Categoria: Léxico

Oficina

27-12-2014

CONSULTA:

Qual seria a palavra adequada em galego para o equivalente do inglês workshop ou castelhano taller? Mui Obrigado.

Rudesindo Bombarral

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

O conceito ‘sessom ou curso prático sobre algumha atividade ou tema’, designado em inglês polo termo workshop, é posterior ao século XV, polo que a sua designaçom calha em galego dentro do ámbito da estagnaçom lexical (e eventual suplência castelhanizante). Por conseguinte, conforme a codificaçom lexical da Comissom Lingüística da AGAL (plasmada em O Modelo Lexical Galego), a correspondente denominaçom em galego deve ser habilitada através da eventual expurgaçom do correspondente castelhanismo suplente (cast. taller) e da coordenaçom com os léxicos lusitano e brasileiro (e no caso de se registar divergência entre as soluçons lusitana e brasileira, com escolha, em geral, da soluçom lusitana).

No presente caso, as denominaçons utilizadas em Portugal som o galicismo atelier e o anglicismo workshop, enquanto que no Brasil se usa o anglicismo workshop e o vernaculismo oficina. Dado que as soluçons lusitanas som estrangeirismos sem adaptar, para a designaçom em galego do conceito em causa, como exceçom, devemos adotar a soluçom vernácula utilizada no Brasil, oficina (cf. nota 145, pág. 143 e 144, de O Modelo Lexical Galego), se bem que também, como soluçons secundárias, nom descartemos os internacionalismos atelier e workshop (escritos em itálico).

Observe-se que a Comissom Lingüística da AGAL nom é partidária, neste caso, de ressuscitar a voz galego-portuguesa obradoiro, como proponhem outras fontes. A razom é que, umha vez que a voz obradoiro, com o sentido de ‘local ou estabelecimento onde se exerce um ofício (manual)’ nom está presente, de forma significativa, no galego espontáneo contemporáneo (arcaísmo), nom vale a pena restaurarmos o seu uso social em detrimento da voz oficina, que é a unanimemente utilizada hoje nas variedades socialmente estabilizadas da nossa língua no supracitado sentido tradicional (oficina de mecánica do automóvel, oficina gráfica, oficina de farmácia), e que, entom, facilmente pode adquirir, e adquire, o sentido mais recente e derivado por que se interessa o nosso consulente.

tags: atelier, workshop
Categoria(s): Léxico
Chuza!
Conseguim graças a ti, obrigado

07-05-2014

O agradecimento costuma ser a palavra (ou expressom) mais emblemática de cada língua

CONSULTA:

Considerando que no galego-português medieval se regista o uso da interjeiçom (muitas) graças, e nom de (muito) obrigado/a, como fórmula de agradecimento, e que hoje aquela está plenamente vigente na Galiza, há necessidade de incorporarmos agora ao galego (muito) obrigado/a?

Jorge Luazes

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

A Comissom Lingüística da AGAL é firme partidária de padronizar no galego-português da Galiza a fórmula interjetiva (muito) obrigado/a como expressom de agradecimento. Em favor de tal opçom, pode aduzir-se:

1.- Nom é verdade, como afirma o amável consulente, que hoje em dia esteja plenamente vigente em galego a fórmula interjetiva de agradecimento do galego-português medieval graças, mas si a atual fórmula castelhana gracias. Polo contrário, umha fórmula interjetiva de agradecimento autóctone que si ocorre no galego espontáneo contemporáneo é beiçom, mas esta apresenta caráter marcadamente dialetal, puramente residual.

2.- À vista das anteriores circunstáncias, nom vale a pena investirmos esforços na expurgaçom de um castelhanismo (gracias) só para obtermos soluçons (graças ou beiçom) que, ainda que historicamente genuínas, hoje nos isolam em relaçom às variedades socialmente estabilizadas do galego-português, nas quais se utiliza unanimemente a fórmula interjetiva obrigado/a. Esta, relacionada com a seqüência ficar obrigado/a, no decurso de umha evoluçom lingüística autónoma de que o galego foi privado, véu substituir a fórmula interjetiva graças, relegando-a à condiçom de arcaísmo.

3.- Além disso, tenha-se em conta que, dentro do léxico de umha língua, é muito conveniente que se registe homogeneidade nas fórmulas de agradecimento, as quais, como acontece com as fórmulas de saudaçom, representam elementos vocabulares fundamentais, pola sua alta freqüência e polo seu papel chave nas trocas comunicativas e no relacionamento social.

Por todo o dito, e em conclusom, somos firmes partidários da socializaçom na Galiza, em galego, da fórmula (muito) obrigado/a como interjeiçom denotadora de agradecimento, de harmonia com o uso hoje socialmente consagrado nas restantes variedades do galego-português. (Isto, naturalmente, nada obsta à autoctonia e correçom em galego-português de locuçons nom interjetivas que incorporam a palavra graças, como graças a ou dar graças a [um ente superior]).

Categoria(s): Léxico
Chuza!
Dá-me o corpo que esta expressom é popular, mas correta

08-04-2014

CONSULTA:

Boa tarde,

gostaria de consultar a expressom «dar o corpo» ou «dar no corpo» como sinónimo de «intuir». Qual das duas é a expressom correta? Ou som as duas? Que origem tem?

Parabéns polo vosso labor.

Obrigado

Óscar

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Como refere o amável consulente, a expressom popular dar [a alguém] o corpo utiliza-se com o sentido de 'pressentir qualquer cousa', como em «Dava-me o corpo que, desta vez, ia superar a prova». No mesmo sentido, também se pode recorrer às expressons ter um palpite ou ter um pressentimento.

Categoria(s): Fonética, Léxico
Chuza!
Empada e empadinha

14-02-2014

Diferentes formas da empada no mundo lusófono: ao fundo, a mais comum no Brasil e em Portugal, parecida com a empadinha da Galiza; à frente, a conhecida empada galega

CONSULTA:

No dicionário aparece a distinçom entre empada e empanada; porém, na oralidade nunca ouvim.

No Brasil a nossa empada é o empadão. E empada a empanadilla. Como devemos denominar na Galiza as empanadas? E as empanadillas?

Obrigado!

Diego

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Embora os dicionários luso-brasileiros registem as formas empanada e empanadilha para designar duas especialidades culinárias bem populares na Galiza, em galego nom podemos aceitar tais denominaçons, por serem claramente castelhanas, e nom galego-portuguesas (repare-se nos castelhanos n intervocálico e sufixo -ilha dessas formas). Por conseguinte, para designarmos em bom galego-português da Galiza as especialidades culinárias galegas cujos nomes castelhanos som empanada e empanadilla, recorreremos, respetivamente, às formas genuínas galego-portuguesas empada e empadinha

Categoria(s): Léxico
Chuza!
«Cambio» ou «troca»? «Em troca» ou «no entanto»?

02-02-2014

Na ilustraçom de cima, umha troca de prendas; na de baixo, cámbio de diferentes moedas

CONSULTA:

É correto o uso de «en cámbio"? Exemplo: «Sempre transijo; em cámbio, ti tés que sair sempre com a tua.»

Joám

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Nom, nesse caso nom é correto o uso de cámbio. O uso da palavra cámbio, em galego-português, deve restringir-se àqueles enunciados relacionados com as divisas («cámbio dólar-euro», p. ex.). Por outro lado, quando a voz castelhana cambio tem o valor de permuta (p. ex., na locuçom a cambio de), em galego equivale a troca, e quando tem o valor de transformaçom, equivale em galego a mudança, (ou alteraçom). No entanto, na locuçom castelhana en cambio, cambio tem valor de contraste ou de oposiçom, de modo que aí equivale a umha conjuçom ou locuçom galega adversativa ou contrastiva, como no entanto, porém, enquanto (que), polo contrário... Por conseguinte, o exemplo proposto formula-se assim em bom galego: «Eu sempre transijo; polo contrário, tu tens sempre de levar a melhor!» ou «Eu sempre transijo; no entanto, tu tens sempre de levar a melhor!».

Categoria(s): Léxico
Chuza!

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