Categoria: Ensaio

13-05-2013

Link permanente 18:17:39, por José Alberte Email , 1096 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: "Em Cuba a palavra desafiuzamento nom existe, e tem um desemprego de 3,8 por cento "

http://www.publico.es/internacional/455097/el-desahucio-no-existe-en-cuba
Sergio León
Público.es

Umha delegaçom cubana atende ao diário "Público" para falar dos avanços económicos na ilha. Rejeitam que o socialismo cubano haja fracassado e destacam que a política do Governo de Raúl Castro enfoca-se em modernizar as conquistas da revoluçom.

Eles também estám de passagem por Espanha, ainda que a sua visita nom fai parte de nengumha gira mundial. O Congresso dos Deputados nom abrirá as suas portas para receber-lhes. Nom se farám fotos com segundo que personalidades. Mas nem falta que fai. "Nom vamos seguir os passos dessa personagem".

Quem fala é Iroel Sánchez, engenheiro e jornalista cubano autor do blogue "A Pupila Insomne" e do livro "Suspeitas e dissidências" que apresenta estes dias em Espanha. Junto ao doutor em economia e vice-presidente da Associaçom de Economistas e Contadores de Cuba, Hugo Pons, percorreram Barcelona, Valencia e Madrid para realizar umha série de encontros para falar sobre a ilha. Viajaram acompanhados de Mirtha Rodríguez, mae de um do Cinco e que leva a história do seu filho por todo mundo, e do alto funcionário Alberto González.

A embaixada cubana na capital recebeu a "Público" para charlar de todo um pouco e, sobretodo, das mudanças que se estám produzindo no país caribenho. Mudanças, sim, mas concretizam: "Cuba nom muda, Cuba muda-se".

Há dous anos, o Governo de Raúl Castro começou a implementar novas medidas económicas: desde a concessom de créditos para criar e fomentar novos negócios e a promoçom do trabalho autónomo e cooperativista, passando pola cessom de terrenos agrícolas para incrementar a produçom e o levantamento da proibiçom de compra-a-venda de casas e automóveis. Passos significativos para modernizar e fazer sustentável num novo contexto internacional os sucessos e conquistas alcançadas com a revoluçom, defende Sánchez.

Ambos destacam os resultados conseguidos até agora, ainda que também som conscientes de que o caminho é comprido e o processo, lento. O economista pom 2030 como "horizonte temporário" para a transformaçom das actividades económicas que, em nengum caso, destaca, esqueceram-se de apoiar um gasto social orientado a garantir o bem-estar da populaçom. Pons sublinha que "a primeira directriz -termo empregue para as medidas económicas- que aparece aí, que é trabalhar em funçom da construçom do socialismo, nom se modificou. O objectivo segue sendo o mesmo. Poderá-se falar de umha falência do socialismo na Europa, mas o socialismo cubano aí está".

Sánchez fai finca-pé aqui na utilizaçom que se fai deste processo em alguns médios para anunciar a quebra do sistema cubano. Di-o alto e claro: "Cuba nom vai para o capitalismo". O economista alarga: "Cuba nom está a entregar a propriedade das terras, nom as está entregando, as propriedades e serviços seguem sendo públicos. Entrega-se a gestom. O peso fundamental da actividade económica cubana vai seguir sendo a empresa estatal. umha cousa é que se privilegie a actividade cooperativa, que é colectiva, nom privada, e que se alargue o trabalho por conta própria como umha forma de soluçom. Aí é onde entra a deturpaçom".

Pons, neste ponto, fai umha defesa das políticas cubanas, e nom só as actuais: "Em 2008, num contexto de crise financeira, a economia de Cuba seguia crescendo. Nom é magia, é o fruto do desenho de umhas políticas que, ainda que, nom alcança os níveis de eficiência que potencialmente poderiam ter, sim chega a oferecer umha melhora relativa do estándar de vida da populaçom".

Os dous celebram o reconhecimento que o director geral da ONU para a Alimentaçom e a Agricultura (FAO) fixo do trabalho realizado na ilha para erradicar a fame. José Graziano da Silva felicitou por carta ao ex-presidente Fidel Castro e ao povo cubano por "o importante sucesso" ao cumprir de maneira antecipada a meta traçada de reduzir à metade o número de pessoas desnutridas em cada país antes de 2015. "Cuba, com as suas políticas, alcançou bem mais que outros países que nom tenhem bloqueio, que tenhem petróleo, que som grandes produtores de alimento, que tenhem boas condiçons climatológicas" Segundo UNICEF, Cuba é o único país que acabou com a desnutriçom infantil", acrescenta Sánchez.

"Nom quer dizer que os cubanos comam o que quereriam comer. Quando Cuba compra arroz, fá-lo para 11 milhons de pessoas. Nom é umha realidade paradisíaca, mas também nom é a realidade que se fabrica nos laboratórios da guerra psicológica de EEUU", continua. Reconhecem que nada é perfeito. E Cuba, com todos os seus problemas, tampouco. "Há muitas cousas que resolver. É necessário elevar os níveis de produçom alimentícia para reduzir as importaçons. Na medida que se consiga, esse financiamento, que em 2011 supom 1.500 milhons de dólares, pode ser utilizada para outro tipo de investimentos, para, em definitiva, melhorar a qualidade de vida da populaçom", assinala Pons.

Lento, mas seguro. Tanto o economista como o bloguero defendem que é a forma para sentar as bases desta transformaçom económica, para que permaneça e seja sustentável. E de fundo, nom esquecer nunca a política social. Num panorama no que Ocidente se afoga na crise financeira e na política de recortes, Cuba, tem um desemprego de 3,8 por cento. A palavra desafiuzamento nom existe, e nom só que nom exista, senom que também nom fai parte do seu marco regulatório". Sánchez incide no tema dos desaloxos com umha frase singela, mas clarificadora: "Nom podem botar-te da tua casa, os cubanos nom o percebem porque isso nom fai parte da sua cultura".

É inevitável que, durante a conversaçom, EEUU e o seu embargo à ilha apareça de forma assídua. A chegada de Barack Obama em 2008 à Casa Branca fixo pensar que a situaçom pudesse mudar. Mas nada mais longe da realidade. "Obama é o presidente que mais travas impujo ao levantamento do bloqueio". Sánchez critica ao mandatário estadounidense e a sua imagem oferecida de "aparente abertura", por nom ser conseqüente com as promessas fixo quando era senador. "Cuba já demonstrou a sua disponibilidade a sentar a discutir. Nom é só o bloqueio, é um problema que transcende as relaçons bilaterais", assinala, por sua parte, Pons.

O ferrolhamento custou-lhe a Cuba dezenas de milhares de milhons de euros. A ilha necessita que o seu sistema seja mais eficiente, aponta o economista. Por isso expôs-se a necessidade de pôr em marcha novas medidas económicas. Sánchez destaca que essas directrizes fôrom fruto do consenso de um amplo debate da populaçom cubana. "Cuba muda para adaptar-se, mas sem esquecer da justiça social e a preservaçom da sua soberania. As mudanças levaram-se a cabo com a presença da geraçom histórica da revoluçom para dar-lhes sustentabilidade". E quando Raul Castro retire-se" "As instituiçons som mais importantes que as pessoas. O povo cubano é o que garante os objectivos", conclui o bloguero.

06-05-2013

Link permanente 23:41:56, por José Alberte Email , 833 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Fascismo

http://luisbrittogarcia.blogspot.com.es/

1
Hollywood representa o fascismo como quadrilha de mal-encarados em uniforme que agitam estandartes e gritam ordens. A realidade é mais perversa. Segundo Franz Leopold Neuman em Behemoth: The Structure & Practice of National Socialism, 1933-1944, o fascismo é a complicidade absoluta entre o Gram capital e o Estado. Quando os interesses do grande capital passam a ser os da política, anda perto o fascismo. Nom é casual que este surja como resposta à Revoluçom comunista da Uniom Soviética.

2
O fascismo nega a luita de classes, mas é o braço armado do capital nela. Aterroriza às classes trabalhadoras, média e a marginalidade, com o pavor à crise económica, à esquerda, e à proletarizaçom, Alista-as como paramilitares para reduzir pola força bruta a comunistas, socialistas, sindicalistas, operários e movimentos sociais. Mussolini foi subvencionado pola fábrica de armas Ansaldo e o Serviço Secreto inglês; Hitler financiado polas indústrias armamentistas do Ruhr; Franco, apoiado por terratenentes, industriais,e a Igreja; Pinochet por Estados Unidos e a oligarquia chilena.

3
A crise económica, filha do capitalismo, é pola sua vez a mae do fascismo. Apesar de estar no bando vencedor na Primeira Guerra Mundial, Itália sai dela tam destruída que a classe média se arruina e participa em massa na Marcha sobre Roma de Mussolini. Na eleiçom de maio de 1924, Hitler obteve só 6,5% dos votos. Nas de Dezembro desse ano, só 3,0%. Mas nas de 1928, quando rebenta a grande crise capitalista, obtém 2,6%, em 1930 gana 18,3%, e em 1932, 37,2%, com o qual acede ao poder e utiliza-o para anular aos restantes partidos. Mas o fascismo nom atalha a crise: piora-a. Durante Mussolini o custo da vida triplicou-se sem nengumha compensaçom salarial nem social. Hitler empregou aos parados em fabricar armamentos que conduzírom à Segunda Guerra Mundial, a qual devastou Europa e causou sessenta milhons de mortos. Franco inicia umha Guerra Civil que custa mais de um milhom de mortos e várias décadas de ruína; os fascistas argentinos eliminam um trinta mil compatriotas, Pinochet assassina uns cinco mil chilenos. Tam mau é o remédio como a doença.

4
O fascismo convoca às massas, mas é elitista. Corteja e serve às aristocracias, os seus dirigentes venhem das classes altas e instauram sistemas hierárquicos e autoritários. Charles Maier, historiador, salienta que para 1927, 75% dos membros do partido fascista italiano vinha da classe média e média baixa; só 15% era operário, e 10% procedia das elites, os quais contodo ocupavam as altas posiçons e eram quem em definitiva fixavam os seus objectivos e políticas. Hitler estabelece o "Fuhrer-Prinzip": cada funcionário usa aos seus subordinados como lhe parece para alcançar a meta, e rende contas só ao superior. O Caudilho falangista responde só ante Deus e a História, vale dizer, ante ninguém.

5
O fascismo é racista. Hitler postulou a superioridade da "raça" ária, Mussolini arrasou com líbios e abissínios, e planeou o sacrifício de meio milhom de eslavos "bárbaros e inferiores" a favor de 50.000 italianos superiores. O fascismo sacrifica aos seus fins aos povos ou culturas que despreza. Os falangistas tomaram Espanha com tropas mouras de Melilla. Albert Speer, o ministro de Indústrias de Hitler, alargou a Segunda Guerra Mundial de dous a três anos mais com a produçom armamentista activada por três milhons de escravos de raças "inferiores".

6
Fascismo e capitalismo tenhem rostos aborrecíveis que necessitam máscaras. Os fascistas copiam consignas e programas revolucionários. Mussolini dizia-se socialista, o nazismo usurpou o nome de socialismo e proclamava-se partido operário (Arbeite); no seu programa sustinha que nom se devia tolerar outra renda que a do trabalho. Pola sua falta de criatividade, roubam os símbolos de movimentos de signo oposto. Os estandartes vermelhos comunistas e a cruz gamada, símbolo solar que em Oriente representa a vida e a boa fortuna, foram confiscados polos nazistas para o seu culto da morte.

7
O fascismo é beato. Os curas apoiaram aos falangistas que saíam a matar próximos e fusilar poetas. O Papa abençou as tropas que Mussolini mandou à guerra; nunca denunciou as tropelias de Hitler. Franco e Pinochet fôrom idolatrados pola Igreja.

8
O fascismo é misógino. A missom das mulheres resume-se em Kirche, Kuchen, Kinder, vale dizer, igreja, cozinha, crianças. Nunca figurou publicamente umha colega à beira dos seus líderes; quem as tiveram, esconderam-nas ou relegárom minuciosamente. Nunca aceitaram que umha mulher ascendesse por próprio mérito ou iniciativa. Hitler encerrou-as em granjas de criaçom para parir arios; Mussolini asignou-lhes o papel de ventres para incrementar a demografia italiana, Franco e Pinochet confinárom-nas na igreja e a sala de partos.

9
O fascismo é anti-intelectual. Todas as vanguardas do século passado fôrom progressistas: a relatividade, o expressionismoo, o dadaísmo, o surrealismo, o constructivismo, o cubismo, o existencialismo, a nova figuraçom. A todas, salvo ao futurismo, tratou-as como "Arte Degenerado". O fascismo nom inventa, recicla. Só crê no ontem, um ontem imaginário que nunca existiu. O fascismo assassinou a Matteotti, encarcerou a Gramsci, fusilou a Garcia Lorca e fixo morrer no cárcere a Miguel Hernández. Pinochet assassinou a Victor Jara. Quando ouço falar de cultura, saco a minha pistola, dizia Goering. Quando ouçamos falar de fascismo, extraiamos a nossa cultura.

20-04-2013

Link permanente 00:02:32, por José Alberte Email , 1866 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Irám representa umha ameaça mortal para a hegemonia global de Estados Unidos

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=166971

Irám representa umha ameaça mortal para a hegemonia global de Estados Unidos

Finian Cunningham
Information Clearing House

Traduzido do inglês para rebeliom por Beatriz Morais Bastos

Estados Unidos de América converteu-se em sinónimo de guerra. Nengum outro Estado naçom iniciou tantas guerras ou conflitos na época moderna como Estados Unidos de Armagedón.

Baixo a fachada que oferecem os meios ocidentais de umha Coreia do Norte "imprevisível" e "agressiva", a verdadeira fonte de conflitos nas tensons actuais de guerra na Península da Coreia é Estados Unidos. Apresenta-se a Washington como umha força contida e defensiva mas, em realidade, este perigoso confronto nuclear há que ver no contexto do histórico apetito de Washington pola guerra e a hegemonia em cada recanto do mundo.

Coreia do Norte pode apresentar um desafio imediato às ambiçons hegemónicas de Washington. Contodo, como vejamos a ver, Irám representa um desafio muito maior e potencialmente fatal para o império global estadounidense.

Graças ao trabalho de escritores e pensadores como William Blum e Noam Chomsky documentou-se que no sete últimas décadas desde a Segunda Guerra Mundial Estados Unidos estivo implicado em mais de 60 guerras, ademais de em muitos outros conflitos por intermediaçom, subterfúgios e golpes. Nengumha outra naçom da terra aproxima-se deste historial estadounidense de beligerância e ameaças à segurança do mundo. Nengumha outra naçom tem tanto sangue nas maos.

Aos estadounidenses gostam de pensar que o seu país é o primeiro do mundo em liberdade, princípios humanitários e destrezas tecnológicas e económicas. A verdade é mais brutal e prosaica: Estados Unidos é o primeiro no mundo em belicismo e em semear a morte e a destruiçom noutros países.

Se Estados Unidos nom perpetra directamente umha guerra, como no genocídio de Vietname, entom estabelece a violência através de outros, como ocorreu com as ditaduras e esquadrons da morte em América do Sul ou com a sua maquinaria militar por intermediaçom em Oriente Próximo, Israel.

Esta tendência belicosa parece acelerar desde o desaparecimento da Uniom Soviética há mais de duas décadas. Nada mais desmoronar-se a Uniom Soviética, Estados Unidos encabeçou a Primeira Guerra do Golfo contra Iraque em 1991. A isto seguiu-lhe rapidamente umha sangrenta intervençom em Somália com o nome aparentemente encantador de "Operaçom Restaurar a Esperança".

Desde entom vimos como Estados Unidos via-se involucrado em cada vez mais guerras, em ocasiom sob camada de "coligaçons de voluntários", as Naçons Unidas ou a NATO. Também se mencionaram toda umha variedade de pretextos: guerra contra a droga, guerra contra o terrorismo, Eixo do Mal, a responsabilidade de proteger, polícia do mundo, manter a paz e a segurança mundial, impedir as armas de destruiçom maciça, etc. Mas estas guerras estám dirigidas por Estados Unidos e os pretextos sempre som umha mera fachada formosa dos brutais interesses estratégicos de Washington.

Parece que agora chegamos a umha fase da história na que o mundo é testemunha de um estado de guerra permanente empreendida por Estados Unidos e os seus subalternos: Jugoslávia, Afeganistám, Iraque (outra vez), Líbia, Paquistám, Somália (outra vez), Mali e Síria, por mencionar só algumhas. Estes cenários de criminais operaçons militares estadounidenses somam-se a umha lista de guerras encobertas em curso contra Palestina, Cuba, Irám e Coreia do Norte.

Afortunadamente, um giro do destino provocado polo defunto dirigente venezuelano Hugo Chávez garantiu que grande parte de América do Sul (a mais importante do telefonema esfera de influência estadounidense) permaneça fosse dos limites dos estragos de Washington, ao menos por enquanto.

A pergunta é por que Estados Unidos tem esta desmesurada propensom à guerra. A resposta é poder. A economia capitalista global exige umha fatal luita de poder polo controlo dos recursos naturais. Para manter a sua posiçom histórica única de controlo do benefício e os privilégios capitalistas a elite corporativa estadounidense (o executivo do sistema capitalista mundial) deve ter a hegemonia dos recursos naturais do mundo.

Em 1948 George F Kennan, planificador estatal, expressou claramente a fria lógica desta propensom: "Devemos deixar de falar de objectivos vagos e irreais como direitos humanos, aumentar o nível de vida e democratizaçom. Nom está longe o dia em que teremos que abordar conceitos de poder puro. Quanto menos entorpeçam-nos entom as consignas idealistas, melhor".

Noutras palavras, Kennan estava a admitir com franqueza o que os dirigentes políticos estadounidenses a miúdo encobrem com falsa retórica, isto é, que a elite dirigente estadounidense nom tem interesse algum em defender a democracia, os direitos humanos ou o direito internacional. O que lhe interessa é o controlo do poder económico de acordo com as leis capitalistas.

Kennan, que foi um dos principais artífices da política exterior estadounidense na era posterior à Segunda Guerra Mundial, também assinalou com sinceridade e presciencia: "Se a Uniom Soviética afundasse-se manhá nas águas do oceano, a classe dirigente militar-industrial estadounidense teria que seguir adiante sem mudar substancialmente até que se pudesse inventar algum outro adversário. Qualquer outra cousa seria um shock inaceitável para a economia estadounidense".

Por conseguinte, vemos como umha vez que se desmoronou o "Império do mal" da Uniom Soviética, Estados Unidos nom alcançou encontrar um "inimigo" que a substitua nem um pretexto para o seu militarismo essencial. Os atentados terroristas de 11 de Setembro e a subseguinte "guerra contra o terrorismo" satisfigérom até verdadeiro ponto este propósito, apesar de estar cheios de contradiçons que ocultam a sua fraudulenta, como o apoio que brinda actualmente a elementos terroristas de Al-Qaeda para derrocar ao governo da Síria.

A actual ameaça de umha guerra nuclear na Península da Coreia em realidade nom tem que ver com Coreia de Norte ou com o Estado da Coreia do Sul ao que apoia Estados Unidos. Como em 1945, Coreia foi um cenário para que Estados Unidos mostrasse o seu poderio militar a quem considerava os seus principais rivais globais, Russa e China. Quando estava a terminar a Segunda Guerra Mundial os avanços da URSS e a Chinesa comunistas no Pacífico contra o Japom imperialista preocupavam muito a Washington à hora de pensar no compartimento global posterior à guerra.

Essa é a razom pola que Estados Unidos deu o passo sem precedentes de arrojar bombas atómicas sobre Japom. Foi a mais transcendental demonstraçom de poder puro e no duro por parte de Estados Unidos aos seus rivais. O duplo holocausto nuclear de Hiroshima e Nagasaki detivo imediata e completamente os avanços soviéticos e chineses na Península da Coreia contra os japoneses, aos que a populaçom coreana haviam dado a bem-vinda.

A divisom da Coreia em 1945 a instâncias de Washington também fazia parte da demarcaçom da influência global e da vigilância do controlo dos recursos que se produziram depois da guerra. A Guerra da Coreia (1950-1953) instigada por Estados Unidos e as subseguintes décadas de tensom entre os Estados do Norte e do Sul permitiram a Washington manter umha permanente presença militar no Pacífico.

A retórica acerca de "defender aos nossos aliados" que voltou a reiterar esta semana o secretário de Defesa estadounidense Chuck Hagel nom é senom umha cínica quimera do propósito e a razom verdadeiros da presença de Washington na Coreia: o controlo estratégico da Rússia e China pola hegemonia sobre os recursos naturais, transporte-los, a logística e, em última instância, o benefício capitalista.

Trágicamente Coreia do Norte e do Sul continuam atrapadas no ponto de mira da guerra geopolítica de Washington contra Rússia e China. Isto é o que fai que as actuais tensons na Península sejam tam perigosas. Estados Unidos poderia considerar que um ataque devastador contra Coreia do Norte fosse a melhor maneira nesta conjuntura histórica de enviar outra mensagem brutal aos seus rivais. Por desgraça, a capacidade nuclear da Coreia do Norte e a sua atitude hostil (que exageram os meios dominantes ocidentais) poderiam servir de escusa política superficial para que Washington adoptasse de novo a opçom militar.

Contodo, Irám apresenta um desafio muito maior e mais problemático para a hegemonia global estadounidense. Em 2013 Estados Unidos é um animal muito diferente do que era em 1945. Agora parece-se mais a um gigante torpe. Desapareceu a sua antiga destreza económica e as suas artérias estám esclerosadas pola sua decadência e mal-estar internos. O que também é de crucial importância é que o torpe gigante estadounidense malgastou toda a força moral que pudesse ter a olhos do mundo. Poda que o seu halo de moralidade e de princípios democráticos parecesse crível em 1945, mas as incontáveis guerras e as fatais intrigas ao longo das décadas subseguintes desgastárom esta aparência até revelar a um belicista patológico.

Por suposto, o poderio militar estadounidense segue sendo umha força extremosamente perigosa, ainda que agora se assemelha mais a um avultado músculo que colga no que polo demais é um corpo esquálido. Esta potência torpe e moribunda tem ante sim a Irám como um desafio fatal. Para começar, Irám nom tem armas ou ambiçons nucleares e afirmou-no muitas vezes, com o que conseguiu ganhar-se a boa vontade da comunidade internacional, incluída a opiniom pública da América do Norte e da Europa. Por conseguinte, Estados Unidos ou os seus substitutos nom podem justificar de maneira crível um ataque militar a Irám, como poderia fazer contra Coreia do Norte, sem se arriscar a umha avalanche de violentas reacçons políticas.

Em segundo lugar, Irám exerce umha influência determinante sobre o fármaco vital que mantém vivo o sistema económico estadounidense: a subministraçom mundial de petróleo e gás. Em caso que Estados Unidos fosse tam tolo como para se embarcar nisso, qualquer guerra contra Irám teria como resultado um golpe mortal para a languida economia estadounidense e global.

Umha terceira razom pola que Irám representa um desafio mortal para a hegemonia global estadounidense é que a República Islâmica é umha potência militar formidável. A sua populaçom de 80 milhons de pessoas está comprometida com o antiimperialismo e qualquer ataque de Estados Unidos ou os seus aliados teria como resultado umha guerra a escala regional que deitaria abaixo os alicerces da estrutura geopolítica ocidental, incluído o colapso do Estado de Israel e o derrocamento da Dinastia Saud e de outras ditaduras do Golfo.

Os estrategos estadounidenses sabem-no e por isso nom se atrevêrom a se enfrontar frontalmente com Irám. Mas isto expom um dilema fatal ao império estadounidense. O seu beligerância congénita procedente do seu ADN situa à elite dirigente estadounidense num ponto morto em relaçom com Irám. Quanto mais tempo persista este ponto morto, mais poder global irá perdendo o cadáver de Estados Unidos. Por conseguinte, como muitos outros impérios antes, o império estadounidense poderia afundar-se nas rocas do antigo império persa.

Contodo, a história nom acabará aí. Para alcançar a paz, a justiça e a sustentabilidade mundiais nom se necessita unicamente o colapso da hegemonia estadounidense. Necessitamos derrotar o sistema económico capitalista subjacente que dá lugar a estes poderes hegemónicos destrutivos. Irám representa um golpe mortal para o império estadounidense, mas os povos do mundo terám que edificar sobre as ruínas.

Finian Cunningham (1963) escreveu por extenso sobre questons internacionais e os seus artigos publicam em vários idiomas. Tem um Mestrado em Agricultura Química e antes de dedicar ao jornalismo trabalhou como editor científico da Real Sociedade de Química de Cambridge, Inglaterra. Também é músico e compositor. Foi expulso de Bahrein em Junho de 2011 polos seus artigos críticos nos que punha de relevo as violaçons de direitos humanos por parte do regime apoiado por Ocidente.

Fonte: http://www.informationclearinghouse.info/article34586.htm

17-04-2013

Link permanente 00:52:46, por José Alberte Email , 280 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Coreia-Agenda oculta e desinformação

http://www.resistir.info/

A campanha de desinformação acerca da Coreia continua intensa nos media que se auto-proclamam como "referência". A generalidade deles recorre a explicações do foro psico-patológico para definir o comportamento do governo norte coreano. Contudo, nenhum deles sequer aflora a agenda oculta do imperialismo. O objectivo não confessado do governo Obama é efectuar uma mudança de regime na Coreia do Norte – tal como as mudanças de regime que os EUA efectuaram no Iraque, na Líbia e na Jugoslávia e tal como as que está a tentar efectuar na Síria, Irão e Venezuela. Daí toda a série de provocações deliberadas, cuidadosamente medidas e calculadas, efectuadas pelo governo Obama. Elas estão a ser feitas nos planos económico, bancário, diplomático e militar. O objectivo é arruinar a economia coreana e fazer sofrer o seu povo a fim de gerar insatisfação contra o regime. Recorde-se que no momento da criminosa invasão do Iraque, em 2003, aquele país já havia sofrido dez anss de sanções económicas que o debilitara profundamente. Já não tinha meios nem forças para resistir. Por isso foi invadido e ocupado. Assim, o comportamento corajoso e combativo do governo e do povo norte-coreano tem lógica e racionalidade. Eles estão a lutar pela sobrevivência. Os coreanos sabem bem das atrocidades de que foi capaz de cometer o imperialismo na década de 1950, quando aviões da USAF espalhavam tapetes de napalm sobre aldeias camponesas, quando as cidades coreanas foram arrasadas, quando efectuaram ensaios de guerra bacteriológica e quando o general MacArthur ameaçou recorrer à bomba atómica para vencer a guerra (só por isso é que foi demitido por Truman, não pelos crimes anteriores).
A solidariedade para com os países agredidos pelos imperialismo é um dever

07-04-2013

Link permanente 14:16:27, por José Alberte Email , 2095 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Encruzilhadas Perigosas: A ameaça de uma guerra nuclear preventiva dirigida contra o Irã

By Prof Michel Chossudovsky
Global Research, March 28, 2013

Por mais de uma década Irã vem sendo obstinadamente acusado de estar desenvolvendo armas nucleares, e isso sem evidências. A República Islâmica do Irã é continuamente representada pela mídia ocidental como uma ameaça a segurança de Israel e do mundo ocidental.
Numa amarga ironia, a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos em relação a alegada capacidade de armas nucleares do Irã, vem refutando as barragens de desinformação, assim como as declarações belicosas provenientes da Casa Branca. A Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional de 2007, NIE na sigla inglesa, declarava que: “julga-se com grande confiança que no outono de 2003, Teerã  tenha suspendido seu programa de armas nucleares.” (2007 Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional   Irã: Intenções e capacidades nucleares; Novembro de 2007, Veja também “Departamento do Diretor de Inteligência Nacional”, ODNI na sigla inglesa. [1]
“Nós avaliamos com uma certa confiança que Teerã não tenha retomado seu programa de armas nucleares, até quando dos meados de 2007, mas não sabemos se atualmente tenha intenção de desenvolver armas nucleares.
- Nós continuamos a avaliar com uma confiança indo de moderada a alta, que Irã não possue atualmente uma arma nuclear.
- A decisão de Teerã de suspender seu programa de armas nucleares sugere que os iranianos estarão menos determinados a desenvolver armas nucleares do que nós estivemos julgando desde 2005.  A nossa avaliação de que o programa tivesse sido suspendido em resposta as pressões internacionais, sugere que o Irã poderia ser mais vulnerável a influências, na questão, do que tinhamos julgado préviamente.” (2007 Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional, Irã: Intenções e capacidades nucleares; Novembro de 2007) [2]
Em fevereiro de 2011, o Diretor da Inteligência Nacional James R. Clapper (foto)
- quando da apresentação da Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional de 2011 (NIE) para o Comité de Inteligência do Senado – foi confidenciado – com alguma hesitação – que a República Islâmica do Irã não estaria procurando desenvolver uma capacidade para armas nucleares: “nós não sabemos se depois de um tempo Irã irá decidir-se por construir armas nucleares.”
O NIE de 2011 confirma em grande parte os resultados obtidos pela comunidade dos serviços de inteligência dos Estados Unidos no seu NIE de 2007, que continuava, de acordo com o “The New York Times”, a ser de que “a perspectiva das 16 agências dos serviços de inteligência, age em consenso geral.”
A doutrina da guerra nuclear preventiva do pós- 9/11
Tendo sido primeiramente formulada na administração de Bush, através da “Revisão da Postura Nuclear” de 2002,  a doutrina da guerra nuclear preventiva, que se integra na Guerra Global ao Terrorismo, começou a tomar forma imediatamente depois da guerra do Iraque.  Um ataque nuclear de prevenção `defensiva´ contra o Irã, e isso através de usar armas nucleares táticas, foi apresentado como uma forma de destruir o não-existente programa de armas nucleares da República Islâmica do Irã.
Os chamados `mini nukes´, ou seja, pequenas armas nucleares possíveis de serem transportadas numa mala, numa mochila, ou em qualquer outro compartimento pequeno, foram caracterizados como a `arma ideal´ para se conduzir ataques nucleares preventivos.
Em 2003 os mini nukes, constituidos de bombas contendo ogivas ou pontas nucleares capazes de arrebentar abrigos antiaéreos de grande solidez e de maior ou menor profundidade, foram re-categorizadas pelo Senado dos Estados Unidos como bona fide armamentos convencionais. [Bona Fide sendo usado como um conceito que indica intenções honestas  independentemente dos resultados que essas possam trazer]. A nova definição de ogivas nucleares obscureceu a distinção entre armamentos convencionais e nucleares.
O Senador Edward Kennedy, na ocasião, acusou a administração de Bush por ter desenvolvido “uma generação de armas nucleares mais usáveis”. Através de uma campanha que enlistou o apoio de cientistas nucleares “de autoridade”, os mini-nukes foram apresentados como instrumentos de paz, em vez de instrumentos de guerra.
“Administradores oficiais argumentam que armas nucleares de baixo rendimento, como os mini nukes, seriam necessárias como ameaças dignas de crédito a poderem ser usadas contra estados “sem eira nem beira” [Irã, Coréia do Norte]. A lógica é de que as armas nucleares existentes são muito destrutivas para serem usadas, excepto numa guerra nuclear total. Potenciais inimigos compreendem isso e portanto não consideram uma ameaça de retaliação nuclear como dígna de crédito. Entretanto, armas nuclares de baixo rendimento, como os mini nukes, sendo menos destrutivas, poderiam ser concebidas como usáveis. Isso as faria mais efetivas como ameaça credível.” (Opponents Surprised By Elimination of  Nuke Research Funds, Defense News, 29 de Novembro, 2004)
Numa lógica extremamente contorsida armas nucleares são apresentadas como meios de construção da paz e de prevenção contra `estragos colaterais´. O Pentágono confidenciou a esse respeito, que os mini-nukes seriam `inofensivos aos civís´ porque a explosão iria `ser feita abaixo da terra´. No entanto, cada um desses mini-nukes constitue em termos de explosão e de potencial chuva radioativa  – uma grande parcela da bomba que caiu sobre Hiroshima em 1945.
Avaliações dos rendimentos das bombas de Nagasaki e Hiroshima indicam que esses seriam de 21.000, e de 15.000 toneladas, respectivamente. Mini-nukes tem um rendimento, quanto a capacidade explosiva, entre 1/3 e 6 vezes a bomba de Hiroshima.
Seguindo a “luz verde” do Senado em 2003, o qual apresentou os mini nukes como `bombas humanitárias´ uma mudança importante na doutrina das armas nucleares foi desenvolvida. Os nukes de baixa-rentabilidade foram aceitos para `uso em campos de batalha´. Em contraste com os avisos em maços de cigarros (veja a foto proposta para a marca da Administração para Alimnetos e Drogas), os elementos `consultivos´ sobre os `perigos das armas nucleares para a saúde humana´ já não são mais incluidos nos manuais militares. Esses manuais foram revisados. Essa `nova´generação de armas nucleares táticas é considerada como segura, sem perigo, assim como inócua. Os perigos da radiação nuclear já não são mais reconhecidos como tal. Não há mais impedimentos, ou obstáculos políticos para o uso de bombas termonucleares de baixo rendimento.
A `comunidade internacional´ endorssa a guerra nuclear em nome de uma Paz Mundial.
Mini-nukes: O sistema preferido de armamentos para uma `guerra nuclear preventiva´
Enquanto relatórios apresentam uma tendência de descrever as bombas B61 como uma relíquia da guerra fria, a realidade se apresenta de maneira diferente: os mini-nukes são os sistemas de armamentos preferidos da doutrina da guerra nuclear preventiva. Eles deverão ser usados em teatros de guerras convencionais, contra terroristas e `estados patrocinadores de terrorismo´, inclusive a República Islâmica do Irã.
Planos concretos para deslanchar um ataque nuclear preventivo contra o Irã tem estado na mesa de projetos do Pentágono desde 2004. Um ataque nuclear preventivo consistiria em dispor armas nucleares táticas B61 dirigidas contra o Irã. Planeja-se que o ataque deverá ser ativado a partir de bases militares na Europa Ocidental, Turquia e Israel.
Em 2007  a OTAN confirmou seu apoio à doutrina nuclear preventiva dos Estados Unidos num relatório entitulado `A caminho de uma grande estratégia para um mundo incerto: Renovando associações transatlânticas´. [3]
O relatório (que tem como autores os ex- chefes de equipe dos sectores de defesa dos EUA, Reino Unido, Alemanha, França e Países Baixos e que foi patrocinado pela Fundação Noaber da Holanda) propõe o uso de armas nucleares num ataque preventivo, de carácter não-retaliatório mas sim de carácter ofensivo iniciador (`first strike´)  contra países não-nucleares. Declaravam então que esse seria:
“o  intrumento ideal para uma resposta assimétrica – ao mesmo tempo também que o melhor instrumento  para uma escalação. Eles são também mais do que um instrumento, porque transformam a natureza de um conflito e alargam o seu alcance do regional para o global. Lamentávelmente, armas nucleares – e com elas a opção de usá-las pela primeira vez – são indispensáveis,  uma vez que simplesmente não há prospectos para um mundo não-nuclear.” (Ibid, p. 96-97, ênfases acrescentadas)
De acordo com os autores Irã constitui uma ameaça estratégica de principal importância – não só para Israel, “o qual ameaçou de destruir, mas também para toda a região.” (Ibid, p.45) O que é necessário é que Aliança Atlântica “restaure através de uma  escalação [militar] a capacidade de dissuasão.”
Nesse contexto o relatório endossado tanto pela OTAN como pelo Pentágono, contempla:
“a dominância da escalação, o uso de um saco cheio de cenouras e cacetetes – e realmente de todos os instrumentos suaves e severos,  indo de protestos diplomáticos a armas nucleares.” (Report, p.96, ênfases acrescentadas)
Em dezembro de 2011, menos de um ano depois da publicação da Avaliação do Serviço de Inteligência Nacional (NIE) de 2011, avaliação essa que sublinhava que Irã não tinha um programa de armas nucleares, uma `não opção para fora da mesa de projetos´ numa agenda dirigida contra o Irã, foi avançada pela administração de Obama.
O que representavam-se aqui mentalmente era uma postura militar planejada e coordenada pelo conjunto EUA-OTAN-Israel em relação ao Irã. Foi entendido, como foi confidenciado pelo ex Secretário da Defesa Leon Panetta, que Israel não iria agir unilateralmente contra o Irã. No caso de um ataque ao Irã, a “luz verde” deveria ser garantida por Washington.
“Qualquer operação militar contra o Irã por parte de Israel precisa de ser coordenada com os Estados Unidos e ter seu apôio”, disse Panetta.
Os vários componentes da operação militar iriam estar firmemente abaixo do Comando dos Estados Unidos e ser coordenados pelo Pentágono e pelo USSTRATCOM, na base Offutt da Força Aérea em Nebrasca. [4]
Ações militares por parte de Israel seriam levadas a cabo em estreita coordenação com o Pentágono. A estrutura de comando da operação é centralizada e ao fim e ao cabo, Washington decide se, e quando deslanchar uma ofensiva militar.
Em Março de 2013  a resolução em relação ao Irã de `todas as opções´ estava na agenda durante a visita oficial a Israel. Enquanto uma abordagem integrada EUA-OTAN-Israel em resposta `aos perigos de um Irã armado com armas nucleares´ tenha sido reafirmada, o tom da discussão ia na direção de uma ação militar contra o Irã.
A visita de Obama a Israel foi precedida por altos níveis de consultações bi-laterais, incluindo a visita do Chefe de Equipe da IDF Benny Gantz a Washington, em fevereiro, para discussões relacionadas ao Irã e a Síria com o Presidente do Conjunto dos Chefes de Equipe dos Estados Unidos, o General Martin Dempsey. Benny Gantz foi acompanhado pelo Major General Aviv Kochavi, diretor do Serviço de Inteligência Militar da IDF, no encontro com os seus contrapartes americanos. O novo chefe do Pentágono, Chuck Hagel, estará visitando Israel em abril, como parte de um encontro-de-continuação.
“Tweeters apontaram para o fato de que quando Obama tirou o seu paletó, Netanyahu imediatamente imitou o presidente. Tudo parecia muito bem coordenado. (Foto de twitter.com user @netanyahu)
No curso da visita de Obama, o primeiro-ministro Netanyahu reiterou a necessidade para “uma ameaça de ação militar clara e dígna de crédito [contra o Irã],” enquanto confidenciando que Israel poderia agir unilateralmente. A esse respeito vale a pena notar que em agôsto de 2012, uns poucos meses antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos, uma fuga de informação vinda de um documento de instruções e informações da IDF (traduzido do hebraico) tinha revelado os detalhes do  “ataque de choque e pavor”  proposto por Netanyahu contra o Irã.
“O ataque de Israel será aberto por um ataque coordenado, que inclui um cyber-ataque sem precedentes … Uma barragem de dezenas de mísseis balísticos seriam lançados de Israel em direção ao Irã … vindos dos submarinos de Israel na vizinhança do Golfo Pérsico. Os mísseis estariam armados com elementos altamente explosivos equipados com pontas reforçadas, projetadas especialmente para penetrar alvos robustos e de grande dureza. … Uma barragem de centenas de mísseis de diversas distâncias irá abater sistemas de comando e controle, instalações de pesquisa e desenvolvimentos de projetos, … entre os alvos aprovados para ataque –   Shihab 3 e Sejil,  silos de mísseis balísticos, tanques de armazenamento para componentes químicos dos combustíveis para foguetes, instalações industriais que produzam sistemas para controle de mísseis, plantas de produção de centrífugas e outros.” – ênfases acrescentadas. [5]
Os detalhes do ataque mencionado na fuga de informação do documento de informações e instruções da IDF acima mencionado, pertencem sómente ao uso de sistemas de armamentos convencionais.
Esse artigo foi originalmente publicado em RT Op- Edge.
Michel Chossudovsky
Global Research 26 de março de 2013
RT Op- Edge 25 de Março de 2013
 
Tradução Anna Malm – *Licenciatura: Economia e Psicologia; Bacharelado: Ciência Política e Economia.Notas.
[1] (2007 National Intelligence Estimate Iran: Nuclear Intentions and Capabilities; November 2007, See also Office of the Director of National Intelligence (ODNI)
[2] (2007 National Intelligence Estimate Iran: Nuclear Intentions and Capabilities; November 2007)
[3] ‘Towards a Grand Strategy for an Uncertain World: Renewing Transatlantic Partnership’
[4] US Strategic Command Headquarters (USSTRATCOM) at the Offutt Air Force base in Nebraska
[5] (Quoted in Richard Silverstein, Netanyahu’s Secret War Plan: Leaked Document Outlines Israel’s ‘Shock and Awe’ Plan to Attack Iran, Tikun Olam and Global Research, August 16, 2012, emphasis added).

26-03-2013

Link permanente 23:56:03, por José Alberte Email , 3547 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: ”O Papa de Washington”? Quem é o Papa Francis I? Cardinal Mario Bergoglio e a “Guerra Suja” da Argentina.

By Prof Michel Chossudovsky
Global Research, March 21, 2013

O conclave do Vaticano elegeu o Cardinal Jorge Mario Bergoglio como o Papa Francis I
Quem é Jorge Mario Bergoglio?
Em 1973 ele foi nomeado o “provincial” da Argentina para a Companhia dos Jesuitas.
Nessa capacidade Bergoglio foi o mais alto dignitário da Ordem Jesuíta da Argentina durante a ditadura militar liderada pelo General Jorge Videla (1976-1983).
Mais tarde ele foi nomeado bispo e depois arcebispo de Buenos Aires. O Papa João Paulo II o consagrou Cardinal em 2001.
Quando a junta militar abandonou o poder em 1983, o devidamente eleito presidente Raúl Alfonsin abriu um inquérito, a Comissão da Verdade, para investigar os crimes relacionados com que ficou conhecidos como a Guerra Suja – “La Guerra Sucia”.
A junta militar tinha sido encobertamente apoada por Washington.
O Secretário do Estado norteamericano, Henry Kissinger, fez o seu papel nos bastidores do golpe militar de 1976.
O vice-representante mais importante de Kissinger na América Latina, William Rogers, o informou dois dias depois do golpe que “teremos que esperar uma quantia considerável de repressão, provávelmente muita sanguenta, dentro em pouco tempo.”…(Arquivo da Segurança Nacional, 23 de março, 2006)
 
“Operação Condor”
Um grande julgamento foi ironicamente aberto em 5 de março 2013, uma semana antes da investidura do Cardinal Bergoglio como Pontífice. O processo sendo desenvolvido em Buenos Aires tem em vista:
 “uma avaliação da totalidade dos crimes cometidos abaixo da Operação Condor, uma campanha coordenada por vários ditadores da América Latina, apoiados pelos Estados Unidos nos anos de 1970 e 1980, para caçar, torturar e matar dezenas de milhares de oponentes desses regimes militares”
Para mais detalhes veja Operation Condor: Trial On Latin American Rendition and Assassination Program By Carlos Osorio and Peter Kornbluh,,March 10, 2013.
(Foto acima: Henry Kissinger e General Jorge Videla (anos de 1970)

 
NÃO CLASSIFICADO     8/3/76
DEPARTAMENTO DO ESTADO
Washington D.C.
DO:  Secretariado
PARA: ARA – Harry W. Shlaudeman
ARA RELATÓRIO MENSAL( JULHO)
A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL E A AMÉRICA LATINA
Os regimes militares do cone sul da América do Sul veêm-se
como tendo que pôr-se em ordem de batalha:
–  de um lado pelo marxismo internacional e seus exponentes terroristas, e
– do outro lado pela hostilidade das democracias industriais que são enganadas pela propaganda marxista.
Em resposta eles estão se unindo no que se poderá tornar num bloco político de uma certa coesão. Mas, mais importante, eles estão juntando forças para erradicar a “subversão”, uma palavra que mais e mais vem se tornando num sinônimo de oposição não-violenta de esquerda, e de centro-esquerda. As forças de segurança do cone sul
–  agora estão a coordenar mais estritamente suas atividades de inteligência;
–  estão também operando nos territórios dos países uns dos outros em busca de “subversivos”;
– eles estabeleceram a Operation Condor para achar e matar terroristas do “Comité Revolucionário de Coordenação” nos seus próprios países, e na Europa. O Brazil está cooperando, mas não em operações homicidas.
 
A junta militar liderada pelo General Jorge Videla (a esquerda) foi responsável por incontáveis assassinatos, incluindo assassinatos de  sacerdotes e freiras que se opuseram ao domínio militar que acompanhou  o golpe patrocinado pela CIA, golpe esse que derrubou  o governo de Isabel Peron,  em 24 de março de 1976.
“Videla estava entre os generais que foram condenados por crimes contra os direitos humanos, crimes esses que incluiam  “desaparecimentos”, tortura, assassinatos, e sequestramentos. Em 1985, Videla foi sentenciado a prisão perpétua, na prisão militar de Magdalena.
Wall Street e a Agenda Econômica Neoliberal
Uma das nomeações mais importantes da junta militar (como consequência das intruções de Wall Street) foi a do Ministro da Economia, José Alfredo Martinez de Hoz, um membro do estabelecimento de negócios, comércio e investimentos da Argentina; um amigo íntimo de David Rockefeller.
O pacote neoliberal da política macro-econômica adotada sob Martinez de Hoz foi uma “cópia-carbono” daquela imposta em outubro de 1973 no Chile pela ditadura de Pinochet abaixo dos conselhos vindos dos “Meninos de Chicago”- “Chicago Boys”; política essa imposta depois do golpe de estado de 11 de setembro de 1973, e do assassinato do presidente Salvador Allende.
Os salários foram imediatamente congelados, por decreto. O poder aquisitivo real no país caiu em colápso por mais de 30 porcento, nos tres meses que se seguiram ao golpe militar de 24 de março de 1976. (Avaliações do autor, Cordoba, Argentina, julho de 1976). A população argentina ficou repentinamente empobrecida.
Abaixo da direçäo do Ministro da Economia José alfredo Martinez de Hoz, a política monetária do banco central foi em grande parte determinada por Wall Street e pelo  FMI, o Fundo Monetário Internacional. O mercado de câmbio foi manipulado. O Peso argentino foi propositadamente posto acima do seu valor real, o que levou a um débito exterior insuperável. Toda a Economia Nacional foi precipitada à falência.
 
 
(Foto acima: Da esquerda para a direita: José Alfredo Martinez de Hoz, David Rockefeller e General Jorge Videla)
Wall Street e a Hierarquia da Igreja Católica  
Wall Street esteve sólidamente apoiando a junta militar que empenhava-se na “Guerra Suja” em benefício da mesma. Por seu turno, a hierarquia da Igreja Católica teve o papel, um papel central, de manter a legitimidade da junta militar.
A Ordem dos Jesuitas  –que representava a Conservadora, mas no entanto a mais influente facção da Igreja Católica-  estava intimamente associada com a elite econômica da Argentina, e isso contra os chamados “de esquerda” do movimento Peronista.
“A Guerra Suja”: Alegações dirigidas contra o Cardinal Jorge Mario Bergoglio
Condenar a ditadura militar (inclusive suas violações dos direitos humanos) era um tabú na Igreja Católica. Enquanto os altos escalões da Igreja apoiavam a junta militar, a base popular da mesma estava firmemente contra a imposição do governo militar.
Em 2005  a advogada de direitos humanos Myriam Bregman entrou com um processo judicial contra o Cardinal Jorge Bergoglio, acusando-o de conspirar com a junta militar quando do sequestro de dois padres jesuítas em 1976.
Alguns anos mais tarde, os sobreviventes da “Guerra Suja” acusaram abertamente o Cardinal Jorge Bergoglio de cumplicidade nos sequestros dos padres Francisco Jalics e Orlando Yorio, assim como nos sequestros de seis membros de suas paróquias, (El Mundo, 8 de novembro de 2010)
 
 
(Foto acima: Jorge Mario Bergoglio e General Jorge Videla)
Bergoglio, que na época era o “provincial” da Companhia dos Jesuitas, tinha dado ordens para que os dois padres, jesuitas, “de esquerda”,  e oponentes do governo militar “deixassem seus trabalhos paroquiais”, o que quer dizer que foram despedidos. Isso acompanhando divisões na Companhia dos Jesuitas quanto ao papel da Igreja Católica em relação a junta militar.
Enquanto os dois padres – Francisco Jalics e Orlando Yorio – sequestrados pelos esquadrões da morte em maio de 1976 foram soltos cinco meses mais tarde depois de terem sido torturados; outras seis pessoas relacionadas a paróquia, pessoas essas que também tinham sido sequestradas na mesma operação, foram dadas como “desaparecidas”. Esses sequestrados desaparecidos eram quatro professores e dois dos maridos de duas das professoras do grupo dos seis.
De quando de sua libertação o padre Orlando Yorio acusou Bergoglio de efetivamente os terem entregue [incluindo as seis outras pessoas] para os esquadrões da morte … Jalics se recusou a discutir a queixa depois de ter entrado em reclusão num monastério alemão.” (Associated Press, 13 de março de 2013, ênfases acrescentadas).
“Durante o primeiro julgamento da junta militar em 1985, Yorio declarou: “Eu tenho certeza de que ele mesmo deu uma lista com os nossos nomes para a Marinha.” Os dois padres tinham sido levados para o centro de tortura da Escola de Mecânica da Marinha (ESMA na sigla inglesa) e mantidos lá por cinco meses antes de serem arrastados e jogados numa cidade dos subúrbios. (Veja Bill van Auken, “The Dirty War” Pope, World Socialist Website and Global Research, March 14, 2013)
Entre aqueles “desaparecidos” pelos esquadrões da morte estavam Mónica Candelaria Mignone e María Marta Vásquez Ocampo. Mónica Mignone era filha do fundador do Centro de Estudos Legais e Sociais, CELS, e María Marta Ocampo era filha da presidente das Madres de Plaza de Mayo, Martha Ocampo de Vásquez (El Periodista Online, março 2013).
María Marta Vásquez, seu marido César Lugones (veja foto)  e Mónica Candelaria Mignone alegadamente “entregues aos esquadrões da morte” pelo provincial” jesuita Jorge Mario Bergoglio estão entre os milhares de “desaparecidos da “Guerra Suja” da Argentina, a qual foi encobertamente apoiada por Washington, abaixo da “Operação Condor”.  (Veja memorialmagro.com.ar)
No decorrer do julgamento iniciado em 2005:
 “Bergoglio [Papa Francis I] por duas vezes invocou seu direito abaixo da lei argentina de poder se recusar a apresentar-se em tribunal público, e quando ele afinal testemunhou em 2010 suas respostas foram evasivas”. “Pelo menos dois casos envolviam Bergoglio diretamente. Um examinava a tortura de dois dos seus padres jesuitas – Orlando Yorio e Francisco Jalics – que tinham sido sequestrados em 1976 em bairros pobres onde eles defendiam a teologia da liberação. Yorio acusou Bergoglio de efetivamente os terem entregue aos esquadrões da morte … do quando recusando-se a declarar ao regime que ele endossava o trabalho desses dois seus padres.  Jalics recusou-se a comentar o caso depois de ter se retirado para um monastério alemão.” (Los Angeles Times, 1 de abril, 2005)
“Santa comunhão para os ditadores”
As acusações dirigidas contra Bergoglio em relação aos dois padres jesuitas e aos seis membros das paróquias dos mesmos, seriam sómente a ponta do icebergue. Conquanto Bergoglio fosse uma pessoa importante da Igreja Católica, ele não seria o único a apoiar a junta militar.
De acordo com a advogada Myriam Bregman:   “As próprias declarações de Bergoglio provam que representantes oficiais da igreja sabiam, e isso logo do começo que a junta estava torturando e matando seus cidadãos” e ainda assim endossaram publicamente os ditadores. “A ditadura não poderia ter agido dessa maneira sem esse apoio chave,” (Los Angeles Times, 1 abril de 2005, ênfases acrescentadas.
(Foto acima: General Jorge Videla comungando. A data e o nome do padre não confirmados)
Toda a hierarquia católica estava apoiando a ditadura militar patrocinada pelos Estados Unidos. Vale a pena recordar que em 23 de março de 1976, na véspera do golpe militar:
“Videla e outros conspiradores receberam a benção do arcebispo do Paraná, Adolfo Tortolo, que também serviu como o vigário das forças armadas. No próprio dia da tomada do poder, os líderes militares tiveram um longo encontro com os líderes da conferência dos bispos. Quando ele saiu dessa conferência o arcebispo Tortolo declarou que mesmo que “a igreja tenha sua própria missão específica … há circunstâncias nas quais ela não pode deixar de participar, mesmo quando isso relacione-se a problemas da ordem específica do estado.” Ele fez mesmo pressão moral para que os argentinos “cooperassem duma maneira positiva” com o novo governo.”   (The Humanist.org, janeiro de 2011, ênfases acrescentadas)
Numa entrevista conduzida pelo El Sur, o General Jorge Videla, que agora está servindo uma pena de prisão perpétua, por causa dos seus crimes contra a humanidade confirmou que:
 “Ele tinha mantido a hierarquia católica do país informada quanto a “fazer desaparecer” oponentes políticos, e que os líderes católicos tinham oferecido conselhos de como “conduzir” a política de desaparecimentos.
Jorge Videla disse que ele tinha tido “muitas conversações” com o Cardinal Raúl Francisco Primatesta, da Argentina, a respeito da guerra suja do governo contra os ativistas da esquerda. Ele disse que também havia havido conversações com outros bispos líderes da conferência episcopal na Argentina, assim como com o núncio papal do país na época, Pio Laghi. “Eles nos aconselharam a respeito da maneira de como lidar com a situação,” disse Videla” (Tom Henningan, Former Argentinian dictator says he told Catholic Church of disappeared, Irish Times, 24 de julho de 2012, ênfases acrescentadas)
É de valor o observar-se, que de acordo com uma declaração do arcebispo Adolfo Tortolo, os militares deveriam sempre consultar com alguma membro da alta hierarquia católica no caso de “prisão” de algum membro nas alas mais baixas da hierarquia do cléro. Essa declaração foi feita especialmente em relação aos dois padres jesuitas sequestrados, dos quais as atividades pastorais estavam abaixo da autoridade do “provincial” da Companhia Jesuita, Jorge Mario Bergoglio. (El Periodista Online, março de 2013).
Em endossando a junta militar, a hierarquia católica foi cúmplice de tortura e de morte de massas, num estimado de “22.000 mortos e desaparecidos, de 1976  a 1978. …  Milhares de outras vítimas foram mortas entre 1978 e 1983, quando os militares foram forçados a deixar o poder.” (Arquivo da Segurança Nacional, 23 de março de 2006).
O papel do Vaticano
O Vaticano abaixo da direção do Papa Paulo VI e do Papa João Paulo II fez um papel central em apoiando a junta militar argentina.
Pio Langhi, o Núncio Apostólico do Vaticano na Argentina admitiu o conhecimento a respeito de tortura e massacrres.
Langhi tinha contatos pessoais com membros da direção da junta militar incluindo o General Videla e o Almirante Emilio Eduardo Massera.
O Almirante Emilio Massera, em próximo contacto com seus dirigentes americanos, foi o mentor “Da Guerra Suja”. Abaixo dos auspícios do regime militar ele estabeleceu:
“um centro de interrogatório e tortura na Escola Naval de Mecânica – Naval School of Mechanics, ESMA [perto de Buenos Aires], … Esse era um estabelecimento sofisticado, para muitos fins, vital ao plano militar de assassinar cerca de 30.000 “inimigos do estado”. …Muitos milhares dos prisioneiros da ESMA, incluindo, por exemplo, duas freiras francesas, foram de maneira rotineira torturados brutalmente sem misericórdia, antes de serem assassinados ou jogados de algum avião no Rio de la Plata.
(Veja foto acima: O Nuncio do Vaticano Pio Langhi e o General Jorge Videla)
Massera, o membro mais vigoroso do triunvirato, fez o seu melhor para manter seus elos com Washington. Ele participou no desenvolvimentoo do Plano Condor, que era um plano de colaboração para coordenar o terrorismo sendo praticado pelos regimes militares sulamericanos. (Hugh O´ Shaughnessy,   Amiral Emilio Massera: Naval officer who took part in the 1976 coup in Argentina and was later jailed for his part in the junta’s crimes,  The Independent, 10 de novembro de 2010, ênfases acrescentadas)
Relatórios confirmam que o representante do Vaticano Pio Laghi e Amiral Emilio Massera eram amigos.
(Foto: Almirante Emilio Massera, o arquiteto da “Guerra Suja” sendo recebido pelo Papa Paulo VI, no Vaticano)
A Igreja Católica: Chile vs Argentina
Tem valor por si mesmo o notar-se que nas águas do golpe militar no Chile, em 11 de setembro de 1973, o Cardinal de São Tiago do Chile,  Raul Silva Henriquez, tinha condenado abertamente a junta militar liderada pelo General Augusto Pinochet. Em forte  contraste com a Argentina, a posição da hierarquia católica no Chile foi eficaz em pôr freio as ondas de assassinatos polítiocs, assim como conter a extensão das violações dos direitos humanos cometitas contra os apoiantes de Salvador Allende e os oponentes do regime militar.
O homem atrás do ecumênico, e não-partidário, Comité Pro-Paz era o Cardinal Raúl Silva Henríquez. Logo depois do golpe, Silva… tomou o papel de “atores” – “upstander”, esse sendo um termo em inglês que a autora e ativista Samantha Power criou para distinguir pessoas que se levantavam contra a injustiça – muitas vezes a custo de grandes riscos pessoais – dos que denominava então, de “expectadores”.
… Logo após o golpe, Silva e outros líderes da igreja do Chile publicaram uma declaração condenando as ações dos golpistas e exprimindo dor e desgosto pelo derramamento de sangue. Esse foi um ponto fundamental de reversão para muitos membros do cléro chileno … O Cardinal Raul Silva Henriquez visitou o Estádio Nacional, e escandalizado pela escala da violência desintegradora, instruiu seus auxiliares a começarem a documentar os acontecimentos reunindo informação das milhares de pessoas que voltavam-se as igrejas, para refúgio.
As ações do Cardinal  Silva o levaram a um conflito aberto com Pinochet, que não hesitou em ameaçar a igreja e o Comité Pro-Paz (Taking a Stand Against Pinochet: The Catholic Church and the Disappeared – pdf)
Se a hierarquia católica na Argentina e Jorge Mario Bergoglio tivessem tomado uma posição semelhante a do Cardinal Raul Silva Henriquez, milhares de vidas teriam sido salvas, também na Argentina.
Jorge Mario Bergoglio não era, nas palvras de Samantha Powers um expectador, “bystander”. Ele foi cúmplice em crimes contra a humanidade, crimes esses que foram muito abrangentes.
O Papa Francis I não é “um homem do povo” cometido a “ajudar os pobres” nas pegadas de São Francisco de Assis, como retratado em côro pela mantra da mídia ocidental. Muito pelo contrário: os seus esforços durante a junta militar, consistentemente atacando progressivos membros do cléro católico, assim como os ativistas empenhados em salvaguardar dos direitos humanos, ativistas esses envolvidos em implementar programas contra a grande miséria e pobreza.
Em apoiando a “Guerra Suja” argentina, José Mario Bergoglio violou abertamente os próprios dogmas e doutrinas da moralidade cristã, dogmas e doureinas esses que dão grande valor a vida humana.
“Operação Condor” e a Igreja Católica
A eleição do Cardinal Bergoglio pelo conclave do Vaticano para servir como Papa Francis I terá repercussões imediatas em relação ao corrente julgamneto  “Operação Condor”, em Buenos Aires.
A Igreja estava envolvida em apoiar a junta militar. Esse é um fator que irá emergir no decorrer dos procedimentos do processo judicial. Não há dúvidas de que lá haverá esforços para obscurecer o papel da hierarquia católica e a recente nomeação do Papa Francis I, que serviu como chefe da Ordem Jesuita da Argentina durante a ditadura militar.
Jorge Mario Bergoglio: O Papa de Washington no Vaticano?
A eleição do Papa Francis I tem grandes implicações para toda a região da América Latina
Nos anos de 1970, Jorge Mario Bergolio apoiou a ditadura militar patrocinada pelos Estados Unidos.
A hierarquia católica da Argentina apoiou o governo militar. O programa militar de tortura, assassinatos e “desaparecimentos” de milhares de oponentes políticos foi apoiada e coordenada por Washington, durante a “Operação Condor”, da CIA.
Os interesses da Wall Street foram sustentados através do gabinete de Jose Alfredo Martinez de Hoz no Ministério da Economia.
A Igreja Católica na América Latina tem influência política. A Igreja também exerce um  controle sobre a opinião pública. Isso é sabido e compreendido pelos arquitetos da política exterior dos Estados Unidos, assim como dos sectores de inteligência dos mesmos.
Na América Latina onde governos estão agora desafiando a dominância dos EUA, se pode esperar – dado os antecedentes de Bergoglio –  que o novo Pontífice Francis I, como líder da Igreja Católica na América Latina irá, de facto,  desempenhar um papel político discreto e as encobertas, mas a favor de Washington.
Com Jose Mario Bergoglio, Papa Francis I no Vaticano – homem esse que fielmente serviu os interesses dos Estados Unidos no dias de apogeu do Generla Jorge Videla e Almirante Emilio Massera – a hierarquia da Igreja Católica na América Latina poderá mais uma vez ser efetivamente manipulada para underminar governos “progressistas”, ou seja, de esquerda, não só na Argentina (em relação ao governo de Cristina Kirschner) como também através de toda a região sulamericana, incluindo Venezuela, Equador e Bolívia.
A instalação de “um papa pro-EUA” ocorreu uma semana após a morte do presidente Hugo Chavez.
“Troca de Regime” no Vaticano  
O Departamento do Estado dos Estados Unidos como uma questão de rotina faz pressão sobre membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas com o fim de influenciar os votos pertencentes as resoluções do Conselho de Segurança.
Também como uma questão de rotina as operações encobertas assim como as campanhas de propaganda dos Estados Unidos são empregadas com o objetivo de influenciar eleições nacionais, em diferente países ao redor do mundo.
A CIA de maneira similar também tem tido uma longa relação encoberta de afinidade com o Vaticano.
Teria o governo dos Estados Unidos tentado influenciar o resultado da eleição do novo pontífice?
Fortemente envolvido em servir os interesses da política exterior dos Estados Unidos na América Latina, Jorge Mario Bergoglio era o candidato preferido de Washington.
Teriam discretas pressões encobertas sido exercidas por Washington dentro da Igreja Católica, pressões essas que direta ou indiretamente, poderiam ter caido sobre os 115 cardinais, membros do conclave do Vaticano?
 
Notas do Autor
No começo do regime militar em 1976, eu estava trabalhando como professor visitante no Instituto de Política Social da Universidade Nacional de Cordoba, Argentina. O ponto focal da minha pesquisa, nesse tempo, era a investigação dos impactos sociais das mortais reformas macro-econômicas adotadas pela junta militar.
Eu era professor na Universidade de Cordoba  durante a onda inicial dos assassinatos, a qual também mirava membros progressivos da bases populares do cléro católico.
A cidade industrial de Córdoba, localisada no norte da Argnetina,  era o centro do movimento de resistência. Eu fui testemunha de como a hierarquia católica, activa e de maneira rotineira apoiava a junta militar, criando uma atmosfera de intimidação e medo através de todo o país. O sentimento geral nesse tempo era de que a Argentina tinha sido traida pelos altos escalões da Igreja Católica.
Tres anos antes quando do golpe militar no Chile em 11 de setembro de 1973,  o qual levou a derrubada do governo da Unidade Popular de Salvador Allende, eu estava trabalhando como professor visitante no Departamento de Economia da Universidade Católica do Chile, em Santiago do Chile.
Nas imediatas consequências do golpe do Chile eu fui testemunha de como o Cardinal de Santiago, Raul Silva Henriquez –  agindo em nome da Igreja Católica -  confrontou a ditadura militar.
Michel Chossudovsky
Global Research (atualizado em 16 de março de 2013)
14 de março de 2013-03-18
 
Artigo em inglês :

“Washington’s Pope”? Who is Pope Francis I? Cardinal Jorge Mario Bergoglio and Argentina’s “Dirty War”, March 16, 2013
 
Tradução Anna Malm – *Licenciatura: Economia e Psicologia; Bacharelado: Ciência Política e Economia.

23-03-2013

Link permanente 18:16:10, por José Alberte Email , 712 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O que em verdade busca a Troika - Fame e Miséria graças a estafa dos banqueiros europeios

http://www.voltairenet.org/article177927.html

O que em verdade busca a Troika

por Xavier Caño Tamayo

Apesar dos milhares de milhons de euros já desembolsados para salvar a banca, a crise que estremece as economias da Uniom Europeia nom mingua de nengumha maneira. Ou nom seria mais justo denominá-la estafa?

Europa vai de mal a pior e até Alemanha vê as orelhas ao lobo com a travada nas suas exportaçons. Em Espanha, o incremento do IVE [o imposto sobre o valor acrescentado] foi letal para o consumo interno. Como mortais som também as rebaixas dos salários dos empregados públicos, os despedimentos, a congelaçom das pensons e os recortes em prestaçons para desempregados, que alcançam agora 26%. Enquanto, a segurança social perde e perde filiados e cotizaçons mês trás mês.
Em Portugal, consolida-se a tendência ao pago de umha série de serviços da saúde pública, o qual fai muito vulnerável à cidadania, enquanto que outra reforma laboral abarata mais o despedimento e a alça dos impostos empobrece mais à cidadania comum (nom aos ricos). Todas essas medidas, às que se agrega a privatizaçom de diversas empresas públicas, som puro saque. E que dizer da Grécia?

Umha recente investigaçom do Center for Economic and Policy Research de Estados Unidos demonstra que as políticas de austeridade que o Fundo Monetário Internacional (FMI) impom a Europa som muito prejudiciais para a imensa maioria da cidadania, porque provoca efeitos contrários aos que di buscar. Talvez por isso quase nom começam a se ouvir algumhas vozes críticas contra a política de austeridade.

O próprio Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, reconheceu que é um erro recomendar, sem matizes, recortes orçamentais aos governos europeus, porque isso pode travar o crescimento económico. Mas os economistas do FMI teimam em manter essa política, no quanto de emenda-la, e mesmo insistem em que os funestos resultados actuais nom significam que a política de austeridade seja «má». Apesar da ruína do povo português, o FMI aconselha a Passos Coelho, lhe primeiro-ministro de Portugal, que despede a mais funcionários, que alargue o horário laboral dos empregados públicos (pagando-lhes o mesmo salário), que reduza ainda mais as prestaçons por desemprego e que rebaixe ainda mais as pensons “para ser competitivos”.

Talvez para o FMI seja irrelevante que o desemprego alcance já 17% e que o PIB (produto interno bruto) já vá a retroceder em 1,5 em 2013. Que significa ser «competitivo» se a maioria de cidadaos afundam-se na pobreza?

Tam estúpida é a Troika? A soluçom está na história muito recente.

Em 1953, só 4 anos depois da sua fundaçom, a República Federal da Alemanha sumia-se sob o peso das suas dívidas e ameaçava com arrastar na sua derrube aos demais naçons europeias. Naquele entom, os 21 países credores da RFA reunírom-se em Londres e decidiram ajustar as suas exigências à capacidade de pago do país devidor. Reduziram a dívida acumulada em 60% e concederam umha moratória de 5 anos mais um adiamento de 30 anos para a reembolsar e, ademais, incluírom nos acordos umha cláusula de desenvolvimento que estabeleceu que o país devidor -lembremos que se tratava da República Federal da Alemanha- dedicaria ao pago da dívida só a vigésima parte dos seus ingressos por conceito de exportaçons.

Por que Europa nom actua hoje da mesma maneira?

Talvez porque o objectivo real prioritário da Troika nom seja cobrar a dívida. Talvez porque o que se busca é desmantelar os direitos sociais na Europa (o mal chamado Estado de bem-estar, porque podem-te pedir que tenhas menos bem-estar, mas nom que renuncies aos teus direitos). Talvez porque esta crise permite à minoria rica aumentar obscenamente os seus benefícios, como o demonstram os dados.

Mas o que toca é anular a maior parte da dívida porque se trata, ademais, de umha dívida impagável. Como explica John Ralston, há que acabar com toda a dívida porque essa dívida está a afundar a Europa. E, metaforicamente, propom Ralston que «guardemos» a dívida num sobre, que escrevamos no sobre «muito importante», que o metamos numha gaveta, fechemos-la com chave e... chimpemos a chave.

Se nom se anula grande parte da dívida, à vez que se refai os sistemas fiscais progressivos e começa-se a arrombar em toda a regra aos paraísos fiscais, e também à banca na sombra, a Europa nom a salva nem a misericórdia divina. Se a houvesse.

Xavier Caño Tamayo

Fonte
Contralínea (Mexico)

16-03-2013

Link permanente 19:42:44, por José Alberte Email , 4156 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Marx e a crise: os fantasmas, agora, são eles

por Mauro Luís Iasi [*]

http://www.resistir.info/crise/marx_crise_mar13.html

"Marx, hoje, volta a rondar a Europa, os EUA, a Ásia, nossa América Latina. Não somos mais um mero espectro. Somos cada vez mais de carne, osso, sangue e sonhos, enquanto eles se transformam a cada dia em fantasmas."

A atual crise do capitalismo mundial, além das graves consequências que traz para os trabalhadores, acabou por propiciar um efeito direto no debate teórico e acadêmico: uma retomada das ideias de Marx. Por que isso ocorre? Que tipo de previsão foi realizada por Marx que o faz tão maldito, perseguido e tão renitente em nascer e renascer cada vez que o julgam morto em definitivo?

Passamos, nós marxistas, pelas décadas de 1980 e 1990 resistindo no universo acadêmico como se fôssemos dinossauros anacrônicos, insistindo em teses que desmoronam diante das "evidências" pós-modernas, que afirmavam o fim da validade da teoria do valor, o fim da centralidade do trabalho, das classes e, por consequência, das formas organizativas e dos projetos políticos próprios da classe trabalhadora.

Karl Offe [2] chegou a afirmar que, depois das ideias de Touraine, Foucault e Gorz, o pensamento marxista não teria mais muita "respeitabilidade cientítico-social". O próprio Keynes, que alguns se preparam para resgatar como balsamo benígno contra os males da desregulação, sobre O Capital de Karl Marx decretou:

"Como posso aceitar uma doutrina que estabelece como bíblia, acima e além de qualquer crítica, um manual econômico obsoleto que reconheço não só como científicamente errôneo, mas também sem interesse ou aplicação para o mundo moderno?" [3]

Logo na sequência do mesmo texto, Keynes confirmará sua postura "científica" ao declarar preferir a burguesia que "apesar de suas falhas, representa a prosperidade" e certamente leva as "sementes de todo avanço humano", criticando aqueles que "preferem a lama ao peixe" e "exaltam o proletariado rude" contra a burguesia.

Parece que a burguesia continua, em sua incansável rota em direção ao avanço humano, cometendo "algumas falhas", que ameaçam a humanidade para garantir o avanço do capital. O proletariado rude, imerso na lama na qual tem que viver, mais uma vez tenta compreender a natureza da vaga que ciclicamente o afoga e, mais uma vez, o velho Karl Marx se levanta de seu descanso no cemitério de Londres para assombrar os respeitáveis senhores da ciência.

Qual seria o elemento teórico que encontramos em O Capital que permite que Marx seja ainda tão contemporâneo? Primeiro, poderíamos dizer que Marx era, de certa forma, mais anacrônico em sua época do que agora. Como pensa o capital como um conceito, um movimento do real que dialeticamente transita através de suas formas e, sendo histórico, nasceu, se desenvolveu e um dia irá ser superado, Marx projeta, pela análise precisa do ser do capital, aquilo que denomina de modo de produção especificamente capitalista, ou seja, um mundo subsumido inteiramente ao metabolismo do capital, no qual reina a subordinação real do trabalho ao capital, no qual a mercadoria e o dinheiro são realidades universais, subordinando o valor de uso ao valor de troca.

Ao projetar o capital maduro e completo é que Marx pode avaliar o processo possível de sua superação. Um procedimento que os antigos, antes que os pós-modernos convencessem o mundo acadêmico a aderir a um novo agnosticismo, chamavam de ciência. Ora, este capital maduro estava longe de corresponder à realidade de meados do século XIX; no entanto, para desespero da respeitável intelligentsia, o capitalismo contemporâneo se parece muito mais com a previsão de Marx do que com a projeção mítica anunciada pelos arautos do liberalismo e da economia política.

Apesar de autores como Boaventura de Souza Santos afirmarem que, considerando os três gigantes clássicos do pensamento social (Marx, Durkheim e Weber), Marx teria sido entre eles o que "errou de forma mais espetacular" [4] . Mas o desfecho do mundo burguês no inicio do século XXI se caracteriza inequivocamente por uma constatação: o mito liberal morreu!

Qual é a essência do mito liberal e como Marx se contrapôs a ele? O fundamento do mito liberal pode ser resumido da seguinte maneira: o capitalismo é um sistema virtuoso, pois permite que cada um, buscando seu próprio interesse egoísta, contribua para o estabelecimento do bem comum. Dessa maneira, é o único que pode articular de maneira eficiente os valores do indivíduo, da liberdade, da propriedade e da igualdade. O capitalista busca lucro, mas para obtê-lo produz mercadorias e para tanto gera emprego. O trabalhador quer pagar suas contas e viver e por isso vende sua força de trabalho. Com seu salário compra as mercadorias oferecidas pelos capitalistas e assim se fecha o ciclo. O burguês tem seu lucro, o trabalhador seu salário e a sociedade cada vez mais mercadorias com que satisfazer suas necessidades.

O sistema capitalista seria, ainda, virtuoso não apenas pelo equilíbrio entre interesses individuais egoístas e interesse geral, mas por sua dinâmica: quanto mais o capital produz mercadorias, mais contrataria, mais salários distribuídos intensificariam o consumo, que levaria a nova produção, mais contratações e novos salários que induziriam ao aumento do consumo e assim por diante, da melhor forma possível e no melhor dos mundos.

Recentemente, o presidente Lula conjurou o mito com todas suas letras ao afirmar que diante da crise os trabalhadores em vez de pedir aumento deveriam fazer com que suas empresas produzissem mais, para aquecer o Mercado, atender as necessidades do mercado consumidor e daí garantir, não apenas empregos como a possibilidade futura de melhores salários.

Apesar da fé consagrada de muitos ao mito, Marx escreveu O Capital para comprovar a falácia deste argumento central do pensamento burguês. Podemos resumir desta forma as principais conclusões do pensador alemão para contrapor uma visão científica à ideologia liberal: a) quanto mais cresce a concorrência entre os capitalistas, menor é a livre concorrência e maior é a tendência ao monopólio; b) nas condições de uma concorrência entre monopólios, os capitalistas tendem sempre a investir mais em capital constante (máquinas, instalações, novas matérias primas, etc) para aumentar a produtividade do trabalho, do que em capital variável (a compra da força de trabalho) alterando drasticamente a composição orgânica do capital em favor do trabalho morto; c) o resultado aparentemente paradoxal desse processo é uma tendência à queda na taxa de lucro, ou seja, quanto mais o capital cresce, maior é a produtividade do trabalho pela aplicação consciente da técnica e da ciência ao processo de trabalho, quanto mais o capital se torna monopolista e mundial, menor é a taxa de lucro.

Na verdade, a tautologia liberal afirma que quanto mais o capital cresce, mais ele cresce. O que Marx anunciou pela dialética do capital, compreendido pela minuciosa análise que se nega a permanecer na superfície aparente dos fenômenos, é que quanto mais o capital cresce, mais ele produz a crise que é própria à sua natureza, ou seja, de ser valor em constante processo de valorização, ou seja, uma crise de superacumulação que se combina de forma explosiva com manifestações de superprodução, subconsumo e queda tendencial da taxa de lucro.

O fato desconcertante para os adeptos dos planos de aceleração do crescimento, ou da irracionalidade exuberante como batizou Greenspan (ex-presidente do Banco Central norte-americano), é que o que causa a crise não é a carência, mas a abundância, a pletora. Um raciocínio típico de Marx, isto é, não argumenta com o adversário teórico pela negação de sua tese, mas pela suposição de sua plena realização. No caso concreto de nossa análise, afirma que a dinâmica do capital leva à aparente confirmação do mito liberal, levando a sociedade a uma espiral irresistível de produção, consumo e reinvestimento; no entanto este reinvestimento sempre se dá, pela própria concorrência, seja livre ou monopólica, alterando a composição orgânica em favor do capital constante e, portanto, alimentando a queda tendencial da taxa de lucro.

No momento agudo deste processo, o capital realizado ao final do ciclo, e que deveria voltar ao início como novo capital inicial, encontra todo o metabolismo do capital saturado de investimentos, muitos meios de produção instalados, muitos trabalhadores empregados, muitas mercadorias produzidas, e tudo isso com taxas de lucro menores. Em momentos normais, o capital migra para outra área, seja para produzir outro tipo de mercadoria, seja para outra região em busca de elementos que possam baratear seus custos com força de trabalho, matérias primas ou outros elementos do capital constante. No entanto, nas épocas que antecedem às crises, considerando o capital total, é como se o capital não encontrasse onde aportar e começa a parar.

Como o capital é, antes de qualquer coisa, movimento do valor em constante processo de valorização, sua crise ocorre quando este movimento se paralisa em algum ponto do ciclo do capital: como dinheiro que não consegue virar crédito, como capacidade instalada e ociosa, como força de trabalho contratada e impedida de trabalhar, como mercadoria produzida e que não encontra o consumo na proporção de sua oferta, ou ainda pior, como consumo realizado que alimenta a fogueira da superacumulação.

Para que possamos entender o desfecho da crise e, principalmente, os efeitos sobre a classe trabalhadora, é necessário recorrer a um raciocínio essencial que Marx desenvolve ao tratar de sua tese sobre a queda tendencial da taxa de lucro no Livro III de O Capital: as contratendências.

Marx precisava defender sua tese em um momento no qual o mito liberal esbanjava saúde. A primeira grande crise do capital, entre os anos 1870 e 1880, ofereceu para o autor os elementos centrais de sua afirmação. No entanto, o capital estava destinado a sair dessa crise e de outras. É preciso não confundir a teoria de Marx sobre a crise com qualquer afirmação messiânica sobre uma crise final catastrófica que levaria por si mesma ao fim do capitalismo [5] . Para o autor, o capital desenvolveria elementos contra-tendenciais que fariam da queda na taxa de lucro uma tendência e das crises uma realidade cíclica, ou seja, em outras palavras, não se trata de uma linha descendente que culmina no fim do poço, mas de um movimento de crescimento, auge, crise e retomada até novo ápice que leva a uma nova crise.

As chamadas contratendências [6] seriam todas as ações empreendidas pelo capital no sentido de se contrapor à queda na taxa de lucro. Podemos resumi-las da seguinte maneira: a) aumento do grau de exploração da classe trabalhadora, seja pelo aumento da jornada de trabalho, seja pela intensificação do trabalho; b) redução dos salários; c) redução dos preços dos elementos do capital constante, tais como buscar matérias-primas mais baratas, máquinas mais eficientes, subsídios para insumos e serviços essenciais como aço, mineração, energia, armazenamento, transporte e outros; d) formação de uma superpopulação relativa, ou seja, reunir um contingente de força de trabalho muito além das necessidades do capital e mesmo além do exército industrial de reserva como forma de pressionar o valor da força de trabalho para baixo; e) ampliação e abertura de mercado externo como forma não apenas de desovar o excedente produzido, como de encontrar fontes de matéria prima e recursos abundantes, barateando seus custos; d) o aumento do capital em ações, isto é, buscando compensar a queda na taxa de lucro com juros oferecidos pelo mercado de papéis oferecidos por empresas ou por títulos do Estado.

Notem que todas as contratendências escondem um sujeito oculto. Trata-se, já no final de O Capital, de mais um embate, este decisivo, contra a ideologia liberal. Quem administra os limites da exploração do trabalho, seja pelo tamanho da jornada, seja pelas condições gerais da contratação? Quem determina os limites legais da compra da força de trabalho e seu valor? Quem pode baratear os elementos do capital constante por meio de subsídios, créditos facilitados, isenções e outros meios conhecidos? Quem assume o custo de administração, manutenção e controle sobre uma superpopulação relativa cujo papel é nunca entrar no mercado e trabalho? Quem representa os interesses das corporações monopólicas na ampliação, conquista e manutenção de mercados em disputa com outros monopólios? Finalmente, quem se presta ao papel de oferecer títulos que remuneram com taxas de juros generosas sem se preocupar em perder dinheiro ou comprar de volta títulos podres e sem valor?

Esse sujeito, que mal se oculta, só pode ser o Estado! Eis que se desmorona a mãe de todos os mitos liberais: o Estado não deve intervir na livre concorrência entre os indivíduos pela disputa de riquezas e propriedades, resumido na tese da não intervenção estatal na economia. Para Marx, o Estado sempre foi um fator determinante no sociometabolismo do capital, em seu nascimento na acumulação primitiva de capitais, na garantia das condições gerais chamadas de extraeconômicas (garantia da propriedade, subordinação legal e institucional da força de trabalho ao capital, defesa da ordem, etc.) no período de ouro do liberalismo, na representação dos monopólios na partilha e repartilha do mundo, fazendo dos interesses das corporações o interesse nacional; e, por fim e mais importante, nos momentos de crise em que o custo da exuberância irracional, que levou à apropriação indecente da riqueza socialmente produzida na forma de acumulação privada, tem que ser socializado por toda a Nação.

Além do evidente papel do Estado no comando e gerenciamento das contratendências, fica evidente o caráter de classe destes mecanismos, o que nos ajuda a entender os efeitos que recairão sobre os trabalhadores. A intensificação da exploração, que leva ao aumento do desgaste da força de trabalho e à intensificação dos acidentes e das doenças profissionais; a redução de salários, assim como a precarização das condições de contratação, com relativização e perda de direitos; o aumento da superpopulação relativa, que tem por base a intensificação da expropriação dos camponeses e de todos que ainda conseguem manter seus meios diretos de trabalho, e que leva à explosão urbana com todas suas consequências conhecidas no campo da habitação, dos serviços essenciais como educação e saúde, mas também no que se refere a questão da violência e da criminalidade.

Mesmo as ações que aparentemente não se relacionam diretamente com o agravamento das condições de exploração e a precarização das condições de vida dos trabalhadores acabam por ter efeitos muito sérios sobre a vida de quem trabalha. Os subsídios e isenções ao capital, para baratear os elementos do capital constante ou ajudá-los a manter seus patamares de venda, só podem sair do fundo comum do Estado e, portanto, à custa de cortes dramáticos em serviços públicos duramente conquistados. Só em uma semana, o governo brasileiro gastou R$50 mil milhões para manter o valor do dólar, enquanto durante todo o ano anterior foram gastos um pouco mais de R$ 20 mil milhões com a saúde, apenas para ficar em um exemplo. As fortunas gastas para manter bancos em funcionamento só podem sair do recurso público numa clara expressão de privatizar a pequena parte da produção social da riqueza que ficou no espaço publico, sem que em nenhum momento se questione o volume da riqueza que no ciclo de crescimento permaneceu na esfera da acumulação privada.

Talvez o mais grave quanto aos efeitos da ação do Estado na gestão das contratendências para os trabalhadores e a própria humanidade seja um aspecto para o qual Marx não deu maior atenção: a expansão do mercado externo. Quando Marx escrevia o último livro de O Capital, a ordem monopolista mal fazia sua estreia histórica. Para o autor, tratava-se apenas de encontrar mercados para os produtos e encontrar fontes de matérias-primas. Ocorre que, com o pleno desenvolvimento dos monopólios, passa a ser decisivo, como estudou mais tarde Lenin, a exportação de capitais, e daí a necessidade de controle das áreas de influência, levando a constante partilha e repartilha do globo, primeiro entre os monopólios e depois entre as nações que os representam, levando à Guerra.

A fase imperialista e a prática da guerra, que lhe é inseparável, fizeram desta contratendência quase que a síntese da ação do Estado em defesa do capital e da manutenção de suas taxas de lucro contra a tendências das mesmas em cair. Não apenas pela enorme destruição material que a Guerra causa, abrindo campo para novas inversões em condições de lucratividade retomada em patamares aceitáveis para o capital, como pelo próprio estabelecimento de um complexo industrial-militar que vende ao Estado mercadorias que terão que ser substituídas quer sejam ou não usadas (como no caso do arsenal nuclear), como teorizou de forma precisa Mészáros.

Podemos resumir, afirmando que, na dinâmica das contratendências, as vítimas são os trabalhadores, os beneficiários a burguesia monopolista e o instrumento o Estado, não apenas como aparato técnico jurídico-adiministrativo, mas também e principalmente pela capacidade que lhe é própria de apresentar como universal um interesse que é particular. Nesse campo, o da luta política, a crise é o momento de retirar da gaveta do arsenal da política burguesa a tese do pacto social.

No momento da crise se reapresentam todas as alternativas em disputa. Podemos resumi-las em três posições: a) a afirmação de que tudo não passa de um incidente, mais ou menos grave, mas de qualquer forma um incidente que não compromete a estrutura do mito, ou seja, basta voltar a crescer que os empregos voltam, o consumo cresce, e tudo volta ao círculo virtuoso do capital; b) a retomada da crítica keynesiana, que aparece simultaneamente como afirmação da ordem do capital com todos os elementos que lhe são próprios (inclusive a livre concorrência), mas que afirmará a necessidade de retomar mecanismos de regulação, ou seja, não se trata de evitar a livre concorrência, mas de regular certos aspectos para que suas consequências inevitáveis não gerem condições catastróficas que possam levar ao questionamento do sistema; c) a alternativa socialista, ou seja, aquela que se fundamenta na afirmação sobre a necessidade da produção social da riqueza ser gerida também de forma social, levando à acumulação social da riqueza ser concebida como valor de uso e não mercadoria.

No presente quadro, a primeira, um pouco na defensiva e sem a arrogância que caracterizou o último ciclo, não desaparecerá. Ela se inscreverá na afirmação que basta o Estado dar os elementos para que o capital volte a crescer, sem que interfira na disputa econômica direta, por exemplo, através das estatizações. A segunda, de corte keynesiana, será a mais ativa e, portanto, mais enganosa e perigosa para os trabalhadores. Sob o manto de uma necessidade comprovada de maior regulação, que deverá se inscrever nos limites do mundo financeiro, pode chegar até a defender, como aliás já está acontecendo, algumas ações estatizantes. No entanto, esta opção mal esconde uma enorme luta política que marcou o século XX. Foi preciso ceder a determinadas demandas dos trabalhadores, por direitos e condições de vida, frente à ameaça de superação revolucionária da ordem, representada pelo advento da revolução Russa de 1917.

A solução keynesiana, que não se revestiu no século XX necessariamente com a forma de um Welfare State social democrata de perfil europeu, nos EUA prevaleceu com o New Deal, mantendo a base de uma economia de mercado fundada na livre concorrência, e na América Latina, por exemplo, a regulação estatal se deu na forma de ditaduras militares mais preocupadas com o Estado do que com o bem-estar. No quadro conjuntural atual, de inflexão política, de desmonte e isolamento das tímidas alternativas de transição socialista iniciadas no século XX, os regulacionistas tendem a se comportar mais como liberais contidos e responsáveis do que como social democratas.

Aos trabalhadores cabe uma outra ordem de tarefas. Primeiro: resistir, não aceitando que o ônus da crise recai sobre o setor que mais se penalizou no ciclo de crescimento. Não apenas lutando para que nenhum direito lhe seja retirado, como se recusando a proposta do tipo redução de jornada com redução de salário ou qualquer precarização de suas já precárias condições de contrato e de trabalho. Segundo: forçar o Estado para que se recuse a usar o recurso público para dirimir perdas ou incentivar produtividade de um setor da economia monopolizada, que lucrou fortunas e as acumulou privadamente. Enquanto o governo se regojiza com a informação de que os 20% mais pobres passaram de U$1,00 por dia para U$2,00 de maneira que saíram de uma posição que os colocava abaixo da linha da miséria para uma condição de dignidade duvidosa na linha da miséria, as 500 maiores empresas do Brasil, entre 2002 e 2007 viram seus lucros saltarem de R$ 2,9 mil milhões para R$43 mil milhões.

Em terceiro lugar, está na hora de a classe trabalhadora deixar de optar entre qual é a ortodoxia burguesa que mais lhe convém, se a liberal ou a keynesiana, e dizer a pleno pulmões que as previsões liberais ou regulacionistas, que prometiam que o crescimento econômico levaria a uma paulatina diminuição das desigualdades sociais e a um mundo justo e equilibrado, naufragaram triunfalmente. Depois os marxistas é que são acusados de "determinismo econômico"! O que é a tese de que os problemas sociais só se resolverão com o crescimento econômico de tipo capitalista senão a mais mecânica afirmação economicista?

O Brasil tinha como modelo os EUA e a Europa. Queríamos, na expressão de Galeano, ser como eles. Pois bem, já somos. Somos parte integrante do sistema capitalista mundial, no papel que nos cabe, como área de saque do imperialismo. Uma área especial que, devido ao grau de investimento imperialista dos grandes monopólios, constituímos como uma formação social com um capitalismo moderno e completo que inclusive ensaia seus primeiros movimentos no sentido do imperialismo tupiniquim, como tem teorizado Virgínia Fontes, sem, contudo, nunca sair de baixo das asas dos centros hegemônicos do imperialismo mundial.

Devemos recusar o papel miserável de entrar no debate que busca "como sair da crise". Devemos pautar o debate, o único que interessa aos trabalhadores, sobre qual forma de sociabilidade atende os interesses reais dos trabalhadores e da humanidade e pode, de quebra, evitar que ciclicamente todo o esforço produtivo seja destruído por uma nova crise que, para salvar o capital e suas taxas de lucro, destrói produtos, fábricas e seres humanos em uma escala genocida. Para nós, marxistas, existe essa alternativa: é necessário e urgente que a produção social da vida liberte-se das relações sociais de produção de tipo capitalista, superando a propriedade privada dos meios de produção e desenvolvendo as forças produtivas materiais como recursos coletivos e patrimônio da humanidade, e não propriedade dos monopólios burgueses, de maneira que possamos caminhar para a superação da forma mercadoria e afirmar a centralidade do valor de uso.

Nossa meta socialista pode ser compreendida por aqueles que nos interessam que a compreendam? Em grande parte esta é a arte da política, como disse Bourdieu: a política é a arte de "fazer crer que se pode fazer o que se diz" [7] . Nós acreditamos que sim e que podemos expressar os fundamentos de nossa proposta através de três afirmações muito simples: 1) ninguém pode se apropriar de recursos necessários à produção das condições que garantem a existência coletiva da humanidade; 2) ninguém pode se apropriar em caráter privado da força de trabalho humana, pois ela é a principal força de produção e o principal recurso comum da espécie para garantir sua existência, não podendo assumir a forma de uma mercadoria; e 3) a riqueza coletivamente produzida não pode ser acumulada privadamente.

Como dizia Brecht, "uma coisa muito simples, dificílima de ser feita". No entanto, nesse ponto a crise nos ajuda, Nunca ficou tão didático o caráter destrutivo da atual forma do capitalismo monopolista e imperialista, nunca ficou tão evidente a falácia do mito liberal, nunca foi tão urgente dotar a humanidade de uma alternativa para além da ordem do capital.

Os liberais, velhos, neos e recentes; os pós-modernos, pós-industriais, pós-socialistas; todos timidamente voltam ao "refugo das livrarias vermelhas", ao qual Keynes havia condenado a leitura marxista como nada tendo de aplicabilidade prática para os tempos modernos, para discretamente voltar a ler Marx e entender o que se passou e o que seus ideólogos não conseguem lhes explicar. Marx, hoje, volta a rondar a Europa, os EUA, a Ásia, nossa América Latina. Não somos mais um mero espectro. Somos cada vez mais de carne, osso, sangue e sonhos, enquanto eles se transformam a cada dia em fantasmas.
Notas

1 Apresentado inicialmente no Seminário sobre a Crise Econômica Mundial, promovido pelo PCB São Paulo em novembro de 2008 e modificado para a publicação.

2 Offe, Claus. Capitalismo desorganizado. São Paulo: Brasiliense, 1984, p. 195.

3 Keynes, John Maynard. A short view of Rússia [1925]. Apud Meszáros, Istvan. Para além do Capital. São Paulo: Boitempo, 2002, p. 16.

4 "Max Weber e Durkheim falharam menos estrondosamente que Marx nas suas previsões". (Santos, Boaventura de Souza. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. São Paulo: Cortez, 1999, p. 34.) Do mesmo autor podemos citar a seguinte passagem: "Se o marxismo é uma ciência tem que se submeter à prova dos fatos e os fatos não vão no sentido previsto por Marx" (idem p. 25)

5 Para uma análise crítica sobre a tese da crise final, ver O encontro da revolução com a História, de Valério Arcary (São Paulo: Xamã/ Institute Rosa Sundermann, 2006)

6 Ver o capítulo XIV, do livro III, volume 4 de O Capital de Karl Marx.

7 Bourdieu, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertran Brasil, 1998, p. 185.

[*] Membro do Comitê Central do PCB .

O original encontra-se em pcb.org.br/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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CANTA O MERLO: USA-Vaticano, o novo genocido programado

EEUU e Vaticano aliados contra a Nossa América Bolivariana

Carlos Antón e Carlos Vélez - www.aporrea.org
15/03/13 - www.aporrea.org/internacionales/a161448.html

No primeiro parágrafo do 18 Brumario, Marx expressa: "Hegel di em algumha parte que todos os grandes factos e personagens da história universal aparecem, coma se dixéssemos, duas vezes. Mas esqueceu-se de agregar: umha vez como tragédia e a outra como farsa".

Talvez na América Latina toca-nos viver duas vezes (ou mais) a tragédia.

A entronizaçom do cardeal de Bos Aires, Jorge Bergoglio como o papa Francisco, nom pode ser tomada "ainda polos cristaos católicos argentinos- com veemência chauvinista. Ao invés, o drama ao que assistimos é que, mais umha vez a maridagem CIA"Vaticano refunda-se para acometer com a sua fúria aos povos em revoluçom. A ALBA, a CELAC, a UNASUR, a revoluçom bolivariana estám na mira dos seus mísseis e da sua cruz. Como há 500 anos a espada e a cruz contra os povos.

EEUU-Vaticano um velho maridagem

A finais da Segunda Guerra Mundial, depois de invadir a Itália, aos EEUU criou-se-lhe um problema, como reconstruir o Estado italiano ao serviço do capital. O caso é que o único sector cujo prestígio era reconhecido polo povo italiano eram os comunistas. O PCI, que ganhara as suas medalhas na luta antifascista, ademais foram os que ajustiçárom a Benito Mussolini, il Ducce. E para complicar mais a questom estavam armados.

De ali que os ianques conceberam um plano que descansou sobre três eixos: o Vaticano, a máfia e eles mesmos. Washington proveu o dinheiro, a máfia italiana os sicários para assassinar comunistas e semear o terror e o Vaticano santificou a cruzada à vez que rearmava a velha Democracia Cristá. Eram os tempos do papa Pio XII, também conhecido como o papa-nazista.

Anos mais tarde mais tarde, a fins dos anos ´70 chega ao Vaticano Joám Paulo II (1978) em tanto que Ronald Reagan o fai à presidência dos EEUU (1980).

A entronizaçom do cardeal polonés, foi um acto mais da Guerra Fria e da ofensiva ianque contra a Uniom Soviética e o comunismo. A aliança entre a CIA e o Opus Dei permitiu que, à morte de Paulo VIM depositassem a Karol Wojtyla -o homem que o Opus elegeu para ser papa- na "cadeira de Som Pedro". A tal ponto era um soldado fiel Karol Wojtyla, que na Vila Tevere, esquadra geral do Opus Dei em Roma baixou a rezar ante a tumba de monsenhor Escrivá de Balaguer (criador da ordem) antes de entrar no conclave do que sairia Papa.

A luta contra o comunismo de Joám Paulo II tivo um capítulo especial na América Latina. Por esses anos os sandinistas derrocaram ao dictador nicaraguano Anastasio Somoza, e contra todas as possibilidades da época erigírom um governo popular (1979) na Nicarágua de Sandino. No governo vermelho e preto, quatro sacerdotes católicos eram ministros. A influência da chamada igreja dos pobres, que se sustinha na Teologia da Libertaçom, cresceu por Centro América e o resto da América Latina.

Entom o Vaticano e Washington decidiram que algo havia que fazer.

Enquanto Reagan instalava aos contras na fronteira entre Honduras e Nicarágua para atacar aos sandinistas, o Vaticano organizou a viagem de Wojtyla a Nicarágua, como umha nova cruzada. Agora contra a heresia comunista. Muito já se escreveu sobre esses factos e deixamos aí a crónica.

Finalmente a igreja alcançou domesticar e emudecer aos curas dos pobres, em tanto um dos períodos mais reaccionários do século XX expandia-se sobre o planeta e a América Latina. A maridagem entre EEUU e o Vaticano, colheitava seus frutos.

Os povos latino americanos rebelam-se

Trás a denominada Década perdida os povos latino-americanos retomaram a iniciativa nas lutas sociais e políticas. Da pouco tenhem-se conformando governos populares, e em Venezuela um coronel do exército chegou à presidência. Com Hugo Chávez Frias, o continente encontrou um líder revolucionário, que sintetizou os sentimentos populares, inclusive os religiosos com a teoria do socialismo. E nasceu a revoluçom bolivariana cujo exemplo se expandiu polo continente e polo planeta.

Com altibaixo a revoluçom foi-se consolidando, mas o 5 de Março, sofremos um terrível golpe. Faleceu o comandante Chávez. E ainda que o povo venezuelano está galvanizado e se apresta a dar duras batalhas para fortalecer a revoluçom, todos fomos impactados por esta morte.

Na outra ponta do mundo, outra notícia comoveu à freguesia católica. O papa Benedito XVI, o cardeal Ratzinger (ex membro das mocidades hitlerianas nos anos ´40) renunciou ao papado.

Foi-se.

As razons ainda som motivo de especulaçom. Mas mais ali de qualquer que se poda esgrimir, o verdadeiro é que este bispo ultra conservador nom pudo suster a batalha contra os povos do Terceiro Mundo. Este mundo de indigentes e rebeldes continua tentando revoluçons.

Mudar o libreto e dar de novo

Como com Wojtyla, o Vaticano e o imperialismo jogam umha carta forte. Hoje acabam de eleger a um papa latino-americano, argentino. Jorge Bergoglio, arcebispo da Cidade Autónoma de Bos Aires, será o próximo em sentar na cadeira de Sam Pedro. A missom nom pode ser mais clara, a mesma que lhe encarregaram ao polonés: acabar com os comunistas latino-americanos.

E o novo papa tem currículo para mostrar neste caso. Pertence à ordem das jesuítas que durante a ditadura genocida foram cúmplices com as sucessivas Juntas Militares e fundamentalmente colaboraram com o almirante Emílio Massera. A Bergoglio imputa-se-lhe um papel especial no operativo militar que culminou com o seqüestro dos religiosos Orlando Yorio e Francisco Jalics, em maio de 1976, que foram presos-desaparecidos durante cinco meses. Junto a eles também fôrom seqüestrados quatro catequistas e dous dos seus esposos. Entre eles estavam Mónica Candelária Mignone, filha do fundador do CELS (Centro de Estudos Legais e Sociais), Emílio Mignone, e Maria Marta Vázquez Ocampo, (filha) da presidenta das Maes da Praça de Maio. Isto foi detalhado polo jornalista Horácio Verbitsky, em dous livros e vários artigos jornalísticos.

Com a volta à democracia, e durante o governo do presidente Cristina Fernández de Kirchner, o arcebispo portenho enfrontou medidas progressistas impulsionadas polo governo nacional como o casal igualitário e o aborto terapêutico. Com respeito ao primeiro ponto expressou: "Nom sejamos ingénuos: nom se trata de umha simples luta política é a pretensom destrutiva ao plano de Deus. Nom se trata de um mero projecto legislativo (este é só o instrumento) senom de umha "movida" do pai da mentira que pretende confundir e enganar aos filhos de Deus". Ao ser regulamentado o aborto nom punível na Cidade, o entom arcebispo de Bos Aires deu a conhecer um comunicado, expressando que "avança-se premeditadamente em limitar e eliminar o valor supremo da vida e ignorar os direitos das crianças por nascer".

Em tanto os jornalistas chauvinistas, afirmam que o Bergoglio é o homem mais importante da história argentina.

Um mar de mortos separam-nos. Enquanto de um lado está a Igreja católica e o papa Francisco -cúmplices e encobridores da ditadura genocida na Argentina- do outro está o povo, a classe trabalhadora e heróis verdadeiros da talha do Ché, Sam Martín, Mariano Moreno, Juana Azurduy e outros tantos e tantas que lutárom por umha pátria sem opressores.

Ninguém pode chamar-se a engano, Francisco será um papa reaccionário como o que mais e o seu papel é combater aos povos latino-americanos em revoluçom. O Vaticano tomou devida conta de que Chávez e a revoluçom bolivariana nom é o cuco comunista que "fusila curas" contra o que eles estavam acostumados combater. O chavismo -mais ali das crenças pessoais de cada pessoa- alcançou que o cristianismo seja visto novamente polos crentes como a religiom dos pobres, dos deserdados, dos que lutam pola sua redençom cá na terra apontando com a sua rebeldia aos poderosos e os capitalistas. Para o imperialismo e o Vaticano, isso é mais perigoso que o velho comunismo ateu ao que combateram por décadas.

Para os povos, os militantes, os revolucionários da América Latina nom pode haver confusom. O imperialismo vem por nós, vem exterminar as revoluçons em marcha, a esmagar toda a semente de rebeldia. Ademais da IV frota, as bases militares, a ONG desestabilizadoras, agora trai-se um papa debaixo do braço.

Fechar fila contra o imperialismo e os seus lacaios é consigna da hora.

Viveremos e venceremos

Até o socialismo sempre

*antonfoyel@gmail.com

14-03-2013

Link permanente 11:17:23, por José Alberte Email , 669 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O Vaticano, fonte do fascismo

Francisco vem disputar o consenso social
por Julio C. Gambina [*]

A Igreja é parte do poder mundial, e não só do poder económico. A Igreja disputa historicamente o consenso da sociedade. É uma realidade a considerar em tempos de crise capitalista, considerada também uma crise de civilização uma vez que esta civilização contemporânea está ordenada pelo regime do capital, ou seja, pela exploração do homem pelo homem, pela depredação da Natureza.

Quando o sistema mundial era desafiado pelo avanço dos povos e pelo socialismo (como forma que tentava ser alternativa da ordem mundial) abriu-se caminho a teologia da libertação, em aberta confrontação com o poder institucional de uma Igreja retrógrada. Assim, a Igreja dos pobres mostrava-se a partir do Sul do mundo, mais precisamente da Nossa América. A Igreja oficial não podia negar este rumo que abria passagem entre os padres de base e permitiu um grande debate mundial no seio da Igreja.

Os rumos da ofensiva popular batiam à porta da instituição. A resposta contemporânea da instituição Igreja foi acompanhando a ofensiva capitalista para recuperar o poder do regime do capital. Essa ofensiva materializou-se nos anos 80 contra o socialismo e os povos, abrindo o caminho ao poder reaccionário dos Ratzinger e dos Bergoglio.

Há 40 anos o neoliberalismo foi ensaiado em nossos territórios com as ditaduras e o terrorismo de Estado, para a seguir estender-se por toda a orbe. A Igreja da Argentina, salvo honrosas e escassas excepções, acompanhou a ditadura genocida nesse parto neoliberal, ainda que agora fale contra a pobreza e a ética.

Um PAPA polaco chegou à Igreja para acompanhar o princípio do fim da experiência socialista, ainda que se discuta o próprio carácter daquela experiência. O capitalismo mundial necessitava do Leste da Europa. A Alemanha assim o entendeu. Os EUA também. Sem o Leste da Europa, já abandonado o projecto socialista original, o mundo deixou de ser bipolar e constituiu-se o rumo unipolar do capitalismo, transnacional e neoliberal.

O rumo unipolar está a ser desafiado pela mudança política na Nossa América e o ressurgir do socialismo, seja pela mão da revolução cubana ou pelos processos específicos que emergem em alguns países (Venezuela ou Bolívia), inclusive em variados movimentos políticos, sociais, intelectuais, culturais, na nossa região.

Com a morte de Chávez e milhões mobilizados para constituírem-se em sujeitos pelo cumprimento do legado revolucionário e socialista de Hugo Chávez, a Igreja lança à arena o símbolo de um chefe da Igreja nascido no Sul e compenetrado com o projecto do Norte.

O PAPA argentino, Francisco, vem cumprir o projecto do poder mundial para disputar o consenso da sociedade, especialmente dos povos. Não só se trata de sustentar posições contrárias ao matrimónio igualitário, ou contra o aborto, amplamente difundidas pelo bispo Bergoglio, como de gestar uma consciência de disciplinamento para com a ordem contemporânea, reaccionária, de dominação transnacional.

Nossa América é hoje laboratório de mudança política. A Igreja instituição quer intervir neste processo – não para pressionar essas mudanças e sim para travá-las. A disputa é pelas consciências. É uma batalha de ideias, pela mudança, ou pelo retrocesso. Preocupa-os o efeito Chávez na região. Preocupa-os a sucessão política na Venezuela e a capacidade de estender o rumo socialista. Necessitam disputar o consenso.

Mas, apesar das tentativas institucionais para acompanhar a ofensiva do capital contra o trabalho, os trabalhadores e os sectores populares, incluída a igreja dos pobres, o movimento religioso popular, persiste na busca pela organização da sociedade do viver bem (Bolívia), do bom viver (Equador), do socialismo cubano, ou da luta pela emancipação social de grande parte da sociedade dos de baixo na Nossa América.

O PAPA Francisco I vem com a sua. Nós os povos devemos continuar nossa busca e experimentação em favor de uma nova sociedade, por outro mundo possível, esse que se constrói na luta contra a exploração, pela emancipação social, contra o capitalismo e o imperialismo, pelo socialismo.
13/Março/2013

Ver também:
juicioesma.blogspot.pt/2010/11/el-cardenal-bergoglio-que-tanto-sabe.html
www.infoeducasares.com.ar/?p=1223
www.taringa.net/...

[*] Presidente da Fundación de Investigaciones Sociales y Políticas, FISYP .

O original encontra-se em http://www.argenpress.info/2013/03/francisco-i-viene-disputar-consenso.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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