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09-06-2013

Link permanente 21:33:24, por José Alberte Email , 2968 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: História Criminal do Cristianismo - Umha enxurrada de sangue

Diálogo com Grabriele Röwer sobre a obra de Karlheinz Deschner, autor da "História criminal do cristianismo" (10 volumes)
“Fio vermelho" Nom, enxurrada de sangue!

Stefan Huth
Die Junge Welt

Traduzida em castelá para Rebeliom por Mikel Arizaleta.

Gabriele Röver (nada em 1944) trás estudar teologia evangélica saiu da Igreja, logo estudou filosofia, filologia germânica e psicologia, realiza em Maguncia umha actividade pedagógico-terapeuta. Desde 1977 colaboradora com Karlheinz Deschner.
***

Nom há muito Joseph Ratzinger renunciou a seguir sendo o papa Benedito XVI. Olhando a história dos papas, um crítico da Igreja como Karlheinz Deschner onde situaria nela ao papa Benedito XVI?

Como expom Deschner na sua obra de mais de 1000 páginas "Die Politik der Päpste im 20. Jahrhundert" (A política dos papas no século XX) [i] , os papas mais importantes do S. XX fôrom Leom XIII (1878-1903, muito marcado politicamente ""Ergo sum Petrus, "eu quero pilotar umha grande política"), os papas fascistas Pio XI e Pio XII e ultimamente Joám Paulo II. O seu sucessor, Joseph Ratzinger, antes professor em Tubinga de dogmática e teologia fundamental, logo prefeito da congregaçom da fé (em tempos "a santa Inquisiçom"), como papa, Benedito XVI, nom seguiu a política imperialista dos seus predecessores. Mais bem buscou mediante a sistematizaçom e consolidaçom do corpus dogmático erigir-se em baluarte contra o perigo de erosom crescente na sua Igreja, que na Europa ocidental haver ir perdendo cada vez mais membros a favor de correntes seculares e que no resto do mundo tenhem ido engrossar sobretodo as filas evangélicas.
Em vao tentou conjurar o primeiro perigo mediante o projecto da "unidade de razom e fé", naturalmente com o primado da fé. Ao começo a tam ansiada "nova evangelizaçom da Europa" fracassou ante a grande secularizaçom existente, difamada por Benedito como "ditadura do relativismo" ou também "cultura da morte" (pola regulaçom da natalidade e a eutanásia), a difamaçom da homossexualidade e da emancipaçom das mulheres, sobretodo no sacerdócio. A conseqüência foi que a Igreja continuou perdendo imagem no nosso mundo. Em mudança este papa sim pode actuar em contra da marcha triunfal dos evangélicos em todos os continentes, sobretodo na América do Norte do Norte e do Sul (que nom por casualidade prove de aqui o novo papa) reclamando para a sua Igreja em grande parte as suas posiçons ideológicas (a confiança na Bíblia, o pecado mortal do ateísmo que o invade todo, a salvaçom mediante a missom e a vida em comunidade).
Mas com a sua negativa a modernizar a Igreja desde dentro, sem dúvida mais previdente que os seus críticos, porque toda a modernizaçom segundo Deschner a longo prazo aceleraria mais que reteria ou pararia o derrubamento desta instituiçom.
Polo que sabemos Benedito XVI fracassou ante a prepotência dos funcionários da Igreja, que boicotárom propostas prudentes sobre umha maior transparência na explicaçom dos escândalos dentro da Igreja nos últimos tempos, em primeiro lugar sobre os abusos sexuais (sobretodo em USA) e as finanças da Igreja. A dimensom de conflito pugeram às descoberto publicaçons como Vatileaks, provavelmente o motivo decisivo da sua renúncia.

Karlheinz Deschner acaba de finalizar o seu "História criminal do cristianismo" em dez tomos. Que fontes utilizou? Tivo acesso aos arquivos eclesiásticos?

Um dos reproches mais frequentes contra o trabalho de crítica à Igreja de Deschner aponta à sua suposta "falta de método científico" e a que "nom é aceite polo mundo científico" por carecer de umha análise própria das fontes. À parte de que ele as utiliza na medida em que estas estám disponíveis e acessíveis para ele sobretodo nas bibliotecas universitárias, este reproche nom tem em conta a realidade da investigaçom. E é que se ele mesmo tivesse que levar a cabo em cada tema umha análise profunda das fontes com segurança que nom passaria do primeiro volume da "História do cristianismo". Um trabalho sério de investigaçom é também aquele que é capaz de valorizar, analisar e recolher com objectividade os resultados de modo amplo e substancioso de outros, em especial as análises critico-históricos das fontes dos demais, e sabe-los transmitir ao leitor. Professores de teologia evangélica e católica, que merecem grande respeito polo seu trabalho, documentam-se ademais dentre outras muitas opinions também na sua página Web. Pars pro Toto, neste ponto poderia-se citar o parecer do professor doutor D. Julius Groos: "O que se negou aos nossos livros científicos, bem pudesse alcançá-lo a sua obra: Dar a conhecer à massa de intelectuais os resultados da investigaçom moderna sobre o cristianismo". Também um transmissor, um mediador dos resultados da investigaçom de outros pode ser de grande ajuda para estes, admitido que também a sua linguagem serve para o que a Deschner seja reconhecido a miúdo mesmo até polos seus inimigos "isso sim, freqüência e acto seguido acusa-lo por esta linguagem, de ser a sua escrita demasiado emotiva, de escrever "cum ira et studio"-, o seu trabalho seria espelho da sua óptica uni-dimensional, historicamente subjectiva. Coma se existisse a objectividade pura na classificaçom e valoraçom da história, crítica levada por Deschner ad absurdum na sua introduçom ao tomo I da "História criminal do cristianismo".

Uni-dimensional? Subjectivo, parcial? Analisemos este veredicto que quer ser demonstraçom da sua "falta de método científico". Deschner nom escreve e pensa mais subjectiva e unilateralmente que os incontáveis apologistas do poder eclesial no grémio da história eclesial. A eles contrapom Deschner desde o inicio a sua visom desde abaixo. Com o pároco pacifista Johannes Ude, que reconhecia "nom poder suportar a injustiça", Deschner elegeu sofrer empáticamente, sofrer desde a perspectiva das vítimas, dos que padecem todo o tipo de barbaridades: dos milhons de pagaos,de bruxas, dos milhons de indianos, dos milhons de africanos, dos milhons de cristaos, até dos 700 000 ortodoxos sérvios que fôrom enterrados, queimados, crucificados vivos ainda nos nossos dias, na Croácia católica fascista sob Ante Pavelic, e todo isso com ajuda de umha clerezia muito activa, que ela mesma matava e descabeçar os franciscanos!, e isso com a bençom e o consentimento de Eugénio Pacelli, desde 1939 Pio XII, aquele papa de figura tam ascética, tam seráfica, tam venerada, tam endeusada.

Umha nova ediçom da obra de Deschner "A política dos papas" aparece proximamente na editora Alibri. Que relaçom tem esta obra com a História criminal do cristianismo?

Os nom bem intencionados acusam agora a Deschner, trás a apresentaçom do tomo 10, o último da sua História criminal, de nom penetrar no S. XIX e XX, portanto nom poderia cumprir o seu propósito. A nova ediçom actualizada da "Política dos papas em tempos das Guerras Mundiais" de 1982/83 e 1991 agora na editora Alibri com um epílogo extenso de Michael Schmidt-Salomon, porta-voz da fundaçom Giordano Bruno, a cujo valente editor Gunnar Schedel e ao sua equipa só cabe agradecer-lhes por este imenso trabalho, empalma de algumha maneira ali onde termina o tomo 10, no âmbito da Revoluçom francesa. Deschner considera esta obra o tomo 11 da sua História criminal do cristianismo, ainda que de modo nom oficial. Em mais de 1000 páginas constata, demonstra e comprova no S. XIX e XX o vê-lho emaranhamento conhecido do papado nom tanto com os poderes do mais ali quanto com os deste mundo, sempre adornado e debruado de transcendência e em clara contradiçom com a ética da paz e da pobreza do Jesus sinóptico. A cima desta hipocrisia alcança no S. XX com o pontificado de Pio XI e Pio XII.

Deschner ocupou-se muito intensamente do papel da Igreja no fascismo "agora apareceu umha nova ediçom do seu memorável livro de 1965 "Mit Gott und dêem Fachisten" (Com Deus e os fascistas), no que detalha e demonstra, como ninguém depois de 1945, a colaboraçom do papa Pío XI e Pío XII com os fascistas daqueles anos na Itália, Alemanha, Espanha e Croácia. Sobre Pío XII escreveu noutro lugar: "Sim, nom faltou um (um") no patíbulo de Nuremberg"" Nom se deu um escândalo jurídico?

Nom! As suas palavras pronunciadas na Meistersingerhalhe de Nuremberg fôrom motivo para incoar querela por "injuria à Igreja", desistida em 1971 "por insignificancia". A terrível contradiçom entre o ideal do cristianismo primigénio e a realidade clerical foi o tema desta conferência, do mesmo modo que foi de quase todo o que ele vem escrevendo desde há meio século contra a Igreja. Nos inícios da História criminal do cristianismo rondou-lhe a ideia de intitular a obra "Deus caminha nas sandálias do demónio". Nom polas palavras senom polas obras mede ele aos "representantes de Deus": "Deverdes conhecer-los polos seus frutos". Frase que é guia nos seus trabalhos.

A frase "História criminal do cristianismo" supom algo assim como continuidade, realmente constitui esta actuaçom criminal umha espécie de linha vermelha através da história da Igreja?

Linha vermelha" Deschner diria que mais bem constitui "umha cascata de sangue", umha verdadeira cascata de sangue que roda e precipita polos reinos cristaos através do século; observe-se, como o autor desta História criminal, que as linhas directrizes dos apoderados da Igreja determinam a política e nom o protesto daqueles que se alçam contra ela mesmo jogando-se a vida, mais tarde utilizada como folha de parra para tampar os crimes cometidos e abençoados polos clérigos. E que som legiom. Cito aqui frases daquele discurso de Deschner em Nuremberg: "A linha central: com Deus o Senhor" Com Deus contra os pagás, contra os judeus, com Deus contra os lombardos, os sajones, os sarracenos, os húngaros, os ingleses, os poloneses; com Deus contra os albigenses, os valdenses, os Stedinger, contra os husitas, os Gueux, os hugonotes, os camponeses, com Deus na Primeira Guerra Mundial, com Deus na Segunda, e com Deus seguro também na Terceira; festas ecuménicas de matança sem igual.

Objecto fundamental das análises de Deschner é a Igreja católica. Em que medida tem em conta também os crimes do protestantismo?

Nos assassinatos maciços desde a Reforma -pense-se tam só nas guerras camponesas, na Guerra do Trinta Anos que Deschner documenta muito detidamente- participárom também os protestantes, mas em conjunto nom se pode comparar com o poder e a influência do império da Igreja católica, ainda que dispunham de um grande património e governavam numha série de países. O capítulo mais escuro da história protestante sem dúvida escreveu-o a sua colaboraçom dos cristaos alemáns com os nacional-socialistas. Nom esqueçamos, os inícios da Igreja protestante, na Reforma iniciada por Martim Lutero -cujos 500 ano vai ser celebrado com profussom- arrojam muitas sombras, cujos traços mais característicos estám expostos no capítulo 12 do volume 8 da História criminal do cristianismo, recopilado num dos seus aforismos: "Martim Lutero desmascarou as lendas como contos, mas Lutero aferrou-se às lendas da Bíblia, também à crença do demónio, também ao delírio das bruxas, também à eliminaçom dos hereges, também ao anti-semitismo, ao serviço da guerra, à escravatura, aos príncipes. E a isto chama-se Reforma".

Nom só os escândalos de abusos sexuais, também o despedimento de umha mulher de Colónia violada por clínicas católicas enfadou à opiniom pública, há príncipes da Igreja que se sentem expostos a umha espécie de progrom. Tenhem razom"

Como historiador crítico da Igreja e autor de umha História sexual do cristianismo ""Dás Kreutz mit der Kirche", 1974 (Em castelhano: História sexual do cristianismo) [ii] , Deschner vê os casos nomeados, do mesmo modo que todos aqueles numerosos casos de maes solteiras, massacradas há tempo em todos os sítios, como foram afogadas ou elas mesmas afogárom no contexto de umha repressom sexual de séculos da massa dos crentes, sem prejuízo de um em todos os sentidos libertinagem desbocado por parte dos seus governantes de dentro e fora das Igrejas. Já este contraste amostra para que serviu de facto a moral sexual especificamente cristá e a inimizade do prazer: como afirma Deschner nom tanto para a protecçom da vida embrionária, como afirmam "que umha vez desenvolvida termina sendo carne de canhom-, quando como criaçom e canteira de súbditos. Freud pode confundir-se gravemente neste sentido, o verdadeiro é que se se embrida e reprime este impulso elementar prazenteiro da vida, si se o difama, si se tacha de animal, si se endemoninha e se envolve e besunta desde pequeno com um sentimento de culpabilidade -sabem-no todos os ditadores do mundo terreno e espiritual- encarcera-se e embrida à pessoa, impede-se o seu desenvolvimento e assim se conseguem súbditos submissos, dispostos e capazes de humilhar-se ante os de arriba e a patear aos de abaixo, assim se acreditem combatentes fanáticos sobretodo na guerra, esse sempre "Deus connosco": Também, segundo Deschner, é o que se busca com a congestom e repressom do impulso dos celibatários, que tem que terminar buscando umha válvula de escape.

Que reacçons deram nos círculos eclesiais sobre a obra de Karlheinz Deschner"

Muito diferentes como mostra já o tomo de cartas "Vostede chefe dos demos". Desde a teologia da Igreja tentou-se ignorá-la, nom falar do seu trabalho, e na imprensa conservadora despachou-no com os "argumentos" antes mencionados (subjectivo, pouco científico). Um simposium em 1993 na academia católica Schwerte para demonstrar a falta de seriedade da "Criminalizaçom do cristianismo" por “entendidos” nom encontrou o amplo eco esperado. Na obra extensa de um só como ele, sem equipa colaborador, obrigado ademais a dar conferências para assegurar-se o sustento vital e à ajuda de amigos como Herbert Steffen, o fundador do GBS, sem dúvida que sempre se encontram algumhas falhas de detalhes. Mas o decisivo é que foi confirmado até o dia de hoje por teólogos e historiadores da Igreja, mas nom excessivamente submissos à mesma, o valor científico do aproveitamento dos estudos de fontes assim como a legitimaçom da sua crítica de domínio referida às vítimas, e isto é a regra geral e nom a excepçom.

Deschner foi educado nas salas de aulas de um convento católico, que lhe empurrou a se dedicar de cheio à história da Igreja"

Entre os seus 50 livros existem alguns de muito outro conteúdo, ademais da crítica literária e a poesia paisagista cabe destacar sobretodo o seu amor polos animais, aos que começaria de novo a dedicar toda a sua capacidade de escritor. O que sacrificasse à crítica da Igreja por volta de 50 anos da sua vida em nada corresponde, como afirma, a umha infância ou mocidade eclipsada ou obscurecida por influências eclesiais, em privado tivo por entom as melhores experiências com representantes de Igreja local. Separou-se religiosamente da fé muito pronto, sendo aluno, pola leitura de Schopenhauer e Nietzsche, mais tarde de Kant e Lichtenberg, cortando o cordom umbilical emocional com o catolicismo tradicional da sua terra mediante um estudo autodidacta de cinco anos dos fundamentos do cristianismo, e com a sua primeira crítica da Igreja "Abermals krähte de Hahn" (E de novo cantou o galo) em 1962 rematou totalmente o tema Igreja e fé para sim pessoalmente. Desde entom agnóstico com sempre crescente dúvida metódica frente a perguntas sem resposta para nós, impulsionou-lhe a seguir no tema sobretodo um sentimento arraigado pola verdade e a justiça, expressado e manifestado já como crítico literário e agora como historiador: a denúncia da profunda contradiçom entre as altas exigências morais dos "representantes de Cristo" e a sua praxe verdadeiramente lamentável, desprezadora dos direitos humanos com palavras embelecidas, e mais tarde negada mesmo por historiadores submissos.

Que espera Karlheinz Deschner do papa Francisco que saiu elegido?

Deschner pessoalmente nada, vê no papado umha instituiçom totalmente superada. O que nom exclui que como sempre se aferre ao poder sobretodo coligándosse em política e economia com aqueles poderes terrenais dos que espera vantagens, sobretodo em luta conjunta e já experimentada através dos séculos contra todo que seja crítico. Nom nos devem enganar nem os anúncios de Francisco de um feche do Instituto per le Opere di Religione (IOR), conhecido como Banco Vaticano "umha reacçom às acusaçons de lavagem de dinheiro- nem as afirmaçons de estar perto dos pobres seguindo o exemplo do patrom do seu nome, Francisco de Agarrais, com censuras aos super-ricos. Francisco como papa será, como já o foi antes como Jorge Mario Bergoglio, sacerdote, cardeal e arcebispo de B. Aires "nos anos 70 provincial dos jesuítas, ordem que segue dispondo de um enorme capital e de pacotes de acçons em empresas multinacionais. Possivelmente queira perceber por estar perto dos pobres o que já percebeu no seu dia Leom XIII na seu "encíclica aos trabalhadores", com a que esperava durante a industrializaçom ganhar de novo para a Igreja a aquelas massas que ameaçavam com ir aos socialistas e comunistas, sempre hostilizadas polos gerifaltes da Igreja. Também Francisco é possível que perceba por estar "perto dos pobres" ser caritas, sedante da miséria de massas num mundo com cada vez mais partes depauperadas em lugar de comprometer-se em luta eficaz e combativa contra as causas desta crescente depauperaçom. Mas isto exige mudanças estruturais numha economia orientada exclusivamente ao benefício sem o qual nom pode haver um mínimo de justiça nem nacional nem globalmente. Por suposto, com as organizaçons argentinas de direitos humanos e familiares bem inter-comunicadas Deschner nom descarta que Francisco frente aos governos de esquerda latino-americanos pudesse jogar um papel semelhante ao jogado polo papa polonês Joám Paulo II face a representantes do socialismo real. O cepticismo de Deschner frente à ofensiva de atracçom dos coraçons de muitas gentes por parte do novo papa e as suas numerosas promessas de reforma será que basicamente na Igreja católica todo seguirá sendo como sempre foi, sobretodo essa hierarquia rígida. Porque Francisco, apesar do novo grémio de cardeais assessores, segue sendo o pontifex maximus, é dizer em todas as decisons tem a última palavra. Lembra Deschner que na sua crónica crítica do Vaticano durante os Séculos XIX e XX escreveu sobre as bases religiosas podrecidas deste império: "Se este instituto de quase dous mil anos de crimes um dia, polas razons que fora, nom só predicasse a paz senom que mesmo a praticasse, e se para isso padecesse, perdesse poder e minguasse seguiria sendo desprecíavel porque dogmaticamente é mentira. umha Igreja edificada na fraude e a mentira jamais se mostrará como eticamente servível.

Notas:

[i] Publicado em castelhano em dous tomos pola editora zaragozana Yalde e magnificamente traduzido por Anselmo Sanjuán Nájera.

[ii] Publicada pola editora Yalde

13-05-2013

Link permanente 18:17:39, por José Alberte Email , 1096 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: "Em Cuba a palavra desafiuzamento nom existe, e tem um desemprego de 3,8 por cento "

http://www.publico.es/internacional/455097/el-desahucio-no-existe-en-cuba
Sergio León
Público.es

Umha delegaçom cubana atende ao diário "Público" para falar dos avanços económicos na ilha. Rejeitam que o socialismo cubano haja fracassado e destacam que a política do Governo de Raúl Castro enfoca-se em modernizar as conquistas da revoluçom.

Eles também estám de passagem por Espanha, ainda que a sua visita nom fai parte de nengumha gira mundial. O Congresso dos Deputados nom abrirá as suas portas para receber-lhes. Nom se farám fotos com segundo que personalidades. Mas nem falta que fai. "Nom vamos seguir os passos dessa personagem".

Quem fala é Iroel Sánchez, engenheiro e jornalista cubano autor do blogue "A Pupila Insomne" e do livro "Suspeitas e dissidências" que apresenta estes dias em Espanha. Junto ao doutor em economia e vice-presidente da Associaçom de Economistas e Contadores de Cuba, Hugo Pons, percorreram Barcelona, Valencia e Madrid para realizar umha série de encontros para falar sobre a ilha. Viajaram acompanhados de Mirtha Rodríguez, mae de um do Cinco e que leva a história do seu filho por todo mundo, e do alto funcionário Alberto González.

A embaixada cubana na capital recebeu a "Público" para charlar de todo um pouco e, sobretodo, das mudanças que se estám produzindo no país caribenho. Mudanças, sim, mas concretizam: "Cuba nom muda, Cuba muda-se".

Há dous anos, o Governo de Raúl Castro começou a implementar novas medidas económicas: desde a concessom de créditos para criar e fomentar novos negócios e a promoçom do trabalho autónomo e cooperativista, passando pola cessom de terrenos agrícolas para incrementar a produçom e o levantamento da proibiçom de compra-a-venda de casas e automóveis. Passos significativos para modernizar e fazer sustentável num novo contexto internacional os sucessos e conquistas alcançadas com a revoluçom, defende Sánchez.

Ambos destacam os resultados conseguidos até agora, ainda que também som conscientes de que o caminho é comprido e o processo, lento. O economista pom 2030 como "horizonte temporário" para a transformaçom das actividades económicas que, em nengum caso, destaca, esqueceram-se de apoiar um gasto social orientado a garantir o bem-estar da populaçom. Pons sublinha que "a primeira directriz -termo empregue para as medidas económicas- que aparece aí, que é trabalhar em funçom da construçom do socialismo, nom se modificou. O objectivo segue sendo o mesmo. Poderá-se falar de umha falência do socialismo na Europa, mas o socialismo cubano aí está".

Sánchez fai finca-pé aqui na utilizaçom que se fai deste processo em alguns médios para anunciar a quebra do sistema cubano. Di-o alto e claro: "Cuba nom vai para o capitalismo". O economista alarga: "Cuba nom está a entregar a propriedade das terras, nom as está entregando, as propriedades e serviços seguem sendo públicos. Entrega-se a gestom. O peso fundamental da actividade económica cubana vai seguir sendo a empresa estatal. umha cousa é que se privilegie a actividade cooperativa, que é colectiva, nom privada, e que se alargue o trabalho por conta própria como umha forma de soluçom. Aí é onde entra a deturpaçom".

Pons, neste ponto, fai umha defesa das políticas cubanas, e nom só as actuais: "Em 2008, num contexto de crise financeira, a economia de Cuba seguia crescendo. Nom é magia, é o fruto do desenho de umhas políticas que, ainda que, nom alcança os níveis de eficiência que potencialmente poderiam ter, sim chega a oferecer umha melhora relativa do estándar de vida da populaçom".

Os dous celebram o reconhecimento que o director geral da ONU para a Alimentaçom e a Agricultura (FAO) fixo do trabalho realizado na ilha para erradicar a fame. José Graziano da Silva felicitou por carta ao ex-presidente Fidel Castro e ao povo cubano por "o importante sucesso" ao cumprir de maneira antecipada a meta traçada de reduzir à metade o número de pessoas desnutridas em cada país antes de 2015. "Cuba, com as suas políticas, alcançou bem mais que outros países que nom tenhem bloqueio, que tenhem petróleo, que som grandes produtores de alimento, que tenhem boas condiçons climatológicas" Segundo UNICEF, Cuba é o único país que acabou com a desnutriçom infantil", acrescenta Sánchez.

"Nom quer dizer que os cubanos comam o que quereriam comer. Quando Cuba compra arroz, fá-lo para 11 milhons de pessoas. Nom é umha realidade paradisíaca, mas também nom é a realidade que se fabrica nos laboratórios da guerra psicológica de EEUU", continua. Reconhecem que nada é perfeito. E Cuba, com todos os seus problemas, tampouco. "Há muitas cousas que resolver. É necessário elevar os níveis de produçom alimentícia para reduzir as importaçons. Na medida que se consiga, esse financiamento, que em 2011 supom 1.500 milhons de dólares, pode ser utilizada para outro tipo de investimentos, para, em definitiva, melhorar a qualidade de vida da populaçom", assinala Pons.

Lento, mas seguro. Tanto o economista como o bloguero defendem que é a forma para sentar as bases desta transformaçom económica, para que permaneça e seja sustentável. E de fundo, nom esquecer nunca a política social. Num panorama no que Ocidente se afoga na crise financeira e na política de recortes, Cuba, tem um desemprego de 3,8 por cento. A palavra desafiuzamento nom existe, e nom só que nom exista, senom que também nom fai parte do seu marco regulatório". Sánchez incide no tema dos desaloxos com umha frase singela, mas clarificadora: "Nom podem botar-te da tua casa, os cubanos nom o percebem porque isso nom fai parte da sua cultura".

É inevitável que, durante a conversaçom, EEUU e o seu embargo à ilha apareça de forma assídua. A chegada de Barack Obama em 2008 à Casa Branca fixo pensar que a situaçom pudesse mudar. Mas nada mais longe da realidade. "Obama é o presidente que mais travas impujo ao levantamento do bloqueio". Sánchez critica ao mandatário estadounidense e a sua imagem oferecida de "aparente abertura", por nom ser conseqüente com as promessas fixo quando era senador. "Cuba já demonstrou a sua disponibilidade a sentar a discutir. Nom é só o bloqueio, é um problema que transcende as relaçons bilaterais", assinala, por sua parte, Pons.

O ferrolhamento custou-lhe a Cuba dezenas de milhares de milhons de euros. A ilha necessita que o seu sistema seja mais eficiente, aponta o economista. Por isso expôs-se a necessidade de pôr em marcha novas medidas económicas. Sánchez destaca que essas directrizes fôrom fruto do consenso de um amplo debate da populaçom cubana. "Cuba muda para adaptar-se, mas sem esquecer da justiça social e a preservaçom da sua soberania. As mudanças levaram-se a cabo com a presença da geraçom histórica da revoluçom para dar-lhes sustentabilidade". E quando Raul Castro retire-se" "As instituiçons som mais importantes que as pessoas. O povo cubano é o que garante os objectivos", conclui o bloguero.

06-05-2013

Link permanente 23:41:56, por José Alberte Email , 833 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Fascismo

http://luisbrittogarcia.blogspot.com.es/

1
Hollywood representa o fascismo como quadrilha de mal-encarados em uniforme que agitam estandartes e gritam ordens. A realidade é mais perversa. Segundo Franz Leopold Neuman em Behemoth: The Structure & Practice of National Socialism, 1933-1944, o fascismo é a complicidade absoluta entre o Gram capital e o Estado. Quando os interesses do grande capital passam a ser os da política, anda perto o fascismo. Nom é casual que este surja como resposta à Revoluçom comunista da Uniom Soviética.

2
O fascismo nega a luita de classes, mas é o braço armado do capital nela. Aterroriza às classes trabalhadoras, média e a marginalidade, com o pavor à crise económica, à esquerda, e à proletarizaçom, Alista-as como paramilitares para reduzir pola força bruta a comunistas, socialistas, sindicalistas, operários e movimentos sociais. Mussolini foi subvencionado pola fábrica de armas Ansaldo e o Serviço Secreto inglês; Hitler financiado polas indústrias armamentistas do Ruhr; Franco, apoiado por terratenentes, industriais,e a Igreja; Pinochet por Estados Unidos e a oligarquia chilena.

3
A crise económica, filha do capitalismo, é pola sua vez a mae do fascismo. Apesar de estar no bando vencedor na Primeira Guerra Mundial, Itália sai dela tam destruída que a classe média se arruina e participa em massa na Marcha sobre Roma de Mussolini. Na eleiçom de maio de 1924, Hitler obteve só 6,5% dos votos. Nas de Dezembro desse ano, só 3,0%. Mas nas de 1928, quando rebenta a grande crise capitalista, obtém 2,6%, em 1930 gana 18,3%, e em 1932, 37,2%, com o qual acede ao poder e utiliza-o para anular aos restantes partidos. Mas o fascismo nom atalha a crise: piora-a. Durante Mussolini o custo da vida triplicou-se sem nengumha compensaçom salarial nem social. Hitler empregou aos parados em fabricar armamentos que conduzírom à Segunda Guerra Mundial, a qual devastou Europa e causou sessenta milhons de mortos. Franco inicia umha Guerra Civil que custa mais de um milhom de mortos e várias décadas de ruína; os fascistas argentinos eliminam um trinta mil compatriotas, Pinochet assassina uns cinco mil chilenos. Tam mau é o remédio como a doença.

4
O fascismo convoca às massas, mas é elitista. Corteja e serve às aristocracias, os seus dirigentes venhem das classes altas e instauram sistemas hierárquicos e autoritários. Charles Maier, historiador, salienta que para 1927, 75% dos membros do partido fascista italiano vinha da classe média e média baixa; só 15% era operário, e 10% procedia das elites, os quais contodo ocupavam as altas posiçons e eram quem em definitiva fixavam os seus objectivos e políticas. Hitler estabelece o "Fuhrer-Prinzip": cada funcionário usa aos seus subordinados como lhe parece para alcançar a meta, e rende contas só ao superior. O Caudilho falangista responde só ante Deus e a História, vale dizer, ante ninguém.

5
O fascismo é racista. Hitler postulou a superioridade da "raça" ária, Mussolini arrasou com líbios e abissínios, e planeou o sacrifício de meio milhom de eslavos "bárbaros e inferiores" a favor de 50.000 italianos superiores. O fascismo sacrifica aos seus fins aos povos ou culturas que despreza. Os falangistas tomaram Espanha com tropas mouras de Melilla. Albert Speer, o ministro de Indústrias de Hitler, alargou a Segunda Guerra Mundial de dous a três anos mais com a produçom armamentista activada por três milhons de escravos de raças "inferiores".

6
Fascismo e capitalismo tenhem rostos aborrecíveis que necessitam máscaras. Os fascistas copiam consignas e programas revolucionários. Mussolini dizia-se socialista, o nazismo usurpou o nome de socialismo e proclamava-se partido operário (Arbeite); no seu programa sustinha que nom se devia tolerar outra renda que a do trabalho. Pola sua falta de criatividade, roubam os símbolos de movimentos de signo oposto. Os estandartes vermelhos comunistas e a cruz gamada, símbolo solar que em Oriente representa a vida e a boa fortuna, foram confiscados polos nazistas para o seu culto da morte.

7
O fascismo é beato. Os curas apoiaram aos falangistas que saíam a matar próximos e fusilar poetas. O Papa abençou as tropas que Mussolini mandou à guerra; nunca denunciou as tropelias de Hitler. Franco e Pinochet fôrom idolatrados pola Igreja.

8
O fascismo é misógino. A missom das mulheres resume-se em Kirche, Kuchen, Kinder, vale dizer, igreja, cozinha, crianças. Nunca figurou publicamente umha colega à beira dos seus líderes; quem as tiveram, esconderam-nas ou relegárom minuciosamente. Nunca aceitaram que umha mulher ascendesse por próprio mérito ou iniciativa. Hitler encerrou-as em granjas de criaçom para parir arios; Mussolini asignou-lhes o papel de ventres para incrementar a demografia italiana, Franco e Pinochet confinárom-nas na igreja e a sala de partos.

9
O fascismo é anti-intelectual. Todas as vanguardas do século passado fôrom progressistas: a relatividade, o expressionismoo, o dadaísmo, o surrealismo, o constructivismo, o cubismo, o existencialismo, a nova figuraçom. A todas, salvo ao futurismo, tratou-as como "Arte Degenerado". O fascismo nom inventa, recicla. Só crê no ontem, um ontem imaginário que nunca existiu. O fascismo assassinou a Matteotti, encarcerou a Gramsci, fusilou a Garcia Lorca e fixo morrer no cárcere a Miguel Hernández. Pinochet assassinou a Victor Jara. Quando ouço falar de cultura, saco a minha pistola, dizia Goering. Quando ouçamos falar de fascismo, extraiamos a nossa cultura.

20-04-2013

Link permanente 00:02:32, por José Alberte Email , 1866 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Irám representa umha ameaça mortal para a hegemonia global de Estados Unidos

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=166971

Irám representa umha ameaça mortal para a hegemonia global de Estados Unidos

Finian Cunningham
Information Clearing House

Traduzido do inglês para rebeliom por Beatriz Morais Bastos

Estados Unidos de América converteu-se em sinónimo de guerra. Nengum outro Estado naçom iniciou tantas guerras ou conflitos na época moderna como Estados Unidos de Armagedón.

Baixo a fachada que oferecem os meios ocidentais de umha Coreia do Norte "imprevisível" e "agressiva", a verdadeira fonte de conflitos nas tensons actuais de guerra na Península da Coreia é Estados Unidos. Apresenta-se a Washington como umha força contida e defensiva mas, em realidade, este perigoso confronto nuclear há que ver no contexto do histórico apetito de Washington pola guerra e a hegemonia em cada recanto do mundo.

Coreia do Norte pode apresentar um desafio imediato às ambiçons hegemónicas de Washington. Contodo, como vejamos a ver, Irám representa um desafio muito maior e potencialmente fatal para o império global estadounidense.

Graças ao trabalho de escritores e pensadores como William Blum e Noam Chomsky documentou-se que no sete últimas décadas desde a Segunda Guerra Mundial Estados Unidos estivo implicado em mais de 60 guerras, ademais de em muitos outros conflitos por intermediaçom, subterfúgios e golpes. Nengumha outra naçom da terra aproxima-se deste historial estadounidense de beligerância e ameaças à segurança do mundo. Nengumha outra naçom tem tanto sangue nas maos.

Aos estadounidenses gostam de pensar que o seu país é o primeiro do mundo em liberdade, princípios humanitários e destrezas tecnológicas e económicas. A verdade é mais brutal e prosaica: Estados Unidos é o primeiro no mundo em belicismo e em semear a morte e a destruiçom noutros países.

Se Estados Unidos nom perpetra directamente umha guerra, como no genocídio de Vietname, entom estabelece a violência através de outros, como ocorreu com as ditaduras e esquadrons da morte em América do Sul ou com a sua maquinaria militar por intermediaçom em Oriente Próximo, Israel.

Esta tendência belicosa parece acelerar desde o desaparecimento da Uniom Soviética há mais de duas décadas. Nada mais desmoronar-se a Uniom Soviética, Estados Unidos encabeçou a Primeira Guerra do Golfo contra Iraque em 1991. A isto seguiu-lhe rapidamente umha sangrenta intervençom em Somália com o nome aparentemente encantador de "Operaçom Restaurar a Esperança".

Desde entom vimos como Estados Unidos via-se involucrado em cada vez mais guerras, em ocasiom sob camada de "coligaçons de voluntários", as Naçons Unidas ou a NATO. Também se mencionaram toda umha variedade de pretextos: guerra contra a droga, guerra contra o terrorismo, Eixo do Mal, a responsabilidade de proteger, polícia do mundo, manter a paz e a segurança mundial, impedir as armas de destruiçom maciça, etc. Mas estas guerras estám dirigidas por Estados Unidos e os pretextos sempre som umha mera fachada formosa dos brutais interesses estratégicos de Washington.

Parece que agora chegamos a umha fase da história na que o mundo é testemunha de um estado de guerra permanente empreendida por Estados Unidos e os seus subalternos: Jugoslávia, Afeganistám, Iraque (outra vez), Líbia, Paquistám, Somália (outra vez), Mali e Síria, por mencionar só algumhas. Estes cenários de criminais operaçons militares estadounidenses somam-se a umha lista de guerras encobertas em curso contra Palestina, Cuba, Irám e Coreia do Norte.

Afortunadamente, um giro do destino provocado polo defunto dirigente venezuelano Hugo Chávez garantiu que grande parte de América do Sul (a mais importante do telefonema esfera de influência estadounidense) permaneça fosse dos limites dos estragos de Washington, ao menos por enquanto.

A pergunta é por que Estados Unidos tem esta desmesurada propensom à guerra. A resposta é poder. A economia capitalista global exige umha fatal luita de poder polo controlo dos recursos naturais. Para manter a sua posiçom histórica única de controlo do benefício e os privilégios capitalistas a elite corporativa estadounidense (o executivo do sistema capitalista mundial) deve ter a hegemonia dos recursos naturais do mundo.

Em 1948 George F Kennan, planificador estatal, expressou claramente a fria lógica desta propensom: "Devemos deixar de falar de objectivos vagos e irreais como direitos humanos, aumentar o nível de vida e democratizaçom. Nom está longe o dia em que teremos que abordar conceitos de poder puro. Quanto menos entorpeçam-nos entom as consignas idealistas, melhor".

Noutras palavras, Kennan estava a admitir com franqueza o que os dirigentes políticos estadounidenses a miúdo encobrem com falsa retórica, isto é, que a elite dirigente estadounidense nom tem interesse algum em defender a democracia, os direitos humanos ou o direito internacional. O que lhe interessa é o controlo do poder económico de acordo com as leis capitalistas.

Kennan, que foi um dos principais artífices da política exterior estadounidense na era posterior à Segunda Guerra Mundial, também assinalou com sinceridade e presciencia: "Se a Uniom Soviética afundasse-se manhá nas águas do oceano, a classe dirigente militar-industrial estadounidense teria que seguir adiante sem mudar substancialmente até que se pudesse inventar algum outro adversário. Qualquer outra cousa seria um shock inaceitável para a economia estadounidense".

Por conseguinte, vemos como umha vez que se desmoronou o "Império do mal" da Uniom Soviética, Estados Unidos nom alcançou encontrar um "inimigo" que a substitua nem um pretexto para o seu militarismo essencial. Os atentados terroristas de 11 de Setembro e a subseguinte "guerra contra o terrorismo" satisfigérom até verdadeiro ponto este propósito, apesar de estar cheios de contradiçons que ocultam a sua fraudulenta, como o apoio que brinda actualmente a elementos terroristas de Al-Qaeda para derrocar ao governo da Síria.

A actual ameaça de umha guerra nuclear na Península da Coreia em realidade nom tem que ver com Coreia de Norte ou com o Estado da Coreia do Sul ao que apoia Estados Unidos. Como em 1945, Coreia foi um cenário para que Estados Unidos mostrasse o seu poderio militar a quem considerava os seus principais rivais globais, Russa e China. Quando estava a terminar a Segunda Guerra Mundial os avanços da URSS e a Chinesa comunistas no Pacífico contra o Japom imperialista preocupavam muito a Washington à hora de pensar no compartimento global posterior à guerra.

Essa é a razom pola que Estados Unidos deu o passo sem precedentes de arrojar bombas atómicas sobre Japom. Foi a mais transcendental demonstraçom de poder puro e no duro por parte de Estados Unidos aos seus rivais. O duplo holocausto nuclear de Hiroshima e Nagasaki detivo imediata e completamente os avanços soviéticos e chineses na Península da Coreia contra os japoneses, aos que a populaçom coreana haviam dado a bem-vinda.

A divisom da Coreia em 1945 a instâncias de Washington também fazia parte da demarcaçom da influência global e da vigilância do controlo dos recursos que se produziram depois da guerra. A Guerra da Coreia (1950-1953) instigada por Estados Unidos e as subseguintes décadas de tensom entre os Estados do Norte e do Sul permitiram a Washington manter umha permanente presença militar no Pacífico.

A retórica acerca de "defender aos nossos aliados" que voltou a reiterar esta semana o secretário de Defesa estadounidense Chuck Hagel nom é senom umha cínica quimera do propósito e a razom verdadeiros da presença de Washington na Coreia: o controlo estratégico da Rússia e China pola hegemonia sobre os recursos naturais, transporte-los, a logística e, em última instância, o benefício capitalista.

Trágicamente Coreia do Norte e do Sul continuam atrapadas no ponto de mira da guerra geopolítica de Washington contra Rússia e China. Isto é o que fai que as actuais tensons na Península sejam tam perigosas. Estados Unidos poderia considerar que um ataque devastador contra Coreia do Norte fosse a melhor maneira nesta conjuntura histórica de enviar outra mensagem brutal aos seus rivais. Por desgraça, a capacidade nuclear da Coreia do Norte e a sua atitude hostil (que exageram os meios dominantes ocidentais) poderiam servir de escusa política superficial para que Washington adoptasse de novo a opçom militar.

Contodo, Irám apresenta um desafio muito maior e mais problemático para a hegemonia global estadounidense. Em 2013 Estados Unidos é um animal muito diferente do que era em 1945. Agora parece-se mais a um gigante torpe. Desapareceu a sua antiga destreza económica e as suas artérias estám esclerosadas pola sua decadência e mal-estar internos. O que também é de crucial importância é que o torpe gigante estadounidense malgastou toda a força moral que pudesse ter a olhos do mundo. Poda que o seu halo de moralidade e de princípios democráticos parecesse crível em 1945, mas as incontáveis guerras e as fatais intrigas ao longo das décadas subseguintes desgastárom esta aparência até revelar a um belicista patológico.

Por suposto, o poderio militar estadounidense segue sendo umha força extremosamente perigosa, ainda que agora se assemelha mais a um avultado músculo que colga no que polo demais é um corpo esquálido. Esta potência torpe e moribunda tem ante sim a Irám como um desafio fatal. Para começar, Irám nom tem armas ou ambiçons nucleares e afirmou-no muitas vezes, com o que conseguiu ganhar-se a boa vontade da comunidade internacional, incluída a opiniom pública da América do Norte e da Europa. Por conseguinte, Estados Unidos ou os seus substitutos nom podem justificar de maneira crível um ataque militar a Irám, como poderia fazer contra Coreia do Norte, sem se arriscar a umha avalanche de violentas reacçons políticas.

Em segundo lugar, Irám exerce umha influência determinante sobre o fármaco vital que mantém vivo o sistema económico estadounidense: a subministraçom mundial de petróleo e gás. Em caso que Estados Unidos fosse tam tolo como para se embarcar nisso, qualquer guerra contra Irám teria como resultado um golpe mortal para a languida economia estadounidense e global.

Umha terceira razom pola que Irám representa um desafio mortal para a hegemonia global estadounidense é que a República Islâmica é umha potência militar formidável. A sua populaçom de 80 milhons de pessoas está comprometida com o antiimperialismo e qualquer ataque de Estados Unidos ou os seus aliados teria como resultado umha guerra a escala regional que deitaria abaixo os alicerces da estrutura geopolítica ocidental, incluído o colapso do Estado de Israel e o derrocamento da Dinastia Saud e de outras ditaduras do Golfo.

Os estrategos estadounidenses sabem-no e por isso nom se atrevêrom a se enfrontar frontalmente com Irám. Mas isto expom um dilema fatal ao império estadounidense. O seu beligerância congénita procedente do seu ADN situa à elite dirigente estadounidense num ponto morto em relaçom com Irám. Quanto mais tempo persista este ponto morto, mais poder global irá perdendo o cadáver de Estados Unidos. Por conseguinte, como muitos outros impérios antes, o império estadounidense poderia afundar-se nas rocas do antigo império persa.

Contodo, a história nom acabará aí. Para alcançar a paz, a justiça e a sustentabilidade mundiais nom se necessita unicamente o colapso da hegemonia estadounidense. Necessitamos derrotar o sistema económico capitalista subjacente que dá lugar a estes poderes hegemónicos destrutivos. Irám representa um golpe mortal para o império estadounidense, mas os povos do mundo terám que edificar sobre as ruínas.

Finian Cunningham (1963) escreveu por extenso sobre questons internacionais e os seus artigos publicam em vários idiomas. Tem um Mestrado em Agricultura Química e antes de dedicar ao jornalismo trabalhou como editor científico da Real Sociedade de Química de Cambridge, Inglaterra. Também é músico e compositor. Foi expulso de Bahrein em Junho de 2011 polos seus artigos críticos nos que punha de relevo as violaçons de direitos humanos por parte do regime apoiado por Ocidente.

Fonte: http://www.informationclearinghouse.info/article34586.htm

19-04-2013

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Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Capriles, o PP e o fascismo de sempre

Capriles, o PP e o fascismo de sempre

Juan Carlos Moedeiro
público.es

A direita pensa que o poder pertence-lhe. Quando saem eleitoralmente dos palácios de governo, adoptam desconhecer as eleiçons. Primo de Rivera, Franco, Pinochet, Salazar, Videla, Carmona... Desde que desapareceu a URSS, a direita do fim da história achou que já nom tinha adversários. Chávez lhes desquadrou as contas. Por isso aplicárom em Venezuela todas as artimanhas. Mas o processo bolivariano derrotou-as todas, incluído o golpe tradicional. Tivérom que se pôr a máscara de democratas. Quando lhes tiras dez pontos, parece que nom lhes fica outra que suportar. Isso sim, nom sem tentar enturbar os processos eleitorais. Quando as cifras som mais apertadas, dam umha patada à mesa. Algo que nunca ocorre quando o mesmo caso acontece na direcçom contrária.

Todos os grupos de observaçom internacional em Venezuela expressárom este 15 de Abril as suas conclusons sobre as eleiçons presidenciais: fôrom eleiçons limpas, transparentes, fiáveis, em conclusom, expressom verdadeira da vontade popular. Todos os grupos coincidiram. Observaçons internacionais onde estám ex Presidentes dos tribunais eleitorais da América do Norte Latina. Incluídos os de países onde se desenvolvem sistema políticos bem diferentes, como Colômbia ou México. Capriles quer desconhecer estas declaraçons colectivas prestigiosas, e apoiou-se em individualidades (um eurodeputado do PP que leva dez anos fazendo as mesmas declaraçons), ou num par de governos que adoptam pecar dos mesmos excessos. Que curioso, os dos dous países que reconheceram como Presidente ao golpista Carmona em Abril de 2002. O governo espanhol de Aznar (hoje do seu afilhado, Mariano Rajoy) e os Estados Unidos da doutrina Monroe (dá igual que o inquilino da Casa Branca seja Bush ou seja Obama).

Capriles desconheceu a vitória de Nicolás Maduro, quem lhe tirou os votos que lhe tirou Aznar a Felipe González ou Felipe Calderón a Andrés Manuel López Obradoiro. Por suposto, mais dos que lhe tirou Bush a Al Gore. Mas a Capriles deu-lhe o mesmo e chamou às suas hostes à insurreçom. E fizérom-lhe caso: queima de Centros de Diagnóstico Integral (ambulatorios), de sedes de partidos (do Partido Socialista Unido de Venezuela), assédio às televisons públicas (VTV e TeleSur), perseguiçom de médicos cubanos, queima de casas sociais e assassinato de chavistas (disparados desde veículos). Azuzados polos que, há quase nom dous dias, sorriam dizendo que para chavistas, eles. Que iam respeitar as missons, que iam nacionalizar aos médicos cubanos, que iam defender os logros dos últimos anos, que estavam com o povo. Sai-lhes o golpista em canto juntam-se três ou quatro.

E o governo do Partido Popular, apoiando. Que bochorno. Coma se nom nos bastasse o dano que nos fai dentro, também nos envergonham fora.

Venezuela aprendeu do golpe de 2002. Também América Latina. Sabe que os que agora desconhecem o resultado, som os fascistas de sempre. Um jornalista venezuelano do Opus Dei, destacado por matar a Chávez dez ou doce vezes antes de tempo, afirmou nesta segunda-feira 15 que num centro médico escondiam-se caixas com papeletas eleitorais. Turbas da oposiçom tomárom esse centro, despedaçando todo, agredindo aos médicos, seqüestrando a pacientes. Uns atiçam o ódio e outros o executam. Nom som menos culpáveis.

Capriles pede o cálculo de 100% dos votos. Nom haveria problema, salvo que é mentira que lhes interesse o resultado. Sabem que perdêrom. Dixo-lho, mesmo, o reitor eleitoral que tem no CNE. Todos os peritos do mundo sabem que auditar 54% dos votos é bem mais do necessário. É a proporçom que se audita em Venezuela. Essa auditoría demonstrou que o reconto manual das papeletas e o resultado da máquina coincidem. 15 auditorías prévias haviam blindado previamente o procedimento. O sistema venezuelano é o mais auditado do mundo. Capriles quer agora que se contem 100% dos votos. E exige desde os seus meios de comunicaçom. O único que busca é desconhecer ao Conselho Nacional Eleitoral (se quer esse cálculo, devesse impugnar as eleiçons, mas nom o fai porque ficaria como um imbecil depois das auditorias já efectuadas). Querem tempo e ruído. polo mesmo mostram fotos de destruiçom de material eleitoral de outros comícios (de 2010) coma se fossem actuais, para excitar aos seus já abduzidos fanáticos. Nom é um delito incitar ao ódio e a violência através de mentiras?

Noutros países, o que fixo Capriles e os meios de comunicaçom que lhe apoiam significar-lhes-ia cárcere. Som comportamentos insurreccionais que desconhecem as leis aplicando violência. Nom é desobediência civil pois é violenta e nom busca generalizar nengum direito. Que hipócrita o PP que apoia estes comportamentos e quer encarcerar aos indignados, aos desafiuzados, aos estudantes aos que se lhes nega o direito a estudar. O fascismo de sempre, que nom crê na democracia.

Há pouco Aznar esteve no continente organizando umha direita ibero-americana. Aqui vemos-lhes actuando. O fascismo de sempre dando-lhe um tiro na cabeça a um trabalhador enquanto lhe grita: Para que aprendas, fascista! Capriles, o PP e o fascismo de sempre.

Fonte: http://www.comiendotierra.es/2013/04/16/capriles-o-pp-e-o-fascismo-de-sempre/

17-04-2013

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Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Coreia-Agenda oculta e desinformação

http://www.resistir.info/

A campanha de desinformação acerca da Coreia continua intensa nos media que se auto-proclamam como "referência". A generalidade deles recorre a explicações do foro psico-patológico para definir o comportamento do governo norte coreano. Contudo, nenhum deles sequer aflora a agenda oculta do imperialismo. O objectivo não confessado do governo Obama é efectuar uma mudança de regime na Coreia do Norte – tal como as mudanças de regime que os EUA efectuaram no Iraque, na Líbia e na Jugoslávia e tal como as que está a tentar efectuar na Síria, Irão e Venezuela. Daí toda a série de provocações deliberadas, cuidadosamente medidas e calculadas, efectuadas pelo governo Obama. Elas estão a ser feitas nos planos económico, bancário, diplomático e militar. O objectivo é arruinar a economia coreana e fazer sofrer o seu povo a fim de gerar insatisfação contra o regime. Recorde-se que no momento da criminosa invasão do Iraque, em 2003, aquele país já havia sofrido dez anss de sanções económicas que o debilitara profundamente. Já não tinha meios nem forças para resistir. Por isso foi invadido e ocupado. Assim, o comportamento corajoso e combativo do governo e do povo norte-coreano tem lógica e racionalidade. Eles estão a lutar pela sobrevivência. Os coreanos sabem bem das atrocidades de que foi capaz de cometer o imperialismo na década de 1950, quando aviões da USAF espalhavam tapetes de napalm sobre aldeias camponesas, quando as cidades coreanas foram arrasadas, quando efectuaram ensaios de guerra bacteriológica e quando o general MacArthur ameaçou recorrer à bomba atómica para vencer a guerra (só por isso é que foi demitido por Truman, não pelos crimes anteriores).
A solidariedade para com os países agredidos pelos imperialismo é um dever

07-04-2013

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Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Encruzilhadas Perigosas: A ameaça de uma guerra nuclear preventiva dirigida contra o Irã

By Prof Michel Chossudovsky
Global Research, March 28, 2013

Por mais de uma década Irã vem sendo obstinadamente acusado de estar desenvolvendo armas nucleares, e isso sem evidências. A República Islâmica do Irã é continuamente representada pela mídia ocidental como uma ameaça a segurança de Israel e do mundo ocidental.
Numa amarga ironia, a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos em relação a alegada capacidade de armas nucleares do Irã, vem refutando as barragens de desinformação, assim como as declarações belicosas provenientes da Casa Branca. A Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional de 2007, NIE na sigla inglesa, declarava que: “julga-se com grande confiança que no outono de 2003, Teerã  tenha suspendido seu programa de armas nucleares.” (2007 Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional   Irã: Intenções e capacidades nucleares; Novembro de 2007, Veja também “Departamento do Diretor de Inteligência Nacional”, ODNI na sigla inglesa. [1]
“Nós avaliamos com uma certa confiança que Teerã não tenha retomado seu programa de armas nucleares, até quando dos meados de 2007, mas não sabemos se atualmente tenha intenção de desenvolver armas nucleares.
- Nós continuamos a avaliar com uma confiança indo de moderada a alta, que Irã não possue atualmente uma arma nuclear.
- A decisão de Teerã de suspender seu programa de armas nucleares sugere que os iranianos estarão menos determinados a desenvolver armas nucleares do que nós estivemos julgando desde 2005.  A nossa avaliação de que o programa tivesse sido suspendido em resposta as pressões internacionais, sugere que o Irã poderia ser mais vulnerável a influências, na questão, do que tinhamos julgado préviamente.” (2007 Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional, Irã: Intenções e capacidades nucleares; Novembro de 2007) [2]
Em fevereiro de 2011, o Diretor da Inteligência Nacional James R. Clapper (foto)
- quando da apresentação da Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional de 2011 (NIE) para o Comité de Inteligência do Senado – foi confidenciado – com alguma hesitação – que a República Islâmica do Irã não estaria procurando desenvolver uma capacidade para armas nucleares: “nós não sabemos se depois de um tempo Irã irá decidir-se por construir armas nucleares.”
O NIE de 2011 confirma em grande parte os resultados obtidos pela comunidade dos serviços de inteligência dos Estados Unidos no seu NIE de 2007, que continuava, de acordo com o “The New York Times”, a ser de que “a perspectiva das 16 agências dos serviços de inteligência, age em consenso geral.”
A doutrina da guerra nuclear preventiva do pós- 9/11
Tendo sido primeiramente formulada na administração de Bush, através da “Revisão da Postura Nuclear” de 2002,  a doutrina da guerra nuclear preventiva, que se integra na Guerra Global ao Terrorismo, começou a tomar forma imediatamente depois da guerra do Iraque.  Um ataque nuclear de prevenção `defensiva´ contra o Irã, e isso através de usar armas nucleares táticas, foi apresentado como uma forma de destruir o não-existente programa de armas nucleares da República Islâmica do Irã.
Os chamados `mini nukes´, ou seja, pequenas armas nucleares possíveis de serem transportadas numa mala, numa mochila, ou em qualquer outro compartimento pequeno, foram caracterizados como a `arma ideal´ para se conduzir ataques nucleares preventivos.
Em 2003 os mini nukes, constituidos de bombas contendo ogivas ou pontas nucleares capazes de arrebentar abrigos antiaéreos de grande solidez e de maior ou menor profundidade, foram re-categorizadas pelo Senado dos Estados Unidos como bona fide armamentos convencionais. [Bona Fide sendo usado como um conceito que indica intenções honestas  independentemente dos resultados que essas possam trazer]. A nova definição de ogivas nucleares obscureceu a distinção entre armamentos convencionais e nucleares.
O Senador Edward Kennedy, na ocasião, acusou a administração de Bush por ter desenvolvido “uma generação de armas nucleares mais usáveis”. Através de uma campanha que enlistou o apoio de cientistas nucleares “de autoridade”, os mini-nukes foram apresentados como instrumentos de paz, em vez de instrumentos de guerra.
“Administradores oficiais argumentam que armas nucleares de baixo rendimento, como os mini nukes, seriam necessárias como ameaças dignas de crédito a poderem ser usadas contra estados “sem eira nem beira” [Irã, Coréia do Norte]. A lógica é de que as armas nucleares existentes são muito destrutivas para serem usadas, excepto numa guerra nuclear total. Potenciais inimigos compreendem isso e portanto não consideram uma ameaça de retaliação nuclear como dígna de crédito. Entretanto, armas nuclares de baixo rendimento, como os mini nukes, sendo menos destrutivas, poderiam ser concebidas como usáveis. Isso as faria mais efetivas como ameaça credível.” (Opponents Surprised By Elimination of  Nuke Research Funds, Defense News, 29 de Novembro, 2004)
Numa lógica extremamente contorsida armas nucleares são apresentadas como meios de construção da paz e de prevenção contra `estragos colaterais´. O Pentágono confidenciou a esse respeito, que os mini-nukes seriam `inofensivos aos civís´ porque a explosão iria `ser feita abaixo da terra´. No entanto, cada um desses mini-nukes constitue em termos de explosão e de potencial chuva radioativa  – uma grande parcela da bomba que caiu sobre Hiroshima em 1945.
Avaliações dos rendimentos das bombas de Nagasaki e Hiroshima indicam que esses seriam de 21.000, e de 15.000 toneladas, respectivamente. Mini-nukes tem um rendimento, quanto a capacidade explosiva, entre 1/3 e 6 vezes a bomba de Hiroshima.
Seguindo a “luz verde” do Senado em 2003, o qual apresentou os mini nukes como `bombas humanitárias´ uma mudança importante na doutrina das armas nucleares foi desenvolvida. Os nukes de baixa-rentabilidade foram aceitos para `uso em campos de batalha´. Em contraste com os avisos em maços de cigarros (veja a foto proposta para a marca da Administração para Alimnetos e Drogas), os elementos `consultivos´ sobre os `perigos das armas nucleares para a saúde humana´ já não são mais incluidos nos manuais militares. Esses manuais foram revisados. Essa `nova´generação de armas nucleares táticas é considerada como segura, sem perigo, assim como inócua. Os perigos da radiação nuclear já não são mais reconhecidos como tal. Não há mais impedimentos, ou obstáculos políticos para o uso de bombas termonucleares de baixo rendimento.
A `comunidade internacional´ endorssa a guerra nuclear em nome de uma Paz Mundial.
Mini-nukes: O sistema preferido de armamentos para uma `guerra nuclear preventiva´
Enquanto relatórios apresentam uma tendência de descrever as bombas B61 como uma relíquia da guerra fria, a realidade se apresenta de maneira diferente: os mini-nukes são os sistemas de armamentos preferidos da doutrina da guerra nuclear preventiva. Eles deverão ser usados em teatros de guerras convencionais, contra terroristas e `estados patrocinadores de terrorismo´, inclusive a República Islâmica do Irã.
Planos concretos para deslanchar um ataque nuclear preventivo contra o Irã tem estado na mesa de projetos do Pentágono desde 2004. Um ataque nuclear preventivo consistiria em dispor armas nucleares táticas B61 dirigidas contra o Irã. Planeja-se que o ataque deverá ser ativado a partir de bases militares na Europa Ocidental, Turquia e Israel.
Em 2007  a OTAN confirmou seu apoio à doutrina nuclear preventiva dos Estados Unidos num relatório entitulado `A caminho de uma grande estratégia para um mundo incerto: Renovando associações transatlânticas´. [3]
O relatório (que tem como autores os ex- chefes de equipe dos sectores de defesa dos EUA, Reino Unido, Alemanha, França e Países Baixos e que foi patrocinado pela Fundação Noaber da Holanda) propõe o uso de armas nucleares num ataque preventivo, de carácter não-retaliatório mas sim de carácter ofensivo iniciador (`first strike´)  contra países não-nucleares. Declaravam então que esse seria:
“o  intrumento ideal para uma resposta assimétrica – ao mesmo tempo também que o melhor instrumento  para uma escalação. Eles são também mais do que um instrumento, porque transformam a natureza de um conflito e alargam o seu alcance do regional para o global. Lamentávelmente, armas nucleares – e com elas a opção de usá-las pela primeira vez – são indispensáveis,  uma vez que simplesmente não há prospectos para um mundo não-nuclear.” (Ibid, p. 96-97, ênfases acrescentadas)
De acordo com os autores Irã constitui uma ameaça estratégica de principal importância – não só para Israel, “o qual ameaçou de destruir, mas também para toda a região.” (Ibid, p.45) O que é necessário é que Aliança Atlântica “restaure através de uma  escalação [militar] a capacidade de dissuasão.”
Nesse contexto o relatório endossado tanto pela OTAN como pelo Pentágono, contempla:
“a dominância da escalação, o uso de um saco cheio de cenouras e cacetetes – e realmente de todos os instrumentos suaves e severos,  indo de protestos diplomáticos a armas nucleares.” (Report, p.96, ênfases acrescentadas)
Em dezembro de 2011, menos de um ano depois da publicação da Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional (NIE) de 2011, avaliação essa que sublinhava que Irã não tinha um programa de armas nucleares, uma `não opção para fora da mesa de projetos´ numa agenda dirigida contra o Irã, foi avançada pela administração de Obama.
O que representavam-se aqui mentalmente era uma postura militar planejada e coordenada pelo conjunto EUA-OTAN-Israel em relação ao Irã. Foi entendido, como foi confidenciado pelo ex Secretário da Defesa Leon Panetta, que Israel não iria agir unilateralmente contra o Irã. No caso de um ataque ao Irã, a “luz verde” deveria ser garantida por Washington.
“Qualquer operação militar contra o Irã por parte de Israel precisa de ser coordenada com os Estados Unidos e ter seu apôio”, disse Panetta.
Os vários componentes da operação militar iriam estar firmemente abaixo do Comando dos Estados Unidos e ser coordenados pelo Pentágono e pelo USSTRATCOM, na base Offutt da Força Aérea em Nebrasca. [4]
Ações militares por parte de Israel seriam levadas a cabo em estreita coordenação com o Pentágono. A estrutura de comando da operação é centralizada e ao fim e ao cabo, Washington decide se, e quando deslanchar uma ofensiva militar.
Em Março de 2013  a resolução em relação ao Irã de `todas as opções´ estava na agenda durante a visita oficial a Israel. Enquanto uma abordagem integrada EUA-OTAN-Israel em resposta `aos perigos de um Irã armado com armas nucleares´ tenha sido reafirmada, o tom da discussão ia na direção de uma ação militar contra o Irã.
A visita de Obama a Israel foi precedida por altos níveis de consultações bi-laterais, incluindo a visita do Chefe de Equipe da IDF Benny Gantz a Washington, em fevereiro, para discussões relacionadas ao Irã e a Síria com o Presidente do Conjunto dos Chefes de Equipe dos Estados Unidos, o General Martin Dempsey. Benny Gantz foi acompanhado pelo Major General Aviv Kochavi, diretor do Serviço de Inteligência Militar da IDF, no encontro com os seus contrapartes americanos. O novo chefe do Pentágono, Chuck Hagel, estará visitando Israel em abril, como parte de um encontro-de-continuação.
“Tweeters apontaram para o fato de que quando Obama tirou o seu paletó, Netanyahu imediatamente imitou o presidente. Tudo parecia muito bem coordenado. (Foto de twitter.com user @netanyahu)
No curso da visita de Obama, o primeiro-ministro Netanyahu reiterou a necessidade para “uma ameaça de ação militar clara e dígna de crédito [contra o Irã],” enquanto confidenciando que Israel poderia agir unilateralmente. A esse respeito vale a pena notar que em agôsto de 2012, uns poucos meses antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos, uma fuga de informação vinda de um documento de instruções e informações da IDF (traduzido do hebraico) tinha revelado os detalhes do  “ataque de choque e pavor”  proposto por Netanyahu contra o Irã.
“O ataque de Israel será aberto por um ataque coordenado, que inclui um cyber-ataque sem precedentes … Uma barragem de dezenas de mísseis balísticos seriam lançados de Israel em direção ao Irã … vindos dos submarinos de Israel na vizinhança do Golfo Pérsico. Os mísseis estariam armados com elementos altamente explosivos equipados com pontas reforçadas, projetadas especialmente para penetrar alvos robustos e de grande dureza. … Uma barragem de centenas de mísseis de diversas distâncias irá abater sistemas de comando e controle, instalações de pesquisa e desenvolvimentos de projetos, … entre os alvos aprovados para ataque –   Shihab 3 e Sejil,  silos de mísseis balísticos, tanques de armazenamento para componentes químicos dos combustíveis para foguetes, instalações industriais que produzam sistemas para controle de mísseis, plantas de produção de centrífugas e outros.” – ênfases acrescentadas. [5]
Os detalhes do ataque mencionado na fuga de informação do documento de informações e instruções da IDF acima mencionado, pertencem sómente ao uso de sistemas de armamentos convencionais.
Esse artigo foi originalmente publicado em RT Op- Edge.
Michel Chossudovsky
Global Research 26 de março de 2013
RT Op- Edge 25 de Março de 2013
 
Tradução Anna Malm – *Licenciatura: Economia e Psicologia; Bacharelado: Ciência Política e Economia.Notas.
[1] (2007 National Intelligence Estimate Iran: Nuclear Intentions and Capabilities; November 2007, See also Office of the Director of National Intelligence (ODNI)
[2] (2007 National Intelligence Estimate Iran: Nuclear Intentions and Capabilities; November 2007)
[3] ‘Towards a Grand Strategy for an Uncertain World: Renewing Transatlantic Partnership’
[4] US Strategic Command Headquarters (USSTRATCOM) at the Offutt Air Force base in Nebraska
[5] (Quoted in Richard Silverstein, Netanyahu’s Secret War Plan: Leaked Document Outlines Israel’s ‘Shock and Awe’ Plan to Attack Iran, Tikun Olam and Global Research, August 16, 2012, emphasis added).

29-03-2013

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Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Francisco I e a repressão: algo a esconder?

http://www.outraspalavras.net/2013/03/17/francisco-i-e-a-repressao-algo-a-esconder/

Francisco I e a repressão: algo a esconder?
By
Amy Goodman
17/03/2013

Jornalista argentino que investigou relações entre ditadura e Igreja revela papel real de Bergoglio. Também prevê: Papa será um “conservador-populista”
Entrevista a Amy Goodman e Juan González, em Democracy Now | Tradução: Gabriela Leite
No início desta semana, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito por seus pares como novo Papa da Igreja Católica. Assumiu o posto sob o título de Francisco. Imediatamente, vieram à tona os laços de cumplicidade mantidos entre a cúpula eclesiástica argentina e a ditadura militar, no poder entre 1976 e 83. Qual teria sido o papel de Bergoglio nestas relações perigosas?
Um dos principais jornalistas investigativos da Argentina, Horacio Verbitsky (hoje no diário “Pagina 12”) escreveu extensivamente sobre a carreira do Cardeal Bergoglio e suas ações no período, em que mais de 30 mil pessoas foram sequestradas e assassinadas. Uma ação judicial de 2005 acusou Jorge Bergoglio de estar conectado aos sequestros de dois padres jesuítas em 1976, Orlando Yorio e Francisco Jalics. A ação foi protocolada após a publicação do livro de Verbitsky, “O Silêncio: De Paulo VI a Bergoglio: As Relações Secretas entre a Igreja e a ESMA”. ESMA é a antiga Escola Superior de Mecânica da Marinha argentina, transformada em um centro de detenção onde prisioneiros eram torturados pela ditadura militar.
Bergoglio negou as acusações. Ele invocou duas vezes seu direito, sob a lei argentina, de recusar-se a depor no processo aberto para apurar os fatos. Quando finalmente o fez, em 2010, os ativistas de direitos humanos caracterizaram suas respostas como evasivas. Na última quarta-feira (13/3), Verbitsky falou a “Democracy Now” sobre o passado do novo Papa, e também sobre seu perfil.

Amy Goodman: Para começar, gostaria que você nos contasse o que acha importante para entendermos o perfil do novo Papa, Francisco.
O principal a se entender sobre Francisco I é que ele é um conservador populista, ao mesmo estilo de João Paulo II. É um homem de posições conservadoras fortes em questões de doutrina, mas com um toque popular. Prega em estações de trem, nas ruas. Vai até os bairros pobres para rezar. Não espera as pessoas irem até a igreja, vai até elas. Mas a mensagem é absolutamente conservadora. Ele opôs-se ao aborto, à lei do casamento homoafetivo. Lançou uma “cruzada contra o mal”, quando o Congresso estava aprovando esta lei, exatamente no mesmo estilo de João Paulo II. Isso é o que considero ser a característica principal do novo papa.
Juan González: Bem, talvez este conservadorismo seja característica comum de muitos cardeais consagrados nos dois últimos papados. Mas no caso de Bergoglio, existe também a questão de seu papel, ou das acusações sobre seu envolvimento na “Guerra Suja”, na Argentina. Você, que fez diversas reportagens investigativas sobre o tema, poderia nos dizer algo a respeito?
É claro. Ele foi acusado por dois padres jesuítas de tê-los denunciado aos militares. Faziam parte de um grupo sob direção de Bergoglio. Ele tornou-se o superior provincial da ordem, na Argentina, quando ainda muito jovem. Foi o provincial jesuíta mais novo da história: aos 36 anos [em 1972]. Durante um período de grande atuação política na Companhia de Jesus, ele estimulou o trabalho social dos jesuítas. Mas quando o golpe militar derrubou o governo de Isabel Perón, ele mantinha contato com os militares e pediu aos jesuítas para interromperem a ação social. Como recusaram-se a fazê-lo, deixou de protegê-los, e permitiu que os militares soubessem que eles não estavam mais sob proteção da Companhia de Jesus. Eles foram sequestrados e o acusam por esta ação. Ele nega. Ele disse a mim que tentou libertá-los, que falou com os ex-ditadores Videla e Massera para libertá-los.
Durante um longo período, ouvi duas versões: a versão dos dois padres sequestrados, que foram soltos depois de seis meses de tortura e cativeiro, e a versão de Bergoglio. Essa foi uma questão controversa e divisiva no movimento de direitos humanos a que pertenço, o Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS). O presidente fundador do CELS, Emilio Mignone, afirmou que Bergoglio era cúmplice dos militares. Uma advogada do CELS, Alicia Oliveira, que era amiga de Bergoglio, conta outra parte da história, que Bergoglio os ajudou. Essas são as duas versões.
Mas durante a pesquisa para um dos meus livros, encontrei, no arquivo do ministério de Relações Exteriores da Argentina, documentos que, segundo entendo, encerram o debate e mostram o duplo padrão que orientou Bergoglio. O primeiro documento era uma nota na qual ele pedia ao ministro a renovação do passaporte de um desses jesuítas, sem que tivesse necessidade de voltar à Argentina. O segundo, é uma nota do oficial que recebeu a petição, recomendando a seu superior, o ministro, a recusa da renovação do passaporte. E o terceiro documento é uma nota do mesmo oficial, dizendo que esses padres tinham ligação com a subversão – era assim que os militares caracterizavam qualquer pessoa envolvida com a oposição do governo, política ou armada –; que ele havia sido preso na ESMA; e que essa informação fora dada pelo Padre Jorge Mario Bergoglio, provincial superior da Companhia de Jesus.
Isso significa, no meu entendimento, um duplo padrão. Ele pediu o passaporte para o padre em uma nota formal, com sua assinatura; mas, em privado, disse o oposto, e repetiu as acusações que fizeram os padres ser sequestrados.
Amy Goodman: Você pode explicar o que aconteceu a estes padres, Orlando Yorio e Francisco Jalics?
Ambos, quando soltos, estavam drogados, confusos. Foram transportados de helicóptero para a periferia de Buenos Aires e abandonados. Quando encontrados, dormiam sob efeito de drogas, em péssima condição. Haviam sido interrogados e torturados. Um dos interrogadores aparentava ter conhecimento de questões teológicas, o que levou um dos padres, Orlando Yorio, a pensar que seu próprio provincial, Bergoglio, estivesse envolvido no interrogatório.
Amy Goodman: Segundo este padre, o próprio Bergoglio teria feito parte de seu interrogatório?
Ele me disse que teve a impressão de que seu próprio provincial, Bergoglio, estava presente durante o interrogatório, no qual um dos interrogadores sabia bastante sobre questões teológicas. Quando solto, ele foi a Roma, onde viveu sete anos, antes de voltar à Argentina. Ao regressar, ligou-se à diocese de Quilmes, na Grande Buenos Aires, cujo bispo era um dos líderes do ramo progressista da igreja argentina, oposto ao de Bergoglio. Então, Orlando Yorio denunciou Bergoglio. Eu recebi seu testemunho quando Bergoglio foi eleito arcebispo de Buenos Aires. E também entrevistei Bergoglio, que negou as acusações, dizendo que defendeu os padres.
Orlando Yorio colocou-me em contato com o outro padre, Francisco Jalics, que vivia na Alemanha. Ele confirmou a história, mas não quis ser mencionado em minha matéria, porque preferia, segundo disse, não lembrar dessa triste parte de sua vida e perdoar. Acrescentou que havia passado muitos anos ressentido com Bergoglio, mas estava disposto a perdoar e esquecer. Quando publiquei meu livro sobre o caso, um jornalista argentino que havia sido discípulo de Jalics falou com ele e pediu que contasse a verdadeira história. Jalics respondeu que não iria nem afirmá-la, nem negá-la.
Juan González: Gostaria de indagar sobre outro padre que se envolveu com a Guerra Suja, Christian von Wernich, um antigo capelão do Departamento de Polícia na Argentina.
Ele foi condenado, e ele está na cadeia, em prisão comum. Mas a igreja argentina, durante o mandato de Bergoglio, não o puniu, em termos canônicos. Ele foi condenado pela justiça humana mas, pelos padrões da igreja, continua a ser um padre. Isso também diz algo sobre Bergoglio e a igreja argentina.
Juan González: Von Wernich estava envolvido em assassinatos, torturas e sequestros. Você poderia detalhar alguns dos crimes pelos quais foi condenado?
Von Wernich era parte ativa nas torturas e assassinatos. Foi condenado não apenas como cúmplice, mas como participante dos crimes. Estava presente durante sessões de tortura. E não há apenas um capelão envolvido, existem alguns outros que estão sob julgamento nesse momento. O capelão Regueiro está sob prisão domiciliar, por ser idoso. O capelão Zitelli, da província de Santa Fé, esteve presente em sessões de tortura. Vários capelões foram parte da Guerra Suja.
Amy Goodman: Gostaria de ler parte de um despacho do Departamento de Estado dos EUA, revelado pelo WikiLeaks, que faz referências ao padre Christian von Wernich, condenado em 2007 por cumplicidade em muitos casos de assassinato, tortura e prisões ilegais na Argentina durante o período militar. O texto observa que a condenação deu-se, cito, “no momento em que alguns observadores consideraram o Cardeal Primaz Católico Romano Bergoglio um líder da oposição ao governo de Kirchner, devido a seus comentários sobre questões sociais; o caso von Wernich poderia também ter efeito, alguns acreditam, de minar a autoridade moral de Igreja (e, por extensão, do Cardeal Bergoglio), ou sua capacidade de comentar questões políticas, sociais ou econômicas”. Horacio, você poderia comentar?
Podemos analisar este documento por partes. Primeiro, o Departamento de Estado considerou Bergoglio o chefe da oposição ao governo Kirchner. Eu concordo com esta avaliação. O Departamento de Estado também fala sobre a condenação do padre von Wernich ter, como possível objetivo, o de minar a posição de Bergoglio. Isso não é verdade, no meu entendimento. A condenação do padre von Wernich é uma consequência de um movimento que começou muito antes dos Kirchner chegarem ao poder e tem sua própria lógica judicial, não se subordina a um calendário político.
Amy Goodman: Gostaria de perguntar sobre o tema do ocultamento de prisioneiros políticos, quando uma delegação de direitos humanos foi à Argentina. Você pode relatar o episódio, as alegações e o eventual papel de Bergoglio?
Não, neste episódio Bergoglio não teve intervenção alguma. Quem agiu foi o cardeal que chefiava a igreja em Buenos Aires. À época, Bergoglio não era arcebispo. Quando a Comissão Interamericana de Direitos Humanos veio à Argentina, para investigar alegações de violação de direitos humanos, a marinha retirou 60 prisioneiros da ESMA e os levou a uma vila, usada pelo Cardeal Aramburu nos fins de semana. Este imóvel, na periferia de Buenos Aires, era também o local onde se celebrava, a cada ano, o final dos estudos, no seminário católico. A Comissão Interamericana visitou a ESMA, e não encontrou os prisioneiros que supostamente estariam lá.
Bergoglio não teve intervenção alguma no episódio. Na verdade, ele ajudou-me a investigar o caso. Deu-me a informação precisa sobre onde estavam os documentos atestando que a vila era propriedade do Arcebispado de Buenos Aires.

27-03-2013

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Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Intensificar a campanha pela ruptura com a UE e as políticas do capital

Acontecimentos em Chipre
Intensificar a campanha pela ruptura com a UE e as políticas do capital

por KKE

O KKE exprime sua solidariedade com o povo cipriota contra a chantagem e as medidas anti-populares brutais impostas pela União Europeia e o FMI com a cumplicidade dos governos burgueses, inclusive o grego e o cipriota, a fim de preservar os interesses do capital. O "Não" ao plano da UE não é único. Há o "Não" do povo e o "Não" daqueles que desejam servir os interesses particulares dos monopólios.

Os diversos planos alternativos para o financiamento da economia cipriota (com a participação da Rússia e de outros Estados ou com uma tomada de empréstimo nacional, que terá um impacto negativo sobre as caixas da segurança social ou retornando à moeda nacional, como várias forças propõem), mesmo se fossem postos em prática constituiriam igualmente um impasse para os interesses do povo.

Eles apoiam-se na tomada de controle pelos monopólios de uma parte das riquezas energéticas do país. A luta entre estas duas fórmulas no quadro da UE nada tem a ver com os interesses do povo.

Verifica-se que a gestão da crise capitalista, com os monopólios a adquirirem uma posição dominante na economia e pela participação da UE ou outras alianças imperialistas, faz-se sempre em detrimento dos trabalhadores.

As medidas anti-populares não afectam somente a taxa sobre a poupança dos cipriotas mas põem em causa os direitos dos trabalhadores em Chipre, propõem privatizações e as mesmas medidas que esmagam o povo grego e os outros povos da UE. O facto de o plano do Eurogrupo referente à tributação da poupança dos cipriotas ter sido rejeitado pelo Parlamento não deve conduzir a uma posição de complacência no futuro. O povo cipriota deve utilizar este acontecimento para reforçar sua luta contra as medidas anti-populares.

Os acontecimentos em Chipre, com a escalada da ofensiva anti-popular, demonstram mais uma vez a amplitude da manipulação orquestrada por estas forças que difundiram no seio dos povos a ideia de que o acesso à UE traria prosperidade, convergência, solidariedade em favor dos povos. Eis o que é a União Europeia – e ela não poderá mudar.

A sua essência permanece a mesma, qualquer que seja a força que tenda a impor-se no seio da UE – a Alemanha e os países que com ela se alinham, ou então outros eixos e alianças como a aliança dos países do Sul como pretende o SYRIZA. Dito de outra forma, a UE é uma aliança predatória que ataca os trabalhadores no seu conjunto a fim de garantir a taxa de lucro dos grandes grupos económicos.

As últimas evoluções confirmam que hoje, nas condições de uma crise muito profunda, reforçam-se tendências centrífugas no seio da UE e da zona euro assim como a competição entre os países e as fracções do capital para saber que vai aproveitar mais com a crise, que vai sofrer as perdas menos importantes. A competição pelo controle dos recursos naturais e as vias de transporte energético reforça-se, em particular na região do Mediterrâneo oriental, o que implica perigos imprevisíveis para as populações.

O povo grego, o povo cipriota e os outros ovos da Europa podem e devem colocar sua marca sobre os acontecimentos. Devem rejeitar a chantagem do capital, da UE e do FMI. Não devem alinhar-se por trás de qualquer potência imperialista que seja. Devem seguir a via da retirada da UE e das alianças imperialistas.
Gabinete de imprensa do Comité Central do KKE

Ver também:
Statement of Andros Kyprianou, General Secretary of the C.C. of AKEL , 22/Mar/13
Statement by Andros Kyprianou, General Secretary of the C.C. of AKEL , 21/Mar/13
Statement of the Secretariat of the C.C. of AKEL , 16/Mar/13
Speech of Andros Kyprianou, General Secretary of the C.C. of AKEL, to the plenary of the House of Representatives in the debate on the bill for the haircut on deposits agreed between the Government and the Eurogroup , 19/Mar/13
"The unacknowledged secret" By Costas Christodoulides, Head of the European Affairs Department and member of the C.C. of AKEL , 08/Mar/13

Este comunicado encontra-se em solidarite-internationale-pcf.over-blog.net/...

Este comunicado encontra-se em http://resistir.info/ .

26-03-2013

Link permanente 23:56:03, por José Alberte Email , 3547 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: ”O Papa de Washington”? Quem é o Papa Francis I? Cardinal Mario Bergoglio e a “Guerra Suja” da Argentina.

By Prof Michel Chossudovsky
Global Research, March 21, 2013

O conclave do Vaticano elegeu o Cardinal Jorge Mario Bergoglio como o Papa Francis I
Quem é Jorge Mario Bergoglio?
Em 1973 ele foi nomeado o “provincial” da Argentina para a Companhia dos Jesuitas.
Nessa capacidade Bergoglio foi o mais alto dignitário da Ordem Jesuíta da Argentina durante a ditadura militar liderada pelo General Jorge Videla (1976-1983).
Mais tarde ele foi nomeado bispo e depois arcebispo de Buenos Aires. O Papa João Paulo II o consagrou Cardinal em 2001.
Quando a junta militar abandonou o poder em 1983, o devidamente eleito presidente Raúl Alfonsin abriu um inquérito, a Comissão da Verdade, para investigar os crimes relacionados com que ficou conhecidos como a Guerra Suja – “La Guerra Sucia”.
A junta militar tinha sido encobertamente apoada por Washington.
O Secretário do Estado norteamericano, Henry Kissinger, fez o seu papel nos bastidores do golpe militar de 1976.
O vice-representante mais importante de Kissinger na América Latina, William Rogers, o informou dois dias depois do golpe que “teremos que esperar uma quantia considerável de repressão, provávelmente muita sanguenta, dentro em pouco tempo.”…(Arquivo da Segurança Nacional, 23 de março, 2006)
 
“Operação Condor”
Um grande julgamento foi ironicamente aberto em 5 de março 2013, uma semana antes da investidura do Cardinal Bergoglio como Pontífice. O processo sendo desenvolvido em Buenos Aires tem em vista:
 “uma avaliação da totalidade dos crimes cometidos abaixo da Operação Condor, uma campanha coordenada por vários ditadores da América Latina, apoiados pelos Estados Unidos nos anos de 1970 e 1980, para caçar, torturar e matar dezenas de milhares de oponentes desses regimes militares”
Para mais detalhes veja Operation Condor: Trial On Latin American Rendition and Assassination Program By Carlos Osorio and Peter Kornbluh,,March 10, 2013.
(Foto acima: Henry Kissinger e General Jorge Videla (anos de 1970)

 
NÃO CLASSIFICADO     8/3/76
DEPARTAMENTO DO ESTADO
Washington D.C.
DO:  Secretariado
PARA: ARA – Harry W. Shlaudeman
ARA RELATÓRIO MENSAL( JULHO)
A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL E A AMÉRICA LATINA
Os regimes militares do cone sul da América do Sul veêm-se
como tendo que pôr-se em ordem de batalha:
–  de um lado pelo marxismo internacional e seus exponentes terroristas, e
– do outro lado pela hostilidade das democracias industriais que são enganadas pela propaganda marxista.
Em resposta eles estão se unindo no que se poderá tornar num bloco político de uma certa coesão. Mas, mais importante, eles estão juntando forças para erradicar a “subversão”, uma palavra que mais e mais vem se tornando num sinônimo de oposição não-violenta de esquerda, e de centro-esquerda. As forças de segurança do cone sul
–  agora estão a coordenar mais estritamente suas atividades de inteligência;
–  estão também operando nos territórios dos países uns dos outros em busca de “subversivos”;
– eles estabeleceram a Operation Condor para achar e matar terroristas do “Comité Revolucionário de Coordenação” nos seus próprios países, e na Europa. O Brazil está cooperando, mas não em operações homicidas.
 
A junta militar liderada pelo General Jorge Videla (a esquerda) foi responsável por incontáveis assassinatos, incluindo assassinatos de  sacerdotes e freiras que se opuseram ao domínio militar que acompanhou  o golpe patrocinado pela CIA, golpe esse que derrubou  o governo de Isabel Peron,  em 24 de março de 1976.
“Videla estava entre os generais que foram condenados por crimes contra os direitos humanos, crimes esses que incluiam  “desaparecimentos”, tortura, assassinatos, e sequestramentos. Em 1985, Videla foi sentenciado a prisão perpétua, na prisão militar de Magdalena.
Wall Street e a Agenda Econômica Neoliberal
Uma das nomeações mais importantes da junta militar (como consequência das intruções de Wall Street) foi a do Ministro da Economia, José Alfredo Martinez de Hoz, um membro do estabelecimento de negócios, comércio e investimentos da Argentina; um amigo íntimo de David Rockefeller.
O pacote neoliberal da política macro-econômica adotada sob Martinez de Hoz foi uma “cópia-carbono” daquela imposta em outubro de 1973 no Chile pela ditadura de Pinochet abaixo dos conselhos vindos dos “Meninos de Chicago”- “Chicago Boys”; política essa imposta depois do golpe de estado de 11 de setembro de 1973, e do assassinato do presidente Salvador Allende.
Os salários foram imediatamente congelados, por decreto. O poder aquisitivo real no país caiu em colápso por mais de 30 porcento, nos tres meses que se seguiram ao golpe militar de 24 de março de 1976. (Avaliações do autor, Cordoba, Argentina, julho de 1976). A população argentina ficou repentinamente empobrecida.
Abaixo da direçäo do Ministro da Economia José alfredo Martinez de Hoz, a política monetária do banco central foi em grande parte determinada por Wall Street e pelo  FMI, o Fundo Monetário Internacional. O mercado de câmbio foi manipulado. O Peso argentino foi propositadamente posto acima do seu valor real, o que levou a um débito exterior insuperável. Toda a Economia Nacional foi precipitada à falência.
 
 
(Foto acima: Da esquerda para a direita: José Alfredo Martinez de Hoz, David Rockefeller e General Jorge Videla)
Wall Street e a Hierarquia da Igreja Católica  
Wall Street esteve sólidamente apoiando a junta militar que empenhava-se na “Guerra Suja” em benefício da mesma. Por seu turno, a hierarquia da Igreja Católica teve o papel, um papel central, de manter a legitimidade da junta militar.
A Ordem dos Jesuitas  –que representava a Conservadora, mas no entanto a mais influente facção da Igreja Católica-  estava intimamente associada com a elite econômica da Argentina, e isso contra os chamados “de esquerda” do movimento Peronista.
“A Guerra Suja”: Alegações dirigidas contra o Cardinal Jorge Mario Bergoglio
Condenar a ditadura militar (inclusive suas violações dos direitos humanos) era um tabú na Igreja Católica. Enquanto os altos escalões da Igreja apoiavam a junta militar, a base popular da mesma estava firmemente contra a imposição do governo militar.
Em 2005  a advogada de direitos humanos Myriam Bregman entrou com um processo judicial contra o Cardinal Jorge Bergoglio, acusando-o de conspirar com a junta militar quando do sequestro de dois padres jesuítas em 1976.
Alguns anos mais tarde, os sobreviventes da “Guerra Suja” acusaram abertamente o Cardinal Jorge Bergoglio de cumplicidade nos sequestros dos padres Francisco Jalics e Orlando Yorio, assim como nos sequestros de seis membros de suas paróquias, (El Mundo, 8 de novembro de 2010)
 
 
(Foto acima: Jorge Mario Bergoglio e General Jorge Videla)
Bergoglio, que na época era o “provincial” da Companhia dos Jesuitas, tinha dado ordens para que os dois padres, jesuitas, “de esquerda”,  e oponentes do governo militar “deixassem seus trabalhos paroquiais”, o que quer dizer que foram despedidos. Isso acompanhando divisões na Companhia dos Jesuitas quanto ao papel da Igreja Católica em relação a junta militar.
Enquanto os dois padres – Francisco Jalics e Orlando Yorio – sequestrados pelos esquadrões da morte em maio de 1976 foram soltos cinco meses mais tarde depois de terem sido torturados; outras seis pessoas relacionadas a paróquia, pessoas essas que também tinham sido sequestradas na mesma operação, foram dadas como “desaparecidas”. Esses sequestrados desaparecidos eram quatro professores e dois dos maridos de duas das professoras do grupo dos seis.
De quando de sua libertação o padre Orlando Yorio acusou Bergoglio de efetivamente os terem entregue [incluindo as seis outras pessoas] para os esquadrões da morte … Jalics se recusou a discutir a queixa depois de ter entrado em reclusão num monastério alemão.” (Associated Press, 13 de março de 2013, ênfases acrescentadas).
“Durante o primeiro julgamento da junta militar em 1985, Yorio declarou: “Eu tenho certeza de que ele mesmo deu uma lista com os nossos nomes para a Marinha.” Os dois padres tinham sido levados para o centro de tortura da Escola de Mecânica da Marinha (ESMA na sigla inglesa) e mantidos lá por cinco meses antes de serem arrastados e jogados numa cidade dos subúrbios. (Veja Bill van Auken, “The Dirty War” Pope, World Socialist Website and Global Research, March 14, 2013)
Entre aqueles “desaparecidos” pelos esquadrões da morte estavam Mónica Candelaria Mignone e María Marta Vásquez Ocampo. Mónica Mignone era filha do fundador do Centro de Estudos Legais e Sociais, CELS, e María Marta Ocampo era filha da presidente das Madres de Plaza de Mayo, Martha Ocampo de Vásquez (El Periodista Online, março 2013).
María Marta Vásquez, seu marido César Lugones (veja foto)  e Mónica Candelaria Mignone alegadamente “entregues aos esquadrões da morte” pelo provincial” jesuita Jorge Mario Bergoglio estão entre os milhares de “desaparecidos da “Guerra Suja” da Argentina, a qual foi encobertamente apoiada por Washington, abaixo da “Operação Condor”.  (Veja memorialmagro.com.ar)
No decorrer do julgamento iniciado em 2005:
 “Bergoglio [Papa Francis I] por duas vezes invocou seu direito abaixo da lei argentina de poder se recusar a apresentar-se em tribunal público, e quando ele afinal testemunhou em 2010 suas respostas foram evasivas”. “Pelo menos dois casos envolviam Bergoglio diretamente. Um examinava a tortura de dois dos seus padres jesuitas – Orlando Yorio e Francisco Jalics – que tinham sido sequestrados em 1976 em bairros pobres onde eles defendiam a teologia da liberação. Yorio acusou Bergoglio de efetivamente os terem entregue aos esquadrões da morte … do quando recusando-se a declarar ao regime que ele endossava o trabalho desses dois seus padres.  Jalics recusou-se a comentar o caso depois de ter se retirado para um monastério alemão.” (Los Angeles Times, 1 de abril, 2005)
“Santa comunhão para os ditadores”
As acusações dirigidas contra Bergoglio em relação aos dois padres jesuitas e aos seis membros das paróquias dos mesmos, seriam sómente a ponta do icebergue. Conquanto Bergoglio fosse uma pessoa importante da Igreja Católica, ele não seria o único a apoiar a junta militar.
De acordo com a advogada Myriam Bregman:   “As próprias declarações de Bergoglio provam que representantes oficiais da igreja sabiam, e isso logo do começo que a junta estava torturando e matando seus cidadãos” e ainda assim endossaram publicamente os ditadores. “A ditadura não poderia ter agido dessa maneira sem esse apoio chave,” (Los Angeles Times, 1 abril de 2005, ênfases acrescentadas.
(Foto acima: General Jorge Videla comungando. A data e o nome do padre não confirmados)
Toda a hierarquia católica estava apoiando a ditadura militar patrocinada pelos Estados Unidos. Vale a pena recordar que em 23 de março de 1976, na véspera do golpe militar:
“Videla e outros conspiradores receberam a benção do arcebispo do Paraná, Adolfo Tortolo, que também serviu como o vigário das forças armadas. No próprio dia da tomada do poder, os líderes militares tiveram um longo encontro com os líderes da conferência dos bispos. Quando ele saiu dessa conferência o arcebispo Tortolo declarou que mesmo que “a igreja tenha sua própria missão específica … há circunstâncias nas quais ela não pode deixar de participar, mesmo quando isso relacione-se a problemas da ordem específica do estado.” Ele fez mesmo pressão moral para que os argentinos “cooperassem duma maneira positiva” com o novo governo.”   (The Humanist.org, janeiro de 2011, ênfases acrescentadas)
Numa entrevista conduzida pelo El Sur, o General Jorge Videla, que agora está servindo uma pena de prisão perpétua, por causa dos seus crimes contra a humanidade confirmou que:
 “Ele tinha mantido a hierarquia católica do país informada quanto a “fazer desaparecer” oponentes políticos, e que os líderes católicos tinham oferecido conselhos de como “conduzir” a política de desaparecimentos.
Jorge Videla disse que ele tinha tido “muitas conversações” com o Cardinal Raúl Francisco Primatesta, da Argentina, a respeito da guerra suja do governo contra os ativistas da esquerda. Ele disse que também havia havido conversações com outros bispos líderes da conferência episcopal na Argentina, assim como com o núncio papal do país na época, Pio Laghi. “Eles nos aconselharam a respeito da maneira de como lidar com a situação,” disse Videla” (Tom Henningan, Former Argentinian dictator says he told Catholic Church of disappeared, Irish Times, 24 de julho de 2012, ênfases acrescentadas)
É de valor o observar-se, que de acordo com uma declaração do arcebispo Adolfo Tortolo, os militares deveriam sempre consultar com alguma membro da alta hierarquia católica no caso de “prisão” de algum membro nas alas mais baixas da hierarquia do cléro. Essa declaração foi feita especialmente em relação aos dois padres jesuitas sequestrados, dos quais as atividades pastorais estavam abaixo da autoridade do “provincial” da Companhia Jesuita, Jorge Mario Bergoglio. (El Periodista Online, março de 2013).
Em endossando a junta militar, a hierarquia católica foi cúmplice de tortura e de morte de massas, num estimado de “22.000 mortos e desaparecidos, de 1976  a 1978. …  Milhares de outras vítimas foram mortas entre 1978 e 1983, quando os militares foram forçados a deixar o poder.” (Arquivo da Segurança Nacional, 23 de março de 2006).
O papel do Vaticano
O Vaticano abaixo da direção do Papa Paulo VI e do Papa João Paulo II fez um papel central em apoiando a junta militar argentina.
Pio Langhi, o Núncio Apostólico do Vaticano na Argentina admitiu o conhecimento a respeito de tortura e massacrres.
Langhi tinha contatos pessoais com membros da direção da junta militar incluindo o General Videla e o Almirante Emilio Eduardo Massera.
O Almirante Emilio Massera, em próximo contacto com seus dirigentes americanos, foi o mentor “Da Guerra Suja”. Abaixo dos auspícios do regime militar ele estabeleceu:
“um centro de interrogatório e tortura na Escola Naval de Mecânica – Naval School of Mechanics, ESMA [perto de Buenos Aires], … Esse era um estabelecimento sofisticado, para muitos fins, vital ao plano militar de assassinar cerca de 30.000 “inimigos do estado”. …Muitos milhares dos prisioneiros da ESMA, incluindo, por exemplo, duas freiras francesas, foram de maneira rotineira torturados brutalmente sem misericórdia, antes de serem assassinados ou jogados de algum avião no Rio de la Plata.
(Veja foto acima: O Nuncio do Vaticano Pio Langhi e o General Jorge Videla)
Massera, o membro mais vigoroso do triunvirato, fez o seu melhor para manter seus elos com Washington. Ele participou no desenvolvimentoo do Plano Condor, que era um plano de colaboração para coordenar o terrorismo sendo praticado pelos regimes militares sulamericanos. (Hugh O´ Shaughnessy,   Amiral Emilio Massera: Naval officer who took part in the 1976 coup in Argentina and was later jailed for his part in the junta’s crimes,  The Independent, 10 de novembro de 2010, ênfases acrescentadas)
Relatórios confirmam que o representante do Vaticano Pio Laghi e Amiral Emilio Massera eram amigos.
(Foto: Almirante Emilio Massera, o arquiteto da “Guerra Suja” sendo recebido pelo Papa Paulo VI, no Vaticano)
A Igreja Católica: Chile vs Argentina
Tem valor por si mesmo o notar-se que nas águas do golpe militar no Chile, em 11 de setembro de 1973, o Cardinal de São Tiago do Chile,  Raul Silva Henriquez, tinha condenado abertamente a junta militar liderada pelo General Augusto Pinochet. Em forte  contraste com a Argentina, a posição da hierarquia católica no Chile foi eficaz em pôr freio as ondas de assassinatos polítiocs, assim como conter a extensão das violações dos direitos humanos cometitas contra os apoiantes de Salvador Allende e os oponentes do regime militar.
O homem atrás do ecumênico, e não-partidário, Comité Pro-Paz era o Cardinal Raúl Silva Henríquez. Logo depois do golpe, Silva… tomou o papel de “atores” – “upstander”, esse sendo um termo em inglês que a autora e ativista Samantha Power criou para distinguir pessoas que se levantavam contra a injustiça – muitas vezes a custo de grandes riscos pessoais – dos que denominava então, de “expectadores”.
… Logo após o golpe, Silva e outros líderes da igreja do Chile publicaram uma declaração condenando as ações dos golpistas e exprimindo dor e desgosto pelo derramamento de sangue. Esse foi um ponto fundamental de reversão para muitos membros do cléro chileno … O Cardinal Raul Silva Henriquez visitou o Estádio Nacional, e escandalizado pela escala da violência desintegradora, instruiu seus auxiliares a começarem a documentar os acontecimentos reunindo informação das milhares de pessoas que voltavam-se as igrejas, para refúgio.
As ações do Cardinal  Silva o levaram a um conflito aberto com Pinochet, que não hesitou em ameaçar a igreja e o Comité Pro-Paz (Taking a Stand Against Pinochet: The Catholic Church and the Disappeared – pdf)
Se a hierarquia católica na Argentina e Jorge Mario Bergoglio tivessem tomado uma posição semelhante a do Cardinal Raul Silva Henriquez, milhares de vidas teriam sido salvas, também na Argentina.
Jorge Mario Bergoglio não era, nas palvras de Samantha Powers um expectador, “bystander”. Ele foi cúmplice em crimes contra a humanidade, crimes esses que foram muito abrangentes.
O Papa Francis I não é “um homem do povo” cometido a “ajudar os pobres” nas pegadas de São Francisco de Assis, como retratado em côro pela mantra da mídia ocidental. Muito pelo contrário: os seus esforços durante a junta militar, consistentemente atacando progressivos membros do cléro católico, assim como os ativistas empenhados em salvaguardar dos direitos humanos, ativistas esses envolvidos em implementar programas contra a grande miséria e pobreza.
Em apoiando a “Guerra Suja” argentina, José Mario Bergoglio violou abertamente os próprios dogmas e doutrinas da moralidade cristã, dogmas e doureinas esses que dão grande valor a vida humana.
“Operação Condor” e a Igreja Católica
A eleição do Cardinal Bergoglio pelo conclave do Vaticano para servir como Papa Francis I terá repercussões imediatas em relação ao corrente julgamneto  “Operação Condor”, em Buenos Aires.
A Igreja estava envolvida em apoiar a junta militar. Esse é um fator que irá emergir no decorrer dos procedimentos do processo judicial. Não há dúvidas de que lá haverá esforços para obscurecer o papel da hierarquia católica e a recente nomeação do Papa Francis I, que serviu como chefe da Ordem Jesuita da Argentina durante a ditadura militar.
Jorge Mario Bergoglio: O Papa de Washington no Vaticano?
A eleição do Papa Francis I tem grandes implicações para toda a região da América Latina
Nos anos de 1970, Jorge Mario Bergolio apoiou a ditadura militar patrocinada pelos Estados Unidos.
A hierarquia católica da Argentina apoiou o governo militar. O programa militar de tortura, assassinatos e “desaparecimentos” de milhares de oponentes políticos foi apoiada e coordenada por Washington, durante a “Operação Condor”, da CIA.
Os interesses da Wall Street foram sustentados através do gabinete de Jose Alfredo Martinez de Hoz no Ministério da Economia.
A Igreja Católica na América Latina tem influência política. A Igreja também exerce um  controle sobre a opinião pública. Isso é sabido e compreendido pelos arquitetos da política exterior dos Estados Unidos, assim como dos sectores de inteligência dos mesmos.
Na América Latina onde governos estão agora desafiando a dominância dos EUA, se pode esperar – dado os antecedentes de Bergoglio –  que o novo Pontífice Francis I, como líder da Igreja Católica na América Latina irá, de facto,  desempenhar um papel político discreto e as encobertas, mas a favor de Washington.
Com Jose Mario Bergoglio, Papa Francis I no Vaticano – homem esse que fielmente serviu os interesses dos Estados Unidos no dias de apogeu do Generla Jorge Videla e Almirante Emilio Massera – a hierarquia da Igreja Católica na América Latina poderá mais uma vez ser efetivamente manipulada para underminar governos “progressistas”, ou seja, de esquerda, não só na Argentina (em relação ao governo de Cristina Kirschner) como também através de toda a região sulamericana, incluindo Venezuela, Equador e Bolívia.
A instalação de “um papa pro-EUA” ocorreu uma semana após a morte do presidente Hugo Chavez.
“Troca de Regime” no Vaticano  
O Departamento do Estado dos Estados Unidos como uma questão de rotina faz pressão sobre membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas com o fim de influenciar os votos pertencentes as resoluções do Conselho de Segurança.
Também como uma questão de rotina as operações encobertas assim como as campanhas de propaganda dos Estados Unidos são empregadas com o objetivo de influenciar eleições nacionais, em diferente países ao redor do mundo.
A CIA de maneira similar também tem tido uma longa relação encoberta de afinidade com o Vaticano.
Teria o governo dos Estados Unidos tentado influenciar o resultado da eleição do novo pontífice?
Fortemente envolvido em servir os interesses da política exterior dos Estados Unidos na América Latina, Jorge Mario Bergoglio era o candidato preferido de Washington.
Teriam discretas pressões encobertas sido exercidas por Washington dentro da Igreja Católica, pressões essas que direta ou indiretamente, poderiam ter caido sobre os 115 cardinais, membros do conclave do Vaticano?
 
Notas do Autor
No começo do regime militar em 1976, eu estava trabalhando como professor visitante no Instituto de Política Social da Universidade Nacional de Cordoba, Argentina. O ponto focal da minha pesquisa, nesse tempo, era a investigação dos impactos sociais das mortais reformas macro-econômicas adotadas pela junta militar.
Eu era professor na Universidade de Cordoba  durante a onda inicial dos assassinatos, a qual também mirava membros progressivos da bases populares do cléro católico.
A cidade industrial de Córdoba, localisada no norte da Argnetina,  era o centro do movimento de resistência. Eu fui testemunha de como a hierarquia católica, activa e de maneira rotineira apoiava a junta militar, criando uma atmosfera de intimidação e medo através de todo o país. O sentimento geral nesse tempo era de que a Argentina tinha sido traida pelos altos escalões da Igreja Católica.
Tres anos antes quando do golpe militar no Chile em 11 de setembro de 1973,  o qual levou a derrubada do governo da Unidade Popular de Salvador Allende, eu estava trabalhando como professor visitante no Departamento de Economia da Universidade Católica do Chile, em Santiago do Chile.
Nas imediatas consequências do golpe do Chile eu fui testemunha de como o Cardinal de Santiago, Raul Silva Henriquez –  agindo em nome da Igreja Católica -  confrontou a ditadura militar.
Michel Chossudovsky
Global Research (atualizado em 16 de março de 2013)
14 de março de 2013-03-18
 
Artigo em inglês :

“Washington’s Pope”? Who is Pope Francis I? Cardinal Jorge Mario Bergoglio and Argentina’s “Dirty War”, March 16, 2013
 
Tradução Anna Malm – *Licenciatura: Economia e Psicologia; Bacharelado: Ciência Política e Economia.

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