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27-09-2013

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Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O valor do dinheiro

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"O sistema monetário pós Bretton Woods pode ser caracterizado não como um padrão dólar, mas mais rigorosamente como um padrão petro-dólar".
por Prabhat Patnaik [*]

Introdução

Um aspecto intrigante da nossa vida quotidiana é que uns pequenos pedaços de papel que intrinsecamente não valem nada, e a que chamamos dinheiro, pareçam ter valor e possam ser trocados por objectos úteis. O propósito deste livro é examinar a organização social subjacente a este facto. Embora esta organização social não seja mais do que toda a organização social subjacente ao capitalismo, há uma razão para começarmos a nossa investigação pelo "lado do dinheiro". Isto porque uma parte importante da organização social, que nem sempre é aparente quando começamos pelo conceito de "capital", surge com maior nitidez quando consideramos o dinheiro como ponto de partida para a nossa análise. Esta parte prende-se ao facto de o capitalismo não poder existir, e nunca ter existido, isolado como um sistema fechado, contido em si mesmo, conforme se pressupõe habitualmente em grande parte da análise económica. Por outras palavras, a melhor via para entender a totalidade da organização social subjacente ao capitalismo é começar por uma pergunta muito simples: O que é que insufla o valor a estes pedaços de papel que não têm qualquer valor intrínseco? Esta pergunta, por seu turno, faz parte duma pergunta mais abrangente: O que é que determina o valor do dinheiro, quer ele consista de bocados de papel sem valor intrínseco ou de metais preciosos? Para estas perguntas tem havido duas respostas básicas em economia. A primeira proposta deste livro é que uma dessas respostas, a que é dada pela actual economia "predominante" (mainstream), não resiste a uma avaliação lógica. Portanto vou começar com uma crítica da economia "predominante" e, em especial, da noção de "equilíbrio" que lhe é central.

Uma crítica da noção predominante de equilíbrio

A teoria económica predominante toma a compensação do mercado (market clearing) como ponto de referência. Na sua percepção, a flexibilidade de preços que caracteriza os mercados no tipo ideal de economia capitalista, garante a equiparação da oferta e da procura num conjunto de preços de equilíbrio. As dotações que uma economia dispõe e cuja propriedade é distribuída de determinada maneira entre os agentes económicos são plenamente utilizadas para produzir um conjunto de bens cuja oferta é exactamente igual à sua procura neste conjunto de preços de equilíbrio. Decorre daí que numa economia dessas não existe a questão de qualquer desemprego involuntário, no sentido de uma oferta excessiva de mão-de-obra à taxa salarial prevalecente, em equilíbrio. Gostos, tecnologia, a dimensão das dotações e a sua distribuição pelos agentes económicos e as "condições de frugalidade" (para usar uma frase de Joan Robinson), ou aquilo a que alguns chamariam a "preferência no tempo" dos agentes económicos, determinam os preços de equilíbrio e os produtos neste mundo de agentes "racionais", onde as empresas maximizam lucros e indivíduos maximizam utilidades.

Mas esta noção predominante de equilíbrio só é logicamente sustentável num mundo sem dinheiro, razão por que não pode ser uma descrição logicamente válida para uma economia capitalista. Isto porque num mundo com dinheiro, de acordo com esta concepção, o mercado do dinheiro deve "compensar" a um determinado preço do dinheiro em termos dos bens não monetários. Isso só pode acontecer se o excesso na curva da procura de dinheiro tiver uma inclinação descendente em relação ao "preço do dinheiro". Por outras palavras, para uma dada oferta de dinheiro a procura por dinheiro tem que variar em proporção inversa ao preço do mesmo. Sendo o preço do dinheiro a recíproca do nível de preço das mercadorias em termos de dinheiro, isso implica que a procura de dinheiro tem que variar em proporção directa com o nível do preço das mercadorias. A economia predominante considerava isto como garantido, porque via o dinheiro apenas como um meio de circulação, de modo que quanto maior fosse o valor dos bens que têm de circular, maior seria a procura de dinheiro. Logo, com a produção ao nível do pleno emprego, o valor dos bens (e portanto o valor dos bens a circular) depende do seu nível de preço, a procura por dinheiro tem de estar relacionada positivamente ao nível de preços.

O papel do dinheiro como meio de circulação assegurava isso. O problema, contudo, é que o dinheiro também é uma forma de riqueza. Ele não pode ser um meio de circulação sem ser uma forma de riqueza, visto que até mesmo o anterior papel exige que o dinheiro seja mantido, mesmo que fugazmente, como riqueza. E quando o papel do dinheiro enquanto forma-de-riqueza é reconhecido, torna-se claro que a procura de dinheiro também depende dos retornos esperados de outras formas de riqueza. Se a procura de dinheiro depende das expectativas quanto ao futuro, então não há nenhuma razão para que a curva da procura do dinheiro deva ser inclinada em sentido ascendente em relação ao nível de preços, conforme exigido pela teoria "predominante", visto que qualquer alteração no nível de preços não pode deixar de alterar as expectativas.

Para sair deste atoleiro, a teoria predominante arranjou dois caminhos alternativos. Um deles é recusar, muito teimosamente, o papel do dinheiro como forma-de-riqueza e ver o dinheiro só como meio de circulação. O outro é reconhecer o papel do dinheiro como forma-de-riqueza mas assumir que as expectativas são sempre de um tipo que não cria qualquer problema à teoria, pelo menos no que se refere à existência e à estabilidade do equilíbrio. O primeiro é o caminho ortodoxo da constante k de Cambridge ou, o que de facto vem a dar na mesma, uma velocidade de circulação do dinheiro constante (sujeita a alterações autónomas a longo prazo), a qual é amplamente usada ainda hoje em trabalho empírico corrente do género monetarista. O segundo é o caminho do efeito de "equilíbrio real", cuja validade depende, entre outras coisas, do pressuposto de expectativas de preços não elásticos.

No entanto, estes dois caminhos estão bloqueados por contradições lógicas. O caminho da constante-Cambridge está bloqueado pela contradição óbvia de que o dinheiro não pode ser assumido logicamente como um meio de circulação a não ser que também possa funcionar como forma de riqueza. E se pode, então não há razão para que não o faça. E se o faz, então não podemos assumir uma constante k de Cambridge. O segundo caminho está bloqueado pela contradição de que expectativas de preços não elásticos pressupõem uma certa fixação aos preços, ou seja, a existência de alguns preços que estão colados, e num mundo de preços flexíveis não há razão para que seja este o caso. Segue-se que pura e simplesmente não há forma logicamente sustentável de construir uma estrutura teórica em conformidade com a percepção "predominante" num mundo com dinheiro e portanto para uma economia capitalista.

Por causa disso existe uma tradição alternativa na economia, a que eu chamo a tradição "proprietarista" ("propertyist"), que sempre considerou o valor do dinheiro como sendo fixado fora do reino da oferta e da procura. A este valor, fixado fora do reino da oferta e da procura, indivíduos habitualmente mantêm saldos de dinheiro a mais para além do que é exigido para efeitos de circulação: O dinheiro constitui tanto um meio de circulação como uma forma de manter riqueza. Neste caso, é impossível manter a lei de Say. Se a riqueza pode ser mantida sob a forma de dinheiro, então surge a possibilidade de superprodução ex-ante das mercadorias não monetárias. E esta superprodução ex-ante dá origem a uma verdadeira contracção da produção, não apenas das mercadorias não monetárias mas do dinheiro e das mercadorias não monetárias no seu conjunto, precisamente porque o preço do dinheiro em termos de mercadorias é fixado no exterior do reino da oferta e da procura, de modo que não se pode assumir que a flexibilidade do preço elimine essa sobreprodução ex-ante.

Segue-se, pois, que o reconhecimento do papel do dinheiro como forma de retenção de riqueza, o reconhecimento do facto de que o seu valor não pode ser determinado no interior do reino da oferta e da procura mas tem que ser fixado no exterior desse reino, e o reconhecimento da possibilidade de superprodução generalizada ou – o que vem a dar na mesma – do desemprego involuntário no sentido keynesiano, estão logicamente interligados e constituem a tradição proprietarista. Em contraste, a negação de cada um destes fenómenos também está interligada logicamente e constitui a tradição monetarista-walrasiana que se mantém predominantemente.

Dentro da tradição proprietarista, há duas contribuições principais. Uma é de Marx, que não só assinalou explicitamente a insustentabilidade de explicar o valor do dinheiro em termos de oferta e procura, mas também forneceu uma explicação alternativa para isso através da sua teoria do valor-trabalho. Sublinhou a existência em todas as épocas de uma "acumulação" ("hoard") de dinheiro como forma de guardar riqueza numa sociedade capitalista, e reconheceu, contra Ricardo, que fora um crente na lei de Say, a possibilidade da superprodução generalizada ex-ante como consequência desse facto. Mas nem Marx nem os seus seguidores aprofundaram essa contribuição fundamental de Marx; preferiram, em vez disso, seguir exclusivamente a outra importante descoberta teórica de Marx, nomeadamente a que se relaciona com a sua teoria da mais-valia. É por isso que se passaram três quartos de um século antes de os mesmos temas terem voltado à superfície durante a revolução keynesiana através dos escritos de Kalecky e de Keynes, entre outros, que constituíram o segundo principal grupo de contribuidores dentro da tradição proprietarista.

Claro que houve diferenças importantes entre Marx e Keynes na especificação das suas teorias. Enquanto Marx invocava a teoria do valor-trabalho para explicar a determinação do valor do dinheiro, Keynes achava que o valor do dinheiro em relação ao mundo das mercadorias era fixado através da fixação do valor do dinheiro em relação uma determinada mercadoria, nomeadamente o poder da força-de-trabalho (para usar a expressão de Marx). O facto de o custo hora do trabalho ser fixado num período específico, que foi o foco de análise de Keynes, foi o que deu ao dinheiro um valor finito e positivo em relação a todo o universo das mercadorias. E a fixidez dos salários em dinheiro não foi a causa do fracasso do mercado, como se tem admitido genericamente, mas o modus operandi do próprio sistema de mercado numa economia capitalista que necessariamente usa dinheiro. A superioridade da tradição proprietarista ao analisar o funcionamento da economia capitalista sobre a tradição monetarista-walrasiana deriva pois não só do seu maior "realismo" (por exemplo, o facto de o capitalismo sofrer crises de superprodução) mas também de aquela estar liberta das debilidades lógicas que afectam o monetarismo walrasiano.

Uma crítica da noção de capitalismo enquanto sistema isolado

Este livro apresenta também uma segunda proposta. O proprietarismo, apesar da sua superioridade sobre o monetarismo, continua incompleto. Não apresenta nenhum mecanismo convincente para assegurar que o nível de actividade duma economia capitalista se mantenha dentro dos limites que a tornem viável. A propensão duma economia capitalista para a superprodução generalizada torna-a essencialmente um sistema de constrangimento da procura (em que o constrangimento da oferta só se torna relevante em períodos excepcionais duma procura excepcionalmente alta). Mas se o capitalismo é um sistema de procura constrangida, então o que é que garante o facto de ele se manter viável, ganhando genericamente uma taxa de lucro que os capitalistas considerem adequada? As operações espontâneas dum sistema de procura constrangida não vão assegurar que ele funcione genericamente acima de um determinado grau de capacidade de utilização, que constitui o limiar da sua viabilidade. Conforme mostrou a discussão harrodiana sobre o crescimento, uma economia capitalista, entregue aos seus próprios dispositivos, não tem os meios para voltar atrás se entrar numa desaceleração. E como mostrou Kalecki no contexto dum sistema de procura constrangida, de que o universo harrodiano foi um exemplo específico, a tendência a longo prazo num sistema desses, na ausência de estímulos exógenos, é zero, o que certamente minaria a viabilidade dessa economia.

Ora bem, uma economia capitalista isolada, funcionando espontaneamente, não tem nenhuns estímulos exógenos. A inovação, o principal estímulo exógeno realçado por autores tão diferentes como Schumpeter e Kalecki, não é verdadeiramente um estímulo exógeno, visto que o ritmo de introdução da inovação em si mesmo não é independente do crescimento esperado da procura. E as despesas estatais, o outro principal estímulo exógeno que pode surgir numa economia capitalista isolada, não fazem parte verdadeiramente do funcionamento espontâneo do capitalismo (para além de ser um fenómeno que só adquiriu importância especial nos últimos anos). Daí que, até mesmo o proprietarismo continua incompleto. Depois de reconhecer correctamente que o sistema capitalista é propenso a uma deficiência da procura agregada, não oferece qualquer explicação sobre como, apesar disso, o sistema conseguiu sobreviver e prosperar durante tanto tempo.

Há aqui uma segunda questão com ela relacionada. Para a esclarecer, esqueçamos por instantes a primeira questão. Aceitemos que um estímulo exógeno sob a forma de inovações consegue sempre manter o nível da procura e portanto o nível de actividade na economia capitalista que constitui o nosso universo. Ora bem, mesmo que o valor do dinheiro em termos de mercadorias não monetárias seja dado do exterior do reino da oferta e da procura em qualquer período, se esse valor continuar a variar de forma ilimitada ao longo de períodos, através, por exemplo, duma inflação acelerada, então a existência continuada duma economia monetária normal mais uma vez é inexplicável. E se o nível de actividade tiver que se ajustar para manter os movimentos de preços "ao longo de períodos" dentro de limites, então esse nível pode muito bem cair abaixo do limiar que torna viável a economia, apesar da presença do estímulo exógeno. Segue-se que uma economia monetária tem que ter não apenas uma determinação "exterior" do valor do dinheiro em qualquer período, mas também qualquer mecanismo, que não seja o de ajustamentos no nível de actividade, para manter os movimentos de preço ao longo de períodos dentro de limites estritos. Um mecanismo óbvio é a fixidez de algum preço não só dentro do período mas também ao longo de períodos. Ou, dizendo de outro modo, o preço que é dado do "exterior" em qualquer período também deve estar a mudar lentamente ao longo de períodos. O proprietarismo continua incompleto porque não apresenta nenhuma razão para que isso aconteça. Daí que, apesar da sua superioridade sobre o monetarismo e o walrasianismo, o proprietarismo, tal como se apresenta, também não está isento de problemas lógicos.

A única forma de ultrapassar todos estes problemas é conceber o capitalismo como um modo de produção que nunca existe isoladamente, que está obrigatoriamente ligado aos modos pré-capitalistas que o rodeiam e que se mantém continuamente viável por se intrometer nos mercados pré-capitalistas. A limitação do proprietarismo é que, apesar de rejeitar o monetarismo por razões perfeitamente válidas, se manteve refém do mesmo pressuposto, de uma economia capitalista isolada e fechada, que caracterizava o monetarismo. Em resumo, a sua rejeição da perspectiva predominante não foi suficientemente radical e exaustiva.

Dizer que a economia capitalista precisa de se intrometer em mercados pré-capitalistas não é o mesmo que dizer, como o fez Rosa Luxemburgo, que ela precisa de "realizar" toda a sua mais-valia em cada período através de vendas ao sector pré-capitalista. Na verdade, o papel dos mercados pré-capitalistas nem sequer tem que ser quantitativamente significativo. Durante a maior parte do tempo a economia capitalista pode crescer pelos seus próprios meios, enquanto puder usar os mercados pré-capitalistas como meio de poder funcionar sempre que estiver num movimento descendente. E mesmo para este funcionamento, a dimensão quantitativa de vendas aos mercados pré-capitalistas não precisa de ser significativa. Com efeito, em rigor, enquanto a disponibilidade dos mercados pré-capitalistas possa instilar nos capitalistas suficiente confiança para fazerem investimentos, qualquer abrandamento pode ser travado ou mesmo abortado, sem interferência visível nos mercados pré-capitalistas. Por outras palavras, o que logicamente se exige é a existência de mercados pré-capitalistas em que se possa intrometer e não uma real intromissão significativa nesses mercados. Em resumo, constituem "mercados de reserva" a par do exército de reserva da força de trabalho. E assim é porque os bens do sector capitalista podem sempre desalojar a produção local na economia pré-capitalista, provocando nela a desindustrialização e o desemprego.

Essa deslocação periódica deixa atrás de si uma massa empobrecida na economia pré-capitalista, que constitui para o sector capitalista um segundo exército de reserva, situado à distância, para além do que existe dentro do próprio sector capitalista. Esse exército de reserva situado à distância garante que o custo hora do trabalho dos trabalhadores situados no meio desse exército de reserva só varie lentamente com o tempo. Em resumo, esses trabalhadores são "aceitadores de preços" (price-takers) – ou, mais rigorosamente, as suas reivindicações ex ante de salários reais são esmagadas precisamente porque estão situados no meio de amplas reservas de mão-de-obra. Como os produtos que eles produzem entram nos custos de salários e matérias-primas do sector capitalista no seu âmago, desempenham o papel de "pára-choques" do sistema capitalista. Por causa deles, a economia capitalista mantém-se viável tanto no sentido de ter um nível de actividade que ultrapassa o nível do limiar que lhe fornece a taxa de lucro mínimo aceitável, como no sentido de que o seu sistema monetário pode ser sustentado sem qualquer receio de aceleração da inflação.

Em resumo, o modo de produção capitalista precisa de estar sempre rodeado por modos pré-capitalistas que não são deixados na sua pureza preservada, mas são modificados e alterados de um modo que faz com que sirvam melhor as necessidades do capitalismo. O carácter incompleto do proprietarismo pode ser ultrapassado através do reconhecimento de que o capitalismo tem sempre integrada esta condição.

Esta percepção, embora tenha alguma afinidade com a de Rosa Luxemburgo, difere da dela de modo crucial. Primeiro, conforme já referido, realça mais o papel qualitativo dos mercados pré-capitalistas do que o seu papel quantitativo, e evidentemente não os considera como o local para a realização de toda a mais-valia do sector capitalista em cada período. Segundo, não considera o sector pré-capitalista como sendo assimilado pelo sector capitalista e portanto desaparecendo com o tempo como uma espécie distante; pelo contrário, mantém-se como uma economia devastada e degradada, local duma ampla massa empobrecida de pequenos produtores desalojados, uma reserva de trabalho longínqua, que serve as necessidades do capitalismo garantindo a estabilidade do sistema monetário.

Relações sociais subjacentes ao dinheiro

Assim, subjacente a uma economia monetária moderna, existe um conjunto de relações sociais que são necessariamente desiguais e opressivas. A estabilidade do valor do dinheiro baseia-se na persistência dessas relações. Claro que isso não significa que cada economia capitalista utilizadora de dinheiro tenha que impor essas relações desiguais e opressivas em determinado segmento especial do seu ambiente pré-capitalista. Habitualmente essas economias capitalistas estão interligadas num sistema monetário internacional e a potência capitalista dominante na altura assume a tarefa de impor as relações desiguais requeridas ao mundo "exterior" das economias pré-capitalistas e semi-capitalistas. Assim, a estabilidade do valor do dinheiro fica ligada à estabilidade do sistema monetário internacional, assumindo sobretudo a forma da manutenção da confiança dos detentores da riqueza do mundo capitalista na divisa da economia dominante como um meio estável para a detenção da riqueza.

Nem sempre é óbvio que esse papel da divisa do país dominante decorra da sua capacidade de sustentar um conjunto de relações globais desiguais e opressivas. Por vezes pensa-se que esse papel decorre de a divisa dominante estar ligada a metais preciosos. Mas isso é um erro. A ligação aos metais preciosos, por si só, não pode ser sustentada na ausência de tais relacionamentos. A estabilidade do sistema monetário internacional durante os anos do padrão ouro verificou-se não devido ao apoio do ouro às divisas, incluindo em especial a libra esterlina, que era a divisa dominante da época; resultou de a Grã-Bretanha poder impor um conjunto de relações opressivas e desiguais sobre grandes faixas do globo que constituíam o seu império formal e informal. A manutenção da ligação ao ouro era um sinal para os detentores de riqueza de que essas relações continuavam. E quando essas relações foram desgastadas no período entre guerras, apesar de a libra esterlina estar formalmente ligada ao ouro novamente, essa ligação não pôde ser sustentada.

Segue-se daqui que, mesmo na ausência de qualquer ligação anterior a metais preciosos, enquanto a potência capitalista dominante puder estabelecer essas relações globais, a sua divisa continua a ser considerada "tão boa como o ouro"; ou seja, mesmo um padrão puro do dólar só pode constituir o sistema monetário internacional enquanto os Estados Unidos puderem estabelecer a hegemonia global exigida para instilar a confiança entre os detentores de riqueza do mundo capitalista de que a sua divisa é "tão boa como o ouro". No entanto, uma pré-condição para isso é que o valor da sua força de trabalho, em termos da sua divisa, tem que ser relativamente estável (o que exclui uma inflação significativa, quanto mais uma inflação acelerada no seu próprio território); e, relacionado com isso, o valor das importações cruciais que entram no custo de salários e no custo dos materiais, também tem que ser relativamente estável. Com efeito, enquanto esta última condição se cumprir e as reservas de mão-de-obra internas forem suficientemente grandes para impedir qualquer aumento autónomo de salários, a inflação pode ser excluída como fonte de desestabilização do papel da sua divisa como meio estável de detenção de riqueza. Como a contribuição mais significativa é a importação do petróleo, um padrão dólar pode funcionar enquanto o preço em dólares do petróleo for relativamente estável. Portanto, o que parece à primeira vista ser um padrão dólar puro, se olharmos mais de perto tem que ser um patrão petro-dólar. O sistema monetário pós Bretton Woods pode ser caracterizado não como um padrão dólar, mas mais rigorosamente como um padrão petro-dólar. Segundo todas as aparências, o mundo pode ter acabado com o dinheiro mercadoria com a separação do dólar do ouro. Mas o ponto crucial da argumentação deste livro é que nunca pode ser assim. O valor do dinheiro, mesmo o dinheiro papel ou crédito, deriva da sua ligação ao mundo das mercadorias.

A procura mundial de petróleo e gás natural que ocorre presentemente, liderada pelos Estados Unidos, não é alimentada apenas pelo desejo de adquirir estes recursos para utilização. É alimentada muito mais fortemente pela necessidade de preservar o padrão petro-dólar. Até Alan Greenspan reconheceu abertamente que a invasão do Iraque foi feita para assumir o controlo sobre as suas imensas reservas petrolíferas; sem dúvida há motivos semelhantes subjacentes à ameaça de acção contra o Irão. Uma percepção comum é que essa aquisição do controlo é necessária aos Estados Unidos e a outros países avançados porque são os principais consumidores deste recurso, que actualmente está em mãos alheias. Pode ser que assim seja. Mas um motivo extremamente significativo que quase invariavelmente é esquecido é que o controlo do petróleo é essencial para a preservação do actual sistema monetário internacional.

Isto à primeira vista pode parecer estranho porque a tentativa desse controlo tem sido acompanhada por um aumento maciço do preço em dólares do petróleo. Mas isso é porque a invasão do Iraque não ocorreu de acordo com o planeado. E, de resto, o aumento do preço do petróleo, per se, não é desestabilizador se não provocar persistentemente uma inflação mais alta e se não der origem a expectativas de aumentos persistentes no preço do petróleo ou no nível de preços em geral no país dominante. Os obituários ao sistema monetário internacional dominante, relativos à hegemonia do dólar, são prematuros. Mas, embora possa ser assim, há a importante sensação de que o mundo capitalista está cada vez mais acossado por dificuldades.

O capitalismo na maturidade

Rosa Luxemburgo extraiu da sua análise a conclusão de que o sistema capitalista estava confrontado com a inevitabilidade do "colapso", quando todo o sector pré-capitalista fosse assimilado ao sector capitalista. Essa conclusão não se segue da argumentação apresentada neste livro; e nenhuma conclusão assim pode ser retirada validamente acerca do capitalismo. O capitalismo contemporâneo, porém, está confrontado com graves dificuldades, muitas das quais surgem do avanço do próprio capitalismo.

São óbvias duas consequências da maturidade. Primeiro, o peso do sector pré-capitalista, e portanto do mercado pré-capitalista, diminui ao longo do tempo em relação à dimensão do sector capitalista, de modo que já não consegue desempenhar o mesmo papel de fornecer um estímulo exógeno ao sector capitalista como fazia anteriormente. Segundo, o declínio na quota das importações (excluindo o petróleo) das mercadorias primárias no valor bruto da produção da metrópole capitalista, em si mesmo uma herança do esmagamento dos produtores primários, implica que qualquer outro esmagamento se torna cada vez mais infrutífero. A compressão das reivindicações ex ante desses produtores deixa de ser uma arma potente para impedir a aceleração da inflação no nível de actividade prevalecente.

O primeiro destes problemas pode ser ultrapassado através da "gestão da procura" pelo estado. Mas com a globalização da finança, nem todos os estados podem fazer isso, visto que esse activismo estatal assusta os especuladores. O governo do país capitalista dominante, os Estados Unidos (cuja divisa é considerada "tão boa como o ouro") ainda consegue aguentar um défice fiscal para estimular a procura mundial, e um défice corrente em relação às potências capitalistas suas rivais por lhes oferecer um mercado maior. Em resumo, pode agir como estado mundial substituto, expandindo o nível de actividade na economia capitalista mundial.

Há dois obstáculos óbvios para isso. Primeiro, o governo dos EUA, que pode agir como estado mundial substituto, é apesar de tudo um estado nação. Dificilmente se pode esperar que venha a ser suficientemente altruísta para estimular o nível de actividade no mundo capitalista no seu conjunto, e não unicamente dentro das suas fronteiras, aumentando a dívida externa da sua economia (que essa intervenção expansionista provocaria). Segundo, mesmo a um nível de actividade relativamente baixo no mundo capitalista, a economia dos EUA já está a ficar cada vez mais endividada. Dificilmente se pode esperar que este problema se agrave ainda mais por razões altruístas, o que implica que o estímulo da procura no mundo capitalista, e daí a tendência da taxa de crescimento, continuará a manter-se baixa.

A crescente dívida dos EUA, mesmo ao actual nível de actividade, representa uma ameaça potencial para a sua hegemonia, e é na verdade um desenvolvimento único. A ideia de a potência capitalista dominante ser também a mais endividada representa uma situação sem precedentes na história do capitalismo. A bem dizer, a principal potência capitalista, a fim de preservar o seu papel de liderança satisfazendo as ambições das potências suas recém industrializadas potências rivais novamente, tem necessariamente numa determinada fase da sua carreira que gerir um défice de transacções correntes com elas. A Grã-Bretanha, a potência capitalista dominante no seu tempo, teve que fazer o mesmo nos finais do século XIX e início do século XX, um período de difusão significativa do capitalismo. Mas a Grã-Bretanha não se endividou nesse processo; pelo contrário, tornou-se a mais importante nação credora do mundo exactamente durante esse mesmo período. Hoje, o caso com os Estados Unidos é exactamente o oposto.

A principal razão para essa diferença é que a Grã-Bretanha usou as suas colónias e semi-colónias tropicais para encontrar mercados para os seus produtos, que estavam a ser cada vez mais desdenhados na metrópole; e como as mercadorias primárias produzidas por essas colónias e semi-colónias eram procuradas pelas suas rivais recém-industrializadas, eram produzidas para ganhar um excedente de exportação em relação a estas últimas, o qual não só equilibrou o défice de contas correntes da Grã-Bretanha com elas, mas ainda forneceu uma quantia extra para exportação de capital para essas economias recém-industrializadas. A Grã-Bretanha não teve que pagar por essa quantia extra, uma vez que se apropriava pura e simplesmente de graça de uma parte da mais-valia produzida nessas colónias e semi-colónias que financiava essas exportações de capital. Hoje aos Estados Unidos faltam tais colónias; e, conforme já mencionado, a importância relativa em termos de valor de exportações de mercadorias primárias para a metrópole diminuiu de tal forma que tal arranjo já não funcionará por muito tempo. O controlo político sobre os países ricos em petróleo oferece algumas perspectivas de ressuscitar com êxito o antigo arranjo colonial ao estilo britânico para pagar as contas correntes sem ficar endividado. E é isso, conforme já vimos, exactamente o que os Estados Unidos tencionam obter.

Assim, o que se perfila no horizonte é um prolongado período de crescimento lento para a metrópole capitalista, o crescente endividamento da principal potência capitalista e a ameaçadora incerteza quanto à continuação do padrão petrodólar e quanto à saúde geral do sistema monetário internacional. Tudo isto está a suceder em meio a "abertura" do terceiro mundo ao movimento desenfreado da finança globalizada e das operações sem restrições das corporações multinacionais, e de tentativas da potência capitalista dominante para a reconquista política dos países do terceiro mundo ricos em petróleo. Na ausência de um esforço consciente para transcender esta situação, a humanidade ficará presa nas garras viciosas de uma dialéctica de engrandecimento imperialista, tanto engendrando como derivando legitimidade a partir de um terrorismo destrutivo como contrapartida. Ninguém pode acreditar honestamente que é este o destino final da humanidade. Para ultrapassar esta conjuntura, contudo, temos primeiro de nos libertar das viseiras da teoria económica dominante.
[*] Economista, responsável pela cadeira Sukhamoy Chakravarty na Universidade Jawaharlal Nehru, Nova Delhi. Autor de numerosas obras, dentre as quais: Accumulation and Stability Under Capitalism , The Retreat to Unfreedom , Lenin and Imperialism: An Appraisal of Theories and Contemporary Reality , Marx's Capital: An Introductory Reader e The Value of Money , do qual foi extraído o presente excerto.

O original encontra-se em http://cup.columbia.edu/book/978-0-231-14676-0/the-value-of-money/excerpt . Tradução de Margarida Ferreira.

Este excerto encontra-se em http://resistir.info/ .

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CANTA O MERLO: A natureza da actual crise capitalista

por Prabhat Patnaik [*]

http://www.resistir.info/crise/natureza_da_crise_capitalista.html

Toda a gente concorda em que o capitalismo está a atravessar uma crise grave, mas diferentes pessoas lêem esta crise diferentemente. A visão mais comum, mantida mesmo por economistas progressistas como Paul Krugman e Joseph Stiglitxz, é de que a crise é inteiramente uma consequência do colapso da "bolha" habitacional. Uma vez que nesta situação de crise é improvável que a despesa privada (tanto em consumo como em investimento) aumente no futuro previsível, uma revitalização só é possível através de um aumento da despesa do Estado, o que significa que tanto nos Estados Unidos como na Europa, ao invés de adoptarem medidas de austeridade, o Estado deveria pelo contrário estar a aumentar a sua despesa.

O facto de esta panaceia para a crise não estar a ser adoptada é então explicado pela "má teoria económica" dos formadores de opinião, a "má fé" dos republicanos, a insensibilidade da direita e assim por diante. Esta visão, em suma, encara a crise como um fenómeno isolado, único, uma situação difícil na qual a economia dos EUA, e portanto a economia mundial, aconteceu ter caído devido ao colapso de um boom baseado na "bolha", a qual a anterior política monetária irresponsável do Federal Reserve Board sob a presidência de Alan Greenspan coniventemente estimulou.

O problema com esta visão é ser extremamente limitada; ela não vê a verdade toda. A crise provocada pelo colapso da "bolha" habitacional é apenas uma parte da história; ela própria está localizada dentro de uma crise estrutural fundamental do capitalismo. Na verdade, as "bolhas" "dotcom" e habitacional mantiveram oculta esta crise estrutural. Com o seu colapso temos não só a crise causada pelo próprio colapso, como também a sua sobreposição em cima da crise estrutural básica que agora fica igualmente revelada. Uma vez que esta crise estrutural está incorporada na lógica do sistema capitalista, o que temos é uma crise sistémica, não uma crise esporádica ou cíclica, da qual não há caminho de saída fácil. Em suma, entrámos num período de crise prolongada do capitalismo, reminiscente da década de 1930, a qual abrirá – não imediatamente mas através de toda uma cadeia de desenvolvimentos políticos que desencadeará, tal como nas décadas de 30 e 40 – possibilidades revolucionárias reais de transcender o sistema.

Vamos começar por formular a pergunta: por que tanto nos Estados Unidos como na Europa há tanta oposição à despesa do Estado como meio de ultrapassar a crise? Por que há uma exigência persistente de "austeridade", a qual necessariamente agrava a crise? Dizer que é apenas "má teoria económica" não é suficiente. A "teoria económica" que adquire hegemonia em qualquer época é aquela que a classe hegemónica endossa (uma proposição particularmente verdadeira porque tem uma influência directa sobre o Estado). A "má teoria económica" é um dos mecanismos através dos quais os interesses corporativos-financeiros que dominam o capitalismo contemporâneo exercem a sua pressão. A "austeridade" está a ser imposta porque o capital financeiro se opõe à despesa do Estado em grande escala para estimular a economia.

Ele não se opõe ao activismo do Estado como tal, mas quer que esse activismo assuma a forma de proporcionar incentivos para si próprio, de promover seus próprios interesses, como o meio de revitalizar a economia. Ele não quer acção directa do Estado para este objectivo através de despesa pública mais ampla. Qualquer acção do Estado que opere independentemente do capital financeiro, que procure trabalhar directamente ao invés de trabalhar através da promoção dos interesses corporativos-financeiros, mina a legitimidade social do capitalismo, e especialmente dos interesses corporativos-financeiros, pois levanta a questão: Se o Estado é exigido para consertar o sistema então porque é que precisamos do sistema, por que o Estado não tem a própria propriedade? O capital financeiro nos EUA não tem objecções aos US$13 milhões de milhões (trillion) de apoio do Estado para a estabilização do sistema financeiro; mas no momento em que a questão da despesa do Estado para revitalizar a economia é levantada, ele começa a pregar as virtudes da "austeridade". A era da hegemonia da finança é portanto uma era em que "a intervenção do Estado na administração da procura", estilo Keynes, recua para o segundo plano.

No entanto, o capitalismo exige sempre algum estímulo exógeno para sustentar o seu crescimento. Ele pode sustentar crescimento através do seu próprio "vapor" por algum tempo, mas se por qualquer razão o crescimento se extingue, incluindo a emergência de obstáculos decorrentes do próprio crescimento, inicia-se então uma espiral oposta de investimento cada vez mais baixo e crescimento declinante, a qual transporta-o na direcção de um estado estacionário, isto é, na direcção de um estado de reprodução simples. Destrinçar o sistema para fora da reprodução simples e assegurar que o crescimento não perca vapor e não entre outra vez em colapso num estado de reprodução simples é algo que é assegurado pela operação de um conjunto de estímulos externos.

Historicamente dois conjuntos de estímulos exógenos desempenharam este papel. O primeiro foi todo o sistema colonial que o exerceu até a primeira guerra mundial. A expressão "sistema colonial" é aqui utilizada não apenas para referir as possessões coloniais e semi-coloniais como a Índia e a China como também as chamadas "colónias de povoamento" de onde a "população activa" foi afastada a fim de acomodar imigrantes do núcleo capitalista. O "sistema colonial" apoiou o crescimento sob o capitalismo da seguinte maneira: juntamente com a migração de população para as "colónias de povoamento" ou para as regiões temperadas de povoamento branco, havia também uma migração paralela de capital para estas regiões a partir do núcleo capitalista, mas esta "exportação de capital" do núcleo era tornada possível através de uma apropriação do excedente das possessões coloniais e semi-coloniais. Assim a "drenagem" de excedente sem qualquer contrapartida da Índia e de outras colónias financiou as exportações de capital do núcleo capitalista para as colónias de povoamento.

Mas subjacentes a estes movimentos de grandes magnitudes de "valor" havia também importantes mudanças relacionadas com a composição das mercadorias: a Grã-Bretanha, o principal país capitalista e também o principal país exportador de capital, não produzia bens que tivessem alta procura nas colónias de povoamento como os Estados Unidos. A procura ali era substancialmente por matérias-primas, isto é, minerais e commodities primárias, as quais eram produzidas nas possessões coloniais. Assim, as exportações de capital britânicas foram tornadas possíveis primeiro por bens britânicos como têxteis a serem vendidos nos mercados indiano e asiáticos, e bens destes últimos países a serem exportados para uma contrapartida, ou, onde se verificava "drenagem", em ainda maior medida a partir destes países. Bens britânicos podiam ser vendidos em países coloniais e semi-coloniais porque eles eram mercados à disposição (on "tap"): os seus mercados podiam ser utilizados para descarregar bens britânicos, na medida necessária, a qualquer momento.

Todo este padrão de movimento global de capital e commodities, que era muito conveniente do ponto de vista do núcleo capitalista, sustentava o prolongado boom que o capitalismo testemunhou desde os meados do século XIX até a primeira guerra mundial. Após a primeira guerra mundial este padrão entrou em colapso. Burguesias internas nas colónias queriam o seu próprio espaço; o Japão emergiu como um rival da Grã-Bretanha nos mercados asiáticos; o âmbito para investimento no "novo mundo" ficou esgotado com o "fechamento da fronteira"; e o espaço para nova desindustrialização em economias como a Índia também começou a ficar cada vez mais limitado. A Grande Depressão da década de 1930 foi uma manifestação do facto de que o velho mecanismo para estimular a flutuabilidade no capitalismo já não podia mais funcionar.

A Depressão acabou só quando o segundo grande estímulo exógeno para o capitalismo, nomeadamente a despesa do Estado, se tornou efectivo, inicialmente pelos preparativos de guerra e depois pela guerra, sob o impacto da pressão da classe trabalhadora e da ameaça do socialismo, pela introdução de algumas medidas de "estado social" ("welfare state"). Mas a "intervenção do Estado na administração da procura" também agora se esgotara: a emergência do capital financeiro internacional como a força hegemónica sob o capitalismo, pelas razões antes mencionadas, atenuou o espaço para isso. Ao capitalismo, em suma, falta agora qualquer mecanismo que lhe transmita crescimento sustentado.

Além disso, isto está a acontecer num contexto em que a necessidade de um tal mecanismo está a tornar-se mais aguda. Vamos ver porque. Com a globalização tem havido um fluxo muito mais livre de capital, inclusive na forma financeira, e também de bens e serviços, por todos os países, do que em qualquer momento anterior na história do capitalismo. Em consequência, o capital das metrópoles (e o grande capital interno também) podem localizar produção nos países do terceiro mundo, onde os salários são baixos devido à existência de reservas de trabalho maciças, e exportar para os mercados metropolitanos. Isto por sua vez torna os salários dos trabalhadores nos países metropolitanos vulneráveis ao arrastamento descendente exercido pelas reservas de trabalho existentes em países do terceiro mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, nas últimas três décadas a taxa de salário real dos trabalhadores caiu em termos absolutos aproximadamente trinta por cento.

Nos países do terceiro mundo por sua vez os salários reais não aumentam. Ao contrário, a pauperização e deslocação de pequenos produtores, incluindo camponeses, que é uma outra característica da globalização, implica um inchaço do exército de trabalho de reserva que também exerce uma pressão descendente sobre os salários reais dos trabalhadores que constituem o exército de trabalho activo do capitalismo. Tomando a economia mundial como um todo, há portanto uma tendência para que a taxa dos salários reais dos trabalhadores decline ou, no mínimo, para que não aumente. Ao mesmo tempo, contudo, há uma ascensão firme na produtividade do trabalho, a qual significa que aumenta a parte do valor excedente no produto total.

Assim, desde que uma rupia de produto atribuída aos trabalhadores provoca um montante de consumo muito maior do que uma rupia atribuída aos capitalistas, qualquer aumento na parte do valor excedente no produto tem, tudo mais permanecendo constante, um efeito de depressão da procura. Se o investimento do capitalista aumentasse quando a rupia extra lhe é atribuída, então este efeito de depressão da procura podia ser ultrapassado e todo o output produzido poderia ser realizado. Mas já vimos que a tendência para o investimento dos capitalistas, muito longe de aumentar, é para permanecer reduzida ou deprimida na ausência de qualquer mecanismo para o crescimento sustentado. O resultado líquido é portanto uma tendência pronunciada rumo a crises de super-produção. O Estado capitalista que podia ter proporcionado um antídoto a esta tendência para a super-produção através da subida na sua despesa, e dessa forma absorver uma maior fatia do valor excedente e ajudar a sua realização, não pode fazer isso por causa da oposição do capital financeiro a maior despesa do Estado.

Segue-se portanto que a incapacitação do Estado capitalista como fornecedor de procura não só deixa o capitalismo mundial sem o requisito do estímulo exógeno para a manutenção do crescimento sustentado como também empurra-o ainda mais para a estagnação devido a uma razão adicional, nomeadamente a tendência de aumento da parte do valor excedente no produto mundial. O capitalismo mundial está portanto preso numa profunda crise estrutural da qual não há caminhos óbvios de escape. Isto não quer dizer que o capitalismo entrará em colapso, pois isso nunca acontece. Mas, tal como nos anos trinta, está a emergir uma nova conjuntura prenhe de possibilidades históricas para a transcendência do sistema.
04/Fevereiro/2012

[*] Economista, indiano, ver Wikipedia

O original encontra-se em www.networkideas.org/news/jan2012/news06_Nature.htm

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

06-09-2013

Link permanente 20:03:49, por José Alberte Email , 257 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: O estado espanhol (colónia USA) aceita no G20 actuar na Síria à margem da ONU

http://www.eldiario.es/internacional/Espana-comunicado-Siria-G20-EEUU_0_172533293.html

A Casa Branca inclui a Espanha na listagem de países que apoia as suas teses sobre Síria

A declaraçom considera responsável a Síria do ataque com armas químicas

Ainda que Rajoi (o mentireiro) voltou a subordinar em público toda a decisom do Governo espanhol sobre Síria aos resultados da investigaçom dos inspectores da ONU, Espanha somou-se abertamente às principais teses de Washington com a firma de umha declaraçom conjunta de onze dos países assistentes à cimeira do G20 de Som Petersburgo.

O documento, que foi difundido na web da Casa Branca e foi subscrito por Austrália, Canada, França, Itália, Japom, a República da Coreia, Arábia Saudita, Turquia, o Reino Unido e Estados Unidos, ademais de Espanha; considera "que as provas apontam claramente ao governo sírio como responsável polo ataque".

Ainda que os assinantes nom pedem umha intervençom armada na Síria à margem das Naçons Unidas, sim reclamam "umha forte resposta internacional a esta grave violaçom das normas mundiais que implique umha clara mensagem de que este tipo de atrocidades nom se podem repetir".

O texto considera dá praticamente por perdida a opçom de um ataque amparado polo Conselho de Segurança. "Os assinantes levam reclamando umha contundente, dadas as suas responsabilidades para liderar umha resposta internacional", contodo, reconhecem que o organismo leva dous anos e meio "paralisado". "O mundo nom pode esperar a processos errados intermináveis que só conduzem a um incremento do sofrimento na Síria e a instabilidade regional", assinalam.

O texto conclui lembrando que os assinantes europeus seguiram trabalhando para "promover umha posiçom europeia comum".

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CANTA O MERLO: Importantes preparativos militares da Síria, Rússia, China, Hezbollah e curdos

Al Mukawama
Agencia de Noticias de la Resistencia de los Pueblos

Últimas Informaçons

Em previsom de um ataque total por ar e terra, com mísseis e bandas de criminoso treinados pola CIA desde Jordânia, Líbano e Turquia observam-se importantes preparativos militares de defesa e contra-ataque por parte dos exércitos da Síria, Rússia, China, Hezbollah libanesa e as milícias curdas YPG.

Dá nas vistas que está em rota para as costas sírias o grande navio russo de desembarco de tropas Nikolai Flitchenkov o que permite pensar na possível entrada em combate de forças russas de infantaria em resposta a ataques terrestres coordenados polo Pentágono. As fontes russas ham manifestado que som capazes "de reagir" a todo o movimento do inimigo imperialista.

A web Telegrafist.org informa que através do Canal de Suez achega às costas sírias um navio do Exército Popular de Libertaçom (EPL) da China que quando menos busca assegurar o rol da China Popular como potência mundial nom disposta a deixar-se novamente assovalhar polos bandidos norte-americanos.

O deputado sírio Walid Ao Zaabi comentou a possibilidade de que o exército sírio dispare os seus mísseis contra Tel Aviv, Ancara e Ammán em caso de ser atacados polo imperialismo. Os mísseis sírios apontariam a campos de treino das bandas criminais em território jordano dirigidos pola CIA mas sob autorizaçom do rei desleal Abdalhah.

Certos apontamentos informam a que já se despregaram em Damasco 10 mil combatentes de Hezbollah para reforçar ao Exército Árabe Sírio, às milícias populares e ao povo em caso de ataque inimigo.

Para terminar as milícias curdas de autodefensa YPG seguem infligindo baixas aos terroristas de Al-Qaeda no norte iraquiano. Tomam previsons defensivas em caso que o Exército turco e os mercenários terroristas de Al-Qaeda aliados seus ataquem o norte sírio.

As notícias recentes nom incluem os preparativos defensivos do poderoso Exército iraniano que evidentemente nom espera passivo o discorrer dos acontecimentos nem as decisons que poda tomar o inimigo imperialista. É provável assim mesmo que as milícias palestinianas estejam a se incorporar à coordenaçom defensiva geral da Frente da Resistência.

O Mundo achega-se a umha situaçom perigosa pola vontade imperialista norte-americana de destruir a Síria baasista, laica, progressista e antisionista.

Link permanente 18:51:12, por José Alberte Email , 1047 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: A economia, o capitalismo e a guerra

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=173532

Juan Torres López

"Nom podemos construir um automóvel decente, nem um televisom? já nom temos siderúrgicas, nom podemos outorgar serviços de saúde aos nossos idosos, mas isso sim, podemos bombardear o teu país até fazê-lo merda, especialmente se o teu país está cheio de morenos?" (George Carlin).

Muita gente identifica o capitalismo com a existência dos mercados e mesmo das empresas mas isso é um grave erro. Ambos os existírom desde muito antes que o capitalismo e seguiram existindo quando desapareça, ainda que sim é em verdadeiro que em cada sistema económico funcionam com características e funçons diversas.

O traço distintivo do capitalismo é que, primeiro, incorporou à órbita do mercado recursos que antes se utilizavam fora dele, como o tempo de trabalho e a terra. Antes podia-se comprar ou vender às pessoas mas nom se adquiria a sua força de trabalho a mudança de um salário e a terra conquistava-se ou transmitia mas nom se intercambiava em mercados como se fai no capitalismo. Esse facto, e o que mais adiante se hajam mercantilizado mesmo até as expressons mais íntimas da vida humana e social, fam com que o capitalismo se distinga nom por criar, como as vezes acreditasse erroneamente, a economia de mercado, senom a sociedade de mercado. E, portanto, submeter a vida social no seu conjunto à vontade do lucro.

A utilizaçom do trabalho assalariado e de grandes volumes de capital (físico e financeiro) no seio das empresas permite multiplicar a capacidade de produçom e gerar umha grande acumulaçom que derivou, justo é dizê-lo, num progresso inegável. Mas, ao mesmo tempo, acredite fortes contradiçons e problemas sociais muito graves.

Ainda que possa parecer um simples jogo de palavras o que ocorre no capitalismo é que para poder obter benefícios há que obter cada vez mais benefícios, o que leva a produzir sem cessar e a fazer com cada vez menos custo. Só com que nom cresça o investimento, mesmo ainda que nom caia, nom só se estancam os ingressos e os benefícios senom que se reduzem de jeito multiplicado.

Mas para obter cada vez mais benefícios produzindo sem parar é preciso reduzir ao máximo o custo salarial. Isso provoca muito a miúdo a falta de sintonia entre o preço que se quereria pagar polo trabalho e a possibilidade de vender todo o que se pom à venda. Se os capitalistas fossem tam numerosos como para comprar a totalidade do que produzem poderia-se pagar umha miséria aos trabalhadores, mas se estes som os que compram a maior parte da produçom, como em realidade ocorre, resulta que à medida que se lhes paga menos é menor a capacidade global da economia para comprar a produçom. Isso quer dizer que, queiram-no ou nom, quando os capitalistas reduzem o salário pode ser que algum ganhe mais individualmente mais; porém, a nível geral, o que provocam é que se esgote a capacidade geral de absorver a produçom que entre todos geram. E daí vem a maior parte das crises que de forma recorrente vem produzindo desde que o capitalismo existe.

Para evitar isso os capitalistas tem que recorrer a diversos remédios (que nom vou comentar aqui) e um deles é alcançar que a sua produçom se adquira por quem nom depende do salário para poder comprar, concretamente polo sector público. É outro paradoxo mais do capitalismo: os capitalistas rejeitam a actividade do Estado mas só quando favorece a outros porque constantemente reclamam ao sector público que adquira a maior parte possível da sua produçom ou que salve às empresas quando a sua estratégia de poupar salário produz umha crise.

Umha dessas vias é o gasto militar. Praticamente todas as grandes empresas mundiais sem excepçom tem umha boa parte da sua actividade dedicada a fornecer bens ou serviços ao Estado e mais concretamente aos seus exércitos. É umha forma muito rendível e nom dependente dos salários de realizar a sua produçom. E nom importa que a produçom militar as vezes simplesmente se vá armazenando ou que destrua recursos quando se utiliza, porque no capitalismo a produçom nom leva a cabo em funçom de que seja mais ou menos útil o que se produz, senom de que proporcione benefícios.

É por isso que se alenta o crescimento continuado do gasto militar, ainda que já seja tam alto (1,33 bilions de euros em 2012) que até resulta claramente inecessário, pois com muitíssimo menos dessa quantidade seria suficiente para destruir várias vezes a todo o planeta. Um gasto tam elevado, irracional e desproporcional (ou melhor supracitado, um negócio tam redondo) que só se pode justificar se se generaliza a ideia e convence à populaçom de que vivemos em permanente perigo e de que há múltiplos inimigos prestes a atacar-nos, quando em realidade o que há polo meio nom é outra cousa que o desejo incontrolado de ganhar cada vez mais dinheiro das grandes empresas multinacionais.

Todos sabemos que a imensa maioria dos conflitos bélicos que se produziram na história da humanidade deveram-se a motivos económicos e também agora ocorre assim. As últimas guerras do Iraque ou Afganistám ou as que a menor escala desenvolvem noutros lugares do mundo tem a sua origem, cada vez com menos dissimulo, em interesses económicos. Mas, ademais disso, o que ocorre no capitalismo é que a guerra e o gasto militar nom só servem a interesses económicos senom que se convertêrom num interesse económico em sim mesmos.

No capitalismo, a guerra nom é só um modo de produzir satisfaçom e dar poder a quem a gana, como sempre, senom que também se recorre a ela para resolver os problemas que produzem o acostumam de lucro que lhe é consubstancial e as contradiçons que se derivam da tentativa continuada de reduzir o salário.

A conclusom é evidente. Ainda que para saber que há detrás e o por que das guerras sempre houvo que descobrir com nomes e apelidos a quem beneficiam dela, hoje dia também é necessário perceber como funciona umha economia que só busca o benefício privado de umha parte da sociedade à conta dos ingressos dos demais. E a prediçom subseguinte é igual de obvia: enquanto que isto último produza-se, enquanto perviva o capitalismo e a estratégia económica dominante seja poupar-se salários, nom deixaram de soar os tambores de guerra nem se acabaram de contar os mortos que produz.

Link permanente 17:12:47, por José Alberte Email , 2297 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Capitalismo contemporâneo, imperialismo e agressividade

por Edmilson Costa [*]

O imperialismo é um fenômeno identificado pelos clássicos desde a segunda metade do século XIX e significou a passagem do capitalismo concorrencial para o capitalismo monopolista e a emergência de uma nova classe social, a oligarquia financeira [1] . Nessa nova fase do capitalismo, onde os trustes e cartéis passaram a dominar as economias de cada País e, posteriormente, a economia mundial, um conjunto de fenômenos novos vêem marcar esta fase do desenvolvimento deste modo de produção, especialmente a partilha econômica e territorial do mundo entre os principais centros imperialistas, quando as potencias capitalistas ocuparam e passaram a colonizar parte considerável da África, Ásia e América Latina.

Esse movimento do capital monopolista tinha como objetivo transformar essas regiões em retaguarda especial do imperialismo, fonte de matérias-primas, mercados para a venda de mercadorias, esferas de aplicação do capital, fonte de rendimentos monetários, espaços militares estratégicos e reserva de mão de obra para as metrópoles. Com essa estratégia, as regiões colonizadas se transformaram em pilares fundamentais para o desenvolvimento da produção capitalista.

Com o domínio econômico e político do mundo, tornou-se mais fácil ao grande capital monopolista hegemonizar o aparelho de Estado, que passou a realizar sua política levando em conta fundamentalmente os interesses dessa nova classe social. Em outras palavras, o Estado relevou a um segundo plano os interesses gerais do capital para se transformar em instrumento da oligarquia financeira e de seus monopólios.

Mas o desenvolvimento do capitalismo e a consolidação dos monopólios não eliminou a concorrência, apenas a colocou em novo patamar. Os monopólios continuaram a travar uma dura luta pela partilha das esferas de influência. Essa luta por mercados e controle das fontes de matérias primas se tornou a causa principal causa das guerras, pois os monopólios pressionavam seus respectivos governos para aventuras militares visando uma nova correlação de força na partilha econômica do mundo. A primeira e a segunda guerra mundial foram em grande parte fruto da ganância do capital monopolista.

Após a segunda guerra mundial e, especialmente a partir dos anos 60, com a descolonização, o capital monopolista passou por transformações extraordinárias, pois a própria necessidade de expansão o impulsionou a uma nova relação entre centro e periferia. A partir de então, as corporações transnacionais, mediante a implantação de filiais produtivas na periferia, começaram a extrair generalizadamente o valor fora de suas fronteiras nacionais, ou seja, passaram a produzir fisicamente nas regiões até então produtoras de matérias primas, enquanto o sistema bancário também se internacionalizava.

Esse fenômeno da mundialização da economia, conhecido como globalização, transformou o capitalismo num sistema mundial completo, constituindo-se assim uma nova fase do imperialismo, pois agora o capital monopolista tornaria o planeta numa esfera única de produção, financiamento e realização das mercadorias, e a própria oligarquia financeira passaria a explorar diretamente os trabalhadores do centro e da periferia. Com a apropriação do valor fora das fronteiras nacionais a burguesia imperialista tornou-se uma classe exploradora direta do proletariado mundial.

"Até o período anterior à globalização, o capitalismo era completo apenas em relação a duas variáveis da órbita da circulação – o comércio mundial e a exportação de capitais. Mas, ao expandir a globalização para as esferas produtiva e financeira, bem como para outros setores da vida social, o sistema unificou globalmente o ciclo do capital, fechando assim um processo iniciado com a revolução inglesa de 1640" (Costa, 2002).

Esta nova fase do imperialismo viria a ganhar contornos mais definitivos com a ascensão dos governos Reagan e Tatcher, respectivamente nos Estados Unidos e Inglaterra. Aproveitando-se da crise do keynesianismo, desenvolveram uma ofensiva mundial no sentido de impor ao mundo a agenda neoliberal, que rapidamente se transformou em política oficial nos países centrais e, posteriormente, se espalhou para os outros países capitalistas.

A nova agenda invertia os fundamentos típicos da regulação keynesiana e em seu lugar colocava na ordem do dia o mercado como instrumento regulador das novas relações econômicas e sociais, a desregulamentação da economia, as privatizações das empresas estatais, liberalização dos mercados e dos fluxos de capitais, cortes nos gastos públicos e nos fundos previdenciários, além de uma ofensiva contra direitos e garantias dos trabalhadores.

Essas novas diretrizes produziram enorme impacto na dinâmica do capitalismo: o setor mais parasitário do imperialismo passou a hegemonizar as relações econômicas e políticas no interior dos governos neoliberais e impor ao mundo o primado das finanças globalizadas, estimuladas pela liberalização financeira e irrestrita mobilidade dos capitais. A partir daí este setor da oligarquia financeira subordinou todas as outras frações do capital e impôs a lógica das finanças não só para os negócios financeiros, mas também para as empresas produtivas e para o Estado, cujas receitas orçamentárias foram capturadas em grande parte por essa fração do capital.

Ancorados pelas tecnologias da informação cada vez mais desenvolvidas, pela generalização dos computadores e da internet, o pólo financeiro do capital imperialista transformou o mundo num imenso cassino especulativo, no qual os novos produtos financeiros foram sendo criados numa velocidade proporcional à criatividade do sistema liberalizado, num frenesi especulativo que se retroalimentava como numa dança de doidivanas.

Nessa nova lógica, a captura da renda mundial deveria encilhar todos os setores da economia, que agora passariam a operar a partir da lógica das finanças. Assim, as empresas consolidaram a reestruturação produtiva, com produção sem gordura, círculos de controle de qualidade, qualidade total, restrição à atividade sindical, tudo isso para ampliar as taxas de lucro e aumentar a distribuição de dividendos para os acionistas, ávidos por lucros semelhantes aos da órbita financeira.

Os Estados também caíram na malha da apropriação financeira, em função do endividamento realizado a taxas de juros elevadas. Dessa forma, foram obrigados a comprometer parcelas cada vez maiores dos orçamentos para pagar os serviços da dívida. Como esses serviços exigiam cada vez mais recursos, os Estados cortaram os gastos públicos, salários de funcionários e verbas sociais para atender o apetite voz do pólo financeiro do imperialismo.

Imperialismo, crise e guerra

Essa conjuntura em que as finanças hegemonizaram a dinâmica da nova fase do imperialismo criou uma enorme desproporção entre o setor real da economia, aquele que produz e gera valor, e a órbita financeira, que não cria riqueza nova. Para se ter uma idéia, antes da crise sistêmica global que emergiu com a queda do Lehmann Brothers, o volume de recursos que circulava na órbita financeira era mais de 10 vezes maior que a produção mundial, fato que por si só já prenunciava uma crise de grandes proporções, uma vez que uma situação dessa ordem não poderia se sustentar por muito tempo, afinal a produção do mais-valor era deveras insuficiente para remunerar os lucros do setor financeiro.

Ao mesmo tempo em que avançava sobre os arcabouços do Estado do Bem Estar Social, o patrimônio público e os direitos e garantias dos trabalhadores, o imperialismo incrementava sua política agressiva, buscando combinar aceleradamente uma recuperação das taxas de lucro na área produtiva, a apropriação da renda mundial pelas finanças e o fortalecimento do complexo industrial militar, conjuntura que foi facilitada pelo colapso da União Soviética.

Assim, Reagan invadiu Granada, o Panamá, onde depôs e prendeu o presidente local e insuflou guerras regionais como na Nicarágua. A política guerreira continuou nas outras administrações, independentemente se democratas ou republicanas, uma vez que o desenvolvimento do complexo industrial militar é condição imprescindível para a manutenção do imperialismo. A escalada guerreira continuou com a invasão ao Iraque, sob o pretexto de que Saddan Hussein possuía armas de destruição em massa, o que depois se verificou que era uma falsidade. Na verdade, o que os Estados Unidos objetivavam era se apossar das imensas jazidas de petróleo daquele país.

Vale ressaltar que o imperialismo está tão dependente da indústria armamentista que, sem a produção de armas, não só o complexo industrial militar iria à falência, mas o próprio sistema imperialista entraria em colapso, uma vez que parcela expressiva de sua indústria está ligada à cadeia de produção das armas. Isso demonstra também o nível de degeneração a que chegou o imperialismo contemporâneo: só consegue continuar respirando se mantiver e desenvolver a indústria da morte.

Mas o acontecimento que proporcionou as condições objetivas para um salto de qualidade na agressividade imperialista dos Estados Unidos foi o ataque às torres gêmeas. Este atentado foi o mote que o governo Bush encontrou para institucionalizar e desenvolver novas facetas de sua política guerreira, agora sob o pretexto de combate ao terrorismo. Na verdade, com a chamada política antiterrorista o imperialismo militarizou a política e impôs ao mundo uma agenda de luta antiterrorista que se desdobrou não apenas na invasão ao Afeganistão, mas também na violação ao direito internacional, à soberania dos países, a construção de exércitos privados para realizar o trabalho sujo nas guerras contra povos e organizações contrárias à política norte-americana no mundo.

O mundo tomou conhecimento estarrecido das torturas nas prisões de Abu Ghriab e de Guantánamo, dos seqüestros e assassinatos de líderes contrários à política norte-americana e das prisões clandestinas ao redor do mundo. Ao contrário do que se poderia imaginar, o governo norte-americano justificava essas ações como parte da luta anti-terrorista, necessário para a proteção de seus cidadãos. O então vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, afirmou sem cerimônia em entrevista aos meios de comunicação que os métodos utilizados para obter informações (as mais bárbaras torturas) livraram o povo norte-americano de vários atentados.

O ensandecimento chegou a tal ponto que o secretário de Justiça dos Estados Unidos não só justificou abertamente a tortura como buscou fórmulas para legalizá-la. Todas essas ações eram de conhecimento do ex-presidente Bush, que inclusive assinava resoluções secretas para que os agentes pegos em flagrante não fossem punidos judicialmente. Por essas medidas se pode avaliar o nível de degeneração moral a que chegou o imperialismo: não se tratava de ações isoladas de funcionários estressados no teatro de operações, mas de ordens da própria cúpula imperialista que nesta fase do capitalismo perdeu qualquer referência em relação à humanidade.

Quem imaginava que o imperialismo iria reduzir sua máquina militar com a queda da União Soviética se enganou. O imperialismo está muito mais agressivo atualmente que no passado e possui hoje a mais poderosa e sofisticada máquina militar que o planeta já teve conhecimento. Porta-aviões gigantescos, submarinos atômicos, aviões invisíveis, bombas guiadas a laser, superbombardeiros, frota de aviões não tripulados (drones), helicópteros sofisticados, tanques de última geração, além de mais de 500 bases militares espalhadas pelo mundo e um aparato de espionagem maior do que as pessoas que vivem hoje em Washington. Tudo isso para sustentar a política do grande capital.

No entanto, a crise sistêmica mundial veio adicionar mais um ingrediente fundamental para a política agressiva do imperialismo. Desesperado diante da dramática situação econômica, da recessão, do desemprego crônico e dos protestos que estão ocorrendo pelo mundo contra a os ajustes determinados pelo capital, o governo norte-americano vem realizando provocações contínuas contra o Irã, a Coréia do Norte e, recentemente, conseguiu envolver vários países da União Européia em sua aventura militar na Líbia, onde destruíram fisicamente o País, mataram seus principais dirigentes e agora começam a se apossar das imensas jazidas de petróleo locais, sob o olhar complacente dos títeres que colocaram no poder.

Agora os Estados Unidos se voltam para Síria. O cenário foi montado para que a história se repetisse, mas a resistência do exército sírio, que desalojou os mercenários de várias regiões do País, derrotou essa primeira ofensiva imperialista. Derrotado o campo de batalha, os Estados Unidos tentaram legalizr a invasão, mas a Rússia e a China vetaram uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que abria espaço para a intervenção no País. Agora, estamos na iminência de uma invasão da Síria, sob o pretexto bizarro de que o governo teria lançado armas químicas contra a população, quanto se sabe que este episódio foi montado pela CIA para justificar a agressão. Desesperado, sem apoio internacional que esperava, o imperialismo pode realizar a intervenção a qualquer momento, mas as consequências podem ser dramáticas, tanto para o povo sírio, quanto para o Oriente Médio e para o próprio imperialismo, inclusive com o aprofundamento da crise sistêmica global no interior dos Estados Unidos.

Como a política guerreira já é uma necessidade do imperialismo para desenvolver suas forças produtivas, nas épocas de crises profundas como a que estamos presenciando agora, a fúria belicista do imperialismo se torna ainda maior. Por isso, pode-se esperar tudo nesta conjuntura, pois o imperialismo está ferido e vai querer sair da crise de qualquer forma, nem que para isso coloque em xeque a existência da própria espécie humana. Para a humanidade, resta uma saída que vai significar sua própria sobrevivência: derrotar o imperialismo, superar o capitalismo e construir uma outra sociabilidade sobre os escombros desta velha ordem.
Bibliografia consultada
Bukharine, N. O imperialismo e a economia mundial. Coimbra: Centelha, 1976.
Costa, E. A globalização e o capitalismo contemporâneo. (São Paulo: Expressão Popular, 2009)
--------------- Imperialismo. São Paulo: Global Editora, 1986.
Lênin, V. Imperialismo fase superior do capitalismo. Lisboa: Avante, 1976.
Luxemburg, R. A acumulação do capital. São Paulo: Abril Cultural, 1984.
Hilferding, R. O capital Financeiro. São Paulo: Abril Cultural, 1985
Hobson, J. A. A evolução do capitalismo. São Paulo: abril cultural, 1985

[1] Para uma melhor compreensão dos clássicos do imperialismo, consultar: Hobson, A Evolução do capitalismo (Nova Cultural, 1983); Hilferding, O capital financeiro (Nova Cultural, 1938); Lênin, Imperialismo, fase superior do Capitalismo (Avante, 1984); Rosa de Luxemburg, A acumulação do Capital (Nova Cultural, 1983);e Bukharin, O imperialismo e a economia mundial (Centelha, 1976). Para uma versão mais popular, consultar Edmilson Costa, Imperialismo (Global, 1989).

[*] Doutorado em Economia pela Unicamp, com pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da mesma instituição. É autor de Imperialismo (Global Editora, 1987), A política salarial no Brasil (Boitempo Editorial, 1987), Um projeto para o Brasil (Tecno-Científica, 1988), A globalização e o capitalismo contemporâneo (Expressão Popular, 2009) e A crise econômica mundial, a globalização e o Brasil (no prelo), além de ter ensaios publicados no Brasil e exterior.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

04-09-2013

Link permanente 14:49:26, por José Alberte Email , 1642 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: As chaves do conflito na Síria:

http://www.larepublica.es/

As chaves do conflito na Síria:

Alberto J. Miranda

Trás os últimos acontecimentos vividos na Síria, nom me vou a centrar na grande mentira mundial que supom o uso de armas químicas por parte do governo de Al-Assad, que lembra de maneira obscena às famosas armas de destruiçom maciça. Prefiro centrar-me em qual é o motivo oculto da guerra contra Síria, o papel dos EEUU e os seus aliados, e as mudanças globais que está a implicar a ameaça de imperialista em Oriente Meio.

O único aliado ocidental com o que nestes momentos conta EEUU para atacar a Síria é o governo francês. O parlamento britânico rejeitou a proposta de Cameron de intervir militarmente na Síria, nom porque a democracia burguesa funcione, é mais que provável que a inteligência britânica haja estudado as possibilidades de ataque e concluísse que de intervir em Oriente Meio nas actuais condiçons seriam maiores as perdas que os benefícios.

Há que ter em conta vários feitos determinantes, por umha banda nom há que esquecer que os principais aliados de Al-Assad, a organizaçom islamita libanesa Hezbollah, que conta com um poderosíssimo braço armado, ameaçou com reduzir Israel a cinzas em caso de ataque a Síria. No mesmo sentido expressou-se Irám, que conta com um do dez exércitos mais poderosos do mundo.
Por outra parte, o chamado "Exército sírio livre" e a frente "Al-Nusra" vinculado a Al-Qaeda, estám a se matar entre sim e ao mesmo tempo estám a ser reduzidos de maneira letal polo exército sírio, que a diferença dos terroristas, mantem a unidade, organizaçom e disciplina necessários para vencer a guerra.

Mas a linha vermelha "por usar o fala-barato ao gosto de Obama" marcaram-na internacionalmente Rússia e China, e esta é a chave do conflito na Síria, este é o motivo polo que a NATO nom intervém, polo que Inglaterra deu um calculado passo atrás, polo que Alemanha e Itália rejeitárom intervir e polo que Israel e Turquia pressionam sem descanso a EEUU para que intervenha de maneira iminente.

Mais umha vez, para perceber como funciona o mundo, é case suficiente com ler a Lenine, quem ajeitadamente dixo sobre o imperialismo no seu livro "O imperialismo, fase superior do capitalismo" que "este sistema económico obriga a qualquer potência a deslocar ou submeter a outros países (ou a outras potências) se pretende obter mais matérias primas ou alargar o seu mercado. E se nom o fai as que sim o fagam acabaram-se fazendo mais poderosas".

Este é exactamente o motivo polo que se desenvolve o conflito na Síria, o controlo de matérias primas, em este caso controlo energético, mas nom de petróleo, desta vez falamos de gás natural. Quem controle o mercado energético do gás, é dizer, a extracçom e o transporte, será a potência que exercerá a hegemonia mundial no século XXI. Tentemos resumir o conflito do gás da mao do professor Imad Fawzi Shueibi[x], Presidente do Centro de Estudos Estratégicos e Documentaçom de Damasco, que é quem sob o meu ponto de vista em diferentes artigos de investigaçom achega as chaves deste conflito:

As principais potências mundiais mantenhem umha peleja desapiedada polo controlo energético, luita esta que está a assassinar por centos de milhares de pessoas inocentes desde há anos já que o imperialismo norte-americano nom sabe estender a sua hegemonia se nom é a base de reduzir países a cinzas. Aqui é onde entra em jogo o conhecido projecto Nabucco de Estados Unidos[xi]. É um projecto para o transporte do gás, principal fonte energética do século XXI, polo que se está construindo um gasoduto que recolhe o gás do Mar Morto, passa por Turquia "onde se armazenaria", e percorre sete países da Uniom Europeia até chegar a Itália. Este é o projecto que fai
Turquia seja cada dia um país mais dependente das decisons de Estados Unidos, pois o emprazamento no seu território das instalaçons para o armazenamento fariam de Turquia a principal potência energética e económica de Oriente Meio. Por outra parte, deste projecto também dependeu a satanizaçom de Mahmud Ahmadineyad e o seu suposto programa atómico. O projecto Nabucco pretendia conectar o gasoduto com Irám, e deste modo unir ao país árabe ao festim energético e às ingentes quantidades de benefícios que suporia extrair o seu gás e uni-lo a Nabucco, contodo, o governo iraniano optou por assinar um protocolo com Iraque e Síria convertendo-se automaticamente em terrorista inimigo do mundo ocidental. Este facto, somado à crescente influência da Rússia em Oriente Meio graças à "inadequadas" actuaçons de EEUU na zona "por chamar de algumha maneira" que descrevemos, condenaram o projecto Nabucco, que estava previsto concluir-se para 2014, mas já se atrasou até 2017, se é que chegasse a terminar-se.[xii]
Por outra parte estám os projectos russos conhecidos como Nord Stream e South Stream, que conta com a participaçom económica e o apoio da Alemanha, "lembrar que o capitalismo alemám tem umha importante participaçom em Gazprom".[xiii] O projecto Nord Stream, já concluído, conecta a Alemanha e Rússia através do Mar Báltico e constitui a principal fonte de subministraçons energéticas para Europa, vendendo a empresa russa Gazprom 41% do consumo de gás europeu. A principal fonte de gás natural para o gasoduto Nord Stream é o Campo de Yuzhno-Russkoye, na Rússia.[xiv]

E por outra parte está o projecto South Stream[xv], bem mais conflituoso se cabe já que compete directamente com o projecto Nabucco e tem a grandes linhas o mesmo percurso. Este gasoduto parte de novo da Rússia, se ramifica em Bulgária, para o sul passa por Grécia e Itália e para o norte passa por Sérvia, Hungria Áustria e Eslovénia. Com este segundo projecto Moscovo pretendeu deixar em ridículo ao projecto Nabucco e conseguiu-o, assegurando-se o abastecimento energético da Europa por enzima do projecto norte-americano graças a uns melhores preços e a umhas melhores alianças em Oriente Meio, e conseguiu acordar a venda de gás a países tam importantes como Inglaterra, Bélgica, Grécia e mesmo Turquia e França, ainda que estes últimos com evidentes reticências já que apostárom por Nabucco, e por isso é polo que sejam os principais aliados de EEUU na guerra contra Síria.

Nom podemos obviar que China tem acordos económicos com Rússia na participaçom da ampliaçom do South Stream para o imenso mercado chinês, e por suposto nom tem interesse algum em conectar-se ao inconcluso Nabucco, já que energéticamente passaria a depender de Estados Unidos, ideia que gosta pouco ao gigante asiático.

Nom podemos passar por alto também no que segundo fontes do governo norte-americano, Síria e o Líbano possuem nos seus territórios as maiores jazidas de gás do mundo, descobriu-se há poucos anos um poço de gás em Qara, perto de Homs, que contaria com as maiores reservas sírias, por isso é polo que os principais combates dos terroristas desenvolvam nesta cidade e que os principais analistas assegurem que os intuitos de EEUU na zona nom é derrocar Al-Assad se nom dividir o país.

Mas umha vez assinado um convénio Irám, Iraque, Síria, Líbano para o transporte do gás, existem duas opçons, e estas duas opçons som a chave da actual guerra e a que determinou o posicionamento de todos os actores no cenário bélico mundial:
Que o gás da contorna de Zagros no Irám, Iraque, Síria e o Líbano alimente o South Stream russo, ou que alimente o Nabucco norte-americano. Daí o interesse de Washington, Israel e Turquia de invadir Síria, e a defesa sem concessons da mesma da Rússia, China, Irám e Hezbolla no Líbano. Portanto e resumindo os cenários som os seguintes:
1) Se Irám une um futuro gasoduto ao South Stream através do mar Cáspio com Rússia e para o oeste passando por Iraque, Síria e o Líbano, recolhendo o gás destes, e através do Mediterrâneo une-se na Grécia de novo ao South Stream, Rússia se converteria como principal potência energética em gás natural do mundo, Gazprom provavelmente transformaria na empresa mais grande do planeta, e os países polos que passa o seu gasoduto veriam-se enormemente beneficiados economicamente.
2) Contodo, se Estados Unidos conseguisse invadir a Síria e combinar gás, logo o Líbano seria também invadido, e o gás de ambos os países conectaria-se em Turquia com Nabucco, sendo o Irám o derradeiro passo para conectar com as jazidas do Mar Cáspio, por isso é polo que todos falem de que se invade Síria para logo invadir o Irám. Por suposto Israel teria a subministraçom assegurada graças à sua conexom com Nabucco e os benefícios económicos para os sionistas graças à venda do seu gás a Europa seriam ingentes.

Conclusons:

Como vimos, Estados Unidos quer manter-se custe o que custe como primeira potência mundial, e para isso, como bem descrevesse Lenine, nom tem nengum reparo em invadir países e utilizar o seu exército como chave do controlo de matérias primas no mundo. Contodo, as actuaçons de Estados Unidos nos últimos anos no Iraque, Afeganistám, Líbia ou Egipto alastrárom enormemente a capacidade de influência de USA em Oriente Meio, zona fundamental graças às grandes jazidas de gás.

Pola sua parte, o imperialismo russo está a actuar de maneira mais inteligente que o norte-americano, e está a ser capaz de traçar alianças ali onde Estados Unidos só sabe impor pola força, o caso do Iraque é o exemplo mais acabado disto. Graças a isso, Vladimir Putin foi capaz de dobregar os interesses de Washington na guerra polo controlo energético mundial, e o conflito na Síria nom é mais que a prova mais evidente de que nos penetramos pouco a pouco no século no que o imperialismo anglo-saxom cederá o seu posto a outras grandes potências, e provavelmente quando esteja contra as cordas, gerará a terceira guerra mundial como último recurso ante a iminente queda. A dúvida é, deu EEUU por perdida a hegemonia energética do gás" chegou o momento de iniciar essa terceira guerra mundial" no feito de que se desenvolver ou nom o ataque a Síria está a chave.

03-09-2013

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Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Síria: As armas químicas foram fornecidas pelos sauditas

http://www.resistir.info/moriente/armas_quimicas_31ago13.html

Síria: As armas químicas foram fornecidas pelos sauditas
– "Rebeldes" e residentes locais em Ghouta acusam o príncipe saudita Bandar bin Sultan de fornecer armas químicas a um grupo ligado à al-Qaida
por Dale Gavlak e Yahya Ababneh [*]

Ghouta, Síria – Quando a maquinaria para uma intervenção militar dos EUA na Síria ganha ritmo após o ataque de armas químicas da semana passada, os EUA e seus aliados podem estar a visar o culpado errado.

Entrevistas com pessoas em Damasco e Ghouta, um subúrbio da capital síria, onde a agência humanitária Médicos Sem Fronteiras disseram que pelo menos 355 pessoas morreram na semana passada devido ao que acreditaram ser um agente neurotóxico, parecem indicar isso.

Os EUA, Grã-Bretanha e França bem como a Liga Árabe acusaram o regime sírio do presidente Bashar al-Assad de executar o ataque com armas químicas, o qual atingiu principalmente civis. Navios de guerra dos EUA estão estacionados no Mediterrâneo para lançar ataques militares contra a Síria como punição por executar um ataque maciço com armas químicas. Os EUA e outros não estão interessados em examinar qualquer prova em contrário, com o secretário de Estado John Kerry a dizer que a culpa de Assad era "um julgamento ... já claro para o mundo".

Contudo, das numerosas entrevistas com médicos, residentes em Ghouta, combatentes rebeldes e suas famílias, emerge um quadro diferente. Muitos acreditam que certos rebeldes receberam armas químicas através do chefe da inteligência saudita, príncipe Bandar bin Sultan, e foram responsáveis pela execução do ataque com gás.

"Meu filho procurou-se há duas semanas perguntando o que eu pensava que eram as armas que lhe fora pedido para carregar", disse Abu Abdel-Moneim, o pai de um combatente rebelde que vive em Ghouta.

Abdel-Moneim disse que o seu filho e 12 outros rebeldes foram mortos dentro de um túnel utilizado para armazenar armas fornecidas por um militante saudita, conhecido como Abu Ayesha, que estava a liderar um batalhão de combate. O pai descreveu as armas como tendo uma "estrutura como um tubo" ao passo que outras eram como uma "enorme garrafa de gás".

Os habitantes de Ghouta disseram que os rebeldes estavam a usar mesquitas e casas privadas para dormir enquanto armazenavam suas armas em túneis.

Abdel-Moneim disse que o seu filho e outros morreram durante o ataque de armas químicas. Naquele mesmo dia, o grupo militante Jabhat al-Nusra, o qual está ligado à al-Qaida, anunciou que atacaria da mesma forma civis no território [apoiante] do regime de Assad de Latáquia, na costa ocidental da Síria, em retaliação.

"Eles não nos disseram o que eram estas armas ou como utilizá-las", queixou-se uma combatente mulher chamada "K". "Nos não sabíamos que eram armas químicas. Nunca imaginámos que fossem armas químicas".

"Quando o príncipe saudita Bandar dá tais armas a pessoas, ele deve dá-las àqueles que sabem como manejá-las e utilizá-las", advertiu ela. Ela, tal como outros sírios, não querem usar seus nomes completos por medo de retaliação.

Um bem conhecido líder rebelde em Ghouta chamado "J" concordou. "Os militantes do Jabhat al-Nusra não cooperam com outros rebeldes, excepto com combate no terreno. Eles não partilham informação secreta. Simplesmente utilizaram alguns rebeldes comuns para carregar e operar este material", disse ele.

"Nós estávamos muito curiosos acerca destas armas. E infelizmente alguns dos combatentes manusearam as armas inadequadamente e começaram as explosões", disse "J".

Médicos que tratavam as vítimas do ataque de armas químicas aconselharam os entrevistadores a serem cautelosos acerca de perguntas respeitantes a quem, exactamente, era o responsável pelo assalto mortal.

O grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras acrescentou que trabalhadores da saúde cuidando de 3.600 pacientes também relataram experimentar sintomas semelhantes, incluindo espuma na boca, sofrimento respiratório, convulsões e visão turvada. O grupo não foi capaz de verificar a informação de modo independente.

Mais de uma dúzia de rebeldes entrevistados informaram que os seus salários vêem do governo saudita.

Envolvimento saudita

Num recente artigo no Business Insider, o repórter Geoffrey Ingersoll destacou o papel do príncipe Bandar nos dois anos e meio da guerra civil síria. Muitos observadores acreditam que Bandar, com seus laços estreitos a Washington, tem estado no próprio cerne do impulso para a guerra dos EUA contra Assad.

Ingersoll referiu-se a um artigo no Daily Telegraph britânico acerca de conversações secretas russo-sauditas alegando que Bandar propôs ao presidente Vladimir Putin petróleo barato em troca do abandono de Assad.

"O príncipe Bandar comprometeu-se a salvaguardar a base naval russa na Síria se o regime Assad fosse derrubado, mas ele também aludiu a ataques terroristas chechenos aos Jogos Olímpicos de Sochi, na Rússia, se não houvesse acordo", escreveu Ingersoll.

"Posso dar-lhe uma garantia de proteger os Jogos Olímpicos no próximo ano. Os grupos chechenos que ameaçam a segurança dos jogos são controlados por nós", disse alegadamente Bandar aos russos.

"Juntamente com responsáveis sauditas, os EUA alegadamente deram ao chefe da inteligência saudita o sinal de aprovação para efectuar estas conversações com a Rússia, a qual não foi surpresa", escreveu Ingersoll.

"Bandar tem uma educação americana, tanto militar como em faculdade [civil], actuou como um embaixador saudita altamente influente nos EUA e a CIA ama completamente este rapaz", acrescentou.

Segundo o jornal britânico Independent, foi a agência de inteligência do príncipe Bandar que pela primeira vez trouxe alegações da utilização de gás sarin pelo regime à atenção de aliados ocidentais, em Fevereiro último.

O Wall Street Journal informou recentemente que a CIA percebeu que a Arábia Saudita era "séria" acerca do derrube de Assad quando o rei saudita nomeou o príncipe Bandar para liderar esse esforço.

"Eles acreditam que o príncipe Bandar, um veterano das intrigas diplomáticas de Washington e do mundo árabe, podia entregar aquilo que a CIA não podia: cargas por avião de dinheiro e armas e, como disse um diplomata americano, intermediação (wasta), a palavra árabe para influência debaixo da mesa".

Bandar tem avançado o objectivo de política externa da Arábia Saudita, informou o WSJ, de derrotar Assad e seus aliados iraniano e Hezbollah.

Para esse objectivo, Bandar actuou em Washington para respaldar um programa de armar e treinar rebeldes a partir de uma planeada base militar na Jordânia.

O jornal informa que ele deparou-se com "jordanianos constrangidos acerca de uma tal base".

Sua reunião em Amman com o rei Abdullah da Jordânia por vezes demoravam oito horas numa única sessão. "O rei brincaria: Oh, o Bandar vem outra vez? Vamos reservar dois dias para a reunião", disse uma pessoa habituada às reuniões.

A dependência financeira da Jordânia em relação à Arábia Saudita pode ter dado forte influência aos sauditas. Um centro de operações na Jordânia começou a funcionar no Verão de 2012, incluindo uma pista de aviação e armazéns para armas. Os AK-47s e munições encomendados pelos sauditas chegaram, informou o WSF, citando responsáveis árabes.

Embora a Arábia Saudita tenha oficialmente sustentado que apoiava rebeldes mais moderados, o jornal informou que "fundos e armas estavam a ser canalizados para radicais ao lado, simplesmente para conter a influência de islamistas rivais apoiados pelo Qatar".

Mas rebeldes entrevistados disseram que o príncipe Bandar é tratado como "al-Habib" ou "o amado" pelos militantes al-Qaida que combatem na Síria.

Peter Oborne, no Daily Telegraph de quinta-feira, acautelou que a corrida de Washington para punir o regime Assad com os chamados ataques "limitados" não significava derrubar o líder sírio mas sim reduzir a sua capacidade de utilizar armas químicas:

Considere-se isto: os únicos beneficiários da atrocidade foram os rebeldes, anteriormente a perderem a guerra e que agora têm a Grã-Bretanha e a América prontas a intervirem ao seu lado. Se bem que pareça haver pouca dúvida de que foram utilizadas armas químicas, há dúvida acerca de quem as disponibilizou.

É importante recordar que Assad foi acusado antes de utilizar gás venenoso contra civis. Mas naquela ocasião, Carla del Ponte, comissária da ONU para a Síria, concluiu que os rebeldes, e não Assad, foram provavelmente os responsáveis.

Alguma informação neste artigo não pôde ser verificada de modo independente. Mint Press News continuará a proporcionar nova informação e actualizações.
29/Agosto/2013

Ver também:
Chemical Hallucinations and Dodgy Intelligence
(Alucinações químicas e inteligência trapalhona), William Bowles
"We Informed US of Chemical Weapons Transfer to Syria 9 Months Ago"
("Informámos os EUA da transferência de armas químicas para a Síria nove meses atrás"), Javad Zarif
Did the White House Help Plan the Syrian Chemical Attack?
(Será que a Casa Branca ajudou a planear o ataque químico sírio?), Yossef Bodansky

[*] Dale Gavlak: correspondente da Mint Press News no Médio Oriente com base em Amman, Jordânia, dgavlak@mintpressnews.com ; Yahya Ababneh: jornalista jordano.

O original encontra-se em www.mintpressnews.com/... e em www.silviacattori.net/article4776.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

02-09-2013

Link permanente 12:55:08, por José Alberte Email , 256 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Um conhecido “gusano-agente da Cia" é quem fichou a Carme Chacón para que de classes em Miami

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=173311

Ramón Pedregal Casanova.
Rebeliom

A ex ministra de defesa Carme Chacón será professora em residência de Direito Público Comparado no Miami Dai College (MDC), em Flórida (Estados Unidos).

Chacón partilhará tarefas de docência e orientaçons no Campus Wolfson com o reitor do Miami Dade College.

Eduardo J. Padrón, é o principal responsável pola oferta que recebeu a ex-deputada e encarregado de fechar a sua contrataçom. Esta personagem anti-comunista é um líder destacado da contra cubana. Desde 1995 está à frente do MDC ,Eduardo J. Padrón tem estreita relaçom com o movimento das Damas de Branco, conhecido por receber milhares de dólares da CIA.

Padrón reconheceu ao grupo (que na actualidade mantém intensas rifas internas polo compartimento do dinheiro) o passado Maio com o galardom Guardias da Liberdade, e a medalha presidencial da instituiçom académica. A este acto, acudírom tanto a líder e porta-voz das Damas de Branco, Berta Soler, que recolheu o distintivo do próprio reitor, como Guillermo Farinhas, outro dos assalariados desde EE.UU. À cerimónia também assistiu a cantora Glória Estefan, conhecida polas suas ideias contra-revolucionarias. Também estivérom presentes no Miami, Dade College significados opositores e ganhadores do Prêmio Sájarov à Liberdade de Pensamento que outorga o Parlamento Europeu. O mês anterior, em Abril, foi a bloguera e articulista Yoani Sánchez quem recebeu este galardom por parte da universidade que dirige Padrón.

É dizer, o melhor de cada casa. Um bom sítio para que Chacón trabalhe.

Nota de Canta o Merlo: Nom esqueçamos que os ministros de defesa do Estado espanhol os designa o Pentágono.

30-08-2013

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Categorias: Novas, Ensaio

CANTA O MERLO: Os cenários de dissolução do Euro

http://www.resistir.info/europa/dissolucao_do_euro.html

por Jacques Sapir

Este estudo foi realizado por Philippe Murer e por mim próprio com a colaboração de Cédric Durand.
Ele estará disponível a 2 de Setembro de 2013 na Fundação Res Publica
(52, rue de Bourgogne, 75007 Paris, info@fondation-res-publica.org).

Extracto

"Supusemos nestes estudo que as tensões no seio da zona Euro possam atingir um nível tal que os países afectados decidam, por um acordo comum ou de maneira dispersa, renunciar à moeda única.

Neste caso, os países da ex-zona Euro deverão adoptar, ainda que de maneira transitória, medidas drásticas de controle dos capitais a fim de poder "pilotar" a depreciação ou a apreciação da sua moeda. Supõe-se também que mecanismos residuais de coordenação se mantêm – ao nível dos Ministérios das Finanças e dos Bancos Centrais – e que cada país pode colaborar com os seus vizinhos para evitar uma explosão dita desordenada da moeda única. Quanto à evolução da dívida, ela é regida pela jurisprudência do direito internacional que pretende que em caso de desaparecimento de uma moeda comum a vários países, estas dívidas sejam redenominadas na moeda de cada país, para aquelas que foram emitidas neste país [1] . Isso implica que as taxas de câmbio efectivas correspondam a taxas de câmbio "alvos" que permitam aos países da Europa do Sul reequilibrar o mais rapidamente possível a sua balança comercial.

Estes dois postulados correspondem ao que chamamos uma dissolução "controlada" da zona Euro (hipótese H1 ). Não nos limitamos ao estudo deste caso limite e estudamos também a possibilidade de uma cisão da zona Euro em duas (hipótese H2 conhecida sob o nome dos "dois Euros" ou combinação Euro do Sul / Euro do Norte), assim como encaramos a possibilidade de uma dissolução "não controlada" da zona Euro (hipótese H3 ). No caso de uma cisão da zona Euro em duas, consideramos que a França seria o país central (pivot) da zona "Euro do Sul". Para cada um dos três cenários assim retidos, testámos três opções de política económica: a opção a será qualificada de "pró consumo"; a opção b chamada "pró investimento"; e a opção c de "pró redução dos défices". Obtemos portanto um conjunto de nove trajectórias que serão em seguida comparadas sob os seus diferentes aspectos.

A partir da estrutura do comércio exterior, do montante das importações e das exportações no PIB e das elasticidades, recalcula-se para uma taxa de desvalorização – ou de revalorização – dada, a variação da balança comercial e sua contribuição para o PIB tendo em conta a existência da ex-zona Euro, de uma zona Dólar e de uma zona intermédia. Entretanto corrigiu-se em alta as importações a partir da constatação de que um forte aumento das exportações implicará necessariamente o aumento das importações tendo em conta o fenómeno da reexportação das matérias-primas importadas (energia e matérias-primas) e também de certos subconjuntos. Corrigiu-se também as importações e as exportações em função do crescimento ou da recessão dos países parceiros na zona Euro.

Obtém-se assim um primeiro nível de PIB. Este nível de PIB faz aparecer um ganho fiscal potencial, do qual se estima que uma parte será redistribuída à economia (em função das hipóteses definidas mais acima). Entra em conta então o multiplicador das despesas públicas, que foi estimado em 1,4 com base em trabalhos recentes. A aplicação deste multiplicador nos dá então um segundo estádio do PIB. Entretanto, seguindo os cenários, tem-se também uma alta mais ou menos forte do investimento produtivo. Ora, esta alta implica mecanicamente uma alta do PIB, o que nos fornece um terceiro, e definitivo, estado do PIB e portanto, por comparação, um esboço do crescimento total que se pode esperar de uma tal desvalorização.

Obtemos portanto um conjunto de nove trajectórias que serão em seguida comparadas sob seus diferentes aspectos. Esta acumulação dos efeitos tem resultados espectaculares. Constata-se então que a opção ( b ) dita "pró investimento" é aquela que engendra o crescimento mais forte nas três hipóteses ( H1 , H2 e H3 ) de taxa de câmbio. A maior diferença de crescimento é entre a opção ( b ) e a opção ( c ) que surge no médio prazo (cinco períodos de doze meses cada um) como a pior.

O efeito do forte crescimento do PIB engendrado pela acumulação dos efeitos directos e indirectos de uma forte desvalorização deveria ser muito importante sobre o emprego e o desemprego. Adoptámos aqui a hipótese de que todo crescimento superior a 1,3% no primeiro ano e a 1,5% nos anos seguintes induzia criações de emprego proporcionais ao crescimento. Estas hipóteses implicam movimentos de redução do desemprego que são muito fortes no decorrer dos dois primeiros períodos. A criação de emprego pode mesmo, em alguns dos cenários, esgotar as reservas de trabalho existentes. É uma mudança radical considerável para a sociedade francesa que reencontraria assim uma situação de desemprego moderado e mesmo fraco que já não conhece desde o fim dos anos 1970. As consequências desta mudança radical sobre o equilíbrio dos diferentes orçamentos sociais – doença, aposentação – são potencialmente consideráveis.
26/Agosto/2013

[1] O que é o caso, concretamente, de 85% da dívida pública francesa.

O original encontra-se em http://russeurope.hypotheses.org/1486

Este extracto encontra-se em http://resistir.info/ .

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