Particularidades galegas da conjugaçom verbal

Particularidades galegas da conjugaçom verbal

15-03-2015

CONSULTA:

Gostava de fazer duas perguntas quanto ao modelo de flexom verbal proposto pola AGAL (Manual Galego de Língua e Estilo). A primeira é a respeito da acentuaçom grave ou esdúxula da primeira e segunda pessoas de plural dos pretéritos imperfeito (cantavamos, cantavades) e mais-que-perfeito (cantaramos, cantarades) de indicativo. Sei que em português o mais comum é a acentuaçom esdrúxula (cantávamos), ainda que no norte, sobretodo nas zonas rurais, tenho escuitado muito também a forma grave (cantavamos). Na Galiza, porém, a forma mais tradicional e comum, exceto no norte de Lugo e no norte e oeste da Corunha, é a acentuaçom grave (cantavamos), ainda que a cada vez se ouve mais cantávamos, estou seguro que por influência do castelhano. Vejo que a AGAL quer padronizar a acentuaçom esdrúxula. Eu e a minha família sempre dixemos cantavamos, o qual eu vejo como a forma mais correta e 'galega' (e primitiva - do latim 'cantavámus, cantavátis'). Igualmente, a AGAL padroniza a forma cantaste como segunda pessoa do pretérito perfeito. Embora seja esta a forma primitiva em galego (do latim 'cantavisti'), é nos dias de hoje mui minoritária (face a outras variantes como cantaches ou cantache). Quais som as razons para estas escolhas? Podia-se dizer que o motivo é a harmonizaçom com o luso-brasileiro, mas entom, porque se mantem o -m final em partim ou dixem, quando também existem (minoritariamente) as formas parti ou dixe na Galiza? Parece-me umha contradiçom.

En qualquer caso, suponho que a ideia atrás de todo isto é que umha cousa é a escrita e outra a fala e que nom se lê ou fala necessariamente da mesma maneira que se escreve.

Obrigado polo vosso trabalho!

Xosé Buxán

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Em primeiro lugar, deve dizer-se ao nosso amável consulente que o Manual Galego de Língua e Estilo, embora escrito na norma da Comissom Lingüística da AGAL, e por três dos seus atuais membros (os professores Beatriz Peres Bieites, Eduardo Sanches Maragoto e Maurício Castro Lopes), nom é um texto codificador da CL-AGAL, por mais que desempenhe com grande eficácia umha útil funçom orientadora. Na realidade, a codificaçom da CL-AGAL no ámbito da morfologia verbal está contida no Guia Prático de Verbos Galegos Conjugados (1989), atualizado em 2013 polo que di respeito ao verbo traguer ou trazer (v. quadro da conjugaçom de traguer ou trazer na secçom «Textos normativos» do espaço internético da CL-AGAL).

Já quanto às questons concretas que pom o nosso consulente, diga-se, em primeiro lugar, que a CL-AGAL inclui na sua codificaçom morfológica tanto as formas verbais do tipo «tu cantache» como as do tipo «tu cantaste»; em segundo lugar, ao padronizar como formas verbais únicas as esdrúxulas do tipo «nós cantávamos», «nós cantáramos», a CL-AGAL nom fai senom aplicar o natural e prático critério geral de harmonizaçom do galego com as variedades lusitana e brasileira do galego-português, quando as variantes galegas legítimas e comuns com o luso-brasileiro nom forem nos falares galegos contemporáneos extremamente raras. Neste caso, é claro que no galego contemporáneo as formas ecuménicas do tipo «nós cantávamos», «nós cantáramos» nom som ilegítimas nem raras. Polo contrário, as formas do tipo «eu comi» som muito raras, marginais, no galego contemporáneo (apenas se registam nos Ancares orientais, no concelho da Mesquita ? comarca do Bolo ?, em lugares dos concelhos de Entrimo e Lóvios ? Vale do Límia ? e nos concelhos de Porto, Ermisende, Luviám e Pias), no qual se revela quase constante a ocorrência das formas legítimas do tipo «eu comim», com fonema nasal final.

Categoria(s): Morfossintaxe
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