Categoria: Ensaio

27-07-2015

Link permanente 09:38:33, por José Alberte Email , 114 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Estamos numa depressão global, não numa recessão

ESTAMOS NUMA DEPRESSÃO GLOBAL, NÃO NUMA RECESSÃO
http://resistir.info/

A vendas mundiais da Caterpillar estão há 31 meses em declínio consecutivo. Esta transnacional das máquinas pesadas está presente em todos os continentes e as suas vendas constituem um bom indicador do estado da economia mundial. Por ocasião do colapso de 2008 a Caterpillar experimentou um declínio consecutivo de "apenas" 18 meses. Se agora já vai nos 31 meses, será que ainda se pode falar em "recessão conjuntural"? Esta notícia na verdade mostra uma depressão na plena acepção da palavra, longa e prolongada. Contudo, o jornalismo económico português não publica notícias ou análises como esta – só aquelas que promovam a "confiança dos mercados". Chama-se a isto desinformação por omissão.

05-07-2015

Link permanente 13:51:50, por José Alberte Email , 762 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Grécia: Ganhar a batalha, continuar a guerra

http://elterritoriodellince.blogspot.com.es/

Ganhar a batalha, continuar a guerra

Hoje é o dia. Hoje Grécia vota e comentei que apoio o "nom". Ocasional e consciente das circunstâncias. Há que lembrar a Protágoras quando dixo que "o homem é a medida de todas as cousas". Grécia está a optar entre o dilema de se o homem é sob medida de todas as cousas ou o é o dinheiro.

Syriza já nom tem ilusons, a gente já nom tem ilusons. Syriza é social-democrata e comportou-se como tal, aceitando todas e cada umha das propostas de "as instituiçons", antes chamadas Troika, ainda que com muito suaves matizaçons. Syriza nunca esteve disposta a jogar as duas grandes baças que tem, a saída do euro e a saída da NATO. A Troika sempre foi consciente disso, polo que actuou em conseqüência. O referendo nom é mais que a tentativa de legitimar "democraticamente" o acordo menos mau: optar entre a morte e a amputaçom. Syriza nom é que seja débil, que o é; é que elegeu ser débil, polo que agravou as dúvidas da populaçom grega.

O voto "nom" fai parte da batalha, umha batalha na que ocasionalmente há que estar junto a Syriza. Mas até aí. Se se ganha a batalha, de imediato há que continuar a guerra. Incluindo a Syriza.

Syriza poda que considere que se ganha o "nom" conta com o apoio incondicional do povo e fazer como quando um barco muda de rumo: aparentemente avança mas o que fai é traçar um círculo para voltar ao mesmo ponto onde decidiu mudar de rumo. Isso é o referendo. Syriza pode considerar, se ganha o "nom", que está legitimada para voltar onde estava quando decidiu aceitar todas e cada umha das propostas da Troika, ainda que matizando ligeiramente algumhas. Isso é o que há que impedir. Se se ganha a batalha, há que continuar para ganhar a guerra. E isso inclui combater contra Syriza e o que representa com mais coragem que até agora porque já se produziu umha derrota da Troika.

A UE tentou silenciar o relatório do FMI que reconhece que a dívida grega é impagável, que há que ir a umha tira que Syriza estabelece em 30%. É dizer, que é a própria Syriza a que estabelece o que há que pagar e o que nom, descarregando do peso da decisom a "as instituiçons". Syriza nom quer aproveitar um relatório demolidor "e haverá que analisar por que EEUU pressionou para que se conhecesse precisamente agora, antes do referendo, em contra do que pretendia a UE- para desacreditar ao FMI, ao Banco Central Europeu e à Comissom Europeia. Trás este relatório som entidades sem credibilidade algumha, se é que tinham algumha. Mas Syriza sai no seu defesa estabelecendo um tope para tira-a, a terceira parte. Só a terceira parte.

Mas é que, ademais, este relatório é determinante para Espanha, para Portugal, para a Irlanda porque pom de manifesto que todo o que se fixo, a destruiçom dos sistemas públicos de saúde, educaçom, trabalhos era perfeitamente evitável. Ao nom insistir na falta de pagamento da dívida, Syriza é corresponsável de todo isso.

Nom há outra saída que abandonar o euro. A teimosia de Syriza em seguir no euro é suicida. É garantir o desastre financeiro e económico a curto, meio e longo prazo baixo a aparência do pam para hoje ainda que seja fame para manhá. Syriza nom só é social-democrata, senom euro-fanática. Dentro da Europa há muitos países que mantem a sua moeda e nom passa nada. Nom se derrubárom nem estám na bancarrota. Inclusive Grécia poderia aprender do seu inimigo Turquia, que nom está na UE, mantém a sua moeda e cresce economicamente (nom vou entrar noutros parâmetros políticos ou económicos, senom que só menciono o mesmo que outros fam com o euro, que sem o euro seria a quebra o que nom é real em absoluto). Por exemplo, Dinamarca mantém a sua moeda, a coroa, e nom passa nada. Por exemplo, Roménia mantém a sua moeda, o leu, e nom passa nada. É mais, segundo os parâmetros capitalistas inclusive Roménia cresceu o dobro desde que está na UE enquanto que Grécia já vemos onde está com o euro. nom caíram as suas exportaçons, ao contrário.

Na zona euro só há um ganhador: Alemanha. Que os avôs e avós gregos nom podam cobrar as suas pensons deve-se unicamente a que os bancos alemáns foram salvados das perdas porque se descarregárom estas perdas nos gregos, por exemplo. Por isso Grécia deve abandonar o euro. E o mesmo vale para outros países como Espanha ou Portugal.

O Lince

02-07-2015

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Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Carta de Albert Einstein alertando para o fascismo sionista em Israel

Carta de Albert Einstein alertando para o fascismo sionista em Israel

– Carta enviada ao New York Times em 1948 em protesto contra a visita de Menachem Begin


por Albert Einstein
Universidade de Harvard, 4 de dezembro de 1948

Cartas ao Editor
New York Times

4 de dezembro de 1948

Aos editores do New York Times:

Entre os fenómenos políticos mais perturbadores da nossa época, está o aparecimento, no recém-criado estado de Israel, do "Partido da Liberdade" (Tnuat Haherut), um partido político muito parecido, na organização, nos métodos, na filosofia política e no apelo social, com os partidos nazis e fascistas. Formou-se a partir dos membros do antigo Irgun Zvai Leumi, uma organização terrorista, de extrema-direita e chauvinista na Palestina.

A atual visita do líder deste partido, Menachem Begin, aos Estados Unidos, é obviamente calculada para dar a impressão do apoio americano ao seu partido nas próximas eleições israelenses e para cimentar os elos políticos com os elementos sionistas conservadores nos Estados Unidos. Vários americanos de reputação nacional emprestaram os seus nomes para dar as boas-vindas a esta visita. É inconcebível que os que se opõem ao fascismo, em todo o mundo, se é que estão corretamente informados quanto ao registo político e às perspetivas de Begin, possam juntar o seu nome e apoio ao movimento que ele representa.

Antes que haja prejuízos irreparáveis, com contribuições financeiras, manifestações públicas a favor de Begin, e a criação na Palestina da impressão de que há na América um grande segmento que apoia elementos fascistas em Israel, o público americano tem que ser informado quanto ao passado e quanto aos objetivos de Begin e do seu movimento. As declarações públicas do partido de Begin não são de forma alguma indicadoras do seu verdadeiro caráter. Agora falam de liberdade, de democracia e de anti-imperialismo, mas recentemente pregavam abertamente a doutrina do estado fascista. É pelas suas ações que o partido terrorista revela o seu verdadeiro caráter; pelas suas ações do passado podemos avaliar o que podemos esperar no futuro.

Ataque a uma aldeia árabe

Um exemplo chocante foi o seu comportamento na aldeia árabe de Deir Yassin. Esta aldeia, afastada das estradas principais e rodeada de terras judaicas, não tomou parte na guerra e até lutou contra grupos árabes que queriam utilizar a aldeia como sua base. A 9 de abril (The New York Times), bandos de terroristas atacaram esta aldeia pacífica, que não era um objetivo militar no conflito, mataram a maior parte dos seus habitantes – 240 homens, mulheres e crianças – e deixaram vivos alguns deles para os exibirem como cativos, pelas ruas de Jerusalém. A maior parte da comunidade judaica ficou horrorizada com esta proeza e a Agência Judaica enviou um telegrama de desculpas ao Rei Abdulah da Transjordânia. Mas os terroristas, longe de se envergonharem da sua ação, ficaram orgulhosos com este massacre, deram-lhe ampla publicidade e convidaram todos os correspondentes estrangeiros no país para verem as pilhas de cadáveres e o caos em Deir Yassin. O incidente de Deir Yassin exemplifica o caráter e as ações do Partido da Liberdade.

Na comunidade judaica, têm pregado uma mistura de ultranacionalismo, misticismo religioso e superioridade racial. Tal como outros partidos fascistas, têm sido usados para furar greves e estão apostados na destruição de sindicatos livres. Em vez destes, propõem sindicatos corporativos de modelo fascista italiano. Nos últimos anos de esporádica violência antibritânica, os grupos IZL e Stern inauguraram um reinado de terror na comunidade judaica palestina. Espancaram professores que falavam contra eles, abateram adultos a tiro por não deixarem que os filhos se juntassem a eles. Com métodos de gangsters, espancamentos, destruição de montras e roubos por toda a parte, os terroristas intimidaram a população e exigiram um pesado tributo.

A gente do Partido da Liberdade não tomou parte nas ações de construção da Palestina. Não reclamaram terras, não construíram colonatos, e só denegriram a atividade defensiva judaica. Os seus esforços para a imigração, amplamente publicitados, foram mínimos e dedicados sobretudo a dar entrada a compatriotas fascistas.

Contradições observadas

As contradições entre as afirmações ousadas que Begin e o seu partido andam a fazer, e o registo do seu comportamento passado na Palestina, não têm a marca de qualquer partido político vulgar. Têm o carimbo inconfundível dum partido fascista para quem o terrorismo (contra judeus, árabes e britânicos, igualmente) e a falsidade são os meios, e o objetivo é um "Estado Líder".

À luz destas considerações, é imperativo que o nosso país tome conhecimento da verdade sobre Begin e o seu movimento. É tanto mais trágico quanto os líderes de topo do sionismo americano se recusaram a fazer campanha contra os esforços de Begin, e muito menos denunciar aos seus apaniguados os perigos para Israel do seu apoio a Begin.

Os abaixo assinados utilizam, assim, este meio para apresentar publicamente alguns factos relevantes, relativos a Begin e ao seu partido; e para apelar a todos os interessados que não apoiem esta manifestação tardia de fascismo.
Isidore Abramowitz
Hannah Arendt
Abraham Brick
Rabbi Jessurun Cardozo
Albert Einstein
Herman Eisen, M.D.
Hayim Fineman
M. Gallen, M.D.
H.H. Harris
Zelig S. Harris
Sidney Hook
Fred Karush
Bruria Kaufman
Irma L. Lindheim
Nachman Maisel
Seymour Melman
Myer D. Mendelson
M.D., Harry M. Oslinsky
Samuel Pitlick
Fritz Rohrlich
Louis P. Rocker
Ruth Sagis
Itzhak Sankowsky
I.J. Shoenberg
Samuel Shuman
M. Singer
Irma Wolfe
Stefan Wolf.

Nova Iorque, 2 de dezembro, 1948

Ver também:
Porquê o Socialismo? , Albert Einstein
"O perigo fascista e o desemprego" , Albert Einstein
Einstein, a bomba e o FBI , Jean Pestieau

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... . Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
03/Abr/15

30-06-2015

Link permanente 19:35:28, por José Alberte Email , 576 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Grécia - Paul Krugman: Grécia nom deve temer abandonar o euro

http://actualidad.rt.com/economia/178952-grecia-nobel-economia-crisis-euro-referendum

Nobel de Economia explica "forte e claro" por que Grécia nom deve temer abandonar o euro

Partindo da base de que a criaçom do euro "foi um terrível erro", o economista Paul Krugman, ganhador do prémio Nobel em 2008, fai umha radiografia muito concreta das causas reais e os mitos que se tecem por volta da crise na Grécia. Tendo em conta que neste domingo o país vai celebrar um referendo sobre a conveniência de aceitar as exigências da Troika de reforçar, ainda mais, a austeridade, o perito deixa as cousas claras.

"A situaçom na Grécia alcançou o que parece ser um ponto sem retorno. Os bancos estám fechados temporariamente e o Governo impós controlos de capital (limites ao movimento de fundos ao estrangeiro). Parece muito provável que o Executivo logo tenha que começar a pagar as pensões e os salários em papel, o que, na prática, criaria umha moeda paralela", ressalta Krugman num artigo publicado em 'The New York Times'.

"É evidente que a criaçom do euro foi um terrível erro. Europa nunca tivo as condiçons prévias para umha moeda única de sucesso, e sobretodo, o tipo de uniom fiscal e bancária", assinala o Nobel, mas agrega que abandonar umha uniom monetária é umha decisom "bem mais difícil e mais aterradora" e ressalta que até agora as economias europeias com mais problemas deram um passo atrás quando se encontravam "ao bordo do abismo".

Grécia deve votar 'nom', e o seu Governo deve estar listo para abandonar o euro se é necessário."

"Devemos primeiro ser conscientes de que a maioria de cousas que ouvimos sobre o esbanjamento e a irresponsabilidade grega som falsas. Sim, o Governo grego estava a gastar mais ali das suas possibilidades a finais da década dos 2000. Mas, desde entom recortou repetidamente o gasto público e aumentou a arrecadaçom fiscal", ressalta o economista. Ademais, o emprego público haver caído mais de 25% e as pensões, que eram certamente demasiado generosas, reduziram-se drasticamente. Todas as medidas foram, em soma, "mais que suficientes para eliminar o deficit original e convertê-lo num amplo superavit".

O Grexit, a saída da Grécia do euro, nom é necessariamente conveniente. "O problema do Grexit foi sempre o risco de caos financeiro, de um sistema bancário bloqueado polas retiradas, represa do pânico e de um sector privado obstaculizado tanto polos problemas bancários como pola incerteza sobre o status legal das dívidas".

Mas a Troika rejeitou a opçom de manter a austeridade nos níveis actuais. Agora o ponto crave é que os credores ofereceram a Grécia um "toma-o ou deixa-o", umha oferta indistinguível das políticas do últimos cinco anos.

"Esta oferta está destinada a ser rejeitada polo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras: nom pode aceitá-la porque suporia a destruiçom da sua razom de ser política. Portanto, o seu objectivo deve ser levar-lhe a abandonar o seu cargo".

"A adesom ao ultimato da Troika levaria o abandono definitivo de qualquer pretensom de independência da Grécia. Nom nos deixemos enganar por aqueles que afirmam que os funcionários da Troika som só técnicos que explicam aos gregos ignorantes o que devem fazer. nom é umha questom de análise; é umha questom de poder: o poder dos credores para tirar do conexom da economia grega, que persistirá enquanto a saída do euro considere-se impensável".

Assim, Krugman adverte que é hora de pôr fim a este inimaginável. "De nom ser assim Grécia se enfrontara à austeridade infinita e a umha depressom de cujo final nom se tem nengumha pista".

29-06-2015

Link permanente 19:25:36, por José Alberte Email , 1348 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Sobre a libertação da Grécia

"A crença em que um carcereiro num campo de trabalhos forçados vai sancionar um dos prisioneiros expulsando-o desse mesmo campo é a estupidez acabada".

por João Vilela

A tentação para acharmos que o imperialismo é uma força indestrutível que tudo pode contra nós enquanto nós nada podemos contra ele constitui a base das teorias kruschevistas sobre a coexistência pacífica e, no fundo, não passa de um convite ao atentismo e à capitulação. Alguns tentam transformar este atentismo numa postura política digna, disfarçando-o (mal) de postura táctica. Já houve quem dissesse que a coexistência pacífica era – pasme-se! – um instrumento da luta de classes. Que belo destino teriam tido as revoluções do Vietname, de Cuba, das colónias africanas, se tal tese tivesse recebido o menor crédito.

As estruturas do imperialismo dão-lhe um enorme poder. É um facto. Mas nenhuma delas é invencível, e a crença mágica no Apocalipse que significa a libertação dos povos relativamente a elas, em termos de sanções e isolamento, é só mesmo isso – uma crença mágica. Uma cobertura pseudo-teórica para uma atitude, objectivamente, reformista. Pode haver justificações da mais variada ordem para uma atitude reformista, reconheça-se: mas o reformismo não passa a chamar-se outra coisa por ser justificável com a conjuntura.

As estruturas do imperialismo mostraram-se cediças recentemente, com os acontecimentos da Grécia. Perante um Governo ciente da impossibilidade de cumprir seja que papel histórico for, ficou exposta uma falha nos mecanismos da dominação europeia. A arquitectura da dominação imperialista dos países da periferia pelo centro alemão é fruto de uma aposta na conservação ficcional de Estados soberanos por falta de condições para o decreto unilateral de uma qualquer República Federal Europeia. Isto criou uma brecha que agora se expôs, e que os trabalhadores gregos têm sabido cavar e alargar num esforço dramático, heróico, pela sua libertação. Esforço tanto mais importante quanto é feito quase às escuras, sob orientações contraditórias e erradas, com uma barragem ideológica de fogo cerrado provinda tanto do imperialismo como do reformismo da euro-esquerda.

O caso é simples e conta-se em poucas linhas: apostado em negociar com a Alemanha, o Syriza apanhou pela frente a irredutibilidade alemã e começou a fazer concessões sucessivamente, temendo sair do euro, temendo sair da UE, temendo a fome, a miséria, o caos, os filhos que matariam mães e os pais que almoçariam filhos se deixasse de drapejar a obscena bandeira azul com estrelinhas sobre os céus de Atenas. Perante as cedências acumuladas, a reacção dos gregos não se fez esperar, desde logo dentro do Syriza: históricos como Manolis Glezos pediram desculpas por apelar ao voto em Tsipras; membros do Comité Central do Syriza, como Stathis Kouvelakis, vieram referir que de há muito vinham sendo denunciadas as ilusões europeístas da direcção de Tsipras; enquanto isso, o movimento sindical de classe da Grécia, organizado na central PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores), desenvolveu uma avassaladora ofensiva popular contra a capitulação do Syriza. Contam por dezenas as manifestações, as greves, com especial incidência no sector da saúde e da indústria; foram desenvolvidas formas de luta cada vez mais avançadas, de que a ocupação do Ministério das Finanças no passado dia 13 de Junho constituiu um exemplo importante. Ao mesmo tempo, é justo referir aqui o papel desempenhado por outra estrutura anticapitalista grega, a Conspiração das Células de Fogo, de raiz anarco-sindicalista, que invadiu e ocupou a sede nacional do Syriza e cujos activistas, em Abril, cercaram e procuraram agredir o ministro das Finanças, Yannis Varoufakis, à saída de um restaurante em Atenas.

Ante esta reacção popular abrupta e determinada, o Syriza não pôde prosseguir a senda de concessões e cedências com que iniciou o seu mandato. Teve de mudar de estratégia, e agir como se estivesse a fazer músculo perante as instituições europeias. A resposta destas foi uma ameaça de expulsão, ameaça que a não ser na cabeça dos Franciscos Louçãs deste mundo não cabe na cabeça de ninguém: a crença em que um carcereiro num campo de trabalhos forçados vai sancionar um dos prisioneiros expulsando-o desse mesmo campo é a estupidez acabada. A ameaça (que põe o Syriza em guarda e provavelmente assusta uma parte dos trabalhadores gregos, apesar de tudo intoxicados pela propaganda do "a UE ou o caos"), é estúpida, como se vê, e exprime o limite material que a UE encontrou para continuar a espoliar o povo grego dentro da actual configuração do sistema. Mas nem por isso deixou de desencadear uma série de protestos por toda a Europa exigindo solidariedade europeia para com os gregos e... a refundação do projecto europeu, depurado da austeridade, e posto ao serviço dos povos...

Se queremos ser solidários com os gregos, não podemos dizer-lhe que fiquem no campo de prisioneiros connosco, assegurando-lhe que usaremos toda a nossa influência junto dos carcereiros do sítio para obter melhor tratamento para eles. Se conseguiram fazer uma pequena abertura na parede da sua cela, aproveitando uma debilidade da estrutura, o incentivo a dar-lhes é o de que continuem a alargar esse buraco, a cavar essa brecha, a alargar o caminho por onde passarão rumo à liberdade deste pesadelo prisional que a UE significa. Se não querem troika, libertem-se. Se não querem tratado orçamental, libertem-se. Se não querem austeridade, libertem-se. Aqueles que cá ficarem, por teimosia ou dolo dos seus Governos, nunca se livrarão de tal coisa, e é ridículo se se convencerem do contrário.

Isto coloca duas tarefas centrais aos trabalhadores gregos e às suas organizações na luta por uma efectiva ruptura anti-imperialista: a primeira é a compreensão de que esta debilidade estrutural da arquitectura da UE não um erro insanável, mas apenas um percalço da estrutura, facilmente resolúvel da forma como, usualmente, quer os Estados quer as organizações internacionais da burguesia geralmente resolvem estes assuntos – ou com golpes de Estado a favor de quem manda contra o Governo que hesita, ou com invasões liminares e imposição da vontade do centro imperialista. A segunda hipótese pode ser mais improvável, mas a primeira, por mecanismos mais ou menos palacianos, tem campo aberto para ser aplicada. As massas devem ter organização, capacidade de mobilização de massas, de tomar as ruas, de enfrentar a repressão – mas o seu objectivo histórico não é resistir. A missão histórica do proletariado é tomar o poder e edificar o socialismo e o comunismo. O momento em que o proletariado grego ou se lança no assalto dos céus ou é cilindrado pelo aparelho repressivo está a aproximar-se a passos largos, e é vital que as estruturas que o representam e lideram comecem desde já acautelar essa situação.

Um outro ponto prende-se com o dia seguinte, o tal dia em que, a fazer fé nas previsões de Merkel e Juncker, de Rui Machete e Nuno Rogeiro, o trigo crescerá para dentro da terra nos campos gregos, as árvores recusarão entregar os seus frutos, e as crianças se negarão a sair dos ventres maternos com medo desse mundo estranho com passaportes e sem quotas leiteiras. Até Tsipras já percebeu, embora o faça apenas por jogos florentinos (a faixa do Syriza, que corre mundo nos protestos de solidariedade promovidos pelos outros partidos-membros do Partido da Esquerda Europeia, onde se lê "Change Europe", diz tudo o que cumpre saber sobre a convicção da diligência), que a saída, após a UE, será um dos BRICs, e naturalmente a Rússia. Um projecto socialista e anti-imperialista pode manter relações, tácticas e à falta de melhor aliado, com uma potência capitalista cujas relações com outros Estados não se pautam propriamente por um respeito escrupuloso pela reciprocidade e a não-ingerência. Contanto saiba conservar a sua própria autonomia e soberania, desenvolvendo-a progressivamente, e contrapondo-a sempre a quaisquer pretensões hegemónicas que o novo aliado revele. Será sempre um trajecto difícil, complexo, cheio de espinhos e novidades difíceis de ponderar, o que a Grécia vai trilhar quando sair da União Europeia. Nunca se disse que o caminho para a libertação não tinha perigos, convivendo com grandes possibilidades. Tudo o que se sabe sobre esse caminho é que tem um horizonte vermelho. E isso, para os explorados e os oprimidos, chega.
22/Junho/2015

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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CANTA O MERLO: Grécia: Fim da chantagem

Grécia: Fim da chantagem

Alexis Tsipras, "Discurso do Referendum", Atenas, 1h da madrugada - Concidadãos gregos, nesse momento pesa sobre nossos ombros a responsabilidade histórica pelas lutas e sacrifícios do povo grego para consolidar a democracia e a soberania nacional. Nossa responsabilidade pelo futuro de nosso país.

Aos cidadãos gregos

Já há seis meses estamos batalhando em condições sem precedentes de sufocamento econômico para implementar o mandato que recebemos dos cidadãos gregos dia 25 de janeiro.

O que estivemos negociando com nossos parceiros era pôr fim ao arrocho [não é 'austeridade', é arrocho] e fazer que a prosperidade e a justiça social voltassem ao nosso país.

Recebemos mandato para obter acordo sustentável que respeitasse simultaneamente a democracia e as regras comuns europeias e nos levasse afinal a sair da crise.

Ao longo desse período de negociações, nos pediram que implementássemos os acordos concluídos por governos anteriores com os Memorandos, apesar de eles já terem sido categoricamente condenados pelo povo grego nas recentes eleições.

Mas nem por um segundo consideramos a possibilidade de nos render, que é trair a confiança dos gregos.

Depois de cinco meses de dura barganha, nossos parceiros, infelizmente, lançaram no Eurogrupo, anteontem, um ultimato contra a democracia grega e o povo grego. Ultimato que contraria os princípios fundadores e os valores da Europa, os valores de nosso projeto europeu comum.

Disseram ao governo grego que teríamos de aceitar uma proposta que acumula nova carga insustentável para o povo grego e mina a recuperação da economia e da sociedade gregas, proposta que não apenas perpetua o estado de incerteza, mas acentua ainda mais as desigualdades sociais.

A proposta das instituições inclui: medidas para desregulação ainda maior do mercado de trabalho, cortes em aposentadorias, mais reduções nos salários do setor público e aumento do Imposto sobre Valor Agregado sobre comida, hospedagem e turismo, ao mesmo tempo em que se eliminam as vantagens tributárias que as ilhas gregas recebem.

Essas propostas violam diretamente os direitos sociais e fundamentais europeus: mostram que, no que tenha a ver com trabalho, igualdade e dignidade, a meta de alguns dos parceiros e instituições não qualquer acordo viável e benéfico para todas as partes, mas a humilhação de todo o povo grego.

Aquelas propostas destacam sobretudo a insistência do FMI em fórmulas do arrocho mais duro e punitivo e em tornar mais fácil do que jamais, para as grandes potências europeias colher a oportunidade e tomar iniciativas que afinal terminarão definitivamente com a crise da dívida soberana grega, crise que afeta outros países europeus e ameaça o próprio futuro da integração europeia.

Concidadãos gregos, nesse momento pesa sobre nossos ombros a responsabilidade histórica pelas lutas e sacrifícios do povo grego para consolidar a democracia e a soberania nacional. Nossa responsabilidade pelo futuro de nosso país.

E essa responsabilidade exige que respondamos àquele ultimato a partir do desejo soberano do povo grego.

Há pouco, em reunião do gabinete, sugeri que façamos um REFERENDUM de modo que o povo grego possa se manifestar de modo soberano. A sugestão foi aceita unanimemente.

Amanhã, a Câmara de Representantes será convocada em regime de urgência para apreciar a proposta do Gabinete, de que se realize um referendum no próximo domingo, 5 de julho, sobre se aceitamos ou rejeitamos a proposta que as instituições nos apresentaram.

Já dei conhecimento de minha decisão ao presidente da França, à chanceler alemã, ao presidente do Banco Central Europeu, e amanhã, por carta, solicitarei formalmente que os líderes e instituições da UE prorroguem por apenas uns poucos dias o atual programa, de modo a que o povo grego decida, livre de qualquer pressão ou chantagem, como exigem a Constituição grega e as tradições democráticas da Europa.

Concidadãos gregos,

à chantagem do ultimato que quer nos fazer aceitar arrocho [não é 'austeridade'; é arrocho] severo e degradante sem fim, sem qualquer possibilidade de recuperação social e econômica, peço que todos respondam de modo soberano e honroso, como o exige a história do povo grego.

Ao autoritarismo e ao arrocho, responderemos com democracia, decididamente e com calma.

A Grécia, berço da democracia, dará retumbante resposta democrática à Europa e ao mundo.

Pessoalmente me comprometo a respeitar o resultado de nossa escolha democrática, seja qual for. Tenho confiança absoluta de que a escolha da maioria honrará a história de nosso país e enviará ao mundo nossa mensagem de dignidade.

Nesses momentos críticos, todos temos de lembrar que a Europa é o lar comum dos povos. Que na Europa não há proprietários e hóspedes. A Grécia é continuará a ser parte integral da Europa e a Europa é parte integral da Grécia. Mas sem democracia, a Europa será amontoado de países sem identidade e sem bússola.

Convoco todos a manifestarem, em calma, nossa unidade nacional, para que tomemos as decisões certas. Por nós, pelas gerações futuras, pela história dos gregos. Pela soberania e dignidade de nosso povo. [Fim do discurso]

27/6/2015, Alexis Tsipras, "Discurso do Referendum", Atenas, 1h da madrugada
Jacobin Magazin (trad. ao ing. e links de Stathis Kouvelakis*)

24-06-2015

Link permanente 15:42:53, por José Alberte Email , 878 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: "O plano de ajuda à Grécia era ilegal e ilegítimo"

"O plano de ajuda à Grécia era ilegal e ilegítimo"

por Dominique Berns e Eric Toussaint [*]
entrevistados por Le Soir

Enquanto as negociações entre a Grécia e seus credores estão no ponto morto, a Comissão de auditoria da dívida, estabelecida pelo Parlamento grego, revela seu relatório nesta quarta e quinta-feira. O alvo: o "plano de salvamento" de Maio de 2010, concluído em condições "de irregularidade, de ilegitimidade e de ilegalidade", explica o coordenador científico da Comissão, o economista belga Eric Toussaint.

A Comissão de auditoria denuncia o "plano de salvamento" de Maio de 2010. Por que?

Porque há uma vontade conjunta do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Central Europeu (BCE), da Comissão, em acordo com vários governos chave, em particular o alemão e o francês, e do governo grego, de deformar a realidade e de apresentar a situação como resultante de uma crise grave das finanças públicas. Era entretanto a dívida privada que colocava o problema fundamental. Uma vez no euro, a Grécia e o sistema financeiro grego beneficiaram maciçamente de empréstimos dos grandes bancos, essencialmente franceses e alemães. Seguiu-se uma bolha do crédito privado. Entre 2001 e 2009, os empréstimos dos bancos gregos às famílias multiplicaram-se por sete e os empréstimos às empresas por quatro; ao passo que os empréstimos aos poderes públicos aumentavam somente 20%. Os bancos gregos efectuaram uma política aventureira, emprestando a médio e longo prazos e financiando-se a curto prazo. Em Dezembro de 2008, as autoridades gregas tiveram de injectar 5 mil milhões de euros de capitais no sistema bancário e conceder 23 mil milhões de garantias. Depois, em 2009, o PIB da Grécia caiu 4%; e agentes económicos, famílias e empresas começaram a encontrar dificuldades de reembolso. Em lugar de enfrentar a situação, o novo governo do sr. Papandreu optou por dramatizar a situação das finanças públicas.

Pouco após sua chegada ao poder, Papandreu anuncia que o défice público representava cerca de 14% do PIB – e não 6% como afirmava seu antecessor...

O governo Papandreu fez pressão sobre o Gabinete Grego das Estatísticas para agravar os números do défice e da dívida. A dívida foi assim inchada em 28 mil milhões, nela contabilizando 19 mil milhões de dívidas de empresas públicas, 4 mil milhões de despesas em medicamentos de hospitais e 5 mil milhões e swaps. Inicialmente, a direcção do Gabinete das Estatísticas contestava a integração destes montantes. O Eurostat, o gabinete europeu de estatística, igualmente. Depois o Eurostat aceitou. Ora, as regras do Eurostat não obrigavam a integrar estes 28 mil milhões na dívida. Dramatizar a situação das finanças públicas permitia ocultar os problemas bancários.

Para evitar impor perdas aos credores estrangeiros dos bancos gregos?

Sim. Assim como se afastou a possibilidade de uma reestruturação da dívida pública...

... Novamente para proteger os grandes bancos estrangeiros e lhes dar tempo para reduzir sua exposição. Isto é conhecido.

O ex-representante grego no FMI, Panayotis Roumeliotis, informou-nos que Jean-Claude Trichet, o [então] presidente do BCE, ameaçou Atenas de cortar a liquidez aos bancos gregos a partir de Abril de 2010 em caso de reestruturação. Os bancos gregos aproveitaram igualmente deste adiamento: entre 2010 e a reestruturação de Fevereiro-Março de 2010, sua exposição à dívida grega passou de 43 mil milhões para pouco de 20 mil milhões. Compreende-se porque tanto o sr. Papandreu como os srs. Trichet e Sarkosy, a sra. Merkel e a direcção do FMI se puseram de acordo em 2010 para excluir toda reestruturação da dívida. Ora, num documento interno de Março de 2010, o FMI espera que as medidas de ajustamento que vão ser impostas à Grécia provoquem uma queda da actividade económica e uma explosão do rácio da dívida pública em relação ao PIB de 150% em 2013. Problema: as regras não permitem ao FMI autorizar um país a exercer um direito de saque se a dívida não for sustentável. Eis porque estas regras foram mudadas, sob a pressão de países como a França ou a Alemanha, do BCE, da Comissão, com o acordo dos Estados Unidos. Portanto foi tomada uma decisão visando proteger os interesses de uma minoria privilegiada de grandes bancos privados, em detrimento do interesse geral. E como contrapartida a estes empréstimos maciços que transformaram dívidas privadas em dívidas públicas, foram ditadas aos sucessivos governos gregos medidas extremamente precisas em matérias de pensões, de salários, etc, que deviam ser aprovadas a mata-cavalos no Parlamento grego. Ora, os credores estavam conscientes das graves consequências económicas e sociais que estas medida iam provocar – nomeadamente a violação de uma série de convenções internacionais protegendo os direitos humanos, que a Grécia assim como os Estados credores teriam devido respeitar.

Qual pode ser a utilidade deste relatório?

O direito internacional permite a um Estado colocar um acto soberano de suspensão de pagamento sem acumulação de juros atrasados – portanto uma moratória unilateral – se a dívida estiver claramente marcada por ilegitimidade e se não puder ser reembolsada senão violando as obrigações em matéria de direitos humanos fundamentais. Mas a decisão caberá ao governo de Alexis Tsipras.

[*] Eric Toussaint: Mestre de conferências da Universidade de Liège, presidente do CADTM Bélgica e membro do conselho científico do ATTAC França.

Ver também:
La dette grecque est illégale, illégitime et odieuse selon le rapport préliminaire du Comité sur la dette
Hellenic Parliament’s Debt Truth Committee Preliminary Findings - Executive Summary of the report

O original encontra-se no jornal Le Soir de 17/Junho/15 e em cadtm.org/Le-plan-d-aide-a-la-Grece-etait

Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .

22-06-2015

Link permanente 19:47:41, por José Alberte Email , 2018 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Syriza: Saqueio, pilhagem e prostração

Syriza: Saqueio, pilhagem e prostração
– Como a "esquerda" abraça políticas de direita

por James Petras

A Grécia tem estado nas manchetes da imprensa financeira internacional durante os últimos cinco meses, quando o partido de esquerda recém eleito, o Syriza, que se opunha ostensivamente às chamadas "medidas de austeridade", confrontava directamente a Troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).

Inicialmente a liderança do Syriza, encabeçada por Alexis Tsipras, adoptou vários posicionamentos estratégicos com consequências fatais – em termos de implementação das suas promessas eleitorais de elevar padrões de vida, acabar com a vassalagem à Troika e seguir uma política externa independente.

Prosseguiremos esboçando os fracassos sistémicos iniciais do Syriza e as subsequentes concessões, corroendo mais uma vez padrões de vida gregos e aprofundando o papel da Grécia como um colaborador activo do imperialismo dos EUA e israelense.

Ganhar eleições e capitular ao poder

A esquerda norte-americana e europeia celebrou a vitória eleitoral do Syriza como uma ruptura com programas de austeridade neoliberais e como o lançamento de uma alternativa radical, a qual implementaria iniciativas populares para mudanças sociais básicas, incluindo medidas para gerar emprego, restabelecer pensões, reverter privatizações, reordenar prioridades do governo e favorecer pagamentos a empregados em relação a bancos estrangeiros. A "evidência" para a agenda de reforma radical estava contida no Manifesto de Salónica , o qual o Syriza prometeu que seria o programa condutor dos seus responsáveis recém eleitos.

Contudo, antes e imediatamente depois de serem eleitos, líderes do Syriza adoptaram três decisões básicas eliminando quaisquer mudanças significativas. Na verdade, estas decisões puseram em curso uma rota reaccionária .

Em primeiro lugar e acima de tudo, o Syriza aceitou como legítima a dívida externa de mais de 350 mil milhões de dólares, apesar de a maior parte ter sido assinada por anteriores governos cleptocratas, bancos, negócios, imobiliário e interesses financeiros corruptos. Virtualmente nada desta dívida foi utilizada para financiar actividade produtiva ou serviços vitais, os quais fortaleceriam a economia e a futura capacidade da Grécia para reembolsar os empréstimos.

Centenas de milhares de milhões de Euros foram escondidos longe através de contas em bancos e imobiliário estrangeiro ou investidos em acções e títulos além-mar. Depois de afirmar a "legitimidade" da dívida ilícita, o Syriza prosseguiu declarando sua "disposição" para pagar a dívida. A Troika imediatamente entendeu que o novo governo Syriza seria um refém receptivo a nova coerção, à chantagem e pagamentos da dívida.

Em segundo lugar, e relacionado com o acima, o Syriza declarou sua determinação de permanecer dentro da União Europeia e da Eurozona e portanto aceitou a rendição da sua soberania e da sua capacidade para moldar uma política independente. Declarou a sua disposição a submeter-se aos ditames da Troika. Uma vez sob a pata da Troika, a única política do Syriza seria "negociar", "renegociar" e fazer novas concessões aos bancos da UE num processo totalmente unilateral. A rápida submissão do Syriza à Troika foi a sua segunda traição estratégica, mas não a última, ao seu programa eleitoral.

Uma vez que o Syriza demonstrou à Troika a sua disposição para trair seu programa popular, a Troika escalou suas exigências e endureceu sua intransigência. Bruxelas descontou a retórica de esquerda do Syriza e seus gestos radicais de teatro como um sopro de fumaça nos olhos do eleitorado grego. Os banqueiros da UE sabiam que quando chegasse o momento de negociar novos acordos de empréstimo, a liderança do Syriza capitularia. Enquanto isso, a esquerda euro-americana engoliu toda a retórica radical do Syriza sem olhar para sua prática real.

Em terceiro lugar, ao tomar posse, o Syriza negociou uma coligação com a extrema-direita do Partido dos Gregos Independentes , pró NATO, xenófobo e anti-imigrantes, garantindo que a Grécia continuaria a apoiar políticas militares da NATO no Médio Oriente, na Ucrânia e a campanha brutal de Israel contra a Palestina.

Em quarto lugar, a maior parte dos nomeados para o gabinete do primeiro-ministro Tsipras não tinham experiência de luta de classe. Pior ainda, a maior parte eram académicos e antigos conselheiros do PASOK sem qualquer capacidade ou disposição para romper com os ditames da Troika. Sua "prática" académica consistia em grande parte de "combate" teórico, mal adaptado à confrontação no mundo real com potências imperiais agressivas.

De um arranhão à gangrena

Ao capitular à UE desde o início, incluindo a aceitação do pagamento da dívida ilegítima, enganchado à Extrema-direita e submisso aos ditames da Troika, o cenário estava pronto para que o Syriza traísse todas as suas promessas e agravasse o fardo económico dos seus apoiantes . As piores traições incluem: (1) não restabelecer pagamentos de pensões; (2) não restabelecer o salário mínimo; (3) não reverter privatizações; (4) não finalizar programas de austeridade; e (5) não aumentar fundos para educação, saúde, habitação e desenvolvimento local.

A Troika e seus publicistas na imprensa financeira estão a exigir que o Syriza corte ainda mais o sistema grego de pensões, empobrecendo 1,5 milhão de trabalhadores reformados. Ao contrário do que os media apresentaram como "exemplos" de pensões gordas desfrutadas por menos de 5% de pensionistas, os gregos sofreram as mais profundas reduções de pensões na Europa em mais de um século. Só nos últimos quatro anos a Troika cortou oito vezes as pensões gregas. A vasta maioria das pensões foi amputada em aproximadamente 50% desde 2010. A pensão média é de 700 Euros por mês mas 45% dos pensionistas gregos recebem menos de 665 Euros por mês – abaixo da linha de pobreza. Mas a Troika exige reduções ainda maiores. Estas incluem por fim a subsídios orçamentais a pensionistas que vivem em pobreza extrema, um aumento na idade de reforma para 67 anos, uma abolição de disposições de pensões ligadas a ocupações perigosas e para mães trabalhadoras. As medidas regressivas prévias, impostas pela Troika e implementadas pelo regime anterior da coligação de direita, esgotou gravemente o fundo de pensões grego. Em 2012, o programa de "reestruturação da dívida" da Troika levou à perda de 25 mil milhões de Euros de reservas possuídas pelo governo grego em títulos governamentais. As políticas de austeridade da Troika asseguraram que as reservas para pensões não seriam reabastecidas. As contribuições mergulharam quando o desemprego ascendeu a cerca de 30% ( Financial Times, 6/5/15, p.4). Apesar do assalto frontal da Troika ao sistema de pensões grego, a "equipe económica" do Syriza manifestou sua disposição para elevar a idade de reforma, cortar pensões em 5% e negociar novas traições a pensionistas enfrentando privações. O Syriza não só fracassou em cumprir sua promessa de campanha de reverter as políticas regressivas anteriores como comprometeu-se nas suas próprias liquidações "pragmáticas" junto à Troika.

Pior ainda, o Syriza aprofundou e estendeu as políticas dos seus antecessores reaccionários. (1) O Syriza prometeu congelar privatizações: Agora ele promete estendê-las em 3,2 mil milhões de Euros e privatizar novos sectores públicos. (2) O Syriza concordou atribuir recursos públicos escassos aos militares, incluindo um investimento de 500 milhões de Euros para aperfeiçoar a Força Aérea Grega. (3) O Syriza pilhou o fundo nacional de pensões e tesourarias municipais em mais de mil milhões de euros para cumprir pagamentos de dívidas à Troika. (4) O Syriza está a cortar investimentos públicos em projectos de infraestrutura e criação de emprego para atender datas finais da Troika. (5) O Syriza concordou com um excedente orçamental de 0,6% no momento em que a Grécia está a incidir, neste ano, num défice de 0,7% – o que significa mais cortes depois deste ano. (6) O Syriza prometia reduzir o IVA sobre bens essenciais como alimentos; agora aceita uma taxa de 23%.

A política externa do Syriza imita a dos seus antecessores. O ministro da Defesa de extrema-direita do Syriza, Panos Kammenos, tem sido um apoiante ruidoso das sanções dos EUA e UE contra a Rússia – apesar da agitação habitual dos falsos "dissidentes" do Syriza a políticas da NATO, seguidas pela capitulação total – para permanecer nas boas graças da NATO. O regime Syriza tem permitido a todos os cleptocratas e evasores fiscais bem conhecidos a reterem sua riqueza ilícita e aumentarem seus haveres além-mar com transferências maciças das suas actuais "poupanças" para fora do país. No fim de Maio de 2015, o primeiro-ministro Tsipras e o ministro das Finanças Varoufakis esvaziou o Tesouro para atender a pagamentos de dívida, aumentando as perspectivas de que pensionistas e trabalhadores do sector público não receberão os seus benefícios. Tendo esvaziado o Tesouro grego, o Syriza agora imporá a "Solução Troika" sobre as costas das empobrecidas massas gregas: ou aprovar um novo plano de "austeridade", reduzindo pensões, aumentando a idade de reforma, eliminando leis de protecção à segurança de empregos dos trabalhadores e negociando direitos ou enfrentar um tesouro vazio, sem pensões, aumento do desemprego e aprofundamento da depressão económica. O Syriza deliberadamente esvaziou o Tesouro, pilhou fundos de pensão e haveres locais de municípios a fim de chantagear a população a aceitar como um facto consumado as políticas regressivas de banqueiros da UE – os chamados "programas de austeridade".

Desde o princípio , o Syriza atendeu aos ditames da Troika, mesmo quando eles encenavam sua "resistência de princípio". Primeiro mentiram ao público grego, chamando a Troika de "parceiros internacionais". A seguir mentiram outra vez chamando o memorando da Troika para maior austeridade de "documento negocial". Os enganos do Syriza pretendiam esconder a sua continuação do "quadro" altamente impopular imposto pelo anterior e desacreditado regime de extrema-direita.

Ao pilhar o país de recursos a fim de pagar os banqueiros, o Syriza escalou sua abjecção internacional. Seu ministro da Defesa ofereceu novas bases militares à NATO, incluindo uma base aérea-marítima na ilha grega de Carpatos. O Syriza escalou o apoio político e militar da Grécia à UE e aos EUA para intervenções militares e apoio a terroristas "moderados" no Médio Oriente, ridiculamente em nome da "protecção de cristãos". A bajulação do Syriza a sionistas europeus e estado-unidenses, fortalecendo seus laços com Israel, evocando uma "aliança estratégica" com o estado do apartheid terrorista. Desde os seus primeiros dias no gabinete, o ministro de extrema-direita da Defesa, Kammenos, propôs a criação de um "espaço de defesa comum" incluindo Chipre e Israel – apoiando portanto o bloqueio aéreo e marítimo de Israel a Gaza.

Conclusão

A decisão política do Syriza de " embutir-se " na UE e na Eurozona, a todo custo, assinala que a Grécia continuará a ser um estado vassalo , traindo seu programa e adoptando políticas profundamente reaccionárias, mesmo enquanto trombeteia sua falsa retórica esquerdista e finge "resistência" à Troika. Apesar do facto de o Syriza ter pilhado pensões internas e tesourarias locais, muitos iludidos esquerdistas na Europa e nos EUA continuam a aceitar e racionalizar o que eles escolheram alcunhando-as como "compromissos realistas e pragmáticos".

O Syriza podia ter confiscado e utilizado os US$32 mil milhões de propriedades imobiliárias possuídas pelas Forças Armadas Gregas para implementar um plano alternativo de investimento e desenvolvimento – arrendando estas propriedades para portos marítimos, aeroportos e instalações turísticas comerciais .

O Syriza enterrou a Grécia ainda mais fundo dentro da hierarquia dominada pelas finanças alemãs, ao capitular do seu poder soberano de impor uma moratória da dívida, abandonar a Eurozona, preservar seus recursos financeiros, restabelecer uma divisa nacional, impor controles de capitais, confiscar milhares de milhões de Euros em contas ilícitas além-mar, mobilizar fundos locais para financiar a recuperação económica e reactivar o sector público e privado. O falso "Sector de esquerda" dentro do Syriza repetidamente balbuciou "objecções" impotentes, enquanto Tsipras-Varoufakis prosseguiam a liquidação mistério até a capitulação final.

No final das contas, o Syriza aprofundou a pobreza e o desemprego, aumentou o controle estrangeiro sobre a economia, desgastou ainda mais o sector público, facilitou o despedimento de trabalhadores e cortou nas indemnizações por despedimento – enquanto aumentou o papel dos militares gregos ao aprofundar suas ligações à NATO e a Israel.

Igualmente importante, o Syriza esvaziou totalmente a fraseologia de esquerda de qualquer significado cognitivo: para eles, soberania nacional traduz-se em vassalagem internacional e anti-austeridade tornam-se capitulações pragmáticas a nova austeridade. Quando o acordo Tsipras-Troika for finalmente assinado e o terrível dano da austeridade durante as próximas décadas afundar-se dentro da consciência do público grego, a traição esperançosamente dará lugar à repulsa em massa. Talvez o Syriza venha ser dividido e a "esquerda" finalmente abandone seus confortáveis postos no gabinete e se junte aos milhões insatisfeitos para formar um partido alternativo.
15/Junho/2015
O original encontra-se em petras.lahaine.org/?p=2039

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
21/Jun/15

18-06-2015

Link permanente 07:07:10, por José Alberte Email , 534 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Fome é o preço que os gregos pagarão para permanecerem na UE

Fome é o preço que os gregos pagarão para permanecerem na UE

por Paul Craig Roberts

O Syriza, o novo governo grego que pretendeu resgatar a Grécia da austeridade, chegou a um fracasso. O governo confiou na boa vontade dos seus "parceiros" da UE, só para descobrir que estes "parceiros" não tinham boa vontade. O governo grego não entendeu que a única preocupação era o resultado líquido, ou lucro, daqueles que possuem a dívida grega.

O povo grego está a olhar para outro lado tal como o seu governo. A maioria dos gregos quer permanecer na UE apesar de isto significar que suas pensões, seus salários, seus serviços sociais e suas oportunidades de emprego serão reduzidas. Aparentemente, para os gregos compensa serem enterrados para fazerem parte da Europa.

A alegada "crise grega" não faz qualquer sentido. É óbvio que a Grécia, com a sua economia arruinada, não pode reembolsar as dívidas que o Goldman Sachs escondeu e a seguir capitalizou com a informação privilegiada que dispunha, ajudando a provocar a crise. Se a solvência dos possuidores da dívida grega, aparentemente hedge funds de Nova York e bancos alemães e holandeses, dependesse de serem reembolsados, o Banco Central Europeu podia simplesmente seguir o exemplo do Federal Reserve e imprimir o dinheiro para assegurar a dívida grega. O BCE já está a imprimir 60 mil milhões de euros por mês para salvar o sistema financeiro europeu, então por que não incluir a Grécia?

Um conservador pode dizer que tal rota de acção provocaria inflação, mas não provocou. O Fed esteve a criar moeda durante sete anos e, segundo o governo, não há inflação. Nós temos mesmo taxas de juro negativas comprovando a ausência de inflação. Por que criar dinheiro para a Grécia cria inflação mas não para o Goldman Sachs, Citibank e JP Morgan Chase?

Obviamente, o mundo ocidental não quer ajudar a Grécia. O Ocidente quer saquear a Grécia. O acordo é de que a Grécia obtenha novos empréstimos com os quais reembolsar empréstimos existentes em troca da venda de companhias municipais de água a investidores privados (as tarifas de água subirão para o povo grego), da venda da lotaria estatal a investidores privados (as receitas do governo cairão, tornando portanto o reembolso da dívida mais difícil) e de outras "privatizações" tais como vender as protegidas ilhas grega a promotores imobiliários.

Isto é um bom negócio para toda a gente, excepto a Grécia.

Se o governo grego tivesse algum senso, ele simplesmente incumpriria. Isso tornaria a Grécia livre de dívida. Com apenas algumas palavras, a Grécia pode passar de um país pesadamente endividado para um país livre de dívida.

A Grécia poderia então financiar suas próprias emissões de títulos e, se precisasse de crédito externo, poderia aceitar a oferta russa.

Na verdade, se os governos russo e chinês tivessem algum senso, eles pagariam à Grécia para incumprir e para abandonar a UE e a NATO. O desmoronar do império de Washington começaria e a ameaça de guerra que a Rússia e a China enfrentam afastar-se-ia. Os russos e chineses poupariam muito mais com o salvamento da Grécia do que lhes custariam desnecessários preparativos de guerra.
16/Junho/2015

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

19-04-2015

Link permanente 19:34:30, por José Alberte Email , 2031 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: EE.UU desenha umha saída para o regime: Rajoy deve pôr o seu cargo a disposiçom de Felipe VI

www.espiaenelcongreso.com

EE.UU desenha umha saída para o regime: Rajoy deve pôr o seu cargo a disposiçom de Felipe VI


"Ainda que nom o requeira a Constituiçom, e ainda que só fora por cortesia protocolar, o actual chefe do Governo deveria pôr o seu cargo a disposiçom do novo rei". Esta é a sugestom que o catedrático Príncipe das Astúrias na Universidade de Georgetown (EE.UU), Josep M. Colomer, realizou a Mariano Rajoy para que aceite a onda de mudança que reclama Espanha trás o 25-M, com 10 milhões de votos perdidos polo bipartidismo PP-PSOE em só 2,5 anos. A sua proposta está em sintonia com o interesse estratégico que desde EE.UU está a pôr ao processo de mudança em Espanha (umha simples olhadela à sua imprensa de referência acredita-o), muito similar ao que já tivo quando se produziu a morte de Franco e desenhou, junto com Alemanha, o passo da ditadura à "oligocracia" ou "partitocracia" com Juan Carlos. Despejado o caminho com a inesperada e surpreendente abdicaçom do monarca (muitas miradas dirigem-se além do Atlântico), Rajoy tem agora que eleger entre desempenhar o efémero papel daquele presidente continuista chamado Arias Navarro ou converter-se em "mártir" como o seu predecessor, Carrero Branco. E como a valentia nom parece estar entre as suas qualidades, em Estados Unidos dam por seguro de que nom porá obstáculos e facilitará que Felipe VI tenha ao menos umha oportunidade de salvar o trono. Em meios diplomáticos assegura-se que Washington e Berlim já decidiram: e o polegar virou cara abaixo.

A "operaçom", que ainda nom tem nome e que argalham os reformistas do regime, passa por adquirir algo de legitimidade até maio de 2015 (eleiçons locais) para tentar avançar num processo que a actual "caste" levou até o abismo. E tendo em conta de que a conhecida inacçom de Mariano Rajoy ante os dramáticos momentos que vive a sociedade espanhola já dinamitou ao PP e ao PSOE, levou-se por diante ao rei e agora ameaça mesmo a sobrevivência da própria monarquia, desde EE.UU querem pôr sobre a mesa umha "folha de rota".

A referência é a Itália, com umha "partitocracia" muito similar à espanhola e onde Beppe Grilo (Génova, 1948) e o seu Movimento 5 Estrelas desempenhou o papel reactivo que agora jogam de forma incipiente em Espanha Pablo Iglesias (Madrid, 1978) com Podemos-EU-Equo (Primavera Europeia) e Julio Anguita (Fuengirola, 1941) como ideólogo desde "Frente Cívico-Somos Maioria". Ou Alexis Tsipras (Atenas, 1974) com o seu "Syriza" e Nigel Farage (Downe, 1964) com o seu UKIP no Reino Unido. Foi algo parecido ao que ocorreu em Espanha quando nas vésperas da morte de Franco formou-se a Junta Democrática (1974) com republicanos, democristiás críticos e comunistas que se arracimarom-se por volta de Dom Juan, enquanto que socialistas, monárquicos e democristiás do regime faziam-no com o seu filho Juan Carlos, que finalmente traiu ao seu pai e arrebatou-lhe o trono num dos períodos mais decisivos e desconhecidos da História de Espanha.

Josep M. Colomer desvelou um estado de opiniom muito estendido entre as elites de Washington em relaçom com Espanha, à que freqüentemente se assemelha com Itália, "um país que era conhecido como umha "partitocracia", é dizer, por um grau de controlo das cúpulas dos partidos sobre as instituiçons públicas igual ou mesmo superior ao que adopta ser denunciado em Espanha". Colomer culpa veladamente a Juan Carlos de abdicar muito antes de fazer pública a sua decisom, o que levou ao país à ruína: "o chefe do Estado também deve arbitrar e moderar o funcionamento regular das instituiçons. Esta tarefa deitou-se muito em falta em Espanha nos últimos anos quando o Parlamento, o Governo e a justiça deixárom de funcionar de acordo com as suas missons constitucionais".

De acordo a este guiom, Felipe VI "talvez com a discreta ajuda do seu pai, como Juan III, quando se aproximou à Junta Democrática, fixo com o seu filho Juan Carlos I, que o fazia por sua vez ao regime de Franco" teria que "usar as suas prerrogativas para facilitar um novo impulso de recuperaçom e renovaçom". Para isso, recomenda usar o exemplo do sucedido em Roma: "Há dous anos e meio o Governo italiano, surrado por umha série de escândalos e a perseguiçom judicial do seu líder, estava paralisado ante a crise económica do país e as pressões da Uniom Europeia. O chefe do Estado tirou entom ao chefe do Governo e nomeou no seu lugar a um prestigioso profissional independente com experiência nas instituiçons europeias (Mario Monti), o qual formou um Governo com os melhores especialistas em cada tema, sem nengum membro de nengum partido político, que obtivo apesar disso o apoio de 90% do Parlamento. O novo Governo foi apoiar também polos líderes da Uniom Europeia e de Estados Unidos. Itália tivo desde entom o seu melhor período de governo na história moderna". Existe o "Mario Monti" espanhol" Um técnico europeísta que nom esteja contaminado polos partidos e que seja capaz de criar um governo técnico que, só com o seu prestígio, convencesse aos deputados para fazer-se um "harakiri" como o das Cortes de Franco"

Mario Monti (Varese, 1943), de acordo com o calendário eleitoral previsto, convocou novas eleiçons ao cabo de um ano e meio: "Mais ou menos o mesmo tempo que falta em Espanha para que se cumpra o prazo para umha nova convocaçom. Trás essas eleiçons, as resistências à mudança dos partidos políticos tradicionais fizeram impossível a formaçom de umha maioria parlamentar, a qual requereria umha grande coligaçom com membros dos dous partidos maiores. Mas esta acabou-se formando alguns meses depois, ao custo de umha reestruturaçom do sistema de partidos. Enquanto isso, o presidente Napolitano nomeara umha comissom para elaborar propostas de políticas públicas formada por 10 peritos, alguns dos quais passar a fazer parte do novo Governo. É muito notável que toda esta experiência tivesse lugar num país que era conhecido como umha "partitocracia", assinala Colomer.

E acrescenta: "A maior vantagem de umha iniciativa do chefe do Estado é que vem desde fora do sistema de partidos políticos, polo que pode ser especialmente eficaz em induzir reformas que afectem também ao sistema de partidos". Para isso, Felipe VI só teria que usar a mesma Constituiçom que fraguou o seu pai com a "caste": "De acordo com a Constituiçom espanhola, o chefe do Estado pode destituir ao chefe do Governo, dissolver o Parlamento, convocar eleiçons, nomear um novo presidente do Governo, assim como aos ministros que este proponha, presidir pessoalmente as reuniões do Conselho de Ministros, expedir os decretos governamentais, promulgar as leis e, de acordo com o chefe do Governo nomeado por ele, convocar referendos sobre decisões políticas de especial importância. Espera-se em geral que o chefe do Estado use estas capacidades de acordo com os resultados eleitorais. Mas numha situaçom de emergência "como sem dúvida é a espanhola", os poderes do chefe do Estado estám para usá-los "como no caso italiano" de acordo com a letra do texto legal".

Por último, Colomer conclui que trás esse período de ano e meio de profundas reformas constituintes levadas a cabo desde um Executivo sem pelame política, abocaria-se à formaçom "de um Governo de ampla coligaçom multi-partidista, o acordo com Catalunha, o envio de sinais de renovaçom e optimismo para que os capitais exilados regressem e cheguem novos investimentos estrangeiros, poderiam ser o 23-F do rei Felipe VI. É dizer, o seu legitimaçom, nom já dinástica ou constitucional, senom polos resultados da sua acçom. Como o seu pai, o novo chefe do Estado necessitará umha legitimaçom deste tipo por umha grande maioria da sociedade espanhola, assim como da cena internacional, para consolidar o seu reinado nos anos por vir".

É curioso porque esse "23-F" de Felipe VI é o que outros analistas do regime estám a começar a sugerir. Fernando Onega (RTVE), o jornalista que lhe escrevia os discursos a Adolfo Suárez, assim o mencionou expressamente, como também o fixo Arcadi Espada (O Mundo): "Que é, em mudança, o que o rei deixa ao seu filho, Felipe VI" Vou dizê-lo. umha Catalunha que seja a sua 23-F. E umha reforma da Constituiçom que seja o seu referendo legitimador. Que a força lhe acompanhe. A herança é envenenada porque situa à Coroa, e ao novo Rei, no centro do conflito político. Exibido e vulnerável. tom exibido e vulnerável como estivo o seu pai aquela afastada meia-noite de Fevereiro".

Desde as forças cidadás, todo vê se como umha operaçom de salom para evitar o referendum sobre o modelo de Chefatura de Estado: "Deixem de dizer mentiras, nom trouxo a democracia", haver replicado o escritor Suso de Toro, que se apercebeu de que a abdicaçom é "umha operaçom política muito calculada e na que participam directamente todos os poderes ademais da Casa Real: desde a banca e as grandes empresas até esses dous partidos e as grandes empresas de comunicaçom. Realmente todo o sistema económico e político espanhol está conjurado numha mesma operaçom para este trânsito entre pai e filho". Faltou-lhe incluir aos dous grandes sindicatos dependentes financeiramente do erário público (CC.OO e UXT) e foco permanente por isso de ineficácia e corrupçom.

Para Suso de Toro "pode-se ser a favor desta Monarquia ou de umha República, da continuidade do rei ou da sua abdicaçom; percebo que há razões para argumentar que seja conveniente a coroaçom do príncipe e que vai ser muito proveitoso para todos, mas o modo em que se está desenvolvendo essa operaçom política é perverso por dous motivos. Primeiro, porque se está executando como um plano militar de guerra lóstrego muito preciso, para que o adversário nom tenha tempo a reagir. Neste caso as armas nom som a aviaçom e as carros de combate senom os meios de comunicaçom, implicados numha asfixiante campanha publicitária do rei que abdicou e do herdeiro".

"Mas aqui o adversário nom é um inimigo exterior senom a opiniom pública, a própria cidadania, polo que é profundamente antidemocrático em origem. Se nom há nada que ocultar à cidadania, se nom há nada innoble nisso, nom se pode realizar esse acto tom transcendente desse modo porque demonstra umha desconfiança absoluta numha populaçom à que se considera súbditos sem capacidade nem responsabilidade. Para blindar a legitimidade da operaçom está a recorrer-se a argumentar essa incapacidade da cidadania espanhola dizendo-lhe que todo lhe o devem ao rei. Repete-se-nos insistentemente que "O rei trouxo-nos a democracia", "deu-no-la", "graças a ele temos liberdade"" Segundo isso este era um país de inúteis e idiotas e o rei foi o nosso redentor e guiou-os. E isso é umha grande mentira. Muitas pessoas que viviam entom podem testemunhar que nom foi assim, ao rei pô-lo Franco e reinou por imposiçom. E no que di respeito à sacra Constituiçom, redigiu-se submetendo às exigências por escrito da JUJEM", acrescenta.

"Se essa Constituiçom garantia liberdades apesar dessas imposiçons é porque houvo umha parte da sociedade que exigia democracia. E essa parte da sociedade tinha presos políticos nos cárceres do regime. E mortos nos cemitérios, quase sempre civis. Que nos digam que o rei nos trouxo a democracia é pior que faltar à verdade, é mentir. É umha ofensa para as pessoas que lutárom pola liberdade e é umha reiterada traiçom à memória. nom estamos loucos, temos memória ainda que nos chamem imbecis", queixa-se De Toro.

E conclui em Barcelona precisamente: "Em Catalunha deu-se um processo curioso na opiniom pública que registárom todos os inquéritos. Muitas pessoas que nom se tem por nacionalistas catalás e que vem demandando desde há tempo poder decidir o seu futuro como catalás acabárom chegando à conclusom de que a independência é a única soluçom à situaçom histórica de Catalunha. som pessoas que sem fazer ideologia do independentismo em sim mesmo hoje som independentistas por convicçom cívico. umha cousa parecida pode ocorrer com o republicanismo como ideologia e com a República como instituiçom. Há muitas pessoas a quem lhes parece natural poder decidir sobre a Chefatura do Estado em referendo, ainda que logo muitas dessas pessoas votariam a favor de conservar umha monarquia parlamentar, mas vendo que se lhes nega explicitamente e ante esta vergonhosa imposiçom estám balançando para a opiniom de que seria mais democrático e conveniente umha república. Em todo o caso, submeter à cidadania a algo assim é degradá-la e envilece-la. Esta é a democracia espanhola, e é o que deve mudar".

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