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31-10-2008

Link permanente 18:10:12, por José Alberte Email , 82 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Dezires

Aisha

Barbárie

Aisha Ibrahim foi enterrada até o pescoço e apedrejada até sua morte. A execuçom foi levada a cabo por mais de cem homens, e mais de mil pessoas observárom esta manifestaçom de inumanidade. Segundo testemunhas presenciais, a agonia de Aisha foi longa e o apedrejamento tam lento que se interrompeu três vezes para comprovar se tinha morrido. Aisha era uma mulher somalí, tinha 23 anos e condenarom-na a morte por adultério. Terrível mas verdadeiro.

24-10-2008

Link permanente 00:35:27, por José Alberte Email , 1670 palavras   Português (GZ)
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Alemães lembram Das Kapital e a RDA

Em tempos de crise, alemães lembram Das Kapital e a RDA
por Victor Grossman [*]
Sim, a grande crise económica também está a atingir a Alemanha. As provas incluem os encontros apressados de políticos de topo e a decisão do governo de coligação de democratas cristãos e social-democratas de salvar os bancos em aperto com um crédito de 500 mil milhões de euros.

Outra prova: o famoso livro Das Kapital , de Karl Marx, está a vender bastante mais que nos últimos anos; o seu principal editor já vendeu 1500 cópias em 2008; no passado vendia, quanto muito, 500 cópias num ano inteiro. Mais pessoas parecem estar à procura de explicações e até soluções. (Mas o editor avisa que para leigos o livro pode ser de difícil leitura.)

Uma terceira prova: os empregados da fábrica da Opel da cidade de Eisenach, no Leste da Alemanha, passaram a trabalhar apenas quatro dias a cada duas semanas. A Opel pertence à General Motors, a qual se sabe estar a atravessar um mau bocado. Ainda me lembro da alegria dos trabalhadores de Eisenach há dezanove anos quando tiveram a oportunidade de trabalhar para uma tão famosa e gigantesca companhia – e de comprar os seus carros
Uma ainda mais curiosa prova: um recente inquérito a alemães de leste levado a cabo por uma importante revista descobriu que 52 por cento perderam a sua confiança na economia de mercado livre, enquanto 43 por cento apoiariam um regresso à economia socialista.

A maioria dos entrevistados para este artigo concordaram. Olhando de volta para os dias da RDA, um trabalhador de 46 anos da Berlim de Leste disse, "Na escola líamos acerca dos 'horrores do capitalismo'. Aí acertaram. Karl Marx tinha razão… Eu tinha uma vida bastante boa antes do Muro cair. Ninguém se preocupava com dinheiro porque realmente este não importava". Um ferreiro reformado disse: "O mercado livre é brutal. O capitalista quer espremer mais e mais e mais". E um funcionário da câmara juntou-se: "Não creio que o capitalismo seja o sistema certo para nós… A distribuição de riqueza é injusta. Agora estamos a vê-lo. As pessoas pequenas como nós vão ter de pagar por esta trapalhada financeira com impostos mais altos por causa de banqueiros gananciosos". Outro alemão de leste lembra-se de ter ficado encantado com a queda do Muro de Berlim e com a substituição do comunismo pelo capitalismo. Mas adiciona, "Demorou apenas algumas semanas para perceber tudo o que era a economia de mercado livre… materialismo gritante e exploração. Os seres humanos perdem-se. Não tínhamos os confortos materiais, mas o comunismo ainda assim tinha muito a seu favor".

Tais sentimentos aparecem nas urnas eleitorais. O jovem partido chamado A Esquerda (Die Linke), cujas origens remontam fortemente ao antigo partido dominante da Alemanha de Leste e cujos programas, apesar de muitas alterações, ainda apelam ao socialismo, ganhou o segundo lugar em quatro de cada cinco estados da Alemanha de Leste, é o mais forte partido de Berlim Oriental e actualmente lidera as sondagens em toda a Alemanha de Leste. Desde que se juntou a um partido de esquerda na Alemanha Ocidental, está lenta mas consistentemente a espalhar-se por aí também.

Tudo isto é de facto preocupante, mesmo alarmante, para os quatro partidos que até agora lideraram no poleiro político alemão. Mas estes não estão a abandonar a fortaleza do capitalismo da livre iniciativa de modo algum, com ou sem crise.

Quase todas as noites um ou outro canal alemão de TV explica aos espectadores como a vida era terrível na RDA. Por vezes vários canais competem por este trabalho. Dois temas constantes, claro, são os terrores da Stasi e os horrores do Muro de Berlim. Mas também há variedade: como eram na verdade muito maus os centros para crianças na RDA, como os atletas eram obrigados a sofrer, como as férias eram arregimentadas, como os líderes eram corruptos, como a música era pobre, como os livros, peças ou filmes eram censurados. Esta "iluminação" é frequentemente apresentada sob a forma de reportagem histórica, mas por vezes são-nos apresentados dramas de longa duração e até filmes de cinema, alguns muito bem feitos. Mensagens similares são introduzidas na forma de pequenas farpas, introduzidas até nas mais breves e irrelevantes notícias.

Alguns dos factos são indubitavelmente correctos. Muitas das impressões pessoais são certamente genuínas. Havia bastante mais burocracia que a necessária, havia dogmatismo, repressão e injustiça durante os quarenta anos que durou a República Democrática Alemã. Mas há três coisas que me ocorrem quando vejo estes programas ou, mais e mais frequentemente, os desligo após alguns minutos.

Por vezes tentam fisgar a audiência através da aparência de imparcialidade admitindo, geralmente com um ligeiro sarcasmo, que, apesar de tudo, poderiam haver alguns aspectos aceitáveis na vida na RDA. Mas a mensagem avassaladora retorna sempre à usual imagem desfocada com todos os clichés, ignorando muitos dos aspectos da vida que eram normalíssimos e que podiam ser bastante agradáveis. Mas foi exactamente esta mistura de bons e maus factores que observei durante os 36 anos que vivi na RDA, participando no dia-a-dia como um aprendiz, um trabalhador, um estudante e um jornalista que visitou praticamente cada canto e buraco do país e falou, pública e privadamente, com pessoas de toda a espécie. Mas os media preferem destruir e esmagar, o resto é essencialmente esquecido, e os media não apresentam virtualmente qualquer hipótese de rebate.

Pode parecer um mistério o porquê de os programas que nos informam quão duros terão sido aqueles anos de miséria não terem diminuído em número e ferocidade, uma vez que a RDA está morta desde 1990. Porque é que insistem tanto em bater no cavalo morto?

A sondagem anteriormente citada responde mais obviamente que nunca. É verdade, o fim da RDA em 1990, oficialmente chamado reunificação alemã, mas também referido por muitos como "anexação", trouxe uma série de bens de consumo anteriormente difíceis de obter ou desconhecidos, desde bananas e kiwis a BMWs e viagens oceânicas. As viagens pelo mundo tornaram-se possíveis, o comércio de retalho expandiu-se, as casas foram renovadas, os cafés multiplicaram-se, o trânsito e a publicidade, desde luzes de néon a anúncios de televisão, virtualmente explodiram. Uma certa percentagem das pessoas certamente viveu e ainda vive melhor que antes, talvez cerca de um terço.

Mas muitos pagaram um pesado preço, que agora está a ser agravado pela nova crise financeira e económica. Milhões de empregos perderam-se após 1990 quando os preços "impostos" às fábricas da Alemanha de Leste as levaram à extinção ou a serem compradas por competidores ocidentais por ninharias e rapidamente encerradas. O desemprego manteve-se constante e o dobro daquele da região ocidental (está agora próximo dos 14 porcento) e os salários e pensões também consistentemente abaixo do nível dos alemães ocidentais, geralmente 30 por cento menos.

Muito gradualmente, algumas áreas começaram a levantar-se – alguns resorts no Báltico, algumas fábricas de partes de carro e de electrónica, por exemplo. Mas os outros factores pioraram. Os cuidados médicos tornaram-se mais e mais caros. As taxas subiram ou ameaçaram subir para o cuidado infantil e a educação. Os impostos, excepto para os ricos, aumentaram. As reformas, cada vez valendo menos, são agora aos 67 anos (na RDA os homens recebiam a reforma aos 65 e as mulheres aos 60). Pior que tudo, há pouca ou nenhuma segurança. Mesmo aqueles trabalhando para as poucas empresas famosas e bem estabelecidas que abriram fábrica na Alemanha de Leste nunca sabem quando os seus serviços serão dispensados; uma amiga minha perdeu o seu emprego exactamente no seu 50º aniversário. Para aqueles que são despedidos depois dos 45 ou 50, é extremamente difícil encontrar um novo emprego, e após um ano sem emprego os subsídios de apoio fornecidos reduzem os seus receptores à pobreza e virtualmente à subserviência. E agora, enquanto a situação ainda não atingiu as proporções dos EUA, os sem-abrigo estão a aumentar. Será surpresa que as pessoas se relembrem os dias da RDA quando os empregos eram seguros e os despejos eram proibidos por lei?

Mas tudo isso era conhecido como "socialismo". A própria ideia de tais recordações assusta as poderosas forças que controlam os três principais partidos e influenciam fortemente o quarto, o dos outrora progressivos Verdes. Há alguns anos um ministro social-democrata exigiu a "des-legitimação da RDA". Cada truque que exista, cada mecanismo de propaganda, está a ser utilizado nesta luta. Um grande campo de batalha é o sistema escolar onde, ao contrário da TV, existe algum diálogo. Os políticos de topo queixam-se constantemente que os alunos da Alemanha de Leste estão "mal informados acerca da história alemã recente" e que, em vez de ouvirem o que os professores são comandados a ensinar ou o que rezam os novos livros de texto, são frequentemente influenciados pelo que os seus pais e avós lhes contam sobre a vida nos velhos tempos, não apenas os maus, mas também os bons. Os políticos quase histericamente exigem métodos que cada vez mais forcem os alunos, livros cada vez mais parciais, ainda mais agora para os vindouros aniversários da fundação dos dois estados alemães (1949) e para a "Queda do Muro" (1989). Quem vencerá este jogo de puxar a corda? Ou melhor, quem ganhará mais terreno? As próximas eleições, a nível estatal e nacional – e talvez algumas demonstrações de protesto ou greves – podem fornecer algumas respostas.

Link permanente 00:09:53, por José Alberte Email , 1253 palavras   Português (GZ)
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A lei da selva

O comércio dentro da sociedade e entre os países é o intercâmbio de bens e serviços produzidos pelos seres humanos. Os donos dos meios de produção se apropriam dos lucros. Eles dirigem, como classe, o estado capitalista e se ufanam de serem os impulsores do desenvolvimento e do bem-estar social através do mercado, ao qual se rende culto como deus infalível.

Dentro de cada país é a concorrência entre os mais fortes e os mais débeis, os de mais vigor físico, os que se alimentam melhor, os que aprenderam a ler e escrever, os que foram às escolas, os que acumulam mais experiência, mais relações sociais, mais recursos, e os que carecem dessas vantagens dentro da sociedade.

Entre países, os que têm melhor clima, mais terra cultivável, mais água, mais recursos naturais no espaço em que lhes tocou viver quando não existem mais territórios para conquistar, os que dominam as tecnologias, os que possuem mais desenvolvimento e manejam infinitos recursos midiáticos, e os que, pelo contrário, não desfrutam nenhuma destas prerrogativas. São as diferenças às vezes abismais entre as que se qualificam como nações ricas ou pobres.

É a lei da selva.

As diferenças entre as etnias não existem quando se refere às faculdades mentais do ser humano. É algo mais que comprovado cientificamente. A sociedade atual não foi a forma natural em que evoluiu a vida humana; foi uma criação do homem já mentalmente desenvolvido, sem a qual não se pode conceber sua própria existência. O que se propõe é, portanto, se o ser humano poderá sobreviver ao privilégio de possuir uma inteligência criadora.

O sistema capitalista desenvolvido, cujo máximo expoente é o país de natureza privilegiada onde o homem branco europeu levou suas idéias, seus sonhos e suas ambições, encontra-se hoje em plena crise. Não é a habitual de cada certo número de anos, nem sequer a traumática dos anos trinta, senão a pior de todas desde que o mundo seguiu esse modelo de crescimento e desenvolvimento.

A atual crise do sistema capitalista desenvolvido ocorre quando o império está próximo de mudar de chefatura nas eleições que acontecerão dentro de vinte e cinco dias; era o único que faltava para ver.

Os candidatos dos dois partidos que decidem essas eleições, tratam de persuadir aos desconcertados eleitores, muitos dos quais não se preocuparam nunca por votar, de que eles, como aspirantes à Presidência, são capazes de garantir o bem-estar e o consumismo do que qualificam como um povo de camadas médias, sem o menor propósito de verdadeiras mudanças no que consideram o mais perfeito sistema econômico que o mundo conheceu; um mundo que, evidentemente, na mentalidade de cada um deles, é menos importante que a felicidade de trezentos e tantos milhões de habitantes de uma população que não chega ao cinco por cento dos habitantes do planeta. A sorte dos outros noventa e cinco por cento dos seres humanos, a guerra e a paz, a atmosfera respirável ou não, dependerá em grande parte das decisões do chefe institucional do império, se é que esse cargo constitucional tem ou não poder real na época das armas nucleares e dos escudos espaciais manejados por computadores em circunstâncias tais que os segundos são decisivos e os princípios éticos têm cada vez menos vigência. Não se pode, no entanto, ignorar o papel mais ou menos nefasto que corresponde a um presidente desse país.

Nos Estados Unidos existe um profundo racismo, e a mente de milhões de brancos não se reconcilia com a idéia de que uma pessoa negra com a esposa e as crianças ocupem a Casa Branca, que se chama assim: Branca.

Por puro milagre o candidato democrata não sofreu a sorte de Martin Luther King, Malcolm X e outros, que albergaram sonhos de igualdade e justiça nas décadas recentes. Tem também o hábito de olhar ao adversário com serenidade e rir dos apertos dialéticos de um oponente que olha para o vazio.

Por outro lado, o candidato republicano, que cultiva sua fama de homem belicoso, foi um dos piores alunos de seu curso em West Point. Não sabia nada de Matemáticas, segundo confessa, e é de supor que muito menos das complicadas ciências econômicas. Sem dúvida, seu adversário o supera em inteligência e serenidade.

O que mais aparece em McCain são os anos, e sua saúde não é no absoluto segura.

Menciono estes dados para assinalar a eventual possibilidade, se algo ocorresse com a saúde do candidato republicano, se o elegem, de que a senhora do rifle e inexperiente ex-governadora do Alaska fosse Presidenta dos Estados Unidos. Observa-se que não sabe nada de nada.

Meditando sobre a dívida pública atual dos Estados Unidos que o presidente Bush descarrega sobre as novas gerações nesse país, dez trilhões duzentos sessenta e seis bilhões, tive a idéia de calcular o tempo que um homem demoraria para contar a dívida que aquele praticamente duplicou em oito anos.

Supondo oito horas de trabalho líquido diário sem perder um segundo, ao ritmo rápido de cem notas de um dólar por minuto, 300 dias de trabalho ao ano, um homem demoraria setecentos dez bilhões de anos para contar essa soma.

Não encontrei outra forma gráfica de imaginar o volume dessa soma de dinheiro que se menciona quase diariamente nestes dias.

O governo dos Estados Unidos, para evitar um pânico generalizado, declara que garantirá depósitos das poupanças que não ultrapassem os 250 mil dólares; administrará bancos e cifras de dinheiro que Lenin, com ábacos, não teria imaginado contabilizar.

Podemos nos perguntar agora que aporte a administração Bush fará ao socialismo. Mas não nos façamos ilusões. Quando o funcionamento dos bancos se normalize, os imperialistas lhes devolverão às empresas privadas, como fez um ou outro país neste hemisfério. O povo sempre paga as contas.

O capitalismo tende a se reproduzir em qualquer sistema social, porque parte do egoísmo e dos instintos do homem.

À sociedade humana não lhe resta outra alternativa que superar essa contradição, porque de outra forma não poderia sobreviver.

Neste momento, o mar de dinheiro que os bancos centrais dos países capitalistas desenvolvidos lançam às finanças mundiais está atingindo fortemente as bolsas dos países que tratam de superar o subdesenvolvimento econômico e vão a essas instituições. Cuba não possui bolsa de valores. Sem dúvida surgirão formas de financiamento mais racionais, mais socialistas.

A crise atual e as brutais medidas do governo dos Estados Unidos para se salvar trarão mais inflação, mais desvalorização das moedas nacionais, mais perdas dolorosas dos mercados, menores preços para as mercadorias de exportação, mais intercâmbio desigual. Mas trarão também aos povos mais conhecimento da verdade, mais consciência, mais rebeldia e mais revoluções.

Veremos agora como se desenvolve a crise e daí o que ocorre nos Estados Unidos dentro de vinte e cinco dias.

Fidel Castro Ruz

19-09-2008

Link permanente 00:34:57, por José Alberte Email , 321 palavras   Português (GZ)
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Agora fame, cadeia e míseria para o pobre

IAR-Noticias

Parecia inconmovível: Os (geralmente idiotizados) analistas vendidos do sistema baptizaram-no "Globalizaçom". Tratava-se, na realidade, de um vulgar macro-roubo capitalista de "fronteiras abertas" possibilitado pola tecnologia informática e o controle de governos e países a escala planetária. Na década do 90, no mundo periférico, e com a doutrina do "Consenso de Washington" foram destruídos sistematicamente os Estados nacionais e suas legislações protectoras em nome do "livre mercado" e a "abertura económica". E - da mão das transferências computadorizadas- nasceu era-a do "capitalismo sem fronteiras" desde a matriz do sistema financeiro imperial com assento em Wall Street. O sionismo empresário multinacional (abrigado sob a sombrinha militar-nuclear do Império "unipolar"), converteu aos países periféricos em "economias de encrave" e começou a transferir enormes recursos financeiros (produto da depredaçom económica) aos países centrais. Estes recursos, finalmente, foram utilizados para uma segunda fase complementar de exploraçom e rentabilidade capitalista em alta escala: A especulaçom financeira. E, como nom podia ser de outra maneira, na década do 90, na catedral imperial de Wall Street nasceu a "borbulha financeira", ou o reinado da "economia de papel". Tratou-se (e trata-se ainda) da máxima abstracçom da rentabilidade capitalista: A reproduçom do dinheiro polo dinheiro mesmo, fixando regras e dinâmicas próprias acima do sistema productivo real. Num salto qualitativo transformacional inédito, o sistema capitalista, dono dos Estados (centrais e dependentes) e de seus sistemas económicos productivos, consumou o que parecia impossível: A criaçom de uma "economia de papel" sem respaldo real. Hoje a "borbulha financeira" está a dançar no Titanic. Por falta de "efectivo" em janela, finalmente fizo crash, chocou contra a realidade, e começou a afundar-se à hora assinalada ante a impotência manifesta de seus criadores e sostenedores: Os Estados centrais do sistema capitalista. Bem-vindos a bordo

Link permanente 00:32:45, por José Alberte Email , 221 palavras   Português (GZ)
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Zahra Budkur

Ignácio Ramonet

Chama-se Zahra Budkur, tem vinte anos, é estudante na Universidade de Marrakech. Por ter participado numha marcha de protesto foi golpeado pela polícia, encarcerada junto com centenas de colegas na sinistra comiseria da Praça Jamaâ O Fna (visitada a diário por milhares de turistas) e bestialmente torturada.

Os guardas obrigaram-na a permanecer nua, enquanto tinha suas menstruaçons, durante dias, adiante de seus camaradas. Para protestar, Zahra iniciou umha greve de fome, e acha-se em estado de coma. Sua vida pende de um fio.

Ouviu alguém, em Europa, falar desta jovem estudante? Nossos meios de comunicaçom citaram talvez a trágica situaçom de Zahra? Nem umha palavra. Nengumha também nom sobre outro estudante, Abdelkebir O Bahi, arrojado pela polícia desde o alto de um terceiro andar e condenado para o resto de seus dias à cadeira de rodas por fractura da coluna vertebral.

Zero informaçom também sobre outros dezoito estudantes de Marrakech, colegas de Zahra, que, para protestar contra suas condiçons de detençom na prisom de Bulmharez, estão assim mesmo em greve de fome desde o 11 de junho. Alguns já nom se podem pôr em pé, vários vomitam sangue, outros estão a perder a vista e uns quantos, em estado comatoso, deveram ser hospitalizados.

03-09-2008

Link permanente 20:34:08, por José Alberte Email , 221 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Dezires

Zahra Budkur

Ignácio Ramonet

Chama-se Zahra Budkur, tem vinte anos, é estudante na Universidade de Marrakech. Por ter participado numha marcha de protesto foi golpeado pela polícia, encarcerada junto com centenas de colegas na sinistra comiseria da Praça Jamaâ O Fna (visitada a diário por milhares de turistas) e bestialmente torturada.

Os guardas obrigaram-na a permanecer nua, enquanto tinha suas menstruaçons, durante dias, adiante de seus camaradas. Para protestar, Zahra iniciou umha greve de fome, e acha-se em estado de coma. Sua vida pende de um fio.

Ouviu alguém, em Europa, falar desta jovem estudante? Nossos meios de comunicaçom citaram talvez a trágica situaçom de Zahra? Nem umha palavra. Nengumha também nom sobre outro estudante, Abdelkebir O Bahi, arrojado pela polícia desde o alto de um terceiro andar e condenado para o resto de seus dias à cadeira de rodas por fractura da coluna vertebral.

Zero informaçom também sobre outros dezoito estudantes de Marrakech, colegas de Zahra, que, para protestar contra suas condiçons de detençom na prisom de Bulmharez, estão assim mesmo em greve de fome desde o 11 de junho. Alguns já nom se podem pôr em pé, vários vomitam sangue, outros estão a perder a vista e uns quantos, em estado comatoso, deveram ser hospitalizados.

Link permanente 20:05:43, por José Alberte Email , 224 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Dezires

Marrocos - Terrorismo de Estado silênciado

Ignácio Ramonet

Chama-se Zahra Budkur, tem vinte anos, é estudante na Universidade de Marrakech. Por ter participado numha marcha de protesto foi golpeado pela polícia, encarcerada junto com centenas de colegas na sinistra delegacia da Praça Jamaâ O Fna (visitada a diário por milhares de turistas) e bestialmente torturada.

Os guardas obrigaram-na a permanecer nua, enquanto tinha suas menstruaçons, durante dias, adiante de seus camaradas. Para protestar, Zahra iniciou umha greve de fome, e acha-se em estado de coma. Sua vida pende de um fio.

Ouviu alguém, em Europa, falar desta jovem estudante? Nossos meios de comunicaçom citaram talvez a trágica situaçom de Zahra? Nem umha palavra. Nengumha também não sobre outro estudante, Abdelkebir O Bahi, arrojado pela polícia desde o alto de um terceiro andar e condenado para o resto de seus dias à cadeira de rodas por fractura da coluna vertebral.

Zero informaçom também sobre outros dezoito estudantes de Marrakech, colegas de Zahra, que, para protestar contra suas condiçons de detençom na prisão de Bulmharez, estão assim mesmo em greve de fome desde o 11 de junho. Alguns já não se podem pôr em pé, vários vomitam sangue, outros estão a perder a vista e uns quantos, em estado comatoso, deveram ser hospitalizados.

28-08-2008

Link permanente 00:07:53, por José Alberte Email , 424 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

Cáucaso, Mar Negro. Preâmbulos da Terceira Guerra Mundial

I.A.R.

O Cáucaso pode arder, e nom com petróleo: Moscou e o eixo USA-UE, segundo assalto.

Aproxima-se outro desenlace na "guerra energética": Moscou pede ajuda a China
Trata-se de uma guerra pelo controle das redes de oleodutos (corredores energéticos) euro-asiáticos onde China joga sua sobrevivência ao lado de Rússia. Ademais, na agenda militar e geopolítica do espaço asiático Pequim, igual que Rússia, se situa nas antípodas do projecto estratégico do eixo EEUU-UE que militarizou a região euro-asiática para desestabilizar as redes energéticas de Rússia, das quais Chinesa é a principal beneficiaria. Moscou e Pequim, em aberto desafio à hegemonia europeu-estadounidense, traçaram acordos militares estratégicos e consolidaram um bloco militar e económico comum em Ásia em aberto desafio à OTAN. Portanto, ninguém melhor que o gigante asiático para entender o cerco de pressão internacional que vive Moscou, seu sócio estratégico mais precioso, depois de sua decisão de controlar militarmente Geórgia, um dos encraves da rede de oleodutos das petroleiras estadunidenses controlados pelo Pentágono e a OTAN na região. A nova "guerra fria", é dantes que nada uma guerra económica pelo controle de recursos estratégicos, e o petróleo e o gás são os dois objectivos fundamentais em disputa. Os lineamentos do "novo ordem mundial" construído sobre a base do controle de mercados e recursos estratégicos é, fundamentalmente, um ordem criado para que as trasnacionais, os bancos, as petroleiras e a armamentistas capitalistas, façam "negócios". Nesse jogo, "O Grande Jogo", Moscou e Pequim movem suas próprias peças no teatro de operações da guerra intercapitalista por áreas de influência que se disputa desde Eurasia e os ex espaços soviéticos até o Médio Oriente. E nesse tabuleiro, o Kremlin sabe que só conta com dois aliados: Iram e China.
China, com seu poderio económico de terceira economia mundial, pode desbalancear a pressão económica exercida contra Moscou desde as organizações internacionais controladas pelo eixo USA-UE, enquanto Iram (dependente de Rússia em tecnologia militar e civil) representa o reasseguro petroleiro, geopolítico e militar para pressionar ao bloco ocidental desde o Médio Oriente. Para Putin e Medvedev, depois de posicionarse militarmente com o controle de Geórgia, e de comprovar a lentidão de reflexos do decadente Império capitalista "ocidental" referenciado no eixo USA-UE, chegou a hora de conversar com os amigos.

26-08-2008

Link permanente 17:14:26, por José Alberte Email , 90 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

Mais perto da grande guerra

I.A.R.

Moscou lança um Kosovo "multiplicado por dois", EEUU e a UE preparam uma contra-ofensiva, e a OTAN reparte "ajuda humanitária" com barcos carregados com mísseis nucleares. Um palco demasiado "raro", segundo alguns meios e analistas russos, que nesta terça-feira, depois do anúncio oficial russo sobre a independência de Abjasia e Osetia do Sul, auguravam que "algo está por passar" novamente no encrave geórgiano, vital para a sobrevivência geopolítica, militar e económica tanto de EEUU como de Moscou

24-08-2008

Link permanente 20:10:51, por José Alberte Email , 4275 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

Operação Sarkozy: Como a CIA colocou um dos seus agentes na presidência da República Francesa

por Thierry Meyssan*

Nicolas Sarkozy deve ser julgado pelas suas acções e não pela sua personalidade. Mas quando as suas acções surpreendem até os seus próprios eleitores, é legítimo debruçarmo-nos em pormenor sobre a sua biografia e interrogarmo-nos sobre as alianças que o conduziram ao poder. Este artigo descreve as origens do presidente da República Francesa. Todas as informações nele contidas são verificáveis, com excepção de duas imputações, pelas quais o autor assume a responsabilidade exclusiva.

Os franceses, cansados das demasiado longas presidências de François Mitterrand e de Jacques Chirac, elegeram Nicolas Sarkozy contando com a sua energia para revitalizar o país. Eles esperavam uma ruptura com anos de imobilismo e ideologias ultrapassadas. Tiveram uma ruptura com os princípios que fundam a nação francesa. Ficaram estupefactos pois este "hiper presidente", a apanhar um novo dossier a cada dia, a atrair a direita e a esquerda para si, a abalar todas as referências até criar uma completa confusão.

Tal como as crianças que acabam de fazer uma grossa asneira, os franceses estão demasiado ocupados a procurar desculpas para admitir a amplitude dos danos e a sua ingenuidade. Recusam-se portanto a ver quem realmente é Nicolas Sarkozy, o que deveriam ter percebido há muito.

O homem é hábil. Tal como um ilusionista, ele desviou as atenções ao oferecer a sua vida privada como espectáculo e a posar nas revistas populares, até fazer esquecer seu percurso político.
Que se compreenda bem o sentido deste artigo: não se trata de criticar o sr. Sarkozy pelas suas ligações familiares, de amizade e profissionais, mas de criticá-lo por ter escondido suas ligações aos franceses que acreditaram, erradamente, estar a eleger um homem livre.
Para compreender como um homem em que todos hoje concordam em ver o agente dos Estados Unidos e de Israel pode tornar-se o chefe do partido gaullista, depois presidente da República Francesa, é preciso remontar atrás. Muito atrás. Teremos de efectuar uma longa digressão no decorrer da qual apresentaremos os protagonistas que hoje se vingam.

Segredos de família

No fim da Segunda Guerra Mundial, os serviços secretos estado-unidenses apoiaram-se no padrinho italo-americano Lucky Luciano para controlar a segurança dos portos americanos e para preparar o desembarque aliado na Sicilia.

Os contactos de Luciano com os serviços dos EUA passam nomeadamente por Frank Wisner Sr. e depois, quando o "padrinho" é libertado e se exila na Itália, pelo seu "embaixador" corso, Étienne Léandri.

Em 1958, os Estados Unidos, inquietos com uma possível vitória da FLN na Argélia que abriria a África do Norte à influência soviética, decidem instigar um golpe de Estado militar em França. A operação é organizada em conjunto pela Direcção da Planificação da CIA – teoricamente dirigida por Frank Wisner Sr. – e pela NATO. Mas Wisner já havia afundado na demência de modo que é o seu sucessor, Allan Dulles, que supervisiona o golpe. A partir de Argel, generais franceses criam um Comité de Salvação Pública que exerce uma pressão sobre o poder civil parisiense e constrange-o a votar plenos poderes ao general De Gaulle sem ter necessidade de recorrer à força. [1].
Ora, Charles De Gaulle não é o peão que os anglo-saxões acreditavam poder manipular. Num primeiro tempo, ele tenta sair da contradição colonial concedendo uma grande autonomia aos territórios do ultramar no seio de uma União Francesa. Mas é demasiado tarde já para salvar o Império francês pois os povos colonizados não acreditam mais nas promessas da metrópole e exigem a sua independência. Depois de ter conduzido vitoriosamente ferozes campanhas de repressão contra os independentistas, De Gaulle rende-se à evidência. Fazendo prova de uma rara sabedoria política, ele decide conceder a cada colónia a sua independência.

Esta reviravolta foi considerada pela maior parte daqueles que o levaram ao poder como uma traição. A CIA e a NATO apoiam então toda espécie de conspirações para eliminá-lo, inclusive um putsch falhado e uma quarentena de tentativas de assassinato. [2] Entretanto, alguns dos seus partidários aprovam a sua evolução política. Em torno de Charles Pasqua eles criam o SAC, uma milícia para protegê-lo.
Pasqua é ao mesmo tempo um gangster corso e um antigo resistente. Ele casou-se com a filha de um contrabandista de bebidas canadiano que fez fortuna durante a proibição. Dirige a sociedade Ricard que, depois de ter comercializado o absinto, um álcool proibido, respeitabiliza-se a vender anisete. Entretanto, a sociedade continua a servir de cobertura para todas espécie de tráficos relacionados com a família italo-nova-iorquina dos Genovese, aquela de Lucky Luciano. Portanto não é espantoso que Pasqua apele a Étienne Léandri (o "embaixador" de Luciano) para recrutar braços fortes e constituir a milícia gaullista. [3] Um terceiro homem desempenha um grande papel na formação do SAC, o antigo guarda costas de De Gaulle, Achille Peretti – também ele um corso.

Assim defendido, De Gaulle concebe com desenvoltura uma política de independência nacional. Sempre afirmando sua pertença ao campo atlântico, ele põe em causa a liderança anglo-saxónica. Opõe-se à entrada do Reino Unido no Mercado Comum Europeu (1961 e 1967); recusa a mobilização dos capacetes azuis da ONU no Congo (1961); encoraja os Estados latino-americanos a libertarem-se do imperialismo americano (discurso do México, 1964); expulsa a NATO da França e retira-se do Comando Integrado do Aliança Atlântica (1966); denuncia a Guerra do Vietname (discurso de Phnon Pehn, 1966); condena o expansionismo israelense aquando da Guerra dos Seis Dias (1967); apoia a independência do Quebeque (discurso de Montreal, 1967); etc...
Em simultâneo, De Gaulle consolida o poderio da França dotando-a de um complexo militar-industrial incluindo a força de dissuasão nuclear, e garantindo seu aprovisionamento energético. Afasta utilmente os inconvenientes corsos do seu círculo confiando-lhes missões no estrangeiro. Assim, Étienne Léandri torna-se o trader do grupo Elf (hoje Total) [4], ao passo que Charles Pasqua torna-se o homem de confiança dos chefes de Estado da África francófona.

Consciente de que não pode desafiar os anglo-saxões sobre todos os terrenos ao mesmo tempo, De Gaulle alia-se à família Rothschild. Escolhe como primeiro-ministro o director do banco, Georges Pompidou. Os dois homens formam um par eficaz. A audácia política do primeiro nunca perde de vista o realismo económico do segundo.
Quando De Gaulle se demite, em 1969, Georges Pompidou sucede-lhe brevemente na presidência antes de ser levado por um cancro. Os gaullistas históricos não admitem a sua liderança e inquietam-se com a sua tendência anglófila. Eles urram "traição" quando Pompidou, secundado pelo secretário-geral do Eliseu Edouard Balladur, faz entrar "a pérfida Albion" no Mercado Comum Europeu.
A fabricação de Nicolas Sarkozy

Apresentado este cenário, retornemos ao nosso personagem principal, Nicolas Sarkozy. Nascido em 1955, é o filho de um nobre húngaro, Pal Sarkösy de Nagy-Bocsa, refugiado em França depois de ter fugido do Exército Vermelho, e de Andrée Mallah, uma judia originária de Tessalónica. Depois de terem três filhos (Guillaume, Nicolas e François), o casal divorcia-se. Pal Sarkösy de Nagy-Bocsa casa-se novamente com uma aristocrata, Christine de Ganay, de quem terá dois filhos (Pierre-Olivier et Caroline). Nicolas não será educado só pelos seus pais, mas mover-se-á nesta família recomposta.
Sua mãe tornou-se a secretária de Achille Peretti. Depois de ter sido co-fundador do SAC, o guarda-costas de De Gaulle havia trilhado uma brilhante carreira política. Fora eleito deputado e maire de Neuilly-sur-Seine, o mais rico arrabalde residencial de Paris, depois presidente da Assembleia Nacional.

Infelizmente, em 1972, Achille Peretti é posto gravemente em causa. Nos Estados Unidos, a revista Time revela a existência de uma organização criminosa secreta, a "União corsa", que controlaria grande parte do tráfico de estupefacientes entre a Europa e a América, a famosa "French connexion" que Hollywood levaria às telas. Apoiando-se em audições parlamentares e nas suas próprias investigações, a Time cita o nome de um chefe mafioso, Jean Venturi, preso alguns anos antes no Canadá, e que não é outro senão o delegado comercial de Charles Pasqua para a sociedade de bebidas alcoólicas Ricard. Evoca-se o nome de várias famílias que dirigiriam a "União corsa", inclusive os Peretti. Achille nega, mas deve renunciar à presidência da Assembleia Nacional e escapa mesmo a um "suicídio".
Em 1977, Pal Sarközy separa-se da sua segunda esposa, Christine de Ganay, a qual liga-se então com o nº 2 da administração central do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Ela o desposa e instala-se com ele na América. Sendo o mundo pequeno, como é bem sabido, seu marido não é outro senão Frank Wisner Jr., filho do anterior. As funções de Junior na CIA não são conhecidas, mas é claro que ele desempenha um papel importante. Nicolas, que permanece próximo da sua mãe adoptiva (belle-mère), do seu meio irmão e da sua meia irmã, começa a virar-se para os Estados Unidos onde se "beneficia" dos programas de formação do Departamento de Estado.

Neste período, Nicolas Sarkozy adere ao partido gaullista. Ali tem contactos com Charles Pasqua, tanto mais frequentes por este ser não só um líder nacional como também o responsável da secção departamental de Hauts-de-Seine.

Em 1982, Nicolas Sarkozy, tendo concluído seus estudos de direito e tendo-se inscrito nos tribunais, casa com a sobrinha de Achille Peretti. Sua testemunha de casamento é Charles Pasqua. Enquanto advogado, Mestre Sarkozy defende os interesses dos amigos corsos dos seus mentores. Ele adquire uma propriedade na ilha da beleza, em Vico, e imagina "corsisar" o seu nome substituindo o "y" por um "i": Sarkozi.

No ano seguinte é eleito maire de Neuilly-sur-Seine em substituição do seu tio adoptivo, Achille Peretti, abatido por uma crise cardíaca.
Entretanto, Nicolas não tarda em trair sua mulher e, desde 1984, mantém uma ligação escondida com Cecília, a esposa do mais célebre animador da televisão francesa da época, Jacques Martins, que conheceu ao celebrar seu casamento na qualidade de maire de Neully. Esta vida dupla dura cinco anos, até que os amantes deixem seus consortes respectivos para construir um novo lar.
Nicolas é a testemunha de casamento, em 1992, da filha de Jacques Chirac, Claude, com um editorialista do Figaro. Ele não consegue impedir-se de seduzir Claude e de manter uma breve relação com ela, enquanto vive oficialmente com Cecília. O marido enganado suicida-se com a absorção de drogas. A ruptura é brutal e irreversível entre os Chirac e Nicolas Sarkozy.

Em 1993, a esquerda perde as eleições legislativas. O presidente François Mitterand recusa demitir-se e entra em co-habitação com um primeiro-ministro de direita, Jacques Chirac, que ambiciona a presidência e pensa então formar com Edouard Balladur um tandem comparável àquele de De Gaulle e Pompidou. Ele recusa-se a ser novamente primeiro-ministro e deixa o lugar ao seu "amigo de trinta anos", Edouard Balladur. Apesar do seu passado sulfuroso, Charles Pasqua torna-se ministro do Interior. Conservando firmemente o domínio da marijuana marroquina, ele aproveita a sua situação para legalizar as suas outras actividades tomando o controle dos casinos, jogos e corridas na África francófona. Ele também tece ligações na Arábia Saudita e em Israel e torna-se oficial de honra (officier d’honneur) do Mossad. Nicolas Sarkozy, por sua vez, é ministro do Orçamento e porta-voz do governo.

Em Washington, Frank Wisner Jr. assumiu a sucessão de Paul Wolfowitz como responsável pelo planeamento político no Departamento da Defesa. Ninguém comentou as ligações que o uniam ao porta-voz do governo francês.

É então que retorna ao seio do partido gaullista a tensão que se experimentara trinta anos antes entre os gaullistas históricos e a direita financeira, encarnada por Balladur. A novidade é que Charles Pasqua e com ele o jovem Nicolas Sarkozy traem Jacques Chirac para se aproximarem da corrente Rothschild. Saiu tudo errado. O conflito atingirá seu apogeu em 1995 quando Édouard Balladur se apresenta contra o seu ex-amigo Jacques Chirac à eleição presidencial, e será batido. Acima de tudo, seguindo as instruções de Londres e Washington, o governo Balladur abre as negociações de adesão à União Europeia e à NATO dos Estados da Europa central e oriental, livres da tutela soviética.

Nada dá certo no partido gaullista, onde os amigos de ontem estão prestes a matar-se uns aos outros. Para financiar a sua campanha eleitoral, Edouard Balladur tenta apoderar-se da caixa negra do partido gaullista, escondida na dupla contabilidade da petroleira Elf. Assim que morreu o velho Étienne Léandri, os juízes examinaram a sociedade e os seus dirigentes são encarcerados. Mas Balladur, Pasqua e Sakozy não chegarão a recuperar o tesouro.

A travessia do deserto

Ao longo de todo o seu primeiro mandato, Jacques Chirac manteve Nicolas Sarkozy a distância. O homem fez-se discreto durante esta longa travessia do deserto. Discretamente, continua a estabelecer relações nos círculos financeiros.

Em 1996, Nicolas Sarkozy, tendo por fim conseguido encerrar um processo de divórcio que não acabava, casa-se com Cecília. Eles têm como testemunhas os dois miliardários Martin Bouygues e Bernard Arnaud (o homem mais rico do país).

Último acto

Bem antes da crise iraquiana, Frank Wisner Jr. e seus colegas da CIA planeiam a destruição da corrente gaullista e a ascensão ao poder de Nicolas Sarkozy. Eles agem em três tempos: primeiro a eliminação da direcção do partido gaullista e a tomada de controle deste aparelho, depois a eliminação do principal rival de direita e a investidura do partido gaullista à eleição presidencial, finalmente a eliminação de todo rival sério à esquerda de maneira a que fosse certo ganhar a eleição presidencial.

Durante anos os media foram mantidos excitados pelas revelações póstumas de um promotor imobiliário. Antes de morrer de uma doença grave, ele registou, por uma razão nunca esclarecida, uma confissão em vídeo. Por uma razão ainda mais obscura, a "cassette" cai nas mãos de um hierarca do Partido Socialista, Dominique Strauss-Khan, que a faz chegar indirectamente à imprensa.

Se bem que as confissões do promotor imobiliário não resultem em nenhuma sanção judiciária, elas abrem uma caixa de Pandora. A principal vítima dos casos sucessivos será o primeiro-ministro Alain Juppé. Para proteger Chirac, ele assume só todas as infracções penais. O afastamento de Juppé deixa o caminho livre a Nicolas Sarkozy para tomar a direcção do partido gaullista.

Sarkozy explora então a sua posição para constranger Jacques Chirac a retomá-lo no governo, apesar do seu ódio recíproco. Ele acabou por ser ministro do Interior. Que erro! Neste posto, ele controla os prefeitos e a rede de inteligência interna, a qual ele utilizou para colocar os seus indicados nos principais ramos da administração.
Ele também trata dos assuntos corsos. O prefeito Claude Érignac foi assassinado. Se bem que não tenha sido reivindicado, o assassínio foi imediatamente interpretado como um desafio lançado à República pelos independentistas. Após uma longa caçada, a polícia conseguiu prender um suspeito em fuga, Yvan Colonna, filho de um deputado socialista.

Desprezando a presunção de inocência, Nicolas Sarkozy anuncia a sua prisão acusando-o de ser o assassino. É que a notícia é demasiado bela, a dois dias do referendo que o ministro do Interior organiza na Córsega para modificar o estatuto da ilha. Seja como for, os eleitores rejeitam o projecto Sarkozy que, segundo alguns, favorece os interesses mafiosos. Se bem que Yvan Colonna posteriormente tenha sido reconhecido culpado, ele sempre clamou a sua inocência e não foi encontrada nenhuma prova material contra ele. Estranhamente, o homem amuralhou-se no silêncio, preferindo ser condenado a revelar o que sabe. Nós revelamos aqui que o prefeito Érignac não foi morto por nacionalistas, mas sim abatido por um assassino a soldo, imediatamente enviado para Angola onde foi contratado pela segurança do grupo Elf. O móvel do crime estava precisamente ligado às funções anteriores de Érignac, responsável pelas redes africanas de Charles Pasqua na Ministério da Cooperação. Quanto a Yvan Colonna, é um amigo pessoal de Nicolas Sarkozy desde há décadas e seus filhos frequentam-se mutuamente.

Explode um novo caso: circulam falsas listagens que acusam mentirosamente várias personalidade de esconderem contas bancárias no Luxemburgo, junto à Clearstream. Dentre as personalidades difamadas, Nicolas Sarkozy. Ele apresenta queixa e sub-entende que seu rival de direita na eleição presidencial, o primeiro-ministro Dominique de Villepin, organizou esta maquinação. Ele não esconde sua intenção de lançá-lo na prisão.

Na realidade, as falsas listagens foram postas em circulação por membros da Fundação Franco-Americana [5], de que John Negroponte era presidente e de que Frank Wisner Jr. é administrador. O que os juízes ignoram e que nós revelamos aqui é que as listagens foram fabricadas em Londres por uma oficina comum da CIA e do MI6, Hakluyt & Co, de que Frank Wisner Jr. é igualmente administrador.

Villepin defende-se do que é acusado, mas está sob exame, proibido de deixar a sua casa e, de facto, afastado provisoriamente da via política. O caminho está livre à direita para Nicolas Sarkozy.
Resta neutralizar as candidatura da oposição. As quotas de adesão ao Partido Socialista são reduzidas a um nível simbólico para atrair novos militantes. Subitamente milhares de jovens obtém seu cartão do partido. Dentre eles, pelo menos dez mil novos aderentes são na realidade militantes do Partido trotskquista "lambertista" (do nome do seu fundador, Pierre Lambert). Esta pequena formação de extrema esquerda historicamente pôs-se ao serviço da CIA contra os comunistas stalinianos durante a Guerra Fria (Ela é o equivalente do SD/USA de Max Shatchman, que formou os neoconservadores nos EUA). [6] Não é a primeira vez que os "lambertistas" infiltram o Partido Socialista. Eles nomeadamente plantaram dois célebres agentes da CIA: Lionel Jospin (que se tornou primeiro-ministro) e Jean-Christophe Cambadélis, o principal conselheiro de Dominique Strauss-Kahn. [7]
São organizadas primárias no interior do Partido Socialista a fim de designar seu candidato à eleição presidencial. Duas personalidades estão em concorrência: Laurent Fabius et Ségolène Royal. Só o primeiro representa um perigo para Sarkozy. Dominique Strauss-Kahn entra na corrida tendo por missão eliminar Fabius no último momento. O que ele está em condições de fazer graças aos votos dos militantes "lambertistas" infiltrados, que dão os seus votos não a ele mas sim a Royal. A operação foi possível porque Strauss-Kahn, de origem judia marroquina, está há muito na folha de pagamento dos Estados Unidos. Os franceses ignoram que ele dá cursos em Stanford, onde foi contratado pela superintendente da universidade, Condoleezza Rice. [8].

A partir da sua tomada de posse, Nicolas Sarkozy e Condoleezza Rice agradecerão a Strauss-Kahn fazendo-o eleger para a direcção do Fundo Monetário Internacional.

Primeiros dias no Eliseu

Na noite da segunda volta da eleição presidencial, quando os institutos de sondagem anunciam a sua provável vitória, Nicolas Sarkozy pronuncia um breve discurso à nação no seu QG de campanha. Depois, ao contrário de todos os costumes, ele não vai à festa com os militantes do seu partido, mas dirige-se ao Fouquet’s. O célebre restaurante dos Campos Elíseos, que outrora era o ponto de encontro da "União corsa", hoje é propriedade do operador de casino Dominique Desseigne. Foi posto à disposição do presidente eleito para receber seus amigos e os principais doadores da sua campanha. Uma centena de convidados ali se acotovelam, os homens mais ricos da França ombro a ombro com patrões de casinos.

Depois disso o presidente eleito oferece-se alguns dias de repouso bem merecidos. Tomando um Falcon-900 privado, vai para Malta. Ali repousa no Paloma, o iate de 65 metros do seu amigo Vicent Bolloré, um miliardário formado no Banco Rothschild.

Finalmente, Nicolas Sarkozy toma posse como presidente da República Francesa. O primeiro decreto que assina não é para proclamar uma amnistia, mas para autorizar os casinos dos seus amigos Desseigne e Partouche a multiplicar as máquinas de moedas.

Ele forma sua equipe de trabalho e seu governo. Sem surpresa, encontra-se ali um bem turvo proprietário de casinos (o ministro da Juventude e Desporto) e o lobbyista dos casinos do amigo Desseigne (que se torna porta-voz do partido "gaullista").

Nicolas Sarkozy apoia-se sobretudo em quatro homens:
Claude Guéant, secretário-geral do Palácio do Eliseu. É o antigo braço direito de Charles Pasqua.
François Pérol, secretário-geral adjunto do Eliseu. É um associado-gerente do Banco Rothschild.
Jean-David Lévitte, conselheiro diplomático. Filho do antigo director da Agência Judia. Embaixador da França na ONU, ele foi afastado das suas funções por Chirac que o julgava demasiado próximo de George Bush.
Alain Bauer, o homem da sombra. Seu nome não aparece nos anuários. É o encarregado dos serviços de informação. Neto do Grande Rabi de Lyon, antigo Grande-Mestre do Grande Oriente da França (a principal obediência maçónica francesa) e antigo nº 2 da National Security Agency estado-unidense na Europa. [9].

Frank Wisner Jr., que entretanto fora nomeado enviado especial do presidente Bush para a independência do Kosovo, insiste em que Bernard Kouchner seja nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros com uma dupla missão prioritária: a independência do Kosovo e a liquidação da política árabe da França.

Kouchner, um judeu de origem báltica, começou sua carreira a participar na criação de uma ONG humanitária. Graças aos financiamentos da National Endowment for Democracy, ele participou nas operações de Zbigniew Brzezinski no Afeganistão, ao lado de Oussama Ben Laden e dos irmãos Karzaï contra os soviéticos. Nos anos 90 podia ser encontrado junto a Alija Izetbegoviç na Bosnia-Herzégovina. De 1999 à 2001 foi Alto Representante da ONU no Kosovo.
Sob o controle do irmão mais novo do presidente Hamid Karzaï, o Afeganistão tornou-se o primeiro produtor mundial de papoula. O seu sumo é transformado ali em heroína e transportado pela US Air Force para Campo Bondsteel (Kosovo). Lá, a droga passa para os homens de Haçim Thaçi que a escoa principalmente para a Europa e acessoriamente para os Estados Unidos. [10] Os lucros são utilizados para financiar as operações ilegais da CIA.

Karzaï e Thaçi são amigos pessoais de longa data de Bernard Kouchner, que certamente ignora suas actividades criminosas apesar dos relatórios internacionais que lhe foram consagrados.
Para completar seu governo, Nicolas Sarkozy nomeia Christine Lagarde, ministra da Economia e das Finanças. Ela fez toda a sua carreira nos Estados Unidos onde dirigiu o prestigioso gabinete de juristas Baker & McKenzie. No seio do Center for International & Strategic Studies de Dick Cheney, ela co-presidiu com Zbigniew Brzezinski um grupo de trabalho que supervisionou as privatizações na Polónia. Ela organizou um lobbying intenso por conta da Lockheed Martin contra o construtor de aviões francês Dassault. [11].

Nova escapada durante o Verão. Nicolas, Cecília, sua preceptora (maitresse) comum e seus filhos fazem-se oferecer férias estado-unidenses em Wolfenboroo, não longe da propriedade do presidente Bush. A factura, desta vez, é paga por Robert F. Agostinelli, um banqueiro de negócios italo-nova-iorquino, sionista e neoconservador que apresenta seus pontos de vista em Commentary, a revista do l’American Jewish Committee.

O êxito de Nicolas reflecte-se no seu meio-irmão Pierre-Olivier. Sob o nome americanizado de "Oliver", é nomeado por Frank Carlucci (que foi o nº 2 da CIA depois de ter sido recrutado por Frank Wisner Sr.) [12] director de um novo fundo de investimento do Grupo Carlyle (a sociedade comum de gestão de carteiras dos Bush e dos Ben Laden). [13] Tornado o 5º deal maker do mundo, ele gere os haveres principais dos fundos soberanos do Koweit e de Singapura.

A quota de popularidade do presidente está em queda livre nas sondagens. Um dos seus conselheiros em comunicação, Jacques Séguéla, preconiza desviar a atenção do público com novas "people stories". O anúncio do divórcio com Cecilia foi publicado pelo Libération, o jornal do seu amigo Edouard de Rothschild, para encobrir os slogans dos manifestantes num dia de greve geral.

Indo mais além, o comunicador organizou um encontro com a artista e ex-manequim Carla Bruni. Alguns dias mais tarde, sua ligação com o presidente é oficializada e a campanha mediática encobre novamente as críticas políticas. Algumas semanas ainda e é o terceiro casamento de Nicolas. Desta vez, ele escolhe como testemunhas Mathilde Agostinelli (a esposa de Robert) e Nicolas Bazire, antigo director de gabinete de Edouard Balladur que se tornou associado-gerente no Rothschild.

Quando os franceses terão olhos para ver o que têm a fazer

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