Categoria: Palavra

17-08-2011

Link permanente 22:27:03, por José Alberte Email , 302 palavras   Português (GZ)
Categorias: Palavra

CANTA O MERLO: Um conto do século XIX, ainda válido hoje

Gentes beatas

Coberta de farrapos e case descalça, a meninha entrou na igreja a se abrigar do frio.

Celebrava-se umha novena que um devoto custeava à Virgem por atender à súplica que lhe dirigiu para que gelasse fortemente, pois de outro modo nom poderia patinar, e o templo estava como umha áscua de ouro.

Enlevou-se a meninha com a imagem da Mae de Deus, que ostentava um manto de riquíssimo veludo cheio de brilhantes, e, lembrando conselhos maternais, caiu de joelhos, cruzou as maos e pediu-lhe um fato de sobretodo.

Fixou-se nela umha elegante senhora que, acompanhada do seu esposo, chegava enchida de fé a rogar polo logo regresso do seu amante, e ordenou indignada a um coroinha que a chimpasse do templo, nom só polo nojo que produzia, senom para evitar que roubasse algo.

Cumpriu o acólito com zelo sem igual o mandato piedoso, e a meninha foi arrojada à rua quando começava a escurecer.

Refugiou-se chorando no quício de umha porta, e ao cabo de umha hora acertou a passar ao seu carom umha senhora grosa, que se fixou nela, e, ao ver que era guapa,levou-na à sua casa, pensando num cavaleiro com quem falara aquela manhá.

E ao se ver ao dia seguinte com um fato novo, bem calçada e perfumada, a meninha caiu novamente de joelhos e cruzou as maos para dar graças à Virgem pola eficácia com que a atendeu; postura na que a surpreendeu um cavaleiro que entrou no seu gabinete, adornado com imagens de María Santíssima e do seu esposo; cavaleiro que fechou a porta e sentou-na sobre os seus joelhos. E ao fixar-se a meninha nele, reconheceu ao católico esposo da católica senhora que mandara a tarde anterior botar do templo católico, onde nom há pobres nem ricos, senom irmaos no Senhor.

José Nakens

12-03-2009

Link permanente 18:52:40, por José Alberte Email , 220 palavras   Português (GZ)
Categorias: Palavra

Língua proletária do meu povo

Língua proletária do meu povo
eu falo-a porque sí, porque gosto,
porque me peta e quero e dá-me a ganha
porque me sai de dentro, ali do fundo
dumha tristura aceda que me abrange
ao ver tantos patufos desleigados,
pequenos mequetrefes sem raízes
que ao pôr a gravata já nom sabem
afirmar-se no amor dos devanceiros,
falar a fala mae,
a fala dos avós que temos mortos,
e ser, com o rosto erguido,
marinheiros, labregos do linguagem
remo e arado, proa e relha sempre.

Eu falo-a porque sí, porque gosto
e quero estar com os meus, com a gente minha,
perto dos homens bons que sofrem longo
umha história contada noutra língua.

Nom falo pra os soberbos,
nom falo pra os ruins e poderosos
nom falo pra os finchados,
nom falo pra os estúpidos,
nom falo pra os valeiros,
que falo pra os que aguentam rejamente
mentiras e injustiças decote;
pra os que suam e choram
um pranto cotiám de bolboretas,
de lume e vento sobre os olhos nus.
Eu nom posso arredar as minhas verbas
de todos os que sofrem neste mundo.

E tu vives no mundo, terra minha,
berço da minha estirpe,
Galiza, doce mágoa das Hespanhas,
deitada rente ao mar, esse caminho...

Celso Emilio

02-08-2007

Link permanente 21:14:17, por José Alberte Email , 126 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas, Palavra

Victoria Díaz Cabanela


In Memoriam de Victoria Díaz Cabanela

Quem foi a fada inimiga,
a xana escura que embrulhou os teus olhos
com a mordida da serpe?
Tu, que vives-te como pássaro de ás abertas
para os corações iluminados e as vezes perdidos,
com manhuços de violetas arrecendias
o café recém-feito para bebe-lo no teu quarto,
já nom estás.

Retornárom os ladrões com os seus mantras,
porque as palavras som agora tempo perdido,
sons ausentes... geadas metálicas
que rabanam com o seu gume as gorjas.
Hoje, o prozac ocupa a nossa desesperança
e aninha em nós, a tristura,
que com a sua voz tabernária nos di...
nada é nosso, nem a própria vida.

Corral Iglesias, José Alberte

05-11-2006

Link permanente 15:34:07, por José Alberte Email , 211 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas, Palavra

Poemas

Quero recomeçar a partida,
e repartir eu os naipes da baralha,
para nom levar tu a vantagem, nom deixarei
que o teu lívido rosto grave as marcas.
O teu sangue branco, ausente, cálculo do tempo preciso,
nem um segundo mais outorga.
Calculista...!, que guardas para os demais,
espaços vougos. Nom acudiram a mim as báguas
quando o canto opaco da tua buguina
ranhe o vento, nem os meus joelhos dobraram
caminhando cara o teu sorriso lôbrego.
Viram aos meus olhos os cantos vividos nos lábios
que me amáron, os rostos amáveis dos meus amigos.
E... tu, que farás?, deserto de pedernal,
senom poderás roubar o meu berro:
Companheiros...! com vós fum livre...
- - - - - - - - - - - - - - - - -

Hoje foi um dia qualquer,
passei e vaguei polas ruas da cidade,
nom chovia e... isso ajudou.
Deixei sem acabar dous cafés
no bar onde almorço cada manhã,
mentres olho, que nom leio, as mentiras
dos jornais.

Hoje foi um dia qualquer,
sem mais emoções que a limpeza
com fio dental.
Vim a mulher que nunca me amou
e sorrim por aquele imbecil que fum,
para acordar com um olho aberto
acarom da lâmpada do meu escritório.

Hoje foi um dia qualquer.

06-08-2006

Link permanente 23:43:42, por José Alberte Email , 233 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas, Palavra

Sempre nom tem que ser ensaio

Nom chores, nada vale umha soa bágua
do teu coraçom,
agarima-te aos quentes sonhos do vinho,
deixa-te levar por ele,
arrastará longe de ti todas as mágoas;
fumos abandonados
no mesmo instante do nosso nascimento,
geárom o nosso coraçom
com mentiras e fábulas.
Nom chores, nom merece umha soa bágua
do teu coraçom,
o que somentes som frios espelhos
quebrados pola geada,
bota de ti, a tua própria imagem;
toda a sabedoria
nom te poderá ceivar
de ser um sonho roto nos cantis da noite.
Nom chores, nada vale umha soa bágua
do teu coraçom,
afoga o teu pranto com o doce
murmúrio
no que te alaga um corpo de mulher,
ela é o profundo cálix
donde bebemos os momentos dos deuses
depois
embriaga-te e cala.

Nada vale o que vale umha boa queca,
mete-o na cabeça, irmão,
nada.
Nem presidente, nem banqueiro, nem doutor,
vale o que vale umha boa queca,
nom demandes ao céu, nada vira de ai,
enrestia-te com um ardente corpo de mulher
acharás o bing bang do universo
Escuita e nom esqueças,
nom goldraches a tua vida
em que os demais te considerem respeitável,
bebe-a em grolos de beijos e vinhos com a tua amante
Nada vale o que vale umha boa queca,
mete-o na cabeça, irmão,
nada.

Link permanente 18:01:15, por José Alberte Email , 233 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas, Palavra

Nom sempre vai ser pensamento

Nom chores, nada vale umha soa bágua
do teu coraçom,
agarima-te nos quentes sonhos do vinho,
deixa-te levar por ele,
arrastará longe de ti todas as mágoas;
fumos abandonados
no mesmo instante do nosso nascimento,
geárom o nosso coraçom
com mentiras e fábulas.

Nom chores, nom merece umha soa bágua
do teu coraçom,
o que somentes som frios espelhos
quebrados pola geada,
bota de ti, a tua própria imagem;
toda a sabedoria
nom te poderá ceivar
de ser um sonho roto nos cantis da noite.

Nom chores, nada vale umha soa bágua
do teu coraçom,
afoga o teu pranto com o doce
murmúrio
no que te alaga um corpo de mulher,
ela é o profundo cálix
donde bebemos os momentos dos deuses
depois
embriaga-te e cala.

Nada vale o que vale umha boa queca,
mete-o na cabeça, irmão,
nada.

Nem presidente, nem banqueiro, nem doutor,
vale o que vale umha boa queca,
nom demandes ao céu, nada vira de ai,
enrestia-te com um ardente corpo de mulher
acharás o bing bang do universo

Escuita e nom esqueças,
nom goldraches a tua vida
em que os demais te considerem respeitável,
bebe-a em grolos de beijos e vinhos com a tua amante

Nada vale o que vale umha boa queca,
mete-o na cabeça, irmão,
nada.

15-07-2005

Link permanente 01:15:58, por José Alberte Email , 137 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas, Palavra

Nom chores...

Nom chores, nada val umha só bágua
do teu coraçom,
acolhe-te na cálida preguiça
do vinho
deixa-te arrastar por ele,
apartará a angústia da tua alma.
Fomos abandonados
no mesmo intre do nosso nascimento,
geárom o nosso coraçom
com mentiras e patranhas.

Nom chores, nom merece umha só bágua
do teu coraçom,
o que somente som
frios espelhos
quebrados pola geada.
Chimpa de ti,
a tua própria imagem,
toda a sabedoria nom poderá
librar-te
de ser um sonho roto
nos alcantilados da noite.

Nom chores, nada vale umha só bágua
do teu coraçom,
afoga o teu pranto com o doce
murmúrio
em que te mergulha
um corpo de mulher,
ela é o fundo cálix
onde bebemos os momentos dos deuses.
Depois
embriaga-te e cala.

14-07-2005

Link permanente 10:13:34, por José Alberte Email , 93 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas, Palavra

Nada val o que val um bom polvo

Nada val o que val um bom polvo,
mete-o na cabeça, irmao,
nada.

Nem presidente, nem banqueiro, nem doutor,
val o que val um bom polvo,
nom demandes ao céu, nada vira de ai,
enrestia-te com um ardente corpo de mulher
acharás o bing bang do universo

Escuita e nom esqueças,
nom goldra-ches a tua vida
em que os demais te considerem respeitável,
bebe-a em grolos de beijos e vinhos com a tua amante

Nada val o que val um bom polvo,
mete-o na cabeça, irmao,
nada.

26-06-2005

Link permanente 23:32:31, por José Alberte Email , 82 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas, Palavra

Arroupade-me

Arroupade-me com o recendo da terra molhada
com o riso alegre da menina que joga,
hoje estou bêbedo de todas as saudades.

Ouço em mim, a agonia de um mar escuro
espida como gume de navalha,
e no chiar dos pardais
sinto a minha voz obscurecida de invernias.
Cheio de medo tremo ante loucura masoquista do domado
dentro de si aninha a catástrofe,
entre encamadas de barro
encacera os beijos dos amantes.

Arroupade-me com o recendo da terra molhada...

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