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Agra-Fojo

16-02-2011

Fojo para o lobo na serra da Peneda

CONSULTA:

Agrafoxo, Agrafojo, Agrafogo?

Este apelido é típico da zona da costa corunhesa, entre Noia e Ribeira, só que nom sei qual seria a forma escrita correta.

Aloia Fernández-Sampedro Carvalhido

RESPOSTA DA COMISSOM:

Como ocorre com outros muitos, Agrafojo é um apelido de origem toponímica, composto de dous elementos transparentes: agra + fojo.

A forma correta de grafar o segundo elemento é Fojo, substantivo que deriva do latim popular foveu (latim clássico fovea): ‘cova, buraco, furna’ (Cf. o castelhano «hoyo»).

Um fojo é (ou antes era) uma armadilha para apanhar lobos. Consistia numha cova funda e redonda tapada com ramos, amiúde parcialmente rodeada dum muro de calhaus. Muitas vezes no fundo do fojo era colocada uma infeliz ovelha tinhosa para que servisse de engodo à voracidade do lobo, como nos recorda Camilo Castelo Branco numha das suas célebres Novelas do Minho.

Como topónimo é abundante na Galiza e nas terras minhotas e trasmontanas, nom raro associado, como era de esperar, ao lobo: Fojo do Lobo, Fojo Lobal, etc.

Nota:
Enquanto topónimo, é melhor escrever "Agra-Fojo" (cf. apêndice toponímico do Prontuário Ortográfico Galego e o programa Topogal da CL-AGAL), grafia que torna clara a composiçom semántica da denominaçom e que harmoniza com o uso habitual em Portugal ("Vila Cova", por exemplo) e que, convenientemente, contraria o hábito espanhol hoje mimeticamente adotado na Galiza polas instituiçons galegas ("Vilaboa").

Categoria(s): Ortografia, Léxico, Morfossintaxe
Chuza!
Fui ou fum?

14-02-2011

CONSULTA:

Seria aceite na escrita, é só uma particularidade dialetal ou uma outra coisa?

Fui - Fum
Colhi - Colhim

Pablo César Galdo Regueiro

RESPOSTA DA COMISSOM:

Como é bem sabido, o galego perdeu de maneira muito maioritária a nasalaçom vocálica fonologicamente rendível que existiu na etapa medieval e que ainda existe em Portugal, Brasil e restantes países de língua portuguesa, ao ponto de ser considerado esse um traço caraterístico do português. Referimo-nos a formas como 'irmão', 'cães' ou 'canções'. Entretanto, na Galiza produziu-se também umha curiosa generalizaçom do traço consonántico nasal velar nas primeiras pessoas dos pretéritos perfeitos da segunda e terceira conjugaçons fracas e na mesma pessoa de todos os pretéritos perfeitos fortes, tal como se vê no exemplos colocados pola pessoa que nos fai esta consulta.

É verdade que existem ainda pontos no leste do nosso país (Portelas, Ancares...) onde se conserva a forma original nom anasalada. No entanto, é evidente o caráter muito maioritário da forma inovadora, provavelmente resultado da extensom analógica do -m presente noutras terminaçons do mesmo tempo. Esse fator, junto à inquestionável natureza endógena do fenómeno (o espanhol coincide aí com o resultado antigo galego e com o atual luso-brasileiro) tornam recomendável a padronizaçom das formas com nasalaçom, quer dizer, as segundas dos pares que figuram no enunciado da consulta. É isso que fam o Estudo Crítico e o Prontuário Ortográfico da AGAL desde as suas primeiras ediçons, de 1983 e 1985, respetivamente.

Categoria(s): Morfossintaxe
Chuza!