Creche com berçário

23-04-2012

Interior de umha creche (ou infantário ou jardim de infáncia) que dispom de um berçário ao fundo

CONSULTA:

Boas!

Queria saber qual é o modo certo de designar em galego o lugar onde vão as crianças antes de irem para a escola infantil. Isto é, o que a norma isolacionista chama de "gardaría". Procurando pola Internet dei com os termos 'berçário', 'infantário', 'creche' e 'jardim de infância', mas não encontrei a que se referia exatamente cada um desses nomes.

Obrigado!

Jon Amil

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Com o sentido de 'estabelecimento onde se deixam crianças de idade inferior à da primeira escolarizaçom, durante o dia, sob o cuidado de pesssoas especializadas que organizam atividades para estimular e desenvolver as suas capacidades motoras, intelectuais, etc.', podem utilizar-se em galego os sinónimos creche (empréstimo do fr. crèche), infantário e jardim de infáncia (decalque semántico do al. Kindergarten). Por sua vez, a voz berçário designa a dependência ou instalaçom de umha maternidade ou de umha creche (ou infantário ou jardim de infáncia) onde se encontram os berços dos recém-nascidos ou das crianças de colo, respetivamente.

Categoria(s): Léxico
Chuza!
Ordem de despejo

23-04-2012

CONSULTA:

Olá, gostaria de saber a origem e a validez da palavra desafiuzamento que empregan os meios em galego para se referir à expulsom de alguém da sua morada por impagamento (em castelhano, desahucio ou desalojo). Procurei-na tanto no Estraviz como nos dicionários da RAG e até no Priberam, mas em nengum apareceu dita palavra. Obrigado e parabéns por este serviço, do qual deveriam aprender algumhas instituçons que cobram do erário público.

Adrián

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Infelizmente, nom é exata a informaçom de a voz desafiuzamento, com o sentido de ‘desocupaçom compulsória de um imóvel alugado, por decisom judicial’, nom ocorrer no dicionário da RAG, pois que a mais recente ediçom dessa obra regista desafiuzar no sentido jurídico apontado. Trata-se, claramente, de um decalque do cast. desahuciar, que contribui para reforçar a subordinaçom formal e funcional do galego ao castelhano e para isolar o galego das suas variantes geográficas plenamente estabilizadas (lusitano e brasileiro).

Por isso, para reforçar a personalidade e a utilidade social do galego, e em benefício da eficácia e da coerência do seu léxico, neste caso (como, em geral, em todos os casos em que no léxico galego se verifica estagnaçom e suplência castelhanizante: conceitos de surgimento posterior ao séc. XIV), a Comissom Lingüística da AGAL recomenda decididamente (cf. O Modelo Lexical Galego, de próx. publ.) aplicar de modo constante a coordenaçom neológica com o luso-brasileiro, de modo a obtermos aqui, no sentido jurídico indicado, despejar e despejo (açom de despejo, ordem de despejo, etc.).

Categoria(s): Fonética, Léxico
Chuza!
Autocarro

20-03-2012

CONSULTA:

Antes de mais queria-os parabenizar por tão boa ferramenta linguística! Bom, a minha consulta é sobre o porquê da defesa ou recomendação por parte da AGAL do uso da palavra autocarro e não de ônibus, já que esta última ainda continua viva nas falas da Galiza.

Obrigadinho.

Frã Varela

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

No caso de se registar divergência entre Portugal e o Brasil na designaçom de algum conceito de surgimento posterior, entre nós, ao século XV (atuaçom no galego-português da Galiza dos processos degradativos da estagnaçom e da suplência castelhanizante a partir do início dos Séculos Obscuros), a Comissom Lingüística da AGAL propom, em geral, e com muito poucas exceçons (cf. O Modelo Lexical Galego, texto de próxima publicaçom por parte da CL-AGAL, e Léxico Galego: Degradaçom e Regeneraçom, de Carlos Garrido), a adoçom na Galiza da soluçom lusitana, na procura da eficácia comunicativa (homogeneizaçom imediata na Galiza dos usos lexicais), e atendendo a um critério de (maior) proximidade (lingüística, cultural, geográfica, económica, política).

O caso concreto que coloca o consulente (Pt. autocarro / Br. ônibus, para designar um veículo automóvel de uso coletivo, com rotas ou carreiras urbanas prefixadas), achamos que nom deve constituir exceçom à regra enunciada, pois a eventual presença na Galiza de ômnibus, —descartada aqui, evidentemente, a convergência neológica espontánea e autónoma com o Brasil, por nom existir na prática tal capacidade neológica na Galiza contemporánea— só caberá entendê-la por «aderência» a partir do castelhano (cast. ómnibus, voz sinónima do cast. autobús, as quais originam a forma castelhana informal bus). (Cf. a presença na Galiza contemporánea dos castelhanismos «desfasados» *misto ‘fósforo’ e *carrito ‘autocarro’).

Categoria(s): Léxico
Chuza!
"Ocasiom" é um cultismo

16-03-2012

CONSULTA:

A que se deve o uso da única exceçom nas terminações -çom/-som como é «ocasiom»? Nom é um pouco contraproducente o seu uso, sobretudo tendo em conta que no galego medieval já se tende a perder o «i» e mesmo poderia passar por castelanismo?

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

O latim OCCASIONE(M) deu como resultado popular "(o)cajom" na Idade Média. A partir do séc. XIV surge a latinismo "ocasiom", que pola data de entrada na língua e carácter erudito mantivo o "i". Nunca existiu *ocasom.

Chuza!
Arranjar cabides e porta-guarda-chuvas para o bengaleiro

13-03-2012

Cabide que incorpora um porta-guarda-chuvas

CONSULTA:

Antes de mais, obrigado pelas muitas dúvidas resolvidas; coloco mais duas: tenho entendido que bengaleiro é o lugar onde se pousam os guarda-chuvas, mas também aquele em que se penduram os sobretudos e peças de abrigo, e ainda nalgum lugar alargam o significado para o sítio em que, nos teatros e noutros lugares de cultura, se deixam as peças para recolhê-las depois da função. A outra dúvida é o verbo arranjar; tenho ouvido na RTP um funcionário falar de alguém que «arranjou inimigos», como sinónimo de apanhá-los. É possível entender que «arranjar problemas» seja precisamente o contrário de removê-los?

Mais uma vez, obrigado!

Paulo Mouteira.

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

De harmonia com o luso-brasileiro, utilizaremos em galego a voz bengaleiro para denotarmos o departamento de um teatro, casa de espetáculos, edifício público ou residência onde se guardam as bengalas, guarda-chuvas, sobretodos, etc., dos espetadores ou visitantes (e também o empregado encarregado dessa guarda); em relaçom à peça de mobília dotada de ganchos e destinada a nela pendurar chapéus, roupas, bengalas, etc., utilizaremos cabide e, finalmente, para denotarmos a peça de mobília a modo de recipiente onde se depositam guarda-chuvas (e bengalas), recorreremos à voz porta-guarda-chuvas.

O verbo arranjar tem, com efeito, os significados de ‘reparar ou consertar algum objeto ou dispositivo, de modo a que este recupere a sua integridade e funcionalidade’ e o de ‘conseguir, obter’ (esta segunda aceçom de arranjar está ainda viva no galego espontáneo das comarcas da Límia e do Baixo Minho, polo menos). De harmonia com o luso-brasileiro, devemos promover em galego o uso de consertar, como alternativa a arranjar, e o de arranjar no segundo sentido enunciado. No exemplo concreto que aduz o consulente, «arranjar problemas», dificilmente poderá surgir ambigüidade, porque, com a palavra problemas, no sentido de removê-los, deve usar-se antes resolver do que arranjar.

tags: resolver
Categoria(s): Léxico
Chuza!

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