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18-04-2009

Link permanente 14:56:43, por José Alberte Email , 759 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

SOMÁLIA: MENTEM-NOS sobre os piratas

Johann Hari
Global Research

Em 1991, caiu o governo de Somália, situado no Corno da África. Seus nove milhons de habitantes têm estado à beira de morrer de fame, desde entom – e muitas das forças mais saqueadoras do mundo ocidental tenhem visto isto como umha estupenda oportunidade para roubar as provisons de comida do país e verter nossos resíduos nucleares nos seus mares.

Sim: resíduos nucleares. Assim que desapareceu o governo, chegavam misteriosamente navios europeus à costa de Somália, vertendo enormes barris no oceano. A populaçom da costa começava a enfermar. Ao princípio, padecérom estranhas erupçons, náusea, e nasceram meninos malformados. Entom, após o tsunami de 2005, centos destes barris vertidos e com fugas terminaram na orla. A gente começou a enfermar da radiaçom, e mais de 300 pessoas morrérom. Ahmedou Ould-Abdallah, o enviado de Naçons Unidas a Somália, declara: “Alguém está a verter material nuclear aqui. Também há chumbo, e materiais pesados, tais como cádmio e mercúrio – ou seja, de tudo.” Pode-se seguir o seu rastro até os hospitais e as fábricas europeus, e entrega-se à máfia italiana para que esta se desfaça disso da maneira menos custosa. Quando perguntei a Ould-Abdallah que faziam os governos italianos para combater isto, disse com um suspiro: “Nada. Nem limpou-se, nem tem tido compensaçom nem prevençom.”

Ao mesmo tempo, outros navios europeus têm estado saqueando os mares de Somália de seu maior recurso: o marisco. Temos destruído nossas próprias existências de pesca por sobreexplotaçom – e agora queremos as suas. Enormes palangreros roubam a cada ano mais de 300 milhons de dólares em atuns, camarons, lagostas, etc. ao internar-se ilegalmente nos mares nom protegidos de Somália. Os pescadores locais têm perdido de boas a primeiras sua sustento, e estám a morrer-se de fame. Mohammed Hussein, um pescador da cidade de Marka, a 100 quilómetros de Mogadishu, declarou a Reuters: “Se nom se faz nada, cedo nom ficará pesca nas águas de nossa costa”.

Este é o contexto no que têm surgido os homens que nós chamamos “piratas”. Todo mundo está de acordo em que eram pescadores correntes somalíes que primeiro tentaram dissuadir com lanchas velozes aos que vertiam resíduos desde os plangermos ou polo menos lhes cobrar um tributo. Chamam-se a se mesmos os Guarda-costas Voluntários de Somália – e nom é difícil entender por que. Em decorrência de uma entrevista telefónica surrealista, um dos dirigentes piratas, Sugule Ali, disse que seu propósito era “parar a pesca ilegal e vertidos em nossas águas... Nom nos consideramos bandidos dos mares. Os bandidos som aqueles que pescam, vertem resíduos e levam armas em nossos mares.” William Scott teria entendido estas palavras.
Mas os “piratas” têm o apoio abrumador da populaçom local por algo. O lugar site de notícias independente somalí WardherNews pesquisou à populaçom local sobre sua opiniom do tema – um 70 por cento “apoiou a pirataria como forma de defesa nacional das águas territoriais do país”. Durante a Guerra de Independência dos Estados Unidos, George Washington e os pais fundadores pagaram a piratas para proteger as águas territoriais de seu país porque nom tinham marinha nem guarda-costas próprios. A maioria dos estadunidenses apoiaram-nos. É isto tom diferente?

Esperávamos que os somalíes famintos nos olhassem passivamente desde suas praias ou mares no meio de nossos resíduos nucleares enquanto roubávamos seus peixes para comer nos restaurantes de Londres, Paris e Roma? Nom actuamos quando se cometiam estes crimes - mas quando alguns pescadores responderam interrompendo o corredor de trânsito do 20 por cento do fornecimento de petróleo mundial, começamos a gritar sobre a “maldade”. Se para valer queremos ocupar-nos da pirataria, precisamos erradicar sua causa – nossos crimes – dantes de mandar os canhoneiros para erradicar aos criminosos somalíes.

A guerra contra a pirataria, também esta de 2009, foi resumida por outro pirata que viveu e morreu no quarto século dantes de Cristo. Capturou-se-lhe e levou ante Alexandre Magno, que quis saber “que queria dizer com guardar o mar”. O pirata sorriu e respondeu: “O que quer dizer vostede com apoderar-se de toda a terra; mas como eu o faço com um barco insignificante, sou um ladrom, enquanto a vostede., que o faz com uma grande frota, o chamam imperador.” Uma vez mais, nossas grandes frotas imperiais navegam hoje - mas quem é o ladrom?

16-04-2009

Link permanente 23:22:47, por José Alberte Email , 1870 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

A derrota pela dívida é tão mortal quanto uma derrota militar absoluta (2)

por Michael Hudson

Sem ajuda da UE ou da economia global

A União Europeia não está em posição de oferecer grande ajuda para a resolução dos problemas financeiros da Islândia. A integração do continente nos anos 1950 foi lançada por sociais-democratas e capitalistas pró industriais como Konrad Adenauer e Charles de Gaulle com a esperança de acabar para sempre com as guerras intestinas do continente. Eles tiveram êxito em formar o Mercado Comum de sete países em 1957. Mas a nova expansão europeia verificou-se em grande medida nos termos do sector financeiro. Esta é a fonte dos problemas que fracturam a "velha" e a "nova" Europa de hoje. É o contexto no qual o problema da dívida da Islândia está agora a ser terminado.

Parece bastante natural para as pessoas pagar dívidas que foram assumidas honestamente. A expectativa normal é de que as pessoas tomarão emprestado – e os bancos farão empréstimos – só para investimentos sadios, aqueles que são capazes de gerar um lucro permitindo ao devedor reembolsar o prestamista com juros. Foi assim que os bancos funcionaram durante muitos séculos – daí, a imagem dos banqueiros prudentes que dizem "não" a quaisquer negócios questionáveis que se lhes apresentem.

Pelo menos este era o modo antigo de fazer as coisas. Quase ninguém antevia um mundo no qual banqueiros criariam crédito irresponsavelmente, levando aos incumprimentos maciços a que assistimos hoje por todo o mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, não menos de um terço das hipotecas habitacionais caíram num estado de Situação Líquida Negativa. Isto significa que a hipoteca excedeu o preço de mercado do imóvel comprometido como colateral. A dívida nacional dos EUA triplicou durante o ano passado, de US$5 milhões de milhões para US$15 milhões de milhões devido aos salvamentos financeiros incluindo a tomada pelo governo de US$5,2 milhões de milhões dos gigantes hipotecários, Fannie Mae e Freddie Mac. Uma única companhia de seguros, a AIG, foi designada para receber US$250 mil milhões de salvamento em dinheiro e um único banco, o Citibank, recebeu mais de US$70 mil milhões. As acções destes até então gigantes financeiros caíram para centavos apenas e o Congresso está agora a debater se finalmente irá nacionalizá-los e eliminar os seus accionistas e mesmos os possuidores dos seus títulos.

Na Grã-Bretanha verificou-se algo muito semelhante. Sentado no mês passado na sala de embarque do aeroporto Heathrow, assisti audiências na BBC em que membros do Parlamento exprimiam espanto pelo facto de os bancos mais seriamente afectados não serem dirigidos por banqueiros e sim por homens de marketing. A sua tarefa não era calcular empréstimos prudentes, mas vender tanto de dívida quanto possível, sem olhar para a capacidade do devedor de pagar. O resultado é que o Banco da Inglaterra – tal como o Tesouro dos EUA – está a imprimir novos títulos cujos encargos de juros terão de ser pagos por impostos a serem suportados pelo trabalho e pela indústria.

Rússia, o ensaio geral

Como se pode esperar que a Islândia enfrente esta espécie de ambiente financeiro? Para obter uma perspectiva do que seria um futuro distópico, pode-se olhar para o ensaio geral das chamadas "reformas" financeiras executadas na década de 1990 na Rússia e em outros países pós soviéticos. Trata-se das reformas que os credores – incluindo os bancos europeus, lamento dizer – agora querem impor à Islândia. Na Rússia, as expectativas de vida declinaram drasticamente, ao passo que a saúde, prosperidade e esperança feneceram quando forças externas impuseram medidas de austeridade e altas taxas de juros. Os russos acordaram para descobrir que a devastação das reformas que lhes foram impingidas foram tão severas como as da Segunda Guerra Mundial com a redução da população, destruição da indústria, propagação de doenças e perda do controle da sua economia. Os padrões de vida afundaram, especialmente para aposentados, enquanto as perspectivas de emprego fecharam-se para a juventude. Muito do mesmo verificou por toda a antiga União Soviética.

Esta política permanece o "padrão" para países devedores: Venda de activos em troca de centavos de dólar a cleptocratas de todo o globo e liquidação de programas de bem-estar social exactamente no momento em que eles mais são precisos. Em contraste, olhe-se para os países que clamam mais ruidosamente para que a Islândia pague os empréstimos feitos pelos especuladores e arbitrageurs globais. Eles incluem os países mais amplamente devedores, encabeçados pelos Estados Unidos e a Grã-Bretanha, conduzidos por políticos que nunca sonharam em impor tais provações sobre si próprios. Enquanto cortam os seus próprios impostos e aumentam os seus próprios défices governamentais, estes países estão a tentar arrancar tributo financeiro dos países mais pequenos e mais fracos que puderem ameaçar, tal como fizeram com devedores do Terceiro Mundo nos anos 1980 e 1990.

Desmantelando o capitalismo industrial

Isto é uma crise que clama por verdades duras. O que os países credores e as suas instituições financeiras internacionais estão a promover não é o capitalismo como se entendia tradicionalmente. Ao invés de ajudar a industrializar os países aos quais concediam crédito de modo a torná-los viáveis e auto-suficientes com novos meios de pagar as suas importações – e na verdade pagar dívidas assumidas para reconstruir a sua capacidade produtiva – os planeadores europeus supervisionaram o desmantelamento da indústria manufactureira.

Ainda pior, eles assim fizeram de um modo que fortaleceu um conjunto de oligarcas financeiros neo-feudais. Economias endividadas foram transformadas num bando de casinos, com jogos especiais (exemplo: instrumentos financeiros opacos como os credit-default swaps ) reservados exclusivamente aos iniciados. Mesmo para entrar dentro deste jogo, alguém deve ser pelo menos milionário, assinando documentos legais de que pode permitir-se perder todo o investimento e ainda assim sobreviver economicamente. A União Europeia então agrava ainda mais as coisas ao apresentar eufemisticamente as suas agências financeiras como doadoras a levarem ajuda. Como se verificou, são os mesmos ideólogos que debilitaram o capitalismo industrial por todo o globo através da proliferação de jogos de dívida alavancada que redistribuíram a riqueza para cima em toda a parte onde operaram.

Esta política cria a escravização pela dívida para a maior parte dos cidadãos, acima de tudo nos países mais novos que procuram aderir à União Europeia. Mesmo no país mais rico da terra – os Estados Unidos – cerca da metade de todos os cidadãos agora não têm valor líquido e o fosso entre os 10 por cento mais ricos e o resto da sociedade ampliou-se geometricamente desde 1980. Este é o sistema injusto que os principais credores do mundo exportariam para a Islândia – se pudessem convencer os seus eleitores a aceitarem a construção da pirâmide da dívida neoliberal como meio de ficar rico. Os recentes tumultos em todos os estados pós soviéticos sugerem que este plano não está a funcionar. As suas populações estão agora a sentir quão profundamente as chamadas reformas financeiras (exemplo: desregulação financeira) promovidas pelos bancos europeus e os Acordos de Lisboa polarizaram as suas economias.

Reconhecer o inimigo interno

A única defesa contra uma política tão desastrosa é reconhecer que há melhores alternativas. Simplesmente não é possível para as economias astronomicamente endividadas de hoje "actuarem de modo a sair da dívida" com o velho truque de inflacionar a oferta monetária. Tentar fazer isso provocará o colapso da taxa de câmbio da divisa e desviará tanta receita para pagar credores – e transferirá tanta propriedade para fora dos habitantes locais – que uma nova espécie de economia pós capitalista de não produção/consumo será criada, cada vez menos capaz de ser auto-suficiente e independente, para não dizer nada acerca de ser justa e sustentável.

A crise financeira da Islândia hoje é menos uma questão de direito internacional e sim de absoluto desrespeito à lei perpetrado pelos fornecedores da chamada democracia de mercado livre. Os países que pressionam a Islândia pelo pagamento impõem um conjunto de leis aos outros ao passo que seguem um conjunto muito diferente para si próprios. Ao pregar à Islândia acerca do direito internacional, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha romperam eles próprios a mais clara das leis internacionais – aquela contra travar guerra agressivas. Os seus propagandistas são habilidosos ao usar a linguagem do capitalismo e da moralidade, mas eles não são nem capitalistas nem morais. A sua estratégia financeira é jogar um antigo jogo psicológico. Eles fazem com que países como a Islândia se sintam culpados em relação aos seus devedores ao invés de reconhecerem que foram vítimas de um esquema Ponzi internacional. Em suma, o jogo é estabelecer "leis" para devedores na forma de programas de austeridade destrutivos moldados por credores irresponsáveis e na verdade parasitários. Esta "ajuda conselho" acaba no despojamento absoluto de activos, tanto públicos como privados.

O despojamento de activos para pagar dívidas provocou colapsos vezes sem conta ao longo da história, mas é estranhamente subestimado no curriculum académico de hoje como uma "verdade inconveniente" para os interesses financeiros. O rendimento é sugado através de um esquema que é elegante e simples. As infortunadas vítimas – e agora economias inteiras, não apenas indivíduos – são manobradas para dentro de um moinho de dívida do qual já não podem escapar. Os credores acumulam sobre o crédito e deixam as dívidas crescerem com a "mágica do juro composto", sabendo que os seus empréstimos não podem ser reembolsados – excepto pela venda de activos. A produtividade de uma economia nunca pode acompanhar o ritmo dos juros compostos a acumularem-se exponencialmente. Seja o que for que fosse possuído é tomado pelos pagamentos de juros que nunca acabam. O objectivo é que estes pagamentos absorvam tanto excedente quanto possível, de modo que a economia nacional trabalhe com efeito para pagar tributo à nova classe financeira global – banqueiros e administradores de fundos mútuos, fundos de pensão e hedge funds.

O produto que eles estão a vender é dívida. Eles constroem a sua própria riqueza ao endividar outros e então forçá-los a liquidações para compradores que assumem a sua própria dívida na esperança de efectuarem ganhos com os preços dos activos quando os preços da propriedade são inflados de modo impossível em relação aos salários do trabalho vivo. Isto tornou-se a nova e eufemisticamente alcunhada forma pós industrial de criação de riqueza – uma estratégia que agora está a lançar economias no colapso por todo o mundo.

12-04-2009

Link permanente 14:25:54, por José Alberte Email , 2387 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

A DERROTA PELA DIVIDA é tão mortal quanto uma derrota militar absoluta

por Michael Hudson

A Islândia está sob ataque – não militar, mas financeiro. Ela deve mais do que pode pagar. Isto ameaça os devedores com o confisco (forfeiture) do que resta nos seus lares e de outros activos. Dizem ao governo para liquidar o domínio público do país, seus recursos naturais e empresas públicas, a fim de pagar as dívidas do jogo financeiro acumuladas irresponsavelmente por uma nova classe de banqueiros. Esta classe procura aumentar a sua riqueza e poder. A guerra financeira contra a Islândia apesar do facto de que a sua estratégia de alavancamento de dívida já ter lançado a economia na bancarrota. No topo desta, os credores procuram aprovar impostos permanentes e a liquidação de activos públicos para pagar os salvamentos deles próprios.

A derrota pela dívida é tão mortal quanto uma derrota militar absoluta. Confrontados com a perda das suas propriedades e dos meios de subsistência, muitos cidadãos ficarão doentes, levará a vidas de crescente desespero e morte prematura se não repudiarem a maior parte dos empréstimos oferecidos fraudulentamente nos últimos cinco anos. E defender a sua sociedade civil não será tão fácil como numa guerra em que a cidadania se posiciona em conjunto para enfrentar um agressor visível. A Islândia está confrontada pelos países mais poderosos, encabeçados pelos Estados Unidos e a Grã-Bretanha. Eles estão a por em acção os seus propagandistas e a mobilizar o FMI e o Banco Mundial para exigir que a Islândia não se defenda a si própria anulando as suas dívidas podres. Mas estes países credores até agora não assumiram responsabilidade pela actual desordem do crédito. E, na verdade, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha são devedores líquidos no cômputo geral. Mas no que se refere à sua posição em relação à Islândia, eles estão a exigir que esta empobreça os seus cidadãos através do pagamento de dívidas de formas que estes países nunca o fariam. Eles sabem que falta o dinheiro para pagar, mas estão bastante desejosos de receberem o pagamento na forma de arresto dos recursos naturais do país, da terra e da habitação e de uma hipoteca sobre os próximos séculos do seu futuro.

Se isto soa como despojos de guerra, é exactamente isso – e sempre foi. A escravização pela dívida é o nome deste jogo. E a grande arma neste conflito de interesse é como o povo o entende. Os devedores devem ser convencidos a pagar voluntariamente, a colocar os interesses dos credores acima da prosperidade da economia como um todo, e até mesmo a colocar exigências estrangeiras acima do seu próprio interesse nacional. Isto não é uma política que o meu país, os Estados Unidos, seguiria. Mas a discussão popular na Islândia até à data tem sido limitada unilateralmente à defesa dos interesses dos credores, não o dos seus próprios devedores internos.

Em última análise, o adversário da Islândia não é um país ou mesmo uma classe, mas a dinâmica financeira impessoal a trabalhar globalmente e internamente. Para estar à altura da sua actual pressão da dívida, a Islândia deve reconhecer quão singularmente destrutivo foi o regime económico criado pelos seus banqueiros, através de legislação em causa própria e fraude absoluta. Com ávida cumplicidade externa, os seus bancos administraram a criação de bastante dívida externa a fim de provocar depreciação crónica da divisa e portanto inflação interna de preços durante muitas décadas pela frente.

Para colocar o dilema financeiro da Islândia em perspectiva, examine-se como outros países trataram enormes obrigações de dívida. Historicamente, o caminho da resistência mínima foi "inflacionar a sua saída da dívida". A ideia é pagar dívidas com "dinheiro barato" em termos do seu reduzido poder de compra. Os governos fazem isto ao imprimir dinheiro e incidir em défices orçamentais (gastando mais do que arrecadam através de impostos) suficientemente grandes para elevar preços quando este novo dinheiro apanha o mesmo volume de bens. Foi assim que Roma depreciou a sua divisa na antiguidade e como a América fez para reduzir grande parte da sua própria dívida na década de 1970 – e como a queda internacional do valor do dólar anulou grande parte da dívida internacional dos EUA nos últimos anos. Esta inflação de preços reduz o fardo da dívida – desde que salários e outros rendimentos se elevem em conjunto.

Confrontada com uma explosão sem precedentes de obrigações de dívida – muitas delas aparentemente fraudulentas e certamente em violação da prática tradicional de crédito – a Islândia aplicou esta solução inflacionária às avessas. Ao invés de permitir a clássica a panaceia creditícia de inflacionar a divisa, ela criou uma economia de sonho para os credores, impedindo a fuga clássica da dívida. A Islândia descobriu um meio de inflacionar o seu caminho para dentro da dívida, não para sair dela. Ao indexar a dívida à taxa de inflação, ela garantiu uma benesse inesperada única para bancos que aumentam amplamente o que recebem num "mercado em baixo", a expensas dos assalariados e dos lucros industriais. Ligar empréstimos hipotecários ao índice de preços no consumidor (IPC) em face de uma divisa em depreciação e de uma pesada drenagem da balança de pagamento em favor de estrangeiros pode ter apenas um resultado: destruição da sociedade islandesa e do seu modo de vida tradicional.

A Islândia precisa repudiar esta bomba da dívida. Sob a actual política, as suas dívidas nunca perderão valor porque estão indexadas à inflação. Isto por sua vez está a ser provocado em grande parte pelo serviço da dívida externa que está a por a divisa em colapso, elevando preços de importação e portanto provocando ainda maiores pagamentos de dívida numa máquina sem fim. A economia contrai-se, os salários caem e os activos perdem valor, mas as obrigações de dívida continua a crescer cada vez mais. O resultante esvaziamento dos salários, dos padrões de vida e dos gastos do consumidor mais uma vez contrairão a economia – uma receita para o vírus económico que ameaça praguejar a Islândia durante muitas décadas se não for revertida agora. A formação de capital afundará quando faltar dinheiro aos consumidores para gastar. Muitos podem não ter o suficiente para sobreviver. A economia será "crucificada numa cruz de ouro", para utilizar a famosa frase de William Jennings Bryan na eleição presidencial americana de 1896 quando ele advogava uma cunhagem de prata para aliviar a pressão da dívida sobre os agricultores e o trabalho.

O outro lado da discussão?

Apesar de ter passado o último meio século concentrado a estudar os países com problemas de balança de pagamentos, mesmo eu acho chocante o singularmente auto-destrutivo regime financeiro da Islândia. Antes que rejeite a minha candura, devo apresentar um curriculum pessoal resumido para que entenda que as minhas conclusões são baseadas principalmente em ter sido um iniciado no jogo da pilhagem de países em estilo imperial durante quarenta anos. Nos meados da década de 1960 eu era o economista de balanças de pagamentos do Chase Manhattan Bank, a seguir da Arthur Anderson e posteriormente do United Nations Institute for Training and Research (UNITAR). Tenho ensinado teoria económica internacional em nível de graduação desde 1969 e agora dirijo um grupo internacional de história económica e financeira com base em Harvard. Em 1990, na Scudder Stevens and Clark, organizei o primeiro fundo de dívida soberana. Todos estes trabalhos envolveram analisar a limitada capacidade de países devedores para pagar – quando podia ser deles extraído através de empréstimos em divisas estrangeiros e quanta infraestrutura pública estava disponível para ser liquidada num processo voluntário de arrestos virtuais por países desejosos de se submeterem às regras ditadas pelo credor.

Escrevi primeiramente acerca do imperialismo monetário na década de 1970 no meu livro Super Imperialism. Ele deveria ter-se intitulado "Imperialismo monetário" porque pormenorizava como a substituição do ouro por papéis de dólar IOUs ( I owe you, notas de reconhecimento de dívida) no comércio e nos défices de balanças de pagamentos, em 1971, permitiu aos Estados Unidos explorarem o resto do mundo sem limites. Reduzindo gradualmente os pagamentos em ouro entre bancos centrais em favor de dinheiro fiduciário de papel permitiu ao Estados Unidos acumularem dívidas maciças iguais aos seus défices acumulados de pagamentos, muito além da sua capacidade de pagar. Os EUA actualmente devem mais de US$4 milhões de milhões (trillion), enquanto mantém um défice comercial crónico com enormes gastos militares além-mar, financiados inteiramente por outros países através dos seus bancos centrais. Isto é chamado eufemisticamente de "sistema monetário internacional".

Também fui conselheiro do governo canadiano na década de 1970. O meu principal trabalho foi escrever uma monografia a explicar porque os países não deveriam contrair empréstimos em divisas estrangeiras, mas deveriam sim monetizar o seu próprio crédito para gastos internos e investimento. Em anos recentes ensinei na Letónia e dei este mesmo conselho aos seus responsáveis. Apresento estes antecedentes porque têm óbvia relevância para a situação financeira da Islândia de hoje. Ela rompeu a regra essencial das finanças internacionais: Nunca assumir empréstimo numa divisa estrangeira para o crédito que se pode criar livremente no plano interno. Os governos podem expandir a sua saída da dívida interna – mas não da dívida externa. Isto constitui grande parte do problema agora enfrentado pela Islândia.

O ponto principal dos meus comentários centrar-se-á portanto na dimensão internacional do problema da dívida da Islândia, especialmente nas suas relações com a Europa. Assim, é relevante olhar para o que está a acontecer na "Europa expandida" de hoje. Como tem relatado a imprensa financeira, as economias pós-soviéticas depararam-se com resultados desastrosos depois de se terem movimentado na década passada para aderir à União Europeia. Os recentes tumultos de devedores, agricultores e membros de sindicatos desde os países bálticos até à Hungria são sintomáticos das profundas desgraças económicas que afligem estes países. Está a crescer o ressentimento de que ao invés de ajudá-los a industrializarem-se e tornarem-se mais eficientes, a Europa e o seu Tratado de Lisboa simplesmente transferiu o assunto para os seus banqueiros, os quais olham para estes países simplesmente como clientes de crédito a serem sobrecarregados com dívida – não para empréstimos para construir manufacturas e a infraestrutura urgentemente necessária a estes países, mas empréstimos principalmente contra o imobiliário existente e a infraestrutura colateral já no lugar. Isto é o caminho mais rápido para fazer dinheiro, afinal de contas – e as finanças tradicionalmente têm vivido no curto prazo.

Este problema era obrigado a levantar-se, dada a fé pós-industrial da Europa de que quaisquer aumentos de "riqueza" – mesmo pelo truque de inchar o imobiliário e os preços de outros activos – é tão produtivo como construir nova capacidade industrial e infraestrutura. O resultado desta ideologia foi um conjunto de bolhas económicas construídas sobre imobiliário financiado por dívidas e inflação do mercado de acções. Tais bolhas sempre explodem em algum momento. Só tardiamente os países estão a redescobrir o axioma clássico de que o único caminho para pagar importações numa base sustentável é produzir exportações.

Infelizmente, nem os bancos estrangeiros nem os conselheiros europeus estimularam isto. A sua política desindustrializou o países pós-soviéticos, os quais financiaram o aprofundamento dos défices comerciais contraindo empréstimos em divisas estrangeiras contra o seu património imobiliário. Os Estados bálticos tomaram empréstimos em euros, libras esterlinas e francos suíços, principalmente de bancos suecos, para financiar uma bolha imobiliária, ao passo que a Hungria e os seus vizinhos da Europa Central se endividaram pesadamente junto a bancos austríacos. As suas economias estão a contrair-se agora que o jogo de casino sobre a inflação dos preços dos activos explodiu. O rendimento locativo e portanto os preços da propriedade estão a afundar e as taxas de câmbio fazem o mesmo. Isto torna o custo de uma hipoteca em divisa estrangeira maior do que o rendimento da propriedade local. O resultado é o incumprimento generalizado de hipotecas, provocando perdas severas para bancos suecos e austríacos.

As dívidas podres do imobiliário também estão a destruir bancos nos dois principais países credores, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos. Os preços imobiliários, os preços das acções e o emprego estão indo abaixo numa linha recta sem precedentes mesmo na Grande Depressão dos anos 1930. Isto tornou um pesadelo o sonho financeiro neoliberal de "criar riqueza" pela inflação de preços de activos, através da criação de crédito, sem realmente aumentar a formação de capital tangível (salários e padrões de vida). Assim como indivíduos não podem viver de cartões de crédito para sempre, tão pouco os países o podem. Como sabe qualquer economista clássico, sociedades que apenas manufacturam dívida são insustentáveis. Os casinos podem ser lugares divertidos para visitar (os clientes pagam ao perderem o seu dinheiro), mas não lugares para viver. Isso também é verdade para as economias de casino.

11-04-2009

Link permanente 01:34:27, por José Alberte Email , 721 palavras   Português (GZ)
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O grande circo de Londres

Resistir

por Atilio A. Boron

Meses atrás a formidável maquinaria propagandística do império alimentava a ilusão de que a reunião do G-20 em Londres daria a estocada final na crise. Mesmo assim, à medida que se aproximava a data, começaram a se escutar vozes discordantes. Nicolas Sarkozy e Ângela Merkel jogaram baldes de água fria sobre o iminente conclave e o anfitrião, o "progressista britânico Gordon Brown", aconselhou baixar as expectativas, ao passo que um número crescente de economistas críticos e historiadores advertia sobre a futilidade da tentativa. Em que pese tudo isso, os ilusionistas e malabaristas do sistema não deixaram de exaltar a reunião de Londres e tratar de que as tímidas medidas que ali se adotavam fossem interpretadas pelo público como propostas sensatas e efetivas para resolver a crise.

Como era de se esperar, pouco ou nada concreto saiu da reunião. E isso por várias razões. Primeiro porque no que alguns caracterizaram, com arrogância e ignorância inauditas, como Bretton Woods II nem sequer se colocou a questão fundamental: reformar para que, com que objetivo? Ao se desviar do tema por omissão, ficou estabelecido que o objetivo das reformas não seria outro senão o de voltar à situação anterior à da crise. Isso supõe que o que a causou não foram as contradições inerentes ao sistema capitalista, mas aquela "exuberante irracionalidade dos mercados" da qual se lamentava Alan Greenspan, sem se dar conta de que o capitalismo é por natureza exuberantemente irracional e que isso não se deve a um defeito psicológico dos agentes econômicos, mas sim de que tem seus fundamentos na própria essência do modo de produção.

Segundo: haja vista o anterior, não surpreende comprovar que o G-20 tenha decidido fortalecer o papel do FMI para liderar os esforços da recuperação, sendo o principal autor intelectual da crise atual. O FMI foi, e continua sendo, o principal veículo ideológico e político para a imposição do neoliberalismo em escala planetária. É uma tecnocracia perversa e imoral que recebe honorários exorbitantes (isentos de impostos!) e cuja pobreza intelectual foi muito bem resumida por Joseph Stiglitz, quando disse que o FMI estava lotado de "economistas de terceira formados em universidades de primeira". E pelas mãos desses aprendizes de bruxos é que se pensa em sair da crise mais grave do sistema capitalista em toda sua história? Não há nisso um grande exagero: esta crise é a manifestação externa de várias outras que irrompem pela primeira vez: crise energética, ambiental, hídrica. Nada disso havia na depressão de 1873-1896 ou na Grande Depressão dos anos 30. Em seu entrelaçamento tais crises impõem um desafio de inéditas proporções, frente ao qual as receitas do FMI não farão nada, a não ser aprofundar os problemas até os extremos menos imaginados.

Terceiro: dada esta situação, o tema é grave demais para deixá-lo em mãos do G-20 e seus especialistas. Por isso o presidente da Assembléia Geral da ONU, Miguel D'Escoto, disse que o necessário não era um G-20, mas um G-192, uma cúpula de todos os países, tendo-a convocado para junho deste ano. O G-20 trata de cooptar vários países do sul com a esperança de fortalecer o consenso para uma estratégia gatopardista de "saída capitalista para a crise do capitalismo": mudar algo para que nada mude. Entretanto, não há possibilidade alguma de superar esse temporal apelando às receitas do FMI, e o melhor que podiam fazer os países convidados a Londres era denunciar com serenidade, porém firmeza, a inanidade das medidas ali adotadas e que dentro do capitalismo não haverá solução para nossos povos nem para as ameaças que se colocam a todas as formas de vida do planeta Terra.

08/Abril/2009

[*] Doutor em Ciência Política pela Universidade de Harvard e professor titular de Teoria Política na UBA (Universidade de Buenos Aires). É autor do livro "Império e Imperialismo. Uma leitura crítica de Michael Hardt e Antonio Negri", publicado pela editora CLACSO em 2002.

06-04-2009

Link permanente 20:35:23, por José Alberte Email , 460 palavras   Português (GZ)
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OS MENINOS AFRICANOS som as cobaias das TRANSNACIONAIS FARMACÊUTICAS

Aporrea

As multinacionais farmacêuticas utilizam aos meninos africanos como cobaias

A maior farmacêutica do mundo, Pfizer, pagará 55 milhons de euros a um grupo de famílias nigerianas para evitar um julgamento pola morte de 11 meninos no país africano que serviram como cobaias de um medicamento em provas, Trovam.

Em 1996, Nigéria sofreu uma epidemia de meningite que terminou com a vida de ao menos 11.000 pessoas. No meio da crise humanitária, Pfizer, famosa por ter inventado a Viagra, enviou um grupo de médicos que colocou seu centro de operaçons ao lado de um centro médico gerido por Médicos sem Fronteiras, quem tentavam deter a tragédia graças a medicinas cuja fiabilidade estava demonstrada.

Os médicos enviados pola farmacêutica captaram 200 meninos e prometeram a suas famílias que curá-los-iam. Onze daqueles meninos morreram e muitos mais sofreram efeitos secundários graves, incluídos danos cerebrais. Pese a que a alerta sanitária persistia, o falhanço da terapia experimental de Pfizer levou à empresa a desmantelar seu dispositivo mal duas semanas após chegar ao campo sem oferecer informaçom sobre os experimentos.

A história é uma de tantas que ocorrem na África e que tantas vezes têm sido carne de novela ou de filme. Nom em vam, John Lhe Carré escreveu O jardineiro fiel, cuja adaptaçom ao grande ecrã conseguiu quatro Oscar, a partir dos factos ocorridos aquele 1996 na Nigéria, segundo alega um dos advogados.

Em lugar de acabar no baú das lembranças, a consciência de um dos pesquisadores que participou na missom de Pfizer lhe levou a denunciar os factos a sua própria empresa mediante uma carta dirigida ao máximo director da companhia, William Steere.

Nela, o médico advertia do ocorrido e assegurava que as provas realizadas por Pfizer tinham violado normas éticas". Em um dia após enviar a carta, o empregado foi despedido ainda que a farmacêutica alegou que nom tinha relaçom com a missiva.

Pfizer sempre tem mantido que contava com a permissom das autoridades sanitárias do país para provar o novo medicamento e que arrecadou a permissom dos pais, algo que eles negam. Ademais, a farmacêutica afirma que só seis dos meninos morreram depois de lhe lhes administrar Trovam e que os outros cinco faleceram depois de receber dose de Rocephin, um produto certificado.

Nove anos depois, a batalha legal iniciada por um grupo de familiares dos meninos afectados e conduzida por um advogado nigeriano e outro estadunidense tem dado seus frutos. Pfizer comprometeu-se a pagar aos afectados 55 milhons de euros em conceito de indemnizaçom depois de chegar a um acordo extrajudicial, segundo informa o diário britânico The Independent.

05-04-2009

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O PSOE DICTA QUE A CRISE a paguemos os trabalhadores e acarinha às grandes fortunas

Vieiros

Mais de mil inspectores de Fazenda deixam de controlar as grandes fortunas

O governo espanhol estabeleceu que passem se adicar exclusivamente a pequenos contribuintes, pemes e assalariados.

Em previsom da próxima campanha da Renda, que começará em Maio, a Agência Tributária puxo em marcha sob medida aprovada por meio de umha resoluçom com data do 26 de Novembro 2008. Esta consiste numha reestruturaçom sem precedentes do corpo de funcionário dedicados ao controlo da fraude fiscal.

Até esse momento, 1.058 dos 2.731 técnicos de Fazenda dedicavam-se ao controlo das operaçons superiores a três milhons de euros, o que afectava a grandes empresas e contribuintes com patrimónios elevados. Trás esta nova medida, esses técnicos dedicaram-se exclusivamente a pequenos contribuintes, o que afectará à maior parte de pequenas e medianas empresas (pemes), autónomos e assalariados, sempre que os seus ingressos nom superem os quatro milhons de euros. Segundo a própria resoluçom, os técnicos de Fazenda controlárom "as actividades de quem o volume anual de operaçons declarado nom supere 4.000.000 euros, em caso que se trate de um controlo de carácter geral ou 5.700.000 euros, se supõe umha actuaçom específica".

Desde o sindicato de técnicos de Fazenda Gestha mostram-se críticos com a medida, já que "desta guisa reduz-se notavelmente o pessoal disponível para controlar as grandes fortunas". Nesse sentido, resulta paradoxal que no passado exercício fiscal a Agência Tributária realizasse quatro milhons de actuaçons com pequenos contribuintes, o que supunha cumprir a um 120% os objectivos fixados previamente, ao passo que tom só se fizeram 125.000 intervençons em grandes capitais.

Medidas excepcionais
No entanto, baixo a sombrinha da crise e a situaçom excepcional que vive a economia, o governo espanhol tomou outras medidas fiscais polémicas. Por meio de um Real Decreto frango que se desenvolve a Lei de medidas contra a fraude fiscal, e evitando dar-lhe demasiada difusom, o Conselho de Ministros aprovou o 3 de Novembro um "agasalho fiscal" para grandes accionistas de bancos, executivos bancários e os seus familiares, segundo o qual todos eles pudérom tributar no Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF) a um tipo de 18%, no quanto da o 43% ao que deviam fazê-lo até agora, quando recebam rendas de capital mobiliário das suas próprias entidades. De tal modo que os interesses que engendrem as suas contas bancárias e depósitos, ou o benefício de empréstimos ou bonos, veram-se afectados pela medida.

Gestha denunciou o real decreto ante o Tribunal Supremo, ao considerar que "é ilegal e atenta gravemente contra o Estado de direito, já que excede o disposto pela Lei do IRPF 2006, na medida em que um regulamento nom pode modificar umha lei de classe superior, que se aprovou precisamente para evitar o abuso fraudulento das operaçons financeiras entre sócios e sociedades", ou o que é o mesmo, banqueiros e bancos.

Outra medida polémica do executivo estatal foi a aprovaçom em Janeiro 2008 de umha rebaixa 400 euros nas retençons por IRPF anuais para assalariados e pensionistas. Devandito conceito, que afectava por igual tanto a grandes capitais como a assalariados, nom incluía a sete milhons de trabalhadores e pensionistas que, ao nom fazer declaraçom da renda, nom se beneficiavam da medida, assim como a aqueles cujas retençons eram menores a 400 euros.

Amnistia aos paraísos
Em Dezembro, o ex ministro de Trabalho, Jesús Caldera, apresentava o primeiro relatório da Fundaçom Ideias, considerada "a fábrica de ideias do PSOE". O devandito relatório propunha, entre outras medidas, acabar com os paraísos fiscais, para o que advogava por introduzir um processo de regularizaçom fiscal progressiva e coordenada em todo mundo até 2015, no que os capitais que abandonem estes paraísos nom serám penalizados e tributaram a um nível inferior, sem fazer distinçom sobre a procedência dos mesmos. Trás essa sorte "amnistia fiscal" para grandes fortunas e empresas, os paraísos fiscais ficariam completamente proibidos e os Estados que os mantivessem seriam excluídos de todos os organismos financeiros internacionais.

04-04-2009

Link permanente 00:37:33, por José Alberte Email , 197 palavras   Português (GZ)
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O FACISMO MUDA A PELE MAS PERMANECE: Paralelismos de Gallardon com Mussolini

Ramón Pedregal Casanova

Ainda que, olhe você por onde, um paralelismo com o que vai fazer Gallardón e Rouco, um paralelismo, repito, que pouco se sabe: Mussolini, na sua vontade de acabar com a oposiçom, após o sequestro e assassinato de Giacomo Mattoti, dirigente socialista, desata uma campanha de repressom como nom se tinha conhecido dantes contra toda a opiniom antifascista; a polícia política e o tribunal de excepçom arrasam toda a vida democrática. É entom quando a igreja católica, a que nos recorda, melhora suas posiçons políticas e apoia ao criminoso Mussolini; em compensaçom, o criminoso assina com seus amigos e colaboradores bispos, curas e freiras, os chamados Pactos de Letran, em 1929, neles a igreja católica reconhece ao Estado Fascista e Mussolini impulsiona a criaçom do Estado Vaticano; Gallardón impulsiona a criaçom do minivaticano em Madrid com seu amigo Rouco; O Ministro de justiça de Mussolini que implantou o estado de terror contra os antifascistas se chamava Rocco, o papa de Madrid chama-se Rouco. Quantos acordos e coincidências, paralelismos, para roubar O Parque da Cornisa aos vizinhos e madrilenhos.

03-04-2009

Link permanente 00:51:17, por José Alberte Email , 226 palavras   Português (GZ)
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A morte do manifestante em Londres nom foi tam "natural". A POLÍCIA PROVOCOU OS CONFRONTOS

Por: Povos Sem Fronteiras

02 de abril 2009. - Os protestos desta quarta-feira em Londres saldarom-se com a morte de um manifestante, mais de 80 presos e dezenas de feridos, no marco dos protestos pola reuniom dos líderes dos 20 países mais industrializados.

Os protestos, inicialmente pacíficos, tornarom-se violentas quando a policia separou em grupos aos milhares de cidadans que marchavam contra as políticas do G20, em "curros", lhes impedindo o movimento por horas.

Activistas entrevistados por Povos sem Fronteiras denunciarom que os agentes impedírom o movimento por horas a homens, mulheres e meninos, que nom tinham acesso a comida, água ou banhos.

Os confrontos com a polícia concentraram-se no centro financeiro de Londres. Defensores do médio ambiente, estudantes, trabalhadores e pacifistas denunciaram que os governos continuam resgatando aos bancos, causantes da crise económica mundial, e esquecendo-se dos pobres.

Um grupo de jovens provocou destroços no Royal Bank of Scotland, a instituiçom bancária que tem causado a ira popular ao se conhecer que seu ex presidente receberá mais de um milhom de dólares ao ano de pensom, em momentos em que a crise económica está a golpear a Gram-Bretanha.

Mais tarde, a polícia arremeteu a golpes contra um grupo de estudantes que realizaram um acto de desobediência civil pacífica, sentando no meio da rua.

01-04-2009

Link permanente 00:12:04, por José Alberte Email , 3177 palavras   Português (GZ)
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COLAPSO ECONÓMICO: A "inundação de dólares" financia o crescimento militar global dos EUA

por Michael Hudson
Professor de Teoria Económica na Universidade de Missouri – Kansas City,

Estou a viajar pela Europa há três semanas para discutir a crise financeira global com responsáveis de governos, políticos e líderes trabalhistas. O mais notável é quão diferentemente o problema financeiro é percebido aqui. É como estar em outro universo económico, não apenas em outro continente.

Os media dos EUA estão silenciosos acerca dos tópicos mais importantes que os decisores políticos discutem aqui (e suspeito que na Ásia também): como proteger os seus países de três dinâmicas inter-relacionadas: (1) o excesso de dólares que está a ser despejado no resto do mundo para ainda mais especulação financeira e takeovers corporativos; (2) o facto de os bancos centrais serem obrigados a reciclar estes influxos de dólares com a compra títulos do Tesouro dos EUA e assim financiar o défice do orçamento federal dos EUA; e, ainda mais importante (mas suprimido nos media dos EUA), (3) o carácter militar do défice de pagamentos dos EUA e do défice orçamental federal interno.

Por estranho que possa parecer e irracional como seria num sistema de diplomacia mundial que fosse mais lógico, a "inundação de dólares" é o que financia o crescimento militar global da América. Ela força bancos centrais estrangeiros a arcarem com os custos da expansão militar do império americano, uma efectiva "tributação sem representação". Manter reservas internacionais em "dólares" significa reciclar seus influxos de dólares na compra de títulos dos Tesouro dos EUA, emitidos pelo governo dos EUA em grande medida para financiar o sector militar.

Até à data, os países têm sido impotentes para se defenderem contra o facto de este financiamento compulsório dos gastos militares dos EUA estar embutido dentro do sistema financeiro global. Economistas neoliberais aplaudem isto como "equilíbrio", como se fosse parte da natureza económica e dos "mercados livres" ao invés de diplomacia claramente exercida com crescente agressividade por responsáveis dos EUA. Os mass media intrometem-se, pretendendo que reciclar a inundação de dólares para financiar os gastos militares estado-unidenses é "mostrar a sua fé na fortaleza económica dos EUA" com o envio dos "seus" dólares aqui para "investir". É como se houvesse nisto uma opção, não compulsão financeira e diplomática para simplesmente optar entre o "Sim" (da China, relutantemente), o "Sim, por favor" (do Japão e da União Europeia) e o "Sim, obrigado" (da Grã-Bretanha, Geórgia e Austrália).

Não é "a fé estrangeira na economia dos EUA" que leva os de fora a "colocarem o seu dinheiro aqui". Isto é um tolo quadro antropomórfico de uma dinâmica mais sinistra. Os "estrangeiros" em causa não são consumidores a comprar exportações dos EUA, nem são "investidores" do sector privado a comprar acções e títulos dos EUA. As maiores e mais importantes entidades estrangeiras que colocam o "seu dinheiro" aqui são bancos centrais, e não é os "seu dinheiro" de modo algum. Eles estão a remeter de volta os dólares que exportadores estrangeiros e outros receptores entregam aos seus bancos centrais em troca de divisas internas.

Quando o défice de pagamentos dos EUA enche de dólares economias estrangeiras, estes bancos têm pouca opção além de comprar títulos do Tesouro dos EUA os quais são gastos por este no financiamento de um crescimento militar enorme e hostil destinado a cercar os principais recicladores de dólares, China, Japão e produtores de petróleo árabes da OPEP. Mas estes governos são forçados a reciclar influxos de um modo que financia políticas militares dos EUA a cuja formulação eles são alheios e que os ameaça cada vez mais beligerantemente. Foi por isso que a China e a Rússia tomaram a iniciativa de formar a Organização de Cooperação de Shangai (SCO) uns poucos anos atrás.

Aqui na Europa há uma consciência clara de que o défice de pagamentos dos EUA é muito maior do que o défice comercial. Basta simplesmente olhar a Tabela 5 dos dados da balança de pagamentos dos EUA compilados pelo Bureau of Economic Analysis (BEA) e publicados pelo Departamento do Comércio no seu Survey of Current Business para ver que o défice não se deve simplesmente ao facto de consumidores comprarem mais importações do que os Estados Unidos exportam quando o sector financeiro desindustrializa a sua economia. As importações dos EUA estão agora a afundar quando a sua economia se contrai e os consumidores estão agora a descobrir que são obrigados a pagar as dívidas que assumiram.

O Congresso disse aos investidores estrangeiros do maior possuidor de dólares, a China, para não comprar nada excepto talvez lojas de automóveis usados e talvez mais pacotes de hipotecas e acções da Fannie Mae, o equivalente de investidores japoneses a serem pilotados para o gasto de US$1 mil milhões no Rockefeller Center, nos quais a seguir tiveram uma perda de 100%, e ao investimento saudita no Citigroup. Esta é a espécie de "equilíbrio internacional" que os responsáveis dos EUA gostam de ver. "CNOOK [NT] go home" é a palavra-de-ordem quando há tentativas sérias de governos estrangeiros e seus fundos de riqueza soberana (departamentos de bancos centrais a tentarem imaginar o que fazer com a sua inundação de dólares) de fazerem investimentos directos na indústria americana.

De modo que somos confrontados com a extensão em que o défice de pagamentos dos EUA tem origem nos gastos militares. O problema não é só a guerra no Iraque, agora a ser estendida ao Afeganistão e ao Paquistão. É o dispendioso crescimento de bases militares dos EUA na Ásia, Europa, países pós-soviéticos e do Terceiro Mundo. A administração Obama prometeu tornar o montante real destes gastos militares mais transparente. Isto presumivelmente significa publicar um conjunto revisto dos números da balança de pagamentos bem como estatísticas do orçamento federal interno.

A sobrecarga militar é como uma sobrecarga de dívida, extracção de receita da economia. Neste caso é para pagar o complexo militar-industrial, não simplesmente os bancos da Wall Street e outras instituições financeiras. O défice do orçamento federal interno não brota só do "estímulo" de distribuir enormes somas para criar uma nova oligarquia financeira. Ele contém um enorme componente militar em crescimento rápido.
De modo que europeus e asiáticos vêm companhias dos EUA a despejarem cada vez mais dólares para dentro das suas economias, não só para comprarem as suas exportações sem lhes proporcionar bens e serviços em retorno, e não só para comprarem as suas companhias e "postos de comando" de empresas públicas privatizadas sem lhes dar o direito recíproco de comprar companhias importantes nos EUA (recordar que os EUA rejeitaram a tentativa da China de comprar negócios de distribuição de petróleo nos EUA), e não só para comprar acções, títulos e imobiliário estrangeiro. Os media dos EUA de certa forma esquecem de mencionar que o governo estado-unidense está a gastar centenas de milhares de milhões de dólares no exterior não só no Médio Oriente no combate directo, mas também para construir enormes bases militares a fim de cercar o resto do mundo, para instalar sistemas de radar, sistemas de mísseis guiados e outras formas de coerção militar, incluindo as "revoluções coloridas" que tem sido financiadas e ainda o são em torno da antiga União Soviética. Paletes de notas de US$100 envolvidas em plástico, cada uma das quais soma dezenas de milhões de dólares, tornaram-se imagens familiares em algumas emissões de TV, mas não se faz a ligação com os gastos militares e diplomáticos dos EUA e com os haveres em dólares de bancos centrais estrangeiros, os quais são relatados simplesmente como a "maravilhosa fé da recuperação económica dos EUA" e presumivelmente na "mágica monetária" que está a ser montada no Tesouro por Tim Geithner da Wall Street e pelo Helicóptero Ben Bernake no Federal Reserve.

Aqui está o problema: A companhia Coca-Cola recentemente tentou comprar o maior produtor e distribuidor de sumo de frutas da China. A China já possui aproximadamente US$2 milhões de milhões (trillion) em títulos dos EUA a mais do que precisa ou pode utilizar, visto que o Governo dos Estados Unidos recusa-se a deixá-la que compre companhias significativas nos EUA. Se a compra estado-unidense tivesse sido permitida, isto teria confrontado a China com um dilema: A Opção 1 seria deixar a venda consumar-se e aceitar pagamento em dólares, reinvestindo-os no que o Tesouro dos EUA lhes diz, em títulos do Tesouro que rendem cerca de 1%. A China assumiria uma perda capital sobre isto quando as taxas de juros dos EUA ascendessem ou quando o dólar declinasse pois os Estados Unidos estão insistindo isoladamente em políticas expansionistas keynesianas numa tentativa de permitir às companhias dos EUA que arquem com o seu fardo de dívidas.

A Opção 2 é não reciclar os influxos de dólares. Isto levaria o renminbi a subir em relação ao dólar, desgastando dessa forma a competitividade das exportações chinesas nos mercados mundiais. Assim, a China optou por um terceiro caminho, o qual provocou protestos dos EUA. Ela descartou a venda da sua companhia tangível por simples dólares "de papel" os quais combinavam-se com a "opção" de mais uma vez financiar o cerco militar dos EUA aos países da Organização de Cooperação de Shangai (SCO). As únicas pessoas que parecem não estar a perceber isto são os mass media americanos e portanto o público. Posso assegurar a partir de experiência pessoal que isto é percebido aqui na Europa. (Eis uma boa questão diplomática a discutir: Qual será o primeiro país europeu além da Rússia a aderir ao SCO?)

Os manuais académicos nada têm a dizer acerca de como o "equilíbrio" em movimentos de capital especulativo estrangeiro bem como em investimento directo é infinito só até ao ponto em que a economia dos EUA é afectada. A economia dos EUA pode criar dólares livremente, agora que eles já não são convertíveis em ouro ou mesmo em compras de companhias dos EUA, na medida em que a América permanece a economia mais protegida do mundo. Isto só é permitido para proteger a sua agricultura mediante quotas de importação, tendo aberto esta excepção ("grandfathered") nas regras do comércio mundial meio século atrás. O Congresso recusa-se a deixar fundos de "riqueza soberana" investirem em importantes sectores dos EUA.

Assim, somos confrontados com o facto de que o Tesouro dos EUA prefere que bancos centrais estrangeiros se mantenham a financiar o seu défice orçamental interno, o que significa financiar o custo da guerra da América no Médio Oriente e o cerco de países estrangeiros com um cordão de bases militares. Quanto mais "saídas de capital" os investidores gastarem para comprar os sectores mais lucrativos de economias estrangeiras, onde os novos proprietários estado-unidenses podem extrair as mais altas rendas de monopólio, mais fundos acabam em bancos centrais estrangeiros para suportar o crescimento militar global da América. Nenhum manual de teoria política ou relações internacionais sugeriu axiomas para explicar porque os países actuam de um modo tão adverso aos seus próprios interesses políticos, militares e económicos. Mas isto é exactamente o que tem estado a acontecer durante a última geração.

Assim, a questão final acaba por ser o que podem os países fazer para conter este ataque financeiro. Um sindicato de trabalhadores basco perguntou-me se eu pensava que o controle de movimentos de capital especulativo asseguraria que o sistema financeiro actuasse no interesse público. Ou seria necessária a nacionalização sem rodeios para melhor desenvolver a economia real?

Não é simplesmente um problema de "regulação" ou de "controle de movimentos de capital especulativo". A questão é como nações podem actuar como nações reais, no seu próprio interesse, ao invés de serem amarradas ao serviço do quer que seja que diplomatas dos EUA decidam ser do interesse da América.

Qualquer país que tentasse fazer o que os Estados Unidos tem feito durante os últimos 150 anos seria acusado de ser "socialista" e isto pela mais anti-socialista economia do mundo, excepto quando recorre a salvamentos para os seus bancos, "socialismo para o ricos", também conhecidos como oligarquia financeira. Esta retórica quase não deixa alternativa senão a nacionalização completa do crédito como um serviço público básico.

Naturalmente, a palavra "nacionalização" tornou-se um sinónimo para o salvamento dos bancos maiores e mais temerários dos seus maus empréstimos, e para salvar hedge funds e contrapartes não bancárias por perdas no "capitalismo de casino", jogando com derivativos que a AIG e outras seguradoras ou actores no lado perdedor destes jogos são incapazes de pagar. Tais salvamentos não são nacionalização no sentido tradicional do termo, de devolver a criação de crédito e outras funções financeiras básicas ao domínio público. Trata-se do oposto. Ela imprime novos títulos governamentais para submetê-los, juntamente com poder auto-regulatório, ao sector financeiro, bloqueando a cidadania de assumir estas funções.

Enquadrando a questão como uma escolha entre democracia e oligarquia traz a questão de quem irá controlar o governo que faz a regulação e "nacionalização". Se for feita por um governo cujo banco central e os principais comité do Congresso que tratam de finanças são dirigidos pela Wall Street, isto não ajudará a dirigir o crédito para usos produtivos. Isto meramente continuará a era de Greenspan-Paulson-Geithner de mais e mais amplos almoços gratuitos para os seus clientes financeiros.

A ideia de "regulação" da oligarquia financeira é garantir que os desreguladores sejam instalados em posições chave e que se lhes dê um quadro de pessoal reduzido e pouco financiamento. Apesar do anúncio do sr. Greenspan de que tinha chegado a ver a luz e percebera que auto-regulação não funcionava, o Tesouro ainda é dirigido por um responsável da Wall Street e o Fed é dirigido por um lobbyista para a Wall Street. Para os lobbyistas, a preocupação real não é a ideologia como tal e sim o auto-interesse dos seus clientes. Eles podem procurar patetas com boas intenções, conduzidos como são pelos seguidores de Milton Friedman na Universidade de Chicago. Tais indivíduos são colocados no lugar como "porteiros" das principais publicações académicas a fim de impedir a entrada de ideias que não sirvam adequadamente os lobbyistas financeiros.

O pretexto para excluir o governo da regulação significativa é que as finanças são tão técnicas que só alguém da "indústria" financeira é capaz de regulá-la. Para aumentar ainda mais a infâmia, é feita a afirmação adicional e contra-intuitiva de que uma marca da democracia é tornar o banco central "independente" do governo eleito. Na realidade, naturalmente, isso é exactamente o oposto de democracia. As finanças são o centro do sistema económico. Se não forem reguladas democraticamente no interesse público, então estão "livres" para serem dominadas pelos interesses especiais. Assim, isto torna-se a definição oligárquica de "liberdade de mercado".

O perigo é que os governos deixem o sector financeiro determinar como serão aplicadas as "regulações". Os interesses especiais procuram ganhar dinheiro a partir da economia e o sector financeiro faz isto de um modo extractivo. Aqui está o seu plano de marketing. Financiar hoje é actuar de um modo que desindustrialize economias, não que as construa. O "plano" é austeridade para o trabalho, a indústria e todos os sectores fora das finanças, como nos programas do FMI impostos sobre infelizes países devedores do Terceiro Mundo. A experiência da Islândia, Letónia e outras economias "financiarizadas" deveria ser examinada como lições objectivas, mesmo porque eles estão no topo da classificação dos países feita pelo Banco Mundial quanto à "facilidade para fazer negócio".

A única regulação significativa só pode vir de fora do sector financeiro. De outra forma, os países sofrerão o que os japoneses chamam "a descida do céu": os reguladores são seleccionados entre as fileiras dos banqueiros e dos seus "idiotas úteis". Ao saírem do governo eles retornam ao sector financeiro com empregos lucrativos, convites para conferências bem pagas e pagamentos afins. Sabendo disto, regulam em favor dos interesses financeiros especiais, não o do público em geral.

O problema dos movimentos do capital especulativo vai além da formulação de um conjunto de regulações específicas. Refere-se ao âmbito do poder do governo nacional. Os artigos do Acordo do Fundo Monetário Internacional impedem os países de restaurar os sistemas de "taxas de câmbio duplas" que muitos adoptaram ao longo da década de 1950 e mesmo nos anos 60. Era prática generalizada de muitos países haver uma taxa de câmbio para bens e serviços (por vezes várias taxas de câmbio para diferentes categorias de importação e exportação) e uma outra para "movimentos de capital". Sob pressão americana, o FMI impingiu a ficção de que há uma taxa de "equilíbrio" que acontece ser a mesma tanto para bens e serviços como para movimentos de capital. Os governos que não adoptaram esta ideologia foram excluídos da condição de membros do FMI e do Banco Mundial ou foram derrubados.

A implicação hoje é que o único meio com que um país pode bloquear movimentos de capital é retirando-se do FMI, do Banco Mundial e da Organização Mundial de Comércio (OMC). Pela primeira vez desde a década de 1950, isto parece uma possibilidade real, graças à tomada de consciência à escala mundial de como a economia dos EUA está a inundar a economia global com um excesso de dólares "de papel" e à intransigência estado-unidense em travar este seu benefício gratuito. Na perspectiva privilegiada dos EUA, isto é nada menos do que uma tentativa de restringir o seu programa militar internacional.

26-03-2009

Link permanente 18:43:11, por José Alberte Email , 98 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Ensaio

ATROCIDADES NAZI-SIONISTAS

Resistir.info

Uma t-shirt ostentando uma palestina grávida sob uma alça de mira e a inscrição "Um tiro duas mortes". Foi a imagem escolhida por snipers (atiradores de elite) da infantaria israelense. Outras t-shirts exibem bebés mortos, mães a chorarem sobre os túmulos dos seus filhos, armas apontadas a crianças e mesquitas bombardeadas. Há uma loja em Tel Aviv especializada em imprimir as ditas t-shirts e cada pelotão escolhe a imagem que vai usar. As atrocidades praticadas pela entidade nazi-sionista já não são escondidas – são mesmo exibidas.

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