Ordem de despejo

23-04-2012

CONSULTA:

Olá, gostaria de saber a origem e a validez da palavra desafiuzamento que empregan os meios em galego para se referir à expulsom de alguém da sua morada por impagamento (em castelhano, desahucio ou desalojo). Procurei-na tanto no Estraviz como nos dicionários da RAG e até no Priberam, mas em nengum apareceu dita palavra. Obrigado e parabéns por este serviço, do qual deveriam aprender algumhas instituçons que cobram do erário público.

Adrián

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Infelizmente, nom é exata a informaçom de a voz desafiuzamento, com o sentido de ‘desocupaçom compulsória de um imóvel alugado, por decisom judicial’, nom ocorrer no dicionário da RAG, pois que a mais recente ediçom dessa obra regista desafiuzar no sentido jurídico apontado. Trata-se, claramente, de um decalque do cast. desahuciar, que contribui para reforçar a subordinaçom formal e funcional do galego ao castelhano e para isolar o galego das suas variantes geográficas plenamente estabilizadas (lusitano e brasileiro).

Por isso, para reforçar a personalidade e a utilidade social do galego, e em benefício da eficácia e da coerência do seu léxico, neste caso (como, em geral, em todos os casos em que no léxico galego se verifica estagnaçom e suplência castelhanizante: conceitos de surgimento posterior ao séc. XIV), a Comissom Lingüística da AGAL recomenda decididamente (cf. O Modelo Lexical Galego, de próx. publ.) aplicar de modo constante a coordenaçom neológica com o luso-brasileiro, de modo a obtermos aqui, no sentido jurídico indicado, despejar e despejo (açom de despejo, ordem de despejo, etc.).

Categoria(s): Fonética, Léxico
Chuza!
Autocarro

20-03-2012

CONSULTA:

Antes de mais queria-os parabenizar por tão boa ferramenta linguística! Bom, a minha consulta é sobre o porquê da defesa ou recomendação por parte da AGAL do uso da palavra autocarro e não de ônibus, já que esta última ainda continua viva nas falas da Galiza.

Obrigadinho.

Frã Varela

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

No caso de se registar divergência entre Portugal e o Brasil na designaçom de algum conceito de surgimento posterior, entre nós, ao século XV (atuaçom no galego-português da Galiza dos processos degradativos da estagnaçom e da suplência castelhanizante a partir do início dos Séculos Obscuros), a Comissom Lingüística da AGAL propom, em geral, e com muito poucas exceçons (cf. O Modelo Lexical Galego, texto de próxima publicaçom por parte da CL-AGAL, e Léxico Galego: Degradaçom e Regeneraçom, de Carlos Garrido), a adoçom na Galiza da soluçom lusitana, na procura da eficácia comunicativa (homogeneizaçom imediata na Galiza dos usos lexicais), e atendendo a um critério de (maior) proximidade (lingüística, cultural, geográfica, económica, política).

O caso concreto que coloca o consulente (Pt. autocarro / Br. ônibus, para designar um veículo automóvel de uso coletivo, com rotas ou carreiras urbanas prefixadas), achamos que nom deve constituir exceçom à regra enunciada, pois a eventual presença na Galiza de ômnibus, —descartada aqui, evidentemente, a convergência neológica espontánea e autónoma com o Brasil, por nom existir na prática tal capacidade neológica na Galiza contemporánea— só caberá entendê-la por «aderência» a partir do castelhano (cast. ómnibus, voz sinónima do cast. autobús, as quais originam a forma castelhana informal bus). (Cf. a presença na Galiza contemporánea dos castelhanismos «desfasados» *misto ‘fósforo’ e *carrito ‘autocarro’).

Categoria(s): Léxico
Chuza!
"Ocasiom" é um cultismo

16-03-2012

CONSULTA:

A que se deve o uso da única exceçom nas terminações -çom/-som como é «ocasiom»? Nom é um pouco contraproducente o seu uso, sobretudo tendo em conta que no galego medieval já se tende a perder o «i» e mesmo poderia passar por castelanismo?

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

O latim OCCASIONE(M) deu como resultado popular "(o)cajom" na Idade Média. A partir do séc. XIV surge a latinismo "ocasiom", que pola data de entrada na língua e carácter erudito mantivo o "i". Nunca existiu *ocasom.

Chuza!
Arranjar cabides e porta-guarda-chuvas para o bengaleiro

13-03-2012

Cabide que incorpora um porta-guarda-chuvas

CONSULTA:

Antes de mais, obrigado pelas muitas dúvidas resolvidas; coloco mais duas: tenho entendido que bengaleiro é o lugar onde se pousam os guarda-chuvas, mas também aquele em que se penduram os sobretudos e peças de abrigo, e ainda nalgum lugar alargam o significado para o sítio em que, nos teatros e noutros lugares de cultura, se deixam as peças para recolhê-las depois da função. A outra dúvida é o verbo arranjar; tenho ouvido na RTP um funcionário falar de alguém que «arranjou inimigos», como sinónimo de apanhá-los. É possível entender que «arranjar problemas» seja precisamente o contrário de removê-los?

Mais uma vez, obrigado!

Paulo Mouteira.

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

De harmonia com o luso-brasileiro, utilizaremos em galego a voz bengaleiro para denotarmos o departamento de um teatro, casa de espetáculos, edifício público ou residência onde se guardam as bengalas, guarda-chuvas, sobretodos, etc., dos espetadores ou visitantes (e também o empregado encarregado dessa guarda); em relaçom à peça de mobília dotada de ganchos e destinada a nela pendurar chapéus, roupas, bengalas, etc., utilizaremos cabide e, finalmente, para denotarmos a peça de mobília a modo de recipiente onde se depositam guarda-chuvas (e bengalas), recorreremos à voz porta-guarda-chuvas.

O verbo arranjar tem, com efeito, os significados de ‘reparar ou consertar algum objeto ou dispositivo, de modo a que este recupere a sua integridade e funcionalidade’ e o de ‘conseguir, obter’ (esta segunda aceçom de arranjar está ainda viva no galego espontáneo das comarcas da Límia e do Baixo Minho, polo menos). De harmonia com o luso-brasileiro, devemos promover em galego o uso de consertar, como alternativa a arranjar, e o de arranjar no segundo sentido enunciado. No exemplo concreto que aduz o consulente, «arranjar problemas», dificilmente poderá surgir ambigüidade, porque, com a palavra problemas, no sentido de removê-los, deve usar-se antes resolver do que arranjar.

tags: resolver
Categoria(s): Léxico
Chuza!
Mapache, urso-lavador ou urso-lavadeiro

13-03-2012

CONSULTA:

Como devem denominar-se em galego os mamíferos do género Procyon? Já procurei em diversos sítios mas nom dou atopado resultados satisfatórios nem no estraviz.org, nem nos materiais da Real Académia Galega (nom aparece nem no Volga nem no diccionario).

Hugo Martínez.

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Dado que o conceito ‘mamífero do género Procyon’ é posterior (na Galiza e na Europa) ao século XV (espécies americanas, exóticas em relaçom à Galiza), a sua designaçom na Galiza está sujeita ao processo degradativo da estagnaçom(e suplência castelhanizante). Nesta circunstáncia, como medida para enriquecer o léxico galego, a Comissom Lingüística da AGAL prescreve, em geral, a coordenaçom com os padrons lexicais lusitano e brasileiro e, no caso de divergência designativa entre Portugal e o Brasil, a priorizaçom na Galiza da(s) soluçom(ns) lusitana(s) (cf. O Modelo Lexical Galego, de próxima publicaçom pola CL-AGAL; Léxico Galego: Degradaçom e Regeneraçom, de Carlos Garrido; Manual de Galego Científico, de Carlos Garrido e Carles Riera).

Em referência às espécies do género Procyon, as denominaçons utilizadas em Portugal som mapache e urso-lavador (ou urso-lavadeiro), enquanto no Brasil se usam as vozes guaxinim, mão-pelada e zorrinho. Por conseguinte, no galego-português da Galiza, usaremos mapache ou urso-lavador ou urso-lavadeiro.

Categoria(s): Léxico
Chuza!

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