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25-02-2011

Link permanente 21:41:07, por José Alberte Email , 1766 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MELRO: Líbia, o novo Iraque-Mentiras e Patranhas

A estratégia de "preparaçom de terreno"

O novo Iraque? EEUU e a OTAN baralham umha invasom militar a Líbia

Todos os sinais indicam que depois do falhanço da operaçom lôstrego da CIA para derrocar a Muamar Kadafi em Líbia, agora Washington e os seus aliados da OTAN desenham um "Plano B" para "o isolar" internacionalmente e o estrangular economicamente em umha primeira fase, enquanto criam simultaneamente (com o aparelho da imprensa internacional) as condiçons e a argumentaçom para lançar umha intervençom armada para o derrocar como a Saddam Hussein no Iraque.

Por Manuel Freytas (*)
manuelfreytas@iarnoticias.com
IAR Notícias/

Para EEUU e a UE, depois do abortado golpe da CIA, o "pior dos cenários" é que o regime de Kadafi sobreviva à manobra de estrangulamento económico e de isolamento internacional lançado no seu contra.

Para a inteligência USA-europeia-israelita um Kadafi surgindo das suas cinzas com todo o poder é um precedente perigoso e um potencial imám de atracçom e bandeira de luta para os inimigos islâmicos do "eixo do mau".
Fracassaram estrondosamente com a operaçom lôstrego de derrocamento interno do líder líbio, e agora baralham um "Plano B" para "o isolar" internacionalmente em umha primeira fase, enquanto criam as condiçons e a argumentaçom para lançar umha intervençom e o derrocar militarmente como a Saddam Hussein no Iraque.
Como o dixéssemos noutro relatório, salvando distância e cenário internacional, o caso de Kadafi em Líbia reúne semelhanças no económico e no geopolítico com o Iraque de Saddam Hussein. Em Líbia (como no Iraque) o petróleo e a "nova guerra fria" intercapitalista por áreas de influência e de conquista de mercados e recursos estratégicos estám no centro da cena.
A decisom de invadir militarmente a Iraque, foi tomada após inumeráveis falhanços de golpes internos da CIA (utilizando a curdos e chiíes treinados pola CIA) para derrocá-lo ou assassiná-lo.
Na parte geopolítica e económica, Líbia (ao igual que Iraque) em Médio Oriente, é a quarta reserva petroleira da África, e um enclave militar estratégico de primeira ordem para o controlo do tráfico europeu (incluído o energético) no Mar Mediterráneo.
Em resumem, nom exageramos se dizemos que Líbia reviste na África similares características estratégicas que Afeganistám e Paquistám na Ásia Central, Iraque e Síria em Médio Oriente, Irám no Golfo Pérsico, Iemen no Indico, e Sudám no Mar Vermelho, para a aliança sionista EEUU-UE-Israel.
Três blocos dominantes (e de desvincule conflictivo) definem e priorizam as linhas matrizes da ordem capitalista internacional em crise e em guerra (por agora frite) polos mercados e os recursos estratégicos do planeta.

A) EEUU, Uniom Européia e o "eixo ocidental" (Bloco dominante do capitalismo que estende os seus tentáculos para apoderar dos recursos energéticos, rotas e mercados de Eurasia, Africa e Médio Oriente).

B) Rússia, China e o "eixo asiático" (Bloco do capitalismo emergente que disputa umha (por agora) guerra comercial por áreas de influência com o eixo USA-UE que gera roces e conflitos militares como o de Georgia, no Cáucaso).

C) Irám e o "eixo árabe islâmico" (Bloco de países do "eixo do mau" assentados envelope mais de 80% das reservas mundiais do petróleo e dos recursos estratégicos em disputa).

O elemento fundamental que define e dá sustento à contradiçom fundamental (que vai precipitar o desvincule de umha terceira guerra intercapitalista) é o petróleo junto dos recursos estratégicos, como é o caso da água e a biodiversidade, chaves essenciais para o funcionamento global do sistema capitalista, cujas reservas energéticas se esgotam sem que ainda se tenham conseguido alternativas para as substituir.

Todos os conflitos que hoje se desenvolvem no planeta (sejam de ordem político, militar ou social) abrevam em forma subsidiaria nessa guerra subterrânea intercapitalista polo controlo dos recursos estratégicos chaves para a sobrevivência futura das potências capitalistas.

Em general, todo o que EEUU e a UE apresentam como "guerra contra o terrorismo" ou "luta contra os tiranos" nos cenários da Ásia, África ou Médio Oriente, som conflitos fabricados (pola CIA e os serviços ocidentais) como estratégia de posicionamento sobre determinadas fontes de recursos ou zonas de controlo geopolítico militar.

Em cenário inscreve-se o caso de Líbia, que resultou a fruta da torta, o objectivo encoberto, no enquadramento operativo das "revoltas populares" lançadas pola CIA e a inteligência sionista-européia em Médio Oriente e na África dentro de umha estratégia "democratizadora" do domínio imperial

“A estratégia de "preparaçom de terreno"

A instalaçom de um bunker cívico-militar rebelde controlado pola CIA no este líbio, reforça e potencia as possibilidades de futuras operaçons internas para desgastar e desestabilizar a Kadafi desde adentro, preparando as condiçons para umha invasom militar.
Em umha primeira fase, dentro deste tabuleiro projectado em curto prazo, esta estratégia já está a funcionar com umha operaçom de isolamento internacional do regime de Kadafi e os planos de impor sançons económicas a Líbia no Conselho de Segurança da ONU controlado polo eixo USA-UE.
Paralelamente (e como parte complementar da estratégia) começa a se desenvolver umha campanha mediática a nível global para "demonizar" a Kadafi como um criminoso de lesa humanidade contra o seu próprio povo, e que tem como objectivoo central instalar a Kadafi como um "ditador genocida". O parecido com Saddam é pura casualidade.
Todo o desenvolvimento dos acontecimentos, desde o abortado golpe interno da CIA, até as reacçonssssss da "comunidade internacional" (se leia o eixo sionista EEUU-UE) e a gigantesca campanha mediática para "demonizar" ao relíbioooooo, assinala claramente que Kadafi já é o mais sério sucessor de Saddam Hussein na agenda de invason Pentágono e da OTAN.
E já há quatro eslóganes mediático-terroristas de "preparaçom de terreno" e de gestaçom de consenso internacional para umha potencial invasom militar a Líbia que circulam em forma de "informaçom objectiva" polo aparelho manipulador da imprensa internacional:
A) "Líbia está dividida e no caos".
B) Kadafi esta produzindo um "banho de sangue" contra o seu povo.
C) Europa pode ser invadida por milhons de líbios que fogem do "banho de sangue".
D) O petróleo pode disparar-se e os mercados entrar no caos se nom se detém a Kadafi e ao seu regime.
Quem observe atentamente intitulares das grandes correntes mediáticas (e as suas repetidoras locais nos cinco continentes) comprovará que estes quatro eslóganes terroristas som recorrentes e repetidos as 24 horas em diários, agências, rádios e noticiários televisivos.

Com um agregado: O eslogam mais nivelado, repetido e esmagado no cérebro das maiorias a escala global é consigna-a terrorista com o "banho de sangue" que ninguém pode deter em Líbia.

Como as casualidades nom existem, este é o argumento central da manipulaçom mediática internacional para "demonizar" a Kadafi e ao seu regime que já está a funcionar durante as 24 horas em todos os televisores, rádios, diários e agências de notícias do mundo.

O terror (manejado como acçom psicológica na mente das maiorias) sempre tem a funçom de gerar umha situaçom de medo colectivo, e depois sacar da manga umha "soluçom" favorável política e economicamente para quem emprega a aço psicológica terrorista, neste caso a CIA USA e o Mossad israelita.

E no caso do actual "Plano B", que funciona depois do falhanço do golpe da CIA em Líbia, a soluçom (final) é terminar militarmente com Kadafi e o seu regime. Isto é, gerar as condiçons internacionais para invadir militarmente a Líbia. Tal como o fizeram com Saddam Hussein no Iraque há oito anos.

A tese do "banho de sangue"

A partir do fracassado golpe lôstrego da CIA, desenvolve-se umha gigantesca campanha da imprensa sionista internacional para apresentar a Líbia "dividida e no caos".

E embora nom há mais registos de mortos ou de combates relevantes (desde as fontes golpistas) bombardeiam os cérebros em massa com o "banho de sangue" produzido polo (agora) "ditador genocida" que permanece ao comando após esmagar a sangue e fogo a rebeliom.

Em outro ponto da acçom psicológica, o aparelho mediático sionista (com a sua corrente de repetidoras locais em todos os continentes) lança eslóganes terroristas com a possível "invasom em massa" de líbios a Europa fugindo do "banho de sangue" no seu país.

A pressom mediática supera qualquer imaginaçom. Os consórcios comunicacionais do sionismo, que calam (e calaram) sistematicamente os massacres provados e filmadas de Israel em Gaza e em Líbano, que silenciam a diário os extermínios militares em massa de EEUU e a OTAN nos territórios ocupados na Ásia e em África, estám em umha ofensiva gigantesca, quase demencial, para "parar o banho de sangue" de Kadafi em Líbia.

É tanto o surrealismo paranoico, a impunidade "informativa, a carência de contra-informaçomm (nem sequer a imprensa alternativa de "esquerda" difunde informaçom ou análises objectivas sobre Líbia) que a estratégia imperial nivela sem nengumha barreira os cérebros em umha mesma direcçom: A condenaçom internacional ao "banho de sangue de Kadafi".

A partir deste princípio de máxima, em Washington e nas metrópoles imperiais européias chovem, cozinham-se a fogo lento todo o tipo de versons e rumores sobre umha intervençom militar de EEUU e a OTAN no país petroleiro.
O eslogam do "banho de sangue", esmagado noite e dia na psicologia colectiva, é o argumento central que alimenta as teses e avaliaçons de umha intervençom (se leia invasom) militar a Líbia.
Dentro deste cenário manipulador e surrealista, o gerente negro do Estado imperial mais criminoso da história da humanidade Barack Obama, saiu ontem a anunciar, quase abertamente, umha possível intervençom em Líbia para "parar o banho de sangue de Kadafi".
O "banho de sangue" e o "sofrimento" em Líbia constituem "um escândalo" e som "inaceitáveis", afirmou ontem o presidente de EEUU, Barack Obama, quem indicou que o seu Governo prepara "toda umha gama de opçons" contra o regime de Kadafi".
Obama sublinhou que deu instruçons aos seus assessores para que "preparem toda a gama de opçons com que contamos para responder a esta crise", e assinalou tanto medidas unilaterais como outras que se podam tomar em coordenaçom com outros sócios internacionais.
A esta expressom quase aberta de intervençom por parte do gerente da primeira potência imperial, somou-se o governo da França, cujo presidente, Nicolás Sarkozi, é a replica feijom de "sócio estratégico" de EEUU que representava Tony Blair em Grã-Bretanha.

França, por boca do seu ministro de Defesa, advogou por umha intervençom internacional a Líbia para deter o "banho de sangue" regime de Kadafi.

Em declaraçons à emissora France Inter, o ministro francês de Defesa, Alain Juppé, estimou nesta quinta-feira que a comunidade internacional "deve intervir" em Líbia e expressou o seu desejo de que o líder deste país, Muamar Kadafi esteja a viver "os seus últimos momentos".

Som os primeiros sinais claros, expressadas em voz alta, de que em EEUU e a Uniom Européia já consideram a Líbia em "lista de espera" na agenda invasora da OTAN e o Pentágono.

15-02-2011

Link permanente 16:43:18, por José Alberte Email , 248 palavras   Português (GZ)
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Gente NORMAL e problemas REAIS

Desconfiarei sempre de quem nom respeite a minha língua. Porque, ao faze-lo, demostra que nom me respeita a mim, e ao tempo também demostra que nom respeita um bem cultural essencial

Desconfiarei sempre de quem nom considere normal o seu uso institucional e simbólico, porque nom considera normal a minha realidade cultural e porque ademais pensa que tem direito a decidir o que é a normalidade, e curiosamente a normalidade é ele, e nom eu.

Desconfiarei sempre de quem diga que o meu problema nom é real, porque me fai de menos e porque pensa ter o poder de decidir o que é real, e casualmente também o é ele, e nom eu.

Desconfiarei sempre de quem diga que as línguas som para nos entenderes e nom para criar problemas e utiliza este argumento para criar problemas coas línguas.

Desconfiarei sempre de quem manipule aposta as realidades e ouse acusar as línguas perseguidas de serem as perseguidoras.

Desconfiarei sempre de quem veja como um gasto desnecessário a promoçom da minha língua e como um investimento imprescindível a promoçom da sua.

Desconfiarei sempre de quem queira acomplexar-me porque falo com naturalidade a língua dos meus pais.

Desconfiarei sempre de quem me negue a língua, porque me sinto comprometido com os que a salvárom para que eu lha poda ensinar aos meus filhos.

E procurarei enojar-me pouco, só quando me pareça normal e diante de ameaças que considere reais.

E sempre, sempre, plantarei cara.


Carles Capdevila, director do diário Ara

06-02-2011

Link permanente 03:03:48, por José Alberte Email , 95 palavras   Português (GZ)
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Egipto: A MENTIRA SISTEMÁTICA

A LINGUAGEM DELES/ Resistir.info

Os media que se dizem "referência" desinformam quando falam em manifestantes pró-Mubarak. Não há manifestantes nenhuns a favor de Mubarak. Há, sim, polícias à paisana e marginais por ela recrutados, armados e pagos. Muitos deles são os presos de delito comum recentemente libertados pelo sr. Suleiman, para provocar o caos e para serem utilizados em tais manobras. A polícia uniformizada abriu-lhes o caminho para a Pr. Tahrir a fim de iniciar os confrontos – e depois ficou a assistir. Triste regime esse que precisa recrutar marginais para fingir que tem apoiantes.

10-01-2011

Link permanente 22:10:15, por José Alberte Email , 1750 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MELRO: Após a Grécia, a Irlanda, ... A crise gaguejante do euro

por Jean-Claude Paye [*]

O jogo do massacre começou: a crise financeira irlandesa reproduz o esquema do da Grécia e abre o caminho para os seguintes, Portugal e outros. Para pagar as suas guerras no Afeganistão e no Iraque, os Estados Unidos optaram por monetarizar a sua dívida pública, ou seja, repassar as suas facturas ao resto do mundo. Este afluxo de liquidez permite às elites capitalistas devorarem presas cada vez mais gordas. Depois de ter pilhado o terceiro mundo, elas podem finalmente atacar o euro. Mas, ao invés de impedi-las, o Banco Central Europeu favorece-as em detrimento das populações europeias — doravante restritas às políticas de austeridade.

Uma frase atribuída a Marx ensina-nos que quando a história não se repete tem tendência a gaguejar. Este diagnóstico ilustra perfeitamente o novo ataque contra o euro. Por ocasião da crise irlandesa, os mercados financeiros puseram em cena um cenário semelhante àquele da ofensiva contra a Grécia [1] . Trata-se do deslocamento de uma mesma causa externa: a política monetária expansionista do FED (Federal Reserve). De maneira análoga, a ofensiva dos mercados vai igualmente ser apoiada pela Alemanha Federal

Tal como durante os meses de Abril e Maio de 2010, o anúncio de uma futura injecção maciça de liquidez pela Reserva Federal estado-unidense não teve como efeito fazer baixar o valor do dólar, mas relançar o assalto especulativo contra a zona euro. A Alemanha esteve igualmente, em parte, na origem da subida das taxas de juros das obrigações irlandesas, assim como das portuguesas e espanholas. As recentes declarações, no entanto puramente formais, de Angela Merkel sobre a necessidade de fazer os credores privados participarem, em caso de reestruturação da dívida de certos países da zona euro, reforçou o a desconfiança dos mercados em relação aos países mais fracos.

O objectivo do FED: uma criação ininterrupta de bolhas financeiras

O dito espirituoso de John Connally, secretário do Tesouro de Nixon em 1971, "O dólar é nossa moeda, mas é vosso problema", é de grande actualidade. Até o presente, a monetização da dívida americana coloca menos problemas aos Estados Unidos do que aos seus satélites. O arbusto da dilapidação financeira da Grécia já fora suficiente para dissimular a floresta dos défices estado-unidenses. Da mesma forma, este fim de ano viu a dívida irlandesa eclipsar o anúncio de um novo programa de compra maciça de títulos do Tesouro pela Reserva Federal americana. Esta manobra de "quantitative easing" consiste em por em andamento a máquina de imprimir tendo em vista fazer baixar as taxas de juros sobre as obrigações do Estado. Ela deveria permitir, à razão de 75 mil mihões por mês, uma injecção de 600 mil milhões de dólares na economia do outro lado do Atlântico.

O FED já havia introduzido uma soma de 1700 mil milhões de dólares no circuito económico estado-unidense. Este novo programa de injecção de liquidez mostra-nos que esta política monetária fracassou amplamente, uma vez que se verifica necessária uma nova fase de compra. Sobretudo, indica-nos que a "quantitative easing" não é mais uma política excepcional. Ela é para perdurar e torna-se assim um procedimento normal [2] .

Ao contrário das declarações do Tesouro, a criação monetária lançada pelos EUA não tem como objectivo permitir aos bancos conceder créditos aos particulares e às empresas. Dada a conjuntura económica, esta procura actualmente é fraca e as instituições financeiras dispõem de reservas importantes.

Já existe abundância de liquidez e acrescentar mais não vai resolver o problema actual que tem a ver com a desconfiança dos bancos em relação à solvabilidade dos eventuais tomadores de empréstimos, ou seja, sobre a rentabilidade dos seus investimentos.

Assim, para que é que pode servir esta injecção permanente de liquidez num mercado já saturado? Para responder a esta pergunta, basta observar os efeitos desta política: formação de bolhas especulativas e ascensão do valor dos activos, afluxo de capitais nos países em forte crescimento, tais como a China ou a Índia, e ataques especulativos, nomeadamente contra a zona euro.

A política estado-unidense de monetização da sua dívida pública actualmente é pouco inflacionista pois uma grande parte dos capitais deixa os Estados Unidos a fim de se colocar nos mercados emergentes e, assim, não alimenta a procura interna nos EUA. Ela não provoca uma forte baixa do dólar, uma vez que as compras adicionais de activos: ouro, matérias-primas e petróleo, que provoca, fazem-se na divisa estado-unidense, o que sustenta o seu curso. As compras dos especuladores americanos fazem-se na sua moeda nacional, ao passo que os "investidores" estrangeiros, incitados a seguir o movimento de alta induzido por esta política, trocam as suas moedas nacionais contra dólares a fim de comprar estes "activos".

A intenção do BCE: a transferência de rendimentos dos assalariados para os bancos

No que se refere à União Europeia, o BCE anunciou o prosseguimento da sua política de compras de obrigações soberanas. Ele decidiu igualmente prolongar seu dispositivo de refinanciamento dos bancos, ilimitado e a uma taxa fixa, por um novo período de quatro meses pelo menos. Também aqui, regista-se uma mudança de atitude: esta política não é mais apresentada como excepcional, mas sim como permanente [3] . O que se modifica na política do BCE é o seu compromisso ao longo do tempo. "Em tempos normais, o BCE compra títulos a curto prazo: três semanas, um mês, mais raramente três meses, mas desde a crise o BCE pôs-se a comprar títulos a prazo de um ano, o que nunca fora visto" [4] . Esta mudança inverte o papel do Banco Central, de prestamista de último recurso ele passa a prestamista de primeira linha. O Banco Central funciona então como uma instituição de crédito.

Até o presente, o BCE adquiriu títulos de dívida pública num montante de 67 mil milhões de euros [5] , essencialmente títulos de Estados em dificuldade, tais como a Grécia e a Irlanda. Estamos portanto bem longe dos 600 mil milhões de dólares de compra efectuado pelo FED. A política do Banco Central Europeu difere não só quantitativamente como também qualitativamente, uma vez que optou por esterilizar sua injecção de liquidez, diminuindo na mesma medida os empréstimos que efectua aos bancos privados.

O objectivo do Banco Central Europeu é tentar retardar ao máximo uma reestruturação da dívida grega, irlandesa, portuguesa...; estando os grandes bancos europeus fortemente empenhados no seu financiamento. Trata-se antes de tudo de salvar as instituições financeiras e tentar fazer com que a factura seja paga pelos assalariados e os poupadores.

Para assim fazer, a União Europeia e os Estados membros transferiram aos mercados financeiros a chave do financiamento dos défices. Os Estados devem tomar emprestado junto a instituições financeiras privadas que obtêm, elas, liquidez a baixo preço do Banco Central Europeu.

Enquanto os défices dos Estados membros da UE, em média de 7%, são claramente em recuo em relação aos 11% do Estado federal estado-unidense [6] , a União Europeia, ao contrário dos EUA, comprometeu-se a seguir a via de uma redução brutal das despesas públicas. A Comissão quer impor aos países uma longa cura de austeridade para retornar a uma dívida pública inferior a 60% do PIB e lançou procedimentos de défice excessivo contra os Estados membros. Em meados de 2010, praticamente todos os Estados da zona a ela estavam submetidos. Ela pediu-lhes para se comprometerem a retornar à fasquia de 3% antes de 2014 e qualquer que seja a evolução da situação económica. Os meios previstos para a realização destes objectivos não consistem numa tributação dos grandes rendimentos ou das transacções financeiras, mas antes numa diminuição do salário directo e indirecto, a saber: compromisso com políticas salariais restritivas e colocação em causa dos sistemas públicos de aposentadoria e de saúde.

Complementaridade das políticas do FED e do BCE

A política monetária fortemente expansiva dos EUA consiste em comprar obrigações soberanas a médio e longo prazo, de 2 a 10 anos, no mercado secundário, a fim de que as novas emissões que o FED deve fazer encontrem tomados a uma taxa de juro fraca, ou seja, suportável pelas finanças públicas estado-unidenses.

Esta política não apenas adequada aos interesses do capital americano, mas está em fase com os do capitalismo multinacional. Ela é a ferramenta principal de uma prática de taxas de juro muito baixa, abaixo do nível real de inflação. Trata-se de permitir, não só aos Estados Unidos, mas também à Europa e ao Japão, poder enfrentar a sua montanha de dívidas praticando taxas piso. Todo aumento do rendimento obrigacionista conduziria estes Estados à falência. Além disso, a médio prazo, esta prática laxista terá um efeito inflacionista que desvaloriza estas dívidas públicas e reduzirá, em termos reais, os encargos das mesmas.

Dado o lugar particular do dólar na economia mundial, a Reserva Federal americana é o único banco central que pode permitir-se uma tal política, praticada numa escala tão elevada. Toda outra moeda nacional seria atacada pelos mercados e fortemente desvalorizada. O FED é o único banco central que pode fazer funcionar a máquina de impressão e fazer com que esta moeda adicional seja aceite pelos agentes económicos estrangeiros.

A monetização da dívida dos EUA, dando munições aos mercados financeiros, permite lançar, de forma barata, operações de especulação contra a zona euro. Ela está em fase com os objectivos da UE, pois permite mobilizar os mercados e fazer pressão sobre as populações europeias, a fim de lhes fazer aceitar uma diminuição drástica do seu nível de vida. As políticas orçamentais encetadas pelos Estados membros terão como efeito impedir toda retomada económica, fragilizando mais as finanças públicas e exigindo novas transferências de rendimentos dos assalariados para os bancos e as empresas. A crise do Euro não acabou de gaguejar. Não é a vontade anunciada pela agência americana Moody's [7] de degradar novamente a classificação das obrigações do Estado espanhol, devido às suas "necessidades elevadas de refinanciamento em 2011", que irá contradizer este diagnóstico.

29/Dezembro/2010

[1] "L'UE et les'' hedge funds': régulation ou abandon du territoire européen?" , par Jean-Claude Paye, Réseau Voltaire, le 12 novembre 2010.
[2] "La FED va injecter 600 milliards de dollars dans l'économie américaine" , par Audrey Fournier, Le Monde, 4 novembre 2010.
[3] "La Banque centrale européenne prolonge ses mesures exceptionnelles de soutien" , par Mathilde Farine, Le Temps, 3 décembre 2010.
[4] "La BCE poursuit son programme de rachat d'obligations publiques" , par Audrey Fournier, Le Monde, 2 décembre 2010.
[5] "Les Etats-Unis à l'origine des tensions au sein de la zone euro" , par Sébastien Dubas, Le Temps, 3 décembre 2010,
[6] Manifeste des économistes atterrés. Crise et dette en Europe: 10 fausses évidences, 22 mesures en débat pour sortir de l'impasse , 14 septembre 2010, http://resistir.info/crise/economistas_aterrorizados.html
[7] "Moody's envisage une nouvelle dégradation de la note de l'Espagne" , Le Monde avec AFP, 15 décembre 2010,

[*] Sociólogo. Últimas obras publicadas: La Fin de l'État de droit, La Dispute 2004; Global War on Liberty , Telos Press 2007.

O original encontra-se em http://www.voltairenet.org/article167903.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

08-01-2011

Link permanente 23:34:26, por José Alberte Email , 1067 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MELRO: A crise irlandesa: fracasso total do neoliberalismo

por Eric Toussaint

Durante uma década a Irlanda foi apresentada pelos promotores mais fervorosos do capitalismo neoliberal como o modelo a seguir. O "tigre celta" ostentava uma taxa de crescimento mais elevada do que a média europeia. O taxa de tributação das empresas havia sido reduzida a 12,5% [1] e a taxa efectivamente paga pelas numerosas transnacionais que ali tinham domicílio oscilava entre 3% e 4%: um sonho! Um défice orçamental igual a 0 em 2007. Uma taxa de desemprego de 0% em 2008. Um verdadeiro encanto: todo o mundo parecia ali encontrar o seu quinhão. Os trabalhadores tinham um emprego (é certo que muitas vezes precário), as suas famílias consumiam alegremente, elas desfrutavam do efeito riqueza e os capitalistas, tanto nacionais como estrangeiros, ostentavam resultados extraordinários.

Em Outubro de 2008, dois ou três dias antes de o governo salvar da falência os grandes bancos "belgas" (Fortis e Dexia) a expensas dos cidadãos, Bruno Colmant, director da Bolsa de Bruxelas e professor de economia, publicou um artigo em Le Soir, o diário belga francófono de referência, no qual afirmava que a Bélgica devia absolutamente seguir o exemplo irlandês e desregulamentar ainda um pouco mais o seu sistema financeiro. Segundo Bruno Colmant, a Bélgica devia modificar o quadro institucional e legal a fim de se tornar uma plataforma do capital internacional como a Irlanda. Algumas semanas mais tarde, o Tigre Celta estava de rastros.

Na Irlanda, a desregulamentação financeira encorajou uma explosão dos empréstimos às famílias (o endividamento familiar havia atingido 190% do PIB na véspera da crise), nomeadamente no sector do imobiliário, o que estimulou a economia (indústria da construção, actividades financeiras, etc). O sector bancário inchou de uma forma exponencial com a instalação de numerosas sociedades estrangeiras [2] e o aumento dos activos dos bancos irlandeses. Formaram-se bolhas bursáteis e imobiliárias. O total das capitalizações bursáteis, das emissões de obrigações e dos activos dos bancos atingiu catorze vezes o PIB do país.

Aquilo que não podia acontecer neste mundo encantador aconteceu então: em Setembro-Outubro de 2008, o castelo de cartas ruiu, as bolhas financeiras e imobiliárias explodiram. Empresas fecham ou deixam o país, o desemprego sobe em flecha (de 0% em 2008, ele salta para 14% no princípio de 2010). O número de famílias incapazes de pagar os credores cresce muito rapidamente. Todo o sistema bancário irlandês está à beira da falência e o governo, completamente em pânico e cego, garantiu o conjunto dos depósitos bancários com 489 mil milhões de euros (cerca de três vezes o PIB irlandês, que se elevava a 168 mil milhões de euros). Ele nacionaliza o Allied Irish Bank, principal financiador do imobiliário, injectando 48,5 mil milhões de euros (cerca de 30% do PIB).

As exportações enfraquecem. As receitas do Estado baixam. O défice orçamental salta de 14% do PIB em 2009 para 32% em 2010 (mais da metade é atribuível ao apoio maciço aos bancos: 46 mil milhões de injecção de fundos próprios e 31 de compra de activos de risco).

O plano europeu de ajuda do fim de 2010, com participação do FMI, eleva-se a 85 mil milhões de euros de empréstimos (dos quais 22,5 fornecidos pelo FMI) e já se verifica que será insuficiente. Em contrapartida, o remédio de cavalo imposto ao tigre celta é de facto um plano de austeridade drástico que pesa fortemente sobre o poder de compra das famílias, tendo como consequências uma redução do consumo, das despesas públicas nos domínios sociais, dos salários da função pública e na infraestrutura (em proveito do reembolso da dívida) e das receitas fiscais.

As principais medidas do plano de austeridade são terríveis no plano social:

supressão de 24750 empregos de funcionários (8% do efectivo, o que equivale à supressão de 350 mil empregos em França);

os novos contratados receberão um salário 10% inferior;

baixa das transferências sociais com diminuição dos subsídios de desemprego e familiares, redução importante do orçamento da saúde, congelamento das pensões;

aumento dos impostos suportados principalmente pela maioria da população vítima da crise, nomeadamente alta do IVA de 21 para 23% em 2014; criação de uma taxa imobiliária (afecta a metade das famílias, até então livres de tributação);

baixa de 1€ do salário horário mínimo (de 8,65 para 7,65 euros, ou seja, -11%).
As taxas dos empréstimos concedidos à Irlanda são muito elevadas: 5,7% para o do FMI e 6,05% para os empréstimos "europeus". Eles servirão para reembolsar os bancos e outras sociedades financeiras que comprarão os títulos da dívida irlandesa — as quais tomam emprestado a uma taxa de 1% junto ao Banco Central Europeu. Um verdadeiro presente dos deuses para os financeiros privados. Segundo a AFP, "o director geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, declarou: "Isto vai anda, mas naturalmente é difícil [...] porque é duro para as pessoas' que terão de fazer sacrifícios em nome da austeridade orçamental".

A oposição na rua e no parlamento foi muito forte. O Dail, câmara baixa, adoptou o plano de ajuda de 85 mil milhões de euros apenas por 81 votos contra 75. Longe de abandonar a sua orientação neoliberal, o FMI indicou que colocava dentre as prioridades da Irlanda a adopção das reformas para suprimir "os obstáculos estruturais aos negócios", a fim de "sustentar a competitividade nos próximos anos". O socialista Dominique Strauss-Kahn diz-se convencido de que a chegada de um novo governo após as eleições previstas para o princípio de 2011 nada mudaria: "Estou confiante em que, ainda que os partidos da oposição, o Fine Gael e o trabalhista, critiquem o governo e o programa [...], eles compreendem a necessidade de o por em execução".

Em suma, a liberalização económica e financeira que visava atrair a qualquer preço os investimentos estrangeiros e as sociedades financeiras transnacionais conduziu a um fracasso completo. Para aumentar o insulto aos danos sofridos pela população vítima desta política, o governo e o FMI não encontraram nada melhor do que aprofundar a orientação neoliberal praticada desde há 20 anos e infligir à população, sob a pressão da finança internacional, um programa de ajustamento estrutural calcado sobre aqueles impostos desde há três décadas aos países do terceiro mundo. Estas três décadas devem ao contrário servir de exemplo daquilo que não se deve fazer. Eis porque é urgente impor uma lógica radicalmente diferente, em favor dos povos e não da finança privada.

Notas
|1| A taxa de tributação dos lucros das empresas eleva-se a 39,5% no Japão, 39,2% na Grã-Bretanha, 34,4% em França, 28% nos Estados Unidos.
|2| As dificuldades do banco alemão Hypo Reale Estate (salvo em 2007 pelo gouverno de Angela Merckel) e a falência do banco Bear Sterns nos EUA (comprado em Março de 2008 pelo J.P. Morgan com a ajuda da administração Bush) provém nomeadamente dos problemas dos seus fundos especulativos cuja sede era em Dublim.

26-12-2010

Link permanente 01:43:26, por José Alberte Email , 419 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MELRO: Assim SAQUEIA-NOS os grandes banqueiros

Juan Torres López
Sistema Digital
Quando se está a falar tanto da necessidade, da iminência ou da possibilidade dum “resgate” da economia espanhola convém reflexionar e pôr algumhas cousas em claro.

Dizê-se que um grupo de países ou instituiçons, como poderiam ser a Uniom Europeia ou o Fundo Monetário Internacional, ”resgatam” um país quando lhe concedem um crédito a pagar num determinado prazo que lhe permite cobrir os “buracos” que por diversas razons (geralmente por acumulaçom de deficit e dívidas) tenham podido produzir sua insolvência. Mas há que ter em conta que esses buracos podem ser de natureza muito variada. Assim, muitas ditaduras e governos militares dos anos setenta e oitenta endividárom a seus países, com a conivência dos grandes bancos internacionais, com empréstimos que em ocasions nem sequer chegaram a eles senom que se utilizaram fora do país para negócios corruptos. Outras vezes utilizaram-nos em obras completamente inúteis ou directamente para enriquecer aos grandes empresários e banqueiros.

No recente caso de Irlanda, a necessidade peremptória de “ajuda” deve-se a que há que cobrir as perdas multimilionárias do sector bancário. E umha parte importante da dívida pública grega que foi “resgatada” recentemente originou-se para comprar armamento a França ou Alemanha.

Quando a acumulaçom de dívida à que nom se pode fazer frente é muito grande, os credores som os primeiros interessados em que se produza o “resgate” do país pois dessa maneira asseguram-se sua reintegro. E costumam ser eles os que o promovem. O dinheiro que chega com o "resgate" dedica-se a saldar suas dívidas e a nova que se origina com as instituiçons que resgatam a pagam os cidadaos em seu conjunto ao longo do tempo. Os “resgates” consistem, pois, em converter dívida privada, que polo geral geraram e desfrutado os sectores mais ricos, em dívida pública que pagárom principalmente as classes de rendas mais baixas. Mas a cousa nom fica aí. O “resgate” nom se produz nunca como umha dádiva senom a condiçom de que o país “resgatado” cumpra umha série de condiçons. A primeira, que esta nova dívida tenha sempre carácter preferente e, ademais, que se tomem as medidas de política económica e mudança estrutural que convenham a quem “resgata”.

Graças a esse procedimento, a dívida externa que se originou em muitos países ao longo dos anos setenta e oitenta foi a antessala da aplicaçom das políticas neoliberais que promovem o Fundo Monetário Internacional e os grupos mais poderosos do mundo que, para fechar o círculo, som ademais os que se beneficiam do saldo da dívida.

Link permanente 01:38:54, por José Alberte Email , 93 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

FAME para os pobres, PROPIEDADE para os notáveis.

por Vicenç Navarro

Espanha é um dos países europeus com maiores desigualdades. A renda disponível da decila superior em Espanha é 10,3 vezes maior que a renda da decila inferior, umha das desigualdades mais altas da OCDE. Se em lugar de renda falamos de propriedade, a situaçom é inclusive pior. A concentraçom da riqueza em Espanha é das mais acentuadas na OCDE. Assim, o 10% das famílias possui o 58% de toda a propriedade. Em realidade, o 1% da populaçom de renda superior possui o 18% de toda a propriedade. A grande maioria da populaçom tem escassísima propriedade.

20-12-2010

Link permanente 11:02:30, por José Alberte Email , 419 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MELRO: Assim SAQUEIA-NOS os grandes banqueiros

Juan Torres López
Sistema Digital

Quando se está a falar tanto da necessidade, da iminência ou da possibilidade dum “resgate” da economia espanhola convém reflexionar e pôr algumhas cousas em claro.

Dizê-se que um grupo de países ou instituiçons, como poderiam ser a Uniom Europeia ou o Fundo Monetário Internacional, ”resgatam” um país quando lhe concedem um crédito a pagar num determinado prazo que lhe permite cobrir os “buracos” que por diversas razons (geralmente por acumulaçom de deficit e dívidas) tenham podido produzir sua insolvência. Mas há que ter em conta que esses buracos podem ser de natureza muito variada. Assim, muitas ditaduras e governos militares dos anos setenta e oitenta endividárom a seus países, com a conivência dos grandes bancos internacionais, com empréstimos que em ocasions nem sequer chegaram a eles senom que se utilizaram fora do país para negócios corruptos. Outras vezes utilizaram-nos em obras completamente inúteis ou directamente para enriquecer aos grandes empresários e banqueiros.

No recente caso de Irlanda, a necessidade peremptória de “ajuda” deve-se a que há que cobrir as perdas multimilionárias do sector bancário. E umha parte importante da dívida pública grega que foi “resgatada” recentemente originou-se para comprar armamento a França ou Alemanha.

Quando a acumulaçom de dívida à que nom se pode fazer frente é muito grande, os credores som os primeiros interessados em que se produza o “resgate” do país pois dessa maneira asseguram-se sua reintegro. E costumam ser eles os que o promovem. O dinheiro que chega com o "resgate" dedica-se a saldar suas dívidas e a nova que se origina com as instituiçons que resgatam a pagam os cidadaos em seu conjunto ao longo do tempo. Os “resgates” consistem, pois, em converter dívida privada, que polo geral geraram e desfrutado os sectores mais ricos, em dívida pública que pagárom principalmente as classes de rendas mais baixas. Mas a cousa nom fica aí. O “resgate” nom se produz nunca como umha dádiva senom a condiçom de que o país “resgatado” cumpra umha série de condiçons. A primeira, que esta nova dívida tenha sempre carácter preferente e, ademais, que se tomem as medidas de política económica e mudança estrutural que convenham a quem “resgata”.

Graças a esse procedimento, a dívida externa que se originou em muitos países ao longo dos anos setenta e oitenta foi a antessala da aplicaçom das políticas neoliberais que promovem o Fundo Monetário Internacional e os grupos mais poderosos do mundo que, para fechar o círculo, som ademais os que se beneficiam do saldo da dívida.

12-12-2010

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Categorias: Outros, Ensaio

CANTA O MERLO: Que crise económica? Os lucros aumentam!

por James Petras*

Enquanto os progressistas e os esquerdistas escrevem sobre as "crises do capitalismo", os industriais, as companhias petrolíferas, os banqueiros e muitas outras grandes empresas de ambos os lados do Atlântico e da costa do Pacífico encaminham-se sorrateiramente para a banca.
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A partir do primeiro trimestre deste ano, os lucros das empresas dispararam entre vinte a mais de cem por cento (Financial Times, 10/Agosto/2010, p. 7). Na realidade, os lucros das empresas subiram mais do que antes do início da recessão em 2008 (Money Morning, 31/Março/2010). Contrariamente aos bloggers progressistas as taxas dos lucros estão a subir em vez de descer, principalmente entre as maiores empresas (Consensus Economics, 12/Agosto/2010). O acréscimo dos lucros empresariais é consequência directa do agravamento das crises da classe trabalhadora, dos funcionários públicos e privados e das pequenas e médias empresas.

No início da recessão, o grande capital eliminou milhões de postos de trabalho (um em cada quatro americanos ficou desempregado em 2010), conseguiu recuos dos patrões dos sindicatos, beneficiou de isenções de impostos, de subsídios e de empréstimos praticamente sem juros dos governos locais, estaduais e federal.

Quando a recessão bateu no fundo temporariamente, os grandes negócios duplicaram a produção com a restante mão-de-obra, intensificando a exploração (maior produção por trabalhador) e reduziram os custos passando para a classe trabalhadora uma fatia muito maior dos encargos com os seguros de saúde e com os benefícios de pensões a aquiescência dos responsáveis milionários dos sindicatos. O resultado é que, embora as receitas tenham diminuído, os lucros subiram e os balancetes melhoraram (Financial Times, 10/Agosto/2010). Paradoxalmente, os directores-gerais utilizaram o pretexto e a retórica das "crises" oriunda dos jornalistas progressistas para impedir os trabalhadores de exigirem uma fatia maior dos lucros florescentes, ajudados pela reserva cada vez maior de trabalhadores desempregados e sub-empregados como possíveis "substitutos" (amarelos) no caso de acções de protesto.

A actual explosão de lucros não beneficiou todos os sectores do capitalismo: a sorte grande saiu sobretudo às maiores empresas. Em contrapartida, muitas pequenas e médias empresas registaram altas taxas de falências e de prejuízos, o que as tornou baratas e presa fácil para aquisição pelos "grandes chefões" ( Financial Times, 01/Agosto/2010). As crises do capital médio levaram à concentração e centralização do capital e contribuíram para a taxa crescente de lucros das empresas maiores.

O diagnóstico falhado das crises capitalistas feito pela esquerda e pelos progressistas tem sido um problema omnipresente desde o fim da II Guerra Mundial, quando nos foi dito que o capitalismo estava ’em estagnação’ e se dirigia para um colapso final. Os recentes profetas do apocalipse viram na recessão de 2008-2009 a queda definitiva e total do sistema capitalista mundial. Cegos pelo etnocentrismo euro-americano, não viram que o capital asiático nunca entrou nas "crises finais" e a América Latina teve uma versão suave e passageira ( Financial Times. 09/Junho/2010, p. 9). Os falsos profetas não conseguiram reconhecer que os diferentes tipos de capitalismo são mais ou menos susceptíveis às crises… e que algumas variantes tendem a sofrer rápidas recuperações (Ásia, América Latina, Alemanha) enquanto outras (EUA, Inglaterra, Europa do Sul e do Leste) são mais susceptíveis a recuperações anémicas e precárias.

Enquanto a Exxon-Mobil arrebanhou mais de 100% de aumento de lucros em 2010 e as empresas de automóveis registaram os seus maiores lucros dos últimos anos, os salários dos trabalhadores e o seu nível de vida diminuíram e os funcionários públicos sofreram pesados cortes e despedimentos maciços. É óbvio que a recuperação de lucros empresariais se baseia na mais dura exploração da mão-de-obra e de maiores transferências de recursos públicos para as grandes empresas privadas. O estado capitalista, com o presidente democrata Obama à frente, transferiu milhares de milhões para o grande capital através das operações de salvamento, empréstimos praticamente isentos de juros, cortes nos impostos e pressionou a força de trabalho a aceitar salários mais baixos e reduções na saúde e das pensões. O plano da Casa Branca para a ’recuperação’ resultou para lá de todas as expectativas – os lucros empresariais recuperaram; "só" a grande maioria dos trabalhadores é que se afundou mais nas crises.

As previsões falhadas dos progressistas quanto à morte do capitalismo são consequência directa da subavaliação da dimensão com que a Casa Branca e o Congresso iria pilhar o erário público para ressuscitar o capital. Subavaliaram o grau com que o capital iria ser aliviado para sacudir toda a carga da recuperação de lucros para cima das costas dos trabalhadores. Neste aspecto, a retórica progressista sobre a "resistência da força de trabalho" e o "movimento sindical" reflectiram a falta de compreensão de que praticamente não tem havido qualquer resistência à redução dos salários sociais e monetários porque não existe organização da força de trabalho. O que se intitula como tal está completamente ossificado e ao serviço dos defensores da Wall Street do Partido Democrata na Casa Branca.

Processo precàrio
O que o actual impacto desigual e injusto do sistema capitalista nos diz é que o capitalismo consegue ultrapassar as crises aumentando apenas a exploração e anulando décadas de "ganhos sociais". Mas o actual processo de recuperação de lucros é altamente precário porque se baseia na exploração de inventários actuais, taxas de juros baixas e cortes nos custos da mão-de-obra (Financial Times, 10/Agosto/2010, p. 7). Não se baseia em novos investimentos privados dinâmicos nem no aumento da capacidade produtiva. Por outras palavras, são "ganhos ocasionais" – não são lucros provenientes de receitas de vendas acrescidas nem de mercados de consumo em expansão. Como poderiam ser – se os salários estão a diminuir e o desemprego, o sub-emprego e a redução da mão-de-obra é maior do que 22%? Obviamente, esta explosão de lucros a curto prazo, com base em vantagens políticas e sociais e num poder privilegiado, não é sustentável. Há limites para os despedimentos maciços de funcionários públicos e para os ganhos de produção a partir da exploração intensificada da mão-de-obra… alguma coisa tem que ceder. Uma coisa é certa: O sistema capitalista não vai cair nem ser substituído por causa da sua podridão interna ou"contradições".

Link permanente 22:42:57, por José Alberte Email , 921 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Ensaio

CANTA O MERLO: E.U.A, - O fedor da decadência económica fica cada vez mais forte

por Paul Craig Roberts [*]

Na véspera do dia e acção de graças o jornal em língua inglesa China Daily e People's Daily Online informaram que a Rússia e a China havia efectuado um acordo para abandonar a utilização do US dólar no seu comércio bilateral e usaram as suas próprias divisas em substituição. Os russos e os chineses disseram que haviam dado este passo a fim de isolar as suas economias dos riscos que minaram a sua confiança no US dólar como divisa de reserva mundial.

Isto é grande notícia, especialmente no período de poucas notícias do feriado do dia de acção de graças, mas não a vi relatada na Bloomberg, CNN, New York Times ou em qualquer media impresso ou na TV dos EUA. A cabeça do avestruz permanece na areia.

Anteriormente, a China concluíra o mesmo acordo com o Brasil.

Como a China tem uma grande e crescente provisão de dólares com os excedentes comerciais com os quais comercia, a China está a indicar que prefere rublos russos e reais brasileiros a mais US dólares.

A imprensa financeira americana consola-se com os episódios em que a dívida soberana amedronta a UE e remete o dólar para cima contra o euro e a libra esterlina. Mas estes movimentos de divisas são apenas medidas de actores financeiros a protegerem-se de dívidas perturbadas denominadas em euros. Eles não medem a força do dólar.

O papel do dólar como divisa mundial de reserva é um dos principais instrumentos da hegemonia financeira americana. Não nos disseram quanto dano a fraude da Wall Street infligiu às instituições financeiras da UE, mas os países da UE já não necessitam do US dólar para comerciarem entre si pois partilham uma divisa comum. Uma vez que os países da OPEP cessem de manter os dólares com que são pagos pelo petróleo, a hegemonia do dólar ter-se-á desvanecido.

Outro instrumento da hegemonia financeira americana é o FMI. Sempre que um país não pode honrar suas dívidas e reembolsar os bancos americanos, entra o FMI com um pacote de austeridade que esmaga a população do país com impostos mais altos e cortes em programas de educação, cuidados médicos e apoio ao rendimento até que os banqueiros obtenham o seu dinheiro de volta.

Isto está agora a acontecer à Irlanda e provável que se propague a Portugal, Espanha e talvez mesmo a França. Após a crise financeira causada pela América, o papel do FMI como uma ferramenta do imperialismo estado-unidense é cada vez menos aceitável. O facto poderá tornar-se evidente quando os governos não puderem mais liquidar os seus povos em benefício dos bancos americanos.

Há outros sinais de que alguns países estão a cansar-se da utilização irresponsável do poder por parte da América. Governos civis da Turquia há muito têm estado sob o controle dos militares turcos influenciados pela América. Contudo, recentemente o governo civil actuou contra dois altos generais e um almirante suspeitos de envolvimento no planeamento de um golpe. O governo civil afirmou-se mais uma vez quando o primeiro-ministro anunciou no dia de acção de graças que a Turquia está preparada para reagir a qualquer ofensiva israelense contra o Líbano. Eis aqui um aliado da NATO americana a libertar-se da suserania americana exercida através dos militares turcos. Quem sabe a Alemanha podia ser o próximo.

Enquanto isso, na América a administração Obama conseguiu propor uma Comissão do Défice cujos membros querem pagar as guerras de muitos milhões de milhões (trillion) de dólares que estão a enriquecer o complexo militar/segurança e o muitos milhões de milhões de dólares dos salvamentos do sistema financeiro através da redução de aumentos anuais da Segurança Social conforme o custo de vida, da elevação da idade de reforma para 69 anos, do fim da dedução do juro hipotecário, do fim da dedução fiscal de seguro de saúde proporcionado pelo empregador, da imposição de um imposto federal sobre vendas de 6,5 por cento, enquanto corta a taxa fiscal de topo para os ricos.

Mesmo as baixas taxas de juro do Federal Reserve são destinadas a ajudar os banksters [1] . As baixas taxas de juro privam os reformados e aqueles que vivem das suas poupanças do rendimento do juro. As baixas taxas de juro também privaram pensões corporativas de financiamento. Para colmatar o fosso há corporações que estão a emitir milhares de milhões de dólares em títulos corporativos a fim de financiar as suas pensões. A dívida corporativa está a aumentar, mas não as instalações e equipamentos que produziriam receitas para o serviço da dívida. À medida que a economia piora, servir a dívida adicional será um problema.

Além disso, os idosos da América estão a descobrir que cada vez menos médicos os aceitarão como pacientes pois um corte de 23 por cento prepara-se nos já baixos pagamentos do Medicare aos médicos.

O governo americano só tem recursos para guerras de agressão, intrusões de estado policial e salvamentos de banksters ricos. O cidadão americano tornou-se um mero sujeito a ser sangrado para as oligarquias dominantes.

A atitude de estado policial do Ministério da Segurança Interna em relação a viajantes de linhas aéreas é uma clara indicação de que os americanos já não são cidadãos com direitos mas sujeitos sem direitos. Ainda virá o dia talvez em que americanos oprimidos tomarão as ruas como os franceses, os gregos, os irlandeses e os britânicos.

29/Novembro/2010

[1] Banksters: banqueiros+gangsters.

[*] Foi editor do Wall Street Journal e secretário assistente do Tesouro dos EUA. Seu livro mais recente é How the Economy Was Lost . Contacto: PaulCraigRoberts@yahoo.com

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/roberts11292010.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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