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09-03-2014

Link permanente 21:42:53, por José Alberte Email , 1332 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: EUA Instalou um Governo Neo-Nazi na Ukraina

http://www.globalresearch.ca/eua-instalou-um-governo-neo-nazi-na-ukraina/5372156

By Prof Michel Chossudovsky
Global Research, March 06, 2014

De acordo com o New York Times, “Os Estados Unidos e a União Européia abraçaram a revolução ucraniana como um novo florescer da democracia, como um golpe contra o autoritarianismo e a cleptocracia no ex- espaço soviético.” (Depois de um inicial triumfo os líderes da Ukraina estão face a uma batalha de credibilidade – After Initial Triumph, Ukraine’s Leaders Face Battle for Credibility, NYTimes.com, 1 de março de 2014, ênfases acrescentadas)

“Democracia Florescendo e Revolução”? A cruel realidade é uma outra. O que está em jogo é um golpe de estado financiado pelos EUA-UE- OTAN, e isso em bramante violação da lei internacional.

A verdade, proibida de ser dita, é que o ocidente engendrou — através de uma cuidadosamente encenada operação as encobertas — a formação de um regime por procuração, regime esse integrado por Neo-Nazis.

Confirmado pela Adjunta Secretária do Estado Victoria Nyland, organizações chaves na Ukraina, incluindo-se aqui o partido Neo-Nazi Svoboda (Liberdade), foram generosamente apoiadas por Washington: “Nós investimos mais do que 5 bilhões de dólares para ajudar a Ukraina a atingir esses e ainda outros objetivos. … Nós iremos continuar a promover a Ukraina ao futuro que ela merece.”

A mídia ocidental evita, de maneira casual, uma análise da composição e dos fundamentos ideológicos da coalisão governamental. A palavra “Neo-Nazi” é um tabú. Ela foi excluida do dicionário e dos comentários da mídia, que não alternativa ou independente. Essa palavra não irá aparecer nas páginas do New York Times, do Washington Post ou The Independent. Os jornalistas foram instruidos a não usar o termo “Neo-Nazi” para designar os partidos Svoboda [Svoboda lendo-se então Svaboda] e o Sector de Direita.

Composição da Coalisão Governamental

Não estamos tratando aqui com um governo de transição no qual os Neo-Nazis integram os flancos mais afastados da coalisão, formalmente dirigida pelo partido Fatherland (Pátria).

O Cabinete Ministerial não só é integrado pelos partidos Svoboda e Sector de Direita (para aqui já nem se mencionar ex-membros da defunta fascística UNA-UNSO). Para essas duas principais entidades Neo-Nazis, Svoboda e Sector de Direita, foram confiadas posições chaves que garantem a elas o, de-facto, control das Forças Armadas, da Polícia, da Justiça e da Segurança Nacional.

Enquanto o partido Fatherland – Pátria, de Yatsenuyk controla a maioria das pastas, o partido Svoboda, do líder Neo-Nazi Oleh Tyahnybok, não ganhou nenhum posto importante no cabinete ministerial (a julgar pelas aparências isso teria sido a pedido da Assistente Secretária do Estado Victoria Nyland). Entretanto, membros do Svoboda e do Sector de Direita ocupam agora posições chaves nas áreas da Defesa, da Aplicação da Lei, da Educação e da Economia.

US Assistente Secretára do Estado Victória Nyland juntamente com o líder do Neo Nazi Svoboda Oleh Tuahnybok (a esquerda)

FOTO: Andriy Parubiy [a direita] co-fundador do Partido Neo-Nazi Social-Nacional da Ukraina – (posterioemente denominado Svoboda) – foi apontado como Secretário do Comité da Segurança e da Defesa Nacional da Ukraina (RNBOU) – (Рада національної безпеки і оборони України), uma posição chave. O RNBOU supervisiona e inspeciona o Ministério da Defesa, as Forças Armadas, a Aplicação da Lei, a Segurança Nacional e os Serviços de Inteligência. O RNBOU é um corpo deliberativo de central importância. Conquanto formalmente dirigido pelo presidente, ele é administrado pelo Secretariado, o qual tem uma força de trabalho de 180 pessoas, o que inclui especialistas da defesa, inteligência e segurança.

Parubiy foi um dos principais líderes da Revolução Orange de 2004. A sua organização foi financiada pelo ocidente. A mídia ocidental refere-se a ele como o “comandante” do movimento EuroMaidan. Andriy Parubiy assim como o líder do partido Svoboda, Oleh Tyahnybok, é um adepto do nazista ucraniano Stepan Bandera, o qual colaborou nos assassinatos em massa de judeus e polacos durante a Segunda Guerra Mundial.

Reuters / Gleb Garanich

Passeata Neo-Nazi em honra de Stepan Bandera.

Por seu lado, Dmytro Yarosh, líder da delegação do Sector de Direita no parlamento, foi apontado como vice Secretário do RNBOU.

Yarosh era o líder dos paramilitares Neo-Nazis, “Brown Shirts”, durante o movimento de “protesto” na EuroMaidan. [Brown Shirt significando Camisa Marrom]. Ele convocou a ação para o desmantelar do Partido das regiões [o partido do presidente] e do Partido Comunista.

partido Neo Nazi também passa a controlar o judicial com o apontar de Oleh Makhnitsky, do partido Svoboda, para a posição de promotor-geral da Ukraina. Que tipo de justiça irá prevalecer com um reconhecido Neo-Nazi como encarregado da Procuradoria-Geral da República / Ministério Público da Ukraina?

Postos no Cabinete também foram alocados a ex-membros de uma organização Neo-Nazi periférica, a Nacional Assembléia Ucraniana – Defesa Pessoal Nacional Ucraniana (UNA-UNSO):

“Tetyana Chernovol é apresentada na mídia ocidental como uma jornalista de investigação em cruzada, sem que referências sejam feitas ao seu passado na anti-semítica UNA-UNSO. Ela foi nomeada presidente do comité governamental anti-corrupção.

Dmytro Bulatov, conhecido pelo seu alegado sequestramento pela polícia, também tem conexões com a UNA-UNSO. Ele foi apontado como o ministro responsável pelo sector juvenil e de esportes.

Yegor Sobolev, líder de um grupo cívico na Independence Maidan e politicamente na mesma linha que Yatsenyuk. Ele foi apontado presidente do Comité de “Lustration” [limpeza-purificação–oferenda-sacrifício/étnico-religioso], encarregado com o purgar da vida pública e do governo os seguidores do Presidente Yanukovych. (Veja Ukraine Transition Government: Neo-Nazis in Control of Armed Forces, National Security, Economy, Justice and Education, Global Research, 2 de março de 2014.

O Comité de Lustration – irá organizar a perseguição Neo-Nazi e a investigação (caça as bruxas) contra todos os oponentes do novo regime Neo-Nazi. Os alvos dessa campanha serão as pessoas em posição de autoridade no serviço público, nos governos regionais, municipais, na educação, assim como nas áreas de pesquisa, etc. O termo lustration, limpeza-purificação, refere-se aqui a uma “desqualificação massiva” de pessoas associadas com o ex-governo. Esse termo também tem um sentido racial. Com todas as probabilidades isso irá ser virado contra comunistas, russos e membros da comunidade judia.

É importante que se reflita no fato de que o ocidente, formalmente tendo comitimentos a valores democráticos, não só dirigiu o lançamento do golpe contra um presidente eleito, como também depois instalou em seu lugar um governo constituido de Neo-Nazis.

Esse é um governo por procuração, que permite aos Estados Unidos, a OTAN e a União Européia a interferir nos negócios internos da Ukraina, assim como desmantelar as suas relações bilaterais com a Federação Russa. Entretanto, deveria ser entendido que os Neo-Nazis, em última instância, não são os que realmente estão em comando: Abaixo de um “regime de governo indireto” eles recebem suas ordens quanto a questões cruciais nas esferas dos assuntos militares e dos negócios estrangeiros — incluindo-se aqui então o colocamneto de tropas dirigidas contra a Rússia — do Departamento do Estado dos EUA, do Pentágono, e da OTAN.

O mundo está numa encruzilhada perigosa: A estrutura e a composiçäo do governo por procuração, instalado pelo ocidente, não favorece um diálogo nem com o governo, nem com os militares russos.
FOTO – John McCain e o líder do partido Svoboda, Oleh Tyahnybok

Um cenário de escalação militar a qual poderia levar a uma confrontação entre a Rússia e a OTAN é uma clara possibilidade. O Comité da Segurança e da Defesa Nacional da Ukraina (RNBOU) o qual como foi dito acima é controlado pelos Neo-Nazis, tem um papél central em questões militares. Numa eventual confrontação com Moscou, decisões tomadas pela RNBOU dirigida pelo Neo-Nazi Parubiy e seu vice, brown shirt Dmytro Yarosh — em consultação com Washington e Bruxelas — poderia vir a ter consequências potencialmente devastadoras.

Entretanto, nem precisaria de ser dito que o “apoio” a formação do governo Neo-Nazi, de maneira nenhuma implicaria nesse caso , o desenvolvimentos de “tendências fascistas” dentro do contexto da Casa Branca, do Departamento do Estado e do Congresso dos Estados Unidos.

“O florescer da democracia” na Ukraina — para usar as palavras do New York Times — é endossada pelos Republicanos e Democratas. Esse é um projeto bipartisan. Caso tenhamos esquecido, o senador John McCain é um firme apoiante e amigo do líder Oleh Tyahnybok, do Neo Nazi Svoboda. (Veja foto acima).

Michel Chossudovsky

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CANTA O MERLO: A guerra pela controle da Ukraina: Porque essa é uma estratégia de tensão

By Manlio Dinucci
Global Research, March 06, 2014
ilmanifesto.it

A guerra para o controle da Ukraina começou com um poderoso psyop, ou seja, operação de guerra psicológica, onde se utilizam armas de distração de massas já experimentadas. As imagens com as quais a televisão bombardeia nosso espírito nos mostram os militares russos que ocupam a Criméia. Nenhuma dúvida, portanto, sobre quem é o agressor. Contrariamente, conosco permaneceram outras imagens, como aquela do secretário do partido comunista ucraniano de Leopoli, Rotislav Vasilko, torturado pelos neo-nazis que brandiam mesmo frente aos seus olhos uma cruz de madeira [1] (veja comunicado de Contropiano). Esses eram os mesmos que assaltam as sinagogas e gritam “Heil Hitler”, em de quando ressucitando o pogrom de 1941. Os mesmos financiadores e os mesmos treinadores durante os anos, através de serviços secretos e seus NGOs, através dos Estados Unidos e da OTAN. Eles fizeram a mesma coisa na Líbia e estão a caminho de o fazer o mesmo na Síria, utilizando grupos de islamistas recentemente definidos como terroristas. Há dez anos que nós estivemos documentando no il manifesto (cf. Ukraine, le dollar va aux élections- o dólar vai as eleições, 2004) como Washington financiou e organizou a “revolução orange”, ou seja o golpe de estado de 2004, e a ascensão à presidência de Victor Yushchenko, o qual tinha a intenção de levar Ukraina a OTAN. Já a seis anos vínhamos descrevendo as manobras militares denominadas como “Brisa do Mar” a qual operava na Ukraina sob as diretivas da “Parceiros para a Paz” dizendo que “a brisa do mar” que sopra sobre o Mar Negro está a prenunciar os ventos de guerra” [cf. Jogos de guerra no Mar Negro, 2008 [2].

Rotislav Vasilko, torturado por néo-nazis que brandiam uma cruz de madeira frente a seus olhos

Para se comprender o que está para se passar na Ukraina não é suficiente de se olhar só para as imagens de hoje. É necessário que se veja todo o filme. Tem-se que observar a sequência da expansão da OTAN ao Leste, que em 10 anos, 1999-2009, abrangeu todos os países do ex-pacto de Varsóvia, antigamente aliados da União Soviética, URSS. Três países da ex-URSS e dois da ex-Yugoslávia deslocaram suas bases e forças militares e com elas a capacidade nuclear, sempre mais para junto da Rússia, armando-se em um “círculo” ou colar anti-mísseis os quais não são instrumentos de defesa, mas de ofensiva. Isso sendo feito apesar dos repetidos avisos e advertências de Moscou, os quais são ignorados ou tornados em charadas do tipo “esses são passados estereótipos da guerra fria…”. O verdadeiro fim nessa escalada não é a adesão da Ukraina na União Européia, mas a anexação da Ukraina na OTAN.

A estratégia da EUA/OTAN é uma real estratégia de tensão que, além do problema da Europa, tem o fim de redimensionar o poder que conservou a maior parte do território e dos recursos da URSS, ou seja, a Rússia, a qual se restabelece da crise econômica do pós-guerra fria, relançou sua política exterior, veja-se aqui o papél feito na Síria, e que se virou a China para criar uma aliança que potencialmente pudesse contrabalançar o super-poder dos Estados Unidos.

Mas, através da estratégia de tensão se coagiu a Rússia, como dantes foi feito com a URSS, a um curso de maiores e maiores despesas com armamentos, e isso tendo como objetivo o de aumentar-lhe as dificuldades econômicas internas, o que ainda pressionaria a maioria da população. Estão aqui fazendo o que podem para que a Rússia reaja militarmente e possa então abaixo desse pretexto ser afastada do grupo das “grandes democracias”. Aqui se ameaça então com a exclusão da G8.

A representante dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, galopando na “responsabilidade de proteger” outorga aos Estados Unidos o poder divino, e exige o envio de observadores (Osce) na Ukraina. Os mesmos que dirigidos por William Walker, antigamnete dirigiram os serviços secretos americanos dos Estados Unidos em El Salvador e serviram 1998-99 de cobertura a CIA no Kosovo, em fornecendo a UCK instruções e telefonia por satélite. Isso sendo para a guerra que a OTAN estava a ponto de deslanchar. Durante 78 dias, levantaram voo, principalmente de bases italianas. 1100 aviões de guerra efetuaram 38.000 saídas e lançaram 23.000 bombas e mísseis. A guerra terminou com o acordo de Kumanovo, o qual previa um Kosovo em grande medida autônomo, com uma garnisão da OTAN, mas sempre ainda dentro da soberanidade de Belgrado. Esse acordo foi anulado com a independência autoproclamada do Kosovo, a qual foi reconhecida pela OTAN e quase por toda a União Européia, A Espanha, a Grécia, a Eslováquia, a Romênia e Chipre não reconheceram essa autoproclamação. Essa é a mesma OTAN que hoje, através das boca de Rasmussen, acusa a Rússia de violar na Ukraina os direitos internacionais.

Manlio Dinucci

03-03-2014

Link permanente 21:27:39, por José Alberte Email , 610 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Ex-jurista do Banco Mundial revela como a elite domina o mundo

Karen Hudes, ex membro do Banco Mundial, despedida por revelar informaçom sobre a corrupçom no banco, explicou com detalhe os mecanismos bancários para dominar o nosso planeta.

Karen Hudes é licenciada da escola de Direito de Yale e trabalhou no departamento jurídico do Banco Mundial durante 20 anos. Em qualidade de assessora jurídica superior, tivo suficiente informaçom para obter umha visom global de como a elite domina ao mundo. Deste modo, o que conta nom é umha 'teoria da conspiraçom' mais.

De acordo com a especialista, citada polo portal Exposing The Realities, a elite usa um núcleo hermético de instituiçons financeiras e gigantes corporaçons para dominar o planeta.

Citando um explosivo estudo suíço de 2011 publicado na revista 'Plos One' sobre a "rede de controlo corporativo global", Hudes assinalou que um pequeno grupo de entidades, na sua maioria instituiçons financeiras e bancos centrais, exercem umha enorme influência sobre a economia internacional entre bastidores. "O que realmente está a suceder é que os recursos do mundo estám a ser dominados por este grupo", explicou a perito com 20 anos de antigüidade no Banco Mundial, e agregou que os "capturadores do poder corruptos" alcançaram dominar os meios de comunicaçom também. "Está-se-lhes permitido fazê-lo", assegurou.

O estudo suíço que mencionou Hudes foi levado a cabo por umha equipa do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zúric. Os investigadores estudaram as relaçons entre 37 milhons de empresas e investidores de todo mundo e descobriram que existe umha "super-entidade" de 147 mega-corporaçons muito unidas e que controlam 40% de toda a economia mundial.

Mas as elites globais nom só controlam estas mega-corporaçons. Segundo Hudes, também dominam as organizaçons nom eleitas e que nom rendem contas mas sim controlam as finanças de quase todas as naçons do planeta. Trata do Banco Mundial, o FMI e os bancos centrais, como a Reserva Federal estadounidense, que controlam toda a emissom de dinheiro e a sua circulaçom internacional.

O banco central dos bancos centrais

A cima deste sistema é o Banco de Pagos Internacionais (BPI): o banco central dos bancos centrais.

"Umha organizaçom internacional imensamente poderosa da qual a maioria nem sequer ouviu falar controla secretamente a emissom de dinheiro do mundo inteiro. É o chamado o Banco de Pagos Internacionais [Bank for International Settlements], e é o banco central dos bancos centrais. Está situado em Basileia, Suíça, mas tem sucursais em Hong Kong e em Cidade de México. É essencialmente um banco central do mundo nom eleito que tem completa imunidade em matéria de impostos e leis internacionais (...). Hoje, 58 bancos centrais a nível mundial pertencem ao BPI, e tem, com muito, mais poder na economia dos Estados Unidos (ou na economia de qualquer outro país) que qualquer político. Cada dous meses, os banqueiros centrais reúnem-se em Basileia para outra 'Cimeira de Economia Mundial'. Durante estas reunions, tomam-se decisons que afectam a todo o homem, mulher e criança do planeta, e nengum de nós tem voz no que se decide. O Banco de Pagos Internacionais é umha organizaçom que foi fundada pola elite mundial, que opera em benefício da mesma, e cujo fim é ser umha das pedras angulares do próximo sistema financeiro global unificado".

Segundo Hudes, a ferramenta principal de escravizar naçons e Governos inteiros é a dívida.

"Querem que mos seja todos escravos da dívida, querem ver a todos os nossos Governos escravos da dívida, e querem que todos os nossos políticos sejam adictos aos gigantes contributos financeiros que eles canalizam nas suas campanhas. Como a elite também é dona de todos os meios de informaçom principais, esses meios nunca revelárom o segredo de que há algo fundamentalmente errado na maneira em que funciona o nosso sistema",

Texto completo em: http://actualidad.rt.com/economia/view/121399-jurista-banco-mundial-revela elite-domina mundo

18-02-2014

Link permanente 12:27:21, por José Alberte Email , 916 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Protestos orquestrados por Washington desestabilizam a Ucrânia

por Paul Craig Roberts [*]

Os protestos no ocidente da Ucrânia são organizados pela CIA, pelo Departamento de Estado dos EUA e por organizações não governamentais (ONGs) financiadas pela UE que trabalham em conjunto com a CIA e o Departamento de Estado. A finalidade dos protestos é anular a decisão do governo independente da Ucrânia de não aderir à UE.

Os EUA e a UE inicialmente estavam a cooperar no esforço para destruir a independência da Ucrânia e torná-la uma entidade subserviente ao governo da UE em Bruxelas. Para o governo da UE, o objectivo é expandir a UE.

Para Washington as finalidades são tornar a Ucrânia disponível para o saqueio por bancos e corporações dos EUA e trazer a Ucrânia para dentro da NATO de modo a que Washington possa ganhar mais bases militares na fronteira da Rússia.

Há três países no mundo que estorvam o caminho da hegemonia de Washington sobre o mundo – a Rússia, a China e o Irão. Cada um destes países é atacado por Washington para derrube ou para que a sua soberania seja degradada pela propaganda e bases militares dos EUA que deixam os países vulneráveis a ataque, portanto coagindo-os a aceitar a vontade de Washington.

O problema que se levanta entre os EUA e a UE em relação à Ucrânia é que os europeus perceberam que a tomada da Ucrânia é uma ameaça directa à Rússia, a qual pode cortar o petróleo e gás natural à Europa, e se houver guerra destruir a Europa completamente. Consequentemente, a UE tornou-se mais favorável a parar de provocar protestos na Ucrânia.

A resposta da neoconservadora Victoria Nuland, nomeada secretária de Estado Assistente pelo Obama de duas caras, foi "F**-se a UE", quando tratava de descrever os membros do governo ucraniano que Washington pretendia impor sobre um povo tão inconsciente a ponto de acreditar que estão a alcançar a independência ao precipitar-se nos braços de Washington. Outrora eu pensava que nenhuma população do mundo podia ser tão inconsciente quanto a população dos EUA. Mas eu estava errado. Os ucranianos ocidentais são ainda mais inconscientes do que os americanos.

A orquestração da "crise" na Ucrânia é fácil. A neoconservadora secretária de Estado Assistente Victoria Nuland contou no National Press Club, em Washington, dia 13/Dezembro/2013, que os EUA "investiram" US$5 mil milhões em agitação na Ucrânia.

A crise assenta essencialmente na Ucrânia ocidental, onde ideias românticas acerca da opressão russa são fortes e a população é menos russa do que na Ucrânia oriental.

O ódio da Rússia na Ucrânia ocidental é tão disfuncional que os ludibriados protestantes não percebem que aderir à UE significa o fim da independência da Ucrânia e o domínio por parte dos burocratas da UE em Bruxelas, do Banco Central Europeu e de corporações dos EUA. Talvez a Ucrânia seja dois países. A metade ocidental poderia ser dada à UE e a corporações dos EUA e a metade oriental poderia ser reincorporada como parte da Rússia, onde assentava toda a Ucrânia desde que os EUA existem.

A insatisfação para com a Rússia que existe na Ucrânia ocidental torna fácil para os EUA e a UE provocar perturbações. Aqueles em Washington e na Europa que pretendem destruir a independência da Ucrânia retratam-na como uma refém da Rússia, enquanto a Ucrânia na UE estaria alegadamente sob a protecção dos EUA e da Europa. As grandes somas de dinheiro que Washington despeja em ONGs na Ucrânia propagam esta ideia e trabalham a população para uma inconsciência frenética. Nunca na minha vida testemunhei um povo tão inconsciente como os protestantes ucranianos que estão a destruir a independência do seu país.

As ONGs financiadas pelos EUA e UE são quinta colunas destinadas a destruir a independência dos países nos quais operam. Algumas pretendem ser "organizações de direitos humanos". Outras doutrinam pessoas sob a capa de "programas de educação" e de "construção da democracia". Outras ainda, especialmente aquelas dirigidas pela CIA, especializam-se em provocações, tais como as "Pussy Riot". Poucas, se é que alguma, destas ONGs são legítimas. Mas elas são arrogantes. O chefe de uma da ONGs anunciou antges das eleições iranianas na qual Mousavi era o candidato de Washington e da CIA que a eleição resultaria numa Revolução Verde. Ele sabia antecipadamente, porque havia ajudado a financiá-la com dólares do contribuinte estado-unidense. Escrevi acerca disso na altura. Isso pode ser encontrado no meu sítio web, www.paulcraigroberts.org , e no meu livro que acaba de ser publicado, How America Was Lost.

Os "protestantes" ucranianos têm sido violentos, mas a polícia tem sido contida. Washington tem um interesse oculto em manter os protestos em andamento na esperança de transformá-los numa revolta de modo a que possa apossar-se da Ucrânia. Esta semana a Câmara de Deputados dos EUA aprovou uma resolução a ameaçar sanções se os protestos violentos fossem sufocados pela polícia.

Por outras palavras, se a polícia ucraniana comportar-se com protestantes violentos do mesmo modo como a polícia dos EUA comporta-se com protestantes pacíficos, isso é uma razão para Washington interferir nos assuntos internos da Ucrânia. Washington está a utilizar os protestos para destruir a independência da Ucrânia e já tem pronta uma lista de fantoches que pretende instalar como o próximo governo do país.
[*] Ex secretário Assistente do Tesouro para Política Económica e editor associado do Wall Street Journal. Colaborou na Business Week, Scripps Howard News Service e Creators Syndicate. Seu livro mais recente é The Failure of Laissez Faire Capitalism and Economic Dissolution of the West .

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

15-02-2014

Link permanente 16:21:35, por José Alberte Email , 1494 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: A Ucrânia e o renascimento do fascismo na Europa

por Eric Draitser [*]

A violência nas ruas da Ucrânia é muito mais do que uma manifestação da ira popular contra um governo. É, ao invés, simplesmente o exemplo mais recente da ascensão da mais insidiosa forma de fascismo que a Europa já viu desde a queda do Terceiro Reich.

Os últimos meses assistiram a protestos regulares da oposição política ucraniana e seus apoiantes – protestos ostensivamente em resposta à recusa do presidente Yanukovich a assinar um acordo comercial com a União Europeia, encarado por muitos observadores políticos como o primeiro passo rumo à integração europeia. Os protestos foram razoavelmente pacíficos até 17 de Janeiro, quando manifestantes armados com paus, capacetes e bombas improvisadas desencadearam uma violência brutal sobre a polícia, atacando edifícios governamentais, batendo em quem fosse suspeito de simpatias pelo governo e provocando destruição generalizada nas ruas de Kiev. Mas quem são estes extremistas violentos e qual é a sua ideologia?

A formação política conhecida como "Pravy Sektor" (Sector Direita) é basicamente uma organização chapéu para um certo número de grupos ultra-nacionalistas (ler fascistas) incluindo apoiantes do Partido "Svoboda" (Liberdade), "Patriotas da Ucrânia", "Ukrainian National Assembly – Ukrainian National Self Defense" (UNA-UNSO) e "Trizub". Todas estas organizações partilham uma ideologia comum que entre outras coisas é veementemente anti-russa, anti-imigrantes e anti-judia. Além disso, partilham uma reverência comum pela chamada "Organização de Nacionalistas Ucranianos" liderada por Stepan Bandera, os infames colaboradores dos nazis que combateram activamente contra a União Soviética e cometeram algumas das piores atrocidades da II Guerra Mundial.

Apesar de forças políticas ucranianas, oposição e governo, continuarem a negociar, uma batalha muito diferente está a ser travada nas ruas. Utilizando intimidação e força bruta mais típica dos "Camisas castanhas" de Hitler ou dos "Camisas negras" de Mussolini do que de um movimento político contemporâneo, estes grupos conseguiram transformar um conflito sobre política económica e alianças políticas do país numa luta existencial pela própria sobrevivência da nação que estes assim chamados "nacionalistas" afirmam amar tão ardentemente. As imagens de Kiev a queimar, as ruas de Lvov cheias de brutamontes e outros exemplos assustadores do caos no país ilustram sem sombra de dúvida que a negociação política com a oposição do Maidan (a praça central de Kiev e centro dos protestos) já não é a questão central. É, antes, a questão de apoiar ou rejeitar o fascismo ucraniano.

Pelo seu lado, os Estados Unidos lançaram-se no lado da oposição, sem considerar o seu carácter político. No princípio de Dezembro, membros do establishment dirigente dos EUA, tais como John McCain e Victoria Nuland, foram vistos no Maidan a apoiar os manifestantes. Entretanto, quando nos últimos dias o carácter da oposição se tornou evidente, os EUA e a classe dominante ocidental e sua máquina dos media pouco fizeram para condenar o levantamento fascista. Ao invés disso, seus representantes encontraram-se com representantes do Sector Direita e consideraram que não eram "ameaça". Por outras palavras, os EUA e seus aliados deram aprovação tácita à continuação e proliferação da violência em nome do seu objectivo final: a mudança de regime.

Numa tentativa de arrancar a Ucrânia da esfera de influência russa, a aliança EUA-UE-NATO aliou-se, não pela primeira vez, com fascistas. Naturalmente, durante décadas, milhões na América Latina foram desaparecidos ou assassinados por forças militares fascistas armadas e apoiadas pelos Estados Unidos. Os mujahideen do Afeganistão, os quais depois transmutaram-se na Al Qaeda, também reaccionários ideológicos extremos, foram criados e financiados pelos Estados Unidos com o objectivo de desestabilizar a Rússia. E naturalmente há a penosa realidade da Líbia e, mais recentemente da Síria, onde os Estados Unidos e seus aliados financiam e apoiam extremistas jihadistas contra um governo que se recusa a alinhar com os EUA e Israel. Há um padrão perturbador aqui que não tem sido compreendido por observadores políticos: os Estados Unidos sempre fazem causa comum com extremistas de direita e fascistas para ganho geopolítico.

A situação na Ucrânia é profundamente perturbadora porque representa uma conflagração política que poderia muito facilmente dilacerar o país menos de 25 anos depois de se tornar independente da União Soviética. Contudo, há outro aspecto igualmente perturbador na ascensão do fascismo naquele país – ele não está só.

Ameaça fascista por todo o continente

A Ucrânia e a ascensão do extremismo de direita não pode ser vista, muito menos entendida, isoladamente. Deve, ao invés, ser examinada como fazendo parte de uma tendência crescente através da Europa (e na verdade do mundo) – uma tendência que ameaça os próprios fundamentos da democracia.

Na Grécia, a austeridade selvagem imposta pela troika (FMI, BCE e Comissão Europeia) arruinou a economia do país, levando a uma depressão tão má, se não pior, quanto a Grande Depressão nos Estados Unidos. É contra este pano de fundo do colapso económico que o partido Aurora Dourada cresceu até se tornar o terceiro maior partido político do país. Esposando uma ideologia de ódio, o Aurora Dourada – efectivamente um partido nazi que promove o chauvinismo anti-judeu, anti-imigrante e anti-mulher – é uma força política que o governo de Atenas entendeu ser uma grave ameaça ao próprio tecido da sociedade [NR] . Foi esta ameaça que levou o governo a deter a liderança do partido depois de um nazi da Aurora Dourada ter esfaqueado um rapper anti-fascistas. Atenas lançou uma investigação ao partido, embora os resultados desta investigação e o processo permaneçam pouco claros.

O que torna o Aurora Dourada uma ameaça tão insidiosa é o facto de que, apesar da sua ideologia central nazista, sua retórica anti-UE e anti-austeridade atrai muita gente na Grécia economicamente devastada. Tal como muitos movimentos fascistas no século XX, o Aurora Dourada transforma em bodes expiatórios os imigrantes, muçulmanos e africanos por muitos dos problemas que os gregos enfrentam. Em circunstâncias económicas terríveis, tal ódio irracional torna-se atraente; uma resposta à questão de como resolver problemas da sociedade. Na verdade, apesar de líderes do Aurora Dourada estarem presos, outros membros do partido ainda estão no parlamento, ainda concorrem a funções como à presidência de Atenas. Embora uma vitória eleitoral seja improvável, outra mostra de força nas eleições tornará muito mais difícil a erradicação do fascismo na Grécia.

Se este fenómeno estivesse confinado à Grécia e à Ucrânia, ele não constituiria uma tendência continental. Contudo, tristemente vemos a ascensão, embora menos abertamente fascista, de partidos políticos por toda a Europa. Na Espanha, o Partido do Povo, governante e pró austeridade, avançou com leis draconianas restringindo o protesto e a liberdade de palavra, bem como fortalecendo e aprovando tácticas policiais repressivas. Em França, o partido da Frente Nacional, de Marine Le Pen, que veementemente transforma imigrantes muçulmanos e africanos em bodes expiatórios, ganhou aproximadamente vinte por cento dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais. Analogamente, na Holanda, o Partido pela Liberdade – que promove políticas anti-muçulmanas e anti-imigrantes – cresceu a ponto de se tornar o terceiro maior partido no parlamento. Por toda a Escandinávia, partidos ultra-nacionalistas que outrora totalmente irrelevantes e obscuros são agora actores significativos em eleições. Estas tendências são preocupantes, para dizer o mínimo.

Também deveria ser observado que, para além da Europa, há um certo número de formações políticas quase-fascistas que são, de uma maneira ou de outra, apoiadas pelos Estados Unidos. O golpe de direita que derrubou os governos do Paraguai e de Honduras foram tacitamente e/ou abertamente apoiados por Washington no seu objectivo aparentemente infindável de suprimir a esquerda na América Latina. Naturalmente, também deveria ser lembrado que o movimento de protestos na Rússia foi encabeçado por Alexei Navalny e seus seguidores nacionalistas que adoptam uma ideologia racista e anti-muçulmana que encara imigrantes do Cáucaso russo e de outras antigas repúblicas soviéticas como inferiores a "russos europeus". Estes e outros exemplos pintam um retrato muito feio de uma política externa estado-unidense que tenta utilizar a adversidade económica e a reviravolta política para estender a hegemonia dos EUA por todo o mundo.

Na Ucrânia, o "Sector Direita" retirou o combate da mesa de negociação para as ruas numa tentativa de cumprir o sonho de Stepan Bandera – uma Ucrânia livre da Rússia, de judeus e de outros vistos como "indesejáveis". Animatdo pelo apoio contínuo dos EUA e da Europa, estes fanáticos representam uma ameaça mais grave para a democracia do que Yanukovich e o governo pró russo. Se a Europa e os Estados Unidos não reconhecem esta ameaça no seu início, quando o fizerem poderá ser demasiado tarde.
31/Janeiro/2014

Ver também:
O movimento anti-UE propaga-se por toda a Europa ... excepto na Ucrânia
Ucrânia: "A opção europeia será também a opção militar a favor da NATO"
Washington Collaborates with Ukrainian Neo-Nazis
Ukraine “Color Revolutions”: At the Crossroads of Euro-Atlantic and Eurasian Power Politics

[NR] É muito discutível que o actual governo de Atenas tenha esse entendimento. A sua atitude é, antes, de conivência passiva e omissão. Forças policiais gregas pouco ou nada fazem para reprimir o Aurora Dourada, só actuando em casos extremos.

[*] Fundador do StopImperialism.com , analista geopolítico independente residente em Nova York, ericdraitser@gmail.com .

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/ukraine-and-the-rebirth-of-fascism-in-europe/5366852

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

08-02-2014

Link permanente 22:44:54, por José Alberte Email , 669 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: A filha menor do Rei tomou-os o pelo a todos e confirmou que a Família Real nom é de fiar

http://www.elplural.com/

Por Fernando de Silva

No "dia D" para a Infanta Cristina, cumpre-se o guiom previsto, e assistimos à negaçom da evidência

Com a presença de muitas bandeiras republicanas, sem surpresas, com um desdobramento policial inaudito e desproporcionado, que nos custará aos contribuintes muitos milhares de euros, a imputada Infanta Cristina acedeu ao Julgado de Palma em carro, privilégio do que se encontram privados o resto dos mortais. Trata-se de brinda-la e escondê-la para impedir que possa ser legitimamente reprochada por quem duvidam da sua inocência, que nom som outros que muitos dos sofridos cidadaos que sentem escandalizados pola corrupçom generalizada, e que afecta de forma especial à Família Real. Muito logo teve lugar o seu segundo privilégio, ao nom passar polo arco de segurança, como é de obrigado cumprimento para todos os que acedem ao interior de um Julgado.

Mas nom acabam aqui as concessons especiais porque, à margem dos exaustivos registros para impedir a existência tabletas e telemóvel no interior da Sala, decidiu-se que a sua declaraçom só possa ser gravada em áudio, impedindo que o vídeo, que se utiliza habitualmente neste tipo de actuaçons judiciais, possa reflectir a linguagem do rosto, que tanto pode delatar a quem mente com a palavra mas é incapaz de dissimulado com os seus gestos. Precisamente para dar mais autenticidade às declaraçons, a que fosse Ministra de Justiça, Margarida Marechal de Gante, introduziu há anos na justiça a gravaçom em vídeo, da que inexplicavelmente se livra agora a Infanta Cristina.

Nom pudemos ver à Infanta mais de cinco segundos, mas foi capaz de saudar aos jornalistas com um sorriso forçado e nervoso, imprópria de quem sente inocente. Isso sim, aos cidadaos se impediu achegar-se a menos de 100 metros da porta do Julgado, o que resulta inaudito num estado democrático, ainda que sim se pudérom escutar os berros de indignaçom ao longe. E nom é bom, senom todo o contrário, que una membro da Família Real esquive a presença dos seus súbditos, ou lacaios, porque isso é no que nos convertérom, que alimentárom durante anos os seus caprichos e alto nível económico. O único detalhe de normalidade que se viu é a chegada do Juiz Castro, que acudiu ao Julgado em moto, como nele é habitual.

A Infanta, seguindo o guiom, ante o exaustivo interrogatório de 400 perguntas ao que foi submetida polo juiz Castro durante mais de duas horas e média, limitou-se a negar a sua participaçom em Nóos e Aizoon com respostas evasivas, assumindo o papel de esposa parva e submissa, que nom se dava conta de nada, e que nunca se perguntava como era possível manter um nível de vida incompatível com os ingressos do casal. Isso sim, foi explícita à hora de insistir em que “eu confiava no meu marido”, o que resulta contraditório com o feito de nom interpretar o papel de esposa enganada e defraudada polo seu esposo, com o que convive dentro da normalidade e mantém umha evidente cumplicidade. Também nom se comprometeu a devolver o dinheiro, que agora já sabe era de procedência ilícita, o que demonstra que nom tem um pêlo de parva.

Dando por suposto que se negará a contestar as perguntas das acusaçons, que o Fiscal se limitará a ocupar um papel testemunhal, e que as respostas às perguntas do seu advogado de jeito nengum a comprometérom, nem tam sequer é necessário esperar no final da sua declaraçom para extrair as conclusons finais.

Em resumo, hoje a Infanta Cristina, acolhendo-se ao seu direito a nom declarar contra sim mesma, tomou-nos o pêlo a todos, e confirmou que a Família Real nom é de fiar. Durante anos investiu-se muito dinheiro público na sua preparaçom, que se supom é superior à ignorância demonstrada esta mesma manhá, polo que os cidadaos sentir enganados mais umha vez por umha família que vive à conta dos nossos impostos. Parece evidente que, seja qual for a decisom judicial final, a monarquia está hoje ainda mais desprestigiada e tem os dias contados neste país, polo bem da decência colectiva.

25-01-2014

Link permanente 23:34:08, por José Alberte Email , 609 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O pragmatismo terrorista do império

http://www.odiario.info/

por José Goulao

A Turquia está a braços com um caso de alta corrupção governamental. Trata-se nem mais nem menos do canal através do qual milhares de milhões de dólares são enviados para a Al-Quaeda, o expoente máximo – segundo os EUA – do terrorismo mundial. Quer dizer: expoentes da NATO financiam um grupo que se destaca na guerra contra a Síria enquanto a estrutura sustentada pela rede da NATO o combate no Iraque.

A vaga de instabilidade política na Turquia decorrente de um caso de alta corrupção governamental não é assunto que nos seja alheio.
A Turquia é, há muito, um pilar estratégico da NATO e nem as mais cruéis ditaduras militares fascistas dissuadiram a aliança, tão luminoso farol da democracia, de manter estreitos laços com Ancara.

A Turquia é um candidato à União Europeia e sejamos claros: a razão para não integrar ainda o grupo não se relaciona com as suas insuficiências democráticas mas sim porque os interesses que mandam na congregação não se entendem quanto às consequências económicas, migratórias, e até religiosas, da adesão de mais um grande país.

Além disto, o actual escândalo turco é expressão - e prova – de comportamentos muito mais graves de gentes de quem depende a vida no planeta.

O caso tem sido abafado mas nem a vocação censória global consegue ter êxito a cem por cento. Inicialmente explicou-se o escândalo e a revolta popular contra o governo islamita pela existência de negócios ilegais e clandestinos de milhões de dólares entre círculos do executivo turco e instituições petrolíferas iranianas, violando as sanções internacionais contra Teerão. Isto é verdade; porém, não passa de uma ínfima parte da verdade.

O que a polícia de investigação e a magistratura turca puseram à luz do dia foi o canal através do qual círculos do governo turco, envolvendo o próprio primeiro-ministro, encaminham centenas de milhões de dólares para a Al Qaida. Não, não é engano: o governo da Turquia, pilar estratégico da NATO, financia o expoente máximo do terrorismo mundial, todos os dias demonizado em Washington e outras capitais como a causa da maioria dos males no planeta e arredores.

Acontece que o primeiro ministro da Turquia, o Sr. Erdogan, é amigo do Sr. Yassin al-Qadi, um banqueiro saudita, alta figura da Irmandade Muçulmana, também amigo do Sr. Cheney, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, e conhecido pelo FBI como “o tesoureiro da Al Qaida”. A espionagem interna norte-americana tem obrigação de saber do que fala uma vez que o Sr. Al-Qadi viveu em Chicago, onde foi proprietário da empresa de informática Ptech, fornecedora de software para a aviação civil dos Estados Unidos por alturas do 11 de Setembro de 2001. Também segundo o FBI, o “Tesoureiro da Al Qaida” foi, antes disso, financiador, quiçá um dos responsáveis, dos atentados nas embaixadas norte-americanas na Quénia e na Tanzânia, em 1998.

Poderia continuar a desenrolar o novelo de cumplicidades, mas é mais importante reter neste momento que o canal de financiamento entre o Sr. Erdogan/Turquia/NATO e o “tesoureiro da Al Qaida” abastece prioritariamente a guerra internacional contra a Síria mantida através de uma miríade de grupos terroristas onde o de maior capacidade operacional é o ramo da organização fundada por Bin Laden designado “Estado Islâmico do Iraque e do Levante”. Por sinal a mesma entidade que tomou conta da cidade de Fallujah, no Iraque, onde é combatida pelo exército iraquiano e respectivos operacionais norte-americanos.

Assim sendo, expoentes da NATO financiam um grupo que se destaca na guerra contra a Síria enquanto a estrutura sustentada pela rede da NATO o combate no Iraque. Todas as grandes famílias têm as suas desavenças, até a família terrorista imperial. Também há quem lhe chame “pragmatismo.”

Link permanente 21:19:27, por José Alberte Email , 1016 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: A questão do Estado operário no marxismo

http://port.pravda.ru/

O texto de György Lukács, "O Estado como arma" , entra, de forma seminal, no debate sobre os conselhos operários apresentando uma posição: o cenário da luta de classes cresce e compreende o conjunto desbloqueado dos espaços onde ela pode se revelar, contribuindo, assim, para explodir as cidadelas do Estado e suas fronteiras. Na posição de Lukács, agora se luta contra o Estado, mas também o Estado se manifesta enquanto "arma da luta de classes".

Milton Pinheiro

O filósofo húngaro localiza em Marx e Engels, distanciando-os dos oportunistas da Segunda Internacional, a tese de que a questão do Estado é extremamente relevante para as possibilidades da re¬volução proletária, utilizando-se dessa abordagem como referencial para enfrentar a "essência revolucionária" de sua época. Lukács qualificou os pensadores reformistas do período em questão como sendo aqueles que capitularam ao modelo de Estado desenvolvido na sociedade burguesa, e essa crítica se dirige essencialmente a Kautsky e a Bernstein.

Neste texto inédito encontramos, ainda, a notável influência de Lenin. Lukács reconhece a relação teórica daquele com Marx na interpretação de uma "posição proletário-revolucionária sobre o problema do Estado", salientando que Lenin não fez uma abstração sobre a questão, mas levantou o problema a partir das tarefas dos trabalhadores que faziam o enfrentamento na luta de classes, tendo como eixo central a direção da tomada do poder.

Na interpretação de Lukács, Lenin rompeu com o programa de uma teoria geral do Estado baseada em postulados diletantes e, pautado pelas análises concretas feitas por Marx sobre a Comuna de Paris, avançou no debate sobre a questão do Estado, como afirmei, a partir das con¬tradições do momento histórico em que as lutas do proletariado se projetavam em um cenário em aberto. Transparece nos estudos de Marx, Engels e, principalmente, em Lenin - chamado à aten-ção por Lukács - que a questão do Estado é o objetivo que deve movimentar os trabalhadores nas tarefas cotidianas, e não apenas quando se apresentar o "objetivo final".

Para Lukács, Lenin deu a importância devida ao papel do Estado no tempo presente, o que contribuía para educar os traba¬lhadores em sua luta pelo poder. Mas isso ocorria, principalmente, porque ele acentuava em suas análises o papel do "Estado como arma da luta de classes". Nessa contenda sobre o Estado, Lukács avança, antecipando um grande debate contemporâneo, ao sinalizar que os instrumentos de luta em curso (partido, sindicato e cooperativas) são, já naquele momento, "insuficientes para a luta revolucionária do proletariado". A perspectiva projetada pelo autor é a construção de uma representação que unifique todo o proletariado às amplas massas, ainda dentro da sociedade burguesa, para pôr a revolução "na ordem do dia" - e, para ele, esse instrumento seria os conselhos operários.

Nas formulações de G. Lukács, os conselhos aparecem como "organização de toda a classe". Eles devem agir para desorganizar "o aparelho de Estado burguês". Nessa conjuntura de desorgani¬zação, eles, enquanto representação de classe, deverão entrar em choque com a possível tentativa da burguesia de impor uma ampla repressão para recompor seu poder.

É diante desse cenário que os conselhos operários se apresentam como aparelhos de Estado na perspectiva da "organização da luta de classes". A partir de sua aná¬lise sobre a Rússia em 1905, os conselhos "são um contragoverno" que enfrenta o "poder estatal da burguesia".

É importante salientar ainda a crítica de Lukács a Martov: este último compreende os conselhos "como um órgão de luta", sem necessariamente transformar-se em aparelho de Estado, enquanto, para o primeiro, essa posição afastaria os trabalhadores da revolução e da "real conquista do poder pelo proletariado".

Nesse debate, surge uma polêmica sobre o papel do sindicato e do partido. Lukács criticou aqueles que queriam substituir de forma permanente esses dois instrumentos pelos conselhos, confundindo o entendimento do que seja, ou não, uma situação revolucionária. Ele afirma que o conselho operário, enquanto aparelho de Estado, "é o Estado como arma na luta de classes do proletariado".

Mas, para fazer a defesa dessa posição leniniana, Lukács ataca o reformis¬mo oportunista e sua "capitulação ideológica à burguesia". Ainda nesse debate, critica a ideia de democracia da social-democracia e seu projeto de "agitação pacífica" para a modificação da sociedade de forma não revolucionária, ao considerar que, para se chegar ao socialismo, as ideias dos trabalhadores irão num crescendo até a conquista do poder.

Os reformistas se mantêm no campo da "democracia pura, formal", e se iludem com o voto do cidadão abstrato, considerado por Lukács como "átomos isolados do todo estatal", na contramão das pessoas concretas, "que assumem um lugar na produção social, que seu ser social (que articula o seu pensamento etc.) é determi¬nado por essa posição".

Dentro dessa temática (democracia), o crítico húngaro identifica o "domínio minoritário da burguesia" na "desorganização ideológica" para transformar a democracia pura e formal em um instrumento de regulação da vida social. Para responder a essa situação (desorganização), os conselhos devem ser reconhecidos como o "poder de Estado do proletariado", ao passo que avançam para destruir "a influência material e ideológica da burguesia" sobre as massas. Garantir o contrafogo ideológico é contribuir para o surgimento de condições de direção do prole¬tariado "no período de transição". Agora o proletariado, tendo os conselhos como sistema de Estado, deve marchar para continuar destruindo a burguesia em todas as suas frentes.

Neste sentido, o sistema de conselhos, agindo de forma edu¬cativa e autônoma, deve incentivar uma participação que articule "uma unidade indivisível entre economia e política, ligando, desse modo, a existência imediata das pessoas, os seus interesses cotidia¬nos etc. com as questões decisivas da totalidade" e contribuindo assim para evitar a burocratização. Para Lukács, esse movimento do sistema de conselhos e do Estado proletário "é um fator decisivo na organização do proletariado em classe", permitindo que, agora, o tornar-se consciente e classe para si se efetive.

Para Lukács, com base em Lenin, o Estado proletário é aber¬tamente um Estado de classe, sem a farsa montada pela burguesia para transformar seu Estado em Estado de todos. Mais uma vez, esse debate teórico demonstra que a atualidade da revolução ainda hoje passa pela problemática do Estado e do socialismo. Portanto, os conselhos operários estão na gênese dessas possibilidades.

23-01-2014

Link permanente 08:07:00, por José Alberte Email , 535 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: A familia Aznar fai-se de ouro graças à agenda de papai e a hipotecas "a preço de saldo"

http://www.elplural.com/

O Aznar “Novo” fai-se de ouro graças à agenda de papai e a hipotecas "a preço de saldo"

O primogénito do ex-presidente é conselheiro da sociedade que gere 12.000 milhões de euros em activos imobiliários da pública Bankia

Nos últimos meses estám circular numerosas notícias sobre como os Aznar estám em primeira linha de quem estám conseguir réditos desta “crise” económica. Desde logo o ex-presidente Aznar, que trabalha entre outras muitas empresas para umha multinacional do ouro que se disparou com as turbulências do euro ou para o presidente em Espanha da consultora KPMG que gere desde preferentes de Bankia até ERes do Canal 9.

A sombra do pai e dos seus amigos

Porém nom se trata unicamente do pai porque o primogénito do ex-presidente, José Maria Aznar Botella, também está a dar muito que falar graças aos contactos do seu pai. La Voz da Galiza já informou de que este jovem “empresário” participa na gestom dos activos imobiliários de Bankia -a entidade resgatada com mais 20.000 milhoes de euros públicos-através de Promontoria Plataforma, sociedade da que é conselheiro e que está presidida por Juan Manuel Hoyos Martínez de Irujo. Hoyos foi colega de Aznar no elitista colégio madrileno do Pilar e já estivo perfeitamente situado durante o boom das tele-comunicaçons trabalhando para Telefónica através da consultora McKinsey. Foi ademais um dos assessores na sombra do ex-presidente na sua carreira presidencial e depois, ainda que nunca quis incorporar ao Governo, como explicou Voz Populi.

Fundo abutre vinculado ao Partido Republicano Norteaméricano

Promotoria Plataforma é por outra parte umha sociedade instrumental do fundo abutre de investimento Cerberus Capital Management, de marcado cor de dólares estadounidenses e mais em concreto vinculado a “popes” do Partido Republicano.

Activos desvalorizados com a crise

Agora através da diário Informaçom Sensível difundírom-se dados contundentes sobre a gestom que fai Promontoria dos activos imobiliários desvalorizados que compra a entidades de crédito. O método de trabalho basicamente é comprar hipotecas de risco por muito menos do valor nominal que assinaram no seu dia os hipotecados e executar o embargo, combinando-se com o piso e obtendo umha mais-valia depois com a venda do imóvel. A web recupera vários exemplos concretos de pessoas em risco de perder as suas casas.
“Cerberus compra a preço de saldo, mas nunca se mostra. Sempre o fai através de Promontoria Holding. Eles podem negociar umha daçom em pago, mas nunca o aluguer da habitaçom”, explica um letrado que tivo que negociar com eles umha execuçom hipotecaria.

Comissons a cambio de “ajudar” à pública Bankia

No que di respeito ao contrato em “exclusiva” com Bankia para gerir durante 10 anos o seu mais de “12.000 milhões de euros brutos de activos imobiliários e de parte da dívida derivada de empréstimos a promotores”, o diário informa que Promontoria Plataforma recebe umha comissom por colocá-los. Apesar de que Bankia é umha entidade pública sustida com o dinheiro de todos, nom oferecêrom explicaçons sobre por que se elegeu à empresa do Aznar “Novo” -quase nom falam de um “processo competitivo”- ou de quanto se lhe pagou de momento em conceito de comissons. Perguntado polo seu papel na sociedade, o filho do ex-presidente nom quis oferecer nengum tipo de declaraçom sobre o labor que realiza para Cerberus.

15-01-2014

Link permanente 23:28:13, por José Alberte Email , 1835 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Federal Reserve - Agonia mortal no seu 100º aniversário

por Valentin Katasonov [*]

http://www.resistir.info/financas/agonia_mortal.html

O Federal Reserve Act foi promulgado em 23 de Dezembro de 1913 quando, há uma centena de anos, a lei foi assinada pelo presidente Woodrow Wilson. Desde então o Federal Reserve System tornou-se um factor determinante da economia e da política estado-unidense.

Um Federal Reserve System ilegítimo

Muitos americanos acreditam que um bando de banqueiros internacionais alcançou o poder quando o Federal Reserve System (FRS) entrou em vigor. O presidente e o Congresso tornaram-se servos dos principais accionistas do FRS. A Federal Reserve Corporation, de propriedade privada, pertencente a um grupo de banqueiros, tornou-se o único poder real na América o qual começou então a competir pela dominância mundial. Numerosas publicações dedicaram-se ao assunto.

O livro Secrets of the Federal Reserve, de Eustace Mullins, foi o primeiro a vir a lume no fim da década de 1940. Foi seguido por The Federal Reserve Conspiracy de Antony Sutton; The Syndicate: The Story of the Coming World Government de Nicholas Hagger, The Unseen Hand de A. Ralph Epperson e The Gods of Money de William Engdahl. Há um bestseller recente do antigo deputado Ron Paul chamado End the Fed . O poder do Federal Reserve no século XX instilou um falso sentimento da sua eternidade tal como o da emissão do dólar. Estas ilusões evaporaram-se gradualmente quando eventos no princípio do século XXI começaram a desdobrar-se... Ron Paul enumera muitos casos em que o Federal Reserve System tem estado em directa violação do Federal Reserve Act. O mais chocante é a concessão pelo Federal Reserve System de créditos incrivelmente gigantescos na quantia total de US$ 16 milhões de milhões (trillion) aos maiores bancos da América e da Europa durante a recente crise financeira. Não me refiro ao facto de que o próprio estabelecimento do Federal Reserve System foi uma flagrante violação da Constituição americana, a qual afirma claramente que só o Congresso está autorizado a emitir moeda, não um grupo de proprietários privados.

Cenário da "fuga do dólar"

O Federal Reserve System preservou sua influência ao longo de todo o século porque houve procura do US dólar produzido pelas suas impressoras, no país e além das suas fronteiras. Todos os esforços da política externa dos EUA desde o começo do século XX até o princípio do XXI centraram-se na promoção da mercadoria produzida pelas máquinas de impressão do Federal Reserve. Foi isto que levou ao desencadeamento de duas guerras mundiais e a um bocado de conflitos locais. Não era difícil manter a produção do Federal Reserve System com a procura pós II Guerra Mundial, quando o mundo obtinha a maior proporção de bens comprando-os aos EUA e dando dólares em contrapartida. Os EUA eram o maior accionista do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que promoviam o processo de "dolarização". Isto constituía o cerne do Plano Marshall com o lançamento de múltiplos programas de ajuda externa estado-unidenses.

Graças à política de Kissinger para o Médio Oriente, apoiada pelo poder militar dos EUA, em 1973-1975 Washington conseguiu introduzir as bases do padrão petróleo-dólar. O mundo começou a vender o "ouro negro" apenas por dólares. Os mercados financeiros mundiais começaram a prosperar na segunda metade do século XX e os "instrumentos financeiros" eram predominantemente vendidos também em US dólares.

A procura pelo dólar começou a cair nos últimos anos. A competição com outras divisas começou. O euro, o yuan e as divisas alheias à lista das moedas de reserva desafiaram a nota verde. Tentando livrar-se da dependência do dólar, líderes de outros países muitas vezes faziam declarações extremas as quais são percebidas pelos donos do Federal Reserve System como apelos ao boicote do padrão petróleo-dólar. No seu tempo, Saddam Hussein recusou-se a vender o "ouro negro" por dólares e comutou para pagamentos em euro. Washington respondeu imediatamente; a revolta resultou no derrube de Saddam Hussein e a sua posterior execução. Algum tempo depois o mesmo destino foi reservado a Muammar Qaddafi, o qual havia planeado abandonar o dólar pelo dinar dourado. Os planos de Washington fracassaram quando chegou a vez do Irão. As sanções estado-unidenses foram impostas há longo tempo (1979). Mas o país era um osso duro de roer. O Irão recusou-se terminantemente a utilizar o US dólar para transacções externas (deveria ser notado que todas as transacções tramitam através do sistema bancário dos EUA e são controladas pelo Federal Reserve System). Isto é um precedente perigoso, um exemplo que pode ser seguido por outros estados. Passos cautelosos para gradualmente afastar-se do dólar começaram a ser tomados pela China. Pequim concluiu uma série de acordos com outros países para utilizar divisas nacionais no comércio externo. Exemplo: está em vigor um acordo entre Pequim e Tóquio que prevê a utilização do yuan e do yen para as transacções comercias China-Japão pondo de lado todas as outras divisas, incluindo o US dólar. Estes eventos poderiam ser caracterizados como uma emancipação gradual em relação ao US dólar, processo que a qualquer dado momento pode tornar-se uma fuga da divisa dos Estados Unidos. Neste caso, o Federal Reserve System pode não morrer de imediato, mas tornar-se-á nada mais do que um banco central comum com operações limitadas apenas pelos desenvolvimentos económicos internos.

O cenário do "Federal Reserve System" fora do negócio

Alguns anos atrás ninguém poderia imaginar um cenário que considerasse a bancarrota do Federal Reserve System. Mas os apuros do FRS começaram a agravar-se rapidamente a partir de 2010 devido à implementação da política da facilidade quantitativa (quantitative easing). Anunciando o objectivo de restaurar a economia nacional e promover o emprego após a crise financeira, o Federal Reserve System continuou a aumentar a produção das suas impressoras. O mecanismo é tão simples quanto podia ser: o Federal Reserve System troca a sua produção de papel por diferentes espécies de títulos oferecidos por bancos americanos (US$85 mil milhões por mês durante o ano passado). Os papéis incluem títulos do Tesouro dos EUA ou títulos hipotecários. Estes últimos não são senão pedaços de papel que os financeiros chamam "activos tóxicos" no seu jargão profissional. O preço de mercado é extremamente baixo (de vez em quando flutua em torno de zero), mas o Federal Reserve System adquire-os ao seu valor facial ou quase ao custo nominal. O FRS só pode vender "activos tóxicos" a operar com prejuízo. A acumulação de tais "activos" criará uma bolha inchada de forma monstruosa. Há bolhas imobiliárias e cambiais, agora emergirá um novo tipo de bolha. Não se trata apenas dos papéis hipotecários; os títulos do tesouro também podem causar problemas. Hoje o Federal Reserve System paga um alto preço por títulos do tesouro mas amanhã o seu preço de mercado pode afundar. Assim o FRS terá prejuízo ao vendê-los. Qualquer organização comercial utilizará o seu próprio capital como uma reserva de prontidão para cobrir perdas. O mesmo se passa para o Federal Reserve System. Mas neste caso é apenas um capital simbólico representando apenas 3-4 por cento dos activos actuais do FRS. A propósito, ele deve cumprir exigências de capital inicial mínimo (as exigências estão definidas e os procedimentos estipulados por documentos especiais do Comité de Supervisão Bancária do Banco de Pagamentos Internacional (Bank for International Settlements) ). Actualmente o Federal Reserve System está longe de cumprir com estas exigências. Os peritos sabem bem disto mas as discussões nunca saem do círculo estreito de iniciados que traram do negócio. Ninguém entre os peritos pode propor algo como um plano significativo para resgatar o Federal Reserve System da bancarrota iminente.

Cenário "bancarrota do governo"

O Federal Reserve System tem actuado como o salvador do governo estado-unidense. O FRS concede empréstimos ao Tesouro ao comprar títulos de dívida. Naturalmente, ele não é a única entidade a salvar o governo. Muitas outras organizações dos EUA têm adquirido títulos do tesouro – bancos comerciais e de investimento, fundos de investimento, companhias de seguros, fundos de pensão. Os bancos centrais de outros países e ministérios das finanças até recentemente representavam metade das aquisições dos títulos do tesouro. Hoje a China, Japão, Arábia Saudita e alguns outros países com enormes reservas de ouro e divisas estrangeiras são os principais credores do governo dos EUA. A China e outros estão gradualmente a perder o desejo de acrescentar "papel verde" às suas reservas internacionais. No fim de 2013 um vice-governador do Banco da China fez uma declaração sensacional dizendo que a China já não era favorável à acumulação de reservas cambiais estrangeiras.

O Federal Reserve System tornou-se o principal prestamista (doador) do Tesouro dos EUA. No terceiro round da facilidade quantitativa, "QE3", o Federal Reserve System começou a comprar a fatia do leão dos papéis utilizados pelo governo para cobrir os buracos orçamentais (a fim de pagar o défice orçamental). Um círculo vicioso começou: o Federal Reserve dá ao Tesouro a "nota verde"; em retorno o Tesouro dá os títulos ao Federal Reserve. Isso parece-se a um moto perpétuo monetário. Este mecanismo "fechado" priva a economia americana e mundial da divisa necessária, funciona só para si mesmo. A falta da "nota verde" será exponencialmente compensada por outras divisas e seus substitutos.

Além disso, há mais uma armadilha à espera do governo dos Estados Unidos e do Federal Reserve System. O governo americano tem de utilizar o orçamento para amortizar a sua dívida. As taxas de juro actualmente estabelecidas pelo Federal Reserve System são cerca de zero. As taxas de juro dos títulos do tesouro (orientada pelas taxas do Federal Reserve System) também são extremamente baixas. Cerca de 7 por cento do dinheiro do orçamento é gasto com o reembolso das dívidas do governo. É aceitável. Mas vamos imaginar que as taxas de juro começam a crescer (mais cedo ou mais tarde elas inevitavelmente subirão). A percentagem do orçamento gasto no reembolso da dívida (pagamentos de juros) também aumentará. Peritos acreditam ser possível que 50 por cento do total do orçamento seria gasto para cobrir juros. Neste caso o moto perpétuo financeiro cessará porque atingirá um obstáculo natural como as receitas de impostos que abastecem o orçamento de estado dos EUA. Então o único cliente do Federal Reserve System – o governo americano – irá à bancarrota. Depois disso o próprio Federal Reserve System terá de abandonar o espectro.

Há outros cenários a serem considerados, todos eles relacionados com o Federal Reserve System, o dólar e os Estados Unidos – os três pilares do sistema financeiro e político integrado. Todos eles são desfavoráveis aos proprietários do Federal Reserve System. Na verdade, exactamente a mesma situação foi enfrentada na primeira metade do século XX pelos proprietários do Banco da Inglaterra quando o US dólar começou a rivalizar com a todo-poderosa libra esterlina. A última oportunidade para os donos do Banco da Inglaterra preservarem "um lugar ao sol" foi desencadear uma guerra em grande escala. Receio que seja exactamente isso o que os actuais donos do Federal Reserve System tenham em mente.
23/Dezembro/2013

Nestes links podem ser descarregados gratuitamente os seguintes livros mencionados pelo autor:
Secrets of the Federal Reserve Bank
The Federal Reserve Conspiracy
The Unseen Hand. An Introduction to the Conspiratorial View of History

[*] Economista.

O original encontra-se em www.strategic-culture.org/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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