Soluço e soluçar

17-05-2012

CONSULTA:

Qual é o nome correto para designarmos a contração brusca do diafragma que causa um ruído caraterístico? Os dicionários portugueses e brasileiros dão como correta a forma soluço, mas o Estraviz regista também as formas salouco, impo, saluco, sotelo e salaio (parece que dando certa prioridade a salouco).

Obrigado.

Jon Amil

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Em O Modelo Lexical Galego, documento (de próxima publicaçom) codificador do léxico da variedade galega do galego-português, a Comissom Lingüística da AGAL proporá como variante supradialetal na Galiza, no sentido aduzido polo consulente, o substantivo soluço (e o verbo soluçar).

Categoria(s): Fonética
Chuza!
Creche com berçário

23-04-2012

Interior de umha creche (ou infantário ou jardim de infáncia) que dispom de um berçário ao fundo

CONSULTA:

Boas!

Queria saber qual é o modo certo de designar em galego o lugar onde vão as crianças antes de irem para a escola infantil. Isto é, o que a norma isolacionista chama de "gardaría". Procurando pola Internet dei com os termos 'berçário', 'infantário', 'creche' e 'jardim de infância', mas não encontrei a que se referia exatamente cada um desses nomes.

Obrigado!

Jon Amil

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Com o sentido de 'estabelecimento onde se deixam crianças de idade inferior à da primeira escolarizaçom, durante o dia, sob o cuidado de pesssoas especializadas que organizam atividades para estimular e desenvolver as suas capacidades motoras, intelectuais, etc.', podem utilizar-se em galego os sinónimos creche (empréstimo do fr. crèche), infantário e jardim de infáncia (decalque semántico do al. Kindergarten). Por sua vez, a voz berçário designa a dependência ou instalaçom de umha maternidade ou de umha creche (ou infantário ou jardim de infáncia) onde se encontram os berços dos recém-nascidos ou das crianças de colo, respetivamente.

Categoria(s): Léxico
Chuza!
Ordem de despejo

23-04-2012

CONSULTA:

Olá, gostaria de saber a origem e a validez da palavra desafiuzamento que empregan os meios em galego para se referir à expulsom de alguém da sua morada por impagamento (em castelhano, desahucio ou desalojo). Procurei-na tanto no Estraviz como nos dicionários da RAG e até no Priberam, mas em nengum apareceu dita palavra. Obrigado e parabéns por este serviço, do qual deveriam aprender algumhas instituçons que cobram do erário público.

Adrián

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Infelizmente, nom é exata a informaçom de a voz desafiuzamento, com o sentido de ‘desocupaçom compulsória de um imóvel alugado, por decisom judicial’, nom ocorrer no dicionário da RAG, pois que a mais recente ediçom dessa obra regista desafiuzar no sentido jurídico apontado. Trata-se, claramente, de um decalque do cast. desahuciar, que contribui para reforçar a subordinaçom formal e funcional do galego ao castelhano e para isolar o galego das suas variantes geográficas plenamente estabilizadas (lusitano e brasileiro).

Por isso, para reforçar a personalidade e a utilidade social do galego, e em benefício da eficácia e da coerência do seu léxico, neste caso (como, em geral, em todos os casos em que no léxico galego se verifica estagnaçom e suplência castelhanizante: conceitos de surgimento posterior ao séc. XIV), a Comissom Lingüística da AGAL recomenda decididamente (cf. O Modelo Lexical Galego, de próx. publ.) aplicar de modo constante a coordenaçom neológica com o luso-brasileiro, de modo a obtermos aqui, no sentido jurídico indicado, despejar e despejo (açom de despejo, ordem de despejo, etc.).

Categoria(s): Fonética, Léxico
Chuza!
Autocarro

20-03-2012

CONSULTA:

Antes de mais queria-os parabenizar por tão boa ferramenta linguística! Bom, a minha consulta é sobre o porquê da defesa ou recomendação por parte da AGAL do uso da palavra autocarro e não de ônibus, já que esta última ainda continua viva nas falas da Galiza.

Obrigadinho.

Frã Varela

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

No caso de se registar divergência entre Portugal e o Brasil na designaçom de algum conceito de surgimento posterior, entre nós, ao século XV (atuaçom no galego-português da Galiza dos processos degradativos da estagnaçom e da suplência castelhanizante a partir do início dos Séculos Obscuros), a Comissom Lingüística da AGAL propom, em geral, e com muito poucas exceçons (cf. O Modelo Lexical Galego, texto de próxima publicaçom por parte da CL-AGAL, e Léxico Galego: Degradaçom e Regeneraçom, de Carlos Garrido), a adoçom na Galiza da soluçom lusitana, na procura da eficácia comunicativa (homogeneizaçom imediata na Galiza dos usos lexicais), e atendendo a um critério de (maior) proximidade (lingüística, cultural, geográfica, económica, política).

O caso concreto que coloca o consulente (Pt. autocarro / Br. ônibus, para designar um veículo automóvel de uso coletivo, com rotas ou carreiras urbanas prefixadas), achamos que nom deve constituir exceçom à regra enunciada, pois a eventual presença na Galiza de ômnibus, —descartada aqui, evidentemente, a convergência neológica espontánea e autónoma com o Brasil, por nom existir na prática tal capacidade neológica na Galiza contemporánea— só caberá entendê-la por «aderência» a partir do castelhano (cast. ómnibus, voz sinónima do cast. autobús, as quais originam a forma castelhana informal bus). (Cf. a presença na Galiza contemporánea dos castelhanismos «desfasados» *misto ‘fósforo’ e *carrito ‘autocarro’).

Categoria(s): Léxico
Chuza!
"Ocasiom" é um cultismo

16-03-2012

CONSULTA:

A que se deve o uso da única exceçom nas terminações -çom/-som como é «ocasiom»? Nom é um pouco contraproducente o seu uso, sobretudo tendo em conta que no galego medieval já se tende a perder o «i» e mesmo poderia passar por castelanismo?

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

O latim OCCASIONE(M) deu como resultado popular "(o)cajom" na Idade Média. A partir do séc. XIV surge a latinismo "ocasiom", que pola data de entrada na língua e carácter erudito mantivo o "i". Nunca existiu *ocasom.

Chuza!

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