Tags: cavalheiro

Castelhano e castelao

09-06-2011

CONSULTA:

Qual a razão para preferir "castelhano" e não "castelão"?. Pessoalmente eu cheguei a escutar na fala viva das terras de Curtis o termo "castelao" (sic), e não falo do extensamente difundido "castelám" pela norma oficial. Para mim não resulta muito fácil ter que aceitar o castelhanismo evidente "castelhano" por muito que ele seja o escolhido pelo padrão internacional.

RESPOSTA DA COMISSOM:

Castelhano para designar em galego o natural de Castela e a língua de Castela

Ainda que no galego-português medieval se empregasse a voz castelão com os sentidos ‘natural de Castela’ e ‘língua de Castela’ (além de ‘senhor de castelo’), a voz sucessora castelám ~ castelao está hoje, na fala espontánea da Galiza, (praticamente) extinta. Por tal motivo, há de habilitar-se agora, para regenerar a língua na Galiza, a designaçom galega de ‘natural de Castela/língua de Castela’ e de ‘senhor de castelo’. Como o faremos?

Nas variedades geográficas socialmente estabilizadas do galego (lusitano e brasileiro), o significado ‘senhor de castelo’ denota-se com a palavra patrimonial castelão, e ‘natural de Castela/língua de Castela’, mediante castelhano, que é umha voz de origem castelhana adotada polo lusitano nos séculos xv-xvi, altura em que o galego (início dos Séculos Obscuros) já nom tinha capacidade para criar nem incorporar palavras novas.

Dado que o normal é que o galego culto, com efeitos enriquecedores e nom invasivos, mostre um número moderado de palavras de origem castelhana (como o castelhano também apresenta um número moderado palavras de origem galego-portuguesa: cachalote, chuvasco, cobra, mermelada, monzón... e até a própria palavra portugués!), e como a voz castelhano nom vem a substituir qualquer palavra galego-portuguesa legítima (pois ela incorpora-se à língua em convivência com castelao), parece conveniente estabelecer no padrom lexical galego, de harmonia com os padrons lexicais de Portugal e do Brasil, o esquema designativo em que a voz castelao denota ‘senhor de castelo’, e a voz castelhano, ‘natural de Castela/língua de Castela’.

Esta medida ou alvitre, que decidamente recomenda a Comissom Lingüística da AGAL para regenerar e potenciar o léxico galego, pode denominar-se incorporaçom de castelhanismos aditivos coordenados, já que se trata da adoçom (em número muito limitado) de vozes de origem castelhana, já harmonicamente integradas nos padrons lusitano e brasileiro, que nom venhem a substituir galeguismos legítimos, antes a estabelecer no léxico culto umha útil distribuiçom e especializaçom de usos. Outro exemplo desta medida padronizadora é o estabelecimento no galego culto do esquema designativo cavaleiro ‘home que monta a cavalo’ / cavalheiro ‘senhor’, sendo cavaleiro a voz patrimonial galego-portuguesa (equivalente da castelhana jinete), e cavalheiro, palavra de origem castelhana convenientemente incorporada ao lusitano no séc. xvi.

Categoria(s): Fonética, Léxico
Chuza!
    O Cosultório Lingüístico é um serviço da CL-AGAL para o povo galego, com o intuito de melhorar o conhecimento das normas prescritas por esta instituiçom, e dessa maneira ajudar a melhorar a qualidade da língua de todos/as as/os galegos/as.

    Busca

    Ligaçons:

    • Comissom Lingüística
    • AGAL
powered by b2evolution