Soto, cave e porom

21-10-2011

CONSULTA:

Qual é o significado da voz "soto" ou "sótao" em galego? Qual das duas formas é correta e porquê?

Muito obrigado

RESPOSTA DA COMISSOM:

A Comissom Lingüística da AGAL, mediante a próxima publicaçom de O Modelo Lexical Galego, proporá como unidades pertencentes ao padrom lexical galego com o significado de ‘andar subterráneo de um edifício’ as vozes cave, porom e soto; enquanto cave e porom som comuns às variantes galega, lusitana e brasileira da nossa língua, já a palavra soto, no sentido apontado, é peculiar da Galiza. Por outro lado, em Portugal e no Brasil, mas nom na Galiza, a voz sótão concorre com desvão para denotar o compartimento de umha casa que se acha imediatamente abaixo do telhado; nesse sentido, a Comissom Lingüística da AGAL padroniza em galego as vozes faiado e desvao, esta com menor peso normativo do que aquela. Na notaçom empregada em O Modelo Lexical Galego:

‘andar subterráneo de um edifício’
PLGz: cave = porom = soto
PLPt: cave = porão

‘compartimento de umha casa imediatamente abaixo do telhado’
PLGz: faiado > desvao
PLPt: desvão = sótão

Categoria(s): Léxico
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Pronúncia da palavra 'Portugal'

01-10-2011

CONSULTA:

Como é se pronuncia Portugal em galego? Portugal ou Purtugal (com l velar?)

Graças

Rudesindo Bombarral

RESPOSTA DA COMISSOM:

À espera de futuros trabalho de codificaçom prosódica que prevê realizar a Comissom Lingüística da AGAL, podemos adiantar que a pronúncia genuína da palavra Portugal é [portugáɫ], com o fechado pré-tónico e, efetivamente, ele velar final.

O chamado ele velar é um som que fecha a sílaba, tanto a sílaba final da palavra como sílabas no início ou no meio da palavra: assim, o som do ele em [máɫ] e [aɫtúra] é diferente do do ele em [lár]. A distinçom clara destes sons está em regressom no galego moderno, nomeadamente no urbano, que tem o castelhano como modelo de pronúncia correta.

Quanto à pronúncia [u] que o Rudesindo indica para o ó pré-tónico em Portugal, ela existe na Galiza, mas é minoritária ao lado da pronúncia [o] (ó fechado), muitíssimo mais freqüente. Ambas existem também em Portugal, ao lado da total desapariçom da vogal, mas a tendência contemporánea, e padrom, é pronunciar [u]. Entre ambas as pronúncias existe pouca distáncia auditiva, por se darem na posiçom átona, mais fraca do que a tónica. Porém, muito provavelmente por interferência do espanhol, a tendência do galego urbano é igualar o timbre das vogais átonas e tónicas, de maneira que a pronúncia do ó gráfico em palavras como Portugal, conhecer, podia ou carro soa hoje muito 'aberta' aos ouvidos de umha pessoa portuguesa ou galega de origem rural.

Categoria(s): Fonética
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Atender e atentar

23-09-2011

CONSULTA:

Qual é a diferença entre "atender" e o uso transitivo de "atentar".

Obrigado.

Pedro Bravo López

RESPOSTA DA COMISSOM:

Os verbos atender e atentar convergem no significado de ‘dar ou prestar atençom a’ (ex.: «Atente nas / Atenda às instruçons que lhe derem») e divergem nas suas outras aceçons, de modo que atender significa também ‘cuidar’, ‘receber ou dedicar tempo a umha pessoa’, ‘dar satisfaçom a umha solicitaçom’, etc., e atentar, também, ‘cometer um crime contra umha pessoa’, ‘cometer ofensa’, etc. O substantivo que corresponde ao primeiro significado mencionado é atençom («Atençom, perigo!», p. ex.); atendimento é a açom de atender no sentido de ‘receber ou dedicar tempo a umha pessoa’ (horário de atendimento [aos alunos] de um professor, p. ex.), e atentado corresponde a ‘cometer um crime contra umha pessoa’ ou ‘cometer ofensa’ (ex.: «atentado contra a vida do monarca»; «atentado contra a inteligência»).

Categoria(s): Léxico
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Segurança

23-09-2011

CONSUTA:

Na Veiga de Valcarce, Oencia, Carracedelo... a xente dice seguranza. Tamén a forma oficial do llionés e do Asturiano ie seguranza. En portugués ie segurança. Pero na Galiza solo se usa seguridade en todo o que ie oficial i tamén en textos de reintegracionistas vin seguridade.
Cual a forma correcta no galego?
De onde ven ese seguridade, seria como o navidade do meu pai?
Si ie asi, porque é o oficializado?

RESPOSTA DA COMISSOM:

A coordenaçom do galego culto com os padrons lexicais lusitano e brasileiro, decididamente patrocinada polo Reintegracionismo e pola Comissom Lingüística da AGAL, tem a virtude, entre outras muitas vantagens, de nos orientar sobre as freqüências relativas de uso que as palavras de um dado conjunto ou série (de sinónimos, p. ex.) devem mostrar em galego, o que é muito importante, porque tais freqüências costumam surgir hoje em galego (espontáneo) interferidas polo castelhano. Assim, sendo os dous sinónimos que nos propom o consulente, segurança e seguridade, legítimos, em princípio, em galego-português, o modelo luso-brasileiro faculta-nos a indispensável informaçom de que é segurança, dos dous sinónimos, aquele que, de longe, deve usar-se em galego com mais freqüência (trata-se, de facto, da forma mais antiga, largamente documentada no galego medieval). Assim, ainda que a forma seguridade seja registada nos dicionários lusitanos e brasileiros como sinónimo de segurança, aquela voz só em raros casos é de facto utilizada na nossa língua, constituindo a expressom seguridade social, habitual no Brasil, a única exceçom importante ao dito (mas, em Portugal, utiliza-se segurança social, forma também preferível na Galiza).

Do mesmo modo, na concorrência, por exemplo, entre as séries sinonímicas doença - doente - adoecer e enfermidade - enfermo - enfermar, ao contrário do que acontece no atual castelhano (em que enfermedad predomina sobre dolencia), o luso-brasileiro assinala-nos que devemos priorizar o uso de doença - doente - adoecer (com as exceçons de enfermeiro -a, enfermaria e enfermagem). Por outro lado, tenha-se em conta que, com o sentido de ‘sofrer o defeito de’, se o castelhano recorre ao verbo adolecer, o galego-português utiliza enfermar, umha vez que este verbo fica “libertado” do sentido ‘cair doente’ polo predomínio de adoecer (ex.: «exposta ao vírus, logo adoeceu»; «este texto enferma de prolixidade»).

Categoria(s): Léxico
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O sufixo diminutivo -ito em galego

18-09-2011

CONSULTA:

Olá!

No padrom de Portugal (penso que no do Brasil também) existem os sufixos diminutivos –ito e –zito (para além de –inho e -zinho). Tenho várias dúvidas com relaçom a isto:

1- Som os sufixos –ito e –zito castelhanismos como parecem?
2- No padrom que a AGAL está a elaborar vam ser admitidos estes sufixos diminutivos, como em Portugal? Quer dizer, já sei que os sufixos nom fam parte do léxico (acho que fam parte da morfologia), mas, em qualquer caso, som admitidas já ou vam ser admitidas na próxima codificaçom estes dous sufixos diminutivos? Quais as razons de serem/nom serem admitidos?

Obrigado

Juliám

RESPOSTA DA COMISSOM:

Na variedade galega do galego-português, a ocorrência produtiva do sufixo -ito como diminutivo é marginal, muito rara, e o sufixo diminutivo usual é -inho (ex.: rapazinho) Enquanto na variedade brasileira da língua acontece o mesmo que na Galiza, na variedade lusitana, em Portugal, o emprego do diminutivo -ito, embora menos freqüente que o de -inho, nom é raro, e o sufixo apresenta umha conotaçom afetiva positiva ou negativa (ex.: rapazito). No quadro da codificaçom do galego, polas razons expostas, a Comissom Lingüística da AGAL inclina-se a recomendar o uso habitual em galego, como sufixo diminutivo produtivo, de -inho, se bem que, como acontece no Brasil, também nom se censure um uso ocasional, e marcado, de -ito, na eventual procura de umha conotaçom afetiva (positiva ou negativa) «lusitanizante» (cf. dicionário Houaiss s.v. ‘-ito’).

Por último, tenha-se em conta que, diferentemente do sufixo -ito produtivo, utilizado livremente polo utente da língua (em Portugal) para formar diminutivos, o galego-português, em todas as suas variedades, também apresenta alguns casos do sufixo -ito lexicalizado, com pouca ou nula consciência do sufixo, como nas palavras bonito, cabrito, favorito, palito (neologismo incorporável ao galego para se evitar o castelhanismo suplente *palillo), etc.

Categoria(s): Morfossintaxe
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