'Gostava de saber' ou 'Gostaria de saber'?

26-12-2011

CONSULTA:

Como se diz: > 3."Gostava mesmo de aprender" ou "Gostaria mesmo de aprender"?

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Gostava de aprender / Gostaria de aprender

Esta questom já foi respondida pola Comissom (“Gostaria de caminhar pola rua, mas algumha nom tem passeio”) […som construçons sinónimas e igualmente válidas Gostaria de saber e Gostava de saber, sendo esta última menos formal do que primeira.]

Pode, porém, acrescentar-se o seguinte:

Um dos usos do modo condicional (seria) é atenuar umha afirmaçom ou a expressom de um desejo (condicional de cortesia). Exemplos:

Poderia ajudar-me?
Seria necessário vires mais cedo.
Gostaria de saber quem cho dixo.

Num registo corrente, o condicional de cortesia pode ser substituído polo imperfeito do indicativo (era), sendo nesse caso, a atenuaçom menor. Assim:

Podia ajudar-me?
Era necessário vires mais cedo.
Gostava de saber quem cho dixo.

O consulente poderá encontrar mais informaçom no Civerdúvidas da Língua Portuguesa: “Imperfeito e condicional de cortesia”.

Categoria(s): Morfossintaxe
Chuza!
'Ter que sair' ou 'Ter de sair'

26-12-2011

CONSULTA:

Como se diz: "Temos de arranjar isso" ou "Temos que arranjar isso"?

Temos de arranjar isso / Temos que arranjar isso

Ambas as locuçons verbais (ter de/que + infinitivo) som usadas e estám corretas. Todavia, é de notar que:

a) ter de é a construçom mais tradicional e castiça.
b) ter que sublinha mais a obrigaçom ou o propósito do que ter de.

De referir ainda a locuçom ter a + infinitivo, usada mormente com verbos como dizer para atenuar a intençom. Exemplo:

Tenho a dizer-vos que nom concordo convosco.

Categoria(s): Morfossintaxe
Chuza!
Futuro do Conjuntivo ou Imperfeito do Conjuntivo

26-12-2011

CONSULTA:

Diz-se: «se for ele suspeito» ou «se fosse ele suspeito»?

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

«Se ele fosse suspeito» é umha cláusula condicional puramente hipotética, nucleada por um pretérito do conjuntivo (fosse) e que pode ocorrer em correlaçom com umha cláusula principal nucleada por um potencial ou forma verbal equivalente (como o pretérito imperfeito). Assim, por exemplo: «Se ele fosse suspeito, nom estaria tam alegre.» ou «Se ele fosse suspeito, nom estava tam alegre.». Em contraste, «Se ele for suspeito» é umha cláusula condicional, nucleada por um futuro do conjuntivo (for), que assinala um estado de cousas situado no futuro mas anterior a umha açom expressa polo verbo da cláusula principal correlacionada (o qual pode ser um futuro do indicativo ou, com valor de futuridade, também um presente do indicativo, um presente do conjuntivo ou um imperativo): «Se ele for suspeito, fugirá da cidade.». Comparem-se estes três tipos de cláusulas condicionais: «Se estudar, aprovará o exame!» (oxalá o faga!; condicional provável) / «Se estudasse, aprovaria o exame!» (mas parece que nom o vai fazer!; condicional improvável) / «Se tivesse estudado, teria aprovado o exame!» (mas, infelizmente, nom o fijo!; condicional impossível).

Categoria(s): Morfossintaxe
Chuza!
Daçom em pagamento

26-12-2011

CONSULTA:

Como se di em galego correto "dación en pago", um termo que ultimamente aparece muito na imprensa espanhola e galega, mas... como se deve dizer em galego correto?

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

O castelhano «dación en pago» corresponde na nossa língua a daçom em pagamento ou também a daçom in solutum (em latim datio in solutum).

O Dicionário Houaiss define este termo jurídico como (1) ‘pagamento com algum bem de uma dívida em dinheiro’ ou (2) ‘entrega polo mutuário de imóvel hipotecado ao agente financeiro, ou de devedor a credor, correspondente ao que deveria ser pago em moeda’.

Para informaçons mais pormenorizadas, remetemos o consulente para o verbete dação em pagamento da Wikipédia.

Categoria(s): Léxico
Chuza!
Tempos Compostos

03-12-2011

CONSULTA:

É correto o uso dos chamados tempos compostos em galego? Obrigado.

Rudesindo Bombarral

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Embora a Comissom Lingüística da AGAL ainda nom se tenha manifestado especificamente sobre questons de morfossintaxe normativa, como a que aqui levanta o nosso consulente, nesta altura, de modo tentativo, e baseando-nos nas consideraçons tecidas no Manual Galego de Língua e Estilo (pág. 165–168) e na segunda ediçom do Manual de Galego Científico (pág. 496–500), podemos oferecer as seguintes orientaçons sobre o emprego em galego dos tempos verbais compostos.
Em primeiro lugar, leve-se em conta que na atual língua espontánea (meramente coloquial), os tempos compostos legítimos, genuínos, tenhem umha representaçom pequena, limitada basicamente à perífrase aspetual perfectivo-reiterativa “ter [como presente do indicativo] + particípio”, que indica repetiçom de umha açom no passado (ex.: «O aviom tem chegado atrasado todos os dias.», «Tenho falado muito com ela.»), e à perífrase aspetual perfectiva “ter [quase sempre como infinitivo] + particípio”, que indica umha açom única concluída no passado (ex.: «Nom fum a Ourense e sinto nom ter ido.»).
Ora, para ganharmos expressividade, eficácia comunicativa, na língua formal galega é necessário enriquecermos este quadro de usos dos tempos compostos, incorporando novos matizes semánticos e possibilidades combinatórias, através de um alargamento natural feito de harmonia com as variedades socialmente estabilizadas do galego (lusitano e brasileiro). Nesta linha, recomendamos para o galego culto o seguinte quadro de usos das formas verbais compostas:
1. Perífrase aspetual perfectivo-reiterativa e atualizadora “ter [como presente do indicativo, como pretérito imperfeito do indicativo, como presente do conjuntivo ou como gerúndio] + particípio”. Para além do significado perfectivo-reiterativo (ex.: «A nossa equipa tem feito a experiência com diversos animais de laboratório sem obter qualquer resultado significativo.»), esta perífrase poderá também utilizar-se com um valor atualizador, i. é, para indicar processos ou estados iniciados no passado cuja duraçom ou cujos efeitos se prolongam até ao presente e ainda podem, porventura, continuar no futuro. De facto, em muitos casos, poderá verificar-se confusom de ambos os valores desta perífrase. Ex.: «O aviom tem estado parado.», «Como tens estado? Tenho estado muito mal, tenho estado doente.», «Ultimamente a resposta de hipersensibilidade tem sido considerada como exemplo da morte celular programada.», «O carvom tem sido empregado desde há muito tempo na geraçom de energia.».
2. Perífrase aspetual perfectiva “ter [como infinitivo invariável ou flexionado / gerúndio / futuro do indicativo (com freqüente valor de hipótese sobre o passado) / pretérito imperfeito do indicativo (sobretodo na Galiza, em concorrência com o pretérito mais-que-perfeito) / pós-pretérito (com freqüente valor de hipótese sobre o passado) / pretérito do conjuntivo / futuro do conjuntivo / presente do conjuntivo] + particípio”, para indicar umha açom única concluída no passado. Exemplos: «Animais lentos e sem defesas eficazes, os megatérios podem ter sido abatidos polo home e por grandes carnívoros.», «Pensa-se terem sido os Orientais os primeiros povos verdadeiramente entendidos na confeçom de medicamentos.», «Tendo concluído a primeira fase da experiência, começárom a segunda.», «As altas temperaturas terám retardado a solidificaçom da lava.», «Nunca antes tinha assistido a um congresso de Geofísica.» (= «Nunca antes assistira a um congresso de Geofísica.»), «Os Chineses teriam realizado os primeiros foguetes em 1100.», «Se tivesses estudado, terias aprovado!», «Quando tu tiveres completado a primeira fase da investigaçom, eu já terei concluído a terceira!», «É curioso que nom tenham sido descobertos mais casos como esse.».

Categoria(s): Morfossintaxe
Chuza!

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