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30-01-2015

Link permanente 15:51:46, por José Alberte Email , 2534 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O Brasil e a política do neoliberalismo Presidente Rousseff declara guerra à classe trabalhadora

O Brasil e a política do neoliberalismo
Presidente Rousseff declara guerra à classe trabalhadora

por James Petras

http://resistir.info/petras/petras_brasil_14dez14.html

A classe trabalhadora brasileira está a enfrentar o mais selvagem assalto aos seus padrões de vida em mais de uma década. E não são apenas os trabalhadores industriais que estão sob ataque. Os trabalhadores rurais sem terra, os empregados assalariados do sector público e privado, professores, profissionais da saúde, desempregados e pobres estão a enfrentar cortes maciços no rendimento, nos empregos e nos pagamentos de pensões.

Quaisquer que tenham sido os ganhos obtidos entre 2003-2013, serão revertidos. Os trabalhadores brasileiros enfrentam uma "década de infâmia". O regime Rousseff abraçou a política do "capitalismo selvagem" tal como personificado na nomeação de dois dos mais extremos advogados de políticas neoliberais.

O "Partido dos Trabalhadores" e a ascendência do capital financeiro

No princípio de Dezembro de 2014, a presidente Rousseff nomeou Joaquim Levy como o novo ministro das Finanças – de facto o novo czar económico para dirigir a economia brasileira. Levy é um importante membro da oligarquia financeira brasileira. Entre 2010-2014 foi presidente do Bradesco Asset Management, um braço de gestão de activos do gigantesco conglomerado Bradesco que administra mais de 130 mil milhões de dólares. Desde os seus tempos de doutoramento na Universidade de Chicago, Levy é um leal seguidor do supremo neoliberal, o professor Milton Friedman, antigo conselheiro económico do ditador militar chileno Augusto Pinochet. Como antigo responsável de topo no Fundo Monetário Internacional (1992-1999), Levy foi um forte advogado de duros programas de austeridade os quais uma década depois empobreceram o Sul da Europa e a Irlanda. Durante a presidência de Henrique Cardoso, Levy actuou como estratega económico de topo, envolvido directamente na maciça privatização de empresas públicas lucrativas – a preços de saldo – e na liberalização do sistema financeiro, a qual facilitou a saída financeira ilícita de US$15 mil milhões por ano. A presença de Levy como membro eminente da oligarquia financeira do Brasil e seus profundos e antigos laços a instituições financeiras internacionais é precisamente a razão porque a presidente Rousseff o colocou como responsável da economia brasileira. A nomeação de Levy é parte integral da adopção por Rousseff de uma nova estratégia de aumentar amplamente os lucros do capital financeiro estrangeiro e interno, na esperança de atrair investimentos em grande escala e findar a estagnação económica.

Para a presidente Rousseff e seu mentor, o ex-presidente Lula da Silva, toda a economia deve ser direccionada para obter a "confiança" da classe capitalista.

As políticas sociais que foram implementadas anteriormente são agora sujeitas à eliminação ou redução, pois o novo czar financeiro, Joaquim "Jack o Estripador" Levy, avança na aplicação da sua "terapia de choque". Cortes profundos e abrangentes na parte do rendimento nacional que cabe ao trabalho estão no topo da sua agenda. O objectivo é concentrar riqueza e capital nos dez por centos superiores na esperança de que invistam e aumentem o crescimento.

Se bem que a nomeação de Levy represente decididamente uma viragem para a extrema-direita, as políticas e práticas económicas dos doze anos anteriores prepararam os fundamentos para o retorno de uma versão virulenta da ortodoxia neoliberal.

Os fundamentos económicos para o retorno de capitações selvagens

Durante a campanha eleitoral em 2001, Lula da Silva assinou um acordo económico com o FMI que garantia um excedente orçamental de 3%. Lula quis tranquilizar banqueiros, financeiros internacionais e multinacionais assegurando que o Brasil pagaria seus credores, aumentaria as reservas [de divisas] estrangeiras para remessa de lucros e fluxos financeiros ilícitos para o exterior.

A adopção por Lula de políticas orçamentais conservadoras foi acompanhada pelas suas políticas de austeridade, redução de salários de funcionários públicos e de pensões, bem como de proporcionar apenas aumentos marginais no salário mínimo. Acima de tudo, Lula apoiou todas as privatizações corruptas que tiveram lugar sob o anterior regime Cardoso. No fim do primeiro ano de Lula no governo, em 2003, a Wall Street louvou-o como o "Homem do ano" pelas suas "políticas pragmáticas" e a sua desmobilização e desradicalização dos principais sindicatos e movimentos sociais. Em Janeiro de 2003, o presidente Lula da Silva nomeou Levy como secretário do Tesouro, uma posição que ele manteve até 2006 – o mais socialmente regressivo período da presidência Lula da Silva. Este período também coincidiu com uma série de escândalos de corrupção enormemente lucrativos, de muitos milhares de milhões de dólares, envolvendo dúzias de altos responsáveis do PT no regime Lula que recebiam comissões clandestinas das principais companhias de construção.

Dois acontecimentos em meados dos anos 2000 permitiram a Da Silva moderar suas políticas e introduzir reformas sociais limitadas. O boom das commodity – um aumento agudo na procura e nos preços das exportações agro-minerais – encheu os cofres do Tesouro. E a pressão acrescida dos sindicatos, dos movimentos rurais e dos pobres por uma fatia na prosperidade económica levou a aumentos em gastos sociais, salários e crédito fácil sem afectar a riqueza, propriedade e privilégios da elite. Com o boom económico, Lula podia também satisfazer o FMI, o sector financeiro e a elite dos negócios com subsídios, isenções fiscais, juros baixos nos empréstimos e lucrativos contratos estatais com "sobrepreços". Os pobres receberam 1% do orçamento através de uma "subvenção familiar", uma esmola de US$60 por mês, e trabalhadores mal pagos receberam um salário mínimo mais alto. O custo do bem-estar social (social welfare) foi uma fracção dos 40% do orçamento que os bancos receberam em pagamentos do principal e de juros na dúbia dívida pública incorrida pelos anteriores regimes neoliberais.

Com o fim do boom, o governo de Rousseff reverteu às políticas ortodoxas de Lula no período 2003-2005 e renomeou Levy para executá-las.

A terapia de choque de Levy e suas consequências

A tarefa de Levy de reconcentrar rendimento, ascender lucros e reverter políticas sociais será muito mais árdua em 2014-2015 do que foi em 2003-2005. Principalmente porque, anteriormente, ele estava simplesmente a continuar as políticas do regime Cardoso – e Lula prometeu aos trabalhadores que isso era apenas temporário. Hoje Levy deve cortar e retalhar ganhos que os trabalhadores e os pobres consideravam como garantidos. De facto, em 2013-2014 movimentos de massa urbanos pressionavam por maiores despesas sociais em transportes, educação e saúde.

Para a terapia de choque de Levy avançar, em algum ponto será necessária repressão, como foi o caso no Chile e na Europa do Sul quando políticas de austeridade semelhantes deprimiram rendimentos e multiplicaram o desemprego.

Levy propõe resgatar os interesses do capital financeiro tomando várias medidas cruciais, as quais estarão alinhadas com a agenda da Wall Street, da City de Londres e dos potentados financeiros brasileiros. Consideradas na sua totalidade, as políticas financeiras de Levy equivalem a "tratamento de choque" – medidas económicas duras e rápidas aplicadas contra os padrões de vida dos trabalhadores, o equivalente a choques eléctricos em pacientes com perturbações aplicados por psicólogos dementes a afirmarem que "sofrimento é ganho", mas que mais frequentemente transformam os pacientes em zumbis ou coisa pior.

A primeira prioridade de Levy é cortar e retalhar investimentos públicos, pensões, pagamentos por desemprego e salários do sector público. Sob o pretexto de "estabilizar a economia" (para os grupos financeiros) ele desestabilizará a economia familiar de dezenas de milhões. Ele cancelará isenções fiscais para a massa de consumidores que compra carros, electrodomésticos e "produtos da linha branca", aumentando portanto os custos para milhões de famílias da classe trabalhadora ou expulsando-as do mercado através dos preços. O objectivo de Levy é desequilibrar orçamentos familiares (aumento da dívida em relação ao rendimento) a fim de aumentar o excedente do orçamento do Estado e assegurar plenos e prontos pagamentos de dívidas a credores como o seu próprio conglomerado Bradesco.

Em segundo lugar, Levy "ajustará" preços. Mais especificamente o controle do preço final de combustíveis, energia e transportes de modo a que os oligarcas financeiros com milhões de acções naqueles sectores possam elevar preços e "ajustar" sua riqueza ascendente para os milhares de milhões de dólares. Em consequência, a classe trabalhadora e a média terão de gastar uma maior fatia do seu rendimento declinante com combustível, transporte e energia.

Em terceiro lugar, Levy provavelmente deixará a divisa enfraquecer a fim de promover exportações agro-minerais sob o disfarce da maior "competitividade". Mas uma divisa mais barata aumentará o custo de importações, especialmente de alimentos básicos e bens manufacturados. A desvalorização de facto atingirá mais duramente os milhões que não podem proteger suas poupanças e favorecerá os especuladores financeiros que capitalizarão nos movimentos da divisa. E estudos comparativos demonstram que uma divisa mais barata não aumenta necessariamente os investimentos produtivos.

Em quarto lugar, é provável que Levy afirme que as falhas de energia devidas à seca, a qual reduziu a produção das hidroeléctricas do Brasil, exigem "reforma" do sector da energia, eufemismo de Levy para privatização. Ele proporá a liquidação do gigante semi-público Petrobrás e acelerará a privatização da exploração de sítios offshore, em termos favoráveis a grandes bancos de investimento.

Em quinto lugar, é provável que Levy retalhe e incinere regulamentações ambientais e de negócios, incluindo aquelas que afectam a floresta tropical, direitos do trabalho e dos índios, a fim de facilitar a entrada e saída rápida de capital financeiro.

A "terapia de choque" de Levy terá um profundo impacto social e económico sobre a sociedade brasileira. Toda indicação, de experiências passadas e presentes, é que em todo o país onde "Chicago boys", como Levy, aplicaram sua fórmula de "choque", o resultado foi profunda recessão económica, regressão social e intranquilidade política.

Ao contrário das expectativas da presidente Rousseff, cortes em crédito, salários e investimento público deprimirão a economia – remetendo-a da estagnação para a recessão. A retrógrada equilibragem do orçamento diminui a procura e não induz fluxos de capital produtivo. Os sectores de crescimento mais dinâmico na manufactura, indústria automobilística, serão drástica e adversamente afectados pelos aumentos nos impostos sobre compras. E o mesmo se passa quanto a electrodomésticos.

Até agora a expansão do investimento público fora a principal força condutora do magro crescimento económico. Não há razão racional para acreditar que vastos fluxos de capitais privados subitamente preencherão a lacuna, especialmente num mercado em contracção. Isto é especialmente verdadeiro se, como é provável que aconteça, o conflito de classe se intensificar na generalidade devido a reduções em salários e padrões de vida.

Levy, como todos os fanáticos do mercado livre, argumentará que a recessão e regressão é necessária a curto prazo e que "no longo prazo" terá êxito. Mas em todos os países contemporâneos que seguiram sua fórmula de choque, o resultado foi a regressão prolongada. A Grécia, Espanha, Itália e Portugal estão no sétimo ano de austeridade que induziu a depressão e a sua dívida pública está em crescimento .

As efectivas consequências reais da terapia de choque

Temos de por de lado as afirmações ideológica de "estabilidade e crescimento" dos Levyitas e olhar para os resultados reais das políticas que ele promete.

Em primeiro lugar e acima de tudo, as desigualdades aumentarão porque quaisquer ganhos no rendimento serão a seguir concentrados no topo. As políticas do governo de desregulamentação orçamental e das taxas de câmbio aprofundarão os desequilíbrios na economia, favorecendo credores em relação a devedores, a finança estrangeira em relação a manufacturas locais, os proprietários de capital em relação aos trabalhadores assalariados, o sector privado em relação ao sector público.

Levy na verdade "assegurará a confiança do capital" porque o que é alcunhado como "confiança do investidor" repousa sobre uma licença sem empecilhos para pilhar o ambiente, reduzir salários e explorar um crescente exército de reserva de desempregados.

Conclusão

A terapia de choque de Levy intensificará a tensão de classe e inevitavelmente resultará na ruptura do pacto social entre o regime do assim chamado Partido dos Trabalhadores e os sindicatos, os trabalhadores rurais sem terra e os movimentos sociais urbanos.

Rousseff e a liderança do pretenso "Partido dos Trabalhadores", confrontada com a estagnação económica resultante do declínio no preços das commodities e da decisão do capital privado de evitar investimentos, podia ter optado por socializar a economia, acabar com o capitalismo de compadrio (crony capitalism) e aumentar o investimento público. Ao invés disso, eles capitularam. Rousseff reciclou as políticas neoliberais ortodoxas que Lula implementou durante os primeiros dois anos do seu regime.

Ao invés de mobilizar trabalhadores e profissionais para mudanças estruturais mais profundas, Rousseff e Lula da Silva estão a contar com a "ala esquerda" do PT para lamentar, criticar e conformar-se. Eles estão a contar com líderes cooptados da confederação sindical (CUT) para hiper-ventilar e limitarem-se a protestos simbólicos inconsequentes os quais não abalarão a "terapia de choque" de Levy. Contudo, o âmbito, profundidade e extremismo do assim chamado programa de ajustamento e estabilização de Levy provocarão greves gerais, sobretudo no sector público. Os cortes na indústria automobilística e o aumento do desemprego resultarão em acções de protesto no sector manufactureiro. Os cortes no investimento público e a ascensão nos custos do transporte, cuidados de saúde e educação revitalizarão os movimentos de massa urbanos.

Dentro de um ano, as políticas de choque de Rousseff e Levy converterão o Brasil num caldeirão fervente de descontentamento social. Os gestos pseudo-populistas de Lula e a retórica vazia não terão efeitos. Rousseff não será capaz de convencer o povo trabalhador a aceitar o viés de classe do programa de "austeridade" de Levy, seus incentivos para "ganhar a confiança dos mercados internacionais" e sua política de contracção do rendimento da vasta maioria do povo trabalhador.

As políticas de Levy aprofundarão a recessão, não redespertarão os espíritos animais de empresários. Após um ano de "mais sofrimento e nenhum ganho" (excepto quanto a lucros mais altos para financeiros e exportadores agro-minerais), a presidente Rousseff enfrentará o inevitável resultado político negativo de ter perdido o apoio dos trabalhadores, da classe média e dos pobres rurais sem ganhar o apoio dos negócios e da elite financeira – eles têm os seus próprios líderes confiáveis. Uma vez tendo posto em prática suas radicalmente regressivas políticas de mercado livre, e tendo provocado maciço descontentamento popular, Levy demitir-se-á e retornará à presidência do Bradesco, do fundo de investimento de muitos milhares de milhões de dólares, declarando "missão cumprida".

Rousseff pode substituir Levy e tentar "moderar" sua "terapia de choque". Mas nessa altura será demasiado pouco e demasiado tarde. O Partido dos Trabalhadores acabará no caixote de lixo da história. A decisão de Rousseff de nomear Levy como czar económico é uma declaração de guerra de classe . E a fim de vencer a guerra de classe, não podemos excluir que as políticas radicalmente regressivas serão impostas pela violência estatal – a repressão de protestos da massa urbana, o desalojamento selvagem de pacíficos trabalhadores rurais sem terra que ocuparem terras devolutas.

A viragem do regime do "Partido dos Trabalhadores" do "neoliberalismo inclusivo" para o extremismo friedmanista do livre mercado radicalizará e polarizará a sociedade brasileira. A oligarquia pressionará pela remilitarização da sociedade civil. Isto por sua vez, estimulará o crescimento da consciência de classe dos movimentos sociais, como aqueles que terminaram vinte anos de domínio militar. Talvez desta vez a revolução social (social upheaval) possa não acabar numa democracia liberal, talvez a luta que vem aí traga o Brasil mais próximo de uma república socialista.
14/Dezembro/2014

Do autor sobre o Brasil:
A luta dos trabalhadores triunfa sobre o espectáculo
O capitalismo extractivo e o grande salto para trás

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

23-01-2015

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CANTA O MERLO: QE, uma medida de desespero e um fracasso reencenado

http://resistir.info/

QE, UMA MEDIDA DE DESESPERO E UM FRACASSO REENCENADO

A quantitative easing (QE) agora lançada pelo Banco Central Europeu é uma medida de desespêro. Há um par de anos atrás seria impensável que o sr. Mario Draghi se atrevesse a propor, ou sequer a falar nisso. Se o faz agora, é porque todos os outros remédios, receitas & mezinhas fracassaram.   Mesmo analistas conservadores reconhecem-no sem rodeios. Wolfgang Münchau, escrevendo no Financial Times (19/Jan/15), considera que "Isto não vai ser uma versão preventiva do QE, mas uma versão pós-traumática. As expectativas inflacionárias afastaram-se do alvo faz tempo.   A inflação é negativa. A economia da Eurozona está doente" (sic).

Em tempos normais, a injecção monetária pode ser um estímulo ao investimento produtivo, via concessão de crédito. Mas os tempos actuais não são normais. As taxas de juro estão baixíssimas mas o investimento é mínimo – não por escassez de crédito, mas por falta de procura efectiva.  
No caso de Portugal, Espanha, etc... a Formação Líquida de Capital Fixo é negativa. Isso significa que a capacidade produtiva do país não só não está a crescer como está mesmo a contrair. Diante disto, que sentido faz o BCE vir a comprar títulos da dívida pública dos países da Eurozona?   Assim, tudo indica que os 500 mil milhões anunciados pelo sr. Draghi não resolverão a crise das economias reais da zona Euro – apenas alimentarão bolhas nos mercados financeiros.   O fracasso da QE nos EUA – onde permitu o salvamento de bancos mas não o relançamento da actividade produtiva – será agora reencenado na Europa.

17-01-2015

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CANTA O MERLO: Os Aznar-Botella preparam as malas para EE.UU: o PP achança o terreno com subvençons milionárias

http://www.elespiadigital.com/index.php/noticias/politica

Os Aznar-Botella preparam as malas para EE.UU: o PP achança o terreno com subvençons milionárias

Felipe González marcha-se a Colômbia e para José María Aznar, em mudança, o paraíso perdido está em Nova Iorque, cidade na que tenta instalar-se quando tenha que sair de Espanha, segundo os jornalistas Jesús Cacho e Graciano Palomo, que o conhecem bem. Tanto Colômbia como EE.UU possuem convénio de extradiçom, polo que em caso que ambos pudessem ser processados, teriam que cumprir condenaçom em cárceres espanhóis. Mas eles preferem que, se isso ocorresse, surpreenda-lhes além de os mares. De facto, ao menos três dirigentes do Partido Popular tenhem subvencionado com fundos públicos espanhóis a empresas americanas das que Aznar beneficiou. E o seu filho José Maria Aznar Botella, residente em Nova Iorque, trabalha na empresa neoiorkina Cerberus Capital Management, à que Bankia cedeu mais de 12.000 milhons de euros de activos imobiliários.

José Maria Aznar planea ir-se de Espanha se se confirmam as fontes que lhe o desvelárom aos jornalistas Jesús Cacho e Graciano Palomo. "Os Aznar emigram de Espanha" Nom cairá essa breva!", escreveu este último: "Chama-me um veterano cargo bem abigarrado do Partido Popular que outrora se deixou a pele a tiras na sua demarcaçom eleitoral para que o entom frágil Aznar fizesse carreira com o minguadinho que era para perguntar-me se eu podo dar fé de que Fazmatella S.L. tem pensado escapar-se de Espanha porque na sua terra nom se reconhecem os méritos do leviatám político e da sua aguerrida esposa". Alude assim aos seus intuitos e às iniciais que recolhem o nome da empresa Família Aznar-Botella.

"Estou com as minhas dúvidas de que fagam as malas e instalem-se em Nova Iorque como maliciam alguns dos seus próximos. Aqui disponhem de viandas bem condimentadas, uns bons ingressos por partida dupla, bla, bla, bla. Se se vam vam-lhes a chorar poucos. Rajoi, nom; Cospedal, também nom. Entre outros", di Palomo. Com isso aludia à notícia proporcionada polo soado e anónimo "Buscón" do diário Vozpópuli, que dirige Jesús Cacho, onde se escreveu sobre o "saturaçom" do casal político, segundo um amigo da família", o que "levou-lhes a recapitular a situaçom" e a "estar a pensar muito seriamente em levantar o campo de Espanha para ir-se a viver a Estados Unidos, concretamente a Nova Iorque".

"Há tempo que os negócios passárom a converter no interesse prioritário do ex presidente, muitos de cujos amigos, alguns entre os mais influentes e poderosos, encontram nos Estados Unidos, porque é gente da direita norte-americana, o qual explicaria também o interesse por transferir o seu centro de operaçons a USA, fugindo do ninho de vespas espanhol e do que Aznar em concreto considera "uns maus tratos generalizados". No Partido Popular, contodo, nom acham que o sangue chegue ao rio, e pensam que o casal Aznar-Botella vai de farol: "A condiçom de lobista de José María, com a que se ganha tam estupendamente a vida, tem a sua razom de ser, a sua alavanca, a sua sustentaçom, na sua condiçom de presidente da Fundaçom FAES e na sua capacidade para abrir portas ante a Administraçom e ante o Governo do PP, e isso ia perdê-lo abandonando Madrid", assinalam estas fontes.

A saída de Espanha dos Aznar coincidiria com a residência do seu filho maior homónimo e com a prévia "semeia" de dinheiro público que fixo o seu pai durante o seu mandato neste território. Aznar foi acusado com provas de pagar com fundos estatais a um lobby de Washington para conseguir a medalha do Congresso da EE.UU. O contrato foi de 2 milhons de dólares com a empresa de advogados Piper Rudnick e pagárom-no os entom políticos do PP Ana Palácio e Ramón Gil Casares através do Ministério de Assuntos Exteriores. Jamais se abriu umha investigaçom a respeito disso e o beneficiado nem os pagadores nunca reintegrárom o dinheiro.

Entre os "amigos" norte-americanos de Aznar que alude a notícia e que lhe sugerem que fuja de Espanha estám o rabino Arthur Schneier, presidente da Fundaçom "Appeal of Conscience", G. Alhen Andreas, director geral da companhia Daniels Midland, o presidente de Boeing, Philip M. Condit, o ex presidente da Reserva Federal Paul A. Vokcker e o presidente da Corporaçom para o Desenvolvimento da Cidade, John C. Whitehead.

A jornalista Rocio Campos, de Informaçom Sensível, descobriu ademais que o seu filho, José Maria Aznar Botella, é conselheiro de Promontoria Plataforma S.L. filial de Cerberus Capital, um fundo abutre que compra activos tóxicos e bota aos inquilinos que nom podem pagar a hipoteca. Cerberus Capital Managament, com sede em Nova Iorque, criou umha rede de sociedades através de Promontoria Holding na Holanda, um paraíso fiscal, para entrar na Europa. Bankia cedeu-lhe mais de 12.000 milhons de euros de activos imobiliários à empresa de Aznar Botella em Setembro de 2013 num processo competitivo, mas a entidade nunca clarificou se houvo mais candidatos. Promontoria Plataforma S.L. conta com doce conselheiros entre os que também se encontra José Manuel Hoyos de Irujo, assessor económico e amigo pessoal do ex-presidente José María Aznar. Também nom se abriu nunca umha investigaçom parlamentar ou judicial sobre este trato entre Bankia e os Aznar.

O próprio Aznar foi contratado pola Universidade de Georgetown (Washington) mas previamente o seu amigo Alberto Ruiz Gallardón, também do PP, patrocinou a sua equipa de basquetebol universitário. Foram 1,1 milhons os que destinou a "actividades no estrangeiro", o que levou à jornalista Anjos Álvarez a perguntar por esta campanha com fundos públicos: "está desenhada para devolver à universidade de Georgetown o que Georgetown dá a Aznar via conferências"".

Para Anjos Álvarez "é evidente que mais que umha campanha para promover as vantagens da capital espanhola entre os estudantes americanos parece umha campanha com objectivos espúrios", já que "seria conveniente que Gallardón promove-se -por exemplo- às equipas madrilenas femininos no quanto de pagar encobertamente as conferências que o esposo de Ana Botella dá na Universidade de Georgetown". Ademais, a empresa eléctrica espanhola Endesa patrocinou igualmente a cátedra Príncipe das Astúrias neste mesmo centro académico, acordo que se subscreveu em 1999 com o PP de Aznar e prorrogou-se em 2005 com o PSOE de Zapatero. Posteriormente Endesa fichou a Aznar como "assessor" a razom de 200.000 euros anuais, que podem chegar aos 400.000 com os "prêmios" e "bonus". Nengum partido pediu jamais umha investigaçom nem também nom ninguém reintegrou o dinheiro público esfumado.

11-01-2015

Link permanente 20:20:47, por José Alberte Email , 304 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Paul Craig Roberts: "Ataque contra 'Charlie Hebdo' foi umha operaçom de falsa bandeira"

http://actualidad.rt.com/actualidad/162898-roberts-ataque-paris-falsa-bandera-francia-vasallo-eeuu

O ex-subsecretario do Tesouro de EE.UU., Paul Craig Roberts, assegura que o ataque terrorista contra a sede de 'Charlie Hebdo' em Paris foi umha operaçom de bandeira falsa "desenhada para apontoar o estado vassalo da França ante Washington".

"Os suspeitos podem ser tanto culpados como bodes expiatórios. Basta lembrar todos os complôs terroristas criados pola FBI que serviram para fazer a ameaça terrorista real para os estadounidenses", escreveu Roberts num artigo publicado no seu sitio web.

O politólogo afirmou que as agências estadounidenses ham planeado as operaçons de falsa bandeira na Europa para criar ódio contra os muçulmanos e reforçar a esfera de influência de Washington nos países europeus.

"A Polícia encontrou o documento de identidade de Said Kouachi na cena do tiroteio [perto da sede de 'Charlie Hebdo']. Soa-lhes familiar? Lembrem que as autoridades afirmaram encontrar o passaporte intacto de um dos presumíveis seqüestradores do11-S entre as ruínas das torres gémeas. umha vez que as autoridades descobrem que os povos ocidentais estúpidos vam acreditar qualquer mentira transparente, vam recorrer à mentira umha e outra vez", diceu Roberto.

O anúncio da Polícia do achado do documento de identidade claramente aponta a que "o ataque contra 'Charlie Hebdo' foi um trabalho interno e que as pessoas identificadas pola NSA como hostis às guerras ocidentais contra os muçulmanos vam ser incriminadas por um trabalho interno desenhado para devolver a França sob o polegar de Washington", diceu o politólogo.

Assim mesmo, Roberts falou que a economia francesa está a sofrer polas sançons impostas por Washington contra Rússia. "Os estaleiros vem-se afectados ao nom poder entregar os pedidos russos devido à condiçom de vassalagem da França ante Washington", explicou e agregou que "outros aspectos da economia francesa estám a ser impactados negativamente polas sançons que Washington obrigou aos seus Estados peleles da NATO a aplicar contra Rússia".

09-01-2015

Link permanente 22:15:32, por José Alberte Email , 1608 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Felipe González vai-se a Colômbia nacionalizado com os seus amigos "narcopolíticos": umha comissom de 19 milhoes

http://www.elespiadigital.com/index.php/noticias/politica/7773-felipe-gonzalez-se-va-a-colombia-nacionalizado-con-sus-amigos-narcopoliticos-una-comision-de-19-millones

Felipe González vai-se a Colômbia nacionalizado com os seus amigos "narcopolíticos": umha comissom de 19 milhoes

Mariano Rajoy nom se move mas dous dos seus predecessores, Felipe González (PSOE) e José María Aznar (PP) planejam o seu futuro fora de Espanha. O dirigente socialista haver recebido por fim a nacionalidade colombiana que tanto ansiava e poderá desfrutá-la com os seus amigos, entre eles os Marulanda. Cecília Marulanda, viúva do seu lhe velho e incondicional construtor Enrique Sarasola, e Virginia Vallejo, amante e também hoje "viúva" do conhecido "narco" Pablo Escobar, citam-se entre eles. Virginia lembra aquela viagem do falecido mafioso colombiano a Madrid para festejar junto a Felipe González e Alfonso Guerra no Hotel Palace a vitória eleitoral de 1982 e como corria a "coca" na sua tomada de posse.

Em mudança, o ex ministro e ex embaixador Carlos Arturo Marulanda, irmao de Cecilia, foi preso e encarcerado em Madrid polo juiz Juan do Olmo (Audiência Nacional) a requirimento da Interpol, por formaçom de grupos armados, terrorismo e malversaçom de fundos públicos. Para tentar blindar-se, havia condecorado a quatro eurodeputados espanhóis: Manuel Medina (PSOE), Ana Miranda de Lage (PSOE), José Ignacio Salafranca (PP) e Gerardo Galeote (PP), este último implicado na máfia Gürtel. Também o tentou com o funcionário da Comissom Europeia, José Luís Trimiño Pérez, mas o escândalo fixo intervir ao próprio presidente europeu, entom Jacques Santer, que o impediu apesar das travas impostas polo comissário socialista Manuel Marín.

O presidente da República, Juan Manuel Santos Calderón, outorgou o passado 1 de Dezembro a nacionalidade colombiana ao ex presidente do Governo de Espanha, Felipe González, numha discreta cerimónia celebrada no Salom Protocolario da Casa de Narinho. "Acho que nom há presidente que nom possa dizer que em momento de angústia ou de dúvida, aí estava Felipe González listo a dar os seus conselhos, a ajudar, a pôr o seu granito de areia em forma muito efectiva, ademais; sempre em forma desinteressada polo seu agarimo com Colômbia, com os colombianos", disso Santos Calderón. E nom lhe faltava razom: os seus laços com Colômbia centram-se sobretodo com dous casais, segundo descreveram elas mesmas. E com muitos políticos do regime.

Virgínia Vallejo, amante de Pablo Escobar, conhece bem a Felipe González. De facto confessa que "eu creio no socialismo, num socialismo à moda de Felipe González". Ela é jornalista, chegou a entrevistar ao dirigente espanhol do PSOE e contou no seu livro "Amando a Pablo, odiando a Escobar" até onde se remonta a sua relaçom com o seu agora compatriota: "Poucos meses antes de conhecer-nos, Escobar e Santofimio assistiram com outros congressistas colombianos à posse do presidente de Governo espanhol, o socialista Felipe González, cujo homem de confiança, Enrique Sarasola, está casado com a colombiana Cecilia Marulanda".

"A Felipe González entrevistar eu para televisom em 1981 e a Sarasola conhecer em Madrid durante a minha primeira viagem de lua de mel. Com expressom terrivelmente séria, Pablo descreveu-me a cena na que os outros parlamentares da comitiva pediam-lhe cocaína de presenteio numha discoteca madrilena e ele reagia insultado. E eu confirmei o que já sabia: que o Rei da Coca parece detestar, quase tanto como eu, o produto de exportaçom sobre o qual está a construir um autêntico império livre de impostos. A única pessoa a quem Pablo Escobar presenteou rocas de cocaína sem que tivesse sequer que pedi-las é o anterior namorado da sua namorada. E nom o fixo precisamente por razoes humanitárias ou filantrópicas".

Noutra ocasiom, o cunhado de Sarasola tentou vender-lhe a Escobar umha faustosa leira: "A polvoreira na fazenda do cunhado de Enrique Sarasola estalaria em 1996, sendo Carlos Arturo Marulanda embaixador ante a Uniom Europeia durante o governo de Ernesto Samper Pizano. Por acçom de esquadroes como os daqueles chulavitas utilizados polo seu pai meio século atrás, case quatro centenas de famílias camponesas seriam obrigadas a fugir de Bellacruz trás o incendeio das suas casas e a tortura e assassinato dos seus líderes em presença do Exército".

"Marulanda, acusado de conformaçom de grupos para-militares e violaçons dos direitos humanos, seria arrestado em Espanha em 2001 e extraditado a Colômbia em 2002. Duas semanas depois seria liberar sobre a base de que os delitos foram cometidos polos grupos paramilitares que esperavam no César e nom polo milionário amigo do presidente. Para Amnistia Internacional, o ocorrido na fazenda Bellacruz constitui um dos episódios de impunidade mais aberrantes na história recente de Colômbia. Diego Londoño White, como o seu irmao Santiago, seria posteriormente assassinado. E case todos os demais beneficiários da rapina do Metro e dos crimes de Bellacruz, ou os seus descendentes, desfrutam hoje dos mais dourados retiros em Madrid e Paris". A operaçom de compra e venda finalmente frustrou-se pola negativa do "narco":

"Marulanda é o cunhado de Enrique Sarasola. Di ao emissário que eu se que Bellacruz é a fazenda mais grande do país depois de umhas que tem o Mexicano nos Llanos, onde a terra nom vale nada, mas que nom lhe dou nem um milhom de dólares por ela porque eu nom som um desalmado como o pai do ministro. E claro que vai valer o dobro, o meu amor! Mas primeiro tem que buscar-se a outro tipo sem escrúpulos, como ele e o seu irmao, para que tire daí aos descendentes de toda essa pobre gente a quem o seu pai expulsou das suas parcelas a sangue e lume aproveitando do caos da Violência."

Quando Virginia Vallejo e Pablo Escobar falavam da "rapina do Metro" de Medellín referem-se a umha história que corria por Espanha como lenda urbana mas que hoje tem nomes e apelidos: "Explica-me que em Bellacruz está a gestar-se umha polvoreira que tarde ou cedo terminará num massacre. O pai do ministro, Alberto Marulanda Grilo, comprou as primeiras 6000 hectares nos anos quarenta e foi dobrando o tamanho do latifúndio com a ajuda de chulavitas, polícias que incendiavam ranchos, violavam, torturavam e assassinavam por encargo de quem contratasse os seus serviços. A irmá de Carlos Arturo Marulanda está casada com Enrique Sarasola, vinculado à sociedade espanhola Ateinsa de Alberto Cortina, Alberto Alcocer e José Entrecanales".

"Sarasola, amigo próximo de Felipe González, ganhou $19.6 milhoes de dólares de comissom e geriu a adjudicaçom do chamado «Contrato de engenharia do século», o Metro de Medellín, ao Consórcio Hispano-Alemám Metromed e aos seus sócios, entre eles Ateinsa. Diego Londoño White, gerente do projecto do Metro, grande amigo de Pablo e dono, com o seu irmao Santiago, das mansioes que ele e Gustavo utilizam como escritórios, foi o encarregado de negociar o contrato e tramitar as zumentas comissons. Segundo umha testemunha da rapina e a voracidade do grupo encabeçado por Sarasola, a adjudicaçom do Metro " na que receberiam honorários extravagantes desde uns advogados colombianos de apelido Puyo Basco até o despia alemám Werner Mauss ", «mais que umha licitaçom por um contrato de engenharia civil, parecia umha película de gángsters», conceito que outro social-democrata como Pablo Escobar parece partilhar plenamente".
"Quase ao mesmo tempo que Felipe González em Madrid, chega ao governo em Colômbia o seu amigo Belisario Betancur graças ao dinheiro do narcotráfico, que lhe pagou a sua campanha eleitoral. Betancur nomeia presidente da Câmara de Medellín a Álvaro Uribe quando a cidade é um feudo de Pablo Escobar. Uribe reúne-se com os capos do cártel de Medellín e ao quatro meses do sua nomeaçom, Betancur tem-o que destituir da câmara municipal por causa disso. Em Medellín Betancur atira o projecto multimilhonario de construçom de um metro, cujas obras adjudica a Sarasola, quem leva um belisco de 20 milhoes de dólares, que se reparte com Felipe González".

No negócio reaparece o espia alemám Werner Mauss, implicado na tentativa de assassinato de Cubillo em Argel em 1978, quem também leva o seu belisco correspondente. Daquela o próprio Betancur tivo que nomear umha comissom especial para "investigar" o chanchulho. O primeiro gerente do metro de Medellín é Diego Londoño White, quem acabou condenado polos seus vínculos com Pablo Escobar, assim como seqüestro, sendo finalmente assassinado em 2002 num ajuste de contas".

Quem assim se expressa é a web "Amnistia Presos", que conseguiu um documento gráfico que testemunha o que di Virginia Vallejo: Pablo Escobar no Hotel Palace durante o jantar de celebraçom da vitória do PSOE em 1982. Ademais revela 13 vínculos entre Felipe González e as elites social-democratas de Colômbia: Belisario Betancur (embaixador em Madrid e logo presidente); o casal Enrique Sarasola Lertxundi-Cristina Marulanda, filha de Alberto Marulanda Grilo, latifundista agrícola e accionista da companhia aérea Avianca".

Pablo Escobar, no jantar do Hotel Palace que celebra a vitória do PSOE em 1982

Também Alberto Santofimio Botero, ministro de Justiça, senador, presidente da Câmara de Representantes, duas vezes candidato presidencial e condenado em 2006 como autor do assassinato do também candidato presidencial Luís Carlos Galã, cometido em 1989, em cumplicidade com o capo do narcotráfico Pablo Escobar; Virginia Vallejo, o casal de Escobar e jornalista que chega a entrevistar a Felipe González. A presença de Escobar, Santofimio e e Jairo Ortega Ramírez, outro narcopolítico colombiano, está documentada mesmo na sentença contra Santofimio por assassinato. Existem imagens na festa do PSOE celebrando a vitória de 1982 do três narcopolíticos colombianos, que sentárom juntos na mesa do hotel, junto ao toureiro Luís Miguel Dominguín.

"O jornalista colombiano Gonzalo Guillén, presente àquele acto, afirma que foi Pablo Escobar quem lhe apresentou a Felipe González para que lhe pudesse entrevistar. Logo foram a umha discoteca, onde seguiram celebrando-o toda a noite. A polícia espanhola, que tinha fichado a Escobar, soubo com antecipaçom que ia viajar a Madrid e o hotel no que se hospedava. Os antidisturbios rodeárom o edifício e detiveram a vários congressistas do Partido Conservador colombiano que se deitárom cedo. Vestidos com os seus pijamas, foram cacheados, junto com as suas equipagens", conclui esta web.

06-01-2015

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CANTA O MERLO: CNAS, a versão democrata do imperialismo de conquista

http://www.voltairenet.org/article186383.html

CNAS, a versão democrata do imperialismo de conquista
Thierry Meyssan

No momento em que Washington não tem nenhuma política externa, mas várias políticas contraditórias e simultâneas, os «falcões liberais» reagruparam-se em torno do general David Petraeus e do Center for a New American Security (Centro para uma Nova Segurança da América- ndT). Thierry Meyssan apresenta-nos este grupo de reflexão política ( “think-tank” ), que agora desempenha o papel anteriormente atribuído ao Project for a New American Century (Projecto para um Novo Século Americano- ndT) na era Bush: promover o imperialismo expansionista e dominar o mundo.

A crise síria, para a qual a primeira conferência em Genebra já tinha encontrado uma solução, em junho de 2012, continua apesar de todos os acordos negociados com os Estados Unidos. É evidente que a administração Obama não obedece ao seu chefe, e que está, sim, dividida entre duas linhas políticas: de uma parte os imperialistas favoráveis a uma partilha do mundo com a China, e eventualmente a Rússia (é a posição Presidente Obama), e, por outro lado, os imperialistas expansionistas (reunidos à volta de Hillary Clinton e do general David Petraeus).

Para surpresa geral a destituição do director da CIA, e da secretário de Estado, aquando da reeleição de Barack Obama, não pôs fim à divisão da administração mas, pelo contrário, reforçou-a.

São de novo os imperialistas expansionistas quem relança a guerra contra a República Popular da Coreia sob o pretexto de um ataque cibernético contra a Sony Pictures, atribuída a Pyongyang contra toda a lógica. O Presidente Obama subscreveu, em última análise, o seu discurso e assinou um decreto de «sanções».

Parece que os partidários da expansão imperial se reagruparam, primeiro, para criar o Center for a New American Security (Centro para uma Nova Segurança da América), que jogou no Partido Democrata um papel equivalente ao do Project for a New American Century (Projecto para um Novo Século Americano), (e hoje da Foreign Policy Initiative-Iniciativa de Política Externa), no seio do Partido Republicano. Como tal, eles desempenharam um papel importante durante o primeiro mandato de Barack Obama e, para alguns, têm integrado o Estado profundo de onde continuam a puxar os cordelinhos.

Os falcões liberais

O Center for a New American Security (CNAS) foi criado em 2007 por Kurt Campbell e Michèle A. Flournoy.

Estes dois intelectuais haviam trabalhado, préviamente, em conjunto no Center for Strategic and International Studies -CSIS) (Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais- ndT). Aí, eles tinham editado, dois meses após os atentados de 11 de setembro de 2001, a publicação de To Prevail: An American Strategy for the Campaign Against Terrorism (Para Triunfar: Uma Estratégia Americana para a campanha contra o terrorismo) [1]. O livro glosava a decisão do presidente Bush de atacar não apenas os grupos terroristas mas também os Estados que os apoiavam, ou seja, os Estados falidos que fracassavam a combatê-los no seu solo. Inspirando-se nos trabalhos da Força Tarefa (Task Force) sobre o terrorismo do CSIS, a obra preconizava um desenvolvimento considerável das agências de inteligência afim de vigiar o mundo inteiro. Em suma, Campbell e Flournoy aceitavam a narrativa oficial dos atentados e justificavam a «guerra ao terrorismo», que iria enlutar o mundo durante mais de uma década.

Em 2003, Campbell e Flournoy assinavam, com mais treze outros intelectuais democratas, um documento intitulado Progressive Internationalism : A Democratic National Security Strategy (Internacionalismo Progressista : Uma Estratégia Nacional de Segurança Democrata- ndT) [2]. Este manifesto apoiava as guerras pós-11 de setembro, ao mesmo tempo que criticava a fraqueza diplomática do presidente Bush. Dentro da perspectiva da escolha do candidato democrata em 2004, os signatários entendiam promover o projecto imperial norte-americano, (defendido por George W. Bush), ao mesmo tempo que criticavam a forma como ele exercia a liderança, nomeadamente a dúvida que tinha semeado entre os aliados. Os signatários foram então rotulados «falcões liberais».

O CNAS

Aquando da sua criação, (2007), o CNAS afirmava querer renovar o pensamento estratégico norte-americano, após a Comissão Baker- Hamilton e a demissão do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld. O lançamento contou com a presença de numerosos dignitários, entre os quais Madeleine Albright, Hillary Clinton e Chuck Hagel. Na época, Washington buscava uma escapatória do seu atoleiro no Iraque. Campbell e Flournoy entendiam preconizar uma solução militar, que permitisse aos exércitos dos EU continuar a ocupar o Iraque sem ter que esgotar aí as suas forças. Para prosseguir a sua expansão mundial, o imperialismo norte-americano devia, primeiro, elaborar uma estratégia contra-terrorista que lhe permitisse levar as suas tropas no Iraque para um contingente de numero reduzido.

Logicamente, Campbell e Flournoy trabalham, portanto, com o general David Petraeus, que acabava de ser nomeado comandante da Coligação (coalizão-br) militar no Iraque, já que ele era o autor do manual contra-insurreição da infantaria do Exército dos EU. Eles contratam um especialista australiano, David Kilcullen, que se vai tornar o guru do general Petraeus, e conceber a Surge (pressão contínua -ndT)). Segundo ele, a reversão dos insurgentes iraquianos é possível pelo uso combinado de dois factores (o pau e a cenoura): por um lado, um pagamento será feito aos resistentes que mudarem de campo, e que velarão por estabelecer a ordem no seu território e, por outro lado, uma forte pressão militar será exercida sobre eles por um aumento temporário da presença militar dos EU. Esta estratégia será implementada com o sucesso que se sabe : o país atravessa primeiro uma fase de intensa guerra civil, em seguida retorna lentamente à calma depois de ter sido profundamente destruído. Na realidade, a reversão de uma parte da resistência iraquiana só foi possível porque ela se organizava sobre uma base tribal.

De facto, durante este período, a CNAS e o general Petraeus são indissociáveis. Kilcullen torna-se conselheiro de Petraeus, depois da secretária de Estado Condoleezza Rice. A fusão é tal que o coronel John Nagl, assessor de Petraeus, se tornou presidente do CNAS, assim que Campbell e Flournoy entram na administração Obama.

A originalidade do CNAS era a de ser um “think-tank” (“centro intelectual de pressão política”- ndT) Democrata, que aceita a colaboração e integra falcões republicanos. Ele multiplica, aliás, as reuniões e debates com membros do Project for a New American Century (Projeto para um Novo Século Americano- ndT). Ele é financiado por industriais de armamento ou fornecedores da Defesa (Accenture Federal Services, BAE Systems, Boeing, DRS Technologies, Northrop Grumman), financeiros (Bernard L. Schwartz Investments, Prudential Financial), fundações (Carnegie Corporation of New York, Fundação William e Flora Hewlett, Fundo Ploughshares, Fundação Smith Richardson, Zak Família Charitable Trust) e governos estrangeiros (Israel, Japão, Taiwan).

Durante a campanha eleitoral, Campbell e Flournoy publicaram as suas recomendações para o próximo presidente: The Inheritance and the Way Forward (A Herança e a Via a seguir- ndT) [3]. Na era Bush, eles questionaram o princípio da «guerra preventiva» e a prática da tortura. Além disso, eles recomendam o reformular da guerra contra o terrorismo, de maneira a evitar o «choque de civilizações», que privaria Washington dos seus aliados muçulmanos.

A administração Obama

Eleito presidente dos Estados Unidos, Barack Obama designa Michèle Flournoy para monitorizar a transição no Departamento de Defesa. Logicamente, ela foi nomeada sub-secretário da Defesa encarregue da política, quer dizer, ela devia elaborar a nova estratégia de Defesa. Ela é então o no 2 do departamento e gere um orçamento de $ 200 milhões de dólares.

Por seu lado, Kurt Campbell foi nomeado para o Departamento de Estado, afim de dirigir o gabinete do Extremo Oriente e do Pacífico.

Campbell e Flournoy vão, então, ser os promotores da estratégia de “pivô”. Segundo eles, os Estados Unidos devem preparar-se para um confronto futuro com a China. Nesta perspectiva, eles devem, lentamente, fazer girar as suas forças armadas da Europa e do Médio Oriente alargado para o Extremo Oriente.

O CNAS torna-se tão popular que vários dos seus colaboradores vão entrar para a administração Obama :
- Rand Beers tornar-se-á secretário para a Segurança da Pátria,
- Ashton Carter, sub-secretário para a Defesa encarregue das aquisições, depois secretário para a Defesa,
- Susan Rice, embaixatriz nas nações unidas, depois conselheira nacional de segurança,
- Robert Work, adjunto do secretário da Defesa, e ainda :
- Shawn Brimley, conselheiro especial do secretário da Defesa para a estratégia, depois director da planificação no Conselho de segurança nacional,
- Price Floyd, assistente adjunto do secretário da Defesa para as relações públicas,
- Alice Hunt, assistente especial no departamento da Defesa,
- Colin Kahl, assistente adjunto do secretário da Defesa para o Próximo- Oriente, depois conselheiro de segurança nacional junto do vice- presidente,
- James Miller, sub-secretário da Defesa, adjunto para a política,
- Eric Pierce, adjunto do chefe do departamento da Defesa encarregue das relações com o Congresso,
- Sarah Sewall virá a ser, em 2014, sub-secretário de Estado para a Democracia e os Direitos do homem,
- Wendy Sherman virá a ser, em 2011, sub-secretário de Estado para os Assuntos políticos,
- Vikram Singh, conselheiro especial do secretário da Defesa para o Afeganistão e o Paquistão,
- Gayle Smith, directora para o Desenvolvimento e a Democracia no Conselho nacional de segurança,
- James Steinberg, adjunto da secretária de Estado,
- Jim Thomas, assistente adjunto do secretário da Defesa para os Recursos,
- Edward (Ted) Warner III, conselheiro do secretário da Defesa para o contrôlo de armamentos.

A influência do CNAS

Michèle Flournoy, que ambicionava tornar-se secretária da Defesa, foi afastada deste posto, em 2012, por ser considerada muito próxima de Israel. No entanto, ela está agora omnipresente nas instâncias de reflexão sobre a Defesa : é membro do Defense Science Board (Conselho Científico da Defesa), do Defense Policy Board (Conselho Político de Defesa) e do President’s Intelligence Advisory Board (Conselho Consultivo da Presidência para a Inteligência).

Salta à vista que as suas sugestões políticas são seguidas, tanto no que diz respeito ao «Médio-Oriente Alargado» como ao Extremo-Oriente.

O CNAS apoiou os esforços de Wendy Sherman para negociar a retoma das negociações diplomáticas com Teerão. De maneira bastante transparente, ela sublinhou que o problema com o Irão era menos a questão nuclear do que a exportação da sua Revolução. Ela preconiza, portanto, uma série de acções extremamente duras para destruir as redes iranianas em África, na América Latina e no Próximo-Oriente [4].

Em relação à Síria, o CNAS considera que será impossível derrubar a República a curto prazo. Aconselha pois a «estratégia do torniquete» : utilizar o consenso, que se criou contra o Emirado islâmico, para que todos os Estados implicados façam pressão sobre Damasco e sobre os grupos de oposição afim de se chegar a uma acalmia militar —mas sem, no entanto, colaborar com o presidente el-Assad contra o Emirado islâmico—.

O esforço deverá, pois, ao mesmo tempo traduzir-se na obrigação da República integrar no governo elementos da oposição pró-atlantista, e, sobre a ajuda humanitária e logística providenciada às zonas rebeldes de modo a que elas se tornem atractivas. Uma vez os pró-atlantistas colocados no governo, eles serão encarregados de identificar as engrenagens do aparelho do Estado secreto de maneira a que ele, ulteriormente, possa ser destruído. A originalidade do plano é a de reivindicar o deserto sírio para os rebeldes que recusassem entrar no governo. Ora, este deserto representa 70% do território e abriga o essencial das reservas de gás [5].

O CNAS dirige uma atenção particular à Internet. Trata-se de limitar as críticas ao governo, de modo a que a espionagem da N.S.A. (Agência Nacional de Segurança- ndT) possa continuar com a mesma facilidade [6]. Simultaneamente, ele preocupa-se com a maneira como a China popular se protege da espionagem da N.S.A [7].

No Pacífico, o CNAS preconiza uma aproximação com a Índia, a Malásia e a Indonésia. Ele concebeu um plano de modernização do dispositivo contra a Coreia do Norte.
Os responsáveis actuais

Progressivamente, o CNAS —que era uma iniciativa democrata contando com a colaboração de neo-conservadores republicanos— tornou-se o principal centro de estudos promovendo um imperialismo implacável.

Além de Kurt Campbell e Michèle Flournoy, salienta-se entre os seus dirigentes :
- o general John Allen, comandante da Coligação anti-Daesh,
- Richard Armitage, antigo adjunto da secretaria de Estado,
- Richard Dantzig, vice-presidente da Rand Corporation,
- Joseph Liberman, o antigo porta-voz israelita no Senado,
- o general James Mattis, antigo comandante do CentCom.

Entretanto, o CNAS é levado a um ainda maior desenvolvimento, já que, agora, ele é o principal “think tank”, capaz de se opôr à baixa do orçamento da defesa dos E.U. e de relançar a indústria de guerra.
Thierry Meyssan

Tradução
Alva

Fonte
Al-Watan (Síria)

05-01-2015

Link permanente 13:29:06, por José Alberte Email , 2725 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Os perigos do fascismo na Europa

http://es.kke.gr/pt/articles/Os-perigos-do-fascismo-na-Europa/

Dimitris Koutsoumpas

Há 69 anos, neste mesmo dia, a Bandeira Vermelha foi hasteada no Reichstag apontando a vitória de uma batalha gigantesca dos povos, com a União Soviética e os comunistas da Europa na vanguarda, contra a mais terrível e desumana ideologia, a ideologia e prática fascista, nascida do próprio capitalismo que levou à maximização da exploração do homem pelo homem, à destruição absoluta da existência humana.

Milhões de pessoas se sacrificaram nesta batalha, nos campos de batalha e nos desumanos campos de concentração. Hoje, rendemos homenagem aos que perderam a vida nas trincheiras, nos campos de batalha, aos que desafiaram os pelotões de fuzilamento. Leningrado e Stalingrado na Rússia, Kokkiniá e Kesarianí na Grécia estão impressos na memória dos povos, da mesma forma que milhares de lugares, onde se determinou o resultado desta dura batalha. Lugares que, por um lado, foram marcados pela barbárie do capitalismo e, por outro, pela grandeza da luta popular contra esta criatura capitalista, o fascismo.

Quase 70 anos depois, alguns estão fazendo todo o possível para extinguir a chama da verdade histórica que foi escrita com o sangue dos povos. Estão fazendo todo o possível para distorcer a história, para justificar, de maneira direta ou indireta, a brutalidade fascista. Nesta propaganda negra das mentiras, os centros imperialistas e, em primeiro lugar, a UE, jogam um papel protagonista. A UE, inclusive, transformou o 9 de maio, que é o Dia da Vitória Antifascista dos Povos, em "Dia da Europa", tentando apagar da memória dos povos da Europa o caráter antifascista deste aniversário. Nesta missão ideológica e política caluniosa e suja, não hesita em equiparar o fascismo com o comunismo. Ao mesmo tempo, a UE, assim como os EUA, não titubeiam em confiar e apoiar as forças reacionárias mais obscuras que ascenderam ao governo da Ucrânia através de um golpe, como ocorreu anteriormente nos países bálticos, a fim de promover seus interesses geopolíticos na região da Eurásia. Nos últimos 25 anos, após da derrocada do socialismo e da dissolução da URSS, se leva a cabo uma sistemática "lavagem cerebral" ideológica anticomunista através da qual as "legiões SS" e os demais grupos armados pró-fascistas se apresentam como "libertadores" do país do bolchevismo.

No entanto, por mais rancor que exista, por mais tinta que seja gasta, a realidade objetiva não pode ser alterada. 69 anos após o fim da II Guerra Mundial, milhões de pessoas em todo o mundo reconhecem a contribuição do movimento comunista, com sacrifícios sem precedentes, para a derrota do fascismo. A força básica desta luta titânica, a alma e o líder foram os partidos comunistas, encabeçados pelo partido dos bolcheviques. Milhões de comunistas sacrificaram, inclusive suas vidas, por um mundo melhor.

O sistema capitalista, os antagonismos que, inevitavelmente, se manifestam entre os imperialistas e os monopólios, devem ser impressos e estigmatizados na consciência dos povos como os responsáveis pelas duas guerras mundiais, para os milhões de mortos, incapacitados, para as pessoas expulsas de seus lares. Não hesitaram em cometer qualquer crime com a finalidade de servir aos lucros, ao predomínio e ao poder capitalista. Esta realidade é ainda mais vigente hoje, dado que os antagonismos e os conflitos entre si estão se intensificando.

A verdade histórica não pode ser distorcida na consciência do povo, tendo sido escrita pela própria luta dos povos, com o sangue dos povos, dos movimentos pela Libertação Nacional e dos movimentos antifascistas nos países capitalistas, como os heroicos EAM (Frente pela Libertação Nacional), ELAS (Exército Nacional pela Libertação Nacional), EPON (Organização Nacional Unificada da Juventude) existentes em nosso país, que uniram e agitaram o povo a levantar-se.

Foi o resultado das grandes e titânicas batalhas do Exército Vermelho em Stalingrado, Kursk, em Leningrado, em Sebastopol, em todos os campos de batalha na União Soviética e em vários países da Europa capitalista. A grande vitória dos povos contra o eixo fascista-imperialista da Alemanha, Itália e Japão e de seus aliados foi obtida graças ao papel decisivo da União Soviética com sacrifícios incalculáveis e mais de 20 milhões de mortos.

Amigas e amigos, camaradas!

Atualmente, na Ucrânia, nos países bálticos, assim como em outros países da Europa, o fascismo tenta levantar a cabeça, da mesma maneira que em nosso país, onde surgiu uma organização nazista criminosa, o Amanhecer Dourado.

O terrível crime de sexta-feira passada em Odessa, onde os neonazistas do "Setor Direita" queimaram vivos alguns manifestantes de idioma russo e a operação sangrenta do governo de golpista de Kiev nas regiões orientais, têm grande impacto tanto sobre nosso povo como em toda pessoa consciente no planeta. O povo ucraniano está derramando seu sangue devido à intervenção aberta dos imperialistas dos EUA, da UE e da OTAN, que apoiam o governo dos nacionalistas e fascistas de Kiev e entram em conflito com a Rússia sobre o controle dos recursos energéticos, dos tubos e das cotas de mercado. Mais uma vez, é claramente demonstrado que as alianças imperialistas não apenas não garantem a paz e a segurança para nenhum povo, como o contrário, o conduz à guerra e à indigência.

Como no passado, o monstro fascista hoje é um produto do sistema capitalista; nasce das entranhas do sistema, não é algo que está fora do sistema como querem apresentá-lo. O fascismo é a expressão do capital que se utiliza como "ponta de lança" do poder capitalista contra o movimento trabalhador.

Utiliza as condições de democracia parlamentar burguesa para reforçar-se, contando com o apoio do capital ou de seções do capital, assim como do aparato estatal. Pretende exercer o poder dos monopólios de uma maneira mais dura, tal como fizeram no passado os partidos nacional-socialistas de Hitler e Mussolini, para subjugar o movimento trabalhador e popular. Esta foi e continua sendo sua característica básica; esta é a fonte da ira anticomunista aberta que caracteriza todas as forças fascistas desde sempre.

Certamente, os partidos nacional-socialistas, ainda que expressem os interesses do capital da mesma forma que os demais partidos burgueses, também aprisionam em suas fileiras as camadas populares, tratando de formar uma ampla base popular. Isto é conseguido a partir da utilização da "ferramenta" de intimidação aberta, da política racista, do chauvinismo e do irredentismo, da distorção da história, etc., lançando mão do empobrecimento abrupto das camadas populares, que é o resultado da crise econômica e da debilidade dos demais partidos burgueses em gerenciar o sistema, em arrastar para o âmbito de sua influência os setores populares politicamente atrasados.

O fortalecimento dos partidos fascistas na Ucrânia, do partido "Svoboda" e do "Setor Direita", assim como o Amanhecer Dourado na Grécia, têm alguns elementos similares, como por exemplo, o fato de se terem manifestado após o fracasso rotundo das promessas dos partidos social-democratas que estavam no poder. Por exemplo, todos recordam as promessas do PASOK na Grécia, pouco antes do estouro da crise. Porém, a social-democracia e os partidos liberais burgueses, todos eles típicos governos burgueses, prometem medidas favoráveis ao povo enquanto, na prática, seguem uma política antipopular dura, servindo aos monopólios. Então, dada a desilusão das camadas populares arruinadas, dos autônomos, dos camponeses, dos desempregados, de setores da classe trabalhadora sem experiência, sobretudo jovens, é possível que se dirijam para uma direção mais reacionária. Uma situação similar se deu na Ucrânia, com as promessas feitas pelo governo de Yanukovich.

Esta situação requer que prestemos atenção quando se fala muito no nosso país de um "governo patriótico de esquerda", o que promete o SYRIZA, e que, no marco da UE e da OTAN, na via de desenvolvimento capitalista, supostamente, serão aliviados os trabalhadores, serão solucionados os problemas populares. Não existe maior engano e, infelizmente, se demonstrou historicamente que um tal "governo de esquerda", segundo o modelo conhecido como social-democracia, pode constituir uma ponte para uma política ainda mais direitista, dura e antipopular.

Isto foi confirmado, também, pela experiência recente e passada, dado que as consignas e as promessas de mudanças favoráveis ao povo foram desmentidas na prática por uma ou outra forma de gestão dos interesses do capital, pela barbárie capitalista, pela estratégia da UE, levando a um retrocesso de coincidências.

Hoje em dia, quando as forças fascistas surgem, por exemplo, no governo da Ucrânia, foi demonstrado com provas convincentes que o fascismo, como há 80 anos, pode ser a opção das classes burguesas, não apenas como força de ataque e de intimidação contra o movimento popular, mas, além disso, como força de gestão do poder burguês.

Sabemos por nossa própria história que as forças políticas burguesas, tanto de direita como as social-democratas, em alguns momentos, apoiaram os fascistas, que foram bastante úteis ao sistema capitalista naquelas circunstâncias cruciais. Devido ao perigo de ascensão do movimento popular, ao perigo de que o capitalismo perdesse o poder, com critérios classistas, decidiram abandonar temporariamente a forma da democracia parlamentar burguesa e não tiveram dúvidas em apoiar a forma fascista de exercer o poder do capital.

Na prática, vemos, por exemplo, o presidente dos EUA, cuja eleição foi aclamada há alguns anos pelo jornal do SYRIZA e sua administração foi elogiada por este partido e seu líder, que apoia claramente os fascistas de Kiev com o objetivo de servir aos interesses dos monopólios estadunidenses e europeus na Ucrânia, no cenário da dura competição com a Rússia, sobre o controle das quotas de mercado, das rotas de transporte, dos recursos naturais da região.

A UE e o governo grego, que preside a UE, desempenham um papel ativo nestes planos. A UE, por um lado, caracteriza como "totalitarismo" qualquer mudança governamental que não se baseie nas opções burguesas, condena a violência, enquanto, por outro lado, não hesita em utilizar a violência na hora de derrotar governos que já não servem a seus interesses, tal como ocorreu na Ucrânia. Não tiveram dúvida em utilizar a atividade extrema dos nacionalistas-fascistas, anticomunistas, nostálgicos de Hitler e, é claro, a destruição de monumentos de Lenin, de monumentos soviéticos e antifascistas.

Em nosso país também existem muitas pessoas que nos últimos anos "trabalharam" para fortalecer o Amanhecer Dourado fascista. Não apenas via seu financiamento generoso, como através da preparação do "terreno" ideológico para seu desenvolvimento. Trata-se de todos aqueles que fomentaram o ódio contra o KKE e o PAME, contra a organização política e sindical coletiva e a resistência à política antipopular, enaltecendo a indignação "às cegas", a espontaneidade, absolvendo o sistema capitalista quanto às graves consequências da crise capitalista. Referimo-nos àqueles que, como se provou, criaram "canais de comunicação" políticos com esta formação fascista, prometendo inclusive postos no governo, enquanto fomentavam a inaceitável "teoria dos dois extremos".

Depois de tantos crimes, assassinatos de imigrantes, ataques assassinos contra sindicalistas do PAME, o assassinato de P. Fissas, podemos ver que o sistema segue uma política de "podar" o Amanhecer Dourado, mas não o confronta substancialmente. Isto não tem a ver apenas com o governo, mas, contudo, com outros partidos, como mostra a decisão do Conselho Municipal de Atenas sobre os processos eleitorais. Isto representa algo: que o sistema político burguês não possui o interesse de "erradicar", mas de embelezar esta organização e não descarta a possibilidade de utilizá-la no futuro contra o movimento operário e popular.

O KKE considera que sua tarefa imediata e imperativa é isolar o Amanhecer Dourado, inimigo jurado do povo e de suas lutas e pretende golpear o KKE e o movimento operário e popular. Não se pode confrontar o Amanhecer Dourado a partir do ponto de vista de defender supostamente a democracia burguesa, o sistema capitalista que a gera, mas pela Aliança Popular numa direção antimonopolista e anticapitalista, por um movimento popular que questionará e se oporá à estratégia dos monopólios.

Amigos e camaradas:

Tiramos lições e nos preparamos com um KKE que seja capaz de lutar sob todas as condições, sob todas as circunstâncias.

Os acontecimentos na região ampla (Oriente Médio, norte da África, Balcãs, Eurásia) são rápidos e é possível que nos próximos anos conduzam a novas guerras locais, regionais ou generalizadas. Em condições de preparação de guerras e, em geral, de intervenções imperialistas, a burguesia e seus governos tomam medidas contra o movimento trabalhador e, além disso, utilizam os partidos nacionalistas-fascistas. É possível que tentem impor medidas repressivas contra o movimento comunista e operário.

Por isso, o movimento operário, seus aliados e o Partido devem estar preparados a tempo, ser fortes, concentrados em elaborar e aplicar sua própria estratégia, que corresponderá à satisfação das necessidades trabalhistas e populares, através da ruptura do país com a UE e da OTAN, com todas as uniões imperialistas, com sua retirada dos planos imperialistas e da via de desenvolvimento capitalista.

Desta forma, a parada seguinte são as eleições locais e europeias.

Nestas eleições, deve-se condenar direta e claramente a UE, que apoiou os acontecimentos reacionários na Ucrânia. O apoio não foi acidental e nem por um descuido, mas com estimativas ruins ou devido a uma "correlação de forças negativa" ou por ser "submissa" aos EUA. O apoio foi dado porque é uma aliança a serviço dos monopólios europeus. Por sua natureza, é profundamente reacionária, já que tem como "pedra angular" a proteção dos lucros capitalistas. Pensa constantemente novos modos para explorar os trabalhadores, os trabalhadores autônomos, os aposentados, os jovens. Através do ataque contra os direitos trabalhistas e populares, os cortes de salários e pensões, a comercialização da Saúde e da Educação, através de formas de trabalho flexíveis, o desemprego, as privatizações, a PAC, etc. Esta natureza interna reacionária se reflete na política externa reacionária agressiva da UE. Por isto, por um lado, cria mecanismos de supervisão dos países, ou seja, memorandos permanentes e, por outro lado, forma o euro-exército e coopera estreitamente com a OTAN.

A conhecida "estabilidade" que invoca o governo de ND-PASOK não é nada mais que a continuidade desta política antipopular bárbara dentro e fora de suas fronteiras, num curso de estabilização e recuperação dos lucros da plutocracia. O povo não deve se deixar enganar. Qualquer que seja a recuperação dos lucros de uns poucos, isto não tem nenhuma relação com a maioria esmagadora de nosso povo.

Por outro lado, o dilema das eleições promovido pelo principal partido da oposição, "SYRIZA ou Merkel?", insinuando que sem afetar a UE e o capital, ou seja, sem afetar o caminho de desenvolvimento que nos trouxe até aqui, um governo do SYRIZA supostamente trará a "salvação", tem uma clara intenção de prender os trabalhadores dentro da UE, no marco reacionário de uma sociedade que se apoia no Minotauro dos lucros.

Estas falsas ilusões de que pode existir um capitalismo melhor, uma UE melhor, vêm sendo experimentadas pelos trabalhadores há anos e foram desmentidas plenamente. A UE não pode mudar para melhor. Está intrinsecamente ligada à decadência capitalista que não pode ser escondida pela "maquiagem" que o SYRIZA planeja fazer. Não se trata de um assunto de mudança de correlação em seu interior. A UE não se pode converter na Europa de paz, de solidariedade e de cooperação dos povos.

O SYRIZA semeou tais ilusões outra vez há dois anos, quando saudava a eleição de Hollande e a formação da chamada "frente do Sul", do "vento do Sul". Hoje em dia, o que dizia há dois anos sobre Hollande parece uma piada. Respectivamente, hoje a candidatura para o posto de chefe da Comissão Europeia, ou seja, do núcleo mais duro desta construção reacionária, supostamente mudará toda a construção. Estes "contos de fadas" dos representantes do SYRIZA defendem que se conseguirem o voto popular nas eleições iminentes, uma nova UE será construída, um capitalismo melhor será construído, não têm nenhuma base, são extremamente arbitrárias e perigosas para os interesses populares.

A UE é e se converterá num "inferno" ainda maior e mais cruel para os povos, quer o SYRIZA ocupe o primeiro ou o segundo lugar nas eleições. O único caminho é o fortalecimento da luta contra a UE, pelo desligamento desta, com o cancelamento unilateral da dívida, a socialização da riqueza, com o poder operário e popular.

Um passo nesta direção é a condenação decisiva da UE nas próximas eleições junto com a condenação do capitalismo, que gera o fascismo e a guerra imperialista. E isto só pode ser feito através do fortalecimento decisivo do KKE nas eleições europeias, através do fortalecimento do "Agrupamento Popular" nas eleições municipais e regionais.

É por isso que, a partir desta mesa redonda, dirigimos um chamamento de luta comum, de união de forças e de fortalecimento do KKE, que é a única garantia para que o povo seja forte e para poder determinar seu presente e futuro.

09/Maio/2014

23-11-2014

Link permanente 20:34:53, por José Alberte Email , 270 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O fim do Muro da Paz e o que se seguiu

O FIM DO MURO DA PAZ E O QUE SE SEGUIU

http://resistir.info/

Hoje, com o pretexto do Muro de Berlim, a reacção festeja em triunfo e com fanfarras a derrota do socialismo.
Há que dizer que:

1) Hoje o mundo está muito pior do que há 25 anos atras, com guerras incessantes e a ameaça de uma guerra termonuclear;

2) Que a anexação da antiga República Democrática Alemã não beneficiou o seu povo, que hoje lamenta as benesses perdidas com a derrota do socialismo;

3) Que os trabalhadores do ocidente foram prejudicados com o fim do mundo socialista, pois agora os capitalistas consideram-se mais livres para explorá-los;

4) Que o imperialismo adquiriu uma nova agressividade após o desaparecimento do mundo socialista;

5) Que de 1961 a 1989 o Muro de Berlim, ou Muro da Paz, garantiu a tranquilidade na Europa, assim como a defesa da RDA contra a guerra implacável que sempre lhe foi movida com constante sabotagem económica, financeira, tecnológica, militar e psicológica;

6) Que esses clamores triunfantes da reacção fazem todos os possíveis por esquecer os tristes muros que hoje dividem o mundo, como as muralhas que retalham o estado nazi-sionista e encerram o povo palestino em guetos; a muralha mortal, física e electrónica, que assassina mexicanos pobres na fronteira com os EUA; o muro que o regime neo-nazi de Kiev agora está a construir nas fronteiras ucranianas, apesar da ruína económica em que está afundado;

7) Os palradores que hoje peroram na TV acerca do Muro de Berlim deveriam meditar, se fossem capazes disso, na desgraçada situação económica, financeira, social, política, ecológica e energética em que está hoje o mundo capitalista – o seu triunfalismo seria arrefecido.

Link permanente 20:24:02, por José Alberte Email , 1646 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Guerra total na Ucrânia: "Ofensiva final" da NATO

Guerra total na Ucrânia: "Ofensiva final" da NATO

por James Petras

http://resistir.info/petras/petras_ucrania_21nov14.html

Há sinais claros de que uma grande guerra está prestes a estalar na Ucrânia. Uma guerra promovida activamente pelos regimes NATO e apoiada pelos seus aliados e clientes na Ásia (Japão) e no Médio Oriente (Arábia Saudita). A guerra na Ucrânia basicamente será executada no sentido de uma ofensiva militar em plena escala contra a região Sudeste do Donbass, tomando como alvo os russos étnicos da Ucrânia nas Repúblicas de Donetsk e Lugansk, com a intenção de depor os governos eleitos democraticamente, desarmar as milícias populares, matar os partisans da guerrilha de resistência e sua base de massa, desmantelar as organizações representativas populares e ocupar-se com a limpeza étnica de milhões de cidadãos bilingues ucranianos-russos. O ataque militar da NATO que está para vir na região do Donbass é uma continuação e extensão do seu violento putsch original em Kiev, o qual derrubou um governo ucraniano eleito em Fevereiro de 2014.

A junta de Kiev e seus governantes-clientes recém eleitos, bem como os seus patrocinadores da NATO, têm a intenção de efectuar um grande expurgo a fim de consolidar o domínio ditatorial do fantoche Poroshenko. As recentes eleições patrocinadas pela NATO excluíram vários grandes partidos políticos que tradicionalmente eram apoiados pelas grandes minorias étnicas do país, além de terem sido boicotadas na região do Donbass. Esta impostura eleitoral em Kiev marcou o tom para o movimento seguinte da NATO destinado a converter a Ucrânia numa gigantesca base militar multi-propósito dos EUA, abastecer Berlim com cereais e matérias-primas e ao mesmo tempo servir como um mercado cativo para bens manufacturados alemães.

Uma intensificação da febre da guerra está a varrer o ocidente; as consequências desta loucura parecem mais graves a cada hora que passa.

Sinais de guerra: A campanha de propaganda e sanções, a cimeira do G20 e a acumulação de equipamento militar

Os tambores da guerra oficiais a rufarem em prol de uma expansão do conflito na Ucrânia, encabeçados pela junta de Kiev e suas milícias fascistas, reflectem-se em todos os mass media ocidentais, todos os dias. Importantes meios de propaganda de massa e "porta-vozes" públicos governamentais publicam ou anunciam novos relatos inventados do crescimento de ameaças militares russas aos seus vizinhos e invasões transfronteiriças da Ucrânia. Novas incursões russas são "informadas" desde as fronteiras nórdicas e dos estados bálticos até o Cáucaso. O regime sueco atingiu um novo nível de histeria quanto um misterioso submarino "russo" ao largo da costa de Estocolmo, o qual nunca foi identificado ou localizado – e muito menos confirmado o "avistamento". A Estónia e a Letónia afirmam que aviões de guerra russos violaram seu espaço aéreo, sem confirmação. A Polónia expulsa "espiões" russos sem prova ou testemunhos. Exercícios militares conjuntos em plena escala de estados clientes da NATO estão a ter lugar ao longo das fronteiras da Rússia nos Estados Bálticos, na Polónia, na Roménia e na Ucrânia.

A NATO está a enviar vastos carregamentos de armas para a junta de Kiev, juntamente com conselheiros de "Forças Especiais" e peritos em contra-insurgência em antecipação a um ataque em plena escala contra os rebeldes no Donbass.

O regime de Kiev nunca cumpriu o cessar-fogo de Minsk. Segundo o gabinete de Direitos Humanos da ONU, uma média de 13 pessoas – principalmente civis – tem sido morta a cada dia desde o cessar-fogo de Setembro. Em oito semanas, a ONU informa que 957 pessoas foram mortas – esmagadoramente por parte das forças armadas de Kiev.

O regime de Kiev, por sua vez, cortou todos os serviços sociais e públicos básicos para as Repúblicas Populares, incluindo electricidade, combustível, salários de serviços civis, pensões, abastecimentos médicos, salários de professores e trabalhadores médicos, salários de trabalhadores municipais; a banca e os transportes foram bloqueados.

A estratégia é estrangular a economia, destruir a infraestrutura, forçar um ainda maior êxodo de refugiados desamparados das cidades densamente povoadas através da fronteira para dentro da Rússia e então lançar assaltos maciços pelo ar, com mísseis, com artilharia e no terreno a centros urbanos bem como a bases rebeldes.

A junta de Kiev lançou uma mobilização militar total nas regiões ocidentais, acompanhada por raivosas campanhas de doutrinação anti-russas e anti-ortodoxos do Leste destinadas a atrair os mais violentos brutamontes da extrema direita chauvinista e incorporá-los às brigadas militares estilo nazi para actuarem como tropas de choque na linha de fronteira. A utilização cínica de milícias fascistas irregulares "libertará" a NATO e a Alemanha de qualquer responsabilidade pelo terror e atrocidades inevitáveis na sua campanha. Este sistema de "negação plausível" reflecte as tácticas dos nazis alemães cujas hordas de fascistas ucranianos e ustachi croatas foram notórias na sua época de limpeza étnica.

G20 + NATO: Apoio ao blitz de Kiev

Para isolar e enfraquecer a resistência no Donbass e garantir a vitória do blitz iminente de Kiev, a UE e os EUA estão a intensificar sua pressão económica, militar e diplomática sobre a Rússia para abandonar as nascentes democracias populares na região Sudeste da Ucrânia, seu principal aliado.

Toda escalada de sanções económicas contra a Rússia destina-se a enfraquecer a capacidade dos combatentes da resistência no Donbass para defenderem seus lares e cidades. Todo despacho russo de abastecimento médico e alimentar essencial para as populações sitiadas incita a um novo acesso ainda mais histérico – porque contraria a estratégia Kiev-NATO de esfaimar os partisans e sua base de massa ou provocar a sua fuga para a segurança através da fronteira russa.

Depois de sofrer uma série de derrotas, o regime de Kiev e seus estrategas da NATO decidiram assinar um "protocolo de paz", o chamado acordo de Minsk, para interromper o avanço da resistência do Donbass à regiões do Sul e proteger seus soldados de Kiev e milícias encravadas em bolsões isolados no Leste. O acordo de Minsk destinava-se a permitir à junta de Kiev reagrupar seus militares, reorganizar seu comando e incorporar as diferentes milícias nazis dentro das suas forças militares na preparação para uma "ofensiva final". A acumulação militar de Kiev no plano interno e a escalada de sanções da NATO contra a Rússia no plano externo seriam os dois lados da mesma estratégia: o êxito de um ataque frontal à resistência democrática da bacia do Donbass depende de minimizar o apoio militar russo através de sanções internacionais.

A virulenta hostilidade da NATO ao presidente russo, Putin, foi plenamente exibida na reunião do G20 na Austrália: presidentes ligados à NATO e primeiros-ministros, especialmente Merkel, Obama, Cameron, Abbott e as ameaças políticas de Harper e insultos pessoais abertos correram em paralelo com o crescente bloqueio de Kiev para esfaimar rebeldes e centros populacionais no Sudeste. Tanto as ameaças económicas do G20 contra a Rússia como o isolamento diplomático de Putin e o bloqueio económico de Kiev são prelúdios à Solução Final da NATO – o aniquilamento físico de todos os vestígios de resistência no Donbass, de democracia popular e de laços culturais-económicos com a Rússia.

Kiev depende dos seus mentores da NATO para impor uma nova rodada de sanções severas contra a Rússia, especialmente se a sua planeada invasão deparar-se com uma resistência bem armada e robusta reforçada pelo apoio russo. A NATO está a contar com a restaurada e reabastecida capacidade militar de Kiev para efectivamente destruir os centros da resistência no Sudeste.

A NATO decidiu uma "campanha tudo-ou-nada": tomar toda a Ucrânia ou, se isto fracassar, destruir o Sudeste incontrolável, destruir sua população e capacidade produtiva e empenhar-se numa guerra económica total (e possivelmente com tiros) com a Rússia. A chanceler Angela Merkel embarcou neste plano apesar das queixas de industriais alemães sobre suas enormes perdas de exportações para a Rússia. O presidente Hollande, da França, descartou as queixas de sindicalistas sobre a perda de milhares de empregos franceses nos estaleiros navais. O primeiro-ministro David Cameron está ansioso por uma guerra económica contra Moscovo, sugerindo aos banqueiros da City de Londres que encontrem novos canais para lavar os ganhos ilícitos de oligarcas russos.


A resposta russa

Os diplomatas russos estão desesperados para encontrar um compromisso, o qual permitiria à população de etnia russa no Sudeste da Ucrânia reter alguma autonomia sob um plano federativo e recuperar influência dentro da "nova" Ucrânia pós-golpe. Estrategas militares russos têm proporcionado ajuda logística e militar à resistência a fim de evitar uma repetição do massacre de Odessa, no qual russos étnicos foram massacrados pelos fascistas ucranianos. Acima de tudo, a Rússia não pode permitir-se ter bases militares NATO-Nazis-Kiev ao longo do seu Sul "vulnerável", impondo um bloqueio da Crimeia e forçando um êxodo em massa dos russos étnicos do Donbass. Sob Putin, o governo russo tem tentado propor compromissos permitindo a supremacia económica do ocidente sobre a Ucrânia mas sem expansão militar da NATO e a absorção por Kiev.

Essa política conciliatória fracassou repetidamente.

O "regime de compromisso" democraticamente eleito em Kiev foi derrubado em Fevereiro de 2014 num golpe violento, o qual instalou uma junta pró NATO.

Kiev violou o acordo de Minsk com impunidade e o encorajamento das potências da NATO e da Alemanha.

A recente reunião do G20 na Austrália exibiu um coro demagógico contra o presidente Putin. A crucial reunião privada de quatro horas entre Putin e Merkel foi um fracasso quando a Alemanha imitou o coro da NATO.

Putin finalmente respondeu ao expandir a preparação das tropas russas de ar e terra ao longo das suas fronteiras enquanto acelerava o eixo económico de Moscovo na Ásia.

O mais importante: o presidente Putin anunciou que a Rússia não pode permanecer passiva e permitir o massacre de todo um povo na região do Donbas.

Será que a próxima blitz de Poroshenko contra o povo do Sudeste da Ucrânia se destina a provocar uma resposta russa – à crise humanitária? Será que a Rússia confrontará a ofensiva de Kiev dirigida pela NATO e se arriscará a uma ruptura total com o ocidente?
21/Novembro/2014

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/all-out-war-in-ukraine-natos-final-offensive/5415354

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

13-10-2014

Link permanente 19:45:45, por José Alberte Email , 3787 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: A Geopolítica da Terceira Guerra Mundial

A Geopolítica da Terceira Guerra Mundial

De scg.com

Tadução Anna Malm* - Correspondente de Pátria Latina na Europa

A verdadeira razão da Rússia e da Síria estarem sendo atacadas exatamente agora.

Contrariamente ao que as pessoas acreditam a conduta dos países na arena internacional quase nunca é motivada por considerações morais, mas por uma mistura de dinheiro e geopolítica. Sendo assim, logo que os portavozes das elites começarem a demonizar algum país a primeira pergunta que deveria vir a mente deveria ser:- Porque estão fazendo isso exatamente agor? - Qual é a finalidade real disso tudo?

Já a algum tempo a Rússia, a China, o Irã e a Síria tem estado em mira como alvo. Logo que se entenda o porque os acontecimentos a se desenrolarem no mundo começarão imediatamente a fazer mais sentido.

O dólar é uma moeda única. Na verdade a sua concepção, nos tempos atuais, assim como a sua relação com a geopolítica, não se assemelha a nenhuma outra moeda na história. Tem-se que não seria o fato do dolar ter sido desde 1944 a moeda de reserva internacional que o põe nessa situação única. Muitas moedas através da história, e dos séculos, tiveram esse papél. O que é único com o dólar é que ele desde 1970 tem sido, com muitas poucas exceções, a única moeda usada para a compra e a venda do petróleo no mercado internacional.

Antes de 1971 o dólar americano estava correlacionado ao ouro, pelo menos oficialmente, e de acordo com o Fundo Monetário Internacional, IMF, em 1966 os bancos centrais internacionais tinham conjuntamente $14 bilhões de dólares americanos. Entretanto, a essas alturas os Estados Unidos só tinham $3.2 bilhões, em ouro disponível, para cobrir os $14 bilhões de notas de dólares em circulação.

Trocado em miudos isso quer dizer que a Reserva Federal dos Estados Unidos estava imprimindo mais dinheiro do que podiam garantir, em ouro.

O resultado disso foi uma inflação desenfreada, assim como uma fuga do dólar.

Em 1971, no que depois veio a ser denominado como o "Choque Nixon", o presidente Nixon declarou o dólar como completamente desligado do ouro.

Depois disso o dólar tornou-se uma moeda completamente baseada no débito, ou seja na dívida. Com moedas baseadas no débito o dinheiro é literalmente levado a existência através de empréstimos.

Aproximadamente 70% do dinheiro em circulação é criado por bancos comuns. Tem-se então aqui que esses bancos são autorizados a emprestar mais do que eles realmente tem em dinheiro depositado, em outras palavras, emprestam o que não tem.

Dessa maneira segue que o resto é criado pela Reserva Federal. Criando dinheiro deveria significar que essa estaria também emprestando o que não tem. Entretanto tem-se aqui que a Reserva Federal empresta dinheiro principalmente ao governo.

Isso seria simplesmente como dar cheques sem fundo só que aqui, para os bancos, isso tornava-se legal. Essa prática veio a ser chamada de reserva bancária fraccional a ser regulada pela Reserva Federal, a qual é uma instituição que, como por nada, é controlada, assim como é uma propriedade, de um conglomerado de bancos particulares. A Reserva Federal não é uma agência ou ou ramo do governo. Se ela fosse um ramo do governo esse a poderia regular controlar.

Agora, para fazer as coisas ainda mais interessantes, esses empréstimos da reserva fracctional exigem juros, mas como visto acima o dinheiro para pagar esses juros não existe no sistema, uma vez que se empresta mais do que existe em depósitos. Um resultado disso é que sempre há mais dívidas do que dinheiro em circulação. Isso faz com que para se manter a tona a economia tem que estar em perpétuo crescimento, o que é insustentável.

Como terá o dólar conseguido se manter numa posição principal na arena internacional por mais de quarenta anos, se ele é na verdade pouco mais que um elaborado esquema Ponzi? ["Um esquema Ponzi é uma sofisticada operação fraudulenta de investimento do tipo esquema em pirâmide que envolve o pagamento de rendimentos anormalmente altos ("lucros") aos investidores, à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real. O nome do esquema refere-se ao criminoso financeiro ítalo-americano Charles Ponzi (ou Carlo Ponzi)." - Wikipédia]

É aqui que o dólar relata-se a geopolítica. Em 1973, nas águas da artificial crise OPEP do petróleo [onde o preço do petróleo subiu as alturas] a administração Nixon iniciou negociações secretas com o governo da Arábia Saudita para estabelecer o que se tornou conhecido como o sistema de reciclagem do petrodólar. Num documento, revelado pelo Serviço de Pesquisas do Congresso, mostrava-se que essas negociações tinham também um outro lado, uma vez que oficiais americanos estavam lá discutindo abertamente a possibilidade de tomar os campos sauditas de petróleo militarmente.

Nos Estados Unidos o choque devido ao alto preço do petróleo produziu inflação, novas preocupações a respeito de investimentos estrangeiros (vindos dos países produtores do petróleo) e uma aberta especulação não só a respeito da possibilidade como também de até que ponto poderia ser aconselhável o tentar uma tomada militar dos campos de petróleo da Arábia Saudita, assim como de outros países. Nesse contexto tinha-se dado um embargo, e nas águas desse embargo tanto a Arábia Saudita como oficiais dos Estados Unidos trabalharam para ancorar melhor as suas relações bilaterais, que então se baseavam num antagonismo ao comunismo, numa renovada cooperação militar, assim como em iniciativas econômicas que promoviam a reciclagem dos petrodólares sauditas, reciclagem essa que se daria via investimentos sauditas na infraestrutura, na expansão industrial e nos papéis de investimentos dos Estados Unidos.

Esse sistema foi, em 1975, expandido para incluir toda a OPEP.

Apesar de representar uma margem de segurança contra efeitos de recessão surgidos pelo aumento do preço do petróleo, esse arranjo teve um efeito marginal, menos aberto e mais escondido. Ele arranjo removia também as restrições inerentes as políticas monetárias dos Estados Unidos.

Mesmo que a Reserva Federal não fosse totalmente livre para aumentar a oferta do dinheiro completamente a sua vontade, agora tinha-se que a procura, como que ilimitada pelo petróleo, iria impedir uma fuga do dólar, conquanto distribuindo as consequências inflacionárias por todo o planeta [e não só para os Estados Unidos de quando "criando" mais e mais dinheiro, ou seja, imprimindo ou digitando mais e mais cédulas e ou dígitos num computador].

O dólar transformou-se numa moeda apoiada pelo petróleo em vez de apoiada pelo ouro.

Você alguma vez já se perguntou como pode a economia americana conseguir se manter a tona, por décadas, mesmo com débitos, ou seja dívidas, de multibilhões de dólares?

Você já alguma vez se perguntou como a economia dos Estados Unidos, que por 70% é baseada em bens de consumo, consegue manter uma tal desproporcional quantidade da riqueza mundial?

Hoje em dia combustíveis fósseis são como o alicerce do mundo. Eles se tornaram numa parte integral de todos os aspectos da civilização: agricultura, transporte, plásticos, aquecimento, defesa e medicina, e a sua procura só faz por aumentar.

Enquanto o mundo precisar de petróleo, e enquanto o petróleo só for vendido em dólares, o mundo vai querer ter dólares, e é essa procura que dá ao dólar o seu valor.

Para os Estados Unidos isso é um grande negócio. Os dólares saem, ou como papél ou como informação digital, e produtos e serviços reais vem para dentro do país. Entretanto, para o resto do mundo, essa é uma form vil de exploração em grande escala.

Tendo o comércio internacional principalmente em dólares também dá a Washington uma muito poderosa arma financeira através da possibilidade do peso das sanções. Isso se deve ao fato de que as transações em grande escala são forçadas a passar através dos Estados Unidos, por causa do dólar.

Esse sistema do petrodólar não tinha sido desafiado antes de setembro de 2000, quando Saddan Hussein anunciou sua decisão de vender o petróleo iraniano de maneira outra que através de dólares, voltando-se então ao euro. Esse foi um direto ataque ao dólar, assim como o evento geopolítico mais importante do ano. Entretanto, só um atigo apareceu na mídia ocidental mencionando isso.

No mesmo mês em que Saddam anunciou que ele estava deixando o dólar uma organização denominada "Projeto para um Novo Século Americano", no qual Dick Cheney era um membro, apresentou um documento com o título "Reconstruindo as Estratégias de Defesa, Forças e Recursos para um Novo Século". Esse documento requiria um enorme aumento das despesas militares, assim como uma muito mais agressiva política externa, com o objetivo de expandir a dominância americana pelo mundo inteiro. Entretanto, no documento lamentava-se que muitos anos seriam necessários para que esses objetivos fossem alcançados "na ausência de algum acontecimento catastrofal e catalisador - como por ex. um novo "Pearl Harbor" [Evento esse que como se sabe levou os Estados Unidos a entrar na segunda guerra mundial.]

Um evento desse tipo eles o conseguiram um ano mais tarde.

Aproveitando a reação emotional de 9/11 a administração de Bush pode então invadir o Afeganistão e o Iraque assim como decretar o chamado Ato Patriótico. Tudo isso, depois de 9/11, pode ser feito sem maiores resistências.

Não havia nenhuma arma de destruição maciça no Iraque e acreditar nisso não era uma consequência de informação deficiente. Essa foi uma mentira friamente premeditada, e a decisão de invadir o Iraque foi tomada muito conscientemente quanto ao disaster a ser esperado.

Eles sabiam exatamente o que iria acontecer, mas em 2003, isso eles o fizeram de qualquer maneira. De quando os campos de petróleo do Iraque cairam nas mãos dos Estados Unidos a venda do petróleo voltou imediatamente a ser feita sómente em dólares. Missão terminada e pronta. Ponto final.

Logo após a invasão do Iraque [na segunda guerra] a administração Bush tentou estender a guerra ao Irã. [Primeira guerra 1990-91; Segunda guerra 2003].

Desconfiavam que o governo do Irã estaria tentando construir uma arma nuclear. Depois do fiasco no Iraque a credibilidade de Washington estava num nível muito baixo o que fez com que esse não conseguisse levantar apoio internacional, ou mesmo nacional, para uma intervenção no Irã. Esses esforços ainda vieram a sofrer sabotagem por parte de elementos da CIA e Mossad, que se apresentaram dizendo que o Irã não tinha nem mesmo tomado qualquer decisão no sentido de construir uma arma nuclear, muito menos então para começar a construí-la. Entretanto, a demonização do Irã continuou e vem até hoje através da administração de Obama.

Porque?

Bem, será que isso se deveria ao fato de que desde 2004 Irã vem organizando uma bolsa de valores independent para o petróleo? Eles estavam construindo o seu próprio mercado para o petróleo, e esse nada tinha a ver com o dólar. O primeiro fornecimento de petróleo desse mercado foi vendido em julho de 2011.


Não tendo sido capazes de conseguir a guerra que queriam os Estados Unidos então usaram a ONU para impor sanções contra o Irã. O objetivo dessas sanções era o de derrubar o governo do Irã. Apesar dessas sanções terem causado problemas para a economia iraniana elas não conseguiram destabilizar o país. Isso se deveu em grande parte pelo fato da Rússia ter ajudado o Irã a ultrapassar as restrições bancárias dos Estados Unidos.

A intervenção da OTAN na Líbia foi seguida da guerra por procuração contra a Síria. Os depósitos de armamentos do governo da Líbia foram saqueados e as armas foram despachadas através da Turquia para os grupos rebeldes na Síria, trabalhando para derrubar Assad. Já estava claro a essas alturas que muitos desses rebeldes estavam ligados a organizações terroristas. Entretanto, o aparato da segurança nacional dos Estados Unidos viam isso como um mal necessário. A idéia era que o influxo de jihadistas extremistas iria trazer disciplina, fervor religioso e experiência em batalhas, vindas do Iraque. Tudo isso foi financiado pelos simpatizantes sunitas do Golfo, e mais importante, com resultados mortais. Enfim, isso queria também dizer que o Exército Livre da Síria, FSA na sigla inglesa, estava precisando da Al Qaeda.

Em fevereiro de 2009 Moamar Kadafi foi nominado como presidente da União Africana. Ele imediatamente propos a formação de um estado unificado, com uma moeda única. Foi a natureza dessa moeda que fez com que ele fosse assassinado.

Em março de 2009 a União Africana apresentou um documento entitulado "A caminho de uma moeda africana única". Nas páginas 106 e 107 desse documento se discutia principalmente os benefícios e a estrutura técnica de um Banco Central africano abaixo de um padrão correlacionado com o ouro. Na página 94 desse documento declarava-se explicitamente que a chave do sucesso da União Monetária Africana seria a ligação dessa moeda comum africana a mais monetária de todas as comodidades - o ouro. (Note-se que a numeração das páginas pode ser outra nas diferentes versões desse documento.)

Em 2011 a CIA entrou na Líbia e começou a apoiar grupos militantes em sua campanha para derrubar Kadafi. Os Estados Unidos, e a OTAN, por sua vez começaram depois a esticar a aplicação da autorização da ONU quanto a uma zona aérea interditada. Isso foi feito para dar vantagens aos grupos militantes através dos ataques aéreos US e OTAN. A presença de extremistas da Al Qaeda entre os grupos militantes foi varrida para baixo do tapete.

A Líbia assim como o Irã e o Iraque tinham cometido o crime imperdoável de desafiar o dólar.

Vamos agora falar português claro aqui. Foram os Estados Unidos que colocaram o Estado Islâmico (IS/ISIS/ISIL) no poder.

Em 2013 os mesmos elementos do hoje denominado Estado Islâmico que de então se apresentavam como Al Qaeda relacionados rebéis da Síria, lançaram dois ataques com o gás sarin, na Síria. Isso foi feito para acusar Assad de o ter feito e para conseguir então apoio internacional para uma intervenção militar. Entretanto, o contrário foi demostrado pela ONU e pelos investigadores da Rússia, e essa tentativa de conseguir os desejados ataques aéreos contra a Síria caiu por terra por assim dizer. A Rússia conseguiu uma solução diplomática dos acontecimentos.

A campanha americana para derrubar o governo na Síria, assim como também tinha sido feita na Líbia, foi apresentada em termos de "direitos humanos". É óbvio que esse não tinha sido o motivo real. Em 2009 Catar tinha apresentado uma proposta para um gasoduto através da Síria e da Turquia para a Europa. Assad rejeitou essa proposta. Depois disso ele fez um pacto com o Iraque e Irã para construir um gasoduto não indo para a Europa, mas para o oriente, tirando dessa maneira e completamente tanto a Arábia Saudita como a Turquia do negócio. Não é então surpreendente que tenha sido exatamente Catar, a Arábia Saudita e a Turquia que foram os mais agressivos atores regionais atiçando para a derrubada do governo da Síria. Entretanto, porque iria essa dispusta de gasodutos pôr os Estados Unidos tão ativo contra a Síria? Tem-se aqui três motivos:

1) O arranjo desejado pela Síria iria fortalecer, e de muito, a posição do Irã, porque esse permitiria ao Irã exportar para os mercados europeus sem ter que passar através de nenhum dos países aliados de Washington. Isso iria depois enfraquecer de muito o poder de Washington sobre o Irã.

2) A Síria é o aliado mais próximo do Irã e um seu colápso iria de certeza ajudar a enfraquecer o Irã.

3) A Síria e o Irã tem um acordo mútuo de defesa o que poderia fazer que uma intervenção na Síria abrisse as portas para um conflito com o Irã. Em fevereiro desse ano essa geopolítica complicou-se ainda mais por causa da Ucrânia. Aqui o alvo real era a Rússia, que realmente é o segundo maior exportador de petróleo do mundo. A Rússia é não só um espinho na coroa de Washington, visto de uma perspectiva diplomática, como também tem-se aqui que a Rússia abriu, em 2008, uma bolsa de valores energéticos com as vendas sendo denominadas em rublos e ouro. Esse projeto esteve sendo preparado desde 2006 . A Rússia e a China também estiveram se entendendo para fazer, se não todos, então muitos, dos seus próprios negócios bilaterais sem o uso do dólar.

Depois tem-se que a Rússia esteve organizando a União Econômica da Eurásia, a qual inclui planos para adotar uma moeda comum, prevista para um mercado energético independente.

De quando do começo da crise atual, a Ucrânia foi apresentada com duas opções: ou associar-se a União Européia ou entrar na União da Eurásia. A União Européia insistia que tinha que ser ou uma ou a outra. A Ucrânia não poderia entrar nas duas. A Rússia por seu lado dizia que afiliar-se as duas não seria nenhum problema. [Provavelmente por causa das muito melhores condições oferecidas] o Presidente Yanukovich decidiu-se pela Rússia.

Em resposta a isso o aparato da segurança nacional dos Estados Unidos fez uma das suas especialidades. Eles deram um golpe que derrubar o governo de Yanukovich e instalataram um governo com marionetes [só que dessa vez com neonazis na direção]. Para ver a inequívoca evidência do envolvimento de Washington nesse golpe de estado veja o vídeo "The ukraine crisis - what you´re not being told". [O /endereço/url do vídeo segue abaixo em referências e notas.]

This article - Esse artigo do Guardian também vale a pena ler.

Apesar de tudo parecer estar indo bem para os golpistas os Estados Unidos logo perderam o controle da situação. A Criméia fez um referendo no qual o povo votou esmagadoramente para uma secessão da Ucrânia e uma reunificação com a Rússia. A transição foi pacífica e feita ordenadamente. Ninguém foi morto. Entretanto, o ocidente imediatamente apresentou todo o acontecido em termos de uma agressão russa. Essa mentira foi depois repetida "ad nauseum", ou seja, até a náusea.

A Criméia é importante do ponto de vista geoestratégico por causa da sua localização no Mar Negro. Essa sua localização permite uma projeção de poder naval ao Mar Mediterrâneo. Tem-se depois que a Criméia fez parte da Rússia a maior parte da sua história moderna. [Já aqui nem se mencionando, entre outras coisas, que a grande maioria de sua população é de etnia russa.]

Já a anos que os Estados Unidos vem fazendo pressão para incluir a Ucrânia na OTAN. Um tal passo iria colocar as forças militares dos Estados Unidos nas portas da Rússia, o que poderia ter feito com que a Rússia perdesse a Criméia. Essa foi a razão pela qual a Rússia aceitou imediatamente o resultado do referendo e consolidou a Criméia como parte de seu território. [Do qual diga-se de passagem ela nunca deveria ter saído se todos os líderes soviéticos tivessem se mantido sóbrios e capazes de prognostizar hipotéticos, mas possíveis, cenários futuros mais acuradamente. Tem-se aqui também que durante o tempo soviético não seria tão importante abaixo de que jurisdição essa ou aquela região viesse a ser inscrita.]

Depois do caso da Criméia teve-se que no leste da Ucrânia duas regiões [também de tradição russa] vieram a declarar independência de Kiev depois de seus próprios referendos.

Kiev respondeu a isso com o que denominaram de uma operação anti-terrorista. Na prática essa foi uma maciça e indiscriminada campanha de bombardeamentos que veio a matar milhares de civís [entre homens, mulheres, crianças, e idosos, com enormes mísseis de distância, de 3-4 metros de comprimento, senão mais, sendo que cada um podendo ser de múltiplas funções com modernos sistemas de bombardeamentos múltiplos, o que incluiria também armas proibidas].

Tudo indica aqui que matar civís premeditadamente dessa maneira para os ocidentais não se qualificaria, nesse caso como em muitos outros semelhantes, como ato de agressão. Nesse contexto deu-se mesmo que o Fundo Monetário Internacional advertiu explicitamente o governo provisório ucraniano de que o seu pedido de empréstimo de $17 bilhões de dólares poderia estar em perigo se eles não conseguissem acabar com a sublevação no leste do país.

Enquanto a guerra no leste da Ucrânia estava em total vigor eleições presidenciais foram efetuadas e Petro Poroshenko foi eleito presidente. Mostrou-se , através dos telegrams expostos por Wikileaks em 2008, que Poroshenko tinha trabalhado como uma toupeira [trabalho de agente] para o Departamento do Estado dos Estados Unidos, desde 2006. Os americanos se referiam a ele como "o nosso homem na Ucrânia" e muitos dos telegramas se referiam a informações que ele tinha fornecido. Um específico telegrama mostrava que os Estados Unidos, mesmo a essas alturas, já sabia que Poroshenko era corrúpto.

Ter uma marionete a postos mostrou-se entretanto como insufuciente para dar a posição de vantagem para Washinton no decorrer da crise. O que costuma então Washington fazer nesse tipo de situações? Os Estados Unidos, representado em Washington impõem sanções, demonizam, avançam batendo as espadas, ou fazem algum sério ataque utilizando falsas bandeiras.

Essa não é uma boa estratégia em se tratando da Rússia. Na verdade o tiro já saiu pela culatra. As sanções só fizeram por estreitar os laços entre a Rússia e a China e acelerar a agenda de de-dolarização da Rússia. Apesar da retórica essa estratégia não fez com que a Rússia ficasse isolada. Os Estados Unidos e a OTAN colocaram uma distância entre si e a Rússia, mas não conseguiram colocar uma tal distância entre a Rússia e o mundo, o que pode ser provado por exemplo com o caso dos BRICS.

Hoje esse eixo ou centro anti-dólar vai além da economia. Esses países, ou seja, China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul [para aqui só ressaltar os BRICS] sabem o que está em jogo. Portanto nas águas do sucedido na Ucrânia a China propôs um novo pacto de segurança a incluir tanto a Rússia como o Irã.

Considere-se as implicações da administração de Obama a bombardear a Síria, uma vez que a Síria tem um pacto de defesa com o Irã.

Aqui já não se trata de uma segunda guerra fria mas de uma terceira guerra mundial. As massas podem ainda não ter compreendido o que se passa mas seguramente que a história irá lembrar-se disso dessa maneira.

Alianças estão sendo solidificadas e uma guerra está a caminho vindo de muitas frentes. Se as provocações e as guerras por procuração continuarem assim será sómente uma questão de tempo antes que os principais atores venham a se confrontar diretamente, o que é a receita para um desastre total.

Tudo isso lhe parece loucura? Tem razão. Os atuais dirigentes no cenário internacional não podem ser qualificados senão como loucos, enquanto o público vai como sonâmbulo direto para uma confrontação definitiva com a tragédia. Se você quiser alterar o curso dos acontecimentos o melhor será acordar esse público sonâmbulo. Tem-se depois também aqui que mesmo as mais poderosas armas de guerra serão neutralizadas se você conseguir encontrar a mente do homem atrás do gatilho.

Mas, como acordar essas massas? Não espere por ninguém para lhe explicar isso. Seja criativo. Pense nos seus filhos e netos e atue no mundo, porque a vida deles está, em sistema de urgência, dependendo de você mesmo.

Referências e Notas:

The Geopolitics of WW III, em Strategic Culture Foundation, 26-09-2014, EDITOR'S CHOICE | 26.09.2014 |www.strategic-culture.org

Texto original de scgnews.com - storm clouds gathering (nuvens tempestuosas aproximando-se) --

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