nos anos trinta, está a emergir uma nova conjuntura prenhe de possibilidades históricas para a transcendência do sistema.
04/Fevereiro/2012

[*] Economista, indiano, ver Wikipedia

O original encontra-se em www.networkideas.org/news/jan2012/news06_Nature.htm

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O estado espanhol (colónia USA) aceita no G20 actuar na Síria à margem da ONU BASENAME: canta-o-merlo-o-estado-espanhol-colonia-usa-aceita-no-g20-actuar-na-siria-a-margem-da-onu DATE: Fri, 06 Sep 2013 18:03:49 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.eldiario.es/internacional/Espana-comunicado-Siria-G20-EEUU_0_172533293.html

A Casa Branca inclui a Espanha na listagem de países que apoia as suas teses sobre Síria

A declaraçom considera responsável a Síria do ataque com armas químicas

Ainda que Rajoi (o mentireiro) voltou a subordinar em público toda a decisom do Governo espanhol sobre Síria aos resultados da investigaçom dos inspectores da ONU, Espanha somou-se abertamente às principais teses de Washington com a firma de umha declaraçom conjunta de onze dos países assistentes à cimeira do G20 de Som Petersburgo.

O documento, que foi difundido na web da Casa Branca e foi subscrito por Austrália, Canada, França, Itália, Japom, a República da Coreia, Arábia Saudita, Turquia, o Reino Unido e Estados Unidos, ademais de Espanha; considera "que as provas apontam claramente ao governo sírio como responsável polo ataque".

Ainda que os assinantes nom pedem umha intervençom armada na Síria à margem das Naçons Unidas, sim reclamam "umha forte resposta internacional a esta grave violaçom das normas mundiais que implique umha clara mensagem de que este tipo de atrocidades nom se podem repetir".

O texto considera dá praticamente por perdida a opçom de um ataque amparado polo Conselho de Segurança. "Os assinantes levam reclamando umha contundente, dadas as suas responsabilidades para liderar umha resposta internacional", contodo, reconhecem que o organismo leva dous anos e meio "paralisado". "O mundo nom pode esperar a processos errados intermináveis que só conduzem a um incremento do sofrimento na Síria e a instabilidade regional", assinalam.

O texto conclui lembrando que os assinantes europeus seguiram trabalhando para "promover umha posiçom europeia comum".

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Importantes preparativos militares da Síria, Rússia, China, Hezbollah e curdos BASENAME: canta-o-merlo-importantes-preparativos-militares-da-siria-russia-china-hezbollah-e-curdos DATE: Fri, 06 Sep 2013 17:25:05 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Al Mukawama
Agencia de Noticias de la Resistencia de los Pueblos

Últimas Informaçons

Em previsom de um ataque total por ar e terra, com mísseis e bandas de criminoso treinados pola CIA desde Jordânia, Líbano e Turquia observam-se importantes preparativos militares de defesa e contra-ataque por parte dos exércitos da Síria, Rússia, China, Hezbollah libanesa e as milícias curdas YPG.

Dá nas vistas que está em rota para as costas sírias o grande navio russo de desembarco de tropas Nikolai Flitchenkov o que permite pensar na possível entrada em combate de forças russas de infantaria em resposta a ataques terrestres coordenados polo Pentágono. As fontes russas ham manifestado que som capazes "de reagir" a todo o movimento do inimigo imperialista.

A web Telegrafist.org informa que através do Canal de Suez achega às costas sírias um navio do Exército Popular de Libertaçom (EPL) da China que quando menos busca assegurar o rol da China Popular como potência mundial nom disposta a deixar-se novamente assovalhar polos bandidos norte-americanos.

O deputado sírio Walid Ao Zaabi comentou a possibilidade de que o exército sírio dispare os seus mísseis contra Tel Aviv, Ancara e Ammán em caso de ser atacados polo imperialismo. Os mísseis sírios apontariam a campos de treino das bandas criminais em território jordano dirigidos pola CIA mas sob autorizaçom do rei desleal Abdalhah.

Certos apontamentos informam a que já se despregaram em Damasco 10 mil combatentes de Hezbollah para reforçar ao Exército Árabe Sírio, às milícias populares e ao povo em caso de ataque inimigo.

Para terminar as milícias curdas de autodefensa YPG seguem infligindo baixas aos terroristas de Al-Qaeda no norte iraquiano. Tomam previsons defensivas em caso que o Exército turco e os mercenários terroristas de Al-Qaeda aliados seus ataquem o norte sírio.

As notícias recentes nom incluem os preparativos defensivos do poderoso Exército iraniano que evidentemente nom espera passivo o discorrer dos acontecimentos nem as decisons que poda tomar o inimigo imperialista. É provável assim mesmo que as milícias palestinianas estejam a se incorporar à coordenaçom defensiva geral da Frente da Resistência.

O Mundo achega-se a umha situaçom perigosa pola vontade imperialista norte-americana de destruir a Síria baasista, laica, progressista e antisionista.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A economia, o capitalismo e a guerra BASENAME: canta-o-merlo-a-economia-o-capitalismo-e-a-guerra DATE: Fri, 06 Sep 2013 16:51:12 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=173532

Juan Torres López

"Nom podemos construir um automóvel decente, nem um televisom? já nom temos siderúrgicas, nom podemos outorgar serviços de saúde aos nossos idosos, mas isso sim, podemos bombardear o teu país até fazê-lo merda, especialmente se o teu país está cheio de morenos?" (George Carlin).

Muita gente identifica o capitalismo com a existência dos mercados e mesmo das empresas mas isso é um grave erro. Ambos os existírom desde muito antes que o capitalismo e seguiram existindo quando desapareça, ainda que sim é em verdadeiro que em cada sistema económico funcionam com características e funçons diversas.

O traço distintivo do capitalismo é que, primeiro, incorporou à órbita do mercado recursos que antes se utilizavam fora dele, como o tempo de trabalho e a terra. Antes podia-se comprar ou vender às pessoas mas nom se adquiria a sua força de trabalho a mudança de um salário e a terra conquistava-se ou transmitia mas nom se intercambiava em mercados como se fai no capitalismo. Esse facto, e o que mais adiante se hajam mercantilizado mesmo até as expressons mais íntimas da vida humana e social, fam com que o capitalismo se distinga nom por criar, como as vezes acreditasse erroneamente, a economia de mercado, senom a sociedade de mercado. E, portanto, submeter a vida social no seu conjunto à vontade do lucro.

A utilizaçom do trabalho assalariado e de grandes volumes de capital (físico e financeiro) no seio das empresas permite multiplicar a capacidade de produçom e gerar umha grande acumulaçom que derivou, justo é dizê-lo, num progresso inegável. Mas, ao mesmo tempo, acredite fortes contradiçons e problemas sociais muito graves.

Ainda que possa parecer um simples jogo de palavras o que ocorre no capitalismo é que para poder obter benefícios há que obter cada vez mais benefícios, o que leva a produzir sem cessar e a fazer com cada vez menos custo. Só com que nom cresça o investimento, mesmo ainda que nom caia, nom só se estancam os ingressos e os benefícios senom que se reduzem de jeito multiplicado.

Mas para obter cada vez mais benefícios produzindo sem parar é preciso reduzir ao máximo o custo salarial. Isso provoca muito a miúdo a falta de sintonia entre o preço que se quereria pagar polo trabalho e a possibilidade de vender todo o que se pom à venda. Se os capitalistas fossem tam numerosos como para comprar a totalidade do que produzem poderia-se pagar umha miséria aos trabalhadores, mas se estes som os que compram a maior parte da produçom, como em realidade ocorre, resulta que à medida que se lhes paga menos é menor a capacidade global da economia para comprar a produçom. Isso quer dizer que, queiram-no ou nom, quando os capitalistas reduzem o salário pode ser que algum ganhe mais individualmente mais; porém, a nível geral, o que provocam é que se esgote a capacidade geral de absorver a produçom que entre todos geram. E daí vem a maior parte das crises que de forma recorrente vem produzindo desde que o capitalismo existe.

Para evitar isso os capitalistas tem que recorrer a diversos remédios (que nom vou comentar aqui) e um deles é alcançar que a sua produçom se adquira por quem nom depende do salário para poder comprar, concretamente polo sector público. É outro paradoxo mais do capitalismo: os capitalistas rejeitam a actividade do Estado mas só quando favorece a outros porque constantemente reclamam ao sector público que adquira a maior parte possível da sua produçom ou que salve às empresas quando a sua estratégia de poupar salário produz umha crise.

Umha dessas vias é o gasto militar. Praticamente todas as grandes empresas mundiais sem excepçom tem umha boa parte da sua actividade dedicada a fornecer bens ou serviços ao Estado e mais concretamente aos seus exércitos. É umha forma muito rendível e nom dependente dos salários de realizar a sua produçom. E nom importa que a produçom militar as vezes simplesmente se vá armazenando ou que destrua recursos quando se utiliza, porque no capitalismo a produçom nom leva a cabo em funçom de que seja mais ou menos útil o que se produz, senom de que proporcione benefícios.

É por isso que se alenta o crescimento continuado do gasto militar, ainda que já seja tam alto (1,33 bilions de euros em 2012) que até resulta claramente inecessário, pois com muitíssimo menos dessa quantidade seria suficiente para destruir várias vezes a todo o planeta. Um gasto tam elevado, irracional e desproporcional (ou melhor supracitado, um negócio tam redondo) que só se pode justificar se se generaliza a ideia e convence à populaçom de que vivemos em permanente perigo e de que há múltiplos inimigos prestes a atacar-nos, quando em realidade o que há polo meio nom é outra cousa que o desejo incontrolado de ganhar cada vez mais dinheiro das grandes empresas multinacionais.

Todos sabemos que a imensa maioria dos conflitos bélicos que se produziram na história da humanidade deveram-se a motivos económicos e também agora ocorre assim. As últimas guerras do Iraque ou Afganistám ou as que a menor escala desenvolvem noutros lugares do mundo tem a sua origem, cada vez com menos dissimulo, em interesses económicos. Mas, ademais disso, o que ocorre no capitalismo é que a guerra e o gasto militar nom só servem a interesses económicos senom que se convertêrom num interesse económico em sim mesmos.

No capitalismo, a guerra nom é só um modo de produzir satisfaçom e dar poder a quem a gana, como sempre, senom que também se recorre a ela para resolver os problemas que produzem o acostumam de lucro que lhe é consubstancial e as contradiçons que se derivam da tentativa continuada de reduzir o salário.

A conclusom é evidente. Ainda que para saber que há detrás e o por que das guerras sempre houvo que descobrir com nomes e apelidos a quem beneficiam dela, hoje dia também é necessário perceber como funciona umha economia que só busca o benefício privado de umha parte da sociedade à conta dos ingressos dos demais. E a prediçom subseguinte é igual de obvia: enquanto que isto último produza-se, enquanto perviva o capitalismo e a estratégia económica dominante seja poupar-se salários, nom deixaram de soar os tambores de guerra nem se acabaram de contar os mortos que produz.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Capitalismo contemporâneo, imperialismo e agressividade BASENAME: canta-o-merlo-capitalismo-contemporaneo-imperialismo-e-agressividade DATE: Fri, 06 Sep 2013 15:12:47 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

por Edmilson Costa [*]

O imperialismo é um fenômeno identificado pelos clássicos desde a segunda metade do século XIX e significou a passagem do capitalismo concorrencial para o capitalismo monopolista e a emergência de uma nova classe social, a oligarquia financeira [1] . Nessa nova fase do capitalismo, onde os trustes e cartéis passaram a dominar as economias de cada País e, posteriormente, a economia mundial, um conjunto de fenômenos novos vêem marcar esta fase do desenvolvimento deste modo de produção, especialmente a partilha econômica e territorial do mundo entre os principais centros imperialistas, quando as potencias capitalistas ocuparam e passaram a colonizar parte considerável da África, Ásia e América Latina.

Esse movimento do capital monopolista tinha como objetivo transformar essas regiões em retaguarda especial do imperialismo, fonte de matérias-primas, mercados para a venda de mercadorias, esferas de aplicação do capital, fonte de rendimentos monetários, espaços militares estratégicos e reserva de mão de obra para as metrópoles. Com essa estratégia, as regiões colonizadas se transformaram em pilares fundamentais para o desenvolvimento da produção capitalista.

Com o domínio econômico e político do mundo, tornou-se mais fácil ao grande capital monopolista hegemonizar o aparelho de Estado, que passou a realizar sua política levando em conta fundamentalmente os interesses dessa nova classe social. Em outras palavras, o Estado relevou a um segundo plano os interesses gerais do capital para se transformar em instrumento da oligarquia financeira e de seus monopólios.

Mas o desenvolvimento do capitalismo e a consolidação dos monopólios não eliminou a concorrência, apenas a colocou em novo patamar. Os monopólios continuaram a travar uma dura luta pela partilha das esferas de influência. Essa luta por mercados e controle das fontes de matérias primas se tornou a causa principal causa das guerras, pois os monopólios pressionavam seus respectivos governos para aventuras militares visando uma nova correlação de força na partilha econômica do mundo. A primeira e a segunda guerra mundial foram em grande parte fruto da ganância do capital monopolista.

Após a segunda guerra mundial e, especialmente a partir dos anos 60, com a descolonização, o capital monopolista passou por transformações extraordinárias, pois a própria necessidade de expansão o impulsionou a uma nova relação entre centro e periferia. A partir de então, as corporações transnacionais, mediante a implantação de filiais produtivas na periferia, começaram a extrair generalizadamente o valor fora de suas fronteiras nacionais, ou seja, passaram a produzir fisicamente nas regiões até então produtoras de matérias primas, enquanto o sistema bancário também se internacionalizava.

Esse fenômeno da mundialização da economia, conhecido como globalização, transformou o capitalismo num sistema mundial completo, constituindo-se assim uma nova fase do imperialismo, pois agora o capital monopolista tornaria o planeta numa esfera única de produção, financiamento e realização das mercadorias, e a própria oligarquia financeira passaria a explorar diretamente os trabalhadores do centro e da periferia. Com a apropriação do valor fora das fronteiras nacionais a burguesia imperialista tornou-se uma classe exploradora direta do proletariado mundial.

"Até o período anterior à globalização, o capitalismo era completo apenas em relação a duas variáveis da órbita da circulação ? o comércio mundial e a exportação de capitais. Mas, ao expandir a globalização para as esferas produtiva e financeira, bem como para outros setores da vida social, o sistema unificou globalmente o ciclo do capital, fechando assim um processo iniciado com a revolução inglesa de 1640" (Costa, 2002).

Esta nova fase do imperialismo viria a ganhar contornos mais definitivos com a ascensão dos governos Reagan e Tatcher, respectivamente nos Estados Unidos e Inglaterra. Aproveitando-se da crise do keynesianismo, desenvolveram uma ofensiva mundial no sentido de impor ao mundo a agenda neoliberal, que rapidamente se transformou em política oficial nos países centrais e, posteriormente, se espalhou para os outros países capitalistas.

A nova agenda invertia os fundamentos típicos da regulação keynesiana e em seu lugar colocava na ordem do dia o mercado como instrumento regulador das novas relações econômicas e sociais, a desregulamentação da economia, as privatizações das empresas estatais, liberalização dos mercados e dos fluxos de capitais, cortes nos gastos públicos e nos fundos previdenciários, além de uma ofensiva contra direitos e garantias dos trabalhadores.

Essas novas diretrizes produziram enorme impacto na dinâmica do capitalismo: o setor mais parasitário do imperialismo passou a hegemonizar as relações econômicas e políticas no interior dos governos neoliberais e impor ao mundo o primado das finanças globalizadas, estimuladas pela liberalização financeira e irrestrita mobilidade dos capitais. A partir daí este setor da oligarquia financeira subordinou todas as outras frações do capital e impôs a lógica das finanças não só para os negócios financeiros, mas também para as empresas produtivas e para o Estado, cujas receitas orçamentárias foram capturadas em grande parte por essa fração do capital.

Ancorados pelas tecnologias da informação cada vez mais desenvolvidas, pela generalização dos computadores e da internet, o pólo financeiro do capital imperialista transformou o mundo num imenso cassino especulativo, no qual os novos produtos financeiros foram sendo criados numa velocidade proporcional à criatividade do sistema liberalizado, num frenesi especulativo que se retroalimentava como numa dança de doidivanas.

Nessa nova lógica, a captura da renda mundial deveria encilhar todos os setores da economia, que agora passariam a operar a partir da lógica das finanças. Assim, as empresas consolidaram a reestruturação produtiva, com produção sem gordura, círculos de controle de qualidade, qualidade total, restrição à atividade sindical, tudo isso para ampliar as taxas de lucro e aumentar a distribuição de dividendos para os acionistas, ávidos por lucros semelhantes aos da órbita financeira.

Os Estados também caíram na malha da apropriação financeira, em função do endividamento realizado a taxas de juros elevadas. Dessa forma, foram obrigados a comprometer parcelas cada vez maiores dos orçamentos para pagar os serviços da dívida. Como esses serviços exigiam cada vez mais recursos, os Estados cortaram os gastos públicos, salários de funcionários e verbas sociais para atender o apetite voz do pólo financeiro do imperialismo.

Imperialismo, crise e guerra

Essa conjuntura em que as finanças hegemonizaram a dinâmica da nova fase do imperialismo criou uma enorme desproporção entre o setor real da economia, aquele que produz e gera valor, e a órbita financeira, que não cria riqueza nova. Para se ter uma idéia, antes da crise sistêmica global que emergiu com a queda do Lehmann Brothers, o volume de recursos que circulava na órbita financeira era mais de 10 vezes maior que a produção mundial, fato que por si só já prenunciava uma crise de grandes proporções, uma vez que uma situação dessa ordem não poderia se sustentar por muito tempo, afinal a produção do mais-valor era deveras insuficiente para remunerar os lucros do setor financeiro.

Ao mesmo tempo em que avançava sobre os arcabouços do Estado do Bem Estar Social, o patrimônio público e os direitos e garantias dos trabalhadores, o imperialismo incrementava sua política agressiva, buscando combinar aceleradamente uma recuperação das taxas de lucro na área produtiva, a apropriação da renda mundial pelas finanças e o fortalecimento do complexo industrial militar, conjuntura que foi facilitada pelo colapso da União Soviética.

Assim, Reagan invadiu Granada, o Panamá, onde depôs e prendeu o presidente local e insuflou guerras regionais como na Nicarágua. A política guerreira continuou nas outras administrações, independentemente se democratas ou republicanas, uma vez que o desenvolvimento do complexo industrial militar é condição imprescindível para a manutenção do imperialismo. A escalada guerreira continuou com a invasão ao Iraque, sob o pretexto de que Saddan Hussein possuía armas de destruição em massa, o que depois se verificou que era uma falsidade. Na verdade, o que os Estados Unidos objetivavam era se apossar das imensas jazidas de petróleo daquele país.

Vale ressaltar que o imperialismo está tão dependente da indústria armamentista que, sem a produção de armas, não só o complexo industrial militar iria à falência, mas o próprio sistema imperialista entraria em colapso, uma vez que parcela expressiva de sua indústria está ligada à cadeia de produção das armas. Isso demonstra também o nível de degeneração a que chegou o imperialismo contemporâneo: só consegue continuar respirando se mantiver e desenvolver a indústria da morte.

Mas o acontecimento que proporcionou as condições objetivas para um salto de qualidade na agressividade imperialista dos Estados Unidos foi o ataque às torres gêmeas. Este atentado foi o mote que o governo Bush encontrou para institucionalizar e desenvolver novas facetas de sua política guerreira, agora sob o pretexto de combate ao terrorismo. Na verdade, com a chamada política antiterrorista o imperialismo militarizou a política e impôs ao mundo uma agenda de luta antiterrorista que se desdobrou não apenas na invasão ao Afeganistão, mas também na violação ao direito internacional, à soberania dos países, a construção de exércitos privados para realizar o trabalho sujo nas guerras contra povos e organizações contrárias à política norte-americana no mundo.

O mundo tomou conhecimento estarrecido das torturas nas prisões de Abu Ghriab e de Guantánamo, dos seqüestros e assassinatos de líderes contrários à política norte-americana e das prisões clandestinas ao redor do mundo. Ao contrário do que se poderia imaginar, o governo norte-americano justificava essas ações como parte da luta anti-terrorista, necessário para a proteção de seus cidadãos. O então vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, afirmou sem cerimônia em entrevista aos meios de comunicação que os métodos utilizados para obter informações (as mais bárbaras torturas) livraram o povo norte-americano de vários atentados.

O ensandecimento chegou a tal ponto que o secretário de Justiça dos Estados Unidos não só justificou abertamente a tortura como buscou fórmulas para legalizá-la. Todas essas ações eram de conhecimento do ex-presidente Bush, que inclusive assinava resoluções secretas para que os agentes pegos em flagrante não fossem punidos judicialmente. Por essas medidas se pode avaliar o nível de degeneração moral a que chegou o imperialismo: não se tratava de ações isoladas de funcionários estressados no teatro de operações, mas de ordens da própria cúpula imperialista que nesta fase do capitalismo perdeu qualquer referência em relação à humanidade.

Quem imaginava que o imperialismo iria reduzir sua máquina militar com a queda da União Soviética se enganou. O imperialismo está muito mais agressivo atualmente que no passado e possui hoje a mais poderosa e sofisticada máquina militar que o planeta já teve conhecimento. Porta-aviões gigantescos, submarinos atômicos, aviões invisíveis, bombas guiadas a laser, superbombardeiros, frota de aviões não tripulados (drones), helicópteros sofisticados, tanques de última geração, além de mais de 500 bases militares espalhadas pelo mundo e um aparato de espionagem maior do que as pessoas que vivem hoje em Washington. Tudo isso para sustentar a política do grande capital.

No entanto, a crise sistêmica mundial veio adicionar mais um ingrediente fundamental para a política agressiva do imperialismo. Desesperado diante da dramática situação econômica, da recessão, do desemprego crônico e dos protestos que estão ocorrendo pelo mundo contra a os ajustes determinados pelo capital, o governo norte-americano vem realizando provocações contínuas contra o Irã, a Coréia do Norte e, recentemente, conseguiu envolver vários países da União Européia em sua aventura militar na Líbia, onde destruíram fisicamente o País, mataram seus principais dirigentes e agora começam a se apossar das imensas jazidas de petróleo locais, sob o olhar complacente dos títeres que colocaram no poder.

Agora os Estados Unidos se voltam para Síria. O cenário foi montado para que a história se repetisse, mas a resistência do exército sírio, que desalojou os mercenários de várias regiões do País, derrotou essa primeira ofensiva imperialista. Derrotado o campo de batalha, os Estados Unidos tentaram legalizr a invasão, mas a Rússia e a China vetaram uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que abria espaço para a intervenção no País. Agora, estamos na iminência de uma invasão da Síria, sob o pretexto bizarro de que o governo teria lançado armas químicas contra a população, quanto se sabe que este episódio foi montado pela CIA para justificar a agressão. Desesperado, sem apoio internacional que esperava, o imperialismo pode realizar a intervenção a qualquer momento, mas as consequências podem ser dramáticas, tanto para o povo sírio, quanto para o Oriente Médio e para o próprio imperialismo, inclusive com o aprofundamento da crise sistêmica global no interior dos Estados Unidos.

Como a política guerreira já é uma necessidade do imperialismo para desenvolver suas forças produtivas, nas épocas de crises profundas como a que estamos presenciando agora, a fúria belicista do imperialismo se torna ainda maior. Por isso, pode-se esperar tudo nesta conjuntura, pois o imperialismo está ferido e vai querer sair da crise de qualquer forma, nem que para isso coloque em xeque a existência da própria espécie humana. Para a humanidade, resta uma saída que vai significar sua própria sobrevivência: derrotar o imperialismo, superar o capitalismo e construir uma outra sociabilidade sobre os escombros desta velha ordem.
Bibliografia consultada
Bukharine, N. O imperialismo e a economia mundial. Coimbra: Centelha, 1976.
Costa, E. A globalização e o capitalismo contemporâneo. (São Paulo: Expressão Popular, 2009)
--------------- Imperialismo. São Paulo: Global Editora, 1986.
Lênin, V. Imperialismo fase superior do capitalismo. Lisboa: Avante, 1976.
Luxemburg, R. A acumulação do capital. São Paulo: Abril Cultural, 1984.
Hilferding, R. O capital Financeiro. São Paulo: Abril Cultural, 1985
Hobson, J. A. A evolução do capitalismo. São Paulo: abril cultural, 1985

[1] Para uma melhor compreensão dos clássicos do imperialismo, consultar: Hobson, A Evolução do capitalismo (Nova Cultural, 1983); Hilferding, O capital financeiro (Nova Cultural, 1938); Lênin, Imperialismo, fase superior do Capitalismo (Avante, 1984); Rosa de Luxemburg, A acumulação do Capital (Nova Cultural, 1983);e Bukharin, O imperialismo e a economia mundial (Centelha, 1976). Para uma versão mais popular, consultar Edmilson Costa, Imperialismo (Global, 1989).

[*] Doutorado em Economia pela Unicamp, com pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da mesma instituição. É autor de Imperialismo (Global Editora, 1987), A política salarial no Brasil (Boitempo Editorial, 1987), Um projeto para o Brasil (Tecno-Científica, 1988), A globalização e o capitalismo contemporâneo (Expressão Popular, 2009) e A crise econômica mundial, a globalização e o Brasil (no prelo), além de ter ensaios publicados no Brasil e exterior.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: As chaves do conflito na Síria: BASENAME: canta-o-merlo-as-chaves-do-conflito-na-siria DATE: Wed, 04 Sep 2013 12:49:26 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.larepublica.es/

As chaves do conflito na Síria:

Alberto J. Miranda

Trás os últimos acontecimentos vividos na Síria, nom me vou a centrar na grande mentira mundial que supom o uso de armas químicas por parte do governo de Al-Assad, que lembra de maneira obscena às famosas armas de destruiçom maciça. Prefiro centrar-me em qual é o motivo oculto da guerra contra Síria, o papel dos EEUU e os seus aliados, e as mudanças globais que está a implicar a ameaça de imperialista em Oriente Meio.

O único aliado ocidental com o que nestes momentos conta EEUU para atacar a Síria é o governo francês. O parlamento britânico rejeitou a proposta de Cameron de intervir militarmente na Síria, nom porque a democracia burguesa funcione, é mais que provável que a inteligência britânica haja estudado as possibilidades de ataque e concluísse que de intervir em Oriente Meio nas actuais condiçons seriam maiores as perdas que os benefícios.

Há que ter em conta vários feitos determinantes, por umha banda nom há que esquecer que os principais aliados de Al-Assad, a organizaçom islamita libanesa Hezbollah, que conta com um poderosíssimo braço armado, ameaçou com reduzir Israel a cinzas em caso de ataque a Síria. No mesmo sentido expressou-se Irám, que conta com um do dez exércitos mais poderosos do mundo.
Por outra parte, o chamado "Exército sírio livre" e a frente "Al-Nusra" vinculado a Al-Qaeda, estám a se matar entre sim e ao mesmo tempo estám a ser reduzidos de maneira letal polo exército sírio, que a diferença dos terroristas, mantem a unidade, organizaçom e disciplina necessários para vencer a guerra.

Mas a linha vermelha "por usar o fala-barato ao gosto de Obama" marcaram-na internacionalmente Rússia e China, e esta é a chave do conflito na Síria, este é o motivo polo que a NATO nom intervém, polo que Inglaterra deu um calculado passo atrás, polo que Alemanha e Itália rejeitárom intervir e polo que Israel e Turquia pressionam sem descanso a EEUU para que intervenha de maneira iminente.

Mais umha vez, para perceber como funciona o mundo, é case suficiente com ler a Lenine, quem ajeitadamente dixo sobre o imperialismo no seu livro "O imperialismo, fase superior do capitalismo" que "este sistema económico obriga a qualquer potência a deslocar ou submeter a outros países (ou a outras potências) se pretende obter mais matérias primas ou alargar o seu mercado. E se nom o fai as que sim o fagam acabaram-se fazendo mais poderosas".

Este é exactamente o motivo polo que se desenvolve o conflito na Síria, o controlo de matérias primas, em este caso controlo energético, mas nom de petróleo, desta vez falamos de gás natural. Quem controle o mercado energético do gás, é dizer, a extracçom e o transporte, será a potência que exercerá a hegemonia mundial no século XXI. Tentemos resumir o conflito do gás da mao do professor Imad Fawzi Shueibi[x], Presidente do Centro de Estudos Estratégicos e Documentaçom de Damasco, que é quem sob o meu ponto de vista em diferentes artigos de investigaçom achega as chaves deste conflito:

As principais potências mundiais mantenhem umha peleja desapiedada polo controlo energético, luita esta que está a assassinar por centos de milhares de pessoas inocentes desde há anos já que o imperialismo norte-americano nom sabe estender a sua hegemonia se nom é a base de reduzir países a cinzas. Aqui é onde entra em jogo o conhecido projecto Nabucco de Estados Unidos[xi]. É um projecto para o transporte do gás, principal fonte energética do século XXI, polo que se está construindo um gasoduto que recolhe o gás do Mar Morto, passa por Turquia "onde se armazenaria", e percorre sete países da Uniom Europeia até chegar a Itália. Este é o projecto que fai
Turquia seja cada dia um país mais dependente das decisons de Estados Unidos, pois o emprazamento no seu território das instalaçons para o armazenamento fariam de Turquia a principal potência energética e económica de Oriente Meio. Por outra parte, deste projecto também dependeu a satanizaçom de Mahmud Ahmadineyad e o seu suposto programa atómico. O projecto Nabucco pretendia conectar o gasoduto com Irám, e deste modo unir ao país árabe ao festim energético e às ingentes quantidades de benefícios que suporia extrair o seu gás e uni-lo a Nabucco, contodo, o governo iraniano optou por assinar um protocolo com Iraque e Síria convertendo-se automaticamente em terrorista inimigo do mundo ocidental. Este facto, somado à crescente influência da Rússia em Oriente Meio graças à "inadequadas" actuaçons de EEUU na zona "por chamar de algumha maneira" que descrevemos, condenaram o projecto Nabucco, que estava previsto concluir-se para 2014, mas já se atrasou até 2017, se é que chegasse a terminar-se.[xii]
Por outra parte estám os projectos russos conhecidos como Nord Stream e South Stream, que conta com a participaçom económica e o apoio da Alemanha, "lembrar que o capitalismo alemám tem umha importante participaçom em Gazprom".[xiii] O projecto Nord Stream, já concluído, conecta a Alemanha e Rússia através do Mar Báltico e constitui a principal fonte de subministraçons energéticas para Europa, vendendo a empresa russa Gazprom 41% do consumo de gás europeu. A principal fonte de gás natural para o gasoduto Nord Stream é o Campo de Yuzhno-Russkoye, na Rússia.[xiv]

E por outra parte está o projecto South Stream[xv], bem mais conflituoso se cabe já que compete directamente com o projecto Nabucco e tem a grandes linhas o mesmo percurso. Este gasoduto parte de novo da Rússia, se ramifica em Bulgária, para o sul passa por Grécia e Itália e para o norte passa por Sérvia, Hungria Áustria e Eslovénia. Com este segundo projecto Moscovo pretendeu deixar em ridículo ao projecto Nabucco e conseguiu-o, assegurando-se o abastecimento energético da Europa por enzima do projecto norte-americano graças a uns melhores preços e a umhas melhores alianças em Oriente Meio, e conseguiu acordar a venda de gás a países tam importantes como Inglaterra, Bélgica, Grécia e mesmo Turquia e França, ainda que estes últimos com evidentes reticências já que apostárom por Nabucco, e por isso é polo que sejam os principais aliados de EEUU na guerra contra Síria.

Nom podemos obviar que China tem acordos económicos com Rússia na participaçom da ampliaçom do South Stream para o imenso mercado chinês, e por suposto nom tem interesse algum em conectar-se ao inconcluso Nabucco, já que energéticamente passaria a depender de Estados Unidos, ideia que gosta pouco ao gigante asiático.

Nom podemos passar por alto também no que segundo fontes do governo norte-americano, Síria e o Líbano possuem nos seus territórios as maiores jazidas de gás do mundo, descobriu-se há poucos anos um poço de gás em Qara, perto de Homs, que contaria com as maiores reservas sírias, por isso é polo que os principais combates dos terroristas desenvolvam nesta cidade e que os principais analistas assegurem que os intuitos de EEUU na zona nom é derrocar Al-Assad se nom dividir o país.

Mas umha vez assinado um convénio Irám, Iraque, Síria, Líbano para o transporte do gás, existem duas opçons, e estas duas opçons som a chave da actual guerra e a que determinou o posicionamento de todos os actores no cenário bélico mundial:
Que o gás da contorna de Zagros no Irám, Iraque, Síria e o Líbano alimente o South Stream russo, ou que alimente o Nabucco norte-americano. Daí o interesse de Washington, Israel e Turquia de invadir Síria, e a defesa sem concessons da mesma da Rússia, China, Irám e Hezbolla no Líbano. Portanto e resumindo os cenários som os seguintes:
1) Se Irám une um futuro gasoduto ao South Stream através do mar Cáspio com Rússia e para o oeste passando por Iraque, Síria e o Líbano, recolhendo o gás destes, e através do Mediterrâneo une-se na Grécia de novo ao South Stream, Rússia se converteria como principal potência energética em gás natural do mundo, Gazprom provavelmente transformaria na empresa mais grande do planeta, e os países polos que passa o seu gasoduto veriam-se enormemente beneficiados economicamente.
2) Contodo, se Estados Unidos conseguisse invadir a Síria e combinar gás, logo o Líbano seria também invadido, e o gás de ambos os países conectaria-se em Turquia com Nabucco, sendo o Irám o derradeiro passo para conectar com as jazidas do Mar Cáspio, por isso é polo que todos falem de que se invade Síria para logo invadir o Irám. Por suposto Israel teria a subministraçom assegurada graças à sua conexom com Nabucco e os benefícios económicos para os sionistas graças à venda do seu gás a Europa seriam ingentes.

Conclusons:

Como vimos, Estados Unidos quer manter-se custe o que custe como primeira potência mundial, e para isso, como bem descrevesse Lenine, nom tem nengum reparo em invadir países e utilizar o seu exército como chave do controlo de matérias primas no mundo. Contodo, as actuaçons de Estados Unidos nos últimos anos no Iraque, Afeganistám, Líbia ou Egipto alastrárom enormemente a capacidade de influência de USA em Oriente Meio, zona fundamental graças às grandes jazidas de gás.

Pola sua parte, o imperialismo russo está a actuar de maneira mais inteligente que o norte-americano, e está a ser capaz de traçar alianças ali onde Estados Unidos só sabe impor pola força, o caso do Iraque é o exemplo mais acabado disto. Graças a isso, Vladimir Putin foi capaz de dobregar os interesses de Washington na guerra polo controlo energético mundial, e o conflito na Síria nom é mais que a prova mais evidente de que nos penetramos pouco a pouco no século no que o imperialismo anglo-saxom cederá o seu posto a outras grandes potências, e provavelmente quando esteja contra as cordas, gerará a terceira guerra mundial como último recurso ante a iminente queda. A dúvida é, deu EEUU por perdida a hegemonia energética do gás" chegou o momento de iniciar essa terceira guerra mundial" no feito de que se desenvolver ou nom o ataque a Síria está a chave.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Síria: As armas químicas foram fornecidas pelos sauditas BASENAME: canta-o-merlo-siria-as-armas-quimicas-foram-fornecidas-pelos-sauditas DATE: Tue, 03 Sep 2013 16:36:03 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.resistir.info/moriente/armas_quimicas_31ago13.html

Síria: As armas químicas foram fornecidas pelos sauditas
? "Rebeldes" e residentes locais em Ghouta acusam o príncipe saudita Bandar bin Sultan de fornecer armas químicas a um grupo ligado à al-Qaida
por Dale Gavlak e Yahya Ababneh [*]

Ghouta, Síria ? Quando a maquinaria para uma intervenção militar dos EUA na Síria ganha ritmo após o ataque de armas químicas da semana passada, os EUA e seus aliados podem estar a visar o culpado errado.

Entrevistas com pessoas em Damasco e Ghouta, um subúrbio da capital síria, onde a agência humanitária Médicos Sem Fronteiras disseram que pelo menos 355 pessoas morreram na semana passada devido ao que acreditaram ser um agente neurotóxico, parecem indicar isso.

Os EUA, Grã-Bretanha e França bem como a Liga Árabe acusaram o regime sírio do presidente Bashar al-Assad de executar o ataque com armas químicas, o qual atingiu principalmente civis. Navios de guerra dos EUA estão estacionados no Mediterrâneo para lançar ataques militares contra a Síria como punição por executar um ataque maciço com armas químicas. Os EUA e outros não estão interessados em examinar qualquer prova em contrário, com o secretário de Estado John Kerry a dizer que a culpa de Assad era "um julgamento ... já claro para o mundo".

Contudo, das numerosas entrevistas com médicos, residentes em Ghouta, combatentes rebeldes e suas famílias, emerge um quadro diferente. Muitos acreditam que certos rebeldes receberam armas químicas através do chefe da inteligência saudita, príncipe Bandar bin Sultan, e foram responsáveis pela execução do ataque com gás.

"Meu filho procurou-se há duas semanas perguntando o que eu pensava que eram as armas que lhe fora pedido para carregar", disse Abu Abdel-Moneim, o pai de um combatente rebelde que vive em Ghouta.

Abdel-Moneim disse que o seu filho e 12 outros rebeldes foram mortos dentro de um túnel utilizado para armazenar armas fornecidas por um militante saudita, conhecido como Abu Ayesha, que estava a liderar um batalhão de combate. O pai descreveu as armas como tendo uma "estrutura como um tubo" ao passo que outras eram como uma "enorme garrafa de gás".

Os habitantes de Ghouta disseram que os rebeldes estavam a usar mesquitas e casas privadas para dormir enquanto armazenavam suas armas em túneis.

Abdel-Moneim disse que o seu filho e outros morreram durante o ataque de armas químicas. Naquele mesmo dia, o grupo militante Jabhat al-Nusra, o qual está ligado à al-Qaida, anunciou que atacaria da mesma forma civis no território [apoiante] do regime de Assad de Latáquia, na costa ocidental da Síria, em retaliação.

"Eles não nos disseram o que eram estas armas ou como utilizá-las", queixou-se uma combatente mulher chamada "K". "Nos não sabíamos que eram armas químicas. Nunca imaginámos que fossem armas químicas".

"Quando o príncipe saudita Bandar dá tais armas a pessoas, ele deve dá-las àqueles que sabem como manejá-las e utilizá-las", advertiu ela. Ela, tal como outros sírios, não querem usar seus nomes completos por medo de retaliação.

Um bem conhecido líder rebelde em Ghouta chamado "J" concordou. "Os militantes do Jabhat al-Nusra não cooperam com outros rebeldes, excepto com combate no terreno. Eles não partilham informação secreta. Simplesmente utilizaram alguns rebeldes comuns para carregar e operar este material", disse ele.

"Nós estávamos muito curiosos acerca destas armas. E infelizmente alguns dos combatentes manusearam as armas inadequadamente e começaram as explosões", disse "J".

Médicos que tratavam as vítimas do ataque de armas químicas aconselharam os entrevistadores a serem cautelosos acerca de perguntas respeitantes a quem, exactamente, era o responsável pelo assalto mortal.

O grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras acrescentou que trabalhadores da saúde cuidando de 3.600 pacientes também relataram experimentar sintomas semelhantes, incluindo espuma na boca, sofrimento respiratório, convulsões e visão turvada. O grupo não foi capaz de verificar a informação de modo independente.

Mais de uma dúzia de rebeldes entrevistados informaram que os seus salários vêem do governo saudita.

Envolvimento saudita

Num recente artigo no Business Insider, o repórter Geoffrey Ingersoll destacou o papel do príncipe Bandar nos dois anos e meio da guerra civil síria. Muitos observadores acreditam que Bandar, com seus laços estreitos a Washington, tem estado no próprio cerne do impulso para a guerra dos EUA contra Assad.

Ingersoll referiu-se a um artigo no Daily Telegraph britânico acerca de conversações secretas russo-sauditas alegando que Bandar propôs ao presidente Vladimir Putin petróleo barato em troca do abandono de Assad.

"O príncipe Bandar comprometeu-se a salvaguardar a base naval russa na Síria se o regime Assad fosse derrubado, mas ele também aludiu a ataques terroristas chechenos aos Jogos Olímpicos de Sochi, na Rússia, se não houvesse acordo", escreveu Ingersoll.

"Posso dar-lhe uma garantia de proteger os Jogos Olímpicos no próximo ano. Os grupos chechenos que ameaçam a segurança dos jogos são controlados por nós", disse alegadamente Bandar aos russos.

"Juntamente com responsáveis sauditas, os EUA alegadamente deram ao chefe da inteligência saudita o sinal de aprovação para efectuar estas conversações com a Rússia, a qual não foi surpresa", escreveu Ingersoll.

"Bandar tem uma educação americana, tanto militar como em faculdade [civil], actuou como um embaixador saudita altamente influente nos EUA e a CIA ama completamente este rapaz", acrescentou.

Segundo o jornal britânico Independent, foi a agência de inteligência do príncipe Bandar que pela primeira vez trouxe alegações da utilização de gás sarin pelo regime à atenção de aliados ocidentais, em Fevereiro último.

O Wall Street Journal informou recentemente que a CIA percebeu que a Arábia Saudita era "séria" acerca do derrube de Assad quando o rei saudita nomeou o príncipe Bandar para liderar esse esforço.

"Eles acreditam que o príncipe Bandar, um veterano das intrigas diplomáticas de Washington e do mundo árabe, podia entregar aquilo que a CIA não podia: cargas por avião de dinheiro e armas e, como disse um diplomata americano, intermediação (wasta), a palavra árabe para influência debaixo da mesa".

Bandar tem avançado o objectivo de política externa da Arábia Saudita, informou o WSJ, de derrotar Assad e seus aliados iraniano e Hezbollah.

Para esse objectivo, Bandar actuou em Washington para respaldar um programa de armar e treinar rebeldes a partir de uma planeada base militar na Jordânia.

O jornal informa que ele deparou-se com "jordanianos constrangidos acerca de uma tal base".

Sua reunião em Amman com o rei Abdullah da Jordânia por vezes demoravam oito horas numa única sessão. "O rei brincaria: Oh, o Bandar vem outra vez? Vamos reservar dois dias para a reunião", disse uma pessoa habituada às reuniões.

A dependência financeira da Jordânia em relação à Arábia Saudita pode ter dado forte influência aos sauditas. Um centro de operações na Jordânia começou a funcionar no Verão de 2012, incluindo uma pista de aviação e armazéns para armas. Os AK-47s e munições encomendados pelos sauditas chegaram, informou o WSF, citando responsáveis árabes.

Embora a Arábia Saudita tenha oficialmente sustentado que apoiava rebeldes mais moderados, o jornal informou que "fundos e armas estavam a ser canalizados para radicais ao lado, simplesmente para conter a influência de islamistas rivais apoiados pelo Qatar".

Mas rebeldes entrevistados disseram que o príncipe Bandar é tratado como "al-Habib" ou "o amado" pelos militantes al-Qaida que combatem na Síria.

Peter Oborne, no Daily Telegraph de quinta-feira, acautelou que a corrida de Washington para punir o regime Assad com os chamados ataques "limitados" não significava derrubar o líder sírio mas sim reduzir a sua capacidade de utilizar armas químicas:

Considere-se isto: os únicos beneficiários da atrocidade foram os rebeldes, anteriormente a perderem a guerra e que agora têm a Grã-Bretanha e a América prontas a intervirem ao seu lado. Se bem que pareça haver pouca dúvida de que foram utilizadas armas químicas, há dúvida acerca de quem as disponibilizou.

É importante recordar que Assad foi acusado antes de utilizar gás venenoso contra civis. Mas naquela ocasião, Carla del Ponte, comissária da ONU para a Síria, concluiu que os rebeldes, e não Assad, foram provavelmente os responsáveis.

Alguma informação neste artigo não pôde ser verificada de modo independente. Mint Press News continuará a proporcionar nova informação e actualizações.
29/Agosto/2013

Ver também:
Chemical Hallucinations and Dodgy Intelligence
(Alucinações químicas e inteligência trapalhona), William Bowles
"We Informed US of Chemical Weapons Transfer to Syria 9 Months Ago"
("Informámos os EUA da transferência de armas químicas para a Síria nove meses atrás"), Javad Zarif
Did the White House Help Plan the Syrian Chemical Attack?
(Será que a Casa Branca ajudou a planear o ataque químico sírio?), Yossef Bodansky

[*] Dale Gavlak: correspondente da Mint Press News no Médio Oriente com base em Amman, Jordânia, dgavlak@mintpressnews.com ; Yahya Ababneh: jornalista jordano.

O original encontra-se em www.mintpressnews.com/... e em www.silviacattori.net/article4776.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Um conhecido ?gusano-agente da Cia" é quem fichou a Carme Chacón para que de classes em Miami BASENAME: canta-o-merlo-um-conhecido-gusano-agente-da-cia-e-quem-fichou-a-carme-chacon-para-que-de-classes-em-miami DATE: Mon, 02 Sep 2013 10:55:08 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=173311

Ramón Pedregal Casanova.
Rebeliom

A ex ministra de defesa Carme Chacón será professora em residência de Direito Público Comparado no Miami Dai College (MDC), em Flórida (Estados Unidos).

Chacón partilhará tarefas de docência e orientaçons no Campus Wolfson com o reitor do Miami Dade College.

Eduardo J. Padrón, é o principal responsável pola oferta que recebeu a ex-deputada e encarregado de fechar a sua contrataçom. Esta personagem anti-comunista é um líder destacado da contra cubana. Desde 1995 está à frente do MDC ,Eduardo J. Padrón tem estreita relaçom com o movimento das Damas de Branco, conhecido por receber milhares de dólares da CIA.

Padrón reconheceu ao grupo (que na actualidade mantém intensas rifas internas polo compartimento do dinheiro) o passado Maio com o galardom Guardias da Liberdade, e a medalha presidencial da instituiçom académica. A este acto, acudírom tanto a líder e porta-voz das Damas de Branco, Berta Soler, que recolheu o distintivo do próprio reitor, como Guillermo Farinhas, outro dos assalariados desde EE.UU. À cerimónia também assistiu a cantora Glória Estefan, conhecida polas suas ideias contra-revolucionarias. Também estivérom presentes no Miami, Dade College significados opositores e ganhadores do Prêmio Sájarov à Liberdade de Pensamento que outorga o Parlamento Europeu. O mês anterior, em Abril, foi a bloguera e articulista Yoani Sánchez quem recebeu este galardom por parte da universidade que dirige Padrón.

É dizer, o melhor de cada casa. Um bom sítio para que Chacón trabalhe.

Nota de Canta o Merlo: Nom esqueçamos que os ministros de defesa do Estado espanhol os designa o Pentágono.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Os cenários de dissolução do Euro BASENAME: canta-o-merlo-os-cenarios-de-dissolucao-do-euro DATE: Fri, 30 Aug 2013 17:30:59 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Novas CATEGORY: Ensaio TAGS: ----- BODY:

http://www.resistir.info/europa/dissolucao_do_euro.html

por Jacques Sapir

Este estudo foi realizado por Philippe Murer e por mim próprio com a colaboração de Cédric Durand.
Ele estará disponível a 2 de Setembro de 2013 na Fundação Res Publica
(52, rue de Bourgogne, 75007 Paris, info@fondation-res-publica.org).

Extracto

"Supusemos nestes estudo que as tensões no seio da zona Euro possam atingir um nível tal que os países afectados decidam, por um acordo comum ou de maneira dispersa, renunciar à moeda única.

Neste caso, os países da ex-zona Euro deverão adoptar, ainda que de maneira transitória, medidas drásticas de controle dos capitais a fim de poder "pilotar" a depreciação ou a apreciação da sua moeda. Supõe-se também que mecanismos residuais de coordenação se mantêm ? ao nível dos Ministérios das Finanças e dos Bancos Centrais ? e que cada país pode colaborar com os seus vizinhos para evitar uma explosão dita desordenada da moeda única. Quanto à evolução da dívida, ela é regida pela jurisprudência do direito internacional que pretende que em caso de desaparecimento de uma moeda comum a vários países, estas dívidas sejam redenominadas na moeda de cada país, para aquelas que foram emitidas neste país [1] . Isso implica que as taxas de câmbio efectivas correspondam a taxas de câmbio "alvos" que permitam aos países da Europa do Sul reequilibrar o mais rapidamente possível a sua balança comercial.

Estes dois postulados correspondem ao que chamamos uma dissolução "controlada" da zona Euro (hipótese H1 ). Não nos limitamos ao estudo deste caso limite e estudamos também a possibilidade de uma cisão da zona Euro em duas (hipótese H2 conhecida sob o nome dos "dois Euros" ou combinação Euro do Sul / Euro do Norte), assim como encaramos a possibilidade de uma dissolução "não controlada" da zona Euro (hipótese H3 ). No caso de uma cisão da zona Euro em duas, consideramos que a França seria o país central (pivot) da zona "Euro do Sul". Para cada um dos três cenários assim retidos, testámos três opções de política económica: a opção a será qualificada de "pró consumo"; a opção b chamada "pró investimento"; e a opção c de "pró redução dos défices". Obtemos portanto um conjunto de nove trajectórias que serão em seguida comparadas sob os seus diferentes aspectos.

A partir da estrutura do comércio exterior, do montante das importações e das exportações no PIB e das elasticidades, recalcula-se para uma taxa de desvalorização ? ou de revalorização ? dada, a variação da balança comercial e sua contribuição para o PIB tendo em conta a existência da ex-zona Euro, de uma zona Dólar e de uma zona intermédia. Entretanto corrigiu-se em alta as importações a partir da constatação de que um forte aumento das exportações implicará necessariamente o aumento das importações tendo em conta o fenómeno da reexportação das matérias-primas importadas (energia e matérias-primas) e também de certos subconjuntos. Corrigiu-se também as importações e as exportações em função do crescimento ou da recessão dos países parceiros na zona Euro.

Obtém-se assim um primeiro nível de PIB. Este nível de PIB faz aparecer um ganho fiscal potencial, do qual se estima que uma parte será redistribuída à economia (em função das hipóteses definidas mais acima). Entra em conta então o multiplicador das despesas públicas, que foi estimado em 1,4 com base em trabalhos recentes. A aplicação deste multiplicador nos dá então um segundo estádio do PIB. Entretanto, seguindo os cenários, tem-se também uma alta mais ou menos forte do investimento produtivo. Ora, esta alta implica mecanicamente uma alta do PIB, o que nos fornece um terceiro, e definitivo, estado do PIB e portanto, por comparação, um esboço do crescimento total que se pode esperar de uma tal desvalorização.

Obtemos portanto um conjunto de nove trajectórias que serão em seguida comparadas sob seus diferentes aspectos. Esta acumulação dos efeitos tem resultados espectaculares. Constata-se então que a opção ( b ) dita "pró investimento" é aquela que engendra o crescimento mais forte nas três hipóteses ( H1 , H2 e H3 ) de taxa de câmbio. A maior diferença de crescimento é entre a opção ( b ) e a opção ( c ) que surge no médio prazo (cinco períodos de doze meses cada um) como a pior.

O efeito do forte crescimento do PIB engendrado pela acumulação dos efeitos directos e indirectos de uma forte desvalorização deveria ser muito importante sobre o emprego e o desemprego. Adoptámos aqui a hipótese de que todo crescimento superior a 1,3% no primeiro ano e a 1,5% nos anos seguintes induzia criações de emprego proporcionais ao crescimento. Estas hipóteses implicam movimentos de redução do desemprego que são muito fortes no decorrer dos dois primeiros períodos. A criação de emprego pode mesmo, em alguns dos cenários, esgotar as reservas de trabalho existentes. É uma mudança radical considerável para a sociedade francesa que reencontraria assim uma situação de desemprego moderado e mesmo fraco que já não conhece desde o fim dos anos 1970. As consequências desta mudança radical sobre o equilíbrio dos diferentes orçamentos sociais ? doença, aposentação ? são potencialmente consideráveis.
26/Agosto/2013

[1] O que é o caso, concretamente, de 85% da dívida pública francesa.

O original encontra-se em http://russeurope.hypotheses.org/1486

Este extracto encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: As forças armadas sírias e a Frente da Resistência preparam-se para a defesa antimperialista BASENAME: canta-o-merlo-as-forcas-armadas-sirias-e-a-frente-da-resistencia-preparam-para-a-defesa-antimperialista DATE: Thu, 29 Aug 2013 16:34:51 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

agosto 29, 2013

"A naçom e o Exército sírios esperavam a ofensiva dos estrangeiros desde o princípio da crise, e sabiam que chegará um momento em que o verdadeiro inimigo da Síria se ia mostrar e entraria em acçom", segundo afirmou Al-Asad citado nesta quinta-feira pola agência libanesa Al-Akhbar.

O titular sírio acrescentou que todos estám ao tanto de que o Exército possui umha moral inquebrantável, ademais de que está completamente preparado para enfrontar qualquer tipo de violaçom e proteger o país.

Neste sentido, Al-Asad pediu às autoridades com os que se reuniu para que transfiram essa boa moral existente entre os militares aos cidadás sírios.

"A eventual guerra contra o país, é umha luta histórica e Síria será o vencedor", sublinhou o presidente. Fonte http://www.hispantv.com/detail/2013/08/29/238612/asad-siria-saldria-victoriosa-ante-eeuu-sus-aliados

O diário inglês The Guardian informa que segundo fontes fiáveis o Exército sírio dispom de 8 mil pilotos kamikazes dispostos a atirar-se imediatamente contra os portaavións e outros barcos imperialistas que ataquem à Pátria. Fonte http://actualidad.rt.com/actualidad/view/104239-pilotos-kamikaze-ataque-siria-guardian

O diário Al-Alam assinala que os serviços de inteligência imperialistas foram completamente incapazes de estabelecer a localizaçom dos sistemas de defesa anti-mísseis da Síria, nem a localizaçom dos mísseis sírios nem também nom a dos mísseis iranianos emprazados na Síria. Os peritos consultados polo diário assinalam que se Síria pode rejeitar eficazmente a primeira onda de ataque, estará em condiçons de golpear objectivos em Israel, Turquia e outras partes. Fonte http://french.irib.ir/info/moyen-orient/item/272356-la-puissance-balistique-syrienne,-un-%C3%A9nigme-pour-l-occident

Síria já tem preparados para os portaavións, fragatas e destruidores imperialistas os mísseis supersónicos ultra-precisos Yakhont que som os mas rápidos do Mundo. Os navios inimigos e os mísseis Scud som incapazes de interceptá-los. Nom serám pequenas as perdidas dos imperialistas. Fonte http://french.irib.ir/info/moyen-orient/item/271959-les-missiles-yakhont-syriens-guettent-les-navires-us

Rússia ordenou reforçar a sua frota nas proximidades de Síria com um barco de luta antisubmarinos e um barco antimísseis com a clara intençom de dissuadir aos imperialistas de todo ataque criminal, ilegal e terrorista. Fonte http://www.almanar.com.lb/french/adetails.php?eid=127499&cid=18&fromval=1&frid=18&seccatid=37&s1=1

Comandante iraniano: Qualquer acçom militar contra Síria incinerará aos sionistas. Fonte http://es.irna.ir/News.aspx?Nid=80794552

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A República Islâmica do Irám afirma que jamais sob nengumha circunstância abandonará a sua sorte a Síria BASENAME: canta-o-merlo-a-republica-islamica-do-iram-afirma-que-jamais-sob-nengumha-circunstancia-abandonara-a-sua-sorte-a-siria DATE: Thu, 29 Aug 2013 08:20:31 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.almanar.com.lb/french/adetails.php?eid=127323&cid=86&fromval=1&frid=86&seccatid=28&s1=1

É nos momentos de crises quando se descobre a verdade confrontada ante a História e a dureza dos feitos. Enquanto se cerne sobre a heróica República Árabe Síria a feroz ameaça dos bandidos e cruéis imperialistas, Irám emerge como umha roca firme no combate a vida ou morte entre a espécie humana a besta degenerada dos monopólios de Wall Street e da City londrina.

Segundo o diário libanês Al-Safir as autoridades iranianas ham feito saber aos governos da China e Rússia que estarám com Síria até o seu "derradeiro suspiro" mesmo em caso que estes decidissem abandonar à Pátria árabe de Jesús o Damasceno, Sultán o Atrach e Hafez ao Assad.
A fonte iraniana analisa que os imperialistas já elaborárom há tempo planos de invasom e ataque total mas necessitavam umha escusa e como esta nom chegava rematárom por fabricar umha, igual de basta e ridícula que as anteriores que servírom para atacar a Vietname, Iraque, Líbia e Afeganistám.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Síria: Mais um crime de guerra ocidental em preparação BASENAME: canta-o-merlo-siria-mais-um-crime-de-guerra-ocidental-em-preparacao DATE: Wed, 28 Aug 2013 22:31:11 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

por Paul Craig Roberts [*]

Os criminosos de guerra em Washington e outras capitais ocidentais estão determinados a manter a sua mentira de que o governo sírio utilizou armas químicas. Tendo fracassado nos esforços para intimidar os inspectores químicos da ONU na Síria, Washington pediu que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon retirasse os inspectores de armas químicas antes que eles possam avaliar a evidência e fazer seu relatório. O secretário-geral da ONU enfrentou os criminosos de guerra de Washington e rejeitou o pedido.

Os governos dos EUA e Reino Unidos não revelaram nenhumas das "evidências conclusivas" que afirmam ter de que o governo sírio utilizou armas químicas. Ao ouvir suas vozes, observar sua linguagem corporal e fitar os seus olhos, é completamente óbvio que John Kerry e seus fantoches britânico e alemão estão a mentir com todos os seus dentes. Isto é uma situação muito mais vergonhosa do que as mentiras maciças que o antigo secretário de Estado Colin Powell disse na ONU acerca de armas iraquianas de destruição maciça. Powell afirma que foi enganado pela Casa Branca e que não sabia que estava a mentir. Kerry e os fantoches britânico, francês e alemão sabem muito bem que estão a mentir.

A cara que o Ocidente apresenta ao mundo é a cara cínica de um mentiroso.

Washington e seus governos fantoches britânico e francês estão prontos para revelarem mais uma vez a sua criminalidade. A imagem do Ocidente como Criminoso de Guerra não é uma imagem de propaganda criada pelos seus inimigos, mas o retrato que o Ocidente pintou de si próprio.

O Independent britânico informa que durante este último fim de semana Obama, Cameron e Hollande concordaram em lançar ataques com mísseis de cruzeiro contra o governo sírio dentro de duas semanas apesar da falta de qualquer autorização da ONU e apesar da ausência de qualquer evidência que corrobore a afirmação de Washington de que o governo sírio utilizou armas químicas contra os "rebeldes" apoiados por Washington, amplamente apoiadas forças externas americanas, que procuram derrubar o governo sírio.

Na verdade, uma razão para a corrida à guerra é impedir a inspecção da ONU que Washington sabe que refutaria sua afirmação e possivelmente implicaria a capital estado-unidense no ataque de bandeira falsa por parte dos "rebeldes", os quais reuniram um grande número de crianças numa área para serem quimicamente assassinadas com a culpa atribuída por Washington ao governo sírio.

Outra razão para a corrida à guerra e que Cameron, o primeiro-ministro britânico, quer obter a guerra antes que o parlamento britânico possa bloqueá-lo por proporcionar cobertura aos crimes de guerra de Obama do mesmo modo que Tony Blair proporcionou cobertura a George W. Bush, pela qual Blair foi devidamente premiado. O que faz com que Cameron [não] se preocupe com vidas sírias pois quando puder deixar o gabinete terá à sua espera uma fortuna de U$50 milhões.
www.independent.co.uk/...

O governo sírio, sabendo que não é responsável pelo incidente das armas químicas, concordou em que a ONU enviasse inspectores para determinar a substância utilizada e o método de entrega. Contudo, Washington declarou que é "demasiado tarde" para inspectores da ONU e que aceita a afirmação em causa própria de "rebeldes" filiados à al Qaeda de que o governo sírio atacou civis com armas químicas.
news.antiwar.com/...
Ver também news.antiwar.com/...

Numa tentativa de impedir os inspectores químicos da ONU que chegaram ao local de fazerem o seu trabalho, os inspectores foram alvejados por franco-atiradores (snipers) no território mantido pelos "rebeldes" e forçados a saírem dali, embora uma informação posterior da RT diga que os inspectores retornaram ao sítio para efectuar sua inspecção.
rt.com/news/un-chemical-oservers-shot-000/

O corrupto governo britânico declarou que a Síria pode ser atacada sem autorização da ONU, assim como a Sérvia foi atacada militarmente sem autorização da ONU.

Por outras palavras, as democracias ocidentais já estabeleceram precedentes para violar o direito internacional. "Direito internacional? Nós não precisamos nenhum fedorento direito internacional!" O Ocidente conhece apenas um direito: O Poder é Razão (Right). Enquanto o Ocidente tiver o Poder, o Ocidente tem a Razão.

Numa resposta às notícias de que os EUA, Reino Unido e França estão a preparar-se para atacar a Síria, o ministro russo dos Estrangeiros, Lavrov, disse que tal acção unilateral é uma "grave violação do direito internacional" e que a violação era não só legal como também ética e moral. Lavrov referiu-se às mentiras e enganos utilizados pelo Ocidente para justificar suas graves violações da direito internacional em ataques militares à Sérvia, Iraque e Libia e como o governo dos EUA utilizou movimentos preventivos para minar toda esperança por acordos de paz no Iraque, Líbia e Síria.

Mais uma vez Washington preveniu qualquer esperança de acordo de paz. Ao anunciar o ataque vindouro, os EUA destruíram qualquer incentivo para os "rebeldes" participarem nas conversações de paz com o governo sírio. À beira de estas conversações terem lugar, os "rebeldes" agora não têm incentivo para participarem pois os militares do Ocidente estão a vir em sua ajuda.

Na sua conferência de imprensa Lavrov falou do como os partidos dirigentes nos EUA, Reino Unido e França instigam emoções entre pessoas fracamente informadas que, uma vez excitadas, têm de ser satisfeitas pela guerra. Isto, naturalmente, foi o meio como os EUA manipulam o público a fim de atacar o Afeganistão e o Iraque. Mas o público americano está cansado das guerras, cujos objectivos nunca são esclarecidos, e tem crescentes suspeitas em relação às justificações do governo para mais guerras.

Um inquérito Reuters/Ipso descobriu que "americanos opõem-se à intervenção estado-unidense na guerra civil da Síria e acreditam que Washington deveria permanecer fora do conflito mesmo se informações de que o governo da Síria utilizou armas químicas mortais para atacar civis forem confirmadas.
news.yahoo.com/

Contudo, Obama não se importa que menos de 9 por cento do público apoie o seu belicismo. Como declarou recentemente o antigo presidente Jimmy Carter: "A América não tem democracia em funcionamento".
rt.com/usa/carter-comment-nsa-snowden-261/

Ela tem um estado policial no qual o ramo executivo se colocou acima de toda a lei e da Constituição.

Este estado policial está agora em vias de cometer mais outro crime de guerra estilo nazi de agressão não provocada. Em Nuremberg os nazis foram sentenciados à morte precisamente por acções idênticas às que estão a ser cometidas por Obama, Cameron e Hollande. O Ocidente está a confiar no poder, não no direito, para manter-se fora do tribunal criminal.

Os governos dos EUA, Reino Unido e França não explicaram porque interessa se pessoas nas guerras iniciadas pelo Ocidente são mortas por explosivos feitos de urânio empobrecido ou com agentes químicos ou qualquer outra arma. Era óbvio desde o princípio que Obama estava determinado a atacar o governo sírio. Obama demonizou armas químicas ? mas não as nucleares destruidoras de bunkers ("bunker busters") que os EUA podem utilizar contra o Irão. Portanto Obama traçou uma linha vermelha, dizendo que a utilização de armas químicas pelos sírios era um grande crime que obrigaria o Ocidente a atacar a Síria. Os fantoches britânicos de Washington, William Hague e Cameron, simplesmente têm repetido esta afirmação sem sentido.
rt.com/news/uk-response-without-un-backing-979/

O passo final na trama era orquestrar um incidente químico e culpar o governo sírio.

O que é a agenda real do Ocidente? Esta é a pergunta não formulada e não respondida. Claramente, os governos dos EUA, Reino Unido e França, os quais têm exibido continuamente seu apoio a regimes ditatoriais que sirvam os seus propósitos, não estão minimamente perturbados com ditadura. Eles estigmatizam Assad como ditadora como um meio de diabolizá-lo para as mal informadas massas do Ocidente. Mas Washington, Reino Unido e França apoiam qualquer número de regimes ditatoriais, tais como aqueles no Bahrain, Arábia Saudita e agora a ditadura militar no Egipto que está implacavelmente a mater egípcios sem que qualquer governo ocidental fale de invadir o país por "matar o seu próprio povo".

Claramente também, o ataque ocidental à Síria que está para acontecer não absolutamente nada a ver com levar "liberdade e democracia" à Síria, não mais do que liberdade e democracia foram razões para os ataques ao Iraque e à Líbia, nenhum dos quais ganhou qualquer "liberdade e democracia".

O ataque do Ocidente à Síria não tem relação com direitos humanos, justiça ou qualquer das causas altissonantes com as quais o Ocidente encobre a sua criminalidade.

Os media ocidentais, e menos ainda os presstitutes americanos, nunca perguntam a Obama, Cameron ou Hollande qual é a agenda real. É difícil acreditar que qualquer repórter seja suficientemente estúpido ou crédulo para acreditar que a agenda é levar "liberdade e democracia" à Síria ou punir Assad por alegadamente utilizar armas químicas contra bandidos assassinos que tentam derrubar o governo sírio.

Naturalmente, a pergunta não seria respondida se fosse feita. Mas o acto de perguntar ajudaria o público a tornar-se consciente de que há mais em andamento do que o que está à vista. Originalmente, a desculpa para as guerras de Washington era manter os americanos seguros em relação a terroristas. Agora Washington está a esforçar-se por entregar a Síria a terroristas da jihad, ajudando-os a derrubar o governo laico e não terrorista de Assad. Qual é a agenda por trás do apoio de Washington ao terrorismo?

Talvez o objectivo das guerras seja radicalizar muçulmanos e, dessa forma, desestabilizar a Rússia e mesmo a China. A Rússia tem grandes populações de muçulmanos e faz fronteiras com países muçulmanos. Mesmo a China tem alguma população muçulmana. Quando a agitação radical se propagar aos dois únicos países capazes de constituírem um obstáculo à hegemonia mundial de Washington, à propaganda dos media ocidentais e ao grande número de ONGs financiadas pelos EUA, a posarem como organizações de "direitos humanos", Washington pode nelas confiar para diabolizar os governos russo e chinês por medidas duras contra "rebeldes".

Outra vantagem da radicalização de muçulmanos é que isto deixa países muçulmanos em perturbações ou guerras civis prolongadas, como é actualmente o caso no Iraque e na Líbia, impedindo portanto qualquer poder de estado organizado de obstruir objectivos israelenses.

O secretário de Estado John Kerry está a trabalhar nos telefones utilizando subornos e ameaças a fim de construir aceitação, se não apoio, ao crime de guerra em preparação contra a Síria.

Washington está a conduzir o mundo para mais perto do que nunca da guerra nuclear, mesmo em relação aos períodos mais perigosos da Guerra-fria. Quando Washington acabar com a Síria, o alvo seguinte será o Irão. A Rússia e a China já não serão mais capazes de enganarem-se a si próprios com a ficção de que há qualquer sistema de lei internacional ou restrição à criminalidade ocidental. A agressão ocidental já está a forçar ambos os países a desenvolverem suas forças estratégicas nucleares e a restringir as ONGs financiadas pelo Ocidente que posam como "organizações de direitos humanos", mas na realidade constituem uma quinta coluna que Washington pode utilizar para destruir a legitimidade dos governos russo e chinês.

A Rússia e a China têm sido extremamente descuidadas nos seus relacionamentos com os Estados Unidos. Essencialmente, a oposição política russa é financiada por Washington. Mesmo o governo chinês está a ser minado. Quando uma corporação estado-unidense abre uma companhia na China, ela cria uma directoria chinesa na qual são colocados parentes das autoridades políticas locais. Estas directorias criam um canal para pagamentos que influenciam as decisões e lealdades dos membros locais e regionais do partido. Os EUA penetraram universidades chinesas e atitudes intelectuais. Estão a ser criadas vozes dissidentes que são perfiladas contra o governo chinês. Pedidos de "liberalização" podem ressuscitar diferenças regionais e étnicas e minar a coesão do governo nacional.

Uma vez que a Rússia e a China percebam que são dilaceradas por quintas colunas americanas, isoladas diplomaticamente e ultrapassadas militarmente, as armas nucleares tornar-se-ão a única garantia das suas soberanias. Isto sugere ser provável que a guerra nuclear termine com a humanidade bem antes de esta sucumbir ao aquecimento global ou à ascensão das dívidas nacionais.
27/Agosto/2013

[*] www.paulcraigroberts.org/

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/syria-another-western-war-crime-in-the-making/5347038

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Egipto fecha Canal de Suez aos destruidores estadounidenses e britânicos que se dirijam a Síria BASENAME: canta-o-merlo-egipto-fecha-canal-de-suez-aos-destruidores-estadounidenses-e-britanicos-que-se-dirijam-a-siria DATE: Wed, 28 Aug 2013 22:06:06 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.hispantv.com/

O ministro de Defesa e chefe do Exército egípcio, o general Abdel Fatah Al-Sisi, assegurou nesta quarta-feira que o seu país fechará o Canal de Suez aos destruidores estadounidenses e britânicos que navegam rumo a Síria.

Al-Sisi salientou em que o seu país nom repetirá os erros da guerra no Iraque, ressaltando o compromisso a cumprir com o acordo de defesa conjunta entre Egipto e Síria, polo que nom permitirá que os navios de guerra atravessem o Canal de Suez para levar a cabo umha ingerência bélica no país árabe.

Assim mesmo, o chefe da Diplomacia egípcia, Nabil Fahmi, expressou na terça-feira a sua oposiçom a umha ofensiva belicista na Síria e reclamou umha soluçom política ao conflito.

Fahmi afirmou que umha resposta ao suposto uso de armas químicas em Síria deve acordar nos organismos internacionais, em especial, no Conselho de Segurança das Naçons Unidas (CSNU).

A semana passada, os terroristas, apoiados por países estrangeiros, acusaram o Governo sírio de empregar armas químicas nos subúrbios de Damasco, umhas alegaçons que fôrom rejeitadas contundentemente polas autoridades sírias.

Os países ocidentais, especialmente EE.UU., o Reino Unido e França, valendo-se de falsas alegaçons, buscam executar umha ofensiva militar contra Síria.

mkh/ybm/hnb

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O público ocidental assustado pelo general Al-Sissi BASENAME: canta-o-merlo-o-publico-ocidental-assustado-pelo-general-al-sissi DATE: Wed, 28 Aug 2013 19:04:48 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

por Thierry Meyssan

Enquanto os Egípcios apoiam a 95 % o golpe de Estado militar que derrubou o presidente Morsi, a imprensa ocidental grita contra o retorno da ditadura e chora os mortos civis da repressão. Para Thierry Meyssan, esta atitude tem origem na atitude efeminada das populações ocidentais que esqueceram as lições dos seus antepassados e pensam que todos os conflitos podem ter soluções pacíficas

A imprensa nos Estados-Unidos e na Europa faz causa comum contra o golpe de Estado militar no Egipto e lamenta-se pelo milhar de mortos que se seguiu. É evidente para ela que os Egípcios, que derrubaram a ditadura de Hosni Moubarak, serão hoje em dia vítimas de uma nova ditadura e que Mohamed Morsi, eleito «democraticamente», é o único com legitimidade para exercer o poder.

Ora, esta visão das coisas é contradita pela unanimidade na sociedade egípcia apoiando o seu exército. Abdelfatah Al-Sissi anunciou a destituição do presidente Morsi na presença dos representantes de todas as sensibilidades do país, incluindo o reitor da universidade Al-Azhar e o chefe dos salafistas, que vieram apoiá-lo. Ele pode-se gabar de ser apoiado, no seu combate, pelos representantes de 95 % dos seus compatriotas.

Para os Egípcios, a legitimidade de Mohamed Morsi não se mede pelo modo como foi designado presidente, com ou sem eleições, mas pelos serviços que prestou ou não ao país. Ora, os Irmãos (muçulmanos-ndT) mostraram, acima de tudo, que o seu slogan «O islão, é a solução!» mascarava mal a sua impreparação e a sua incompetência.

Para o homem da rua, o turismo rarefez-se, a economia regrediu, e a libra caiu 20 % de valor .

Para a classe média, Morsi jamais foi eleito democraticamente. A maior parte dos gabinetes de voto estiveram ocupados por bandos armados dos Irmãos e 65 % dos eleitores abstiveram-se. Esta mascarada foi sancionada pelos observadores internacionais, despachados pelos Estados-Unidos e União Europeia que apoiavam a Confraria. Em Novembro, o presidente Morsi revogou a separação de poderes interditando os tribunais de contestar as suas decisões. Depois, ele dissolveu o Supremo Tribunal e revogou a Procuradoria Geral. Suspendeu a Constituição, e fez redigir uma nova por uma comissão nomeada, para o efeito, por ele, antes de fazer adoptar esta lei fundamental aquando de um referendo boicotado por 66 % dos eleitores.

Para o exército, Morsi caiu ao anunciar a sua intenção de privatizar o canal do Suez, símbolo da independência económica e política do país, e de o vender aos seus amigos cataris. Ele iniciou a venda de terrenos públicos do Sinai a personalidades do Hamas, afim de permitir que eles transferissem para o Egipto os trabalhadores de Gaza e possibilitando assim a Israel acabar com a sua «questão palestina». Mas, sobretudo, declarou guerra contra a Síria, posto-avançado histórico do Egipto no Levante, colocando em perigo a segurança nacional que lhe incumbia proteger.

Entretanto, o problema de fundo dos Ocidentais face à crise egípcia tem a ver com o uso da força. Visto de Nova Iorque ou de Paris, um exército que usa balas reais contra manifestantes é tirânico. E, a imprensa trata de sublinhar, para aumentar o horror, que numerosas vítimas são mulheres e crianças.

É uma visão pusilânime das relações humanas, em que supostamente uma pessoa estaria pronta para o debate pacífico só pelo simples facto de estar desarmada. Mas, o fanatismo é um modo de comportamento que não tem nenhuma relação com o facto de se estar armado ou não. Os Ocidentais enfrentaram, exactamente, este problema há 70 anos atrás. Na época, Franklin Roosevelt e Winston Churchill fizeram arrasar cidades inteiras, como Dresden (na Alemanha) e Tóquio (no Japão), cujas populações civis estavam desarmadas. Ora, estes dois líderes não são por isso considerados como criminosos, mas sim celebrados como heróis. Era evidente e indiscutível que o fanatismo dos Alemães e dos Japoneses tornava qualquer solução pacífica impossível.

São os Irmãos muçulmanos terroristas, e deverão ser aniquilados? Toda a resposta cega estará errada, já que existem numerosas tendências no seio da Confraria internacional. No entanto, há um balanço que fala por si próprio: eles têm um pesado passado de putschismo em numerosos Estados árabes. Em 2011, organizaram a oposição a Mouamar el-Kadhafi e aproveitaram-se do seu derrube pela Otan. Continuam a fomentar o ataque para se apoderarem do poder na Síria. Em relação à Confraria no Egipto, o presidente Morsi reabilitou os assassinos do seu predecessor Anouar el-Sadate, e libertou-os. Também nomeou governador de Luxor o segundo cabeça do comando que aí massacrou 62 pessoas, principalmente turistas, em 1997. Além disso, durante o simples apelo dos Irmãos à manifestação para o restabelecimento do «seu» presidente, eles usaram de vingança queimando 82 igrejas coptas (minoria cristã- ndT).

A repulsa dos Ocidentais pelos governos militares não é partilhada pelos Egípcios, único povo no mundo a ter sido exclusivamente governado por militares ? com excepção do ano de Morsi ? durante mais de 3 000 anos.
Thierry Meyssan

Tradução
Alva

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Se EEUU atacasse a Síria, Rússia faria-o com Arábia Saudita BASENAME: canta-o-merlo-se-eeuu-atacasse-a-siria-russia-faria-o-com-arabia-saudita DATE: Wed, 28 Aug 2013 15:55:41 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.hispantv.com/

Arábia Saudita converteria no alvo dos mísseis russos em caso que Ocidente, encabeçado por EE.UU., materialize umha opçom militar contra Síria, sob pretexto de que o Exército sírio haver usado armas químicas.

Assim informou na terça-feira EU Times, citando um "memorándum de acçom urgente" do escritório do presidente russo, Vladimir Putin, que autoriza o bombardeio de vários objectivos dentro do território saudita.

Esta decisom de Moscovo emite-se, depois de que altos funcionários estadounidenses anunciassem na terça-feira que Washington poderia dar início a um ataque misilístico contra Síria "em seguida que como na quinta-feira".

Neste sentido, o diário libanês As-Safir justificou esta postura de Moscovo ante Riad pola visita que realizou o chefe dos serviços de inteligência saudita, Bandar bin Sultan, a Rússia para convencer ao presidente russo que retire o seu apoio ao Governo de Damasco.

Conforme As-Safir, o príncipe saudita havia advertido que se Rússia nom aceitava a derrota da Síria, Arábia Saudita desataria terroristas chechenos sob o seu controlo para que provocassem o caos durante os Jogos Olímpicos de Inverno que se celebrarám entre os dias 7 e 23 de Fevereiro do ano 2014 em Sochi, Rússia.

Também existiam rumores de que o titular saudita oferecera um contrato armamentístico a mudança de que Rússia desse as costas a Síria, o que foi desmentido posteriormente polo mandatário russo.

A escalada de tensons entre Rússia e Ocidente deve-se a umha possível intervençom militar de EE.UU. e os seus aliados na Síria, com o objectivo de atirar umha mensagem ao presidente, Bashar Al-Asad, acusado polos ocidentais de autorizar um presumível ataque químico a semana passada, algo rejeitado energicamente polo Governo de Damasco.

Ante esta situaçom, Síria permitiu aos inspectores de Naçons Unidas que acedam ao sítio onde supostamente produziu-se o ataque com armas químicas.

O 23 de agosto, o secretário de Defesa de EE. UU., Chuck Hagel, assegurou que o Pentágono já começara a mobilizar as suas forças navais com o fim de situar-se para um possível ataque contra Síria, em caso que o presidente norte-americano, Barack Obama, tomasse tal decisom.

Por sua parte, o Parlamento britânico tem previsto reunir-se na quinta-feira desta semana para debater e votar sobre umha intervençom militar no país árabe.

Anteriormente, o ministro britânico de Assuntos Exteriores, William Hague, desafiando ao direito internacional, afirmou na segunda-feira que umha intervençom estrangeira na Síria é possível, sem o respaldo unânime de todos os membros do Conselho de Segurança de Naçons Unidas (CSNU).

Esta postura bélica de Londres produz-se apesar de que nem sequer existem provas que evidenciem o uso de armas químicas por parte do Exército sírio.

No sábado, umha unidade do Exército sírio irrompeu num armazém situado no bairro de Dobar, em Damasco, onde encontrou barris de gás tóxico com etiquetas na que se especificava que eram de fabricaçom saudita.

Nom é a primeira vez que os grupos terroristas na Síria utilizam armas químicas no país árabe, para depois pretender apresentar ao Governo de Damasco como autor de tais ataques químicos, ajeitando assim o caminho para que Ocidente, encabeçado por Washington, atire umha possível intervençom no país árabe.

msh/ybm/hnb

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A inauguração do Estado Policial ? EUA : A caminho de uma ditadura democrática? BASENAME: canta-o-merlo-a-inauguracao-do-estado-policial-eua-a-caminho-de-uma-ditadura-democratica DATE: Tue, 27 Aug 2013 22:38:52 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

By Prof Michel Chossudovsky
Global Research, July 12, 2013

Notas do Autor:

O artigo que segue [1] foi publicado em janeiro de 2012 e focaliza uma importante lei legislativa (Lei ? Autorização de Defesa Nacional ? ?National Defense Authorization Act? (NDAA) HR 1540).

Quase que nem notada na comprometida corrente da mídia estabelecida, a HR 1540 (assinada como lei efetiva pelo presidente Obama em 31 de dezembro de 2011) apresentou as condições para uma anulação de um governo constitucional como ato de lei, já aqui nem se mencionando as condições para um desenvolvimento de um ?Estado de Vigilância? ??Surveillance State?, o qual está sendo objeto de muito debate [näo só nacional como também internacionalmente, dadas as revelações recentes dos atos de espionagem do governo americano].

A república americana está fraturada. A tendência é para o estabelecimento de um estado totalitário, um governo militar em vestimentas civís.

A adoção da Lei ? Autorização de Defesa Nacional (NDAA), (HR 1540) corresponde a militarirazão da polícia, ou seja, a anulação da lei regulando a atuação independente dos municípios e regiões: ?Municípios podem atuar?? ? ?Posse Comitatus Act?- e assim então, a inauguração em 2012, dos Estados Unidos como EUA: Estado Policial.

Da mesma maneira como aconteceu na chamada República Weimar, na Alemanha de 1930, liberdades e direitos fundamentais estão agora sendo anulados abaixo do pretexto de que a democracia estaria sendo ameaçada e precisaria de ser protegida.

Grupos radicais e ou ativistas trabalhistas constituem aos olhos da administração de Obama uma ameaça ao estabelecimento econômico assim como a ordem política nacional americana [tem-se calafrios em lembrar-se do DOPS ? Departamento de Ordem Pública e Social dos tempos da ditadura brasileira?]

A mídia sempre comprometida está agora sendo cúmplice da morte do governo constitucional americano.

Todos os componentes de um Estado Policial nos EUA já se encontram nos seus devidos lugares. Esses componentes incluem:

Assassinatos extrajudiciais de supostos terroristas, o que incluiria cidadãos americanos. Isso está em alarmante violação da Qinta Lei da constituição americana, que afirma que ?Nenhuma pessoa deverá ter?. sua vida tomada? sem os devidos processos judiciais. ?No person shall.. be deprived of life without due process of law.? [observe-se que nos Estados Unidos a pena de morte ainda faz parte do sistema jurídico, mas aqui não se trata de penas de morte mas sim de assassinatos premeditados, sem os devidos processos legais, os quais poderiam ou não levar a uma pena de morte, em cada caso específico].

Prisão indefinida sem julgamentos de cidadãos americanos, isso é nominadamente a anulação do sistema de ?Habeas Corpus?.

O estabelecimento de ?Campos de Concentração? ? ?Internment Camps? [literalmente Campos de Internamento] em bases militares americanas abaixo da legislação adoptada em 2009.

Abaixo da ?Lei de Estabelecimento de Centros Nacionais de Emergência? ? ?National Emergency Center Establishment Act? (HR 645) os ?Campos de Internamento? poderão ser usados para ?acomodar outras necessidades apropriadas, como determinadas pela Secretaria da SegurançaNacional ? Secretary of Homeland Security.?

Os Campos de Internamento da FEMA fazem parte da chamada ?Continuidade de Governo? ? ?Continuity of Government?, COG na sigla inglesa, o qual seria ativado no caso de lei marcial, ou seja, lei de guerra, estado de sítio, ou de emergência. Esses campos de internamento tem como propósito o ?proteger o governo? contra seus cidadãos, encarcerando os oposicionistas assim como os ativistas políticos que desafiassem a legitimidade da políticas de segurança nacional, da política econômica ou o programa de ação militar [como por ex. guerras] do governo.

Michel Chossudovsky, 12 de Junho de 2013 ? A Ser Continuado.

Original : The Inauguration of Police State USA. Towards a Democratic Dictatorship? Global Research, 12 de junho de 2013 e 1 de janeiro de 2012.

Tradução Anna Malm

Referências e Notas:

[1] Prof. Michel Chossudovsky, The Inauguration of Police State USA. Towards a Democratic Dictatorship? Global Research, 12 de junho de 2013 e 1 de janeiro de 2012. Essa é a parte I ? A ser continuada em breve. O original encontra-se emwww.globalresearch.ca
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----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A Marinha e o Exército da Rússia mobilizados a favor da Síria BASENAME: canta-o-merlo-a-marinha-e-o-exercito-da-russia-mobilizados-a-favor-da-siria DATE: Tue, 27 Aug 2013 15:33:02 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

A Marinha e o Exército da Rússia mobilizados a favor da Síria

agosto 26, 2013

Segundo fontes militares russas umha frota de guerra russa entre a que está o barco Chabanenko se achega ao porto sírio de Tartús. A web israelense Debka informa que desde o sábado passado o exército russo está em estado de alerta frente à eventualidade de um ataque imperialista dos EEUU, Gram-Bretanha e França contra a República Árabe Siria.

Constam-nos que nom somente o povo russo senom de todas as repúblicas que um dia estivérom juntas na Uniom Soviética apoiam em massa estes decisivos movimentos destinados a dar protecçom à gloriosa Pátria de Juan El Damasceno, El Attrach, Michel Aflaq e Hafez Al Assad.

Esperamos que barcos ucranianos, iranianos, libaneses e chineses unam ao esforço russo

Fonte http://french.irib.ir/info/moyen-orient/item/271896-lhes-navires-de-guerre-russes-appareillent-vers-tartous

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: "Zero, a possibilidade de um ataque a Síria" BASENAME: canta-o-merlo-zero-a-possibilidade-de-um-ataque-a-siria DATE: Tue, 27 Aug 2013 12:05:50 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.hispantv.com/detail/2013/08/26/238282/cero-posibilidad-ataque-siria

"Qualquer intervençom militar estrangeira em Síria poderia acabar numha catástrofe no Oriente Meio com conseqüências imprevisíveis e amplas", assim o confirmou nesta segunda-feira o parlamentar iraniano, Mehdi Sanai.

O membro da Comissom da Segurança Nacional e a Política Exterior da Assembleia Consultiva Islâmica do Irám (Mayles) considerou "improvável" a possibilidade de um ataque militar a Síria por parte da EE.UU.

"Os ataques com armas químicas na Síria som artimanhas de alguns países da regiom que vem fracassados os seus planos. Estados Unidos ainda está a duvidar a respeito da postura política que quer tomar a respeito disso", sublinhou.

"A situaçom da Síria é difícil. Os conflitos já tem um aspecto étnico e religioso e os países da regiom como Jordânia, Turquia, O Líbano e até verdadeiro ponto, Iraque vem influídos pola crise da Síria", acrescentou

Noutra intervençom, o embaixador do Irám na Síria, Mohámede Reza Rauf Sheibani, aconselhou a Washington a tomar liçom das conseqüências das suas intervençons em Afeganistám, Iraque, Líbia e África do Norte e ter em conta o preço que pagou com o fim de medir os seus passos no futuro.

Assim mesmo, tachou de irrealizável as ameaças estadounidenses a respeito da intervençom militar na Síria" nom é a primeira vez que usam umha literatura ofensiva. Todo mundo sabe que é o instrumento que tem para chegar aos seus objectivos e pôr sob pressom à frente opositor".

"Muitos peritos em assuntos militares na regiom consideram nula a possibilidade de um ataque desta índole por diferentes razões entre elas, as forças de resistência na regiom, a situaçom estratégica da Síria assim como a opiniom pública dos mesmos estadounidenses a respeito disso", concluiu.

ym/rh/msf

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Rússia assegura que Washington deve respeitar o Direito Internacional a respeito de Síria BASENAME: canta-o-merlo-russia-assegura-que-washington-deve-respeitar-o-direito-internacional-a-respeito-de-siria DATE: Tue, 27 Aug 2013 11:07:50 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Rússia assegura que Washington deve respeitar o Direito Internacional a respeito de Síria

Moscovo - Washington, Sana

O Ministério de Exteriores da Rússia afirmou que Washington deve ser cauteloso e tem que respeitar o Direito Internacional sobre Síria.

Chancelería russa acrescentou que as tentativas de fabricar pretextos para a intervençom militar na Síria fora do Conselho de Segurança, poderia conduzir a um desastre.

Rússia lamenta que Washington tenha postergado a reuniom da Haia

Por outra parte, o Vice-ministro de Exteriores russo, Gennady Gatilov, dixo que o seu país lamenta que Estados Unidos adiasse a mencionada reuniom sobre Síria, prevista para manhá quarta-feira na Haia.

Na sua conta na rede social Twitter, Gatilov dixo: "é lamentável que os nossos sócios decidam cancelar a reuniom bilateral russo-estadounidense para discutir a questom de convocar a conferência internacional sobre Síria", sublinhando que "o trabalho para encontrar critérios para umha soluçom política na Síria era algo útil, sobretodo porque no horizonte vem-se nuveiros de umha campanha militar".

Cabe salientar que o Departamento de Estado de EE.UU. anunciara o adiamento da reuniom prevista com Rússia na Haia para discutir os preparativos para a celebraçom da conferencia internacional sobre Siria em Genebra, sem especificar um calendário claro para a sua celebraçom, tomando como pretexto as noticias sobre um ataque com armas químicas na zona rural de Damasco.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A histeria belicista contra a Síria BASENAME: canta-o-merlo-a-histeria-belicista-conta-a-siria DATE: Mon, 26 Aug 2013 22:37:30 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.resistir.info/

Em 2003 o imperialismo promoveu uma campanha histérica acerca de supostas armas de destruição maciça possuídas pelo Iraque. Como se viu, aquela mentira flagrante, cínica e deliberada do governo dos EUA destinou-se a justificar a invasão e ocupação daquele país. Hoje, mais uma vez, o imperialismo encena uma campanha mundial acerca de supostas "armas químicas" que teriam sido utilizadas pelas Forças Armadas sírias. Obama não apresentou uma única prova que corroborasse tal afirmação, mas a campanha prossegue. Destina-se a preparar a opinião pública para uma eventual agressão directa contra a República Síria à semelhança daquela desencadeada contra a Líbia. Diz-se a agressão directa porque a indirecta começou há vários anos com o armamento, treino e incentivo a bandos terroristas, os quais estão a ser derrotados pela Forças Armadas sírias. Tal como em 2003, os cães amestrados de Londres, Paris e Ancara ladram furiosamente a atiçar.
Por outro lado, a crise financeira capitalista intensifica-se. O seu sistema bancário está em ruínas, tanto nos EUA como na Europa. Os monstruosos resgates governamentais com o dinheiro dos contribuintes e com emissões monetárias (bail-outs) fracassaram, tendo desaparecido no buraco negro da banca ? agora já planeiam resgates internos (bail-ins) com o dinheiro dos depositantes. O que tem isto a ver com uma eventual agressão à Síria? Muito. Historicamente o imperialismo sempre procurou na guerra a saída para as suas crises.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Lavrov tacha de falsas acusaçons contra governo sírio sobre uso de armas químicas BASENAME: canta-o-merlo-lavrov-tacha-de-falsas-acusacons-contra-governo-sirio-sobre-uso-de-armas-quimicas DATE: Mon, 26 Aug 2013 15:39:17 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://sana.sy/spa/213/2013/08/26/499279.htm
Moscovo, Sana

O ministro de Exteriores da Rússia, Sergi Lavrov, sublinha que as acusaçons dirigidas contra o governo de Síria sobre o uso de armas químicas som falsas e usam-se como pretexto para recorrer ao uso da força contra Síria, asseverando que "quem dirigem essas acusaçons nom possuem provas".

Numha conferência de imprensa hoje, o chefe da diplomacia russa denúncia que tanto Washington como Londres e Paris dérom declaraçons oficiais para dizer que possuem fortes provas que inculpam às autoridades da Síria, mais até agora nom pudérom apresentar ditas provas e contodo aumentam o seu tom e dizem que a linha vermelha foi transgrida e já nom é possível demorar as cousas.

Lavrov asseverou que estas declaraçons "contradim os acordos confirmados polos líderes do G-8 na declaraçom final da cimeira de Oraornoa no passado mês de Junho, que sublinha que qualquer caso de uso de armas químicas em Síria deve ser investigado escrupulosamente e apresentassem-se os resultados das investigaçons ao Conselho de Segurança".

Lavrov denuncia que esses países do Grupo do Oito abandonárom este acordo e que, aliás, atribuem-se a sim mesmos o papel dos investigadores e o papel do Conselho de Segurança".

O chanceler russo explicou que experto e especialistas de Grm-Bretanha, França, Rússia e outros países ocidentais tenhem critérios que indicam a invalidez das imagens que se comercializam através de Internet para acusar o governo da Síria de usar armas químicas, revelando que existem informaçons que afirmam que estas imagens se publicárom horas antes de ser anunciado o ataque com substâncias químicas o passado 21 de agosto.

Lavrov pergunta-se.. "Por que essas partes rejeitam os pactos e alegam que já é tarde e obstaculizam todas as provas sobre o uso de armas químicas"... por que nom falavam os nossos sócios ocidentais da mesma maneira quando se discutia sobre a investigaçom de uso de armas químicas em Khan Asal no campo de Alepo na passada Primavera"".

Lavrov: Rússia mira com profunda preocupaçom anúncios estadounidenses de intervençom militar na Síria

Sergei Lavrov afirmou antes durante umha conversaçom telefónica com o seu homólogo de EE.UU., John Ferry, que "os anúncios oficiais de Washington sobre a preparaçom das suas Forças Armadas para "intervir" no conflito sírio foram recebidos por Moscovo com profunda preocupaçom".

Segundo um comunicado oficial da Chanceleria russa, publicado na página web do Ministério russo de Exteriores, Lavrov dixo na conversaçom telefónica que umha intervençom na Síria produziria graves conseqüências em Oriente Meio, e agregou que "os telefonemas de EE.UU. a intervir na Síria som umha tentativa de apagar os esforços bilaterais encaminhados à celebraçom da conferência de Genebra.

O comunicado destacou que "Moscovo está preocupada "polas declaraçons de alguns representantes da Administraçom estadounidense sobre a suposta "prova" que tenhem da participaçom do Governo sírio num presumível uso de armas químicas da semana passada em Ghouta Oriental".

Rússia instou a EE.UU. a nom usar a força na Síria e a tentar criar as condiçons propícias para que a missom de peritos da ONU que se encontra agora em Damasco tenha a possibilidade de "realizar umha investigaçom escrupulosa, objectiva e imparcial".

Segundo Lavrov, estas condiçons fam-se imprescindíveis devido aos numerosos testemunhos existentes de que o incidente em Ghouta Oriental poderia ser resultado de umha acçom da "oposiçom irreconciliável" síria no sua tentativa por acusar a Damasco.

Fady M. & Eba Kh.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Atopam em Síria barris de gás tóxico fabricados na Arábia Saudita BASENAME: canta-o-merlo-atopam-em-siria-barris-de-gas-toxico-fabricados-na-arabia-saudita DATE: Sat, 24 Aug 2013 21:25:58 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.hispantv.com/

Umha unidade do Exército sírio irrompeu num armazém situado no bairro de Jobar em Damasco (capital de Síria), onde atopou barris de gás tóxico com etiqueta de fabricaçom saudita, informárom neste sábado fontes oficiais do país árabe.

Segundo o relatório, um grande número de máscaras e medicamentos utilizados contra produtos químicos fórom atopados no lugar, que pertence a empresas e companhias farmacêuticas de Catar e Alemanha.

De igual maneira, umha autoridade governamental tem revelado que vários soldados apresentaram sintomas de asfixia ao entrar no bairro de Jobar, nos subúrbios de Damasco, controlados polos grupos terroristas.

Vários dos afectados, segundo comunicou-se, encontravam-se em estado grave, assim que foram transferidos a um centro de saúde.

O achado deste material químico, armazenado nos subúrbios de Damasco, tivo lugar uns dias depois de que os grupos terroristas que lutam contra o Governo de Bashar al Asad acusassem o Exército do país árabe de usar armas químicas num recente ataque.

Estas alegaçons levárom às autoridades do Pentágono a estudar a possibilidade de analisar a opçom militar contra Síria como umha resposta ao tema.

Contodo, Washington anunciou que nom dispom de provas para determinar a veracidade dessa afirmaçom.

Por sua parte, o Governo e o Exército sírios tenhem negado categoricamente qualquer tipo de participaçom neste presumível ataque químico.

msh/ybm/msf

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Teeram: os grupos terroristas usárom as armas químicas se de verdade fórom utilizados em Damasco-campo BASENAME: canta-o-merloteeram-os-grupos-terroristas-usarom-as-armas-quimicas-se-de-verdade-foram-utilizados-em-damasco-campo DATE: Thu, 22 Aug 2013 16:14:20 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://sana.sy/spa/213/2013/08/22/498552.htm

O chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif, afirmou que o "Governo sírio nom pode ser responsável polo possível ataque com armas químicas contra Damasco-campo ontem quarta-feira", assinalando que "se é verdade, fórom utilizadas armas químicas, seriam os grupos terroristas que os utilizárom"".

Zarif dixo numha conversaçom telefónica com o seu homólogo turco, Ahmet Davutoglu ontem à noite, que "no momento em que se encontram os inspectores da ONU em Damasco e os grupos terroristas sofrem derrotas, como se poderia recorrer à supracitada acçom"", afirmando que este acto criminal foi perpetrado por grupos terroristas porque os seus interesses estám na escalada da crise na Síria e a sua internacionalizaçom.

O chanceler iraniano agregou que "se o tema da utilizaçom de armas químicas na Síria foi verdadeiro, está claro que se utilizou polos grupos terroristas takfiríes porque esses grupos demonstrárom que som capazes de cometer semelhantes crimes".

Assim mesmo, assinalou que o governo sírio condenou este incidente e dixo: "A República Islâmica do Irám esta realizando contactos com o governo sírio para estudar as diferentes dimensons deste incidente".

O chefe da diplomacia iraniana fixo ênfase nas posturas cruciais do Irám em rejeiçom às armas de destruiçom maciça, assim como condenou firmemente o uso de qualquer tipo de armas químicas.

China exorta aos inspectores da ONU na Síria a ser imparciais ao investigar no suposto uso de armas químicas

China chamou aos inspectores da ONU na Síria a adoptar umha atitude imparcial e profissional, assim como a consultar plenamente com o Governo sírio ao investigar o uso de armas químicas que se produziu supostamente ontem quartas-feiras no campo de Damasco"

A Cancilhería chinesa citada por Reuters nesta quinta-feira, declarou que China adopta umha postura clara em contra do uso de armas químicas, independentemente de quem o cometeu.

A postura da China vem depois de que o Conselho de Segurança Internacional exigisse ontem num comunicado de imprensa emitido trás umha sessom a portas fechadas, que se desvele a verdade acerca de um suposto uso de armas químicas em Damasco-campo, acolhendo com beneplácito o início de umha investigaçom a respeito disso.

Fady M., Lynn A.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A verdade proibida: Os EUA estão a canalizar armas química para a Al Qaeda na Síria BASENAME: canta-o-merlo-a-verdade-proibida-os-eua-estao-a-canalizar-armas-quimica-para-a-al-qaeda-na-siria DATE: Wed, 21 Aug 2013 21:13:32 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Por Prof Michel Chossudovsky

Estará o presidente Obama a preparar o cenário para uma ?intervenção humanitária? ao acusar displicentemente o presidente sírio de matar o seu próprio povo?

?Na sequência de uma revisão deliberativa, nossa comunidade de inteligência estima que o regime Assad utilizou armas químicas, incluindo o agente de nervos sarin, em pequena escala contra a oposição múltiplas vezes durante o ano passado?

O vice-conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Ben Rhodes, afirmou numa declaração: ?Nossa comunidade de inteligência tem alta confiança naquela estimativa devido a múltiplas e independentes fontes de informação?.

?Obama avisou o presidente Bashar Al Assad das ?enormes consequências? de ter cruzado a ?linha vermelha? ao alegadamente utilizar armas químicas.

Dinheiro e armas para a Al Qaeda

A saga das armas de destruição maciça (ADM) no Iraque, com base em provas falsificadas, está a desdobrar-se. Os media ocidentais em coro acusam implacavelmente o governo sírio de assassínio em massa premeditado, conclamando a ?comunidade internacional? a vir resgatar o povo sírio.

?A Síria transpõe a ?linha vermelha? sobre armas químicas. Como responderá Obama?

A ?oposição? síria está clamar junto aos EUA e seus aliado para que implementem uma zona de interdição de voo (no fly zone).

A Casa Branca por sua vez reconheceu que a linha vermelha ?fora cruzada?, enfatizando ao mesmo tempo que os EUA e seus aliados ?aumentarão o âmbito e a escala da assistência? aos rebeldes.

O pretexto das armas químicas está a ser utilizado para justificar ainda mais ajuda militar aos rebeldes, os quais em grande parte foram liquidados pelas forças do governo sírio.

Estas forças rebeldes derrotadas ? em grande parte compostas pela Al Nusrah, associada à Al Qaeda ? são apoiadas pela Turquia, Israel, Qatar e Arábia Saudita.

Os EUA-NATO-Israel perderam a guerra no terreno. Seus combatentes da Frente Al Nusrah, os quais constituem a infantaria da aliança militar ocidental, não podem, sob quaisquer circunstâncias, serem repostos através de um fluxo renovado de ajuda militar dos EUA-NATO.

A administração Obama está num impasse: a sua infantaria foi derrotada. Uma ?zona de interdição de voo?, nesta etapa, seria uma proposta arriscada dado o sistema de defesa aérea da Síria, o qual inclui o sistema russo S-300 SAM.

Os EUA-NATO estão a treinar rebeldes da ?oposição? na utilização de armas químicas

As acusações de armas químicas são falsificadas. Numa ironia amarga, as provas confirmam amplamente que as armas químicas estão a ser utilizadas não pelas forças do governo sírio mas sim pelos rebeldes da Al Qaeda apoiados pelos EUA.

Numa lógica enviesada pela qual as realidades são invertidas, o governo sírio está a ser acusado pelas atrocidades cometidas pelos rebeldes associados a Al Qaeda patrocinados pelos EUA.

Os media ocidentais estão a introduzir desinformação nas cadeias de notícias, refutando despreocupadamente as suas próprias reportagens. Como confirmado por várias fontes, incluindo a CNN, a aliança militar ocidental não só disponibilizou armas químicas para a Frente Al Nusrah como também enviou empreiteiros militares (military contractors) e forças especiais para treinar os rebeldes.

O treino [em armas químicas], o qual está a ter lugar na Jordânia e na Turquia, envolve como monitorar e acumular stocks com segurança,além do manuseamento destas armas em sítios em materiais, segundo as fontes. Alguns dos empreiteiros estão sobre o terreno na Síria a trabalhar com os rebeldes para monitorar alguns dos sítios, segundo um dos responsáveis.

A nacionalidade dos treinadores não foi revelada, embora os responsáveis advirtam contra a suposição de que todos eles sejam americanos. ( CNN , 09/Dezembro/2012, ênfase acrescentada)

Se bem que as notícias e reportagens não confirmem a identidade dos empreiteiros da defesa, as declarações oficiais sugerem um estreito vínculo contratual com o Pentágono.

A decisão estado-unidense de contratar estranhos empreiteiros de defesa para treinar rebeldes sírios a manusearam stocks acumulados de armas químicas parece perigosamente irresponsável ao extremo, especialmente quando se considera quão inepta Washington foi até agora para garantir que apenas rebeldes laicos e confiáveis ? na medida em que existam ? recebam a sua ajuda e as armas que aliados nos estados do Golfo Árabe têm estado a fornecer.

Isto também corrobora acusações feitas recentemente pelo Ministério das Relações Exteriores sírio de que os EUA estão a trabalhar para compor o quadro de que o regime sírio como tendo utilizado ou preparado a guerra química.

?O que levanta preocupações acerca desta notícia circulada pelos media é o nosso sério temor de que alguns dos países apoiando o terrorismo e terroristas possam proporcionar armas químicas aos grupos terroristas armados e afirmar que foi o governo sírio que utilizou tais armas? , (John Glaser, Us Defense Contractors Training Syrian Rebels , Antiwar.com, December 10, 2012, ênfase acrescentada).

Não tenhamos ilusões. Isto não é um exercício de treino de rebeldes em não proliferação de armas químicas.

Enquanto o presidente Obama acusa Bashar Al Assad, a aliança militar EUA-NATO está a canalizar armas químicas para a Al Nusrah, uma organização terrorista na lista negra do Departamento de Estado.

Com toda a probabilidade, o treino dos rebeldes da Al Nusrah na utilização de armas químicas ficou a cargo de empreiteiros militares privados.

A Missão Independente das Nações Unidas confirma que forças rebeldes estão na posse do gás de nervos Sarin

Enquanto Washington aponta o dedo ao presidente Bashar al Assad, uma comissão de inquérito independente das Nações Unidas em Maio de 2013 confirmou que os rebeldes, ao invés do governo, têm armas químicas na sua posse e estão a utilizar gás de nervos sarin contra a população civil:

Investigadores de direitos humanos da ONU reuniram testemunhos das baixas da guerra civil da Síria e de equipes médicas indicando que forças rebeldes utilizaram o agente de nervos sarin, disse domingo um dos principais investigadores.

A comissão independente de inquérito das Nações Unidas sobre a Síria ainda não viu provas de que forças governamentais tenham utilizado armas químicas, as quais estão proibidas pelo direito internacional, disse Carla Del Ponte, membro da comissão. (ver imagem)

?Nossos investigadores estiveram em países vizinhos a entrevistas vítimas, médicos e hospitais de campo e, segundo o seu relatório da semana passada que vi, há fortes e concretas suspeitas, mas não ainda prova incontroversa, da utilização do gás sarin, a partir do modo como as vítimas foram tratadas ?, disse Del Ponte numa entrevista à televisão suíça-italiana.

?Isto foi utilizado por parte da oposição, os rebeldes, não pelas autoridades governamentais?, acrescentou ela, a falar em italiano. (? U.N. has testimony that Syrian rebels used sarin gas: investigator ,? Chicago Tribune, May, 5 2013, ênfase acrescentada)

Relatório da polícia turca: Terroristas do Al Nusrah apoiados pelos EUA possuem armas químicas

Segundo a agência de notícias estatal turca Zaman, o Diretorado Geral Turco de Segurança (Emniyet Genel Müdürlügü):

[A polícia] apreendeu 2 kg de gás sarin na cidade de Adana nas primeiras horas da manhã de ontem. As armas químicas estavam na posse de terroristas do Al Nusra que se acredita terem ido para a Síria.

O gás sarin é incolor, uma substância inodoro que é extremamente difícil de detectar. O gás é proibido pela Convenção das Armas Químicas de 1993.

A EGM [polícia turca] identificou 12 membros da célula terrorista Al Nusra e também apreendeu armas de fogo e equipamento digital. Esta é a segunda confirmação oficial importante da utilização de armas química por terroristas da Al Qaeda na Síria após recentes declarações da inspectora Carla Del Ponte confirmando a utilização de armas químicas pelos terroristas na Síria apoiados pelo Ocidente.

A política turca está actualmente a efectuar novas investigações quanto às operações de grupos ligados à Al Qaeda na Turquia. (Para mais pormenores ver Gearóid Ó Colmáin, Turkish Police find Chemical Weapons in the Possession of Al Nusra Terrorists heading for Syria, Global Research.ca, May 30, 2013 )

Quem cruzou a ?Linha vermelha?? Barack Obama e John Kerry estão a apoiar uma organização terrorista na lista do Departamento de Estado.

O que se está a desenrolar é um cenário diabólico ? o qual faz parte integral do planeamento militar dos EUA ?, nomeadamente uma situação em que terroristas da oposição da Frente Al Nusrah aconselhados por empreiteiros ocidentais da defesa estão realmente na posse de armas químicas.

O Ocidente afirma que está vindo em resgate do povo sírio, cuja vidas alegadamente são ameaçadas por Bashar Al Assad.

Obama não só ?Cruzou a linha vermelha? como está a apoiar a Al Qaeda. Ele é um Mentiroso e um Terrorista.

A verdade proibida, que os media ocidentais não revelam, é que a aliança militar EUA-NATO-Israel não só está a apoiar a Frente Al Nusrah como tambémestá a disponibilizar armas química para forças rebeldes da sua ?oposição? proxy.

A questão mais ampla é: Quem constitui uma ameaça para o povo sírio? O presidente Bashar al Assad da Síria ou o presidente Barack Obama da América, que ordenou o recrutamento e treino de forças terroristas que estão na lista negra do Departamento de Estado dos EUA?

Numa ironia amarga, segundo o Bureau of Counter-terrorism do Departamento do Estado dos EUA, o presidente Obama e o secretário de Estado John Kerry, para não mencionar o senador John McCain, podiam ser considerados responsáveis por ?conscientemente proporcionar, ou tentar ou conspirar para isso, apoio material ou recursos para, ou envolver-se em transacções com, a Frente al-Nusrah?.

O Departamento de Estado emendou o Foreign Terrorist Organization (FTO) e a Executive Order (E.O.) 13224 com as designações da al-Qaida no Iraque (AQI) a fim de incluir os seguintes novos pseudônimos: al-Nusrah Front, Jabhat al-Nusrah, Jabhet al-Nusra, The Victory Front, e Al-Nusrah Front for the People of the Levant. As consequências de acrescentar a Frente al-Nusrah como nova denominação para a Al Qaida incluem uma ?proibição contra conscientemente proporcionar, ou tentar ou conspirar para proporcionar, apoio material ou recursos para, ou envolver-se em transacções com a Frente al-Nusrah, e o congelamento de toda propriedade e interesses na propriedade da organização que estão nos Estados Unidos, ou venham a estar dentro dos Estados Unidos ou controle de pessoas dos EUA. (ênfase acrescentada)

O conselho do Departamento de Estado reconhece que de Novembro de 2011 a Dezembro de 2012:

?A Frente Al-Nusrah reivindico aproximadamente 600 ataques ? que vão de mais de 40 ataques suicidas a armas pequenas e operações com dispositivos explosivos improvisados ? em centros de cidade principais incluindo Damasco, Alepo, Hamah, Dara, Homes, Idlib e Dayr al-Zawr. Durante estes ataques numerosos sírios inocentes foram mortos.

O conselho também confirma que ?os Estados Unidos efectuam esta acção [de por a Frente Al Nusrah na lista negra] no contexto do nosso apoio geral ao povo sírio. ?

O que se deixa de mencionar é que a administração Obama continua a canalizar dinheiro e armas para a Al Nusrah em desobediência flagrante da legislação contra-terrorismo dos EUA.

O ?intermediário? de Washington: O general Salim Idriss

O ?intermediário? de Washington é o Chefe do Supremo Conselho Militar da FSA, general de brigada Salem Idriss (v. foto), o qual está em ligação permanente com comandantes militares da Al Nusrah.

O secretário de Estado John Kerry reúne-se com representantes da oposição síria. Responsáveis dos EUA reúnem-se com o general Idriss. Este último, a actuar por conta do Pentágono, canaliza dinheiro e armas para os terroristas. Este modelo de apoio ao Al Nusra é semelhante àquele aplicado no Afeganistão pelo qual o governo militar paquistanês do general Zia Ul Haq canalizou armas para os jihadistas ?Combatentes a liberdade? no auge da guerra soviética-afegã.

O apoio dos EUA a terroristas é enviado sempre através de um intermediário de confiança. Segundo um responsável da administração Obama: ?Se bem que os Estados Unidos possam ter influência sobre o general Idris, não têm capacidade para controlar alguns jihadistas ? como a Frente Nusra, a qual também está a combater forças do governo sírio?. ( New York Times, May 23, 2013 )

John McCain entra na Síria, em mistura com terroristas patrocinados pelos EUA

Enquanto isso, o senador John McCain ?entrou na Síria [no princípio de Junho] a partir da fronteira turca do país e permaneceu ali por várias horas ? McCain encontrou-se com líderes reunidos de unidades do Free Syrian Army tanto na Turquia como na Síria?. Ver imagem de John McCain junto com o general Salem Idriss).

O papel contraditório do Conselho de Segurança das Nações Unidas

No fim de Maio de 2013 o Conselho de Segurança da ONU acrescentou a Al Nusrah à Lista de sanções da Al Qaida do UNSC. Mas ao mesmo tempo, a decisão do Conselho de Segurança despreocupadamente descartou o facto, amplamente documentado, de que três membros permanentes do Conselho, nomeadamente a Grã-Bretanha, a França e os EUA, continuam a proporcionar ajuda militar à Frente Jabbat Al Nusrah, em desafio ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas.

ANEXO 1
THE TERRORIST DESIGNATION OF AL NUSRAH BY THE US STATE DEPARTMENT
U.S. DEPARTMENT OF STATE
Office of the Spokesperson December 11, 2012
STATEMENT BY VICTORIA NULAND, SPOKESPERSON
Terrorist Designations of the al-Nusrah Front as an Alias for al-Qa?ida in Iraq

ANEXO 2
UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL
Department of Public Information ? News and Media Division ? New York
Security Council Al-Qaida Sanctions Committee Amends Entry of One Entity on Its Sanctions List

ANEXO 3
TRANSCRIPT OF STATE DEPARTMENT PRESS BRIEFING CONCERNING AL NUSRAH
Senior Administration Officials on Terrorist Designations of the al-Nusrah Front as an Alias for al-Qaida in Iraq
Special Briefing Senior Administration Officials
Via Teleconference
Washington, DC
December 11, 2012

Ver também:

Deleted Daily Mail Online Article: ?US Backed Plan for Chemical Weapon Attack in Syria to Be Blamed on Assad?

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/?

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O mundo sob a vigilância do governo estado-unidense e dos bancos BASENAME: canta-o-merlo-o-mundo-sob-a-vigilancia-do-governo-estado-unidense-e-dos-bancos DATE: Wed, 07 Aug 2013 14:45:36 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ensaio CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

O mundo sob a vigilância do governo estado-unidense e dos bancos

por Valentin Katasonov [*]

O mundo financeiro como sistema de informação

O mundo contemporâneo das finanças é sobretudo acerca da informação, os dados sobre clientes de bancos, companhias de seguros, pensões e investimentos, bem como outras entidades que tratam de negócios financeiros, devem ser recolhidos, armazenados, processados e utilizados. As várias peças e informações esparsas de diferentes fontes são reunidas. No caso de indivíduos tudo se reduz a dinheiro, propriedade, trabalho, saúde, parentes e condições de vida. No caso de entidades legais a esfera de interesse abrange fundos e acordos de negócios, historial de crédito, investimentos planeados, principais líderes, accionistas e administradores, contratos, fundos de capital de companhias, etc. Estas são as coisas para as quais os bancos e outros agentes financeiros têm os seus próprios serviços. Além disso, as estruturas de informação incluem gabinetes de crédito, agências de classificação e informação especial. Alguns bancos ou firmas podem criar centrais (pools) de informação que armazenam a informação sobre clientes. Bancos centrais tornaram-se poderosas agências de informação, os quais executam funções de supervisão bancária, aproveitam o acesso praticamente ilimitado aos dados dos bancos comerciais. Além disso, alguns bancos centrais reúnem informação por sua própria iniciativa. O Banco da França, por exemplo, monitora empresas manufactureiras sob o pretexto da necessidade de aperfeiçoar sua política de crédito. Fluxos portentosos de informação financeira e comercial passam através de terminais de pagamentos, os quais são constituídos por sistemas de telecomunicações que transmitem dados. Sistemas de informação separados, mas estreitamente entrelaçados e inter-actuantes, fiscalizam vastas quantidades de fluxos de informação.

O grosso dos bancos e companhias financeiras opera seus próprios serviços de segurança. Formalmente sua missão é proteger a informação, a qual é propriedade das empresas. Não oficialmente muitos serviços obtêm informação adicional acerca de clientes e rivais. Naturalmente isso pressupõe que efectuem actividades encobertas utilizando equipamento técnicos especial e inteligência humana (HUMINT).

A informação recolhida é confidencial e exige procedimentos legais para a ela ter acesso. O facto de adquirirem informação confidencial e desfrutarem de independência significativa do estado traz os bancos mais perto de serviços secretos. Realmente, a cúpula da vigilância global da informação é operada em conjunto por bancos e serviços especiais. De facto, a fusão orgânica dos serviços especiais ocidentais e do sector financeiro e bancário aconteceu resultando num sombrio Leviatã gigante com vastos recursos financeiros e de informação para controlar todos os aspectos da vida humana.

O SWIFT como "cúpula" da vigilância financeira e de informação global

Estou certo de que a sigla SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication) é algo de novo para muitos. Trata-se de uma cooperativa possuída por membros do mundo financeiro que efectua suas operações de negócios. Mais de 10 mil instituições financeiras e corporações em 212 países confiam nela diariamente para intercambiar milhões de mensagens financeiras padronizadas. Esta actividade envolve o intercâmbio seguro de dados do proprietário enquanto assegura formalmente sua confidencialidade e integridade. Do ponto de vista legal é uma sociedade anónima (joint-stock company) constituída por bancos de diferentes países. Foi fundada em 1973 por 240 bancos de 15 Estados para enviar e receber informação acerca de transacções financeiras num ambiente seguro, padronizado e confiável. A Sociedade tem estado a funcionar desde 1977. O US dólar é utilizado para o grosso das transacções SWIFT. O SWIFT é uma sociedade cooperativa sob o direito belga e é possuído pelas suas instituições financeiras membro. Tem escritórios por todo o mundo. A sede do SWIFT, desenhada pelo Gabinete de Arquitectura Ricardo Bofill, está em La Hulpe, Bélgica, próximo de Bruxelas. O organismo governante máximo é a Assembleia-Geral. A decisão é tomada na base de "uma acção, um voto". Os bancos europeus ocidentais e estado-unidenses dominam os gabinetes de direcção. Os EUA, Alemanha, Suíça, França e Grã-Bretanha são os principais accionistas e decisores. As acções são distribuídas de acordo com o volume do tráfego transportado.

Qualquer banco que desfrute do direito de efectuar operações bancárias internacionais de acordo com a lei nacional pode aderir ao SWIFT. Desde o fim do século XX o SWIFT tornou-se indispensável no caso de alguém que queira enviar dinheiro para outro país. Uma vez que a fatia de leão das transacções internacionais era feita em dólares, todos os pagamentos foram-no através de contas abertas em bancos dos EUA, os quais, por sua vez, têm contas no Federal Reserve System (FRS). Portanto, sendo um organismo internacional, o SWIFT está atado ao FRS, mesmo que os bancos dos EUA não tenham qualquer controle accionário. Os servidores do SWIFT estão situados nos Estados Unidos e na Bélgica. Em meados da década passada a Sociedade serviu 7800 clientes em 200 países. O fluxo financeiro diário é de 6 milhões de milhões (trillion).

O SWIFT como empreendimento conjunto do FRS e da CIA

No Verão de 2006 aconteceu o SWIFT estar no centro de um escândalo sumarento provocado pelos jornais New York Times, Wall Street Journal e Los Angeles Times.

Eis como foi a história. Os acontecimentos do 11/Set estimularam a ideia de colocar sob controle todas as transacções financeiras dentro do país, especialmente aquelas transnacionais. Formalmente, o objectivo era impedir o financiamento de organizações terroristas. Quase de imediato a CIA estabeleceu contactos com o SWIFT para vigiar informação de pagamentos indo e vindo. A agência não tinha base legal para isso. Mesmo seus antigos empregados não estavam conscientes destas actividades. Houve uma tentativa para de certo modo justificar as operações, de modo que em 2003 a Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication e algumas agências estatais dos EUA, FBI e CIA inclusive, bem como o FRS (o seu presidente, Alan Greenspan, estava ali), mantiveram conversações sobre a questão em Washington.

As partes concordaram em continuar a cooperação sob a condição de que Washington observaria algumas regras. Consideraram que os EUA fortaleceriam o controle sobre a parte do Departamento do Tesouro e limitariam as actividades exclusivamente às actividades financeiras suspeitas de terem relação com o financiamento ao terror. Os Estados Unidos prometeram manter-se afastados de outros pagamentos, incluindo aqueles relacionados com evasão fiscal e tráfico de droga.

Nas conversações os EUA avançaram o argumento de que formalmente o SWIFT não era um banco mas sim uma ligação entre bancos. Assim, o acesso aos seus dados não era uma violação das leis estado-unidenses do segredo bancário. Foi afirmado que os bancos centrais da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Suécia, Suíça e Japão estavam informados acerca das práticas da CIA. O Banco Central da Rússia não foi incluído na mencionada lista dos que estavam cientes...

Em alguns casos a informação do SWIFT e sua cooperação com os EUA era classificada e aos bancos centrais não era permitido que dessem conhecimento ao público, ao governo e ao parlamento (ainda que conscientes, eles nunca deixariam transpirar). Foi assim na Grã-Bretanha. No Verão de 2006 o Guardian publicou a notícia contando que o SWIFT partilhava com a CIA a informação relacionada com milhões de transacções bancárias. Segundo o Guardian, a partilha de dados classificados é uma violação do direito do Reino Unido e europeu (em particular, a convenção europeia sobre direitos humanos).

Um porta-voz do director de informação contou ao Guardian que a questão da privacidade estava a ser tomada de modo "extremamente sério". Se a CIA havia acessado dados financeiros pertencentes a indivíduos europeus então isto era "provavelmente uma quebra da legislação de protecção de dados da UE2, disse ele, acrescentando que as leis de protecção de dados do Reino Unidos também podem ter sido infringidas se transacções bancárias britânicas houvesse sido entregues [à CIA]. O director requereu mais informação do SWIFT e de autoridades belgas antes de decidir como proceder.

O Banco da Inglaterra, um dos 10 bancos centrais com assento no conselho de administração do SWIFT, revelou ter informado o governo britânico acerca do programa no ano de 2002. "Quando descobrimos informámos o Tesouro e passámos o caso para eles", disse Peter Rogers do Banco. "Também dissemos ao SWIFT que tinham de falar eles mesmo ao governo. Isto nada tem a ver connosco. Era um assunto de segurança e não de finança. Era uma questão entre o SWIFT e o governo".

Numa resposta parlamentar por escrito, Gordon Brown confirmou que o governo estava consciente do esquema. Contudo, mencionando a política do governo de não comentar sobre "questões de segurança específicas", o chanceler recusou-se a dizer se haviam sido tomadas medidas para "assegurar a privacidade de cidadãos do Reino Unidos que possam ter tido suas transacções financeiras visionadas como parte das investigações de contra-terrorismo dos EUA em conjunto com o SWIFT". Ele também se recusou a dizer se o programa SWIFT fora "legalmente reconciliado" com o Artigo 8 da Convenção Europeia de Direitos Humanos.

Finanças, a "cúpula" da informação hoje

Realmente não sabemos nada acerca da cooperação entre o SWIFT e os serviços especiais dos EUA. A questão parece ser mantida fora do conhecimento dos media. As apostas são altas e ainda estão em curso, suponho. Pelo menos, os Estados Unidos têm tudo o que precisa para fazê-lo (um dos dois servidores está localizado em solo estado-unidense). Há muitos sinais indirectos de que o SWIFT, uma entidade formalmente não estatal, está sob forte pressão de Washington. Um dos exemplos recentes foi a expulsão do Irão em 2012. É de conhecimento comum que a decisão foi tomada sob a pressão dos EUA.

Finalmente, utilizar o SWIFT não é o único meio de exercer controle sobre fluxos financeiros internacionais. O US dólar é a principal divisa internacional. Isto significa que todas as transacções se verificam através de contas baseadas nos EUA, mesmo se entidades legais e individuais estão situadas fora do país. Os dados são acumulados por bancos comerciais e pelo Federal Reserve System dos EUA.

A criação da base de informação consolidada, enorme e pormenorizada, do Departamento do Tesouro dos EUA está a aproximar-se da fase final. Ela utilizará a informação de bancos, companhias de seguros, fundos de pensões e outras organizações financeiras dos EUA. No princípio de 2003 os media informaram que todos os serviços especiais dos EUA, incluindo a Central Intelligence Agency, o Federal Bureau of Investigation, a National Security Agency e outros, teriam acesso a esta base de dados para proteger a segurança e os interesses nacionais.

O ritmo acelerado da criação da base de dados de informação para servir os banksters e os serviços especiais dos EUA faz com que outros países procurem protecção em relação ao controle invasivo exercido pelo Big Brother... Nos dias de hoje fala-se muito acerca da conveniência de comutar as transacções internacionais do US dólar para outras divisas. Normalmente isto é encarado como o meio para escapar da dependência financeira e económica dos Estados Unidos. Trata-se da coisa certa a fazer porque esta mudança também criará uma alternativa a confiar na informação controlada pelos EUA.

16/Julho/2013
[*] Economista, presidente da S.F. Sharapov Russian Economic Society

O original encontra-se em www.strategic-culture.org/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: A Mafia PPSOE ocupa o Estado espanhol BASENAME: canta-o-merlo-a-mafia-ppsoe-ocupa-o-estado-espanhol DATE: Sat, 20 Jul 2013 16:06:57 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ossiam CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

O artigo 570 bis do Código Penal espanhol é o seguinte a respeito das organizações criminais:

1.- Quem promoverem, constituírem, organizarem, coordenarem ou dirigirem umha organizaçom criminal serám castigados com a pena de prisom de quatro a oito anos se aquela tiver por finalidade ou objecto a comissom de delitos graves, e com a pena de prisom de três a seis anos nos demais casos; e quem participarem activamente na organizaçom, fazerem parte dela ou cooperarem economicamente ou de qualquer outro modo com a mesma serám castigados com as penas de prisom de duas a cinco anos se tiver como fim a comissom de delitos graves, e com a pena de prisom de um a três anos nos demais casos. Aos efeitos deste Código percebe-se por organizaçom criminal a agrupamento formado por mais de duas pessoas com carácter estável ou por tempo indefinido, que de maneira concertada e coordenada repartam-se diversas tarefas ou funções com o fim de cometer delitos, assim como de levar a cabo a perpetraçom reiterada de faltas.

Que aguarda a A.N. para dissolver estes dous partidos?

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: Mafioso financista do Vaticano detido BASENAME: canta-o-merlo-mafioso-financista-do-vaticano-detido DATE: Fri, 28 Jun 2013 16:21:17 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://www.aporrea.org/internacionales/n231630.html

Detenhem a Monsenhor Nunzio Scarano, funcionário do Vaticano que tratou de introduzir ilegalmente ao país 26 milhons de dólares

Nunzio Scarano, funcionário do Vaticano foi arrestado pola polícia italiana por presumivelmente tratar de introduzir ilegalmente ao país 20 milhons de Euros ($ 26 milhons) em efectivo desde Suíça num jet privado. O Fiscal Nello Rossi disse que Monsenhor Nunzio Scarano está acusado de corrupçom e calunias derivadas da trama e encontra-se preso numha prisom de Roma. Solicitou a uns amigos trazer de volta o dinheiro que lhe foi entregado ao financista Giovanni Carenzio na Suíça. Scarano supom-se que lhe pediu a Giovanni Maria Zito, um oficial militar e agente do serviço secreto italiano, que trouxesse o dinheiro num aviom desde Suíça, evitando a alfandega.
Scarano supostamente tinha que pagar-lhe a Zito umha comissom de 600.000 euros polo trabalho. Somente deu-lhe um pago inicial de 400.000 euros antes de ser preso. Carenzio e Zito também foram arrestados

Monsenhor Nunzio Scarano, já estava sob investigaçom pola suposta participaçom do Banco do Vaticano, no branqueio de dinheiro. Está acusado de fraude, corrupçom e calunia.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O Vaticano: A corte dos pedófilos BASENAME: canta-o-merlo-o-vaticano-a-corte-dos-pedofilos DATE: Thu, 27 Jun 2013 18:18:36 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://actualidad.rt.com/actualidad/view/98499-igreja-catolica-pedofilia-curia-romana

Um novo escândalo de pedofilia sacode à cúria romana depois de abrir-se umha investigaçom contra um ex carabineiro que supostamente organizou umha rede de exploraçom sexual infantil para oferecê-la a clérigos.

O denunciante, o ex sacerdote Patrizio Poggi, afirma que no mínimo nove prelados católicos, entre eles o secretário de um bispo, "compravam os serviços" de menores por 150-500 euros cada visita. Supostamente, os encontros realizavam nas igrejas do norte de Roma.

Segundo o diário italiano 'Correr della Sera', a Promotoria de Roma abriu a investigaçom, mas os prelados acusados ainda nom foram interrogados e somente falaram três acodes que oficialmente nom tem vínculos com a Igreja católica.

O próprio Poggi assegura que decidiu denunciar os factos por "ser consciente dos incidentes graves que pom em perigo a integridade e as normas canónicas". Segundo as declaraçons de Poggi, os organizadores da rede recrutavam a crianças e jovens "com os olhos belos" nas ruas, piscinas públicas e agências de modelos.

Ademais da rede de exploraçom sexual, o ex carabineiro acusado também estava "involucrado no comércio ilegal de hóstias consagradas, adquiridas por membros de seitas satânicas", assegura Poggi.

Enquanto isso, os médios italianos nom confiam muito nas suas palavras, já que em 1999 foi condenado por violar a dous adolescentes de 14 e 15 anos na sua igreja de Santo Filipe Neri no norte de Roma. Trás cumprir a sua condenaçom, o sacerdote tentou voltar ao Vaticano, mas foi-lhe recusado o reingresso.

----- -------- AUTHOR: Corral TITLE: CANTA O MERLO: O aprendiz de "Harry Potter" e a Turquia BASENAME: canta-o-merlo-o-aprendiz-de-harry-potter-e-a-turquia DATE: Tue, 18 Jun 2013 22:28:31 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Dezires CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

http://pt.kke.gr/news/news2013/2013-06-10-harry-potter-turkey/

O "treino intensivo" que o partido da "oposição oficial" (SYRIZA) efectuou ao longo dos últimos meses continua a um ritmo frenético. Neste, a dita esquerda "governamental" está a prometer tirar a Grécia da crise capitalista, sem perturbar a participação do país no Euro, na UE, na NATO, sem perturbar os monopólios e o seu poder.

Toda a linha de argumentação recorda-nos a do homem que prometia fazer uma omeleta sem partir quaisquer ovos! Bom material para os aprendizes de Harry Potter desta "esquerda" governamental! O SYRIZA aumentou o seu "contacto" não só com círculos da Federação Helénica de Empresas (SEB) como também com os chamados "think tanks", os quais tem sede nos EUA. Numa recente conferência sobre energia, o representante do SYRIZA admirou-se: "É curioso que companhias estado-unidenses estejam mais interessadas na independência da Europa em relação ao gás natural russo do que a própria Europa". Em suma, ele tomou o lado dos americanos contra o capital russo-alemão-italiano com o qual o gasoduto deveria ser construído na nossa região. Por outras palavras, quanto mais o SYRIZA cheira o poder governamental, mais abana a sua cauda.

Mas a própria vida, que é claramente mais risca do que a imaginação humana, provoca os seus próprios... acontecimentos "não previstos" durante este processo. Foi