Resistir.info
A directora-geral da UNESCO, Irina Bokova, pediu dia 29 ao Conselho de Segurança da ONU que faça uma resolução a proibir provisoriamente o comércio de objectos de arte haitianos "a fim de não encontrá-los amanhã à venda em leilões da Christie". A sra. Bokova pediu também ao secretário-geral da ONU que as suas forças no terreno vigiem sítios culturais a fim de evitar pilhagens.
A história repete-se: após a criminosa invasão do Iraque, as riquezas culturais do seu Museu Nacional e de sítios arqueológicos da Mesopotamia e Babilónia foram saqueadas a fim de serem vendidas no ocidente. Atrás da tropa estado-unidense chegam os saqueadores de tesouros.
Um alto executivo de Caixa Galicia cobra de media 924 mil euros
Em 2008, coa crise económica petando à porta, os oito membros do Comité de Direcçom aumentárom os seus salários um 60%.
Vieiros / R.Vilar - 21/10/2009
O máximo órgao executivo de Caixa Galicia (o Comité de Alta Direcçom) está composto por oito pessoas que se reúnem umha vez por semana. O director geral da entidade financeira é um deles, saber o nome dos outros sete é umha tarefa mais que difícil, incluso para os delegados sindicais da própria empresa. Porém, a Memória de 2008 da entidade financeira dá umha ideia da desafogada posiçom económica dos que formam parte deste órgao. Durante a anterior anualidade os oito membros cobrárom da Caixa 7.397.000 euros, o que dá umha media de algo mais de 924 mil euros por cabeça.
As astronómicas quantidades anteriores, há que lhe somar outro tipo de ingressos que nom se computam na memória pero que também se presumem quantiosos. Assim, os altos executivos que à vez tenhem assento nos conselhos de administraçom de empresas participadas por Caixa Galicia, também cobram dietas a maiores destas últimas.
Quanta mais crise, mais quartos para os elegidos
A crise económica é alheia aos petos dos altos executivos de Caixa Galicia. A entidade conta umha verdade a medias quando assegura que o órgao de direcçom cobra menos devido à mala situaçom dos mercados. Seguindo a versom da própria Caixa de Aforros, houvo médios que recolhêrom este ano um suposto descenso dum 6% nos salários destes cargos.
A realidade é bem outra. Ainda que é certo que o Comité de Alta Direcçom cobrou 454 mil euros menos que em 2007, nom se explica a letra miúda: o número de membros passou de 13 a oito. Assim, os executivos que sobrevivêrom à "queima" passárom de cobrar umha media de 604 mil euros em 2007 aos 924 mil do ano passado. O que, em médio dumha das crises mais importantes das últimas décadas, representa um AUMENTO SALARIAL DE MAIS DUM 60%.
Se se retrocede quatro anualidades, póde-se comprovar como o aumento salarial leva anos sendo vertiginoso. Em 2005 o máximo órgao executivo de Caixa Galicia estava composto por 15 pessoas que cobravam um media de 353 mil euros anuais.
Quanto cobra o director geral de Caixa Galicia?
Saber o salário bruto do presidente do BBVA nom é complexo. Diferentes jornais publicárom que em 2008 o chantadino Francisco González foi o alto executivo bancário melhor pagado do Estado Espanhol, com algo mais de 5,3 milhons de euros brutos. Porém, nom resulta nada doado saber o soldo que percebe por exemplo o homemm forte de Caixa Galicia, o seu director geral:Joséé Luís Méndez.
Clodomiro Montero, dirigente da CIG-Banca e empregado de Caixa Galicia, confirma que saber os ingressos de Méndez é case missom impossível. Ele intentou-no por enésima vez o passado mês de Junho. Na Assembleia Anual de Caixa Galicia perguntou-lhe polas retribuiçons de cada um dos altos executivos.
Que nem os representantes sindicais saibam quanto percebe o director geral dumha entidade financeira participada polas administraçons públicas é um exemplo da grave opacidade que rodeia as caixas. Ainda sem saber exactamente a quantidade, parece que nom há dúvida de que Méndez é o empregado galego melhor pagado. E isso é assim dende que em 1981 (com 36 anos) chegou à direcçom geral de Caixa Galicia e se converteu numha peça clave da vida económica e política do País.
Ossiam/Insurgente
Vostede terá que pagar 35 anos para cobrar umha pensom; os quenta-cadeiras (parlamentares), apenas 7.
Se tem menos de 51 anos, vostede aposentar-se-á aos 67. Isso desde que tenha cotado durante 35 anos. Os espanhóis nascidos entre mediados dos 50 e os 70 serám os “paganinis” pois terám que pagarr mais anos para poder cobrar o 100% de suas pensons. A casta política tê-lo-á bem mais fácil: basta-lhes com jurar o cargo e acumular sete anos de exercício para poder obter a pensom máxima por jubilaçom. Os “curros”, a pagar toda a vida. Os quenta-cadeiras (parlamentares), só 7 anos, chanchulhos e negocietes, aparte.
As pensons perigam, porém os políticos nom estám dispostos a se desprender das suas prebendas. Nom contemplam outra medida de austeridade que nom seja lhes exigir aos espanhóis trabalhar dous anos mais para cobrar menos nas suas pensons.
Estes som os escandalosos privilégios dos que goza a casta política enquanto os espanhóis pagam do seu peto os pratos rachados da política de dilapidaçom, corrupçom e saqueio dos governos e parlamentares da monarquia bourbonica.
Somar até três pensons
Para os altos cargos institucionais (ministros, deputados, secretários de Estado, etc) existe a possibilidade de compatibilizar duas e até três tipos de pensons como recompensa polo árduo trabalho realizado.
O cidadao da pé nunca poderá perceber dous salários do erário público, o ministro, o senador, deputado, secretário, etc., poderám perceber dous e três salários.
Todos os contribuintes devem tributar por seus rendimentos, mas um terço do salário dos deputados ou senadores nom está sujeito a IRPF porque se considera como indemnizaçom para gastos de seu cargo.
Pensom parlamentar
Todos nós devemos pagar durante 35 anos para cobrar a totalidade da base reguladora da pensom à que tenhamos direito, no entanto aos membros do Governo lhes basta com jurar o cargo e acumular sete anos de exercício para poder obter a pensom máxima de jubilaçom.
Indemnizaçom por cesse
Quando o ministro cessa em seu cargo, tem direito a umha indemnizaçom de 80% de seu salário até dous anos como máximo e tal perceçom de quantidades podê-la-á compartilhar com a remuneraçom por deputado ou senador e quando cesse no cargo de deputado ou senador também terá direito a umha indemnizaçom por cesse que será umha mensalidade por ano de cargo e ademais terá assegurada a base máxima da pensom de jubilaçom se tem estado no cargo parlamentar ao menos sete anos.
Um alto executivo de Caixa Galicia cobra de media 924 mil euros
Em 2008, coa crise económica petando à porta, os oito membros do Comité de Direcçom aumentárom os seus salários um 60%.
Vieiros / R.Vilar - 21/10/2009
O máximo órgao executivo de Caixa Galicia (o Comité de Alta Direcçom) está composto por oito pessoas que se reúnem umha vez por semana. O director geral da entidade financeira é um deles, saber o nome dos outros sete é umha tarefa mais que difícil, incluso para os delegados sindicais da própria empresa. Porém, a Memória de 2008 da entidade financeira dá umha ideia da desafogada posiçom económica dos que formam parte deste órgao. Durante a anterior anualidade os oito membros cobrárom da caixa 7.397.000 euros, o que dá umha media de algo mais de 924 mil euros por cabeça.
As astronómicas quantidades anteriores, há que lhe somar outro tipo de ingressos que nom se computam na memória pero que também se presumem quantiosos. Assim, os altos executivos que à vez tenhem assento nos conselhos de administraçom de empresas participadas por Caixa Galicia, também cobram dietas a maiores destas últimas.
Quanta mais crise, mais quartos para os elegidos
A crise económica é alheia aos petos dos altos executivos de Caixa Galicia. A entidade conta umha verdade a medias quando assegura que o órgao de direcçom cobra menos devido à mala situaçom dos mercados. Seguindo a versom da própria Caixa de Aforros, houvo médios que recolhêrom este ano um suposto descenso dum 6% nos salários destes cargos.
A realidade é bem outra. Ainda que é certo que o Comité de Alta Direcçom cobrou 454 mil euros menos que em 2007, nom se explica a letra miúda: o número de membros passou de 13 a oito. Assim, os executivos que sobrevivêrom à "queima" passárom de cobrar umha media de 604 mil euros em 2007 aos 924 mil do ano passado. O que, em médio dumha das crises mais importantes das últimas décadas, representa um AUMENTO SALARIAL DE MAIS DUM 60%.
Se se retrocede quatro anualidades, póde-se comprovar como o aumento salarial leva anos sendo vertiginoso. Em 2005 o máximo órgao executivo de Caixa Galicia estava composto por 15 pessoas que cobravam um media de 353 mil euros anuais.
Quanto cobra o director geral de Caixa Galicia?
Saber o salário bruto do presidente do BBVA nom é complexo. Diferentes jornais publicárom que em 2008 o chantadino Francisco González foi o alto executivo bancário melhor pagado do Estado Espanhol, com algo mais de 5,3 milhons de euros brutos. Porém, nom resulta nada doado saber o soldo que percebe por exemplo o homemm forte de Caixa Galicia, o seu director geral:Joséé Luís Méndez.
Clodomiro Montero, dirigente da CIG-Banca e empregado de Caixa Galicia, confirma que saber os ingressos de Méndez é case missom impossível. Ele intentou-no por enésima vez o passado mês de Junho. Na Assembleia Anual de Caixa Galicia perguntou-lhe polas retribuiçons de cada um dos altos executivos.
Que nem os representantes sindicais saibam quanto percebe o director geral dumha entidade financeira participada polas administraçons públicas é um exemplo da grave opacidade que rodeia as caixas. Ainda sem saber exactamente a quantidade, parece que nom há dúvida de que Méndez é o empregado galego melhor pagado. E isso é assim dende que em 1981 (com 36 anos) chegou à direcçom geral de Caixa Galicia e se converteu numha peça clave da vida económica e política do país.
por Pakalert [*]
"Há prova de que os Estados Unidos descobriram petróleo no Haiti décadas atrás e que devido a circunstâncias geopolíticas e a interesses do big business foi tomada a decisão de manter o petróleo haitiano na reserva para quando o do Médio Oriente escasseasse. Isto é pormenorizado pelo dr. Georges Michel num artigo datado de 27/Março/2004 em que esboça a história das explorações e das reservas de petróleo no Haiti, bem como na investigação do dr. Ginette e Daniel Mathurin.
Também há boa evidência de que estas mesmas grandes companhias de petróleo estado-unidenses e seus monopólios inter-relacionados de engenharia e empreiteiros da defesa fez planos, décadas atrás, para utilizar portos de águas profundas do Haiti tanto para refinarias de petróleo como para desenvolver parques de tancagem ou reservatórios onde o petróleo bruto pudesse ser armazenado e posteriormente transferido para pequenos petroleiros a fim de atender portos dos EUA e do Caribe. Isto é pormenorizado num documento acerca da Dunn Plantation em Fort Liberté , no Haiti.
A HLLN de Ezili [1] sublinha este documentos sobre recursos petrolíferos do Haiti e os trabalhos do dr. Ginette e Daniel Mathurin a fim de proporcionar uma visão não encontrável nos media "de referência" nem tão pouco se encontra em qualquer outro lugar as razões económicas e estratégicas porque os EUA construíram a sua quinta maior embaixada do mundo — a quinta, após a embaixada dos EUA na China, no Iraque, no Irão e na Alemanha — no minúsculo Haiti, após a mudança do regime haitiano pelo governo Bush.
Os factos esboçados na Dunn Plantation e nos documentos de Georges Michel, considerados em conjunto, desvelam razoavelmente parte das razões ocultas porque os Enviado Especial da ONU ao Haiti, Bill Clinton , está à ocupação da ONU o aspecto de que as suas tropas permanecerão no Haiti por longo período.
A HLLN de Ezili tem afirmado reiteradamente, desde o princípio da mudança de regime do Haiti em 2004 pelo regime Bush, que a invasão do país pelos EUA em 2004 utilizou tropas da ONU como suas procuradoras militares para esvaziar a acusação de imperialismo e racismo. Também temos afirmado reiteradamente que a invasão e ocupação do Haiti pela ONU/EUA não se refere à protecção dos direitos haitianos, a sua segurança, estabilidade e desenvolvimento interno a longo prazo mas sim acerca do retorno dos Washington Chimeres [gangters] – os tradicionais oligarcas haitianos – ao poder, o estabelecimento de comércio livre injusto, o plano mortal dos Chicago boys, políticas neoliberais, manutenção do salário mínimo a níveis de trabalho escravo , pilhagem dos recursos naturais e riquezas do Haiti , para não mencionar o benefício da localização pois o Haiti está entre Cuba e a Venezuela. Dois países em que, sem êxito, os EUA têm orquestrado mudanças de regime mas continuam a tentar. Na Dunn Plantation e nos documentos Georges Michel, descobrimos e novos pormenores como a razão porque os EUA estão no Haiti com esta tentativa de Bill Clinton para que as ocupações da ONU continuem.
Não importam os disfarces ou a desinformação dos media, trata-se também das reservas de petróleo do Haiti e de assegurar portos de águas profundas no Haiti como local de transbordo (transshipment) para petróleo ou para armazenagem de petróleo bruto sem a interferência de um governo democrático obrigado para com o bem-estar da sua população. (Ver Reynold's deep water port in Miragoane / NIPDEVCO property .)
No Haiti, entre 1994 e 2004, quando o povo tinha voz no governo, havia um intenso movimento das bases para conceber como explorar os recursos do país. Havia um plano, explicitado no livro "Investir no povo: Livro Branco de Lavalas sob a direcção de Jean-Bertrand Aristide" (Investir dans l'humain), onde a maioria dos haitianos "foi não só informada onde estavam os recursos, mas que não tinham as qualificações e tecnologia para realmente extrair o ouro, extrair o petróleo".
O plano Aristide/Lavalas, como articulei na entrevista Riquezas do Haiti , era "empenhar-se em alguma espécie de parceria privada/pública. Nesta, seria considerado tanto o interesse do povo haitiano como naturalmente o dos privados que receberiam os seus lucros. Mas penso que isto foi naquele momento em que tínhamos St. Gevevieve a dizer que não gostavam do governo haitiano. Obviamente, eles não gostavam deste plano. Eles não gostam que o povo haitiano saiba onde estão os recursos. Mas este livro – pela primeira vez na história do Haiti – foi escrito em crioulo e em francês. E houve uma discussão nacional em todas as rádios do Haiti acerca de todos estes vários recursos do Haiti, onde estavam localizados e como o governo haitiano tencionava tentar construir desenvolvimento sustentável através daqueles recursos. Era o que acontecia antes de em 2004 Bush mudar o regime do Haiti através de golpe de estado. Agora, após o golpe de estado, embora o povo saiba onde estão estes recursos porque o livro existe, ele não sabe quem são estas companhias estrangeiras. Nem quais são as suas margens de lucros. Nem quais as regras de protecção ambiental e regulamentações irão protegê-los. Muitos, no Norte por exemplo, falam acerca da perda das suas propriedades, tendo vindo pessoas com armas e tomado a sua propriedade. É assim que estamos" ( Riquezas do Haiti: entrevista com Ezili Dantò sobre mineração no Haiti ).
Os media "de referência", possuídos pelas companhias multinacionais que espoliam o Haiti, certamente não exibem para consumo público o facto de que a invasão e ocupação do Haiti pela ONU/EUA é para assegurar o petróleo do país, posição estratégica, trabalho barato , portos de águas profundas, recursos minerais (irídio, ouro, cobre, urânio, diamantes, reservas de gás), terras, zonas costeiras, recursos offshore para privatização ou a utilização exclusiva de oligarcas ricos do mundo e de grandes monopólios petrolíferos dos EUA. (Ver mapa mostrando algumas das riquezas mineiras e minerais, inclusive cinco sítios de petróleo no Haiti; Oil in Haiti pelo dr. Georges Michel ; Excerto do documento Dunn Plantation ; o Haiti está cheio de petróleo , afirma Ginette e Daniel Mathurin. Há uma conspiração multinacional para tomar ilegalmente os recursos minerais do povo haitiano : Espaillat Nanita revelou que no Haiti há enormes recursos de ouro e outros minerais, Is UN proxy occupation of Haiti masking US securing oil/gas reserves from Haiti ).
De facto, a actual autoridade-haitiana-sob-a-ocupação-EUA/ONU que encarregada de conceder licenças de exploração e mineração no Haiti não explica, de qualquer maneira relevante ou sistemática, à maioria haitiana acerca das companhias a comprarem, após 2004, portos de águas profundas no Haiti, que lucros partilham com o povo do Haiti, não explicam os efeitos ambientais das escavações maciças nas montanhas do Haiti e sobre as águas neste momento. Ao invés disso, o director de Mineração do Haiti alegremente sustenta que "novas investigações serão necessárias para confirmar a existência de petróleo no Haiti" .
Num trecho retirado do artigo postado em 09/Outubro/200 por Bob Perdue, intitulado "Lonnie Dunn, third owner of the Dauphin plantation" , ficamos a saber que: "Em 8 de Novembro de 1973, Martha C. Carbone, da Embaixada Americana em Port-au-Prince, enviou uma carta ao Office of Fuels and Energy, Departamento de Estado, na qual declarava que o Governo do Haiti "... tem diante de si propostas de oito grupos diferentes para estabelecer um porto de transbordo para petróleo em um ou mais portos de águas profundas haitianos. Alguns dos projectos incluem a construção de uma refinaria..." Ela a seguir comentava que a Embaixada conhecia três firmas: Ingram Corporation de Nova Orleans, Southern California Gas Company e Williams Chemical Corporation da Florida.. (Segundo John Moseley, a companhia de Nova Orleans provavelmente chama-se "Ingraham", não Ingram.)
No número de 6 de Novembro de 1972 da revista Oil and Gas Journal, Leo B. Aalund comentava no seu artigo "Vast Flight of Refining Capacity from U.S. Looms",.: "Finalmente, o Haiti de 'Baby Doc' Duvalier está a participar com um grupo que quer construir um terminal de transbordo junto a Fort Liberté, no Haiti". Uma das propostas mencionadas por Carbone estava sem dúvida submetida aos interesses Dunn.
Além disso, ficamos a saber por este artigo que "a Lonnie Dunn que possuía a plantação Dauphin "planeou rectificar e ampliar a entrada da baía [Fort Liberté] de modo a que super-petroleiros pudessem nela entrar e a carga ser distribuída para petroleiros mais pequenos para transferência a portos dos EUA e Caribe que não pudessem acomodar navios grandes..." ( Foto de Fort Liberté, Haiti).
Inserimos no sítio web HLLN as outras partes relevantes deste documento que se referem ao interesse que corporações dos EUA têm tido, durante décadas, em Fort Liberté como porto de águas profundas ideal para multinacionais instalarem uma refinaria de petróleo.
Nas décadas de 50 e 60 havia pouca necessidade dos portos ou do petróleo do Haiti pois do Médio Oriente jorravam dólares em abundância. Para os monopólios que ali actuavam não havia necessidade de enfraquecerem-se a si próprios colocando mais petróleo no mercado e cortarem os seus lucros. Escassez manipulada, teu nome é lucro! Ou, o que equivale dizer, capitalismo.
Mas o embargo petrolífero da década de 70, o advento da OPEP, a ascensão do factor venezuelano, a Crise do Golfo seguida pela guerra pelo petróleo do Iraque, tudo isso tornou o Haiti uma aposta melhor para o fato de três peças e os mercenários militares chamados "governos ocidentais", sim, um meio mais fácil de colocar a pilhagem e o saqueio sob a cobertura pública do "levar a democracia" ou da "ajuda humanitária".
Por acaso, após a mudança de regime de 2004 promovida por Bush filho, a seguir ao golpe militar de 1991 de Bush pai, descobrimos torrentes de "discussões" no Congresso acerca de perfurações off-shore em preparação, com a "revelação" final, tal como escrito há anos no documento Dunn, de que "é necessário para os super-petroleiros que precisam portos de águas profundas os quais não estão prontamente disponíveis ao longo da Costa Leste dos EUA – assim como por considerações ambientais e outras que não permitem a construção de refinarias internas na escala em que serão necessárias".
Enfatizamos que o Haiti é um local de despejo ideal para os EUA/Canadá/França e agora o Brasil , pois questões ambientais, de direitos humanos, de saúde e outras nos EU e nestes outros países provavelmente não permitiriam a construção de capacidade de refinação interna na escala em que as novas explorações de petróleo neste hemisfério exigirão. Assim, por que não escolher o país mais militarmente indefeso do Hemisfério Ocidental e salpicá-lo com iniciativas de desestabilização por trás da máscara "humanitária" da ONU e os paternais cabelos brancos de Bill Clinton com uma cara sorridente?
É relevante notar aqui que a maior parte dos principais portos de águas profundas do Haiti foram privatizados a partir da mudança de regime promovida por Bush em 2004. Também é relevante notar que no ano passado escrevi um artigo intitulado Is the UN military proxy occupation of Haiti masking US securing oil/gas reserves from Haiti : "Se há reservas significativas de petróleo e gás no Haiti, o genocídio e os crimes dos EUA/Europa contra a população haitiana ainda não começaram. Ayisyen leve zye nou anwo, kenbe red. Nou fèk komanse goumen. (Reler Is there oil in Haiti , de John Maxwell.)
As revelações do dr. Georges Michel e dos documentos Dunn Plantation parecem responder afirmativamente à questão de que há reservas substanciais de petróleo no Haiti. E a nossa informação no Ezili Dantò Witness Project é que na verdade está a ser aproveitada, mas não para o benefício dos haitianos ou do desenvolvimento autêntico do Haiti. Eis porque havia a necessidade de marginalizar as massas haitianas através do derrube do governo democraticamente elite de Aristide e de colocar as armas e a ocupação da ONU que hoje mascaram os EUA/europeus (com uma peça para o novo poder que é o Brasil) assegurando as reservas de petróleo e gás do Haiti e outras riquezas minerais tais como ouro, cobre, diamantes e tesouros submarinos. ( Majescor and SACG Discover a New Copper-Gold in Haiti , Oct. 6, 2009; Ver Haiti's Riches e There is a multinational conspiracy to illegally take the mineral resources of the Haitian people : Espaillat Nanita revelou que no Haiti há enormes recursos de ouro e outros minerais.)
Hoje, os EUA e os europeus dizem estar felizes com os "ganhos de segurança" do Haiti e com o seu governo "estável". Quer dizer: as últimas eleições presididas pelos EUA/ONU no Haiti excluíram o partido maioritário de qualquer participação. As prisões do Haiti estão cheias, desde 2004, com milhares de organizadores comunitários, civis pobres e dissidentes políticos que os EUA/ONU etiqueta como "gangsters", detidos indefinidamente sem julgamento ou audiências. A Cité Soleil foi "pacificada". Desde 2004 há mais ONGs e organizações caritativas no Haiti – cerca de 10 mil – do que em qualquer outro lugar do mundo e o povo haitiano está muitíssimo pior do que antes desta civilização EUA/ONU (também conhecida como "Comunidade Internacional") e seus bandidos, ladrões e esquadrões da morte corporativos que cassam os direitos de nove milhões de negros. Os preços dos alimentos estão demasiado altos, alguns recorrem ao pão que o diabo amassou na forma de biscoitos Clorox para aliviar a fome.
Lovinsky Pierre Antoine , o dirigente da maior organização de direitos humanos do Haiti, foi desaparecido em 2007 no Haiti ocupado pela ONU sem que qualquer investigação fosse efectuada. Entre 2004 e 2006, sob a ocupação ocidental, primeiro pelos Marines dos EUA e a seguir pelas tropas multinacionais encabeçadas pelo Brasil, de 14 mil a 20 mil haitianos, principalmente quem se opunha à ocupação e à mudança de regime, foram chacinados com impunidade total. Mais crianças haitianas estão fora da escola hoje em 2009 do que antes de vir a "civilização" EUA/ONG após 2004. Sob o regime imposto pelos EUA em Boca Raton, o Supremo Tribunal do Haiti foi despedido e outro completamente novo, sem qualquer autoridade constitucional emanada de mandato do povo do Haiti, substituiu os juízes legítimos e os funcionários judiciais sob a tutela da ocupação da ONU e da comunidade internacional.
1] Ezili: Marguerite Laurent/Ezili Dantò é dramaturga, poeta, comentadora política e social, escritora e promotora de direitos humanos. Nasceu em Port-au-Prince e foi educada nos EUA. Para mais informação ver http://www.ezilidanto.com
O original encontra-se em http://pakalert.wordpress.com/
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
De Francis A. Boyle /Znet
Que é o que tem que fazer o mundo em frente às grandes atrocidades contra os direitos humanos e as catástrofes que, sem nengumha dúvida, tem lugar na actualidade? Desde depois, o mundo nom deve conceder aos grandes poderes militares como som os Estados Unidos, os estados que conformam a OTAN, Rússia e China nengum falso direito à intervençom humanitária que estes estados poderosos só utilizárom para abusar e manipular com o objectivo de justificar agressons militares contra estados menos poderosos e as suas gentes, para atingir os seus próprios interesses egoístas. Nom há necessidade de mudar ou actualizar a lei internacional existente na actualidade a fim de aumentar as possibilidades de umha "responsabilidade de proteger? militar em resposta a supostas novas exigências da época- existem mais que suficientes leis e organizaçons internacionais para se ocupar das grandes atrocidades contra os direitos humanos e as catástrofes que ocorrem na actualidade por todo mundo. A exigência de fazê-lo reflecte umha agenda política que procura legitimidade e nom um deficit na lei existente.
De facto, por trás da maioria das atrocidades contra os direitos humanos e as catástrofes que ocorrem hoje, a humanidade pode ver em funcionamento as maquinaçons maquiavélicas dos grandes poderes militares. Assim que nom deveria nos estranhar que o mundo fosse testemunha do indiscutível genocídio infringido por Servia e o governo de Milosevic contra os albano kosovares imediatamente após que os Estados Unidos e os estados da OTAN declarassem umha guerra ilegal contra Servia em Março de 1999, um genocídio que a OTAN reconhece que antecipou mas que em realidade sucedeu como resultado directo dessa agressom. Por suposto, aos Estados Unidos Cristians, de nome, e aos estados da OTAN importam-lhes um comino os direitos humanos básicos dos albano kosovares, a maioria deles muçulmanos. Ao pouco tempo, o mundo foi testemunha umha vez mais de um genocídio descarado infringido por Indonésia contra a populaçom de Timor Este, após que durante décadas a ditadura militar genocida de Indonésia recebesse apoio económico e militar de Estados Unidos e Gram-Bretanha nossa classe de homem, é como referiu publicamente o governo de Clinton ao genocida Sukarto durante a sua visita aos Estados Unidos.
Também neste sentido, o mundo nunca deve esquecer que os nativos de Canadá, os dos Estados Unidos e os de Latinoamérica tem estado submetidos a contínuos actos de genocídio durante os últimos 500 anos, todo isso baixo a desculpa de os civilizar. Como podem os Estados Unidos, e os seus aliados da OTAN, Canadá, falar de missons humanitárias em Afeganistám quando ambos estados tem umha longa história na prática da "extinçom humana? em casa? Apesar do slogan e a retórica do "¡Nunca mais!? que se utilizou com respeito ao holocausto nazista contra os judeus, o genocídio se converteu nos começos do século vinte e um, numha ferramenta a cada vez mais comum e aceitável quando os estados poderosos querem dominar a estados mais débeis e as suas populaçons.
Nengum estado tem o direito ou o amparo da lei internacional para lançar um ataque militar ilegal contra outro estado membro das Naçons Unidas no nome da "intervençom humanitária?. Este princípio é aplicável a ambos estados, os Estados Unidos e Canadá, que ainda hoje continuam exterminando aos indígenas que vivem dentro dos seus domínios imperiais baixo conceitos iguais ou similares ao humanitarismo. É aplicável a Gram-Bretanha e a sua prolongada ocupaçom colonial de Irlanda, também a deportaçom da populaçom de Diego Garcia. É aplicável aos patentes genocídios que Itália infringiu contra a populaçom de Líbia e Etiópia; os perpetrados por Espanha e Portugal contra os indígenas de Latinoamérica; o monstruoso genocídio de Bélgica no Congo; e os genocídios cometidos por França em Argélia e Vietnám, todos eles afirmando que era o melhor para os povoadores das suas colónias.
Como pode Turquia, membro da OTAN, reclamar algumha vez algum direito de intervençom humanitária em nengum lugar se temos em conta a sua longa campanha para submeter aos Curdos e também o seu anterior extermínio dos Arménios, um genocídio que ainda hoje seguem negando. Somente o genocídio da Alemanha Nazista contra os judeus foi reconhecido polo que foi. No entanto, só umha geraçom mais tarde, se supom que o crédulo mundo vai crer o conto da OTAN de que o Wehrmacht alemám está agora numha missom humanitária em Afeganistám. A agressom sem sentido de EE.UU. UK e a sua "Coaliçom da Vontade? contra Iraque em nome dos direitos humanos e a democracia resultou em quatro milhons de refugiados, mais de um milhom de mortes de iraquianas e a destruiçom da infra-estrutura do país genocídio indiscutível.
Os Estados Unidos e a sua Aliança da OTAN constituem a maior colecçom de estados genocidas reunidos em toda a história da humanidade. Se cabe, a Organizaçom das Naçons Unidas e os seus estados membros tem umha "responsabilidade de proteger? às vitimas das repetidas agressons de EE.UU. e da OTAN, tal e como deveriam ter feito em Haiti, Servia, Afeganistám, Iraque, Somália e agora Palestina. Os Estados Unidos e a OTAN junto com os seus aliados de facto como Israel constituem o verdadeiro Eixo do Genocídio do mundo moderno. A Humanidade tem a "responsabilidade de proteger? a futura existência do mundo dos Estados Unidos e da OTAN
(de "Tackling America's Toughest Questions, agora em Amazon.com)
Haiti no alma, de Eduardo Galeano
inSurGente.- No primeiro dia deste ano, a liberdade cumpriu dous séculos de vida no mundo. Ninguém se inteirou, ou quase ninguém. Poucos dias depois, o país do aniversário, Haiti, passou a ocupar algum espaço nos meios de comunicaçom; mas nom polo aniversário da liberdade universal, senom porque se desatou ali um banho de sangue que acabou volteando ao presidente Préval.
Haiti foi o primeiro país onde se aboliu a escravatura. No entanto, as enciclopédias mais difundidas e quase todos os textos de educaçom atribuem a Inglaterra essa histórica honra.
É verdade que num bom dia mudou de opiniom o império que tinha sido campeom mundial do tráfico negreiro; mas a aboliçom britânica ocorreu em 1807, três anos após a revoluçom haitiana, e resultou tom pouco convincente que em 1832 Inglaterra tivo que voltar a proibir a escravatura.
Nada tem de novo o negar a Haiti. Desde fai dous séculos, sofre desprezo e castigo. Thomas Jefferson, prócer da liberdade e proprietário de escravos, advertia que de Haiti provia o mau exemplo; e dizia que tinha que confinar a peste nessa ilha. O seu país escutou-no. Os Estados Unidos demorárom sessenta anos em outorgar reconhecimento diplomático à mais livre das naçons.
Enquanto, em Brasil, chamava-se haitianismo ao desordem e à violência. Os donos dos braços negros salvaram-se do haitianismo até 1888. Nesse ano, o Brasil aboliu a escravatura. Foi o último país no mundo.
Haiti voltou a ser um país invisível, até a próxima carnificina. Enquanto esteve nas telas e nas páginas, a princípios deste ano, os meios transmitiram confusom e violência e confirmaram que os haitianos nasceram para fazer bem o mau e para fazer mau o bem.
Desde a revoluçom para cá, Haiti só foi capaz de oferecer tragédias. Era umha colónia próspera e feliz e agora é a naçom mais pobre do hemisfério ocidental. As revoluçons, concluíram alguns especialistas, conduzem ao abismo. E alguns dixérom, e outros sugerírom, que a tendência haitiana ao fratricídio prove da selvagem herança que vem do África.
O mandato dos ancestros. A maldiçom negra, que empurra ao crime e ao caos. Da maldiçom branca, nom se falou.
A Revoluçom Francesa tinha eliminado a escravatura, mas Napoleom tinha-a ressuscitado: Qual foi o regime mais próspero para as colónias? O anterior. Pois, que se restabeleça?. E, para reimplantar a escravatura em Haiti, enviou mais de cinqüenta naves cheias de soldados. Os negros alçados venceram a França e conquistaram a independência nacional e a libertaçom dos escravos. Em 1804, herdaram umha terra arrasada polas devastadoras plantaçons de cana de açúcar e um país queimado pola guerra feroz. E herdaram ?a dívida francesa?. França cobrou cara a humilhaçom infligida a Napoleom Bonaparte.
A pouco de nascer, Haiti tivo que se comprometer a pagar umha indemnizaçom gigantesca, polo dano que tinha feito se liberando. Essa expiaçom do pecado da liberdade custou-lhe 150 milhons de francos ouro. O novo país nasceu estrangulado por esse baraço atada ao pescoço: umha fortuna que actualmente equivaleria a 21,700 milhons de dólares ou a 44 orçamentos totais do Haiti de nossos dias. Bem mais de um século levou o pagamento da dívida, que os interesses de usura iam multiplicando. Em 1938 cumpriu-se, por fim, a redençom final. Para entom, já Haiti pertencia aos bancos dos Estados Unidos.
A mudança desse dineral, França reconheceu oficialmente à nova naçom. Nengum outro país reconheceu-a. Haiti tinha nascido condenada à soidade. Tampouco Simom Bolívar nom a reconheceu, ainda que lhe devia tudo. Barcos, armas e soldados tinha-lhe dado Haiti em 1816, quando Bolívar chegou à ilha, derrotado, e pediu amparo e ajuda. Tudo lhe deu Haiti, com a sozinha condiçom de que liberasse aos escravos, umha ideia que até entom nom se lhe tinha ocorrido. Depois, o prócer triunfou na sua guerra de independência e expressou sua gratitude enviando a Port-au-Prince umha espada de presente. De reconhecimento, nem falar. Em realidade, as colónias espanholas que tinham passado a ser países independentes seguiam tendo escravos, ainda que algumhas tivessem, ademais, leis que o proibiam. Bolívar ditou a sua em 1821, mas a realidade nom se deu por inteirada. Trinta anos depois, em 1851, Colômbia aboliu a escravatura; e Venezuela em 1854.
Em 1915, os marines desembarcaram em Haiti. Ficaram dezanove anos. O primeiro que fizérom foi ocupar a aduana e o escritório de arrecadaçom de impostos. O exército de ocupaçom retivo o salário do presidente haitiano até que se resignou a assinar a liquidaçom do Banco da Naçom, que se converteu em sucursal do Citibank de Nova York.
O presidente e todos os demais negros tinham a entrada proibida nos hotéis, restorantes e clubes exclusivos do poder estrangeiro Os ocupantes nom se atreveram a restabelecer a escravatura, mas impugérom o trabalho forçado para as obras públicas. E mataram muito.
Nom foi fácil apagar os fogos da resistência. O chefe guerrilheiro, Charlemagne Péralte, fincado em cruz contra umha porta, foi exibido, para escarmento, na praça pública. A missom civilizadora concluiu em 1934. Os ocupantes retiraram-se deixando no seu lugar umha Guarda Nacional, fabricada por eles, para exterminar qualquer possível assomo de democracia.
O mesmo fizérom em Nicarágua e na República Dominicana. Algum tempo depois, Duvalier foi o equivalente haitiano de Somoza e de Trujillo.
E assim, de ditadura em ditadura, de promessa em traiçom, se foram somando as desventuras e nos anos. Aristide, o cura rebelde, chegou à presidência em 1991. Durou poucos meses. O governo dos Estados Unidos ajudou a derrubá-lo, levou-lho, submeteu-o a tratamento e umha vez reciclado devolveu-o, em braços dos marines, à presidência. E outra vez ajudou a derrubá-lo, neste ano 2004, e outra vez houvo matança. E outra vez voltaram os marines, que sempre regressam, como a gripe. Mas os experientes internacionais som bem mais devastadores que as tropas invasoras.
País submisso às ordens do Banco Mundial e do Fundo Monetário, Haiti tinha obedecido suas instruçons sem chistar. Pagaram-lhe negando-lhe o pom e a saia. Congelaram-lhe os créditos, apesar de que tinha desmantelado o Estado e tinha liquidado todos os impostos e subsídios que protegiam a produçom nacional. Os camponeses cultivadores de arroz, que eram a maioria, se converteram em mendigos ou balseiros. Muitos foram e seguem indo parar às profundidades do mar Caribe, mas esses náufragos nom som cubanos e raras vezes aparecem nos diários. Agora Haiti importa todo seu arroz desde os Estados Unidos, onde os experientes internacionais, que som gente bastante distraída, se esqueceram de proibir os impostos e subsídios que protegem a produçom nacional.
Na fronteira onde termina a República Dominicana e começa Haiti, há um grande cartaz que adverte: O mau passo. Ao outro lado, está o inferno negro. Sangue e fame, miséria, pestes. Nesse inferno tam temido, todos som escultores. Os haitianos têm o costume de recolher latas e ferros velhos e com antiga mestria, recortando e martelando, as suas maos criam maravilhas que se oferecem nos mercados populares. Haiti é um país arrojado ao lixo-monturo, por eterno castigo a sua dignidade. Ali jaz, como se fosse sucata ou pitada. Mentres, aguarda as maos de sua gente.
Aporrea
O controle de facto do aeroporto de Porto Príncipe, o Palácio de Governo, o Parlamento e demais instalaçons estratégicas da capital Porto Príncipe, indicam que o Presidente de Haiti, René Préval, teria chegado (alguns dizem, inclusive, assinado) um acordo secreto (paralelo a um memorando de entendimento) que entrega o controle do governo haitiano aos Estados Unidos.
Préval teme seu próprio derrube. A situaçom de ingovernabilidade é evidente. O palácio do governo ficou destruído, ao igual que a sede do legislativo. Vários deputados encontram-se desaparecidos. Deste clima de soçobra se agarra EEUU para tomar o controle do um país em ruínas.
A povoaçom abandonada
O mundo inteiro tem-se solidarizado com Haiti. Bem seja movidos pola caridade burguesa ou pola solidariedade proletária, a tragédia foi de tal magnitude que tocou o coraçom dos habitantes do planeta. Nom obstante, a ajuda nom chegou ao povo de Haiti.
O aeroporto, em maos de EEUU, gerou um sistema de controle e acambaramento dos alimentos, o água e toda a ajuda humanitária que acima à ilha.
Fontes que preferem o anonimato som testemunhas que um pequeníssimo percentagem da ajuda internacional chega a Haiti. Muitas vezes, os avions nem sequer podem aterrar no aeroporto de Porto Príncipe porque EEUU nom dá permisso de aterragem, ou se o dá, o outorga quando as condiçons de voo som adversas (horário nocturno, por exemplo, recordemos que nom há luz eléctrica).
Resistir.info
O director-geral do FMI acaba de anunciar a sua intenção de mobilizar uma "ajuda" de 100 milhões de dólares para o Haiti. Diz ele que isso será feito através de uma "facilidade ampliada de crédito" . Ou seja, os haitianos terão de devolver tal ajuda, mesmo que estejam debaixo de escombros. E devolver com juros. Com ajudas assim, os haitianos ficam ainda mais desgraçados do que já estavam.
Por outro lado, o controle do aeroporto de Port-au-Prince pela U.S. Air Force já está a prejudicar severamente o Haiti. Os militares americanos proibiram a aterragem de um avião francês que transportava um hospital de campanha e dez equipes de cirurgiões . A ocupação militar do país pelo imperialismo, sob o pretexto da "ajuda humanitária", já é uma situação de facto. Os EUA que não souberam ajudar o seu próprio povo, quando o furacão Katrina devastou Nova Orleans, arrogam-se agora ao direito de enviar porta-aviões como "ajuda" às vítimas no Haiti. Após um terramoto, uma ocupação militar.
por Eduardo Galeano / Resistir.info
A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto.
O voto e o veto
Para apagar as pegadas da participação estado-unidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito nem sequer com um voto.
Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:
– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.
O álibi demográfico
Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:
– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.
E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilómetro quadrado.
Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.
Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.
A tradição racista
Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objectivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".
O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".
Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".
A humilhação imperdoável
Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.
A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.
O delito da dignidade
Nem sequer Simón Bolíver, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar havia podido reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete nave e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma ideia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.
Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um génio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pénis. Por essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perdã por haver cometido o delito da dignidade.
A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.