Dia das Bruxas

08-11-2012

CONSULTA:
Qual é a escrita recomendada em galego para o nome desta festa? O nome em irlandês antigo (Samain), o nome em irlandês moderno (Samhain) ou uma adaptação trocando o -n por um -m (Samaim/Samhaim)? Obrigado!
Jon Amil

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Para já, diga-se que, no caso de se querer celebrar o 31 de outubro, a véspera do dia de Santos, com ritos ou atividades como rondar ou dançar sob disfarce (de bruxa, de feiticeiro ou de outras personagens fantásticas…), esvaziar e esburacar abóboras para nelas colocar velas bruxuleantes, etc., nom fai falta invocar ou importar tradiçons alheias à Galiza: chega, simplesmente, com revitalizar as tradiçons (rurais) associadas ao dia e ao mês de Santos e aos magustos!
Ora, quanto à questom concreta posta polo amável consulente, a resposta é simples: trata-se, em galego, de estrangeirismos que ainda nom estám plenamente naturalizados, polo que devem ser reproduzidos, em tipo itálico, com a grafia original, quer seja esta Samain (irlandês antigo) ou Samhain (irlandês moderno) ou Halloween (inglês). De resto, a festa de raízes célticas conhecida e celebrada nos países anglo-saxónicos como Halloween, pode designar-se em galego-português, conveniente e castiçamente, polo nome de Dia das Bruxas.

Categoria(s): Léxico
Chuza!
Futuro do conjuntivo e infinitivo flexionado

30-10-2012

CONSULTA:

Olá! Nom tenho claros os usos do futuro do conjuntivo e do infinitivo conjugado. Mais do que umha explicaçom gramatical, agradecia algum tipo de regra fácil ou exemplo claro dos usos corretos. Muito obrigado e parabéns por este magnífico consultório!

Pascoal Gonçalves

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Dado que aqui nom dispomos de muito espaço para atender o pedido que nos fai o amável consulente, neste caso vamos proceder da seguinte maneira: em primeiro lugar, vamos recomendar-lhe umha série de obras de consulta (todas, em geral, de orientaçom didática), e as páginas correspondentes, em que poderá encontrar valiosa informaçom sobre os usos do infinitivo flexionado e do futuro do conjuntivo; em segundo lugar, vamos oferecer-lhe umha sinopse, muito concisa e baseada em exemplos, do uso do futuro do conjuntivo, por se tratar da forma verbal, entre as duas citadas, de uso mais facilmente sistematizável.
Em relaçom ao uso do infinitivo flexionado, será proveitosa a consulta, entre outras obras, da Nova Gramática para a Aprendizaxe da Lingua, de Xoán Xosé Costa Casas et al. (= NGAL), pág. 208–212; da Gramática da Lingua Galega. II Morfosintaxe, de Xosé Ramón Freixeiro Mato (= GLG), pág. 387–404; do Manual Galego de Língua e Estilo, de Maurício Castro, Beatriz Peres Bieites e Eduardo Sanches Maragoto (= MGLE), pág. 158–161; de Do Ñ para o NH, de Valentim R. Fagim (= Ñ-NH), pág. 68–70, e do Manual de Galego Científico (2.ª ed.), de Carlos Garrido e Carles Riera (= MGC), pág. 468–483.
Em relaçom ao uso do futuro do conjuntivo, será proveitosa a consulta, entre outras obras, da NGAL, pág. 202–203; da GLG, pág. 359–370; do MGLE, pág. 155–157; de Ñ-NH, pág. 64–67, e do MGC, pág. 448–453.

Vejamos, a seguir, umha breve exposiçom sobre o uso em galego do futuro do conjuntivo.

O futuro do conjuntivo denota umha açom nom real situada no futuro, a qual é anterior a um referendo situado também no futuro. O futuro do conjuntivo nom se usa nunca como forma autónoma, ocorrendo em oito tipos de cláusulas subordinadas (v. infra), de modo que ele aparece em correlaçom com verbos, situados na cláusula principal, em futuro ou em presente (do indicativo, do conjuntivo ou do imperativo) e nom pode utilizar se em oraçons puramente hipotéticas do tipo «Se a populaçom fosse constituída por um milhom de indivíduos, haveria 20.000 representantes do alelo no fundo génico», em que a correlaçom se estabelece entre o potencial (cláusula principal) e o pretérito do conjuntivo (cláusula subordinada).

Os oito tipos de cláusulas em que pode ocorrer o futuro do conjuntivo som:

cláusulas concessivas duplas, nas quais o futuro do conjuntivo surge associado ao presente do conjuntivo: «Seja como for, resolveremos o problema»;
cláusulas relativas: «Recomendamos que volte ao seu óptico para substituir as lentes de contacto na data que lhe indicar»;
cláusulas condicionantes: «Se quigerdes, reato a explicaçom»;
cláusulas circunstanciais temporais: «Quando vinher, mostra-lho»;
cláusulas circunstanciais locativas: «Situa o projetor onde ela che dixer»;
cláusulas circunstanciais modais: «Proceda conforme o técnico lhe indicar»;
cláusulas circunstanciais comparativas: «Grite tanto como puder», e
cláusulas circunstanciais intensificantes-proporcionais: «Quanto maior for o número de indivíduos AA, menor será a freqüência de a».

Categoria(s): Morfossintaxe
Chuza!
Um sucesso da emigraçom galega

19-10-2012

CONSULTA:

É correta á frase «a construçom de escolas na Galiza foi um logro da emigraçom americana galega»? É pois aceitável logro como 'êxito' ou 'sucesso' em galego? É incorreto êxito?. A frase «fijo umha cousa bem lograda» pode ser considerada correta? Muito obrigado!

Em contraste com o que acontece em castelhano, a voz logro no galego-português atual significa 'engano, burla', de tal modo que as frases propostas polo consulente deveriam formular-se como «A construçom de escolas na Galiza foi umha realizaçom / um sucesso / um êxito da emigraçom galega na América» e como «Fijo umha cousa (muito) bem-sucedida». Aliás, é correto o uso da voz êxito como sinónimo de sucesso.

Categoria(s): Léxico
Chuza!
Plurais de -om e -am em galego

09-10-2012

Na Galiza oriental conservam-se os mesmos ditongos dos plurais portugueses atuais, embora maioritariamente sem nasalaçom

CONSULTA:

Por que grafar os plurais de -om e -am como -ons e -ans e nom -ões e -ães, que tenho visto na literatura medieval e acho que som mais representativos das soluções galegas atuais (-ôns, -ôs, -ôis)?

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

A codificaçom ortográfica e morfológica da CL-AGAL inclui tanto a soluçom -ões/-ães como a soluçom -ons/-ans. O que justifica nesta proposta normativa as formas -ons/-ans é a sua aceitável correspondência com as realizaçons verificadas nos falares galegos atuais, a sua ocasional ocorrência na literatura galega medieval (e, mesmo, hoje em dia, nalguns falares dialetais luso-brasileiros), o seu freqüente emprego na literatura galega contemporánea e, de modo patente, o seu caráter estratégico na presente altura, pois tais formas vam ao encontro do hábito de muitos utentes atuais de galego, os quais, infelizmente, apenas conhecem a codificaçom isolacionista (i. é, as formas -ons/-ans contribuem para o valor estratégico ou pedagógico da norma AGAL, que assim se erige em pontífice, ou «construtora de pontes», entre o galego genuíno e o galego subordinado ao modelo castelhano).

Categoria(s): Morfossintaxe
Chuza!
Se por acaso precisares...

23-09-2012

CONSULTA:

Olá! Podiam-me dizer como seria a tradução em bom galego de "por si acaso": "por se acaso"?; "por se calhar"?; "porventura"?... Não sei. Há uma frase feita que reflecte muito bem o seu significado: "Não vaia ser o demo", mas não encontro nenhuma locução que se ajeite a este matiz. Muito obrigado!

Xurxo

RESPOSTA DA COMISSOM:

Como equivalentes funcionais galegos da locuçom castelhana por si acaso, podemos indicar os seguintes (informaçom retirada, em grande medida, do Dicionário Espanhol-Português da Porto Editora, dirigido polo lexicógrafo galego Álvaro Iriarte Sanromám):

a) Registo formal ou nom marcado:

1. cast. por si acaso [nom seguido por verbo] > gal. à cautela / polo si(m), polo nom. Ex.: cast. «Vamos a llevar paraguas, por si acaso» > gal. «Vamos levar guarda-chuva, à cautela.» / gal. «Polo si(m), polo nom, vamos levar guarda-chuva.»

2. cast. por si acaso + imperativo > gal. para o caso de precisares + imperativo / polo si(m), polo nom. Ex.: «Por si acaso, toma mi número de teléfono» > gal. «Para o caso de precisares, toma o meu número de telefone». / gal. «Polo si(m), polo nom, toma o meu número de telefone.».

3. cast. por si acaso + indicativo > gal. para o caso de + infinitivo / se por acaso + futuro do conjuntivo. Ex.: cast. «Es mejor llevar el bañador por si acaso vamos a la playa» > gal. «É melhor levarmos o fato de banho para o caso de irmos à praia.» / «É melhor levarmos o fato de banho se por acaso formos à praia.».

b) Registo popular ou coloquial: gal. nom vaia/vá ser o demo [+ que + pres. conj.]. Ex.: cast. «Vamos a llevar paraguas, por si acaso» > gal. «Vamos levar guarda-chuva, nom vaia/vá ser o demo.»

Categoria(s): Morfossintaxe
Chuza!

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