Categorias: Outros, Ensaio, Dezires

19-05-2009

Link permanente 11:51:42, por José Alberte Email , 417 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Dezires

EXTERMÍNIO SEM LÍMITES: O massacre de Sri Lanka

Iar-noticias

Centenas de mortos, cadáveres insepultos, e feridos sem atençom.

Extermínio sem limites: O massacre de Sri Lanka só é comparável ao genocídio de Israel em Gaza

Segundo observadores internacionais, o que está a ocorrer em Sri Lanka só é comparável com o massacre militar executada por Israel na Faixa de Gaza, em janeiro passado. Umas 50.000 pessoas permanecem - ao igual que sucedeu em Gaza- em uma pequena faixa de território atrapadas as 24 horas baixo o fogo cruzado de baterias terrestres, tanques e avions do governo aliado de EEUU e o "eixo ocidental". Como resumiu um corresponsal da BBC: "O exército está a praticar uma espécie de tiro ao pombo' com os refugiados", entre os quais combatem os efectivos do Exercito rebelde dos Tigres Tamiles. Alguns corresponsais ressaltam a ferocidade sem limites do massacre e a impotência (e/ou cumplicidade) dos organismos internacionais para detê-la. Trata-se de um genocídio a grande escala, cujo desenvolvimento e interesses em jogo, vêm sendo sistematicamente ocultados ou deformados pola imprensa "ocidental" que o apresenta como um conflito entre um grupo "terrorista" e o governo que "procura restabelecer a ordem". Polo contrário, o extermínio em massa de civis em Sri Lana nom está determinado por uma guerra contra o "terrorismo tamil" como se quer fazer crer senom por interesses geoeconómicos e geopolíticos militares estratégicos que têm que ver com o controle do Oceano Índico e das rotas do petróleo. A importância geopolítica militar estratégica de Sri Lanka para a sobrevivência energética futura de EEUU, Japom e a Uniom Europeia, junta às potências em uma acçom comum para exterminar a rebeliom nacionalista dos Tigres Tamiles que, em caso de sair vitoriosos, poderiam traçar uma aliança estratégica com o eixo Rússia-Chinesa-Irám, o outro actor na disputa polo controle das fontes e as rotas petroleiras. Este é, em essência, o objectivo encoberto da matança perpetrada por um exército financiado por EEUU e treinado por Israel. Como afirmam os experientes, as casualidade nom existem. E o assassinato de civis em Sri Lanka é um calco repetido, uma espécie de operaçom de manual, que as potências imperiais com USA à cabeça repetem compulssivamente nos países onde existem rebeldes e recursos naturais para depredar. Essa, em essência, é a lógica operacional da "guerra contraterrorista" começada por Bush e continuada por Obama.

Link permanente 00:45:47, por José Alberte Email , 3775 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

A CRISE como via para a montagem de um ESTADO TOTALITÁRIO GLOBAL

por Olga Chetverikova

Tradução de Margarida Ferreira.
resistir.info

Enquanto a crise financeira e económica mundial vai atingindo o seu auge, os dirigentes da comunidade ocidental andam a tentar instilar na humanidade a ideia de que essa revolução vai acabar por 'transformar o mundo numa coisa diferente'.

Apesar de a imagem da 'nova ordem mundial' se manter vaga e confusa, a ideia central é clara. Na sequência desse raciocínio é preciso instituir um governo global único, se quisermos evitar que reine o caos geral.

Volta não volta, os políticos ocidentais referem à necessidade de uma 'nova ordem mundial', de uma 'nova arquitectura financeira mundial', ou de qualquer tipo de 'controlo supranacional', chamando-lhe um 'Novo Acordo' para todo o mundo. Nicolas Sarkozy foi o primeiro a falar nisso, quando se dirigiu à Assembleia-Geral da ONU em Setembro de 2007 (ou seja, antes da crise).

Durante a reunião de Fevereiro de 2009 em Berlim, destinada a preparar a cimeira dos G20, Gordon Brown repetiu o mesmo, dizendo que era necessário um Novo Acordo à escala mundial. Estamos conscientes, acrescentou, que no que diz respeito aos fluxos financeiros mundiais, não conseguiremos sair desta situação apenas com a ajuda das entidades puramente nacionais. Precisamos de entidades e de vigilantes mundiais para conseguir que as actividades das instituições financeiras que operam nos mercados mundiais se nos abram totalmente. Tanto Sarkozy como Brown são protégés dos Rothschilds. Algumas declarações feitas por certos representantes da 'elite global' indicam que a actual crise está a ser utilizada como um mecanismo para provocar o agravamento de alguns motins sociais que poderão levar a humanidade – mergulhada como já está no caos e assustada com o espectro duma violência generalizada – a reclamar espontaneamente a intervenção de um árbitro 'supranacional' com poderes ditatoriais nas questões mundiais.

Os acontecimentos estão a seguir o mesmo caminho da Grande Depressão de 1929-1933: uma crise financeira, uma recessão económica, conflitos sociais, a instituição de ditaduras totalitárias, incitando a uma guerra para concentrar o poder, e o capital, nas mãos dum pequeno grupo. Mas, desta vez, a questão central é a fase final da estratégia de 'controlo global', em que com um sopro se derruba a instituição da soberania estatal nacional, seguindo-se uma transição para um sistema de poder privado de elites transnacionais.

Já nos finais dos anos de 1990, David Rockefeller, autor da ideia de que o poder privado deve substituir os governos, disse que nós (o mundo) estávamos no limiar de mudanças globais. Tudo o que é preciso, prosseguiu, é uma crise qualquer a grande escala que faça com que o povo aceite a nova ordem mundial.

Jacques Attali, conselheiro de Sarkozy e antigo chefe do EBRD [European Bank for Reconstruction and Development], afirmou que as elites tinham sido incapazes de resolver os problemas da divisa dos anos 30. Receava, disse ele, que voltasse a acontecer um erro semelhante. Primeiro vamos travar guerras, continuou, e deixar morrer 300 milhões de pessoas. Só depois é que virão as reformas e um governo mundial. Não seria melhor pensar já nesta fase num governo mundial? perguntou.

Henry Kissinger afirmou a mesma coisa. Em última análise, a principal tarefa é definir e formular as preocupações gerais da maior parte dos países, e também de todos os principais estados no que se refere à crise económica, tendo em conta o receio colectivo de um jihad terrorista. Depois, tudo isso tem que ser transformado numa estratégia de acção comum… E assim a América e os seus parceiros potenciais têm uma oportunidade única de transformar o momento da crise numa visão de esperança.

O mundo está a ser convencido a aceitar a ideia da 'nova ordem' a pouco e pouco para impedir que surjam incidentes que poderão muito bem levar a que os protestos universais contra as condições cada vez piores da existência humana entrem num 'caminho errado' e deixem de poder ser controlados. A principal coisa que a Fase Um conseguiu concretizar foi iniciar uma discussão de amplo espectro sobre o 'governo global' e a 'não aceitação do proteccionismo' com ênfase no 'desencanto' dos modelos de estados-nacionais para a saída da crise.

Esta discussão continua tendo como pano de fundo as pressões da informação que ajudam a construir as ansiedades humanas, o medo, e a incerteza. Vejamos algumas dessas acções da informação: previsões da OMS de que provavelmente 1,4 mil milhões de pessoas ficarão abaixo do limiar de pobreza em 2009; um aviso do director-geral da OMS de que se perfila no horizonte o maior declive comercial mundial da história do pós-guerra; uma declaração de Dominique Strauss-Kohn do MFI ( protégé de Sarkozy) de que está iminente um colapso económico mundial se não for implementada uma reforma a grande escala do sector financeiro da economia mundial, colapso esse que muito provavelmente arrastará consigo não apenas o desassossego social mas também uma guerra.

Foi com este pano de fundo que foi avançada a ideia de instituir uma divisa mundial comum como pedra fundamental da 'nova ordem mundial'. Mas os verdadeiros cérebros deste projecto de longa data continuam na sombra. De notar que há um ou outro representante da Rússia empurrado para a linha da frente. Faz lembrar a situação antes da I Guerra Mundial, em que os círculos anglo-franceses, que possuíam alguns planos elaborados para uma nova divisão do mundo, instruíram o ministro dos estrangeiros russo para traçar um programa geral para a Entente Cordiale. Esta passou à história como o 'programa Sazonov', apesar de a Rússia não ter desempenhado um papel independente nessa guerra, o qual desde o início foi montado para servir o sistema de interesses da elite financeira britânica.

A 19 de Março, Henry Kissinger chegou a Moscovo na qualidade de membro do The Wise Men (James Baker, George Schultz, e outros), que se reuniram com os dirigentes russos antes da cimeira do G20. Dmitry Trenin, director do Centro Carnegie de Moscovo e participante na última reunião americana dos Bilderbergers, considerou essa reunião como um 'sinal positivo'. A 25 de Março, o Moskovsky Komsomolets publicou um artigo 'A Crise e os Problemas Mundiais', de Gavriil Popov (actual presidente da União Internacional de Economistas) que relatou abertamente o que normalmente é discutido à porta fechada.

O artigo fazia referência ao Parlamento Mundial, ao Governo Mundial, às Forças Armadas Mundiais, à Força Policial Mundial, ao Banco Mundial, à necessidade de colocar sob controlo internacional as armas nucleares, às capacidades de produção de energia nuclear, de toda a tecnologia de foguetões espaciais, e dos minerais do planeta, à imposição de limites de natalidade, à limpeza do conjunto genético da humanidade, ao encorajamento de pessoas intolerantes à incompatibilidade cultural e religiosa, e a outras coisas do mesmo género.

Os "países que não aceitarem as perspectivas globais", diz Popov, "devem ser expulsos da comunidade mundial".

Claro que o artigo do Moskovsky Komsomolets não revela nada de novo que nos permita compreender a estratégia da elite global. O importante é outra coisa. Sugere-se a instituição de uma ordem policial totalitária e a eliminação dos estados nacionais, como um amplo programa de acção, e recomenda-se aquilo que tanto os liberais, como os socialistas, como os conservadores, sempre consideraram um 'novo fascismo', como o único caminho salutar possível para toda a humanidade. Há quem queira que a discussão destes projectos se torne uma norma. Neste contexto, há alguns representantes da Rússia 'de confiança' que estão a ser empurrados para a primeira linha; a Rússia que será a principal vítima da política de pilhagem total se o 'governo global' vier a ser uma realidade.

O G20 não discutiu a questão da divisa mundial comum, porque ainda não chegou a altura própria para tal. A própria cimeira foi um passo em frente no caminho para o caos porque, se as suas decisões forem seguidas cegamente, a situação socioeconómica mundial só poderá piorar e, para citar Lyndon LaRouche, irão 'liquidar o doente'.

Entretanto, a crise está a ser exacerbada e os analistas andam a predizer uma era de desemprego maciço. As previsões mais pessimistas vêm do LEAP/Europe 2020, que as publica regularmente nos seus boletins e enviou-as mesmo numa carta aberta aos dirigentes dos Vinte antes da cimeira de Londres.

Já em Fevereiro de 2006, o LEAP [Laboratório Europeu de Antecipação Política] foi de uma precisão surpreendente a descrever as perspectivas para a 'crise global sistémica' como consequência da doença financeira provocada pela dívida dos EUA. Os analistas do LEAP consideram os acontecimentos actuais no contexto da crise geral que começou nos finais dos anos 70 e está agora na sua quarta fase, a fase final e a mais grave, a chamada 'fase de purificação' em que começa o colapso da economia real. Segundo Frank Biancheri, do LEAP, não é apenas uma recessão mas o fim do sistema, em que o seu pilar principal, a economia dos EUA, entrou em colapso. "Estamos a assistir ao fim de toda uma época mesmo em frente dos nossos olhos".

A crise pode conduzir a algumas consequências muito difíceis. O LEAP prevê uma subida do desemprego para 15 a 20% na Europa e 30% nos Estados Unidos. Se não se conseguir solucionar o problema do dólar, os acontecimentos mundiais darão uma reviravolta dramática. O colapso do dólar pode ocorrer já em Julho de 2009 e a crise, que poderá durar décadas, desencadeará "uma desintegração geopolítica à escala mundial" com motins sociais e conflitos civis, com a divisão do mundo em blocos separados, em que o mundo regressará à Europa de 1914, com confrontos militares, etc. Os tumultos populares mais poderosos ocorrerão em países com sistemas de segurança social menos desenvolvidos e com maiores concentrações de armas, principalmente na América Latina e nos Estados Unidos, em que a violência social já se manifesta actualmente nas actividades de grupos armados. Os especialistas assinalam o começo da fuga para a Europa da população dos EUA, onde por enquanto a ameaça directa contra a vida não é tão grande. Para além dos conflitos armados, os analistas do LEAP prevêem escassez de energia, de alimentos e de água em áreas dependentes da importação de alimentos.

Os especialistas do LEAP descrevem o comportamento das elites ocidentais como totalmente desajustado: "Os nossos dirigentes não conseguem entender o que aconteceu, e continuam a mostrar a mesma incompreensão até hoje. Estamos no meio duma recessão prolongada, e seria necessário o empenho na introdução de algumas medidas a longo prazo para amortecer os golpes, mas os nossos dirigentes continuam na esperança de impedir uma recessão prolongada… Todos eles foram formados em torno do pilar americano e não conseguem perceber que o pilar está em ruínas…"

Mas se os dirigentes a nível médio não vêem isso, os gestores mundiais de nível superior, pelo contrário, estão muito bem informados; são eles quem está a implementar o 'caos controlado' e a política de desintegração geral, incluindo uma guerra civil e a desintegração dos Estados Unidos planeada para o final de 2009, um cenário que está a ser discutido amplamente pelos meios de comunicação americanos e mundiais.

À beira dos conflitos planeados em diversas áreas do planeta, está a ser instituído um sistema que conferirá a um centro supranacional, com base numa máquina punitiva, o total controlo político, militar, legal e electrónico sobre a população. Esse sistema utiliza o princípio de gestão de rede de comunicações que permite encaixar em qualquer sociedade estruturas paralelas de autoridade que reportam a centros de tomadas de decisões externos e são legalizados através da doutrina de prevalência da lei internacional sobre a lei nacional. A casca mantém-se nacional, mas o poder real passa a ser transnacional. Jacques Attali chama a isto um 'estado global baseado na lei'.

O centro dirigente do estado global baseado na lei situa-se nos EUA. Embora os seus fundamentos tenham começado a surgir nos anos 90, a luta contra o terrorismo após os incidentes do 11/Set levaram a fenómenos radicalmente novos. A aprovação da Lei Patriota de 2001 não só permitiu que os serviços de segurança controlassem a população americana e os estrangeiros suspeitos, como acelerou a passagem de responsabilidades estatais para as mãos de estruturas empresariais transnacionais.

As actividades de informações, do comércio da guerra, do sistema penitenciário, e do controlo de informações estão a passar para a mão de privados. Isto é feito através da chamada contratação no exterior, um fenómeno relativamente novo, que consiste em confiar determinadas funções a empresas privadas que agem como empreiteiros e atribuir a indivíduos exteriores a uma organização a realização das suas tarefas internas.

Em 2007, o governo americano chegou à conclusão de que 70% do seu orçamento de serviços de informações secretas é gasto em contratos privados e que a "burocracia de informações da Guerra-Fria está transformada numa coisa totalmente nova, em que dominam os interesses dos empreiteiros". Para a sociedade americana (incluindo o Congresso), as suas actividades mantêm-se confidenciais, o que lhes permite recolher cada vez mais funções importantes nas suas mãos.

Antigos funcionários da CIA dizem que quase 60% do seu pessoal estão sob contrato. Essas pessoas analisam a maior parte das informações, escrevem relatórios para os que tomam as decisões em jurisdições estatais, mantêm comunicações entre diversos serviços de segurança, dão apoio a posições estrangeiras, e analisam a intercepção de dados. Em consequência disso, a National Security Agency da América está a ficar cada vez mais dependente de companhias privadas que têm acesso a informações confidenciais. Não admira, pois, que se esteja a criar pressão para uma proposta de lei no Congresso que prevê a garantia de imunidade a empresas que têm trabalhado com a NSA nos últimos cinco anos.

O mesmo está a acontecer com empresas militares privadas (PMCS), que têm vindo a assumir cada vez mais funções do exército e da polícia. Numa escala significativa, começou nos anos 90 na ex-Jugoslávia, mas foram utilizados trabalhadores contratados a nível alargado no Afeganistão e noutras zonas de conflito. Executavam as acções 'mais sujas', como aconteceu com o caso durante a guerra na Ossétia do Sul, onde estiveram envolvidos mais de 3 000 mercenários. Neste momento, os PMCS são verdadeiros exércitos, cada um deles com mais de 70 mil efectivos, que operam em cerca de 60 países, com receitas anuais de mais de 180 mil milhões de dólares (segundo o Brookings Institution, EUA). Por exemplo, mais de 20 mil empregados de PMCS americanos trabalham no Iraque ao lado do contingente militar americano de 160 mil.

O sistema de prisões privadas também está a aumentar rapidamente nos EUA. Está florescente o complexo da indústria prisional, que utiliza trabalho escravo e práticas de trabalhos forçados, e os seus investidores estão sediados na Wall Street. O uso de trabalho forçado por empresas privadas foi legalizado já em 37 estados e é utilizado por importantes empresas como a IBM, a Boeing, a Motorola, a Microsoft, a Texas Instruments, a Intel, a Pierre Cardin e outras. Em 2008, o número de internados em prisões privadas nos EU era de cerca de 100 mil e este número está a crescer rapidamente, juntamente com o número total de internados no país (na sua maioria afro-americanos e latino-americanos), que é de 2,2 milhões de pessoas, ou seja, 25% de todos os presos do mundo.

Logo que Bush assumiu o poder, começou a privatização do sistema para transporte e retenção de migrantes em campos de concentração. Em especial, foi o que fez um ramo da conhecida empresa Halliburton, Kellog Brown and Root (antigamente chefiada por Dick Cheney).

As maiores conquistas foram feitas nos últimos anos na área da instituição do controlo electrónico sobre a identidade das pessoas, realizado sob o pretexto do contra-terrorismo. Actualmente, o FBI está a criar a maior base de dados do mundo de indicadores biométricos (impressões digitais, exames da retina, formas do rosto, formas e distribuição de cicatrizes, padrões de fala e de gestos, etc.) que contém neste momento 55 milhões de impressões digitais. A última novidade inclui a introdução de um sistema de varredura corporal nos aeroportos americanos, análise da literatura lida pelos passageiros dos voos e por aí fora. Uma outra oportunidade de reunir informações detalhadas sobre as vidas privadas das pessoas surgiu na sequência da Directiva N59 da NSA, aprovada no verão de 2008, 'Identificação e rastreio biométrico com o objectivo de reforçar a segurança nacional', e da confidencial 'Lei da Resposta Pronta ao Terrorismo Nacional'.

Numa avaliação da política das autoridades americanas, o ex-congressista e candidato presidencial em 2008, Ron Paul, disse que a América está a transformar-se gradualmente num estado fascista, "Estamos a aproximar-nos de um fascismo, não do tipo Hitler, mas de um tipo mais suave, que se revela na perda de liberdades civis, em que as grandes empresas dirigem tudo e… o governo está metido na cama com os grandes negócios". Será preciso lembrar que Ron Paul é um dos poucos políticos americanos que defende o encerramento do Sistema de Reserva Federal como uma organização secreta inconstitucional?

Com a chegada de Obama ao poder, a ordem policial na América está a ficar cada vez mais afunilada em duas direcções – reforço da segurança nacional e militarização de instituições civis. É impressionante como, depois de ter condenado as transgressões às liberdades individuais feitas pela administração Bush, Obama passou a controlar todo o pessoal da sua própria equipa obrigando-o a preencher um questionário com 63 perguntas que percorrem os pormenores mais complexos das suas vidas privadas. Em Janeiro, o presidente dos EUA aprovou leis que possibilitam a continuação da prática ilegal de sequestrar pessoas, mantê-las secretamente em prisões, e enviá-las para países em que se utiliza a tortura. Também propôs uma lei chamada Lei da Instituição do Centro de Apoio à Emergência Nacional, que estipula a instituição de seis desses centros em bases militares americanas para proporcionar apoio a pessoas que sejam deslocadas por causa de uma situação de emergência ou de uma catástrofe e que ficam assim sob jurisdição militar Analistas relacionam esta lei com possíveis perturbações e consideram-na uma prova de que a administração americana se está a preparar para um conflito militar que pode ocorrer após a provocação que está a ser planeada.

O sistema americano de controlo policial está a ser implementado activamente noutros países, principalmente na Europa – através da instituição da hegemonia da lei americana no seu território por intermédio da assinatura de diversos acordos. Nisto tiveram uma grande importância as conversações na sombra entre os EUA e a UE sobre a criação da 'área comum de controlo sobre a população' que se realizaram na primavera de 2008, quando o Parlamento Europeu adoptou uma resolução que ratificou a criação do mercado transatlântico único, abolindo todas as barreiras ao comércio e aos investimentos até 2015. As conversações deram origem ao relatório confidencial preparado pelos especialistas de seis países participantes. Este relatório descrevia o projecto para a criação da 'área de cooperação' nas esferas 'da liberdade, da segurança, e da justiça'.

O relatório alarga-se sobre a reorganização do sistema de justiça e assuntos internos dos estados membros da UE de modo tal que fica a parecer-se com o sistema americano. Diz respeito não apenas à capacidade de transferir dados pessoais e cooperação de serviços policiais (que já está a ser posto em prática), mas também, por exemplo, à extradição de imigrantes da UE para as autoridades americanas de acordo com o novo mandato que anula todas as garantias que os procedimentos de extradição europeus prevêem. Nos EUA está em vigor a Lei das Delegações Militares de 2006, que permite a perseguição ou detenção de qualquer pessoa que seja identificada como 'inimigo combatente ilegal' pelas autoridades executivas e se estende aos imigrantes de qualquer país que não esteja em guerra com os EUA. São perseguidos como 'inimigos', não com base em quaisquer provas, mas porque assim são rotulados pelas organizações governamentais. Nenhum governo estrangeiro protestou contra esta lei que é de importância internacional.

Em breve será assinado o acordo sobre comunicação de dados pessoais, segundo o qual as autoridades americanas poderão obter informações pessoais como números de cartões de crédito, pormenores das contas bancárias, investimentos, rotas de viagem ou comunicações via Internet, assim como informações sobre a raça, as crenças políticas e religiosas, os hábitos, etc. Foi por pressão dos EUA que os países da UE introduziram os passaportes biométricos. A nova regulamentação da UE implica a mudança geral dos cidadãos da UE para passaportes electrónicos a partir do final de Junho de 2009 e até 2012. Os novos passaportes passarão a conter um chip com informações para além do passaporte e uma foto, e ainda as impressões digitais.

Estamos a assistir à criação do campo de concentração electrónico global, e a crise, os conflitos e as guerras estão a ser utilizadas como justificação. Como escreveu Douglas Reed, "as pessoas têm tendência para tremer perante um perigo imaginário e são demasiado preguiçosas para ver o perigo real".

17-05-2009

Link permanente 21:11:13, por José Alberte Email , 416 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

EXTERMÍNIO SEM LÍMITES: O massacre de Sri Lanka

Centenas de mortos, cadáveres insepultos, e feridos sem atençom

Extermínio sem limites: O massacre de Sri Lanka só é comparável ao genocídio de Israel em Gaza

Segundo observadores internacionais, o que está a ocorrer em Sri Lanka só é comparável com o massacre militar executada por Israel na Faixa de Gaza, em janeiro passado. Umas 50.000 pessoas permanecem - ao igual que sucedeu em Gaza- em uma pequena faixa de território atrapadas as 24 horas baixo o fogo cruzado de baterias terrestres, tanques e avions do governo aliado de EEUU e o "eixo ocidental". Como resumiu um corresponsal da BBC: "O exército está a praticar uma espécie de tiro ao pombo' com os refugiados", entre os quais combatem os efectivos do Exercito rebelde dos Tigres Tamiles. Alguns corresponsais ressaltam a ferocidade sem limites do massacre e a impotência (e/ou cumplicidade) dos organismos internacionais para detê-la. Trata-se de um genocídio a grande escala, cujo desenvolvimento e interesses em jogo, vêm sendo sistematicamente ocultados ou deformados pola imprensa "ocidental" que o apresenta como um conflito entre um grupo "terrorista" e o governo que "procura restabelecer a ordem". Polo contrário, o extermínio em massa de civis em Sri Lana nom está determinado por uma guerra contra o "terrorismo tamil" como se quer fazer crer senom por interesses geoeconómicos e geopolíticos militares estratégicos que têm que ver com o controle do Oceano Índico e das rotas do petróleo. A importância geopolítica militar estratégica de Sri Lanka para a sobrevivência energética futura de EEUU, Japom e a Uniom Europeia, junta às potências em uma acçom comum para exterminar a rebeliom nacionalista dos Tigres Tamiles que, em caso de sair vitoriosos, poderiam traçar uma aliança estratégica com o eixo Rússia-Chinesa-Irám, o outro actor na disputa polo controle das fontes e as rotas petroleiras. Este é, em essência, o objectivo encoberto da matança perpetrada por um exército financiado por EEUU e treinado por Israel. Como afirmam os experientes, as casualidade nom existem. E o assassinato de civis em Sri Lanka é um calco repetido, uma espécie de operaçom de manual, que as potências imperiais com USA à cabeça repetem compulssivamente nos países onde existem rebeldes e recursos naturais para depredar. Essa, em essência, é a lógica operacional da "guerra contraterrorista" começada por Bush e continuada por Obama.

16-05-2009

Link permanente 21:18:21, por José Alberte Email , 3775 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

A CRISE como via para a montagem de um ESTADO TOTALITÁRIO GLOBAL

por Olga Chetverikova

Tradução de Margarida Ferreira.
resistir.info

Enquanto a crise financeira e económica mundial vai atingindo o seu auge, os dirigentes da comunidade ocidental andam a tentar instilar na humanidade a ideia de que essa revolução vai acabar por 'transformar o mundo numa coisa diferente'.

Apesar de a imagem da 'nova ordem mundial' se manter vaga e confusa, a ideia central é clara. Na sequência desse raciocínio é preciso instituir um governo global único, se quisermos evitar que reine o caos geral.

Volta não volta, os políticos ocidentais referem à necessidade de uma 'nova ordem mundial', de uma 'nova arquitectura financeira mundial', ou de qualquer tipo de 'controlo supranacional', chamando-lhe um 'Novo Acordo' para todo o mundo. Nicolas Sarkozy foi o primeiro a falar nisso, quando se dirigiu à Assembleia-Geral da ONU em Setembro de 2007 (ou seja, antes da crise).

Durante a reunião de Fevereiro de 2009 em Berlim, destinada a preparar a cimeira dos G20, Gordon Brown repetiu o mesmo, dizendo que era necessário um Novo Acordo à escala mundial. Estamos conscientes, acrescentou, que no que diz respeito aos fluxos financeiros mundiais, não conseguiremos sair desta situação apenas com a ajuda das entidades puramente nacionais. Precisamos de entidades e de vigilantes mundiais para conseguir que as actividades das instituições financeiras que operam nos mercados mundiais se nos abram totalmente. Tanto Sarkozy como Brown são protégés dos Rothschilds. Algumas declarações feitas por certos representantes da 'elite global' indicam que a actual crise está a ser utilizada como um mecanismo para provocar o agravamento de alguns motins sociais que poderão levar a humanidade – mergulhada como já está no caos e assustada com o espectro duma violência generalizada – a reclamar espontaneamente a intervenção de um árbitro 'supranacional' com poderes ditatoriais nas questões mundiais.

Os acontecimentos estão a seguir o mesmo caminho da Grande Depressão de 1929-1933: uma crise financeira, uma recessão económica, conflitos sociais, a instituição de ditaduras totalitárias, incitando a uma guerra para concentrar o poder, e o capital, nas mãos dum pequeno grupo. Mas, desta vez, a questão central é a fase final da estratégia de 'controlo global', em que com um sopro se derruba a instituição da soberania estatal nacional, seguindo-se uma transição para um sistema de poder privado de elites transnacionais.

Já nos finais dos anos de 1990, David Rockefeller, autor da ideia de que o poder privado deve substituir os governos, disse que nós (o mundo) estávamos no limiar de mudanças globais. Tudo o que é preciso, prosseguiu, é uma crise qualquer a grande escala que faça com que o povo aceite a nova ordem mundial.

Jacques Attali, conselheiro de Sarkozy e antigo chefe do EBRD [European Bank for Reconstruction and Development], afirmou que as elites tinham sido incapazes de resolver os problemas da divisa dos anos 30. Receava, disse ele, que voltasse a acontecer um erro semelhante. Primeiro vamos travar guerras, continuou, e deixar morrer 300 milhões de pessoas. Só depois é que virão as reformas e um governo mundial. Não seria melhor pensar já nesta fase num governo mundial? perguntou.

Henry Kissinger afirmou a mesma coisa. Em última análise, a principal tarefa é definir e formular as preocupações gerais da maior parte dos países, e também de todos os principais estados no que se refere à crise económica, tendo em conta o receio colectivo de um jihad terrorista. Depois, tudo isso tem que ser transformado numa estratégia de acção comum… E assim a América e os seus parceiros potenciais têm uma oportunidade única de transformar o momento da crise numa visão de esperança.

O mundo está a ser convencido a aceitar a ideia da 'nova ordem' a pouco e pouco para impedir que surjam incidentes que poderão muito bem levar a que os protestos universais contra as condições cada vez piores da existência humana entrem num 'caminho errado' e deixem de poder ser controlados. A principal coisa que a Fase Um conseguiu concretizar foi iniciar uma discussão de amplo espectro sobre o 'governo global' e a 'não aceitação do proteccionismo' com ênfase no 'desencanto' dos modelos de estados-nacionais para a saída da crise.

Esta discussão continua tendo como pano de fundo as pressões da informação que ajudam a construir as ansiedades humanas, o medo, e a incerteza. Vejamos algumas dessas acções da informação: previsões da OMS de que provavelmente 1,4 mil milhões de pessoas ficarão abaixo do limiar de pobreza em 2009; um aviso do director-geral da OMS de que se perfila no horizonte o maior declive comercial mundial da história do pós-guerra; uma declaração de Dominique Strauss-Kohn do MFI ( protégé de Sarkozy) de que está iminente um colapso económico mundial se não for implementada uma reforma a grande escala do sector financeiro da economia mundial, colapso esse que muito provavelmente arrastará consigo não apenas o desassossego social mas também uma guerra.

Foi com este pano de fundo que foi avançada a ideia de instituir uma divisa mundial comum como pedra fundamental da 'nova ordem mundial'. Mas os verdadeiros cérebros deste projecto de longa data continuam na sombra. De notar que há um ou outro representante da Rússia empurrado para a linha da frente. Faz lembrar a situação antes da I Guerra Mundial, em que os círculos anglo-franceses, que possuíam alguns planos elaborados para uma nova divisão do mundo, instruíram o ministro dos estrangeiros russo para traçar um programa geral para a Entente Cordiale. Esta passou à história como o 'programa Sazonov', apesar de a Rússia não ter desempenhado um papel independente nessa guerra, o qual desde o início foi montado para servir o sistema de interesses da elite financeira britânica.

A 19 de Março, Henry Kissinger chegou a Moscovo na qualidade de membro do The Wise Men (James Baker, George Schultz, e outros), que se reuniram com os dirigentes russos antes da cimeira do G20. Dmitry Trenin, director do Centro Carnegie de Moscovo e participante na última reunião americana dos Bilderbergers, considerou essa reunião como um 'sinal positivo'. A 25 de Março, o Moskovsky Komsomolets publicou um artigo 'A Crise e os Problemas Mundiais', de Gavriil Popov (actual presidente da União Internacional de Economistas) que relatou abertamente o que normalmente é discutido à porta fechada.

O artigo fazia referência ao Parlamento Mundial, ao Governo Mundial, às Forças Armadas Mundiais, à Força Policial Mundial, ao Banco Mundial, à necessidade de colocar sob controlo internacional as armas nucleares, às capacidades de produção de energia nuclear, de toda a tecnologia de foguetões espaciais, e dos minerais do planeta, à imposição de limites de natalidade, à limpeza do conjunto genético da humanidade, ao encorajamento de pessoas intolerantes à incompatibilidade cultural e religiosa, e a outras coisas do mesmo género.

Os "países que não aceitarem as perspectivas globais", diz Popov, "devem ser expulsos da comunidade mundial".

Claro que o artigo do Moskovsky Komsomolets não revela nada de novo que nos permita compreender a estratégia da elite global. O importante é outra coisa. Sugere-se a instituição de uma ordem policial totalitária e a eliminação dos estados nacionais, como um amplo programa de acção, e recomenda-se aquilo que tanto os liberais, como os socialistas, como os conservadores, sempre consideraram um 'novo fascismo', como o único caminho salutar possível para toda a humanidade. Há quem queira que a discussão destes projectos se torne uma norma. Neste contexto, há alguns representantes da Rússia 'de confiança' que estão a ser empurrados para a primeira linha; a Rússia que será a principal vítima da política de pilhagem total se o 'governo global' vier a ser uma realidade.

O G20 não discutiu a questão da divisa mundial comum, porque ainda não chegou a altura própria para tal. A própria cimeira foi um passo em frente no caminho para o caos porque, se as suas decisões forem seguidas cegamente, a situação socioeconómica mundial só poderá piorar e, para citar Lyndon LaRouche, irão 'liquidar o doente'.

Entretanto, a crise está a ser exacerbada e os analistas andam a predizer uma era de desemprego maciço. As previsões mais pessimistas vêm do LEAP/Europe 2020, que as publica regularmente nos seus boletins e enviou-as mesmo numa carta aberta aos dirigentes dos Vinte antes da cimeira de Londres.

Já em Fevereiro de 2006, o LEAP [Laboratório Europeu de Antecipação Política] foi de uma precisão surpreendente a descrever as perspectivas para a 'crise global sistémica' como consequência da doença financeira provocada pela dívida dos EUA. Os analistas do LEAP consideram os acontecimentos actuais no contexto da crise geral que começou nos finais dos anos 70 e está agora na sua quarta fase, a fase final e a mais grave, a chamada 'fase de purificação' em que começa o colapso da economia real. Segundo Frank Biancheri, do LEAP, não é apenas uma recessão mas o fim do sistema, em que o seu pilar principal, a economia dos EUA, entrou em colapso. "Estamos a assistir ao fim de toda uma época mesmo em frente dos nossos olhos".

A crise pode conduzir a algumas consequências muito difíceis. O LEAP prevê uma subida do desemprego para 15 a 20% na Europa e 30% nos Estados Unidos. Se não se conseguir solucionar o problema do dólar, os acontecimentos mundiais darão uma reviravolta dramática. O colapso do dólar pode ocorrer já em Julho de 2009 e a crise, que poderá durar décadas, desencadeará "uma desintegração geopolítica à escala mundial" com motins sociais e conflitos civis, com a divisão do mundo em blocos separados, em que o mundo regressará à Europa de 1914, com confrontos militares, etc. Os tumultos populares mais poderosos ocorrerão em países com sistemas de segurança social menos desenvolvidos e com maiores concentrações de armas, principalmente na América Latina e nos Estados Unidos, em que a violência social já se manifesta actualmente nas actividades de grupos armados. Os especialistas assinalam o começo da fuga para a Europa da população dos EUA, onde por enquanto a ameaça directa contra a vida não é tão grande. Para além dos conflitos armados, os analistas do LEAP prevêem escassez de energia, de alimentos e de água em áreas dependentes da importação de alimentos.

Os especialistas do LEAP descrevem o comportamento das elites ocidentais como totalmente desajustado: "Os nossos dirigentes não conseguem entender o que aconteceu, e continuam a mostrar a mesma incompreensão até hoje. Estamos no meio duma recessão prolongada, e seria necessário o empenho na introdução de algumas medidas a longo prazo para amortecer os golpes, mas os nossos dirigentes continuam na esperança de impedir uma recessão prolongada… Todos eles foram formados em torno do pilar americano e não conseguem perceber que o pilar está em ruínas…"

Mas se os dirigentes a nível médio não vêem isso, os gestores mundiais de nível superior, pelo contrário, estão muito bem informados; são eles quem está a implementar o 'caos controlado' e a política de desintegração geral, incluindo uma guerra civil e a desintegração dos Estados Unidos planeada para o final de 2009, um cenário que está a ser discutido amplamente pelos meios de comunicação americanos e mundiais.

À beira dos conflitos planeados em diversas áreas do planeta, está a ser instituído um sistema que conferirá a um centro supranacional, com base numa máquina punitiva, o total controlo político, militar, legal e electrónico sobre a população. Esse sistema utiliza o princípio de gestão de rede de comunicações que permite encaixar em qualquer sociedade estruturas paralelas de autoridade que reportam a centros de tomadas de decisões externos e são legalizados através da doutrina de prevalência da lei internacional sobre a lei nacional. A casca mantém-se nacional, mas o poder real passa a ser transnacional. Jacques Attali chama a isto um 'estado global baseado na lei'.

O centro dirigente do estado global baseado na lei situa-se nos EUA. Embora os seus fundamentos tenham começado a surgir nos anos 90, a luta contra o terrorismo após os incidentes do 11/Set levaram a fenómenos radicalmente novos. A aprovação da Lei Patriota de 2001 não só permitiu que os serviços de segurança controlassem a população americana e os estrangeiros suspeitos, como acelerou a passagem de responsabilidades estatais para as mãos de estruturas empresariais transnacionais.

As actividades de informações, do comércio da guerra, do sistema penitenciário, e do controlo de informações estão a passar para a mão de privados. Isto é feito através da chamada contratação no exterior, um fenómeno relativamente novo, que consiste em confiar determinadas funções a empresas privadas que agem como empreiteiros e atribuir a indivíduos exteriores a uma organização a realização das suas tarefas internas.

Em 2007, o governo americano chegou à conclusão de que 70% do seu orçamento de serviços de informações secretas é gasto em contratos privados e que a "burocracia de informações da Guerra-Fria está transformada numa coisa totalmente nova, em que dominam os interesses dos empreiteiros". Para a sociedade americana (incluindo o Congresso), as suas actividades mantêm-se confidenciais, o que lhes permite recolher cada vez mais funções importantes nas suas mãos.

Antigos funcionários da CIA dizem que quase 60% do seu pessoal estão sob contrato. Essas pessoas analisam a maior parte das informações, escrevem relatórios para os que tomam as decisões em jurisdições estatais, mantêm comunicações entre diversos serviços de segurança, dão apoio a posições estrangeiras, e analisam a intercepção de dados. Em consequência disso, a National Security Agency da América está a ficar cada vez mais dependente de companhias privadas que têm acesso a informações confidenciais. Não admira, pois, que se esteja a criar pressão para uma proposta de lei no Congresso que prevê a garantia de imunidade a empresas que têm trabalhado com a NSA nos últimos cinco anos.

O mesmo está a acontecer com empresas militares privadas (PMCS), que têm vindo a assumir cada vez mais funções do exército e da polícia. Numa escala significativa, começou nos anos 90 na ex-Jugoslávia, mas foram utilizados trabalhadores contratados a nível alargado no Afeganistão e noutras zonas de conflito. Executavam as acções 'mais sujas', como aconteceu com o caso durante a guerra na Ossétia do Sul, onde estiveram envolvidos mais de 3 000 mercenários. Neste momento, os PMCS são verdadeiros exércitos, cada um deles com mais de 70 mil efectivos, que operam em cerca de 60 países, com receitas anuais de mais de 180 mil milhões de dólares (segundo o Brookings Institution, EUA). Por exemplo, mais de 20 mil empregados de PMCS americanos trabalham no Iraque ao lado do contingente militar americano de 160 mil.

O sistema de prisões privadas também está a aumentar rapidamente nos EUA. Está florescente o complexo da indústria prisional, que utiliza trabalho escravo e práticas de trabalhos forçados, e os seus investidores estão sediados na Wall Street. O uso de trabalho forçado por empresas privadas foi legalizado já em 37 estados e é utilizado por importantes empresas como a IBM, a Boeing, a Motorola, a Microsoft, a Texas Instruments, a Intel, a Pierre Cardin e outras. Em 2008, o número de internados em prisões privadas nos EU era de cerca de 100 mil e este número está a crescer rapidamente, juntamente com o número total de internados no país (na sua maioria afro-americanos e latino-americanos), que é de 2,2 milhões de pessoas, ou seja, 25% de todos os presos do mundo.

Logo que Bush assumiu o poder, começou a privatização do sistema para transporte e retenção de migrantes em campos de concentração. Em especial, foi o que fez um ramo da conhecida empresa Halliburton, Kellog Brown and Root (antigamente chefiada por Dick Cheney).

As maiores conquistas foram feitas nos últimos anos na área da instituição do controlo electrónico sobre a identidade das pessoas, realizado sob o pretexto do contra-terrorismo. Actualmente, o FBI está a criar a maior base de dados do mundo de indicadores biométricos (impressões digitais, exames da retina, formas do rosto, formas e distribuição de cicatrizes, padrões de fala e de gestos, etc.) que contém neste momento 55 milhões de impressões digitais. A última novidade inclui a introdução de um sistema de varredura corporal nos aeroportos americanos, análise da literatura lida pelos passageiros dos voos e por aí fora. Uma outra oportunidade de reunir informações detalhadas sobre as vidas privadas das pessoas surgiu na sequência da Directiva N59 da NSA, aprovada no verão de 2008, 'Identificação e rastreio biométrico com o objectivo de reforçar a segurança nacional', e da confidencial 'Lei da Resposta Pronta ao Terrorismo Nacional'.

Numa avaliação da política das autoridades americanas, o ex-congressista e candidato presidencial em 2008, Ron Paul, disse que a América está a transformar-se gradualmente num estado fascista, "Estamos a aproximar-nos de um fascismo, não do tipo Hitler, mas de um tipo mais suave, que se revela na perda de liberdades civis, em que as grandes empresas dirigem tudo e… o governo está metido na cama com os grandes negócios". Será preciso lembrar que Ron Paul é um dos poucos políticos americanos que defende o encerramento do Sistema de Reserva Federal como uma organização secreta inconstitucional?

Com a chegada de Obama ao poder, a ordem policial na América está a ficar cada vez mais afunilada em duas direcções – reforço da segurança nacional e militarização de instituições civis. É impressionante como, depois de ter condenado as transgressões às liberdades individuais feitas pela administração Bush, Obama passou a controlar todo o pessoal da sua própria equipa obrigando-o a preencher um questionário com 63 perguntas que percorrem os pormenores mais complexos das suas vidas privadas. Em Janeiro, o presidente dos EUA aprovou leis que possibilitam a continuação da prática ilegal de sequestrar pessoas, mantê-las secretamente em prisões, e enviá-las para países em que se utiliza a tortura. Também propôs uma lei chamada Lei da Instituição do Centro de Apoio à Emergência Nacional, que estipula a instituição de seis desses centros em bases militares americanas para proporcionar apoio a pessoas que sejam deslocadas por causa de uma situação de emergência ou de uma catástrofe e que ficam assim sob jurisdição militar Analistas relacionam esta lei com possíveis perturbações e consideram-na uma prova de que a administração americana se está a preparar para um conflito militar que pode ocorrer após a provocação que está a ser planeada.

O sistema americano de controlo policial está a ser implementado activamente noutros países, principalmente na Europa – através da instituição da hegemonia da lei americana no seu território por intermédio da assinatura de diversos acordos. Nisto tiveram uma grande importância as conversações na sombra entre os EUA e a UE sobre a criação da 'área comum de controlo sobre a população' que se realizaram na primavera de 2008, quando o Parlamento Europeu adoptou uma resolução que ratificou a criação do mercado transatlântico único, abolindo todas as barreiras ao comércio e aos investimentos até 2015. As conversações deram origem ao relatório confidencial preparado pelos especialistas de seis países participantes. Este relatório descrevia o projecto para a criação da 'área de cooperação' nas esferas 'da liberdade, da segurança, e da justiça'.

O relatório alarga-se sobre a reorganização do sistema de justiça e assuntos internos dos estados membros da UE de modo tal que fica a parecer-se com o sistema americano. Diz respeito não apenas à capacidade de transferir dados pessoais e cooperação de serviços policiais (que já está a ser posto em prática), mas também, por exemplo, à extradição de imigrantes da UE para as autoridades americanas de acordo com o novo mandato que anula todas as garantias que os procedimentos de extradição europeus prevêem. Nos EUA está em vigor a Lei das Delegações Militares de 2006, que permite a perseguição ou detenção de qualquer pessoa que seja identificada como 'inimigo combatente ilegal' pelas autoridades executivas e se estende aos imigrantes de qualquer país que não esteja em guerra com os EUA. São perseguidos como 'inimigos', não com base em quaisquer provas, mas porque assim são rotulados pelas organizações governamentais. Nenhum governo estrangeiro protestou contra esta lei que é de importância internacional.

Em breve será assinado o acordo sobre comunicação de dados pessoais, segundo o qual as autoridades americanas poderão obter informações pessoais como números de cartões de crédito, pormenores das contas bancárias, investimentos, rotas de viagem ou comunicações via Internet, assim como informações sobre a raça, as crenças políticas e religiosas, os hábitos, etc. Foi por pressão dos EUA que os países da UE introduziram os passaportes biométricos. A nova regulamentação da UE implica a mudança geral dos cidadãos da UE para passaportes electrónicos a partir do final de Junho de 2009 e até 2012. Os novos passaportes passarão a conter um chip com informações para além do passaporte e uma foto, e ainda as impressões digitais.

Estamos a assistir à criação do campo de concentração electrónico global, e a crise, os conflitos e as guerras estão a ser utilizadas como justificação. Como escreveu Douglas Reed, "as pessoas têm tendência para tremer perante um perigo imaginário e são demasiado preguiçosas para ver o perigo real".

11-05-2009

Link permanente 22:17:24, por José Alberte Email , 484 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

OUTROS GENOCÍDIOS silenciados: Sri Lanka

Iar-noticias

O extermínio em massa de civis em Sri Lanka nom está determinado por uma guerra contra o "terrorismo tamil" como se quer fazer crer senom por interesses geo-económicos e geo-políticos militares estratégicos que têm que ver com o controle do Oceano Índico e das rotas do petróleo. Também nom trata-se de um genocídio por questões de origem "racial" senom de uma matança sistémica que se enquadra no palco da chamada "guerra energética" que disputa o eixo sionista USA UE com o bloco Rússia-Chinesa-Irom pola sobrevivência futura.

Mais de 100 meninos figuravam entre centenas de civis tamiles que morrérom em uma matança executada polo Governo (apoiado por EEUU e as potências europeias) durante o fim de semana em Sri Lanka, afirmou o porta-voz da ONU em Colombo, Gordon Weiss.

Naçons Unidas descreveu nesta segunda-feira a situaçom no norte de Sri Lanka como um "banho de sangue" depois dos relatórios de numerosas mortes de civis polos bombardeios do Governo contra posiçons dos rebeldes Tigres Tamiles no norte do país.

Trata-se de um genocídio a grande escala, cujo desenvolvimento e interesses em jogo, vêm sendo sistematicamente ocultados ou deformados pola imprensa "ocidental" que o apresenta como um conflito "racial" ou "religioso".

Segundo estimaçons de Naçons Unidas, 6.500 civis têm morrido e 14.000 resultaram feridos entre finais de janeiro e mediados de abril, durante o ofensiva final do exército contra a insurreiçom separatista.

Em quatro meses, a ONU acha que cerca de 200.000 pessoas fugiram dos combates e encontram-se em campos no norte do país insular, aos que se limita ao máximo o acesso da imprensa

Por sua vez, o Governo de Sri Lanka (terrorismo de Estado sustentado principalmente por EEUU e Grã-Bretanha) bombardeia indiscriminadamente os acampamentos e oculta o massacre com a cumplicidade da imprensa local, enquanto a imprensa internacional está excluída da zona de guerra" (leia-se de genocídio).

A principal preocupaçom de EEUU e a Índia é a crescente presença económica e militar da China, que vendeu armamentos ao exército de Sri Lanka, inclusive avions de combate.

China também ajuda a construir um porto moderno em Hambantota, no sul de Sri Lanka, cerca de uma das rotas marítimas de transporte de petróleo mais importante do mundo.

O verdadeiro, o real, o que nom se publica ou analisa, determina que o extermínio da rebeliom está motivado polo controle total de Sri Lanka por interesses geo-económicos e geo-políticos militares estratégicos que têm que ver com o controle do Índico e das rotas do petróleo.

Segundo a maioria dos expertos, o futuro da rota de trânsito petroleiro é o Oceano Índico, por isso é tam importante para a sobrevivência de EEUU e das potências ocidentais.

03-05-2009

Link permanente 00:10:47, por José Alberte Email , 2345 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

OS SEGREDOSDO PODER IMPERIAL: Reciclando a Obama: ALGUÉM SE PERGUNTOU porquê EEUU domina o MUNDO?

Manuel Freytas

1) O discurso imposto como realidade

A imprensa mundial e os analistas do sistema têm posto de moda" a análise dos processos económicos, militares e políticos de EEUU partindo dos discursos do empregado (o presidente de turno na Casa Branca) e nom da dinâmica funcional do patrom (os interesses da estrutura capitalista sionista que controla ao presidente de EEUU).
Nos meios de comunicaçom do sistema a interpretaçom do papel do presidente de EEUU está geralmente dissociado dos interesses estratégicos (planetários) do poder capitalista que representa a Casa Branca.

O costume mediático de analisar os discursos do gerente USA despojados da realidade estrutural totalizada da empresa capitalista imperial que controla a Casa Branca, deu como resultante que as maiorias planetárias achem que os EEUU se manejam exclusivamente pola vontade e a decisom de seus presidentes de turno.
Esta falsa percepçom (induzida polo próprio poder imperial) translada-se às maiorias que falam e "comentam familiarmente" sobre os presidentes USA como se fossem personagens da farândola , ignorando por completo a realidade estrutural e funcional do poder estratégico de dominaçom imperial de EEUU que os controla.
Esta dissociaçom conceptual entre o poder imperial central e os discursos de seu presidente de turno, possibilitou recrear a mística do "novo sonho americano" e gerar umha expectativa de "reciclamento democrático" do Império USA na figura e nos discursos de Barack Obama.
Obviando a realidade estratégica do domínio hegemónico geopolítico-militar-nuclear de EEUU (cuja dinâmica se nutre e retroalimenta com a conquista militar permanente de países e a depredaçom de recursos estratégicos a escala global) a imprensa mundial e seus analistas edificaram na figura e nos discursos de Obama umha "nova alternativa mundial" com EEUU renunciando a seu status de potência imperial dominante.
Com o acesso de Barack Obama à presidência de EEUU, desenvolveu-se umha campanha mediática destinada a fazer crer às maiorias mundiais que a primeira potência capitalista imperial, atolada no Iraque e Afeganistám, com seu sistema financeiro pulverizado pola crise e por umha recessom económica de efeitos imprevisíveis, se pode recrear a si mesma gerando novas expectativas e mudanças "democráticas" de política a nível mundial.
Como sustenta Henry Kissinger, Barack Obama proclamou desde seu discurso "umha espécie de ordem mundial sem umha potência dominante no que a potência que pode dominar dirige através da auto-moderaçom".
De acordo com o histórico gurú do sionismo imperial, no discurso de Obama "a liderança estadunidense deriva da disposiçom a escutar e de afirmações inspiradoras. A acçom comum surge de convicções compartilhadas. O poder emerge de um sentido de comunidade, nom da acçom unilateral, e se exerce mediante a assignaçom de responsabilidades segundo os recursos de um país".
Desde o ponto de vista da realidade estratégica imperial, a nova ordem mundial "multilateral" proclamado por Obama só se trata de ilusionismo fabricado para incautos.
A construçom conceptual e discursiva de um EEUU "automoderado" que rompe com a "unilateralidade militarista" da era Bush, já choca com a realidade da gestom de Obama na Casa Branca.

Durante seus primeiros 90 dias de governo, e enquanto reafirmava em seus discursos a "renúncia de EEUU a seu papel de potência imperial dominante", Barack Obama decidiu aprofundar a ocupaçom militar enviando mais tropas a Afeganistám, elevar o orçamento militar estadunidense a níveis recorde, e impor (através do G-20 e o FMI) um novo plano de endividamento para fazer pagar a crise financeira imperial aos povos da Ásia, África e América Latina.
Esta é a melhor prova de que as políticas estratégicas de sobrevivência imperial do Estado USA estám acima da vontade pessoal (ou do discurso eleitoral) do eventual gerente que ocupe a Casa Branca.
Como já está provado em forma histórica e estatística: Em EEUU, a potência locomotiva do capitalismo sionista a escala global, nom governam os presidentes ou os partidos, senom a elite económica financeira (o poder real) que controla a Reserva Federal, o Tesouro, Wall Street, o Complexo Militar Industrial e Silicon Valley.
Terminada as luzes artificiais da campanha eleitoral, democratas e republicanos deixam de agredir-se e complementam-se em um desenho de política estratégica de Estado em defesa dos interesses das grandes corporaçons económicas que marcam o accionar das políticas internas e da conquista de mercados encoberta nas "guerras preventivas" contra o "terrorismo".
E na prática, essas políticas imperiais (e sua continuidade no tempo) nom têm nada que ver com o discurso e os novos preceitos "doutrinários" expressados polo gerente de turno na Casa Branca.

2) O poder militar imperial
Como primeiro conceito estratégico, é necessário aclarar que EEUU nom domina o mundo nem se constituiu em primeira potência imperial capitalista com os discursos de seus presidentes eventuais, senom com o aparelho nuclear-militar mais poderoso do mundo, sete frotas com poder atómico sulcando os oceanos e cerca de mil bases militares rodeando os pontos estratégicos do planeta.
À hora de controlar o mundo do capitalismo trasnacionalizado, EEUU nom utiliza discursos presidenciais senom estratégias de dominaçom enmarcadas na supremacia mundial do seu poderio militar e económico.
A actual projecçom global do poder militar EEUU, divide-se em cinco comandos regionais distribuídos em cinco continentes: o Joint Forces Command (USJFCOM) para a regiom da América do Norte; o Southern Command (USSOUTHCOM) para América do Sul; o Pacific Command (USPACOM) para a Ásia e Oceânia; o European Command (USEUCOM) para a Europa e África; e o Central Command (USCENTCOM) para as regiões do nordeste e corno africano, Península Arábiga, Golfo Pérsico e Ásia Central.
EEUU possui o maior arsenal de armas de destruiçom em massa do mundo, e é o único que tem utilizado algumha vez armas nucleares na prática, contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki (6 e 9 de agosto de 1945). Na actualidade o arsenal nuclear USA conta com 534 mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) dos modelos Minuteman III e Peacekeeper; 432 mísseis balísticos de lançamento submarino (SLBM) Trident C4 e D5 (despregados em 17 submarinos classe Ohio) e aproximadamente duas centenas de bombardeiros nucleares de longo alcance, entre os que se contam 16 "invisíveis" do tipo B-2. O total de cabeças nucleares despregadas poderia oscilar, segundo fontes militares, entre 5.000 e 10.000.
Exceptuando Rússia, o poder nuclear-militar de EEUU supera ao de todas as superpotências capitalistas juntas.
Com um orçamento que já atinge o US$ 700.000 milhões as forças armadas combinadas do Pentágono superam os dois milhões de efectivos, espalhados em cinco continentes, equipados com a melhor tecnologia do mundo, com o melhor treinamento e a melhor paga profissional de todo o planeta.
EEUU conta com mais de 800 bases militares distribuídas em todo mundo e um despregue operativo de suas forças armadas que abarca a mais de 180 países da Europa, Ásia, África e América Latina.
Sua estrutura de poder naval cobre todos os oceanos e mares do mundo com sete frotas operativas cujas unidades de combate (navios, submarinos e aviões) estám equipadas com poder nuclear.
Esse poder hoje nom está ao serviço dos discursos "democráticos" de Obama, senom (como sempre o esteve) ao serviço da expansom dos bancos e corporaçons imperiais que extraem sua maior taxa de rentabilidade capitalista das políticas de conquista militar que sustentam o edifício da primeira potência imperial.

3) A linha de continuidade histórica

Há umha linha de continuidade histórica que rege a política militar do império reitor (para além do discurso de seus presidentes):
Com a administraçom do democrata James Carter, na década do setenta, estabeleceu-se a chamada "Doutrina Carter" que estipulou que qualquer movimento por parte de um poder "hostil" que pretendesse ganhar o controle da regiom do Golfo Pérsico, - e conseqüentemente sobre os enormes recursos energéticos da mesma - deverá ser considerado como um ataque contra os interesses vitais de EEUU justificando o uso da força militar para o recusar.
Durante a administraçom do republicano Ronald Reagan, em janeiro de 1983, as Rapid Deployment Joint Task Forces (RDJTF) converteram-se no US Central Command (USCENTCOM), cuja missom abarca a projecçom estratégica do poder militar de EEUU sobre os recursos energéticos gasíferos do Golfo Pérsico, o Cáucaso e Ásia Central que contêm mais de 70% das reservas mundiais.
O republicano George Bush (pai de W), em 1991 lançou a primeira guerra contra Iraque que teve como missom reposicionar estrategicamente as forças militares de EEUU no Golfo Pérsico com projecçom para as regiões petroleiras de Cáucaso e a Ásia central.
Com o democrata Bill Clinton, o aparelho militar de EEUU aprofundou seu avanço e estendeu sua corrente de bases na Ásia Central e no Cáucaso, se posiciono no território do ex império soviético da Europa do Leste com o bombardeio e posterior controle da Jugoslávia, e sentou as bases da invasom a Iraque com os bombardeios preventivos a esse país.
Com o republicano George W Bush, e baixo o preceito doutrinário da "guerra contraterrorista", EEUU invadiu militarmente dois encraves estratégicos para seu projecto de tomar conta dos recursos energéticos do Golfo Pérsico e da Ásia Central: Iraque e Afeganistám.
Ao democrata Barak Obama, toca-lhe a missom de ampliar e estender o dispositivo do controle geopolítico militar sobre os corredores energéticos eurasiáticos com a ocupaçom militar do Paquistám, o reposicionamento do poder de EEUU no Caucaso, e a profundizaçom do controle sobre a "chave petroleira" do Golfo Pérsico destruindo o poder militar do Iram.
Como se pode apreciar, esta realidade emergente das necessidades estratégicas (reais) de sobrevivência do Império militar norte-americano nom tem nada que ver com o discurso "democrático" (irreal) de Obama que compram e vendem a diário a imprensa de mercado e os analistas do sistema.

O poder económico imperial

O poder militar de EEUU, e a modo de coluna vertebral, sustenta e garante a sua vez (em carácter de polícia mundial") a supremacia global e a ordem vigente de seu poder económico imperial expandido a escala planetária.
Há que precisar que EEUU nom cifra seu poder de potência económica hegemónica nos discursos de seus administradores (presidentes) de turno na Casa Branca, senom na imposiçom imperial vigente do dólar como moeda de transacçom e de reserva a escala mundial que lhe permite a Washington (o emissor do dólar) controlar os processos tanto dos mercados internos como dos mercados internacionais do sistema capitalista a escala planetária.
Um 80% das transacções internacionais, um 70% das importações mundiais e a quase totalidade do comércio petroleiro realizam-se em dólares, segundo o Banco Mundial e o departamento de Comércio estadunidense.
Segundo o Banco Internacional de Pagamentos, o banco central dos bancos centrais, o dólar continua sendo a "moeda favorita dos bancos centrais" e representa um 55% de seus activos e passivos em moeda estrangeira.
EEUU, a primeira economia mundial, Europa, a segunda economia mundial, Chinesa, a terceira economia mundial, e Japom a quarta economia mundial, realizam a maioria de seu comércio em dólares (além de ienes e euros).
Se a divisa estadunidense colapsara, colapsarían EEUU, a Uniom Europeia, Chinesa, Japom e Coréia do Sur, (os maiores vendedores e compradores do mundo), que juntos somam mais 70% da economia mundial.
E há um terceiro factor que fecha o círculo geométrico do poder imperial de EEUU: As primeiras 500 corporaçons comerciais, industriais, financeiras e tecnológicas do planeta (que dominam os processos económicos productivos e os comércios exteriores dos países a nível mundial) cotam em Wall Street, valorizam seus activos em dólares e depredam o planeta protegidas baixo o "guarda-chuvas lobbista" das embaixadas USA.
Ademais, as mais poderosas corporaçons económicas imperiais adquirem bonos do Tesouro de EEUU como "refugio" ante a crise global, e a maioria abrumante dos países subdesenvolvidos ou emergentes da Ásia, África ou América Latina tem suas reservas em dólares e também adquirem papéis do banco central norte-americano para escapar do colapso económico.
Esta realidade, estatística e verificável, e nom o discurso dos presidentes de turno em Washington, é o que determina as bases estratégicas do poder imperial de EEUU assentado sobre o poder nuclear-militar e a supremacia económica global com o dólar como moeda patrom.
Em resumem, EEUU nom domina o mundo por médio de eventuais formulaçons doutrinarias político-diplomáticas de "unilateralidade" ou "multipolaridade", ou polos eventuais discursos "democráticos" ou "militaristas" de seus presidentes, senom porque impõe ao resto dos países a lógica de seu poder militar e económico, indestrutível, salvo por um estoupido nuclear do planeta.
Neste palco quem pode pensar logicamente que EEUU vai a resignar "mansamente" seu papel de potência dominante, a desaparecer como Império regente do sistema capitalista, sem utilizar dantes o poder militar destructivo mais poderoso do planeta?
E quem pude pensar, sem pecar de insano mental, que EEUU vai renunciar a seu domínio militar, a sua condiçom de potência económica capitalista dominante, para converter em um Estado "democrático" que respeita o direito dos demais pola simples vontade de Obama?.
Somente a ignorância generalizada sobre quem é o empregado (Obama) e quem é o patrom (a estrutura de poder imperial que controla a Casa Branca) permite à imprensa do sistema pôr a Obama e seus discursos como se fossem o centro decisivo do poder imperial.

30-04-2009

Link permanente 22:06:28, por José Alberte Email , 305 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Dezires

O IMPERIO GENÓCIDA: A guerra secreta de EEUU em Sudám

Argentpress

A Corte Penal Internacional anunciou acusaçons ameaçadoras contra Omar O-Bashir, o presidente árabe de Sudám, na primeira vez que esse tribunal incrimina a um chefe de estado em exercício. Após o anúncio, que o sistema informativo ocidental difundiu como notícia por todas partes e na cada lar estadunidense. Ao termo do mesmo dia o presidente a O-Bashir ordenou a expulsom de dez organizaçons nom governamentais internacionais (ONGs) que operavam em Darfur.

Mas os grandes meios em língua inglesa nom têm divulgado em nenhuma parte que EEUU acaba de intensificar sua já antiga guerra polo controle de Sudám e de seus recursos naturais (petróleo, cobre, ouro, urânio e terras férteis para plantaçons de cana de açúcar e borracha arábiga, essenciais para a Coca Cola, Pepsi e os gelados Ben & Jerry).

Esta guerra tem estado levando-se a cabo também através de numerosas ONGs supostamente humanitárias instaladas em Darfur, mediante companhias militares privadas, operaçons de manutençom de paz" e operaçons militares encobertas (eufemismo para assassinatos secretos) apoiadas por EEUU e seus aliados mais próximos.

A luta polo controle de Sudám manifesta-se nos pontos mais álgidos da guerra por Darfur.

Há Forças Especiais de EEUU assentadas em terras de fronteira dos estados de Uganda, O Tchad, Etiópia e Kenia, e as duas grandes perguntas som: 1] Quantas das matanças "denunciadas" polas ONGs estám a ser cometidas polas poderosas forças de EEUU para inculpar depois à O-Bashir e ao governo de Sudám?; e 2] Quem financia, arma e treina aos rebeldes insurrectos contrários à O-Bashir?

Parecesse que a acusaçom a Sudám despe ao Corte Penal Internacional como uma ferramenta mais da política exterior hegemónica de EEUU.

29-04-2009

Link permanente 11:49:10, por José Alberte Email , 1063 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

É A GRIPE PORCINA UMHA ARMA BIOLÓGICA? Para quem estám destinados os 500.000 ataúdes de plástico depositados em Atlanta?

Por: Paul Joseph Watson

Há alguns factores que sugerem que a gripe porcina matando gente em México poda ser umha arma biológica, mas obviamente nom se podem extrair conclusons neste momento. A Organizaçom Mundial da Saúde e o governo dos EE.UU. apressuram-se a negar essas reclamaçons.

O vírus da gripe porcina descreve-se como umha cepa completamente nova, umha mistura intercontinentais de recursos humanos, o vírus da gripe das aves e porcina. No entanto, a nom se têm notificado infecçons polo H1N1 dos porcos.

Segundo umha fonte conhecida dos ex oficiais da NSA Wayne Madsen, “Um cientista das Naçons Unidas, que tem examinado o brote do mortal vírus de Ébola na África, bem como a vítimas do HIV / SIDA, a conclusom de que o H1N1 possui certos ” vectores “que sugerem que a nova cepa de gripe tem sido geneticamente fabricada como arma militar de guerra biológica.

Madsen afirma que sua fonte, e outra na Indonésia, estám “convencidos de que o actual brote de umha nova cepa de gripe porcina em México e em algumhas partes dos Estados Unidos é o resultado da introduçom de um patogénico humano de engenharia que poderia resultar em umha generalizada pandemia mundial, com consequências potencialmente catastróficas para o lar e as viagens internacionais e o comércio. “

No entanto, é importante sublinhar que é demasiado cedo para fazer esta suposiçom. Temos que ter em conta que o número de vítimas tem sido relativamente baixo se se tem em conta o facto de que centos de milhares de pessoas em México contraem a cada ano as doenças infecciosas relacionadas com a pobreza como a tuberculose e a malária.

Fort Detrick, the US Army Medical Command que foi a fonte dos ataques com antraz de 2001, volta a atrair a suspeita à luz da gripe porcina após que se revelou o desaparecimento de umhas mostras virais em suas Biolabs.

The Frederick News . “Chade Jones, porta-voz de Fort Meade, disse que CID está a pesquisar a possibilidade de que faltem mostras de vírus nos laboratórios do Exército dos EE.UU.

Em fevereiro, USAMRIID deteve seu trabalho quando comprovou que tinha umhas mostras que nom figuravam em sua inventario. Criminoso investigators from the US Army Criminoso Investigation Division unit at Fort Meade descobriu que entre as mostras desaparecidas se encontram as de vírus e os agentes patogénicos ébola, o ántrax e a peste.

Obviamente, à luz da actual gripe porcina, é muito surpreendente que surjam as suspeitas sobre um laboratório do exército do que se originou o escape do antrax no 2001.

No 2008 umha investigaçom do FBI e do Departamento de Justiça chegou à conclusom de que Bruce Edwards Irvins, um microbiólogo, vaccinologist, e altos comissionado na biodefensa, pesquisador do Exército dos Estados Unidos do Instituto de Investigaçons Médicas de Doenças Infecciosas (USAMRIID) em Fort Detrick, Maryland, é responsável polo envio do ántrax por correio aos membros do Congresso e aos meios de comunicaçom em setembro e outubro de 2001.

O facto de que Irvins aparentemente se suicidou pouco dantes do anúncio levou a suspeitar que ele era um Patsy em umha ampla parcela. Apesar das circunstâncias suspeitas, nom se realizou autópsia no corpo de Irvins. Seu advogado está seguro de que Irvins, que tinha cooperado com a investigaçom durante 6 anos, era inocente das cinco mortes por ántrax.

O Departamento de Justiça considerou o Dr. Steven Jay Hatfill era um forte suspeito nos ataques com ántrax, mas mais adiante iniciou umha demanda contra o governo e ganhou 5,8 milhons de dólares em danos e prejuízos. No New York Times publicaram-se suspeitas sobre o ‘ suicídio de Irvins,

Os temores de que umha pandemia global se estám preparando desde faz tempo na forma de um ataque biológico highly unusual number of deaths of top microbiologists to suggest that people with knowledge of the program are being eliminated.
Segundo “Schall und Rauch” e a Yijad em Eurabia O primeiro caso mortal da gripe porcina (H1N1) se deu o 13 de abril em México e a visita de Barack Obama em México City foi o 16 de abril após saudar a Obama o Director do Museu antropológico da cidade de México morreu pola gripe porcina. Cousas de Mandinga…

O Periódico Reforma deu a notícia de que Obama deveria se ter contagiado depois de seu contacto com Solís. (Talvez Obama tinha um duplo? ou recebeu algum tipo de vacina previamente?)

Em México realizam-se medidas extremas restrictivas das reunions públicas devido ao vírus

Os estadunidenses parecem ter sido mas previsores. Nas cercanias de Atlanta, onde está o Instituto epidemiologico CDC em Madison, uns periodistas encontrarom em Novembro do 2008 um estranho contingente de 500.000 ataúdes de plástico .

Em Suíça desde faz anos os servidores públicos preparam-se para umha epidemia, médicos e hospitais realizam desde faz anos exercícios para atender a umha pandemia. Em Chicago em Fevereiro do 2009, servidores públicos do Centro de Catástrofes FEMA e o Ministério de Protecçom Nacional, (DHS) preparam-se para a instauraçom de fossas comuns e preparativos de tempos de guerra.

O 4 de abril do 2007, publicou-se umha carta recebida no Cemitério do State of New York e enviada polos escritórios de Cemitérios regionais, perguntando-ches em que quantia estariam preparados para receber, umha grande quantidade de cadáveres.
A Carta dizia assim::

“No caso de um desastre, com grande número de mortes ou de umha epidemia de gripe em sua regiom em que medida poderia seu Cemitério ter capacidade para o deposito temporário ou permanente de um elevado número de cadáveres resultantes daquela catástrofe ou epidemia gripal?”

Em Novembro o IPPR britânico (”Institute of Public Policy Research”), anunciou que umha Pandemia do tipo SARS, poderia derrubar o sistema financeiro em umha profunda depressom e recessom, supondo que terroristas iniciassem um ataque bacteriológico.

Desse grupo fazem parte as elites industriais e militares britânicas: Lord Ashdown ex- OTAN General secretario Lord Robertson, Lord Guthrie experto em Segurança , Comandante do Sistema defensivo, Sir David Omand, Coordenador do Serviço secreto do Governo em Londres.

27-04-2009

Link permanente 22:08:00, por José Alberte Email , 3226 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

A DERROTA PELA DÍVIDA é tão mortal quanto uma derrota militar absoluta (5)

por Michael Hudson

Sistema de equilíbrios políticos na economia

O melhor caminho para os países é colocar o seu próprio crescimento económico antes dos interesses dos credores. Durante muitas gerações esta ética apoiou um conjunto de equilíbrios políticos que mantiveram o crescimento da dívida internacional em termos considerados toleráveis – demasiado pesado pelos padrões de mercado livre de Smith e John Stuart Mill, mas não tão altos a ponto de generalizar incumprimentos e repúdios de dívida.

Esta ética mudou nos últimos anos. Os países aceitaram a propaganda dos credores de que dívidas são uma "questão de honra", tal como os pobres acreditam que pagar as suas dívidas – mesmo quando estão em situação líquida negativa – é a "coisa mais honesta a fazer". Obviamente esta ética não é auto-aplicada nas maiores instituições financeiras do mundo ou entre especuladores imobiliários. Mas a Islândia aceitou-a, o que é uma característica de comunidades pequenas, muito coesas, onde a palavra dos vizinhos é um vínculo. A raiz da ética da Islândia é a ajuda mútua e a prosperidade para todos. É uma atitude refinada, altamente socializada, e contudo trágica pois ajudou o país a cair de bruços diante da banha da cobra da escravidão pela dívida.

Quando líderes políticos deixam de reconhecer que os sistemas de controle são uma função própria de governo sacrificam o desejo do seu país de crescimento económico e de elevação de padrões de dívida numa vã tentativa de pagar credores. Tais tentativas terão de ser inúteis, porque "a mágica do juro composto" é um mito cruel: Na realidade toda taxa de juro implica uma duplicação no tempo e nenhum crescimento "real" de uma economia alguma vez foi capaz de crescer exponencialmente a uma taxa suficientemente rápida para pagar as dívidas que se mantiveram a acumular juros.

No ambiente desregulamentado de hoje em que "o céu é o limite", estas acumulações foram recicladas em ainda novos empréstimos. Estes são então empacotados e revendidos, onerando a economia com cada vez mais dívida que até agora tem sido quase impossível rastrear. E para cumular o assunto, especuladores financeiros aplicam milhões de milhões de dólares em apostas sobre se as dívidas podem ou não ser pagas e quanto os seus preços de mercado são prováveis de mudar. O que era suposto ser um sistema financeiro destinado a financiar novo capital de investimento para produzir mais e elevar padrões de vida redundou numa economia de casino – onde jogadores são apoiados pelos banqueiros para jogarem o jogo da dívida, com os governos ao lado para tornar os vencedores "inteiros" nos casos em que os devedores perderam demasiado do seu dinheiro para pagar à vista.

Dívidas que não podem ser pagas, não o serão

Todo economista que examinou a matemática do juro composto salientou o facto de no fim as dívidas não poderem ser pagas. Qualquer taxa de juro pode ser encarada em termos do tempo que leva para duplicar uma dívida. A 5 por cento, uma dívida duplica em 14,5 anos; a 7 por cento, em 10 anos; a 10 por cento, em 7 anos. Já em 2000 AC, na Babilónia, escribas contabilistas foram treinados para calcular como o principal de empréstimos duplicava em cinco anos à taxa então corrente de 20% ao ano (1/60 por mês durante 60 meses). "Quanto tempo leva uma dívida para multiplicar 64 vezes?", perguntava um exercício de estudante. A resposta é 30 anos – seis vezes duplicada.

Nenhuma economia foi alguma vez capaz de manter-se a duplicar numa base constante. As dívidas crescem por princípios puramente matemáticos, as economias "reais" diminuem gradualmente em curvas S. Isto também era conhecido na Babilónia, cujos modelos económicos calculavam o crescimento de rebanhos, os quais normalmente diminuem gradualmente. Uma grande razão o arrefecimento do crescimento económico nacional nas economias de hoje é que cada vez mais rendimento tem de ser pago para suportar o fardo da dívida que aumenta. Ao deixar menos receita disponível para investimento directo na formação de capital e para alimentar a elevação dos padrões de vida, os pagamentos de juros acabam por afundar as economias na recessão. Durante o último século ou pouco mais, habitualmente levava 18 anos para que o típico ciclo imobiliário cumprisse o seu percurso.

Países que não pagaram as suas dívidas

Vamos rascunhar um ficheiro de países que anularam as suas dívidas – ou actuaram sem intenção de pagar. A lista começa com o maior devedor do mundo, os Estados Unidos. O seu governo deve US$4 milhões de milhões a bancos centrais estrangeiros. Pensar nisso por um momento mostra que não há qualquer meio de se poder pagar, mesmo se isto fosse desejado. Os Estados Unidos estão incidindo num défice comercial crónico, no topo do qual está um aprofundamento de gastos militares. Ao tratar desta crónica subsistência acima dos meios financeiros do país, os diplomatas americanos são quase os únicos no mundo que conduzem a diplomacia internacional do modo que os manuais assumem que todos os países deveriam fazer. Eles actuam puramente e implacavelmente nos seu próprio interesse nacional. Este interesse reside na obtenção do proverbial almoço gratuito, dando IOUs pelos recursos reais e activos de outros países, sem nenhuma intenção ou capacidade para pagar.

Responsáveis dos EUA já sugeriram que esta dívida será anulada (wiped out). O seu plano seria convertê-la em "papel ouro". Os bancos centrais estrangeiros simplesmente carimbariam nos seus títulos do Tesouro dos EUA "bom apenas par pagamento entre bancos centrais e o Fundo Monetário Internacional". A nenhum outro país seria permitido anular as suas dívidas por este meio. Só o devedor no centro seria capaz de continuar a emitir dinheiro-dívida sem constrangimento externo.

Temos de admitir que diplomatas dos EUA libertaram países da dívida quando tiveram uma razão política para fazê-lo. O mais famoso exemplo moderno de um cancelamento de dívida numa economia grande é o da Alemanha em 1947. Os Aliados cancelaram a dívida pessoal e de negócios alemã, com base em que a maior parte era devida a antigos nazis. As únicas dívidas deixadas na contabilidade foram as dívidas salariais que os empregadores tinham para com a sua força de trabalho e os fundos de maneio para companhias e famílias.

Em 1931, uma geração antes, os Aliados haviam anulado a dívida das reparações de guerra da Alemanha originada pela I Guerra Mundial e negociaram uma moratória das suas dívidas de armas para com os Estados Unidos. Os principais governos do mundo perceberam que manter estas dívidas na contabilidade levaria ao colapso da economia global. Mas no momento em que chegaram a esta conclusão já era demasiado tarde. A combinação das dívidas de armas Inter-Aliadas para com os Estados Unidos e as dívidas de reparações impostas pelos Aliados em grande parte para pagar a América foi um dos principais factores que levou o mundo à depressão.

A economia dos EUA estava a entrar em colapso sob o peso da sua dívida interna a acumular-se em pirâmide. Outros países haviam usado menos alavancagem de dívida, mas tudo terminou com o cancelamento de vastos segmentos de dívidas imobiliárias e de negócios durante os Anos da Depressão. No momento em que terminou a Segunda Guerra Mundial, em 1945, a maior parte dos países estava livre de dívida. Os preços reflectiam os custos de produção directos, com desvio mínimo de receitas para o pagamento de bancos, proprietários absenteístas e outros rentistas.

No período do pós-guerra o Banco Mundial emprestou dólares a governos para a construção de infraestruturas – só para dar meia volta uma geração mais tarde e ajudar a saquear o que havia financiado. Depois de o México e outros governos latino-americanos anunciarem que estavam insolventes, em 1982, diplomatas dos EUA organizaram uma redução da dívida na forma dos "títulos Brady". Em 1990, a Argentina e o Brasil tiveram de pagar 45% sobre a nova dívida externa dolarizada e o México pagou 23%.

Tendo encravado países do Terceiro Mundo com dívidas para além da sua capacidade de pagar, o FMI e o Banco Mundial utilizaram a sua influência de credores para forçar governos a imporem planos de austeridade draconianos que tiveram o efeito de impedir o crescimento rumo à auto-suficiência industrial e agrícola, com isso esmagando também perspectivas de competitividade. O FMI e o Banco Mundial pediram então que os países vendedores vendessem a sua infraestrutura pública, terra, direitos do subsolo e outros activos para pagar as dívidas que estas instituições patrocinaram tão irresponsavelmente. (Se os empréstimos do FMI não fossem simplesmente irresponsáveis, então eles conscientemente debilitavam as economias dos países devedores.) Isto é uma velha história de conquista, agora cumprida sem a guerra convencional.

Dois mil anos atrás Roma despojou de dinheiro a Ásia Menor e outras províncias e colónias usando força militar. A sua oligarquia financeira traduziu então o seu poder económico em poder político, destruindo a democracia e provocando os séculos sombrios da Baixa Idade Média. A lição histórica é que economias capturadas pelos credores são afundadas na depressão pois a concessão de empréstimos predatórias remove o excedente, não deixando ficar nada para subsistência, quem dirá para a renovação de capital. Isto impedi os países de pagarem as suas dívidas, levando a arrestos generalizados, uma polarização extrema da propriedade e da riqueza e ao empobrecimento do seu povo. A falta de prosperidade que daí decorre acaba por debilitar a capacidade de sustentar custos militares e tais países tendem a ser conquistados, como os godos invadiram Roma. Eles sempre estiveram às portas, do lado de fora – mas foi o esvaziamento da economia interna de Roma que a tornou presa para conquista.

Mais recentemente, a tomada de controle dirigista patrocinada pelo credor das instituições económicas e sociais nacionais que tornaram a Rússia, os Estados bálticos e outras economias pós soviéticas em cleptocracias neoliberais, conduzindo o trabalho qualificado para o exterior em conjunto com a fuga de capital. A Letónia está empurrada outra vez rumo à vida de subsistência com base na terra. A má gestão do credor é o problema mais importante que qualquer país hoje deveria esforçar-se por impedir

Credores jogam a carta do terrorismo

O 11/Setembro assinalou o princípio de uma nova captura de poder nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Responsáveis do Reino Unidos utilizaram legislação anti-terrorista para tomar activos islandeses no exterior. O que faz isto tão irónico é que ao longo da história têm sido os credores que utilizaram violência contra os devedores, não ao contrário. Conheço apenas uma excepção e não envolveu banhos de sangue: Jesus removeu as mesas dos cambistas no templo de Jerusalém. É o único registo de um acto violento na sua vida.

Psicólogos procuram explicar a inclinação do credor para a violência pela tendência dos rentistas a lutarem por rendimento não ganho – herança ou outra "riqueza gratuita" que obtiveram sem esforço próprio. As pessoas que trabalham para viver e são capazes de sustentarem-se por si próprias acreditam que podem sobreviver e por isso há menos da espécie de pânico que credores e outros que desfrutam almoços gratuitos sentem ao pensarem que a sua receita extractiva poderia acabar. Eles combatem apaixonadamente contra a perspectiva de terem de viver do que produzem ou do que ganham pelos seus próprios méritos. Assim, a última coisa que os rentistas realmente querem é um mercado livre. Numa ironia desavergonhada, eles tendem a acusar populações de serem terroristas se as mesmas procurarem defender-se contra credores predatórios e tomadores de terra!

Ao descrever a violência do credor, Plutarco mostra como o rei Agis IV de Esparta e o seu sucessor Cleomenes III procuraram cancelar dívidas no século III AC. Os credores da cidade-estado assassinaram Agis, levaram Cleomenes ao suicídio no exílio e mataram o líder seguinte de Esparta, Nabis – e então apelaram a Roma para combater contra democracias pró-devedor por toda a Grécia. Tito Lívio e outros historiadores romanos descrevem como um século depois, em 133 AC, o Senado Romano respondeu a uma tentativa de reforma da dívida e da terra dos irmãos Graco precipitando aqueles senadores democráticos num despenhadeiro para morrerem, inaugurando assim um século de sangrenta guerra civil.

No século XIX os Estados Unidos enviaram canhoneiras a fim de cobrar dívidas de países latino-americanos, instalando colectores nas alfândegas locais. A Inglaterra aplicou uma força imperial semelhante para arruinar a Índia, o Egipto e a Turquia, despojando os seus activos através de dívidas e afundando as suas populações na pobreza que persiste até os dias de hoje. Mais recentemente, a mão dos EUA na violência que derrubou o presidente eleito do Chile, Salvador Allende, continuou esta política. Tendo procurado isolar a União Soviética, Cuba e outros países que rejeitaram as regras orientadas pelo credor e os interesses da propriedade rentista, os Estados Unidos culminaram a sua vitória na Guerra Fria sobre a União Soviética promovendo um regime de taxa fiscal uniforme que impôs o fardo fiscal inteiramente sobre o trabalho e a indústria, não sobre as finanças e o imobiliário. Ao invés de serem democratizados, os países pós comunistas foram dirigidos directamente para cleptocracias oligárquicas que efectuaram rapidamente a elevação das dívidas para com o Ocidente.

Isto é exactamente o oposto dos mercados livres que lhes haviam sido prometidos em 1990-91. Ao invés de crescimento económico, a economia "real" da produção e do consumo contraiu-se, mesmo quando influxos financeiros estrangeiros incharam os preços da propriedade habitacional e de escritórios, do combustível e dos serviços públicos. O imobiliário e os serviços públicos até então fornecidos gratuitamente ou a preços subsidiados foram transformados num veículo predatório para os estrangeiros extraírem rendimento, colocando a população interna a rações, tal como o que ocorre sob ocupação militar. Mas os media públicos, centros académicos e parlamentos persuadiram as populações de que isto faz parte de uma ordem natural, o resultado de como um mercado livre é suposto operar, ao invés de um retrocesso a instituições quase feudais. A ideia simplista é que fazer dinheiro é próprio do "capitalista", sem considerar se o capital industrial está a ser criado ou desmantelado e despojado.

Como os tempos difíceis afectam o povo

Relatórios de saúde pública de todo o mundo documentam como a esperança de vida encurta quando a desigualdade económica e a pobreza aumentam. A moral é que "dívida mata", ao empobrecer e destruir populações. Aqueles que se tentam defender são marcados como terroristas pelos seus predadores financeiros. A doutrina da população de Malthus, afinal de contas, foi escrita para racionalizar o almoço livre da classe de proprietários de terra e as políticas do Banco Mundial para as populações de países endividados do Terceiro Mundo foram da mesma forma o complemento natural do despojamento de activos financeiros que ele endossou. Menos pessoas para alimentar, vestir e abrigar numa situação em que os investidores procuram principalmente as empresas públicas para cuja construção os governos já haviam incorrido em dívida externa, mais terra e recursos da natureza ao invés do trabalho humano.

Em parte alguma a violência dos credores é mais declarada do que na sua destruição da educação, especialmente dos estudos económicos e do conhecimento da história. O primeiro acto dos Chicago Boys (monetaristas da Universidade de Chicago, encabeçados pelo prémio Nobel Milton Friedman) no Chile de Pinochet após o golpe militar de 1974 foi encerrar todos os departamentos de teoria económica e ciências sociais do país, excepto para a fortaleza monetarista na Universidade Católica que dominavam. A ideia era despojar a academia de qualquer ponto de vista alternativo. As coisas não são muito diferentes em outros países. Numa conferência económica pós keynesiana em Berlim sobre "financiarização" em Novembro último, ouvi muitas queixas de que visões alternativas à ortodoxia da Escola de Chicago não tinham audiência nos principais jornais académicos europeus. E exactamente neste mês de Março na reunião anual na cidade de Nova York da Eastern Economic Association, ouvi queixas semelhantes de ideias económicas alternativas eram excluídas dos principais jornais de referência nos quais os aspirantes a académicos devem ganhar entrada a fim de serem promovidos a empregos estáveis (tenures) na maior parte das universidades dos EUA. Uma Cortina de Ferro intelectual foi baixada pela ortodoxia disfuncional do "mercado livre". Evidentemente um mercado livre em ideias é anátema para os livre mercadores das finanças. Com controle intelectual tão forte, naturalmente, a violência aberta é desnecessária.

Tal intolerância intelectual está no DNS da mentalidade credora porque ela não pode aguentar a consciência e o entendimento dos seus efeitos destrutivos. O "milagre do juro composto" não é alcançável na prática para além do curto prazo. Pretender que ele pode constituir a base para um modelo sustentável de criação de riqueza violenta a racionalidade e a lógica económica. Eis porque a teoria económica que os credores preferem – e subsidiam – é aprender a ignorância propagandeada pelos idiotas úteis. O seu papel é desviar a atenção da mais importante dinâmica económica da sociedade, a da polarização da finança e da propriedade através da dívida, evidentemente na premissa de que o que não é visto ou analisado não será regulamentado ou tributado. Aqui se pode recordar do gracejo de Baudelaire: "O diabo vence no ponto em que convence o povo de que não existe". Um "mercado livre" para rentistas é portanto um "livre" de ideias alternativas.

Esta é a função política da teoria económica mainstream de hoje. E para coroar o assunto, a visão mundial orientada para o credor exerce violência semelhante aos ensinamentos das principais religiões do mundo.

23-04-2009

Link permanente 10:13:36, por José Alberte Email , 3388 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

A DERROTA pela dívida é tão mortal quanto uma derrota militar absoluta (4)

por Michael Hudson

Como os bancos e o sector financeiro ganharam o poder de domínio

Esta supremacia dos bancos e do sector financeiro levou milhares de anos a ser atingida. Não foi fácil subverter valores sociais tradicionais e empobrecer tantas economias através da subordinação das relações de propriedade habituais com a prioridade legal para os credores. A Islândia só recentemente ficou sob esta espécie de ataque financeiro de credores que operam globalmente. Banqueiros conseguiram convencer ambiciosos à procura de fortuna que o caminho para a riqueza e o crescimento económico residia na alavancagem de dívida, não em permanecerem livres de dívida. Ao vender dívida como o seu produto, os bancos e os especuladores no núcleo do mundo financeiro precisavam preparar-se para o que devem ter sabido que levaria ao colapso económico e que destruiu economias ao longo da história. Eles preparam o caminho para a ruína através da engenharia ideológica destinada a moldar a forma de pensar das populações acerca da história, de modo a aceitar a pirâmide da dívida como uma boa estratégia económica.

Como exemplo do seu pensamento distorcido, considere uma casa com preço atraente. Você preferiria possuir 100% de uma casa livre de toda dívida com um valor de mercado de 100.000 euros se livre de dívida – ou, ao contrário, preferiria possuir 60% da mesma casa a um preço de mercado inflacionado avaliado em 250.000 euros? No segundo cenário você teria 50.000 euros de "riqueza excedente" (60% x €250.000 = €150.000, a serem comparados com os €100.000 do primeiro exemplo). Pessoas por todo o mundo foram convencidas de que o segundo cenário representa "criação de riqueza". O que é passado por alto é que o preço mais elevado da casa implica encargos de juros sobre o seu preço de mercado mais elevado. Este encargo montaria a €6.000 por ano, ou €500 por mês a juros a 6%. A mesma propriedade vale mais, mas inclui um encargo de dívida muito maior – rendimento para o sector financeiro.

Na Islândia – mas em nenhum outro lugar – as hipotecas de casas têm uma deformação singular. Os credores conseguiram proteger o peso dos seus direitos sobre os devedores ao indexar os empréstimos hipotecários à taxa do índice de preços no consumidor (IPC) do país. A cada mês a dívida principal é acrescida pelo aumento do IPC – e assim também o encargo de juros. Durante 2008 aquele índice subiu 14,2%, de modo que uma hipoteca de €100.000 com arranque em 2008 teria crescido para €114.230 no fim do ano. Estes ajustamentos mensais também seriam acrescidos de um ponto percentual dentro do pagamento dos juros – um extra de €100 a ser pago mensalmente aos credores, em acréscimo ao principal crescente a ser amortizado. Falamos acerca de fazer dinheiro sem esforço...!

Encargos de dívida tão pesados contrairiam qualquer economia, e é o que está a acontecer na Islândia. Os preços do imobiliário declinaram numa estimativa de 21 por cento para a habitação em 2008. Assim, no exemplo acima, o preço de mercado da casa que vale €100.000 no princípio do ano teria estado a valer apenas €79.000 no fim do ano, ao passo que a hipoteca teria crescido em 14%, para 114.230. Isto teria afundado o proprietário numa situação líquida negativa de €35.000 – uma notável mudança de 35%.

Em todo país, os investidores perdem quando os preços declinam nos imóveis, acções e títulos, ao passo que os credores descobrem o poder de compra dos seus empréstimos corroídos pela inflação. Foi assim que a maior parte dos países conseguiram "sair da dívida" durante muitos séculos. Mas os credores da Islândia criaram um sistema no qual a sua posição é realmente melhorada quando o resto da economia sofre a erosão inflacionária do preço. Os seus direitos aumentam na proporção da taxa em que a inflação dos preços no consumidor corrói salários e lucros de negócios. Qual o sentido disto?

O que torna isto tão irónico é que o objectivo de calcular o índice de preços no consumidor em todos os países foi apoiar o rendimento do consumidor. Foi para proteger os assalariados e aposentados contra a inflação que corroía a sua capacidade de manter o seu padrão de vida. Eis porque nos Estados Unidos os aposentados da Segurança Social recebem um ajustamento anual do custo de vida com base no IPC. Mas a Islândia inverte este objectivo político, protegendo os direitos dos credores contra os devedores (e portanto contra a maior parte dos assalariados). O objectivo do credor é maximizar o poder da dívida sobre o trabalho vivo. Este é o significado literal de "hipoteca" (mortgage): uma "mão morta" do passado sobre o presente, da riqueza passada e do crédito sobre o vivo. Para a Islândia, as dívidas aumentadas durante a fase de "criação de riqueza" da bolha financeira devem ser deixadas ali e até mesmo crescer a uma taxa acelerada reflectindo o ritmo da depreciação da divisa e portanto na generalidade dos preços de importação e no consumidor. Os devedores perdem quando os preços das suas casas afundam, ao passo que os credores mantêm o seu domínio económico intacto e até mesmo fortalecido pelo aumento do seu poder.

Transformando poder económico em poder político

Os credores na maior parte dos países foram capazes de transformar o seu poder económico em poder político com o objectivo de transferir o fardo fiscal de si próprios para o trabalho e a indústria. O golpe final verifica-se quando conseguem que o governo os salve das suas perdas em maus empréstimos. Nos Estados Unidos, o Congresso triplicou a dívida nacional em menos de um ano a fim de salvar credores com pouca consideração com ajudas aos devedores, ou mesmo de processar a fraude financeira maciça envolvida nesta bolha imobiliária subprime e na venda de hipotecas lixo a crédulos compradores estrangeiros.

Os cidadãos da Islândia possuirão uma proporção cada vez menor dos seus lares quando os seus bancos se tornarem os principais reclamantes do valor da propriedade do país. Ao sujeitar a Islândia a esta espécie única de esmagamento financeiro, a política islandesa posiciona-se em contraste total com a dos Estados Unidos. A política dos EUA é estabilizar a sua economia e evitar a depressão reduzindo dívidas a fim de alinhá-las com os preços de mercado mais baixos de hoje e, mais especificamente, para trazer os encargos de juros sobre dívida hipotecária ao nível da capacidade dos proprietários de pagarem não mais de 32% do seu rendimento. Outros países também estão a reduzir as suas dívidas de modo a alinhá-las com a capacidade de pagamento. Mas a Islândia está a sujeitar os seus próprios proprietários de casas e consumidores à deflação da dívida e a afundá-los no terreno da Situação Líquida Negativa – por lei!

O único meio pelo qual os seus bancos podem ter êxito nesta trama é manter os eleitores da Islândia inconscientes do que está a acontecer no resto do mundo – e, na verdade, impedir o governo de rascunhar um balanço das dívidas do país, um ficheiro destas dívidas mostrando a quem são devidas e um cálculo da capacidade da economia para pagar.

A actual política da Islândia reduzirá o rendimento disponível para proprietários de casas e outros devedores – a grande maioria dos seus cidadãos – enquanto a riqueza jorra para o topo da pirâmide económica, para aqueles que estão a criar tanto crédito quanto podem encontrar tomadores para os empréstimos. O resultado não é o que o antigo presidente da Reserva Federal, Alan Greenspan, e o presidente George W. Bush afirmaram estar a criar na América – uma sociedade de "proprietários". É realmente uma sociedade de "empréstimo", uma economia de sucedâneos de activos na qual a pirâmide da dívida – a possuir cada vez menos de uma casa ou de outro activo – parecia ser uma estratégia para tornar-se mais ricos ao invés da armadilha da dívida que é. Será que a Islândia caiu numa armadilha semântica semelhante?

Pensões e aposentadoria

Tal como nos Estados Unidos, a Islândia convenceu o trabalho a "prefinanciar" a sua aposentadoria. A ideia é poupar antecipadamente, de modo a proporcionar a aposentadoria de um modo puramente financeiro. Naturalmente, o meio mais importante para suportar aposentados é fazer com que eles possam arcar com os bens e serviços básicos necessários para viver. Na medida em que a "financiarização" de uma economia acaba por corroer a economia "real", o financiamento da pensão – e os fundos da Segurança Social (impostos regressivos que permitem ao Tesouro cortar impostos dos escalões mais elevados de riqueza) – tende a contrair a economia ao invés de prover a expansão com o produto necessário para suportar uma população a envelhecer. Tal como se apresenta a questão, poupanças de pensão são mobilizadas para aumentar o volume de extracção de juros da dívida e alimentar bolhas financeiras (como no "capitalismo fundo de pensão" da América que ajudou a subir os mercados de acções no passado). As poupanças de pensões funcionam contra o emprego mais visivelmente quando elas são emprestadas a atacantes corporativos os quais compensam os seus possuidores de títulos reduzindo a força de trabalho e espremendo mais "produtividade" dos empregados remanescentes. O "crescimento" económico sob tais circunstâncias toma a forma de um encargo financeiro e do sector da propriedade, não de crescimento ou de estabilidade nos padrões de vida ou na capacidade para produzir.

Permitir às economias serem debilitadas com pagamentos de juros era impensável até recentemente. Para atingir uma ruptura tão radical na ideia pública de prosperidade e de auto-suficiência foi necessário aos credores apagarem o conhecimento de como os sistemas legais foram emendados a fim de colocar os interesses dos credores acima dos dos devedores ao longo dos últimos oito séculos – e de como os principais economistas clássicos e do Iluminismo cultural e líderes religiosos procuraram subordinar os interesses dos credores àqueles do crescimento e da prosperidade da economia como um todo. Mas a nova classe banqueira foi bastante esperta para contratar os melhores propagandistas que o dinheiro pode comprar enquanto permanecia cega para a destruição que estão a infligir às vidas das pessoas.

O jogo da dívida

Tal como muitas pessoas, os islandeses tendem a pensar da dívida em termos pessoais, como se os credores fossem vizinhos muito semelhantes a eles próprios. A coisa normal a fazer quando surgem problemas seria sentar e chegar a um acordo comum. Mas os credores da Islândia são conglomerados financeiros impessoais de milhares de milhões de dólares e as relações credor-devedor sob tais condições são intrinsecamente adversas, como pode confirmar qualquer pessoa que tenha tido um desacordo com um banco. Seja o que for que os credores possam ganhar no combate altamente politizado, legalístico e difícil será perda do devedor. E a magnitude da perspectiva da perda da Islândia ameaça afundar a sua economia na depressão durante gerações, transformando-a numa oligarquia do Terceiro Mundo ou, pior, numa ditadura. O preço de pagar as suas dívidas ameaça assim ser a perda da sua identidade nacional e a perda do seu futuro.

O truque é enganar os devedores levando-os a pensar que "mercados livres" significa pagarem as suas dívidas. Os credores podem ter êxito em permitir que a alavancagem da dívida e "a mágica do juro composto" esvazie economias apenas desviando a atenção daquilo que Adam Smith e outros economistas clássicos preveniram. Para eles, um mercado livre era um mercado livre de dívida – especialmente dívida externa. Em A riqueza das nações (especialmente o Livro V, capítulo 3), Smith advertiu contra a possibilidade de credores tornarem-se bastante "livres" para desactivar a capacidade dos governos de protegerem os cidadãos dos credores – especialmente os holandeses, que foram os principais investidores nos monopólios britânicos criados para serem vendidos a fim de pagar as guerras aparentemente eternas com a França. O problema foi que os credores procuravam extrair a riqueza de nações para si próprios, não para criar riqueza. A sua cobiça era destrutiva para a sociedade como um todo, porque era mais fácil simplesmente despojar activos do que criar capital real.

Este é o problema com credores, historicamente. Eles tendem a cuidar só de como extrair tanto quanto possam, tão rapidamente quanto possível. "Um credor do público, considerado meramente como tal", escreveu Smith, "não tem interesse na boa condição de qualquer porção particular de terra, ou na boa administração de qualquer porção particular do stock de capital. Como credor do público ele não tem conhecimento de qualquer porção em particular. Ele não tem de inspeccioná-lo. Ele pode não se importar com isso. A sua ruína pode em alguns casos ser desconhecida para ele e não pode afectá-lo directamente". O problema obviamente é pior com credores ausentes.

Smith concluía: "Quando dívidas nacionais acumularam-se anteriormente num certo grau, é raro, acredito, um único exemplo de ter sido correctamente e completamente paga. A libertação do rendimento público, se sempre foi provocada pela bancarrota, algumas vezes por uma bancarrota confessa, mas sempre por uma bancarrota real, embora frequentemente por um pagamento aparente".

O retrato de Adam Smith está gravado na nota de £20 libras da Inglaterra e Andrew Jackson na de US$20. A ironia é que Smith denunciou dívidas públicas e instou a que as guerras fossem financiadas numa base de pagamento imediato de modo a que o povo sentisse o seu fardo – e permanecesse fora da dívida. Tal como Andrew Jackson, ele encerrou o Second Bank of the United States, acusando os banqueiros de arruinarem o país e procurarem destruir a democracia. Os banqueiros e as finanças deixam portanto algo importante fora da conta quando vêm com as visões dos seus próprios santos padrões de mercados livres democráticos.

Como foi observado, durante muitos séculos os credores sofreram bancarrotas quando países estrangeiros incumpriram. Isto é a norma, não a excepção. Mas os media populares de hoje apresentam todo novo incumprimento como "inesperado" e "surpreendente", como se não fosse a falha dos banqueiros que deixaram de entender a incapacidade do mercado para pagar. Os manuais simplórios de teoria económica estão em harmonia com a ignorância inata apregoada pelos proverbiais "idiotas úteis" do sector financeiro que palram acerca do "equilíbrio" e dos "estabilizadores automáticos". Estes académicos que desaprenderam são úteis aos banqueiros devido à paixão com que proclamam que todas as dívidas podem e devem ser pagas através de "ajustamentos" adequados (incluindo o que se revela ser colapso económico e demográfico). A pergunta a ser formulada frontalmente é: Se a falha é das vítimas e não dos banqueiros, será então inadequado que os governos salvem os bancos?

A suposição tácita não é de que a cobiça exorbitante dos banqueiros é cumprida a expensas da economia como um todo, mas sim de que a prosperidade do sector financeiro seria uma pré-condição para a economia crescer. Os banqueiros tentam encobrir o assunto acenando com pobres aposentados (como as viúvas e os órfãos – supostamente aqueles que vivem de "rendimentos fixos" na forma de trust funds) cujas magras poupanças deveriam ser apoiadas. Acontece que com isso salvam a oligarquia financeira de bilionários no topo da pirâmide económica, mas não as vítimas tradicionais.

A utilização de escudos humanos tais como membros de sindicatos preocupados acerca dos investimentos dos seus fundos de pensão a fim de proteger a riqueza dos cleptocratas é igualmente descarada. Os sábios da Wall Street, por exemplo, choram lágrimas de crocodilo sobre o destino do povo trabalhador que sofre com o colapso do mercado de acções, sabendo muito bem que os activos financeiros estão pesadamente concentrados no topo da pirâmide económica, tendo os trabalhadores apenas uma magra fatia daquelas acções e títulos. É ignorado o facto de que o governo podia salvar directamente falhas de fundos de pensão (como a Segurança Social) a apenas uma pequena fracção do custo de impulsionar os activos dos ricos.

Analogamente, o volume de dinheiro do salvamento governamental para o sector financeiro ostensivamente para cuidar da crise das hipotecas subprime – cerca de US$13 milhões de milhões em 2008-09 – choca-se com o facto de que o valor total da dívida hipotecária de todas as famílias em todos os Estados Unidos era apenas de US$11 milhões de milhões no fim do ano de 2008! Os fundos do salvamento acabaram por serem utilizados principalmente para comprar outros bancos a fim de criar conglomerados financeiros ainda maiores, "demasiado grandes para falirem", para pagar executivos cuja cobiça por ganhos e prémios a curto prazo provocou o colapso financeiro e para pagar dividendos a accionistas a fim de suportar o preço das suas acções e portanto o valor das opções de acções que os administradores financeiros concedem-se a si próprios. O paralelo mais próximo deste escândalo é prática das "acções aguadas" dos barões ferroviários da Wall Street e outros manipuladores financeiros na Era Dourada do fim do século XIX.

Houve um tempo em que os bancos hesitavam em fazer empréstimos irresponsáveis, isto é, para além da capacidade de os devedores – e de todas as economias nacionais – gerarem um excedente a fim de pagar os seus credores. A minha tarefa como economista de balança-de-pagamentos para o Chase Manhattan Bank no fim da década de 1960 era calcular quanto de rendimento de exportações e de outras divisas estrangeiras os principais países latino-americanos podiam gerar. Os seus excedentes de balança de pagamentos representavam quanto eles podiam permitir-se emprestar. O objectivo dos bancos de Nova York era emprestar dinheiro a países do Terceiro Mundo para absorver todo o seu excedente económico. Do ponto de vista dos banqueiros, este era o destino do excedente nacional – não para sustentar padrões de vida ou investir em tornarem-se economicamente auto-suficientes, mas simplesmente para pagar credores. E "riqueza" era definida como o valor capitalizado de todo o excedente económico que podia ser gerado – descontado à taxa de juros corrente, como se tudo pudesse ser pago como serviço da dívida, de modo a que todo o excedente fosse pago para servir a dívida.

Isto certamente não é um modelo de progresso humano. Mas era a versão daquela década de "criação de riqueza" e é o conceito de "criação de riqueza" em termos de valor de mercado dos preços de activos financiados pela dívida que Alan Greenspan impingiu aos Estados Unidos na década de 1990 ao convencê-lo de que uma bolha de activos era o caminho para a riqueza pós industrial, não a estrada para a servidão da dívida.

De modo que Adam Smith estava certo. Hoje, credores e possuidores de títulos cuidam de economias estrangeiras só na medida em que podem cobrar juros que absorverão todo o seu excedente económico. Até recentemente, os credores pensavam que emprestar mais do que pudesse ser reembolsado seria "irresponsável". Agora já não é assim.

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