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06-03-2011

Link permanente 23:12:38, por José Alberte Email , 3527 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Aumenta o perigo de intervenção imperialista na Líbia

por Sara Flounders

A pior coisa que poderia acontecer ao povo da Líbia seria uma intervenção dos EUA.

A pior coisa que poderia acontecer ao levantamento revolucionário que sacode o mundo árabe seria uma intervenção dos EUA na Líbia.

A Casa Branca está a reunir-se com os seus aliados dos países imperialistas europeus da NATO para discutir a imposição de uma zona de interdição de voo (no-fly zone) sobre a Líbia, a interferência electrónica de todas as comunicações do presidente Moammar Kadafi dentro da Líbia e o estabelecimento de corredores militares dentro da Líbia a partir do Egipto e da Tunísia, supostamente para "assistir refugiados". (New York Times, 27 Fev.)

Isto significa posicionar tropas dos EUA/NATO no Egipto e na Tunísia junto aos dois mais ricos campos petrolíferos da NATO, tanto a Leste como a Oeste. Significa o Pentágono coordenar manobras com militares egípcios e tunisinos. O que é que poderia ser mais perigoso para as revoluções egípcia e tunisina?

A Itália, outrora a colonizadora da Líbia, suspendeu um tratado de 2008 com a Líbia que incluía uma cláusula de não agressão, movimento que poderia permitir que fizesse parte de futuras operações de "manutenção da paz" ali e permitir a utilização das suas bases militares em qualquer intervenção possível. Várias bases dos EUA e da NATO na Itália, incluindo a base da Sexta Frota dos EUA em Nápoles, poderiam ser áreas de preparação para acções contra a Libia.

O presidente Barack Obama anunciou que "o conjunto completo de opções" está a ser considerado. Esta é a linguagem de Washington para operações militares.

A secretária de Estado Hillary Clinton encontrou-se em Genebra a 28 de Fevereiro com ministros de Negócios Estrangeiros no Conselho da ONU de Direitos Humanos para discutir possíveis acções multilaterais.

Enquanto isso, a somar-se aos tambores de guerra pela intervenção militar, está a divulgação de uma carta pública do Foreign Policy Initiative, um think tank de extrema direita considerado como o sucessor do Project for the New American Century, a apelar para que os EUA e NATO preparem "imediatamente" acção militar para ajudar a deitar abaixo o regime Kadafi.

Dentre os signatários do apelo público incluem-se William Kristol, Richard Perle, Paul Wolfowitz, Elliott Abrams, Douglas Feith e mais de uma dúzia de antigos altos responsáveis da administração Bush, mais vários democratas liberais eminentes tais como Neil Hicks do Human Rights First e John Shattuck, chefe dos "direitos humanos" de Bill Clinton.

A carta apela a sanções económicas e acções militares: posicionamento de aviões de guerra e de uma frota naval da NATO para impor zonas de interdição de voo e para ter capacidade de neutralizar vasos navais líbios.

Os senadores John McCain e Joseph Lieberman, quando em Tel Aviv a 25 de Fevereiro, apelaram a Washington para o fornecimento de armas aos rebeldes líbios e ao estabelecimento de uma zona de interdição de voo sobre o país.

Não se pode ignorar os apelos a contingentes da ONU de trabalhadores médicos e humanitários, monitores de direitos humanos e investigadores do Tribunal Penal Internacional a serem enviados à Líbia com uma "escolta armada".

Proporcionar ajuda humanitária não tem de incluir militares. A Turquia evacuou 7000 dos seus cidadãos em ferries e voos charter. Uns 29 mil trabalhadores chineses deixaram o país via ferries, voos charter e transportes terrestres.

Contudo, o modo pelo qual as potências europeias estão a evacuar os seus cidadãos da Líbia durante esta crise envolve uma ameaça militar e faz parte da manobra imperialista para obter posições futuras na Líbia.

A Alemanha enviou três navios de guerra, com 600 soldados, e dois aviões militares para retirar 200 empregados alemães da empresa de exploração de petróleo Wintershall de um campo no deserto a 600 milhas [965 km] a Sudeste de Trípoli. Os britânicos enviaram o navio de guerra HMS Cumberland para evacuar 200 cidadãos seus e anunciaran que o destróier York estava a caminho a partir de Gibraltar.

Os EUA anunciaram a 28 de Fevereiro que estavam a enviar o enorme porta-aviões USS Enterprise e o navio anfíbio de assalto USS Kearsarge do Mar Vermelho para as águas ao largo da Líbia, onde juntar-se-ão ao USS Mount Whitney e outros navios de guerra da Sexta Frota. Oficiais estado-unidenses chamam a isto um "pré-posicionamento de activos militares".

ONU VOTA SANÇÕES

O Conselho de Segurança da ONU – sob a pressão dos EUA – em 26 de Fevereiro votou pela imposição de sanções à Líbia. Segundo estudos de agências da própria ONU, mais de um milhão de crianças iraquianas morreram em consequência de sanções impostas pelos EUA/ONU àquele país, que aplanaram o caminho para uma invasão real dos EUA. Sanções são crimes e confirmam que esta intervenção não se deve a preocupações humanitárias.

A absoluta hipocrisia da resolução sobre a Líbia exprimindo preocupação pelos "direitos humanos" é difícil de superar. Apenas quatro dias antes da votação, os EUA utilizaram o seu direito de veto para impedir uma resolução redigida em linguagem moderada que criticava colonatos israelenses em terra palestina na Cisjordânia.

O governo dos EUA impediu o Conselho de Segurança de adoptar qualquer acção durante o massacre israelense de Gaza em 2008, o qual resultou nas mortes de mais de 1500 palestinos. Estes corpos internacionais, bem como o Tribunal Penal Internacional, têm estado silenciosos sobre massacres israelenses, sobre ataques de aviões sem pilotos dos EUA a civis indefesos no Paquistão e sobre as criminosas invasões e ocupações do Iraque e do Afeganistão.

O facto de a China ter anuído à votação das sanções é um exemplo infeliz de como o governo de Pequim permite que o seu interesse no comércio e nos embarques continuados de petróleo prevaleçam sobre a sua passada oposição a sanções que prejudicam claramente populações civis.

QUEM DIRIGE A OPOSIÇÃO?

É importante olhar o movimento de oposição, especialmente aqueles que estão a ser amplamente citados em todos os media internacionais. Devemos assumir que pessoas que sofreram injustiças reais dele participam. Mas quem realmente dirige o movimento?

Um artigo de primeira página no New York Times de 25 de Fevereiro descrevia quão diferente é a Líbia em relação às outras lutas que estalam por todo o mundo árabe. "Ao contrário das rebeliões juvenis possibilitadas pelo Facebook, aqui a insurreição foi conduzida por pessoas que são mais maduras e que têm estado a opor-se activamente ao regime durante algum tempo". O artigo descreve como foram contrabandeadas armas através da fronteira com o Egipto ao longo de semanas, permitindo à rebelião "escalar rápida e violentamente em pouco mais de uma semana".

O grupo de oposição mais amplamente citado é a Frente Nacional para a Salvação da Líbia. A FNSL, fundada em 1981, é conhecida por ser uma organização financiada pela CIA, com escritórios em Washington, DC. Ela tem mantido no Egipto, junto à fronteira, uma força militar chamada Exército Nacional Líbio. Se se procurar no Google "National Front for the Salvation of Libya" e "CIA" rapidamente descobrem-se centenas de referências [NR: 16.900 resultados]

Também é muito citada a National Conference for the Libyan Opposition. Isto é uma coligação constituída pela FNSL que também inclui a Libyan Constitutional Union, dirigida por Muhammad as-Senussi, um aspirante ao trono líbio. O sítio web da LCU apela a que o povo líbio reitere um juramento de lealdade ao rei Idris El-Senusi como seu líder histórico. A bandeira utilizada pela coligação é a do antigo reino da Líbia.

É claro que estas forças financiadas pela CIA e antigos monárquicos são politicamente e socialmente diferentes da juventude e trabalhadores privados de direitos que marcharam aos milhões contra ditadores apoiados pelos EUA no Egipto e na Tunísia e estão hoje a manifestar-se no Bahrain, Iémen e Oman.

Segundo o artigo do Times, a ala militar da FNSL, utilizando armas contrabandeadas, rapidamente tomou postos policiais e militares na cidade portuária de Benghazi e áreas vizinhas que estão a norte dos mais ricos campos de petróleo da Líbia e onde se localiza a maior parte dos oleodutos, gasodutos, refinarias e terminal portuário de gás natural liquefeito. O Times e outros media ocidentais afirmam que esta área, agora sob "controle da oposição", inclui 80 por cento das instalações petrolíferas da Líbia.

A oposição líbia, ao contrário de movimentos alhures no mundo árabe, desde o princípio apelou à assistência internacional. E os imperialistas responderam rapidamente.

Exemplo: Mohammed Ali Abdallah, vice secretário-geral da FNSL, emitiu um apelo desesperado: "Estamos à espera de um massacre". "Estamos a enviar um SOS à comunidade internacional para intervir". Sem esforços externos para conter Kadafi, "haverá um banho de sangue na Líbia nas próximas 48 horas".

O Wall Street Journal, a voz do big business, num editorial em 23 de Fevereiro dizia que "Os EUA e a Europa deveriam ajudar os líbios a derrubar o regime Kadafi".

INTERESSE DOS EUA – PETRÓLEO

Por que Washington e as potências europeias estão desejosos e ansiosos por actuarem na Líbia?

Quando acontece algo novo é importante rever o que sabemos do passado e perguntar sempre quais são os interesses das corporações estado-unidenses na região.

A Líbia é um país rico petróleo – um dos 10 mais ricos do mundo. A Líbia tem as maiores reservas provadas da África, pelo menos 44 mil milhões de barris. Ela tem estado a produzir 1,8 milhão de barris de petróleo por dia – um bruto leve que é considerada da melhor qualidade e precisa de menos tratamento do que a maior parte dos outros petróleos. A Líbia também tem grandes depósitos de gás natural que é fácil canalizar directamente para mercados europeus. É um país grande em área com uma pequena população de 6,4 milhões de pessoas.

É assim que as poderosas corporações petrolíferas e militares dos EUA, bancos e instituições financeiras que dominam os mercados globais encaram a Líbia.

Petróleo e gás são hoje as commodities mais valiosas e a maior fonte de lucros no mundo. Ganhar o controle de campos petrolíferos, oleodutos, gasodutos, refinarias e mercados orienta grande parte da política imperialista dos EUA.

Durante as duas décadas de sanções dos EUA sobre a Líbia, com que Washington pretendia deitar abaixo o regime, interesses corporativos europeus investiram pesadamente no desenvolvimento de pipelines e infraestruturas ali. Cerca de 85 por cento das exportações da Líbia vão para a Europa.

Transnacionais europeias – em particular a BP, Royal Dutch Shell, Total, ENI, BASF, Statoil e Repsol – dominaram o mercado do petróleo da Líbia. As corporações gigantes dos EUA foram deixadas fora destes negócios lucrativos. A China tem estado a comprar uma quantidade crescente do óleo produzido pela National Oil Corp. da Líbia e construiu um pequeno oleoduto na Líbia.

Os enormes lucros que poderiam ser feitos com o controle do petróleo e gás natural da Líbia são o que está por trás do apelo trombeteado pelos media corporativos dos EUA pela "intervenção humanitária para salvar vidas".

Manlio Dinucci, jornalista italiano que escreve para Il Manifesto, explicou em 25 de Fevereiro que "se Kadafi for derrubado, os EUA seriam capazes de fazer ruir toda a estrutura das relações económicas com a Líbia, abrindo o caminho para multinacionais com base nos EUA, até agora quase totalmente excluídas da exploração das reservas de energia na Líbia. Os Estados Unidos poderiam então controlar a torneira de fontes de energia de que a Europa depende amplamente e que também abastecem a China" .

ANTECEDENTES

A Líbia foi uma colónia italiana desde 1911 até a derrota da Itália na II Guerra Mundial. As potências imperialistas ocidentais após a guerra estabeleceram por toda a região regimes que eram chamados estados independentes mas eram encabeçados por monarcas nomeados sem o voto democrático do povo. A Líbia tornou-se um país nominalmente soberano, mas estava firmemente amarrado aos EUA e Grã-Bretanha sob um novo monarca – o rei Idris.

Em 1969, quando uma onda de lutas anti-coloniais varreu o mundo colonizado, oficiais militares de baixa patente moldados pelo revolucionário nacionalismo pan-árabe derrubaram Idris, que estava em férias na Europa. O líder do golpe era Moammar Kadafi, com 27 anos.

A Líbia mudou o seu nome de Reino da Líbia para República Árabe Líbia e posteriormente para Grande Jamahiriya Árabe Líbia do Povo Socialista.

Os jovens oficiais ordenaram o encerramento das bases dos EUA e Grã-Bretanha na Líbia, incluindo a grande Base Aérea Wheelus do Pentágono. Nacionalizaram a indústria petrolífera e muitos interesses comerciais que estavam sob o controle imperialista estado-unidense e britânico.

Estes oficiais não chegaram ao poder num levantamento revolucionário das massas. Não foi uma revolução socialista. Ainda era uma sociedade de classe. Mas a Líbia já não estava sob domínio estrangeiro.

Foram efectuadas muitas mudanças progressistas. A nova Líbia obteve muitos ganhos económicos e sociais. As condições de vida para as massas melhoraram radicalmente. A maior parte das necessidades básicas – alimentação, habitação, combustível, cuidados de saúde e educação – foram fortemente subsidiadas ou tornaram-se inteiramente gratuitas. Os subsídios foram utilizados como o melhor meio de redistribuir a riqueza nacional.

As condições para as mulheres mudaram radicalmente. Em 20 anos a Líbia alcançou a mais alta classificação no Índice de Desenvolvimento Humano da África – uma medida da ONU de expectativa de vida, realização educacional e rendimento real corrigido. Ao longo das décadas de 1970 e 1980 a Líbia tornou-se conhecida internacionalmente por adoptar fortes posições anti-imperialistas e apoiar outras lutas revolucionárias, desde o Congresso Nacional Africano na África do Sul até a Organização de Libertação da Palestina e o Exército Republicano Irlandês.

Os EUA executaram numerosas tentativas de assassínio e tentativas de golpe contra o regime Kadafi e financiaram grupos armados de oposição, tais como a FNSL. Alguns ataques foram flagrantes e abertos. Exemplo: sem aviso prévio 66 jactos dos EUA bombardearam Trípoli, a capital líbia, e a sua segunda maior cidade, Benghazi, em 15 de Abril de 1986. A casa da Kadafi foi bombardeada e a criança sua filha morta no ataque, juntamente com centenas de outros.

Ao longo das décadas de 1980 e 1990 os EUA tiveram êxito em isolar a Líbia através de severas sanções económicas. Foram feitos todos os esforços para sabotar a economia e desestabilizar o governo.

DEMONIZAÇÃO DE KADAFI

Cabe ao povo da Líbia, da África e do mundo árabe avaliar o papel contraditório de Kadafi, o presidente do Conselho do Comando Revolucionário da Líbia. O povo daqui [EUA], no centro de um império construído sobre a exploração global, não deveria aderir às caracterizações racistas, ridicularizações e demonizações de Kadafi que saturam os media corporativos.

Mesmo que Kadafi fosse tão sereno e austero quanto um monge e tão cuidadoso quanto um diplomata, como presidente de país africano rico em petróleo anteriormente subdesenvolvido ele ainda teria sido odiado, ridicularizado e demonizado pelo imperialismo dos EUA se houvesse resistido ao domínio corporativo estado-unidense. Esse foi o seu crime real pelo qual nunca foi esquecido.

É importante assinalar que termos degradantes e racistas nunca são utilizados contra peões ou ditadores confiáveis dos EUA, não importa quão corruptos ou brutais possam ser para o seu próprio povo.

AMEAÇAS DOS EUA OBRIGAM A CONCESSÕES

Foi após o crime de guerra dos EUA denominado "pavor e choque", com o maciço bombardeamento aéreo do Iraque seguido de uma invasão terrestre e ocupação, que a Líbia finalmente sucumbiu às exigências estado-unidenses. Após décadas de solidariedade militante e anti-imperialista, a Líbia mudou de curso drasticamente. Kadafi ofereceu ajuda aos EUA na sua "guerra ao terror".

As exigências de Washington foram onerosas e humilhantes. A Líbia foi forçada a aceitar a plena responsabilidade pelo derrube do avião de Lockerbie e a pagar US$2,7 mil milhões em indemnizações. Isso foi só o princípio. A fim de as sanções dos EUA serem suspensas, a Líbia teve de abrir seus mercados e "reestruturar" a sua economia. Tudo isso fez parte do pacote.

Apesar das muitas concessões de Kadafi e das subsequentes grandes recepções em sua homenagem por parte de chefes de estado europeus, o imperialismo estado-unidense estava a planear a sua humilhação completa e a sua queda. Think tanks dos EUA empenhavam-se em numerosos estudos sobre como minar e enfraquecer o apoio popular de Kadafi.

Estrategas do FMI aterraram na Líbia com programas. Os novos conselheiros económicos prescreveram as mesmas medidas que impõem a todo país em desenvolvimento. Mas a Líbia não tinha uma dívida externa; tinha uma balança comercial positiva de US$27 mil milhões por ano. A única razão porque o FMI exigiu acabar com os subsídios de necessidades básicas era minar a base social de apoio ao regime.

A "liberalização do mercado" da Líbia significou um corte de US$5 mil milhões no valor dos subsídios anuais. Durante décadas o estado estivera a subsidiar 93 por cento do valor de várias commodities básicas, nomeadamente combustível. Depois de aceitar o programa do FMI, o governo duplicou o preço da electricidade para os consumidores. Houve uma alta súbita de 30 por cento nos preços dos combustíveis. Isto desencadeou aumentos de preços em muitos outros bens e serviços.

Disseram à Líbia para privatizar 360 empresas estatais, incluindo siderurgia, cimenteiras, firmas de engineering, fábricas de alimentos, linhas de montagem de camiões e autocarros e unidades agrícolas estatais. Isto resultou em milhares de trabalhadores desempregados.

A Líbia teve de vender uma fatia de 60 por cento na companhia petrolífera estatal Tamoil Group e privatizar a sua Companhia Geral Nacional de Farinhas e Forragens.

O Carnegie Endowment Fund estava a controlar o impacto das reformas económicas. Um relatório de 2005 intitulado "Reforma económicas irritam cidadãos líbios" (“Economic Reforms Anger Libyan Citizens”), de Eman Wahby, dizia que "Outro aspecto da reforma estrutural foi o fim das restrições a importações. Foram garantidas licenças a companhias estrangeiras para exportar para a Líbia através de agentes locais. Em consequência, produtos de todo mundo inundaram o mercado líbio anteriormente isolado". Isto foi um desastre para os trabalhadores nas fábricas da Líbia, as quais não estavam preparadas para enfrentar a competição.

Mais de US$4 mil milhões entraram na Líbia, a qual se tornou o principal receptor africano de investimento estrangeiro. Como os banqueiros e os seus think tanks bem sabem, isto não beneficiou as massas líbias, empobreceu-as.

Mas não importava o que Kadafi fizesse, nunca era o suficiente para o poder corporativo dos EUA. Os banqueiros e financeiros queriam mais. Não havia confiança. Kadafi havia-se oposto aos EUA durante décadas e ainda era considerado altamente "inconfiável".

Em Maio de 2005 a revista US Banker publicou um artigo intitulado "Mercados emergente: Será a Líbia a próxima fronteira para bancos dos EUA?" ("Emerging Markets: Is Libya the Next Frontier for U.S. Banks?"). Ali se dizia que "Quando o país atravessa reforma, os lucros acenam. Mas o caos abunda". A revista entrevistou Robert Armao, presidente do Conselho Económico e Comercial EUA-Líbia com sede em Nova York: "Todos os grandes bancos ocidentais agora estão a explorar oportunidades ali", disse Armao. "A situação política com Kadafi ainda é muito suspeita". O potencial "parece maravilhoso para bancos. A Líbia é um país intacto e uma terra de oportunidade. Ela acontecerá, mas isso pode levar algum tempo".

A Líbia nunca foi um país socialista. Sempre houve ali vasta riqueza herdada e velhos privilégios. É uma sociedade de classe com milhões de trabalhadores, muitos deles imigrantes.

Reestruturar a economia a fim de maximizar lucros para banqueiros ocidentais desestabilizou relações, mesmo nos círculos dirigentes. Quem obtém negócios de privatização de indústrias chave, que famílias, que tribos? Quem é deixado de fora? Velhas rivalidades e competições vieram à superfície.

Quão cuidadosamente o governo dos EUA estava a monitorar estas mudanças impostas pode ser visto nos telegramas da Embaixada dos EUA em Trípoli divulgados recentemente pelo WikiLeaks, publicado no jornal britânico Telegraph de 31 de Janeiro. Um telegrama intitulado "inflação sobe na Líbia", enviado em 4 de Janeiro de 2009, descrevia o impacto de "um programa radical de privatização e reestruturação do governo".

"Aumentos significativos foram vistos", dizia o telegrama, "nos preços alimentares – o preço de bens anteriormente subsidiados tais como açúcar, arroz e farinha aumentou 85 por cento em dois anos desde que os subsídios foram suspensos. Materiais de construção também aumentaram significativamente: preços para cimento, madeira aglomerada e tijolos aumentaram 65 por cento no ano passado. O cimento passou de 5 dinares líbios por um saco de 50 kg para 17 dinares em um ano; o preço de varão de aço aumentou num factor de dez.

"O término [pelo governo líbio] de subsídios e controles de preços como parte de um programa mais vasto de reforma económica e privatização certamente contribuiu para pressões inflacionárias e provocou alguns resmungos.

"A combinação de alta inflação e diminuição de subsídios e controles de preços é preocupante para um público líbio habituado a uma maior protecção do governo em relação às forças do mercado".

Estes telegramas da Embaixada dos EUA confirmam que enquanto continuavam a manter e financiar grupos da oposição líbia no Egipto, Washington e Londres também estavam constantemente a medir a temperatura do descontentamento em massa provocado pelas suas políticas.

Hoje milhões de pessoas nos EUA e por todo o mundo estão profundamente inspiradas pelas acções de milhões de jovens nas ruas do Egipto, Tunísia, Bahrain, Iémen e agora Oman. O impacto é sentido mesmo na ocupação de Wisconsin.

É vital ao movimento político com consciência de classe dos EUA resistir às enormes pressões de uma campanha orquestrada para a intervenção militar na Líbia. Uma nova aventura imperialista deve ser desafiada. Solidariedade com os movimentos dos povos! Fora com as mãos dos EUA!

02/Março/2011

Articles copyright 1995-2011 Workers World. Verbatim copying and distribution of this entire article is permitted in any medium without royalty provided this notice is preserved.

O original encontra-se em http://www.workers.org/2011/world/no_us_attack_on_libya_0310/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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CANTA O MELRO: EE.UU procura controlar a torneira da energia em Líbia

YVKE Mundial / AVN

A verdadeira razom da possível intervençom militar dos Estados Unidos e a Organizaçom do Tratado do Atlântico Norte (Nato) em Líbia é o controlo da potência norte-americana do grifo das fontes de energia das que depende em grande parte a Europa e que também prove a China.

Assim o afirmou o jornalista Eleazar Díaz Rangel, na sua coluna nos Domingos de Díaz Rangel, ao analisar declaraçons da secretária de Estado de EEUU, Hillary Clinton, quem se referiu à situaçom em Líbia, dizendo que "há muita confusom e (que) é muito difícil saber o que acontece".

“Se ela (Clinton), que está todo o dia pendente do que passa nesse país, e viajou a Europa para falar com os seus pares a ver que sabem eles e daí podem fazer, tem tal confusom, di ela: Que ficará para os simples mortais como nós?”, dixo o comunicador social.

Indicou que se conhece que a Nato está a planear umha invasom e que igualmente o fam no Pentágono, “o que sim deve saber ela (Clinton), porque lhe fica bem perto da Casa Branca”.

“A mensagem é evidente: existe a possibilidade de umha intervençom militar de EEUU e a Nato em Líbia, oficialmente para deter derramamentos de sangue. As verdadeiras razons som obvias: se derroca-se a Kadaffi, EEUU poderia derrubar todo o enquadramento das relaçons económicas de Líbia e abrir o caminho às multinacionais baseadas em EEUU, que até agora estám quase totalmente excluídas da exploraçom de reservas de energia em Líbia”, delimitou Díaz Rangel.

Agregou que ante o conflito em Líbia, “Pequim dixo que está extremamente preocupado e chamou a "umha rápida volta à estabilidade e a normalidade".

“O motivo é óbvio: o comércio chinês-líbio cresceu cerca de 30% em 2010, mas agora China pode ver que toda a estrutura das relaçons económicas com Líbia, de onde importa quantidades crescentes de petróleo, pom-se em jogo. Moscovo encontra-se em umha posiçom semelhante", explicou Díaz Rangel.

05-03-2011

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CANTA O MERLO: China responde à provocaçom de EEUU e também desprega as suas tropas polo norte da África

www.larepublica.es

O Governo da China decidiu aproveitar a crise líbia para demonstrar aos seus cidadás e ao mundo que é umha potência com todas as letras.

Nom só realizou um importante despregue para evacuar aos seus nacionais do país norte-africano, senom que mobilizou um navio de guerra e avions militares para anfatizar que está disposta a defender os seus interesses, neste caso petroleiros.

Pequim já evacuou à imensa maioria dos seus cidadás em Líbia. Mais de 32.000 chineses saía ontem do país norte-africano, dos quais 9.000 estám de volta na China, 21.000 se encontravam em um terceiro país e 2.100 iam de caminho para um terceiro país, segundo informou o Ministério de Exteriores.

Pequim assegurou que os labores de resgate nas zonas do este e o médio oeste de Líbia estavam praticamente finalizadas, enquanto no sul ficavam 3.000 pessoas que seriam evacuadas mediante avions militares ou aerolíneas estrangeiras.

Para resgatar aos seus nacionais, a maioria trabalhadores na indústria petroleira e em projectos de construçom, Chinesa deslocou inicialmente avions chárter e barcos de passageiros.

Mas, nos últimos dias, incrementou os esforços com um dispositivo militar. O Ministério de Defesa despachou na segunda-feira quatro avions IL-76 de fabricaçom russa, com destino à cidade de Sabah, no centro de Líbia. É a primeira vez que a força aérea foi mobilizada para resgatar a cidadaos chineses no estrangeiro.

A decisom é posterior ao envio ao Mediterráneo o passado fim de semana da fragata Xuzhou, que se encontrava realizando tarefas de controlo contra a pirataria no golfo de Adem, em frente à costa de Somália. A sua missom: proteger aos barcos que estám a levar a cidadaos chineses a outros países do Mediterráneo.

A fragata Xuzhou, que está dotada de mísseis, atravessou o canal de Suez no domingo e se prevê que hoje chegue em frente à costa líbia.

Também é a primeira vez que um navio de guerra chinês participa na evacuaçom de civis em umha crise humanitária, o que anfatiza a crescente capacidade da armada do país asiático para operar longe das suas águas e o interesse de Pequim por proteger aos seus cidadaos no exterior.

04-03-2011

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CANTA O MERLO: Fracassou o golpe da CIA" Divide-se a NATO e avança o plano "mediador" de Chávez

(IAR Notícias) 04-Março-2011

Kadafi acurrala aos "rebeldes"

Fracassou o Plano A para derrocar a Kadafi com o "protesto popular". Fracassou o Plano B com o golpe armado da "revoluçom líbia" orquestrado pola CIA e o Pentágono desde Egipto. Os "rebeldes", assim o admitem as agências internacionais, estám desde há três dias cercados e baixo ataques constantes das forças de Kadafi. E os sinais indicam que, polas múltiplas divisons do campo imperial, começa a fracassar o Plano C da intervençom militar internacional para terminar com o presidente e controlar o petróleo líbio. O plano de "mediaçom internacional" apresentado por Chávez já conta com o apoio da Liga Árabe e as posiçons contra a "ingerência estrangeira" em Líbia começam ser motorizadas por Rússia, China e Irám.

A NATO está dividida e sem resoluçom contra Kadafi, a Liga Árabe adere-se ao plano de Chávez de criar umha comissom internacional "mediadora" que inicie um dialogo entre os "rebeldes" e o governo líbio.

O secretário geral da NATO Anders Fogh Rasmussen, dixo nesta sexta-feira, citado pola agência russa RIA Novosti, que a Aliança nom planeja livrar operaçons de combate no território de Líbia.

“O secretário geral assinalou que se analisam diversos guions de desenvolvimento dos acontecimentos e ao mesmo tempo declarou que a NATO nom planeja livrar nengumhas operaçons de combate no território de Líbia”, assinalou o embaixador da Rússia ante a NATO, Dmitri Rogozin.

Rogozin indicou ao mesmo tempo que a Aliança Atlântica se prepara a enfrentar o mais dramático guiom. “Dixo ao respeito que qualquer plano com respeito a Líbia, individual ou colectivo, deveria se realizar contando com a aprovaçom por parte do Conselho de Segurança da ONU”, acrescentou.

As advertências directas ou sobrepostas da Rússia, Chinesa, Turquia, Arábia Saudita, Irám instando a terminar com a “ingerência estrangeira" em Líbia, deixa expostos a só três protagonistas centrais no plano de intervençom militar em Líbia: EEUU, Reino Unido e Israel. Os sócios sem fissuras do bloco sionista.

A Federaçom da Rússia e Arábia Saudita pronunciaram-se na contra da ingerência militar-política nos assuntos de Líbia, a qual só agravaria a situaçom no país, di um comunicado emitido hoje polo Ministério de Assuntos Exteriores russo.

O representante do presidente da Rússia para Oriente Próximo e vice-ministro de Assuntos Exteriores, Alexandr Saltánov, e o embaixador de Arábia Saudita na Rússia, Ali ben Hasan Jaafar, analisaram nesta quinta-feira a situaçom configurada em Médio Oriente.

As partes trocárom opinions sobre a situaçom no mundo árabe, designadamente, em Líbia. Expressaram a sua inquietude ante o aumento da tensom nesse país. Indicaram que a ingerência militar-política nos assuntos de Líbia agravaria os problemas que enfrenta o seu povo.

Nesta quinta-feira o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, afirmou que Muamar Kadafi tem que deixar o poder e recusou o envio de umha comissom internacional para solucionar a crise política no país árabe, informou a imprensa internacional.

"Nom se precisa que umha comissom internacional lhe diga ao coronel Kadafi o que deve fazer... deve deixar o poder", afirmou Crowley em roda de imprensa.

Entre terça-feira e quarta-feira o presidente de Venezuela, Hugo Chávez, sustentou conversas telefónicas com o líder líbio, Muamar Kadafi e com o secretário geral da Liga Árabe, Amr Musa, nas que lembraram pôr em marcha a proposta de "mediaçom internacional" do mandatário venezuelano.

A proposta, apoiada por Cuba, Nicarágua, Bolívia e Equador, consiste em enviar umha missom internacional a Líbia que estará conformada por representantes de países da América Latina, Europa e Oriente Médio.

A tarefa principal da missom é sustentar conversas com o governo líbio e com os líderes da oposiçom a fim de encontrar umha soluçom à crise político militar pola que atravessa o país norte-africano.

O governo venezuelano considera que EEUU e países europeus que tentam regularizar a situaçom em Líbia mediante umha intervençom militar, nom devem ser incluídos na citada missom internacional.

Os "rebeldes", agora acurralados polas forças do governo líbio, pedem protecçom e urgentes ataques aéreos de EEUU e a NATO contra Kadafi.

Os "rebeldes" líbios que pedem ataques aéreos e a criaçom umha "zona de exclusom" de voos sofrem múltiplos ataques das forças de Kadafi por terceiro dia consecutivo e lhes custa manter os seus enclaves no este.

As forças leais ao dirigente líbio Muamar Kadafi lançárom um ataque aéreo nesta sexta-feira pola manhá contra umha base militar controlada polos insurgentes cerca de Ajdabiya,

As forças do mandatário líbio, bombardearam de novo Brega, localizada no este do país, segundo indica a emissora Al Arabiya. De confirmar-se esta informaçom, esta seria a terça ofensiva aérea das tropas governamentais contra Brega em mal três dias.

Segundo o canal emiratí, voluntários armados foram mobilizados desde a vizinha Ajdabiya a Brega, um dos centros vitais da indústria petroleira do país. Na própria Ajdabiya, a primeira hora desta sexta-feira, sofreram-se também bombardeios da aviaçom fiel a Kadafi contra umha base militar da localidade.

Por outra parte, a aviaçom líbia bombardeou bem perto dos muros da base militar da cidade de Ajdabiya, no este de Líbia, na que se encontra um importante arsenal em poder dos grupos opositores.

Cortar o fornecimento eléctrico de Bengasi e proteger as rotas de acesso a Tripoli ao mesmo tempo em que adiantar os seus defesas som os principais objectivos do exercito nesta cidade.

As próprias correntes e agências internacionais que lançárom umha gigantesca campanha de desinformaçom internacional para "demonizar" e isolar ao líder líbio admitem que Kadafi está em umha ofensiva militar para recuperar os poços petroleiros e as cidades que permanecem sob controlo dos "rebeldes".

Por sua vez o líder da Revoluçom Cubana, Fidel Castro, dixo que o imperialismo e a NATO nom podiam "deixar de aproveitar" o conflito em Líbia para promover a ingerência militar já que estám "seriamente preocupados" pola onda revolucionária que se desatou no mundo árabe, onde "gera-se grande parte do petróleo" para a economia de consumo dos países desenvolvidos.

"As declaraçons formuladas pola administraçom dos Estados Unidos desde o primeiro instante foram categóricas nesse sentido", escreveu Castro ao agregar que "a Secretária de Estado (de EEUU) declarou com palavras que nom admitem dúvida: "nengumha opçom está descartada".

Assim mesmo, o líder cubano destacou que apesar do "diluvio de mentiras e a confusom criada" EEUU nom conseguiu arrastar a China e Rússia à aprovaçom de umha intervençom militar em Líbia polo Conselho de Segurança.

A dinâmica dos acontecimentos vai marcando que fracassou o Plano A para derrocar a Kadafi com o "protesto popular". Fracassou o Plano B com o golpe armado da "revoluçom líbia" orquestrado pola CIA e o Pentágono desde Egipto.

Os "rebeldes", assim o admitem as agências internacionais, estám desde há três dias cercados e baixo ataques constantes das forças de Kadafi.

E os sinais indicam que, polas múltiplas divisons do campo imperial, começa a fracassar o Plano C da intervençom militar internacional para terminar com o presidente e controlar o petróleo líbio.

O plano de "mediaçom internacional" apresentado por Chávez por sua vez já conta com o apoio da Liga Árabe e as posiçons contra a "ingerência estrangeira" em Líbia começam ser motorizadas por Rússia, Chinesa e Irám.

Todo este cenário indica que, pese aos prognósticos sobre o seu "final irreversível", Kadafi segue vivo e dando briga. Enquanto o desenlace e resoluçom da situaçom em Líbia permanece na incerteza.

03-03-2011

Link permanente 11:01:30, por José Alberte Email , 443 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Dezires

CANTA O MERLO: O governo líbio convida à comunidade internacional a verificar realidade Líbia

Trípoli, 2 mar (Prensa Latina) O líder Muamar el-Gaddafi convidou hoje as potências mundiais a criarem uma comissão investigativa e viajarem à Líbia para constatar que os mortos nas revoltas eram efetivos policiais em cumprimento do seu dever.

"Chamo a comunidade internacional a formar uma comissão de verificação para que venha e veja que os mortos foram homens em defesa de suas posições", sublinhou el-Gaddafi em seu terceiro discurso televisivo desde o início das revoltas neste país norte-africano.

O mandatário falou em um ato comemorativo do 34Â� aniversário da criação dos "comitês populares", uma estrutura de base dentro do esquema de democracia da revolução popular instaurada na Líbia em 1969, depois da queda do rei Idris I.

A esse respeito, ressaltou que a Líbia estaria disposta a abrir suas portas a uma investigação internacional, tanto da ONU como da Organização da Conferência Islâmica ou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

O dirigente acusou os meios noticiosos e os governos estrangeiros de mentirem deliberadamente sobre a realidade de seu país, e negou que exista uma revolta popular pacífica contra sua pessoa, para de imediato voltar a culpar "os terroristas da al-Qaeda" pela instabilidade.

"Os meios amplificam e desvirtuam a realidade, não há manifestações pacíficas, é uma conspiração para controlar o petróleo, o território líbio, polegada por polegada", denunciou ao apontar que no próprio discurso de Ocidente há contradições.

Se houvesse protestos pacíficas, por que os estrangeiros estão se retirando de Líbia, também os empregados de companhias petroleiras, algumas embaixadas estão retirando seu pessoal, por que milhares de trabalhadores estrangeiros se foram, perguntou.

"É uma prova viva de que os opositores são grupos armadas, é um ato terrorista da al-Qaeda", prosseguiu, para afirmar que em Benghazi, Derna ou Bayda, no oriente do país, a rebelião foi iniciada por "células dormidas" que tomaram armas e estações de polícia.

Explicou que os insubordinados libertaram terroristas e os incluíram em seus destacamentos armados. "Esses são criminosos, não prisioneiros políticos, não há prisioneiros políticos na Líbia", afirmou.

Indicou que as forças regulares e seu governo "tiveram que destruir os depósitos de armas para impedir que caíssem nas mãos dos terroristas", mas foi categórico ao negar que tenha disparado contra a população civil.

Reiterou que carece de dinheiro e de contas bancárias no estrangeiro, de palácios e de investidura como presidente, pelo qual não pode renunciar, tampouco há um parlamento para ser dissolvido.

"O sistema líbio é do povo e ninguém pode ir contra a autoridade do povo. O povo é livre para escolher a autoridade que considere forte", apontou e deplorou que "o mundo não entende este modelo de democracia direta plasmado no Livro Verde da revolução em 1977.

et/ucl/es

Link permanente 00:41:33, por José Alberte Email , 146 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Dezires

CANTA O MERLO: Como se fabrica às matanças e os saqueios pola NATO e os USA

www.larepublica.es

Os satélites russos negam que existissem. La Jazeera e a BBC estendérom ao mundo a ideia de bombardeios sobre Tripoli e Benghazi

"Ataques aéreos em Líbia nom existírom", afirma exército russo

Os relatórios sobre Líbia mobilizando a sua força aérea na contra-mao do povo estenderam-se rapidamente ao redor do mundo. No entanto, os chefes do exército russo dim que tenhem estado vigiando desde o espaço e que as fotografias contam umha história diferente.

De acordo com Al Jazeera e a BBC, o 22 de Fevereiro o governo Líbio realizou ataques aéreos sobre Benghazi -a cidade maior do país- e na capital Tripoli. Nom obstante, o exército russo, que vigiárom os distúrbios via satélite desde que começárom, informam que nom ocorreu nada parecido em terra.

A este respeito, o exército Russo está a declarar que, até onde eles sabem, os ataques que publicaram alguns meios jamais ocorreram.

02-03-2011

Link permanente 17:10:54, por José Alberte Email , 1314 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Ensaio

CANTA O MERLO: Umha guerra de IV Geraçom para se apoderar do petróleo líbio

Por: Hernán Mena, AVN

Caracas, 01 Março de 2011.- Os tanques, fuzis e canhons que disparam os “pacíficos manifestantes” em Líbia, nom som as únicas armas que utiliza EE UU e demais potências ocidentais para derrocar a Muanmar Gadafi e se apoderar da sua imensa riqueza petroleira, já que ademais usam a arma de destruiçom em massa da guerra de Quarta geraçom, mas letal que todas as usadas ao longo da história.

E é que é que os barcos, submarinos, tanques e mísseis foram substituídos polas salas de redacçom das correntes de diários, rádio e televisom de EE UU, Gram-Bretanha, Alemanha, França e demais membros da imprensa mercenária, desde onde se disparam enxurradas de calunias e mentiras dirigidas a destruir a verdade através da desinformaçom e manipulaçom das notícias que endemoninham a Gadafi e ao Estado Líbio.

“Os Avions de Gadafi bombardeiam a manifestantes"

"Gadafi desata um banho de sangue em Líbia"

"O reinado de terror de *Gadafi deve terminar"

"A ONU deve intervir militarmente em Líbia"

"Cenas de terror vive-se nas cidades líbias"

Esses som alguns dos milhares de manchetes que a diário "disparam" os agentes mediáticos das potências ocidentais, que assumem o papel de soldados para satanizar ao dirigente árabe e a sua revoluçom, no enquadramento dessa nova modalidade bélica dirigida a dominar em umha primeira fase a mente humana para finalmente derrocar a um governo inimigo, explodir ao seu povo e se apoderar dos seus recursos naturais, como pretendem esses históricos predadores de povos.

A maioria dessas notícias baseiam-se em rumores, em declaraçons de quem enfrentam-se ao governo, como a referida aos bombardeios aéreos que como a maioria das "massacres" atribuídas às forças leais a Gadafi nom fôrom confirmadas nem evidenciadas polos milhares de vídeos e imagens enviadas polos opositores através de telefones celulares, ataques que foram qualificados como "falsos" polo governo de Tripoli.

Essa é a razom de ser da Guerra de Quarta Geraçom que dispara a mancheias dardos de mentiras para envenenar a mente de milhons de pessoas no mundo através dos médios mercenários que, baixo a fachada de gastados clichés de tintura ética como a imparcialidade e objectividade difundem como verdadeiras, notícias baseadas em rumores nom confirmados, vestidos com o roupagem da verdade, dizendo que estám baseadas em "fontes confiáveis."

Porque, se é verdadeiro que as guerras, desde a sua mesma origem som sinónimo de violência, destruiçom e morte, a de Quarta Geraçom é a mais perversa e cruel de todas, pois destrói todo o vestígio libertem e independência do pensamento, convertendo ao ser humano em zombies ou mortos viventes, crentes incondicionais das mentiras que vem, lem e escutam.

Entre os *estudiosos desse fenómeno sócio-político e cultural e do protagonismo dos meios como atores principais do mesmo, figura o jornalista e analista Manuel Freytas, quem adverte no seu trabalho intitulado: Cuidado, o seu cérebro está a ser bombardeado, que, "enquanto vostede descansa, enquanto vostede consome, enquanto vostede goza dos espectáculos que lhe oferece o sistema, um exército invisível se está a apoderar da sua mente, da sua conduta e das suas emoçons."

"A sua vontade está a ser tomada polas forças de ocupaçom invisíveis sem que vostede suspeite nada. As batalhas já nom se desenvolvem em espaços longínquos, senom na sua própria cabeça. Já nom se trata de umha guerra pola conquista de territórios, senom de umha guerra por conquista de cérebros, onde vostede é o alvo principal."

"Nas guerras de IV geraçom, o objectivo já nom é matar, senom controlar. As balas já nom apontam ao seu corpo, senom às suas contradiçons e vulnerabilidades psicológicas. A sua conduta está a ser confrontada, monitoreada e controlada por experientes. A sua mente e psicologia estám a ser submetidas a operaçons extremas de Guerra de IV Geraçom. Umha guerra sem frentes nem retaguardas, umha guerra sem tanques nem fuzis, onde vostede é ao mesmo tempo, a vítima e o vitimário."

E a guerra de IV Geraçom que o Império e os seus sequazes desatárom contra Líbia, é o mesmo tipo de conflito bélico que também iniciárom há vários anos e ainda continuam despregando em Venezuela, contra o seu Presidente, Chávez, e a Revoluçom Bolivariana, como o denunciou a jornalista e activista hindu Anderi, coordenadora do Foro Itinerante Popular durante a conferência apresentada no ano passado sobre a GCG.

"É umha guerra aperfeiçoada com o avanço tecnológico, que ataca a consciência da humanidade. É executada (na sua primeira fase) polos meios de comunicaçom social que se dedicam a segmentar a informaçom, a nos abstrair da realidade e nos impedir a ver o contexto. ..Através da Guerra de Quarta Geraçom, o Império e o Sionismo conseguem desenvolver os seus planos de expansom. Os seus mísseis som a desinformaçom, com a qual trata de gerar matrizes de opiniom para determinada tendência.""

E umha vez que os médios mercenários cumpriram a "operaçom de amolecimento mental" envoltório a opiniom pública mundial, machucando toda a resistência dos "zombis" que criaram com a propaganda subliminal de calunias e mentiras, passa à segunda fase da Guerra de Quarta Geraçom, e é entom quando entram em acçom as forças militares do Império e os seus aliados que invadem e ocupam facilmente o território inimigo.

Essa fase final estaria a ponto de começar em Líbia, depois que o Conselho de Segurança e o Conselho de DDHH da ONU, lembrassem umha série de medidas condenando ao governo líbio e a Gadafi, depois de aceitar como únicas provas na sua contra, as denúncias dos "pacíficos manifestantes" armados com fuzis, metralhadoras, tanques e canhons, que falaram de massacres e bombardeios e os argumentos dos diplomatas desertores.

Nom se aplicou o princípio universal do direito que estabelece que "que todo indivíduo acusado de um delito é inocente enquanto nom se prove o contrário", senom que ambos organismos emitírom as condenaçons contra Líbia em base a rumores, e é agora, quando já esse aberraçom jurídica se consumou, se anuncia que a ONU enviará umha comissom investigadora a esse país a fim de determinar se som verdadeiras "massacres supostamente cometidos polo governo de Gadaffi.

Enquanto, desde Washington, Londres, Paris e Berlim, os patrocinantes da Guerra de IV Geraçom, cuja primeira fase cumpriram os médios mercenários, observam com prazer como o Cavalo de Tróia da oposiçom interna ocupa os locais onde se acha oculto baixo a areia do deserto líbio, o precioso botim dos seus sonhos, o petróleo e o gás que tanto anseiam para mitigar a sua sede de adictos ao consumismo e a fame que padece o monstro da sua maquinaria bélica.

E para assegurar-se de que essa riqueza nom se lhes escape das maos, adiantam simultaneamente um movimento separatista entre os "pacíficos manifestantes" que de repente aparecem armados e que tomaram os principais campos petroleiros, para que cindam do Estado líbio à "zona libertada" através de um movimento separatista.

É a mesma agenda que aplicaram e ainda a seguem aplicando em Bolívia e Venezuela, onde, em cumplicidade traidora e piti-ianqui oligarquias regionais EEUU conspira para separar do país do Altiplano à regiom da Média Lua, e na Venezuela ao Estado Zulia, cujo subsolo contem grandes reservas de gás e de petróleo.

Porque, como o assegurou o presidente venezuelano Hugo Chávez, "EEUU está tolo por se apoderar do petróleo líbio, e que sobre Líbia se tece umha campanha de mentiras" e, ao citar o que sim é umha verdade incontestável, perguntou: "Por que nom condenam a Israel quando bombardeia a Palestina. Por que nom se condena a EEUU por matar a milhons de inocentes no Iraque, no Afeganistám, no mundo inteiro"

E é que para ninguém é um segredo, que todas as guerras lançadas nas últimas décadas por EEUU e os seus aliados europeus, tenhem como única razom o se apropriar dos recursos energéticos que na sua imensa maioria possuem os povos do Terceiro mundo. Boa parte dos mesmos se encontram em Líbia e outras naçons da África que estám sob o olho cobiçoso das grandes potências

01-03-2011

Link permanente 23:41:22, por José Alberte Email , 818 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Ensaio

CANTA O MELRO: A Líbia no grande jogo da nova partição da África

por Manlio Dinucci

Fogem da Líbia não apenas famílias que temem pelas suas vidas e imigrantes pobres de outros países norte-africanos. Há dezenas de milhares de "refugiados" que estão a ser repatriados pelos seus governos por meio de navios e aviões: são principalmente engenheiros e executivos de grandes companhias de petróleo. Não só a ENI, a qual realiza cerca de 15 por cento das suas vendas a partir da Líbia, mas também outras multinacionais europeias – em particular, a BP, Royal Dutch Shell, Total, BASF, Statoil, Repsol. Centenas de empregados da Gazprom foram também forçados a deixar a Líbia e mais de 30 mil trabalhadores chineses da sua companhia de petróleo e de construção. Uma imagem simbólica de como a economia líbia está interconectada com a economia global, dominada pelas multinacionais.

Graças às suas ricas reservas de petróleo e gás natural, a Líbia tem uma balança comercial positiva de US$27 mil milhões por ano e um rendimento per capita médio-alto de US$12 mil, seis vezes maior que o do Egipto. Apesar de fortes diferenças entre rendimentos altos e baixos, o padrão de vida médio da população da Líbia (apenas 6,5 milhões de habitantes em comparação com os cerca de 85 milhões no Egipto) é portanto mais elevado do que o do Egipto e de outros países da África do Norte. Testemunho disso é o facto de que cerca de um milhão e meio de imigrantes, principalmente norte-africanos, trabalha na Líbia. Uns 85 por cento das exportações líbias de energia vêm para a Europa: a Itália em primeiro lugar com 37 por cento, seguida pela Alemanha, França e China. A Itália também está em primeiro lugar em exportações para a Líbia, seguida pela China, Turquia e Alemanha.

Esta estrutura agora explodiu devido ao que pode ser caracterizado não como uma revolta das massas empobrecidas, tal como as rebeliões no Egipto e na Tunísia, mas como umas guerra civil real, em consequência de uma divisão no grupo dominante. Quem quer que seja que tenha feito o primeiro movimento explorou o descontentamento contra o clã Kadafi, que prevalece especialmente entre as populações da Cirenaica e entre jovens nas cidades, num momento em que toda a África do Norte tomou o caminho da rebelião. Ao contrário do Egipto e da Tunísia, contudo, o levantamento líbio foi planeado previamente e organizado.

As reacções na arena internacional também são simbólicas. Pequim disse estar extremamente preocupada acerca dos desenvolvimentos na Líbia e apelou a "um rápido retorno à estabilidade e normalidade". A razão é clara: o comércio sino-líbio experimentou crescimento forte (cerca de 30 por cento só em 2010), mas agora a China verifica que toda a estrutura das relações económicas com a Líbia, da qual importa quantidades crescentes de petróleo, foram postas em causa. Moscovo está numa posição semelhante.

O sinal de Washington é diametralmente oposto: o presidente Barack Obama, que quando confrontado com a crise egípcia minimizou a repressão desencadeada por Mubarak e apelou a uma "transição ordenada e pacífica", condenou o governo líbio em termos inequívocos e anunciou que os EUA está a preparar "o conjunto completo de opções que temos disponíveis para responder a esta crise", incluindo "acções que possamos empreender por nós próprios e aquelas que possamos coordenar com os nossos aliados através de instituições multilaterais". A mensagem é claro: há a possibilidade de um intervenção dos EUA/NATO na Líbia, formalmente para interromper o banho de sangue. As razões também são claras: se Kadafi for derrubado, os EUA seriam capazes de fazer ruir toda a estrutura das relações económicas com a Líbia, abrindo o caminho para multinacionais com base nos EUA, até agora quase totalmente excluídas da exploração das reservas de energia na Líbia. Os Estados Unidos poderiam então controlar a torneira de fontes de energia sobre as quais a Europa depende amplamente e que também abastecem a China.

Trata-se de acontecimentos no grande jogo da divisão dos recursos africanos, pelos quais uma confrontação crescente, especialmente entre a China e os Estados Unidos, está a verificar-se. A potência asiática em ascensão – com a presença na África de cerca de 5 milhões de administradores, técnicos e trabalhadores – constrói indústrias e infraestrutura, em troca de petróleo e outras matérias-primas. Os Estados Unidos, que não podem competir a este nível, podem utilizar a sua influência sobre as forças armadas dos principais países africanos, as quais são treinadas através do Africa Command (AFRICOM), o seu principal instrumento para a penetração do continente. A NATO agora também está a entrar no jogo, pois está prestes a concluir um tratado de parceria militar com a União Africana, a qual inclui 53 países.

A sede da parceria da União Africana com a NATO já está em construção em Adis Abeba: uma estrutura moderna, financiada com 27 milhões de euros da Alemanha, baptizada "Edifício paz e segurança".
• Do mesmo autor: Libya - When historical memory is erased

[*] Jornalista

O original encontra-se em Il Manifesto, 25/Fevereiro/2011, e a versão em inglês em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23413

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

28-02-2011

Link permanente 22:27:45, por José Alberte Email , 703 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Ensaio

CANTA O MELRO: Líbia: O que os media escondem

por Miguel Urbano Rodrigues

Transcorridas duas semanas das primeiras manifestações em Benghazi e Tripoli, a campanha de desinformação sobre a Líbia semeia a confusão no mundo.

Antes de mais uma certeza: as analogias com os acontecimentos da Tunísia e do Egipto são descabidas. Essas rebeliões contribuíram, obviamente, para despoletar os protestos nas ruas do país vizinho de ambos, mas o processo líbio apresenta características peculiares, inseparáveis da estratégia conspirativa do imperialismo e daquilo que se pode definir como a metamorfose do líder.

Muamar Kadhafi, ao contrário de Ben Ali e de Hosni Mubarak, assumiu uma posição anti-imperialista quando tomou o poder em 1969. Aboliu uma monarquia fantoche e praticou durante décadas uma politica de independência iniciada com a nacionalização do petróleo. As suas excentricidades e o fanatismo religioso não impediram uma estratégia que promoveu o desenvolvimento económico e reduziu desigualdades sociais chocantes. A Líbia aliou-se a países e movimentos que combatiam o imperialismo e o sionismo. Kadhafi fundou universidades e industrias, uma agricultura florescente surgiu das areias do deserto, centenas de milhares de cidadãos tiveram pela primeira vez direito a alojamentos dignos.

O bombardeamento de Tripoli e Benghazi em l986 pela USAF demonstrou que Reagan, na Casa Branca identificava no líder líbio um inimigo a abater. Ao país foram aplicadas sanções pesadas.

A partir da II Guerra do Golfo, Kadhafi deu uma guinada de 180 graus. Submeteu-se a exigências do FMI, privatizou dezenas de empresas e abriu o país às grandes petrolíferas internacionais. A corrupção e o nepotismo criaram raízes na Líbia.

Washington passou a ver em Kadhafi um dirigente dialogante. Foi recebido na Europa com honras especiais; assinou contratos fabulosos com os governos de Sarkozy, Berlusconi e Brown. Mas quando o aumento de preços nas grandes cidades líbias provocou uma vaga de descontentamento, o imperialismo aproveitou a oportunidade. Concluiu que chegara o momento de se livrar de Kadhafi, um líder sempre incómodo.

As rebeliões da Tunísia e do Egipto, os protestos no Bahrein e no Iémen criaram condições muito favoráveis às primeiras manifestações na Líbia.
Não foi por acaso que Benghasi surgiu como o pólo da rebelião. É na Cirenaica que operam as principais transnacionais petrolíferas; ali se localizam os terminais dos oleodutos e dos gasodutos.

A brutal repressão desencadeada por Kadhafi após os primeiros protestos populares contribuiu para que estes se ampliassem, sobretudo em Benghazi. Sabe-se hoje que nessas manifestações desempenhou um papel importante a chamada Frente Nacional para a Salvação da Líbia, organização financiada pela CIA. É esclarecedor que naquela cidade tenham surgido rapidamente nas ruas a antiga bandeira da monarquia e retratos do falecido rei Idris, o chefe tribal Senussi coroado pela Inglaterra após a expulsão dos italianos. Apareceu até um "príncipe" Senussi a dar entrevistas.

A solidariedade dos grandes media dos EUA e da União Europeia com a rebelião do povo da Líbia é, porem, obviamente hipócrita. O Wall Street Journal, porta-voz da grande Finança mundial, não hesitou em sugerir em editorial (23 de Fevereiro) que "os EUA e a Europa deveriam ajudar os líbios a derrubar o regime de Kadhafi".

Obama, na expectativa, manteve silêncio sobre a Líbia durante seis dias; no sétimo condenou a violência, pediu sanções. Seguiu-se a reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e o esperado pacote de sanções.

Alguns dirigentes progressistas latino americanos admitiram como iminente uma intervenção militar da NATO. Tal iniciativa, perigosa e estúpida, produziria efeito negativo no mundo árabe, reforçando o sentimento anti-imperialista latente nas massas. E seria militarmente desnecessária porque o regime líbio aparentemente agoniza.

Kadhafi, ao promover uma repressão violenta, recorrendo inclusive a mercenários tchadianos (estrangeiros que nem sequer falam árabe), contribuiu para ampliar a campanha dos grandes media internacionais que projecta como heróis os organizadores da rebelião enquanto ele é apresentado como um assassino e um paranóico.

Os últimos discursos do líder líbio, irresponsáveis e agressivos, foram alias habilmente utilizados pelos media para o desacreditar e estimular a renúncia de ministros e diplomatas, distanciando Kadhafi cada vez mais do povo que durante décadas o respeitou e admirou.

Nestes dias é imprevisível o amanhã da Líbia, o terceiro produtor de petróleo da África, um país cujas riquezas são já amplamente controladas pelo imperialismo.

Vila Nova de Gaia, 28/Fevereiro/2011
O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=1993

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Link permanente 10:58:11, por José Alberte Email , 803 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MELRO: As noticias de Libia

As notícias de Líbia
Díaz Rangel

YVKE Mundial/ Eleazar Díaz Rangel
Domingo, 27 de Feb de 2011. 6:40 pm

Aprecio-me de ser um dos latino-americanos que mais estudou a circulaçom de notícias na regiom. No meu livro "A informaçom internacional na América Latina" demonstro como as agências de notícias (que desde o 12 de maio de 1876, quando assinaram um tratado para se repartir o mundo, por vez primeira incluíram a América Latina) executam as suas políticas informativas em harmonia com os interesses geopolíticos dos seus respectivos países. O que é bom para EEUU é bom para a AP e CNN; pode-se repetir com Inglaterra e a Reuters, França e a AFP e com a maioria das agências. Naturalmente, as mudanças na política mundial tenhem-se reflectido nos interesses das agências e serviços. Por isso, o senador Hiram Jhonson pode dizer em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, que a primeira vítima da guerra era a verdade. Verdade que segue sendo válida até os nossos dias, e que os acontecimentos de Líbia voltam a demonstrar.

Quase toda a informaçom que nos transmitem desses acontecimentos, em especial nos primeiros dias, esteve orientada a afectar à imagem do governo da o Kadafi e favorecer a quem se tenhem sublevado. Nom houvo nesses corresponsais o esforço por difundir a realidade de quanto ocorria. Difundiam espécies e rumores sem confirmaçom algumha. Procurar e escrever a verdade nom foi a norma ética de muitos desses jornalistas e meios.

De onde sacaram as notícias que "avions militares líbios bombardearam vários locais" de Tripoli, como informou Arabiya TV na segunda-feira 21 e que "ao menos 250 pessoas morreram na capital nos bombardeios do Exército do Ar contra os manifestantes" como transmitiu nesse mesmo dia Ao Jazira Nom apresentaram nengumha imagem dos efeitos dos bombardeios, e cinco dias depois nom as tinham para as oferecer. Algumha agência explicou que leais a Kadafi limpava as ruas, e acochado os entulhos! E como é que nengum edifício resultasse estragado? Todo isso o tinham dito "testemunhas" nom identificados, por suposto.

Essas "notícias" fôrom retransmitidas por todas as agências e se publicárom em centenas, milhares, diria, de meios de todo mundo, e as leram ou escutaram milhons, dezenas ou centenas de milhons, de pessoas em todos os países com acesso aos meios. E foram "analisadas" por articulistas e comentaristas de rádio e TV.

Nessa mesma linha de inventar as notícias, o mesmésemo chanceler britânico Willian Hage declarou que Kadafi voava a Venezuela, e outras "fontes nom identificadas, mas dignas de todo o crédito" inventaram a espécie de cubanos pilotando os avions que os militares líbios se negaram ao fazer para seguir bombardeando à populaçom civil. (E a propósito de bombardeios, as agências nom recordaram os de 1986, executados por avions USA, que causaram 60 mortos, entre eles, umha filha de Kadafi).

Em Líbia houvo umha importante reacçom contra o governo de Kadafi, que após 40 anos o tem contra a parede, e ao menos três importantes cidades no oriente do país, próximas aos poços petroleiros e oleodutos e gasodutos, fôrom tomadas polas forças rebeldes. Em Tripoli aparentemente existe umha situaçom de acalma, como reflectiu Telesur nas suas transmissons, mas as informaçons seguem sendo confusas. Até a sexta-feira, pese às exortaçons de um filho de Kadafi, parece que nom entrava jornalistas estrangeiros. A sua ausência dificulta a circulaçom de informaçons que permitam compreender melhor essa situaçom. Nom sê se a vocês, mas nos surpreendeu e confundiu mais que o próprio Kadafi anunciasse publicamente a presença da o Qaeda na zona controlada polos rebeldes e os talibans.

Por suposto que existem complexos factores internos e forâneos que nom estám alheios à caótica situaçom que vive esse país que conta com as maiores reservas de petróleo da África, e importante fornecedor de EEUU e da Europa. Nom está claro o papel que devem estar a jogar algumhas das poderosas tribos que existem nessa zona. Também nom se sabe como podem estar alinhados alguns dos filhos de Kadafi, como Seif ao Islam, nem quem controlam a produçom de petróleo. Quem dominam essas cidades orientais e qual é o papel que pode estar a jogar Ao Qaeda.

Quanto aos factores forâneos, Fidel Castro denunciou a possibilidade da intervençom da Nato, Washington consulta aos seus pares da Uniom Europeia para tomar acçons conjuntas.. A UE aprovou algumhas mas desconhecem-se as de ordem militar. Já orientam as acçons desde a ONU, e basta ler as declaraçons de chefes dos países mais poderosos para saber por onde vam os tiros. Fala-se da divisom de Líbia em três pedaços.

Parece possível a queda de Kadafi, com ou sem intervençom militar estrangeira, com a presença ou nom da ONU. Se isto ocorre, a presa maior será o petróleo líbio, um dos mais levianos do mundo, cobiçado polas potências ocidentais. De pouco valeram as exortaçons para que seja o próprio povo líbio o que resolva esta descomunal crise.

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